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I - ORDEM JURÍDICA - A ORDEM SOCIAL

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I - ORDEM JURÍDICA - A ORDEM SOCIAL 1 – Natureza social do homem

A cadeira de direito do ambiente, dado o seu carácter abrangente e de estreita conexão com outras cadeiras do curso, tenderá a abarcar noções gerais que deverão ser, tanto quanto possível, dissecadas de molde a que, didacticamente, seja perceptível a compreensão desta nova disciplina.

Assim, em termos de Introdução ao Estudo do Direito, importa indagar se o direito nos surge como uma realidade palpável ou se a sua existência decorre de uma realidade abstracta resultante do processo de Hominização, isto é, do privilégio do Homem escolher “livremente” códigos para “viver em conjunto”.

Ainda que possamos especular quanto à ultrapassagem de constrangimentos constata-se a alteração de escala dos determinismos dos modelos naturais, isto é, a existência de ordem e estabilidade é, agora, fruto da estruturação de comunidades e da consequente tensão entre iniciativas individuais e a necessária organização social.

A realidade social implica pois que se assuma o conflito viabilizando a coesão do todo social. Neste sentido o direito é, logo à partida, um fenómeno humano e social.

a) Humano no sentido em que, desde as origens do Homem, a necessidade de coexistir implicou o estabelecimento de normas de conduta que favorecessem o relacionamento entre indivíduos bem como regulassem as inter-relações sociedade/indivíduo e indivíduo/sociedade. Assim o direito reporta-se unicamente a normas sobre condutas humanas ou seja a escala de referência tem como padrão o homem pelo que o direito é um fenómeno exclusivamente humano.

b) Social no sentido em que o homem e a sociedade são um binómio indissolúvel que, desde tempos imemoriais, está sujeito a um equilíbrio metastável. A relação dialéctica homem/sociedade vai gerando o evoluir dos indivíduos e das sociedades e o conjunto de normas estabelecidas viabilizam a ordem social global onde o direito desempenha um papel relevante.

2 – Ordem social e ordem da natureza

Tendo em atenção uma linguagem comum importa, em primeiro lugar, atendermos ao que é a ordem.

Em poucos dias constatamos que os dias se sucedem às noites e em poucos anos, nos climas temperados, verificaremos as 4 estações do ano. No entanto só alguns milhares de anos nos permitem verificar a transformação dos climas, uma

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centena de milhões de anos para as primeiras plantas com flores e muitos milhares de milhões de anos para o aparecimento das primeiras plantas microscópicas. Assim o termo ordem implica uma visão dinâmica e não uma visão estática e de simples invariância.

Neste contexto a ordem é o resultado das probabilidades (quer seja no ínfimo como é o caso dos quanta quer seja no imenso como é o caso da relatividade) e não de certezas ou seja o equilíbrio no desequilíbrio.

Mas este sentido de ordem é tanto aplicável à ordem da natureza como à ordem social. Mas será que as duas ordens são idênticas?

Sinteticamente observando a história do universo constataremos que do mais simples (átomo de hidrogénio) ao mais complexo (sociedades humanas) as estruturas complexificam-se sendo de realçar patamares como o aparecimento de vida a partir de matéria inerte e a consciência a partir da matéria viva.

Uma leitura linear aponta no sentido de o homem ser um prolongamento das grandes regulações naturais enquanto que uma leitura mais atenta nos permite constatar que a ultracomplexidade atingida faz do homem já não um mero receptor de estímulos exteriores mas um ente capaz de criar o seu próprio universo.

Assim, ainda que geneticamente programado, o homem revela as suas potencialidades através de um esforço contínuo de aprendizagem assente num vasto conjunto de interacções sociais.

As sociedades humanas e o homem deixam de estar prisioneiros dos determinismos biológicos e a estruturação das comunidades depende, fundamentalmente, da razão e da consciência emergente assumindo-se assim as tarefas que outrora eram limitadas e determinadas pelo instinto.

Temos pois uma nova escala mais complexa em que a ordem decorre da tensão entre as iniciativas individuais e a necessária organização social.

A ordem já não é quantitativa, isto é dependente dos recursos, mas uma ordem qualitativa dependente dos valores.

Daí a afirmação de que a ordem da natureza é uma ordem de necessidade e a ordem social uma ordem de liberdade.

A liberdade é a aptidão de alterar equilíbrios existentes e a capacidade de se situar para além dos sistemas, sejam naturais ou sociais.

A liberdade é pois a participação ou não participação do indivíduo na determinação de normas de conduta que se sobrepõem à vontade individual

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isoladamente considerada já que as sociedades tendem a impôr os seus valores. E, apesar dos constrangimentos pessoais e sociais, tais valores mobilizam as vontades individuais na procura de caminhos que consideram mais adequados para si próprios, para os grupos e para as sociedades em que se integram.

A liberdade é como que uma espécie de fuga aos comportamentos ditados pela necessidade representando uma escolha entre várias possibilidades. Assim a vontade do homem assenta na sua racionalidade e mesmo que a formação das sociedades seja consequência das leis naturais, já a sociogénese ( transformações e formas que conduziram ao estado actual da sociedade ) resultou da mediação da liberdade do homem sendo pois um fenómeno cultural.

3 – As componentes fáctica e normativa da ordem social

A sinergia entre a ordem da natureza e a ordem social, isto é a interacção entre as duas ordens, produz um efeito específico que não seria produzido por cada um isoladamente dando origem à noosfera, isto é à especificidade da espécie humana que para além da matéria e da vida contempla o mundo do espírito, fruto da consciência adquirida.

O homem individualmente considerado observa condutas que se encontram na generalidade das espécies e pouco mudou desde os tempos do neolítico sendo que, em compensação, em termos societários se verificaram alterações profundas.

Para uma melhor compreensão que em todas as sociedades há elementos de facto e ingredientes normativos vamos socorrer-nos da dialéctica da organização e da criatividade ao nível celular.

Cada célula possui no seu núcleo toda a informação necessária quer à construção quer ao funcionamento do organismo. No entanto cada célula corresponde às funções do órgão em que se encontra já que outras funções estão inibidas por repressores apropriados. Há pois um imperativo de ordem que fixa a cada célula a sua tarefa.

Este modelo biológico se aplicável às sociedades humanas constatar-se-á que cada indivíduo apenas desenvolve uma pequena parte das suas capacidades criadoras face a sistemas de repressão mais ou menos flexíveis consoante o estádio de desenvolvimento cultural.

Temos pois uma relação entre ser e dever ser cuja tensão desempenha um papel regulador na ordem social e em que os elementos de facto e os elementos normativos são constitutivos do social. Digamos que os elementos normativos são

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como que um código genético das sociedades sujeito a alterações de acordo com a evolução do tecido social.

Neste contexto podemos afirmar que a ordem social integra o ser e o dever ser e que toda a ordem normativa é uma ordem violável sendo que enquanto a violação não alastrar ao conjunto societário não haverá alteração da escala de referência.

4 – Ordem normativa e ordem técnica

São duas dimensões distintas no sentido em que a ordem técnica representa a nossa capacidade de fazer, de ter, de possuir conhecimentos para produzir e a ordem normativa representa a nossa capacidade de ser, do que devemos ser, de possuir conhecimentos para escolher novas maneiras de viver, de sentir e de agir.

- A população mundial - Estimativa

- 256.0000.000 - início da era cristã

- 384.000.000 - 1200

- 427.000.000 - 1500

- 641.000.000 - 1700

- 1.000.000.000 - 1804

- 2.000.000.000 - 1927

- 3.000.000.000 - 1960

- 4.000.000.000 - 1987

- 6.000.000.000 - 1999

- Enciclopédia Verbo Sec. XXI Vol. 23

Sumário 2 - DIREITO DO AMBIENTE Introdução

É hoje comum falar-se de ambiente, ecologia, natureza, recursos naturais sendo que, muitas vezes, estes conceitos distintos são utilizados em referência a uma mesma realidade.

Apesar da diferença substancial de tais conceitos importa, sobretudo, enquadrar o conceito jurídico de ambiente fazendo referência a algumas questões de carácter ambiental.

Saliente-se, desde logo, a crescente preocupação na opinião pública e a tomada de consciência quanto aos perigos que ameaçam a biosfera resultantes, fundamentalmente, do progresso tecnológico alcançado pelo Homem que criou um ambiente novo e em constante evolução.

Os nossos antepassados eram obrigados a proteger-se dos caprichos da natureza cuja lei se lhes impunha sendo que, actualmente, a ciência e a técnica possibilitaram como que uma inversão do processo, isto é, os nossos pais agiam

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com capacidades finitas num mundo que consideravam infinito e nós actuamos com capacidades infinitas num mundo, cada vez mais, finito.

No entanto o interesse da opinião pública pelas questões ambientais é, essencialmente, decorrente de alguns factos cuja ocorrência foi e é intensamente noticiada pelos órgãos de comunicação social. Neste contexto os grandes desastres passam pela explosão do reactor nuclear de Chernobyl ou pelo derrame de milhares de toneladas de petróleo (sendo o caso mais recente o do petroleiro Prestige que colocou o nosso país em estado de alerta e cujos riscos se mantêm), ou de produtos químicos ou de gases tóxicos, ou , ainda, pelas sucessivas crises ecológicas desencadeadas por fenómenos de secas e cheias.

Mas outros acontecimentos bem mais preocupantes exigem a nossa atenção apesar de não serem tão noticiados. Refira-se somente a destruição da camada de ozono por efeito dos clorofluorcarbonetos (CFC’s), as alterações climáticas atribuídas principalmente ao efeito de estufa devido ao anidrido carbónico para que também contribuem os fogos florestais, constante notícia no verão, e ainda as questões respeitantes à biodiversidade e às chuvas ácidas resultantes da combustão fósseis. Neste último caso realce-se que nos anos 60 do séc. XX se estimava existirem cerca de 40 milhões de automóveis e na década de 90 atingiram- se os 400 milhões.

Por outro lado saliente-se o crescimento populacional explosivo o que nos poderá causar um aprofundamento dos desequilíbrios entre os recursos e o número de habitantes.

- A população mundial - Estimativa

- 256.0000.000 - início da era cristã

- 384.000.000 - 1200

- 427.000.000 - 1500

- 641.000.000 - 1700

- 1.000.000.000 - 1804

- 2.000.000.000 - 1927

- 3.000.000.000 - 1960

- 4.000.000.000 - 1987

- 6.000.000.000 - 1999

- Enciclopédia Verbo Sec. XXI Vol. 23 Após esta muito sintética abordagem iniciemos o nosso percurso na procura do conceito jurídico de ambiente.

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Ambiente e Religião

O conceito de ambiente, enquanto conjunto de elementos físicos, químicos, biológicos bem como dos factores sociais, faz com que nada seja estranho ao respectivo conceito sendo o termo ambiente polissémico e transdisciplinar.

Se fizermos apelo às diferentes religiões constataremos dicotomias significativas entre as que surgiram na Ásia Ocidental e as da Ásia Oriental e Central. Refira-se, tão só, que as religiões orientais, sobretudo o Taoísmo, assentam na ideia do Homem que se deve esforçar para viver em harmonia com a Natureza enquanto que, por exemplo, nas religiões ocidentais se constatará que a Terra existe para servir o Homem. Esta última perspectiva pode ainda ser observada, desde logo, na 1ª Encíclica, do actual Papa João Paulo II, “Redemptor Hominis”, 1979, que expressa “é a vontade do Criador que o homem se ponha em contacto com a natureza como dono e tutor, inteligente e nobre, e não como explorador e destruidor”.

Se recuarmos no tempo constataremos que nas religiões pré-monoteístas se divinizava a Natureza ou parte dela. Uma primeira tentativa monoteista reporta-se a Akhaton com o Deus Sol, Rá, mas os outros deuses continuaram a ocupar os seus lugares. Mais tarde, os hebreus, posteriormente os cristãos e os muçulmanos, como que transformam a diversidade divina num Deus transcendente passando o Homem a ser o filho de Deus e a Natureza criada para o servir. “Crescei e multiplicai-vos, enchei e dominai a Terra. Dominai sobre todos os peixes do mar, sobre as aves do céu e sobre todos os animais que se movem na Terra ...(Gen.2,28). “E o poder do Homem manifestou-se, dando nome a todas as coisas, e os anjos adoraram- no”(Corão, 31-34).

Esta foi uma alteração radical da relação Homem/Natureza passando-se para a relação Homem/Deus.

Na Europa o sistema de valores sofre uma nova erupção com a Reforma Luterana que reconhece ao homem o livre arbítrio, inclusive no respeitante à interpretação da Bíblia conferindo ao indivíduo uma personalidade capaz de proceder a interpretações de cariz pessoal.

No entanto, a nossa civilização de tradição judaico-cristã e greco-romana sofre, sobretudo no século XIX, uma alteração de equilíbrios com a componente materialista a ganhar peso em relação à criacionista.

A tradição cultural dominante vê-se confrontada com as concepções evolucionistas e em vez de uma ordem cíclica e imutável apresenta-se uma ordem dinâmica e evolucionista.

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O “mestre e possuidor da Natureza” na linguagem de Descartes alcança com Newton a possibilidade de passar a entender as “leis da natureza” sendo que com Copérnico a Terra, e portanto a humanidade, deixam de ser o centro do universo.

Colocando-nos no início deste novo século será oportuno questionarmo-nos, e tal como Hawkins propôs, chegaremos algum dia a compreender o “pensamento de Deus”?

Ainda que geneticamente programado as potencialidades do Homem passam por um esforço contínuo de aprendizagem – “RERUM COGNOSCERE CAUSAS”

Ambiente e Economia

O termo recurso tem subjacente um critério associado às necessidades do Homem sendo essencialmente de ordem económica assente na clássica distinção entre bens livres e bens económicos.

E os recursos naturais são escassos ou abundantes de acordo com as disponibilidades existentes em função da possibilidade de utilização e da capacidade de satisfazer necessidades, fundamentalmente, sócio-económicas. A título de exemplo, um qualquer elemento que exista em quantidades diminutas, mas que não tenha utilização, não será considerado como um recurso escasso. A escassez física passível de uma medição quantitativa não pressupõe, linearmente, uma escassez sócio-económica. O conceito de recurso natural é, marcadamente, um conceito de matriz económica que os economistas clássicos, como Adam Smith, tendiam a considerar passível de utilização ilimitada sendo que os fisiocratas, como Quesnay, afirmavam a dependência do homem em relação à Natureza.

Saliente-se David Ricardo que ao abordar os conceitos de propriedade e escassez demonstrou que o detentor de um bem escasso pode originar uma maior riqueza para esse detentor sem que tal se traduza numa maior riqueza para a sociedade, referindo que se a água fosse escassa e na posse de um indivíduo este aumentaria a sua riqueza mas os outros seriam mais pobres. Ricardo combinou a teoria de Malthus ( a população cresce em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética ) com a sua teoria de rendimentos decrescentes no sentido de explicar que, a longo prazo, um processo de alteração económica conduz a uma situação estacionária já que as progressões geométrica e aritmética resultariam numa situação de crise pelo que o único remédio passaria pela redução da população.

Refira-se ainda Marx e Engels que entendem a Natureza em contínuo movimento com as respectivas interconexões e transformações cabendo ao Homem gerir o sistema natural de molde a satisfazer as necessidades humanas.

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Mas a consciência de que a civilização industrial punha em risco a natureza atendendo ao esgotamento dos recursos naturais encontra-se desde logo equacionada na fase de elaboração da primeira escola clássica de economia por Thomas Robert Malthus que levantou o problema do desequilíbrio entre população e subsistências referindo que a população cresce em termos que podem tender para uma progressão geométrica, enquanto que as subsistências, nomeadamente as resultantes da agricultura, apenas cresceriam em termos que, tendencialmente, seriam compreensíveis como uma mera progressão aritmética e, naturalmente, se não houvesse recursos novos de produção a que esses povos tivessem acesso, por exemplo quando terminasse a ocupação das terras virgens, haveria necessidade de travar o crescimento da população ou então de diminuir o nível de satisfação de todos, visto que a população cresceria mais do que os rendimentos naturais.

Malthus foi muito esquecido ao longo do século XIX mas, a partir do final do século XIX e princípios do século XX, a problemática malthusiana começou a ser discutida na opinião pública dos países mais desenvolvidos na sequência da constatação de uma combinação da escassez de recursos naturais e da deterioração do ambiente de vida do homem, pelas condições em que se desenvolvia uma actividade industrial com características tecnológicas e características organizacionais de grande dimensão, de grande intensidade e de pouca atenção aos custos consistentes na degradação ambiental, Na Europa saliente-se a bacia do Rhur, primeira sede tradicional da indústria química alemã.

O conceito tradicional de crescimento que a revolução industrial implantou e que, de algum modo, ainda inspira a lógica dos sistemas capitalistas é posta em causa com a verificação destes “pontos negros” onde sobressai o conflito entre a natureza e a capacidade de organização económica associada à ciência e tecnologia

O mesmo conceito de industrialização a todo o custo e de adopção de tecnologias sem preocupações com os seus efeitos é adoptado pelo sistema socialista no modelo leninista e, sobretudo, no modelo estalinista, já que chama ao Estado, centralizado sob a égide do poder formalmente concebido como o dos trabalhadores, a iniciativa económica sendo que os interesses de qualidade de vida atingidos não se exprimem facilmente em liberdade numa sociedade dirigida.

Os bens livres, isto é, os recursos naturais para os quais não se atribuía qualquer valor de mercado eram qualificados juridicamente como res nullius ou res communes. Neste sentido não eram pertença de ninguém sendo que todos tinham acesso a eles livremente pelo que ninguém era responsabilizado pela sua degradação.

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Recordemos que as res nullius são coisas que não pertencem a ninguém sendo susceptíveis de ocupação e de fruição individual que passam a pertencer a quem as possui como seja os animais no seu estado de liberdade natural. As res communes são coisas que são insusceptíveis de apropriação individual tendo de ser fruídas em comum como seja a água do mar, a água corrente, o ar, a luminosidade.

Às estas duas categorias acresce as res derelictae, que são também res nullius, mas que são bens de ninguém porque foram abandonados pelos seus proprietários e que ninguém pretende ocupá-los ou fruir como seja por exemplo os esgotos que vão para um rio.

As res nullius e as res communes passaram posteriormente a ser qualificadas como bens de todos – res omnium. As res derelictae consideradas pelo homo oeconomicus como externalidades ao processo produtivo têm vindo, fundamentalmente por via da regulamentação, a ser consideradas internalidades do processo produtivo.

O conceito jurídico de ambiente

Em primeiro lugar importa encararmos o direito enquanto complexo normativo que exprime a ordem jurídica visando as relações do homem em sociedade.

Neste contexto o direito do ambiente não poderá deixar de ser, em primeira linha, um conjunto de normas sendo de realçar que o direito tem como único destinatário o homem podendo ter como objecto a protecção de determinados interesses ou bens jurídicos.

No entanto é indispensável para a compreensão do conceito de ambiente a opção por uma perspectiva antroprocêntrica, isto é, em última análise o objectivo principal é a defesa da vida humana, ou por uma perspectiva ecocêntrica/biocêntrica, isto é, o ambiente tutelado em si mesmo procurando-se preservar a natureza como um valor novo.

Esta opção influenciará também a opção por um conceito amplo de ambiente que incluirá as componentes ambientais naturais e as humanas ou por um conceito restrito que tenderá a incluir essencialmente as componentes ambientais naturais.

A noção de componentes ambientais resulta da LBA – Lei de Bases do Ambiente (artºs 6º e 17º):

- componentes ambientais naturais: ar, luz, solo vivo e subsolo, flora e fauna;

- componentes ambientais humanas: paisagem, património natural e construído e poluição.

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A opção pela noção ampla de ambiente foi acolhida por variados textos legislativos de que se destaca o regime de AIA – Avaliação de Impacte Ambiental e a LBA.

Contudo será relevante considerar que uma noção ampla tende a implicar uma falta de operacionalidade para o direito pelo que um conceito mais restrito poderá revelar-se mais eficiente podendo as suas bases alargarem-se à medida que um núcleo central, intimamente ligado aos elementos naturais, se vá sedimentando sem, no entanto, deixar de se atender aos elementos sociais, culturais e económicos.

O fundamento para esta concepção mais restrita resulta da própria LBA que consagra no n.º 2 do art.º 2º : “ A política de ambiente tem por fim optimizar e garantir a continuidade de utilização dos recursos naturais, qualitativa e quantitativamente, como pressuposto básico de um desenvolvimento auto- sustentado”.

A concepção antropocêntrica do ambiente tem sido ultimamente questionada partindo-se de uma pré-compreensão ecocêntrica/biocêntrica, ou seja, não já a mera regulação das relações dos homens entre si mas, também, a tentativa de disciplinar as relações do Homem com a Natureza.

Este novo passo civilizacional implica uma revolução dos nossos quadros mentais e uma nova filosofia que enforma o direito pelo que o direito do ambiente seria, já não um ramo especializado do Direito, mas o embrião de um novo tipo de Direito.

Temos pois um conceito de direito do ambiente que, em termos de doutrina, continua a não ser pacífico. No entanto o direito do ambiente é, hoje, um direito novo no sentido em que é, fundamentalmente, constituído por normas recentes, sobretudo a partir da década de 60 do séc. XX quando, em termos de conhecimento, constatámos com novas realidades decorrentes do facto de o equilíbrio ecológico agredido pela intervenção humana encontrar novos patamares em que o agressor Homem passa a agredido.

Neste sentido o direito do ambiente, na concepção actual, é um direito plurisdisciplinar em complexificação crescente que abarca não só as relações dos homens entre si como, cada vez mais, atende às relações do Homem com a Natureza.

Esta nova forma de encarar o direito, ainda que sem romper com o tradicional modo de encarar o direito, é já um pequeno passo significativo pois o direito histórico ambiental assentava num conceito restrito que atendia tão só ao “ambiente natural” numa perspectiva de posse e fruição dos recursos naturais.

Direito histórico ambiental

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Sendo o Homem um beneficiário da Natureza desde os tempos mais recuados que demonstrou preocupações em salvaguardar essas “riquezas”.

Não é pois de estranhar que alguns autores refiram o direito florestal na Babilónia (1900 A.C.) e o código hitita (redigido entre 1380 e 1346 A.C) que contém uma norma respeitante à poluição da água ou mesmo a criação da primeira reserva natural pelo faraó Akhenaton em 1370 A.C..

Em Portugal refira-se a caça e o corte de arvoredo nas Ordenações Afonsinas e algumas disposições do Código de Seabra de 1887, (época liberal que imbuiu o Código de um individualismo que, fundamentalmente, visava o direito de propriedade). Destas saliente-se o artº 2213 respeitante aos princípios quanto à abertura de minas e pedreiras e especialmente os artºs 359/1, 360 e 368 que garantiam o direito à existência de tal modo que permitiu quando da construção do metropolinato que um acordão do Tribunal da Relação de Lisboa que, a grosso modo, referia: suspensas as obras quando ofenda o direito de existência e à vida e o direito ao sono dos habitantes das casas onde se situem as obras. No âmbito do direito penal o Código Penal de 1886 no artº 464 referia a prisão de 8 a 12 anos para o fogo posto em serra, floresta mata ou arvoredos.

Do Código Civil de 1967 (em grande parte em vigor) refere-se:

artº 1346 quanto à emissão de fumos, cheiros, ruídos;

artº 1347 quanto a substâncias perigosas que ponham em risco o prédio vizinho;

artº 1319 quanto à caça e pesca referindo que a ocupação de animais bravios é regulada por legislação especial;

artº1322 quanto a enxames de abelhas e 1327 quanto à acessão natural.

No âmbito do direito público e em termos orgânicos só em 1971 – Portaria 316/71 de 19/6 – surge a Comissão Nacional do Ambiente integrada na Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica tendo por missão principal a preparação para a Conferência de Estocolmo. No entanto, em 19/6/1970, tinha sido publicada a Lei 9/70, conhecida por Lei da Protecção da Natureza, que definia princípios básicos sendo mais uma lei de Parques e Reservas Naturais do que uma

“lei-quadro” de Ambiente.

Com o 25 de Abril de 1974 emergem novas preocupações tendo o Ministério das Obras Públicas passado a denominar-se como Ministério do Equipamento Social e do Ambiente havendo um Sub-Secretário de Estado do Ambiente (Dec.Lei 203/74 de 15/5) que mais tarde passou a Secretário de Estado. Em finais de 1975 organizou-se a Secretaria de Estado do Ambiente pelo Dec.Lei 550/75 cujo artº 2º definia os principais objectivos da política nacional de ambiente. Para a

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concretização desses objectivos são criados ou restruturados os seguintes organismos:

Comissão Nacional do Ambiente;

Serviço Nacional de Parques, Reservas e Património Paisagístico;

Serviço de Estudos do Ambiente;

Comissões Regionais do Ambiente.

O ambiente como bem jurídico

A tutela jurídica do ambiente resulta de um vasto conjunto de problemas ambientais causados, em grande parte, pelo crescimento tecnológico tendo-se tornado necessário que a ordem jurídica enquadrasse questões que assumiam um crescente interesse social.

Neste contexto o ambiente surge como um bem jurídico emergente tanto mais que facilmente se constata que algumas componentes ambientais naturais como a água, a flora e a fauna outrora classificadas como res nullius (passíveis de utilização sem obediência a quaisquer regras) surgem, actualmente, como bens comuns cuja utilização implica o uso sustentável dos recursos.

A noção de bem jurídico, enquanto resultante das relações sociais que os entre si estabelecem, abrange valores ou interesses que apresentem uma estreita conexão com os interesses gerais societários pelo que o ambiente deverá ser visto como bem jurídico da colectividade e não como de cariz individual ainda que possua esta dimensão mais estrita. Se procedermos à distinção entre bens jurídicos que radicam na protecção da pessoa individual ou na protecção de valores supra- individuais, portanto sociais, o ambiente surgirá nesta última categoria.

O bem jurídico ambiente ganha autonomia sendo assim tutelado em si e por si mesmo havendo uma protecção imediata do ambiente, global ou parcelarmente.

A autonomia do direito do ambiente

Apesar da doutrina portuguesa mostrar algumas hesitações quanto à autonomia do direito ambiental a sua especificidade resulta dos fins concretos que visa e da emergência de um conjunto de princípios e instrumentos jurídicos próprios sendo, assim, um direito finalista cuja autonomia resulta do objecto da sua regulamentação.

Ainda que o direito do ambiente possa implicar uma revisão de objectivos e meios de outros ramos de direito poder-se-á falar em autonomia relativa na esteira de Alexander Kiss no respeitante às relações entre as noções de direito internacional do meio ambiente e de direito internacional.

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A delimitação do direito do ambiente como disciplina autónoma será relevante quer em termos didácticos quer em termos de investigação e viabilizará o desenvolvimento de técnicas jurídicas específicas.

A autonomia do direito do ambiente implica algumas especificidades de que se refere:

- a autonomia do bem jurídico ambiente enquanto valores e interesses integrantes do interesse geral societário bem como um conjunto de princípios fundamentais que regem o direito do ambiente;

- a indivisibilidade do ambiente implica uma estreita relação com o direito internacional de molde a viabilizar actuações de âmbito supranacional;

- “direitos” de outros seres que não o Homem bem como de Homens que ainda não existem atendendo ao conceito de desenvolvimento sustentável;

- o conceito de desenvolvimento sustentável implica uma participação alargada dos vários interesses em jogo resultando compromissos pelo que, tendencialmente, o direito do ambiente é um direito negociado.

DIREITO COMUNITÁRIO DO AMBIENTE

Vamos abordar esta temática começando por uma análise geral já que, como é do vosso conhecimento, as normas do direito comunitário vigoram directamente na ordem interna dado o estabelecido no art.º 8º da Constituição da República Portuguesa.

1 - A NECESSIDADE DO DCA

São várias as razões que justificam o crescente interesse da U.E. pela protecção ambiental.

Começando pelas justificações económicas e atendendo à necessidade de compatibilizar a protecção do ambiente e o desenvolvimento económico é, hoje, inevitável que o custo da poluição não possa ser considerado uma externalidade aos custos de produção pelo que deve ser englobado nos custos sociais da produção da empresa.

Neste sentido não é de estranhar que uma Organização que começou por ter como objectivo exclusivo a criação de uma Comunidade Económica tivesse que, com o passar dos anos, encarar claramente as preocupações ambientais como uma componente da economia.

A não ser assim a livre circulação de mercadorias na U.E. possibilitaria a existência de graves distorções aos requisitos dos diversos produtos pelo que se tornou necessário que a U.E. estabelecesse, com força vinculativa para os Estados membros, as características mínimas a que os produtos devem obedecer.

Acresce que a não regulamentação pela U.E. das matérias ambientais poderia pôr em causa a liberdade de concorrência entre empresas pois os custos de produção seriam tanto mais baixos quanto menos exigente fosse o Estado relativamente à protecção do ambiente.

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Por outro lado a liberdade de estabelecimento de empresas na U.E. faria com que muitas das empresas, nomeadamente as que maior risco apresentam em termos de poluição, se deslocassem para os Estados com regulamentação ambiental menos exigente.

Há ainda a considerar que o ambiente não conhece fronteiras e que a poluição e outros problemas ambientais devem ser objecto de regulamentação supranacional muito especialmente no quadro de uma Organização com as características da U.E..

Por último é de realçar a influência exercida pela opinião pública europeia tanto mais que as questões ambientais surgiram em 2º lugar, logo a seguir ao desemprego, numa sondagem de opinião efectuada em toda a comunidade europeia.

2 - Evolução Comunitária da Protecção do Ambiente Antes do Acto Único Europeu

A política e o direito do ambiente não figuravam nas matérias a quando da instituição das Comunidades Europeias.

Tal não é de estranhar pois as preocupações ambientais não tinham ainda dimensão e a preocupação primordial centrava-se na instituição de um mercado único que passava pelas denominadas 4 liberdades: circulação de mercadorias, de pessoas, de serviços e de capitais.

No entanto desde finais da década de 60 o ambiente começou a integrar as preocupações comuns dos Estados membros tendo sido publicada a Directiva nº 67/548 sobre a classificação, etiquetagem e embalagem de substâncias perigosas que é considerada a 1ª directiva ambiental da CEE.

Para além da intervenção comunitária com outras organizações internacionais como as Nações Unidas, a OCDE e o Conselho da Europa de que se destaca a Conferência das Nações Unidas para o Ambiente realizada em 1972 em Estocolmo, é fundamentalmente a Cimeira dos Chefes de Estado e Governo, realizada em Paris de 19 a 21/10/1972, que dá uma substantividade própria à protecção do ambiente como política comunitária.

É com base nesta Resolução que o Conselho veio a aprovar, em finais de 1973, o 1º Programa de Acção sobre o Ambiente.

No entanto levantava-se um forte obstáculo dado a ausência nos Tratados de uma base jurídica que suportasse tal actuação.

Para se superar tal vazio legal procedeu-se a uma interpretação ousada (uma espécie de interpretação enunciativa – a regra está implícita nas fontes) atendendo às afirmações contidas no preâmbulo e sobretudo com base no artigo 100º, uma vez que a matéria ambiental pode ter “incidência directa no estabelecimento ou no funcionamento do mercado comum” e ainda no artigo 235º (via expansiva) que conjugado com uma interpretação ampla do artigo 2º permitiu considerar a acção relativa ao ambiente como necessária para atingir o objectivo comunitário de “um desenvolvimento harmonioso das actividades económicas no seio da Comunidade” e “uma expansão contínua e equilibrada”

Acto Único Europeu

O que poderemos denominar como o marco constitucionalizador da política comunitária do ambiente surge com o Acto Único Europeu que, primacialmente dedicado às questões institucionais,

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não deixou no seu artigo 25º de aditar um novo título, com a epígrafe O Ambiente, à Parte III do Tratado CEE. No entanto, desde logo, no artigo 100º-A se contemplou a protecção do ambiente como um dos elementos a Ter em conta na harmonização das disposições legais.

Mas são, sem dúvida, as disposições do novo Título VII da Parte III (artigos 130-R, 130-S, 130-T) que consagram expressamente a acção da Comunidade em matéria do ambiente passando a denominar-se “Política da Comunidade no Domínio do Ambiente”.

O artigo 130-R definia os principais objectivos e os princípios fundamentais; o artigo 130-S referia-se ao procedimento de tomada de decisão; o artigo 130-T consagrava a possibilidade de os Estados membros estabelecerem medidas de protecção reforçadas desde que compatíveis com o Tratado.

Saliente-se que algumas decisões em matéria ambiental passaram a poder ser adoptadas por maioria e não por unanimidade.

À listagem dos princípios foi acrescentado o princípio da precaução.

Refira-se ainda que nas modificações ao artigo 2º surge como objectivo o crescimento sustentável.

A Comissão Mundial do Ambiente e Desenvolvimento define o desenvolvimento sustentável como aquele que “satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras satisfazerem as suas próprias necessidades”.

O Tratado da União Europeia (Maastricht – Fevereiro 1992)

A política comunitária do ambiente passou a integrar o novo Título XVI da Parte III do Tratado sendo várias as referências ao longo de todo o articulado.

3 - A acção comunitária

Em primeiro lugar refiram-se os programas de acção que apesar de não constituírem uma base legal relevam enquanto vontade do Conselho e dos Estados em concretizarem os objectivos propostos nos programas.

Em segundo lugar refira-se que os órgãos comunitários se ocuparam de uma bastante ampla legislação sectorial fundamentalmente à base de directivas nos seguintes domínios: poluição atmosférica, poluição das águas, eliminação e tratamento de resíduos, substâncias químicas, riscos industriais e biotecnologia, poluição sonora e protecção da natureza.

Por outro lado a Comunidade começou a desenvolver medidas de tratamento geral dos problemas ambientais destacando-se a Directiva nº 85/337 sobre AIA.

De referir também o Regulamento que institui a AEA – Agência Europeia do Ambiente (recolha, processamento e distribuição de informação ambiental) e uma Rede Europeia de Informação e Observação do Ambiente.

Quanto à informação destaque-se a Directiva nº 90/313/CEE, 7/6/1990, que tem por objectivo a liberdade e as formas de acesso e de divulgação de informações ambientais na posse de autoridades públicas dado que a Lei nº 65/93 de 26/8 – Acesso aos documentos da Administração – estabelece o seguinte no artigo 22º sob a epígrafe “Informação Ambiental”: “O acesso a documentos em matéria de ambiente efectua-se, nos termos da presente lei, com o âmbito e alcance específicos decorrentes da Directiva nº 90/313/CEE, de 7 de Junho.”

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4 - Importância nacional do Direito Comunitário do Ambiente

Esta importância decorre essencialmente de duas características do direito comunitário:

A sua aplicabilidade directa e a sua primazia sobre o direito nacional.

A aplicabilidade directa significa uma forma de incorporação dos actos comunitários no ordenamento interno dispensando qualquer acto de direito interno pelo que não se torna necessário qualquer acto de recepção por parte dos Estados havendo uma vinculação dos sujeitos jurídicos, individuais ou colectivos, presentes nos Estados membros.

Mas um dos principais problemas do direito comunitário é o efeito directo de algumas directivas que assumem especial relevância em matéria ambiental já que esta é a fonte privilegiada na protecção do ambiente.

Há pois que distinguir a aplicabilidade directa do efeito directo ainda que na doutrina haja quem não vislumbre fundamento para a distinção.

A aplicabilidade directa reporta-se à relação Estado/Comunidade e está em causa a incorporação de normas comunitárias nas ordens jurídicas internas.

O efeito directo é a susceptibilidade de normas comunitárias serem invocadas pelos particulares nos Estados membros nomeadamente perante os tribunais nacionais sendo uma relação Comunidade/Particular/Estado.

Assim, em termos de direito derivado, poderemos dividir as regras vinculativas da Comunidade em 2 grandes grupos:

1 – as que produzem efeitos directos

2 – as que produzem efeitos indirectos obrigando os Estados e não aptas, por si mesmas, a produzir efeitos nos ordenamentos internos.

No 1º grupo enquadram-se o regulamento e a decisão que são directamente aplicáveis sendo que a decisão se dirige apenas aos destinatários por si designados.

No 2º grupo enquadram-se as directivas já que compete às instâncias nacionais a sua regulamentação e adaptação sendo que desta margem de manobra deixada aos Estados decorre uma larga possibilidade de deformação ou de má interpretação. As directivas são pois normas tipicamente incompletas que carecem de transposição não retirando competência legislativa aos Estados membros.

Neste contexto poder-se-á revelar estranho que as directivas fossem encaradas como fonte de efeito directo.

No entanto o TJCE tem vindo a desenvolver jurisprudência no sentido de as directivas poderem produzir efeitos directos nos ordenamentos jurídicos nacionais quando os Estados membros não tomem medidas para a sua transposição ou que essas medidas sejam insuficientes.

Mas para que o efeito directo se verifique é necessário que as disposições das directivas sejam claras, completas, incondicionais e suficientemente precisas de tal forma que delas resulte a intenção de atribuir um direito ou obrigação e ainda o seu conteúdo e alcance.

Esta possibilidade de as directivas possuírem eficácia directa nos ordenamentos jurídicos internos atribui uma maior importância ao direito comunitário do ambiente muito especialmente nos litígios entre particulares e autoridades públicas permitindo aos indivíduos a invocação de direitos que devem ser reconhecidos pelos tribunais nacionais dado o “efeito directo vertical”.

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O “efeito directo horizontal” que se relaciona com a invocação de normas comunitárias nas relações entre particulares tem sido objecto de uma maior resistência ao seu reconhecimento ainda que pontualmente o Tribunal já tenha aceite o efeito directo horizontal de normas de directivas.

5 - Meios comunitários de controlo

É frequente em termos ambientais ouvirmos falar do incumprimento de legislação comunitária.

Esta é uma realidade assente na debilidade do direito comunitário pois os instrumentos jurídicos de garantia do seu cumprimento são relativamente imperfeitos apesar da existência de mecanismos de controlo quer a nível da própria Comunidade quer a nível dos Estados membros.

Vejamos esses meios:

- Meios comunitários de controle

Os meios a nível comunitário encontram-se relativamente afastados dos cidadãos pelo que se torna difícil o seu accionamento.

Em 1º lugar destaca-se o “reenvio prejudicial” que apesar de funcionar como meio indirecto para os cidadãos não deixa de ser importante em termos de tutela dos seus direitos e interesses.

Como sabem o reenvio prejudicial possibilita que o Tribunal de Justiça decida, a título prejudicial, entre outras questões, sobre a interpretação do Tratado e sobre a validade dos actos adoptados pelas instituições comunitárias assegurando assim uma interpretação e aplicação uniforme do direito comunitário nos diversos Estados membros.

De acordo com o previsto para o reenvio prejudicial é permitido que os orgãos jurisdicionais dos Estados membros a quem se coloque uma questão deste tipo no julgamento da causa solicitem ao Tribunal de Justiça que se pronuncie sendo esta uma faculdade que se torna obrigatória sempre que o processo estiver pendente perante um orgão jurisdicional nacional cujas decisões não sejam susceptíveis de recurso judicial no direito interno.

Em 2º lugar, sendo também um meio indirecto para os cidadãos, surge o “recurso por incumprimento” (A Comissão “se considerar que um Estado membro não cumpriu qualquer das obrigações que lhe incumbem” formulará um parecer podendo recorrer ao TJCE se o Estado não proceder em conformidade com esse parecer).Assim os cidadãos poderão queixar-se à Comissão, mas não têm legitimidade para a interposição do recurso, sendo que se houver sentença (caso o processo avance) os efeitos são meramente declarativos.

Nos termos do Tratado as funções de vigilância e controle atribuídos à Comissão e ao TJCE levam alguns autores a denominar a Comissão como “guardiã da legalidade democrática” e o Tribunal como “árbitro”.

- Meios nacionais de controlo

Como sabem os tribunais nacionais são os tribunais comunitários de direito comum e assim responsáveis por assegurar a tutela jurisdicional conferida pela ordem jurídica comunitária.

Relembre-se que as relações entre o direito comunitário e o direito nacional se caracterizam pela supremacia do direito comunitário bem como pela aplicabilidade directa de algumas das suas normas e que o juiz nacional tem o dever de aplicar esse direito nas suas decisões já que ele é o juiz- comum do direito comunitário.

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Os tribunais nacionais surgem como tribunais comuns de direito comunitário já que os tribunais comunitários são órgãos jurisdicionais com competência por atribuição e não com competência genérica pelo que a sua competência é expressamente reconhecida nos Tratados e por actos em sua execução assegurando assim o respeito pelo direito de interpretação e aplicação dos Tratados.

PPP – Princípio do Poluidor Pagador

Princípio fundamental da Política Comunitária de Ambiente

A consagração internacional deste princípio remonta a 1972 com a Recomendação C(72)128, de 26 de Maio de 1972, da OCDE que, pouco depois, também vem a ser objecto de uma Recomendação do Conselho da Europa.

Em termos comunitários a sua consagração surge em 1973 com o primeiro Programa de acção em matéria de ambiente sendo posteriormente consagrado com o Acto Único.

Tendo sido a OCDE quem deu origem à consagração do PPP que veio a ser referido no Acto Único importa, para atender ao elemento histórico, conhecer a respectiva definição originária:

“O princípio a ser usado na afectação de custos das medidas de prevenção e controle da poluição visando estimular o uso racional dos recursos ambientais escassos e evitar distorções no comércio e investimento internacionais é designado por Princípio Poluidor – Pagador. Este princípio significa que o poluidor deverá suportar os custos das medidas acima mencionadas decididas pelas autoridades públicas para assegurar que o ambiente esteja num estado aceitável. Por outras palavras, o custo destas medidas deverá reflectir-se nos custos dos bens e serviços que causem poluição na produção e/ou consumo. Tais medidas não deverão ser acompanhadas por subsídios que possam criar distorções significativas no investimento e comércio internacionais.”

Temos pois que as finalidades de estimular a utilização racional de recursos ambientais escassos e de evitar distorções no comércio e investimento internacionais apontam para uma matriz de ordem económica

O PPP surge no Artigo 130º R/2 a par de outros princípios como os princípios da precaução, da prevenção, da correcção na fonte e da integração.

Atendendo ao valor jurídico dos princípios passemos à análise sob três perspectivas:

juridicidade, aplicabilidade directa e destinatários.

No respeitante à juridicidade é de admitir, em termos gerais, que os actos adoptados pelas instituições comunitárias sejam susceptíveis de controlo jurisdicional no sentido de aferir a sua compatibilidade com os princípios pelo que o Tribunal de Justiça será competente para aprecviar da validade das normas podendo inclusive um acto que não respeite os princípios com o fundamento de violação dos Tratados.

Quanto à aplicabilidade directa o PPP não tem densidade normativa suficiente para ser directamente aplicável tanto mais que o Tribunal de Justiça, em sucessivos acórdãos, tem declarado a necessidade da norma possuir todos os elementos necessários não dependendo de medidas concretizadoras a adoptar pelas Comunidades ou pelos Estados-Membros ou por ambos.

Quanto aos destinatários a questão prende-se com a delimitação de competências entre a Comunidade e os Estados-Membros.

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Em termos de interpretação o conteúdo doutrinal do PPP tem evoluído ainda que não haja actualmente um conteúdo considerado pacífico. Houve interpretações que o consideravam mais próximo do Direito Penal em que o PPP significava que os poluidores são culpados e devem ser punidos sendo pois mais um princípio poluidor – punido. Outros reconduziam-no a um princípio de responsabilidade civil já que quem causa um dano é responsável devendo proceder à tomada de medidas para reparação do dano. Actualmente o PPP está para além das vertentes enunciadas sendo-lhe reconhecidas outras vertentes de que se salientam a função preventiva e a função redistributiva.

Quanto à função preventiva é cada vez mais pacífico que o PPP visa sobretudo prevenir a poluição, mais do que reparar os danos. A prevenção, em sentido lato, comporta duas perspectivas:

- o princípio da prevenção, em sentido estrito, na dimensão de controlo da poluição;

- o princípio da precaução, na dimensão de suspeitas quanto a danos ambientais.

A aplicação do PPP pressupõe uma prevenção dinâmica que passa pela avaliação dos resultados das medidas tomadas sejam elas de carácter normativo ou de carácter económico.

Por outro lado, as receitas obtidas tanto podem ser utilizadas para cobrir custos de medidas públicas de prevenção da poluição como para custear despesas públicas de reparação de danos assumindo-se neste último como um princípio reparador com funções redistributivas.

Em termos de interpretação importa ainda atender que o PPP contém dois conceitos indeterminados. poluidor e pagador.

Poluidor: será um automobilista o poluidor ou o fabricante de automóveis?

Em termos comunitários a Recomendação 75/436 refere como poluidor aquele que degrada directa ou indirectamente o ambiente ou que cria condições que levam à sua degradação. No sentido de operacionalizar esta definição ampla acresce dois critérios práticos de imputação de custos: eficiência económica e administrativa na imputação de custos e capacidade de internalização de custos. Assim a Comunidade não resolve as dúvidas quanto a quem é poluidor preferindo optar pelo melhor pagador.

A UNIÃO EUROPEIA E O AMBIENTE

Tendo vista as questões respeitantes ao direito comunitário do ambiente importa proceder a uma análise sintética da política europeia do ambiente.

O Tratado da União Europeia de Maastricht, em 1992, permite constatar que os dirigentes europeus reconheceram que o ambiente não é uma questão isolada, sendo afectado de forma positiva ou negativa pelas decisões tomadas noutros domínios. Neste sentido declararam que todas as políticas e actividades da UE devem de futuro ter em conta o ambiente, e que esta abordagem «integrada» continua a ser o princípio orientador para a acção futura.

As iniciativas adoptadas permitiram a obtenção de progressos significativos de que refere, a título exemplificativo, a diminuição das emissões industriais de substâncias tóxicas como o chumbo e o mercúrio, a proibição ou limitação da utilização de muitos pesticidas e substâncias químicas perigosas, a diminuição da acidificação de lagos e florestas resultante das emissões nocivas de dióxido de enxofre (SO2) e a reciclagem de resíduos industriais e domésticos bem como o tratamento das águas residuais e dos esgotos.

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Dando seguimento às acções desenvolvidas nestes últimos 30 anos a UE, em 2001, lançou o seu sexto programa de acção no domínio do ambiente que fixa prioridades de acção assim como objectivos práticos e meios para os alcançar até 2010.

Das medidas tomadas ao longo dos anos salientemos:

1967 - Primeira directiva no domínio do ambiente, relativa à classificação, embalagem e rotulagem de substâncias perigosas (67/548)

1970 - Directiva que estabelece o quadro para as medidas de combate à poluição do ar pelas emissões dos veículos a motor (70/220)

1973 - Lançamento do primeiro programa de acção europeu no domínio do ambiente 1973-1976 1979 - Directiva «Aves», relativa à protecção das aves e dos seus habitats (79/409)

1980 - Directiva relativa à qualidade das águas destinadas ao consumo humano (80/778) 1985 - Directiva relativa à avaliação do impacto ambiental (85/337)

1990 - Directivas que limitam a utilização e libertação no ambiente de organismos geneticamente modificados (OGM) (90/219 e 90/220)

1991 - O Tratado de Maastricht, no seu artigo 6.°, estabelece que todas as políticas e actividades da UE políticas devem integrar a protecção do ambiente

1992 - Directiva «Habitats», relativa à conservação dos habitats naturais e da fauna e da flora selvagens (92/43)

1994 - Criação da Agência Europeia do Ambiente

1999 - Lançamento da Semana Verde (conferências anuais da UE sobre o ambiente) 2000 - Directiva-quadro sobre a política europeia da água (2000/60)

2001 - Lançamento do sexto programa de acção no domínio do ambiente 2001-2010: «Ambiente 2010, o nosso futuro, a nossa escolha»

2002 - Ratificação do Protocolo de Quioto sobre as alterações climáticas

Sendo que a legislação ambiental da UE respeita o importante princípio da «subsidiariedade» devem ser as autoridades nacionais e locais a decidir das prioridades e a gerir as suas respostas mas a Comissão pode mover acções em justiça contra os países que faltem às suas obrigações sendo uma prioridade do sexto programa de acção no domínio do ambiente assegurar que as leis sejam aplicadas pelos Estados-Membros.

A estratégia de integração das questões ambientais pressupõe o reconhecimento que, praticamente, todas as políticas da União têm efeitos no ambiente pelo que o seu planeamento prévio é importante no sentido de assegurar que o seu impacto seja positivo e não negativo sendo que, por exemplo, as reformas introduzidas na política agrícola comum em 1992 contribuíram para reduzir a utilização de fertilizantes à base de azoto e de fósforo em, respectivamente, 25% e 30%. Não sendo este princípio de integração de fácil aplicação os dirigentes da UE lançaram em 1998 o «processo de Cardife», solicitando aos vários sectores que preparassem estratégias e programas destinados a promover a protecção do ambiente começando pelos transportes, energia e agricultura mas visando que essa abordagem abranja todos os sectores.

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A utilização de indicadores ambientais tende para uma melhor eficiência da economia e concretiza os esforços de assegurar o crescimento económico sem esgotar os recursos, isto é, consubstancia o

“desenvolvimento sustentável”, enquanto princípio, estabelecido na Cimeira da Terra promovida pelas Nações Unidas no Rio, em 1992, que apresenta um duplo desafio de combater a pobreza e de alterar padrões consumistas.

Na cimeira de Gotemburgo, em Junho de 2001, os dirigentes da UE adoptaram uma estratégia para o desenvolvimento sustentável europeu reconhecendo que o crescimento económico, a coesão social e a protecção do ambiente estão interligados.

Retomando o sexto programa de acção no domínio do ambiente constata-se que identifica quatro áreas em que é urgente reforçar a acção:

• alterações climáticas;

• protecção da natureza e biodiversidade;

• saúde e qualidade de vida;

• gestão dos recursos naturais e resolver o problema dos resíduos.

O sexto programa de acção no domínio do ambiente apela igualmente à acção em sete grandes áreas: protecção do solo, ambiente marinho, emprego de pesticidas, poluição atmosférica, ambiente urbano, gestão dos recursos e reciclagem dos resíduos.

Vejamos, sucintamente, as quatro áreas:

As alterações climáticas

Actualmente são evidentes os efeitos das alterações climáticas como sejam os extremos em termos de calor e seca ou de frio e chuva. A regressão a nível mundial de cerca de 10 % da cobertura de neve desde o final da década de 60 e o recuo dos glaciares de montanha bem como o degelo nos mares provocou uma subida do nível do mar entre os 10 e os 20 cm. Por outro lado verificaram-se, significativamente, aumentos das concentrações de dióxido de carbono (CO2), metano (CH4) e óxido de azoto (N2O), principais gases responsáveis pelo efeito de estufa.

Estas alterações climáticas têm-se apresentado a um ritmo elevado dificultando, ou mesmo inviabilizando, processos adaptativos ou de migração para algumas espécies sendo no nosso caso português também de salientar a possibilidade de maior propagação de doenças tropicais.

O Painel Intergovernamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC), considera a actividade humana como primeiro responsável sendo que no âmbito da União Europeia a produção de gases responsáveis pelo efeito de estufa diminuiu 4% entre 1990 e 1999. No entanto torna-se necessário desenvolver mais esforços no sentido de dar cumprimento ao compromisso assumido na conferência internacional de Quioto, Japão, em 1997, de aplicar a Convenção-Quadro da ONU de 1992 sobre as alterações climáticas (UNFCCC).

O Protocolo de Quioto foi o primeiro acordo multilateral a estabelecer metas específicas de redução das emissões para os países desenvolvidos tendo sofrido um sério revés em Março de 2001 quando os EUA,. após a eleição de George W. Bush, anunciaram a sua retirada do protocolo. Nas Conferências das Partes na Convenção em Bona, em Julho, e em Marraquexe, em Novembro de 2001, a UE desempenhou um papel crucial para assegurar o respeito do Protocolo de Quioto ficando aberto o

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caminho para a sua apreciação na Cimeira Mundial da ONU sobre o Desenvolvimento Sustentável (Rio+10) realizada, em Joanesburgo, em 2002.

A UE apresentou um«sistema de transacção» para reduzir as emissões de gases responsáveis pelo efeito de estufa. A primeira fase desse sistema irá cobrir 4000 a 5000 grandes centrais de energia e instalações similares, que deverão produzir cerca de 46% das emissões de CO2 na UE até 2010. A ideia base passa pela concessão de subsídios para a limitação de emissões de dióxido de carbono sendo que as empresas que consigam manter valores inferiores ao limite serão autorizadas a vender os direitos de emissão restantes a outras empresas que não consigam cumprir as metas. A UE considera que ao fazer do CO2 um produto negociável, o sistema encorajará as empresas a reduzir as suas emissões da forma mais eficaz.

O Programa Europeu para as Alterações Climáticas (ECCP), lançado em Junho de 2000, identificou mais de 40 medidas capazes de reduzir as emissões duas vezes mais que o exigido no Protocolo de Quioto estando em curso um conjunto de Directivas respeitantes à transacção de direitos de emissão na UE, ao desempenho energético dos edifícios, aos biocombustíveis, aos contratos públicos que promovam a poupança de energia e aos gases fluorados bem como o reforço da investigação sobre as alterações climáticas, e medidas para desenvolvimento a longo prazo que incluem a promoção da produção de calor a partir de fontes de energia renováveis e a introdução de melhoramentos técnicos em veículos e combustíveis.

Refira-se que 5% da população mundial vive na UE onde se gera 15% dos gases com efeito de estufa sendo de realçar como principais responsáveis os sectores do transporte rodoviário e o da produção de electricidade.

Natureza e biodiversidade

A extensão abrangida pela UE abarca uma vastidão de habitats naturais e uma enorme diversidade de flora e fauna.

Referências

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