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DIREITO CONSTITUCIONAL

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Academic year: 2022

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2022

MANUAL DE

DIREITO CONSTITUCIONAL

2ª edição

Manuais DIZ-Santos-Dir Constitucional-2ed.indb 3

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DIREITO CONSTITUCIONAL INTERTEMPORAL

1. A ENTRADA EM VIGOR DE UMA CONSTITUIÇÃO NOVA

Sempre que uma nova Constituição entra em vigor é possível observar a ocorrência de alguns fenômenos jurídicos intertemporais que irão atuar, especialmente, em face das normas da Constituição anterior, das normas infraconstitucionais e da sucessão temporal de normas de status equivalente no sistema jurídico.

A Constituição, como vimos, é uma norma fundamental e suprema, que está hierar- quicamente acima das demais normas do sistema jurídico, consistindo no fundamento de validade das normas infraconstitucionais. Ademais, a Constituição é criada por um Poder Constituinte Originário, que se caracteriza, dentre outras coisas, por ser inicial, constituindo uma nova ordem jurídica constitucional e desconstituindo a ordem anterior.

Em razão disso, quando uma nova Constituição entra em vigor, é possível observar, pelo menos, dois fenômenos intertemporais:1

i) Revogação da Constituição Anterior;

ii) Recepção das Normas Infraconstitucionais que forem compatíveis com a Consti- tuição Nova;

2. REVOGAÇÃO DA CONSTITUIÇÃO ANTERIOR

A revogação é um fenômeno jurídico que põe fim à vigência de uma determinada norma, ocorrendo por meio da superveniência de norma do mesmo grau hierárquico emanada do mesmo órgão.

Quanto à forma, a revogação pode ser: a) Expressa, quando a nova norma prevê a revogação da norma anterior; ou b) Tácita, quando a nova norma não prevê expressa- mente a revogação da norma anterior, contudo trata completamente da mesma matéria que ela (revogação por normação geral), ou regulamenta a matéria de forma totalmente contrária à norma anterior.

Já quanto à extensão, a revogação pode ser: a) Total, também chamada de Ab-roga- ção, quando revoga-se toda a norma; ou b) Parcial, também chamada de Derrogação, quando revoga-se apenas uma parte da norma.

1. FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Consti tucional. 8.ed. Salvador: Juspodivm, 2016.

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Revogação

Quanto à Forma

Expressa Tácita

Regulamente o tema completamente Regulamente o tema de

forma incompavel

Quanto à Extensão

Total Ab-rogação

Parcial Derrogação

Sempre que uma Constituição Nova entra em vigor há a revogação total da Cons- tituição Anterior, seja de forma expressa (quando o novo documento constitucional menciona a revogação expressamente) ou tácita (quando o novo documento consti- tucional não menciona a revogação expressamente, por tratar-se de normação geral).

Assim, a nova Constituição irá desconstituir a Constituição pretérita, rompendo com a ordem jurídica anterior e instituindo um novo fundamento de validade para as demais normas do sistema jurídico.

3. RECEPÇÃO

O surgimento de uma nova Constituição, como vimos, gera a revogação total da Constituição anterior. Consequentemente, coloca-se um fim ao fundamento de validade das normas infraconstitucionais (leis, decretos etc.) que estavam vigentes, emergindo, agora, um novo fundamento de validade das normas do sistema jurídico instituído pela nova Constituição.

A recepção consiste no fenômeno que confere validade as normas infraconstitucionais anteriores à nova Constituição. Contudo, nem todo o direito pré-constitucional será re- cepcionado, devendo-se fazer um exame de compatibilidade com a nova Constituição.

Assim, as normas infraconstitucionais (leis, decretos etc.) que forem compatíveis com a nova Constituição serão recepcionadas, recebendo um novo fundamento de valida- de, ao contrário, as normas infraconstitucionais que forem incompatíveis com a nova Constituição não serão recepcionadas.2

As incompatibilidades das normas infraconstitucionais com a nova Constituição poderão ser materiais ou meramente formais. Incompatibilidades materiais são aquelas de conteúdo, ocorrendo, por exemplo, quando uma lei anterior à nova Constituição disponha de forma contrária ou de forma a afrontar as novas normas constitucionais.

Incompatibilidades formais são aquelas que dizem respeito a forma que se exterioriza a norma (a espécie normativa), ocorrendo, por exemplo, quando uma determinada matéria estava regulamentada por uma lei ordinária, mas a nova Constituição prevê que se trata de matéria de lei complementar.

2. KELSEN, Hans. Teoria do direito e do Estado. 4.ed. São Paulo: Martins Fontes, 2005, p. 172.

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TÍTULO ITEORIA DA CONSTITUIÇÃO

Quando a incompatibilidade for material, a norma não será recepcionada pela nova Constituição, sendo revogada. Já quando a incompatibilidade for apenas formal, a norma será recepcionada com as necessárias adequações formais. É o que ocorreu, por exemplo, com o Código Tributário Nacional, que fora editado originariamente como lei ordinária (Lei 5.172/1966) nos termos da Constituição de 1946, vigente à época, sendo recepcionado pela Constituição de 1967 com status de lei complementar (art. 18, caput), mantido esse status quando recepcionado pela Constituição de 1969 (art. 18, § 1º) e pela Constituição de 1988 (art. 146).

3.1. Recepção e inconstitucionalidade superveniente das normas infraconstitucionais A análise de recepção não se confunde com o controle de constitucionalidade (que é um controle de validade, de compatibilidade vertical de normas), vez que a norma não recepcionada sequer entra na nova ordem jurídica, sendo revogada (tácita ou expres- samente) na data de promulgação da nova Constituição.

Deste modo, por ter sido revogada, é impossível fazer qualquer controle de validade dessa norma em face da nova Constituição, não se falando em declaração de inconstitu- cionalidade. Isto porque, no direito brasileiro, só se reconhece a inconstitucionalidade originária da norma, ou seja, só se pode declarar inconstitucional uma norma que tenha sido editada após à Constituição e que com ela seja incompatível.

Assim, no Brasil, de acordo com a doutrina majoritária e com a jurisprudência do STF,3 não se reconhece a inconstitucionalidade superveniente da norma, ou seja, normas editadas antes da Constituição e incompatíveis com ela não serão declaradas inconstitucionais e sim não recepcionadas, quedando-se revogadas desde a data da pro- mulgação da nova Constituição, até porque, nas palavras do Ministro Paulo Brossard, o legislador não deve obediência a uma Constituição que sequer existe ainda, afinal

“só por adivinhação, poderia obedecê-la, uma vez que futura e, por conseguinte, ainda inexistente”.4

2000 2018

1985

1980 CF/88

Lei 1

Materialmente incompavel com a CF/88

Lei 2

Materialmente compavel com a CF/88

Lei 3

Material e/ou formalmente incompavel com

a CF/88 Inconstucional

Lei 4

Material e formalmente

compavel com a CF/88 Constucional Recepcionada

Não recepcionada (Revogada)

3. STF, ADI 02, Rel. Min. Paulo Brossard.

4. BROSSARD, Paulo. A Constituição e as leis anteriores. Arquivos do Ministério da Justiça, nº 180, 1992, p. 125.

Manuais DIZ-Santos-Dir Constitucional-2ed.indb 203

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3.2. Recepção e Ações de Controle de Constitucionalidade

Como vimos, as normas infraconstitucionais anteriores à nova Constituição não são declaradas constitucionais ou inconstitucionais, não sendo, consequentemente, objeto de controle de constitucionalidade. Na verdade, elas são recepcionais ou não recepcionadas, submetendo-se a uma análise de recepção. Essa análise de recepção pode ser feita pelo Poder Judiciário, de modo difuso, em qualquer ação, assim como pode ser feita, de modo concentrado, pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF). Registre-se, ainda, que outras ações concentradas, como ADI e ADC, não são aptas a realizar análise de recepção.

3.3. Recepção e alteração da distribuição de competências dos entes federativos O que acontece com uma lei que regulamenta uma certa matéria editada por um determinado ente federativo (União, Estado ou Município) durante o regime constitu- cional anterior se a nova Constituição atribuir a competência para legislar sobre essa matéria a outro ente federativo?

Suponhamos que a Constituição anterior atribua a competência para legislar sobre direito agrário aos Estados, de modo que vários Estados criaram Códigos de Direito Agrário durante a sua vigência. Contudo, a nova Constituição passa a atribuir essa competência à União. Assim, o que aconteceria com os Códigos de Direito Agrário que fossem materialmente compatíveis com a nova Constituição? Seriam recepcionados federalizando-se as leis estaduais? Isto é, as leis estaduais seriam recepcionadas como se federais fossem? A doutrina, encabeçada pelas lições de Gilmar Ferreira Mendes, advoga ser impossível a recepção de leis de entes federativos menos amplos que tenham sido atribuídas a entes federativos mais amplos pela nova Constituição, por ferir o prin- cípio federativo e por haver uma impossibilidade prática de se recepcionar tantas leis.5 De outro modo, suponhamos que a Constituição anterior atribua a competência para legislar sobre direito penal à União, de modo que a União criou várias leis penais durante a sua vigência. Contudo, a nova Constituição passa a atribui essa competência aos Estados. Assim, o que aconteceria com as leis penais que fossem materialmente compatíveis com a nova Constituição? Seriam recepcionadas estadualizando-se as leis federais? Isto é, as leis federais seriam recepcionadas como se estaduais fossem?

Nesse caso, a doutrina, encabeçada pelas lições de Gilmar Ferreira Mendes, advoga pela recepção das leis de entes federativos mais amplos que tenham sido atribuídas a entes federativos menos amplos pela nova Constituição, “a fim de se evitar o vácuo da normatização do assunto”.6

Nada obstante, com as devidas vênias, ousamos discordar, vez que nos parece ha- ver afronta direta ao princípio federativo, até por não existir hierarquia entre os entes federativos maios amplos e menos amplos. Assim, parece-nos que deve ser respeitada a distribuição de competências da nova Constituição, sendo impossível a recepção de leis editas por um determinado ente federativo cuja nova ordem constitucional tenha atribuído a competência a outro ente federativo.

5. FERNANDES, Bernardo G. Curso de Direito Constitucional. 8.ed. Salvador: Juspodivm, 2016, p. 131.

6. MASSON, Nathalia. Manual de Direito Constitucional. 6.ed. Salvador: Juspodivm, 2018, p. 193.

Manuais DIZ-Santos-Dir Constitucional-2ed.indb 204

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TÍTULO ITEORIA DA CONSTITUIÇÃO

3.4. Recepção e Poder Constituinte Reformador

O Poder Constituinte Reformador pode modificar a ordem jurídica constitucional dentro dos limites estabelecidos pela Constituição. Assim, questiona-se: se a Constitui- ção é modificada por uma determinada reforma constitucional, as normas infraconsti- tucionais anteriores a essa Emenda à Constituição e que com ela sejam incompatíveis serão declaradas inconstitucionais ou consideradas não recepcionadas pela nova ordem constitucional estabelecida pela reforma? Como vimos, o direito brasileiro não reco- nhece a tese da inconstitucionalidade superveniente, isto é, normas infraconstitucionais editadas antes da Emenda à Constituição e incompatíveis com ela não serão declaradas inconstitucionais, sendo consideradas não recepcionadas, quedando-se revogadas desde a entrada em vigor da Emenda.

3.5. Recepção de lei anteriormente inconstitucional não declarada inválida

Uma lei que feriu a Constituição sob cuja regência foi editada, mas que até o advento da nova Constituição não havia sido declarada inconstitucional, poderá ser recepcionada pela nova Constituição se for compatível com ela? Em que pese haja na doutrina quem defenda que sim, apontando como fundamento o princípio da presunção de constitu- cionalidade das normas,7 parece-nos mais acertada a posição majoritária, segundo a qual não é possível recepcionar norma infraconstitucional que feriu a Constituição sob cuja regência foi editada, mas que até o advento da nova Constituição não havia sido declarada inconstitucional, vez que se a norma feriu a Constituição sob a qual foi editada, essa norma é nula, é inválida desde o momento em que fora editada, não importando se é ou não é compatível com a nova Constituição.8

Trata-se daquilo que a doutrina vem chamando da “tese da contemporaneidade”

ou “princípio da contemporaneidade”, segundo o qual uma norma só é analisada como sendo constitucional ou inconstitucional tendo como parâmetro a Constituição sob a qual foi editada. Assim, uma determinada norma infraconstitucional que feriu a Cons- tituição sob cuja regência foi editada, mas que até o advento da nova Constituição não havia sido declarada inconstitucional, será inconstitucional do mesmo jeito, sendo nula, inválida, padecendo de um vício insanável e, portanto, não podendo ser recepcionada, até porque, é inválida desde que fora editada.9

3.6. Recepção total e parcial

A recepção pode ser; a) total, isto é, recepciona-se a norma na sua integralidade, como, por exemplo, a lei toda, o decreto todo; ou b) parcial, isto é, recepciona-se parte da norma e não a norma toda, como por exemplo, alguns artigos da lei ou do decreto.

3.7. Efeitos da decisão do STF que declara a recepção ou a não recepção

A recepção ou a não recepção possuem efeitos ex tunc, retroativos até a data da promulgação da Constituição. Deste modo, se o Supremo Tribunal Federal, em uma

7. TAVARES, André Ramos. Curso de Direito Constitucional. 1.ed. São Paulo: Saraiva, 2002, p. 184.

8. LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 22.ed. São Paulo: Saraiva, 2018, p. 227 e ss.

9. Ibidem, idem.

Manuais DIZ-Santos-Dir Constitucional-2ed.indb 205

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determinada decisão proferida no ano de 2018, conclui que uma determinada lei de 1977 não foi recepcionada pela Constituição de 1988, essa decisão considerará que a referida lei fora revogada em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição.

Nesses termos, o Supremo Tribunal Federal sempre entendeu que as decisões so- bre recepção ou não recepção de normas não poderiam ter seus efeitos modulados.10 Contudo, em julgamento proferido em 2011, a Corte Constitucional mudou seu en- tendimento autorizando a modulação de efeitos em decisões sobre recepção ou não recepção de normas infraconstitucionais, fundamentando-se, sobretudo, no princípio da segurança jurídica.11

3.8. Recepção provisória de lei considerada “ainda” constitucional: não recepção por inconstitucionalidade progressiva

Essa tese foi firmada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE 147.776, de relatoria do Min. Sepúlveda Pertence, como forma de, em que pese reconhecer a não recepção de uma determinada norma infraconstitucional, mantê-la vigente por mais um tempo sob pena de gerar uma situação de inconstitucionalidade mais gravosa que a sua recepção por um determinado período de tempo.

Nesse julgamento, discutia-se a recepção do art. 68, do Código de Processo Penal, que atribui ao Ministério Público a legitimidade para propor ação civil para reparação de dano ex delito nos casos em que a vítima seja pobre, em face do art. 134, da CF/88, segundo o qual incumbe à Defensoria Pública a defesa judicial e extrajudicial, dos di- reitos individuais e coletivos, de forma integral e gratuita, aos necessitados.

O Supremo reconheceu que a Constituição de 1988 atribuiu essa competência exclu- sivamente à Defensoria Pública, o que, numa visão “ortodoxa” ensejaria a não recepção do art. 68, do CPP e, portanto, sua revogação. Contudo, em razão da Defensoria Pública, na época (e ainda hoje), não estar estruturada de forma a atender a todas as pessoas pobres vítimas de danos ex delito, a sua não recepção geraria uma inconstitucionalidade maior que a sua recepção por um determinado período de tempo, consistindo num desserviço à proteção dos hipossuficientes, objetivo precípuo do art. 134, da CF/88, decidindo a Corte que o art. 68, do CPP seria “ainda” constitucional, sendo possível sua recepção provisória, mas estaria perdendo, progressivamente, sua constitucionalidade, conforme a Defensoria Pública se estruture e amplie sua capacidade de atendimento.

3.9. Requisitos para a recepção das normas infraconstitucionais no direito brasileiro Diante do exposto, pode-se concluir que, para que uma norma infraconstitucional (lei, decreto etc.) seja recepcionada, ela deve preencher os seguintes requisitos:

1) estar vigente no momento da promulgação da nova Constituição;

2) não ter sido declarada inconstitucional durante da vigência da Constituição anterior;

3) ter compatibilidade formal e material com a Constituição que estava vigente quando ela foi editada;

10. STF, RE 353.508-RJ-AgR, Rel. Min. Celso de Mello.

11. STF, RE 600.885-RS, Rel. Min. Cármen Lúcia.

Manuais DIZ-Santos-Dir Constitucional-2ed.indb 206

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TÍTULO ITEORIA DA CONSTITUIÇÃO

4) ter compatibilidade material com a nova Constituição;

5) não ter sido atribuída a competência para legislar sobre a matéria que ela rege a outro ente federativo pela nova Constituição;

4. REPRISTINAÇÃO

A repristinação é o fenômeno intertemporal pelo qual se reestabelece uma determi- nada condição anterior. No sistema jurídico, a repristinação se dá quando a vigência de uma norma é reestabelecida em razão da revogação da norma que a revogou. No direito brasileiro, a repristinação, como regra, só será admita quando expressa, em respeito aos princípios da segurança jurídica e da estabilidade das relações sociais.12

4.1. Repristinação legal

A repristinação legal ocorre quando uma lei tem sua vigência reestabelecida pela revogação da lei que a revogou. Isto é, quando a Lei A, que havia sido revogada pela Lei B, volta a ser vigente porque a Lei B é revogada por uma Lei C. Nos termos do art. 2º, § 3º, da LINDB, salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Ou seja, para que haja a repristinação de uma lei, isso precisa estar expresso.13 No nosso exemplo, a Lei A só pode ter sua vigência reestabelecida se a Lei C assim dispuser.

A mera revogação da Lei Revogadora (Lei B) não faz com que a Lei Revogada

(Lei A) volte a ser vigente, a não ser que a Lei C assim disponha

expressamente.

REPRISTINAÇÃO

A Lei C faz com que a Lei A volte a ser vigente, por ter revogado a Lei B, que havia revogado a Lei A

Lei A Revoga Lei B Revoga Lei C

4.2. Repristinação constitucional

No âmbito do direito constitucional, a repristinação se dá com o reestabelecimento de lei infraconstitucional revogada por Constituição pretérita, em face do estabeleci- mento de uma nova Constituição, com a qual a lei é materialmente compatível. Isto é,

12. NOVELINO, Marcelo. Curso de Direito Constitucional. 13.ed. Salvador: Juspodivm, 2018, p. 158.

13. MARTINS, Fernando R. Comentários à Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro, 2019, p. 17.

Manuais DIZ-Santos-Dir Constitucional-2ed.indb 207

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a repristinação constitucional se dá quando a Lei A, editada e vigente sob a égide da Constituição A, não é recepcionada pela Constituição B, mas, posteriormente, tem sua vigência reestabelecida em virtude da promulgação de uma Constituição C (nova Constituição). A repristinação em âmbito constitucional tem como requisitos: i) estar expressamente prevista pela nova Constituição; ii) a lei tem que se compatível com a nova Constituição, não podendo contrariá-la.

Constuição

A Constuição

Constuição C B

LEI A REVOGADA

REPRISTINAÇÃO DA LEI A

4.3. Efeito repristinatório no direito constitucional

No âmbito do direito constitucional, temos, ainda, o fenômeno do efeito repristi- natório tácito, pelo qual uma norma que aparentemente havia sido revogada tem sua vigência reestabelecida mesmo sem mandamento expresso. As principais situações mencionadas pela doutrina em que ocorre o efeito repristinatório tácito são:14

1) Em ações de controle concentrado de constitucionalidade, que pode se dar em duas situações distintas:

a) na concessão de medida cautelar que suspende a vigência e a eficácia da lei revogadora (Lei B), de modo que a legislação que havia sido revogada (Lei A) por ela volta a ser vigente (efeitos repristinatórios tácitos), a não ser que o tribunal disponha de modo contrário na própria decisão cautelar, nos termos do art. 11, § 2º, da Lei 9.868/1999;

b) na decisão definitiva que declara a inconstitucionalidade da lei revogadora (Lei B), cujos efeitos, em regra, são ex tunc, retroativos, invalidando a lei revogadora desde a sua origem, produzindo em relação a lei anterior (Lei A), que havia sido revogada pela lei proclamada inconstitucional, efeitos repristinatórios tácitos.

2) Em casos de exercício da competência legislativa plena pelos Estados-membros:

No âmbito da competência legislativa concorrente, nos termos do art. 24 e §§ , da CF/88, a União deve produzir as normas gerais e os Estados devem produzir as normas espe- cíficas. Contudo, caso a União não crie as normas gerais, os Estados podem exercer a competência legislativa plena, criando, também, as normas gerais (Lei E). Nada obstante, a União pode, posteriormente, vir a criar as normas gerias (Lei FA), que são de sua

14. NOVELINO, Marcelo. Curso de Direito Constitucional. 13.ed. Salvador: Juspodivm, 2018, p. 158.

Manuais DIZ-Santos-Dir Constitucional-2ed.indb 208

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TÍTULO ITEORIA DA CONSTITUIÇÃO

competência, o que, nos temos da Constituição, suspende a vigência e a eficácia das leis estaduais naquilo que forem contrárias às normas gerais criadas pela União. Ocorre que, no futuro, a União pode, mediante lei (Lei FB), vir a revogar a lei federal (Lei FA) que dispunha sobre as normas gerais, o que gerará efeitos repristinatórios tácitos dos dispositivos das leis estaduais (Lei E) que estavam suspensos, desde que compatíveis com as normas gerias da nova lei federal (Lei FB).

3) Em casos de medidas provisórias rejeitadas ou havidas por prejudicadas: Nos termos do art. 62, § 3º, da CF/88, quando uma medida provisória (MP) que revogava uma determinada lei (Lei A) vem a ser rejeitada ou havida por prejudicada, produz-se efeitos repristinatórios tácitos em relação à lei revogada (Lei A), reestabelecendo-se a sua vigência.

5. DESCONSTITUCIONALIZAÇÃO

A desconstitucionalização consiste no fenômeno do direito constitucional intertempo- ral pelo qual as normas de uma Constituição anterior, que sejam materialmente compatíveis com o novo ordenamento constitucional, são recepcionadas pela nova Constituição com o status de normas infraconstitucionais.15 Isto é, desconstitucionalizar significa recepcionar a norma anteriormente constitucional “rebaixando-a” hierarquicamente a uma norma infraconstitucional, ou seja, recepcionar retirando sua hierarquia constitucional.

No direito brasileiro, a desconstitucionalização possui dois requisitos:

i) compatibilidade material das normas desconstitucionalizadas com a nova Cons- tituição; e

ii) disposição expressa da desconstitucionalização no texto da nova Constituição, como forma de assegurar a segurança das relações jurídicas e a autonomia do Poder Constituinte Originário.

Constuição A

(Anterior) Constuição B

(NOVA)

As normas da Constuição A são recepcionadas com hierarquia infraconstucional

pela Constuição B

No âmbito da Constituição brasileira de 1988 a desconstitucionalização não ocorreu.

Contudo, temos um exemplo interessante de desconstitucionalização em terras brasileiras:

trata-se da Constituição do Estado de São Paulo de 1967, que desconstitucionalizou as

15. FERNANDES, Bernardo G. Curso de Direito Constitucional. 8.ed. Salvador: Juspodivm, 2016, p. 132.

Manuais DIZ-Santos-Dir Constitucional-2ed.indb 209

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normas da Constituição paulista anterior, afirmando, em seu art. 147, que “consideram- -se vigentes, com o caráter de lei ordinária, os artigos da Constituição promulgada em 9 de julho de 1947 que não contrariem esta Constituição”.

6. RECEPÇÃO MATERIAL DE NORMAS CONSTITUCIONAIS

A recepção material de normas constitucionais consiste no fenômeno do direito constitucional intertemporal pelo qual normas de uma Constituição anterior são recep- cionadas pela nova Constituição, ainda, com o status de normas constitucionais.16

No direito brasileiro, a recepção material de normas constitucionais possui quatro requisitos:

i) não contrariedade com as normas fundamentais da nova Constituição;

ii) disposição expressa da recepção no texto da nova Constituição, como forma de assegurar a segurança das relações jurídicas e a autonomia do Poder Constituinte Originário;

iii) prazo determinado, pois só podem permanecer como normas constitucionais de forma temporária e excepcional, devido ao caráter precário do fenômeno; e iv) recair somente sobre parte das normas constitucionais pretéritas, não sendo pos- sível a recepção material de todas as normas da Constituição anterior.

Nesse sentido, inclusive, já se manifestou o Supremo Tribunal Federal, em decisão emblemática, na qual afirmou que “a vigência e a eficácia de uma nova Constituição im- plicam a supressão da existência, a perda de validade e a cessação de eficácia da anterior Constituição por ela revogada, operando-se, em tal situação, uma hipótese de revogação global ou sistêmica do ordenamento constitucional precedente, não cabendo, por isso mesmo, indagar-se, por impróprio, da compatibilidade, ou não, para efeito de recepção, de quaisquer preceitos constantes da Carta Política anterior, ainda que materialmente não-conflitantes com a ordem constitucional originária superveniente. É que – consoante expressiva adver- tência do magistério doutrinário (CARLOS AYRES BRITTO, ‘Teoria da Constituição’, p.

106, 2003, Forense) – ‘Nada sobrevive ao novo Texto Magno’, dada a impossibilidade de convívio entre duas ordens constitucionais originárias (cada qual representando uma ideia própria de Direito e refletindo uma particular concepção político-ideológica de mundo), exceto se a nova Constituição, mediante processo de recepção material (que muito mais traduz verdadeira novação de caráter jurídico-normativo), conferir vigência parcial e eficácia temporal limitada a determinados preceitos constitucionais inscritos na Lei Fundamental revogada...”.17

No âmbito de nossa atual Constituição, temos como exemplo a recepção material das normas constitucionais da Constituição anterior que regulamentavam o sistema tributário nacional. Essa recepção está prevista no art. 34, caput, do ADCT, da CF/88, que assim dispõe: “O sistema tributário nacional entrará em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição, mantido, até então, o da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda nº 1, de 1969, e pelas posteriores”.

16. Ibidem, idem.

17. STF, AI 386.820 AgR-ED-EDv-AgR-ED, Rel. Min. Celso de Mello.

Manuais DIZ-Santos-Dir Constitucional-2ed.indb 210

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TÍTULO ITEORIA DA CONSTITUIÇÃO Constuição

de 1967/1969 Constuição

de 1988

O sistema tributário nacional da Constuição de 1967/1969 ganhou sobrevida, sendo recepcionado com status Constuicional até o dia 1º de

março de 1989, quando foi revogado, passando a viger o

sistema implementado pela Constuição de 1988.

A Constuição de 1967/1969 foi revogada no dia 30/05/1988, com exceção do

sistema tributário.

Sistema Tributário Nacional da Constuição

de 1967/1969

7. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE

A constitucionalidade superveniente é o fenômeno pelo qual uma norma infra- constitucional, antes incompatível com a Constituição (inconstitucional), passa a ser constitucional pela alteração do parâmetro constitucional, seja porque foi promulgada uma nova Constituição, seja porque houve uma reforma constitucional, seja porque houve uma alteração da interpretação das normas constitucionais.

Ocorre que, se a norma era incompatível com a Constituição, então ela era inválida, nula desde a sua origem, não se admitindo a sua convalidação, pouco importando se há época ela foi ou não foi declarada inconstitucional pelo Tribunal Constitucional, já que a invalidade não se altera com o tempo. Nesse sentido, já decidiu o STF (RE 346.084) que o sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente.

8. USUCAPIÃO DE CONSTITUCIONALIDADE

A usucapião de constitucionalidade é o fenômeno pelo qual uma norma infracons- titucional originariamente inconstitucional passa a ser constitucional pelo decurso do tempo (constitucionalidade superveniente por decurso do tempo), ou seja, uma norma inconstitucional, por não ter sido declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário, passaria a ser constitucional, contando com uma espécie de presunção absoluta de constitucionalidade.

Obviamente, a usucapião de constitucionalidade é incompatível com o constitucio- nalismo brasileiro, pois ofende a força normativa e a supremacia da Constituição, sendo as ações de controle concentrado de constitucionalidade imprescritíveis e incaducáveis.

Nesse sentido, já decidiu o STF (RE 817.338) que não pode haver usucapião de consti- tucionalidade, afirmando a Corte que a obrigatoriedade da Constituição deriva de sua vigência, não sendo possível entender, portanto, que o tempo derrogue a força obrigatória de seus preceitos por causa de ações omissivas ou comissivas de autoridades públicas.

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9. QUADRO SINÓPTICO

CAPÍTULO III –DIREITO CONSTITUCIONAL INTERTEMPORAL INTRODUÇÃO

Entrada em vigor de uma nova Constituição

Quando uma nova Constituição entra em vigor, é possível observar a ocorrência de, pelo menos, dois fenômenos intertemporais: i) Revogação da Constituição Anterior; e ii) Recepção das Normas In- fraconstitucionais que forem compatíveis com a Constituição Nova;

Revogação da

Constituição Anterior Sempre que uma nova Constituição entra em vigor há a revogação total da Constituição Anterior, seja de forma expressa ou tácita.

RECEPÇÃO

Conceito

Consiste no fenômeno que confere validade as normas infracons- titucionais anteriores à nova Constituição que com ela forem materialmente compatíveis.

Havendo incompatibilidade material, a norma não será recepcio- nada pela nova Constituição, sendo revogada.

Havendo incompatibilidade meramente formal, a norma será recepcionada com as necessárias adequações formais.

Recepção e inconstitucionalidade

superveniente das normas infraconstitucionais

No direito brasileiro, só se reconhece a inconstitucionalidade originária da norma, ou seja, só se pode declarar inconstitucional uma norma que tenha sido editada após à Constituição e que com ela seja incompatível.

Assim, não se reconhece a inconstitucionalidade superveniente da norma, ou seja, normas editadas antes da Constituição e in- compatíveis com ela não serão declaradas inconstitucionais e sim não recepcionadas, quedando-se revogadas desde a promulgação da nova Constituição.

Recepção e Ações de Controle de Constitucionalidade

As normas infraconstitucionais anteriores à nova Constituição não são declaradas constitucionais ou inconstitucionais, não sendo, consequentemente, objeto de controle de constitucionalidade, não podendo ser objeto de ADI e ADC, por exemplo. Na verdade, essas normas passam por uma análise de recepção, que pode ser feita pelo Poder Judiciário, de modo difuso, em qualquer ação, ou, de modo concentrado, pelo STF, em sede de ADPF.

Recepção e alteração da distribuição de competências dos entes

federativos

O que acontece com uma lei editada por um determinado ente federativo durante o regime constitucional anterior se a nova Constituição atribuir a competência para legislar sobre aquela matéria a outro ente federativo?

A doutrina advoga pela não recepção de leis de entes federativos menos amplos que tenham sido atribuídas a entes federativos mais amplos pela nova Constituição e, por outro lado, defende a recepção de leis de entes federativos mais amplos que tenham sido atribuídas a entes federativos menos amplos pela nova Constituição.

Discordamos! Para nós, por constituir afronta direta ao princípio federativo e por não haver hierarquia entre os entes federativos maios e menos amplos, é impossível a recepção de leis editas por um determinado ente federativo cuja nova Constituição tenha atri- buído a competência a outro ente federativo, em qualquer hipótese.

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TÍTULO ITEORIA DA CONSTITUIÇÃO

CAPÍTULO III –DIREITO CONSTITUCIONAL INTERTEMPORAL

Recepção e Poder Constituinte Reformador

Como vimos, o direito brasileiro não reconhece a tese da incons- titucionalidade superveniente, assim, normas infraconstitucionais editadas antes de Emenda à Constituição e incompatíveis com ela não serão declaradas inconstitucionais, sendo consideradas revogadas e não recepcionadas pela Emenda.

Recepção de lei anteriormente inconstitucional não

declarada inválida

Não é possível recepcionar norma infraconstitucional que feriu a Constituição sob cuja regência foi editada, mas que até o advento da nova Constituição não havia sido declarada inconstitucional, vez que se a norma feriu a Constituição sob a qual foi editada, essa norma é nula, inválida (tese da contemporaneidade).

Recepção total e parcial a) total: recepciona-se a norma na sua integralidade.

b) parcial: recepciona-se parte da norma e não a norma toda (alguns artigos etc.).

Efeitos da decisão do STF que declara a recepção

ou a não recepção

A recepção ou a não recepção, como regra, possuem efeitos ex tunc, retroativos até a data da promulgação da Constituição. Contudo, recentemente, o STF adotou a tese da modulação de efeitos em decisões sobre recepção ou não recepção, fundamentando-se no princípio da segurança jurídica.

Recepção provisória de lei considerada “ainda”

constitucional

Reconhece-se a recepção provisória, quando a não recepção da norma geraria uma situação de inconstitucionalidade maior que a sua recepção por um determinado período de tempo. Assim, reconhece-se que a norma seria “ainda” constitucional, sendo possível sua recepção provisória, mas estaria perdendo, progres- sivamente, sua constitucionalidade.

Requisitos para a recepção das normas infraconstitucionais no

direito brasileiro

1) estar vigente no momento da promulgação da nova Constituição;

2) não ter sido declarada inconstitucional durante da vigência da Constituição anterior;

3) ter compatibilidade formal e material com a Constituição que estava vigente quando ela foi editada;

4) ter compatibilidade material com a nova Constituição;

5) não ter sido atribuída a competência para legislar sobre a ma- téria que ela rege a outro ente federativo pela nova Constituição;

REPRISTINAÇÃO

Repristinação Legal Ocorre quando uma lei tem sua vigência reestabelecida pela revogação da lei que a revogou. No Brasil só se admite, quando de modo expresso, nos termos do art. 2º, § 3º, da LINDB.

Repristinação Constitucional

Dá-se com o reestabelecimento de lei infraconstitucional revogada por Constituição pretérita, em face do estabelecimento de uma nova Constituição, com a qual a lei é materialmente compatível.

A repristinação em âmbito constitucional tem como requisitos:

i) estar expressamente prevista pela nova Constituição; ii) a lei tem que se compatível com a nova Constituição, não podendo contrariá-la.

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CAPÍTULO III –DIREITO CONSTITUCIONAL INTERTEMPORAL

Efeito Repristinatório no Direito Constitucional

O efeito repristinatório tácito é aquele pelo qual uma norma que aparentemente havia sido revogada tem sua vigência reestabe- lecida mesmo sem mandamento expresso. As principais situações em que ele ocorre são:

1) Em ações de controle concentrado de constitucionalidade, que pode se dar: a) na concessão de medida cautelar que suspende a vigência e a eficácia da lei revogadora, nos termos do art. 11,

§ 2º, da Lei 9.868/1999; ou b) na decisão definitiva que declara a inconstitucionalidade da lei revogadora.

2) Em casos de exercício da competência legislativa plena pelos Estados-membros, nos termos do art. 24 e §§ , da CF/88.

3) Em casos de medidas provisórias rejeitadas ou havidas por prejudicadas, que haviam revogado determinada lei, nos termos do art. 62, § 3º, da CF/88.

OUTROS FENÊMENOS DO DIREITO CONSTITUCIONAL INTERTEMPORAL

Desconstitucionalização

Fenômeno pelo qual as normas da Constituição anterior, que sejam materialmente compatíveis com o novo ordenamento constitucional, são recepcionadas pela nova Constituição com o status de normas infraconstitucionais.

Requisitos: i) compatibilidade material das normas desconstitu- cionalizadas com a nova Constituição; e ii) disposição expressa da desconstitucionalização no texto da nova Constituição.

Exemplo: Constituição do Estado de São Paulo de 1967, que, nos termos de seu art. 67, desconstitucionalizou as normas da Cons- tituição paulista anterior,

Recepção Material de Normas Constitucionais

Fenômeno pelo qual normas de uma Constituição anterior são recepcionadas pela nova Constituição, ainda, com o status de normas constitucionais.

Requisitos: i) não contrariedade com as normas fundamentais da nova Constituição; ii) disposição expressa da recepção no texto da nova Constituição; iii) prazo determinado; e iv) recair somente sobre parte das normas constitucionais pretéritas.

Exemplo: recepção provisória do sistema tributário nacional da Constituição de 1967/69, pela Constituição de 1988, nos termos do art. 34, caput, do ADCT.

Constitucionalidade Superveniente

Fenômeno pelo qual uma norma infraconstitucional, antes in- compatível com a Constituição (inconstitucional), passa a ser constitucional pela alteração do parâmetro constitucional. Segundo o STF, o sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente.

Usucapião de Constitucionalidade

Fenômeno pelo qual uma norma originariamente inconstitucional passa a ser constitucional pelo decurso do tempo, por não ter sido declarada inconstitucional pelo Poder Judiciário. Segundo o STF, a usucapião de constitucionalidade é incompatível com o constitucionalismo brasileiro.

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TÍTULO ITEORIA DA CONSTITUIÇÃO

10. QUESTÕES OBJETIVAS

10.1. Questões Objetivas de Concurso Público

1. (Promotor de Justiça – MP/CE – 2020) Acerca da teoria do poder constituinte, julgue os seguintes itens:

I. Constituição superveniente torna inconstitucionais leis anteriores com ela conflitantes.

II. Uma vez aprovada proposta de emenda constitucional pelo Congresso Nacional em exercício do seu poder constituinte derivado reformador, não haverá sanção ou veto pelo presidente da República.

III. Norma anterior não será recepcionada se sua forma não for mais admitida pela Consti- tuição superveniente, ainda que seu conteúdo seja compatível com esta.

Assinale a opção correta.

A) Apenas o item I está certo.

B) Apenas o item II está certo.

C) Apenas os itens I e III estão certos.

D) Apenas os itens II e III estão certos.

E) Todos os itens estão certos.

2. (Delegado de Polícia – PC/RS – 2018) O poder constituinte pode ser conceituado como o poder de elaborar ou atualizar uma Constituição. A titularidade desse poder pertence ao povo, como aponta a doutrina moderna. Sobre as proposições em relação ao tema, assinale a alternativa INCORRETA.

A) Recepção é um processo abreviado de criação de normas jurídicas, pelo qual a nova Constituição adota as leis já existentes, se com ela compatíveis, dando-lhes validade e evitando o trabalho de se elaborar toda a legislação infraconstitucional novamente.

Já a desconstitucionalização ocorre quando as normas da Constituição anterior per- manecem em vigor, desde que compatíveis com a nova ordem, mas com status de lei infraconstitucional.

B) O poder constituinte originário tem como principais características ser: inicial, ilimitado e incondicionado; já o poder constituinte derivado, por sua vez, possui as seguintes características principais: subordinado, condicionado e limitado.

C) Há possibilidade de se apontar duas formas básicas de expressão do Poder Constituinte originário: Assembleia Nacional Constituinte e Movimento Revolucionário (outorga).

D) O poder constituinte derivado revisor consiste na possibilidade que os Estados-membros têm, em virtude de sua autonomia político-administrativa, de se auto-organizarem através de suas respectivas constituições estaduais, sempre respeitando as limitações estabelecidas pela Constituição Federal.

E) O poder constituinte difuso dá fundamento ao fenômeno denominado de mutação constitucional. Por meio dela, são dadas novas interpretações aos dispositivos da Consti- tuição, mas sem alterações na literalidade de seus textos, que permanecem inalterados.

3. (Promotor de Justiça – MP/GO – 2019) A dinâmica constitucional diz respeito aos efeitos das normas constitucionais no tempo. Sobre essa temática, assinale a alternativa correta:

A) A incompatibilidade formal de uma norma, editada validamente sob a égide de Consti- tuição anterior, com a nova ordem constitucional não obsta a recepção da norma por

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essa nova ordem. Entretanto, a norma editada de forma viciada, na vigência da Consti- tuição anterior, ainda que materialmente compatível com a nova ordem, não é por esta recepcionada, diante da impossibilidade de uma “constitucionalidade superveniente”.

B) O Supremo Tribunal Federal admite o controle concentrado de constitucionalidade de leis editadas anteriormente à CF/88, formal e materialmente inconstitucionais em face da Constituição anterior, quando referidas leis sejam materialmente compatíveis com a nova ordem constitucional.

C) Segundo o Supremo Tribunal Federal, a incompatibilidade material de normas editadas validamente sob a égide de Constituição anterior, com a nova ordem constitucional conduz à inconstitucionalidade superveniente das normas incompatíveis com a nova ordem.

D) A garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada não se dirigem ao Constituinte originário, razão pela qual a nova Constituição simplesmente por regu- lamentar de modo diverso determinada situação, independentemente de manifestação expressa do Poder Constituinte originário, aplica-se a ato praticado no passado, sob a égide da Constituição anterior, no que respeita aos efeitos já produzidos e aos que deveriam ocorrer na vigência da nova Constituição, ainda que o ato fosse compatível com a ordem anterior.

4. (Titular de Serviços de Notas e de Registros – TJ/MG – 2019) O processo legislativo, consagrado no texto constitucional, consiste no conjunto coordenado de disposições que disciplinam o procedimento a ser estabelecido pelos órgãos competentes na produção de leis e atos normativos que derivam diretamente da própria constituição. Todavia, diante de uma nova ordem constitucional, normas anteriormente vigentes podem ou não receber enquadramento jurídico diverso daquele que dispunham anteriormente. A respeito do advento de uma nova ordem constitucional, assinale a alternativa correta.

A) Repristinação é o fenômeno que se dá quando uma norma revogadora de outra anterior, que, por sua vez, tivesse revogado outra mais antiga, recoloca esta última novamente em estado de produção de efeitos.

B) Recepção consiste no acolhimento, pela nova Carta Constitucional, de leis e atos nor- mativos vigentes na ordem constitucional anterior, mas sobre os quais subsistia dúvida ou insegurança jurídica quanto à sua validade ou constitucionalidade.

C) Desconstitucionalização decorre da manutenção em vigor, perante a nova ordem jurídica, da Constituição anterior, que, porém, perde sua hierarquia constitucional para operar como legislação, mas, ocupando posição hierárquica superior à legislação comum.

D) Convalidação consiste no acolhimento que uma nova constituição dá às leis e atos normativos editados sob a égide da Carta anterior, desde que compatíveis consigo, recebendo materialmente tais leis e atos normativos, como também lhe assegurando conformidade à nova sistemática vigente.

5. (Promotor de Justiça – MP/SP – 2013) A repristinação é a possibilidade de uma norma revogada passar novamente a ter vigência pelo fato de a norma revogadora ser revogada.

O efeito repristinatório pode ocorrer nos casos.

I. de entrada em vigor de lei que revogue a lei revogadora expressar o restabelecimento da lei revogada.

II. de entrada em vigor de lei que revogue a lei revogadora, ainda que não expresse o restabelecimento da lei revogada.

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TÍTULO ITEORIA DA CONSTITUIÇÃO

III. de concessão da medida cautelar em autos de ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal, voltada contra a lei revogadora, salvo expressa mani- festação em sentido contrário.

IV. de concessão da medida cautelar em autos de ação direta de inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal voltada contra a lei revogadora, exceto nos casos em que a União for interessada.

V. em que o Tribunal declarar a inconstitucionalidade de lei e, por maioria simples de seus membros, determinar o efeito ex nunc da decisão.

Está CORRETO apenas o afirmado nos itens A) I e IV.

B) II e IV.

C) I e V.

D) I e III.

E) IV e V.

6. (Delegado – PC/MG – 2011) Quanto à aplicação das normas constitucionais no tempo e no espaço, pode-se considerar que

I. o princípio da recepção é observado no momento da revisão constitucional e da emenda à Constituição, enquanto que a conexão das normas constitucionais com as normas confli- tantes ocorre sempre que o conflito entre elas se estabeleça no caso concreto.

II. as disposições constitucionais passíveis de desconstitucionalização são aquelas de natureza formal que não dispõem sobre a natureza material, enquanto que na conexão as regras materiais terão sempre de ser mediatizadas pelas regras de conflito.

III. a revogação de normas constitucionais ocorre a partir da distinção entre inconstitucio- nalidade originária e inconstitucionalidade superveniente, devendo ser aplicada tanto em situações advindas da Constituição nova como também daquelas oriundas de uma revisão constitucional.

IV. a derrogação do direito anterior se verifica sempre que a nova lei contiver disposições de caráter formal e material que versem sobre assuntos restritos à consagração de direitos e às limitações ao poder de governar.

Partindo de tais considerações, é correto afirmar que A) apenas as afirmativas I e III são verdadeiras.

B) apenas as afirmativas II e III são verdadeiras.

C) apenas a afirmativa IV é verdadeira.

D) as afirmativas I, II, III e IV são falsas.

7. (Promotor de Justiça – MP/PR – 2013) Qual a alternativa que define de modo mais adequado a denominação que o constitucionalismo moderno atribui ao fenômeno pelo qual se opera a alteração do conteúdo e do alcance das normas constitucionais pela via informal, sem alteração do texto normativo, tendo-se em conta a aplicação concreta de seu conteúdo a situações fáticas que se modificam no tempo, à luz de transformações no âmbito da realidade da configuração do poder político, da estrutura social ou do equilíbrio de interesses?

A) Repristinação constitucional;

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B) Declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto;

C) Recepção constitucional;

D) Mutação constitucional;

E) Modulação constitucional.

8. (Advogado – Correios – 2008) Analise os seguintes itens:

I – Espécies normativas primárias são aquelas que retiram seu fundamento de validade da própria constituição e por esse motivo são as únicas que podem criar direitos e impor obrigações de natureza geral.

II – devido ao princípio da recepção, entrando em vigor nova constituição, todo o ordena- mento jurídico anterior será por ela acolhido, mesmo que incompatível com a nova ordem instituída.

III – o efeito da repristinação é admitido no direito brasileiro, desde que haja expressa previsão na lei revogadora, por isso é chamado de “falsa repristinação”.

IV – o fenômeno da desconstitucionalização, que possibilita a recepção de texto consti- tucional anterior com status de lei ordinária no novo ordenamento jurídico é plenamente admissível pelo direito brasileiro.

Assinale a alternativa correta:

A) Os itens I e II estão incorretos.

B) Os itens II, III e IV estão incorretos.

C) Os itens I e IV estão corretos.

D) Os itens I e III estão corretos.

9. (Consultor Legislativo – CL/DF – 2018) Considere, hipoteticamente, que em determi- nado Estado nacional seja promulgada nova Constituição, na qual estejam contempladas as seguintes disposições:

I. Permanecem válidos e consideram-se vigentes, com o caráter de lei ordinária, os dispo- sitivos da Constituição anterior que não contrariem esta Constituição.

II. As leis ordinárias promulgadas anteriormente à entrada em vigor desta Constituição mantêm-se válidas e em vigor naquilo em que não sejam contrárias a esta Constituição.

As disposições em questão referem-se, respectivamente, aos fenômenos da A) recepção de normas constitucionais e desconstitucionalização.

B) desconstitucionalização e recepção.

C) repristinação e recepção.

D) desconstitucionalização e repristinação.

E) recepção de normas constitucionais e repristinação.

10. (Defensor Público – DPE/PA – 2015) Tendo em consideração o que se contém nas assertivas I e II, assinale a alternativa correta:

I – CF/88, Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, Art. 34, caput: “O sistema tri- butário nacional entrará em vigor a partir do primeiro dia do quinto mês seguinte ao da promulgação da Constituição, mantido, até então, o da Constituição de 1967, com a redação determinada pela Emenda n. 1, de 1969, e pelas posteriores”.

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TÍTULO ITEORIA DA CONSTITUIÇÃO

II – CF/88, Art. 196: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante polí- ticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”.

A) A hipótese contemplada na assertiva I corresponde, na teoria da Constituição, ao fenômeno denominado inconstitucionalidade superveniente, enquanto o enunciado constante da assertiva II se trata de norma constitucional não autoaplicável instituidora de princípio programático.

B) A hipótese contemplada na assertiva I corresponde, na teoria da Constituição, ao fenô- meno denominado desconstitucionalização, enquanto o enunciado constante da assertiva II se trata de norma constitucional não autoaplicável instituidora de princípio institutivo.

C) A hipótese contemplada na assertiva I corresponde, na teoria da Constituição, ao fe- nômeno denominado repristinação, enquanto o enunciado constante da assertiva II se trata de norma constitucional autoaplicável, de aplicabilidade imediata e eficácia plena.

D) A hipótese contemplada na assertiva I corresponde, na teoria da Constituição, ao fenô- meno denominado recepção material, enquanto o enunciado constante da assertiva II se trata de norma constitucional não autoaplicável instituidora de princípio programático.

E) A hipótese contemplada na assertiva I corresponde, na teoria da Constituição, ao fenômeno denominado recepção material, enquanto o enunciado constante da assertiva II se trata de norma constitucional autoaplicável, de aplicabilidade imediata e eficácia contida.

10.2.   Questões Objetivas do Exame de Ordem (OAB)

1. (XXVI Exame de Ordem Unificado) Uma nova Constituição é promulgada, sendo que um grupo de parlamentares mantém dúvidas acerca do destino a ser concedido a várias normas da Constituição antiga, cujas temáticas não foram tratadas pela nova Constituição. Como a nova Constituição ficou silente quanto a essa situação, o grupo de parlamentares, preocupado com possível lacuna normativa, resolve procurar competentes advogados a fim de sanar a referida dúvida. Os advogados informaram que, segundo o sistema jurídicoconstitucional brasileiro, A) as normas da Constituição pretérita que guardarem congruência material com a nova

Constituição serão convertidas em normas ordinárias.

B) as matérias tratadas pela Constituição pretérita e não reguladas pela nova Constituição serão por esta recepcionadas.

C) as matérias tratadas pela Constituição pretérita e não reguladas pela nova Constituição receberão, na nova ordem, status supralegal, mas infraconstitucional.

D) a revogação tácita da ordem constitucional pretérita pela nova Constituição se dará de forma completa e integral, ocasionando a perda de sua validade.

2. (XXV Exame de Ordem Unificado) Todos os dispositivos da Lei Y, promulgada no ano de 1985, possuem total consonância material e formal com a Constituição de 1967, com a re- dação dada pela Emenda Constitucional nº 1/1969. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, em sede de recurso extraordinário, constatou que, após a atuação do Poder Constituinte originário, que deu origem à Constituição de 1988, o Art. X da mencionada Lei Y deixou de encontrar suporte material na atual ordem constitucional. Sobre esse caso, segundo a posi- ção reconhecida pela ordem jurídico-constitucional brasileira, assinale a afirmativa correta.

A) Ocorreu o fenômeno conhecido como “não recepção”, que tem por consequência a revogação do ato normativo que não se compatibiliza materialmente com o novo pa- râmetro constitucional.

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B) Ao declarar a inconstitucionalidade do Art. X à luz do novo parâmetro constitucional, devem ser reconhecidos os naturais efeitos retroativos (ex tunc) atribuídos a tais decisões.

C) Na ausência de enunciado expresso, dá-se a ocorrência do fenômeno denominado

“desconstitucionalização”, sendo que o Art. X é tido como inválido perante a nova Constituição.

D) Terá ocorrido o fenômeno da inconstitucionalidade formal superveniente, pois o Art.

X, constitucional perante a Constituição de 1967, tornou-se inválido com o advento da Constituição de 1988.

11. QUESTÕES DISCURSIVAS

1. (XXV Exame de Ordem Unificado – Reaplicação Porto Alegre) Em um certo país (Repú- blica Teta), o poder constituinte originário, ao produzir uma nova Constituição, insere no respectivo texto os seguintes artigos:

Art. 28 – A produção, alteração e revogação de leis ordinárias se dará por manifestação da maioria simples no Parlamento da República, em um único turno. (...)

Art. 63 – No que se refere às normas materialmente constitucionais, a manifestação do poder constituinte derivado reformador somente será reconhecida se o processo de votação for aprovado pela maioria de 4/5 do total de membros do Parlamento da República, em votação a ser realizada em dois turnos.

Art. 64 – No que se refere às normas meramente formais da presente Constituição, a mani- festação do poder constituinte derivado reformador se dará por intermédio de manifestação de maioria simples dos membros do Parlamento da República, em um único turno. (...) Art. 100 dos ADCT (Atos das Disposições Constitucionais Transitórias) – Ficam integral- mente revogadas as normas da Constituição anterior.

Diante do exposto e seguindo o quadro teórico adotado no sistema jurídico-constitucional brasileiro, responda às questões a seguir.

B) A nova Constituição deu origem ao fenômeno conhecido, no âmbito do direito consti- tucional intertemporal, como “desconstitucionalização”?

2. (XXII Exame de Ordem Unificado) Em 1975, o Presidente da República estabeleceu, por decreto, que a localização da nova usina nuclear seria o Município Alfa. O Decreto de 1975 seguiu todas as prescrições legais então vigentes, sem nenhum tipo de violação à Constituição da época. Não obstante, tendo em vista diversos fatores econômicos, políticos e sociais, o início dos trabalhos ficou adiado para uma nova oportunidade. Com o advento da Constituição de 1988, o texto constitucional passou a determinar que a localização de usinas nucleares seja autorizada por Lei Federal. Diante da narrativa acima, responda aos itens a seguir.

A) O Decreto do Presidente da República, editado em 1975, foi recepcionado pela nova Constituição? Justifique.

B) O atual Presidente da República pode, por Decreto Presidencial, alterar a localização da usina nuclear para o município Beta, no lugar de Alfa? Justifique.

3. (XIX Exame de Ordem Unificado) O deputado federal João da Silva, impulsionado por solicitação do seu partido, quer propor a alteração de alguns dispositivos normativos constantes da Lei nº 1.234, produzida pela via ordinária, em momento anterior à Cons- tituição da República Federativa do Brasil de 1988. Porém, a atual ordem constitucional

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