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Suspensão e Estabilidade Dinâmica do Guiamento

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Academic year: 2022

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Suspensão e Estabilidade Dinâmica do Guiamento

Natanael Ribeiro de Castro

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em

Engenharia Mecânica

Orientador: Prof. José Maria Campos da Silva André

Júri

Presidente: Prof. Carlos Frederico Neves Bettencourt da Silva Orientador: Prof. José Maria Campos da Silva André

Vogal: Prof. António Ramos Andrade

Junho 2019

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Declarac¸ ˜ao

Eu declaro que este documento ´e um trabalho original de minha autoria e que cumpre todos os requi- sitos do C ´odigo de Conduta e Boas Pr ´aticas da Universidade de Lisboa.

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Dedicado aos meus pais.

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Agradecimentos

Agradec¸o primeiramente aos meus pais e irm ˜a, que sempre sonharam num futuro melhor para mim, pelo seus incentivos e sacrif´ıcios, que possibilitaram esta oportunidade preciosa.

N ˜ao poderia deixar de mencionar a minha namorada, que esteve comigo nos momentos bons e maus, nunca me deixando desanimar, mesmo quando a exaust ˜ao bateu `a porta, obrigado Franziska.

Um agradecimento e um abrac¸o a todos os meus amigos, todos os momentos que passamos juntos deram-me forc¸a para terminar este trabalho e ajudaram-me a descarregar o stress. Ao meu amigo Carlos, obrigado pela tua ajuda e conselhos.

Finalmente, um agradecimento muito especial ao professor Jos ´e Maria Andr ´e, por me ter dado a co- nhecer o mundo do transporte ferrovi ´ario, pela incr´ıvel dedicac¸ ˜ao, disponibilidade, paci ˆencia e preciosa ajuda demonstrada durante este trabalho.

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Resumo

A atrac¸ ˜ao e a viabilidade econ ´omica do transporte ferrovi ´ario s ˜ao limitados por v ´arios fatores. Os comboios de alta-velocidade tradicionais s ˜ao est ´aveis devido `a rigidez elevada dos seus bogies, mas necessitam, de vias pr ´oprias com raios de curvatura grandes. A baixa taxa de ocupac¸ ˜ao, flexibilidade e velocidade dos comboios de passageiros regionais e intercidades, combinado com a m ´a qualidade das linhas ferrovi ´arias, levam `a procura de soluc¸ ˜oes que permitem responder `as necessidades do transporte ferrovi ´ario.

Como resposta, idealizou-se um comboio de alta-velocidade, capaz de circular a 250 km/h, com- posto por uma carruagem auto-motora, um sistema de suspens ˜ao otimizado e um sistema de guia- mento geo-referenciado. Desenvolvendo-se um modelo emPythonpara simular a din ˆamica do comboio a percorrer uma via com um dado raio de curvatura.

Usando um processo iterativo, otimizaram-se os coeficientes da suspens ˜ao do comboio para car- ris de m ´a qualidade, procurando maior suavidade, maior estabilidade e evitando as frequ ˆencias de resson ˆancia da estrutura e de desconforto dos passageiros.

O sistema de guiamento ´e testado para a influ ˆencia de erros entre o raio de guiamento e o raio real de curvatura, o limite do ˆangulo de rolamento do comboio e o seu comportamento para vias com diferentes raios de curvatura. Concluindo-se que: erros no guiamento at ´e±6 % n ˜ao s ˜ao significantes para seguranc¸a do comboio; a sobre-elevac¸ ˜ao da via influencia o ˆangulo de rolamento do comboio, mas n ˜ao limita a sua velocidade; a toler ˆancia dos passageiros `a intensidade das acelerac¸ ˜oes laterais para curvas apertadas ´e o principal fator limitante para a velocidade do comboio, o qual n ˜ao existe para o transporte de mercadorias.

Palavras-chave:

Comboio, guiamento geo-referencido, suspens ˜ao, alta-velocidade

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Abstract

The appeal and economic viability of rail transport is limited by several factors. The traditional high- speed trains are stable due to the high rigidity of their bogies but require a purpose-built track composed by curves with a large radius. The low occupancy rate, flexibility, and velocity of regional and intercity passenger trains, combined with the poor quality of railway lines, lead to the search for solutions to meet the needs of today’s rail transport.

In response, a high-speed train capable of running at 250 km/h was designed, consisting of a self- propelled carriage, an optimized suspension, and a geo-referenced guidance system. A model was developed in Pythonto simulate the dynamics of the train traveling on a track with a given curvature radius.

The train suspension coefficients are optimized for poor quality rails through an iterative process, seeking greater smoothness, greater stability, while avoiding the resonance frequencies of the structure and passenger discomfort.

The guidance system is tested for the influence of errors between the guidance radius and the actual curvature radius, the limit of the rolling angle of the train and its behavior for tracks with different curvature radius. We concluded that: guidance errors up to±6 % are not significant for train safety; track elevation influences the rolling angle of the train, but does not limit its velocity; passenger tolerance to the intensity of lateral accelerations in tight curves are the main limiting factor for train velocity, this limit does not exist for freight transport.

Keywords:

Train, geo-referenced guidance system, suspension, high-speed

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Conte ´ udo

Agradecimentos . . . vii

Resumo . . . ix

Abstract . . . xi

Lista de Tabelas . . . xvii

Lista de Figuras . . . xix

Lista de S´ımbolos . . . xxiii

Gloss ´ario . . . 1

1 Introduc¸ ˜ao 1 1.1 Motivac¸ ˜ao . . . 2

1.2 Objetivos . . . 2

1.3 Descric¸ ˜ao dos Cap´ıtulos . . . 3

2 Estado da Arte 5 2.1 Guiamento e Suspens ˜ao . . . 5

2.1.1 Estabilidade e Din ˆamica do Comboio . . . 5

2.2 Mesa de Rolamento . . . 7

2.2.1 Curvas de Transic¸ ˜ao e Sobre-elevac¸ ˜ao . . . 8

2.2.2 Defeitos Geom ´etricos da Via . . . 9

2.3 Contacto Roda-Carril . . . 10

2.3.1 Micro-escorregamento . . . 10

2.3.2 Deformac¸ ˜ao do Carril como Viga Hiperest ´atica . . . 12

2.4 Simulac¸ ˜ao da Din ˆamica Ferrovi ´aria . . . 13

3 Enquadramento e Descric¸ ˜ao do Ve´ıculo 15 3.1 Caracter´ısticas da Procura de Transporte de Passageiros . . . 15

3.2 Soluc¸ ˜oes para os Problemas Atuais . . . 17

3.3 O Comboio em Estudo . . . 18

3.3.1 Dimens ˜oes Gerais e Massa . . . 18

3.3.2 Motores . . . 20

3.3.3 Baterias . . . 21

3.3.4 Sistema de Suspens ˜ao . . . 21

(14)

3.3.5 Sistema de Guiamento . . . 22

4 Equac¸ ˜oes do Movimento e M ´etodo Num ´erico de Integrac¸ ˜ao 25 4.1 ODE Solver . . . 25

4.2 Convenc¸ ˜oes . . . 26

4.3 Sistemas de Coordenadas . . . 26

4.4 Modelac¸ ˜ao da Via e Perturbac¸ ˜oes . . . 28

4.4.1 Geometria da Via . . . 28

4.4.2 Deformac¸ ˜ao da Via . . . 29

4.4.3 Perturbac¸ ˜oes Geom ´etricas da Via . . . 32

4.5 Relac¸ ˜oes Cinem ´aticas entre Pontos . . . 33

4.6 Forc¸as a Atuar sobre o Ve´ıculo . . . 34

4.6.1 Forc¸a de Contacto Roda-carril . . . 35

4.6.2 Forc¸a sobre a Suspens ˜ao . . . 36

4.6.3 Forc¸a Centr´ıfuga e de Sobre-elevac¸ ˜ao . . . 37

4.6.4 Forc¸a de Trac¸ ˜ao e de Atrito . . . 38

4.7 Escorregamento . . . 38

4.7.1 Micro-escorregamento . . . 39

4.7.2 Escorregamento Nominal . . . 39

5 Simulac¸ ˜oes e Testes 41 5.1 Desenvolvimento e Verificac¸ ˜ao do Programa . . . 41

5.2 The Manchester Benchmarks . . . 42

5.3 Testes usando Perturbac¸ ˜oes Puramente Harm ´onicas . . . 43

5.4 Perturbac¸ ˜oes Espectrais . . . 44

5.5 Estudo da Influ ˆencia dos Coeficientes de Elasticidade e Amortecimento da Suspens ˜ao . 45 5.6 Influ ˆencia e Erro do Guiamento Ativo . . . 46

5.7 Valores Extremos de Posic¸ ˜ao e de Forc¸a . . . 46

6 Dimensionamento da Suspens ˜ao e Verificac¸ ˜ao dos seus Limites 49 6.1 Simulac¸ ˜ao de Refer ˆencia . . . 49

6.1.1 Perturbac¸ ˜oes Puramente Harm ´onicas . . . 50

6.1.2 Perturbac¸ ˜oes Espectrais . . . 52

6.2 Influ ˆencia dos Coeficientes de Rigidez e de Amortecimento . . . 53

6.3 Dimensionamento Preliminar dos Coeficientes de Rigidez e Amortecimento . . . 56

6.4 Influ ˆencia e Erro no Guiamento Ativo . . . 59

6.4.1 Comboio com Guiamento Ativo e Inativo . . . 59

6.4.2 Erro no Guiamento Ativo . . . 61

6.5 Ocorr ˆencias Extremas . . . 64

6.5.1 Movimento Lateral dos Eixos . . . 64

(15)

6.5.2 Angulo de Rolamento . . . .ˆ 66

6.5.3 Din ˆamica e Limite de Velocidade para Diferentes Raios de Curvatura . . . 67

7 Conclus ˜oes 73 7.1 Limitac¸ ˜oes do Programa . . . 74

7.2 Trabalho Futuro . . . 75

7.2.1 Sistemas de Compensac¸ ˜ao das Forc¸as Laterais . . . 75

7.2.2 Din ˆamica do Comboio Sujeito a Cargas Aerodin ˆamicas Variadas . . . 75

7.2.3 Testes Experimentais . . . 75

Bibliografia 77

A Cat ´alogos 79

B Componentes do bogie 81

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Lista de Tabelas

2.1 Coeficientes de Hertz (A/B)<1 . . . 12 3.1 TECO - configurac¸ ˜ao IEC N operac¸ ˜ao cont´ınua, S.F. 1.0, classe F, max. temp. amb. 40oC 20 3.2 Caracter´ısticas energ ´eticas das baterias comuns . . . 22 6.1 Caracter´ısticas da suspens ˜ao do comboio para diferentes fases do seu dimensionamento. 56 6.2 Valores do fator de amortecimentoξ absoluto para a simulac¸ ˜ao de refer ˆencia, para a

suspens ˜ao otimizada e para as suspens ˜oes de [2]. . . 59 6.3 Forc¸as absolutas e forc¸as relativas (ao valor sem erro no guiamento), para diferentes

percentagens de erro no guiamento. . . 64 6.4 Comparac¸ ˜ao entre o ˆangulo ideal θi e o ˆangulo simulado θs, para diferentes raios de

curvatura local. . . 69 6.5 Comparac¸ ˜ao entre a acelerac¸ ˜ao centr´ıfuga αc, a acelerac¸ ˜ao compensada pela sobre-

elevac¸ ˜aoαse e acelerac¸ ˜ao sentida pelos passageirosαp, para diferentes raios de curva- tura local. . . 70 6.6 Comparac¸ ˜ao entre a acelerac¸ ˜ao centr´ıfuga αc, a acelerac¸ ˜ao compensat ´oria da sobre-

elevac¸ ˜aoαse e acelerac¸ ˜ao sentida pelos passageirosαp, para diferentes raios de curva- tura local, numa via com um ˆangulo de sobre-elevac¸ ˜ao m ´aximo de 0,524 rad. . . 70

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Lista de Figuras

2.1 Balanc¸o das forc¸as normais e tangenciais entre o eixo e os carris: a) eixo centrado; b) eixo desviado

em relac¸ ˜ao ao centro da via. . . 6

2.2 Esquema da via com escala. (Dimens ˜oes dos componentes n ˜ao est ˜ao `a escala) . . . 7

2.3 Forc¸as que atuam no comboio em curva.. . . 8

2.4 Densidades espectrais dos defeitos verticais admitidos para linhas UIC . . . 10

2.5 A deformac¸ ˜ao da roda e do carril n ˜ao s ˜ao exatamente compat´ıveis. Na zona central as marcac¸ ˜oes coincidem. Quando nos afastamos da zona central, as marcac¸ ˜oes deixam de coincidir devido `a deformac¸ ˜ao. Desenho de Reynolds. . . 11

2.6 Esquema de uma viga com rigidez `a flex ˜aoEI, sobre uma fundac¸ ˜ao el ´asticaksujeita uma forc¸a P. Desenho baseado em [12]. . . 13

3.1 Tempo total de viagem em func¸ ˜ao da dist ˆancia a percorrer para diferentes meios de transporte. Os pontos de intersecc¸ ˜ao das linhas correspondem `as dist ˆancias criticas dos ve´ıculos. [3] . . . 16

3.2 Esquema longitudinal do comboio. . . 19

3.3 Esquema da secc¸ ˜ao transversal do comboio. . . 19

3.4 Estimativa da acelerac¸ ˜ao em linha horizontal com uma pot ˆencia nominal de 500 kW a 600 kW, um rendimento de 87% e um coeficiente de atrito est ´atico igual a 0.3 . . . 21

3.5 Suspens ˜ao e posic¸ ˜ao dos motores do comboio em relac¸ ˜ao aos eixos e `a caixa. . . 21

3.6 Esquema da suspens ˜ao de um dos extremos dos eixos do comboio. . . 22

3.7 Suspens ˜ao na direc¸ ˜aox, incluindo atuadores. . . 23

4.1 Modelo do comboio em estudo, destacando os seus componentes principais. . . 25

4.2 Sistemas de coordenadas: (x0, y0, z0) no referencial terrestre ”fixo”;(x, y, z)no referencial m ´ovel que se desloca com velocidadeVtrdo comboio, aproximadamente constante, em relac¸ ˜ao ao referencial fixo.. . . 27

4.3 Vxy representa a velocidade do referencial m ´ovel num ponto de coordenadas(x, y) no referen- cial terrestre. O referencial m ´ovel roda em torno do centro da curva (pontoO) com velocidade tangencialVtrno eixo da curva, `a dist ˆancia radialRx,y . . . 28

4.4 Modelo din ˆamico da via. Vista esquem ´atica em corte. Todas as coordenadas representadas nesta figura s ˜ao desvios em relac¸ ˜ao `a posic¸ ˜ao de equil´ıbrio. . . 31

4.5 Relac¸ ˜ao entre os pontos da caixa e o eixo dianteiro do comboio, incluindo a ligac¸ ˜ao motor-caixa. . 34

(20)

4.6 Eixo dianteiro do comboio com o motor el ´etrico acoplado. O centro de massas do conjunto est ´a assinalado comCGW; a articulac¸ ˜ao com a estrutura do comboio situa-se no pontoM1. As setas apontam na direc¸ ˜ao positiva das forc¸as e momentos indicados (por exemplo, o sentido positivo de

−fx1A) . . . 35 4.7 Nomenclatura da suspens ˜ao longitudinal. Vista esquem ´atica em planta. Neste exemplo, o atuador

do lado esquerdo imp ˜oe uma dist ˆanciaδ1Ax<0.. . . 37 5.1 Exemplo da amplificac¸ ˜ao da uma curva dos resultados. . . 44 5.2 Exemplo do intervalo de transic¸ ˜ao entre os valores iniciais e os valores de equil´ıbrio das equac¸ ˜oes

diferenciais . . . 45 6.1 Func¸ ˜oes de resposta em frequ ˆencia do ponto central da dianteira do comboiocar1para as perturbac¸ ˜oes

nas direc¸ ˜oesyez, valores para velocidadeVtr= 70m/s. . . 50 6.2 Densidade espectral das acelerac¸ ˜oes laterais quando o comboio circula a 70 m/s numa linha com

defeitos com densidade espectral. As 2 linhas correspondem aos dois limites do espectro: vias em pior estado (linha superior) e de melhor qualidade (linha inferior do gr ´afico). . . 51 6.3 Densidade espectral das acelerac¸ ˜oes verticais quando o comboio est ´a sujeito `as perturbac¸ ˜oes

espectrais (figura 2.4), para uma velocidade de 70 m/s. As 2 linhas correspondem aos dois limites do espectro das perturbac¸ ˜oes espectrais, para vias em pior estado (linha superior) e de melhor qualidade (linha inferior do gr ´afico).. . . 51 6.4 Relac¸ ˜ao entre a amplitude e o tempo para a din ˆamica do pontocar1 sujeito `as perturbac¸ ˜oes es-

pectrais, na direc¸ ˜aoy. . . 52 6.5 Relac¸ ˜ao entre a amplitude e o tempo para a din ˆamica do pontocar1 sujeito a perturbac¸ ˜oes, na

direc¸ ˜aoz.. . . 52 6.6 Comparac¸ ˜ao do movimento da componente ydo pontocar1 para a variac¸ ˜ao de uma ordem de

grandeza, positiva e negativa, da rigidez da suspens ˜ao na direc¸ ˜aoy,ky.. . . 54 6.7 Comparac¸ ˜ao do movimento da componente z do pontocar1 para a variac¸ ˜ao de uma ordem de

grandeza, positiva e negativa, da rigidez da suspens ˜ao na direc¸ ˜aoz,kz.. . . 54 6.8 Comparac¸ ˜ao do movimento da componente ydo pontocar1 para a variac¸ ˜ao de uma ordem de

grandeza, positiva e negativa, do amortecimento da suspens ˜ao na direc¸ ˜aoy,cy. . . 55 6.9 Comparac¸ ˜ao do movimento da componente z do pontocar1 para a variac¸ ˜ao de uma ordem de

grandeza, positiva e negativa, do amortecimento da suspens ˜ao na direc¸ ˜aoz,cz. . . 55 6.10Comparac¸ ˜ao do movimento da componenteydo pontocar1para as diferentes fases de dimensio-

namento do sistema de suspens ˜ao. . . 56 6.11Comparac¸ ˜ao do movimento da componentezdo pontocar1para as diferentes fases de dimensio-

namento do sistema de suspens ˜ao. . . 57 6.12Comparac¸ ˜ao doHy do pontocar1 para as diferentes fases de dimensionamento do sistema de

suspens ˜ao. . . 57 6.13Comparac¸ ˜ao doHz do pontocar1 para as diferentes fases de dimensionamento do sistema de

suspens ˜ao. . . 58

(21)

6.14Deslocamento ideal que deveria ser imposta pelos atuadoresδ1Ae erro no guiamentoδe. . . 60

6.15Comparac¸ ˜ao do comportamento do pontocar1na direc¸ ˜aoypara o comboio com guiamento ope- rativo e inoperativo . . . 60

6.16Comparac¸ ˜ao do comportamento do pontoax1na direc¸ ˜aoypara o comboio com guiamento opera- tivo e inoperativo . . . 61

6.17Comparac¸ ˜ao da forc¸a que atua sobre os atuadores, direc¸ ˜ao x, para o comboio com guiamento operativo e inoperativo . . . 61

6.18Comparac¸ ˜ao do deslocamento do pontocar1na direc¸ ˜aoypara diferentes percentagens de erro no guiamento . . . 62

6.19Comparac¸ ˜ao do deslocamento do pontoax1na direc¸ ˜aoypara diferentes percentagens de erro no guiamento . . . 63

6.20Comparac¸ ˜ao da forc¸a exercida sobre os atuadores na direc¸ ˜aoxpara diferentes percentagens de erro no guiamento . . . 63

6.21Deslocamento lateral do pontoax1emypara diferentes valores de sobre-elevac¸ ˜ao. . . 65

6.22Comparac¸ ˜ao da forc¸a exercida pela roda esquerda na carruagem emypara diferentes valores de sobre-elevac¸ ˜ao. . . 65

6.23Curva para a direita com raio de 1000 m. ˆAngulo de rolamentoαRem relac¸ ˜ao ao ˆangulo de sobre- elevac¸ ˜ao da via para diferentes valores de sobre-elevac¸ ˜ao.. . . 66

6.24Forc¸a vertical exercida sobre a suspens ˜ao da roda direita, para o comboio em estudo a mover-se a 70 m/s numa via comR= 1000. . . 67

6.25Forc¸a vertical exercida sobre a suspens ˜ao da roda esquerda, para o comboio em estudo a mover- se a 70 m/s numa via comR= 1000.. . . 68

6.26Angulo de guiamento do eixo dianteiroˆ θ1para diferentes valores do raio de curvatura local. . . 68

6.27Angulo de guinada da caixaˆ αGpara diferentes valores do raio de curvatura local. . . 69

6.28Angulo rolamento da caixaˆ αRpara diferentes valores do raio de curvatura local. . . 69

6.29Forc¸a longitudinal que atua sobre a caixafx1Apara diferentes valores do raio de curvatura local, a 70 m/s, para uma sobre-elevac¸ ˜ao de 0,0767. . . 71

6.30Comparac¸ ˜ao da forc¸a longitudinal que atua entre as rodas e os carris fRW1Ax para diferentes valores do raio de curvatura local. . . 72

A.1 Coeficiente de atrito aerodin ˆamico para um cilindro com as suas extremidade aproximadamente c ´onicas. Figura de [10].. . . 79

A.2 Forc¸as longitudinais m ´aximas suportadas por atuadores de fuso de esferas, figura retirada de [22]. 80 B.1 Diagrama do bogie Schaffel. (1) Roda; (2) Zona de montagem dos trav ˜oes ou do sistema de trac¸ ˜ao; (3) Caixa de eixo; (4) Moente; (5) Mola; (6) Amortecedor; (7) Eixo; (8) Apoio para o motor. Desenho base [12].. . . 81

B.2 Diagrama da roda ferrovi ´aria t´ıpica.. . . 83

(22)
(23)

Lista de S´ımbolos

Simbolos gregos

α ˆangulo do movimento da caixa β ˆangulo de sobre-elevac¸ ˜ao.

δ variac¸ ˜ao.

γ conicidade das rodas.

λtk comprimento de onda µ coeficiente de fricc¸ ˜ao Ω frequ ˆencia espacial angular.

ω velocidade angular do eixo

ψ angulo em relac¸ ˜ao ao referencial terrestre.

ρ densidade.

σ tens ˜ao.

θ ˆangulo do eixo em relac¸ ˜ao ao eixo vertical.

θcl variac¸ ˜ao angular da curva de transic¸ ˜ao.

εax perturbac¸ ˜oes geom ´etricas da via.

ϑ velocidade instant ˆanea.

Simbolos romanos

A fator de micro-escorregamento.

Atk amplitude das perturbac¸ ˜oes geom ´etricas da via.

c coeficiente de amortecimento.

CD coeficiente de atrito aerodin ˆamico.

Cr resist ˆencia de rolamento.

(24)

f frequencia.

Fc forc¸a centr´ıfuga.

Fβ forc¸a de sobre-elevac¸ ˜ao.

FD forc¸a de atrito aerodin ˆamico.

Fmtr forc¸a do motor.

Fr forc¸a de resist ˆencia ao rolamento.

G gauge da via.

g acelerac¸ ˜ao grav´ıtica.

H func¸ ˜ao de resposta em frequ ˆencia.

h altura.

I momento de in ´ercia.

k coeficiente de rigidez.

L dist ˆancia entre eixos.

l comprimento.

Ls comprimento ideal de transic¸ ˜ao.

Lax comprimento do eixo.

Lcar comprimento total do comboio.

M massa.

m momento.

R raio de curvatura.

r raio nominal da roda.

t tempo.

wcar largura total do comboio.

Vtr velocidade nominal do combio.

Subscritos

0 valor inicial.

1 eixo dianteiro.

2 eixo traseiro.

(25)

A roda direita.

ax eixo.

B roda esquerda.

bat baterias.

car caixa do comboio.

ctr centro geom ´etrico.

G guiamento.

M conex ˜ao motor-caixa.

P picada.

pas passageiros.

R rolamento.

RW superf´ıcie de contacto roda-carril.

str estrutura do comboio.

tk via.

tot total.

tr comboio.

x, y, z componentes cartesianos mtr motor.

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(27)

Cap´ıtulo 1

Introduc¸ ˜ao

Este trabalho simula e testa as caracter´ısticas de um novo tipo de comboio, projetado para circular nas linhas ferrovi ´arias portuguesas a alta-velocidade, 250 km/h. Este est ´a idealizado em [2] e tem como objetivo melhorar o transporte de passageiros, tendo em conta as caracter´ısticas da infraestru- tura ferrovi ´aria e a densidade populacional portuguesa. Para tal, o comboio ´e constitu´ıdo por uma carruagem auto-motora, um sistema de guiamento geo-referenciado e capaz de viajar a 70 m/s nas linhas existentes. Para tal, dividiu-se este trabalho em dois objetivos distintos: O projeto e a verificac¸ ˜ao dos coeficientes de rigidez e amortecimento do sistema de suspens ˜ao e o projeto e verificac¸ ˜ao de um sistema de guiamento geo-referenciado do comboio.

O sistema de suspens ˜ao tem de ser capaz de suavizar as perturbac¸ ˜oes espectrais das linhas por- tuguesas, evitando as frequ ˆencias de resson ˆancia e desconforto dos passageiros, sendo que, tem de ser r´ıgida o suficiente para evitar a instabilidade do comboio para uma velocidade de 250 km/h.

A rigidez dos bogies dos comboios de alta-velocidade tradicionais, permite uma circulac¸ ˜ao est ´avel em vias com raios de curvatura grandes. Para uma via acidentada (raios de curvatura inferiores a 2 km), a rigidez da suspens ˜ao destes comboios provoca o descarrilamento, pois o bogie n ˜ao ´e capaz de acompanhar o seu trac¸ado. A introduc¸ ˜ao de um sistema de guiamento ativo dos eixos do comboio proporciona uma resposta a este problema, pois o ajuste do ˆangulo das rodas relativamente ao trac¸ado da via diminui a forc¸a exercida sobre a suspens ˜ao e evita o seu escorregamento.

A din ˆamica de um comboio sujeito a perturbac¸ ˜oes espectrais, enquanto circula numa via ferrovi ´aria,

´e um sistema complexo n ˜ao linear. De modo, a ser poss´ıvel o seu estudo ´e necess ´ario o desenvol- vimento de um modelo num ´erico, neste caso emPython. Permitindo, modelar o sistema inovador de guiamento geo-referenciado e obter, especificamente, as caracter´ısticas da din ˆamica do comboio em estudo. O programa que modela o comboio em estudo passou por v ´arias fases no seu desenvolvi- mento. Sendo a sua ordem: a modelac¸ ˜ao do comboio numa via bidimensional reta, a modelac¸ ˜ao do comboio numa via bidimensional curva, da modelac¸ ˜ao da suspens ˜ao vertical, da modelac¸ ˜ao das reac¸ ˜oes roda-carril, a modelac¸ ˜ao das reac¸ ˜oes de elasticidade e de amortecimento para a infra-estrutura fixa e a modelac¸ ˜ao do escorregamento das rodas (e sistemas mais pequenos). Tendo-se verificado em cada etapa exaustivamente os valores obtidos nas simulac¸ ˜oes. O conjunto soma 2000 linhas de

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programac¸ ˜ao. Foram produzidos 40 gr ´aficos diferentes para as vari ´aveis do comboio, num total de mais de 300 simulac¸ ˜oes. O trabalho gastou 800 horas de programac¸ ˜ao e mais de 200 horas de c ´alculo computacional.

1.1 Motivac¸ ˜ao

Atualmente existem dois tipos de comboios de passageiros, os comboios regionais/intercidades e os comboios de alta-velocidade de longo curso. Em Portugal, o comboio mais r ´apido ´e o Alfa-pendular, capaz de circular a 220 km/h, no entanto, devido ao trac¸ado acidentado das vias e `a sua m ´a qualidade, este viaja a velocidades inferiores, durante a maioria do seu trajeto. Adicionalmente, o n ´umero elevado de paragens ao longo dos trajetos, limita severamente a velocidade m ´edia do Alfa-pendular, fazendo a ligac¸ ˜ao Porto-Lisboa com uma velocidade m ´edia de 124 km/h (57,6 km/h para o comboio regional e 112 km/h para o comboio intercidades)1. Em contra partida, a introduc¸ ˜ao do comboio de alta-velocidade pode aumentar a velocidade m ´edia das viagens entre polos populacionais situados a m ´edias e grandes dist ˆancias (Porto e Lisboa), embora incorram um custo elevado em termos da infraestrutura e material circulante. O comboio deve ter o potencial de servir uma elevada percentagem da populac¸ ˜ao, sendo que esta se encontra dispersa pela ´area de cada distrito estando apenas uma pequena percentagem congregada na capital distrital, sendo que, 90% dos trajetos realizados s ˜ao de curta dist ˆancia [2]. Se o objetivo de um comboio de alta-velocidade hipot ´etico fosse servir estas populac¸ ˜oes, incorreria num n ´umero elevado de paragens, fazendo diminuir a sua velocidade m ´edia e, consequentemente, invali- dando o seu principal benef´ıcio. No caso portugu ˆes, os deslocamentos di ´arios s ˜ao constitu´ıdos por numerosos fluxos de pequenas dimens ˜oes entre dist ˆancias pequenas. Sendo assim, ´e poss´ıvel re- conhecer a dificuldade da implementac¸ ˜ao de um servic¸o ferrovi ´ario eficiente e r ´apido em Portugal, explorando-se neste trabalho uma resposta a estes problemas.

1.2 Objetivos

Tal como foi previamente mencionado, este trabalho encontra-se dividido em duas partes de igual im- port ˆancia, sendo que cada t ´opico tem objetivos distintos. O Primeiro passo deste trabalho ´e a criac¸ ˜ao de um modelo num ´erico emPythonque permita obter as caracter´ısticas ´otimas do comboio e a influencia do guiamento geo-referenciado na sua din ˆamica.

Pretende-se com o estudo do sistema de suspens ˜ao:

• encontrar os seus coeficientes de rigidez e amortecimento ´otimos,

• evitar as frequ ˆencias de resson ˆancia da estrutura e desconforto dos passageiros,

1Valores calculados a partir do comprimento da linha do Norte e do tempo de viajem entre as estac¸ ˜oes Porto-Campanh ˜a e Lisboa-Oriente. Os tempos de viajem podem ser encontrados no site da CP, estando atualizados para o dia 20 de Maio de 2019.

O n ´umero de paragens varia entre os diferentes comboios, sendo que, o comboio Regional efetua 53 paragens, o Intercidades efetua 12 e o Alfa-pendular 12.

(29)

• proporcionar uma circulac¸ ˜ao suave do comboio, quando este est ´a sujeito a perturbac¸ ˜oes espec- trais correspondentes a vias com m ´a qualidade,

• obter os limites de seguranc¸a do ˆangulo de rolamento e da posic¸ ˜ao das rodas em relac¸ ˜ao aos carris,

• comparar a sua din ˆamica com os sistemas de suspens ˜ao dos comboios de alta-velocidade tradi- cionais.

Pretende-se com o estudo do sistema de guiamento geo-referenciado:

• verificar a influ ˆencia e vantagens deste sistema relativamente a um sistema de guiamento passivo,

• obter os limites dos raios de curvatura poss´ıveis,

• obter os limites das acelerac¸ ˜oes laterais sobre os passageiros,

• verificar o seu impacto sobre o escorregamento das rodas.

Por ´ultimo, pretende-se, combinando os dois sistemas, analisar a din ˆamica do comboio para vias com trac¸ados baseados em [11].

1.3 Descric¸ ˜ao dos Cap´ıtulos

O restante deste documento est ´a organizado da seguinte maneira:

Cap´ıtulo 2 - Estado da Arte: Neste cap´ıtulo s ˜ao apresentados os sistemas e elementos constituti- vos da linha ferrovi ´arios e do material circulante, assim como, as suas caracter´ısticas. Referindo- se primeiramente, o estado atual dos sistemas de suspens ˜ao e guiamento dos comboios, in- cluindo os seus componentes e a sua din ˆamica. De seguida, mencionam-se os elementos cons- titutivos da via, as caracter´ısticas do seu trac¸ado, incluindo as curvas de transic¸ ˜ao e de sobre- elevac¸ ˜ao e a din ˆamica da via, quando esta est ´a sujeita `a influ ˆencia do peso do comboio. na secc¸ ˜ao seguinte, apresenta-se o fen ´omeno de micro-escorregamento e a sua influ ˆencia sobre os movimentos longitudinais do comboio e a sua estabilidade. Finalmente, menciona-se o estado atual dos programas de modelac¸ ˜ao num ´erica que permitem simular a din ˆamica dos comboios.

Cap´ıtulo 3 - Enquadramento e Descric¸ ˜ao do Ve´ıculo: Primeiramente, referem-se quais s ˜ao as caracter´ısticas do transporte de passageiros e os segmentos de mercado para os quais a utilizac¸ ˜ao do comboio ´e vantajosa, mencionando-se de seguida os problemas e desafios que o transporte ferrovi ´ario enfrenta atualmente. Na secc¸ ˜ao seguinte, procura-se dar resposta a estes desafios, descrevendo um novo tipo de comboio a ser estudado neste trabalho. ´E tamb ´em aqui que se descrevem as medidas gerais do comboio idealizado, incluindo as suas caracter´ısticas f´ısicas, assim como, os seus sistemas constitutivos.

(30)

Cap´ıtulo 4 - Equac¸ ˜oes do Movimento e M ´etodo Num ´erico de Integrac¸ ˜ao: Este cap´ıtulo tem como objetivo documentar a implementac¸ ˜ao do comboio descrito nos cap´ıtulos anteriores, uti- lizando um modelo num ´erico n ˜ao linear. Tratando-se da obtenc¸ ˜ao de sistemas de equac¸ ˜oes capazes de descrever a din ˆamica do comboio e a interac¸ ˜ao entre os sistemas do comboio e a via.

Cap´ıtulo 5 - Simulac¸ ˜oes e Testes: Este cap´ıtulo ´e utilizado como uma introduc¸ ˜ao para as an ´alises apresentadas no cap´ıtulo seguinte. Sendo mencionado, quais s ˜ao os tipos de dados que ser ˜ao obtidos, o tipo de an ´alise a ser efetuada, as diferenc¸as entre uma an ´alise baseada nas perturbac¸ ˜oes puramente harm ´onicas e as perturbac¸ ˜oes espectrais. Al ´em disto, ´e aqui descrito o processo de desenvolvimento e verificac¸ ˜ao do programa construido emPython.

Cap´ıtulo 6 - Dimensionamento da Suspens ˜ao e Verificac¸ ˜ao dos seus Limites: Neste cap´ıtulo, procura-se analisar e apresentar os resultados da din ˆamica do comboio, quando este est ´a sujeito

`a variac¸ ˜ao de diferentes fatores. Esta an ´alise ´e iniciada, dando-se uma primeira aproximac¸ ˜ao dos coeficientes de rigidez e amortecimento ao programa. Seguidamente, procura-se quantifi- car a influ ˆencia da variac¸ ˜ao destes coeficientes sobre a resposta da suspens ˜ao e, de seguida, procede-se `a sua otimizac¸ ˜ao. As secc¸ ˜oes seguintes procuram os limites do comboio para varia- dos par ˆametros.

(31)

Cap´ıtulo 2

Estado da Arte

2.1 Guiamento e Suspens ˜ao

Um comboio est ´a sujeito a forc¸as laterais, ao n´ıvel do contacto roda-carril, que lhe permitem seguir a linha, mas tamb ´em est ´a sujeito a forc¸as de lacete1, que instabilizam a suspens ˜ao e causam descon- forto. Num comboio sem bogies, com os eixos ligados `a carruagem por uma suspens ˜ao simples com liberdade de rotac¸ ˜ao, as perturbac¸ ˜oes de lacete atingem grande intensidade. No caso de um comboio com bogie2esta energia ´e absorvida parcialmente, melhorando a suavidade do movimento, porque os bogies restringem o ˆangulo de ataque das rodas relativamente `a linha. Aumentam assim a estabilidade e a seguranc¸a mas reduzem, pela mesma raz ˜ao a capacidade de curvatura do comboio.

O ap ˆendice B foi criado um documento com a intenc¸ ˜ao de informar um leitor n ˜ao t ˜ao versado na nomenclatura dos componentes t´ıpicos do comboio.

2.1.1 Estabilidade e Din ˆamica do Comboio

Um ve´ıculo ´e est ´avel quando os par ˆametros que categorizam seu comportamento est ˜ao dentro de regi ˜oes nas quais a estabilidade ´e garantida [12]. A caixa de um comboio tem seis graus de liberdade, podendo-se mover nas direc¸ ˜oes longitudinalx, lateralye verticalz; e rodar com um ˆangulo de guinada αG, de picadaαP e de rolamentoαR. Embora a din ˆamica do comboio em todos os seus graus de liber- dade seja relevante, os par ˆametros mais importantes para avaliar sua estabilidade s ˜ao os movimentos emy,ze a rotac¸ ˜aoαR.

Os comboios est ˜ao sujeitos `as perturbac¸ ˜oes da via, os quais s ˜ao decompostos nos seus componen- tesyez. Se o sistema de suspens ˜ao n ˜ao for projetado para evitar a resson ˆancia mec ˆanica do corpo do comboio, as amplitudes de seus movimentos aumentar ˜ao sucessivamente com o tempo. A resson ˆancia mec ˆanica acontece quando a frequ ˆencia das oscilac¸ ˜oes de um sistema corresponde `a sua frequ ˆencia

1O lacete ´e um movimento aproximadamente sinusoidal de comprimento de onda func¸ ˜ao da conicidade das rodas, da bitola da linha e do di ˆametro das rodas. Para valores normais destes par ˆametros, um eixo isolado tem um lacete com comprimento de onda da ordem de 20 m. A 70 km/h, a frequ ˆencia do lacete ´e cerca de 1 Hz

2O bogie ´e, na sua ess ˆencia, um corpo relativamente r´ıgido no qual est ˜ao montados um par de eixos. O ˆangulo que estes eixos fazem entre si define o raio local de curvatura do bogie e, portanto, o comprimento de onda do lacete. O bogie est ´a ligado

`a estrutura principal da carruagem por um pivot (articulac¸ ˜ao de eixo vertical) e elementos auxiliares de suspens ˜ao

(32)

natural de vibrac¸ ˜ao. Se o sistema permanecer nestas condic¸ ˜oes, ele tornar-se- ´a inst ´avel, produzindo movimentos oscilat ´orio violentos e at ´e mesmo levando a falhas estruturais. Para um sistema mec ˆanico simples, a frequ ˆencia natural de vibrac¸ ˜ao ´e:

ωn = rk

m (2.1)

sendo,ka rigidez da mola ema massa do corpo.

Para sistemas mais complexos, como um comboio, ´e necess ´ario analisar sua resposta a um in- tervalo de frequ ˆencias, a fim de encontrar sua frequ ˆencia natural. Esta an ´alise determina a func¸ ˜ao de resposta em frequ ˆenciaH do comboio, permitindo a determinac¸ ˜ao das suas frequ ˆencias naturais.

Sendo que,H ´e a relac¸ ˜ao entre a amplitude da resposta do sistema e a amplitude das perturbac¸ ˜oes da via.

Os comboios tradicionais usam a conicidade das rodas e a rigidez dos bogies como uma forma de guiamento passivo. A forma c ´onica das rodas permite mudanc¸as no ˆangulo das forc¸as normais e tangenciais quando o eixo do comboio se move lateralmente (figura 2.1). Este equil´ıbrio de forc¸as mant ´em o comboio na via, mas sem o amortecimento das oscilac¸ ˜oes laterais do eixo, o comboio entrar ´a em uma oscilac¸ ˜ao dehunting. Para controlar este efeito, os eixos dos comboios s ˜ao emparelhados para reduzir o ˆangulo de rotac¸ ˜ao do eixoθ.

Figura 2.1:Balanc¸o das forc¸as normais e tangenciais entre o eixo e os carris: a) eixo centrado; b) eixo desviado em relac¸ ˜ao ao centro da via.

Quando a flexibilidade longitudinal do bogie n ˜ao ´e suficiente para permitir efetuar uma dada curva, o verdugo das rodas ir ´a chocar com a face interna dos carris e provocar, al ´em de vibrac¸ ˜oes e do desgaste dos componentes que entram em contacto, uma elevada forc¸a lateral sobre o eixo. Esta forc¸a lateral ir ´a possivelmente permitir ao comboio fazer a curva, dependendo da velocidade de circulac¸ ˜ao e o raio da curva, no entanto, se a velocidade do comboio for demasiado grande, pode ocorrer o descarrilamento do comboio, devido ao galgamento do carril, produzido pelo atrito entre o verdugo e a face lateral da cabec¸a do carril. Por estas raz ˜oes, ´e importante o desenvolvimento de sistemas que melhorem o guiamento dos comboios.

(33)

ATokyo Metroe a Nippon Steel Sumitomo Corporationdesenvolveram um sistema de guiamento bogie de comboio reativo. O eixo traseiro do bogie ´e dirigido passivamente pelo movimento do bogie em relac¸ ˜ao ao eixo. Isto altera o ˆangulo de ataque do eixo traseiro em relac¸ ˜ao `a via, reduzindo a in- sufici ˆencia do di ˆametro entre as rodas traseiras e as forc¸as de ades ˜ao longitudinais. Devido a isso, o ˆangulo de ataque do eixo n ˜ao guiado diminui e proporciona uma melhor atitude do bogie em relac¸ ˜ao

`a via. Este sistema foi completamente desenvolvido, testado e usado em v ´arias linhas de metro japo- nesas, mas s ´o pode ser usado em velocidades relativamente baixas [17]. A partir dos testes pr ´aticos realizados, ´e poss´ıvel verificar que o sistema de guiamento proposto pelas duas empresas gerou forc¸as laterais com amplitude menor de 32 % e menor ˆangulo de ataque entre o eixo e a curva. Este sistema foi completamente desenvolvido, testado e usado em varias linhas japonesas de metropolitano, mas s ´o se aplica a velocidades relativamente baixas. A partir dos testes pr ´aticos realizados ´e poss´ıvel verificar que o sistema de guiamento proposto pelas duas empresas gerou forc¸as laterais com amplitude 32%

inferiores e um ˆangulo de ataque menor entre o eixo e a curva [17]. H ´a numerosas patentes de siste- mas semelhantes, tais como os propostos por [9], geralmente com aplicac¸ ˜oes da comboios de muito baixa velocidade, sobretudo metropolitanos.

2.2 Mesa de Rolamento

As propriedades do material circulante s ˜ao muito importantes para a din ˆamica e comportamento do comboio, mas as caracter´ısticas da via s ˜ao de igual import ˆancia.

Figura 2.2:Esquema da via com escala. (Dimens ˜oes dos componentes n ˜ao est ˜ao `a escala)

A via ferrovi ´aria ´e constitu´ıda por v ´arias camadas de diferentes materiais e estrutura. Cada n´ıvel, tem uma func¸ ˜ao espec´ıfica e contribui para a seguranc¸a, estabilidade e suavidade da circulac¸ ˜ao. Uma via balastrada ´e constitu´ıda essencialmente por:

• carril, onde as rodas do comboio assentam. O carril deforma devido a forc¸as verticais e laterais do comboio contribuindo para a flexibilidade da suspens ˜ao.

• travessas, apoiam os carris a uma dist ˆancia aproximadamente constante e distribuem a carga ao balastro. Resistem aos movimentos laterais, verticais e de torc¸ ˜ao dos carris.

(34)

• balastro, mant ´em as travessas e os carris aproximadamente na posic¸ ˜ao nominal e proporciona flexibilidade, algum amortecimento e distribuem as cargas `a base e `a sub-base.

• fundac¸ ˜ao, faz variar a altura e a sobre-elevac¸ ˜ao da via e aumenta a flexibilidade e amortecimento do conjunto, de modo a assegurar uma viagem segura e confort ´avel. Transmite as cargas ao terreno.

2.2.1 Curvas de Transic¸ ˜ao e Sobre-elevac¸ ˜ao

A via ideal para a circulac¸ ˜ao de comboios seria uma via retil´ınea em planta, sem rampas e sem defeitos geom ´etricos. No entanto, ´e imposs´ıvel satisfazer as condic¸ ˜oes da via ideal.

Para mitigar a componente lateral da acelerac¸ ˜ao em curvas, nomeadamente nas mais apertadas, a mesa de rolamento ´e inclinada no plano transversal vertical. O ˆangulo de escala,β (ver figura 2.2), ´e projetado tendo em considerac¸ ˜ao uma velocidade espec´ıfica de do comboio. A compensac¸ ˜ao total da acelerac¸ ˜ao centr´ıfuga d ´a-se com um ˆangulo β relacionado com a velocidade do comboioVtr, a forc¸a grav´ıticage o raio local de curvaturaR:

β = arctan Vtr2

g R

. (2.2)

Figura 2.3: Forc¸as que atuam no comboio em curva.

Ou, isolando a velocidade do comboio

VE=p

R g tanβ (2.3)

Quando o comboio tem uma velocidadeVtr superior a esta velocidade de equil´ıbrio verifica-se um deficit de escalahb, que pode ser calculado como:

hb= G q

1 + RV24g2 tr

−ha (2.4)

(35)

sendo,Ga bitola da linha.

Finalmente,especificada a velocidade nominal para a linha, a sobre-elevac¸ ˜ao e o d ´efice de sobre- elevac¸ ˜ao admitido, o raio m´ınimo da curva resulta da combinac¸ ˜ao das equac¸ ˜oes (2.1) e (2.3):

rmin= G Vtr2

g(ha+hb). (2.5)

As curvas de transic¸ ˜ao permitem uma variac¸ ˜ao linear do raio das curvas da linha, que por sua vez permite uma variac¸ ˜ao gradual da forc¸a centr´ıfuga imposta sobre o comboio.

E frequente o uso da parte inicial de uma clot ´oide (curva de Euler) como curva de transic¸ ˜ao. De se-´ guida est ˜ao apresentadas as equac¸ ˜oes usadas por IRC (Rail Industry Reference Commitee) no c ´alculo das coordenadas das curvas de transic¸ ˜ao:

x=L(1−θcl2 10 + θ4cl

216) (2.6)

y=L(θcl

3 −θ3cl

42) (2.7)

em queθcl=L2s/(2R) ´e a variac¸ ˜ao angular da curva de transic¸ ˜ao ao longo do seu comprimento eR o Raio de curvatura final eLs ´e o comprimento ideal da curva de transic¸ ˜ao.

Ls= Vtr2

c R (2.8)

ec ´e um coeficiente dimensional.

c= 80 75 +Vc

(2.9) SendoVca velocidade do comboio em km/h.

Estas equac¸ ˜oes aplicam-se de maneira semelhante para variac¸ ˜oes de altura da mesa de rolamento.

β, o ˆangulo de inclinac¸ ˜ao da linha no planoyz, varia linearmente como o raio de curvatura.

2.2.2 Defeitos Geom ´etricos da Via

Para a an ´alise da din ˆamica do comboio, ´e necess ´ario representar os defeitos da via, geralmente sob a forma de um espectro de densidade espectral de amplitudes de perturbac¸ ˜ao em func¸ ˜ao da frequ ˆencia espacial (n ´umero de onda). Existem v ´arios modelos para representara densidade espectral dos defeitos geom ´etricos:

• Exponenciais [6] [14] [16]:S(Ω) =C|Ω/Ω0|−w

• Dupla exponencial [8] [20]:S(Ω) =C|Ω/Ω0|−w1,S(Ω) =C|Ω/Ω0|−w2

• Func¸ ˜ao racional [23] [28]:S(Ω) =C /(Ω22)

• Func¸ ˜ao racional [15]:S(Ω) = (C /(Ω22))2

• Func¸ ˜ao racional [23]:S(Ω) = (C(Ω222))/((Ω2−α2−β2)2+ 4Ω2α2)

(36)

• Func¸ ˜ao racional [21]:S(Ω) =C1/Ω4+C2/Ω2+C3

sendo os par ˆametrosC,C1,C2,C3,w,w1,w2,α,βeΩconstantes reais positivas.

Nenhuma destas express ˜oes descreve perfeitamente os defeitos geom ´etricos da via. Neste trabalho, foram usadas como refer ˆencia as correlac¸ ˜oes da UIC [26], que s ˜ao do tipo func¸ ˜ao racional. A frequ ˆencia espacial (n ´umero de onda) das perturbac¸ ˜oes ´e expressa em func¸ ˜ao de Ωc uma frequ ˆencia espacial caracter´ıstica das perturbac¸ ˜oes do carril,Ωra frequ ˆencia espacial caracter´ıstica das perturbac¸ ˜oes da roda eAum fator ligado `as propriedades geom ´etricas e mec ˆanicas da via. De acordo com [2], usou-se Ωc= 0,8246rad/m,Ωr= 0,0206rad/m e6,786×10−7< A <2,533×10−6m rad.

Sy(Ω) =Sa(Ω) = AΩ2c

(Ω2+ Ω2r) (Ω2+ Ω2c) (2.10)

103 102 101 100 101 102

(rad/m) 1014

1012 1010 108 106 104 102

Sy()m2/(rad/m)

Figura 2.4:Densidades espectrais dos defeitos verticais admitidos para linhas UIC

A figura 2.4 representa graficamente o espectro de perturbac¸ ˜oes calculado com a express ˜ao (2.12).

Quanto menor for o n ´umero de onda, maior ´e a densidade espectral da amplitude das perturbac¸ ˜oes. O n ´umero de onda relaciona-se comn,λ,f,υeω:

Ω = 2πn=2π λ =2πf

υ =ω

υ (2.11)

2.3 Contacto Roda-Carril

2.3.1 Micro-escorregamento

As deformac¸ ˜oes el ´asticas e inel ´asticas dos carris e das rodas do comboio na regi ˜ao de contacto s ˜ao relevantes para a din ˆamica do comboio. Como o contacto roda-carril n ˜ao ocorre de maneira uniforme ao longo da regi ˜ao de contacto, ocorre um fen ´omeno denominado micro-escorregamento. Na aus ˆencia

(37)

de atrito, em pontos hom ´ologos da roda e do carril, as deformac¸ ˜oes superficiais da roda s ˜ao diferentes das deformac¸ ˜oes superficiais do carril no qual a roda est ´a apoiada. Na secc¸ ˜ao central da regi ˜ao de con- tacto, a intensidade das tens ˜oes normais garante um atrito suficiente para manter as duas superf´ıcies unidas sem escorregamento (figura 2.5). Quando nos afastamos da secc¸ ˜ao central, a tens ˜ao normal na interface diminui, sendo nula nos limites da regi ˜ao de contacto, enquanto que a tens ˜ao tangencial necess ´aria para impedir o micro-escorregamento aumenta. O escorregamento total das rodas do com- boio resulta da combinac¸ ˜ao do eventual escorregamento de corpo r´ıgido e do micro-escorregamento.

Figura 2.5: A deformac¸ ˜ao da roda e do carril n ˜ao s ˜ao exatamente compat´ıveis. Na zona central as marcac¸ ˜oes coincidem. Quando nos afastamos da zona central, as marcac¸ ˜oes deixam de coincidir devido `a deformac¸ ˜ao.

Desenho de Reynolds.

Atualmente, o uso de m ´etodos de elementos finitos para estudar a din ˆamica roda-carril ´e comum mas a an ´alise do contacto ´e morosa e consome, al ´em de recursos computacionais, tempo de simulac¸ ˜ao.

Por outro lado, o micro-escorregamento n ˜ao depende s ´o do n´ıvel de tens ˜oes el ´asticas mas de propri- edades reol ´ogicas quantificadas por modelos emp´ıricos pouco gerais. Assim, o rigor dos elementos finitos acaba por n ˜ao ser t ˜ao ´util como se poderia pensar `a primeira vista. Devido `a necessidade do c ´alculo r ´apido do micro-escorregamento em an ´alises din ˆamicas de ve´ıculos, ´e relevante o uso de m ´etodos anal´ıticos ou semi-anal´ıticos.[12]

A teoria de contacto el ´astico de Hertz permite quantificar aproximadamente as tens ˜oes que atuam na interface e as deformac¸ ˜oes tangenciais da superf´ıcie, as quais est ˜ao relacionadas com o micro- escorregamento. Quando temos corpos com um comportamento el ´astico, planos semi-infinitos, gran- des raios de curvatura comparativamente `a ´area de contacto e curvaturas constantes dentro da ´area de contacto, a ´area de contacto ´e uma elipse plana e a press ˜ao de contacto ´e semi-elipsoidal. A dimens ˜ao e geometria da ´area de contacto elipsoidal est ˜ao diretamente relacionadas com o raio nominal da roda, o raio transversal da roda e o raio transversal do carril. O micro - escorregamento tem tr ˆes componentes distintas, uma longitudinal, uma transversal e uma angular.

O escorregamento longitudinal ´e o mais relevante do ponto de vista da simulac¸ ˜ao da din ˆamica do comboio, devido `a sua magnitude e influ ˆencia no movimento do ve´ıculo.

De modo a determinar as dimens ˜oes da elipse correspondente `a ´area de contacto ´e necess ´ario obter os coeficientesAeB.

A= 1

2rn e B= 1 2

1 RW x+ 1

Rrx

(2.12)

(38)

θo 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 g=n/m 1 0.7916 0.6225 0.4828 0.3652 0.2656 0.1806 0.1080 0.0470 0

m 1 1.128 1.285 1.754 1.754 2.136 2.731 3.816 6.612 ∞

n 1 0.8927 0.8000 0.6407 0.6407 0.5673 0.4931 0.4122 0.3110 0

r 1 0.9932 0.9726 0.8867 0.8867 0.8177 0.7263 0.6038 0.4280 0

Tabela 2.1: Coeficientes de Hertz (A/B)<1

Estes coeficientes correspondem `as propriedades geom ´etricas dos corpos em contacto e est ˜ao relacionados com o raio nominal da rodarn, o raio transversal do perfil da rodaRWxe o raio transversal do perfil do carrilRrx. Os semi-eixos da elipse de contacto s ˜ao calculados tendo em conta as curvaturas m ´edias dos contacto, a forc¸a perpendicular `a ´area de contacto N, o m ´odulo de Young do material constitutivo dos corposEe o coeficiente de Poissonυ.[12]

a=m3

2N 1−υ2 E

1 A+B

1/3

(2.13)

b=n3

2N 1−υ2 E

1 A+B

1/3

(2.14) Os fatoresmenpodem calcular-se a partir das equac¸ ˜oes acima. A tabela B.1 oferece valores de menpara v ´arios ˆangulosθ:

O c ´alculo das vari ´aveis acima ´e ´util para calcular os chamados coeficientes de Kalker. Kalker, em 1967, na sua tese de doutoramento prop ˆos uma formulac¸ ˜ao das relac¸ ˜oes do micro-escorregamento linear para ´areas de contacto el´ıpticas, que ainda hoje ´e adoptada.







 fx

fy

mz









=

C11 0 0

0 C22

√ a b C23

0 −√

a b C23 a b C23







 νξ

νη

νζ









(2.15)

Este sistema matricial de equac¸ ˜oes permite calcular atrav ´es das velocidades de micro-escorregamento e dos coeficientes de Kalker as forc¸as e momentos nas v ´arias direc¸ ˜oes. Os coeficientes de KalkerC11, C22eC23podem ser calculados a partir de tabelas experimentais ou mediante f ´ormulas emp´ıricas. Es- tas f ´ormulas e tabelas substituem a necessidade da an ´alise de elementos finitos e providenciam uma boa aproximac¸ ˜ao do comportamento do micro-escorregamento entre as rodas e os carris [13]. Face `as incertezas em jogo, esta formulac¸ ˜ao permanece v ´alida e a maioria dos autores baseiam-se nela.

2.3.2 Deformac¸ ˜ao do Carril como Viga Hiperest ´atica

O comportamento do carril ferrovi ´ario sujeito a uma carga, pode ser aproximado ao de uma viga apoiada numa fundac¸ ˜ao el ´astica. Uma fundac¸ ˜ao el ´astica, tal como est ´a representada na figura 2.6, corresponde a uma distribuic¸ ˜ao cont´ınua de molas, cuja rigidez ´e conhecida como o m ´odulo da fundac¸ ˜aokF [5]. A deformac¸ ˜ao do carril ´e proporcional `a magnitude da forc¸a a atuar sobre o carril.

A deformac¸ ˜aoz(x, t)de uma viga de m ´odulo de Young[E] =Pa, momento de in ´ercia[I] =m4e densidade linear [ρ] =kg/m, apoiada sobre uma fundac¸ ˜ao de rigidez linear [k] = N/m2 e coeficiente

(39)

linear de amortecimento[c] =N.s/(m2), sujeita a uma cargaδ(xF)F, verifica a equac¸ ˜ao din ˆamica 2.18.

E I ∂4z

∂ x4 +ρ A∂2z

∂ t2 +c∂ z

∂ t =δ(xF)F (2.16)

Devido `a resposta da suspens ˜ao `as perturbac¸ ˜oes do carril, teremos uma variac¸ ˜ao da forc¸a que atua sobre o carril, sendo a maioria da magnitude da forc¸a constante e igual a−14Mtotg. δ(x)representa a func¸ ˜ao de Dirac centrada em x.

Figura 2.6: Esquema de uma viga com rigidez `a flex ˜aoEI, sobre uma fundac¸ ˜ao el ´asticaksujeita uma forc¸aP. Desenho baseado em [12].

2.4 Simulac¸ ˜ao da Din ˆamica Ferrovi ´aria

A din ˆamica de ve´ıculos pode ser feita usando m ´etodos anal´ıticos, m ´etodos num ´ericos ou uma combinac¸ ˜ao dos dois. Os m ´etodos anal´ıticos s ˜ao usados h ´a d ´ecadas e foram os primeiros a ser usados para des- crever o movimento e obter par ˆametros din ˆamicos dos comboios. Em parte, isto deveu-se ao facto de n ˜ao existirem computadores ou estes n ˜ao possu´ırem a capacidade suficiente, no entanto, os mo- delos anal´ıticos t ˆem a grande vantagem de permitir compreender a din ˆamica ferrovi ´aria e relacionar diretamente a resposta em frequ ˆencia com os par ˆametros f´ısicos e geom ´etricos da suspens ˜ao e do ve´ıculo.

Os m ´etodos num ´ericos t ˆem, impl´ıcito, um suporte anal´ıtico consider ´avel e os resultados anal´ıticos devem ser usados para validar os resultados num ´ericos. Primeiramente, ocorreu um aumento da quali- dade e complexidade dos modelos anal´ıtico; atualmente, os esforc¸os orientam-se em utilizar ferramen- tas num ´ericas mais completas para fazer a analise no dom´ınio do tempo e incluir efeitos n ˜ao lineares [2]. Existe um leque de programas comerciais que permitem a modelac¸ ˜ao da din ˆamica de ve´ıculos ferrovi ´arios. Estes programas por norma:

• permitem a an ´alise de v ´arias combinac¸ ˜oes de geometria da roda e do carril;

• utilizam a teoria de Kalker do micro-escorregamento;

• admitem modelos complementares de contacto roda carril;

• s ˜ao capazes de modelar v ´arios tipos de suspens ˜oes;

• aceitam diversos dados relativamente `a linha.

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• al ´em disso, incluem m ´odulos demultibody dynamics3para simular a deformac¸ ˜ao e interac¸ ˜ao de v ´arias carruagens, bogies e outros corpos em movimento relativo.

Hoje em dia programas como oVampireda British Rail eUniversal Mechanismpermitem o estudo e a simulac¸ ˜ao complexa de comboios, usando variados par ˆametros, configurac¸ ˜oes de ve´ıculos, vias e sistemas de suspens ˜oes. Embora estes programas sejam usados amplamente na ind ´ustria, ´e poss´ıvel, usando plataformas gen ´ericas como oPythonou o Matlab, desenvolver programas espec´ıficos. Cla- ramente existem compromissos entre o desenvolvimento de um programa para uso cient´ıfico e um programa comercial. Habitualmente, um programa cient´ıfico tem outras preocupac¸ ˜oes e ´e desenhado para modelar sistemas inovadores, n ˜ao usados ainda na ind ´ustria. Este tipo de programa costuma ser desenvolvido com baixos recursos, tem interfaces menos amig ´aveis para o utilizador tem geralmente um ˆambito mais restrito e usa algumas simplificac¸ ˜oes ou m ´etodos num ´ericos n ˜ao standard, que reque- rem mais conhecimentos por parte do utilizador. Assim, os programas cient´ıficos s ˜ao v ´alidos e muito

´uteis para tirar conclus ˜oes acerca da din ˆamica dos ve´ıculos, especialmente quando se trata de projetos muito inovadores.

3A an ´alise de multibody dynamics consiste no estudo dos movimentos de sistemas constitu´ıdos por corpos r´ıgidos que est ˜ao ligados entre si de diferentes formas (molas, amortecedores, pivots, ligac¸ ˜oes r´ıgidas, etc.), sob a influ ˆencia de forcas.

(41)

Cap´ıtulo 3

Enquadramento e Descric¸ ˜ao do Ve´ıculo

Nesta secc¸ ˜ao apresenta-se o comboio que se pretende estudar e as raz ˜oes da escolha de um comboio com estas caracter´ısticas, sendo este trabalho ´e um desenvolvimento das conclus ˜oes apresentadas em [2]. O comboio idealizado deve ser fabricado e operado a baixo custo e adaptar-se `as condic¸ ˜oes ferrovi ´arias portuguesas, conseguindo atingir alta-velocidade, sem se efetuarem grandes modificac¸ ˜oes da infra-estrutura fixa.

3.1 Caracter´ısticas da Procura de Transporte de Passageiros

Como foi referido no cap´ıtulo 1, as exig ˆencias do tr ´afego ferrovi ´ario em Portugal ´e caracterizado por muitos fluxos de pequenas dimens ˜oes de passageiros, transportados em viagens de curta a m ´edia dist ˆancia. No caso do autom ´ovel, apenas 10% do tr ´afego com origem no Porto entra em Lisboa ou na sua vizinhanc¸a. O que significa, que 90% do tr ´afego origin ´ario do Porto faz viagens mais curtas. Sendo esta tend ˆencia aplic ´avel ao restante territ ´orio nacional, onde os passageiros fazem viagens para cidades relativamente pr ´oximas das suas resid ˆencias [2]. Estas caracter´ısticas do fluxo do tr ´afego portugu ˆes requer numerosas estac¸ ˜oes ferrovi ´arias interm ´edias, de modo, a servirem populac¸ ˜oes relativamente pequenas ao longo do trajeto.

O n ´umero de paragens que um comboio efetua no seu trajeto tem um impacto substancial no tempo de viagem origem-destino, devido, n ˜ao s ´o ao tempo de carga e descarga nas estac¸ ˜oes, como tamb ´em, ao tempo de desacelerac¸ ˜ao at ´e `a paragem e acelerac¸ ˜ao at ´e `a velocidade de circulac¸ ˜ao nominal. O cons ´orcio Consulgal/Transmark estudou os tempos de viagem esperados de um comboio de alta velo- cidade no trajeto Lisboa/Porto, sem a exist ˆencia de paragens interm ´edias. Tendo obtido que para uma velocidade m ´edia de 225 km/h ter-se- ´a um tempo de viagem de 1h 20m, para 212 km/h 1h 25m e para 200 km/h 1h 30m [2]. Estes tempos de viagem s ˜ao impressionantes quando comparados com o tempo de 2h35m que o Alfa Pendular demora a realizar os 336km do trajeto Porto-Lisboa [27]. O resultado

´e uma velocidade m ´edia de 124 km/h. Embora, os comboios de alta-velocidade possibilitem atingir

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velocidades 1.4 vezes superiores `a velocidade m ´axima do Alfa Pendular (220 km/h), a diferenc¸a entre as velocidades m ´edias dos comboios para um trajeto com o mesmo n ´umero de paragens ´e pequena.

Logo, quanto menor for o n ´umero de estac¸ ˜oes interm ´edias mais r ´apida ´e a viajem entre origem e o destino e existir ´a uma maior relev ˆancia da velocidade m ´axima do comboio.

E importante, no entanto, para a viabilidade do transporte ferrovi ´ario a inclus ˜ao da populac¸ ˜ao exis-´ tente entre as duas principais cidades portuguesas. Isto resulta num conflito entre servir o maior n ´umero de passageiros poss´ıvel e obter uma velocidade m ´edia do trajeto competitiva.

0 100 200 300 400 500

0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0

Tempo total deviagem (horas)

Distância (km) Combo

io Regio nal

Combo io interu

rbano

Estrada

Auto-e strada

Comboio de alta- velocida

de

Avião Regional Avião de longo curso

Figura 3.1: Tempo total de viagem em func¸ ˜ao da dist ˆancia a percorrer para diferentes meios de transporte. Os pontos de intersecc¸ ˜ao das linhas correspondem `as dist ˆancias criticas dos ve´ıculos. [3]

Uma considerac¸ ˜ao importante na escolha do meio de transporte utilizado para uma dada viagem,

´e o tempo que se demora a percorrer a dist ˆancia porta a porta. Um passageiro que pretenda utilizar o comboio para viajar ter ´a, forc¸osamente, de se deslocar atempadamente `a estac¸ ˜ao de ferrovi ´aria mais pr ´oxima. Este deslocamento varia com a dist ˆancia da habitac¸ ˜ao de cada passageiro `a estac¸ ˜ao ferrovi ´aria, na figura 3.1 foi considerado um tempo m ´edio de 45 minutos. Da mesma forma, o passageiro ter ´a de se deslocar da estac¸ ˜ao ferrovi ´aria de destino at ´e ao seu destino final. Este tempo de viagem extra e impossibilidade da escolha do tempo de partida, s ˜ao as caracter´ısticas mais penalizadoras dos transportes p ´ublicos, do ponto de vista dos passageiros. De facto, a compra de novos autom ´oveis entre 1996 e 2000 aumentou 18 % e o uso do comboio diminuiu 20 % para um per´ıodo de tempo semelhante [3]. Embora esta relac¸ ˜ao exista, estas variac¸ ˜oes devem-se a diversos fatores e por isso n ˜ao pode ser estabelecida uma relac¸ ˜ao direta entre estas. No entanto, ´e um dado de interessante e verifica uma tend ˆencia do abandono comboio como meio de transporte por milhares de passageiros e a adoc¸ ˜ao do autom ´ovel como meio de transporte principal.

A diminuic¸ ˜ao do n ´umero de utilizadores dos meios de transporte ferrovi ´arios resulta em taxas de ocupac¸ ˜ao baixas, o que por sua vez, leva a um retorno financeiro menor e a um potencial balanc¸o negativo das empresas de transportes ferrovi ´arios de passageiros. Uma soluc¸ ˜ao para resolver, parcial-

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mente, os custos inerentes a uma taxa de ocupac¸ ˜ao inferior, ´e a diminuic¸ ˜ao do n ´umero de carruagens por comboio. No entanto, devido aos diferentes n´ıveis da procura hor ´aria pelos passageiros, a constante mudanc¸a do n ´umero de carruagens n ˜ao ´e pr ´atica . Isto leva a que, de modo a servir as necessidades de apenas alguns passageiros em horas de baixa procura, os comboios realizem viagens economicamente invi ´aveis.

Um outro problema que afeta o tempo de viagem e a velocidade m ´edia dos comboios, ´e a localizac¸ ˜ao das estac¸ ˜oes ferrovi ´arias. Devido `a geografia das cidades portuguesas ser relativamente acidentada, existem situac¸ ˜oes adversas `a circulac¸ ˜ao r ´apida dos comboios. Por exemplo, no caso de Lisboa o terreno

´e composto por v ´arias colinas com altitude moderada, vales e o rio Tejo. Este tipo de terreno provoca curvas apertadas e declives acentuados da via. Al ´em disto, a travessia do rio Tejo provoca atrasos na sa´ıda e entrada dos comboios nas estac¸ ˜oes, pois devido a raz ˜oes de seguranc¸a, um comboio s ´o ´e permitido sair de Lisboa quando a via se encontrar livre num troc¸o de v ´arios quil ´ometros.

Al ´em de todas estas caracter´ısticas, em 2018, um relat ´orio da Infra-Estruturas de Portugal questi- onou o estado das vias f ´erreas portuguesas. Cerca de 60% das vias t ˆem um ´ındice de desempenho med´ıocre ou mau, sendo assim, o estado das vias portuguesas exige um sistema de suspens ˜ao que consiga atenuar os movimentos de trepidac¸ ˜ao provocados por perturbac¸ ˜oes espectrais com amplitudes acima das normais na uni ˜ao europeia.

3.2 Soluc¸ ˜ oes para os Problemas Atuais

O comboio com as caracter´ısticas ideais para as exig ˆencias de mobilidade dos portugueses, ´e aquele que consegue dar resposta `as preocupac¸ ˜oes e problemas constatados no cap´ıtulo 3.1. O guia para as caracter´ısticas de tal ve´ıculo foi apresentado em [3].

Para que um comboio consiga realizar um dado trajeto no menor tempo poss´ıvel, a sua velocidade m ´axima ´e importante. De modo, ao comboio apresentado neste trabalho ser competitivo, deve atingir velocidades pr ´oximas das dos comboios de alta velocidade atuais (TGV, Shinkansen, etc). Isto implica n ˜ao s ´o sistemas de trac¸ ˜ao com pot ˆencia suficiente, como tamb ´em um perfil aerodin ˆamico e estabilidade do sistema de suspens ˜ao que possibilite atingir alta-velocidade. O aumento da velocidade m ´axima ir ´a tornar o comboio mais competitivo, reduzindo a diferenc¸a do tempo de viagem em relac¸ ˜ao ao seu principal competidor, o autom ´ovel.

O perfil aerodin ˆamico do comboio e as suas caracter´ısticas foram j ´a analisadas num outro trabalho [19], e portanto, encontram-se de fora do ˆambito do presente estudo.

Como foi visto anteriormente a velocidade m ´edia do comboio ´e mais importante que a sua ve- locidade m ´axima. Uma das formas de aumentar esta velocidade ´e usar comboios que respondam `as necessidades locais das populac¸ ˜ao. Isto passa por respeitar os fluxos de passageiros portugueses. Por exemplo, se a grande maioria do tr ´afego que sai do Porto tem como destino as cidades mais pr ´oximas ent ˜ao a maioria dos comboios deve efetuar viagens curtas para esses destinos. E se apenas 10% dos passageiros tem como destino Lisboa ent ˜ao a oferta deve ser proporcional a esta procura. Este foco, ir ´a aumentar a lotac¸ ˜ao dos comboios, diminuindo assim os custos por passageiro. Esta flexibilidade em

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relac¸ ˜ao `a procura e adaptabilidade ao tipo de fluxo de passageiros, apenas poder ˜ao ser alcanc¸adas reduzindo o tamanho dos comboios para uma ´unica carruagem.

Quando o comboio tem uma ´unica carruagem ´e necess ´ario um aumento do n ´umero de ve´ıculos em circulac¸ ˜ao, para dar resposta ao mesmo n ´umero de passageiros.O aumento do n ´umero de ve´ıculos por quilometro da via ferrovi ´aria pode provocar problemas em zonas j ´a relativamente congestionadas.

A resposta a este problema passa pela automac¸ ˜ao e integrac¸ ˜ao de todos os ve´ıculos que circulam na via ferrovi ´aria num sistema respons ´avel por controlar a posic¸ ˜ao, velocidade e outros aspetos dos ve´ıculos. O que implica a comunicac¸ ˜ao constante entre ve´ıculos e uma resposta imediata a alterac¸ ˜oes das velocidades dos comboios. A automac¸ ˜ao permite que um comboio que pretenda entrar ou sair de uma estac¸ ˜ao, n ˜ao tenha de esperar que um outro comboio esteja a v ´arios quil ´ometros de dist ˆancia e assim permitindo, n ˜ao s ´o uma maior frequ ˆencia de ve´ıculos por estac¸ ˜ao, como tamb ´em um aumento da velocidade m ´edia dos comboios.

A diminuic¸ ˜ao do n ´umero de carruagens e o uso de um sistema de guiamento ativo, permitir ´a resolver o problema do acesso r ´apido `as estac¸ ˜oes localizadas nos centros das cidades. Um comboio com uma

´unica carruagens tem uma massa menor do que os comboios tradicionais e por isso ´e menos suscet´ıvel a curvas apertadas que provocam forc¸as centr´ıfugas elevadas. Isto ir ´a permitir ao comboio em estudo fazer curvas apertadas a velocidades elevadas, o que diminui o tempo de viagem.

Esta caracter´ısticas tamb ´em permitem a expans ˜ao da rede ferrovi ´aria a centros populacionais pe- quenos, devido `a sua grande flexibilidade de adaptac¸ ˜ao ao fluxo de passageiros. Esta expans ˜ao permite ao comboio ser mais competitivo diminuindo o tempo porta a porta. A reduc¸ ˜ao do tempo de espera de- vido a uma maior frequ ˆencia do servic¸o tornar ´a o comboio mais apelativo aos passageiros, pois permite uma maior flexibilidade na decis ˜ao de quando iniciar a viagem.

3.3 O Comboio em Estudo

O comboio que se descreve a seguir foi idealizado para responder `as necessidades identificadas nas secc¸ ˜oes 3.1 e 3.2. Tem uma lotac¸ ˜ao de 40 lugares sentados e est ´a projetado para atingir a veloci- dade de 250 km/h nas linhas convencionais portuguesas. N ˜ao ´e suportado por bogies tradicionais, constitu´ıdos por mais do que um eixo, nem o seu guiamento ´e baseado apenas na conicidade das rodas e na rigidez do bogie. Os eixos deste comboio n ˜ao est ˜ao ligados aos pares, em bogies, e n ˜ao s ˜ao puramente passivos porque possuem atuadores, embora n ˜ao um controlo propriamente ativo com retro-alimentac¸ ˜ao (feedback).

3.3.1 Dimens ˜ oes Gerais e Massa

O prot ´otipo que se pretende construir tem uma ´unica carruagem, dois motores propulsores alimentados por um conjunto de baterias.

Lrepresenta a dist ˆancia entre os eixos do comboio,Lcar o comprimento do comboio,hcar a altura do comboio,wcar a largura do comboio,ro raio das rodas do comboio eGo comprimento da bitola:

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Figura 3.2:Esquema longitudinal do comboio.

Figura 3.3:Esquema da secc¸ ˜ao transversal do comboio.

• Lcar: 18m

• L:12m

• G: 1,668m

• r:0,5m

• hcar:2,66m

• wcar:3,05m

O valor da bitola da linha usada corresponde `as dimens ˜oes da bitola ib ´erica. Este valor ´e utilizado em vez da bitola europeia, devido a este comboio ser projetado tendo em conta o seu uso em linhas portuguesas, no entanto, ´e f ´acil alterar este par ˆametro no programa e o impacto desta alterac¸ ˜ao na din ˆamica do comboio ´e desprez ´avel. A bitola nominal europeia e internacional ´e 1,435 m.

As massas dos sistemas principais do comboio s ˜ao:

Referências

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