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PROCESSO Nº TST-RR A C Ó R D Ã O (4ª Turma) GMALR/LRR

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Academic year: 2022

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(1)Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho. A C Ó R D Ã O (4ª Turma) GMALR/LRR A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL). ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DAS LEIS Nos 13.015/2014 E 13.467/2017. HORAS EXTRAS. BANCÁRIO. GERENTE GERAL DE AGÊNCIA. HIPÓTESE DO ART. 62, II, DA CLT. INAPLICABILIDADE DOS PLANOS DE CARGOS E SALÁRIOS 1988 E 1998. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA. PROVIMENTO. I. Esta Corte Superior tem entendido que o empregado da CEF, ocupante do cargo de gerente-geral de agência, não faz jus às jornadas de 6 e 8 horas, respectivamente, previstas nos PCSs de 1989 e 1998, pois não está submetido a controle de jornada, nos termos do artigo 62, II, da CLT e da Súmula 287 do TST, de tal sorte que a somente mediante expressa referência no PCS/89 e no item 12.1.1 do PCC de 1998, normas mais benéficas que a lei, é que gerente-geral poderia se beneficiar da jornada ali estipulada, na forma do artigo 114 do Código Civil. II. Demonstrada contrariedade à Súmula nº 287 do TST. III. Agravo de instrumento de que se conhece e a que se dá provimento, para determinar o processamento do recurso de revista, observando-se o disposto no ATO SEGJUD.GP Nº 202/2019 do TST. RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELA RECLAMADA (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL). ACÓRDÃO REGIONAL PUBLICADO NA VIGÊNCIA DAS LEIS Nos 13.015/2014 E 13.467/2017. HORAS EXTRAS. BANCÁRIO. GERENTE GERAL DE AGÊNCIA. HIPÓTESE DO ART. 62, II, DA CLT. INAPLICABILIDADE DOS PLANOS DE CARGOS E SALÁRIOS 1988 E 1998. Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009.

(2) fls.2. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA. CONHECIMENTO E PROVIMENTO. I. Esta Corte Superior tem entendido que o empregado da CEF, ocupante do cargo de gerente-geral de agência, não faz jus às jornadas de 6 e 8 horas, respectivamente, previstas nos PCSs de 1989 e 1998, pois não está submetido a controle de jornada, nos termos do artigo 62, II, da CLT e da Súmula 287 do TST, de tal sorte que a somente mediante expressa referência no PCS/89 e no item 12.1.1 do PCC de 1998, normas mais benéficas que a lei, é que gerente-geral poderia se beneficiar da jornada ali estipulada, na forma do artigo 114 do Código Civil. II. Além disso, a jurisprudência desta Corte Superior tem firme entendimento no sentido de que o art. 62 da CLT é aplicável ao gerente-geral de agência bancária. Tal entendimento está consagrado na Súmula nº 287 desta Corte. III. Hipótese em que a Corte Regional entendeu que o art. 62, II, da CLT não se aplica ao bancário gerente-geral de agência, mantendo a condenação do Banco-Recorrente ao pagamento de horas extras (excedentes da 8ª diária e 44ª semanal). III. Demonstrada transcendência política da causa e contrariedade à Súmula nº 287 do TST. IV. Recurso de revista de que se conhece, por contrariedade à Súmula nº 287 do TST, e a que se dá provimento Vistos, relatados e discutidos estes autos de Recurso de Revista n° TST-RR-967-95.2016.5.23.0009, em que é Recorrente CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - CEF e Recorrido ELEODI LUCIA LAGNI.. A Presidência do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região denegou seguimento ao recurso de revista interposto pela Reclamada CAIXA ECONÔMICA FEDERAL - CEF (fls. 666/669 do documento sequencial eletrônico nº 03), o que ensejou a interposição do agravo de instrumento (fls. 681/688 do documento sequencial eletrônico nº 03). Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(3) Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 A Reclamante, ora Agravada, apresentou contraminuta ao agravo de instrumento. Os autos não foram remetidos ao Ministério Público do Trabalho. É o relatório. V O T O. A) AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA 1. CONHECIMENTO Atendidos os pressupostos legais de admissibilidade do agravo de instrumento, dele conheço. 2. MÉRITO A decisão denegatória está assim fundamentada: “PRESSUPOSTOS EXTRÍNSECOS Tempestivo o recurso (decisão publicada em 25.04.2018 - Id 43e2dff; recurso apresentado em 03.05.2018 - Id fcbaa5d). Regular a representação processual (Id 4de7270). Satisfeito o preparo (Ids cf16caf, 79fa4c8 e 05f64f6). PRESSUPOSTOS INTRÍNSECOS DURAÇÃO DO TRABALHO / HORAS EXTRAS / CARGO DE CONFIANÇA DURAÇÃO DO TRABALHO / INTERVALO INTRAJORNADA Alegações: - contrariedade à Súmula n. 287/TST. - violação aos arts. 62, II, e 224, § 2º, da CLT. - divergência jurisprudencial. A Turma Revisora, por entender que a situação fática descrita nos autos não autoriza a incidência da regra prevista no art. 62, II, da CLT, deu provimento parcial ao apelo interposto pela autora para condenar a ré ao Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. fls.3.

(4) Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 pagamento de horas extras, intervalo intrajornada e intervalo especial previsto no art. 384 da CLT. A demandada insurge-se em face desse comando judicial, aduzindo que "Diante das atribuições do cargo exercido pela parte reclamante (Gerente Geral), verifica-se que se enquadra na regra do art. 62, c/c 224, §2º, da CLT, na esteira do que determina a Súmula nº 287 do TST, NÃO FAZENDO JUS A QUALQUER VALOR A TÍTULO DE HORAS EXTRAS." (Id fcbaa5d págs. 10/11, destaques no original). Sustenta que "(...) quando da livre assinatura do respectivo termo de designação para exercício dos referidos cargos em comissão, sabia a parte reclamante que não mais se sujeitaria ao limite de jornada bancária, fato este de seu prévio conhecimento e de vontade expressa." (Id fcbaa5d - pág. 11). Por outro lado, pontua que "Em relação ao horário, é oportuno registrar inclusive que, normativamente, há expressa previsão para ausência de registro de freqüência no caso da parte Reclamante." (sic, Id fcbaa5d - pág. 11). Destaca que "(...) o cargo comissionado exercido pela parte reclamante possui gratificação correspondente a mais de 40% do seu Salário Padrão, conforme valores espelhados nos seus Relatórios FINA,C - CONSULTA FINANCEIRO MENSAL e, portanto, enquadra-se no art. 62, II da CLT sem direito a receber hora extra." (Id fcbaa5d - pág. 15, destaques no original). Trago dos fundamentos da decisão recorrida: "A aplicabilidade da norma do artigo 62, inciso II, da CLT, depende do preenchimento de dois requisitos, quais sejam o empregado possuir poderes de gestão e receber remuneração, no mínimo, 40% superior ao salário do cargo efetivo. Uma vez preenchidos tais pressupostos, não faz jus o trabalhador ao pagamento de horas extras. Ainda, à luz do disposto na Súmula nº 287 do c. TST: 'A jornada de trabalho do empregado de banco gerente de agência é regida pelo art. 224, § 2º, da CLT. Quanto ao gerente-geral de agência bancária, presume-se o exercício de encargo de gestão, aplicando-lhe o art. 62 da CLT'. No presente caso, verifico que os assentamentos funcionais da reclamante confirmam que esta desempenhou, no período imprescrito, a função de gerente geral (ID 1f2b911). Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. fls.4.

(5) fls.5. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 Ainda, as fichas financeiras da obreira fazem prova de que ela recebia gratificação, pelo exercício do cargo em comissão, em valor superior a 40% do salário do seu cargo efetivo (ID c455004). Todavia, em relação ao cargo de Gerente, restou incontroverso nos autos que a reclamada, através da CI GEARU 055/98, implementou Plano de Cargos e Salários (PCS/98), fixando jornada de trabalho de 8 horas diárias para os ocupantes de cargos em comissão. A norma interna encontra-se disposta nos seguintes termos (ID 94e9494/pág. 3): '3. Jornada de Trabalho: os ocupantes de cargo em comissão de gerência, (...) cumprirão jornada de 8 horas diárias'. Assim, o regulamento da empresa, por ser norma mais favorável ao empregado, aderiu a seu contrato de trabalho, não podendo ser alterado em prejuízo da reclamante, sob pena de ofensa ao disposto no artigo 468 da CLT. Nesse sentido, o item I da Súmula 51 do TST: 'as cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento.' A alteração contratual rege-se, ainda, pelo artigo 444 da CLT, que assim prevê: As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos (atualmente convenções coletivas) que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. (...) O c. TST já se manifestou seguindo o raciocínio ora exposto, conforme julgado a seguir: (...) Desse modo, afasta-se, de plano, a submissão da reclamante à exceção disposta no art. 62, II da CLT e da parte final da Súmula 287 do c. TST. Nessas circunstâncias, diversamente do entendimento a quo, cumpre reconhecer a jornada de 8 horas diárias, limitada a 40 semanais, para a reclamante, no período em que ocupou o cargo de gerente geral, sendo devidas como extras as que excederem esse patamar. Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(6) fls.6. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 De acordo com a inicial, a reclamante trabalhava das 7h30 às 19h, com 30 minutos de intervalo, de segunda a sexta-feira. A reclamada, em defesa, sustentou que a reclamante, em vista do exercício de encargo de gestão, não estava sujeita a jornada pré-fixada, tampouco ao registro desta. Cabia ao réu trazer aos autos os respectivos controles de jornada, o que, entretanto, não o fez, competindo registrar que o empregador que não controla a jornada, quando obrigado a tanto, fica sujeito ao exposto no § 1º da Súmula n. 338 do TST. Assim e considerando, ainda, que a reclamada, em defesa, não apontou jornada diversa daquela declinada na exordial, imperioso reconhecer que a reclamante, durante o período imprescrito, se ativou de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h30, com 30 minutos de intervalo intrajornada, consoante jornada da petição inicial. Nessa esteira, reformo a sentença para deferir à reclamante, como extras, as horas trabalhadas além da 8ª e 40ª semanal. Devido, ainda, 1 hora extra por dia de labor em virtude da usurpação do intervalo intrajornada, nos termos do art. 71, § 4º, da CLT e Súmula n. 437 do TST. Outrossim não demonstrado o gozo do intervalo do art. 384 da CLT, devido o pagamento de 15 minutos, como extras, nos dias efetivamente trabalhados, competindo realçar que o Plenário do Supremo Tribunal Federal negou provimento ao Recurso Extraordinário (RE) 658312, com repercussão geral reconhecida, e firmou a tese de que o artigo 384 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) foi recepcionado pela Constituição da República de 1988. Parâmetros para o cálculo das horas extras: adicional legal de 50%, remuneração base, divisor 220 (art. 64 da CLT), dias efetivamente trabalhados, levando-se em consideração as férias e demais afastamentos informados nos autos. E, em face da natureza salarial e da habitualidade das parcelas, defiro os reflexos em 13º salários, férias acrescidas de 1/3, RSR (sábados, domingos e feriados - conforme norma coletiva), FGTS, licença-prêmio, APIP e todas as verbas salariais rescisórias lançadas no TRCT, observada a prescrição quinquenal, na forma do art. 7º, XXIX, da Constituição Federal. Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(7) fls.7. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 Consigno, por oportuno, quanto à insurgência da reclamada no tocante aos reflexos das horas extras sobre licença-prêmio e APIP, que a decisão está em conformidade com decisão da SDI-1 do TST, conforme precedentes: RR - 1668-32.2010.5.10.0008 , Relator Ministro: Walmir Oliveira da Costa, Data de Julgamento: 29/03/2017, 1ª Turma, Data de Publicação: DEJT 31/03/2017; E-ED-RR - 76400-04.2009.5.03.0108 , Relator Ministro: Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, Data de Julgamento: 30/10/2014, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação: DEJT 07/11/2014) Juros e correção monetária na forma dos artigos 883 da CLT e39 da Lei n. 8.177/91, bem como Súmulas 200, 211, 307 e 381 do TST e, ainda, OJ 300 da SDI-1 do C. TST." (Id cf16caf, sem grifos no original). Como se infere, a Turma Revisora afastou o enquadramento da vindicante na exceção contida no art. 62, II, da CLT, sob o fundamento de que "(...) restou incontroverso nos autos que a reclamada, através da CI GEARU 055/98, implementou Plano de Cargos e Salários (PCS/98), fixando jornada de trabalho de 8 horas diárias para os ocupantes de cargos em comissão (...) Assim, o regulamento da empresa, por ser norma mais favorável ao empregado, aderiu a seu contrato de trabalho, não podendo ser alterado em prejuízo da reclamante, sob pena de ofensa ao disposto no artigo 468 da CLT." Verifico que a recorrente não impugna, de forma direta e pontual, essa diretriz jurídica adotada pela Turma Revisora na composição do conflito de interesses, logo, a admissibilidade do recurso de revista, no que tange ao tema tratado neste apelo, encontra óbice na falta de atendimento do requisito previsto no inciso III do §1º-A do art. 896 da CLT (Incidência da Súmula n. 422/TST). CONCLUSÃO DENEGO seguimento ao recurso de revista” (fls. 666/669 do documento sequencial eletrônico nº 03). A decisão agravada merece reforma, pelas seguintes razões:. Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(8) fls.8. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 2.1. HORAS EXTRAS. BANCÁRIO. GERENTE GERAL DE AGÊNCIA. HIPÓTESE DO ART. 62, II, DA CLT. CONHECIMENTO E PROVIMENTO. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA. CONHECIMENTO E PROVIMENTO. Nas razões do recurso de revista foram atendidos os requisitos do art. 896, § 1º-A, da CLT (redação da Lei nº 13.015/14). Trata-se de agravo de instrumento em recurso de revista interposto de decisão regional publicada na vigência das Leis nº 13.015/2014 e 13.467/2017 (acórdão regional publicado em 25/04/2018). Logo, a insurgência deve ser examinada à luz do novo regramento processual relativo à transcendência. Na forma do art. 247 do RITST, o exame prévio e de ofício da transcendência deve ser feito à luz do recurso de revista. O reconhecimento de que a causa oferece transcendência pressupõe a demonstração, no recurso de revista, de tese hábil a ser fixada, com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica, a que se refere o § 1º do art. 896-A da CLT. Nesse sentido, dispõe o art. 896-A, § 1º, da CLT: “Art.896-A - O Tribunal Superior do Trabalho, no recurso de revista, examinará previamente se a causa oferece transcendência com relação aos reflexos gerais de natureza econômica, política, social ou jurídica. § 1o São indicadores de transcendência, entre outros: I - econômica, o elevado valor da causa; II - política, o desrespeito da instância recorrida à jurisprudência sumulada do Tribunal Superior do Trabalho ou do Supremo Tribunal Federal; III - social, a postulação, por reclamante-recorrente, de direito social constitucionalmente assegurado; IV - jurídica, a existência de questão nova em torno da interpretação da legislação trabalhista”. Desse modo, para que se possa concluir pela transcendência da causa, faz-se necessário verificar se o recurso de revista alcança condição objetiva de fixação de tese acerca da matéria. Na hipótese dos autos, a Reclamada Caixa Econômica Federal pretende o processamento de seu recurso de revista por violação Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(9) fls.9. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 ao art. 62, II, da CLT e contrariedade à Súmula nº 287 do TST. Argumenta que “a reclamante exerceu em caráter efetivo, durante todo o período imprescrito, o cargo comissionado gerencial de GERENTE GERAL, com encargo de gestão, em que esteve enquadrado no art. 62, II da CLT” (fl. 579) e, por isso, “não faz jus a percepção de horas extras suplicadas na peça vestibular”(fl. 580). Sustenta que “o exercício do cargo de gerente-geral presume o encargo de gestão, aplicando-se o art. 62 da CLT.” (fl. 581). Alega, ainda, que, “em relação ao horário, é oportuno registrar inclusive que, normativamente, há expressa previsão para ausência de registro de frequência no caso da parte Reclamante, conforme disposto no MN RH 035 008 – JORNADA DE TRABALHO Normal e Horas Extras” (fl. 581). Consta do acórdão recorrido: “HORAS EXTRAS. GERENTE GERAL. NORMA INTERNA A reclamante busca a reforma da sentença que indeferiu o pedido de pagamento de horas extras além da oitava em período no qual exerceu o cargo de gerente geral. Embasa sua pretensão na existência de norma interna mais benéfica ao trabalhador. Examino. A discussão veiculada no presente tópico cinge-se sobre a aplicabilidade do art. 62, II, da CLT, e, por corolário, o deferimento das horas extras excedentes à 8ª diária. Pois bem. A aplicabilidade da norma do artigo 62, inciso II, da CLT, depende do preenchimento de dois requisitos, quais sejam o empregado possuir poderes de gestão e receber remuneração, no mínimo, 40% superior ao salário do cargo efetivo. Uma vez preenchidos tais pressupostos, não faz jus o trabalhador ao pagamento de horas extras. Ainda, à luz do disposto na Súmula nº 287 do c. TST: "A jornada de trabalho do empregado de banco gerente de agência é regida pelo art. 224, § 2º, da CLT. Quanto ao gerente-geral de agência bancária, presume-se o exercício de encargo de gestão, aplicando-lhe o art. 62 da CLT ". Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(10) fls.10. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 No presente caso, verifico que os assentamentos funcionais da reclamante confirmam que esta desempenhou, no período imprescrito, a função de gerente geral (ID 1f2b911). Ainda, as fichas financeiras da obreira fazem prova de que ela recebia gratificação, pelo exercício do cargo em comissão, em valor superior a 40% do salário do seu cargo efetivo (ID c455004). Todavia, em relação ao cargo de Gerente, restou incontroverso nos autos que a reclamada, através da CI GEARU 055/98, implementou Plano de Cargos e Salários (PCS/98), fixando jornada de trabalho de 8 horas diárias para os ocupantes de cargos em comissão. A norma interna encontra-se disposta nos seguintes termos (ID 94e9494/pág. 3): "3. Jornada de Trabalho: os ocupantes de cargo em comissão de gerência, (...) cumprirão jornada de 8 horas diárias". Assim, o regulamento da empresa, por ser norma mais favorável ao empregado, aderiu a seu contrato de trabalho, não podendo ser alterado em prejuízo da reclamante, sob pena de ofensa ao disposto no artigo 468 da CLT. Nesse sentido, o item I da Súmula 51 do TST: "as cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento." A alteração contratual rege-se, ainda, pelo artigo 444 da CLT, que assim prevê: As relações contratuais de trabalho podem ser objeto de livre estipulação das partes interessadas em tudo quanto não contravenha às disposições de proteção ao trabalho, aos contratos coletivos (atualmente convenções coletivas) que lhes sejam aplicáveis e às decisões das autoridades competentes. (...) O c. TST já se manifestou seguindo o raciocínio ora exposto, conforme julgado a seguir: AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. HORAS EXTRAS. EXISTÊNCIA DE NORMA INTERNA. PREVISÃO DE PAGAMENTO DAS HORAS EXTRAORDINÁRIAS APÓS À OITAVA AOS GERENTES Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(11) fls.11. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 GERAIS DE AGÊNCIA. O e. TRT consignou que o reclamante era gerente geral de agência bancária, o que atrairia a incidência do entendimento consolidado na Súmula nº 287 desta Corte e, por consequência, o enquadramento do mesmo na exceção contida no art. 62, II, da CLT. Porém, também registrou a Corte Regional a existência de regulamento empresarial fixando jornada de 8h, mesmo para os gerentes gerais de agência, sendo certo que a SBDI-1 desta Corte já se posicionou quanto à questão, examinando feito com idêntico regulamento (CI GEARU 055/98), sufragando o entendimento de que "incumbe ao empregador cumprir a norma por ele criada, a qual se vincula, em respeito aos princípios de Direito do Trabalho, por se tratar norma mais benéfica, a determinar o pagamento das horas extraordinárias após a oitava diária" (E-ED-RR-94700-64.2008.5.04.0611, Rel. Min. Aloysio Corrêa da Veiga, DEJT 8/6/2012). Incidência da Súmula nº 333 do TST e do art. 896, § 4º, da CLT. (Agravo de instrumento não provido. (AIRR - 636-39.2012.5.04.0541, Relator Desembargador Convocado: Breno Medeiros, Data de Julgamento: 22/04/2015, 8ª Turma, Data de Publicação: DEJT 24/04/2015) Este Regional não destoa: CEF. GERENTE GERAL. HORAS EXCEDENTES À 8ª DIÁRIA. NORMA INTERNA. Muito embora incontroverso nos autos que a Autora se ativava no cargo comissionado de gerente geral de agência, cediço que à época em que passou a laborar para a Caixa Econômica Federal vigorava norma interna que previa que a jornada de trabalho dos gerentes seria de 8 (oito) horas diárias. Assim, são devidas à Demandante, como extras, as horas laboradas acima da oitava diária, uma vez que a norma interna, por ser mais favorável, adere ao contrato de trabalho. (TRT da 23.ª Região; Processo: 0001119-38.2014.5.23.0002 RO; Data: 20/10/2017; Órgão Julgador: Tribunal Pleno-PJe; Relator: TARCISIO REGIS VALENTE) Desse modo, afasta-se, de plano, a submissão da reclamante à exceção disposta no art. 62, II da CLT e da parte final da Súmula 287 do c. TST. Nessas circunstâncias, diversamente do entendimento a quo, cumpre reconhecer a jornada de 8 horas diárias, limitada a 40 semanais, para a reclamante, no período em que ocupou o cargo de gerente geral, sendo devidas como extras as que excederem esse patamar.. Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(12) Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 De acordo com a inicial, a reclamante trabalhava das 7h30 às 19h, com 30 minutos de intervalo, de segunda a sexta-feira. A reclamada, em defesa, sustentou que a reclamante, em vista do exercício de encargo de gestão, não estava sujeita a jornada pré-fixada, tampouco ao registro desta. Cabia ao réu trazer aos autos os respectivos controles de jornada, o que, entretanto, não o fez, competindo registrar que o empregador que não controla a jornada, quando obrigado a tanto, fica sujeito ao exposto no § 1º da Súmula n. 338 do TST. Assim e considerando, ainda, que a reclamada, em defesa, não apontou jornada diversa daquela declinada na exordial, imperioso reconhecer que a reclamante, durante o período imprescrito, se ativou de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h30, com 30 minutos de intervalo intrajornada, consoante jornada da petição inicial. Nessa esteira, reformo a sentença para deferir à reclamante, como extras, as horas trabalhadas além da 8ª e 40ª semanal” (fls. 555/558 documento sequencial eletrônico nº 03). Ao julgar os embargos de declaração, o Tribunal Regional assim se pronunciou: “INTERVALO DO ART. 384 DA CLT A Embargante afirma que em que pese esta E. Turma tenha aplicado a Súmula nº 22 do TRT da 9ª Região, acabou, por obscuridade, contradição ou mesmo por erro material, determinando a exclusão do intervalo do art. 384 da CLT nas oportunidades em que não houver prorrogação em mais de 15min do horário normal de trabalho, quando o correto excluir o intervalo quando não houver prorrogação em mais de 30min. Postula seja sanado o vício. Analisa-se. Constou do v. acórdão embargado: De fato, como bem apontado pela Embargante, há erro material na r. decisão pois, de acordo com o entendimento exposto na Súmula nº 22 deste E. Tribunal, somente deve ser considerado exigível o intervalo do art. 384 da CLT se o trabalho extraordinário exceder a 30 minutos, e não 15 minutos, como constou, de forma equivocada, às fls. 679 e 681. Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. fls.12.

(13) fls.13. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 Registre-se que, em se tratando de mera correção de erro material, é desnecessário intimar a parte contrária para manifestação, consoante jurisprudência pacífica do C. STJ: AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PROCESSO CIVIL. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE MERCADORIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONSTATAÇÃO DE ERRO MATERIAL. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO DA PARTE CONTRÁRIA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO ART. 1.022 DO CPC/2015. RESCISÃO CONTRATUAL. CONTROVÉRSIA QUANTO AO RESPONSÁVEL PELO DESCUMPRIMENTO CONTRATUAL E CONSEQUENTE RESCISÃO. REEXAME DE CLÁUSULAS E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULAS 5 E 7 DO STJ. AGRAVO IMPROVIDO. 1. A jurisprudência desta Corte é pacífica ao proclamar que a correção de erro material sem a prévia manifestação da parte contrária não acarreta ofensa ao princípio do contraditório. 2. O acolhimento da tese (a respeito da responsabilidade de cada contratante) exigiria rever as conclusões alcançadas pelo Tribunal de origem, o que é inviável em recurso especial, por implicar reexame das provas contidas nos autos e análise e interpretação de cláusulas contratuais. Incidência das Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 3. Agravo interno a que se nega provimento. (STJ - AgInt no AREso: 1261993 SP 2018/0057952-9, Relator: Ministro Marco Aurélio Bellizze, Data de Julgamento: 02/08/2018, T3 - Terceira Turma, Data de Publicação: DJe 13/08/2018). Dá-se provimento aos embargos de declaração para, corrigindo erro material, determinar que às fls. 679 e 681 onde consta "excluir da condenação o pagamento, como extra, do tempo do intervalo especial estabelecido no art. 384 da CLT nas oportunidades em que não houver prorrogação em mais de 15min do horário normal de trabalho, bem como seus reflexos", passe a constar "excluir da condenação o pagamento, como extra, do tempo do intervalo especial estabelecido no art. 384 da CLT nas oportunidades em que não houver prorrogação em mais de 30min do horário normal de trabalho, bem como seus reflexos” (fls. 02/04 do documento sequencial eletrônico nº 130). Como se observa, a Corte Regional entendeu que o art. 62, II, da CLT não se aplica ao bancário gerente-geral de agência, Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(14) fls.14. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 condenando o Banco-Recorrente ao pagamento de horas extras (excedentes da 8ª diária e 44ª semanal). Registrou que, “em relação ao cargo de Gerente, restou incontroverso nos autos que a reclamada, através da CI GEARU 055/98, implementou Plano de Cargos e Salários (PCS/98), fixando jornada de trabalho de 8 horas diárias para os ocupantes de cargos em comissão” e que “o regulamento da empresa, por ser norma mais favorável ao empregado, aderiu a seu contrato de trabalho, não podendo ser alterado em prejuízo da reclamante, sob pena de ofensa ao disposto no artigo 468 da CLT” (fl. 556). Esta Corte Superior tem entendido que o empregado da CEF, ocupante do cargo de gerente-geral de agência, não faz jus às jornadas de 6 e 8 horas, respectivamente, previstas nos PCSs de 1989 e de 1998, pois não está submetido a controle de jornada, nos termos do artigo 62, II, da CLT e da Súmula 287 do TST, de tal sorte que somente mediante expressa referência nos mencionados Planos de Cargos e Salários, normas mais benéficas que a lei, é que gerente-geral poderia se beneficiar da jornada ali estipulada, na forma do artigo 114 do Código Civil. Registre-se, outrossim, que a tese em torno da aplicação do art. 62, II, da CLT ao bancário está superada pela jurisprudência desta Corte, nos termos da Súmula nº 287 do TST, de seguinte teor: “JORNADA DE TRABALHO. GERENTE BANCÁRIO (nova redação) A jornada de trabalho do empregado de banco gerente de agência é regida pelo art. 224, § 2º, da CLT. Quanto ao gerente-geral de agência bancária, presume-se o exercício de encargo de gestão, aplicando-se-lhe o art. 62 da CLT”. Diante do exposto, o posicionamento adotado pelo Tribunal Regional, no sentido de que o art. 62, II, da CLT não se aplica ao bancário gerente-geral de agência, contraria o entendimento contido na Súmula nº 287 desta Corte Superior. Assim sendo, reconheço a existência de transcendência política da causa e, em consequência, dou provimento ao agravo de instrumento, a fim de determinar o processamento do recurso de revista, observando-se o disposto no ATO SEGJUD.GP Nº 202/2019 do TST. Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(15) Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009. B) RECURSO DE REVISTA 1. CONHECIMENTO 1.1. HORAS EXTRAS. BANCÁRIO. GERENTE GERAL DE AGÊNCIA. HIPÓTESE DO ART. 62, II, DA CLT. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA. CONHECIMENTO. E. PROVIMENTO.. Pelas razões já consignadas no provimento do agravo de instrumento, conheço do recurso de revista. 2. MÉRITO 2.1. HORAS EXTRAS. BANCÁRIO. GERENTE GERAL DE AGÊNCIA. HIPÓTESE DO ART. 62, II, DA CLT. CONHECIMENTO E PROVIMENTO. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA. Cinge-se a controvérsia em definir o alcance das disposições contidas no ofício circular da DIRH 0009/1988 - PCS/89 e no item 12.1.1 do PCC de 1998, que instituiu as jornadas de trabalho de seis e oito horas para os empregados ocupantes de cargo gerencial. Esta Corte Superior tem entendido que o empregado da CEF, ocupante do cargo de gerente-geral de agência, não faz jus às jornadas de 6 e 8 horas, respectivamente, previstas no PCSs de 1989 e 1998, pois não está submetido a controle de jornada, nos termos do artigo 62, II, da CLT e da Súmula 287 do TST, de tal sorte que a somente mediante expressa referência nos já mencionados Planos de Cargos e Salários, norma mais benéfica que a lei, é que gerente-geral poderia se beneficiar da jornada ali estipulada, na forma do artigo 114 do Código Civil. Nesse sentido, os seguintes julgados desta Corte Superior: “CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. PLANO DE CARGOS E SALÁRIOS DE 1989. HORAS EXTRAS. GERENTE-GERAL DE AGÊNCIA. INAPLICABILIDADE DA NORMA BENÉFICA QUE PREVIU JORNADA DE 6 HORAS. Trata-se de caso que envolve a interpretação de norma interna da Caixa Econômica Federal - item 8 do Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. fls.15.

(16) fls.16. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 Anexo II PCS de 1989, que fixa para os 'gerentes' a jornada normal de 6 horas, posteriormente alterado pelo item 12.1.1 do PCC de 1998, segundo o qual o mesmo limite seria aplicável de forma genérica aos 'ocupantes de cargos em composição de gerência, assessoramento (exceto secretário nível 8) e de assessoramento estratégico'. A controvérsia reside na sua aplicação ao gerente-geral de agência, submetido ao comando normativo do artigo 62, II, da CLT, diante das características inerentes ao cargo, relacionadas ao fato de ser a autoridade maior da agência, exercer relevantes poderes de mando e representação do empregador e, por conseguinte, não estar sujeito à limitação de jornada. A reconstituição histórica dos fatos permite concluir que a norma em referência (item 8 do PCS de 1989) foi editada ao tempo da antiga redação da Súmula nº 287 (alterada em 21/11/2003), segundo a qual a limitação de jornada era aplicável ao cargo de gerência previsto no artigo 224, § 2º, da CLT. Posteriormente, esta Corte, por intermédio da Resolução nº 121/2003 e com o objetivo de distinguir os cargos de gerência enquadráveis nos dois dispositivos mencionados (artigos 62, II, e 224, § 2º, da CLT), conferiu nova redação à mencionada Súmula e promoveu o cancelamento das Súmulas nos 237 e 238, neste caso para excluir o tesoureiro dessa condição. Assim, definiu-se que, em relação ao gerente-geral de agência, milita a presunção do exercício de cargo com amplos poderes de mando e representação, o que não ocorre com os demais exercentes de cargos de gerência, sujeitos ao limite diário de 8 horas. No caso da CEF, contudo, em virtude das normas mais benéficas por ela instituída, referidas anteriormente, aplica-se o limite de 6 horas aos cargos de gerência, à exceção do gerente-geral de agência, que permanece vinculado à regra prevista no artigo 62, II, da CLT, pois são atribuições deste verificar diariamente o trabalho dos seus subordinados, fazer relatórios, fechar a agência, prestar informações à direção do Banco, dentre outras que demandam sua presença e coordenação. Por se tratar de norma alegadamente mais benéfica que aquela prevista em lei, seria necessário que fosse expressa em relação ao gerente-geral, o que, todavia, não ocorreu. A conclusão, portanto, é que o empregado da CEF investido nos poderes de mando e gestão e ocupante do cargo de gerente-geral de agência não faz jus à jornada de 6 horas prevista no PCS de 1989. Precedentes desta Subseção e de Turmas. Pedidos de pagamento das 7ª e 8ª horas e do respectivo intervalo Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(17) fls.17. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 intrajornada julgados improcedentes(...)” (E-ED-RR 1277-46.2010.5.04.0331, Relator Ministro Cláudio Mascarenhas Brandão, Subseção I Especializada em Dissídios Individuais, DEJT 29/11/2019).. “AGRAVO REGIMENTAL. EMBARGOS EM RECURSO DE REVISTA. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL. HORAS EXTRAS. CARGO DE CONFIANÇA. GERENTE-GERAL DE AGÊNCIA. PODERES DE MANDO E GESTÃO. SÚMULA 287/TST. 1. A Turma adotou entendimento segundo o qual, 'para o enquadramento como gerente geral, nos termos do art. 62, inciso II, da CLT, basta que o empregado seja a autoridade máxima da agência.'. Nesse contexto, longe de contrariar a Súmula 287/TST, a Turma conferiu-lhe correta aplicação, na medida em que o verbete em questão dispõe expressamente que, no caso do gerente-geral de agência, presume-se o encargo de gestão. 2. Outrossim, restou registrado na decisão recorrida que 'nos termos do acórdão regional, não se aplica ao caso a OC DIRHU 009/88, com relação à jornada de seis horas para gerente, tendo em vista que 'o cargo de gerente, ao qual era garantida a jornada de seis horas, é diverso do cargo de gerente geral, que foi exercido pelo reclamante durante todo o período não atingido pela prescrição pronunciada pela sentença'. Nesse contexto, não prospera o argumento de contrariedade ao item I da Súmula 51 do TST, que trata da aplicabilidade no tempo das normas regulamentares que alterem ou revoguem vantagens, na medida em que enfatizado pela Turma que o Regulamento em debate era inaplicável ao empregado, porquanto o cargo exercido por ele era de gerente geral, e não de gerente. Logo, a Súmula 51 é inespecífica. 3. Por fim, considerando que parte dos arestos indicados à divergência é inválida, e que os demais são inespecíficos, uma vez que não partem das mesmas premissas fáticas, conclui-se que deve ser mantida a decisão que denegou seguimento ao recurso de embargos. Agravo regimental conhecido e desprovido." (AgR-E-ED-RR-19200-96.2008.5.04.0641, Relator Ministro Alexandre de Souza Agra Belmonte, Subseção. Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(18) Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 I. Especializada. em. Dissídios. Individuais,. DEJT. 12/12/2014). “RECURSO DE REVISTA. GERENTE-GERAL. HORAS EXTRAS. ADMISSÃO SOB A VIGÊNCIA DO PCS/89. INAPLICABILIDADE DA NORMA BENÉFICA QUE PREVIU JORNADA DE SEIS HORAS EXTRAS. ADMISSÃO SOB A VIGÊNCIA DO PCS/89. INAPLICABILIDADE DA NORMA BENÉFICA QUE PREVIU JORNADA DE SEIS HORAS. A SBDI-1 do TST firmou o entendimento de que o gerente-geral de agência da CEF admitido na vigência do Plano de Cargos e Salários de 1989 não tem direito à jornada de seis horas prevista no regulamento, por ausência de expressa referência na norma benéfica, que deve ser interpretada restritivamente. Recurso de revista conhecido e provido, no particular” (RR 10285-62.2012.5.04.0271, Relator Ministro Walmir Oliveira da Costa, 1ª Turma, DEJT 06/09/2019). “JORNADA DE SEIS HORAS PARA OCUPANTES DE CARGO DE GERÊNCIA E COMISSIONADOS. JORNADA DIFERENCIADA INSTITUÍDA POR NORMA INTERNA DA CEF (OC DIRHU 009/88) VIGENTE À ÉPOCA DA ADMISSÃO DO AUTOR. EXERCÍCIO DE CARGO GERENCIAL/COMISSIONADO NA VIGÊNCIA DE NOVO REGULAMENTO, QUE PREVÊ JORNADA DE 8 HORAS PARA OCUPANTES DE CARGOS GERENCIAIS. INAPLICABILIDADE AOS OCUPANTES DE CARGO DE GERENTE GERAL. ART. 62, II, DA CLT. SÚMULA 287/TST. 2.1 É incontroverso nos autos que a Reclamante ocupou o cargo de Gerente Geral durante todo o período imprescrito. 2.2 A Corte de origem assinalou que a norma interna da CEF, em vigor à época em que a Autora foi admitida, garantia a jornada de seis horas para as funções comissionadas, inclusive aos gerentes. Para este Relator, independentemente da natureza jurídica do cargo gerencial ocupado pelo empregado, referida norma interna consubstanciou-se em uma garantia de observância à jornada reduzida de seis horas para os empregados que exercessem a função de cargos comissionados, tratando-se, portanto, de norma mais benéfica. Assim, as diretrizes nela contidas se integraram ao contrato de trabalho dos Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. fls.18.

(19) Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 empregados admitidos na vigência da norma regulamentar, na forma do art. 468 da CLT e da Súmula 51 do TST. Com efeito, é certo que os dispositivos do regulamento empresarial ingressam nos contratos individuais de trabalho como se fossem cláusulas, razão pela qual não podem ser suprimidos da esfera jurídica dos empregados, ainda que alterado o seu conteúdo. Como cláusulas contratuais, aplica-se-lhes o disposto no artigo 468 da CLT, entendimento já sedimentado na Súmula 51, I, do TST. Na visão deste Relator, incide, assim, o princípio da inalterabilidade contratual lesiva. 2.3 Todavia, à luz do entendimento firmado por esta 3ª Turma do TST, a previsão da jornada de seis horas na OC DIRHU 009/88 e no PCS/89 se restringe aos bancários que se enquadram no art. 224, § 2º, da CLT, não alcançando os empregados ocupantes do cargo de Gerente Geral - caso dos autos -, aos quais se aplicam o art. 62, II, da CLT. Recurso de revista desprovido no aspecto” (RR - 10243-09.2017.5.03.0160 , Relator Ministro Mauricio Godinho Delgado, 3ª Turma, DEJT 10/05/2019).. “HORAS EXTRAS - BANCÁRIO - CARGO DE GERENTE DE RELACIONAMENTOS E GERENTE-GERAL - ART. 62, II, DA CLT PREVISÃO DE JORNADA LIMITADA A 6 (SEIS) HORAS NO PCS/1989 - INAPLICABILIDADE Vislumbrada contrariedade à Súmula nº 51, I, do TST, dá-se provimento ao Agravo de Instrumento para determinar o processamento do Recurso de Revista. Agravo de Instrumento parcialmente provido. II - RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO SOB A ÉGIDE DA LEI Nº 13.015/2014 E DO NCPC - HORAS EXTRAS - BANCÁRIO CARGO DE GERENTE DE RELACIONAMENTOS E GERENTE-GERAL - ART. 62, II, DA CLT - PREVISÃO DE JORNADA LIMITADA A 6 (SEIS) HORAS NO PCS/1989 - INAPLICABILIDADE 1. A jurisprudência desta Eg. Corte reconhece o direito à jornada mais benéfica prevista em norma regulamentar aos empregados, mesmo que haja disposição legal com durações mais amplas do trabalho. Precedentes. 2. Excetuam-se, na hipótese, os períodos em que a Empregada atuou como gerente-geral de agência bancária, que, por força da presunção de exercício de encargo de gestão, não está sujeito a controle de jornada, razão de não lhe Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. fls.19.

(20) fls.20. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 ser assegurado o pagamento de horas extras e demais repercussões. 3. Apenas na hipótese de previsão regulamentar expressa, atribuindo novo regramento à jornada de trabalho do gerente-geral, é que se poderá afastar o enquadramento no artigo 62, II, da CLT, tendo em vista que os negócios jurídicos benéficos devem ser interpretados estritamente, conforme determina o artigo 114 do Código Civil. Do exposto no acórdão regional, não é esta a situação dos autos. Julgado. Recurso de Revista conhecido e parcialmente provido” (ARR - 20357-92.2014.5.04.0771 , Relatora Ministra Maria Cristina Irigoyen Peduzzi, 8ª Turma, DEJT 28/06/2019). Em razão do conhecimento do recurso de revista por contrariedade à Súmula nº 287 do TST, seu provimento é medida que se impõe, para, afastando a condenação ao pagamento de horas extras e reflexos, restabelecer a sentença que julgara improcedentes os pedidos formulados na petição inicial, mantendo, contudo, a decisão regional que extinguiu a reconvenção, sem exame do mérito, nos termos do art. 485, IV, do CPC/2015. ISTO POSTO ACORDAM os Ministros da Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho, por unanimidade: (a) reconhecer a transcendência política da causa, a fim de conhecer do agravo de instrumento interposto pela Reclamada Caixa Econômica Federal, e, no mérito, dar-lhe provimento, para determinar o processamento do recurso de revista, observando-se o disposto no ATO SEGJUD.GP Nº 202/2019 do TST; (b) conhecer do recurso de revista quanto ao tema “HORAS EXTRAS. BANCÁRIO. GERENTE GERAL DE AGÊNCIA. HIPÓTESE DO ART. 62, II, DA CLT. CONHECIMENTO E PROVIMENTO. TRANSCENDÊNCIA JURÍDICA RECONHECIDA”, por contrariedade à Súmula nº 287 do TST, e, no mérito, dar-lhe provimento, para, afastando a condenação ao pagamento de horas extras e reflexos, restabelecer a sentença que julgara improcedentes os pedidos formulados na petição inicial, mantendo, contudo, a decisão Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho.

(21) Poder Judiciário Justiça do Trabalho Tribunal Superior do Trabalho. PROCESSO Nº TST-RR-967-95.2016.5.23.0009 regional que extinguiu a reconvenção, sem exame do mérito, nos termos do art. 485, IV, do CPC/2015. Custas processuais na forma da sentença, a cargo da reclamante, dispensadas em razão da concessão dos benefícios da justiça gratuita (fl. 433 do documento sequencial eletrônico nº 03). Brasília, 30 de junho de 2020. Firmado por assinatura digital (MP 2.200-2/2001). ALEXANDRE LUIZ RAMOS Ministro Relator. Firmado por assinatura digital em 30/06/2020 pelo sistema AssineJus da Justiça do Trabalho, conforme MP 2.200-2/2001, que instituiu a Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira.. Este documento pode ser acessado no endereço eletrônico http://www.tst.jus.br/validador sob código 1003C6C1C8DE9287EC.. fls.21.

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Referências

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