ASPECTOS SOCIOCULTURAIS DO ENVELHECIMENTO
AULA 1
Profª Tatiane Calve
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CONVERSA INICIAL
O envelhecimento, como todos sabem, é um processo natural, irreversível e multifatorial que se inicia com o nascimento e termina com a morte. Estudado por muitos pesquisadores das áreas da saúde, sociologia, psicologia, economia etc., é influenciado por inúmeros fatores. Um deles é determinado pelo calendário católico, relacionado com a idade, a partir do nascimento, em anos, meses e dias. Outro fator de grande importância é o biológico, pela influência do relógio biológico, ritmos circadianos e metabólicos.
Esses aspectos serão discutidos nesta aula, que tem como objetivo compreender como as dimensões biológicas e cronológicas influem no envelhecimento humano. Para isso, vamos dividir a reflexão em cinco temas, nos quais serão abordadas as causas do envelhecimento, as teorias do envelhecimento, as classificações e as características das idades cronológica e biológica do ser humano.
A idade cronológica é importante, pois, com base nelas, os idosos possuem direitos exclusivos, além de imposições e deveres sociais. A idade biológica, por sua vez, é determinante nas alterações biológicas e metabólicas do envelhecimento, importantes para o entendimento das características fisiológicas e físicas do idoso.
TEMA 1 – AS CAUSAS DO ENVELHECIMENTO
O processo de envelhecimento, com suas peculiaridades, é considerado por inúmeros autores como dinâmico, progressivo, irreversível e multifatorial, presente na vida de todos os seres humanos (Brito; Litvoc, 2004, citado por Fechine; Trompieri, 2012; Gallahue; Ozmun, 2005; Spirduso, 2005).
Para Birren e Shroots (1996, citado por Fechine; Trompieri, 2012), o envelhecimento pode ser subdividido em três fases: primário, secundário e terciário. Vamos descrever cada uma delas a seguir.
1.1 Envelhecimento primário
O envelhecimento primário é o que ocorre naturalmente, também denominado senescência. Esta se define como o envelhecimento fisiológico, ou seja, as alterações naturais que ocorrem no organismo decorrentes do processo de envelhecimento ao longo da vida e que provocam perda progressiva da
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funcionalidade orgânica, comprometendo as funções básicas no dia a dia (Jacob-Filho, 2006).
Fechine e Trompieri (2012) afirmam que o envelhecimento primário é determinado geneticamente e atinge, gradual e progressivamente, todos os seres humanos em determinada fase da vida, ocasionando efeitos cumulativos sobre as funções metabólicas e físicas. Porém, fatores ambientais, como prática regular de exercícios físicos, alimentação equilibrada, educação, cultura e socialização, podem interferir no processo de senescência. Dessa forma, devemos levar em consideração a promoção de uma vida saudável para que as alterações orgânicas possam ser amenizadas pela escolha de uma vida saudável.
1.2 Envelhecimento secundário
O envelhecimento secundário está diretamente relacionado com os efeitos provocados por doenças e fatores ambientais que ocasionam comorbidades decorrentes desse processo (Spirduso, 2005). Esse envelhecimento “patológico” é conhecido como senilidade e consiste em um conjunto de alterações que ocorrem no organismo devido à presença de doenças – o que está atrelado ao estilo de vida da pessoa (Jacob-Filho, 2006).
As alterações decorrentes da senilidade estão entrelaçadas com o processo da senescência; portanto, as condições ambientais podem minimizar ou ampliar a vulnerabilidade da pessoa em relação ao envelhecimento e à aquisição de doenças dele decorrentes.
1.3 Envelhecimento terciário
O envelhecimento terciário é caracterizado por perdas orgânicas, fisiológicas, físicas, cognitivas e psicossociais mais acentuadas (Birren; Shroots, 1996, citado por Fechine; Trompieri, 2012), ocasionadas pelos efeitos da idade avançada, acúmulo dos efeitos naturais do processo de envelhecimento e também pelas patologias provocadas pela senilidade. Nessa fase, é necessário que sejam oferecidos mais atenção e cuidados à pessoa, devido à debilidade orgânica e à dependência cognitiva, psicossocial e física.
As características do envelhecimento podem variar de acordo com as individualidades de cada pessoa, as quais dependem de fatores biológicos e
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ambientais, com estilo de vida saudável (prática regular de exercícios físicos, alimentação equilibrada) ou com uma vida menos regrada (sedentarismo, obesidade tabagismo e etilismo).
Portanto, além do processo natural da senescência, faz-se necessário levarmos em consideração os hábitos de cada indivíduo no decorrer do ciclo vital em diferentes dimensões – social, familiar, cultural, profissional, psíquica e física.
Dessa maneira, muitas podem ser as interpretações sobre os motivos pelo qual envelhecemos e por que algumas pessoas envelhecem mais rápido que outras. A seguir serão discutidas algumas teorias a respeito do envelhecimento humano.
TEMA 2 – TEORIAS DO ENVELHECIMENTO
A velhice, muitas vezes, não é fácil de ser encarada pelas pessoas. Por isso, inúmeros estudos são realizados para compreensão e padronização dela.
Há muitas teorias que buscam explicar, com embasamentos científicos, esse processo irreversível e multifatorial.
Velasco (2006, p. 23) cita as “teorias da glicolisação, de reparo do DNA, da antitoxina, do desequilíbrio gradual, da maturação somática, do dano cromossômico, dos radicais livres, etc.”, como sendo algumas teorias do envelhecimento. Atualmente, os pesquisadores indicam duas teorias principais:
a da seleção natural e a genética. A primeira está relacionada com a hipótese de que, com o passar do tempo, procuramos eliminar os traços negativos que possam ser transmitidos de geração a geração (Velasco, 2006). A teoria genética, por sua vez, propicia grandes conquistas na adolescência e vida adulta, mas se torna prejudicial ao indivíduo quando chega ao envelhecimento.
Alguns cientistas indicam uma terceira hipótese, também relacionada com os genes. Estudos mostram que a escassez de alimento e a exposição à radiação são fatores que interferem no processo de envelhecimento (Velasco, 2006). Se essa pesquisa estiver correta, estaremos próximos da longevidade saudável. Os objetivos dos grandes pesquisadores da área é minimizar o progresso do declínio físico e fisiológico que ocorre durante o ciclo vital; porém, a fonte da juventude ainda não foi descoberta.
Em seguida, serão explorados alguns fatores que explicam o processo de envelhecimento humano.
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2.1 Deterioração proteica
Durante o envelhecimento humano, “há redução da síntese proteica, o que prejudica a constituição das estruturas dos órgãos, tecidos e enzimas, componentes do sistema bioquímico, relacionados à produção de energia”
(Velasco, 2006, p. 25), e, também, são responsáveis por algumas patologias que podem acometer os idosos.
Nessa teoria, os erros de transcrição e translação produzem defeitos nas enzimas pela fidelidade e reprodução dos processos de transcrição-translação enzimática. Isso altera a síntese das proteínas e, consequentemente, diminui o ciclo de vida celular, podendo levar o sistema a um colapso e à morte do indivíduo (Farinatti, 2002).
2.2 Relógio biológico
O relógio biológico é outra teoria que explica o processo de envelhecimento que ocorre nos seres vivos e é geneticamente determinada.
Assim, passamos por diferentes fases durante o ciclo vital, até chegarmos à morte. Velasco (2006) afirma que o relógio biológico é influenciado por fatores intrínsecos e extrínsecos, conforme mostra o Quadro 1.
Quadro 1 – Fatores intrínsecos e extrínsecos que afetam o processo de envelhecimento
Fatores intrínsecos Fatores extrínsecos
Genéticos Radiação
Radicais livres Atitude
Imunidade celular e humoral Temperatura
Ligações cruzadas Poluição
Ligação ADN-histona Alimentação
Tensão emocional
Além das hipóteses sobre as causas do envelhecimento humano, assim como os fatores que interferem nesse processo, a idade cronológica (idades em anos) e a idade biológica (características do organismo) são outras características que devem ser exploradas nesse contexto.
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TEMA 3 – IDADE CRONOLÓGICA
Idade cronológica é aquela direcionada pelo calendário católico romano;
de acordo com a data de nascimento, é facilmente mensurável (Weineck, 1991;
Motta, 2004). De acordo com Schneider e Irigaray (2008), sua definição é subjetiva, devido à percepção de tempo de cada indivíduo. Assim, os mesmos autores indicam que há diferentes variáveis de tempo, como o histórico, a data de nascimento, o coorte, os quais influenciam o conceito de tempo físico clássico.
A idade cronológica, mesmo não indicando o desenvolvimento biológico e psicossocial, se refere ao número de anos que o indivíduo possui desde o nascimento e é um marcador em relação ao comportamento humano em uma linha temporal. Segundo a OMS (2015), é considerado idoso o indivíduo com mais de 60 anos, para países em desenvolvimento, como o Brasil, e 65 anos, para países desenvolvidos.
Shephard (2003) classifica os indivíduos idosos em:
• meia idade – 40 a 65 anos;
• velhice – 65 a 75 anos;
• velhice avançada – 75 a 85 anos;
• velhice muito avançada – acima de 85 anos.
Outros autores, como Papalia e Feldman (2013) e Schaie e Willis (1996), categorizam os idosos de outra maneira, de acordo com características comportamentais, psíquicas, sociais, históricas e funcionais. Assim sendo, eles podem ser classificados como:
• velhos jovens – 60 a 75-80 anos;
• velhos – 75-80 a 90 anos;
• velhos-velhos – acima de 90 anos.
A idade cronológica é referência para a determinação de direitos e deveres do indivíduo perante as leis e a sociedade. Dessa maneira, os idosos, com mais de 60 anos (em alguns casos, mais de 65 anos), podem desfrutar de direitos determinados pelo Estado.
Apesar de haver inúmeras classificações e de a idade cronológica ser uma referência para designar os direitos dessas pessoas, esta não deve ser a única ferramenta para indicar quem é idoso ou não. Shephard (2003) afirma haver
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grandes diferenças entre países e até mesmo entre localidades, dentro de um mesmo território, dificultando a padronização da faixa etária correspondente.
Além disso, variáveis como sexo, genética, relógio biológico e ambiente podem interferir no envelhecimento, dificultando ainda mais a classificação (Fechine;
Trompieri, 2012).
Com o avanço da área médica, farmacêutica e tecnológica, se torna ainda mais difícil categorizar os idosos pela idade cronológica, visto que muitos, com idade avançada, se consideram jovens, pelas condições físicas e psicossociais.
A idade cronológica é uma medida multidimensional, relativa, subjetiva, medida em dias, meses e anos, que não reflete totalmente as condições do idoso. Dessa maneira, faz-se necessário levar em conta outros fatores, como idade psicológica, idade social e idade biológica, podendo enxergar o processo de envelhecimento como uma integração de diversos fatores.
TEMA 4 – IDADE BIOLÓGICA – ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS E FUNCIONAIS
Idade biológica é conceituada como sendo as mudanças que ocorrem no organismo ao longo do processo de desenvolvimento, iniciado na concepção e que se finda na morte (Gallahue; Ozmun, 2005). Ela está relacionada com as alterações das características fisiológicas, morfológicas e funcionais do indivíduo conforme o avanço da idade.
As mudanças, que no início da vida proporcionam melhora no funcionamento dos sistemas e maior interação do ser humano com o mundo que o rodeia, causam perdas fisiológicas, funcionais e isolamento no envelhecimento. As alterações biológicas dificultam a preservação da homeostase do organismo, aumentando a incidência de doenças, dependência funcional e probabilidade de óbito (Fechine; Trompieri, 2012).
4.1 Pele e pelos
Com o avanço da idade, a pele fica mais fina, sensível, menos elástica e com menos oleosidade (Schneider; Irigaray, 2008), decorrente da alteração das fibras e da elastina, que, expostas à luz, dão origem às rugas (Velasco, 2006).
Trata-se de uma proteção para o corpo, e, devido às mudanças na estrutura dela, há maior risco de manchas, hematomas e outros tipos de lesão, tornando o organismo mais suscetível a infecções.
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Modificações também ocorrem no bulbo capitar, provocando diminuição de pelos no corpo – menos nas orelhas, sobrancelhas e nariz (Velasco, 2006) – , além de mudanças na cor dos pelos, que vão ficando brancos com o início do envelhecimento.
4.2 Sistema ósseo
Segundo Schneider e Irigaray (2008), as alterações na estrutura musculoesquelética e articular é iniciada a partir de 40 anos, fazendo com que a estatura do indivíduo diminua em torno de um centímetro a cada década. Isso é ocasionado, principalmente, pela redução da massa óssea (osteopenia), perda de líquido dos discos intervertebrares.
Os idosos podem apresentar, além da osteopenia, a osteoporose, que é caracterizada como uma perda patológica de osso, deixando-o mais poroso, maximizando o risco de fraturas e quedas.
4.3 Sistema articular
O sistema articular, com a velhice, pode apresentar desgastes nas cartilagens, as quais ficam mais delgadas, e fissuras em sua superfície, que prejudicam os movimentos articulares (Velasco, 2006). A artrose é uma das patologias da articulação mais presentes na vida dos idosos, ocasionando dor, desconforto ao se movimentar, menor amplitude de movimento e até mesmo dependência física.
4.4 Sistema muscular
A sarcopenia é um dos problemas associados à perda de massa muscular (peso e área de secção), provocada por alterações hormonais e neuromotoras, sedentarismo etc. (Velasco, 2006). Com a musculatura mais fraca, o idoso perde força e resistência muscular, diminuindo as capacidades funcionais na realização das tarefas diárias. A principal perda corre nas fibras brancas, de contração rápida, o que faz com que diminua o tempo de reação dos idosos, sendo um dos agentes causadores de quedas.
4.5 Sistema nervoso
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O sistema nervoso também sofre perdas, decorrentes do envelhecimento, e uma das mais presentes é o número de neurônios. Além do decréscimo neural, há também alterações na condução nervosa, com a diminuição significativa de neurotransmissores, como acetilcolina, dopamina, serotonina, noradrenalina e GABA.
Confusões mentais e demências são comuns na velhice. Além dessas alterações, as doenças de Parkinson e de Alzheimer são duas patologias associadas ao sistema nervoso que acometem grande parte dos idosos em idades mais avançadas.
4.6 Sistema circulatório
Entre as principais alterações do sistema circulatório estão a diminuição de fibras musculares lisas e o aumento da quantidade de colágeno nos vasos sanguíneos, assim como a deposição de cálcio nas paredes dos vasos, alterando a distensibilidade deles (Velasco, 2006; Matsudo; Matsudo, 2001).
Devido às mudanças que ocorrem nas estruturas e funcionalidade dos componentes do sistema circulatório, o idoso apresenta diminuição do consumo de oxigênio, do débito cardíaco e da frequência cardíaca (Matsudo; Matsudo, 2001).
4.7 Sistema respiratório
Com o envelhecimento, o sistema respiratório, assim como os outros sistemas, sofre alterações, entre as quais podemos citar decréscimo das trocas gasosas e capacidade pulmonar geral, diminuições decorrentes da calcificação das cartilagens esterno-costais, enfraquecimento dos músculos respiratórios e modificações dos alvéolos pulmonares.
4.8 Sistema digestivo
Segundo Velasco (2006), o sistema digestivo apresenta alterações epiteliais e musculares, ocasionando dificuldade na digestão dos alimentos e absorção de nutrientes.
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4.9 Sistema urinário/reprodutor
Diminuição do número de glomérulos e aumento do tecido fibroso são as alterações mais evidentes do processo de envelhecimento dos rins (Velasco, 2006). Há modificações na próstata e vesículas seminais para os homens, além de diminuição da produção de espermatozoides e secreção de testosterona. Nas mulheres, a vagina diminui o diâmetro e a lubrificação. A menopausa é um dos marcos do envelhecimento do sistema reprodutor feminino. Ao contrário dos homens, as mulheres diminuem ou perdem a capacidade de reprodução após esse período. Outra diferença que pode ser apresentada entre os gêneros é a libido e vida sexual: há uma tendência dos homens se manterem ativos por mais tempo que as mulheres.
4.10 Sistema sensorial
Ao longo dos anos, o sistema sensorial também começa a apresentar mudanças. Em relação à audição, há diminuição da capacidade de recepção de sons devido à degeneração do ouvido externo, médio e interno, além do processamento central (Baraldi; Almeida; Borges, 2007). Em relação ao ouvido interno, além da diminuição da capacidade auditiva, o idoso também pode apresentar alterações no labirinto, proporcionando dificuldades no equilíbrio.
A visão também apresenta declínio, principalmente em relação à leitura.
Porém, em conjunto com o sistema tátil-cinestésico, a visão é um canal sensorial de grande influência no controle postural e na locomoção e se refere ao risco de quedas devido à dificuldade na identificação e percepção de obstáculos.
TEMA 5 – IDADE SOCIAL E PSICOLÓGICA
As idades cronológica e biológica determinam muitas alterações orgânicas, funcionais e psicossociais no indivíduo durante o ciclo vital;
entretanto, o comportamento social e psicológico sofre influência da cultura e da sociedade em que o idoso está inserido. A seguir, serão abordadas as características da idade social e psicológica diante do processo de envelhecimento.
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5.1 Idade social
A idade social é definida como sendo a percepção do indivíduo em relação ao papel social de outras pessoas de mesma idade, no âmbito social e cultural (Baraldi; Almeida; Borges, 2007).
Segundo Neri (2005, citado por Schneider; Irigaray, 2008), a idade social está relacionada com a avaliação que o indivíduo faz de si mesmo no que diz respeito ao desempenho do papéis sociais conforme as características temporais da sociedade na qual está inserido.
No Brasil, os idosos obtiveram direitos legais com a aprovação do Estatuto do Idoso, que ocorreu em outubro de 2003. Instituído pela Lei n. 10.741/2003, considera idosa a pessoa com idade cronológica mínima de 60 anos. Então, a partir dessa idade possuem direitos válidos perante a lei em relação aos seus familiares, Poder Público, comunidade onde vivem e sociedade em geral.
A seguir, serão citados alguns direitos dispostos pelo Estatuto do Idoso (Brasil, 2003), relacionados às características sociais e psíquicas:
• Direitos fundamentais – um dos direitos fundamentais do idoso é o direito à vida, independentemente das condições financeiras.
• Direito à liberdade, ao respeito e à dignidade – o Estado e a sociedade têm a obrigação de assegurar direitos civis, políticos, individuais e sociais a todos os idosos, destacando a vedação ao tratamento com violência e constrangimento, além de garantir a integridade física, psíquica e moral dos idosos.
• Direito social – o Estado tem o dever de oferecer atendimento aos idosos, mesmo aqueles que não podem sair dos domicílios (atendimento domiciliar), acompanhante em consultas médicas e internações.
• Direito à educação, à cultura, ao esporte e ao lazer – o Estado tem o dever de oferecer educação (pública e privada), atividades esportivas e de promoção de saúde, descontos de 50% em atividades de cultura e lazer.
• Transporte – os idosos com mais de 65 anos de idade têm a garantia de uso do transporte público de maneira gratuita (urbanos). Em se tratando de transporte interestadual, são disponibilizadas duas vagas por veículo.
Caso não haja vaga, é direito do idosos receber o desconto de 50% na passagem.
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• Direito à profissionalização e ao trabalho – há a proibição de fixação do limite máximo de idade para concursos; a idade máxima é um critério de desempate, o que privilegia os idosos.
• Direito à previdência e à assistência social – a partir de 65 anos de idade, o idoso tem o direito de receber um salário mínimo, caso da família não tenha condições de assistir-lhe.
• Medidas de protetivas – as medidas protetivas são direito do idoso para que haja fortalecimento dos vínculos familiares e sociais; o idoso pode ser encaminhado a abrigos ou entidades assistenciais.
• Direito à política e entidades de atendimento ao idoso – direito a políticas sociais básicas e assistência em entidades de atendimento ao idoso, como as Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), além de assegurar às instituições direito a assistência judicial gratuita.
• Direito à justiça – o idoso tem direito a procedimentos judiciais, o qual é transferido ao(a) companheiro(a) com mais de 60 anos, caso venha a falecer.
A idade cronológica, além de ser utilizada para determinar os direitos dos idosos, é também uma referência em relação às ações na sociedade. Para Schneider e Irigaray (2008), diferentes sociedades e culturas classificam os idosos conforme seu comportamento – por exemplo, como se veste, como fala e como age.
Para os mesmos autores, cada sociedade, em determinado momento histórico, impõe papéis de acordo com a idade de cada indivíduo. Assim sendo, com o passar do tempo, tais papéis vão se alterando conforme as mudanças sociais. A esse respeito, Schneider e Irigaray (2008, p. 590) comentam:
A idade social corresponde, assim, aos comportamentos atribuídos aos papéis etários que a sociedade determina para os seus membros. Ela é composta por atributos que caracterizam as pessoas e que variam de acordo com a cultura, o gênero, a classe social, o transcorrer das gerações e das condições de vida e de trabalho, sendo que as desigualdades destas condições levam a desigualdades no processo de envelhecer.
Um dos fatores que define o indivíduo como idoso ou a chegada de velhice, em relação ao papel social, é a aposentadoria, momento em que o indivíduo deixa de ser economicamente ativo. A inatividade e a falta de produção não são uma rotulação apenas da sociedade, mas também do próprio idoso aposentado, que pode não se sentir mais útil perante a família, amigos e a
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comunidade. Tal situação leva muitos deles à depressão, considerando a aposentadoria o fim da fase adulta e a entrada na velhice.
Com base na percepção da sociedade e do indivíduo idoso, outra classificação é proposta por estudiosos da área da saúde: a idade psicológica.
5.2 Idade psicológica
A idade psicológica é definida como a relação entre a idade cronológica e as capacidades psicológicas (Schneider; Irigaray, 2008). Já Hoyer e Roodim (2003, citados por Schneider; Irigaray, 2008) a conceituam como a capacidade de adequação do indivíduo ao meio no qual está inserido, à adaptação do indivíduo em relação às características psicológicas, cognitivas e controle emocional, de acordo com diferentes situações do dia a dia.
Lapsos de memória, dificuldades de aprendizagem e atencional, além das percepções espaço-temporais e imagem corporal, são alguns aspectos que caracterizam o idoso. Segundo a OMS (2005), os declínios psicomotores são decorrentes da falta de prática, doenças psicossociais e comportamentos (dependência química e alcoólica).
Podemos considerar que a chegada a velhice deve ser construída durante todo o ciclo vital, levando em conta todos os aspectos e adaptações que o indivíduo sofre até a chegada à terceira idade. Assim, a capacidade de adaptação à nova idade e suas peculiaridades permite que ele tenha uma velhice saudável e feliz.
NA PRÁTICA
A aposentadoria é um dos marcos sociais e está diretamente relacionada com a chegada à velhice. Quais são os aspectos que devem ser levados em consideração nesse momento da vida do indivíduo e o que pode ser feito para que, ao atingir essa fase, não se sinta inútil?
A aposentadoria não deve ser um marco da velhice e, com ela, a sensação de improdutividade e depressão. Trata-se, sim, um momento de desfrutar de maior tempo livre para estar com pessoas queridas e realizar atividades prazerosas, com prática esportiva e recreativa, eventos sociais, viagens etc.
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FINALIZANDO
Nesta aula, foram abordados alguns conceitos sobre envelhecimento e fatores que causam o envelhecimento, assim como as teorias que explicam tal processo.
Também foram explanados os aspectos inerentes às idades cronológica, biológica, social e psicológica, indicando que a idade, em anos vividos, é utilizada como referência para marcos sociais, como aposentadoria e benefícios legais.
Porém, em relação às características biológicas e comportamentais, a idade cronológica não é determinante.
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