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OS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA INDÚSTRIA TÊXTIL DE MARILÂNDIA- ES: TRATAMENTO E DESCARTE

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OS RESÍDUOS SÓLIDOS GERADOS NA INDÚSTRIA TÊXTIL DE MARILÂNDIA- ES: TRATAMENTO E DESCARTE

Luciana Vieira Machado1 Thereza Christina Ferrari Paiva2 Resumo: Nos últimos anos vem ocorrendo um crescimento da degradação do meio ambiente devido às necessidades de maior produção com a crescente exploração dos recursos naturais mundiais. A divulgação, a conscientização e o sentimento de proximidade com as questões socioambientais levam empresas e consumidores a preocupar-se cada vez mais com o assunto e a rever as práticas tradicionais de consumo.

Sendo assim, as empresas viram seus consumidores se posicionar contra processos de produção, atividades e produtos que agridem o meio ambiente e foram buscar na sustentabilidade maneiras de satisfazer os clientes.

No Brasil, um dos setores industriais que mais crescem, geram crescimento econômico, empregos e que é fonte intensa de investimentos é a indústria do vestuário e produz um grande volume de resíduos. Diante desse cenário o objetivo geral deste trabalho é identificar os principais resíduos sólidos gerados e como são descartados e/ou tratados pelas indústrias do setor localizadas em Marilândia – ES. Entre as empresas pesquisadas destaca-se a disparidade entre suas ações e a legislação do gerenciamento de resíduos sendo possível enfatizar a não separação e o descarte incorreto dos resíduos sólidos que geram.

Palavras-chave: gestão de resíduos; indústria têxtil; resíduos têxteis.

SOLID WASTE GENERATED IN THE TEXTILE INDUSTRY OF MARILÂNDIA- ES:

TREATMENT AND DISPOSAL

Abstract: In recent years there has been an increase in the degradation of the environment due to the need for greater production with the increasing exploitation of the world's natural resources. Disclosure, awareness and a feeling of closeness to socio-environmental issues lead companies and consumers to become increasingly concerned with the subject and to review traditional consumption practices. Thus, companies have seen their consumers take a stand against production processes, activities and products that harm the environment and have sought sustainability to find ways to satisfy customers. In Brazil, one of the fastest growing industrial sectors, generating economic growth, jobs and which is an intense source of investments is the clothing industry and produces a large volume of waste. In view of this scenario, the general objective of this work is to identify the main solid residues generated and how they are discarded and / or treated by the industries of the sector located in Marilândia - ES. Among the companies surveyed, the disparity between their actions and waste management legislation stands out, making it possible to emphasize the non- separation and incorrect disposal of the solid waste they generate.

Keywords: waste management; textile industry; textile waste

1Aluna do curso de Bacharelado em Administração do Ifes - Instituto Federal do Espírito Santo. E-mail:

lucianavieira532@gmail.com

2Professora Orientadora do Ifes - Instituto Federal do Espírito Santo. E-mail: thereza.paiva@ifes.edu.br

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1 INTRODUÇÃO

Nos últimos anos vem ocorrendo um crescimento da degradação do meio ambiente devido às necessidades de maior produção com a crescente exploração dos recursos naturais mundiais.

Segundo Bartolomeu e Caixeta-Filho (2011, p. 87) “os resultados negativos provocados pela degradação são a contaminação do ar, das águas e dos solos, catástrofes naturais, doenças recentes, alterações no clima e nas paisagens, ameaças a biodiversidade”.

Com a geração de todos esses efeitos do desenvolvimento industrial a natureza chegou a uma situação alarmante e diante disso, Brunstein, Godoy e Ipiranga (2011) afirmam que em 1987, a publicação do Relatório Brundtland, intitulado Nosso futuro comum, pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas difundiu o conceito de desenvolvimento sustentável.

De acordo com o Relatório Brundtland (Comissão Mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento, 1988, apud Brunstein, Godoy e Ipiranga (2011)) o desenvolvimento sustentável é:

um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender as necessidades e aspirações humanas.

Segundo Fabi, Lourenço e Silva (2010), durante muito tempo os problemas socioambientais tenham sido preocupação apenas do Estado e dos ambientalistas. Hoje, essas questões vêm sendo intensamente debatidas por diferentes atores. A divulgação, a conscientização e o sentimento de proximidade com esses problemas, levam as empresas e os consumidores a se preocupar cada vez mais com o assunto e a rever as práticas tradicionais de consumo.

Ainda de acordo com Fabi, Lourenço e Silva (2010) apud Akatu (2008), uma das novas práticas de consumo é o consumo consciente que pode ser praticado no dia a dia, basicamente de duas formas distintas: a primeira seria ligada a gestos simples, que levem em conta os impactos da compra, uso ou descarte de produtos ou serviços; e a segunda seria marcada pela escolha das empresas onde serão adquiridos estes bens ou serviços, sempre em função do seu compromisso com o desenvolvimento socioambiental.

Sendo assim, as empresas viram seus consumidores se posicionarem contra processos de produção, atividades e produtos que agridem o meio ambiente. Diante dessa mudança de comportamento as

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indústrias enxergaram na sustentabilidade a possibilidade de atender às novas necessidades do seu público e se manterem no mercado.

Segundo Menegucci, Martinelli, Camargo e Vito (2015, p. 02), “a sustentabilidade tem como objetivo reduzir a exploração de recursos naturais através da reutilização de materiais descartados pelas indústrias para assim melhorar as condições de vida para as pessoas e diminuir a degradação do meio ambiente”.

A mudança de atitude das empresas diante das questões ambientais pode contribuir com a redução de descarte de resíduos no meio ambiente, garantir um diferencial no mercado frente às empresas que não estão preocupadas com a sustentabilidade e até mesmo otimizar os lucros.

As empresas que adotam o desenvolvimento sustentável buscam um crescimento capaz de aumentar a capacidade produtiva e reduzir a necessidade de insumos produtivos e energia. Isso pode significar taxas menores de crescimento no curto prazo, mas em longo prazo as taxas de crescimento serão positivas já que haverá ganhado produtividade sem o aumento excessivo de recursos naturais. (BARTOLOMEU E CAIXETA-FILHO, 2011, p. 98)

Segundo Guimarães (2010), no Brasil um dos setores industriais que mais crescem, geram crescimento econômico, empregos e que é fonte intensa de investimentos é a indústria do vestuário.

No entanto, esse crescimento acarreta a produção de um grande volume de resíduos sólidos que causam impactos ambientais decorrentes tanto do processo produtivo quanto do elevado índice de consumo dos produtos do setor.

A pesquisa que aqui se apresenta foi realizada nas indústrias têxteis do município de Marilândia.

Localizado no estado do Espírito Santo, na região Sudeste, é um município essencialmente agrário, no entanto, o setor industrial vem apresentando crescimento.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2016, o município teve um PIB de R$ 227.215.020,00 dos quais R$ 14.998.720,00 é do setor industrial. Em 2017, o PIB foi de R$ 254.122.900,00 e a participação do setor industrial foi de R$ 18.649.340,00. E em 2018, o PIB foi de R$ 262.614.640,00 e o valor referente ao setor industrial foi de R$ 18.280.500,00.

O setor industrial do município é basicamente representado pelas indústrias têxteis instaladas na cidade. O crescimento no número de indústrias gerou um aumento da produção de resíduos que causam prejuízos ao meio ambiente. Diante desse cenário o objetivo geral deste trabalho é

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identificar os principais resíduos sólidos gerados no setor de produção da indústria têxtil e também a melhor opção de descarte e/ou tratamento de cada um deles por meio do estudo bibliográfico sobre a legislação e da gestão de resíduos e aplicação de pesquisa para elencar os resíduos gerados e como são descartados pelas indústrias locais.

2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 GESTÃO DE RESÍDUOS

Uma grande parcela da sociedade usa os termos lixo e resíduo como sinônimos, no entanto, há sugestões de se usar o termo resíduo ao invés de lixo. A palavra lixo origina-se do latim lix e significa cinza. De acordo com o Dicionário Online de Português a palavra lixo pode ser definida como “Tudo o que se varre da casa etc., por imprestável, e se deita fora. Imundícies, sobras de cozinha”. Sendo assim, entende-se neste trabalho como lixo tudo que não pode ser reutilizado, reaproveitado pela própria empresa ou por outras tipologias industriais ou reciclado.

Segundo Logarezzi (2006, p. 95) apud Seibert (2014, p. 15) os resíduos:

[...] possuem valores sociais, econômicos e ambientais que podem ser preservados, a partir do descarte e coleta seletivos e consequente envio para reciclagem, ou até mesmo para a geração de energia.[...]

No desenvolvimento desse trabalho compreende-se por lixo todo material proveniente de atividades humanas que não possui valor e/ou utilidade, enquanto que resíduos são materiais que são resultados de atividades humanas e que não possuindo utilidade para a atividade fim de onde foi produzido, pode ser reutilizado e até gerar renda para pessoas e empresas.

De acordo com inciso XVI, art. 3 da Lei nº 12.305 de 02 de agosto de 2010, os resíduos sólidos englobam

[..] material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade, a cuja destinação final se procede, se propõe proceder ou se está obrigado a proceder, nos estados sólido ou semissólido, bem como gases contidos em recipientes e líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou em corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica ou economicamente inviáveis em face da melhor tecnologia disponível.(BRASIL, 2010)

De acordo com NBR 10004 (2004) apud Ribeiro e Morelli (2009, p.19), resíduos sólidos são aqueles que

nos estados sólido e semissólido, que resultam de atividades da comunidade de origem:

industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam

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5 incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnicas e economicamente inviáveis, em face à melhor tecnologia disponível.

Na produção industrial o material indesejado é considerado resíduo e será descartado sendo que, na atividade industrial, normalmente, gerar resíduos é inevitável. Para regulamentar o descarte dos mesmos é que foi criada a Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que prevê que as empresas são responsáveis pelos resíduos gerados por elas adotando um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização por meio do gerenciamento de resíduos sólidos. É o gerenciamento de resíduos sólidos que faz a gestão dos resíduos urbanos contemplando: coleta, transporte, tratamento e disposição final, além de iniciativas de cunho educativo com o objetivo de conter a produção descontrolada dos mesmos. (ROCHA E SOUZA, 2004)

De acordo com inciso X da Lei 12.305 de 02 de agosto de 2010, o gerenciamento de resíduos sólidos é:

o conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano de gerenciamento de resíduos sólidos, exigidos na forma desta Lei.(BRASIL, 2010)

Sendo assim, o gerenciamento de resíduos tem o objetivo de minimizar a utilização de recursos naturais,reduzir a produção de resíduos e dar destinação correta aos que são gerados buscando minimizar os riscos associados ao tratamento e a destinação final. As indústrias que não fazem a gestão de seus resíduos cometem crime ambiental pela lei nº 12.305 de 02 de agosto de 2010.(BRASIL, 2010)

2.2 GESTÃO DE RESÍDUOS TÊXTEIS NAS INDÚSTRIAS DE CONFECÇÕES DO VESTUÁRIO

De acordo com os dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT, 2019) o setor possui um faturamento da Cadeia Têxtil e de Confecção de US$ 48,3 bilhões, é o segundo maior empregador da indústria de transformação com 1,5 milhão de empregados diretos podendo chegar a 8 milhões se adicionarmos os indiretos.

Em contrapartida, as indústrias têxteis são geradoras de um grande volume de resíduos sólidos na sua cadeia de produção já que seus produtos, na grande maioria, possuem um ciclo de vida curto,

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pois são peças que seguem a moda e por isso mudam muito rápido para acompanhar a tendência de cada estação.

Fletcher e Grose (2011, p. 13) apud Menegucci, Martineli, Camargo e Vito, (2015, p. 02) cita como principais impactos causados pelo setor:

“[...] mudanças climáticas, os efeitos adversos sobre a água e seus ciclos, poluição química, perda da biodiversidade, uso excessivo ou inadequado de recursos não renováveis, geração de resíduos, efeitos negativos sobre a saúde humana, efeitos sociais nocivos para as comunidades produtoras.”

Considerando sua importância econômica, a necessidade de se manter competitiva no mercado e a preocupação mundial com a preservação e a recuperação da natureza, as indústrias têxteis estão se vendo obrigadas a adotar a gestão de resíduos tanto para evitar desperdícios de matéria-prima quanto para atender a cobrança de conservação do meio ambiente, por parte dos clientes.

2.3 A CLASSIFICAÇÃO DOS RESÍDUOS

Existem maneiras diferentes de classificar os resíduos. A maioria sofre alterações apenas nos conceitos. Segundo Ribeiro e Morelli (2009), as formas mais comuns de classificar os resíduos são:

quanto às características físicas (secos ou molhados); quanto à composição química (orgânicos ou inorgânicos); quanto à origem (urbanos ou industriais).

No Brasil os resíduos são classificados de acordo com NBR 10.004/04. Para classificá-los são levados em consideração os riscos que os resíduos oferecem ao meio ambiente e à saúde humana e, envolve a identificação do processo ou atividade que lhes deu origem, além de seus constituintes e características.

De acordo com NBR 10004/2004 apud Ribeiro e Morelli, (2009, p.26) os resíduos sólidos podem ser classificados em duas classes:

Classe I - Perigosos: São aqueles que, em função de suas características de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxidade ou patogenicidade, apresentam riscos à saúde ou ao meio ambiente.

Classe II – Não perigosos:

II A – não inertes: são aqueles que podem apresentar características de combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade, sem se enquadrarem na classe I;

II B – inertes: são aqueles que, por suas características intrínsecas, não oferecem riscos à saúde e que não apresentam constituintes solúveis em água em concentrações superiores aos padrões de portabilidade.

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Na NBR 10.004/04 os resíduos têxteis estão na classe II A, pois possuem propriedades como biodegradabilidade, combustibilidade ou solubilidade em água. No entanto, se durante o processo de produção forem contaminados serão classificados de acordo com a classe I.

De acordo com NBR10004/2004 (ABNT, 2009) apud Pizyblski (2012),

os resíduos têxteis são classificados como resíduos sólidos, de classe II A – não inertes, que podem apresentar propriedades tais como: combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água. Os resíduos têxteis podem ser reutilizados ou reciclados quase que em sua totalidade, desde que não sofram contaminações durante o processo fabril. Se contaminados, com óleo de máquina, por exemplo, passam a ser classificados como resíduos sólidos de classe I – perigoso, que são aqueles que apresentam riscos à saúde pública, provocando ou acentuando um aumento da mortalidade ou da incidência de doenças ou riscos ao meio ambiente, ainda mais quando o resíduo é manuseado ou destinado de forma inadequada.

Entretanto as indústrias do setor geram, de acordo com Vilaça e Dadalto (2001) apud Pizyblski (2012), até 54 tipos de resíduos, com destaque aos específicos do setor como os retalhos, pó de overlock, carretéis plásticos, tubos de papelão e de PVC.

2.3.1 Tipos de resíduos gerados no setor têxtil

No quadro abaixo se encontra os principais resíduos gerados pelo setor têxtil, sendo que, não necessariamente, as indústrias produzirão todos eles. A quantidade de resíduos gerados também vai variar de acordo com o porte da empresa e também o segmento que atua.

Quadro 1: Resíduos gerados pelo setor de confecção

N Resíduos gerados pelo setor de confecção N Resíduos gerados pelo setor de confecção 1 Agulhas quebradas 28 Madeira da moldura das telas de estamparia

2 Algodão flex 29 Marmitex

3 Bombonas de produtos químicos líquidos 30 Óleo lubrificante usado

4 Caixas de lâmpadas 31 Papel carbono

5 Caneta esferográfica 32 Papel da embalagem do tecido

6 Caneta nanquim para ploter 33 Papel de adesivo 7 Carretel plástico de linhas e elásticos 34 Papel de CAD

8 Cartuchos de tinta para Impressoras 35 Papel do ploter (molde)

9 CD’s danificados 36 Papel higiênico

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10 Copos descartáveis 37 Papel sulfite

11 Embalagem plástica de cola 38 Papel toalha

12 Embalagem plástica de produtos químicos sólidos 39 Papelão/ Caixa de papelão 13 Embalagem plástica dos rolos de tecido 40 Peças danificadas de máquinas 14 Embalagem plástica de tinta do ploter 41 Pedaços de zíper

15 Embalagem plástica de tinta para estamparia 42 Plásticos diversos (copos descartáveis) 16 Embalagem plástica do papel de transfer 43 Plástico filme proveniente de sacolas 17 Embalagem plástica dos aviamentos 44 Pó de jeans (desgaste)

18 Etiquetas de papel (para fixação do tamanho da Peça)

45 Pó de overloque

19 Etiquetas de papelão (identificação do produto para expedição)

46 Rejeito de botão e rebite

20 Fastpin 47 Resíduo de metal da montagem do zíper

21 Fio de náfia (que amarra o tecido infestado) 48 Restos de alimentos

22 Fita adesiva 49 Retalho de tecido

23 Flanelas contaminadas com material oleoso (que serve para limpar as máquinas)

50 Retalhos contaminados (estopa)

24 Lâmpadas fluorescentes 51 Retalhos de viés

25 Lâmpadas incandescentes comuns e coloridas 52 Tela para estamparia

26 Linhas 53 Tubos de papelão

27 Lixas para desgaste do jeans 54 Tubos de PVC Fonte: ASSIS; SOUZA; NASCIMENTO (2009) apud PIZYBLSKI (2012)

2.4 PROBLEMAS GERADOS PELO DESCARTE OU TRATAMENTO INCORRETO DOS RESÍDUOS NO PROCESSO DE PRODUÇÃO TÊXTIL

O processo de produção têxtil tem várias etapas como fiação, malharia, beneficiamento, talharia, estamparia, confecção e embalagem. Em todas essas etapas há geração de resíduos que causam danos ao meio ambiente, pois, segundo Menegucci (2015), ainda há descarte a céu aberto, ou seja, em lixões e aterros sem qualquer tipo de controle, há também por meio de incineração, processo altamente poluidor.

De acordo com Santos (1997), os impactos causados nas etapas de produção têxtil são:

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9 nas etapas de fiação e malharia os principais impactos ambientais causados são os níveis de ruído e calor gerados pelas máquinas, além do pó composto por partículas de algodão resultantes dos processos. O beneficiamento, talvez seja a etapa mais crítica, pois se emprega o maior número de substâncias químicas com utilização de processos de risco ambiental acentuado e potencialmente poluidores. A talharia gera um impacto mínimo ao meio ambiente caracterizado pela sobra de tecido e papel usado nos moldes. Na etapa da estamparia, os impactos são causados por produtos químicos utilizados, é necessário que se tenha cuidado e conhecimento dos produtos utilizados e tratamento da água utilizada na lavagem das placas. A maioria dos resíduos gerados na confecção pode e deve ser reciclada, no entanto é essencial ter um cuidado diferenciado com o óleo de lubrificação das máquinas. A última etapa do processo é a embalagem, nessa etapa o impacto ao meio ambiente está relacionado ao tipo de material utilizado para embalar o produto, já que muitos não se decompõem quando jogados em aterros, por exemplo, o plástico comum.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Segundo Gil (2017) quanto aos objetivos a pesquisa que aqui se apresenta é exploratória tendo como propósito proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito. Sendo assim, de acordo com SELLTIZ et al., (1967, p. 63) apud Gil (2017),a coleta de dados pode ocorrer de diferentes formas, envolvendo levantamento bibliográfico; entrevistas com pessoas que tiveram experiência prática com o assunto; e análise de exemplos que estimulem a compreensão.

Continuando com Gil (2017) quanto aos procedimentos técnicos utilizados a pesquisa é bibliográfica, pois para estruturação deste trabalho foram adotadas revisão por meio de pesquisas em livros e artigos científicos que abordavam temas referentes a geração de resíduos sólidos e a gestão dos mesmos em indústrias têxteis de confecção. Também utilizou-se o estudo de caso, que segundo Branski, Franco e Lima Jr. (2010), éum método de pesquisa que utiliza, geralmente, dados qualitativos, coletados a partir de eventos reais, com o objetivo de explicar, explorar ou descrever fenômenos atuais inseridos em seu próprio contexto. Entretanto, o uso desse método é criticado pela dificuldade de generalização, No entanto, segundo Gil (2017) os propósitos do estudo de caso não são os de proporcionar o conhecimento exato de determinada população, mas sim proporcionar uma visão global do problema ou de identificar possíveis fatores que o influenciam ou são por ele influenciados.

Ao todo, o município de Marilândia possui 17 indústrias têxteis representadas no Sinvesco e para a realização da pesquisa de campo a pesquisadora entrou em contato, entre os meses de outubro a dezembro de 2020, com representantes das empresas, por meio de telefone, explicando o objetivo da pesquisa e solicitando o e-mail para envio do questionário. Durante o período relatado apenas 3 empresas fizeram a devolutiva do questionário.

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Inicialmente, pretendia-se uma amostra representativa, mas com a negativa de várias empresas em participar da pesquisa optou-se pela amostragem por acessibilidade ou conveniência, por ser uma técnica não probabilística que segundo Vergara (2010) apud Martins, Machado, Gesser e Pereira (2018) seleciona elementos pela facilidade de acesso a eles.

O questionário enviado contém 20 perguntas abertas e foi respondido por um representante devidamente autorizado pela empresa a fim de obter informações sobre tipos, quantidades, armazenamento, descarte e ou tratamento dos resíduos sólidos gerados por elas. Inicialmente, a pesquisa seria realizada na empresa e o método seria a entrevista, porém devido à pandemia da Covid-19 que o mundo vive atualmente e que se faz necessário o distanciamento social, tornou-se prudente que a aplicação do questionário nas indústrias não fosse realizada presencialmente. Dessa forma, os representantes das empresas, prudentemente, responderam o questionário de forma online.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS 4.1 MARILÂNDIA

Marilândia é um município do interior do estado do Espírito Santo (ES) e segundo o Rotamapas está localizado a 103 km da capital Vitória em linha reta, já o percurso entre as duas cidades é de 149 km com um tempo estimado de 2 horas e 17 minutos. De acordo com dados do IBGE possui extensão territorial de 327,642 km² e a população estimada do município é de 12.963 habitantes.

Sendo um município de interior sua base econômica está na agropecuária destacando-se principalmente a cultura do café, no entanto, é possível perceber na economia uma grande participação do setor industrial. No setor industrial o destaque é voltado para as indústrias têxteis que, segundo o Sindicato das Indústrias do Vestuário de Colatina e Região (Sinvesco), são 17 estabelecimentos representados por ele. Marilândia também conta com um forte potencial de agroturismo a ser explorado.

4.2 RESÍDUOS SÓLIDOS

A seguir, são apresentadas as confecções pesquisadas e os tipos de resíduos sólidos gerados, além do processo de descarte ou tratamento dos mesmos.

Quadro 2: Apresentação das empresas

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11 Itens

Respostas

Empresa A Empresa B Empresa C

1 – Porte da empresa Microempresa. Médio porte. Médio porte.

2 – Tempo de atuação no mercado

8 anos de atuação no mercado. 28 anos de mercado. 13 anos de atuação no mercado.

3 – Empregos gerados pela empresa

Internamente trabalham os dois sócios e 5 colaboradores

e externamente, aproximadamente, 40 prestadores de serviços

(faccionistas).

A empresa gera 230 empregos diretos e, em média, 1000 empregos

indiretos.

Temos 120 funcionários.

4 – Etapas do setor de produção

Internamente só é feito o corte das peças e a expedição. A costura e revisão das peças são

realizadas por faccionistas e a lavagem e estamparia por

outras empresas.

Corte, costura, lavanderia e expedição. Só mandamos

as peças para fora para serem limpas.

Corte, costura, lavanderia, arremate e expedição (acabamento e

embalagem).

O quadro 2 trata da apresentação das empresas quanto ao porte, tempo de atuação no mercado, a geração de empregos diretos e indiretos e as etapas de produção que cada uma realiza.Observa-se no quadro que duas das empresas (B e C) são de médio porte e uma (A) microempresa, informação essa reafirmada de acordo com o número de funcionários que cada uma delas possui, seguindo o critério do SEBRAE que denomina indústria de médio porte aquelas que têm de 100 a 499 funcionários e micro as que possuem até 19 funcionários. É possível perceber que as três entrevistadas estão atuando no mercado há anos, sendo A a mais nova com 8 anos de atividade.

Vale ressaltar que A e B geram empregos diretos e indiretos, pois ambas não realizam todo o processo internamente. A empresa A realiza internamente apenas o corte e a expedição que engloba os serviços de etiquetagem e embalagem e todas as outras etapas são realizadas externamente por prestadores de serviços. E B realiza apenas a limpeza das peças em ambiente externo e as outras etapas são realizadas na sua unidade produtiva.

Quadro 3: Resíduos sólidos gerados e forma de descarte ou tratamento

Itens

Respostas

Empresa A Empresa B Empresa C

5 - Gerenciamento dos resíduos sólidos gerados

Não realizamos. Sim. O descarte é feito em aterros sanitários

Todo resíduo é separado e estocado.

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12 próprios para esse fim.

6 – Principal resíduo sólido gerado Jeans e malha no corte. Tecido (retalhos de jeans), o pó do jeans, papel e plástico.

Restos de tecido e linha.

7 – Quantidade de resíduo gerado (em Kg)

Por dia em média, 50 Kg de retalho, 10 kg de papel e 5 kg de plástico.

O tecido e o pá juntos cerca de 6000 kg por mês, papel e plástico em torno de 100 kg cada um.

Não sei dizer.

8 – Destino dos resíduos gerados na empresa

São levados para o interior e queimados.

O tecido e o pó do jeans são descartados em aterros sanitários próprios para isso. O plástico e o papel são recolhidos por uma empresa de reciclagem.

Descarte.

9 Reaproveitamento dos resíduos sólidos

Não são reaproveitados. Não reaproveitamos. Não fazemos reaproveitamento 10 – Descarte dos resíduos São queimados. Os resíduos são

recolhidos por empresa específica para isso.

Fica armazenado por um tempo em um espaço coberto nos fundos da fábrica, depois recolhido e levado para Aracruz onde é queimado em forno próprio para isso.

11 – Descarte próprio ou terceirizado

A empresa. É terceirizado e pago. O contrato feito com a empresa que recolhe os resíduos é de um ano e meio.

A empresa contrata um caminhão que

transporta o resíduo até o forno.

12 - Periodicidade da coleta por terceirizados

De quatro em quatro meses.

Uma vez por mês.

O quadro 3 apresenta a parte do questionário que trata dos resíduos gerados pelas entrevistadas e como são descartados ou tratados.

De acordo com as respostas dadas pelas empresas é possível perceber que apenas A não realiza o gerenciamento de resíduos, enquanto que B e C realizam, mas executam de formas diferentes. As três citaram o retalho como um dos principais resíduos gerados e ao observar as quantidades que A e B citaram percebemos também que ele é o de maior quantidade em ambas, esse ponto não é possível analisar em relação a C, pois o entrevistado informou não saber a quantidade de cada resíduo gerado por ela.

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Sobre o descarte ou tratamento dos resíduos as empresas agem de formas distintas. A admitiu não realizar o gerenciamento de resíduos e descartá-los no interior do município realizando a queima desses materiais em uma propriedade rural sem qualquer controle e preocupação com o meio ambiente. Sendo assim é possível afirmar que ela infringe o art. 47 da lei nº 12.305/2010 que proíbe a queima a céu aberto como destinação final dos resíduos sólidos, cometendo assim crime ambiental.

As entrevistadas B e C realizam o gerenciamento e descartam os resíduos sólidos que geram nas suas unidades de maneiras distintas. B possui contrato com uma empresa terceirizada e especializada em coleta e descarte desse tipo de material que recolhe os resíduos de quatro em quatro meses, leva para sua sede que fica localizada em outro município e lá realiza o descarte. C também realiza o descarte em um município próximo, porém, a forma que o faz é um pouco diferente da utilizada por B. C contrata um caminhão, mensalmente, que transporta os resíduos até uma empresa localizada em Aracruz, lá eles são queimados em fornos, que segundo o entrevistado, são específicos para esse fim.

Não é possível fazer qualquer afirmação sobre as empresas terceirizadas que realizam a coleta e o descarte dos resíduos gerados por B e C, pois não foram entrevistadas por não serem objetos de estudo deste trabalho.

Quadro 4: Separação e Armazenamento dos resíduos

Itens

Respostas

Empresa A Empresa B Empresa C

13 – Separação dos resíduos sólidos

Não é feita. Sim. Não fazemos.

14 – Critérios de separação Separamos por tipo de

material.

15 – Embalagem usada para armazenar os resíduos

São colocados em sacos plásticos para levar para queimar.

Os resíduos são ensacados em embalagens plásticas.

Usamos sacos plásticos para evitar que molhe.

16 – Área da empresa para armazenagem dos resíduos

Não tem um local só para esse fim.

Ficam no galpão atrás da fábrica até ser recolhido.

Nos fundos da fábrica.

17 – Espaço suficiente para o armazenamento

Não. É suficiente. Para um mês, sim.

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14

O quadro 4 contém as perguntas e respostas, de cada uma das empresas, relacionadas a separação e armazenamento dos resíduos. Apenas B afirmou realizar a separação dos resíduos, e segundo o entrevistado, é de acordo com o tipo de material. Utiliza-se de sacos plásticos para armazenar os resíduos e em seguida eles são armazenados em um galpão nos fundos da fábrica até a data de coleta. A e C não separam os resíduos, mas assim como B armazenam em sacos plásticos. A empresa A, segundo o entrevistado, vai deixando os sacos em “cantos” do salão e assim que começam a ocupar muito espaço e atrapalhar o desenvolvimento do trabalho são transportados até uma propriedade rural no interior do município e queimados, enquanto que C deixa os resíduos nos fundos da fábrica até o caminhão contratado coletar, sendo que, não pode acontecer atraso na coleta, pois a empresa só possui espaço para guardar os resíduos gerados em um mês de trabalho.

Sobre o armazenamento dos resíduos em sacos plásticos realizado pelas três entrevistadas, pode-se afirmar que a escolha delas é condizente com a de grande parte das empresas do setor no Espírito Santo. Segundo o Plano Estadual de Resíduos Sólidos do Espírito Santo (PERS-ES) (2019),

Nos empreendimentos de “confecção de artigos do vestuário”, os RI Classe I são acondicionados geralmente em sacos plásticos (38%), caixas (19%), tonéis (14%) e embalagens de papelão (10%). Já a geração de resíduos não perigosos é acondicionada majoritariamente em sacos plásticos, contemplando 75% da geração de resíduos da Classe II A e 78% dos da Classe II B

A forma de coleta adotada por B e C também é realizada pela maioria das empresas têxteis no estado. De acordo com o PERS-ES (2019),

Na subtipologia “confecção de artigos de vestuário”, os resíduos perigosos são transportados na maior parte dos casos por caminhões compactadores (38%), automóveis (31%) e caminhões baú (25%), sendo que o serviço é realizado na maior parte dos casos pelas prefeituras (43%) e empresas terceirizadas (36%). Já o transporte dos resíduos da Classe II A é executado principalmente pelas prefeituras (73%), sendo feito via caminhões compactadores (52%), bicicletas (10%), carrinhos de mão (10%), caminhões baú (5%) e caminhões basculante (5%). Sobre a Classe II B, esta é movimentada de forma manual (19%), por caminhões compactadores (13%), carrinhos de mão (13%), bicicletas (13%), caminhões baú (13%) e caminhões carroceria (13%), sendo que o serviço é realizado sobretudo por empresas terceirizadas (51%).

Ainda de acordo com o PERS-ES (2019), é possível afirmar que o serviço de coleta dos resíduos de Classe II A no Espírito Santo é realizado em sua maioria pelas prefeituras, mas não é o que se percebe no município de Marilândia, de acordo com as informações coletadas nas empresas, já que duas das empresas pesquisadas afirmam que a coleta é realizada por meio de contratação de empresa terceirizada.

Quadro 5: Fiscalização/autuação

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15 Itens

Respostas

Empresa A Empresa B Empresa C

18 – Vistorias de órgãos públicos ambientais

Nunca tivemos Sim Não

19 – Autuação por alguma falha/erro no descarte de resíduos

Não. Não Não

O quadro 5 traz informações sobre fiscalização e autuação das empresas entrevistadas. É possível perceber que apenas B recebeu visita de órgãos para fiscalização do descarte ou tratamento dos resíduos que gera. De acordo com o entrevistado representante de B as visitas acontecem de forma esporádica, não tem uma data definida para que aconteça.

Ainda é possível perceber no quadro 5 que nenhuma das empresas foram autuadas por falha/erro no descarte de resíduos. Segundo o representante da empresa B quando há algo que precise de modificações nos processos de armazenagem, descarte ou tratamento dos resíduos o órgão fiscalizador notifica a fábrica e determina um prazo para que realize as mudanças solicitadas, ao final desse prazo é realizada uma nova vistoria e se não houve modificação no que era necessário recebe multa.

De acordo com o art. 225 da Constituição Federal de 1988 estabelece que

Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

Sendo assim, Costa (2011) afirma que

Esse artigo pode ser observado sobre três aspectos: o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado como um direito fundamental; o dever do Estado e da coletividade em defender o meio ambiente para as presentes e futuras gerações e a prescrição de normas impositivas de conduta, inclusive normas-objetivo- visando assegurar a efetividade do direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado.

De acordo art.225 § 3º da Constituição Federal de 1988F as condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados.

Contra as pessoas físicas ou jurídicas, que lesarem o meio ambiente por uma ação ou omissão, o agente de fiscalização emite o Auto de Infração Ambiental (AIA). O AIA inicia um processo

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16

administrativo para averiguar a existência ou não de infração sendo assegurado o direito de ampla defesa. Segundo Farenzena (2020), durante o processo administrativo o infrator pode pagar a multa;

apresentar defesa prévia e recurso administrativo; ou, requerer a conversão da multa em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente.

Quadro 6: Apoio da prefeitura

Itens

Respostas

Empresa A Empresa B Empresa C

20 – Sugestão/reclamação/comentário sobre o apoio da Prefeitura de Marilândia e/ou outros órgãos públicos competentes quanto ao gerenciamento de resíduos

A prefeitura não ajuda em nada.

Deveria ter aterro sanitário próprio ou projeto de reciclagem dos retalhos.

Não oferece apoio para a empresa.

O quadro 6 traz informações sobre o apoio da prefeitura em relação ao gerenciamento de resíduos e as três empresas deixam evidente que atualmente não recebem apoio da prefeitura. O representante de B ressalta que deveria ter um aterro sanitário ou um projeto de reciclagem elaborado através de uma parceria entre o setor têxtil e a prefeitura, pois assim seria possível uma redução de custos.

A possibilidade de um projeto integrando objetivos das indústrias têxteis do município e prefeitura é possível de ser idealizado e praticado de acordo com o Art. 30 da lei nº 12.305 de 02 de agosto de 2010 que institui a responsabilidade compartilhada que tem entre seus objetivos compatibilizar interesses entre os agentes econômicos e sociais, promover o aproveitamento de resíduos sólidos, reduzir a geração de resíduos sólidos e o desperdício de materiais e incentivar as boas práticas de responsabilidade socioambiental.

Outra forma da prefeitura incentivar reciclagem, reutilização e tratamento dos resíduos sólidos gerados na indústria têxtil do município e conceder incentivos fiscais de acordo com o Art. 44 da lei nº 12.305 de 02 de agosto de 2010 que permite que os municípios, segundo suas competências, concedam incentivos fiscais a empresas dedicadas à reutilização, ao tratamento e à reciclagem de resíduos sólidos produzidos no território nacional.

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17

5 CONCLUSÃO

Apesar de durante a pesquisa ter havido uma limitação na participação das empresas devida a pandemia da Covid-19 por não ser possível a visita em loco e a dificuldade de adquirir a confiança dos representantes para que respondessem ao questionário por meio do Whatsapp, pode-se perceber que o desenvolvimento do presente trabalho mostrou-se importante para as indústrias do setor têxtil localizadas em Marilândia - ES ao identificar os tipos e a quantidade de resíduos sólidos gerados pelas empresas do setor no município bem como conhecer a forma que os mesmos são descartados ou tratados.

Os principais problemas ou falhas identificadas na realização do trabalho presentes em diversas etapas dos processos executados nas indústrias são a não separação dos resíduos, a falta de espaço ou inexistência de um local apropriado para o armazenamento dos resíduos e o descarte inadequado dos mesmos.

Através da análise das informações coletadas também é possível identificar um problema de fiscalização, visto que as empresas entrevistadas têm anos de atuação no mercado e duas delas não receberam vistoria para fiscalização do descarte de resíduos e uma das que não receberam vistoria realiza a queima dos resíduos que gera sem seguir qualquer regulamento ambiental, agindo de forma totalmente agressiva ao meio ambiente e ilegal.

É relevante destacar que este trabalho pode ser utilizado como fonte de informações para realização de projetos de reciclagem ou reutilização dos resíduos sólidos gerados no setor de produção da indústria têxtil. Vale ressaltar também que a realização de pesquisas posteriores a pandemia pode complementar os estudos deste trabalho sendo possível obter uma amostra representativa do setor para coleta de informações.

Assim, com a análise das informações coletadas é possível afirmar que, alcançou-se o objetivo geral de identificar os principais resíduos sólidos gerados e como são descartados e/ou tratados pelas indústrias do setor localizadas em Marilândia – ES.

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