DISCIPLINA:
TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...5
1.1 OBJETIVO GERAL...5
1.2 OBJETIVO ESPECÍFICO...5
2 EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS...8
3 PORQUE PRECISAMOS USAR A TECNOLOGIA NA ESCOLA?...24
4 PAPEL DO PROFESSOR DIANTE DAS NOVAS TECNOLOGIAS...38
5 SOFTWARES EDUCACIONAIS...51
6 INTERNET NA EDUCAÇÃO...66
7 PROPOSTA CURRICULAR DO MUNICIPIO...83
8 GUIA SOBRE O USO DE TECNOLOGIAS EM SALA DE AULA...95
9 JOGOS EDUCACIONAIS...115
10 NAVEGAÇÃO, PESQUISA NA INTERNET E SEGURANÇA NA REDE...129
11 BLOGS: O QUÊ? PARA QUÊ? COMO?...160
INTRODUÇÃO
1 INTRODUÇÃO
Tendo em vista a evolução das tecnologias nas escolas, o estudo dobre a relação entre a Tecnologia e Educação tornou-se peça fundamental na construção do conhecimento do educador. Assim, a disciplina pretende através da discussão e reflexão estudar os fundamentos teóricos da tecnologia educacional enfatizando e potencializando o uso das mídias computacionais na exploração e construção do conceito.
Assim, estaremos buscando neste curso:
Reconhecer processos de inclusão e exclusão digital na sociedade brasileira; Identificar as potencialidades (social e cognitiva) do uso da Internet na
Educação;
Identificar e introduzir uma Teoria de Aprendizagem em seus planejamentos, aliando-se ao uso da Internet;
Identificar e reconhecer as potencialidades das ferramentas de pesquisa da Internet no processo de ensino-aprendizagem;
Identificar e reconhecer as potencialidades das ferramentas de aprendizagem colaborativa na Internet, no processo de ensino-aprendizagem.
1.1 OBJETIVO GERAL
Desenvolver a competência de avaliação crítica dos recursos tecnológicos disponíveis de modo a cooperar para o enriquecimento da prática pedagógica.
1.2 OBJETIVO ESPECÍFICO
Apresentar subsídios teóricos que permitam a percepção e a conscientização sobre o impacto da tecnologia na sociedade e na educação, especialmente em relação à mudança do papel do professor, do aluno, e de ambientes de aprendizagem.
Explanar acerca dos principais recursos tecnológicos e de comunicação e suas aplicações em ambientes educacionais;
Propiciar o conhecimento e análise de softwares voltados à educação;
INTRODUÇÃO
Incentivar o uso da internet como veículo de pesquisa, comunicação e publicação de trabalhos;
Desenvolver projetos envolvendo o uso de tecnologias aplicadas à educação. 6
EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
2 EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
AFINAL, O QUE É TECNOLOGIA EDUCACIONAL?
Texto de Cassiano Zeferino de Carvalho Neto e Maria Tais de Melo
Nunca se falou com tanta frequência, e de modo tão genérico e impreciso, em Tecnologia Educacional. Entretanto com a chegada da informática nas escolas, uma expectativa tornou-se crescente: os computadores finalmente vieram para revolucionar o ensino?
No entanto, ao longo dos últimos - e poucos! - anos que temos de experiência com as mídias e software disponíveis fomos descobrindo, muitas vezes a duras penas, que não basta ter computadores e software na escola: é preciso algo mais, inclusive de natureza diferente desta mídia, por mais versátil que ela possa parecer à primeira vista, para que se produzam ganhos significativos nos processos educacionais, contando com tais recursos.
A imprecisão e impropriedade como a que se verifica na nomeação de um conceito como o de Tecnologia Educacional não é meramente uma questão semântica. Passa, afinal de contas, a se constituir em um reducionismo, obstruindo possibilidades efetivas na elaboração de aulas e processos educacionais mais consistentes e ricos.
Computador não é tecnologia educacional. Software não é tecnologia educacional. Livro não é tecnologia educacional, e apostila também não. Sala com computadores PC, com ou sem ar condicionado, não é tecnologia educacional. Discurso sofisticado não é, necessariamente, Tecnologia Educacional. Videocassete não é tecnologia educacional também, nem o enferrujado projetor de slides que quase ninguém mais usa. Giz e apagador não são tecnologias educacionais em extinção, nem o pobre quadro-negro também o é...
UMA PARTE DE TUDO AQUILO QUE NÃO É TECNOLOGIA EDUCACIONAL.
EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Vamos descobrir algumas possíveis respostas a esta pergunta, ao longo de nossa jornada. Neste momento vamos propor uma questão para você, leitor (a).
Suponha que durante o final de semana tenhamos nos deparado com o seguinte problema:
“Durante uma visita ao sítio de alguns amigos somos incumbidos de acender o fogo para a churrasqueira. Já nos informaram onde está o álcool, a lenha e o fósforo. Por ser um dia de outono, venta forte. Apesar disso, vamos animadamente cumprir a importante e prazerosa missão, mas... tentamos acender o fogo de um jeito, e não conseguimos! Tentamos de outro e... também não conseguimos. Começamos a ficar incomodados e, já meio sem jeito, alguém nos pergunta se está tudo bem e dizemos que sim. Mas o vento continua soprando forte e o fogo não pega!. Agora já estamos impacientes. Como resolver o problema, efetivamente?”
ATIVIDADE
AFINAL, ENTÃO: O QUE É TECNOLOGIA EDUCACIONAL?
Tecnologia Educacional ou Tecnologias Educacionais: apenas uma questão semântica, ou o estado de criação e aplicação de uma arte?EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Sugira soluções para este problema:
Assim como nós, todas as vezes que alguém se depara com um problema – a menos que simplesmente o abandone – tende a buscar para ele alguma solução. Provavelmente devemos ter imaginado o que teria de ser feito para acender o fogo para o churrasco, apesar do forte vento dificultar nossa intenção. É possível que tenhamos pensado numa forma de envolver o carvão com jornal, proteger a chama do fósforo, perguntar para o dono da casa se havia álcool na forma de gel, enfim, tentamos e encontramos pelo menos uma solução satisfatória, embora não única, para o problema de dar início à queima do carvão.
Utilizamos o exemplo acima para destacar que quando criamos uma solução para um problema construímos conhecimento. Se a solução mostra-se eficaz, para um número significativo de casos semelhantes, então estamos diante de uma tecnologia! O conhecimento é produzido como resposta a um problema, como menciona Gaston Bachelard , em sua obra O novo espírito científico. Uma tecnologia é uma solução elaborada que pode ser aplicada em situações-problema semelhantes. Assim já temos uma primeira pista e referência: tecnologia pode ser entendida como um sinônimo para solução, solução que pode ser aplicada a um problema ou a um conjunto deles.
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É tudo aquilo que o ser humano cria para expandir seus conhecimentos, tornar seu trabalho mais fácil e fazer seu vida mais agradável. O'Brien, James A.
EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Podemos também começar a perceber através deste simples exemplo que uma tecnologia está vinculada à solução de um problema e esta solução produz conhecimento. Deste modo – estamos buscando aqui apresentar o tema com simplicidade, embora fugindo de simplismos – é freqüente acontecer que o conhecimento científico, produzido como resposta a um dado problema acabe por estimular a criação de aplicações, viabilizadas através de novas tecnologias, isto é, soluções. A invenção da válvula eletrônica, por Lee de Forest, em 1905, por exemplo, foi a base para a criação do rádio que ocorreu poucos anos depois. O problema de enviar mensagens a grandes distâncias e de modo muito rápido foi resolvido pela tecnologia das radiocomunicações. Do mesmo modo, a lógica binária criada por Charles Babage, por volta de 1860, seria a base para a tecnologia da computação quase cem anos depois, tempo em que ninguém podia disso suspeitar.
Neste ponto nos enriquecerá conhecer e refletir sobre a etimologia da palavra Tecnologia: tecn(o) do grego techno – de téchné ‘arte ou habilidade’, que se documenta em alguns compostos formados no próprio grego (como tecnologia) e em muitos outros introduzidos a partir do século XIX na linguagem erudita; logia - log(o) derivado do grego ‘palavra, estudo, tratado, conhecimento’ .
Pelo exposto, podemos inferir que uma tecnologia é uma solução, dentre outras tantas possíveis, a um dado problema ou conjunto deles. Portanto já começamos a perceber que não existe uma única tecnologia educacional, mas tecnologias, isto é soluções resultantes do enfrentamento de problemas. Tecnologia também denota, como a origem grega do termo referencia, o conhecimento de uma arte e será esta, para a Educação, a definição que melhor nos servirá de base para uma nova concepção operacional.
Para Thomas Alva Edison chegar a um tipo de filamento de lâmpada que não se queimasse muito rapidamente, por excessivo aquecimento devido à passagem de eletricidade, foi preciso levar em conta dois aspectos centrais: primeiro, retirar uma significativa quantidade de ar de dentro da ampola de vidro, já que o ar, por conter oxigênio, favorece a combustão; segundo: encontrar uma composição química que TECNOLOGIA: APROXIMAÇÕES SUCESSIVAS PODEM ALCANÇAR UM IDEAL?
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permitisse uma durabilidade bem maior do filamento, já que nas primeiras tentativas ele se queimava em poucos minutos. Eram esses os dois problemas básicos para serem enfrentados. Edison buscava por soluções; ao encontrá-las estaria produzindo conhecimento e conhecimento é a base para a criação de novas soluções, novas tecnologias.
Após mais de duas mil tentativas frustradas, porém não menos importantes na medida que o erro aproximava-o cada vez mais do acerto ele e sua equipe de trabalho chegaram a um ponto, o mais próximo possível do ideal: o filamento permanecera aceso por mais de 12 minutos! Estava criada a primeira lâmpada, e também se criava com ela a tecnologia de sua produção, ainda que em caráter artesanal.
Uma tecnologia, em geral, conduz a soluções, as mais próximas possíveis daquilo que se pretende resolver, do ideal digamos. Esta é uma das razões pelas quais até hoje, ao longo da História, não se conheceu uma tecnologia definitiva, pois que ela se aproxima cada vez mais do ideal.
Ao que parece não existe tecnologia absoluta, completa ou definitiva; sempre tem sido possível alcançar soluções cada vez melhores – no sentido de serem mais próximas da solução ideal de um problema – e esta característica central tende a permanecer. A partir do momento em que a primeira lâmpada permaneceu acesa por mais de dez minutos, tornou-se viável reproduzir outras tantas lâmpadas aproximadamente nas mesmas condições da inicial. A lâmpada que hoje ilumina o ambiente em que você se encontra tem um parentesco histórico direto com a primeira lâmpada criada, embora novas formas de produzir luz têm sido desenvolvidas, como por exemplo, através da tecnologia de lâmpadas a gás, uma solução mais eficiente, do ponto de vista do consumo de energia.
Embora novas soluções sejam encontradas, ao longo do tempo, nada se pode afirmar a respeito de sua permanência: outras soluções, mais eficazes, poderão vir a substituir as já existentes. Neste sentido as tecnologias buscam alcançar a solução ideal sem jamais, no entanto, a terem alcançado.
EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Enquanto é relativamente fácil reproduzir uma lâmpada, a partir do domínio de uma tecnologia, o mesmo não se aplica ao universo social. A Educação trabalha no universo da diversidade, das individualidades, das subjetividades, das socializações. Pessoas não se produzem ou constroem como lâmpadas, é claro. Neste sentido, crítico, o conceito de tecnologia – enquanto solução a um determinado problema ou conjunto deles – deve ser ampliado e revisto na perspectiva educacional e é precisamente isto que vamos fazer a partir de agora, nos tópicos que seguem.
Alguém já viu computador dando aula, sozinho, sem que, pelo menos, alguém o tenha ligado à tomada? Ao longo de sua carreira já vimos uma lousa, quadro-negro, quadro-verde ou quadro-branco apresentando sozinho “a matéria”, sem que alguém a houvesse elaborado antes? Em algum momento dos últimos vinte anos algum professor foi demitido do seu emprego só porque a escola comprou um videocassete? Um laboratório de ciências, totalmente equipado, mas completamente sem uso, trancafiado, ensina ciências para alguém? Um toco de giz percorre a lousa ensinando filosofia aos alunos?
Por mais absurdas ou hilariantes que possam parecer estas perguntas, elas escondem, na verdade, uma percepção equivocada: a de que “coisas” ensinam ou passam conhecimento. Para começar, já identificamos aqui um equívoco conceitual: chamar de tecnologia aos meios, aos recursos materiais, à mídia!
Recursos materiais, mídia, meios: vamos às suas origens?
Meio: do latim ‘médius’ – ‘médio’: que está no meio ou entre dois pontos.
A origem da palavra revela-se numa excelente pista para o que estamos buscando: um meio, por si só, é incapaz de promover ou de realizar uma ação de natureza educacional. Por quantas vezes acompanhamos a chegada de computadores nas TECNOLOGIA EDUCAÇÃO
CONSTRUINDO UM CONCEITO PARA TECNOLOGIA EDUCACIONAL
EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
escolas sem que, efetivamente, se tenha avançado em termos efetivos na qualidade de ensino? Para que serve um quadro, do preto ao branco, sem que o registro de idéias e outras informações sejam através dele veiculadas pelo professor e mesmo pelos alunos? E o que dizer do videocassete e da TV? Apostava-se que eles iriam substituir o professor na sala de aula...
Um laboratório de ciências, totalmente equipado, mas sem professores habilitados para dele fazerem uso, não passa de um “elefante branco” e um toco de giz, por si só, não viola a lei da gravidade: cai e não ensina filosofia, a menos que sua queda seja problematizada... Começamos aqui a construir um conceito amplo e crítico para a Tecnologia Educacional.
Neste primeiro ponto estamos falando dos meios, também chamados de mídias, que englobam todos os recursos materiais, mecânicos, elétricos, e eletrônicos, dentre outros, que se utilizam com fins educacionais. No inglês é comum utilizar o termo “hardware” (algo que é duro, as coisas físicas, em si, os corpos e objetos).
As mídias, como iremos chamá-las daqui para frente, são um dos pilares, um dos componentes essenciais, indispensáveis para a construção de um conceito melhor estruturado de Tecnologia Educacional. As mídias sejam elas quais forem, não são em si e nem por si mesmas, Tecnologia Educacional.
Computador, videocassete, lousa e retroprojetor, carteira e ar condicionado, dentre inúmeros outros meios, portanto, não são tecnologias educacionais. Podemos, no máximo, dizer que são instrumentos, ferramentas de trabalho ou recursos de apoio, mas vale repetir: não são tecnologia educacional e sim um dos componentes de uma possível Tecnologia Educacional.
A mídia, como a origem da palavra sugere, é algo que se coloca entre, no mínimo, dois participantes da dinâmica educacional: aluno-professor, aluno-aluno, professor-aluno, aluno-aluno, alunos-professor, dentre outras possibilidades de configuração.
A mídia não é a mensagem. Toda mídia, como meio que se interpõe e viabiliza a interação entre pessoas participantes de um processo educacional, não é o agente criativo; ela pode carregar mensagens em informações, mas, por si só, é incapaz de produzir conhecimento, pronto para ser oferecido.
EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Iremos, a seguir, investigar uma outra classe de componentes fundamentais na produção de uma Tecnologia Educacional: publicações e software.
A concepção, criação, produção e publicação de uma obra está invariavelmente ligada às idéias-conhecimento, idéias-concepção, numa palavra – aos paradigmas – de um ou de mais autores. Toda obra refletirá uma ideologia que a comporta e sustenta, como fruto social e histórico do seu tempo, bem como das concepções e visões de mundo de seu autor.
É bem verdade que há obras que se imortalizaram, na medida em que permaneceram vivas além do tempo histórico e social em que foram concebidas.
Outras, no entanto, tiveram um ciclo próprio de vida contribuindo mais ou menos significativamente num determinado período e depois se tornando obsoletas, porém sem jamais perder o seu valor histórico.
De qualquer modo, uma obra carrega valores e idéias, acalentam ideais e afeta, de variadas maneiras, o pensar a respeito do mundo e as ações humanas.
Obras carregam idéias e estas, se revistas ou mesmo indiretamente colocadas em prática, podem produzir mudanças, alterar rumos e pontuar a História, independentemente da dimensão de seus impactos. Da mesma forma que a mídia, como vimos, um componente fundamental da tecnologia educacional, a publicação é um outro componente e não é tecnologia educacional em si, ou por si, somente.
Mais recentemente, com o advento e a disseminação da informática na educação, o software passou a ocupar um lugar importante e de destaque nos processos educativos. Um software – que não foi idealizado para apenas substituir um livro! - qualquer que seja ele, também carrega uma mensagem, tal como uma publicação. Na verdade é correto dizer que um software é uma publicação com características próprias, tem sua própria legislação e tudo mais que as publicações convencionais detém, incluindo direitos autorais. Na concepção e criação de um software existe uma intencionalidade do autor ou dos autores. Mesmo quando um software é apenas uma ferramenta e não trás ou carrega conteúdo puramente informativo, ainda assim ele reflete uma proposta e um conjunto de intenções, carrega uma mensagem.
Por sua natureza o meio sobre o qual um software é transportado é diferente daquele de uma publicação. Enquanto uma publicação tradicionalmente vem 15
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impressa em papel, um software vem gravado em discos magnéticos, em CD laser ou DVD, dentre outras mídias. Mas atentemos para o seguinte: software também não é, por si só, tecnologia educacional!
Talvez a esta altura o leitor possa estar intrigado e se perguntando: mas, afinal, o que é Tecnologia Educacional?
É claro que Tecnologia Educacional existe, mas não do modo como estamos habitualmente acostumados a considerá-la. Precisamos, primeiramente, afirmar o que não é Tecnologia Educacional, depois definir com maior precisão mídias e publicações impressas e software, ampliando e reformulando conceitos. Num domínio mais preciso, operacional e amplo este conceito deverá afetar significativamente a criação pedagógica e a atuação docente. Vamos agora para o último – e mais importante – dos elementos do processo de criação e utilização de tecnologias educacionais: a mediação.
Para podermos compreender bem o significado da mediação, tanto na criação quanto na aplicação de uma tecnologia educacional, vamos recorrer a alguns fatos históricos. A História nos ajudará nesta caminhada. Até o final do século XIX e início do XX, as metodologias de ensino se apoiavam essencialmente no discurso do professor (não nos assombremos se isto nos parecer tão atual e familiar...). A cátedra era o assento docente, uma posição de poder na hierarquia educacional, e o púlpito o nobre local de onde o educador professava suas aulas.
Notemos bem: a prática pedagógica valorizava uma mediação essencialmente discursiva do professor.
A chegada de uma nova mídia, no final do século XIX, pregada ou simplesmente pintada na parede, em tom negro ou verde, representava uma verdadeira heresia institucional e profissional, uma vez que docente que se prezava não deveria, jamais, descer do púlpito e, muito menos ainda, aporrinhar-se com um incômodo pó branco, fruto de um riscar incessante e irritante de uma pedra sobre um toco de giz...
Pois bem: um século se passou e devemos nos perguntar: há um único docente neste planeta, que não esteja totalmente familiarizado como o uso da mídia lousa? A lousa veio para ficar?
O papel discursivo do professor não se arrefeceu muito nas últimas décadas, é bem verdade, mas o suporte oferecido pela mídia lousa nunca mais foi abandonado. 16
EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Há professores que realizam verdadeiras maravilhas empunhando um giz. Em geral os professores de Biologia se esmeram em suas construções de células, tecidos e outros sistemas vitais; os de Matemática se sentiriam limitadíssimos sem contar com o apoio do quadro-negro; os de História não teriam como esboçar seus mapas, linhas do tempo e questões de verificação; os de física, querem em geral transformá-lo no laboratório que não possuem e os de Português e Língua Estrangeira, para parar por aqui, não se limitariam ao idioma falado. O quadro-negro chegou e foi sendo incorporado, definitivamente, como a mais importante mídia escolar do século XX. Nenhuma outra mídia que se tenha história ocupou um lugar de destaque tão notável, por tempo tão longo e com utilização praticamente universal, como o quadro-negro e seus sinônimos.
Ao acompanharmos a história da mídia quadro-negro podemos evidenciar uma das principais referências que temos, na construção do conceito de tecnologia educacional. A mera existência do quadro-negro não significou que o mesmo foi prontamente incorporado ao universo escolar; pelo contrário, houve muita resistência de início à sua utilização, pois mudar uma mídia já existente (comunicação estritamente oral!) significava alterar os modos de mediação e intervenção do professor. Há diferenças fundamentais quanto à natureza dos processos pedagógicos que incluam ou não o quadro-negro. As atitudes dos docentes – principalmente estas – são muito diferentes em cada circunstância.
Imaginemos, só para fazer uma idéia mais precisa do que queremos evidenciar, que amanhã, ao chegar à escola e irmos para a sala de aula, não encontrassemos mais a lousa instalada. E nenhum giz à disposição, nem mesmo apagador. O que significaria isso para a nossa conduta de aula, na prática? Como isto afetaria os nossos modos de ação, mediação e intervenção pedagógica?
O professor acostumado a proferir suas aulas de modo freqüentemente expositivo tendo por mídia de apoio somente o quadro-negro pode estranhar o termo mediador. Mesmo estranhando, suas intervenções e ações de informar contam com o suporte de determinadas mídias e publicações.
O PROFESSOR É O MEDIADOR, AQUELE QUE INTERVÉM NO PROCESSO EDUCATIVO.
EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Como o exemplo histórico nos pode mostrar, a simples chegada de uma mídia, como o quadro-negro, não significou sua imediata incorporação como elemento do processo educacional. Foi preciso que alguns docentes, de início, se entusiasmassem, experimentassem e criassem novas aplicações, utilizando-se delas nas aulas para que ao longo do tempo a incorporação efetiva do quadro-negro se desse. Há claramente aqui vistas para um processo de criação, de incorporação e de disseminação do uso do quadro-negro como mídia educacional.
Durante determinados períodos as publicações, que serviam de base para os processos educativos, permaneciam praticamente as mesmas sem sofrerem alterações significativas. No entanto a forma do agir pedagógico estava se alterando, significativamente, com o advento do quadro-negro incorporado como mídia em sala de aula. Decisivamente as ações pedagógicas estavam sofrendo uma alteração singular: se antes o professor se comunicava utilizando-se apenas de símbolos verbais, mídia verbal, apenas como orador, agora ele passava a incorporar uma nova forma de comunicação, mais abrangente, que incluía símbolos visuais, facilitando a comunicação e enriquecendo os processos educacionais.
Vemos neste exemplo histórico, estudado, que não foi simplesmente a colocação do quadro-negro na sala de aula que alterou a forma das soluções – tecnologias – educacionais.
Foi, juntamente com as mídias disponíveis e as publicações de cada época, a forma de atuação, de mediação, de intervenção, enfim, as decisões tomadas pelos professores e educadores na construção e condução de suas aulas que configuraram outras inúmeras possibilidades de tecnologias educacionais.
Temos aqui o exemplo que utilizamos como chave para organizar o conceito de tecnologia educacional que viemos construindo desde o início deste passo. Agora podemos apresentar, numa aproximação conceitual, um esquema que ajudará a organizar ainda melhor a idéia.
EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
Como podemos inferir, o conceito de Tecnologia Educacional encerra um paradigma complexo, envolvendo pelos menos três pilares estruturais: Mídias, Mediação e Publicações.
De fato alterações substanciais em uma dada Tecnologia Educacional ocorrem na medida que a incorporação efetiva de mídias e publicações acontecem por ação mediada. Nesta perspectiva a inserção de novas mídias dedicadas a educação pode trazer re-significados conceituais e operacionais pedagógicos, pressupondo a tomada de consciência dos mediadores, contando com suas competências e habilidades para a gestão dos processos de ensino-aprendizagem.
Tecnologia Educacional, portanto, é mais do que um conceito recorrente: representa, a cada momento, no tempo histórico, a complexidade dos processos pedagógicos, na esteira da tomada de decisão de seus gestores.
O que é Tecnologia Educacional?
É um meio pelo qual se conecta o professor, a experiência pedagógica e o estudante para aprimorar o ensino.
Newby (1996)
EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
AS TECNOLOGIAS EDUCACIONAIS NO CONTEXTO DE TRABALHO E SUAS IMPLICAÇÕES NA PRÁTICA PEDAGÓGICA
Texto de Lindalva de Freitas Silva
Hoje o valor principal já não está na combinação da terra, capital e trabalho, mas sim no nível de conhecimento que uma população dispõe e sua capacidade de transmitir e reconstruir conhecimento, o que traduz sua competência no manuseio do instrumental tecnológico moderno. (Moraes, 1997)
É inegável a influência das tecnologias da informação e da comunicação em nosso dia a dia, na prática profissional em geral e na pratica educacional em particular. A rapidez com que a tecnologia evolui e a complexidade desse avanço é realmente de difícil mensuração, pois ela transforma inteiramente vários processos e causa verdadeira revolução nas relações em nossa sociedade.
Partimos do pressuposto de que ao pensarmos em educação, é preciso, primeiramente compreender que ela não se explica por si mesma, mas pelas transformações materiais que ocorrem na sociedade. Nesse sentido, a leitura histórica do processo educacional implica em reconstruir, através de ferramentas conceituais apropriadas, as relações reais que caracterizam como um fenômeno concreto no contexto da sociedade capitalista, considerando a totalidade de relações e de múltiplas determinações. (PAULO NETTO, 1998).
Portanto, pensar na realidade atual da educação, implica analisar o contexto das novas configurações sociais e de um novo patamar tecnológico. Para compreendermos essa nova conjuntura, é preciso analisar a relação existente entre tecnologia e educação.
A introdução da informática na educação, sob diversos ângulos, é a tecnologia atual que não pode estar ausente da escola. Começa, no Brasil, a haver um investimento significativo em tecnologias de alta velocidade para conectar alunos e professores no ensino presencial e a distância.
Desta forma, onde a incentivação das trocas de saberes entre professores e alunos, do diálogo constante onde todos se tornam aprendentes, aproximamo-nos do proposto por Paulo Freire em toda a sua obra. Para Freire, falar com os educandos é uma forma despretensiosa mas altamente positiva que tem a 20
EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
professora democrática de dar, em sua escola, sua contribuição para a formação de cidadãos e cidadãs responsáveis e críticos. Algo de que tanto precisamos, indispensável ao desenvolvimento de nossa democracia (FREIRE, 1997, p. 56).
A questão da educação com qualidade, a construção do conhecimento na sociedade da informação, a inclusão, a diversidade humana e social, tão enfática em nosso imenso país, as novas concepções do processo de aprendizagem colaborativa, revisão e a atualização do papel e das funções do professor, a formação permanente deste, a compreensão e a utilização das novas tecnologias, visando à aprendizagem dos nossos alunos e não apenas servindo para transmitir informações. Porém fazendo o uso da informática no e para o ensino, para a educação e para a inclusão.
Nesse contexto, desenvolver a construção da inteligência coletiva, resgatando os diversos tipos de saberes, proporcionará uma nova forma de ensinar, fomentando um aprendizado dinamizador que transforma paradigmas, dando liberdade para descobrir e criar, contribuindo assim, para a formação de cidadãos críticos e conscientes de seu papel na sociedade, (re) construindo uma nova prática pedagógica na educação e (re) organizando o processo ensino/aprendizagem, a fim de se formar uma sociedade que ponha em prática seus pensamentos, idéias e sonhos.
“E a sociedade passa assim, aos poucos, a se conhecer a si mesma. Renuncia à velha postura de objeto e vai assumindo a de sujeito”. (FREIRE, 1980, p.52).
A TECNOLOGIA E A POSTURA DO PROFESSOR
O papel do professor é, segundo BELLONI (1999), o de: “(...) orientar os alunos nos estudos da disciplina pela qual é responsável, esclarecendo dúvidas e explicando questões relativas aos conteúdos, mas não somente isso. Ele deve fazer com que os alunos busquem e que não esperem uma resposta já decifrada, pois é precisamente esta situação que eles vão encontrar na vida e no trabalho”.
Há que se buscar, portanto, novas atitudes e posturas e, tanto professores quanto alunos, devem se adaptar às exigências de um mundo cada vez mais dominado pela tecnologia. O cenário atual requer a superação do método da transmissão de conhecimentos do professor para o aluno, além da ruptura da 21
EDUCAÇÃO E NOVAS TECNOLOGIAS
segmentação e do fracionamento para a busca de um ensino mais contextualizado e, por conseguinte, mais adequado às exigências do mundo do trabalho.
MORAM (1998) considera que o ensino com as novas mídias deveria questionar as relações convencionais entre professores e alunos. Para tanto, define o perfil desse novo professor ser aberto, humano, valorizar a busca, o estímulo, o apoio e ser capaz de estabelecer formas democráticas de pesquisa e comunicação.
PRÁTICA PEDAGÓGICA E TECNOLOGIA
As mudanças que vêm ocorrendo no contexto escolar têm despertado cada vez mais o interesse e necessidade de buscar recursos transformadores para metodologias do trabalho pedagógico, tornando-se este movimento um desafio. Essas mudanças vêm gerando novas reflexões e atitudes na estrutura pedagógica, fazendo-se necessário a interação e apropriação das pessoas envolvidas neste processo, apresentando um novo modo de aprender, um novo processo de construção do conhecimento onde a dinâmica e suas implicações envolvam a inter-relação e a articulação entre pedagogos e tecnologia.
Segundo PRADO, 2005: “embora a tecnologia seja um elemento da cultura bastante expressivo, ela precisa ser devidamente compreendida em termos das implicações do seu uso no processo de ensino e aprendizagem.” Essa compreensão é que permite ao professor integrá-la à prática pedagógica.
Entretanto, cabe lembrar que este processo de construção não acontece simplesmente disponibilizando o acesso ao aluno do vídeo, do computador e da internet, mas existem vários elementos inter-relacionados que apontam a própria mediação pedagógica.
Desta forma, esse trabalho inovador no ambiente pedagógico precisa ser construído com a participação coletiva dos sujeitos envolvidos no processo de trabalho pedagógico onde a pedagogia e a tecnologia articulem-se fluentemente no processo de informações e comunicações.
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PORQUE PRECISAMOS USAR A TECNOLOGIA NA
ESCOLA?
PORQUE PRECISAMOS USAR A TECNOLOGIA NA ESCOLA?
3 PORQUE PRECISAMOS USAR A TECNOLOGIA NA ESCOLA?
As relações entre a escola, a tecnologia e a sociedade
Texto de Edla Ramos
Se este texto estivesse sendo lido por você a vinte e tantos anos atrás, uma questão que provavelmente apareceria seria se deveríamos ou não usar as novas (nem tanto mais) tecnologias na educação. No início da década de 80, havia o anseio de que essa tecnologia poderia produzir a massificação do ensino, descartando a necessidade do professor, ou que pudesse levar a aceleração perigosa de estágios de aprendizagem com consequências graves. Argumentava-se também sobre o disparate de usar microcomputadores em escolas que eram carentes de outros tantos recursos. Hoje em dia, no entanto, já há bastante concordância sobre o fato de que a informática deva ser incorporada ao processo educacional. Permanecem, contudo, as dúvidas sobre por que (ou sob qual perspectiva) e sobre como essa incorporação deve acontecer.
Se você também não se contenta com esse argumento, está convidado para uma reflexão mais ampla acerca do tema! Neste texto, apresento diversos argumentos para demonstrar que a superação das exclusões não vai se dar pela via da empregabilidade apenas. A crise que estamos vivendo vai muito além do desemprego, pois estar empregado é condição necessária, mas cada vez menos suficiente, para a cidadania.
PARA REFLETIR
Antes de prosseguir a leitura, pare um pouco, pense nas questões a seguir e registre por escrito suas respostas numa folha:
Por que precisamos usar a tecnologia na escola?
Você já apresentou esse questionamento a colegas, pais ou mesmo aos estudantes? Caso tenha feito, que respostas ouviu?
Teria por acaso ouvido que precisamos preparar os educandos para o mercado de trabalho?
Você ficou satisfeito com esta resposta ou pensou em outros aspectos além deste? 24
PORQUE PRECISAMOS USAR A TECNOLOGIA NA ESCOLA?
É preciso superar a lógica da empregabilidade, pois esta não dá conta da sutileza e da complexidade da relação entre escola, tecnologia e sociedade. Não contribui também para a construção de uma educação para a solidariedade, para a equidade, para o consumo ecologicamente sustentável. Está impregnada por um conceito de desenvolvimento predatório e dependente.
Em síntese, como diz Hugo Assmann, não basta educar a massa trabalhadora para alimentar a máquina produtiva, é preciso educar para provocar indignação frente à aceitação conformista da relação tecnologia X exclusão. É preciso formar cidadãos aptos a construir uma sociedade solidária, principalmente quando se considera que uma sociedade sensivelmente solidária precisa ser permanentemente reconstruída. Cada geração precisa aprender a dar valor à solidariedade.
A educação para a solidariedade persistente se perspectiva como a mais avançada tarefa social emancipatória. (ASSMANN..., 1998, p. 21).
O uso ou a incorporação das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) nos processos educativos tem implicações que ultrapassam de longe os muros de uma sala de aula ou de uma escola. Afinal, estas tecnologias favoreceram grandes mudanças neste período que está sendo chamado de revolucionário.
Analisando a história da nossa civilização, percebemos que em vários momentos ocorreram mudanças revolucionárias no modo como o homem vivia. Aprofundando a nossa análise destas revoluções históricas, percebemos que entre seus motivos estava sempre a invenção de alguma ferramenta que expandiu a nossa capacidade de ação sobre o mundo (ou sobre a nossa realidade), ou, que expandiu a nossa capacidade de comunicação e de expressão. Tomemos como exemplo a revolução industrial com seus inventos principais: a máquina a vapor e a criação da imprensa . As novas tecnologias ampliam essas capacidades de modo extraordinário, e, por isso, a dimensão das mudanças que elas estão produzindo vem gerando profundas crises e desequilíbrios. O mercado de trabalho, que afeta a vida de todos, também vem se transformando continuamente: muitas profissões e postos de trabalho foram extintos; novos produtos são criados constantemente; há desemprego em muitos setores e falta de trabalhadores em outros.
PORQUE PRECISAMOS USAR A TECNOLOGIA NA ESCOLA?
A mutação das técnicas produtivas é acompanhada por novas formas de divisão do trabalho e, logo também, pelo surgimento de novas classes sociais, com o desaparecimento e a perda de poder das classes precedentes, por uma mudança da composição social e das próprias relações políticas. (ROSSI apud MUSSIO, 1987, p. 20).
Muitas incertezas afligem as pessoas nessa nossa época de uso intensivo de novas tecnologias. Dentre as questões em destaque estão:
Como garantir a continuidade de sociedades democráticas e participativas? Como garantir o acesso à informação por todos e evitar o aumento das formas
de controle e vigilância da mesma?
Como conseguir eficiência econômica e evitar o desemprego em massa e mais concentração de renda?
Como conseguir segurança pública e evitar a instalação do terror?
.Face às diferenças que se acirram, como conseguir uma sociedade com respeito mútuo, com justiça distributiva e sem invasão da privacidade ou massificação?
PARA REFLETIR
Convidamos você novamente a parar um pouco a leitura e tentar fazer uma síntese do que foi dito. Uma boa estratégia para fazer uma síntese é construir um mapa conceitual. Vamos dar um exemplo iniciando a construção de um para os parágrafos acima; se você achar interessante pode completá-lo a partir do ponto em que paramos. Figura 1.3
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Novamente voltando, alguns anos atrás havia grandes expectativas sobre os efeitos da expansão do uso destas tecnologias. Muitos estavam bastante otimistas, mas já havia quem alertasse que não deveríamos sê-lo, pois
nada está decidido a priori” (LÉVY, 1993, p. 9). Lévy (1993, p. 7) nos lembrava já em 1993 que teríamos que inventar como gostaríamos que esta nova sociedade da informação fosse, do mesmo modo que inventamos a sua tecnologia. Ele ressaltava que havia um grande descompasso e distanciamento entre “a natureza dos problemas colocados à coletividade humana pela situação mundial da evolução técnica e o estado do debate coletivo sobre o assunto.
Hoje em dia a realidade já não nos permite mais ser otimistas. É um fato bastante triste que no mundo de hoje, onde nunca tanta riqueza foi produzida, há tanto ou mais fome, doenças e injustiças do que sempre houve. Logo, tanta tecnologia por enquanto não produziu os efeitos desejados. Está ficando bastante claro que a forma de uso que damos às TIC é determinante nas respostas dadas a todas as questões que apresentamos acima. De modo geral, pode-se dizer que a tecnologia abre muitas possibilidades, mas a determinação do que vai se tornar realidade, dentre o que é possível, é do âmbito da política.
Então, se queremos uma tecnodemocracia, vamos precisar formar os sujeitos para isso. Precisamos pensar em alfabetização
tecnológica para todos, pois quem não compreende a tecnologia não vai poder opinar sobre o que fazer com ela. Felizmente a sociedade está mais atenta sobre esta necessidade e tem
SAIBA MAIS
Pierre Lévy (Tunísia, 1956) é um filósofo da informação que se ocupa em estudar as interações entre a Internet e a sociedade. Fez mestrado em História da Ciência e doutorado em Sociologia e Ciência da Informação e da Comunicação, na Universidade de Sorbonne, França. Trabalha desde 2002 como titular da cadeira de pesquisa em inteligência coletiva na Universidade de Ottawa, Canadá.
A tecnodemocracia é uma nova formação política onde os meios técnicos viabilizariam o desenvolvimento de comunidades inteligentes, capazes de se autogerir, onde todas as vozes poderiam ser ouvidas levando todos à inclusão social. Você acha que no Brasil já temos o estágio de uma tecnodemocracia?
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buscado equipar as escolas; há também muitos projetos de inclusão digital que buscam ampliar o acesso às novas tecnologias.
Mas o quadro ainda não é satisfatório. Segundo dados de 2008 do Comitê Gestor da Internet, no Brasil a taxa média brasileira de acesso à internet nos domicílios é de 20%. Esse já parece ser um número interessante, mas não se pode esquecer que esta é só a taxa média, há grande diferença
entre as regiões, sendo a região sudoeste a mais conectada, com 26%, e as regiões norte e nordeste as menos conectadas, com 9%. Essa diferença se propaga por qualquer critério que esteja relacionado com os indicadores econômicos e sociais. Uma rápida olhada nos dados
ao lado permite concluir que o Brasil conectado é essencialmente urbano, bem educado, bem alimentado e branco.
É importante também considerar que a escola é um lugar especialmente adequado para a promoção da inclusão digital, uma vez que a grande maioria dos jovens a frequenta num tempo em que estão bastante abertos ao
aprendizado. Além disso, o uso coletivo que ali se pode dar aos computadores torna a inclusão digital a partir das escolas um investimento socialmente relevante.
A melhor forma de combater o apartheid digital a longo prazo é investir diretamente nas escolas, de modo que os alunos possam ter acesso desde cedo às novas tecnologias. (BAGGIO, 2003).
Proveniente de estudo feito em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Sangari, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2005. Disponível em :http://www.agenciabrasil.gov.br/
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No Brasil, o número de escolas com computadores e acesso à internet ainda está muito longe do ideal. Resultados de 2005 indicavam que o uso da internet nas escolas é ainda muito baixo. Segundo a pesquisa,
apenas 5,4% da população com 10 anos de idade ou mais declarou ter usado a internet na escola.
Há outro estudo mais objetivo que aponta que
das 142 mil escolas brasileiras, apenas 8% dispõe de Internet com velocidade superior a 512 Kbps. (SANTOS, 2008).
Tentando mudar esta realidade, o governo Brasileiro muito recentemente lançou o Programa Banda Larga nas Escolas, em parceria com as operadoras de telefonia fixa. O programa pretende que todos os alunos das escolas públicas do ensino fundamental e médio situadas na área urbana tenham acesso à Internet banda larga (2megabits) até o final de 2010.
Suponhamos, então, que, como nação, tenhamos realizado um grande esforço e investimento e tenhamos chegado a promover a alfabetização tecnológica para todos. Ainda assim não teria sido o bastante. Vamos fazer uma comparação com a alfabetização para a escrita e a leitura. Sabemos muito bem que o que é entendido como ser alfabetizado muitas vezes é apenas ter atingido a capacidade de ler uma página impressa e de assinar o próprio nome. Sabemos que um cidadão precisa muito mais do que isso. Um cidadão precisa poder decidir sobre o que quer ler e ter acesso aos materiais que lhe interessam; precisa poder escrever com competência sobre o que desejar; e, acima de tudo, precisa, quando julgar necessário, ter assegurado o direito de ser lido.
O que queremos dizer é que a massificação de competências técnicas é necessária mas não é suficiente. É preciso mais. É preciso promover compreensão crítica sobre as tecnologias.Piero Mussio, abordando a questão da alfabetização tecnológica, destaca:
Há dois níveis de compreensão de um instrumento tecnológico. O primeiro é o da compreensão técnica, típico dos especialistas (...) O segundo nível é o da compreensão do
512Kbps corresponde aproximadamente a 500 mil bits por segundo, ou metade de um megabit. O megabit por segundo (Mbps ou Mbit/s) é uma unidade de transmissão de dados equivalente a 1.000.000 bits por segundo. Já o bit (simplificação para dígito binário, “BInary digiT” em inglês) é a menor unidade de medida de dados usada na Computação.
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uso do instrumento (...) sendo capaz de avaliar, julgar o instrumento proposto não por seus mecanismos internos mas pelas suas funções (globais) externas. (MUSSIO, 1987, p. 16). Mussio lembra que é preciso fazer crescer a consciência do significado cultural do instrumento de forma a minimizar a “delegação” de poder aos especialistas. Nesse nível de compreensão, o usuário passa a naturalmente ser ator do projeto de inserção tecnológica. Acontece que esta atuação para se tornar explícita exige um processo trabalhoso de aprendizado, de compreensão e de adaptação.
A questão que Mussio levanta nesta problemática é: “como permitir a quem quiser usar convenientemente um artefato tecnológico informar-se, não para ser civilizado ou alfabetizado apenas, mas para melhorar a si mesmo, ativando funções críticas autônomas de avaliação de tais sistemas, por aquilo que fazem e pelo modo como fazem. (RAMOS, 1996, p. 6).
Em outras palavras, já que as novas tecnologias mudam profundamente os meios de produção e de consumo, o que está em jogo é o controle político e social desses meios. Illich (1976) lembra que as próprias características técnicas dos meios de produção podem tornar impossível este controle. Novamente, é preciso compreender a tecnologia para poder dizer como elas devem ser. Vemos assim que, para Illich, dominar uma ferramenta é muito mais do que aprender a usá-la, significa a garantia da possibilidade de se definir conjuntamente o que vamos fazer com elas.
A intenção com o que foi até agora dito é a de sublinhar a necessidade de criar posturas autônomas e críticas de aprendizado sobre a tecnologia. Boff (2005) explicita essa idéia dizendo que precisamos educar os sujeitos para que sejam críticos, criativos e cuidantes.
Ser crítico, para ele, é a capacidade de situar cada evento em seu contexto biográfico, social e histórico, desvelando os interesses e as conexões ocultas entre as coisas. É ser capaz de responder: quais tecnologias servem a quem? Boff (2005, p. 9) explicita que
somos criativos quando vamos além das fórmulas convencionais e inventamos maneiras surpreendentes de expressar a nós mesmos [...]; quando estabelecemos conexões novas, introduzimos diferenças sutis, identificamos potencialidades da realidade e propomos inovações e alternativas consistentes.
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Enfim, ser criativo significa ser capaz de recriar-se e de recriar o mundo, ou de inventar as tecnologias que queremos. Por último, e mais importante, é preciso ser cuidantes. Ser cuidante é ser capaz de perceber a natureza dos valores em jogo, de estar atentos ao que verdadeiramente interessa, discernindo que impactos nossas ideias e ações têm sobre as outras pessoas, e sobre o planeta. Sem o cuidado e a ética esvaziamos as capacidades críticas e criativas, pois, não nos esqueçamos que vivemos um tempo em que nossas ações estão em vias de inviabilizar a vida no planeta.
Como já dissemos: quem não compreende não opina. Por isso perguntamos:
Existiria um conjunto de conceitos fundamentais sobre as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) que precisariam ser dominados por todos os cidadãos? Não temos dúvidas sobre isto nas disciplinas de matemática, de língua portuguesa, de história etc. Quais seriam esses conceitos no caso das TIC? Alguns nos vêm à mente:
o O que é digital? o O que é hipertexto?
o Como se estrutura a Web física e logicamente? o Qual é a geopolítica da Web?
o O que é um banco de dados?
o Princípios daslinguagens de programação? o O que é um computador?
o Estruturas hierárquicas de classificação? PARA REFLETIR
No caso do aprendizado sobre a tecnologia, podemos então entender que, além de aprender a usar, é preciso ser capaz de dizer para que usar e para que não usar e, ainda, ser capaz de dizer como deve ser a tecnologia a ser usada. Levando isso em conta sugerimos que você pense então na importância dos profissionais da educação nesse processo. Você e seus colegas na sua escola, já haviam sentido antes a necessidade de fazer esta reflexão? Pode anotar em que situações essa necessidade havia surgido?
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o Medidas de Informação (bits, gigabytes)? o Transmissão de dados?
Tudo o que discutimos até agora são questões que podem orientar sobre como usar as tecnologias na escola. Elas podem ajudar a definir os currículos (seus conteúdos, objetivos e métodos); a definir a orientação da prática pedagógica; os tipos de software educacional que devemos usar; a formação dos professores, a organização da distribuição e uso dos recursos computacionais etc. Enfim, elas podem ajudar a definir como o nosso dia-a-dia na escola deverá ser reorganizado.
Mas, finalizando, precisamos considerar que o computador é também uma importante ferramenta pedagógica que pode ajudar a desenvolver o raciocínio das pessoas. Na verdade, acreditamos que a incorporação da tecnologia ao processo educativo cria uma oportunidade ímpar para a estruturação e implantação de novos cenários pedagógicos. Sabemos que o nível de interatividade dessa ferramenta tem potencial para produzir novas e riquíssimas situações de aprendizagem. Pelo seu potencial pedagógico, podem também ser espaço da cointegração entre disciplinas. E, por isso tudo, podem contribuir para a valorização dos educadores e para o seu reencantamento pelo ato de educar. Além disso, frente a essa interatividade, as debilidades da educação baseadas na transmissão, no treino e na memória ficam tão evidentes que é difícil não percebê-las.
Piaget já nos falava que a aceitação de erros é fundamental para a construção significativa e verdadeira do conhecimento. Sem errar não se chega ao conhecimento. É preciso experimentar, tentar e tentar de novo. Então o professor que vai fazer o uso de novas tecnologias de um modo proveitoso precisa perder o medo de experimentar junto com seus alunos, precisa negar o verticalismo da sua relação com eles buscando mais confiança e companheirismo. Ninguém está aqui anunciando o fim da autoridade do professor, mas sim o abandono do autoritarismo que está intrínseco ao ensino das soluções prontas e acabadas, adotadas sem crítica nem compreensão. Nem estamos advogando que tudo precise ser reinventado, pois há muitas soluções excelentes para muitos problemas. Não estamos também negando a importância do treino e dos exercícios de repetição no aprendizado.
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Estamos sim negando o seu uso acrítico e alienado. Acreditamos que a aprendizagem significativa e crítica que queremos ver implementadas com as novas tecnologias pressupõem o coletivo, a cooperação entre pessoas e disciplinas e o diálogo franco e livre.
Por que precisamos usar a tecnologia na escola?
Você já apresentou esse questionamento a colegas, pais ou mesmo aos estudantes?
Caso tenha feito, que respostas ouviu?
Teria por acaso ouvido que precisamos preparar os educandos para o mercado de trabalho?
Você ficou satisfeito com esta resposta ou pensou em outros aspectos além deste?
Convidamos você a fazer uma síntese do que foi dito. No caso do aprendizado sobre a tecnologia, podemos então entender que, além de aprender a usar, é preciso ser capaz de dizer para que usar e para que não usar e, ainda, ser capaz de dizer como deve ser a tecnologia a ser usada. Levando isso em conta sugerimos que você pense então na importância dos profissionais da educação nesse processo.
Você e seus colegas na sua escola, já haviam sentido antes a necessidade de fazer esta reflexão?
Pode anotar em que situações essa necessidade havia surgido?
ATIVIDADES - Elaborando o seu texto
Elabore um pequeno texto refletindo sobre o modo de inserção das TIC nas escolas. Agora que você já terminou a leitura, pense se conhece algumas escolas que possuem laboratórios de informática. Elabore, então, um pequeno texto descrevendo como o laboratório é utilizado. Considere os seguintes aspectos:
Quem usa o laboratório? O que os alunos fazem no laboratório? Os alunos gostam de trabalhar com os computadores?
Foi ou não criada uma disciplina de informática na escola?
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Que mudanças a chegada do laboratório trouxe para essa escola em geral?
Continue a construção do seu texto analisando o modo como a tecnologia está sendo utilizada nessa escola. Procure basear sua análise nas reflexões que a leitura do texto lhe proporcionou. Sinta-se livre para incluir o que julgar necessário na sua análise. Sugerimos considerar alguns aspectos:
O uso das TIC na escola conhecida está promovendo ou não a capacidade dos alunos de serem críticos, criativos e “cuidantes” (como diz Leonardo Boff)? Por quê?
Esse uso está promovendo ou não uma aprendizagem significativa e crítica? Por quê?
Se você não conhece nenhuma escola que já faça uso das TIC, deve então construir um pequeno texto com alguns parágrafos desenvolvendo alguma ideia ou questionamento que a leitura lhe suscitou. Ou, se preferir e houver tempo e oportunidade, você poderia visitar uma escola próxima que possui esses recursos e, entrevistando os seus professores e funcionários, você poderia coletar as informações necessárias.
Após ter lido, refletido e ter expressado suas reflexões num texto, prepare-se para discutir com os seus colegas e formadores elegendo quais aspectos você quer discutir com eles.
Lembre-se: em caso de dúvidas, procure conversar com o(a) seu(sua) formador(a) ou procure colegas e constitua grupos de estudo, de reflexão e discussão presenciais. Isso consolida a sua formação e a parceria com a comunidade escolar. Quando sentir que as ideias discutidas estão amadurecidas, que tal abrir o debate com os alunos da sua escola e, se for o caso, com alunos de escolas circunvizinhas? É um bom momento para ampliar a sua formação para o coletivo social.
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ATIVIDADES - Reflexão com Vídeo
Nesta atividade você vai assistir a alguns vídeos que estão disponíveis na Internet.
Há hoje uma grande quantidade de documentos de vídeo na rede, e há um site em especial, chamado YouTube, que permite que as pessoas publiquem suas produções em vídeo para divulgá-las. Há de tudo neste site, muita coisa sem nenhuma importância, mas também muito material de grande valia. Selecionamos alguns para você assistir.
Se você tem dúvidas sobre o que é a Internet ou o que seja um site, pergunte para o(a) seu(sua) formador(a) ou colega. Nós ainda vamos falar disso mais adiante. Assim queremos lhe dar uma ideia inicial da potencialidade da nova linguagem midiática do vídeo digital, que é diferente do cinema e da televisão, e também do potencial da Internet como ferramenta de interação e compartilhamento. Queremos ao mesmo tempo, com o conteúdo selecionado, levá-lo a refletir sobre aspectos diversos desta tão controversa relação entre tecnologia, escola e sociedade. Por fim, queremos também alertá-lo para a importância de que a escola defina o seu papel neste processo e que os seus profissionais preparem-se para assumi-lo.
Após assistir aos vídeos sugeridos, você deve discuti-los com seus colegas e, em seguida, todos vão escolher um tema condutor que será depois desdobrado nos pequenos grupos para a realização dos seus projetos integradores de aprendizagem.
Assista agora, então, aos seguintes vídeos:
Os formadores vão ajudá-lo(a) a acessar o site do YouTube, o endereço é http://www.youtube.com (Curioso o modo como estes endereços são escritos, não? Falaremos sobre isso mais adiante).
Após ter acesso ao site do YouTube, você deve localizar cada um dos títulos dos vídeos a seguir e assisti-los:
Criança – a alma do negócio: este é um trailler do documentário de Estela Renner e Marcos Nisti sobre publicidade, consumo e infância. Convida você a refletir sobre seu papel dentro deste cenário e sobre o futuro da infância;
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Viciado em world of warcraft: é possível, literalmente, ficar viciado em um jogo de computador? Segundo os autores deste vídeo, é possível sim;
Fases da Revolução Industrial: aula de História destinada a alunos do Ensino Fundamental, produzida pela Profa. Alessandra Nóbrega;
O impacto da tecnologia da informação na vida social: reportagem do canal Futura abrangendo diversos impactos das TIC nas nossas vidas. Tem um conteúdo mais otimista;
Ladislau Dowbor – Educação e tecnologia: parte inicial de uma longa entrevista à Rede Vida que argumenta que, frente à explosão atual do universo do conhecimento, e das tecnologias correspondentes, a escola tem de repensar o seu papel. A visão do entrevistado é que precisamos de uma escola um pouco menos lecionadora. Se desejar ver o restante da entrevista, ela está disponível, em várias partes, no site do YouTube.
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PAPEL DO PROFESSOR DIANTE DAS NOVAS
TECNOLOGIAS
EDUCAÇÃO DIGITAL PARA ERA DIGITAL
4 PAPEL DO PROFESSOR DIANTE DAS NOVAS TECNOLOGIAS Texto de Luiz Fernando Máximo
De fato, estamos abordando a questão do papel dos professores diante das novas tecnologias de uma forma um pouco diferente da convencional. Na maioria dos textos que você já encontrou ou, ainda, vai encontrar sobre o uso de tecnologias na educação, existe uma imposição de que todos os professores devem se apropriar das tecnologias o mais rápido possível sob a pena de perderem seus espaços. Aparece, também, a ideia de que o professor deve mudar de uma postura tradicional para uma postura de facilitador da aprendizagem a partir da incorporação das tecnologias e sua prática pedagógica.
Assim iremos trabalhar a ideia de que não são as tecnologias em si que vão facilitar ou melhorar a qualidade do ensino e da aprendizagem. Nem tampouco, são as tecnologias que vão credenciar um professor ou professora a ganhar ou perder espaços na educação. Trata-se de abordar a questão da apropriação das tecnologias na educação a partir dos diferentes papéis que os professores assumem em decorrência da postura comunicativa que adotam. Vamos também He oferecer algumas dicas e princípios norteadores para a apropriação das tecnologias mais comumente utilizadas hoje na educação: o vídeo e a informática.
Ao final deste texto você deverá ser capaz de compreender que papéis e posturas dos professores podem levar ao melhor aproveitamento das tecnologias na educação.
Vamos começar a desfiar este novelo? Iniciamos pelos modelos ou padrões de comunicação.
EDUCAÇÃO DIGITAL PARA ERA DIGITAL
MODELOS DE COMUNICAÇÃO
Segundo Bordenave (2002), em uma situação de ensino aprendizagem, três padrões principais de comunicação entre professor e alunos, podem ocorrer num dado momento:
___________________________________________________________________ ______________________________________
_____________________________ BILATERAL OU BIDIRECIONAL
UNILATERAL, LINEAR OU ESTRELA
EDUCAÇÃO DIGITAL PARA ERA DIGITAL
Para Bordenave (2002), o modelo de comunicação linear ou estrela representa a educação tradicional, vertical ou bancária. O modelo bidirecional representa um começo de diálogo onde o desnível professor-aluno é diminuído, embora não eliminado. Já o modelo de comunicação em rede traz um sério desafio a professores e alunos acostumados ao ensino tradicional. Nesse modelo o professor participa de uma dinâmica de comunicação como um membro mais experiente do grupo. Vejam nas figuras que o professor deixa o centro do processo para apoiar a comunicação entre alunos, não ficando só na direção professor-aluno-professor.
Portanto, o grande desafio a ser vencido pela educação é superar o modelo de comunicação linear ou em estrela, no qual, na maioria das vezes, o professor age como se fosse a única fonte de informação para o aluno, é o único emissor diante de vários receptores sem direito a voz. De que nos adiantaria, por exemplo, um laboratório de informática ou acesso à internet num modelo de comunicação deste tipo? Para refletir na tela a mensagem que o professor quer passar? Vamos ainda mais longe dizendo que mesmo o modelo bidirecional de comunicação, no qual o aluno pode interagir com o professor, já não é suficiente. Seria importante conseguirmos adotar um modelo de comunicação em rede, ou seja, todos interagindo entre si. A comunicação ocorre em vários sentidos, entre alunos e entre professor e alunos. Todos são emissores e receptores, ou melhor dizendo, todos são sujeitos comunicantes.
MAS, QUE RELAÇÃO ISSO TEM COM O USO DA TECNOLOGIA NA EDUCAÇÃO? MULTILATERAL OU EM REDE
EDUCAÇÃO DIGITAL PARA ERA DIGITAL
Pense um pouquinho! Se no modelo de comunicação linear o professor é quem tem o poder de falar e ser a única fonte de informação do aluno, de nada ou muito pouco adianta termos a disposição deste professor e, principalmente, dos seus alunos os recursos da Internet, por exemplo. Ou então, se um professor com tal postura comunicativa usasse um computador na sua exposição este serviria tão somente como um retro-projetor ultramoderno. Ou seja, para professores que adotam constantemente uma
postura comunicativa o tipo linear as tecnologias tem um baixo aproveitamento do seu potencial informativo e comunicativo. Funcionam mais como um brilhante ilustrador das aulas.
Já os professores que assumem um modelo de comunicação bidirecional, acabam tendo mais chances de explorar melhor o potencial das tecnologias de informação e comunicação. Isto porque, neste modelo, o professor já não se põe mais como única fonte de informação, permitindo aos
alunos explorem um pouco mais o caráter informativo das tecnologias. O modelo de comunicação bidirecional parece ser aquele que hoje mais ocorre em relação aos demais.
No caso do modelo de comunicação em rede temos a situação de maior possibilidade de aproveitamento do potencial das tecnologias. Além de excelentes fontes de informação, que podem ajudar muito no trabalho com o trabalho por projetos ou pedagogia de projetos, as tecnologias podem possibilitar a ampliação do espaço e tempo da sala de aula ao permitir a troca de mensagens e o contato entre os alunos e destes com seus professores mesmo não estando no espaço físico da escola e no horário de aula.
VOCÊ SABIA?
Que a Internet é a fonte de informação mais popular.
Com larga vantagem, a internet é a mais popular fonte de informação e a escolha preferencial para obter notícias, superando televisão, jornais e rádio, de acordo com uma nova pesquisa realizada nos Estados Unidos. Mais de metade dos entrevistados pela afirmaram que selecionariam a internet, se tivessem de escolher uma única fonte de notícias. A televisão ficou com 21% dos votos, seguida por rádio e jornais, que ficaram com 10% cada. A internet também foi apontada como a mais confiável das fontes de notícia por cerca de 40% dos adultos, contra os 17% que optaram pela televisão, os 16% que ficaram com jornais e os 13% do rádio. Fonte: http://g1.globo.com/
EDUCAÇÃO DIGITAL PARA ERA DIGITAL
Ao analisarmos o papel dos professores diante do uso das tecnologias na educação pelo viés do modelo de comunicação adotado passam a fazer mais sentido as frequentes afirmações de que o
professor deve deixar de ser um mero transmissor de informações para se tornar um orientador/mediador dos seus alunos. Ao mudar do papel de transmissor de
informações para mediador da construção do conhecimento, na verdade o professor está deixando para trás uma postura comunicativa tradicional linear para uma postura comunicativa em rede. Assim, poderá aproveitar melhor todo o potencial informativo e comunicativo que as tecnologias têm para nos oferecer.
Para finalizar esta unidade, gostaríamos de deixar algumas dicas e princípios norteadores para o uso de tecnologias mais frequentemente utilizadas na educação: o vídeo e a informática.
O USO DO VÍDEO NA SALA DE AULA
Moran (2000), ao tratar sobre o uso do vídeo em sala de aula traz importantes contribuições para aqueles que já utilizam ou gostariam de utilizar esta tecnologia. Inicialmente faz uma classificação dos usos inadequados do vídeo na educação os quais dever ser evitados.
Colocar vídeo quando há um problema inesperado, como ausência do professor. Usar este expediente eventualmente pode ser útil, mas se for feito com frequência, desvaloriza o uso do vídeo e o associa, na cabeça do aluno, a não ter aula.
Lembre-se que estas dicas podem ser estendidas a quase todas as tecnologias utilizadas em sala de aula como computador, rádio, projetor multimídia, dentre outros.
VÍDEO-TAPA BURACO
VÍDEO-ENROLAÇÃO
EDUCAÇÃO DIGITAL PARA ERA DIGITAL
Exibir um vídeo sem muita ligação com a matéria. O aluno percebe que o vídeo é usado como forma de camuflar a aula. Pode concordar na hora, mas discorda do seu mau uso.
O professor que acaba de descobrir o uso do vídeo costuma empolgar-se e passa vídeo em todas as aulas, esquecendo outras dinâmicas mais pertinentes. O uso exagerado do vídeo diminui a sua eficácia e empobrece as aulas.
VÍDEO-DESLUMBRAMENTO
Existem professores que questionam todos os vídeos possíveis porque possuem defeitos de informação ou estéticos. Os vídeos que apresentam conceitos problemáticos podem ser usados para descobri-los, junto com os alunos, e questioná-los.
VÍDEO-PERFEIÇÃO