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PROPOSTA DE DESIGN PARA O ESPAÇO HABITACIONAL. A UTILIZAÇÃO DOS “NÃO LUGARES”.

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Academic year: 2021

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PROPOSTA DE DESIGN PARA O ESPAÇO HABITACIONAL.

A UTILIZAÇÃO DOS “NÃO LUGARES”.

António Oliveira Barroso

Orientadora

Doutora Maria João Lopes Guerreiro Félix

Coorientador

Doutor Manuel Gilberto Freitas dos Santos

Trabalho de Projeto apresentado ao Instituto Politécnico do Cávado e do Ave para obtenção do Grau de Mestre em Design e Desenvolvimento do Produto:

Maio, 2018

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PROPOSTA DE DESIGN PARA O ESPAÇO HABITACIONAL.

A UTILIZAÇÃO DOS “NÃO LUGARES”.

António Oliveira Barroso

Orientadora

Doutora Maria João Lopes Guerreiro Félix

Coorientador

Doutor Manuel Gilberto Freitas dos Santos

Trabalho de Projeto apresentado ao Instituto Politécnico do Cávado e do Ave para obtenção do Grau de Mestre em Design e Desenvolvimento do Produto:

Maio, 2018

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DECLARAÇÃO

Nome: António Oliveira Barroso

Endereço eletrónico: ao.barroso@hotmail.com Tel./Telem.: 935 185 554

Número do Bilhete de Identidade: 11371442

Título da dissertação /trabalho: “Proposta de design para o espaço habitacional”.

Subtítulo da dissertação/ trabalho: A utilização dos “não lugares”.

Orientadora: Prof.ª Doutora Maria João Lopes Guerreiro Félix Coorientador: Prof. Doutor Manuel Gilberto Freitas dos Santos Ano de conclusão: 2017

Designação do Curso de Mestrado: Mestrado em Design e Desenvolvimento de Produto

É AUTORIZADA A REPRODUÇÃO INTEGRAL DESTA DISSERTAÇÃO/TRABALHO APENAS PARA EFEITOS DE INVESTIGAÇÃO, MEDIANTE DECLARAÇÃO ESCRITA DO INTERESSADO, QUE A TAL SE COMPROMETE;

Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, ___/___/______

Assinatura: ________________________________________________

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RESUMO

Na atualidade assiste-se a uma crescente preocupação com a sustentabilidade do planeta, principalmente com a conservação da diversidade biológica (biodiversidade), o uso sustentável dos seus componentes e a partilha justa e igual dos benefícios que surgem dos recursos genéticos.

A biodiversidade deverá ser valorizada e usada de forma a manter os ecossistemas, sustentando um planeta saudável e fornecendo os benefícios essenciais para todas as pessoas.

Neste sentido, e como forma de contribuir para o favorecimento de um estilo de vida mais biológico, nomeadamente no que diz respeito à alimentação, será estudada a criação de uma horta vertical, urbana, que deverá ser enquadrada em complexos habitacionais urbanos e que deverá ter características dinâmicas, no sentido de se reajustar às diversas tipologias de habitação, através do design do produto e que venha a possibilitar a prática de uma alimentação saudável.

Esta proposta de trabalho, tem como conceito inicial o estudo dos lugares não aproveitados de uma habitação contemporânea, que podem ser as passagens para os carros, as varandas, as paredes, os terraços, entre outros.

Sendo que para Marc Augé, os lugares não identitários, transitórios que não possuem sentido suficiente para serem designados de lugar, são apontados de “não lugares”, vamos propor uma aproximação ao tema, tentando enquadrar toda a linguagem de projeto neste princípio.

O projeto será dividido em cinco grandes temáticas principais, a biodiversidade e sustentabilidade do planeta, os “não lugares”, a habitação contemporânea, as hortas urbanas e verticais e a alimentação biológica. Todo este estudo culminará no desenvolvimento de uma proposta de design, para um produto a utilizar nos lugares não aproveitados das habitações, como forma de promover uma alimentação biológica, que contribuirá para um melhor estilo de vida.

Palavras chaves: Biodiversidade, Não lugares, Habitação, Sustentabilidade, Hortas Urbanas, Design do Produto.

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ABSTRACT

At present, there is a growing concern about the sustainability of the planet, especially with the conservation of biological diversity (biodiversity), the sustainable use of its components and the fair and equal sharing of benefits arising from genetic resources.

Biodiversity should be valued and used in a way that maintains ecosystems, sustains a healthy planet and provides the essential benefits to all people.

In this sense, and as a way of contributing to the promotion of a more biological lifestyle, especially with regard to food, will be studied the creation of a vertical garden, urban, which should be framed in urban housing complexes and should have dynamic characteristics, in the sense of adjusting to the different types of housing, through the design of the product and that allows the practice of a healthy diet.

This work proposal has as its initial concept the study of the unused places of a contemporary dwelling, which can be the passages for cars, balconies, walls, terraces, among others.

As for Marc Augé, non-identity, transitory places that do not have enough meaning to be designated as places, are pointed out as "non-places", we propose an approach to the theme, attempting to frame the whole design language in this principle.

The project will be divided into five major themes, biodiversity and sustainability of the planet,

"non-places", contemporary housing, urban and vertical gardens and organic food. All this study will culminate in the development of a design proposal for a product to be used in the unused places of the dwellings as a way of promoting organic food, which will contribute to a better lifestyle.

Key words: Biodiversity, Non-places, Housing, Sustainability, Urban gardens, Product Design.

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DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho em primeiro lugar a Deus, pela bênção que me deu e por ser essencial na minha vida, que me ajuda a traçar meu destino e se torna presente nas horas difíceis da minha vida, ao meu pai Avelino, minha mãe Ana, minha esposa Carla, minhas irmãs, meus irmãos Joaquim e José Luís que já partiram para junto do Pai e meu filho Miguel. Que com muito apoio e carinho, não mediram esforços para que eu tivesse alcançado mais esta etapa da minha vida.

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AGRADECIMENTOS

A realização deste trabalho só foi possível devido a dois fatores importantes, o empenho pessoal e a generosidade e abertura de um conjunto de pessoas que se mostraram sempre disponíveis para colaborar.

O meu primeiro agradecimento vai para a minha orientadora Doutora Maria João Félix e para o meu coorientador Doutor Gilberto dos Santos, que com entusiasmo e dedicação, trabalharam comigo de forma a que fosse possível alcançar o objetivo traçado. Sem os seus conhecimentos e experiências de vida jamais seria possível desenvolver este projeto. Este tema de interesse global, tornou-se obsecante no desenrolar da investigação, que cada passo alcançado era um motivo maior para continuar.

Aos responsáveis pelas hortas, em especial às Engenheiras Marisa Mareira, Isabel Cabral, Natália Costa responsáveis pelas hortas de Vila Nova de Famalicão, Lipor e de Braga respetivamente, agradeço a oportunidade que me deram e pela forma como me receberam, mas também pelo seu contributo e alertas para este tema.

Agradeço à minha família pelo apoio dado e pelo orgulho que demonstraram em todo este meu percurso acreditando e dando palavras de apoio e encorajamento incondicional, em especial à minha esposa pela cumplicidade neste projeto e a forma como dedicou o seu tempo todo em tarefas para que eu não me preocupasse com mais nada.

Agradeço ao meu grande amigo David, pelo tempo que dedicou à leitura e revisão ortográfica, manifestando sempre um espírito de colaboração para que fosse possível concluir a tese.

Agradeço ao júri Professor Doutor Luís Mota, por ter aceite avaliar a tese, bem como pelas sugestões dadas.

De uma forma geral queria agradecer a todos envolvidos no desenvolvimento desta Dissertação de Mestrado, pelos seus contributos e colaborações. Sem estas preciosas participações não seria possível desenvolver um produto final como o que aqui se apresenta. A todos que se dispuseram a trocar uma ideia, colegas, professores, amigos e pessoas que praticam uma agricultura urbana o meu obrigado por colaborarem da forma construtiva como viram o meu projeto.

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ÍNDICE

RESUMO ... v

ABSTRACT ... vii

DEDICATÓRIA ... ix

AGRADECIMENTOS ... x

ÍNDICE ... xi

ÍNDICE DE FIGURAS ... xiii

CAPÍTULO 1_INTRODUÇÃO AO TEMA ... 1

1.1 ENQUADRAMENTO TEMÁTICO ... 1

1.2 MOTIVAÇÃO ... 8

1.3 CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA ... 9

1.4 PERGUNTAS DE INVESTIGAÇÃO ... 10

1.5 HIPÓTESE ... 10

1.6 OBJETIVOS PRINCIPAIS ... 11

1.6.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS ... 11

1.7 METODOLOGIA DE TRABALHO ... 12

1.8 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO ... 16

CAPÍTULO 2_A BIODIVERSIDADE NAS NOVAS FORMAS DE HABITAR. ... 19

2.1. AS PRINCIPAIS AMEAÇAS E PROPOSTAS DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE ... 19

2.2. A IMPORTÂNCIA DAS HORTAS URBANAS PARA A PROMOÇÃO DA BIODIVERSIDADE LOCAL ... 21

2.3. A RELAÇÃO DE ESPAÇO E LUGARES A HABITAR ... 23

2.4. A ORGANIZAÇÃO, CARACTERIZAÇÃO E A DIVERSIDADE DE UM ESPAÇO DOMÉSTICO ... 24

2.5.CONCEITOS DE ESPAÇO E LUGAR ... 25

2.6.AS NOÇÕES DE LUGAR ANTROPOLÓGICO E NÃO LUGAR DE MARC AUGÉ ... 26

2.7.AS NOVAS FORMAS DE HABITAR. CARACTERÍSTICAS URBANAS E ARQUITETÓNICAS ... 27

2.8.O MODELO DE CIDADE PELO URBANISTA EBENEZER HOWARD: A CIDADE, O CAMPO E AS PESSOAS. ... 31

2.9.O ESPAÇO EXTERIOR, COMO ELEMENTO DE TRANSIÇÃO ENTRE ZONAS E ESTÍMULO DE COMPORTAMENTO SOCIAL E INDIVIDUAL. ... 32

CAPÍTULO 3_A IMPORTÂNCIA DAS HORTAS PARA A AGRICULTURA BIOLÓGICA NUM CONTEXTO URBANO ... 35

3.1 AS HORTAS URBANAS NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DE UM MUNDO GLOBAL ... 35

3.2 O PAPEL DAS HORTAS URBANAS NA PRODUÇÃO DE PRODUTOS BIOLÓGICOS ... 39

3.2.1 TIPOS DE HORTAS URBANAS ... 40

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CAPÍTULO 4_A IMPORTÂNCIA DO DESIGN DE PRODUTO PARA O ESTIMULO DE

HÁBITOS DE VIDA SAUDÁVEIS... 47

4.1. O DESIGN COMO FERRAMENTA PARA A PROMOÇÃO DA BIODIVERSIDADE ... 47

4.2 O DESIGN COMO SOLUÇÃO PARA O DESENVLVIMENTO DE PRODUTOS SUSTENTÁVEIS, QUE PROMOVEM A BIODIVERSIDADE ... 51

4.2.1 CAMPANHAS PARA A SENSIBILIZAÇÃO DA PERDA DA BIODIVERSIDADE ... 60

CAPÍTULO 5_DESENVOLVIMENTO PROJETUAL ... 65

5.1 AMBITO DO PROBLEMA ... 65

5.2 MERCADO, TECNOLOGIA E MATERIAIS APLICADOS NO PRODUTO ... 67

5.2.1 CONHECER O MERCADO... 67

5.2.1.1 CONSUMIDORES E SUA MOTIVAÇÃO ... 69

5.2.1.2 FORNECEDORES ... 73

5.2.1.3 CONCORRÊNCIA ... 74

5.2.1.4 DEFINIÇÃO DA ESTRATÉGIA ... 76

5.2.1.5 DETERMINAÇÃO DAS OPORTUNIDADES DE MELHORIA ... 77

5.3. AS TECNOLOGIAS ASSOCIADAS ÀS HORTAS URBANAS ... 78

5.3.1. OS SISTEMAS DE REGA ... 78

5.3.2.SISTEMA DE MONITORIZAÇÃO DE HUMIDADE, TEMPERATURA, LUMINOSIDADE E MATÉRIA ORGÂNICA ... 81

5.4.ESPECIFICA O PROBLEMA, DEFINE CONCEITOS, REQUERIMENTOS E METAS ... 83

5.5 BRAINSTORMING ... 84

5.6.EXPLORAÇÃO DO CONCEITO MAIS PROMISSOR E PRIMEIROS MODELOS ... 91

5.7.PESQUISA, TECNOLOGIA, DIMENSIONAMENTO, SELEÇÃO DOS MATERIAIS ASSOCIADOS AO PRODUTO ... 93

5.8.MODELOS FINAIS ... 96

5.9.MAQUETES À ESCALA ... 98

5.10.DESENHOS TÉCNICOS ... 98

5.11 RENDERS DO CONCEITO FINAL ... 100

5.12 SIMULAÇÃO COMPUTACIONAL DE ALGUMAS PEÇAS ... 103

CAPÍTULO 6_CONCLUSÃO FINAL ... 107

CAPÍTULO 7_ BIBLIOGRAFIA ... 109

ANEXOS ... 117

ANEXO_1 QUESTIONÁRIO SOBRE AS HORTAS URBANAS. ... 117

ANEXO_2 RESULTDOS DO QUESTIONÁRIO. ... 121

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ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 1 Exemplos de hortas urbanas e a diversidade de produtos hortícolas. ... 3

Figura 2 Tipos de hortas verticais. ... 4

Figura 3 A casa sustentável de Rafael. ... 5

Figura 4 Imagem do Urban Villas. ... 6

Figura 5 Cozinha do futuro de Werner Aisslinger. ... 7

Figura 6 " Cantinhos" verdes numa habitação. ... 7

Figura 7 O design verde. ... 8

Figura 8 Método de Design proposto por Inês Secca Ruivo. ... 13

Figura 9 Metodologia empregue neste trabalho. ... 15

Figura 10 Variedade de alimentos cultivados nas hortas. ... 22

Figura 11 Modelo tipo da disposição dos espaços numa habitação. ... 29

Figura 12 Modelo das cozinhas modernas da Archdaily. ... 30

Figura 13 Casa projetada pelo Arquiteto Takeshi Hosaka, foto de Yasunori Shimomura. ... 33

Figura 14 Horta das devesas Vila Nova de Famalicão. ... 36

Figura 15 Tipos de mini hortas em habitações. ... 41

Figura 16 Modelo da horta vertical da empresa LC. ... 42

Figura 17 Tipos de hortas suspensas. ... 43

Figura 18 Hortas hidropónicas Cultura Mix. ... 43

Figura 19 Tipos de estufas Planfor. ... 44

Figura 20 Semelhanças entre o comboio e o bico. ... 48

Figura 21 Inspiração para o sistema de refrigeração do centro comercial o ninho de térmitas. 49 Figura 22 A high Line. ... 49

Figura 23 Assentos em forma de corais marinhos. ... 50

Figura 24 Exemplo de aplicativos. ... 51

Figura 25 A sala feita de lixo. ... 52

Figura 26 Breves conceitos do Design para a Sustentabilidade. ... 53

Figura 27 Banheiro criado por Aisslinger. ... 54

Figura 28 Imagem do interior da carruagem. ... 55

Figura 29 Produtos elaborados pela Plantit. ... 56

Figura 30 A kokon e a zozio. ... 56

Figura 31 Hortas verticais. ... 57

Figura 32 Hortas verticais em habitações. ... 58

Figura 33 Hortas verticais. ... 59

Figura 34 Arquitetura verde e ecodesign. ... 60

Figura 35 Campanha sobre o dia Mundial da Biodiversidade 22 de Maio. ... 61

Figura 36 Cerveja da Costa Rica com apelo à biodiversidade do país. ... 62

Figura 37 Alertas do governo brasileiro para a biodiversidade. ... 62

Figura 38 Alertas do governo do Brasil para a preservação do meio ambiente. ... 63

Figura 39 Análise da concorrência do mercado. ... 68

Figura 40 Identificação do público alvo. ... 70

Figura 41 Desejos dos praticantes. ... 70

Figura 42 Pontos positivos e negativos para a prática de uma agricultura urbana. ... 72

Figura 43 Como escolher o material. ... 73

Figura 44 Produtos da concorrência. ... 76

Figura 45 Roda estratégica para análise da concorrência. ... 77

Figura 46 Cultura de alfaces hidropónicas. ... 79

Figura 47 Sistema de rega gota a gota. ... 80

(14)

Figura 48 Rega gota a gota enterrada. ... 80

Figura 49 Rega por aspersão. ... 81

Figura 50 Aplicação do Flower power. ... 83

Figura 51 Conceitos gerados para uma horta. ... 85

Figura 52 Primeira ideia. ... 86

Figura 53 Parede ondulada. ... 87

Figura 54 Conjunto formado. ... 87

Figura 55 Horta com espaços desnivelados. ... 88

Figura 56 Horte desnivelada com sistema de rega incorporado. ... 88

Figura 57 Primeira horta dinâmica. ... 89

Figura 58 Horta dinâmica com aproveitamento dos recursos. ... 90

Figura 59 Horta embutida. ... 91

Figura 60 Modelos mais promissores para a apropriação do espaço. ... 92

Figura 61 Suporte móvel das jardineiras. ... 94

Figura 62 Representação gráfica dos esforços. ... 94

Figura 63 Efeitos na barra, obtidos no Solidworks... 94

Figura 64 Como o material tem influência na área transversal das peças. ... 95

Figura 65 Horta dinâmica. ... 97

Figura 66 Modelo à escala. ... 98

Figura 67 Desenhos técnicos da horta dinâmica medidas em (mm). ... 100

Figura 68 Cartazes do produto... 103

Figura 69 Simulação do suporte da jardineira. ... 104

Figura 70 Simulação da estrutura principal. ... 104

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CAPÍTULO 1_INTRODUÇÃO AO TEMA

5.3. 1.1 ENQUADRAMENTO TEMÁTICO

O presente trabalho tem por propósito dar a conhecer a existência de “não lugares” nas habitações contemporâneas, sendo o foco principal a ter em consideração, os lugares que passam despercebidos e sem utilidade e a relação dos habitantes perante uma nova abordagem, que os permitirá rentabilizar de forma consciente.

Na sequência deste propósito surge o conceito de sustentabilidade do planeta, e a preocupação de uma maior economia dos recursos naturais, sendo nossa intenção particular, a rentabilização de espaços na promoção da prática de hábitos mais saudáveis em contextos urbanos.

Com uma realidade obscurecida quanto ao futuro do planeta, torna-se urgente tomar atitudes que promovam um conjunto de boas práticas. Consciencializar e envolver as pessoas nestes processos será certamente a melhor opção. O caminho é longo e as áreas de intervenção vastíssimas, sendo nossa proposta neste projeto o aproveitamento dos lugares de uma habitação por norma desperdiçados, apresentado uma alternativa saudável e adaptável ao ritmo de vida quotidiano. Neste sentido o foco de estudo deste trabalho, será o design e desenvolvimento de um produto na área das hortas urbanas, com o objetivo de rentabilização de espaço e da promoção de melhores hábitos alimentares.

O desenvolvimento urbano e consequente aumento das edificações e obras públicas, tornando evidente o desgaste dos recursos ambientais, colocando em causa a biodiversidade.

A degradação destes recursos tem despertado preocupações consideráveis a nível da comunidade científica, do sistema político e das associações ambientalistas. Os cientistas alertam para os efeitos nefastos da intervenção humana no planeta, reforçando que as catástrofes naturais são fruto de um conjunto de opções. O planeta reage como um organismo a tudo que fazemos, pois tudo que nos rodeia está habitado por organismos essenciais à vida na terra (Andreoli, 2017).

A biodiversidade já tem sido defendida por vários acordos para a preservação e conservação sobre a diversidade biológica. O primeiro acordo foi assinado no Rio de Janeiro em 1999, por 155 países incluindo Portugal. Estes acordos estão assentes em três objetivos principais, a utilização sustentável dos recursos naturais, a conservação da biodiversidade biológica e a partilha justa e equitativa dos benefícios dos recursos naturais (Andreoli, 2017).

Assim, cada vez mais os critérios, de planeamento dos recursos naturais, como das habitações, são tidos em conta visando a preservação dos ecossistemas e a diversidade biológica, assegurando assim uma construção sustentável com base na ecoeficiência, promovendo a consciencialização ambiental, social e económica (Florim & Quelhas, 2004).

É uma caraterística do ser humano explorar o mundo, extraindo dele tudo o que precisa para sobreviver. O problema é que muitas das formas mais produtivas, utilizam venenos e fertilizantes

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para obterem maior rendimento, prejudicando a biodiversidade e o planeta de uma forma geral (Sorrentino, Trajber, & Mendonça, 2005)

A educação do ser humano para o ambiente, carece de uma transformação social, de modo a combater as injustiças ambientais, muitas vezes ocorridas por interesses económicos, na apropriação funcionalista e capitalista da natureza. Logo a educação ambiental trata de uma mudança de atitudes, respeitos pelos apelos dados pela comunidade científica, como pelos acordos políticos. Desta forma, o conceito de desenvolvimento sustentável implica o respeito pela natureza, olhando para ela como um recurso de matéria prima destinado ás necessidades do planeta, mas que deve ser explorada de forma racional (Sorrentino et al., 2005).

A educação ambiental foca o seu campo de atuação, para a promoção da racionalidade e sustentabilidade ambiental e para a preservação da biodiversidade, pensando no meio ambiente como uma base de interações entre o meio biológico, sociedade e a cultura (Andreoli, 2017).

Visando esta sustentabilidade e preservação da biodiversidade, parece-nos pertinente fazer um aproveitamento do espaço desperdiçado ao nível habitacional, ou seja, dos chamados lugares transitórios ou “não lugares”1 de Marc Augé2.

O tema “não lugares”, tem sido abordado por vários autores que se dedicaram a compreender o significado atribuído a esses mesmos lugares, e que estão a proliferar por todo o lado devido a fenómenos como a globalização, numa sociedade dita cada vez mais moderna, mas com um individualismo crescente.

Para Marc Augé, “não lugares” são espaços transitórios, não históricos, não relacionais, não identificáveis das pessoas para com o espaço, ou seja, são locais de passagem para algumas pessoas e de trabalho para outras, tais como supermercados, autoestradas, campos de refugiados, aeroportos, etc. O autor tenta perceber o que estes locais têm de comum, para compreender a sua proliferação num mundo dominado pela virtualidade (AUGÉ, 2016).

Partindo deste conceito de 1992, o tema tem sido alvo de vários estudos, sendo que podemos destacar um que se aproxima do nosso objetivo para o presente projeto, a dissertação “Não- Lugares: Condomínios horizontais fechados em Goiânia entre (1990-2006)”, de Roberto Campos,3 que mostra a falta de identidade de uma sociedade para com esta forma de habitar, só acessível para um grupo restrito (Campos, 2007). Relativamente à sustentabilidade Teresa Sá4 (Sá, 2014), faz um paralelismo dos vários locais e espaços desperdiçado de uma habitação, visando a sustentabilidade do planeta e a produção biológica.

Quanto ao conceito da casa sustentável, serão ainda analisados os trabalhos realizados pelos arquitetos Rafael Loschiavo5 e Lischer Partner6 com o projeto Urban Vilas Suíça e com o trabalho

1 Conceito utilizado pelo autor em 1992, na obra Non-Lieux. Introduction à une anthropologie de la surmodernité, publicado pela Editions du Seuil.

2 Marc Augé é um etnólogo e antropólogo francês, que conclui seu doutoramento em Ciências Humanas, em 1974.

3 Roberto Cintra Campos é um arquiteto e urbanista que acabou que acabou seus estudos em 1980, começado a lecionar em 1981, sendo atualmente diretor do Departamento de Artes e Arquitetura da PUC-Goiás.

4 Teresa Maria Vieira de Sá Marques é uma Docente na Faculdade de Letras da Universidade do Porto que pertence ao centro de Estudos de Geografia e Ordenamento do Território - Porto

5 Rafael Loschiavo é um arquiteto brasileiro, que se preocupa com a sustentabilidade do planeta e escreve diariamente para o Portal Ecoeficiente.

6 Lischer Partner é um arquiteto Suíço que inclui nos seus projetos conceitos que respeitem a natureza e seu enquadramento

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de Werner Aisslinger7, a cozinha do futuro, que permite o aproveitamento dos recursos naturais bem como dos espaços a habitar.

A redução dos recursos naturais disponíveis e a incontornável necessidade de desenvolver novas formas e modelos de produção, faz com que as hortas urbanas tenham cada vez mais importância e sejam alvo de estudo, visando principalmente questões como a sustentabilidade, a preservação dos recursos naturais, a manutenção de espaços verdes dentro dos espaços urbanos e a obtenção de produtos biológicos (Pinto, 2007).

Neste sentido, será abordado no presente trabalho a questão da importância e contextualização no paradigma urbano, de uma alimentação biológica e saudável, baseado nos trabalhos feitos por Rute Pinto8, empresa Lipor9 e Marisa Moreira10.

A alimentação biológica a nível global tem ganho muitos apoiantes mas, na realidade, não é acessível a todos devido às desigualdades sociais (Gregório, 2015). As hortas urbanas ganham um papel importante no combate às desigualdades e acesso aos produtos biológicos e aproveitamento de espaços.

Estes espaços permitem a produção de uma grande variedade de produtos vegetais essenciais para uma alimentação equilibrada como podemos observar na Figura 1.

Figura 1 Exemplos de hortas urbanas e a diversidade de produtos hortícolas.

Fonte: Hortas à Medida (Horta à Medida, 2016).

Ao nível da habitação também podem existir este tipo de zonas verdes, que por norma ocupam espaços abertos, e verticais, tais como, paredes e áreas livres dentro do mesmo género das hortas urbanas, como podemos verificar na Figura 2.

7 Werner Aisslinger é um designer de mobiliário alemão, estudou Design na Universidade de Artes de Berlim. Entre 1994- 1997 foi professor na Universidade de Artes de Berlim e no Instituto de Design de Lahti, na Finlândia . De 1998 a 2005, ensinou na Karlsruhe University of Arts and Design.

8 Rute Pinto investigadora na Universidade do Minho

9 Lipor Empresa de Gestão, tratamento e valorização de resíduos orgânicos, na região do grande Porto. Com uma política virada para a sustentabilidade do planeta e biodiversidade.

10Marisa Moreira é uma Engenheira com o grau de mestre em Agricultura Biológica, responsável pelas hortas urbanas de Vila Nova de Famalicão. Ela realizou um levantamento e estudo das hortas urbanas a nível nacional e qual o seu impacto na sociedade.

.

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Figura 2 Tipos de hortas verticais.

Fonte: http://revistacasaeconstrucao.uol.com.br

As hortas verticais são implementadas em alternativa à falta de espaço ou para embelezar as paredes. Cada vez mais, paisagistas, arquitetos e designers apostam no recurso a este tipo de ideias para integrar partes verdes numa habitação.

Um exemplo de sucesso é o projeto do arquiteto Rafael Loschiavo, com o conceito da casa sustentável. O projeto de arquitetura numa residência localizada no Jardim Europa, bairro nobre de São Paulo, Figura 3, foi pensado para integrar soluções eco eficientes e um design de alto padrão, que permitisse no futuro economizar no consumo de água, energia e necessidades alimentares. De salientar que este arquiteto é responsável por implementar este tipo de conceito na construção tendo em conta a sustentabilidade e respeito pelo meio ambiente, bem como o aproveitamento dos recursos naturais (“Rafael,” 2014).

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Figura 3 A casa sustentável de Rafael.

Fonte https://rafaelloschiavo.com/

No seu projeto, o arquiteto apura os princípios eco eficientes com a estética dos espaços para criar ambientes com muito conforto e estilo aproveitando o material existente na região. Segundo Rafael Loshiavo (“Rafael,” 2014), todos os materiais devem ser utilizados respeitando a disponibilidade na região e utilizando-os em funções correspondentes às suas características técnicas.

A utilização do telhado da habitação para a criação de uma horta familiar em jardineiras, com profundidade suficiente para o cultivo da maioria das espécies, com um sistema de rega automatizada, aumentou o espaço da habitação em 38 m2(“Rafael,” 2014).

Outra referência é o Mitterrand Paris, projeto de Jean Nouvel (“A ARQUITETURA DE JEAN NOUVEL - ANUAL DESIGN,” 2016), é um edifício que combina paredes de vidro com cubos com cor brilhante e externos, uma parede verde cheia de vegetação espessa, sugestivos de uma floresta ou uma selva. Já Herzog e Meuron (Rodrigues, 2009), criam a caixa fórum em Madrid, que foi inserida num projeto de remodelação de grande importância para Madrid.

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Lischer Partner, criou o Urban Villas, na Suíça (“Villas Urbanas / Lischer Partner Architekten Planer | ArchDaily Brasil,” 2012), num local privilegiado para o Lago Lucerne, com um design moderno, localizado num plano inclinado, com um enquadramento arquitetónico com a vizinhança e a paisagem. Este projeto não se restringe à fachada, já que os interiores utilizam acabamentos e materiais que se destacam, como pisos vinílicos, banheiras ou a madeira do mobiliário, destacados pelo aproveitamento da luz natural através de perfis de vidro e claraboias, bem como a criação de espaços exteriores para hortas urbanas como se pode ver na Figura 4.

Figura 4 Imagem do Urban Villas.

Fonte: (“Villas Urbanas / Lischer Partner Architekten Planer | ArchDaily Brasil,” 2012).

Com um design inovador e associação de alguma tecnologia, a construção de hortas verticais nas áreas urbanas, quer a nível interno como externo, tem vindo a aumentar. Este tipo de hortas também pode servir como divisória de espaços, onde podem ser cultivadas ervas aromáticas, temperos e condimentos, produtos hortícolas, plantas exóticas, bromélias e outro tipo de plantas.

Exemplo disso é Werner Aisslinger com a cozinha do futuro, para este designer a liberdade pode ser a garantia para as suas visões de sonho. Esta cozinha do futuro Figura 5, é um lugar de produção de alimentos e consumo, uma espécie de horta cozinha, com um balcão e prateleiras verticais para a produção de alimentos, que formam as divisões e que estão a ser testadas em Paris e Berlim (Werner Aisslinger, 2017).

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Figura 5 Cozinha do futuro de Werner Aisslinger.

Fonte (Werner Aisslinger, 2017).

Benefícios não faltam, qualquer cantinho de uma habitação pode receber um toque verde, seja uma varanda, paredes, ou até mesmo as prateleiras ou estantes da sala. São lugares práticos para inserir zonas verdes em casa, como mostra a Figura 6. Terum cantinho verde em casa é importante para embelezar a casa, reciclar o ar que circula no interior da habitação, bem como, economizar se se optar por plantas que tenham como finalidade a alimentação (“Dicas para ter um cantinho verde em casa - Hometeka, 2016”).

Figura 6 " Cantinhos" verdes numa habitação.

Fonte Hometeka 2016.

O design de produtos na sua missão de promoção e desenvolvimento de produtos e serviços que satisfaz as necessidades humanas, no desenvolvimento sustentável, na inovação e o bem estar das populações são a nossa motivação, inspiração como mostra a Figura 7 e base para o desenvolvimento do presente projeto (“edificios ecológicos,” 2016).

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Figura 7 O design verde.

Fonte Ecologia verde (“edificios ecológicos,” 2016)

As preocupações sustentáveis no desenvolvimento de novos produtos, derivam de conceitos provenientes do conhecimento humano e de várias disciplinas, desta forma será importante neste trabalho, sistematizar o conceito de design para a sustentabilidade, evidenciando a questão da interdisciplinaridade entre as várias áreas do conhecimento.

“O desenvolvimento da humanidade e o desenvolvimento dos objectos constituem uma ligação que não se pode entender separadamente. Além das funções operativas dos objectos, as sociedades atribuíram-lhe valores e funções que permitem hierarquizar o indivíduo que os possui, numa escala de poder. (...) Dentro desta escala de valores, por vezes, estabelecem-se, pelos mais diversos motivos, laços de afectividade com esses mesmos objectos, os quais nos devem conduzir, sempre que possível, à sua preservação ou reaproveitamento, devendo procurar-se que o produto seja sustentável o maior tempo possível.”

(Félix, 2006), p 56.

5.4. 1.2 MOTIVAÇÃO

A falta de espaço para hortas urbanas junto das habitações, o preço a pagar pelo metro quadrado em zonas de construção, a agricultura biológica que está atualmente na vanguarda, a sustentabilidade do planeta e preservação dos recursos naturais e a dificuldade da população em aceder a uma alimentação equilibrada e biológica, foram as principais motivações para a seleção deste tema.

Parte da inspiração surge também de nomes do design como Werner Aisslinger que avança com propostas de produtos de design para combater as lacunas apresentadas e arquitetos como Lischer Partner ou Rafael Loschiavo, que desenvolvem projetos visando a sustentabilidade do planeta e economia de recursos no seu uso futuro.

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Sendo a área de formação base do autor em Engenharia Mecânica, e tendo desde sempre o gosto pela terra, surge o presente tema, em conformidade com as preocupações associadas à sustentabilidade do planeta.

Devido a grande parte das populações viverem em zonas urbanas e não terem acesso fácil a uma alimentação natural e biológica e à falta de oferta e de espaço para implementar hortas urbanas (Gregório, 2015), torna-se fundamental reinventar locais que aumentem essas possibilidades. Um exemplo desses locais pode ser visto no trabalho do designer Werner Aisslinger, que nos transmite uma ideia de liberdade da criação de espaços retirando paredes e divisórias para a otimização e apropriação de espaços tradicionalmente não utilizados.

Sendo que o autor do presente projeto se identifica com esta liberdade, teve a motivação intrínseca para desenvolver um produto, de design, para promoção da sustentabilidade do planeta, respeito pelos recursos naturais e aproveitamento dos espaços desperdiçados, com o objetivo de apresentar uma alternativa saudável num produto na área das hortas urbanas que fomente também a prática de bons hábitos alimentares.

5.5. 1.3 CONTEXTUALIZAÇÃO DO PROBLEMA

Devido às preocupações com o futuro do planeta, referidas anteriormente, surge a temática para o presente projeto de investigação.

No plano esboçado, a principal ação é dar a conhecer a existência de espaços transitórios ao nível das habitações, que passam por norma despercebidos, e nos quais podemos encontrar soluções de rentabilização, atribuindo-lhe um significado sustentável na produção de produtos biológicos.

O tema que se apresenta, incide na necessidade de desenvolver um produto, com várias características, que possibilite a apropriação de espaços no contexto de uma habitação para a promoção da biodiversidade. Como tal, foi importante em primeiro lugar entender as necessidades que sentem os utilizadores de hortas urbanas, bem como estudar as tendências arquitetónicas, e identificar quais os espaços transitórios de uma habitação.

Desta forma obtém-se uma interação fundamental para a investigação, a relação entre os “não lugares” (apropriação), homem (utilizador), espaço habitar (local), design sustentável na produção de produtos biológicos (produto).

Em correspondência com este propósito surge o conceito de sustentabilidade do planeta, que é uma das temáticas dominantes da atualidade, e tem assumido um papel de destaque no campo da investigação e projeto de novos conceitos de consumo.

Uma horta vertical urbana dinâmica, mais que o conceito de produção, deverá enquadrar-se no meio em que se insere, proporcionando ao utilizador uma maior economia, comodidade emocional e autoestima.

O papel ético e didático deste projeto, incidirá no desenvolvimento de soluções que promovam a prática de bons hábitos alimentares, na preservação do planeta, na apropriação de espaços

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transitórios ao nível de uma habitação, procurando alternativas viáveis economicamente, responsáveis e amigas do ambiente.

Sendo segundo José Bártolo o Designer um agente ativo de construção cultural, que influencia uma realidade pública com as suas escolhas, tendo a sua comunicação uma dimensão pública, que influenciam opiniões e comportamentos. O papel social do designer subentendido à sua atividade, tem a função de alertar as pessoas, a sociedade, para o problema, e também estimular e promover a sua solução (José Bártolo, 2006).

Com os propósitos enunciados anteriormente, e usando a liberdade proposta por Werner Aisslinger, no design de espaços presentes nas habitações, de acordo com a sociedade em que vivemos, cabe aos designers desenvolver soluções, que possam atribuir significado e valor aos lugares desperdiçados.

O conjunto de boas práticas alimentares e físicas, proporcionam uma boa saúde, melhoria da autoestima, diminui os sintomas da depressão e da ansiedade, reduz o risco de doenças cardíacas e fortalece o organismo, aumentando sensivelmente a qualidade de vida. O nosso corpo reage sempre de acordo com os tratamentos que recebe (Jan Garavaglia, 2010).

Assim sendo, o projeto de mestrado propõe o aproveitamento dos espaços transitórios de uma habitação, promovendo a criação de um produto no âmbito das hortas verticais urbanas e dinâmicas, que promovam a prática de bons hábitos.

5.6. 1.4 PERGUNTAS DE INVESTIGAÇÃO

Para o presente projeto de mestrado em design e desenvolvimento do produto foi necessário formular questões que procedem da informação estudada na parte introdutória deste trabalho.

Assim optou-se por ao longo deste trabalho, procurar responder às seguintes questões:

• Será possível, dentro das rotinas familiares, contribuir para uma maior sustentabilidade e proteção do planeta, garantindo o uso racional dos recursos naturais?

• Como se poderá promover a prática de bons hábitos alimentares e o aumento da oferta de produtos biológicos à população urbana?

• Será possível aproveitar os espaços desperdiçados numa habitação, através do design de dispositivos para a prática e cultivo de hortas biológicas?

• Será que a tecnologia aplicada vai criar no utilizador um incentivo para o cultivo de produtos biológicos?

5.7. 1.5 HIPÓTESE

Relativamente às questões apontadas anteriormente, pretende-se que os utilizadores do produto tenham uma excelente interação e o utilizem percebendo a mensagem subliminar que pretende passar. Objetiva-se ainda, estudar perceber se com o aproveitamento dos espaços transitórios

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de uma habitação, se conseguirá otimizar a apropriação qualitativa do espaço atribuindo-lhe novos significados. E de que forma se poderá contribuir tanto para o aumento da sustentabilidade do planeta como para a oferta de mais e melhores produtos biológicos.

5.8. 1.6 OBJETIVOS PRINCIPAIS

Este projeto centra o seu objetivo no desenvolvimento de um produto, que se enquadre nos traços arquitetónicos modernos de uma habitação. O apontamento desta intenção revela uma motivação pessoal, a alcançar com este trabalho. Neste fundamento será importante identificar e estudar os “não lugares”, ou seja, os lugares transitórios de uma habitação, que não são habitualmente ocupados (acesso a garagens, paredes, varandas, terraços). Esta identificação permitirá estudar e contribuir para atingir os seguintes objetivos:

a) Design e desenvolvimento de um produto no seguimento das hortas urbanas, verticais, dinâmicas numa habitação;

b) Promover a prática de uma alimentação biológica e o acesso fácil a produtos hortícolas;

c) Estimular atividades que promovam o bem-estar físico e psicológico e a interação com a sociedade;

d) Propor um produto de montagem rápida, manuseamento intuitivo, baixo custo e esteticamente pensado.

5.9. 1.6.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Para atingir os objetivos principais, numa primeira fase, será importante entender o que são os

“não lugares” no âmbito de uma habitação, fazendo uma boa caraterização e identificação destes espaços, para melhor compreender se será possível atribuir um significado diferente e biológico.

Numa segunda fase, o objetivo será elaborar uma contextualização da agricultura biológica, salientando a importância das hortas urbanas para a prática de hábitos saudáveis e sustentabilidade do planeta.

Na terceira fase deste projeto será realizado um estudo das formas de habitar atuais, tentando perceber as caraterísticas arquitetónicas, para a perceção dos “não lugares” nas habitações modernas. Na quarta fase será abordada a questão do design do produto na sustentabilidade e prática de bons hábitos alimentares e físicos. Será estudado o design de um produto, que venha a permitir o enquadramento nas tendências arquitetónicas atuais. Já na quinta fase o objetivo será estudar possíveis tecnologias a associar ao produto, como o tipo de rega, monitorização, com a intenção de desenvolver uma horta que seja o mais inteligente possível.

Por fim na sexta fase, o objetivo será o desenvolvimento de um produto, sendo que para tal, será recolhida informação especifica sobre a conceção de produtos com as caraterísticas que se

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pretendem, como por exemplo materiais e as tecnologias a utilizar. No final deste processo depois de recolhido todo o material será iniciada a fase do brainstorming, para a definição e detalhe do produto a desenvolver.

Será desta forma, que se tentará que este trabalho venha a contribuir para uma maior sustentabilidade e proteção do planeta, para a prática de bons hábitos alimentares, para o aumento da oferta de produtos biológicos, na garantia de um uso racional dos recursos naturais e na promoção e aproveitamento dos espaços desperdiçados numa habitação.

5.10. 1.7 METODOLOGIA DE TRABALHO

A metodologia deste trabalho obedece às cinco ideias referidas, a relembrar a relação entre os

“não lugares” (apropriação), homem (utilizador), espaço habitar (local), design sustentável na produção de produtos biológicos (produto). Com estes propósitos, a investigação, começa por identificar os espaços transitórios ao nível de uma habitação, recolha de fontes primárias, tais como, visitar hortos, questionar pessoas, fazer registos fotográficos, observar locais onde se promova a implementação de hortas urbanas, percebendo que equipamentos se utilizam na questão do aproveitamento do espaço e para a promoção dos recursos sustentáveis. Fará ainda parte desta fase do trabalho, contactar empresas ligadas ao mobiliário e afins, fazendo uma recolha de informação (questionário), relativa aos processos de fabrico e às características de materiais.

A recolha de dados de fontes secundárias, será realizada através da pesquisa nas bibliotecas do Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, Universidade do Minho, Universidade Ponte Lima e Instituto Politécnico de Viana do Castelo, por possuírem investigação na área da agricultura biológica, desenvolvimento sustentável e design do produto.

Esta investigação, seguirá o método de Investigação em design proposto por Inês Secca Ruivo11, que pode ser observado na Figura 8, o qual se adequa à investigação pretendida para a elaboração do produto que se pretende realizar.

11Inês Secca Ruivo é uma Investigadora Portuguesa com Doutoramento em Design com várias publicações de salientar:

Investigação em Design: interatividade entre metodologias profissionais e científicas fonte http://www.uevora.pt/pessoas/(id)/29297

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Figura 8 Método de Design proposto por Inês Secca Ruivo.

Fonte (Ruivo, 2014), p.4.

Esta metodologia assenta no reconhecimento de um problema ou questão a investigar, que definem o âmbito do problema. Perante esta definição é realizada uma investigação de fundo, ou seja, é feito um levantamento do estado atual da arte, para ver os pontos que podem ser melhorados. Caso não existam terá que ser reformulado o problema ou questão de investigação, partindo agora de um conhecimento maior acerca do estado da arte sobre o problema.

Dando seguimento à investigação, cabe ao investigador definir o problema, conceitos abrangidos e metas a alcançar. Para atingir os objetivos traçados, a melhor forma será a geração espontânea de ideias ou de esboços que possam ser melhorados ou que melhor se adequem à solução do problema. A seleção do conceito permite identificar o mais promissor para a resolução do problema. Desta forma é possível construir um protótipo que pode ser testado, para ver pontos de melhoria, se vai ao encontro das metas traçadas e se pode entrar em produção.

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Esta metodologia proposta foi adaptada ao projeto deste produto, que pode ser observado no organograma da Figura 9. Este permite identificar a questão de investigação do problema, e qual o caminho que a investigação seguiu.

O levantamento do estado da arte permitiu identificar lacunas na oferta de produtos que fizessem a apropriação de espaços ao nível de uma habitação, sem mudar o significado destes para a qual foram projetados, e que dessem um contributo para a promoção da biodiversidade.

Desta forma será possível gerar um conceito promissor, para a promoção da agricultura urbana, que se distinga da concorrência e possibilite ao utilizador momentos únicos na sua horta.

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Figura 9 Metodologia empregue neste trabalho.

Fonte Desenvolvida por método próprio.

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5.11. 1.8 ESTRUTURA DA DISSERTAÇÃO

É indispensável elaborar um plano de trabalho por forma a estimular uma possível visão geral do que será necessário focar, para garantir um bom desenvolvimento do projeto. Assim o desenvolvimento do trabalho foi dividido em cinco fases.

No primeiro capítulo será feita a apresentação do trabalho, com uma introdução e enquadramento do tema, de acordo com a sugestão feita, e em resposta às conjeturas da investigação realizada neste trabalho, tais como as perguntas que moveram a investigação e levaram à formulação de uma hipótese, que ajudou a traçar os objetivos a que este projeto se propôs alcançar, capítulo atual.

No capítulo 2, servirá para analisar a importância ao tema da preservação da biodiversidade, bem como analisar as ameaças e formas de evitar a perda da diversidade biológica, realçando as formas de habitar.

A análise será realizada através da recolha de fontes secundárias (bibliografia e estudos na área) e uma recolha de fontes primárias (hortas urbanas, hortos, questionar e fotografar).

Será dado ênfase ao tema da arquitetura de espaços interiores e exteriores nas novas formas de habitar, analisando alguns tipos de habitação, para perceber o tipo e formas de espaços e os comportamentos humanos perante os espaços. Para tal serão abordados alguns conceitos de espaços e lugar para compreensão e inclusão da natureza no espaço habitacional. Será analisado a forma de habitar quer coletiva quer individual como analisado o modelo de cidade proposto pelo urbanista Ebenezer Howard.

Será dada importância ao conceito de espaço exterior como um elemento de estímulo para a atividade e comportamentos sociais.

No capítulo 3 estudado a importância das hortas urbanas na promoção da biodiversidade local.

Para tal será feita uma contextualização das hortas urbanas e qual a sua importância nos espaços verdes de uma cidade, bem como os benefícios que advém da prática de uma agricultura urbana. Através da recolha fontes secundárias (estudos na área) e fontes primárias com visitas a hortos e hortas urbanas, fazendo um breve questionário e recolha de imagens.

No capítulo 4 será explicada a importância do design do produto para o estímulo de hábitos saudáveis visando a sustentabilidade. Será dada uma certa importância à modularidade e a customização para a construção de novos produtos. Para atingir este fim será feita uma análise da oferta dos produtos no mercado.

No capítulo 6 serão estudadas as tecnologias a associar a este produto, como o tipo de rega a associar e sistemas de monitorização, bem como a melhor forma de implementar.

O capítulo 5, será o de design e desenvolvimento projetual que será dividido em várias fases, desde a caracterização e o comportamento do público alvo, até às tecnologias a associar a este produto, tais como o tipo de rega e materiais a associar e sistemas de monitorização, bem como a melhor forma de implementar.

Para tal será estudado o mercado, analisando a concorrência e consumidores, para perceber melhor o segmento em que se insere o produto.

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No capítulo 6 encontram-se as conclusões finais obtidas na investigação e ao longo do desenvolvimento projetual. Assim sendo esta última parte do trabalho, fará uma análise e discussão dos resultados obtidos ao longo do processo do projeto.

Nesta fase do trabalho responde-se às perguntas de investigação iniciais, apresentadas com a justificação dos objetivos pretendidos e alcançados. Por último, explica-se as perspetivas futuras do projeto, em que se sugere as ideias que poderão posteriormente ser exploradas e implementações na evolução futura do projeto desenvolvido.

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CAPÍTULO 2_A BIODIVERSIDADE NAS NOVAS FORMAS DE HABITAR.

5.12. 2.1. AS PRINCIPAIS AMEAÇAS E PROPOSTAS DE CONSERVAÇÃO DA BIODIVERSIDADE

É notório que os comportamentos humanos estão a provocar o desaparecimento de muitas espécies e a contribuir para a redução drástica da biodiversidade existente no planeta. Essa extinção deriva de vários fatores, tais como a prática de uma agricultura intensiva, a crescente urbanização, a destruição de florestas, a construção de barragens, a poluição e outros, que acarretam profundas alterações ou mesmo a destruição (Andreoli, 2017).

Como é do conhecimento comum, quanto maior a diversidade de espécies, menores são as alterações ambientais (Marinelli, Monteiro, & Ambrósio, 2008).

Neste propósito a Convenção sobre a Diversidade Biológica realizada em 1999 no Rio de Janeiro, estabeleceu o primeiro acordo que englobou todos os aspetos da variedade biológica, espécies, comunidades, habitats, ecossistemas, genes e genomas. Esta convenção foi assinada por 155 países, incluindo Portugal, esta salientou a importância da biodiversidade no planeta (Andreoli, 2017).

A biodiversidade deve ser valorizada, pois é responsável pelo equilíbrio dos ecossistemas, conservando o planeta, assim todos os esforços devem ser dados no sentido da conservação do planeta e uso racional dos recursos naturais visando a sustentabilidade. Neste sentido cabe ao homem tomar atitudes e estudar soluções capazes de favorecer a biodiversidade, bem como diminuir o seu impacto nos ecossistemas. Graças à biodiversidade podemos obter alimentos, energia, medicamentos e alimentos, bem como para a sociedade uma fonte de trabalho e rendimento, como tal uma das maiores riquezas do mundo (Andreoli, 2017).

Como se verificou a atividade humana tem sido apontada como a causa mais nefasta para o planeta, devido à falta de respeito para com os ecossistemas. Assiste-se a um aumento nas últimas décadas da destruição das áreas naturais. Esta ação humana sobre os ecossistemas afeta a fauna e flora do planeta (Jacobi, 1999).

A diminuição de uma determinada espécie coloca em perigo a biodiversidade. Neste caso, Portugal destaca-se pela negativa, pois possui diversas espécies que estão seriamente ameaçadas, correndo mesmo o perigo da sua extinção, quer animais quer de plantas (Andreoli, 2017)

A extinção de uma espécie é assim uma consequência que prejudica e ameaça a biodiversidade.

Com a perda de uma espécie, perde-se o patrimônio genético, que pode afetar as relações que compõe aquele ecossistema e a teia alimentar dos seres vivos onde está inserida aquela espécie (Marinelli et al., 2008).

Estima-se que a maioria das espécies que já viveram encontram-se hoje extintas. É uma ocorrência lenta provocada por fatores como o surgimento de rivais pelo mesmo alimento mais eficientes, a diminuição de alimentos ou o aumento das catástrofes naturais. Mas, a principal

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ameaça às espécies é o ser humano, que com as suas atitudes, como a realização de queimadas, expansão urbana, desperdício dos recursos naturais e poluição leva à degradação dos ecossistemas, colocando em causa a biodiversidade e a sustentabilidade do planeta (Andreoli, 2017).

A ocupação desordenada de vários territórios florestais em diversas partes do planeta, bem como a desflorestação da floresta mundial leva a perdas irreparáveis nos ecossistemas. Para inverter tais perdas e consequências que advieram de atitudes irresponsáveis, como a poluição do ar, solo, rios e mares que degradaram a qualidade de vida do ser humano (Andreoli, 2017), surgem os alertas dados pela comunidade científica internacional, quer pelos governos e entidades não- governamentais ambientalistas, para a perda da diversidade biológica em todo o mundo. Esta perda, envolve aspetos científicos, econômicos, culturais e sociais (Santos & Esther, 2011).

Por isso os países começaram a estabelecer acordos e metas para a redução da poluição, estabeleceram regras para a captura de animais, medidas agroambientais que respeitassem o uso racional dos recursos naturais sem deixar resíduos químicos. Alertaram o consumidor, para consumir o necessário e comprar os produtos locais, a fim de evitar a poluição devido ao transporte de produtos e promover a biodiversidade local e a sustentabilidade dos ecossistemas locais, pois todas as espécies animais e de plantas estão interligadas (Santos & Esther, 2011).

Com a visão de proteger os ecossistemas locais, empresas, como a Lipor12, e Câmaras Municipais, criaram incentivos tais como, cedência de espaços, fornecimento de composto orgânico para manter os espaços, alertas para a criação de espaços mais diversificados de culturas locais, proibindo as monoculturas no mesmo espaço, como pode ser observado nas hortas de responsabilidade da Lipor, hortas municipais de Vila Nova de Famalicão, hortas da quinta pedagógica de Braga e hortas comunitárias de Guimarães e Vila Verde.

A diversidade de plantas e culturas no mesmo espaço, talhão, permite que as culturas sejam mais resistentes contra pragas e doenças. Neste sentido, de promover a biodiversidade local, surgem as hortas urbanas e os jardins públicos, que fazem a ocupação de espaços abandonados, espaços não identitários, evitando que se transformem em locais de depósito de lixo a céu aberto, que são locais de desenvolvimento de pragas e doenças para a biodiversidade e saúde pública (Pinto, 2007).

12A Lipor é uma empresa de reciclagem de resíduos urbanos, que promove a agricultura biológica. Esta empresa tem a seu cargo 49 hortas ativas, todos os talhões têm que ter várias culturas plantadas. De referênciar algumas das hortas:

Operadores na Lipor, Castêlo da Maia, Formiga, social de Rates, social de Leça do Balio, Quinta do Passal, Teixeira Lopes, centro social de Ermesinde, subsistência de Gondomar, subsistência de Foz do Sousa. Informação recolhida na visita efetuada à Lipor e fornecida pela Sra. Engª Isabel Cabral.

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5.13.

5.14. 2.2. A IMPORTÂNCIA DAS HORTAS URBANAS PARA A PROMOÇÃO DA BIODIVERSIDADE LOCAL

Conferências, alertas da comunidade científica e convenções para promoção de uma melhor diversidade biológica, tem demonstrado ser fonte dos principais indicadores para a melhoria da qualidade do ambiente, quer a nível local como nacional (Andreoli, 2017).

A nível local, são muitas as autarquias que têm desenvolvido planos de ação para a promoção da biodiversidade, que passam pelo aumento da estrutura verde, como a implementação de jardins e espaços verdes de lazer, como as hortas urbanas. Estes planos permitem uma manutenção ecológica dos espaços, aumentam a área permeável, restauração dos ecossistemas naturais, elaboração de planos de gestão e regulamentação, bem como a promoção de hotspots para a diversidade e partilha de informação (M. M. C. Moreira, 2015).

Há muito tempo que as hortas urbanas e jardins comunitários estão inseridos nas cidades e interagem com a cidade segundo Marisa Moreira13. Assim, as hortas urbanas surgem num acumular de informação e conhecimentos para agir em prol da diversidade biológica, bem como locais de conservação da biodiversidade local, zonas de cultivo de produtos para a sobrevivência humana, zonas que permitem um aumento da área permeável, que formam um espaço de convergência entre produtores e consumidores locais (M. M. C. Moreira, 2015).

Com as mudanças na sociedade, estes espaços tendem a adaptar-se para manter uma certa atratividade e relevância num contexto urbano, bem como a formarem centros criados para a prática da horticultura de lazer, sustentabilidade e apoio, para os munícipes de uma cidade (M.

M. C. Moreira, 2015). As hortas urbanas formam espaços, onde os munícipes podem cultivar os seus produtos, como pode ser observado na Figura 10, tais como, alface, repolho, alho, cenoura, tomate, couve, espinafre, entre outras verduras e legumes, plantas medicinais e aromáticas e árvores de fruto do tipo, e como mostravam as figuras 1 e 2 do tipo de hortas, no capítulo 1.

13 Marisa Moreira é uma Engenheira com o grau de mestre em Agricultura Biológica, responsável pelas hortas urbanas de Vila Nova de Famalicão. Ela realizou um levantamento e estudo das hortas urbanas a nível nacional e qual o seu impacto na sociedade.

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Figura 10 Variedade de alimentos cultivados nas hortas.

Fonte http://sustentabilidadenaoepalavraeaccao.blogspot.pt/2013/06/as-hortas-urbanas-de-famalicao-do.html

A diversidade biológica desempenha um papel fulcral para um ambiente saudável e preservação do planeta. Contudo, a crescente exploração desenfreada dos recursos por parte do ser humano sobre os recursos naturais, apresenta-se como uma séria ameaça à biodiversidade. Têm sido divulgados apelos à preservação dos recursos naturais, sendo fundamental tomar ações que invertam esta tendência.

Neste sentido, o planeamento das cidades a nível arquitetónico e paisagístico, tem vindo a sofrer alterações que visam a conservação da biodiversidade. Com o propósito da conservação da diversidade biológica local, foram planeadas as hortas urbanas, jardins e parques de laser.

A inserção destes espaços verdes, é vista como uma forma de promoção da biodiversidade local, que leva ao aumento dos recursos naturais, diminuição da poluição, aumento dos recursos económicos, aumento da oferta de produtos hortícolas, locais laser e convivência social.

Cabe aos políticos criarem medidas, aos arquitetos e designers criarem soluções, que permitam o ser humano respeitar o meio ambiente onde está inserido. Para tal, devem ser adotados comportamentos sustentáveis, que respeitem o meio ambiente.

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5.15. 2.3. A RELAÇÃO DE ESPAÇO E LUGARES A HABITAR

A conformação e construção do espaço é um objetivo secundário, que perde o seu sentido arquitetónico se as condições de habitação não estiveram otimizadas (Neves, 2014).

A arquitetura moderna imprime transformações radicais na relação espaço e lugares a habitar, devido ao facto da globalização imprimir uma certa mobilidade de bens, serviços e pessoas que levam à criação dos chamados “não lugares”, numa sociedade, atribuindo à forma de habitar a relação que o homem tem com o espaço (Faria, 2009).

A forma de habitar contemporânea, centra-se em novos conceitos de vida, crenças religiosas e visões artísticas. Quando Marc Augé falava dos “não lugares”, como transitórios, incaracterísticos, modulares, perfeitos tecnologicamente, a sociedade moderna, refletia já uma tendência de mudança na forma de habitar (Augé, 1994). Habitar atualmente extravasa o conceito de paredes e um teto, para acrescentar conforto para o corpo e espírito.

O conceito de habitação é muito extenso, como podemos verificar e segundo o dicionário de língua portuguesa (Costa, Sampaio, & Melo), refere-se à casa, à habitação como lugar onde se habita, ou seja, o domicílio, o lugar onde morar, a residência, ou simplesmente o lugar onde se vive.

A habitação é o local de morada, residência onde está e permanece o individuo. Esta caraterística é importante pois atribui à habitação uma relação de lugar fixo onde o ato de residir ganha sentido pessoal.

A casa é vista como unidade familiar de habitação própria, que possui significados sentimentais que influencia a sua utilização, bem como a visão de habitação (M. Moreira & Silva, 2013).

Segundo o filósofo Martin Heidegger14, a tradição resiste pela memória dos espaços e das arquiteturas que nos provocam um significado, identidade ao contrário dos lugares transitórios.

A apropriação do espaço é importante para que exista uma identificação pessoal com o lugar. É elementar perceber a relação homem-espaço para que a partir daí, se consiga criar uma proposta mais pertinente para a criação de espaços flexíveis, para assim atender à necessidade e o propósito de cada utilizador, portanto, deixa de ser somente uma configuração geométrica e passa a ter um formato particular, onde cada um adquire experiência, cria a sua paridade com o espaço (Torres, 1992).

Existe também o conceito de espaço híbridos ou espaços de fusão na arquitetura que surge na antiguidade clássica. O progresso do espaço e tipologias arquitetónicas, surge do crescimento das cidades que dinamiza o aparecimento de novas formas de viver e habitar. Nesta conjuntura, a evolução da sociedade moderna contribui para a nidação de espaços de usos variados. O edifício híbrido é um espaço de usos mistos, que criam muitas oportunidades (NAGAMORI &

BARDELLA, 2016).

Segundo Towicz, em arquitetura o uso misto significa a sobreposição de diferentes usos em um mesmo edifício. O cenário urbano atual, sofre modificações constantes, associadas às mudanças econômicas, tecnológicas e modos de habitar as cidades, compreende-se o interesse de

14 Heidegger foi um filósofo, escritor, professor universitário alemão, que se preocupou sempre com existência do ser.

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arquitetos e urbanistas em criar projetos que tragam qualidade de vida para as cidades. Habitar, trabalhar, comprar e divertir-se são atividades dinâmicas cada vez mais entrelaçadas. Os edifícios híbridos ou multifuncionais, são aqueles que permitem distintas práticas no mesmo projeto e independentes. Nos edifícios híbridos o objetivo é criar energia, atrair as pessoas, permitindo diferentes usos e a regeneração urbana das cidades (Lima, 2012).

Transversalmente o edifício híbrido pode conseguir dar uma nova visão da cidade, uma nova compreensão do espaço, uma paridade emblemática da cidade, devido à complexidade do ser humano estar sempre em mudança constante, desta forma o espaço deve acompanhar a evolução das relações sociais.

5.16. 2.4. A ORGANIZAÇÃO, CARACTERIZAÇÃO E A DIVERSIDADE DE UM ESPAÇO DOMÉSTICO

As formas atuais de habitar levam a transformações e alterações na organização do espaço doméstico. A formação destes modelos de espaços revela uma relação com o modo de vida de cada utilizador. A arquitetura como área de estudo, tenta identificar as condições do espaço habitacional para retorquir aos pedidos dos utilizadores (Neves, 2014).

Porém na organização espacial das habitações, os espaços sociais são os mais acessíveis, e os privados mais inatingíveis, deparar que o sector de serviços se encontra disperso pela habitação, podendo a relação entre sectores ser através ou não de espaços mediadores. A maioria das habitações apresentam uma configuração em árvore, que permite o controle da circulação no interior do espaço doméstico, em relação ao exterior (Reis, 2013).

O espaço doméstico reflete uma dinâmica constante de criação e invenção de formas e transformações para tornar o Habitat o mais eficiente e confortável no seu uso diário, revelando influências culturais e sociais (Menezes, 2000).

As habitações construídas em vários pisos permitem uma adequada separação, os espaços individuais (quartos de dormir e instalação sanitária quando existe de apoio) e a zona de espaços comuns (salas comuns, cozinha, escadas e instalações sanitárias comuns) (Reis, 2013).

Um espaço doméstico tem a capacidade de integrar e absorver a diversidade dos modos de vida e seus usos ao longo do tempo. Assim o espaço pode tornar-se um instrumento para construção de diversos projetos familiares, mesmo considerando a uniformização dos espaços a nível urbano e a multiplicidade em contexto de uma sociedade individualizada. A arquitetura tem investigado este conceito de espaço, para beneficiar a permanência, bem como a construção de uma relação identitária dos diferentes tipos de família para com o espaço (Cruz, 2010).

O espaço natural, tem sido continuamente modificado e adaptado pelo homem ao longo dos tempos, a fim de satisfazer as suas necessidades de habitar, pelo que o planeamento da casa e a sua inclusão, tem sido matéria para variadas formas como conteúdo da Arquitetura para organizar osespaços. Seguindo a evolução do Homem como ator desse habitar, os mais novos

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espaços arquitetónicos contemporâneos superam o conceito de habitação original, que padronizam os comportamentos (S. M. E. C. e Silva, 2012).

O comportamento humano, revela caraterísticas devido à influência do espaço geográfico e da organização do espaço pessoal. Com a apropriação do espaço, o habitante começa a investigar as relações sociais para a definição do seu espaço individual. O espaço pessoal é o reconhecimento do direito de cada indivíduo a um espaço próprio, o que permite salientar a importância deste fator a nível psicológico e comportamental (Lavor, 2014).

O behaviorismo é a análise das ações humanas na ótica de que qualquer ação se pode transpor numa atitude. Apoia-se no princípio de que todas as coisas que o homem faz, devem ser vistas como comportamentos e que os distúrbios psicológicos são mais bem analisados pela alteração dos seus comportamentos ou do seu ambiente. Segundo o behaviorismo, a resposta dos indivíduos a diferentes estímulos do seu ambiente, molda os seus comportamentos (A. C. B. da Silva, 2013). O behaviorismo assenta basicamente em três premissas segundo André Correia da Silva:

1. A vida pode ser aceite como um conjunto de comportamentos que são observáveis objetivamente, tais como: comer, dormir, tomar banho etc.

2. O conhecimento dos comportamentos humanos permite prever as necessidades espaciais da habitação. Parte-se do pressuposto que os comportamentos são traduzíveis em necessidades espaciais e que por isso o espaço deve ter uma forma que lhes corresponda.

3. O espaço tem a capacidade de influenciar os comportamentos humanos e por isso a sua modelação pode modelar os próprios comportamentos.

O casualismo arquitetónico suporta que as mudanças da paisagem e dos elementos arquitetónicos do espaço originarão mudanças no comportamento individual e coletivo.

Na segunda metade do séc. XX, o behaviorismo está em queda, mas os princípios deste pensamento enraizados no domínio da conceção habitacional moderna, como perduraram muito para além da sua durabilidade como filosofia ou ciência psicológica (A. C. B. da Silva, 2013).

A certeza de que se pode identificar com clareza os comportamentos humanos e de que o nosso ambiente pode participar de forma ativa como modelador e reformador, é uma circunstância que vai influenciar as intenções do desenho do espaço (Cavalcanti, Preto, Fialho, & Figueiredo, 2012).

2.5. CONCEITOS DE ESPAÇO E LUGAR

Ao descobrimos o nosso mundo observamos casos pontuais aos quais fixamos, identificamos e guardamos recordações do local, sem dar conta dos espaços e meios que utilizamos para chegar. No seu exame sobre os “nãolugares” como espaço do anonimato, Marc Augé abrilhanta- nos com esta ideia e noção de espaço.

Referências

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