“IMERSÃO NA BÍBLIA” - 1 CORÍNTIOS
1) UMA SÍNTESE DA CARTA DE 1 CORÍNTIOS ü 1 Coríntios 1.1-9 – Introdução: saudação e ações de graças.
ü 1 Coríntios 1.10-6.20 – respostas às questões dos relatos recebidos acerca das discórdias e divisões na igreja (1.10-4.21) e dos abusos gritantes em três casos de práticas imorais (5-6).
ü 1 Coríntios 7.1-14.15 - respostas às perguntas da comunidade acerca da condição dos crentes no mundo (7-10), da condição dos crentes na comunidade (11-14), e acerca da ressurreição (15), como o fundamento da fé cristã.
ü 1 Coríntios 16 – conclusão: questões pessoais e projetos futuros.
2) UM POUCO DE HISTÓRIA DA IGREJA EM CORINTO!
1. Paulo teria cerca 52 anos de idade quando escreveu 1 Coríntios. Quinze anos antes houvera uma grande mudança em sua vida (conversão a Cristo), dando um sentido absolutamente novo a sua energia e zelo.
2. A cidade de Corinto, capital da província romana da Acaia, onde Paulo chegou no outono do ano de 50 d.C., era uma grande (entre 300 a 500 mil habitantes). Paulo permaneceu nesta cidade 18 meses, no caso dele era um tempo excepcionalmente longo. Corinto era uma famosa cidade portuária, rica comercial e culturalmente, especialmente por ser apropriada para a navegação e para o comércio nas condições da época; uma encruzilhada no comercio mundial: “navios de todos os países do mundo aportavam ali, trazendo as mais diversas práticas culturais e religiosas... No meio daquele caldeirão cultural estava a igreja cristã, composta por cristão judeus e gentios, reunindo-se em varias comunidades nas casas, nas mais diferentes partes da cidade. A igreja de Corinto reflete a multiplicidade cultural e as tensores decorrentes”.
13. A Bíblia diz que na comunidade havia os ricos proprietários das casas (1 Co 1.11; 11.22), mas também havia escravos (1 Co 7.21). A prosperidade levou sua população a uma vida luxuosa e desregrada que se tornou praticamente proverbial, ao ponto de
“Corintizar”, ou seja, “viver como um coríntio”, significar uma vida de prazeres desenfreados. Em Corinto havia de melhor e pior numa cidade grande e pagã. Com efeito, a vida sexual era amplamente corrompida naquela época, e muito mais ainda em Corinto.
4. Com efeito, em Corinto havia diferenças na socialização religiosa: 1) judeus que se tornaram cristãos e exigiam que todos observassem as leis judaicas. 2) gentios que se tornaram cristãos que não entendiam nada das leis judaicas, e que não viam nenhum problema em comer carne oferecida aos ídolos. 3) prosélitos – gentios convertidos ao judaísmo e que depois se tornaram cristãos – que conheciam os dois lados. Isto causava
1
conflitos adicionais. Além disto, em Corinto, havia inúmeros cultos a várias divindades.
Algumas delas são:
A. Zeus - pai dos deuses, senhor do céu e da terra e do raio. Em sua homenagem eram realizados os jogos olímpicos, de quatro em quatro anos.
B. Hermes - mensageiro do Olimpo; deus do comercio, da eloquência e da cultura (At 14.12).
C. Ártemis - deusa virgem da caça, da terra, da fertilidade (At 19.24).
D. Afrodite - deusa do amor, da beleza e da fertilidade.
E. Apolo - deus da guerra, da beleza e das artes, que envia a doença e a cura.
F. Dionísio – deus do vinho.
5. Com efeito, o culto aos deuses era preservado naturalmente como peça indispensável da vida da cidade. Contudo, em ampla medida, deixara de ter um significado realmente religioso.
6. Corinto também hospedava um contingente de judeus que tinham como centro vital uma sinagoga, a qual influenciava seu contexto, transformando numerosos gregos em “prosélitos” (At 18.12-17). Em meio a essa situação, o Apóstolo Paulo escreve uma carta, apresentando aos Coríntios, com princípios cristãos de como deveriam se comportar a luz da Palavra de Deus, e como deveriam exercer a fé cristã, apesar das contrariedades notórias.
7. Como surge a igreja na cidade de Corinto? Atos 18.1-11 relata seu inicio. A princípio Paulo chegou a Corinto e encontrou um casal - Áquila e Priscila - que provavelmente já haviam abraçado a fé em Cristo. A semelhanças dos outros lugares, em Corinto Paulo também começou sua proclamação do evangelho na sinagoga.
8. Mesmo que a igreja em Corinto tenha sido fundada por Paulo (e seus colaboradores Silas e Timóteo), a atuação de Apolo trouxe um novo crescimento à igreja.
3) A REALIDADE DA IGREJA LOCAL EM CORINTO!
1. A primeira carta aos coríntios (escrita por volta da primavera do ano 56/57), quando Paulo se encontrava em Éfeso, em sai terceira viagem missionária, aborda várias questões comuns em uma igreja local, algumas de cunho moral e outras de cunho doutrinários.
2. Esta é, portanto, o tipo de carta escrita para responder uma série de perguntas surgidas dentro da comunidade, que revelam enfrentados pelos primeiros. Assim, 1 Coríntios torna-se uma carta tanto de doutrina cristã quanto de um padrão de ética cristã.
3. Quanto ao aspecto social a igreja local de Corinto era composta, em grande parte, de gregos (1 Co 1.1.26-29; 8.7; 10.14,20), de alguns judeus (1 Co 1.22-24; 10.32; At 18.8) e de uma minoria diversa. A lógica é que essa composição social vai produzir conflitos, especialmente entre gregos e judeus (1 Co 12.13), com relevância para os nossos dias.
Ou seja:
2
A. Questões sobre divisões e sabedoria humana (1 Co 1.10-4.21), estão relacionadas a Paulo. Ou seja, divisões em relação a líderes em nome da sabedoria. Erros fatais!
B. Questão relativas a imoralidade: incesto (1 Co 5.1-13), que junto com as duas questões seguintes constituem formas de rupturas dos relacionamentos no contexto comunitário; litígio (1 Co 6.1-11) e ter relações com prostitutas (1 Co 6.12-20).
C. Questão quanto as mulheres cobrirem a cabeça (1 Co 11.2-16). Como orientar o culto publico e o tratamento social.
D. Questões relacionadas à adoração (1 Co 8, 11 e 12-14), incluindo frequentar festas dos ídolos, o abuso da ceia do Senhor e o abuso dom de língua. De modo especial, no capitulo 12, para os coríntios, o falar em línguas – língua dos anjos – seria ter chegado ao estágio Máximo da espiritualidade. Por isso que alguns consideravam a ressurreição corporal não ser de proveito algum (1 Co 6.13-14; 15.12).
4. Então, de todos os onde itens abordados a única que não tem relação com o comportamento dos coríntios é o da “ressurreição dos mortos” (1 Co 15). Ou seja, alguns em Corinto não acreditavam haver ressurreição. Diziam que tido se reduzia essa vida!
4) OS QUESTIONAMENTOS DA IGREJA LOCAL EM CORINTO!
1. De fato, antes de Paulo escrever 1 Coríntios, ele foi informado das tristes noticias acerca da condição espiritual e moral da igreja local em Corinto (1 Co 1.11; 5.1-11). Tudo indica que quando Paulo utiliza a expressão “não sabeis que...” implica que os coríntios já sabiam o que era o certo (3.16; 5.6; 6.2,3,9,15,16,19; 9.13,24). Por isso que Paulo fica horrorizado com a forma dos coríntios pensavam. Às vezes, dar até para perceber onde Paulo está citando os coríntios, muitas vezes em concordância com as afirmações deles, mas discordando da maneira da compreensão deles das coisas (1 Co 6.12,13; 7.1,2;
8.1,4).
2. Nas respostas aos questionamentos dos coríntios, Paulo considerou o pensamento cristão versus pensamento do mundo
Posição dos coríntios Posição de Paulo
1.12 - “Eu sou de Paulo, eu sou de Apolo, eu sou de Cefas e eu sou de Cristo”.
1.13 – “está Cristo dividido?”.
6.12a – “Tudo me é permitido...”. 6.12b – “Mas nem tudo convém”
6.12c – “Tudo me é permitido” 6.12d – “Mas não me deixarei escravizar por coisa algum”
7.1b – “É bom ao homem não tocar em mulher” 7.2-6 – “Todavia, para evitar a fornicação, tenha cada homem sua mulher e cada mulher seu marido...”
1. Desta forma, 1 Coríntios consiste num tesouro de instruções acerca de temas práticos,
3
5) O PROJETO IGREJA (O mito da igreja perfeita!)
1. Comunidade de Corinto era “igreja de Deus” (1 Co 1.2). Foi gerada pelo anuncio do Evangelho de Cristo. Por isso é preciso moldarmos nossa visão pela visão bíblica da igreja, e aprender SER IGREJA, na dependência do Espírito Santo.
2. Em 1Co 1.10, Paulo começa respondendo acerca dos relatos recebidos sobre as discórdias e divisões dentro da igreja, cuja raiz são as “devoções” à personalidade (Paulo, Apolo, Cefas e Cristo). Estas instruções vão até 1Co 4.21.
3. Desta forma, o projeto igreja saudável implica em um novo modo de ser (1 Co 12.13):
relacionar-se bem com Deus e relacionar-se bem com as pessoas. Pois a “igreja de Deus” é a comunidade divina dentro da comunidade humana.
4. Pela conversão somos chamados a viver a vida nova de liberdade em Cristo, onde a utopia é possível apesar das tensões e conflitos. Portanto a igreja vive sempre a tensão da presença de sombras e luzes. Observe como inicia o capitulo 1, tratando de luzes (vs.
1-9), mas a partir do versículo 10 passa a tratar das sobras. Ou seja:
A. Dois tipos de moradas:
• Terrena: “em Corinto”
• Celeste: “em Cristo”
B. Duas formas de “santidades”:
• A concreta: “santificados em Cristo Jesus”
• A potencial: “chamada para ser santa”
4. Isso nos leva a duas verdades acerca da igreja:
A. A primeira verdade indica que a igreja tanto já é santa, como ainda não o é, por conta das disputas internas, orgulho, permissividade, imoralidade, litígios, desordem nos cultos e vaidade em relação ao uso dos dons espirituais. Contudo, nos versículos 4 e 5, Paulo faz uma avaliação positiva da igreja de Corinto.
B. A segunda verdade indica que a igreja é completa e, contudo, incompleta, à medida que espera a vinda de Cristo (vs. 5 e 7).
5. Por isso, Paulo faz um forte apelo à unidade! Pois os crentes de Corinto haviam conseguido dividir o indivisível!
A. Os versículos 10 e 11 ressaltam o âmago do apelo à unidade.
B. O versículo 12 indica que esta não era uma divisão em função de doutrina, mas relativo à personalismos.
C. O versículo 13 traz três perguntas reveladoras.
4
6. Enfim, porque as divisões na igreja são reprováveis?
A. Porque exalta personalidades humanas (1 Co 1.10-17).
B. Porque a salvação pela cruz anula totalmente a sabedoria humana (1 Co 1.18-31). A cruz é o ponto central, uma exposição em duas vertentes paradoxais a mostrar escândalo e a loucura.
• Para o orgulho grego, é loucura! A Verdade do Evangelho ainda parece loucura para as mentes deformadas que seguem os padrões mundanos.
• Para o preconceito judeu, é escândalo! Porque uma cruz é vergonhosa e sinal de fraqueza! Leia o versículo 27 e observe as cinco fileiras do Evangelho:
- As loucas. Os “loucos” estão na primeira filha; e Paulo é um deles (1 Co 2.2; 4.10), - As fracas,
- As humildes, - As desprezadas, - As que não são.
Obs: assim toda vanglória partidária é excluída e toda glória é de Cristo.
C. Porque a verdadeira sabedoria é concedida pelo Espírito Santo, e não pelo homem (1 Co 2.5-13).
D. Porque os mestres humanos (da igreja) não passam de despenseiros, dos “mistérios”
de Deus (1 Co 3.5,6,21; 4.1).
5
PRIMEIRO ROTEIRO DE LEITURA 1 Coríntios 1.10-6.20
Os seis primeiros capítulos são uma censura à divisão, abordando os assuntos passados oralmente para Paulo.
PARTE 1
Respostas aos relatos recebidos que tratavam das discórdias e divisões na igreja de Corinto (1 Co 1.10-4.21).
1. Havia grupos definidos, reconhecidos pela vanglória partidária:
A. O grupo de Paulo defendia a liberdade do evangelho e exigia a supremacia do fundador da igreja.
B. Os intelectuais defendiam Apolo, empolgados pela eloquência e aparente superioridade do notável expositor alexandrino. Possivelmente estes eram os mais
“ensoberbecidos”, razão porque Paulo fala mais acerca do grupo de Apolo (não de Apolo!) do que de Pedro.
C. O grupo de Cefas eram os que se inclinavam ao judaísmo.
D. O grupo de Cristo reivindicava para si o Nome, sugerindo a inferioridade dos demais.
2. Observe que são quatro capítulos inteiros dedicados a reprovação dessa vanglória partidária, onde lideres (ou professores) humanos foram colocados no nível “inferior”. Ou seja:
A. São servos do Senhor e de sua Igreja, e não competidores (1 Co 3.5-7);
B. São jardineiros e construtores, cuja obra será provada e finalmente recompensada (1 Co 3.6, 10-17);
• No versículo 13 não é a salvação pessoal que está em foco, mas o teste final do serviço cristão.
• No versículo 16 – “santuário de Deus”, se refere à igreja local.
• No versículo 17 a palavra traduzida como “destruir” é a mesma que “contaminar”.
C. São subordinados ou huperetes (1 Co 4.1);
D. São despenseiros (1 Co 4.1,2).
• Observe que, com base em 1Co 16.12, Paulo não tinha inveja pelo fato de muitos dos convertidos a Cristo por seu intermédio terem passado a admirar grandemente Apolo.
Pelo contrário, diz que ele e Apolo são “um” (1 Co 3.8,9).
6
• A síntese da questão em foco está expressa em 1Co 4.7: “Pois quem é que te faz sobressair? E o que tens tu que não tenhas recebido?”
3. Nisso, a cruz é uma linha divisória: “Cristo crucificado” (1 Co 1.21). Ela faz divisão da raça humana (1 Co 1.18-21) “descartando” todas as pretensões humana, com sua sabedoria e arrogância.
A. O foco aqui diz respeito ao conteúdo da mensagem, não o ato de pregar;
B. trata-se da loucura do que é pregado (“Cristo crucificado”), não da forma da pregação.
4. À luz disto, veja as três perguntas chaves de 1Co 1.20:
A. “Onde está o sábio” (filosofia pública/cosmovisões populares gregas). Poderia ser um epicurista, ou um estoico, ou um sofista, ou um platônico.
B. “Onde, o escriba”? (Peritos na lei de Deus/judeus). Podia ser teólogos, eruditos bíblicos moralista.
C. “Onde, o inquiridor” (oradores ou debatedores/retóricos), para quem a forma era mais importante que o conteúdo.
5. Desta forma, o capítulo 2 se torna uma refutação aos versículos 12 a 30 (do capítulo 1), com a pregação e o testemunho de vida, como método (vs. 1-5), a sabedoria de Deus ou Boa Nova, como essência (vs. 6-9), e a revelação por meio do Espírito Santo, como processo (vs.10-16). É assim que, em 1 Co 2.6-16, direta ou indiretamente, o Espírito Santo é citado dez vezes, cujo papel consiste em:
A. Perscrutar: examina e sonda as profundezas (vs. 10-11).
B. Revelar (vs. 10 e 12).
C. Ensinar: inspiração e dar as palavras certas (v. 13).
D. Discernir (vs. 14-16)
6. No capítulo 3, vemos duas questões básicas: a dieta (v. 2) e comportamento infantil (v. 3), daqueles que andam segundo o padrão da sabedoria do mundo. Neste capítulo, Paulo lança mão de três metáforas, para um entendimento perfeito do que é igreja:
A. A metáfora da “lavoura de Deus” (1 Co 3.9), onde os lideres da comunidade são apenas instrumentos da ação divina; são apenas servos ou agentes por meio dos quais Deus trabalha; estão apenas fazendo o trabalho designado por Deus (1 Co 3.5). Na perspectiva da igreja como “lavoura”, as diferentes tarefas desempenhadas não igreja, são (1 Co 3.6-8):
• Semear;
• Irrigar;
• Cultivar.
7
Desta forma, o “plantar” e o “regar” são atividades mecânicas que servem ao mesmo proposito, que visam assegurar uma boa colheita, onde a atividade de Deus é o que mais importa!
B. A metáfora do “edifício de Deus” (1 Co 3.9), revela Jesus Cristo como o fundamento, significando que não se deve mexer no alicerce. Os versículos 9 a 16 apresentam duas opções de “construções”, com dois resultados diferentes:
• Ouro, prata e pedras preciosas (construção no Espírito).
• Madeira, feno e palha (construção na sabedoria o mundo).
C. A metáfora do “santuário de Deus” (1 Co 3.16-20) referindo-se à igreja local e seu aspecto individual (6.19). A violência contra a igreja é um ato de violência contra Deus!
• Note que Paulo finaliza com o clímax (v. 21);
• Enfatizando que os lideres pertencem à igreja (v. 22).
8. Daí estas três metáforas fazem a transição para o ministério-modelo de Paulo e Apolo (4.6), apresentados na figura do “ministro” e do “pai”:
A. A figura do “ministro” (1 Co 4.1, do grego huperetes). Avaliado pela humildade ou figura inferior, expressa nos termos:
• “Despenseiros” (1 Co 4.2, do grego oikonomos). Sua base é a fidelidade ao Senhor.
Por isso as perguntas que enfatizam responsabilidades diante do Senhor.
• “Em último lugar” (1 Co 4.9). A metáfora seguinte é de um anfiteatro, “espetáculo ao mundo” e da cozinha: “lixo do mundo, escória de todos” (4.13), tudo isto no contexto de grandes tribulações (4.10-13).
B. A figura do “pai” (1 Co 4.14-17).
• Pai, não guardião!
• Pai é o que gera!
PARTE 2
Respostas aos abusos gritantes em três casos de práticas imorais, no contexto da comunidade (1 Co 5-6).
1. O primeiro caso diz respeito a uma relação de incesto ou imoralidade domestica (1 Co 5.1-13). Trata-se de um membro da igreja convivendo com sua madrasta, e os crentes não reagem.
A. Além dos membros da igreja não reagirem, ainda se vangloriavam dessa prática! Ou seja, estavam se vangloriando de seu liberalismo, ou de uma liberdade espúria, ao ponto de fazerem vistas grossas a tipo de práticas que até os pagãos condenavam.
De tal maneira que Paulo afirma que a “vanglória” deles constituía numa espécie de
8
zombaria (vs. 2,6), por conta dos males flagrantes que estavam sendo desculpados, como incesto, processos judiciais e impureza.
B. O versículo 5, aborda uma imoralidade culpável, cujo tratamento está relacionado ao versículo 3, “haveremos de julgar”. Ou seja, este versículo precisa ser ligado ao seu contexto, que começa com “geralmente se ouve”.
• Observe que era o “corpo” que deveria ser “entregue” (disciplina);
• A finalidade era corretiva: “a fim de que o espírito seja salvo”.
2. O segundo caso, diz respeito a alguns membros da igreja que comentem injustiças contra outros (1 Co 6.1-11), os quais buscam resolver as questões nos tribunais, junto às pessoas comprometidas com um sistema injusto.
3. O terceiro caso diz respeito a questão da santidade do corpo (1 Co 6.13-20), o qual não convém submetê-lo a paixões escravizantes.
4. Enfim, em 1Co 6.12-13, Paulo corrigir as afirmações dos coríntios, elaborando uma
teologia da vida cristã, como ideal divino para educar e fazer crescer, em meio às
realidades dos conflitos:
9
SEGUNDO ROTEIRO DE LEITURA 1 Coríntios 7-15
Respostas às perguntas que os coríntios escreveram a Paulo acerca de seus problemas (um documento escrito).
“Quanto ao que me escrevestes...”. (1Co 7.1) PARTE 1
As respostas dos capítulos 7 a 10 são acerca da condição dos crentes no mundo. As exposições de Paulo revelam convicções fundamentais da fé.
1. O casamento e outras questões (1Co 7).
A. Quanto aos casados (vs. 1-7). Na relação homem-mulher ninguém é dono do outro.
Outra questão é o “dom” particular de Deus, uns para o celibato outro para o casamento.
B. Quanto aos separados, solteiros e viúvos (vs. 8-9). Duas opções, permanecer sozinhos ou casar-se.
C. Quanto a separação/divórcio (vs. 10-11). A orientação é no sentido de que o casamento é indissolúvel.
D. Quanto aos casamentos mistos (vs. 12-16). Ao se converter, um dos dois, a união é santificada.
E. Quanto a circuncisão e incircuncisão (vs. 17-20). Tanto uma quanto a outra é sem importância! O importante é observar os mandamentos do Senhor.
F. Quanto aos escravos na comunidade (vs. 21-24). Em última instancia, devem lutar por sua liberdade.
G. Quanto aos noivos (vs. 25-38). O conflito - casar ou não casar? Eis a questão!
H. Quanto as viúvas (vs. 38-40). Bom é ficar como estar. Mas, se quiser, casa-se.
Porém, no Senhor.
2. Desordem social: liberdades irrefletidas em questões de práticas duvidosas (1Co
8). Assim, essa liberdade é proibida, para que não se tornar pedra de tropeço aos mais
fracos. Por cinco vezes, nos capítulos 8 a 10. A consideração pelos mais fracos é
expresso (1 Co 8.9,13; 9.19-23; 10.24,29).
10
A. Os ídolos, de si mesmo, nada são; e a “carne”
2em nada é afetada por suas associações cerimoniais (vs. 4-6).
B. Por terem sido idolatras ate a conversão ainda não havia conseguido se livrar de sua ligação mental das carnes com os ídolos (vs. 7-9).
C. Os limites para frequência às festas nos templos idolatras (vs. 9-12).
D. Ou seja, ao “ferir” assim as consciências cristãs mais fracas, cometeriam “pecado”
contra Cristo (v. 12). Por isso o principio básico do versículo 13.
3. Indagações e queixas sobre Paulo (1co 9). Daí ele dar seu próprio exemplo de consideração pelos mais fracos.
A. Pela sua autonegação (vs. 1-18).
B. Pela sua autoanulação (vs. 19-23).
C. Pela sua autodisciplina (vs. 24-27)
Considere os seguintes versículos para ver que as atitudes de Paulo estão movidas pelo amor aos outros (vs. 18, 22,27).
4. A fundamentação bíblica quanto a idolatria (1 Co 10). A idolatria é outra causa da desordem social na igreja (1Co 10).
A. Começando com a lição da história como forma de advertência (vs. 1-13).
• Questão da cobiça (v.6)
• Questão da idolatria em si (v. 7)
• Questão da imoralidade (v. 8)
• Questão de tentar ao Senhor (v. 9)
• Questão da murmuração (v. 10)
B. Nos versículos 14 a 22, as orientações contra a idolatria giram em torno da proibição na participação dos crentes nos cultos das divindades pagãs.
C. Depois, Paulo estabelece as diretrizes práticas acerca da carne oferecida aos ídolos (vs. 10.23-11.1), onde o não comer carnes sacrificadas aos ídolos era mais por respeito aos fracos na fé, para não escandalizá-los. Não era, portanto, uma questão doutrinaria!
2
Quase todas as carnes em Corinto, antes de chegar aos açougues, eram oferecidas aos ídolos. Isto criou um problema de
11
PARTE 2
Respostas às perguntas nos capítulos 11 a 15, são acerca da condição dos crentes na comunidade.
1. Respostas e instruções acerca da participação nos cultos das divindades gregas (1Co 10.14-11.1).
A. A orientação quanto a não comer das carnes sacrificadas a ídolos, era por respeito aos fracos na fé para não escandalizados, e não como uma imposição doutrinária.
Parece que Paulo não segue aqui o decreto do Concilio de Jerusalém (At 15).
B. Paulo se apresenta como exemplo de renuncia e de agente pastoral (1 Co 9)
C. Em 10.1-13, lembra exemplos da historia de Israel, como advertência à comunidade.
2. Respostas e instruções acerca do culto cristão (1Co 11.2-14.40).
A. O primeiro destaque é acerca do costume referente ao tamanho do cabelo homem/mulher (1 Co 11.2-16). A Bíblia defende a “libertação” da mulher! A Bíblia não ensina que o homem é o cabeça da mulher, mas que o marido é o cabeça da esposa; esse é o sentido da palavra “homem” e “mulher”, do versículo 3! A liderança do homem, portanto, é conjugal e doméstica, não por natureza. O versículo 11 explica: “No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher”.
• “Profetiza” (v. 5), não se refere ao ato de pregar ou ensinar.
• “Autoridade” (v. 10), se refere ao direto da mulher falar.
B. O segundo ponto são as instruções acerca da celebração da ceia (1 Co 11.17-34), evidenciando a desigualdade social e a necessidade de partilha e fraternidade.
C. Em terceiro lugar vem as instruções acerca dos dons espirituais (1 Co 12-14). Para os coríntios a pessoa que fala em “línguas” é um tipo de cristão superior! O interesse deles pelos dons, especialmente o dom de línguas, é porque consideravam isso uma espiritualidade superior. Com isso, percebe-se que os vícios gregos (mundanos) não tinham sido ainda erradicados: a vaidade, sensualidade, intelecto, etc.
• É o Espírito Santo que distribui os dons como lhe apraz (1 Co 12):
- Há diversidade de dons, mas um só Espírito (vs. 4-11) - Há diversidade de membros, mas um só corpo (vs. 12-27) - Há diversidade de serviços, mas uma só igreja (vs. 28-31)
• Nas três listas de dons (1 Co 12.8-10, 27-28, 29-30), o dom de língua e o dom de
interpretação de língua, são colocados em último lugar, para salientar sua menor
importância entre os demais dons.
12
• Outro ponto a ressaltar é que quando a Bíblia diz “a um é dada... a outro... a outro...”, mostra que o dom de “línguas” não é dado a todos. No capítulo 14, o tratado sobre o dom de “línguas” é notável, e em cada menção ele é comparado desfavoravelmente com o dom de “profecia”, ou seja: o falar na própria língua para edificação.
- O dom de profecia edifica mais a igreja (vs. 1-22)
- O dom de profecia convence mais os de fora (vs. 23-28) - O dom de profecia deve ser feito com ordem (vs. 29-40)
• Com efeito, o dom de língua é de pouco ou nenhum beneficio na comunidade (1Co 14.2,4,5,6,9,16,19,22,23,28).
• Desta forma, o critério para o exercício dos dons espirituais é que “falem aos homens, edificando, exortando, consolando” (1 Co 14.2-5,12,17,26), de tal maneira que promovam a unidade na diversidade (1 Co 12.12-26).
• Por esta razão, no centro da orientação acerca dos dons está o belo hino de amor (13). Pois, os dons são inúteis sem o amor:
- A absoluta necessidade do amor (vs. 1-3) - A excelência moral do amor (vs. 4-7)
- A supremacia permanente do amor (vs. 8-13)
3. Respostas e instruções acerca da ressurreição (1Co 15). Observe as seguintes abordagens:
A. Questão da associação da ressurreição cristã com a ressurreição de Jesus (vs. 1-19) B. A questão da perspectiva futura (vs. 20-34)
C. A questão da nossa ressurreição e o corpo (vs. 35-49) D. A questão do “mistério” (vs. 50-58)
4. Vale a pena ressaltar também os sete aspectos de transição dessa ressurreição futura: