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(1)

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

ANÁLISE DA ACESSIBILIDADE NO METRÔ DE SÃO PAULO

.

São Paulo

2014

(2)

UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE

JOSÉ LIMA BEZERRA

ANÁLISE DA ACESSIBILIDADE NO METRÔ DE SÃO PAULO

.

Dissertação apresentada ao Programa de Pós- Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Arquitetura e Urbanismo.

Orientador: Prof. Dr. José Geraldo Simões Júnior

São Paulo

2014

(3)

AUTORIZO A REPRODUÇÃO E DIVULGAÇÃO TOTAL OU PARCIAL DESTE TRABALHO, POR QUALQUER MEIO CONVENCIONAL OU ELETRÔNICO, PARA FINS DE ESTUDO E PESQUISA, DESDE QUE CITADA A FONTE.

B574a Bezerra, José Lima.

Análise da acessibilidade no metrô de São Paulo / José Lima Bezerra. – 2014.

206 f.: il.; 30 cm.

Mestrado (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2014.

Referências bibliográficas: f. 159-168.

1. Acessibilidade. 2. Transporte público coletivo. I.

Título.

CDD 720.87

(4)

DEDICATÓRIA

Aos meus pais, pelo incentivo constante nos

momentos difíceis; aos meus filhos e amigos, que

sempre estiveram ao meu lado, apoiando na

realização deste trabalho.

(5)

AGRADECIMENTOS

Agradeço a Deus, criador do Universo, da vida em todas as dimensões, responsável direto pela minha ascensão, que possibilitou a realização deste trabalho, com muita luta e esforço quase sobre-humano e que nunca me deixou desistir nas horas de maior dificuldade para concretizar este projeto, cuja realização é um dos maiores desafios da minha vida pessoal e profissional.

A toda minha família, bem como aos meus amigos que de alguma forma se envolveram direta e indiretamente na construção deste trabalho.

Ao meu orientador Prof. Dr. José Geraldo Simões Júnior, pela incansável dedicação e apreço com que me ajudou na construção desse sonho.

Aos amados Professores: Gilda Colett Bruna, Maria Augusta Justi Pisani, Angélica Benatti Alvim, Ana Gabriela Godinho Lima, Rafael Antônio Cunha Perrone, Eunice Helena S. Abascal, Nádia Somekh, Abílio da Silva Guerra Neto, Célia Regina Moretti Meirelles, Maria Elisabete Lopes e Simone Helena Tanoue Vizioli, dentre outros colaboradores que tiveram uma grande importância neste trabalho. Aos colegas de curso com os quais, durante o período em que estivemos juntos, houve uma harmonia e cumplicidade de todos em prol da melhoria e crescimento coletivo, sem que houvesse espaço para a vaidade pessoal.

À secretaria e principalmente aos coordenadores do curso, que trabalharam para o bem maior e crescimento de todo o grupo discente.

Agradeço, ainda, aos mais diferentes colaboradores da Universidade

Presbiteriana Mackenzie, que independente da função que exercem, contribuíram

para o engrandecimento e qualidade do curso.

(6)

LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Rampa móvel de madeira improvisada. ... 57

Figura 2 Entrada acessível na estação da Luz. ... 57

Figura 3: Calçada obstruída por canteiros. ... 58

Figura 4: Calçada com piso acessível. ... 59

Figura 5: Piso tátil de alerta na Estação Paulista. ... 60

Figura 6: Painel indicador no interior do Metrô. ... 61

Figura 7: Porta automática de elevador. ... 67

Figura 8: Conjunto de escada e rampa. ... 68

Figura 9: Símbolo de WC Feminino acessível. ... 68

Figura 10: Símbolo de WC Unissex acessível. ... 69

Figura 11: Escada com sinalização. ... 70

Figura 12: Torneira com sensor. ... 71

Figura 13: Telefone acessível. ... 72

Figura 14: Rua 25 de março. ... 74

Figura 15: Calçada obstruída por árvore. ... 78

Figura 16: Calçada com piso acessível. ... 79

Figura 17: Calçada obstruída por guarita. ... 80

Figura 18: Calçada com piso direcional. ... 80

Figura 19: Calçada modelo da prefeitura de São Paulo. ... 82

Figura 20: Modelo de rampa acessível. ... 85

Figura 21: Modelo de escada acessível. ... 87

Figura 22: Exemplo de escada acessível. ... 89

Figura 23: Exemplo de corrimão acessível. ... 91

Figura 24: Modelo de escada rolante. ... 94

Figura 25: Modelo de esteira rolante. ... 97

Figura 26: Exemplo de esteira rolante. ... 97

Figura 27: Plataforma vertical. ... 98

Figura 28: Símbolo internacional de acessibilidade. ... 101

Figura 29: Orientador de comunicação visual. ... 102

Figura 30: Proporção de textos. ... 103

Figura 31: Fórmula para calcular os textos. ... 104

Figura 32: Piso tátil de alerta. ... 105

Figura 33: Piso tátil direcional. ... 106

Figura 34: Semáforo sonoro e luminoso. ... 107

Figura 35: Instalação sanitária acessível com transferência Diagonal, lateral e perpendicular. ... 108

Figura 36: Instalação sanitária acessível com uma transferência. ... 109

Figura 37: Mapa esquemático do sistema do Metrô. ... 113

Figura 38: Mapa da RMSP. ... 119

Figura 39: Mapa de localização da Estação Vila Prudente do Metrô ... 128

Figura 40: Elevador desconforme. ... 130

Figura 41: Elevador em conformidade. ... 131

Figura 42: Acesso sem piso direcional pela Av. Anhaia Mello. ... 131

Figura 43: Acesso com piso direcional. ... 132

Figura 44: Escada desconforme. ... 132

Figura 45: Escada em conformidade. ... 133

Figura 46: Guia com rebaixamento desconforme. ... 133

Figura 47: Guia com rebaixamento em conformidade. ... 134

(7)

Figura 48: Rampa sem corrimão ... 134

Figura 49: Rampa com os corrimãos de acordo com a norma de acessibilidade. ... 135

Figura 50: totem sem o mapa tátil. ... 136

Figura 51: imagem tratada: mapa tátil de acordo com a norma de acessibilidade. ... 136

Figura 52: totem sem o mapa tátil. ... 137

Figura 53: mapa tátil em conformidade com a norma de acessibilidade. ... 137

Figura 54: sanitários em desacordo com a norma de acessibilidade. ... 138

Figura 55: sanitários de acordo com a norma de acessibilidade. ... 138

Figura 56: mapa tátil, em desacordo com a norma de acessibilidade. ... 139

Figura 57: mapa tátil em de acordo com a norma de acessibilidade. ... 139

Figura 58: Mapa de localização das fotos que formam o estudo de caso da Estação Palmeiras-Barra Funda. ... 142

Figura 59: escada sem sinalização. ... 144

Figura 60: Escada com sinalização. ... 144

Figura 61: Guia sem rebaixamento PBF... 145

Figura 62: Exemplo de guia rebaixada. ... 145

Figura 63: Rampa sem sinalização tátil de alerta. ... 146

Figura 64: Exemplo de rampa em conformidade. ... 146

Figura 65: Mezanino sem piso direcional. ... 147

Figura 66: Exemplo de piso direcional. ... 147

Figura 67: piso fora das normas de acessibilidade. ... 148

Figura 68: Piso acessível ... 148

Figura 69: piso fora das normas de acessibilidade. ... 149

Figura 70: piso acessível. ... 149

Figura 71: piso fora das normas de acessibilidade. ... 150

Figura 72: Piso acessível de acordo com a norma. ... 150

Figura 73: Entorno ao lado da estação na Rua Itamumbuca... 193

Figura 74: calçada rua Cavour ... 193

Figura 75: Rua Cavour ... 194

Figura 76: Entrada pela Av. Prof. Luiz Ignácio de Anhaia Mello ... 195

Figura 77: Escada sem sinalização. ... 195

Figura 78: Base sem o mapa tátil. ... 196

Figura 79: Totem sem o mapa tátil ... 197

Figura 80: Falta de instalação sanitária acessível. ... 197

Figura 81: Elevador isolado e sem piso direcional. ... 198

Figura 82: Totem sem o mapa tátil ... 199

Figura 83: Conformidade de sinalização horizontal, constituída pelos pisos direcional e de alerta. ... 199

Figura 84: Indicador visual vertical ... 200

Figura 85: Indicador eletrônico ... 200

Figura 86: Guia rebaixada ... 202

Figura 87: rampa obstruída por pilar. ... 202

Figura 88: rampa em desacordo com as normas de acessibilidade ... 203

Figura 89: Bloqueios com o piso direcional até eles. ... 204

Figura 90: Comunicação visual ... 204

Figura 91: ausência de piso direcional ... 205

Figura 92: Sinalização tátil na plataforma ... 205

(8)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1: População com deficiência motora e mental. ... 44

Tabela 2: População com deficiência visual e auditiva. ... 46

Tabela 3: Dimensionamento de rampa entre 6,25% e 8,33%. ... 86

Tabela 4: Dimensionamento de rampa entre 8033% e 12,50%. ... 86

Tabela 5: Cálculo de largura de escada. ... 90

Tabela 6: Dimensionamento para cabina de elevador. ... 92

Tabela 7: Cálculo de tráfego das escadas rolantes. ... 95

Tabela 8: Dimensionamento de esteira rolante. ... 96

Tabela 9: Altura e percurso para plataforma com caixa enclausurada. ... 99

Tabela 10: Altura e percurso para plataforma sem caixa de enclausuramento. ... 100

Tabela 11: Sinalização visual, tátil e sonoro. ... 101

Tabela 12: Estações, extensões e datas de inauguração. ... 111

Tabela 13: Quantidades de pessoas que utilizam as estações do Metrô. .. 112

Tabela 14: Evolução dos índices de mobilidade urbana. ... 120

Tabela 15: Evolução e variação das viagens. ... 121

Tabela 16: Análise da acessibilidade na Estação Vila Prudente. ... 130

Tabela 17: Análise da acessibilidade na Estação Palmeiras-Barra Funda. 143

(9)

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1: Percentual da população brasileira com deficiência. ... 40

Gráfico 2: Percentual da população com deficiência no Nordeste. ... 41

Gráfico 3: Evolução das viagens em São Paulo. ... 121

Gráfico 4: Total de viagens diárias na RMSP. ... 122

Gráfico 5: Distribuição das viagens. ... 122

Gráfico 6: Evolução do tempo médio. ... 123

(10)

RESUMO

Esta dissertação tem como objetivo principal analisar a acessibilidade no Metrô de São Paulo, bem como a mobilidade das pessoas com deficiência nas estações da Companhia do Metropolitano. Trata-se de analisar as estações e seu entorno, com toda a arquitetura e equipamentos que compõem o sistema viário, os carros do Metrô e a comunicação visual que se destina a orientar os usuários. O estudo servirá como parâmetro para futuros projetos e construção de complexos viários da companhia do Metrô, como parte das políticas públicas que envolvam a mobilidade e acessibilidade para todos os usuários. O trabalho faz análise comparativa entre as construções, equipamentos, estações, comunicação visual e trens da Companhia do Metropolitano existentes, frente às leis de acessibilidade vigentes no Brasil como a NBR-9050/04 e o DEC. FEDERAL 5.296/04. A importância desta pesquisa está no fato de identificar e analisar os principais problemas da acessibilidade da Companhia do Metrô, demonstrando as diferenças entre o que as normas brasileiras determinam e o que realmente está sendo projetado e construído.

Palavras-Chaves: acessibilidade, transporte público coletivo.

(11)

ABSTRACT

This thesis aims to analyze the accessibility of the São Paulo Metro, as well as the mobility of persons with disabilities in the Metro Company stations. It is analyzing the stations and their surroundings, with all the architecture and equipment that make up the road system Subway cars and visual communication that is intended to guide users. The study will serve as a benchmark for future projects and road building complex company of Metro, as part of public policy affecting the mobility and accessibility for all users. The paper makes a comparative analysis of buildings, equipment, stations, trains and visual communication of the Company's existing Metropolitan, compared to existing accessibility laws in Brazil as the NBR-9050/04 and DEC. FEDERAL 5296/04. The importance of this research lies in the fact identify and analyze the main problems of accessibility of the Metro Company, showing the differences between the Brazilian and norms determine what is actually being designed and built.

Key Words: accessibility, public transportation.

(12)

SUMÁRIO

CAPÍTULO 1 ... 14

INTRODUÇÃO ... 14

1.1 Justificativa ... 18

1.2 Objetivo ... 18

1.2.1 Objetivo Geral ... 18

1.2.2 Objetivos Específicos ... 19

1.3 Metodologia ... 19

1.4 Referenciais teóricos ... 19

1.5 Descrição do problema ... 20

CAPÍTULO 2 ... 22

LEGISLAÇÕES E NORMAS TÉCNICAS ... 22

2.1 Legislação Federal Dec. 5.296/04 ... 23

2.1.1 NBR-9050/04 ... 24

2.1.2 NBR-14021/05 ... 25

2.1.3 NBR NM 313/07 ... 25

2.1.4 NBR 15655-1/09 ... 26

2.2 Legislações no Estado de São Paulo ... 27

2.3 Legislações e Normas Técnicas Internacionais ... 29

2.3.1 Decreto - Lei n.º 136/2006 (Portugal) ... 29

2.3.2 Lei Nº 24314/94 (Argentina) ... 32

2.3.3 ISO/TC 21.542/79 (USA) Acessibilidade na construção civil ... 33

2.3.4 Resolução ONU n.º 3.447/75 ... 34

2.3.5 AG/DOC. 3.826/99 Convenção da Organização dos Estados Americanos... 35

CAPÍTULO 3 ... 37

PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS OU MOBILIDADE REDUZIDA ... 37

3.1 Conceito: ... 37

3.2. Deficiência Física ou motora: ... 42

3.3 Deficiência Mental ... 43

3.4 Deficiência Visual ... 44

3.5 Deficiência Auditiva ... 45

3.6 Inclusão da pessoa com deficiência ... 46

3.7 Os direitos do deficiente ... 48

3.7.1 Garantia ao trabalho ... 49

3.7.2 Direito à Educação ... 50

3.7.3 Direito ao Transporte ... 51

(13)

3.8 Como os deficientes são tratados no Brasil ... 52

CAPÍTULO 4 ... 55

ACESSIBILIDADE ... 55

4.1 Conceito ... 55

4.2 Desenho Universal ... 64

4.3 Princípios do Desenho Universal... 66

4.4 Mobilidade Urbana ... 72

4.5 As calçadas como meios de locomoção ... 77

4.6- Indicadores técnicos de acessibilidade ... 82

4.6.1 Circulação ... 83

4.6.2 Circulação vertical ... 84

4.6.3 Rampas fixas ... 84

4.6.4 Escadas fixas ... 86

4.6.5 Elevadores ... 91

4.6.6 Escadas rolantes ... 93

4.6.7 Esteiras rolantes ... 95

4.6.8 Plataformas verticais ... 97

4.6.9 Comunicação e sinalização ... 100

4.6.10 Sinalização tátil ... 103

4.6.11 Instalações sanitárias acessíveis ... 107

CAPÍTULO 5 ... 110

O METRÔ DE SÃO PAULO ... 110

5.1 Histórico ... 110

5.2 Pesquisa de origem e destino ... 118

CAPÍTULO 6 ... 125

ESTUDO DE CASO ... 125

6.1 Vila Prudente ... 125

6.2 Palmeiras-Barra-Funda ... 140

CAPÍTULO 7 ... 152

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 152

REFERÊNCIAS ... 158

ANEXO I ... 168

ANEXO II ... 179

ANEXO III ... 191

(14)

CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO

É fundamental que todos os cidadãos, independente da classe social a que pertencem, tenham assegurado o direito de estar inseridos no contexto dos transportes acessíveis que utilizam como meios de locomoção diariamente, principalmente para se dirigirem aos seus locais de trabalho.

A mobilidade urbana acessível é de fundamental importância para que todos os usuários possam efetuar, por meio de vias de rolamento, calçadas e o sistema Metroviário de São Paulo, os deslocamentos necessários, com autonomia e inclusão social.

Para isso, é preciso que haja as condições mínimas necessárias para que usuários do Metrô possam fazer uso das calçadas para chegar até as estações e utilizar o Metropolitano, como meio acessível e integrador, como determinado no DEC. FEDERAL, 5296/04.

Infelizmente, tanto aqueles que utilizam o sistema de transporte público quanto os que utilizam as calçadas como vias de deslocamentos deparam - se com os mais diversos problemas, seja por barreiras físicas nos passeios que diariamente precisam ser transpostas, ou por falta de equipamentos acessíveis no entorno e nas próprias estações.

O sistema de transporte do Metrô ainda carece de adaptação inclusiva das mais variadas ordens, desde a condição de acesso às estações, vagões, sistema de circulação horizontal e vertical, sinalização e adaptação de trens e plataformas e, até mesmo, as condições mínimas necessárias para que as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida tenham a possibilidade de circular com autonomia.

Quanto aos passeios, eles apresentam um número variado de problemas que vão desde os tipos de materiais utilizados e desníveis até mesmo a interrupção de acesso pela descontinuidade dos pisos ou barreiras físicas.

Para as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, que são as

impossibilidades temporárias de locomoção autônoma, as dificuldades de transitar

nos meios urbanos são bem maiores, devido à falta de transporte acessível ou às

más condições de acessibilidade apresentadas pelos sistemas públicos de São

Paulo.

(15)

A região metropolitana de São Paulo tem uma importância relevante para o desenvolvimento do estado e do país, pois concentra 39 municípios de grande capacidade geradora de riqueza e uma população de quase vinte milhões de habitantes. Apesar da relevância da região, a política de transporte público, principalmente nos últimos quarenta anos, foi mais voltada para o transporte rodoviário, deixando o transporte sobre trilhos como os trens e metrôs, aquém da quantidade e qualidade ideal para o bom atendimento dos seus usuários, (FREDERICO, 2006).

Para sanar as dificuldades enfrentadas pela população da região metropolitana de São Paulo, foi criado em 1995 o PITU 2020, (Plano Integrado de Transporte Urbano), programa esse que estuda e projeta melhorias no sistema de transporte público, incluindo a acessibilidade. Através do PITU 2020, a integração estudada resultou na complementação de gestão dos transportes metropolitanos sob a responsabilidade da Secretaria de Transportes Metropolitanos de São Paulo que detém o planejamento, administração, fiscalização e operação dos modais que compõem os sistemas formados principalmente pelo Metrô, (FREDERICO, 2006).

De acordo com o Metrô, 2013, o Sistema Metroviário de São Paulo é composto atualmente por cinco linhas em atividade, é o mais importante sistema de transporte da região metropolitana, formado pelas Linhas Azul, Verde, Vermelha, Amarela e Lilás, que integram as Regiões Norte, Sul, Oeste e Leste da cidade interligando os seguintes bairros: a Linha Azul, que serve do terminal Jabaquara ao Tucuruvi, a Linha Verde, que liga a Vila Madalena à Vila Prudente, a Linha Vermelha que vai da Estação Palmeiras-Barra Funda a Corinthians-Itaquera, a Linha Via Quatro Amarela da Estação Vila Sônia à Estação da Luz e a Linha Lilás, do Capão Redondo ao Lago 13, em Santo Amaro que juntas, transportam mais de 4.000.000 (quatro milhões) de passageiros em dias úteis, (METRÔ, 2013).

A preocupação com acessibilidade e inclusão das pessoas com deficiência

ou mobilidade reduzida no Metrô de São Paulo, nos últimos anos, tem motivado o

poder público e a companhia que administra o Metrô a implantarem alguns

equipamentos acessíveis, o que demonstra uma maior preocupação com a

arquitetura inclusiva, e um sistema de comunicação visual mais eficaz, que estão

contribuindo para melhoria da mobilidade dos usuários no principal meio de

transportes de São Paulo.

(16)

Nas linhas novas do Metrô, principalmente a Via Quatro Amarela, houve uma maior preocupação dos projetistas em oferecer aos usuários desse sistema de transporte, um mínimo de condição de mobilidade com autonomia. Apesar da melhoria nos carros do Metrô por meio da identificação de assentos preferenciais, nas estações com a implantação de equipamento de transportes verticais como elevadores, escadas rolantes, esteiras rolantes, pisos de alerta, piso direcional e WC acessível e comunicação visual, são notórios os problemas de acessibilidade para atender às normas brasileiras.

Pesquisa realizada pelo IBGE, 2010, identificou que há no Brasil cerca de 45 milhões de pessoas que declararam ter algum tipo de deficiência, seja visual, auditiva, mental ou física.

De acordo com a pesquisa, uns já nasceram com a deficiência outros são vítimas de doenças ou acidentes. Estima-se que 24% da população brasileira apresentaram algum tipo de deficiência, (IBGE, 2010).

Acessibilidade não é para um grupo específico de pessoas, mas tem como objetivo a inclusão das especificidades do universo de pessoas no desenho urbano e de produtos. Como decorrência, há que se considerar que a acessibilidade não deve ser entendida simplesmente como eliminação de barreiras arquitetônicas para um pequeno grupo de pessoas com diferenciais físicos, mentais ou sensoriais, mas deve ser vista sob um olhar mais amplo em que todas as pessoas possam se deslocar com segurança e autonomia, (FERNANDES, 2003).

A maioria das pessoas em alguma fase de sua vida pode tornar-se incapaz para a realização de tarefas quotidianas, devido a algum tipo de acidente, gravidez, sequelas por doenças, idade ou por outras síndromes que determinem a incapacidade da mobilidade (QUALHARINI, 1997).

O projeto de pesquisa é composto por unidades de estudos que juntas formam esta dissertação e está divido em sete capítulos conforme descrição abaixo:

O Capítulo I é formado pela introdução, justificativa, objetivo geral, objetivo específico, metodologia do trabalho de pesquisa, referenciais teóricos e descrição do problema. Esses aspectos constituem a estrutura do trabalho que será desenvolvido dentro dessa lógica de estudo.

O capítulo II trata das normas técnicas, decretos e leis. Dentre as normas

técnicas, destacam-se a NBR 9050/04, que é referência para este trabalho, e o

Decreto Lei 5.296/04, que é o pilar mestre que norteia as normas e leis de

(17)

acessibilidade brasileiras. Como complemento, ainda existem as leis estaduais e municipais de São Paulo. E por fim integram as leis, normas e decretos internacionais.

Já o capítulo III faz referência às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, destacando o conceito, os tipos de deficiências, tais como a física ou motora, visual e seus graus, auditiva, mental ou intelectual; a inclusão social da pessoa com deficiência, os direitos da pessoa com deficiência e como essas pessoas são tratadas no Brasil.

No capítulo IV é relatada de maneira abrangente a acessibilidade no Metrô de São Paulo. Inicialmente trazemos o conceito de acessibilidade, depois falamos do Desenho Universal e dos seus princípios, mostrando exemplos práticos do dia-a-dia;

posteriormente, a mobilidade urbana é descrita tendo como referência autores conhecidos; também as calçadas são estudadas como meios de locomoção para todas as pessoas e, por fim, abordamos os indicadores técnicos de acessibilidade.

O capítulo V se inicia com um breve histórico do Metrô de São Paulo, apresentando dados como a data de fundação, as primeiras estações, como foi o início de funcionamento, faz a descrição das linhas e estações que compõem o sistema do Metrô e se conclui com uma pesquisa de origem e destino que mostra em forma de gráficos os principais indicadores do Metrô.

O capítulo VI realiza o estudo de caso da dissertação, tendo como parâmetro as Estações Vila Prudente e Palmeiras Barra Funda do Metrô. Através de tabelas e relatórios fotográficos, é possível indicar as conformidades e as desconformidades encontradas no entorno, acessos, plataformas e mezaninos de cada estação. Indicamos também em cada desconformidade o equivalente que

determina a NBR 9050/04, inclusive o item da norma em referência.

No capítulo VII, são feitas as considerações finais da dissertação, demonstrando a importância da acessibilidade nas edificações e sistema de transporte do Metrô, para que todas as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida possam se utilizar do sistema, de maneira autônoma, promovendo a inclusão social, indistintamente da sua condição no contexto da sociedade.

Além dos capítulos descritos, a dissertação é formada ainda pelas

referências bibliográficas e anexos.

(18)

1.1 Justificativa

O trabalho se justifica por contribuir com a pesquisa na área da acessibilidade em sistema de transporte público de São Paulo, avaliando e oferecendo diretrizes de análise desse tipo de edificação, oferecendo às pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida a possibilidade de uma melhor mobilidade e integração social no maior e mais complexo sistema de transporte público da Cidade de São Paulo.

Contribui ainda por conter proposta de estudo no sentido de melhorar o sistema de acessibilidade para que as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida através de diagnóstico feito in loco possam usufruir de um transporte público acessível na cidade de São Paulo.

Com este estudo, é possível levar aos administradores públicos e projetistas a discussão do tema, para demonstrar a relevância da questão e o quanto ainda é preciso fazer para oferecer uma mobilidade no Metrô, de forma inclusiva em que todos os usuários tenham direitos iguais de locomoção, sem barreiras e entraves de natureza arquitetônica.

1.2 Objetivo

Os objetivos desta pesquisa são:

1.2.1 Objetivo Geral

O objetivo geral deste trabalho é o de avaliar a acessibilidade das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, no acesso ao sistema de transporte do Metrô, com referência ao cumprimento das leis e normas de acessibilidade vigentes no Brasil.

Objetiva também analisar a acessibilidade nos equipamentos de transporte

vertical, nas estações, no seu entorno e na comunicação visual do sistema

Metropolitano de São Paulo.

(19)

1.2.2 Objetivos Específicos

Os objetivos específicos da pesquisa visam a investigar e analisar os itens apresentados abaixo:

A acessibilidade praticada pelo Metrô de São Paulo, em particular nas Estações Vila Prudente e Palmeiras Barra Funda, que são as estações que compõem o estudo de caso, mediante a NBR-9050/04 da ABNT, e o Decreto Lei 5.296/04.

Os principais obstáculos à mobilidade encontrados no sistema de transporte em determinadas linha do Metrô que apresentam, por exemplo, o entorno, a comunicação visual, equipamentos de circulação vertical que não atendem às normas, em outras já são os pisos direcionais, instalações sanitárias, que na maioria das vezes estão em desconformidade com as normas de acessibilidade.

1.3 Metodologia

Para o desenvolvimento deste trabalho serão utilizados materiais de fontes primárias e secundárias de documentação, tais como a revisão bibliográfica dos principais conceitos de acessibilidade e normas atuais, tendo como parâmetro a NBR 9050/04, o Decreto Federal 5296/04 e NBR 14021/05.

A pesquisa contará com dados de indicadores do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), do Ministério das Cidades, da Secretaria de Transportes de São Paulo, aplicados para fundamentar a discussão teórica e prática.

Faremos uma comparação com normas internacionais, levantamento in-loco nas estações sobre a comunicação visual, entorno, plataformas e mezaninos, bem como relatório fotográfico do atual sistema de acessibilidade do Metrô.

1.4 Referenciais teóricos

A norma de acessibilidade da ABNT, NBR-9050/04, acessibilidade a

edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos estabelece critérios e

parâmetros técnicos a serem observados quando do projeto, construção, instalação

(20)

e adaptação de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos que atendam às condições de acessibilidade. Essa Norma visa também proporcionar à maior quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção, a utilização de maneira autônoma e segura dos elementos acessíveis.

Tudo que vier a ser projetado, construído, montado ou implantado, bem como as reformas e ampliações de edificações e equipamentos urbanos, deve atender ao disposto nessa norma para ser considerado acessível, ou seja, para que haja condição de acesso para todos em qualquer lugar sem barreiras ou interferências de ordem física e com autonomia de quem a utiliza.

A NBR 14.021/05 “estabelece os critérios e parâmetros técnicos a serem observados para acessibilidade no sistema de trem urbano ou metropolitano, de acordo com os preceitos do Desenho Universal”.

O Decreto 5.296/04 que regula a Lei 10.098/00 que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida também será incorporado ao projeto de pesquisa, além das normas e legislações internacionais, que tratam da acessibilidade. Serão referenciados ao longo do trabalho livros, dissertações, teses e bibliografias de outros autores, com temas equivalentes sobre análise de acessibilidade em transporte público.

1.5 Descrição do problema

O trabalho de pesquisa sobre a análise da acessibilidade no Metrô de São Paulo nasceu da necessidade de demonstrar a real situação em que se encontra o principal meio de transporte da Região Metropolitana quanto à acessibilidade e principalmente à mobilidade acessível do sistema de transporte e seu entorno.

A Companhia do Metrô, apesar dos esforços em melhorar, ainda oferece um sistema de transporte que não atende em muitos quesitos à acessibilidade inclusiva para seus usuários, às normas de acessibilidade regulamentadas no Brasil.

Apesar de os índices contabilizados pelo IBGE demonstrarem que a cada

ano aumenta o número de pessoas com deficiência e em especial em São Paulo, a

Companhia do Metrô não consegue entregar aos seus usuários um sistema de

(21)

transporte acessível em toda sua plenitude e que atenda aos principais pontos das normas de acessibilidade.

Isso se deve à falta de uma política pública no que se refere à concepção de projetos e construção de Metrô no país e em especial São Paulo, tendo em vista a imposição da política de transporte coletivo sobre rodas incentivado pelos governos federal e estadual, que praticamente anulou o sistema de transporte coletivo sobre trilhos.

Devido ao grande inchamento populacional registrado na Região

Metropolitana de São Paulo, a maioria da população utiliza o Metrô como um dos

principais meios de locomoção diária, por isso, torna-se necessário um olhar mais

apurado e um planejamento responsável com relação a projetos e construção de

edificações e de todo o sistema que compõe o Metrô, como um meio integrador da

pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida.

(22)

CAPÍTULO 2

LEGISLAÇÕES E NORMAS TÉCNICAS

A acessibilidade representa o respeito e a valorização da diversidade humana, visando à inclusão autônoma e ao bem-estar daquelas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Os seres humanos precisam ter uma vivência harmoniosa em sociedade, compartilhando o seu conhecimento e as suas condições de trabalho e aperfeiçoamento para a promoção e a garantia da igualdade social.

A legislação federal prevê acessibilidade para as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, tais como gestantes, pessoas com crianças de colo, pessoas com massa corpórea superior a 40 IMC 1 , além de determinadas parcelas das pessoas com idade igual ou superior a 60 anos.

Apesar de existirem muitas leis e decretos federais a respeito desse assunto, o acesso pleno dessas pessoas ainda depende de mudanças de comportamento sociocultural. Todas as decisões provenientes das ações do governo, das políticas públicas e os demais programas relacionados com os temas acessibilidade e inclusão social são indispensáveis para alavancar as mudanças de atitudes das pessoas com relação ao pensamento e maneira de agir com os demais cidadãos da sociedade.

Cabe ao Estado, dentre todas as organizações que atuam em defesa da inclusão social, criar condições para que as pessoas com deficiências ou com mobilidade reduzida se beneficiem do cumprimento das legislações criadas para defender os seus direitos de maneira contínua e aperfeiçoamento pleno, possibilitando a igualdade e a oportunidades para todos os cidadãos pertencentes à sociedade brasileira.

O conjunto de leis, normas e decretos leis foi elaborado para que haja um maior grau de responsabilidade por parte do poder público com relação às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida para que sejam efetivamente colocadas em prática para atender a todos os usuários do sistema de transporte público de São

1

IMC significa Índice de Massa Corporal e trata-se de uma medida do nível de gordura de

cada pessoa. É uma media de referência internacional reconhecida pela OMS (Organização Mundial

da Saúde).

(23)

Paulo, com acessibilidade nos seus mais variados equipamentos de transporte, seja pelas composições, edificações, comunicação visual e/ou mobiliários, que através dos seus benefícios garantam a proteção e o amparo de quem realmente necessita circular diariamente por meio do sistema de transporte de São Paulo.

Atualmente existem milhões de pessoas que precisam de tais leis e decretos para que seus direitos sejam cumpridos e que sejam tratados como cidadãos.

A seguir, um breve histórico da evolução das leis de acessibilidade criadas para garantir aos cidadãos brasileiros as condições necessárias para terem um melhor aproveitamento de lazer e trabalho com dignidade, justiça social e livre mobilidade inclusiva.

Com a evolução de leis e decretos ao longo dos anos, hoje em dia existe uma legislação moderna que é a NBR-9050/04, que determina as diretrizes da acessibilidade no sistema de transporte público para atender aos usuários, principalmente às pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, a fim de integrar com autonomia as minorias excluídas pela sociedade na utilização do transporte público.

2.1 Legislação Federal Dec. 5.296/04

Esse decreto regulamenta a Lei 10.048, promulgada em 8 de novembro de 2000, e a Lei 10.098 de 19 de dezembro de 2000, que trata da aprovação de projeto de natureza arquitetônica e urbanística, comunicação e informação e transporte coletivo, bem como a execução de qualquer tipo de obra, quando tenha destinação pública ou coletiva, a outorga de concessão, permissão, autorização ou habilitação de qualquer natureza no tocante à comunicação e informação e os referentes ao transporte coletivo, por meio de qualquer instrumento que trata da deficiência completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano.

Determinam também as condições de acessibilidade com segurança, autonomia dos espaços urbanos, transportes e edificações, sem nenhuma barreira ou entrave que limite a mobilidade acessível, equipamento urbano ou qualquer componente de urbanização destinada à mobilidade acessível e inclusiva.

O transporte coletivo também faz parte da preocupação com a

acessibilidade pelo Decreto 5.296/04, que cria condições para que as pessoas com

deficiência ou mobilidade reduzida possam desfrutar dessa acessibilidade sem

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restrições, barreiras ou discriminação de qualquer tipo, bem como as respectivas sanções pelo descumprimento dessas normas, por quaisquer que sejam os infratores.

A lei Federal 10.098/00 trata de normas gerais e de critérios básicos que abrangem a acessibilidade das pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, mediante a eliminação de barreiras ou de obstáculos que interfiram nos espaços públicos, equipamentos, mobiliários urbanos, na construção e reforma de edifícios e sua comunicação visual, nos transportes de modo geral, dando garantia para que pessoas nessas condições tenham a mobilidade de forma inclusiva, possibilitando a condição de alcance para todos com segurança e autonomia, de tal forma que os usuários com deficiência sintam-se em condição de igualdade com relação aos outros usuários, ou seja, que a inclusão social realmente seja um direito de todos.

Com relação às edificações de uso coletivo, é obrigatória a instalação de elevadores ou outro sistema de transporte vertical que atenda às normas de acessibilidade para as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.

Sobre as habitações destinadas às pessoas com deficiência, caberá ao Governo Federal coordenar a política de habitação reservando um percentual mínimo do total de unidades habitacionais a essa parcela da sociedade, conforme as características da população local, para o atendimento da demanda existente.

Quanto ao sistema de transportes coletivos, deverão ser cumpridos os requisitos de acessibilidade estabelecidos pelas normas técnicas específicas para o transporte, equipamentos, sistema de circulação, edificação e comunicação visual e de informação, para que cada pessoa que apresente qualquer tipo de deficiência possa usar o transporte coletivo com autonomia.

Caberá ainda ao poder público a adoção de planos de medidas técnicas que objetivem o uso da linguagem de sinais ou similar, para garantir o direito de acesso às pessoas com deficiência específica, provendo, assim, o direito para todos.

2.1.1 NBR-9050/04

Essa norma trata da acessibilidade às edificações, mobiliário, espaços e

equipamentos urbanos estabelecendo critérios e parâmetros técnicos a serem

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observados durante a elaboração dos projetos arquitetônicos, das construções, instalações e adaptações de edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade.

Desses critérios e parâmetros técnicos resultam as condições de mobilidade acessível e de percepção do ambiente, visando a proporcionar à maior quantidade possível de pessoas uma independência de locomoção, tornando autônomo e seguro o uso por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Determina ainda que as edificações e equipamentos urbanos que venham a ser reformados devem se tornar acessíveis de forma que qualquer usuário tenha autonomia inclusiva e sem barreiras arquitetônicas para seu acesso aos transportes públicos.

2.1.2 NBR-14021/05

Essa norma determina os critérios e parâmetros técnicos de acessibilidade no sistema de trens urbanos e metropolitanos, de acordo com os preceitos do Desenho Universal, a mobilidade e percepção do ambiente pela população, incluindo crianças, adultos, idosos bem como todas as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.

A norma visa ainda a proporcionar condições de acessibilidade, independentemente de idade, estatura e condição física ou sensorial, a utilização de maneira autônoma e segura do sistema de trens urbanos ou metropolitanos.

Para os novos trens urbanos ou metropolitanos que vierem a ser projetados, construídos, montados ou implantados, essa norma se aplica às áreas e rotas destinadas ao uso público.

A NBR 14021/05 deve ser aplicada em novos projetos de sistemas de trens urbanos ou metropolitanos e determina os princípios e as condições mínimas necessárias para a adaptação de estações e trens à acessibilidade.

2.1.3 NBR NM 313/07

Essa norma determina as condições que são exigidas na elaboração do

projeto, fabricação e instalação de elevadores de passageiros, com o fim de adequá-

(26)

los com características para o transporte de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida para que estas possam se locomover com autonomia.

Os sistemas de transportes verticais, elétricos ou eletromecânicos devem estar de acordo com essa norma para que a acessibilidade vertical inclusiva seja também assegurada, não se aplicando a outros dispositivos de elevação para o transporte de pessoa com deficiência, como escadas e esteiras rolantes, plataformas e similares.

A NM 313/07 é uma Norma MERCOSUL que estabelece os requisitos complementares às normas anteriores como NM 207:1999 e NM 267:2001 em função das características específicas para as pessoas com diferentes tipos e graus de deficiência que se beneficiem dessa norma.

2.1.4 NBR 15655-1/09

A norma 15655-1/09 é uma versão modificada da ISO 9386/2000, que foi elaborada pelo Technical Committee Lifts, escalators, passenger conveyors (ISO/TC 178).

Esta norma especifica os requisitos básicos para elaboração de projetos, dimensões e operação funcional para plataformas de elevação vertical e inclinada de modo motorizada, a fim de ser instalada para o uso de pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, em pé ou sentadas. A referida norma trata ainda dos tipos de instalação, que podem ser com e sem caixa de enclausuramento.

As plataformas de elevação podem ser também de percurso vertical ou com deslocamento inclinado, desde que não exceda 15º. Podem ainda ser instaladas em habitação de uso particular que tenha percurso de até 4,00m com caixa enclausurada e de uso público com percurso de até 2,00m com caixa sem enclausuramento com percurso vertical.

As plataformas de circulação vertical não podem exceder a velocidade de

0,15m/s e não devem ultrapassar carga nominal de 250 kg para transporte entre

níveis diferentes. Também estão inclusas nessa norma as exigências de proteção

contra influências que venham a ser prejudiciais por serem instalados em local

externo.

(27)

2.2 Legislações no Estado de São Paulo

Assim como na esfera federal, em que existem várias leis e decretos que tratam da acessibilidade e da inclusão social, o estado de São Paulo também apresenta várias leis e decretos que incorporam esse tema.

Igualmente à Constituição Federal de 1988, a Constituição do estado de São Paulo fez constar a responsabilidade por parte dos Poderes Públicos de São Paulo, estadual e municipal, no sentido de integrar as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, através do trabalho e da educação.

Para isso, foram adotadas determinadas medidas de ação e obrigação em escolas públicas, incentivos às empresas para que sejam realizadas as adaptações necessárias a fim de possibilitar o ingresso das pessoas com deficiência nesses estabelecimentos.

O que falta em São Paulo, assim como em todo Brasil, não são leis e decretos, mas sim a sua aplicação por parte do poder executivo e a fiscalização por parte do poder judiciário.

Somente a partir da década de 1980 foi que o Estado de São Paulo passou a dar maior ênfase à causa da deficiência através da Lei Estadual 5.500/86, que em seu primeiro artigo diz que cabe ao Estado tomar as providências para que todos os edifícios, praças e estádios públicos estaduais tenham facilidade de acesso para as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.

Já a Lei 9086/95 determina que os órgãos da Administração direta e indireta façam as adequações de seus projetos para edificações, instalações e mobiliário ao uso das pessoas com deficiências para tornar tais edificações e instalações acessíveis a todos os usuários.

No âmbito municipal também há leis e decretos que enfatizam os diretos da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida, formando um conjunto de normas de acessibilidade.

O Decreto Municipal 36072/96 institui a Comissão Permanente de

Acessibilidade e prevê outras providências junto aos órgãos públicos no sentido de

que a acessibilidade permita aos cidadãos que fazem parte dessa estatística serem

tratados com igualdade e dignidade, sem que para isso seus direitos tenham de ser

validados apenas através da justiça.

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Em seu Art. 4º trata das atribuições da Comissão Permanente de Acessibilidade:

I – elaboração de normas relativas à matéria de sua competência, especialmente propondo planos integrados de acessibilidade, envolvendo a intervenção das várias Secretarias Municipais;

II – fiscalização e controle da fiscalização da aplicação das normas legais do Município, a saber:

a) indicação da situação de infração à norma e acionamento das unidades competentes da Prefeitura para aplicação das penalidades previstas;

b) exame das irregularidades da edificação, quanto à acessibilidade da pessoa portadora de deficiência física.

III – apresentação de proposta de intervenção nas vias públicas, compreendendo a sinalização, rebaixamento de guias e regularização do pavimento do passeio público;

IV – providências para adaptação da frota de transporte público, inclusive táxis, de forma a permitir o acesso pela pessoa portadora de deficiência;

V – providências objetivando a reserva de locais para estacionamento, na área central e nas áreas de maior concentração de comércio e serviços, incluindo áreas de estacionamento controlado, zonas azuis;

VI – providências visando à garantia para uso de vias de acesso restrito;

VII – elaboração de programa para cadastramento e expedição de credencial, de forma a permitir a identificação da pessoa portadora de deficiência;

VIII – efetivação da cobrança de ações do Poder Público e do particular, para a implementação das normas definidas pela comissão.

A CPA (Comissão Permanente de Acessibilidade) constituirá grupo de trabalho específico, com a participação do CMPD (Conselho Municipal da Pessoa Deficiente), que fiscalizará os padrões de qualidade dos rebaixamentos e as prioridades estabelecidas no programa previsto no artigo 2º.

A lei Municipal 11345/93 é mais um instrumento do município de São Paulo, para fazer cumprir o que outras leis já tratam a causa da acessibilidade. Essa lei dispõe sobre as adequações das edificações às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida fazendo com que todos tenham direito à inclusão, locomoção autônoma e sem barreiras arquitetônicas e trata da obrigatoriedade de construção de rampas acessíveis para todos, mas principalmente às pessoas com deficiência, a fim de permitir o acesso universal.

Mesmo com essa lei do início de 1980, nas construções de acesso público

percebe-se a ausência de rampas para as pessoas com deficiência ou com

mobilidade reduzida. Em muitas, inclusive, as rampas acessíveis só são construídas,

mediante mandado judicial, ou seja, para cumprir uma lei social é preciso que a

justiça determine tal ação administrativa.

(29)

A Lei 9.199/80, em seu Art. 1º, estabelece regras para a construção de rampas nas novas edificações, que se destinam ao uso coletivo ou de acesso público. Essa lei passa a ser ampliada mais tarde, pela abrangência como edificação, transporte, e comunicação através do Decreto Federal 5.296/04, em seu Artigo 11º, que trata da igualdade de acessibilidade para todos os usuários.

As Leis constituídas no Estado de São Paulo, tanto as estaduais quanto as municipais, formam um conjunto de diretrizes que, juntamente, com as Leis e Normas de âmbito federal, contribuem com êxito para implantar e adequar os ambientes de forma acessível para que as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida façam uso do sistema de transporte Metropolitano.

2.3 Legislações e Normas Técnicas Internacionais

2.3.1 Decreto - Lei n.º 136/2006 (Portugal)

Quando se fala em acessibilidade, refere-se, também, a uma comunicação que tenha uma linguagem universal, ou seja, que sirva para todos os públicos, que atinja de maneira clara àqueles que precisam se orientar, direcionar por meio dessas informações, e, no caso específico, as condições adequadas de acessibilidade com autonomia inclusiva, em que o ser humano seja valorizado e respeitado de forma igualitária sem que haja discriminação da minoria por parte da maioria, ou seja, que as camadas diferenciadas possam estar inseridas no contexto da mobilidade urbana acessível.

O referido Decreto português considera a pessoa com deficiência aquela que, por motivo de perda total ou parcial, anomalia congênita ou adquirida, de funções ou de estruturas do corpo, inclusive com as funções psicológicas, apresente dificuldades específicas suscetíveis de se locomover com autonomia e, em conjugação com os fatores do meio, possa limitar ou dificultar a atividade de trabalho e lazer, e participar em condições de igualdade com as demais pessoas do seu meio.

A promoção e a garantia da plena acessibilidade são um aspecto essencial à

qualidade de vida dos cidadãos e ao exercício dos seus direitos, como membros

participantes de uma comunidade regida pelos princípios de uma sociedade

(30)

democrática, no sentido de garantir a sua real integração e participação cívica.

(DECRETO - LEI n.º 136/2006).

O relatório apresentado ao Provedor de Justiça, órgão encarregado de realizar a inspeção no atual sistema de Transporte Público Metropolitano de Lisboa, considerou efetuado que a acessibilidade, a permissão de acesso por parte de todas as pessoas com deficiência ou mobilidade condicionada à infraestrutura e aos diversos equipamentos disponibilizados pelo Metropolitano de Lisboa que em cada estação visitada, tivesse o máximo de autonomia.

Compete ao Estado adotar, mediante a elaboração de um plano nacional de promoção da acessibilidade, medidas específicas necessárias para assegurar o acesso das pessoas com deficiência, nomeadamente à circulação e utilização da rede de transportes públicos, de transportes especiais e outros meios de transporte apropriados, bem como as modalidades de apoio social. (Decreto-Lei n.º 38/2004).

O Decreto Lei de Portugal 163/06 em parte se assemelha aos pontos das Normas brasileiras no aspecto acessibilidade, consequentemente, problemas encontrados no Metrô de São Paulo também são parecidos com os do Metropolitano de Lisboa.

Abaixo estão descritos pontos semelhantes às normas brasileiras:

As instalações, edifícios, estabelecimentos, equipamentos e espaços abrangentes referidos nos nº 1 e 2 do artigo 2º, cujo início de construção seja anterior a 22 de Agosto de 1997, são adaptados dentro de um prazo de 10 anos, contados a partir da data de início de vigência do presente decreto-lei, de modo a assegurar o cumprimento das normas técnicas constantes do anexo que o integra. (DEC. LEI 163/06, Art. 9º).

Escadas: item 2.4.3 do Decreto Lei 163/06

Os degraus das escadas devem ter uma profundidade não inferior a 0,28 m, uma altura (espelho) não superior a 0,18 m e Faixas antiderrapantes e de sinalização visual com uma largura não inferior a 0,04 m e encastradas junto ao focinho dos degraus.

Rampas: item 2.5.1 do Decreto Lei 163/06

(31)

Segundo o Decreto 163/06, as rampas devem ser construídas com a menor inclinação que for possível para atender as seguintes situações ou valores ora indicados. Por exemplo: ter uma inclinação que não seja superior a 6 %, e vencer um desnível que não ultrapasse a 0,6 m e ter uma projeção horizontal que não atinja a 10 m, e ainda, possuir uma inclinação que não seja superior a 8 %. Fora isso, deverá atingir um desnível de no máximo 0,40m e ter ainda uma projeção na horizontal de até 5m.

Elevadores: item 2.6.2 do Decreto Lei 163/06

Possuir cabinas com dimensões interiores, medidas entre os painéis da estrutura da cabina, não inferiores a 1,1 m de largura por 1,4 m de profundidade, ter uma precisão de paragem relativamente ao nível do piso dos patamares não superior a ±0,02 m, ter um espaço entre os patamares e o piso das cabinas não superior a 0,035 m, ter pelo menos uma barra de apoio colocada numa parede livre do interior das cabinas situada a uma altura do piso compreendida entre 0,875 m e 0,925 m e a uma distância da parede da cabina compreendida entre 0,035 m e 0,05 m. (DEC. LEI 163/06).

Como visto, há itens da norma portuguesa que têm semelhança às leis NBR 9050/04 e NM 313/07 conforme abaixo:

a) rampas: ver itens 6.5.1.2; 6.5.1.3; 6.5.1.4.

b) escadas: ver itens 6.6.1; 6.6.2; 6.6.3.

c) elevadores: ver tabela 08 de dimensionamento.

O importante para este trabalho, é que há característica marcante na análise da acessibilidade, pelos equipamentos de circulação vertical, com equivalências em outros países. Assim, são as normas de acessibilidade que são praticadas no Brasil e em Portugal, onde existe uma linguagem comum e que consegue levar um grau de entendimento para todos que se utilizam das condições acessíveis. Fatores que evidencia tal afirmação são os itens descritos acima, que tratam de rampas, escadas e elevadores com padrões de construção que são construídos para atender os mais diferentes povos com a finalidade de fazer com que todos possam ter o direito de se locomover com autonomia em qualquer lugar ou país em que esteja.

É por isso que foi feita essa comparação entre as normas dos dois países:

para identificar os problemas comuns existentes, previstos tanto em Portugal

quanto pelas normas brasileiras.

(32)

Há paridades entre equipamentos acessíveis que se utilizam nas duas nações. A mesma comparação poderia ser feita também com outros países que tenham políticas semelhantes quanto à inclusão social associada à acessibilidade.

2.3.2 Lei Nº 24314/94 (Argentina)

Com as mesmas finalidades de acessibilidade e inclusão social, assim são as normas que se praticam na Argentina, que, apesar de ainda não ter tantos pontos de natureza acessível assim como no Brasil, apresenta pontos que se comunicam com harmonia como, por exemplo, a supressão de barreiras físicas e arquitetônica nos transportes e tudo o que se refere ao transporte vertical e ao uso de espaços públicos.

O Artigo 20º da referida lei estabelece a prioridade da supressão de barreiras físicas nos âmbitos urbanos, arquitetônicos e de transporte, tanto em novos empreendimentos quanto nas reformas dos existentes, com a finalidade de lograr a acessibilidade para as pessoas com mobilidade reduzida, mediante a aplicação das normas contidas nessa lei. Tal artigo pretende suprimir as barreiras físicas urbanas existentes nas vias e nos espaços públicos, a partir da adoção dos seguintes aspectos:

1) Itinerários de pedestres;

2) Escadas e rampas;

3) Parques, jardins, praças e espaços livres;

4) Estacionamentos;

5) Sinais verticais e outros elementos urbanos;

6) Obras na via pública.

As barreiras são entendidas como aquelas existentes na utilização dos meios de transporte público, de curtas, médias e longas distâncias e aquelas que dificultam o uso de meios próprios de transporte pelas pessoas com mobilidade reduzida. Tais barreiras serão suprimidas na medida em que sejam atendidas as seguintes recomendações:

a) Veículos de transporte público: terão dois assentos próximos da porta de

cada veículo reservados e sinalizados para pessoas com mobilidade

reduzida, que estarão autorizadas para descer por qualquer porta do

veículo.

(33)

b) Os veículos terão piso antiderrapante e espaço para colocação de bengalas, muletas, cadeiras de rodas e outros elementos utilizados por tais pessoas. (ART. 22 da LEI Nº 24314/94).

Conforme a Lei 24314/94, as empresas de transporte coletivo terrestre deverão transportar, sem ônus, as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida no trajeto de casa para escola e vice-versa, ou de casa para os estabelecimentos de reabilitação.

A regulamentação estabelecerá as comodidades outorgadas às pessoas com mobilidade reduzida, as características dos passes e as sanções aplicáveis aos transportadores nos casos de insubordinação à norma. A franquia de condução será estendida para as pessoas acompanhantes de outras com deficiência ou com mobilidade reduzida que precisem de tal benefício.

2.3.3 ISO/TC 21.542/79 (USA) Acessibilidade na construção civil

A ISO 21.542 é uma das primeiras normas internacionais que trata dos critérios de acessibilidade para todos nos ambientes construídos. O princípio desse padrão define que os ambientes construídos devem ser concebidos e gerenciados para permitir que cada usuário possa se aproximar, entrar, usar e sair de edificações, sem barreiras e com autonomia inclusiva, usando os princípios do Desenho Universal.

Essa norma contém disposições no que diz respeito às características do ambiente externo diretamente relacionado com os acessos de edifícios ou de um conjuntos de edifícios a partir do perímetro do local relevante ou entre estes, cuja função é autonoma e não relacionada com o uso de um edifício específico, nem moradias unifamiliares, com exceção dos espaços de circulação e acessórios que são comuns em todos eles.

Entre os principais itens da ISO 21.542, destacam-se os meios facilitadores

de locomoção através de pisos táteis de alerta e direcionamento, critérios para o uso

dos elementos da comunicação visual usados em locais públicos, sistemas de

circulação horizontal, como corredores, e verticais, como rampas, escadas,

(34)

elevadores, plataformas e demais elementos que compõem as edificações em seu interior.

Caminhos sem barreiras físicas e arquitetônicas são condições que as normas de acessibilidade de qualquer país recomendam para a boa prática da inclusão social sem restrição. A prática da acessibilidade deve ter caráter de condição de igualdade a todos que se utilizam dos sistemas de transportes, mobiliários, equipamentos de circulação, conjuntos de pisos táteis e de alerta.

2.3.4 Resolução ONU n.º 3.447/75

Essa resolução foi aprovada em dezembro de 1975, no sentido de desenvolver ação conjunta e separada, em cooperação com a Organização, para promover padrões e princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, Declaração dos Direitos da Criança e da Declaração dos Direitos das Pessoas Mentalmente Retardadas, bem como a Declaração dos Direitos das Pessoas com Deficiências Físicas e pela ação nacional e internacional, para assegurar que ela seja utilizada como base comum de referência.

Declara ainda que as pessoas com deficiências referem-se a quaisquer pessoas incapazes de assegurar por si mesmas, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida individual ou social normal, em decorrência de uma deficiência adquirida ou congênita. A resolução define que as pessoas com deficiências gozarão de todos os diretos estabelecidos a seguir nessa declaração.

Esses direitos serão garantidos a todas as pessoas deficientes sem nenhuma exceção e sem qualquer distinção ou discriminação com base em raça, cor, sexo, língua, religião, opiniões políticas ou outras, origem social ou nacional, estado de saúde, nascimento ou qualquer outra situação que diga respeito ao próprio deficiente ou à sua família.

Pela resolução, as pessoas deficientes têm o direito inerente de respeito por

sua dignidade humana, qualquer que seja a origem, natureza e gravidade de suas

deficiências, e têm os mesmos direitos fundamentais que seus compatriotas, o que

implica, antes de tudo, o direito de desfrutar de uma vida decente, tão normal e

(35)

plena quanto qualquer pessoa, seja no trabalho, na escola e lazer, todos serão iguais perante a resolução.

2.3.5 AG/DOC. 3.826/99 Convenção da Organização dos Estados Americanos

A Assembleia Geral dos Estados Americanos reafirma que as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida têm os mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais que outras pessoas e que esses direitos, inclusive o direito de não serem submetidas à discriminação com base na deficiência, emanam da dignidade e da igualdade que são inerentes a todo ser humano; a carta da Organização dos Estados Americanos considera como princípio que "a justiça e a segurança sociais são bases de uma paz duradoura".

Segundo a convenção, o termo "deficiência" significa uma restrição física, mental ou sensorial, de natureza permanente ou de caráter transitória, que limita a capacidade de exercer uma ou mais atividades essenciais da vida diária, tais como andar, trabalhar, estudar e praticar qualquer forma de lazer.

A resolução trata, principalmente, da discriminação contra as pessoas com deficiências ou mobilidade reduzida. Entende-se por discriminação toda diferenciação, exclusão ou restrição baseada em deficiência, antecedente de deficiência, consequência de deficiência anterior ou pela percepção de deficiência presente ou passada e que tenha o efeito ou propósito de impedir ou anular o reconhecimento, gozo ou exercício por parte das pessoas com deficiência de seus direitos humanos e suas liberdades fundamentais garantidas.

A convenção objetiva, também, prevenir e eliminar todas as formas de discriminação contra as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida e propiciar a sua plena integração com a sociedade.

Para que os objetivos dessa convenção sejam alcançados, os estados

integrantes comprometem-se a tomar medidas de caráter legal, social, educacional,

trabalhista, ou de qualquer outra natureza, que sejam necessárias para eliminar a

discriminação contra essas pessoas e proporcionar a sua plena integração junto à

sociedade.

(36)

Esse capítulo tratou das leis, normas e decretos que, ao longo da dissertação, norteiam esse trabalho dando embasamento legal para as mais diversas situações, seja através das referências nacionais, internacionais ou pelas condições de uso, adequações e construções arquitetônicas.

A análise de indicadores técnicos que ilustraram e deram rumo de maneira

legal em todas as situações apresentadas contribuiu de maneira ímpar para que

este trabalho tivesse a autenticidade em levar aos usuários do sistema as condições

mínimas necessárias para que todos que o utilizam tenham os mesmos direitos com

autonomia e inclusão social que as pessoas não possuidoras de qualquer

deficiência.

(37)

CAPÍTULO 3

PESSOAS COM DEFICIÊNCIAS OU MOBILIDADE REDUZIDA

3.1 Conceito:

De acordo com o 1º artigo da Declaração dos Direitos das Pessoas Deficientes, que foi aprovada pela Assembleia Geral da ONU, no ano de 1975, o termo “pessoas deficientes” se refere a toda e qualquer pessoa que tenha a impossibilidade de assegurar por si própria, total ou parcialmente, as necessidades de uma vida autônoma, inclusiva e social em decorrência de uma deficiência qualquer, devido às suas capacidades de interação junto à sociedade.

Segundo o Decreto Federal Nº 3298/89, que regulamenta a Lei Federal Nº 7853/89, deficiência é toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempenho de atividade dentro do padrão considerado normal para o ser humano.

O conceito de pessoa com deficiência está contido no Art. 2º do Estatuto da Pessoa com Deficiência que se destaca abaixo:

Considera-se deficiência toda restrição física, intelectual ou sensorial, de natureza permanente ou transitória, que limita a capacidade de exercer uma ou mais atividades essenciais da vida diária e ou atividades remuneradas, causada ou agravada pelo ambiente econômico e social, dificultando sua inclusão social, enquadrada como deficiência física, auditiva, visual e intelectual ou mental.

A partir de 1976, a OMS (Organização Mundial de Saúde) reconhece, através da nona Assembleia Mundial de Saúde, a classificação das deficiências como parte integrante da CID (Classificação Internacional das Doenças).

O termo deficiência teve uma evolução em relação ao modelo médico que

considerava pessoas com deficiência apenas as que apresentavam determinadas

patologias físicas e sintomáticas, conjunto que originava uma incapacidade para a

CIF (Classificação Internacional de Funcionalidade), divulgada pela OMS em 2001,

que entende a incapacidade num sentido mais amplo como sendo o resultado tanto

da limitação das funções e estruturas do corpo quanto da influência de fatores

sociais e ambientais sobre essa limitação.

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