UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE INSTITUTO DE CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
ANA CAROLINA DE ALCANTARA FERRAZ LUCAS MACHADO PORTILHO
ENSINO DE EMPREENDEDORISMO E PERFIL EMPREENDEDOR: Um estudo sobre o desenvolvimento de características empreendedores nos alunos do curso de Administração da Universidade Federal Fluminense – Volta Redonda/RJ.
Volta Redonda/RJ 2015
Ensino de Empreendedorismo e perfil empreendedor: um estudo sobre o desenvolvimento de características empreendedores nos alunos do curso de
Administração da Universidade Federal Fluminense – Volta Redonda/RJ.
Autores: Ana Carolina de Alcantara Ferraz e Lucas Machado Portilho
Resumo
O tema empreendedorismo está cada vez mais presente nas universidades brasileiras, pelo fato da necessidade de diferenciação e inovação ter cada vez mais importância no cotidiano profissional no país. Com base nisso, este trabalho busca, além de analisar de que maneira esse tema é apresentado aos alunos, identificar se há, a partir de metodologias utilizadas pelos professores da Universidade Federal Fluminense de Volta Redonda, o desenvolvimento de características de comportamento empreendedor nesses alunos. Inicialmente, foi realizada uma pesquisa bibliográfica, tomando como base artigos sobre empreendedorismo, ensino e perfil empreendedor publicados em periódicos nacionais e internacionais, que busca analisar a trajetória do ensino empreendedor ao longo do tempo (como ele surgiu e por que se tornou necessária a sua criação). Com isso, é possível identificar, de maneira geral, que o ensino de empreendedorismo em universidades brasileiras se utiliza de uma metodologia didático-pedagógica que concilia atividades teóricas e práticas, recorrendo a métodos tradicionais de ensino em sala de aula e metodologias mais ativas, como, por exemplo, estudos de caso, aprendizagem baseada em problemas, desenvolvimento de um plano de negócios, entre outros. Por fim, foi feita uma pesquisa empírica, com o uso de questionários para alunos e professores, na universidade escolhida como objeto de estudo. A tabulação das respostas foi realizada com o auxílio do software estatístico SPSS, que possibilitou a visualização dos dados obtidos. A partir dos questionários aplicados aos professores, foi possível identificar algumas metodologias de ensino consideradas por eles como importantes para o desenvolvimento de características empreendedoras, como, por exemplo, o uso de estudos de caso e dinâmicas de grupo em sala de aula. Além disso, a partir dos questionários respondidos pelos alunos do primeiro e último período, foi possível criar uma análise do grau de desenvolvimento dos comportamentos empreendedores nos entrevistados, como, por exemplo, o comprometimento e a busca de oportunidades e iniciativa.
Palavras-chave: Empreendedorismo. Ensino Empreendedor. Perfil Empreendedor.
Abstract
The theme “entrepreneurship” has been increasingly present in the brazilian universities, due to the need of differentiation and inovation becoming even more important on the country daily work. Based on that, the following essay seeks, besides analyzing in which way this theme is presented to the students and how it is absorbed by them, to identify if there is, from teaching methods used by the teachers from Universidade Federal Fluminense of Volta Redonda, the development of entrepreneur behavior characteristics in the students. At first, it was performed a bibliographic research, taking as base arcticles about entrepreneurship, entrepreneur profile and education published at international and national journals, that seeks to analyse the entrepreneurship education’s trajectory through time (how it emerged and why it was necessary
to create it). From there it is possible to identify, in a general way, that the entrepreneurship education in brazilian universities uses a didactic-pedagogical methodology that combines theoretical and practicle activities, appealing to traditional teaching methods and more active methods, such as case studies, problem based learning, creation of business plans, etc. Finally, it was made an empirical research, using questionnaires for teachers and students, at the chosen university as a study object. The analysis of the answers was made with the help of the statistic software SPSS, which enabled a better look of the obtained data. From the teacher’s enterview responses it was possible to identify some teaching methods that were considered by them as important at the development of entrepreneur characteristics such as, for exemple, the use of case studies and group dinamics in the classroom. Besides that, from the student’s enterview responses, it was possible to create na analysis of the development degree from their entrepreneur behaviors, such as, for exemple, commitment and search for opportunities and iniciative.
Key-words: Entrepreneurship. Entrepreneurship Education. Entrepreneur Profile.
1 INTRODUÇÃO
O termo “empreendedorismo” foi citado pela primeira vez por volta de 1730 por Richard Cantillon1, com o intuito de caracterizar um indivíduo com espírito inovador e que estivesse presente em um negócio de risco. Mais tarde, o termo foi consolidado por Jean-Baptiste Say2, que passou a utilizá-lo para descrever indivíduos com capacidade de aprimorar negócios de baixa produtividade e rentabilidade, utilizando seus recursos já existentes para gerar melhores resultados. Por volta da década de 1940, Joseph Schumpeter relacionou o ato de “ser empreendedor” à dedicação à inovação tecnológica. Finalmente, Peter Drucker, visto como um dos principais pensadores do tema, acrescentou a ideia de risco ao termo “empreendedorismo”, em meados da década de 1950 (OLIVEIRA, 2013).
A partir daí, o empreendedorismo começou a ter uma significativa importância nas economias do mundo, pois, com o aumento gradativo de competitividade entre as empresas ao longo do tempo, passou a ser necessária a busca por diferenciação, incluindo a capacidade de enfrentar um mercado com riscos maiores. Entendeu-se como solução o investimento em novas tecnologias e recursos, junto com a valorização de conhecimentos,
1
Economista franco-irlandês e autor de Essai sur la Nature du Commerce en Général (Ensaio sobre a Natureza do Comércio em Geral), um livro considerado o "berço da economia política".
2
Economista clássico francês nascido em Lyon, que formulou uma lei econômica, a lei de Say, que se manteve como princípio fundamental da economia ortodoxa até a grande depressão (1930).
como, por exemplo, a busca de indivíduos aptos a buscar inovações e agir com pro atividade dentro da organização.
Além disso, o número de pessoas formadas e lançadas no mercado pelas Instituições de Ensino Superior (IES) não condizia com a realidade da sociedade, que apresentava crescentes índices de desemprego. Com base nesse cenário, a busca pelo auto emprego tornou-se cada vez mais necessária (HENRIQUE; CUNHA, 2008).
No Brasil, esse crescimento da ênfase no empreendedorismo foi tardio. Um dos motivos foi o atraso no processo de industrialização em relação a outros países, que iniciaram esse processo décadas antes. O tema ‘’empreendedorismo’’ como objeto de ensino nas graduações teve início em 1981, quando a disciplina sobre novos negócios foi inserida pela primeira vez no curso de especialização em Administração da Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (TOMIO; HOELTGEBAUM, 2001)
Levando em consideração a importância do empreendedorismo para as economias contemporâneas, ensinar essa disciplina é um desafio social importante com o qual as universidades têm muito a contribuir. Nota-se, então, que o papel que as IES têm através do ensino empreendedor e da transferência de conhecimento para os alunos é essencial, apesar de muitos desafios teóricos e pedagógicos ainda existirem (NARS; BOUJELBENE, 2014).
Não é necessária apenas a transmissão de conhecimentos, mas também o desenvolvimento de características pessoais essenciais ao empreendedor de sucesso. A Educação Empreendedora está presente em várias etapas do ensino, desde a escola primária - como, por exemplo, o projeto de Pedagogia Empreendedora, que visa levar a educação empreendedora aos ensinos infantil, fundamental e médio – (DOLABELA, 2004), até a formação profissional, com cursos voltados exclusivamente para o assunto, como é o caso do Empretec3, oferecido no Brasil pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), onde não é visada apenas a criação de empresas de sucesso, mas a formação de competências essenciais para empreendedores.
Com base nisso, Pardini & Santos (2008) propõem o uso do ensino interdisciplinar nas IES do Brasil, utilizando-se de projetos de extensão e iniciações científicas para melhor se explorar a ligação entre os diversos cursos existentes no ambiente acadêmico e facilitar a criação de parâmetros curriculares. É proposto que haja uma interação
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O Empretec é uma metodologia da Organização das Nações Unidas - ONU voltada para o desenvolvimento de características de comportamento empreendedor.
entre as disciplinas, com o intuito de motivar a busca de novos saberes sob visões e óticas das diferentes áreas para ampliar e diversificar a aprendizagem (FAZENDA, 1995).
É evidente que as práticas de ensino empreendedor nas IES brasileiras vêm aumentando significantemente nos últimos anos, apesar de, no Brasil, ainda necessitar de uma melhor ênfase e desenvolvimento nas IES (ROCHA; BACCHI, 2010), e de que questões como: “é possível ensinar o indivíduo a ser empreendedor ou essa habilidade já se faz presente dentro de alguns?” e “quais práticas pedagógicas são mais adequadas para influenciar esse indivíduo a criar tais características?” ainda persistem no ambiente educacional.
O trabalho em questão tem com objetivo geral identificar o grau de desenvolvimento de características de comportamento empreendedor nos alunos do curso de Administração da universidade estudada ao longo da graduação. Além disso, tem como objetivos específicos identificar e analisar quais são os métodos didático-pedagógicos utilizados em sala de aula pelos professores dessa universidade e analisar as características de perfil empreendedor propostas por diferentes autores.
A partir disso, o trabalho a seguir é dividido da seguinte maneira: em um primeiro momento é feita uma revisão teórica acerca do assunto, analisando qual a atual situação atual do Ensino Empreendedor. Em seguida, é feita uma reflexão geral sobre o Perfil Empreendedor, a partir de análises bibliográficas e enumeração de suas principais características. Por fim, com o intuito de analisar o possível desenvolvimento do perfil empreendedor nos alunos estudados, é realizada uma análise dos resultados obtidos com a pesquisa prática realizada.
2 SITUAÇÃO ATUAL DO ENSINO EMPREENDEDOR
Já que o empreendedorismo é tido como a solução para resolver o problema de desemprego de bacharéis, é preciso encontrar maneiras de ‘’criar’’ novos empreendedores logo após ou, até mesmo, antes deles se formarem (SONDARI, 2014). Isto é, é preciso produzir mais empreendedores graduandos, e, para que isso possa ser feito, IES em geral e a educação empreendedora especificamente podem ajudar a promover atividades empreendedoras entre os alunos e criar ambientes favoráveis para o desenvolvimento de características empreendedoras. (NABI; LINAN, 2011).
Estudos feitos em 2011 pelo Global Entrepreneurship Monitor (GEM)4 apontam um crescimento no empreendedorismo ao redor do mundo – o número de empreendedores atualmente chega aproximadamente a 400 milhões em 54 países – com a expectativa de milhões de novas contratações e criações de empreendimentos nos anos que seguem. O GEM estima que, em 2011, dos empreendedores iniciantes que têm o intuito de criar um novo negócio, 165 milhões estão entre as faixas etárias de 18 e 25 anos (SONDARI, 2014).
Ao longo dos anos, vários estudos têm sido desenvolvidos no campo de ensino empreendedor pelo mundo. Muitos pesquisadores e praticantes da área admitem que a educação empreendedora produz resultados significativos. No entanto, segundo Nasr e Boujelbene (2014), ainda existem falhas ao identificar o impacto em longo prazo dos programas de treinamento dos estudantes das IES que oferecem essa disciplina. Essa medição é possível ser realizada a partir da análise de alguns fatores, como, por exemplo, a Intenção Empreendedora e o Perfil dos participantes e a carreira seguida por eles, ao examinar como o conhecimento adquirido por eles foi transferido para as suas vidas profissionais.
A inserção da metodologia de ensino do ‘‘aprender a ser’’ e ‘‘aprender a conviver” nos cursos de graduação mostra-se eficaz no aprimoramento do processo pedagógico, tornando-se facilitadora da aprendizagem em gerar recursos para a melhoria de vida no âmbito social e profissional por parte dos discentes. A partir disso, passam a ser compreendidas as características que compõem o perfil empreendedor, tais como liderança, criatividade, satisfação pessoal, autoconfiança, entre outras. (PARDINI; SANTOS, 2008).
O uso de métodos interdisciplinares e da “aprendizagem experimental” estão cada vez mais presentes e diversificados nas IES do mundo quando se trata da disciplina de empreendedorismo. Entre eles estão: a criação de um plano de negócios, análise ambiental, estudos de caso, entrevista com gestores de empresas já inseridas no mercado, criação de incubadoras em universidades, visitas agendadas, consultorias e o uso de vídeo e filmes na sala de aula (KURATKO, 2008 apud SOLOMON; DUFFY; TARABISHY, 2002).
Existe, no entanto, uma forte discussão no que se diz respeito às características inatas do indivíduo em relação ao empreendedorismo e o desenvolvimento desse espírito empreendedor por meio de práticas didático-pedagógicas utilizadas pelas IES. Segundo Kuratko (2005), é cada vez mais evidente que o empreendedorismo, ou parte dele, pode ser
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O programa de pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM), de abrangência mundial, é uma avaliação anual do nível nacional da atividade empreendedora. Teve início em 1999, com a participação de 10 países, por meio de uma parceria entre a London Business School, da Inglaterra, e o Babson College, dos Estados Unidos.
ensinado e aprendido. Drucker (1985), a respeito do empreendedorismo, defende que “... Ele [o empreendedorismo] não é mágico, não é misterioso, e não tem nada a ver com genes. É uma disciplina. E, como qualquer outra, pode ser aprendida.”.
Porém, para Sondari (2014), a intenção de tornar-se auto empregador não depende exclusivamente das atitudes conectadas ao empreendedorismo por parte dos alunos. Devido ao fato de indivíduos não existirem ou agirem em isolamento, também devem ser levadas em consideração as condições do ambiente externo para seus processos de tomada de decisão (SCHWARZ et al, 2009).
Sondari (2014), também afirma que a Educação Empreendedora é o processo de prover aos indivíduos capacidades de reconhecer oportunidades comerciais, além de conhecimento e habilidades para agir corretamente em relação a elas. O que inclui instruções em reconhecimento de oportunidades, comercialização de um conceito, triagem de recursos em momentos de risco e em iniciar um novo negócio. (JONES; ENGLISH, 2004).
A introdução de disciplinas de empreendedorismo aprimora o método tradicional de formação de alunos, buscando a adequação a novos formatos de relações de trabalho decorrentes das constantes mudanças da economia mundial neste início de século. Assim, na sala de aula, fatores como atitude, comportamento, emoção e individualidade, também ganham espaço em um ambiente onde se predominava apenas o conhecimento teórico.
O ensino de empreendedorismo no Brasil é um fenômeno recente em que se questiona: “pode alguém aprender a ser empreendedor?” Em um século dominado pelo desafio do desemprego, é natural que esta pergunta tenha emergido há, pelo menos, vinte anos, quando o tema empreendedorismo ganhou maior ênfase nas IES. Neste momento em que a era do empreendedor começa a se sustentar, surge a necessidade de construção de sistemas de aprendizagem que atendam essa nova demanda educacional.
De acordo com Dornelas (2014), “o movimento do empreendedorismo no Brasil começou a tomar forma na década de 1990, quando entidades como SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software) foram criadas”. O autor destaca algumas ações que também contribuíram para o crescimento da prática do empreendedorismo no Brasil, como, por exemplo, os programas Softex e GENESIS (Geração de Novas Empresas de Software, Informação e Serviços), o programa Brasil Empreendedor, do Governo Federal, além dos programas do Sebrae, como o Jovem Empreendedor (JUNIOR et al, 2006).
Se comparado com outros países, o Brasil ainda necessita de melhorias em seu ensino empreendedor, que precisa ser mais difundido entre as IES do país. Pode ser citado
como fator motivacional para tal fato o contexto atual do mercado, onde o foco da maioria dos empreendimentos está em micro e pequenas empresas, e poucas conseguem alcançar mais do que cinco anos de vida (OLIVEIRA, 2013). Em complemento, Dolabela (1999), ressalta que o ensino no Brasil é voltado, em sua maioria, para indivíduos que buscam emprego no mercado de trabalho, não dando tanta ênfase ao desenvolvimento de características empreendedoras.
A partir disso, pode-se citar Andrade e Torkomian (2001), que propõe como possível facilitadora do ensino empreendedor, por exemplo, a criação de um Modelo Brasileiro de Educação Empreendedora nas IES do país, tomando como base os Programas de Educação Empreendedora já aplicados em diferentes IES do exterior. Esse programa estimula o desenvolvimento de características empreendedoras em indivíduos capacitados e com conhecimentos técnicos de sua área de formação, possibilitando a aquisição de visões de oportunidades no mercado de trabalho e melhor posicionamento profissional. É proposto então que, no Brasil, esse modelo deva ser adaptado às suas características socioculturais.
3 PERFIL EMPREENDEDOR
A ênfase no estudo do perfil empreendedor do indivíduo parece ter se tornado um assunto de grande interesse por parte dos pesquisadores e dos docentes. Nos últimos anos, a quantidade de pesquisas sobre esse tema teve um contínuo crescimento. Há também um número significativo de literaturas que abordam e dão ênfase à relação entre os traços da personalidade e o sucesso do empreendedor (LUCA et al, 2013).
É comum que se faça uma relação entre as características comportamentais de um empreendedor com o sucesso de seu empreendimento. A partir disso, pode-se afirmar que a personalidade do indivíduo tem uma importância direta para configurar sua empresa no que se diz respeito a seus valores, imagem e comportamento social. (PAULINO; ROSSI, 2003).
Nesse cenário, as instituições de ensino, principalmente aquelas destinadas à formação superior, tem a missão de capacitar os futuros profissionais que irão interagir e produzir em um ambiente de mudanças e instabilidade.
O intuito da educação empreendedora é despertar nos estudantes o interesse e a capacidade de desenvolver suas características empreendedoras, talentos e habilidades, que poderão ser aproveitados em diversas oportunidades de negócio na sociedade, nas organizações ou na realização de seus próprios objetivos pessoais (ANDRADE; TORKOMIAN, 2001, apud BODELL et al, 1992).
Abordagens pedagógicas que estimulam o desenvolvimento desse perfil empreendedor, portanto, são necessárias nos programas de ensino empreendedor, que incentivem os alunos a explorarem o espaço potencial para o empreendedorismo no país. Porém, alguns aspectos do empreendedorismo ainda apresentam certa dificuldade de ensino, tais como a criatividade, proatividade, inovação, propensão ao risco e tomada de decisão (ROCHA, 2014 apud LAUTENSCHLÄGER; HAASE, 2011).
Nesse sentido, há um grande interesse nos estudos relacionados a uma visão mais abrangente do ensino do empreendedorismo, uma vez que a criação de novas empresas e a associação com redes de conhecimento torna-se fundamental para o crescimento e desenvolvimento econômico de qualquer sistema econômico. As instituições de ensino no Brasil passam a se preocupar mais com o fomento ao empreendedorismo, criando meios de orientar os alunos que querem ter um negócio próprio e aumentando a grade de cursos voltados para a gestão empreendedora.
Nota-se, então, a dualidade entre o ensino tradicional, que mantém o foco em aspectos teóricos e culturais da disciplina, e o ensino prático, que aborda uma maneira mais dinâmica de ensino, a fim de fomentar o desenvolvimento de capacidades empreendedoras dos indivíduos através de atividades que simulam a realidade.
Com base nisso, alguns estudiosos da área acreditam que é mais adequado que as IES priorizem a abordagem prática de ensino com o intuito de criar perfis empreendedores (ROCHA, 2014), já que ela permite que os discentes relacionem as atividades em sala de aula com a realidade do mercado e da sociedade e, por consequência, se motivem a desenvolver características empreendedoras nos alunos.
Tais características podem ser divididas conforme apresentado no Quadro 1. Características Detalhamento das Características
Busca de
oportunidades e iniciativa
"Mantém um alto nível de consciência do ambiente em que vive, usando-a para detectar oportunidades de negócios" (Dolabela, 1999)
Correr riscos calculados
"O empreendedor não é um aventureiro; assume riscos moderados. Gosta do risco, mas faz tudo para minimizá-lo" (Dolabela, 1999)
Exigência de
qualidade e
eficiência
"Encontra maneiras de fazer as coisas melhor, mais rápido ou mais barato. Age de maneira a fazer coisas que satisfazem ou excedem padrões de excelência. Desenvolve ou utiliza procedimentos para assegurar que o trabalho seja terminado a tempo ou que o trabalho atenda a padrões de qualidade previamente combinados. " (Website do SEBRAE, acessado em abril/2015)
Persistência
"Tem grande energia. É um trabalhador incansável. Ele é capaz de se dedicar intensamente ao trabalho e sabe concentrar os seus esforços para alcançar resultados" (Dolabela, 1999)
Comprometimento "Tem sempre alto comprometimento. Crê no que faz." (Dolabela, 1999)
Busca de
informações
"São sedentos pelo saber e aprendem continuamente, pois sabem que quanto maior o domínio sobre um ramo de negócio, maior é sua chance de êxito. Esse conhecimento pode vir da experiência prática, de informações obtidas em publicações especializadas, em cursos, ou mesmo de conselhos de pessoas que montaram empreendimentos semelhantes." (Dornelas, 2014) Estabelecimento de
Metas
"Sabe fixar metas e alcançá-las. Luta contra padrões impostos. Diferencia-se. Tem a capacidade de ocupar um espaço não ocupado por outros no mercado, descobrir nichos" (Dolabela, 1999)
Planejamento e monitoramento sistemáticos
"Os empreendedores de sucesso planejam cada passo de seu negócio, desde o primeiro rascunho do plano de negócios até a apresentação do plano a investidores, definição das estratégias de marketing do negócio etc., sempre tendo como base forte o negócio que possuem." (Dornelas, 2014)
Persuasão e rede de contatos
"Tece 'rede de relações' (contatos, amizades) moderadas, mas utilizadas intensamente como suporte para alcançar os seus objetivos" (Dolabela, 1999) "Tem alto grau de internalidade, o que significa a capacidade de influenciar as pessoas com as quais lida e a crença de que pode mudar algo no mundo" (Dolabela, 1999)
Independência e autoconfiança
"Eles querem estar à frente das mudanças e ser donos do próprio destino. Querem ser independentes, em vez de empregados; querem criar algo novo e determinar os próprios passos, abrir os próprios caminhos, ser o próprio patrão e gerar empregos." (Dornelas, 2014)
Quadro 1 – Características Empreendedoras
Fonte: Dolabela, 1999; Dornelas, 2014; SEBRAE (acessado em abril/2015).
4 PROCEDIMENTO METODOLÓGICO
Para a elaboração do presente trabalho, foi realizada, inicialmente, uma pesquisa bibliográfica para o embasamento teórico do assunto abordado. Foram tomados como base artigos sobre empreendedorismo, perfil empreendedor e ensino empreendedor publicados em periódicos nacionais e internacionais, com objetivo de analisar a trajetória do ensino empreendedor ao longo do tempo (como ele surgiu e por que se fez necessário que o mesmo fosse criado).
Em seguida, foi realizada uma pesquisa com o intuito de identificar se as características empreendedoras apresentadas anteriormente são desenvolvidas nos alunos durante a graduação a partir dos métodos de ensino de seus professores em sala de aula. Os resultados da pesquisa foram obtidos através da análise qualitativa de questionários respondidos por alunos e professores da Universidade Federal Fluminense de Volta Redonda, campus Aterrado. O questionário dos alunos foi construído com base nas características do perfil empreendedor apresentadas pela literatura estudada, onde apresentava perguntas sobre o tema, a fim de medir com que frequência o entrevistado agia de acordo com o comportamento
proposto. Foram distribuídos questionários para 134 alunos do curso de Administração de Empresas. Para a medição dos itens, foi utilizada uma Escala Likert de cinco pontos, com opções que abrangiam desde Discordo Totalmente até Concordo Totalmente.
A tabulação dos resultados obtidos foi feita com o auxílio do software estatístico SPSS, que possui procedimentos avançados para facilitar a análise de dados estatísticos e criação de gráficos e tabelas a partir do cruzamento desses dados. A análise foi feita com base na tabela de frequência de respostas, já que a Escala Likert não é apropriada para análises estatísticas como a média e a mediana, por exemplo.
Para analisar o possível desenvolvimento das características empreendedoras, foram utilizados como medidas de tendência central a mediana, a moda e os quartis. Assim, ficou possível comparar essas medidas de tendência central dos respondentes de 1º e 2º períodos com as medidas de tendência central dos respondentes de 7º e 8º período, o que fez possível notar se houve ou não o desenvolvimento da característica em questão.
Já o questionário dos professores foi formado por perguntas objetivas e dissertativas, com o objetivo de analisar se eles identificavam a importância do desenvolvimento das características empreendedoras em seus alunos e de que maneira fazem com que isso seja possível dentro da sala de aula.
Para a validação dos questionários, foi solicitado a cinco professores da área que verificassem a adequação das questões com relação às características que seriam analisadas e que sugerissem as modificações necessárias.
Posteriormente, o questionário foi aplicado a uma amostra de teste piloto que envolvia 10 alunos para verificar a eficácia do questionário. A partir disso, alguns itens foram modificados para o melhor entendimento dos entrevistados e maior adequação das respostas.
5 APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
5.1 Caracterização da Amostra
Para a realização da pesquisa, foram distribuídos 134 questionários para alunos do curso de administração da universidade, onde 57,5% do sexo feminino e 41,7% do sexo masculino. Após analisar a amostra, notou-se que a 83,6% dos respondentes tem entre 18 e 25 anos, número que corresponde a 112 dos 134 alunos entrevistados.
Além disso, os dados obtidos demonstram a diferença entre as experiências profissionais entre os alunos do 1º e 2º período e alunos do 7º e 8º período. Nessa análise, notou-se que, do
número de alunos que responderam essa pergunta, 65,57% dos alunos de 1º e 2º períodos não possuem nenhuma experiência profissional, enquanto a maioria dos alunos do 7º e 8º períodos, que representa 32,84% dos alunos possuem experiência profissional de mais de três anos durante o curso, conforme demonstrado no Quadro 2.
Cruzamento entre o Período que está cursando e Trabalha/Trabalhou durante a faculdade
Trabalha/Trabalhou durante a faculdade
Não Sim, durante 1 ano Sim, durante 2 anos Sim, durante 3 anos Sim, durante mais de 3 anos Total Período que está cursando 1o Período e 2o Período Quantidade 40 15 2 1 3 61 % no Período que está cursando 65,57% 24,59% 3,28% 1,64% 4,92% 100,00% % no Trabalha/Traba lhou durante a faculdade 85,11% 42,86% 11,11% 33,33% 12,00% 47,66% % do Total de respondentes 31,25% 11,72% 1,56% 0,78% 2,34% 47,66% 7o Período e 8o Período Quantidade 7 20 16 2 22 67 % no Período que está cursando 10,45% 29,85% 23,88% 2,99% 32,84% 100,00% % no Trabalha/Traba lhou durante a faculdade 14,89% 57,14% 88,89% 66,67% 88,00% 52,34% % do Total de respondentes 5,47% 15,63% 12,50% 1,56% 17,19% 52,34% Total Quantidade Total 47 35 18 3 25 128
Quadro 2 – Análise das Experiências Profissionais
Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados da pesquisa de campo, 2015.
5.2 Análise das Características Empreendedoras
Segundo Lopes Jr e Souza (2005), as características de comportamento empreendedor podem ser agrupadas em três grupos: o conjunto de realização, de planejamento e de poder.
O conjunto de realização foi composto pelos seguintes comportamentos: busca de oportunidades e iniciativa – que, segundo Dolabela (1999), se dá quando o indivíduo toma consciência do ambiente em que vive e, nele, consegue identificar novas oportunidades –, correr riscos calculados – onde o indivíduo tem a liberdade de assumir riscos, porém faz o possível para minimizá-los (DOLABELA, 1999) - a exigência de qualidade e eficiência –
que, segundo o website do SEBRAE (acessado em abril/2015), significa agir forma que o trabalho realizado satisfaçam ou excedam os padrões de excelência – persistência – que representa a intensa dedicação ao trabalho e a concentração de esforços para alcançar os resultados (DOLABELA, 1999) – e comprometimento com o trabalho que está sendo realizado.
A pesquisa realizada com os alunos apontou que, das características do conjunto de realização, a busca de oportunidades e iniciativa, a exigência de qualidade e eficiência e a persistência tiveram uma piora dos alunos de 1º e 2º períodos para os de 7º e 8º. Já as outras características desse conjunto apresentaram-se estáveis nos alunos ao longo do curso.
O conjunto de planejamento foi composto pelas seguintes características de comportamento empreendedor: o estabelecimento de metas e o monitoramento sistemático – que, segundo Dornelas (2014), se dá quando os empreendedores “planejam cada passo de seu negócio, desde o primeiro rascunho do plano de negócios até a apresentação do plano a investidores, definição das estratégias de marketing do negócio etc., sempre tendo como base forte o negócio que possuem”.
Assim como no conjunto anterior, a partir dos dados coletados com a pesquisa, notou-se que houve uma piora no que se diz respeito às características de monitoramento sistemático e de estabelecimento de metas. As outras características desse grupo não mostraram um nível de desenvolvimento, por outro lado.
Por fim, o conjunto de poder foi composto pelos seguintes comportamentos: persuasão e rede de contatos – evidenciado na capacidade do indivíduo de possuir uma “rede de relações” e a utilizar para alcançar seus objetivos profissionais (DOLABELA, 1999) – e independência e autoconfiança – que se explica pelo fato de que os empreendedores buscam estar à frente de mudanças e ter controle sobre o próprio destino. Eles buscam independência ao invés de se tornarem empregados (DORNELAS, 2014).
Nesse conjunto foi possível notar que algumas características de independência e autoconfiança tiveram um certo desenvolvimento, porém outras partes desse mesmo grupo teve uma piora entre os alunos ingressantes e os alunos concluíntes.
Os resultados gerais obtidos com a pesquisa quantitativa entre os alunos são evidenciados no Quadro 3.
Conjunto Características de Comportamento Empreendedor
1o e 2o Períodos 7o e 8o Períodos
Realização Busca de Oportunidades e Iniciativa 4,00 4,00 4,00 4,00
Realização Busca de Oportunidades e Iniciativa 5,00 5,00 4,00 4,00
Realização Correr Riscos Calculados 4,00 4,00 4,00 4,00
Realização Correr Riscos Calculados 4,00 4,00 4,00 4,00
Realização Correr Riscos Calculados 4,00 4,00 4,00 4,00
Realização Exigência de Qualidade e Eficiência 4,00 4,00 4,00 4,00
Realização Exigência de Qualidade e Eficiência 4,00 4,00 4,00 4,00
Realização Exigência de Qualidade e Eficiência 4,00 5,00 4,00 4,00
Realização Persistência 4,00 5,00 4,00 4,00 Realização Persistência 5,00 5,00 4,00 4,00 Realização Persistência 4,00 4,00 4,00 4,00 Realização Persistência 4,00 4,00 4,00 4,00 Realização Comprometimento 4,00 4,00 4,00 4,00 Realização Comprometimento 4,00 4,00 4,00 4,00
Planejamento Estabelecimento de metas 4,00 4,00 4,00 4,00
Planejamento Estabelecimento de metas 4,00 4,00 3,00 3,00
Planejamento Estabelecimento de metas 4,00 4,00 4,00 4,00
Planejamento Monitoramento Sistemático 4,00 4,00 4,00 4,00
Planejamento Monitoramento Sistemático 4,00 4,00 3,00 3,00
Planejamento Monitoramento Sistemático 4,00 4,00 4,00 4,00
Poder Persuasão e Redes de Contatos 4,00 4,00 4,00 4,00
Poder Persuasão e Redes de Contatos 4,00 4,00 4,00 4,00
Poder Independência e Auto Confiança 4,00 3,00 4,00 4,00
Poder Independência e Auto Confiança 4,00 4,00 4,00 4,00
Poder Independência e Auto Confiança 4,00 5,00 4,00 4,00
Quadro 3 – Mediana e Moda
Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados da pesquisa de campo, 2015.
5.3 Análise dos Métodos de Ensino
A fim de se identificar os métodos utilizados pelos professores da Universidade Federal Fluminense de Volta Redonda com o intuito de desenvolver características empreendedoras nos alunos de administração, foi aplicado um questionário a 13 professores de diferentes disciplinas.
Do total de respondentes, 69,23% são do sexo masculino e 30,77% do sexo feminino. Além disso, 76,92% são do departamento de Administração, 15,38% do de Ciências Contábeis e 7,69% do departamento de Direito.
Todos os respondentes concordaram que há importância em se desenvolver características de comportamento empreendedor nos alunos de graduação. Portanto, conforme abordado anteriormente, fica evidente que, para incentivar que os alunos explorarem o espaço potencial para o empreendedorismo, se fazem necessárias abordagens pedagógicas que estimulem o desenvolvimento desse perfil empreendedor (ROCHA, 2014).
Com base nisso, foi feito um levantamento dos métodos de ensino em sala de aula, onde 84,62% afirmaram utilizar o ensino teórico como método didático-pedagógico
mais presente em suas aulas, 30,77%, por outro lado, dizem utilizar dinâmicas e 46,15% outros tipos de métodos, como, por exemplo, Jogos de Empresas, dramatização, aprendizagem vivencial, exercícios práticos, caso para ensino, simulação, notas explicativas de demonstrações contábeis das empresas, etc.
Isso corrobora a ideia de que se faz cada vez mais adequado que os professores priorizem a abordagem prática de ensino com o intuito de desenvolver perfis empreendedores (ROCHA, 2014), já que esse método possibilita a relação das atividades em sala de aula com a realidade do mercado e da sociedade e, por consequência, faz com que os professores se motivem a desenvolver características empreendedoras nos alunos.
Das características de comportamento empreendedor abordadas anteriormente, as que os professores entrevistados visam desenvolver nos alunos com mais frequência são a busca de informações, com 61,54% do total de respondentes, seguido da exigência de qualidade e eficiência, afirmado por 46,15% dos entrevistados, comprometimento e busca de oportunidades e iniciativa, ambas com 38,46% do total de respostas, e, por fim, planejamento e monitoramento sistemático, persuasão e rede de contatos, independência e autoconfiança, correr riscos calculados, todas estas afirmadas por 30,77% do total de respondentes.
As duas características que são menos estimuladas pelos professores são o estabelecimento de metas e a persistência, com 15,38% e 7,69% respectivamente.
Para o estímulo de tais características, os métodos mais utilizados pelos professores em sala de aula são: Trabalhos Escritos e Debates, com 53,85% do total de respostas e Estudos de Caso e Seminários, com 46,15%.
O método menos utilizado, com apenas 15,38% do total de respostas, foi o plano de negócio. Além disso, 23,08% dos respondentes afirmam utilizar outros métodos, como jogos de empresas, apresentação de artigos e dinâmicas de grupo. Por fim, 30,77% dos professores entrevistados afirmaram utilizar Filmes/Vídeos como maneira de desenvolver tais características em sala de aula.
Os resultados obtidos são evidenciados no Quadro 4 e Quadro 5, abaixo.
Característica de Comportamento Empreendedor Nº de Respondentes % do Total de Entrevistados
Busca de Informações 8 61,54%
Exigência de qualidade e eficiência 6 46,15%
Busca de Oportunidades e Iniciativa 5 38,46%
Comprometimento 5 38,46%
Correr Riscos calculados 4 30,77%
Planejamento e monitoramento sistemáticos 4 30,77%
Independência e autoconfiança 4 30,77%
Estabelecimento de Metas 2 15,38%
Persistência 1 7,69%
Quadro 4 – Características Empreendedoras Desenvolvidas Pelos Professores Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados da pesquisa de campo, 2015
Métodos de Ensino Utilizados em Sala de Aula Nº de Respondentes % do Total de Entrevistados Trabalhos Escritos 7 53,85% Debates 7 53,85% Estudos de Caso 6 46,15% Seminários 6 23,07% Filmes/Vídeos 4 30,77% Dinâmicas de Grupo 3 46,15% Outros 3 23,07% Planos de Negócios 2 15,38%
Quadro 5 – Métodos de Ensino Utilizados em Sala de Aula
Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados da pesquisa de campo, 2015
Comparando as respostas dadas pelos alunos com as opiniões dos professores respondentes, pode ser observado que, das características que a maioria dos professores buscam desenvolver em sala de aula, a busca de oportunidade e iniciativa e a exigência de qualidade e eficiência apresentaram um resultado negativo entre os alunos ao longo da graduação. Além disso, as características que um menor número de professores busca estimular - persistência, monitoramento sistemático, estabelecimento de metas e independência e autoconfiança - também tiveram um resultado negativo, o que evidencia que não houve um desenvolvimento nos alunos ao longo do curso.
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com relação ao objetivo geral do trabalho, que foi identificar se houve o desenvolvimento de características de comportamento empreendedor nos alunos do curso de Administração da Universidade Federal Fluminense de Volta Redonda, observou-se que, dentre as características abordadas ao longo do trabalho, a maioria apresentou um resultado nulo ao se comparar os alunos ingressantes e os alunos mais próximos da graduação, ou seja, estas de alguma maneira não foram desenvolvidas nos alunos ao longo do curso.
No que se diz respeito aos objetivos específico, foi possível identificar qual a situação atual do ensino empreendedor no Brasil e analisar as características empreendedoras
propostas por diferentes autores através de, apenas, pesquisas bibliográficas, a partir da leitura de uma variedade de artigos publicados sobre o tema em questão. Além disso, os métodos didático-pedagógicos utilizados pelos professores a fim de se desenvolver as características empreendedoras consideradas importantes por eles, foram analisadas através dos dados obtidos pela pesquisa de campo realizada, tais como o uso de trabalhos escritos, debates e estudos de caso, entre outros.
As limitações do trabalho foram o número restrito de professores respondentes, a falta de validação do questionário aplicado aos professores e a ausência de perguntas acerca da característica de busca de informações no questionário aplicado aos alunos.
Por fim, fica como proposta de futuro trabalho a realização de uma pesquisa com o intuito de se investigar os motivos da falta de desenvolvimento de tais características empreendedoras nos alunos do curso estudado.
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