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O crescimento de crianças com asma

*

MARIA ÂNGELA REISDE GÓES MONTEIRO ANTONIO1, JOSÉ DIRCEU RIBEIRO1, ADYLÉIA APARECIDA DALBO CONTRERA TORO2, AQUILES EUGENICO PIEDRABUENA3, ANDRÉ MORENO MORCILLO1

A asma é a doença inflamatória crônica mais freqüente na infância, cuja prevalência vem aumentando sensivelmente nas últimas décadas, motivos que têm despertado interesse da comunidade científica para estudar o crescimento dessas crianças. A relação entre asma e crescimento sofre a influência do

quadro clínico, da terapêutica e os diferentes métodos de estudo dificultam discernir entre os fatores responsáveis pela desaceleração do crescimento detectada por alguns autores. Esta revisão tem por

objetivo fornecer uma visão global do assunto. (J P n e u m o l 2 0 0 3 ;2 9 (1 ):3 6 -4 2 )

Lin ear growth in asthm atic children

T he growth of children with asthm a has attracted great in terest because it is a chron ic respiratory illn ess whose prevalen ce in childhood has in creased durin g the last decades. T he relation ship

between asthm a an d growth has been studied for a lon g tim e, but the great variability of diagn osis, therapy, an d differen t m ethods of in vestigation m ak e it difficult to disen tan gle the factors that are respon sible for the growth retardation detected by som e authors. A s a result of

differen t observation s, there rem ain m an y doubts about the im pact of asthm a on child an d adolescen t growth. T he aim of this paper is to provide a gen eral view on the issue.

* Trabalho realizado na Faculdade de Ciências Médicas da Universida-de Estadual Universida-de Campinas, Campinas, SP.

1 . Professor Assistente Doutor do Dep artamento de Pediatria. 2 . Mestre em Pediatria. Médica do Departamento de Pediatria. 3 . Professor Livre-Docente do Dep artamento de Genética e Evolução

do Instituto de Biologia.

En dereço para correspon dên cia – Profa Dra Maria Ângela Reis de Góes

Monteiro Antonio, Universidade Estadual de Campinas, Departamento de Pediatria – FCM – Caixa Postal 6 1 1 1 – 1 3 0 8 3 -9 7 0 – Campinas, SP, Brasil. Fax (1 9 ) 7 8 8 -8 2 6 0 ; e-mail: [email protected]. Av. Mo-desto Fernandes, 3 5 4 , casa 3 – 1 3 0 8 5 -4 7 2 – Camp inas, SP. Fax (1 9 ) 3 2 8 9 -6 8 0 5 .

Re ce bido p ara p ublicação e m 4 / 9 / 0 2 . Ap ro vado , ap ó s re vi-s ã o , e m 1 2 / 1 2 / 0 2 .

Descrit ores – Asma. Crescimento. Crianças. Adolescentes.

Key words – Asthma. Growth. Child.

Desde então, muito se estudou sobre a relação entre a asma e o crescimento, sendo conhecido que a asma mo-derada e a grave, independentemente do tratamento, re-p ercutem atrasando o estirão re-p ubertário, ocorrendo, posteriormente, recuperação em relação à altura final(2 -4 ).

O crescimento é um mecanismo complexo que envol-ve a multiplicação de células em vários tecidos e sistemas especializados, com ritmos diferenciados. É um atributo dos seres vivos e jovens, com características individuais, sendo a altura uma característica humana que desde os primórdios é observada e vinculada à força física. No sé-culo XX, o crescimento passou a ser estudado sistemati-camente(5 ,6 ). Completa-se ao redor dos 2 0 anos e sua

fi-nalização assinala o início da idade adulta(8 ,9 ). Sofre a

influência de fatores genéticos, biológicos e ambientais, cuja harmonia determina finalização mais ou menos sa-tisfatória(6 -8 ).

O papel do ambiente sobre a situação nutricional e o processo de crescimento de grupos populacionais têm sido objeto de estudos que consideram principalmente a ali-mentação, as doenças infecciosas, as condições de sa-neamento básico, os estratos sociais e seus determinan-tes(9 -1 3 ).

Os processos mórbidos também interferem sobre o cres-cimento. As doenças agudas podem provocar sua parada temporária e sua recuperação posterior vai depender de que as condições ambientais, nutricionais e

socioeconô-I

NTRODUÇÃO

A asma é uma doença crônica, cuja prevalência vem aumentando sensivelmente na infância.

Em 1 9 4 0 , Cohen et al.(1 ) observaram a associação

(2)

micas sejam favoráveis(6 ,9 ). J á nas doenças crônicas,

de-pendendo dos órgãos e sistemas comprometidos, da gra-vidade e da duração da doença, a sua recuperação pode-rá não ocorrer(1 4 ,1 5 ).

I

NFLUÊNCIA DAASMA SOBRE O CRESCIMENTO

Há cerca de 6 0 anos, Cohen et al.(1 ) observaram que

algumas crianças alérgicas apresentavam parada do cres-cimento, que se manifestava inicialmente por perda de peso, e que, com a persistência dos sintomas, podiam ter sua estatura e maturidade óssea comprometidas. Oito anos mais tarde, esses mesmos autores confirmaram seus acha-dos em um grupo de crianças em que a maioria era asmá-tica, concluindo que a alergia ativa era a causa do retardo do crescimento e que este poderia ser normalizado com o controle da mesma(1 6 ).

O início precoce, o tempo e a gravidade da doença, a deformidade torácica, a hipoxemia, a anorexia crônica, o uso de corticosteróides e o nível socioeconômico são fa-tores que vêm sendo estudados como potencialmente res-ponsáveis pelo retardo do crescimento, mas os resulta-dos têm sido conflitantes(1 6 -2 6 ).

Dawson et al.(2 6 ), ao estudarem uma população

relati-vamente estável de 2 .7 4 3 escolares, identificaram 1 2 1 (4 ,8 %) com asma, com idade entre 1 0 e 1 5 anos, obser-vando que o peso e a altura tendiam a estar abaixo da média para o sexo e idade naqueles que tinham tido a primeira crise antes dos cinco anos de vida.

McNicol e Williams(2 1 ), em estudo longitudinal com 3 1 5

crianças e adolescentes e 8 2 controles, com idade de sete, 1 0 e 1 4 anos, observaram comprometimento da estatura nos pacientes cuja doença era mais grave e tinham 1 0 anos ou mais de idade, sendo mais marcante a diferença no grupo com 1 4 anos. Uma das características conside-radas para a definição de asma grave foi o início precoce, sendo que, nesses casos, foi anterior aos três anos de idade.

Murray et al.(2 2 ) realizaram um estudo transversal com

1 8 3 jovens canadenses, de idade entre sete e 2 0 anos, e também verificaram a associação entre o início precoce da doença (menor que três anos) e o retardo do cresci-mento.

Com o objetivo de estudar a influência da idade de iní-cio da asma sobre o peso e a altura, Wittig et al.(2 7 )

estu-daram 3 8 0 pacientes do sexo masculino e 2 1 9 do femi-nino com asma crônica, de um hospital de treinamento na Flórida, com idade entre quatro e 2 0 anos e que não tinham usado corticosteróides p or temp o p rolongado. Concluíram que o início precoce da asma influenciou o déficit de crescimento, sendo mais significativo no sexo masculino. No entanto, o mesmo não foi observado por Falliers et al.(2 8 ), que estudaram 3 0 2 pacientes com asma

intratável, de um serviço de referência, e 1 0 3 crianças de serviços particulares.

No Brasil, os estudos com crianças atópicas são escas-sos. Grumach et al.(2 9 ) analisaram em estudo transversal

o crescimento de 3 2 3 crianças e adolescentes da cidade de São Paulo, com asma grave e moderada, com idade entre dois anos e quatro meses e 1 7 anos, de diversos níveis socioeconômicos, não encontrando evidências de que a idade de início da asma estivesse relacionada com o pior crescimento e sim à situação socioeconômica.

Com relação à gravidade da doença, a maioria dos es-tudos mostra associação ou tendência à diminuição do crescimento em crianças com asma grave. Falliers et al.(2 8 )

e Dawson et al.(2 6 ) observaram que as crianças com asma

grave tinham peso e altura abaixo das normais. McNicol

et al.(2 0 ) acompanharam 2 7 6 pacientes e 9 4 controles

em um estudo longitudinal com crianças asmáticas da Austrália e notaram tendência à diminuição do peso no grupo com asma mais grave. Logo após essa observa-ção, os mesmos autores estudaram 5 6 pacientes com ida-de entre 1 0 e 1 1 anos com as seguintes características: início das crises de asma com três anos ou menos, crises persistentes ou freqüentes, deformidade torácica ou alte-ração em prova de função pulmonar, e 3 6 controles com mesmo sexo, idade e nível socioeconômico. Observaram retardo do crescimento particularmente relacionado com o peso, sendo que a altura estava comprometida somen-te nos casos mais extremos de gravidade da doença(1 9 ).

Rona e Florey(3 0 ), em estudo nacional iniciado em 1 9 7 2

na Inglaterra e na Escócia, monitorizaram o crescimento de 7 .4 1 1 crianças matriculadas na escola primária, com idade entre cinco e 1 1 anos, e observaram a associação entre a gravidade da asma e o crescimento. Martin et

al.(3 1 ), em estudo prospectivo, que incluiu 3 4 2 pacientes

com idade entre sete e 2 1 anos, selecionados ao acaso, também observaram a supressão do crescimento nos doen-tes com idade entre 1 0 e 1 4 anos e com asma grave. Neville et al.(3 2 ), em análise transversal das medidas de

6 9 9 crianças com idade de três anos e seis meses, cinco anos, sete anos, nove anos, 1 1 e 1 4 anos e agrupadas de acordo com a medicação usada, concluíram que as com asma grave e que recebiam altas doses de corticosterói-des inalatórios tinham altura significativamente menor. A deformidade torácica, que pode ser um indicador de gra-vidade, mais especificamente o tórax em barril, associada à obstrução de vias aéreas com provas ventilatórias alte-radas, é apontada como fator relevante na associação entre o crescimento e asma. McNicol et al.(2 0 )

observa-ram tendência ao baixo peso no grupo de pacientes com asma, deformidade torácica e obstrução de vias aéreas. Gillam et al.(1 9 ) notaram redução do peso nas crianças

(3)

comprometida nos casos com graves deformidades do tórax.

Em contrapartida, Ferguson et al.(1 7 ), em estudo

trans-versal com 5 9 8 crianças e adolescentes com diagnóstico de asma ou rinite alérgica, identificaram 6 6 pacientes entre 1 8 meses e 1 7 anos com baixa estatura. Concluíram, no entanto, que a baixa estatura é mais comum em crianças atópicas do que o esperado, mas não detectaram diferen-ças em relação à gravidade da asma. No Brasil, Solé et

al.(1 8 ), na cidade de São Paulo, compararam 3 9 7

pacien-tes com idade entre oito meses e 1 4 anos e sete meses, portadores de processos alérgicos (asma, dermatite ató-pica, rinite alérgica e urticária) com um grupo de 1 .7 2 3 atópicos, da mesma faixa etária, mas de melhor nível so-cioeconômico. Não encontraram associação entre o défi-cit de crescimento e a gravidade da atopia. O mesmo ocorreu com Sant’Anna et al.(3 3 ) quando estudaram 6 1 7

crianças paulistanas.

C

ARACTERÍSTICAS SOCIOECONÔMICAS DE PACIENTES COMASMA E CRESCIMENTO

As deficiências de crescimento, principalmente em paí-ses em desenvolvimento, estão, na maioria das vezes, relacionadas com deficiências nutricionais e têm ligação direta com o nível socioeconômico da população. Alguns estudos procuraram determinar o impacto do nível so-cioeconômico sobre o crescimento dos pacientes com asma.

No estudo citado anteriormente, Rona e Florey(3 0 )

ob-servaram, em crianças das escolas primárias, incidência maior de baixa estatura entre os asmáticos de nível so-cioeconômico mais desfavorável; a associação entre ou-tros sintomas respiratórios e a baixa estatura foi margi-nal.

No Brasil, alguns estudos analisaram a associação en-tre o nível socioeconômico e o crescimento de crianças com asma. Grumach et al.(2 9 ) observaram que a relação

entre o nível socioeconômico e a gravidade da asma era altamente significante. Solé et al.(1 8 ), ao estudarem

crian-ças alérgicas de dois serviços de saúde (público e priva-do), notaram que a doença causou baixa estatura somen-te quando estava associada a nível socioeconômico mais desfavorável. Sant’Anna et al.(3 3 ), ao compararem 1 2 0

pacientes atópicos com seus irmãos (1 2 0 ) não atópicos, observaram uma freqüência significativamente maior de baixa estatura entre os atópicos, concluindo que, para aquela população, a atopia por si só era capaz de promo-ver um déficit de crescimento.

C

ORTICOSTERÓIDES INALATÓRIOS E CRESCIMENTO

A compreensão da asma como uma doença em que um dos principais mecanismos envolvidos é o

inflamató-rio foi decisiva para o seu manejo terapêutico. Entre as drogas utilizadas, os corticosteróides são as únicas que diminuem expressivamente a inflamação das vias aéreas. De 1 9 4 9 , quando foi descrita pela primeira vez a utili-zação da cortisona no tratamento da artrite reumatóide, até a década de 7 0 , os derivados da cortisona foram am-plamente utilizados, muito embora já fossem conhecidos seus numerosos efeitos colaterais, inclusive sobre o cres-cimento de crianças com asma(2 8 ,3 4 ,3 5 ). A partir de 1 9 7 0 ,

os corticosteróides inalatórios começaram a redefinir o curso da doença, pois eram drogas potentes, apresentan-do menos efeitos colaterais(3 6 ,3 7 ).

Os corticosteróides inalatórios são substâncias lipofíli-cas, com um complexo mecanismo de ação, que entram no citoplasma da célula ligando-se às moléculas do recep-tor de esteróide e atingem o núcleo celular, onde intera-gem com o DNA, modificando a transcrição gênica. As novas moléculas de RNA voltam ao citoplasma, onde co-dificam novas p roteínas (lip ocortina-1 , endonucleases, endopeptidase neutra e receptores β-adrenérgicos) e re-duzem a produção de outros mediadores, inclusive as ci-tocinas, diminuindo a resposta inflamatória. Agem, por-tanto, reduzindo as células da resposta inflamatória e seus mediadores; com isso, reduzem a inflamação e a hiper-reatividade brônquica(3 8 -4 1 ).

As investigações sobre os efeitos colaterais sistêmicos concentram-se em quatro situações: o desenvolvimento de glaucoma e catarata, a supressão do eixo hipotálamo, hipófise e córtex adrenal, o metabolismo ósseo e o cres-cimento em crianças(3 9 ,4 2 -4 5 ).

Quanto à sup ressão do eixo hip otálamo, hip ófise e córtex adrenal, não há evidências seguras desse efeito adverso em crianças(4 0 ,4 1 ,4 6 ).

Com relação ao metabolismo ósseo, há estudos que mostram diminuição da densidade óssea, mas não se ob-servou a associação entre o risco aumentado de fraturas e altas doses de corticosteróides inalatórios. Deve-se res-saltar que os pacientes estudados também eram usuários de corticosteróides orais, que, sabidamente, causam alte-rações no metabolismo ósseo(4 0 ,4 1 ,4 4 ,4 5 ).

Sobre o retardo do crescimento, não há consenso e os diferentes métodos utilizados nos diversos trabalhos difi-cultam a comparação entre eles. A dose e o tipo de droga têm sido associados ao retardo do crescimento(4 0 ,4 3 ,4 7 ).

Sabe-se que os glicocorticóides são potentes inibidores da secreção e da ação do hormônio de crescimento, da IGF-1, da síntese de colágeno e da produção de andróge-nos pela supra-renal; todavia, o fator mais importante para a parada ou desaceleração do crescimento ainda é incerto(4 5 -5 1 ).

(4)

(Kn em om etry: medida da perna) e a medida da altura do paciente.

A Kn em om etry foi descrita por Valk et al.(5 2 ), sendo

utilizada em curtos períodos para avaliar o crescimento endocondral dos ossos da perna. As medidas em geral são semanais, tornando possível demonstrar e quantifi-car a influência de determinada droga sobre o crescimen-to. No entanto, não permite definir um prognóstico para a altura final(5 2 -5 4 ).

Os estudos com o objetivo de avaliar o impacto do uso de corticosteróides inalatórios sobre o crescimento de crianças e adolescentes utilizando a Kn em om etry são di-vergentes.

Wolthers e Pedersen(5 5 ), em estudo duplo-cego,

utili-zando budesonida e placebo, com 1 5 pacientes portado-res de asma leve e idade entre seis e 1 3 anos, observa-ram que a supressão do crescimento é dose-dependente. Em outro estudo(5 6 ) com 4 3 jovens com asma leve e idade

entre sete e 1 4 anos, observaram que somente o uso de 8 0 0µg/ dia de budesonida provocou diminuição no cres-cimento da perna. Num terceiro estudo(5 7 ), compararam

o uso de 2 0 0µg/ dia de fluticasona com dipropionato de beclometasona na dose de 4 0 0 e 8 0 0µg/ dia, em 1 9 crian-ças e adolescentes com idade entre sete e 1 4 anos. Con-cluíram que ocorria diminuição estatisticamente signifi-cante no crescimento quando era utilizado o dipropionato de beclometasona nas doses referidas.

Agertoft e Pedersen(5 8 ), em estudo prospectivo

contro-lado, realizaram a medida da altura e a Kn em om etry por um ano em 4 7 pacientes com asma, usando budesonida na dose entre 3 0 0 e 6 0 0µg/ dia e placebo. Concluíram que as variações detectadas pela medição da perna não eram preditivas da altura a longo prazo.

Apesar desses estudos, os métodos tradicionais de ava-liação do crescimento são mais utilizados. No entanto, também não há um consenso nos resultados encontra-dos.

Alguns trabalhos sugerem que o uso de baixas dosa-gens de corticosteróides inalatórios, assim como de corti-costeróides orais em dias alternados, minimizaria um pos-sível efeito negativo sobre o crescimento(2 2 ,2 8 ,5 9 ).

Diversos autores, que avaliaram pacientes com asma de grupos etários variados, usando corticosteróides inala-tórios diferentes e formas de administração variada, não observaram impacto negativo dessas drogas sobre o cres-cimento(2 3 ,6 0 -7 4 ). No Brasil, Kovalhuk et al.(5 9 ) também não

observaram retardo do crescimento, durante o período estudado, em pacientes tomando prednisona em dias al-ternados ou DPB.

No entanto, o retardo do crescimento associado ao uso de corticosteróides inalatórios foi documentado por ou-tros autores(7 5 -8 6 ).Logo, existem evidências de que os

cor-ticosteróides inalatórios podem reduzir a velocidade de

crescimento, principalmente se administrados em altas doses.

Allen et al.(8 7 ) realizaram o primeiro estudo de

metaná-lise encontrado na literatura. Analisaram 9 5 trabalhos, dos quais selecionaram 2 1 , que abrangiam um total de 8 1 0 pacientes com asma, e concluíram que os corticoste-róides inalatórios podem ser considerados seguros. Li-pworth(8 8 ) também não encontrou evidência de efeitos dos

corticosteróides inalatórios sobre o crescimento em sua revisão e metanálise.

São numerosos os estudos realizados com o objetivo de avaliar o impacto dos corticosteróides sobre o cresci-mento a médio e longo prazo, mas as diferentes faixas etárias neles envolvidas, a não definição do desenvolvi-mento puberal, a falta de grupo controle, as diferentes classificações da gravidade da doença, as diferentes dro-gas e formas de administração, não nos permitem con-clusões consensuais(8 9 ).

Estudos mais recentes têm demonstrado que pacientes com asma, tratados ou não com corticosteróides, têm a sua altura final dentro do esperado(7 4 ,8 3 ,9 0 ,9 1 ),

evidencian-do a não associação entre a velocidade de crescimento observada em um determinado período e a altura final destes pacientes. Em contrapartida, Norjavaara et al.(9 2 )

analisaram a altura de conscritos suecos e observaram que os portadores de asma grave tinham média de altura menor que a dos demais. Em um segundo estudo(9 3 ),

ob-servaram que as meninas com asma moderada ou grave, que não usaram corticosteróides inalatórios, tinham di-minuição estatisticamente significante na altura final, mas isso não era clinicamente relevante.

Os estudos de intervenção, como os ensaios clínicos randomizados, são os mais indicados para estabelecer a relação causa-efeito(9 3 ). No entanto, sua limitação é a

ques-tão ética, pois no caso da asma o benefício dessas drogas é inquestionável(9 5 ).

C

ONCLUSÕES

Os pacientes com asma, independente da gravidade, podem ter desaceleração do crescimento com posterior recuperação; os asmáticos graves são os mais suscetíveis a apresentar essas alterações.

(5)

indiví-duos devem sempre ser orientados a lavar o rosto e o aparelho após a utilização e ainda enxaguar a boca e cus-pir(4 2 ,9 6 -9 8 ).

C

ONSIDERAÇÕES FINAIS

Os corticosteróides inalatórios constituem a terapêuti-ca de escolha em escolares, adolescentes e adultos com asma moderada e grave. Os estudos demonstram poucos efeitos colaterais, boa eficácia e segurança e relação cus-to/ benefício favorável.

A monitorização sistemática e a identificação de gru-pos de risco para crescimento deficiente, principalmente aqueles com asma grave, propiciam reformulações ade-quadas no manejo da doença, favorecendo melhor quali-dade de vida para os pacientes.

R

EFERÊNCIAS

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TABELA 1

D oses de corticosteróides inalatórios, em mcg por 24 horas, recomendadas para indivíduos menores de 12 anos

Esteróide D ose baixa D ose média D ose alta

(6)

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