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SUICÍDIO Uma epidemia silenciosa

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Trabalho Final – SOTAMIG - 2016

Curso de Tanatologia e Cuidados Paliativos

SUICÍDIO

Uma epidemia silenciosa

Giselle Girodo

Medicina Interna – Geriatria

Magda Costa

Psicologia – Desenv. Humano e Neuropsicologia

(2)

Suicídio

Doença mental que altera de forma radical a percepção da realidade e interfere no livre arbítrio.

Morte em que o sujeito é, ao mesmo tempo , o agente passivo ( desejo de morrer)e ativo( desejo de ser morto), a vítima e o assassino ( desejo de matar)

“O suicídio é um duelo entre o assassino e o assassinado que se encontram no ato da morte”

Ambivalência: morrer para fugir dos problemas / quer ajuda.

Dra. Alexandrina Medeiros – Coordenadora Comissão de Combate ao Suicídio - ABP

A

Ato intencional de matar a si próprio.

Latim: Sui- próprio / Caedere-matar

(3)

Intenção Suicida Genuína

 Ambivalente em relação à morte.

 Impulsividade -a firmeza do propósito pode ser variável

 Rigidez – pensamento rígido sem pensar nas alternativas.

Pacientes têm humor disfórico, com sentimento de inutilidade, falta de esperança, perda da auto estima e desejo de morrer.

 Sentimento dos três “is”:

Intolerável (não suportar) Inescapável (sem saída)

Interminável (sem fim)

(4)

Suicídio – Relevância do tema

A OMS fez um alerta: mais de 800 mil pessoas cometem suicídio por ano no Mundo = uma morte a cada 40 segundos.

OMS estima que em 2020 1,53 milhões de pessoas no mundo morrerão por suicídio.

Um número 20 vezes maior, tentará o suicídio.

(Bertolote e Fleishmann,2002)

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Suicídios globais por idade - 2012

Nº de casos é maior em países de média e baixa renda

(6)

Nº de casos é maior em países de média e baixa renda

Distribuição regional de

suicídios em 2012

O suicídio no Brasil Segundo a OMS:

somos o 8º país em nºs absolutos de suicídio no mundo.

Isso significa que, diariamente, 32

pessoas se suicidam, ou 1 pessoa se mata

a cada 45 minutos.

(7)

O suicídio é multicausal

“o suicídio é multicausal, não pode ser

compreendido somente por uma faceta e, na maioria dos casos, existe uma interação entre fatores psicológicos, psiquiátricos,

econômicos, culturais, religiosos que deve ser levada em consideração”

Karina O. Fukumitsu; Karen Scavacini

(8)

Jovens e Idosos em risco

1,3 milhão de jovens morrem no mundo anualmente, vítimas de causas evitáveis ou tratáveis;

1. Trânsito: Acidentes - 11,6% do total 2. Suicídio - 7,3% das mortes

3. HIV/Aids e infecções respiratórias

4. Violência: O Brasil é o 6º país do mundo com mais homicídios em que vítimas são jovens.

OMS, CDC, UNICEF / 2012

O maior Aumento das mortes está entre 15 e 19 anos

Lares desfeitos, drogas, alcoolismo, jovens perderam o sentido do verbo ser

e passaram a valorizar o verbo ter, imediatismo, consumismo, intolerância às frustrações.

(9)

Jovens e Idosos em risco

Mortalidade por suicídio é maior entre idosos

Idosos planejam o ato por mais tempo

Para cada 4 tentativas do idoso- um suicídio completo.

Para 20 tentativas do adolescente- um suicídio completo.

Dr. José Elias Pinheiro –SBGG

“ Pais órfãos de filhos vivos”

Especialistas recomendam que idosos não fiquem sozinhos em datas marcantes como aniversário, morte de ente familiar, pois são momentos que servem de gatilho para pensamentos destrutivos.

Dr. Ulisses Cunha- SBGG

Suicídio Passivo- crônico

(10)

Perfil do Suicida

 Sexo masculino

 Menos escolarizadas

Maior agressividade Maior intenção

Uso de meios mais letais

 Indígenas têm 132%

mais casos que a população geral

 Homens >59 anos

(11)

Fatores de Risco X Fatores de Proteção

Impulsividade

(12)

Mitos e Verdades

Quem fala não faz

Não se deve perguntar se a

pessoa vai se matar

Só os depressivos

se matam Quando

uma pessoa tenta se

matar uma vez,

tenta sempre

(13)

Mitos Verdades

O suicídio é uma decisão individual, já que cada um tem pleno direito a exercitar o seu livre arbítrio.

FALSO. Os suicidas estão passando quase invariavelmente por uma doença mental que altera, de forma radical, a sua percepção da realidade e interfere em seu livre arbítrio. O tratamento eficaz da doença mental é o pilar mais importante da prevenção do suicídio. Após o tratamento da doença mental o desejo de se matar desaparece.

Quando uma pessoa pensa em se suicidar terá risco de suicídio para o resto da vida.

FALSO. O risco de suicídio pode ser eficazmente tratado e, após isso, a pessoa não estará mais em risco.

As pessoas que ameaçam se matar não farão isso, querem apenas chamar a atenção.

FALSO. A maioria dos suicidas fala ou dá sinais sobre suas ideias de morte. Boa parte dos suicidas expressou, em dias ou semanas anteriores, frequentemente aos profissionais de saúde, seu desejo de se matar.

Se uma pessoa que se sentia deprimida e pensava em suicidar-se, em um momento seguinte passa a se sentir melhor, normalmente significa que o problema já passou.

FALSO. Se alguém que pensava em suicidar-se e, de repente, parece tranquilo, aliviado, não significa que o problema já passou. Uma pessoa que decidiu suicidar-se pode sentir-se "melhor"

ou sentir-se aliviado simplesmente por ter tomado a decisão de se matar.

Quando um indivíduo mostra sinais de melhora ou sobrevive à uma tentativa de suicídio, está fora de perigo.

FALSO. Um dos períodos mais perigosos é quando se está melhorando da crise que motivou a tentativa, ou quando a pessoa ainda está no hospital, na sequência de uma tentativa. A semana que se segue à alta do hospital é um período durante o qual a pessoa está particularmente fragilizada. Como um preditor do comportamento futuro é o comportamento passado, a pessoa suicida muitas vezes continua em alto risco.

Não devemos falar sobre suicídio, pois isso pode aumentar o risco.

FALSO. Falar sobre suicídio não aumenta o risco. Muito pelo contrário, falar com alguém sobre o assunto pode aliviar a angústia e a tensão que esses pensamentos trazem.

É proibido que a mídia aborde o tema suicídio.

FALSO. A mídia tem obrigação social de tratar desse importante assunto de saúde pública e abordar esse tema de forma adequada. Isto não aumenta o risco de uma pessoa se matar; ao contrário, é fundamental dar informações à população sobre o problema, onde buscar ajuda etc.

(14)

Fatores de Proteção

Profissionais preparados Identificar sinais de alerta

Informar a população.

Reduzir acesso aos meios de execução

(OMS- Envenenamentos pesticidas, enforcamento, armas de fogo)

Acompanhamento profissional.

Espiritualidade.

(15)

Alternativas

 Hospitalização: grau de risco potencial de suicídio.

Paciente que não colabora, transtorno mental grave que prejudica sua crítica frente à situação e não possui rede de suporte familiar.

 Medicação Adequada.

 Eletroconvulsoterapia.

 Internação domiciliar . Vigilância.

(16)

Pensar em suicídio faz parte da natureza humana ...

 As razões podem ser diferentes, mas muito mais gente do que se imagina já teve uma intenção em comum;

 Segundo estudo realizado pela Unicamp, 17% dos brasileiros, em algum momento, pensaram seriamente em dar um ‚ fim à própria vida e, desses, 4,8% chegaram a elaborar um plano para isso.

 Pensar ... na maioria das vezes é possível evitar que esses

pensamentos suicidas virem realidade. A 1ª medida

preventiva é a educação: derrubar tabus e compartilhar

informações ligadas ao tema.

(17)

Como ajudar uma pessoa que está considerando suicídio?

 Observar se demonstra estar sofrendo ou se apresenta mudanças acentuadas e bruscas do comportamento.

 Ouvir - Se não se sentir capaz de lidar com o problema apresentado > ir junto em busca de médico/ enfermeiro/

psicólogo ou até mesmo líder religioso.

 Encaminhar ao psiquiatra – medicamento

 Apoio familiar

 Atenção redobrada nos primeiros 30 dias após tentativa de

suicídio pois os remédios demoram a fazer efeito.

(18)

N0 Brasil - Estratégias para prevenção

Atenção integral em saúde para os casos de tentativa de suicídio.

Centros de atenção psicossocial (CAPS).

Diretrizes Nacionais de Prevenção de Suicídio ( Portaria 1876/2006) e o manual para profissionais das equipes de Saúde Mental dos serviços de saúde com ênfase nos CAPS.

2241 unidades no Brasil.

Unidade Básica de Saúde UBS - faz o 1º atendimento e encaminha para Centro de atenção Psico Social CAPS.

Paciente recebe atendimento próximo da família, assistência médica

especializada .SUS disponibiliza gratuitamente medicamentos que podem auxiliar no tratamento dos pacientes”

CENTRO DE VALORIZAÇÃO DA VIDA – CVV - fundado em 1962, faz apoio emocional e preventivo do suicídio pelo número 141.

CAPS CVV

fone 141

(19)

Cuidado para que a comunicação não se torne turva e incentive quem pensa em por fim às possibilidades

1774 – Goethe – efeito Werther.

(20)

Ministério da Saúde – Brasil -Estratégia Nacional de Prevenção do Suicídio - Publicações

Agentes Prisionais

Prevenção do Suicídio: Um Manual para Profissionais da Mídia

Para profissionais de Aconselhamento

Trabalhadores da área da Saúde na Atenção Básica

Prevenção do Suicídio: Manual para Professores e Educadores

Prevenção do Suicídio: Um Manual para Médicos Clínicos Gerais

Manual Dirigido a Profissionais das Equipes de Saúde Mental

Grupo De Sobreviventes (Em Inglês)

(21)

A dor dos enlutados

(22)

 Culpa, vergonha, busca incessante do motivo, sentimentos intensos de responsabilidade, rejeição e abandono, maior dificuldade em dar sentido para a morte, autoacusações, isolamento, mudanças na dinâmica familiar são alguns dos sentimentos e comportamentos usualmente experienciados pelo sobrevivente (WHO, 2008; Jordan, 2001).

 Ainda é frequente que as famílias sobreviventes sejam rotuladas como desajustadas, desequilibradas, desestruturas, sem capacidade de amar e cuidar (Silva, 2015), sendo julgadas socialmente.

 Cada enlutado precisa encontrar o seu próprio

caminho em seu próprio tempo (Silva, 2009).

(23)

Sobreviventes

Nos EUA, os indivíduos afetados são descritos como

"sobreviventes de suicídio" ou "sobreviventes da perda por

suicídio“ - são todas as pessoas afetadas por um suicídio: pais, filhos, irmãos, familiares, amigos, colegas etc. Além disso,

pessoas que perderam alguém significativo por suicídio e aquelas que tiveram a vida afetada ou mudada por causa dessa morte são consideradas sobreviventes.

Dados de pesquisas estimam que 60 pessoas sejam intimamente afetadas em cada morte por suicídio, incluindo família, amigos e colegas de classe.

Como a OMS estima que 800 mil pessoas morram por suicídio a

cada ano, cerca de 48 milhões e 500 milhões de pessoas podem

ser expostas ao luto do suicídio em um ano.

(24)

O Luto de Quem Fica –

“Sobreviventes”

 Revisitar os porquês.

 Falar- todas as pessoas envolvidas.

 Grupos de Apoio

GAL- grupo de apoio à enlutados

(BH)

API- Apoio a Perdas Irreparáveis

( Vitória- 27 3225 1776)

CVV- telefone 141

 Livrar-se dos estigmas, da culpa, da vergonha.

 Instituto Vita Alere

 Posvenção: prevenção para futuras gerações.

(25)

A DOR DOS ENLUTADOS PERDAS POR SUICIDIO

 Enlutar-se a seu modo e conforme o tempo que for necessário.

 Saber a verdade sobre o suicídio, ver o corpo do falecido e organizar o funeral, considerando suas necessidades e rituais.

 Considerar o suicídio como resultante de causas inter-relacionadas que

provocaram uma dor insuportável na pessoa que cometeu o suicídio: o suicídio não foi meramente uma escolha.

 Viver plenamente, com alegria e tristeza, livre do estigma ou julgamento.

 Respeitar sua privacidade e a do morto.

 Receber apoio de parentes, amigos, colegas e outros sobreviventes, assim como de profissionais habilitados, com o conhecimento e discernimento da dinâmica do processo do luto, dos potenciais fatores de risco e suas consequências.

 Entrar em contato com o médico ou cuidador (se houve) que acompanhou a pessoa que cometeu o suicídio.

 Não ser considerado como um candidato ao suicídio ou como um doente mental.

 Compartilhar sua experiência com outros sobreviventes, cuidadores e com todos que buscam a ampliação do conhecimento acerca do suicídio e do luto por

suicídio.

 Não se exigir ser a mesma pessoa de antes: há uma maneira de se viver antes do suicídio e outra depois dele.

(ANDRIESSEN, 2004, p.3)

(26)

Cuidados Paliativos

 Pessoas que tentaram suicídio e passaram a viver em situações menos favoráveis que antes da tentativa...

 Sequelas, vergonha, culpa, dor...

(27)

Alerta importante

06/08/2016 - Médicos (as) correm muito mais risco de suicídio;

Estudo conduzido pela American Foundation for Suicide Prevention, em 2008, descobriu que o índice de suicídios entre médicos é 70%

maior que na população em geral;

Entre médicas, 400% maior. "Há fatores que geram ansiedade e depressão, como alto número de horas trabalhadas, stress e a

responsabilidade de lidar com tragédias humanas“ ( Psiquiatra Mauro Aranha, VP do Conselho Reg. Medicina do Estado de SP -Cremesp);

Além das durezas clássicas da profissão, o alto índice também é

sintoma de uma piora nas condições de trabalho, com jornadas cada vez mais árduas e difíceis. E isso leva alguns a buscar válvulas de

escape.

Fonte: http://super.abril.com.br/

(28)

Conclusão

Tão importante quanto falar, é saber ouvir.

Abrir a possibilidade de se tornar o ombro e o ouvido de alguém que precisa desabafar.

Ser o apoio de alguém. Exercer empatia à parentes, amigos e pessoas que passam por sentimentos que parece não ter fim.

Cultivar a esperança de que “Por maior que seja o fardo, há sempre uma solução para lidar com ele.” O suicídio é um caminho sem volta que invalida todas as escolhas que poderia ter feito.

“Mesmo quando achamos que não há mais o que fazer e tudo está consumado, ainda há muito a ser feito aos que clamam por socorro”.

“Quebrar tabus e deixar de ter medo de falar sobre o assunto”

(29)

Prevenção

Encontrar alguém que tenha disponibilidade para ouvir e compreender os sentimentos suicidas fortalece as intenções de viver. “tem algo que eu possa fazer para te ajudar ?”

Se dispor a ouvir e sugerir acompanhamento especializado;

Orientar pais, filhos, escola, comunidade – Informar.

(30)

"A vida é Mistério terrível e fascinante.

Às vezes nos rouba o sonho e somos lançados no deserto do Sem-Fim.

Um dia qualquer, um beija-flor, um raio de sol, uma gota de chuva nos devolve o horizonte: estamos de novo encantados.

Reencontramos a fonte, o caminho, o jardim."

Beatriz Helena Paranhos Cardella

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Referência Bibliográfica

E Agora? Karen Scavacini - ( livro para crianças lidando com luto por suicídio)

Suicídio e a sua prevenção- José Manoel Bertolote.

Crise Suicida-Avaliação e Manejo – Neury José Bodega

Cartilha da associação Brasileira dos Psiquiatras

Preventing Suicide – A global Imperative – OMS – Karen Scavacin.

www.fenix.org,br

http://veja.abril.com.br/saude/suicidio-poderia-ser-evitado-se-sinais-não-fossem-banalizados/

http://revistagalileu.globo.com/sociedade/notícia/2014/10/6-sinais-de -comportamento-suicida.HTML

Humberto Correa as Silva Filho – Vice Presidente da Comissão de Estudos e Prevenção do Suicídio

Fundação Oswaldo Cruz- suicídio

Os sofrimentos do jovem Werther. Trad. Erlon José Paschoal. Posfácio de Willi Bolle. São Paulo: Clube do Livro, 1988.

Suicidio – uma epidemia silenciosa – André Trigueiro – Instituto de Difusão Espírita

CVV - Cartilha Falando Abertamente sobre o Suicídio.

facebook/apoio.gaes

Internet: • Centro de Valorização da Vida www.cvv.org.br • Rede Brasileira de Prevenção do Suicídio

www.rebraps.com.br • Apoio a Perdas Irreparáveis www.redeapi.org.br • Documento “Prevenindo o suicídio”

(OMS) • Principais fatos sobre suicídio (OMS) • Primeiro relatório sobre prevenção do suicídio (OMS) • Mapa mundial do suicídio (OMS) www.who.int/mental_health/prevention/suicide/suicideprevent/en/

Referências

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