UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
ANÁLISE DA ACESSIBILIDADE NO METRÔ DE SÃO PAULO
.
São Paulo
2014
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
JOSÉ LIMA BEZERRA
ANÁLISE DA ACESSIBILIDADE NO METRÔ DE SÃO PAULO
.
Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.
Orientador: Prof. Dr. José Geraldo Simões Júnior
São Paulo
2014
AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE.
B574a Bezerra, José Lima.
Análise da acessibilidade no metrô de São Paulo / José Lima Bezerra. – 2014.
206 f.: il.; 30 cm.
Mestrado (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2014.
Referências bibliográficas: f. 159-168.
1. Acessibilidade. 2. Transporte público coletivo. I.
Título.
CDD 720.87
DEDICATÓRIA
Aos meus pais, pelo incentivo constante nos
momentos difíceis; aos meus filhos e amigos, que
sempre estiveram ao meu lado, apoiando na
realização deste trabalho.
AGRADECIMENTOS
Agradeço a Deus, criador do Universo, da vida em todas as dimensões, responsável direto pela minha ascensão, que possibilitou a realização deste trabalho, com muita luta e esforço quase sobre-humano e que nunca me deixou desistir nas horas de maior dificuldade para concretizar este projeto, cuja realização é um dos maiores desafios da minha vida pessoal e profissional.
A toda minha família, bem como aos meus amigos que de alguma forma se envolveram direta e indiretamente na construção deste trabalho.
Ao meu orientador Prof. Dr. José Geraldo Simões Júnior, pela incansável dedicação e apreço com que me ajudou na construção desse sonho.
Aos amados Professores: Gilda Colett Bruna, Maria Augusta Justi Pisani, Angélica Benatti Alvim, Ana Gabriela Godinho Lima, Rafael Antônio Cunha Perrone, Eunice Helena S. Abascal, Nádia Somekh, Abílio da Silva Guerra Neto, Célia Regina Moretti Meirelles, Maria Elisabete Lopes e Simone Helena Tanoue Vizioli, dentre outros colaboradores que tiveram uma grande importância neste trabalho. Aos colegas de curso com os quais, durante o período em que estivemos juntos, houve uma harmonia e cumplicidade de todos em prol da melhoria e crescimento coletivo, sem que houvesse espaço para a vaidade pessoal.
À secretaria e principalmente aos coordenadores do curso, que trabalharam para o bem maior e crescimento de todo o grupo discente.
Agradeço, ainda, aos mais diferentes colaboradores da Universidade
Presbiteriana Mackenzie, que independente da função que exercem, contribuíram
para o engrandecimento e qualidade do curso.
LISTA DE FIGURAS
Figura 1: Rampa móvel de madeira improvisada. ... 57
Figura 2 Entrada acessível na estação da Luz. ... 57
Figura 3: Calçada obstruída por canteiros. ... 58
Figura 4: Calçada com piso acessível. ... 59
Figura 5: Piso tátil de alerta na Estação Paulista. ... 60
Figura 6: Painel indicador no interior do Metrô. ... 61
Figura 7: Porta automática de elevador. ... 67
Figura 8: Conjunto de escada e rampa. ... 68
Figura 9: Símbolo de WC Feminino acessível. ... 68
Figura 10: Símbolo de WC Unissex acessível. ... 69
Figura 11: Escada com sinalização. ... 70
Figura 12: Torneira com sensor. ... 71
Figura 13: Telefone acessível. ... 72
Figura 14: Rua 25 de março. ... 74
Figura 15: Calçada obstruída por árvore. ... 78
Figura 16: Calçada com piso acessível. ... 79
Figura 17: Calçada obstruída por guarita. ... 80
Figura 18: Calçada com piso direcional. ... 80
Figura 19: Calçada modelo da prefeitura de São Paulo. ... 82
Figura 20: Modelo de rampa acessível. ... 85
Figura 21: Modelo de escada acessível. ... 87
Figura 22: Exemplo de escada acessível. ... 89
Figura 23: Exemplo de corrimão acessível. ... 91
Figura 24: Modelo de escada rolante. ... 94
Figura 25: Modelo de esteira rolante. ... 97
Figura 26: Exemplo de esteira rolante. ... 97
Figura 27: Plataforma vertical. ... 98
Figura 28: Símbolo internacional de acessibilidade. ... 101
Figura 29: Orientador de comunicação visual. ... 102
Figura 30: Proporção de textos. ... 103
Figura 31: Fórmula para calcular os textos. ... 104
Figura 32: Piso tátil de alerta. ... 105
Figura 33: Piso tátil direcional. ... 106
Figura 34: Semáforo sonoro e luminoso. ... 107
Figura 35: Instalação sanitária acessível com transferência Diagonal, lateral e perpendicular. ... 108
Figura 36: Instalação sanitária acessível com uma transferência. ... 109
Figura 37: Mapa esquemático do sistema do Metrô. ... 113
Figura 38: Mapa da RMSP. ... 119
Figura 39: Mapa de localização da Estação Vila Prudente do Metrô ... 128
Figura 40: Elevador desconforme. ... 130
Figura 41: Elevador em conformidade. ... 131
Figura 42: Acesso sem piso direcional pela Av. Anhaia Mello. ... 131
Figura 43: Acesso com piso direcional. ... 132
Figura 44: Escada desconforme. ... 132
Figura 45: Escada em conformidade. ... 133
Figura 46: Guia com rebaixamento desconforme. ... 133
Figura 47: Guia com rebaixamento em conformidade. ... 134
Figura 48: Rampa sem corrimão ... 134
Figura 49: Rampa com os corrimãos de acordo com a norma de acessibilidade. ... 135
Figura 50: totem sem o mapa tátil. ... 136
Figura 51: imagem tratada: mapa tátil de acordo com a norma de acessibilidade. ... 136
Figura 52: totem sem o mapa tátil. ... 137
Figura 53: mapa tátil em conformidade com a norma de acessibilidade. ... 137
Figura 54: sanitários em desacordo com a norma de acessibilidade. ... 138
Figura 55: sanitários de acordo com a norma de acessibilidade. ... 138
Figura 56: mapa tátil, em desacordo com a norma de acessibilidade. ... 139
Figura 57: mapa tátil em de acordo com a norma de acessibilidade. ... 139
Figura 58: Mapa de localização das fotos que formam o estudo de caso da Estação Palmeiras-Barra Funda. ... 142
Figura 59: escada sem sinalização. ... 144
Figura 60: Escada com sinalização. ... 144
Figura 61: Guia sem rebaixamento PBF... 145
Figura 62: Exemplo de guia rebaixada. ... 145
Figura 63: Rampa sem sinalização tátil de alerta. ... 146
Figura 64: Exemplo de rampa em conformidade. ... 146
Figura 65: Mezanino sem piso direcional. ... 147
Figura 66: Exemplo de piso direcional. ... 147
Figura 67: piso fora das normas de acessibilidade. ... 148
Figura 68: Piso acessível ... 148
Figura 69: piso fora das normas de acessibilidade. ... 149
Figura 70: piso acessível. ... 149
Figura 71: piso fora das normas de acessibilidade. ... 150
Figura 72: Piso acessível de acordo com a norma. ... 150
Figura 73: Entorno ao lado da estação na Rua Itamumbuca... 193
Figura 74: calçada rua Cavour ... 193
Figura 75: Rua Cavour ... 194
Figura 76: Entrada pela Av. Prof. Luiz Ignácio de Anhaia Mello ... 195
Figura 77: Escada sem sinalização. ... 195
Figura 78: Base sem o mapa tátil. ... 196
Figura 79: Totem sem o mapa tátil ... 197
Figura 80: Falta de instalação sanitária acessível. ... 197
Figura 81: Elevador isolado e sem piso direcional. ... 198
Figura 82: Totem sem o mapa tátil ... 199
Figura 83: Conformidade de sinalização horizontal, constituída pelos pisos direcional e de alerta. ... 199
Figura 84: Indicador visual vertical ... 200
Figura 85: Indicador eletrônico ... 200
Figura 86: Guia rebaixada ... 202
Figura 87: rampa obstruída por pilar. ... 202
Figura 88: rampa em desacordo com as normas de acessibilidade ... 203
Figura 89: Bloqueios com o piso direcional até eles. ... 204
Figura 90: Comunicação visual ... 204
Figura 91: ausência de piso direcional ... 205
Figura 92: Sinalização tátil na plataforma ... 205
LISTA DE TABELAS
Tabela 1: População com deficiência motora e mental. ... 44
Tabela 2: População com deficiência visual e auditiva. ... 46
Tabela 3: Dimensionamento de rampa entre 6,25% e 8,33%. ... 86
Tabela 4: Dimensionamento de rampa entre 8033% e 12,50%. ... 86
Tabela 5: Cálculo de largura de escada. ... 90
Tabela 6: Dimensionamento para cabina de elevador. ... 92
Tabela 7: Cálculo de tráfego das escadas rolantes. ... 95
Tabela 8: Dimensionamento de esteira rolante. ... 96
Tabela 9: Altura e percurso para plataforma com caixa enclausurada. ... 99
Tabela 10: Altura e percurso para plataforma sem caixa de enclausuramento. ... 100
Tabela 11: Sinalização visual, tátil e sonoro. ... 101
Tabela 12: Estações, extensões e datas de inauguração. ... 111
Tabela 13: Quantidades de pessoas que utilizam as estações do Metrô. .. 112
Tabela 14: Evolução dos índices de mobilidade urbana. ... 120
Tabela 15: Evolução e variação das viagens. ... 121
Tabela 16: Análise da acessibilidade na Estação Vila Prudente. ... 130
Tabela 17: Análise da acessibilidade na Estação Palmeiras-Barra Funda. 143
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1: Percentual da população brasileira com deficiência. ... 40
Gráfico 2: Percentual da população com deficiência no Nordeste. ... 41
Gráfico 3: Evolução das viagens em São Paulo. ... 121
Gráfico 4: Total de viagens diárias na RMSP. ... 122
Gráfico 5: Distribuição das viagens. ... 122
Gráfico 6: Evolução do tempo médio. ... 123
RESUMO
Esta dissertação tem como objetivo principal analisar a acessibilidade no Metrô de São Paulo, bem como a mobilidade das pessoas com deficiência nas estações da Companhia do Metropolitano. Trata-se de analisar as estações e seu entorno, com toda a arquitetura e equipamentos que compõem o sistema viário, os carros do Metrô e a comunicação visual que se destina a orientar os usuários. O estudo servirá como parâmetro para futuros projetos e construção de complexos viários da companhia do Metrô, como parte das políticas públicas que envolvam a mobilidade e acessibilidade para todos os usuários. O trabalho faz análise comparativa entre as construções, equipamentos, estações, comunicação visual e trens da Companhia do Metropolitano existentes, frente às leis de acessibilidade vigentes no Brasil como a NBR-9050/04 e o DEC. FEDERAL 5.296/04. A importância desta pesquisa está no fato de identificar e analisar os principais problemas da acessibilidade da Companhia do Metrô, demonstrando as diferenças entre o que as normas brasileiras determinam e o que realmente está sendo projetado e construído.
Palavras-Chaves: acessibilidade, transporte público coletivo.
ABSTRACT
This thesis aims to analyze the accessibility of the São Paulo Metro, as well as the mobility of persons with disabilities in the Metro Company stations. It is analyzing the stations and their surroundings, with all the architecture and equipment that make up the road system Subway cars and visual communication that is intended to guide users. The study will serve as a benchmark for future projects and road building complex company of Metro, as part of public policy affecting the mobility and accessibility for all users. The paper makes a comparative analysis of buildings, equipment, stations, trains and visual communication of the Company's existing Metropolitan, compared to existing accessibility laws in Brazil as the NBR-9050/04 and DEC. FEDERAL 5296/04. The importance of this research lies in the fact identify and analyze the main problems of accessibility of the Metro Company, showing the differences between the Brazilian and norms determine what is actually being designed and built.
Key Words: accessibility, public transportation.
SUMÁRIO
CAPÍTULO 1 ... 14
INTRODUÇÃO ... 14
1.1 Justificativa ... 18
1.2 Objetivo ... 18
1.2.1 Objetivo Geral ... 18
1.2.2 Objetivos Específicos ... 19
1.3 Metodologia ... 19
1.4 Referenciais teóricos ... 19
1.5 Descrição do problema ... 20
CAPÍTULO 2 ... 22
LEGISLAÇÕES E NORMAS TÉCNICAS ... 22
2.1 Legislação Federal Dec. 5.296/04 ... 23
2.1.1 NBR-9050/04 ... 24
2.1.2 NBR-14021/05 ... 25
2.1.3 NBR NM 313/07 ... 25
2.1.4 NBR 15655-1/09 ... 26
2.2 Legislações no Estado de São Paulo ... 27
2.3 Legislações e Normas Técnicas Internacionais ... 29
2.3.1 Decreto - Lei n.º 136/2006 (Portugal) ... 29
2.3.2 Lei Nº 24314/94 (Argentina) ... 32
2.3.3 ISO/TC 21.542/79 (USA) Acessibilidade na construção civil ... 33
2.3.4 Resolução ONU n.º 3.447/75 ... 34
2.3.5 AG/DOC. 3.826/99 Convenção da Organização dos Estados Americanos... 35
CAPÍTULO 3 ... 37
PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS OU MOBILIDADE REDUZIDA ... 37
3.1 Conceito: ... 37
3.2. Deficiência Física ou motora: ... 42
3.3 Deficiência Mental ... 43
3.4 Deficiência Visual ... 44
3.5 Deficiência Auditiva ... 45
3.6 Inclusão da pessoa com deficiência ... 46
3.7 Os direitos do deficiente ... 48
3.7.1 Garantia ao trabalho ... 49
3.7.2 Direito à Educação ... 50
3.7.3 Direito ao Transporte ... 51
3.8 Como os deficientes são tratados no Brasil ... 52
CAPÍTULO 4 ... 55
ACESSIBILIDADE ... 55
4.1 Conceito ... 55
4.2 Desenho Universal ... 64
4.3 Princípios do Desenho Universal... 66
4.4 Mobilidade Urbana ... 72
4.5 As calçadas como meios de locomoção ... 77
4.6- Indicadores técnicos de acessibilidade ... 82
4.6.1 Circulação ... 83
4.6.2 Circulação vertical ... 84
4.6.3 Rampas fixas ... 84
4.6.4 Escadas fixas ... 86
4.6.5 Elevadores ... 91
4.6.6 Escadas rolantes ... 93
4.6.7 Esteiras rolantes ... 95
4.6.8 Plataformas verticais ... 97
4.6.9 Comunicação e sinalização ... 100
4.6.10 Sinalização tátil ... 103
4.6.11 Instalações sanitárias acessíveis ... 107
CAPÍTULO 5 ... 110
O METRÔ DE SÃO PAULO ... 110
5.1 Histórico ... 110
5.2 Pesquisa de origem e destino ... 118
CAPÍTULO 6 ... 125
ESTUDO DE CASO ... 125
6.1 Vila Prudente ... 125
6.2 Palmeiras-Barra-Funda ... 140
CAPÍTULO 7 ... 152
CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 152
REFERÊNCIAS ... 158
ANEXO I ... 168
ANEXO II ... 179
ANEXO III ... 191
CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO
É fundamental que todos os cidadãos, independente da classe social a que pertencem, tenham assegurado o direito de estar inseridos no contexto dos transportes acessíveis que utilizam como meios de locomoção diariamente, principalmente para se dirigirem aos seus locais de trabalho.
A mobilidade urbana acessível é de fundamental importância para que todos os usuários possam efetuar, por meio de vias de rolamento, calçadas e o sistema Metroviário de São Paulo, os deslocamentos necessários, com autonomia e inclusão social.
Para isso, é preciso que haja as condições mínimas necessárias para que usuários do Metrô possam fazer uso das calçadas para chegar até as estações e utilizar o Metropolitano, como meio acessível e integrador, como determinado no DEC. FEDERAL, 5296/04.
Infelizmente, tanto aqueles que utilizam o sistema de transporte público quanto os que utilizam as calçadas como vias de deslocamentos deparam - se com os mais diversos problemas, seja por barreiras físicas nos passeios que diariamente precisam ser transpostas, ou por falta de equipamentos acessíveis no entorno e nas próprias estações.
O sistema de transporte do Metrô ainda carece de adaptação inclusiva das mais variadas ordens, desde a condição de acesso às estações, vagões, sistema de circulação horizontal e vertical, sinalização e adaptação de trens e plataformas e, até mesmo, as condições mínimas necessárias para que as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida tenham a possibilidade de circular com autonomia.
Quanto aos passeios, eles apresentam um número variado de problemas que vão desde os tipos de materiais utilizados e desníveis até mesmo a interrupção de acesso pela descontinuidade dos pisos ou barreiras físicas.
Para as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, que são as
impossibilidades temporárias de locomoção autônoma, as dificuldades de transitar
nos meios urbanos são bem maiores, devido à falta de transporte acessível ou às
más condições de acessibilidade apresentadas pelos sistemas públicos de São
Paulo.
A região metropolitana de São Paulo tem uma importância relevante para o desenvolvimento do estado e do país, pois concentra 39 municípios de grande capacidade geradora de riqueza e uma população de quase vinte milhões de habitantes. Apesar da relevância da região, a política de transporte público, principalmente nos últimos quarenta anos, foi mais voltada para o transporte rodoviário, deixando o transporte sobre trilhos como os trens e metrôs, aquém da quantidade e qualidade ideal para o bom atendimento dos seus usuários, (FREDERICO, 2006).
Para sanar as dificuldades enfrentadas pela população da região metropolitana de São Paulo, foi criado em 1995 o PITU 2020, (Plano Integrado de Transporte Urbano), programa esse que estuda e projeta melhorias no sistema de transporte público, incluindo a acessibilidade. Através do PITU 2020, a integração estudada resultou na complementação de gestão dos transportes metropolitanos sob a responsabilidade da Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo que detém o planejamento, administração, fiscalização e operação dos modais que compõem os sistemas formados principalmente pelo Metrô, (FREDERICO, 2006).
De acordo com o Metrô, 2013, o Sistema Metroviário de São Paulo é composto atualmente por cinco linhas em atividade, é o mais importante sistema de transporte da região metropolitana, formado pelas Linhas Azul, Verde, Vermelha, Amarela e Lilás, que integram as Regiões Norte, Sul, Oeste e Leste da cidade interligando os seguintes bairros: a Linha Azul, que serve do terminal Jabaquara ao Tucuruvi, a Linha Verde, que liga a Vila Madalena à Vila Prudente, a Linha Vermelha que vai da Estação Palmeiras-Barra Funda a Corinthians-Itaquera, a Linha Via Quatro Amarela da Estação Vila Sônia à Estação da Luz e a Linha Lilás, do Capão Redondo ao Lago 13, em Santo Amaro que juntas, transportam mais de 4.000.000 (quatro milhões) de passageiros em dias úteis, (METRÔ, 2013).
A preocupação com acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência
ou mobilidade reduzida no Metrô de São Paulo, nos últimos anos, tem motivado o
poder público e a companhia que administra o Metrô a implantarem alguns
equipamentos acessíveis, o que demonstra uma maior preocupação com a
arquitetura inclusiva, e um sistema de comunicação visual mais eficaz, que estão
contribuindo para melhoria da mobilidade dos usuários no principal meio de
transportes de São Paulo.
Nas linhas novas do Metrô, principalmente a Via Quatro Amarela, houve uma maior preocupação dos projetistas em oferecer aos usuários desse sistema de transporte, um mínimo de condição de mobilidade com autonomia. Apesar da melhoria nos carros do Metrô por meio da identificação de assentos preferenciais, nas estações com a implantação de equipamento de transportes verticais como elevadores, escadas rolantes, esteiras rolantes, pisos de alerta, piso direcional e WC acessível e comunicação visual, são notórios os problemas de acessibilidade para atender às normas brasileiras.
Pesquisa realizada pelo IBGE, 2010, identificou que há no Brasil cerca de 45 milhões de pessoas que declararam ter algum tipo de deficiência, seja visual, auditiva, mental ou física.
De acordo com a pesquisa, uns já nasceram com a deficiência outros são vítimas de doenças ou acidentes. Estima-se que 24% da população brasileira apresentaram algum tipo de deficiência, (IBGE, 2010).
Acessibilidade não é para um grupo específico de pessoas, mas tem como objetivo a inclusão das especificidades do universo de pessoas no desenho urbano e de produtos. Como decorrência, há que se considerar que a acessibilidade não deve ser entendida simplesmente como eliminação de barreiras arquitetônicas para um pequeno grupo de pessoas com diferenciais físicos, mentais ou sensoriais, mas deve ser vista sob um olhar mais amplo em que todas as pessoas possam se deslocar com segurança e autonomia, (FERNANDES, 2003).
A maioria das pessoas em alguma fase de sua vida pode tornar-se incapaz para a realização de tarefas quotidianas, devido a algum tipo de acidente, gravidez, sequelas por doenças, idade ou por outras síndromes que determinem a incapacidade da mobilidade (QUALHARINI, 1997).
O projeto de pesquisa é composto por unidades de estudos que juntas formam esta dissertação e está divido em sete capítulos conforme descrição abaixo:
O Capítulo I é formado pela introdução, justificativa, objetivo geral, objetivo específico, metodologia do trabalho de pesquisa, referenciais teóricos e descrição do problema. Esses aspectos constituem a estrutura do trabalho que será desenvolvido dentro dessa lógica de estudo.
O capítulo II trata das normas técnicas, decretos e leis. Dentre as normas
técnicas, destacam-se a NBR 9050/04, que é referência para este trabalho, e o
Decreto Lei 5.296/04, que é o pilar mestre que norteia as normas e leis de
acessibilidade brasileiras. Como complemento, ainda existem as leis estaduais e municipais de São Paulo. E por fim integram as leis, normas e decretos internacionais.
Já o capítulo III faz referência às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, destacando o conceito, os tipos de deficiências, tais como a física ou motora, visual e seus graus, auditiva, mental ou intelectual; a inclusão social da pessoa com deficiência, os direitos da pessoa com deficiência e como essas pessoas são tratadas no Brasil.
No capítulo IV é relatada de maneira abrangente a acessibilidade no Metrô de São Paulo. Inicialmente trazemos o conceito de acessibilidade, depois falamos do Desenho Universal e dos seus princípios, mostrando exemplos práticos do dia-a-dia;
posteriormente, a mobilidade urbana é descrita tendo como referência autores conhecidos; também as calçadas são estudadas como meios de locomoção para todas as pessoas e, por fim, abordamos os indicadores técnicos de acessibilidade.
O capítulo V se inicia com um breve histórico do Metrô de São Paulo, apresentando dados como a data de fundação, as primeiras estações, como foi o início de funcionamento, faz a descrição das linhas e estações que compõem o sistema do Metrô e se conclui com uma pesquisa de origem e destino que mostra em forma de gráficos os principais indicadores do Metrô.
O capítulo VI realiza o estudo de caso da dissertação, tendo como parâmetro as Estações Vila Prudente e Palmeiras Barra Funda do Metrô. Através de tabelas e relatórios fotográficos, é possível indicar as conformidades e as desconformidades encontradas no entorno, acessos, plataformas e mezaninos de cada estação. Indicamos também em cada desconformidade o equivalente que
determina a NBR 9050/04, inclusive o item da norma em referência.
No capítulo VII, são feitas as considerações finais da dissertação, demonstrando a importância da acessibilidade nas edificações e sistema de transporte do Metrô, para que todas as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida possam se utilizar do sistema, de maneira autônoma, promovendo a inclusão social, indistintamente da sua condição no contexto da sociedade.
Além dos capítulos descritos, a dissertação é formada ainda pelas
referências bibliográficas e anexos.
1.1 Justificativa
O trabalho se justifica por contribuir com a pesquisa na área da acessibilidade em sistema de transporte público de São Paulo, avaliando e oferecendo diretrizes de análise desse tipo de edificação, oferecendo às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida a possibilidade de uma melhor mobilidade e integração social no maior e mais complexo sistema de transporte público da Cidade de São Paulo.
Contribui ainda por conter proposta de estudo no sentido de melhorar o sistema de acessibilidade para que as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida através de diagnóstico feito in loco possam usufruir de um transporte público acessível na cidade de São Paulo.
Com este estudo, é possível levar aos administradores públicos e projetistas a discussão do tema, para demonstrar a relevância da questão e o quanto ainda é preciso fazer para oferecer uma mobilidade no Metrô, de forma inclusiva em que todos os usuários tenham direitos iguais de locomoção, sem barreiras e entraves de natureza arquitetônica.
1.2 Objetivo
Os objetivos desta pesquisa são:
1.2.1 Objetivo Geral
O objetivo geral deste trabalho é o de avaliar a acessibilidade das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, no acesso ao sistema de transporte do Metrô, com referência ao cumprimento das leis e normas de acessibilidade vigentes no Brasil.
Objetiva também analisar a acessibilidade nos equipamentos de transporte
vertical, nas estações, no seu entorno e na comunicação visual do sistema
Metropolitano de São Paulo.
1.2.2 Objetivos Específicos
Os objetivos específicos da pesquisa visam a investigar e analisar os itens apresentados abaixo:
A acessibilidade praticada pelo Metrô de São Paulo, em particular nas Estações Vila Prudente e Palmeiras Barra Funda, que são as estações que compõem o estudo de caso, mediante a NBR-9050/04 da ABNT, e o Decreto Lei 5.296/04.
Os principais obstáculos à mobilidade encontrados no sistema de transporte em determinadas linha do Metrô que apresentam, por exemplo, o entorno, a comunicação visual, equipamentos de circulação vertical que não atendem às normas, em outras já são os pisos direcionais, instalações sanitárias, que na maioria das vezes estão em desconformidade com as normas de acessibilidade.
1.3 Metodologia
Para o desenvolvimento deste trabalho serão utilizados materiais de fontes primárias e secundárias de documentação, tais como a revisão bibliográfica dos principais conceitos de acessibilidade e normas atuais, tendo como parâmetro a NBR 9050/04, o Decreto Federal 5296/04 e NBR 14021/05.
A pesquisa contará com dados de indicadores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do Ministério das Cidades, da Secretaria de Transportes de São Paulo, aplicados para fundamentar a discussão teórica e prática.
Faremos uma comparação com normas internacionais, levantamento in-loco nas estações sobre a comunicação visual, entorno, plataformas e mezaninos, bem como relatório fotográfico do atual sistema de acessibilidade do Metrô.
1.4 Referenciais teóricos
A norma de acessibilidade da ABNT, NBR-9050/04, acessibilidade a
edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos estabelece critérios e
parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação
e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos que atendam às condições de acessibilidade. Essa Norma visa também proporcionar à maior quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção, a utilização de maneira autônoma e segura dos elementos acessíveis.
Tudo que vier a ser projetado, construído, montado ou implantado, bem como as reformas e ampliações de edificações e equipamentos urbanos, deve atender ao disposto nessa norma para ser considerado acessível, ou seja, para que haja condição de acesso para todos em qualquer lugar sem barreiras ou interferências de ordem física e com autonomia de quem a utiliza.
A NBR 14.021/05 “estabelece os critérios e parâmetros técnicos a serem observados para acessibilidade no sistema de trem urbano ou metropolitano, de acordo com os preceitos do Desenho Universal”.
O Decreto 5.296/04 que regula a Lei 10.098/00 que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida também será incorporado ao projeto de pesquisa, além das normas e legislações internacionais, que tratam da acessibilidade. Serão referenciados ao longo do trabalho livros, dissertações, teses e bibliografias de outros autores, com temas equivalentes sobre análise de acessibilidade em transporte público.
1.5 Descrição do problema
O trabalho de pesquisa sobre a análise da acessibilidade no Metrô de São Paulo nasceu da necessidade de demonstrar a real situação em que se encontra o principal meio de transporte da Região Metropolitana quanto à acessibilidade e principalmente à mobilidade acessível do sistema de transporte e seu entorno.
A Companhia do Metrô, apesar dos esforços em melhorar, ainda oferece um sistema de transporte que não atende em muitos quesitos à acessibilidade inclusiva para seus usuários, às normas de acessibilidade regulamentadas no Brasil.
Apesar de os índices contabilizados pelo IBGE demonstrarem que a cada
ano aumenta o número de pessoas com deficiência e em especial em São Paulo, a
Companhia do Metrô não consegue entregar aos seus usuários um sistema de
transporte acessível em toda sua plenitude e que atenda aos principais pontos das normas de acessibilidade.
Isso se deve à falta de uma política pública no que se refere à concepção de projetos e construção de Metrô no país e em especial São Paulo, tendo em vista a imposição da política de transporte coletivo sobre rodas incentivado pelos governos federal e estadual, que praticamente anulou o sistema de transporte coletivo sobre trilhos.
Devido ao grande inchamento populacional registrado na Região
Metropolitana de São Paulo, a maioria da população utiliza o Metrô como um dos
principais meios de locomoção diária, por isso, torna-se necessário um olhar mais
apurado e um planejamento responsável com relação a projetos e construção de
edificações e de todo o sistema que compõe o Metrô, como um meio integrador da
pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida.
CAPÍTULO 2
LEGISLAÇÕES E NORMAS TÉCNICAS
A acessibilidade representa o respeito e a valorização da diversidade humana, visando à inclusão autônoma e ao bem-estar daquelas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Os seres humanos precisam ter uma vivência harmoniosa em sociedade, compartilhando o seu conhecimento e as suas condições de trabalho e aperfeiçoamento para a promoção e a garantia da igualdade social.
A legislação federal prevê acessibilidade para as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, tais como gestantes, pessoas com crianças de colo, pessoas com massa corpórea superior a 40 IMC 1 , além de determinadas parcelas das pessoas com idade igual ou superior a 60 anos.
Apesar de existirem muitas leis e decretos federais a respeito desse assunto, o acesso pleno dessas pessoas ainda depende de mudanças de comportamento sociocultural. Todas as decisões provenientes das ações do governo, das políticas públicas e os demais programas relacionados com os temas acessibilidade e inclusão social são indispensáveis para alavancar as mudanças de atitudes das pessoas com relação ao pensamento e maneira de agir com os demais cidadãos da sociedade.
Cabe ao Estado, dentre todas as organizações que atuam em defesa da inclusão social, criar condições para que as pessoas com deficiências ou com mobilidade reduzida se beneficiem do cumprimento das legislações criadas para defender os seus direitos de maneira contínua e aperfeiçoamento pleno, possibilitando a igualdade e a oportunidades para todos os cidadãos pertencentes à sociedade brasileira.
O conjunto de leis, normas e decretos leis foi elaborado para que haja um maior grau de responsabilidade por parte do poder público com relação às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida para que sejam efetivamente colocadas em prática para atender a todos os usuários do sistema de transporte público de São
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