CRIATIVIDADE ESCOLAR: O PROFESSOR E A INFLUÊNCIA DA VIVÊNCIA DOCENTE

Texto

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LUCAS, Joicy da Silva 1 ALVES, Sara Viana 2 SILVA, Francieli Alves da 3 VIANA, Luciene da Silva 4

INTRODUÇÃO

As transformações do mundo contemporâneo exigem do profissional docente novas competências na área da educação, assim como, na questão de envolver seus alunos para uma aprendizagem significativa é essencial (PERRENOUD, 2000).

O emprego do termo criatividade tem apresentado diversas definições nas áreas de ensino e aprendizagem, onde o papel do professor é fundamental para uma ação eficaz (LUBART, 2007).

É importante investigar a influência da motivação na criatividade do professor, pois a manifestação da criatividade não depende apenas que “[...] o professor domine os saberes [...]” (PERRENOUD, 2000. p. 27), mas que saiba desenvolver estratégias e métodos de ensino a fim de obter um resultado significativo. Ao falar deste processo é relevante que se fale dos componentes implícitos na criatividade como a motivação, o saber do professor e as influências da vivência docente.

(AMABILE, 1996 apud LUBART, 2007, p. 17).

Lubart (2007, p. 7) ao falar da psicologia da criatividade admite que “Existem poucas obras que visam a oferecer aos leitores conselhos para desenvolver seu potencial criativo [...]”, no entanto, pesquisar essa característica no trabalho docente se torna importante para que no processo de ensino aprendizagem a aula se torne

“[...] um desafio e não uma “cantiga de ninar” (FREIRE, 1996, p.86).

O presente estudo é fruto de uma pesquisa teórico-explicativa de cunho qualitativo que consiste em analisar a correlação entre tempo de experiência e a criatividade de docentes do 3° ano do Ensino Fundamental I da escola municipal de Marataízes “Maria da Glória Nunes Nemer”.

1 Graduanda do Curso de Pedagogia do Centro Universitário São Camilo-ES – joicylucas@hotmail.com.

2 Graduanda do Curso de Pedagogia do Centro Universitário São Camilo-ES – saraviana96@gmail.com.

3 Graduanda do Curso de Pedagogia do Centro Universitário São Camilo-ES – alvesfrancieli07@gmail.com.

4 Professor Orientador: Mestre em Engenharia e Desenvolvimento Sustentavel - UFES – luciene.s.viana@gmail.com.

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A respeito dos problemas na formação docente nota-se o vínculo existente sobre o fracasso escolar e outras dificuldades enfrentadas na educação brasileira, o que torna interessante investigar a influência da vivência docente na sua prática em sala de aula, em especial a sua criatividade.

Para compreender a correlação entre tempo de experiência e a criatividade do docente, utilizamos de autores como Lubart (2007) que buscou as concepções do termo criatividade e seus complexos processos para o seu desenvolvimento. Já Perrenoud (2000) de forma indireta cita essa habilidade e salienta que o ofício do professor está em transformação e, portanto, surgem novas competências emergentes que devem orientar o fazer docente, inclusive envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho e Freire (1996) que incentiva o professor assumir uma postura curiosa que permitirá construir um ambiente favorável à aprendizagem.

Diante deste panorama, pretende-se com essa pesquisa discutir a importância da criatividade no trabalho docente e práticas que motivem o professor exercer e desenvolver sua criatividade, contribuindo para uma práxis educativa com mais significado.

METODOLOGIA

O propósito deste estudo é problematizar a influência do tempo de experiência do docente na criatividade da sua prática. O procedimento metodológico utilizado é de ordem teórica- explicativa, “[...] a partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos [...]” (FONSECA, 2002 apud GERHARDT; SILVEIRA, 2009, p. 37) e a pesquisa de campo entendida como “[...] onde ocorre ou ocorreu um fenômeno ou que dispõe de elementos para explicá-lo. Pode incluir entrevistas, aplicação de questionários, testes e observação participante ou não [...]” (VERGARA 1998, p.45- 46).

A presente pesquisa foi estruturada em duas fases: a primeira fase já percorrida buscou a pesquisa bibliográfica para compreender os aspectos envolvidos entre o tempo de experiência e a criatividade docente. Estes procedimentos iniciais careceram de uma segunda fase aonde será examinada a criatividade de professores do 3° ano do Ensino Fundamental I, da escola municipal

“Maria da Glória Nunes Nemer” dos turnos matutino e vespertino. Também serão

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investigadas possíveis motivações que podem interferir no fazer do docente e a influência da criatividade para uma aula mais significativa.

Espera-se que este estudo possa contribuir para que professores e alunos

“[...] se assumam epistemologicamente curiosos” (FREIRE, 1996, p. 86). Os autores pesquisados como Freire (1996), Lubart (2007), Perrenoud (2000), entre outros apresentaram importantes contribuições acerca da criatividade docente que embasaram essa pesquisa.

DESENVOLVIMENTO

O propósito da primeira fase desse estudo é apresentar contribuições teóricas acerca da importância da criatividade no trabalho docente que embasaram essa pesquisa, em especial os aspectos implícitos que envolvem os processos criativos.

A definição do conceito de criatividade pode variar entre os estudiosos da área,

No que diz respeito à variação das concepções sobre a criatividade, constata-se que algumas pessoas atribuem um valor mais importante ao caráter de novidade do que ao caráter de adaptação, enquanto que outros indivíduos atribuem a mesma importância a essas duas características (LUBART, 2007, p. 16).

No entanto, é de comum acordo que a criatividade pode representar um papel positivo para a sociedade, inclusive para educação. E o papel do educador com relação a sua prática tem uma parte importante no desenvolvimento de uma aula mais crítica e dialógica.

Contudo, observa-se que há um distanciamento entre teoria e prática e os próprios professores reconhecem esse problema quanto a sua formação, porém, além da desvinculação do saber científico e prática outros problemas quanto à formação docente podem ser observados (FELDENS, 1998 apud CASTRO; FLEITH, 2008, p. 103), por exemplo: falta de estímulo para o intercâmbio interdisciplinar, dificuldades em identificar o papel do professor, falta de acompanhamento e organização de forma mais consistente em programas de formação continuada, entre outros.

Embora a criatividade seja „‟[...] um fenômeno complexo, multifacetado e pouco explorado, sobretudo no ambiente educacional [...], não há como negar sua importância no contexto escolar e a necessidade de promovê-la na formação dos alunos. A

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contemporaneidade requer professores criativos que formem alunos criativos‟‟ (ALENCAR; FREITH, 2003 apud OLIVEIRA; ALENCAR, 2008, p.297).

Infelizmente, vários estudos mostram que “[...] os professores podem ter uma concepção particular do aluno ideal, valorizando a obediência e o conformismo, em detrimento de traços como a curiosidade ou a independência” (LUBART, 2007, p.

79). Assim, suas aulas assumem o padrão de escolas tradicionais que valorizam a memorização e a domesticação.

É necessário que seja trabalhado com o professor sua postura frente às expressões criativas nos meios escolares, principalmente na sala de aula, já que sua posição pode estimular ou reprimir a criatividade do educando (LUBART, 2007, p.

80).

Freire (1996, p. 85) ao falar dos saberes necessários a uma pratica educativa delega ao professor exercer a sua curiosidade de maneira correta, pois a construção ou produção do conhecimento implica no exercício da curiosidade que convoca entre outras coisas a criatividade de docentes e discentes.

Além disso, Lubart (2007, p. 75) nos lembra de que os processos ligados à criatividade sofrem influências e um ambiente favorável “[...] exerce um papel-chave tanto no desenvolvimento das capacidades criativas como nas diversas formas que pode tomar a expressão criativa”.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa “Criatividade Escolar: o professor e a influência da vivência docente” está sendo elaborada acerca de abordagens e definições do tema geral proposto, no qual se busca auxílio para iniciar e desenvolver o trabalho. Desse modo, iniciou os estudos para compreender os aspectos envolvidos entre o tempo de experiência e a criatividade docente, para que tenha compreensão no assunto a ser abordado.

Durante o desenvolvimento da pesquisa, teremos á capacidade de analisar a realidade da prática docente na sala de aula, buscando caminhos criativos para que essa prática seja bem realizada, para isso será fundamental buscar apoio teórico e prático. Concordamos com Oliveira e Alencar (2012, p.11) ao dizer que “É sem dúvida muito importante que a criatividade esteja presente no contexto escolar, sobretudo no trabalho do professor, e que este utilize estratégias didáticas

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diferenciadas e inovadoras que despertem o interesse dos alunos pelos conteúdos e projetos”.

Com isso a pesquisa “Criatividade Escolar: o professor e a influência da vivência docente” tende a buscar métodos eficazes para que ocorra o processo de ensino e aprendizagem de forma significativa e é essencial que o professor através de sua criatividade cative o aluno para obtenção de resultados positivos.

REFERÊNCIAS

CASTRO, Júlia Soares Rosa de; FLEITH, Denise de Souza. Criatividade escolar:

relação entre tempo de experiência docente e tipo de escola, Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE), v.12, n.1, p.101-118, jan./jun. 2008.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. 148 p.

GERHARDT, Tatiana Engel; SILVEIRA, Denise Tolfo. Métodos de Pesquisa. Porto Alegre: UFRGS; 2009. 120 p. Disponível em:

<http://www.ufrgs.br/cursopgdr/downloadsSerie/derad005.pdf>. Acesso em: 19 maio. 2018.

LUBART, Todd. Psicologia da criatividade. Porto Alegre: Artmed, 2007. 192 p.

OLIVEIRA, Edileusa Borges Porto; ALENCAR, Eunice Maria Lima Soriano de.Importância da criatividade na escola e no trabalho docente segundo

coordenadores pedagógicos.Estudos de Psicologia I campinas, Rio Grande do Sul, v.29, n.4, p.541-552, out./dez. 2012.

OLIVEIRA, Zélia Maria Freire de; ALENCAR, Eunice Maria Lima Soriano de. A Criatividade faz a Diferença na Escola: o professor e o ambiente criativos. Revista Contrapontos, Santa Catarina, v.8, n.2, p.295-308, maio/ago. 2008.

PERRENOUD, Philippe. Dez novas competências para ensinar. Porto Alegre:

Artes Médicas Sul, 2000. 192 p.

VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e Relatórios de Pesquisa em

Administração [Internet]. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2005. 90 p. Disponível em: <

https://pt.slideshare.net/MentesEmRede/130890210vergarasylviaconstantprojetosere latoriosdepesquisaemadministracao>. Acesso em: 19 maio 2018.

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