Princ´ıpios de contagem
(1) Princ´ıpio Aditivo: Queremos comprar um computador de um dos dois fabricantes mais co-muns de processadores: Intel e AMD. Suponha tamb´em que nosso orc¸amento nosfaz ter 12 opc¸˜oes de modelos Intel e 18 opc¸˜oes de modelos AMD. Ent˜ao, existem no total 12 + 18 = 30 opc¸˜oes diferen-tes de modelos de computador que podemos comprar.
Princ´ıpio Aditivo: Suponha que o evento E pode ocorrer n maneiras (ou que h´a n desfechos poss´ıveis para o evento E) e o evento F de m maneiras distintas das outras n. Ent˜ao, o n ´umero de maneiras de ocorrer o evento “E ou F” ´e n + m. Em termos de conjuntos, o princ´ıpio aditivo ´eformulado da seguinte maneira
se E e F s˜ao conjuntosfinitos disjuntos ent˜ao |E � F|= |E|+|F|.
Demonstrac¸˜ao. Sejam E e F conjuntos disjuntos com cardinalidade n e m, respectivamente. Se pelo
menos um delesfor vazio ent˜ao o teorema claramente vale. Vamos supor m, n > 0 e vamos mostrar uma bijec¸˜ao h: {1, 2, . . . , n + m} → E ∪ F.
Se f: {1, 2, . . . , n} → E e g: {1, 2, . . . , m} → F s˜ao bijec¸˜oes ent˜ao definimos h por
(7) h(x) = f(x), se 1 ≤ x ≤ n g(x − n), se n + 1 ≤ x ≤ n + m.
h ´e sobrejetora: se y ∈ E ∪ F, ent˜ao y ∈ E ou y ∈ F, mas n˜ao em ambos j´a que s˜ao disjuntos. Se y ∈ E ent˜ao f(x) = y para algum x ∈ {1 . . . , n}, portanto h(x) = y. Se y ∈ F ent˜ao g(x) = y para algum x ∈ {1 . . . , m}, portanto, h(x + n) = g(x). Ainda, h ´e injetora: como E e F s˜ao disjuntos, se h(x) = h(y) ent˜ao f(x) = f(y) ou g(x) = g(y), o que ´e uma contradic¸˜ao.
Exemplo 19. Com que probabilidade um inteiro entre 1 e 16 escolhido aleatoriamente ´e m´ultiplo de 3 ou
de 7? Para determinar a probabilidade devemos determinar a cardinalidade do conjunto de inteiros entre
1 e 16 que s˜ao m´ultiplos de 3 ou m´ultiplos de 7, tais conjuntos s˜ao disjuntos pois mmc(3, 7) = 21. Os m´ultiplos de 3 s˜ao cinco, os m´ultiplos de 7 s˜ao dois, portanto, os m´ultiplos de ambos s˜ao 5+2 = 7. O evento
m ´ultiplo de 3 ou m ´ultiplo de 7ocorre sefor sorteado um elemento dos 7 elementos, cuja probabilidade ´e
7/16.
De modo geral, se E1, E2, . . . , Ek s˜ao conjuntosfinitos disjuntos dois-a-dois ent˜ao �� �� �� � k � i=1 Ei �� �� �� �= k � i=1 |Ei|
Exemplo 20. Um aluno deseja aprender a programar e a biblioteca da universidade tem 3 livros sobre
programac¸˜ao em C, 5 sobre Java e 4 livros de programac¸˜ao em Python e 1 de Pascal. Assim, o aluno tem a sua disposic¸˜ao 3 + 5 + 4 + 1 t´ıtulos a disposic¸˜ao para estudo.
Teorema 21 (Princ´ıpio de Inclus˜ao–Exclus˜ao). Se E e F s˜ao conjuntos finitos (n˜ao necessariamente disjuntos) ent˜ao
|E ∪ F|= |E|+|F|−|E ∩ F|. (8)
Demonstrac¸˜ao. Podemos escrever E ∪ F como a uni˜ao E ∪ F = E � (F \ E), portanto
|E ∪ F|= |E|+|F \ E|
e podemos escrever F como a uni˜ao F = (E ∩ F) � (F \ E), portanto |F|= |E ∩ F|+|F \ E|.
Isolando |F \ E| na segunda equac¸˜ao e substituindo na primeira deduzimos (8). Corol´ario 22. Para quaisquer eventos E e F de um modelo probabil´ıstico
� (E∪ F) = � (E) + � (F) − � (E ∩ F) (9)
Exemplo 23. Com que probabilidade o lanc¸amento de um dado resulta num m ´ultiplo de 2 ou de 3? Os
m´ultiplos de 2 definem o subconjunto E = {2, 4, 6}, os m´ultiplos de 3 definem o subconjunto F = {3, 6}, portanto, � (E∪ F) = |E ∪ F| 6 = |E|+|F|−|E ∩ F|6 = 1 2 + 1 3 − 1 6 = 2 3.
Exerc´ıcio 24. Com que probabilidade um inteiro entre 1 e 16 escolhido aleatoriamente ´e m´ultiplo de 3 ou
de 5?
Esboc¸o da soluc¸˜ao. E = {3, 6, 9, 12, 15} e F = {5, 10, 15}. E ou F = {3, 6, 7, 9, 12, 14, 15}. � (E ∪ F) =
5/16 + 3/16 − 1/16.
Exerc´ıcio 25 (Princ´ıpio de Inclus˜ao–Exclus˜ao). Prove que se E1, E2e E3s˜ao conjuntos ent˜ao |E1∪ E2∪ E3|= |E1|+|E2|+|E3|− (|E1∩ E2|+|E2∩ E3|+|E1∩ E3|) + |E1∩ E2∩ E3|.
Exerc´ıcio 26. Com que probabilidade um n´umero escolhido aleatoriamente em {1, 2, . . . , 100} n˜ao ´e
di-vis´ıvel por 2, 3 ou 5?
Exerc´ıcio 27. Uma carta ´e escolhida aleatoriamente de um mac¸o de cartas de um baralho tradicional. Com
1. um rei ou uma rainha;
2. uma carta de copa, ou de ouro, ou de pau; 3. um n´umero par ou uma espada;
4. um rei ou uma carta preta.
(2) Princ´ıpio Multiplicativo: Digamos que as ´unicas roupas limpas que vocˆe tem s˜ao duas cami-setas e quatro calc¸as. Quantos pares diferentes de camiseta e calc¸a vocˆe pode escolher? S˜ao duas camisetas e pra cada escolha de camiseta ´e poss´ıvel escolher uma de quatro calc¸as, portanto, s˜ao 2 × 4 = 8 pares poss´ıveis.
Princ´ıpio Multiplicativo: Se um evento pode ser descrito em duas etapas de modo que h´a n desfechos poss´ıveis para a 1a etapa e h´a m desfechos poss´ıveis para a 2a etapa, ent˜ao o n ´umero de poss´ıveis desfechos para o evento ´e n · m.
Em termos de conjuntos, se E1e E2s˜ao conjuntos que representam os resultados das etapas, ent˜ao o evento composto ´e representado por E1× E2
se E1e E2s˜ao conjuntosfinitos ent˜ao |E1× E2|= |E1|·|E2|.
Demonstrac¸˜ao. Seja n = |E1| e E1 = {f(1), f(2), . . . , f(n)} para alguma enumerac¸˜ao f de E1. Definimos os conjuntos dois-a-dois disjuntos Ei = {(f(i), b) ∈ E1× E2: b ∈ E2} para todo i. Ent˜ao {E1, . . . , En} ´e uma partic¸˜ao de E1× E2e |E1× E2|= �� �� �� � n � i=1 Ei �� �� �� �= n � i=1 |E2|= |E1||E2|
onde a segunda igualdade segue da generalizac¸˜ao princ´ıpio para o caso de uni˜ao disjunta de n ≥ 2 conjuntos.
De um modo geral, se E1, . . . Er representam r etapas de evento composto, ent˜ao o n ´umeros de modos distintos de realizar o evento ´e
�� �� �� � r � i=1 Ei �� �� �� �= |E1|·|E2|· · · |Er| que pode ser demonstrado usando princ´ıpio da induc¸˜ao.
Exerc´ıcio 28. Uma placa de carro ´e uma sequˆencia de 3 letras seguidas por 4 d´ıgitos. Qual ´e a quantidade
Esboc¸o de soluc¸˜ao. Ei = {A, B, . . . , Z} para i = 1, 2, 3. Ei = {0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9} para i = 4, 5, 6, 7. ��
��8i=1Ei��� = 26· 26 · 26 · 10 · 10 · 10 · 10 = 263104 = 175.760.000.
Exemplo 29. Cada posic¸˜ao da mem´oria (c´elula de mem´oria) de um computador ´e capaz de armazenar um bit. Para identificar cada c´elula a posic¸˜ao tem um enderec¸o que ´e uma sequˆencia bin´aria. As arquiteturas com processadores 64-bits tem capacidade para enderec¸amento de 264 = 18.446.744.073.709.551.616
posic¸˜oes de mem´oria, aproximadamente 2.000.000.000 de Gigabytes.
Exemplo 30 (o problema de M´er´e). Com que probabilidade o 6 ocorre pelo menos uma vez em 4 lanc¸amentos
de um dado? O n´umero de resultados poss´ıveis em 4 lanc¸amentos ´e 64e o n´umero de resultados poss´ıveis
onde n˜ao ocorre o 6 ´e 54, portanto a probabilidade de n˜ao ocorrer 6 ´e (5/6)4. Usando a equac¸˜ao (6) a
probabilidade de sair pelo menos um seis ´e 1 − (5/6)4, que ´e aproximadamente 0,51.
E, com que probabilidade um par de 6 ocorre pelo menos uma vez em 24 lanc¸amentos de dois dados? Dos 3624 resultados poss´ıveis do experimento 3524 s˜ao pela n˜ao ocorrˆencia de um par de 6, portanto, a
probabilidade de sair par de 6 pelo menos uma vez em 24 lanc¸amentos ´e 1 − (35/36)24 ≈ 0,49.
A seguir destacamos alguns casos particulares do Princ´ıpio Multiplicativo. Essencialmente, s˜ao dois tipos de listas: arranjos e combinac¸˜oes. Nos arranjos a ordem dos elementos importa e nas
combinac¸˜oes a ordem n˜ao importa.
(2.1) Arranjo: Quantas palavras (sequˆencias) de 3 letras distintas do alfabeto latino podem ser formadas? Como o alfabeto tem 26 letras, pelo princ´ıpio multiplicativo s˜ao 26 · 25 · 24 palavras.
Um arranjo simples de r elementos tomados de um conjunto A de n elementos (r ≤ n) ´e uma sequˆencia (a1, a2, . . . , ar)de elementos n˜ao repetidos de A.
O n ´umero de arranjos simples de r elementos tomados de um conjunto de n elementos (r ≤ n) ´e (n)r def= n(n − 1)(n − 2) · · · (n − r + 1)
Quando ´e permitido repetic¸˜ao dizemosarranjo com repetic¸˜ao, que ´e um caso particular do Princ´ıpio
Multiplicativo com todos os conjuntos iguais. Porarranjo nos referimos a arranjo simples. Alguns textos usam a notac¸˜ao A(n, r) para (n)r.
Exemplo 31. Se sorteamos um inteiro entre 000 e 999 (inclusive) qual a probabilidade do resultado
possuir todos os d´ıgitos distintos? O espac¸o amostral tem 1.000 resultados poss´ıveis. A quantidade deles sem d´ıgitos repetidos ´e (10)3 = 10 · 9 · 8 = 720, portanto, a probabilidade procurada ´e 720/1.000 = 0,72.
Permutac¸˜ao: o caso de arranjo simples com r = n ´e uma permutac¸˜ao. Quantas palavras com letras
distintas podem ser formadas com as letras a, b e c? Pelo princ´ıpio multiplicativo s˜ao 3 · 2 · 1 = 6
palavras.
Uma permutac¸˜ao de elementos de um conjuntos A ´e uma sequˆencia de elementos de A.
O n ´umero de permutac¸˜oes dos elementos de um conjunto de n � 0 elementos ´e 0!def== 1
n!def== n(n − 1)(n − 2) · · · 1, se n � 1. Notemos que
(n)r = n! (n − r)!.
Por exemplo, o n ´umero de permutac¸˜oes poss´ıveis com as letras a, b, c, d e e ´e 5! = 120. O n ´umero de permutac¸˜oes poss´ıveis com as letras a, b, c, d, e e f ´e 6! = 720.
Exemplo 32. A quantidade de permutac¸˜oes que podem serformadas com as letras da palavra livros ´e 6! =
720. A quantidade de permutac¸˜oes que podem serformadas com as letras da palavra teclado ´e 7! = 5.040. A quantidade de permutac¸˜oes que podem serformadas com as letras da palavra discreta ´e 8! = 40.320. A quantidade de permutac¸˜oes que podem ser formadas com as letras da palavra universal ´e 9! = 362.880. A quantidade de permutac¸˜oes que podem ser formadas com as letras da palavra pernambuco ´e 10! =
3.628.800. A quantidade de permutac¸˜oes que podem serformadas com as letras da palavra seminublado ´e 11! = 39.916.800. A quantidade de permutac¸˜oes que podem ser formadas com as letras da palavra
conf iguravel ´e 12! = 479.001.600.
Perceba que ofatorial cresce bastante r´apido com n. 11! ´e mais que a quantidade de segundos que passam em 1 ano. 12! ´e mais que a quantidade de segundos que passam em 12 anos. 13! ´e mais que a quantidade de segundos que passam em 100 anos.
Exerc´ıcio 33. Qual ´e o n´umero de permutac¸˜oes distintas com as letras da palavra ana?
Soluc¸˜ao. S˜ao 3! permutac¸˜oes de 3 s´ımbolos, mas h´a permutac¸˜oes que d˜ao origem a mesma sequˆencia.
As seis permutac¸˜oes deanas˜ao:
an
a
a
na
a
a
n
a
an
na
a
n
a
a
a cada duas permutac¸˜oes a palavra ´e a mesma, s´o muda a ordem da letra repetida, portanto s˜ao 3!
2! = 3 permutac¸˜oes distintas.
Exerc´ıcio 34. Qual ´e o n´umero de permutac¸˜oes distintas com as letras da palavra bala?
Soluc¸˜ao. da mesma meneira, das 4! permutac¸˜oes as 2! permutac¸˜oes que troca a ordem da letra igual
e deixam as outras letras na mesma posic¸˜ao da sequˆencia geram a mesma palavra, portanto s˜ao 4!
2! = 12 permutac¸˜oes distintas.
Exerc´ıcio 35. Qual ´e o n´umero de permutac¸˜oes distintas com as letras da palavra banana?
Soluc¸˜ao. S˜ao 6! permutac¸˜oes de 6 s´ımbolos. Mas agora h´a permutac¸˜oes que diferem apenas na ordem das letras a ou das letras n e d˜ao origem a mesma sequˆencia, por exemplo:
ba
n
a
n
a
ban
a
na
b
a
n
an
a
b
ana
n
a
s˜ao permutac¸˜oes diferentes que determinam a mesma sequˆencia. As 3! permutac¸˜oes das letras a s˜ao indistingu´ıveis, assim como as 2! da letras n, portanto, h´a
6!
3! 2! = 60 permutac¸˜oes distintas.
Exerc´ıcio 36. Um sinal ´e composto por nove bandeiras alinhadas. Quantos sinais diferentes ´e poss´ıvel formar quando h´a dispon´ıveis 4 bandeiras brancas, trˆes bandeiras vermelhas e duas bandeiras azuis? Ban-deiras da mesma cor s˜ao idˆenticas.
Esboc¸o de soluc¸˜ao. 9!
4!3!2! = 1.260.
No caso de permutac¸˜oes com repetic¸˜ao de objetos se s˜ao n objetos no total, com r tipos de objetos distintos, ki objetos do tipo i (1 ≤ i ≤ r, n = k1+ · · · + kr) temos n! permutac¸˜oes donde descontamos as ki!permutac¸˜oes de objetos do mesmo tipo resultando
� n k1, k2, . . . , kr � def== n! k1! k2! · · · kr!
Exemplo 37. Numa m˜ao de Bridge as 52 cartas de um baralho embaralhado s˜ao divididas igualmente e
entre 4 jogadores. O n´umero de modos distintos com que isso ´efeito pode calculado da seguinte forma: uma distribuic¸˜ao de cartas corresponde a uma sequˆencia de 52 objetos, os 13 primeiros objetos da sequˆencia s˜ao as cartas do primeiro jogador, os 13 seguintes do segundo jogador, os pr´oximos 13 do terceiro e os 13 ´ultimos objetos da sequˆencia s˜ao as cartas do quarto jogador. H´a 52! sequˆencias distintas de cartas. Entretanto,
dessas 52! temos que, para cada jogador, 13! permutac¸˜oes correspondem a mesma sequˆencia de cartas em sua m˜ao, portanto, s˜ao
�
52 13, 13, 13, 13
�
= 53.644.737.765.488.792.839.237.440.000
modos distintos de distribuir as cartas, ou m˜aos diferentes de in´ıcio de jogo.
Exemplo 38. Se numa m˜ao de Bridge as 52 cartas de um baralho s˜ao divididas igualmente e aleatoriamente
entre 4 jogadores. Com que probabilidade cada jogador recebe um ´as?
Soluc¸˜ao. Os 4 ases podem ser distribu´ıdos de 4! modos distintos entregando um para cada
joga-dor. As 48 cartas restantes s˜ao distribu´ıdas pelos jogadores de �12,12,12,1248 � maneiras distintas. Pelo princ´ıpio multiplicativo s˜ao 4!�12,12,12,1248 � modos distintos de os jogadores receberem um ´as cada. Portanto a probabilidade ´e
4!�12,12,12,1248 � � 52
13,13,13,13 � que vale, aproximadamente, 0,1.
Exerc´ıcio 39. Numa m˜ao de Bridge as 52 cartas de um baralho s˜ao divididas aleatoriamente entre 4
joga-dores. Com que probabilidade um jogador recebe todas as cartas de paus?
Soluc¸˜ao. Denotamos por E1o evento ”o primeiro jogador receba todas as cartas de paus”. As 13 cartas de paus s˜ao entregues ao primeiro jogador e as 52 − 13 = 39 cartas restantes s˜ao distribu´ıdas alea-toriamente entre os outros 3 jogadores. O n ´umero de maneiras que E1ocorre ´e�13,13,1339 �. Portanto, a probabilidade do primeiro jogador receber todas as cartas de paus ´e
� 39 13,13,13 � � 52 13,13,13,13� = 39! 13! 52!
e, se E2, E3, E4 denotam os eventos ”o segundo jogador receba todas as cartas de paus”, ”o terceiro jogador receba todas as cartas de paus”e ”o quarto jogador receba todas as cartas de paus”, ent˜ao a probabilidade que algum jogador recebe todas as cartas de paus ´e a probabilidade da uni˜ao de quatro subconjuntos disjuntos entre si, cada um com a probabilidade dada acima, ou seja,
� (E1� E2� E3� E4) = � (E1) + � (E2) + � (E3) + � (E4) = 4 · 39! 13!52!
que ´e aproximadamente 6,3 × 10−12. Agora, qual a probabilidade de algum jogador receber as mes-mas cartas de qualquer um dos quatro naipes? (veja exerc.66, p´ag.55)
(2.2) Combinac¸˜oes: Tomemos um arranjo de r elementos escolhidos de um conjunto com n ele-mentos. A quantidade de arranjos que tˆem os mesmos r elementos ´e r! pois a ´unica diferenc¸a entre eles ´e a ordem com que se apresentam os r elementos. Por exemplo, se selecionamos sequencialmente e sem reposic¸˜ao 3 cartas de um baralho ent˜ao temos 52 · 51 · 50 arranjos distintos, um dos quais ´e (K♥, 5♣, Q♦). Agora, se selecionamos trˆes cartas de uma s´o vez as 3! permutac¸˜oes de (K♥, 5♣, Q♦) correspondem a mesma selec¸˜ao. A quantidade de selec¸˜oes distintas ´e
52 · 51 · · · 50
3! =
52! 49! 3!. Quando essa ordem n˜ao importa o que temos s˜ao combinac¸˜oes.
Uma combinac¸˜ao de r elementos escolhidos de um conjunto A com n elementos ´e simplesmente um subconjunto com r elementos de A.
Coeficiente binomial: O n ´umero de combinac¸˜oes de r elementos tomados de um conjunto de n, para 0 � r � n, elementos ´e o coeficiente binomial
� n r � def= (n)r r! = n! r! (n − r)!. Convencionamos que�ab� = 0 se a < b.
Exerc´ıcio 40. Numa populac¸˜ao com n elementos, n1 s˜ao azuis e n2 = n − n1 s˜ao verdes. De quantas
maneiras podemos escolher k elementos com r deles azuis? (0 ≤ r ≤ min{n1, k})
Soluc¸˜ao. O n ´umero de maneiras de escolher k − r verdes ´e�n2
k−r�. O n´umero de maneiras de escolher r azuis ´e�n1
r�. Pelo Princ´ıpio Multiplicativo, o n´umero de maneiras de escolher r azuis e k − r verdes ´e�n2
k−r��nr1�.
Exerc´ıcio 41. Trˆes bolas s˜ao retiradas aleatoriamente de uma caixa com 6 bolas brancas e 5 bolas pretas.
Com que probabilidade a escolha resulta em 1 branca e 2 pretas?
Soluc¸˜ao. No total s˜ao 13 bolas das quais escolhemos 3. O n ´umero de poss´ıveis resultados ´e �133�. “6
bolas brancas e 5 bolas pretas” ocorre de�61��52� modos diferentes, pelo exerc´ıcio anterior. Portanto a probabilidade ´e (61)(52)
(13 3) .
Exerc´ıcio 42. Cinco pessoas s˜ao escolhidas aleatoriamente dentre 6 homens e 9 mulheres. Com que
proba-bilidade tal comitˆe ´e composto por 3 homens e 2 mulheres?
Soluc¸˜ao. Seguindo a mesma linha de racioc´ınio do exemplo anterior, a probabilidade ´e (63)(92)
(15
5) .
Exerc´ıcio 43. Cinco pessoas s˜ao escolhidas aleatoriamente dentre 6 homens e 9 mulheres. Com que
proba-bilidade a maioria ´e homem?
Se A ´e um conjunto com n elementos ent˜ao a quantidade de subconjuntos de A de cardinalidade r ´e o n ´umero de maneiras distintas que podemos selecionar r elementos dentre os n do conjunto, isto ´e, s˜ao�nr� subconjuntos, como h´a 2n subconjuntos de A conclu´ımos que
n � r=0 � n r � = 2n (10)
Essefato ´e consequˆencia, tamb´em, de um resultado mais geral conhecido como Teorema Binomial.
Teorema Binomial: Para todo n > 0, vale (x + y)n = n � r=0 � n r � xryn−r. Fazendo x = y = 1 temos (10).
Vejamos como o produto de desenvolve para valores pequenos de n (x + y)(x + y) = (x + y)x+ (x + y)y
= xx+ yx+ xy+ yy (x + y)(x + y)(x + y) = (x + y)(xx+ yx + xy+ yy) = (x + y)xx+(x + y)yx +(x + y)xy+(x + y)yy = xxx+yxx +xyx+yyx+xxy+yxy+xyy+yyy (x + y)(x + y)(x + y)(x + y)(x + y) = (x + y)(xxx+yxx+xyx+yyx+xxy+yxy+xyy+yyy) = xxxx+xyxx+xxyx +xyyx+xxxy+xyxy+xxyy+xyyy + yxxx+yyxx+yxyx+yyyx +yxxy+yyxy+yxyy+yyyy Assim, (x + y)n = (x + y)(x + y) · · · (x + y) (11)
nocorrˆencias de (x + y); cada termo do produto ´e daforma xryn−r, para 0 ≤ r ≤ n; para cada r nesse intervalo o coeficiente de xryn−r ´e o n ´umero de maneiras de escolher o x dentre os rfatores de (11) e o y dentre os n − r fatores restantes de (11). O n ´umero de maneiras de escolher r objetos dentre n ´e �n r�, portanto (x + y)n = n � r=0 � n r � xryn−r.
De volta ao exemplo37, se dividimos a tarefa de distribuir as cartas em 4 etapas, cada etapa sele-ciona 13 cartas para um jogador, ent˜ao pelo princ´ıpio multiplicativo o n ´umero de maneiras distintas
de distribuir as cartas no jogo de bridge ´e � 52 13 �� 52 − 13 13 �� 52 − 13 − 13 13 �� 52 − 13 − 13 − 13 13 � = � 52 13, 13, 13, 13 �
Exerc´ıcio 44. Prove que a seguinte identidade � n r1, r2, . . . , rk � = � n r1 �� n − r1 r2 � · · · � n − r1− r2− · · · − rk−1 rk � .
Com racioc´ınio an´alogo aofeito para o Teorema Binomial, (x + y + z)n = � r1+r2+r3=n � n r1, r2, r3 � xr1yr2zr3. e, de modo geral, (x1+ x2+ · · · + xk)n = � r1+r2+···+rk=n � n r1, r2, . . . , rk � xr1 1x2r2· · · xkrk de modo que�r1,r2n,...,rk� ´e conhecido como coeficiente multinomial
Exerc´ıcio 45. Prove que a seguinte identidade i � n i � = n � n − 1 i − 1 � .
Combinac¸˜ao com repetic¸˜ao: Quantos domin´os h´a com os n ´umeros de 0 a 7? Os domin´os com pares de n ´umeros diferentes s˜ao�82� = 28, mais os 8 pares repetidos resultam em 36 pec¸as de domin´os.
O caso acima pode ser generalizado como segue. Dentre n objetos, queremos selecionar r po-dendo haver repetic¸˜ao. Isso pode serfeito de
�
n + r − 1 r
�
(12) maneiras diferentes. No caso dos domin´os, s˜ao 8 n ´umeros dos quais selecionamos 2, podendo repetir
n ´umero � 8 + 2 − 1 2 � = � 9 2 � = 9! 7! 2! = 36.
Uma maneira de modelar combinac¸˜ao com repetic¸˜ao para deduzir (12) ´e escrever uma equac¸˜ao com uma indeterminada para cada um dos n objetos, x1, x2, . . . , xn. A vari´avel xiindica quantas vezes o i-´esimo objeto ser´a selecionado, portanto x1+ x2+ · · · + xn = r. Portanto, o n ´umero combinac¸˜oes com repetic¸˜ao ´e a quantidade de soluc¸˜oes inteiras de
Soluc¸˜oes inteiras de equac¸˜oes lineares: vamos comec¸ar com um caso simples, estudaremos o n ´umero de soluc¸˜oes de
x1+ x2+ x3 = 6, com xi ∈ {1, 2, . . . } para todo i. (14) Escrevemos
1 + 1 + 1 + 1 + 1 + 1 = 6
e uma soluc¸˜ao de (14) corresponde a escolha de 2 operadores + dentre os 5 escritos na equac¸˜ao acima; por exemplo, se usamos ⊕ para as escolhas
1 + 1 ���� x1 ⊕ 1 + 1 + 1������������ x2 ⊕ 1���� x3 = 5 corresponde a x1= 2, x2= 3e x3= 1, e 1 + 1 ���� x1 ⊕ 1 + 1���� x2 ⊕ 1 + 1���� x3 = 5
corresponde a x1= 2, x2= 2e x3= 2. Portanto essa equac¸˜ao tem�52� soluc¸˜oes em �+. Agora, estudaremos o n ´umero de soluc¸˜oes de
x1+ x2+ x3= 6, com xi ∈ {0, 1, 2, . . . } para todo i.
Notemos que uma soluc¸˜ao (x1, x2, x3) = (x, y, z) inteira e positiva da equac¸˜ao x1+ x2+ x3 = 6 + 3 determina uma ´unica soluc¸˜ao inteira en˜ao-negativa (x − 1, y − 1, z − 1) da equac¸˜ao x1+ x2+ x3 = 6e vice-versa, ou seja, as equac¸˜oes
x1+ x2+ x3 = 6 + 3, com xi ∈ {1, 2, 3, . . . } para todo i. x1+ x2+ x3= 6, com xi ∈ {0, 1, 2, . . . } para todo i.
tˆem o mesmo n´umero de soluc¸˜oes.
De volta ao problema que gerou essa discuss˜ao: o n ´umero de maneiras de selecionar r objetos, podendo haver repetic¸˜ao, dentre n objetos ´e igual ao n ´umero de soluc¸˜oes inteiras de (13), que ´e o mesmo n ´umero de soluc¸˜oes inteiras de
x1+ x2+ x3+ · · · + xn = n + r, com xi ∈ {1, 2, . . . } para todo i.
consideramos 1 + 1 + 1 + · · · + 1 = n + r e dos n + r − 1 operadores + escolhemos n − 1, ou seja, s˜ao �n+r−1
n−1 � soluc¸˜oes inteiras. Finalmente, (12) segue de
Exerc´ıcio 46. Verifique que vale �
n + r − 1 r � = � n + r − 1 n − 1 �
F´ormula de Stirling
Duas sequˆencias de n ´umeros an e bn s˜aoassintoticamente iguais, e escrecemos an ∼ bn, se lim
n→∞ an bn = 1.
Frequentemente, ´e muito ´util quanto trabalhamos com fatoriais a seguinte igualdade assint ´otica conhecida comof´ormula de Stirling
n! ∼ nne−n√2�n.
Uma prova dessa aproximac¸˜ao para o valor de n! ´e dada na p´agina170. Bolas em caixas
Um modelo para problemas de contagem ´e considerar a distribuic¸˜ao de bolas em caixas. Consi-deramos os casoscaixas distingu´ıveis ou caixas idˆenticas e bolas distingu´ıveis ou bolas idˆenticas.
Por exemplo, h´a 8 modos de distribuir as bolas distingu´ıveis a, b, c em duas caixas distingu´ıveis,
esquerda e direita
abc| ab|c a|bc |abc
ac|b bc|a b|ac c|ab
Se as caixas fossem indistingu´ıveis ent˜ao abc| e |abc definem a mesma configurac¸˜ao, assim como ac|b e b|ac, como ab|c e c|ab, como bc|a e a|bc. Portanto, h´a 4 modos de distribuir as bolas dis-tingu´ıveis a, b, c em duas caixas indisdis-tingu´ıveis. Se as bolas s˜ao indisdis-tingu´ıveis e as caixas n˜ao
∗ ∗ ∗ | ∗∗ | ∗ ∗ | ∗∗ | ∗ ∗ ∗ s˜ao 4 modos e se caixas e bolas s˜ao indistingu´ıveis s˜ao 2 modos (por quˆe?).
Exemplo 47. De quantas maneiras distintas podemos distribuir 3 bolas distingu´ıveis em 4 caixas
dis-tingu´ıveis?
Para cada uma das 3 bolas bola h´a 4 poss´ıveis caixas, portanto temos um evento composto por uma sequˆencia de 3 etapas em que cada um tem 4 poss´ıveis resultados, portanto 43 maneiras distintas para
distribuir as bolas nas caixas.
Exerc´ıcio 48 (distribuic¸˜ao de bolas em caixas — arranjo com repetic¸˜ao). Prove que h´a nr maneiras
distintas de distribuir r bolas distingu´ıveis em n caixas distingu´ıveis.
Exerc´ıcio 49 (distribuic¸˜ao de bolas em caixas — arranjo). De quantas maneiras distintas podemos
distribuir r bolas distingu´ıveis em n caixas distingu´ıveis (r ≤ n) de modo que cada caixa receba no m´aximo
Soluc¸˜ao. Para cada uma das r bolas, escolhemos uma caixa dentre as dispon´ıveis, a qual se torna
indispon´ıvel a partir de ent˜ao. Temos o evento composto pela sequˆencia E1, E2, . . . Er de etapas com |Ei|= |Ei−1|−1 (1 < i ≤ n) e E1= n, portanto
�� �� �� � r � i=1 Ei �� �� �� �= (n)r
maneiras distintas de distribuir r bolas distingu´ıveis em n caixas distingu´ıveis de modo que cada caixa receba no m´aximo 1 bola.
Exerc´ıcio 50 (distribuic¸˜ao de bolas em caixas — permutac¸˜ao com repetic¸˜ao). De quantas maneiras
distintas podemos distribuir n bolas distingu´ıveis em r caixas distingu´ıveis de modo que a caixa 1 receba
k1bolas, a caixa 2 receba k2bolas, e assim por diante at´e que a caixa r receba kr bolas.
Soluc¸˜ao. Para cada uma das n! permutac¸˜oes das bolas, colocamos as k1 primeiras da sequˆencia na caixa 1, as k2pr´oximas na caixa 2 e assim por diante. As k1primeiras podem ocorrer de k1!maneiras distintas e aqui ordem n˜ao importa pois v˜ao todas para a mesma caixa independentemente da ordem, as k2 pr´oximas de k2! maneiras distintas, e assim por diante. Cada maneira de distribuir as bolas nas caixas de acordo com a restric¸˜ao enunciada pode ser obtida por uma permutac¸˜ao como acima, portanto o n ´umero de maneiras ´e�k1, k2n,..., kr�.
Exerc´ıcio 51 (distribuic¸˜ao de bolas em caixas — combinac¸˜ao). De quantas maneiras distintas
pode-mos distribuir r bolas idˆenticas em n caixas distingu´ıveis (r ≤ n) de modo que cada caixa receba no m´aximo
1bola?
Soluc¸˜ao. Das n caixas podemos escolher r de�nr� maneiras diferentes, como as bolas s˜ao indistingu´ıveis
distribu´ımos arbitrariamente uma por caixa.
Exemplo 52 (distribuic¸˜ao de bolas em caixas — combinac¸˜ao com repetic¸˜ao). Uma selec¸˜ao de r objetos
dentre n podendo haver repetic¸˜ao equivale a distribuir r bolas indistingu´ıveis em n caixas distingu´ıveis. Uma caixa vazia corresponde a um objeto n˜ao selecionado, uma caixa com k bolas corresponde a um mesmo objeto repetido k vezes.
Exemplo 53. Numa m˜ao de Bridge as 52 cartas de um baralho s˜ao divididas entre 4 jogadores. O n´umero
de maneiras distintas de distribuir as cartas ´e o n´umero de maneiras de distribuir 52 bolas distingu´ıveis em 4 caixas distingu´ıveis de modo que cada caixa receba 13 bolas. Vimos que isso pode serfeito de�13,13,13,1352 � maneiras distintas.