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Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.26 número4

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RBGO - v. 26, nº 4, 2004

Editorial

A Mulher

O mês de maio é, tradicionalmente, dedicado às mães, mês das flores e, porque não, o mês da mulher. Como tocoginecologista, imcumbido de zelar pela saúde das mulheres, sentimo-nos na suave obrigação de comentarmos, breve-mente, a relevância da mulher na sociedade atual.

O ano de 2004 foi escolhido para celebrar o ano da Mulher e a data de oito de março para lembrança desta escolha. Qual a motivação?

Em séculos anteriores, a cobiçada igualdade de direitos para os sexos não foi pacífica. Houve progresso, mas muitas das conquistas foram bem recentes.

Por muito tempo a mulher foi considerada subalterna e acólita do homem. Funções, atribuições, posições de realce ou comando quase sempre lhes foram subtraídas. As conquistas foram lentas e freqüentemente dolorosas.

A escolha do dia oito de março foi vinculada a episódio deplorável, acontecido em 1857. Grupo de 129 tecelãs, funcionárias de fábrica de tecidos de Nova Iorque, paralisaram as atividades reivindicando o direito a 10 horas de trabalho diário à semelhança dos homens. Era usual período de trabalho de até 16 horas/dia. Todas foram confinadas e queimadas dentro do estabelecimento com o benepláci-to de propretários e de forças policiais. A partir de 1910 a data foi lembrada como

Dia Internacional da Mulher.

No séquito destas mártires, inúmeras mulheres valorosas lideraram outros justos movimentos para equiparação de direitos com justiça social semelhante para os dois sexos.

Os mais antigos de nossa geração certamente vivenciaram alguns episódios então considerados como normais. Esposas reverenciavam os maridos como “se-nhor” e eram compingidas a servir-lhes à mesa de refeições.

Com gáudio verificamos que as mulheres conquistaram a maioria dos direi-tos sociais, ingressaram nas universidades, galgaram e conquistaram espaços na magistratura, na área biomédica, tornaram-se parlamentares ilustres e respei-tadas, escritoras renomadas, cargos e funções antes restritos aos homens.

Grassa, contudo, muita violência contra a mulher, com realce para a violên-cia doméstica, mazela a ser prontamente debelada.

A luta para a conquista de todos os direitos deve continuar, pois muito há ainda a ser conquistado.

Celebremos a data augurando direitos semelhantes para todos. E muito mais: união e harmonia dos sexos. Celebremos, também, as numerosas mulheres anô-nimas que dedicam a existência para minorar o sofrimento do próximo, sentindo-se recompensadas com o sorriso de agradecimento pelos sentindo-serviços prestados.

Referências

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