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HABEAS CORPUS

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Academic year: 2022

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IMPETRANTE: GEDALVA PADILHA (ADVOGADA)

PACIENTES: OSMAR FERDINANDO CARELLI E OUTRO

IMPETRADA: JUÍZA DE DIREITO DA 2ª VARA DE FAMÍLIA

RELATOR: DES. ERACLÉS MESSIAS

HABEAS CORPUS PREVENTIVO – AÇÃO DE ALIMENTOS PROPOSTA CONTRA OS AVÓS PATERNOS – PRISÃO CIVIL DECRETADA NO ÂMBITO DE EXECUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA – PAGAMENTO PARCIAL – NÃO EXONERAÇÃO – DECRETO PRISIONAL MANTIDO.

Não basta o pagamento parcial da pensão alimentícia, é necessária a quitação das 3 (três) parcelas vencidas, anteriores à execução, e das prestações vincendas no curso do processo até a data do efetivo adimplemento.

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Tratando-se de prisão civil por débito alimentar, respeitado o aspecto da legalidade e o fato de o devedor não ter adimplido sua obrigação, deve-se manter o decreto prisional.

ORDEM DENEGADA.

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Habeas Corpus Cível nº 315.890-3, do Foro Central da Comarca da Região Metropolitana de Curitiba – 2ª Vara de Família, em que é impetrante GEDALVA PADILHA (Advogada), pacientes OSMAR FERDINANDO CARELLI e OUTRO e impetrado a MM. JUÍZA DE DIREITO.

Trata-se de Habeas Corpus Preventivo, com pedido de liminar, impetrado pela Advogada Gedalva Padilha, em favor de Osmar Ferdinando Carelli e Almeri Carelli, contra quem se expediu mandado de prisão por conta da inadimplência ocorrida nos autos de Ação de Execução de Alimentos nº 3.766/2004, em que foi determinado o pagamento no valor de R$

7.920,00 (sete mil, novecentos e vinte reais).

A impetrante alega, em síntese, pleiteando a concessão de liminar, que os pacientes conseguiram somente efetuar o pagamento parcial do montante, ou seja, de R$ 3.601,16 (três mil, seiscentos e um reais e dezesseis

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centavos), porque, além de não possuírem condições, os menores teriam pai com condições plenas de cumprir com suas responsabilidades, o que não legitimaria sua obrigação complementar; que o genitor das crianças está sendo executado nos Autos nº 2.657/97 e como garantia ofereceu um bem no valor de R$

80.000,00 (oitenta mil reais), que aguarda a designação de hasta pública.

Suscitam, ainda, que haveria obrigação igualitária dos avós maternos na prestação alimentícia e que, sendo idosos, com percepção mensal da quantia de R$ 1.177,53 (mil, cento e setenta e sete reais e cinqüenta e três centavos) de aposentadoria para o casal, não teriam condições de arcar com a imposição judicial.

O pedido de liminar foi concedido pelo Juiz Convocado, Dr. Rubens de Oliveira Fontoura (fls. 123/124).

A MM. Juíza de Direito prestou as informações requisitadas (fls. 132-TJ).

Foram os autos à D. Procuradoria Geral de Justiça, que se manifestou no sentido de ser conhecida e denegada a Ordem (fls. 138/143).

É o relatório.

Trata-se de Habeas Corpus Preventivo, com pedido de liminar, impetrado pela Advogada Gedalva Padilha, em favor de Osmar Ferdinando Carelli e Almeri Carelli, contra quem se expediu mandado de prisão por conta da inadimplência ocorrida nos autos de Ação de Execução de Alimentos nº 3.766/2004, em que foi determinado o pagamento no valor de R$

7.920,00 (sete mil, novecentos e vinte reais).

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No presente caso, os pacientes são réus na Ação de Alimentos nº 3.103/2003. Foi arbitrado, a título de alimentos provisórios, a quantia de 3 (três) salários mínimos, a partir de 29/03/2004, data em que eles foram citados. Após, o juízo monocrático determinou a citação para pagamento, sendo observado o rito do art. 733 do CPC, no tocante às parcelas de outubro a dezembro de 2004 e àquelas que vencerem no curso da ação. A citação se efetivou em 08/08/2005, tendo em vista que foi feita por Carta Precatória para a Comarca de Monte Castelo/SC.

Não obstante as alegações apresentadas, a ordem merece ser denegada.

Inicialmente, convém ressaltar que o Habeas Corpus constitui remédio constitucional que tem por finalidade discutir a legalidade da prisão. A Constituição Federal, no inciso LXII do art. 5º, autoriza a prisão civil nos casos de inadimplemento voluntário e inescusável da pensão alimentícia.

Portanto, para a concessão da ordem de liberdade, deve ficar demonstrada a inexistência de inadimplemento voluntário e inescusável para caracterizar a ilegalidade da prisão. Não há qualquer ilegalidade na ordem de prisão proferida pela MM. Juíza de Direito e, portanto, entendo que a ordem deve ser denegada.

Ademais, a justificativa apresentada, pela qual os pacientes tentam legitimar o não-pagamento dos valores referentes à pensão alimentícia (fls. 71 a 83), não foi examinada pela MM. Juíza monocrática, uma vez que, segundo suas informações (fls. 133), ela aguarda a decisão final do presente Habeas Corpus.

Com relação ao argumento de que o pagamento parcial do montante devido da pensão teria o condão de exonerá-los da obrigação, tal

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alegação não merece prosperar. É pacífica a posição do E. Superior Tribunal de Justiça de que o devedor de alimentos, para se isentar do decreto prisional cível, deve efetuar o pagamento das 3 parcelas em atraso, ou seja, das prestações vencidas à data do ajuizamento da ação, e também das que vencem no curso do processo até o efetivo pagamento, o que não ocorreu no presente caso.

Neste sentido vem decidindo o E. STJ:

“HABEAS CORPUS – PRISÃO CIVIL – PRESTAÇÃO ALIMENTÍCIA – EXECUÇÃO – Parcelas vincendas.

Pelo rito do artigo 733 do Código de Processo Civil, o devedor de alimentos deve pagar, sob pena de prisão civil, além das três últimas prestações anteriores à propositura da ação, as vencidas no curso do processo até o efetivo pagamento. Ordem denegada.”

(STJ – HC 22570 – RS – 3ª T. – Rel. Min. Castro Filho – DJU 15.09.2003 – p. 00310) (Destaquei.)

As justificativas expostas para escusar sua inadimplência, as alegações de que o pai possui condições de arcar com os alimentos e o argumento de que os avós maternos têm responsabilidade solidária no pagamento da pensão alimentícia não podem ser analisadas em sede de Habeas Corpus, em razão da estreita dilação probatória peculiar a esta ação, e por dizerem respeito à matéria de mérito, devendo ser avaliadas no momento oportuno, em primeiro grau de jurisdição. Além disso, as justificativas apresentadas no juízo singular não foram analisadas pela Magistrada

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monocrática. Assim, se houvesse qualquer manifestação a respeito do tema, estaria configurada supressão de instância.

É oportuno salientar que os pacientes foram intimados, em 29/03/2004, da decisão que arbitrou os alimentos provisionais em três salários mínimos e nada fizeram para comprovar, por meio de ação apropriada, que não possuem condição de pagar o mencionado valor, permanecendo inertes até que fosse expedido o mandado de prisão contra eles.

Ex positis, denego a ordem impetrada no presente Habeas Corpus, revogando a liminar anteriormente concedida.

ACORDAM os integrantes da Décima Primeira Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Paraná, por unanimidade de votos, em denegar a ordem impetrada.

O Julgamento foi presidido pelo Desembargador ACCÁCIO CAMBI, com voto, e dele participou o Juiz Conv. Dr.

ROBERTO DE VICENTE.

Curitiba, 30 de novembro de 2005.

DES. ERACLÉS MESSIAS Relator

EG

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