C O M U N IC A Ç Ã O
E S T U D O SO B R E A E V E N T U A L IN F L U Ê N C IA D A E R V A D E S A N T A M A R IA N A E V O L U Ç Ã O E M O R T A L ID A D E D E
T R IA T O M ÍN E OS
H e r th a B a r b a r a W ü lle r t T e ile s d e S o u z a , V ic e n te A m a to N e to , L u c ia M a r ia A lm e id a B r a z e M a r ia H elen a C o la m e o M o tta R e v i s t a d a S o c i e d a d e B r a s i l e i r a d e M e d i c i n a T r o p i c a l
2 4 ( 3 ) : ] 8 3 - 1 8 4 , j u l - s e t , 1 9 9 1
Para a prevenção da doença de Chagas, em m últiplas regiões latino-am ericanas, é fu n d a m e n tal'q u e populações contem com adequadas condições sócio-econôm icas e, especificamente, habitacionais, a fim de ficar coibida a veiculação do T r y p a n o s o m a c r u z i através
de triatomíneos. É preciso também não esquecer, profilaticamente, da participação de mecanismos alternativos de transmissão, mas atualmente, sem dúvida, ainda é indispensável manter em foco a necessidade de impedir a disseminação propriciada pelos insetos, nas moradias impróprias.
Variadas providências são usadas ou cogitadas com a finalidade de combater a participação dos triatomíneos e, entre elas, tem proeminência o emprego de inseticidas. Todavia, alternativas por vezes suscitam cogitações, figurando nesse contexto preparações obtidas a partir de vegetais.
R ecen tem en te, v eícu lo leigo de divulgação inform ou que pesquisadores da F und ação In stitu to O s w a l d o C r u z e da
Universidade Federal Fluminense, do Rio de Janeiro, verificaram que substâncias das plantas cinamono e erva de Santa Maria agem prejudicando o desenvolvimento e a reprodução de triatomíneos, configurando inseticidas naturais, biodegráveis e não tóxicos. Foi igualmente noticiado que tais èstudos contam com a cooperação de profi ssionais da Universidade do Arizona e do Instituto Max
L a b o r a t ó r i o de I n v e s t ig a ç ã o M é d ic a - P a r a s ito lo g ia , do H o s p ita l d a s C lín i c a s , da F a c u ld a d e de M e d ic in a da U n i v e r s i d a d e d e S ã o P a u l o , S ã o P a u lo , SP.
E n d e r e ç o p a r a c o r r e s p o n d ê n c i a '. D r a . H e r th a B a rb a ra W ü l le r t T e ile s de S o u z a , L a b o r a tó r io d e In v estig aç ã o M é d i c a - P a r a s i to lo g ia . A v . D r . A r n a ld o 4 5 5 , 0 1 2 4 6 S ã o P a u lo , S P , B ra s il.
R e c e b i d o p a r a p u b l i c a ç ã o e m 2 5 /0 6 /9 1
Planck de Bioquímica, sediados respectivamente nos Estados Unidos da América e na Alemanha, em Munique ("O Estado de S. Paulo", 16 de agosto de
1988, página 16).
Interessamo-nos pelo assunto, efetuamos observação pertinente à erva de Santa Maria e, agora, comunicamos o resultado dessa apreciação. O vegetal em questão ( C h e n o p o d i u m a m b r o s i o i d e s ) ,
amplamente presente em ruas, jardins e matas do Brasil ou outros países americanos é, em geral popularmente, usado em virtude de sua propriedade aromática, recorrendo-se à infusão elaborada com folhas quando desejados efeitos sedativos e emenagogo; além disso, o suco é anti-helmíntico que já gozou de bom prestígio e diz-se que com folhas frescas é viável constituir inseticida.
De início, com extrato de quenopódio comercial (Extrato fluido de erva Santa Maria - “Farmácia eLaboratório As Plantas Curam Ltda. Rua São Bento 351, São Paulo, Estado de São
Paulo, Brasil), por meio de xenodiagnóstico in
v i t r o ' 3, verificamos qual o teor máximo aceito
pelos insetos. A sangue de ratos adicionamos concentrações crescentes e adotamos a quantidade de 250 microlitros para cada ml. Julgamos melhor não aumentar essa porção por temermos rejeição total, uma vez que o cheiro toma-se muito intenso.
Constituímos dois lotes com ninfas de terceiro estádio do T r i a t o m a i n f e s t a n s , tendo um 60
exemplares e o outro 30. Todos os insetos permaneceram 15 dias sem receber alimentação e, a seguir, efetuaram três repastos quinzenais. Os componentes do grupo maior ingeriram sangue e extrato, na composição estipulada de250 microlitros/ ml; os demais receberam apenas sangue. Nesta fase
também recorremos ao xenodiagnóstico in v i t r o .
A fim de consumarmos nosso objetivo analisamos a evolução em cada conjunto, anotando mortalidade e ecdises, durante três meses.
C o m u n i c a ç ã o . S o u z a H B W T , A m a t o N e t o V, B r a z L M A , M o t t a M H C . E s t u d o s o b r e a e v e n t u a l i n f l u ê n c i a d a e r v a d e S a n t a M a r i a n a e v o l u ç ã o e m o r t a l i d a d e d e t r i a t o m í n e o s . R e v i s t a d a S o c i e d a d e B r a s i l e i r a d e M e d i c i n a T r o p i c a l 2 4 : 1 8 3 - 1 8 4 , j u l - s e t , 1 9 9 1
N ossas v erificaçõ es estão adiante resumidas: triatomíneos mortos - 12 no lote de 60 (20%) e nenhum no de 30; mudas para estádios subseqüentes - processaram-se sintematicamente no lote controle e entre os remanescentes vivos do superior.
P o rtan to , pelo menos conform e a metodologia adotada, não se afigurou promissor o
quenopódio quando cogitado para influir na maturação sexual e perpetuação da espécie, no que tange aos hemípteros considerados. A pequena mortalidade, situada no limite do que se passa habitualmente nas criações em laboratório, ao lado da evolução não alterada, desestim ulam a proposição profilática da tática alternativa assinalada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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"in v itr o " . I - E s c o lh a d e a n tic o a g u la n te e d e m e m b r a n a . R e v is ta d o H o s p ita l d as C lín ic a s da F a c u ld a d e d e M e d ic in a d a U n iv e r s id a d e d e S ã o . P a u lo 4 3 : 1 0 1 - 1 0 3 , 1 9 8 8 .
2 . P e c k o lt P , P e c k o lt G . H is t o r ia d a s p la n ta s m e d i c in a e s e u te is d o B r a z il. T y p o g r a p h ia
L a e m m e r t & C ., R io d e J a n e ir o p . l 3 6 9 , 1 8 8 8 . 3 . S o u z a H B W T , M o r e ir a A A B , M a ts u b a r a L ,
C a m p o s R , A m a to N e to V , P in to P L S , T a k ig u ti C K . E stu d o s o b r e o x e n o d ia g n ó s tic o "in v itr o " . II - C o m p a r a ç ã o c o m o x e n o d ia g n ó s tic o "in v i v o ” . R e v ista d o H o s p ita l d a s C lín ic a s d a F a c u ld a d e d e M e d ic in a da U n iv e r s id a d e d e S ã o P a u lo 4 3 : 1 6 5 -1 6 7 , -1 9 8 8 .