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Controle de temperatura no processo de produção de cerveja

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA JULIANO ANESI

PAULO HENRIQUE MANENTE TYBINKOVSKI

CONTROLE DE TEMPERATURA NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE CERVEJA

Palhoça 2019

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JULIANO ANESI

PAULO HENRIQUE MANENTE TYBINKOVSKI

CONTROLE DE TEMPERATURA NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE CERVEJA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Engenharia Elétrica da Universidade do Sul de Santa Catarina como requisito parcial à obtenção do título de Engenheiro Eletricista.

Orientador: André Tonon, Esp. Eng.

Palhoça 2019

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JULIANO ANESI

PAULO HENRIQUE MANENTE TYBINKOVSKI

CONTROLE DE TEMPERATURA NO PROCESSO DE PRODUÇÃO DE CERVEJA

Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Engenheiro Eletricista e aprovado em sua forma final pelo Curso de Engenharia Elétrica da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Palhoça, 06 de Novembro de 2019.

______________________________________________________ Professor e Orientador André Tonon, Esp. Eng.

Universidade do Sul de Santa Catarina

______________________________________________________ Prof. Fabiano Max da Costa, Esp. Eng.

Universidade do Sul de Santa Catarina

______________________________________________________ Sheila Santisi Travessa, Dra. Eng.

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Dedico este trabalho aos meus pais, Clenir

Manente Tybinkovski e Jucemar

Tybinkovski, pois tenho gratidão aos ensinamentos repassados que me fizeram perseverar nesta etapa inicial da minha vida e a minha esposa Rúbia Ferrari de Pontes, que acompanhou a conclusão desta trajetória me orientando nos momentos turbulentos, estando ao meu lado nos êxitos e nos aprendizados. (Paulo Henrique Manente Tybinkovski).

Dedico aos meus pais, Carmem Jusceli Anesi e João Virgílio Anesi pelo apoio incondicional em todos os momentos difíceis da minha trajetória acadêmica. Ao meu irmão Janilson Anesi que mostrou os primeiros passos da elétrica e eletrônica. Este trabalho é dedicado a eles. (Juliano Anesi).

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AGRADECIMENTOS

Agradecemos o nosso orientador Esp. Prof. André Tonon, pela atenção e dedicação com que acompanhou e orientou todo o nosso desenvolvimento. A todos os professores que nesta caminhada, cada um de forma singular contribuiu para o nosso desenvolvimento intelectual e social. A toda a nossa família e amigos, que direta ou indiretamente nos ajudaram e nos deram força, pela amizade e companheirismo demonstrados todos os dias.

Paulo agradece a: Aos meus pais, por toda a educação, conselhos e apoio, pessoas essenciais na minha vida. A minha esposa Rúbia, por seu amor e incentivo nesta reta final. Aos meus professores que me ensinaram não só teorias, mas também a ética de um bom profissional, em especial ao Professor Djan de Almeida do Rosário que contribuiu muito para o meu desenvolvimento em sua forma de repassar os conhecimentos e de apresentar de maneira clara a relação entre todos os conteúdos, possibilitando uma visão mais prática e a útil dos conhecimentos aplicados na vida. Ao amigo Diego Grams, pela orientação durante o curso, buscando sempre que eu tivesse um melhor aproveitamento dos ensinamentos de cada cadeira, ao Juliano Anesi por ter se dedicado neste projeto de conclusão de curso, e durante todo o curso, fazendo com que atingíssemos êxito juntos. Aos meus amigos, que me apoiaram durante estes longos anos. A todos, minha sincera gratidão.

Juliano agradece a: Aos meus pais, meu irmão, que apesar de todos as dificuldades, me ajudaram na realização do meu sonho. Aos meus amigos que por muitas vezes me mantive afastado por dedicação ao estudo. Aos vários colegas de classe, por toda a ajuda e apoio durante este período tão importante da minha formação acadêmica. Aos professores Djan de Almeida do Rosário e Anderson Soares André pelas orientações, apoio е confiança. Em especial ao colega Paulo Henrique Manente Tybinkovski pelo apoio neste e em outros projetos do curso, e a todos que me encorajaram e apoiaram, fazendo desta, uma das melhores etapas da minha vida.

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“Não esconda os seus talentos. Para o uso eles foram feitos. O que é um relógio de sol na sombra?” (BENJAMIN FRANKLIN).

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RESUMO

O Controle de temperatura na produção de cerveja artesanal é um ponto que define o perfil de produto, necessitando para isso um controle preciso da temperatura na etapa de brassagem, processo em que o amido se transforma em açúcares, através da ação das enzimas, e se dissolvem na água formando o mosto cervejeiro. Atualmente o método de controle da temperatura amplamente utilizado é o de liga-desliga da chama do fogareiro a gás de cozinha, devido a sua disponibilidade e facilidade de implementação. Este trabalho busca implementar um controle PID da temperatura utilizando aquecimento por resistência elétrica. Esta implementação consiste no desenvolvimento de um sistema de controle utilizando Arduino que executa um controle PID utilizando um relé de estado sólido. A planta em que será implementado esse sistema é composta por uma panela de aço inoxidável de 18 litros com fundo falso para separar os grãos do mosto, uma resistência de baixa densidade de 1600W e uma bomba hidráulica. A resistência distribui a potência dissipada no fundo da panela evitando a caramelização do mosto, enquanto a bomba fará a circulação do mosto visando a homogeneidade do aquecimento do mesmo. Foi desenvolvido um sistema de controle com arduino, sensor e relé de estado sólido e testado na planta, através do controle PID foi possível atingir o grau de precisão desejado.

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ABSTRACT

Temperature control in the production of craft beer is a point that defines the product profile, requiring precise temperature control in the brewing stage, a process in which starch turns into sugars through the action of enzymes and They dissolve in the water forming the brewing wort. Currently, the widely used temperature control method is the on-off flame of the gas cooker due to its availability and ease of implementation. This work seeks to implement a PID temperature control using electric resistance heating. This implementation consists of developing a control system using Arduino that performs a PID control using a solid-state relay. The plant where this system will be implemented is made up of an 18 liters stainless steel pan with a false bottom to separate the grains from the must, a low-density resistance of 1600W and a hydraulic pump. The resistance distributes the dissipated power at the bottom of the pan avoiding the caramelization of the wort, while the pump will circulate the wort aiming the homogeneity of its heating. A control system with Arduino, sensor and solid-state relay was developed and tested in the plant, through the PID control it was possible to reach the desired degree of precision.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Rampa de Brassagem 15

Figura 2 - Faixas de atuação das enzimas 16

Figura 3 - Curvas de Resposta de um sistema a uma excitação em degrau unitário 18

Figura 4 - Sensor PT-100 22

Figura 5 - Medição de Tensão em um Termopar 23

Figura 6 - Diagrama de Blocos - Interior do DS18B20 25

Figura 7 - Controle de ciclo integral 28

Figura 8 - Detecção da passagem por zero 29

Figura 9 - Sensor Digital DS18B20 30

Figura 10 – Microcontrolador Arduino UNO 31

Figura 11 - Relé de Estado sólido SSR-40 DA 31

Figura 12 - Panela Cervejeira ML-20G2 32

Figura 13 – Conexões internas 33

Figura 14 – Controlador montado 33

Figura 15 – Controlador instalado na panela 34

Figura 16 – Início da condução do Relé de Estado sólido 36

Figura 17 – Saída PWM arduino 38

Figura 18 – Redução do PWM na saída do Arduino 38

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LISTA DE EQUAÇÕES

Equação 2-1 – Função de Transferência de um sistema de primeira ordem 17

Equação 2-2 – Resposta ao degrau de um sistema de primeira ordem 17

Equação 2-3 – Função de Transferência sistema de segunda ordem 18

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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ... 12 1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA ... 12 1.2 JUSTIFICATIVA ... 13 1.3 OBJETIVOS ... 13 1.3.1 Objetivo Geral ... 13 1.3.2 Objetivos Específicos ... 14 1.4 METODOLOGIA ... 14 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ... 15 2.1 BRASSAGEM ... 15 2.2 SISTEMAS DE CONTROLE ... 17 2.2.1 Sistemas Térmicos ... 19

2.2.2 Sistema de Primeira Ordem ... 17

2.2.3 Sistema de Segunda Ordem ... 18

2.2.4 Controlador PID – Proporcional-Integral-Derivativo ... 19

2.2.5 Sintonia do Controlador PID – Proporcional-Integral-Derivativo ... 20

2.3 CONTROLE DO PROCESSO ... 20 2.4 MEDIÇÃO DE TEMPERATURA ... 21 2.4.1 Faixa de Temperatura ... 22 2.4.2 Precisão ... 22 2.4.3 Proteção ... 22 2.4.4 Tempo de Resposta ... 22 2.5 MEDIDORES DE TEMPERATURA ... 23 2.5.1 PT-100 ... 23 2.5.2 Termopares ... 24 2.5.3 Digitais ... 25 2.6 MICROCONTROLADOR ... 27 2.6.1 Arduino ... 27 2.7 CONTROLE DE POTÊNCIA ... 27 3 DESENVOLVIMENTO ... 31 3.1 DEFINIÇÕES INICIAIS ... 31

3.2 PRIMEIRA PROGRAMAÇÃO - LIGA-DESLIGA ... 33

3.3 SEGUNDA PROGRAMAÇÃO - PROPORCIONAL ... 37

3.4 TERCEIRA PROGRAMAÇÃO - PID ... 40

4 CONCLUSÃO ... 43

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1 INTRODUÇÃO

A cerveja artesanal na década de 70 nos Estados Unidos iniciou um processo de larga expansão que atingiu grandes proporções no ano de 2014 em que havia 3,148 micro cervejarias estabelecidas, se tornaram uma grande referência no mercado de artesanais, nesta mesma época, 2014, no Brasil haviam apenas um pouco mais de 200 micro cervejarias (SEBRAE, 2016).

Esta grande expansão do mercado de micro cervejaria traz junto uma cadeia de desenvolvimento de fornecimento de insumos, bares e pubs para comércio da bebida ao consumidor, automação da planta de produção, distribuição e consumo da bebida inclusive difunde a ideia de produção de cerveja em casa (LAPOLLI, 2018).

Enquanto em 2014 havia algo próximo de 200 micro cervejarias, em 2017 já estão estabelecidas segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, 679 cervejarias. Este crescimento se assemelha ao que ocorreu nos Estados Unidos na década de 90 (LAPOLLI, 2018).

Observando este amplo crescimento e conhecendo o processo de fabricação, nota-se que a produção caseira tem à disposição controles baratos e que necessitam de muita atenção do operador. Existem controles automáticos, porém estes estão em um faixa de valor que restringe o acesso de grande parte dos produtores de cerveja caseiros. Este trabalho tem o objetivo de desenvolver um controlador que atenda essa demanda de precisão com um custo-benefício que possibilite a automação de produções de pequena escala, utilizando sensores, micro controladores e atuadores de uso comum a indústria.

1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA

Para que se possa fazer e repetir uma receita de cerveja, mantendo o padrão de qualidade da mesma, é necessário ter o controle de temperatura durante o processo, pois o líquido precisa permanecer em um patamar de temperatura por determinado período.

Atualmente faz-se o controle de acender e apagar o fogo conforme necessário, desta forma a temperatura não permanece constante no valor desejado. Esta variação ocorre devido a troca de temperatura com o ambiente, desta forma obtemos cervejas que contém distinções entre elas, o que não é desejado.

Existem no mercado controladores com microprocessador, porém o custo é alto e a interface poderia ser mais simples facilitando modificações durante o processo.

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1.2 JUSTIFICATIVA

O movimento de produção de cerveja em casa tem alcançado uma grande proporção de adeptos, este movimento visa a produção de cerveja deixando a critério do cervejeiro o estilo e as proporções de ingredientes para atingir o resultado desejado. Uma parte importante do processo de fabricação da bebida é o controle de temperatura que possibilita a repetição da receita. É comum identificar ótimas cervejas entre os cervejeiros caseiros, cujas receitas mesmo que bem registradas são dificilmente repetidas sem um controle adequado de processo (LAPOLLI, 2018).

Algumas peculiaridades destes produtores de cerveja precisam ser levadas em conta. O processo de brassagem é feito durante um dia, normalmente o dia de folga do trabalho, neste dia também é feito o envase, limpeza e sanitização dos fermentadores, garrafas e barris.

Desta forma executando diversas tarefas paralelamente, torna-se complicado o controle da temperatura na panela de brassagem. Mediante aos fatos surge a necessidade de um controlador que execute as rampas de forma independente, conforme configurado pelo cervejeiro no início do processo. Este controle torna a produção da cerveja uma tarefa menos complexa, e que possibilita a repetibilidade com maior grau de acerto. Em se tratando de um hobby, o mesmo deve ser prazeroso e através de um controle confiável será possível executar todas as atividades sem comprometer a execução do processo e obtendo um resultado conforme esperado.

1.3 OBJETIVOS

A partir do problema de pesquisa, foram definidos um objetivo geral e três objetivos específicos.

1.3.1 Objetivo Geral

Controlar a temperatura da panela de brassagem utilizando microcontrolador comercial, possibilitando a padronização da produção de cerveja.

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1.3.2 Objetivos Específicos

● Definir o Microcontrolador, sensores e atuadores;

● Definir o tipo de controle que gere a menor variação possível; ● Implementar um protótipo que seja de operação simples e confiável; ● Realizar os testes do controlador, para validar o controle;

● Desenvolver um controlador de temperatura que possa se adequar a diferentes volumes de produção com poucos ajustes.

1.4 METODOLOGIA

● Análise bibliográfica acerca de controle industrial de temperatura; ● Assimilação dos conteúdos estudados com o projeto;

● Desenvolvimento do modelo de controle; ● Projeto do controlador;

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2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Este capítulo tem como principais objetivos fornecer o embasamento teórico, para que o leitor possa acompanhar o desenvolvimento do projeto. Sendo que os temas serão aprofundados de acordo com o nível de importância e correlação com o objetivo geral deste documento.

Serão abordados assuntos relacionados a controle de temperatura, transdutores de temperatura e Arduino1, sendo feita uma breve explicação do processo a ser controlado de forma que o leitor possa entender como a temperatura deve ser acompanhada e controlada no sistema para que o processo de mostura2 ocorra conforme esperado.

2.1 BRASSAGEM

O processo de brassagem é uma das etapas de produção de cerveja em que os grãos de malte moídos, são encharcados em água quente para que seja possível a atuação das enzimas que metabolizam os amidos que foram expostos pela moagem dos grãos. Para que este processo ocorra, deve-se ter uma temperatura constante, por determinados períodos, conforme a Figura 1.

Figura 1 - Rampa de Brassagem

Fonte: Dias (2014)

1 Arduino é uma plataforma de prototipagem eletrônica de hardware livre

2 Mostura também chamada de brassagem: etapa de encharque do malte em que determinadas enzimas

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Estas rampas têm por objetivo favorecer um tipo de enzima em cada estágio. Quando o objetivo é uma cerveja mais leve, com menos corpo e de alta drinkability3, deve ser feita uma rampa com mais ênfase na temperatura de 62°C, que favorece a enzima Beta Amilase que metaboliza o amido em açúcares de cadeia curta, que na fermentação é convertido em etanol e gás carbônico sendo em sua maioria processado e não ficando na cerveja pronta. Um exemplo seria o estilo American Lite Lager, conhecido amplamente como “pilsen” vendida em larga escala. (PALMER, 2006).

No caso da uma produção de uma cerveja bem encorpada e que precisa apresentar uma sensação de boca maior, como quando bebemos leite em comparação a beber água. Deve-se manter mais tempo na rampa de 70°C, esta favorece a enzima que quebra o amido em açúcares de cadeia longa, estes açúcares não são metabolizados pelas leveduras e, portanto, permanecem na cerveja pronta, proporcionando maior “corpo”. As faixas de atuação das enzimas podem ser observadas na Figura 2. (PALMER, 2006).

Figura 2 - Faixas de atuação das enzimas

Fonte: Hugo (2013)

3 Drinkability é em uma tradução direta a habilidade de beber, representa que as características da bebida

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2.2 SISTEMAS DE CONTROLE

A automação de sistemas busca otimizar o processo, resultando no aumento da produtividade, redução de tarefas repetitivas e diminuição do erro causado pelo fator humano. Os sistemas de controle monitoram e atuam em operações industriais como: controle de pressão, umidade, temperatura, vazão e viscosidades. Desta forma, as linhas de produção operam com menor número de paradas e com melhor precisão no controle. Os sistemas são classificados como sistemas de primeira ordem e de segunda ordem, conforme o grau da sua função de transferência (OGATA, 1998).

2.2.1 Sistema de Primeira Ordem

Os sistemas de primeira ordem, são assim classificados pois sua função de transferência não possui termos com o grau maior do que um. Estes sistemas podem ser exemplificados pela relação entrada e saída, que define a função de transferência, a equação 1, mostra uma função de transferência de primeira ordem: (OGATA, 1998)

𝐶(𝑠) 𝑅(𝑠)=

1

𝑇𝑠+1 (1)

Este sistema quando submetido a uma entrada degrau unitária que na aplicação seria acrescentar um volume de água a panela, ou quando arriamos o malte. Este sistema tem uma resposta no domínio do tempo, a equação 2 mostra a resposta ao degrau de um sistema de primeira ordem: (OGATA, 1998)

𝑐(𝑡) = 1 − 𝑒−𝑡/𝑇 (2)

Quando o tempo é igualado com a constante de tempo T, tem-se como resposta um valor igual a 0,632, que corresponde a 63,2% do valor final, seguindo para o instante 4T, a resposta atinge 98,2% do valor final sendo assim considerada uma resposta aceitável na prática, porém estes valores mostram que a resposta do sistema é lenta, isto influencia no controle tornando a resposta lenta quando existem modificações na temperatura. Deve-se levar em consideração que sistemas de primeira ordem quando submetidos a uma entrada em rampa, apresentam uma resposta com um desvio constante de valor T, que é a constante de tempo da função de transferência, deste modo sempre haverá um desvio, não sendo possível atingir o valor desejado (OGATA, 1998).

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2.2.2 Sistema de Segunda Ordem

Seguindo a mesma lógica de classificação que os sistemas de primeira ordem, as funções de transferência dos sistemas de segunda ordem possuem no máximo termos de grau dois. Quando este sistema tem na sua entrada uma função degrau a função de transferência em malha fechada pode ser descrita conforme a equação 3:

𝐶(𝑠) 𝑅(𝑠)=

𝜔𝑛2 𝑠2+2𝜁𝜔

𝑛𝑠+𝜔𝑛2 (2) ωn – Frequência Natural não-amortecida

𝜁 – Coeficiente de amortecimento do sistema

Os sistemas de segunda ordem possuem casos específicos conforme o valor de 𝜁, sendo subamortecido (0 < 𝜁 < 1), criticamente amortecido (𝜁 = 1) e superamortecido (𝜁 > 1). O comportamento do sistema em cada caso pode ser visto na Figura 3.

Figura 3 - Curvas de Resposta de um sistema a uma excitação em degrau unitário

(19)

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Conforme apresentado da Figura 3 o que se deseja na prática é uma resposta do sistema semelhante a curva em que o 𝜁 está entre 0,7 e 0,8, sendo uma resposta rápida com menos sobre-sinal (OGATA, 1998).

2.2.3 Sistemas Térmicos

O controle de temperatura é realizado comparando a medição da temperatura no processo com o Setpoint, caso exista uma diferença, essa é chamada de sinal de erro, este erro é tratato com base na lógica que foi implementada no controlador, o mesmo atua sobre o atuador, que pode ser uma resistência de aquecimento elétrica ou um compressor de um resfriador, alterando assim a temperatura do meio que está sendo controlado. Em um controlador digital este ciclo ocorre constantemente de forma a manter a temperatura do meio conforme a temperatura de Setpoint (OGATA, 1998).

2.2.4 Controlador PID – Proporcional-Integral-Derivativo

Conforme Ogata (1998,p. 544):

É interessante assinalar que mais da metade dos controladores industriais em uso nos dias atuais utiliza a estratégia de controle PID ou PID modificadas. A maioria dos controladores analógicos é hidráulica, pneumática, elétrica e eletrônica, ou resulta de uma combinação destes tipos. Correntemente, muitos deles são transformados em digitais por intermédio dos microprocessadores.

O controlador utiliza a combinação do controle proporcional, integral e derivativo. Esse sistema de controle utiliza características de cada uma das ações para obter uma melhora significativa do comportamento transitório e em regime permanente do sistema. Desta forma, têm-se três parâmetros de sintonia no controlador.

A grande utilização desse processo é devido ao seu bom desempenho, sua ampla faixa de operação e principalmente pela simplicidade de implementação). O controlador é formado de um termo proporcional, um termo integral e de um termo derivativo, expressados pela equação 4, que define a função de transferência do PID (DORF e BISHOP, 2009):

𝐺𝐶(𝑠) = 𝐾𝑃+ 𝑇𝐼

𝑠 + 𝑇𝐷𝑠 (4)

Sendo Kp o termo da constante proporcional, Td é a constante do termo derivativo e Ti é a constante do termo integrativo.

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No modo proporcional a ação do controle é diretamente proporcional a sua entrada, ou seja, proporcional ao sinal de erro. Já no modo derivativo a ação do controle é proporcional à taxa de variação do sinal de erro. No modo integrativo a ação do controle é proporcional à integral do sinal do erro no tempo.

Para implementar o controlador é necessário determinar os ganhos proporcional, derivativo e integrativo.

2.2.5 Sintonia do Controlador PID – Proporcional-Integral-Derivativo

Para obter os parâmetros seguindo o método proposto por Ziegler e Nichols, determina-se primeiramente o ganho crítico (Ku) e o período crítico (Pu), onde o ganho crítico (Ku) é o maior valor de ganho para um controlador proporcional que mantém o sistema estável, que é definido pela equação 5, sendo que o período desta oscilação estável é o período crítico (Pu). Estes dados podem ser obtidos implementando no sistema um controle liga-desliga, obtendo o h que é a diferença ente a amplitude máxima e mínima da oscilação e o d que é a amplitude máxima do atuador, sendo no Arduino 255 + 1 (TOMAS, 2012).

𝐾𝑢 =4∗256

𝜋∗ℎ (5)

A partir destes parâmetros seguindo o método de Ziegler Nichols Tuning Rules pode-se obter o ganho proporcional (Kp), ganho integral (Ki) e o ganho derivativo (Kd), conforme as equações 6, 7 e 8 (PINTO, 2014):

𝐾𝑝 =𝐾𝑢 1,7 (6) 𝐾𝑖 =2∗𝐾𝑝 𝑃𝑢 (7) 𝐾𝑑 =8∗𝐾𝑝 𝑃𝑢 (8) 2.3 CONTROLE DO PROCESSO

Todo e qualquer processo que necessita a estabilização de uma variável de controle conforme desejado, necessita de instrumentos de medição e controle para que se possa manter esta variável em um valor adequado à execução do processo (BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

O controle pode ser feito de forma manual com um operador, em um processo de aquecimento de um fluido por aquecimento a gás, acendendo e apagando o fogo conforme leitura de um termômetro. Ou através de um instrumento de medição que fornece informação

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21

ao sistema de controle, onde o mesmo avalia se o valor medido está igual ao valor programado (set point – SP) anteriormente, caso exista uma diferença o controlador envia sinal para o atuador aquecer o fluido (BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

O controle pode ser implementado em malha aberta ou em malha fechada, para processos onde se conhece a dinâmica do sistema e pode-se controlar a variável por outras medições indiretas, são classificados como sistema de malha aberta. Como exemplo pode ser utilizado um controle de nível em que o consumo é constante e a vazão da bomba também, desta forma sabe-se que a bomba pode obedecer um ciclo de determinado tempo ligada e outro tempo desligada. Neste caso a variável Nível não é controlada diretamente e este controle também não é feito de forma precisa, porém se adequa ao processo. Esta classe de controle pode também ser implementada em uma fase inicial do processo para que se possa identificar a dinâmica do mesmo e futura implementação do controle em malha fechada (BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

Quando se monitora a Variável Controlada (temperatura) e atua-se sobre a Variável Manipulada (aquecimento a gás), conforme o exemplo do aquecimento do fluido, implementa-se um sistema de controle de malha fechada. O atuador e o controlador poderão ser um operador ou no caso de uma planta que exige maior precisão e repetibilidade, utiliza-se um controlador. Em ambos os casos, identifica-utiliza-se a diferença entre o valor medido e o valor programado comparando os dois, esta diferença é o valor do erro (offset), que será computado pelo controlador ou operador, o qual deve atuar sobre uma variável manipulada que neste caso seria o aquecimento a gás (BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

2.4 MEDIÇÃO DE TEMPERATURA

A temperatura é a grandeza que quantifica o calor de uma determinada substância, este representa o grau de agitação das moléculas. Esta quantização é realizada de forma indireta por meio da variação do volume, comprimento e resistência elétrica de um material que ocorre proporcionalmente com a variação de temperatura. Para cada aplicação e faixa de temperatura existe um material que varia suas propriedades físicas ou elétricas de forma proporcional a variação de temperatura naquela faixa de medição. A definição de qual tipo de sensor4 será utilizado depende de alguns fatores como: faixa de temperatura, precisão, proteção e tempo de resposta (BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

4 Sensor é um dispositivo que possibilita o monitoramento e a medição de uma grandeza física ou química, por

(22)

2.4.1 Faixa de Temperatura

Deve ser analisada a faixa de temperatura em que o sistema opera normalmente e a necessidade de modificação da mesma no futuro, desta forma deverá ser escolhido um sensor que atenda a faixa de operação, sem danificar o mesmo (BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

2.4.2 Precisão

A precisão do sensor varia conforme o tipo de sensor e sua classe de precisão, deve se analisar na planta qual a menor variabilidade da medida que pode prejudicar o produto e o andamento do processo. Isto deve ser feito pois um sensor com uma precisão muito mais elevada que a necessidade do processo, irá encarecer o projeto de controle, podendo torná-lo muito mais oneroso que o necessário, aumentando o pay-back5.(BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

2.4.3 Proteção

O sensor de temperatura possui uma baixa resistência mecânica quando são colocados diretamente em contato com as condições agressivas do processo, desta forma, normalmente os mesmos são acondicionados em tubos ou poços, que protegem de choques mecânicos, fluidos e fogo direto. Deve-se identificar qual a condição adversa e a faixa de temperatura de trabalho em que o sensor deve ser instalado, para que assim seja especificada uma proteção para o sensor (BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

2.4.4 Tempo de Resposta

O tempo de resposta pode ser definido como o tempo que o sensor necessita para igualar a temperatura com o meio onde ele está inserido após ser aplicado um degrau6 de

5 Pay back é o tempo que leva, para que o custo do investimento retorne para o caixa da empresa.

6 Degrau é uma variação instantânea de temperatura que permanece em um determinado valor diferente do

(23)

23

temperatura. Caso o sensor tenha uma massa muito pequena, este terá um tempo de resposta muito pequeno pois esta massa se equilibra com o meio, em termos de temperatura, com maior rapidez, porém normalmente essa situação é impraticável pois este sensor precisa de uma proteção que irá conferir um maior volume e massa ao sensor.

Este tempo pode ser obtido com a simulação do sistema em que o sensor é inserido em um ambiente, aplicando um degrau na temperatura no mesmo, quando o sensor apresentar 63,2% da variação entre temperatura inicial e a final obtemos na prática 1/3 do tempo de resposta (BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

2.5 MEDIDORES DE TEMPERATURA

Na sequência serão explicados alguns tipos de medidores de temperatura com foco nos medidores que utilizam da variação da resistência elétrica conforme a variação da temperatura, desta forma torna-se possível a utilização dos mesmos como sensores de temperatura.

2.5.1 PT-100

Os PT-100 recebem esta denominação pois possuem uma resistência padronizada de 100Ω a 0°C, composta por um elemento de platina. Dentre os fatores que foram explicados anteriormente este tipo de sensor é o que possui uma das melhores performances em se tratando de estabilidade, precisão e ampla faixa de operação. Por este motivo se tornou um dos sensores mais utilizados em todo o mundo, juntamente com os termopares que será explicado a seguir, padronizando assim a implementação de projetos e garantindo a reposição do mesmo na eventual necessidade, isto se deve ao seu custo ser baixo, devido a utilização de metais não nobres (BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

O sensor é composto com um fio disposto sobre um isolante de cerâmica ou vidro que formam uma capsula que está dentro de um poço metálico que garante a proteção, figura 4.

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Figura 4 - Sensor PT-100

Fonte:Ziehl Industrie-elektronik GMBH + CO KG (2016)

Os limites de erros permitidos por normas são:

Sensores de classe A:

𝐸𝑟𝑟𝑜 𝑚á𝑥𝑖𝑚𝑜 = ±[0,15 + 0,002𝑇]°𝐶

Sensores de classe B:

𝐸𝑟𝑟𝑜 𝑚á𝑥𝑖𝑚𝑜 = ±[0,30 + 0,005𝑇]°𝐶

Considerando um sensor de Classe B operando em uma temperatura de 100°C o erro será de:

±[0,30 + 0,005 ∗ 100] = ±0,80°𝐶

Este erro corresponde a ±0,80% do valor medido, o que é um valor que pode ser considerado bom (BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

2.5.2 Termopares

Assim como os PT-100 os Termopares têm uma grande empregabilidade em aplicações devido ao seu baixo custo, confiabilidade, precisão, estabilidade e repetibilidade satisfatórias, sendo também capaz de operar em uma grande faixa de temperaturas.

Um termopar é construído através da junta de dois elementos metálicos que devido ao efeito SeeBeck7 produz uma FEM8 entre os terminais, a qual pode ser medida por um sistema de controle posterior.

7 SeeBeck – Efeito que produz uma tensão elétrica devido a junção de dois condutores de materiais distintos

expostos a diferentes temperaturas.

8 FEM - Força eletromotriz que é usualmente conhecida como tensão elétrica, a qual representa a diferença de

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25

Figura 5 - Medição de Tensão em um Termopar

Fonte: EMBARCADOS (2016)

Esta junta pode ser feita com uma simples solda ou em determinados casos utiliza-se plasma para unir os metais. Usualmente devido a fragilidade desta junta, a mesma é protegida por um posso térmico que garante maior vida útil ao componente protegendo-a da oxidação e choques mecânicos.

Para efeitos práticos de um termo par tipo K, em uma faixa de operação 0-1250°C, possui seus limites de erros em ±0,75% do valor medido, situação que se assemelha ao PT-100 apresentado.

Os sinais de tensão gerados por um termopar são na ordem de milivolts, desta forma devem ser consideradas as perdas dos cabos até o controlador que irá realizar a leitura desta medição, implicando na redução da precisão do conjunto de medição (BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

2.5.3 Digitais

Os sensores de temperatura Digitais são uma categoria de sensores que no interior do invólucro estão contidos além dos circuitos responsáveis pela leitura da temperatura, um conversor A/D e uma memória na qual estão registrados os valores já convertidos em formato digital, os limites pré-estabelecidos que as medições podem armazenar, para que caso o sensor esteja operando em uma faixa de temperatura fora da especificada, seja emitida uma sinalização sonora. Também está contido no invólucro um registrador que deixa armazenado o valor de CRC 9em função dos dados armazenadas na memória BEGA, DELMÉE, et al., 2006).

9 CRC é a verificação cíclica de redundância, utilizada para identificar perdas de bits em redes de comunicação

(26)

Figura 6 - Diagrama de Blocos - Interior do DS18B20

Fonte: MAXIM INTEGRATED PRODUCTS, INC. (2015)

Na Figura 6 foi apresentada a estrutura interna do sensor digital em diagrama de blocos que serão explicados abaixo:

● Circuito de alimentação parasita (Parasite Power Circuit): é o circuito responsável pela alimentação dos circuitos internos, tendo como opção direta o pino VDD ou pela tensão sobre o capacitor Cpp.

● ROM de 64 bits e porta 1-Wire (64 Bit-ROM and 1-Wire Port): este bloco é responsável pelo alocamento do código de ROM de 64 bits e pela porta 1-Wire onde haverá a transição bidirecional de dados do DS18B20; ● Lógica de controle de memória (Memory Control Logic): este bloco fica

responsável pela interpretação dos dados enviados e recebidos pelo chip; ● Sensor de temperatura (Temperature Sensor): Este é o bloco em si responsável pela medição e conversão da leitura de analógico para digital, inserindo um byte para representar o sinal da medida.

● Registradores de acionamento de alarme (Alarm Trigger Register ): são dois registradores que compararam os limites de temperatura com as medidas realizadas com o objetivo de ativar ou não o alarme

● Memória de rascunho (ScratchPad): é a memória de dados do sensor. ● Registrador de configuração (Configuration Register): Memória onde

ficam salvas as configurações da resolução (9 a 12 bits) dos dados enviados.

● Gerador de CRC: Circuito que gera o código de verificação CRC, conforme os dados que existem na memória. (MAXIM INTEGRATED PRODUCTS, INC., 2015)

(27)

27

2.6 MICROCONTROLADOR

Sistemas computacionais podem ter diversas configurações, porém as principais são construídas utilizando microcontroladores e microprocessadores (HAUPT e DACHI, 2018).

Devido a isso, podem ser encontrados microcontroladores com seis pinos ou até menos em funções especificas. São muito utilizados em tarefas que requeiram um processamento especializado e autônomo, como é o caso de instrumentos e sensores para a indústria, dispositivos automobilísticos, dispositivos móveis etc. na literatura são referidos por siglas como microcontroller unit (MCU) (HAUPT e DACHI, 2018).

Microcontroladores são CIs10 que também contém as funções UCP11, memória, entrada e saída de dados, no entanto, possuem incorporados a sua arquitetura interna, memórias (RAM e ROM) e alguns periféricos (interface serial, PWM, temporizadores etc). São utilizados para operações específicas em um processo (HAUPT e DACHI, 2018).

2.6.1 Arduino

Arduino é uma plataforma de prototipagem eletrônica de hardware livre e de placa única, projetada com um microcontrolador Atmel AVR com suporte de entrada/saída embutido.

Existem diversos modelos de placas Arduino, que variam em seu tamanho e quantidade de portas disponíveis. O que iremos utilizar no projeto é o modelo Uno.

Arduino Uno é uma placa microcontroladora de prototipagem baseada no ATmega328P. Possui 14 pinos de entrada / saída digital (dos quais 6 podem ser usados como saídas PWM), 6 entradas analógicas, um cristal de quartzo de 16 MHz, uma conexão USB, um conector de energia, um conector ICSP e um botão de reset (Arduino, 2018).

2.7 CONTROLE DE POTÊNCIA

Há dois métodos básicos para o controle de potência da carga: o de ciclos integral, ou liga-desliga, e o de fase. O primeiro server para sistemas com uma constante de tempo grande, como os controles de temperatura. A potência na carga pode ser controlada com a

10 Cis Circuitos integrados

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ligação e o desligamento ou on-off, da fonte à carga, por uma sequência de ciclos completos. O tempo de duração dos períodos nos estados ligados e desligado, isto é, o ciclo de trabalho, é ajustado de tal maneira que a potência média entregue a carga atenda o objetivo de momento (AHMED, 2000).

O sistema de controle de ciclo integral é adequado para aplicações nas quais os intervalos nos estados ligados e desligados da chave são controlados para fornecer à uma carga a potência desejada, assim controlando a temperatura. Uma vez alcançada esta temperatura, a natureza intermitente da corrente não causa grandes mudanças na temperatura, a menos que o tempo de T𝑜𝑓𝑓12seja muito grande (AHMED, 2000).

2.7.1 Controle de ciclo integral

Em um controle de ciclo integral os tiristores devem ser disparados em um ângulo de disparo, α= 0º, para permitir que ciclos completos da tensão da fonte sejam aplicados a carga. Conforme figura 7 e não houver disparo em um ciclo, então nenhuma tensão aparecerá na carga durante o período daquele ciclo. Nesse caso é possível permitir que ciclos completos de tensão da fonte sejam aplicados à carga, seguido de ciclos completos sem carga (AHMED, 2000).

Uma vez que T𝑜𝑛13 somente pode variar com um número inteiro, o valor médio da potência na carga não é uma função continua; tem apenas níveis discretos, quando o ciclo é disparado a potência entregue a carga é potência máxima da fonte. O número de degraus disponíveis para a regulação da potência média depende do número total de ciclos incluídos no padrão de repetição (AHMED, 2000).

12 Toff

período em que a carga está desacoplada a fonte. 13 T

(29)

29

Figura 7 - Controle de ciclo integral

Fonte: AHMED (2000)

2.7.2 Detecção de passagem por zero

A detecção da passagem pelo ponto zero (zero crossing) é feita através da comparação dos valores do sinal ao longo do tempo. O circuito do detector consiste em um optoacoplador ligado à rede por resistores e ao microcontrolador, conforme apresentado no diagrama da figura 8.

Quando houver diferença de tensão entre os pontos de entrada, independente da polaridade, o fototransistor fica saturado e a tensão no ponto de medição é considerada zero pelo microcontrolador. No momento em que a tensão da rede cruzar o ponto zero o fototransistor entra em corte e deixa de conduzir a tensão do coletor para o emissor, assim o microcontrolador recebe um pulso positivo reconhecendo a passagem por zero. Isso ocorre duas vezes a cada ciclo, fazendo com que o pulso recebido pelo microcontrolador seja o dobro da frequência de entrada.

(30)

Figura 8 - Detecção da passagem por zero

(31)

31

3 DESENVOLVIMENTO

Este capítulo tem como principal objetivo apresentar como foi desenvolvida a construção e a programação do controlador de temperatura, desde a escolha dos componentes a montagem e o teste em laboratório.

3.1 DEFINIÇÕES INICIAIS

Para definir quais os componentes seriam utilizados na construção do controlador foi necessário considerar a precisão dos sensores, a disponibilidade do microcontrolador e a potência da resistência que será controlada pelo relé de estado sólido. Foram definidos os seguintes componentes:

O Sensor Digital DS18B20 foi selecionado por enviar a medida analógica já convertida em sinal digital, evitando assim interferências e a necessidade de construir um circuito conversor.

Figura 9 – Sensor Digital DS18B20

Fonte: CORE ELECTRONICS (2019)

O Arduino UNO foi escolhido por atender nossa necessidade de processamento e o número de portas digitais, com uma linguagem de programação conhecida, que possibilitou o desenvolvimento da programação. A figura 10 apresenta o microcontrolador utilizado para realizar a comparação da temperatura medida com o Setpoint e atuar no relé de estado sólido.

(32)

Figura 10 – Microcontrolador Arduino UNO

Fonte: FLIPKART (2019)

O Relé de Estado Sólido possibilita a comutação de cargas em corrente alternada, sendo que internamente possui um circuito que identifica o momento em que a onda senoidal da rede passa pelo zero, desta forma possibilita o controle, comutando a carga sem uma elevada dissipação de potência.

Figura 11 – Relé de Estado sólido SSR-40 DA

(33)

33

A Panela Cervejeira ML-20G2, apresentada na figura 12 possui uma resistência de aquecimento de 1600W/220V e uma capacidade de 18L, sendo um sistema de tamanho pequeno que reproduz o funcionamento de uma brassagem de cerveja. Acoplada a panela temos uma bomba que recircula o fluido possibilitando que a temperatura medida pelo sensor seja homogeneizada.

Figura 12 – Panela Cervejeira ML-20G2

Fonte: SUPER COLETIVAS (2019)

3.2 PRIMEIRA PROGRAMAÇÃO - LIGA-DESLIGA

Na programação do microcontrolador foi utilizada a biblioteca OneWire.h e a biblioteca DallasTemperature.h, estas bibliotecas são responsáveis pela comunicação com o sensor digital DS18B20, e a conversão da leitura em graus Celsius.

A princípio o primeiro sistema de controle utilizado foi o Liga-Desliga, onde o controlador acompanha a temperatura lida pelo sensor IN3 e compara com o Setpoint - SP, desta forma enquanto a temperatura lida for menor que o SP, a saída IN11 permanece ligada, quando a entrada de temperatura for igual ou maior que SP, a saída fica desligada.

Foi carregado o código no controlador e realizadas as conexões conforme abaixo: A Figura 13 mostra a parte interna do controlador com uma fonte de 5V para alimentar o sistema e o relé de estado sólido dentro de uma caixa que possibilitasse a troca de calor.

(34)

Figura 13 – Conexões Internas

Fonte: Dos Autores (2019)

A Figura 14 é o controlador fechado com o arduino acoplado em um display, o sensor de temperatura e o disjuntor de proteção do circuito de potência.

Figura 14 – Controlador montado

Fonte: (Dos Autores, 2019)

(35)

35

Figura 15 – Controlador instalado na panela

Fonte: Dos Autores (2019)

Para verificar o funcionamento, foram realizados testes utilizando o software PLX-DAQ que possibilita a aquisição de dados do arduino a uma taxa de uma medição por segundo, foi mantida esta amostragem durante todos os testes para que pudesse ser mantida a comparação entre os resultados.

Neste primeiro teste foi utilizado uma panela com aquecimento por resistência elétrica e 5 litros de água. O seguinte resultado foi obtido:

(36)

No gráfico pode-se notar que após o controlador desligar a temperatura continua aumentando até o valor de 62ºC que são 2ºC acima da temperatura de SP. A temperatura ambiente no teste era de 25ºC.

Esta ultrapassagem, apresentado Gráfico 1, é devido a inércia térmica do volume de água na panela, desta maneira para reduzir esta ultrapassagem, o controlador deve desligar a resistência momentos antes de atingir o SP. Com o intuito de corrigir estas falhas, migramos o sistema de controle para o Proporcional.

Gráfico 1 – Controle Liga-Desliga

Fonte: Dos Autores (2019)

Para acompanhar como atua o relé de estado sólido foi realizado uma medição com osciloscópio na saída do relé, como pode ser observado na Figura 16, a condução inicia no momento que a senóide cruza o zero.

20 25 30 35 40 45 50 55 60 65 70 75 0 13 1 26 2 39 3 52 4 65 5 78 6 91 7 10 48 11 79 13 10 14 41 15 72 17 03 18 34 19 65 20 96 22 27 23 58 24 89 26 20 27 51 28 82 30 13 31 44 32 75 34 06 35 37 36 68 37 99 39 30 40 61 Te mpe ra tura [ °C] Tempo [s]

Controle Liga-Desliga

SET. Temp C:

(37)

37

Figura 16 – Início da condução do Relé de Estado sólido

Fonte: Dos Autores (2019)

3.3 SEGUNDA PROGRAMAÇÃO - PROPORCIONAL

Nesta etapa o sistema de controle utilizado foi o Proporcional, onde o controlador acompanha a temperatura lida pelo sensor IN3 e calcula a diferença do Setpoint

- SP, este delta é multiplicado por uma constante K que adotamos empiricamente 100, desta

forma quanto mais próxima a temperatura de entrada estiver do SP menor será a saída PWM de controle que consequentemente menor será a potência de aquecimento, sendo que foi estabelecido que saída “0” representa resistência desligada e saída “255” representa saída em potência máxima.

As conexões foram mantidas apenas o código foi modificado conforme abaixo:

if(P_error>=5) { digitalWrite(13,HIGH); } else{ if(setpoint>tempC) { valor1 = KP * P_error; valor2 = (5 - P_error)*KP; digitalWrite(13,LOW); delay( valor2);

(38)

digitalWrite(13,HIGH); delay(valor1);

digitalWrite(13,LOW); }

Neste código o controlador atua proporcionalmente apenas nos 5°C antes de atingir o setpoint. O Valor 1 é a quantidade de milissegundos que a saída ficará ligada e o valor2 é a quantidade de milissegundos que a saída ficará desligada. Foi feito desta forma pois a frequência do PWM do arduino não possibilitava o chaveamento do relé de estado sólido, utilizamos o mesmo sistema do liga-desliga, com o objetivo de comparar o resultado.

No gráfico 2 a curva Temp C em °C é a resposta de temperatura do sistema e as barras Time On em milisegundos são o sinal de PWM convertido em tempo, comparativo com o liga-desliga pode-se ver uma anulação da ultrapassagem, que atende o objetivo de não comprometer o processo da cerveja, porém este controle não atinge o valor ajustado.

Gráfico 2 – Controle Proporcional

Fonte: (Dos Autores, 2019)

0 200 400 600 800 1000 1200 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 1 83 16 5 24 7 32 9 41 1 49 3 57 5 65 7 73 9 82 1 90 3 98 5 10 67 11 49 12 31 13 13 13 95 14 77 15 59 16 41 17 23 18 05 18 87 19 69 20 51 21 33 22 15 22 97 23 79 24 61 Te mpo liga do [ms ] Te mpe ra tura [ °C] Tempo [s]

Controlador Proporcional

(39)

39

Na Figura 17 com o osciloscópio foi identificado a atuação do PWM na saída do Arduino, em um intervalo de tempo de aproximadamente 1 segundo, conforme figura 17 com 90% ligado e 10% desligado:

Figura 17 – Saída PWM do Arduino

Fonte: Dos Autores (2019)

Na Figura 18 foi modificado o percentual do PWM para verificar a resposta na saída do arduino:

Figura 18 – Redução do PWM na Saída do Arduino

(40)

3.4 TERCEIRA PROGRAMAÇÃO - PID

Com o objetivo de evitar a ultrapassagem do valor ajustado que o liga-desliga gerou e atingir o valor ajustado, que no controle proporcional não foi possível, foi implementado o sistema PID em que a partir do gráfico liga-desliga foi obtido os parâmetros da oscilação: período crítico (Pu) de 584 segundos e amplitude h de 2°C:

𝐾𝑢 =4 ∗ 256 𝜋 ∗ ℎ = 4 ∗ 256 𝜋 ∗ 2 = 163 𝐾𝑝 = 𝐾𝑢 1,7= 163 1,7 = 𝟗𝟓, 𝟗 𝐾𝑖 = 2 ∗ 𝐾𝑝 𝑃𝑢 = 2 ∗ 95,9 584 = 𝟎, 𝟑 𝐾𝑑 =𝐾𝑝 ∗ 𝑃𝑢 8 = 95,9 ∗ 584 8 = 𝟕𝟎𝟎𝟎, 𝟕

Estes parâmetros foram inseridos na programação, desta forma foi implementado um controlador PID com o arduino.

Ao final foi inserida uma correção na leitura do sensor, esta correção se fez necessária pois caso haja uma interferência na comunicação no momento da coleta, o valor coletado é muito distorcido impactando no funcionamento do controlador, desta forma caso haja uma medida muito distorcida é garantido que será desconsiderada mantendo a última ação.

3.4.1 Ensaio do controlador PID

O controle por PID segue o diagrama de blocos da Figura 19, em que o sistema trabalha em malha fechada pelo sensor de temperatura, comparando com o Set point.

(41)

41

Figura 19 – Diagrama de Blocos do PID

Fonte: Dos Autores (2019)

Para garantir que o sistema se aproximasse de um sistema de maior volume, reduziu-se o volume de 15 L para 5L, modificando a relação Potência por Volume para 320W/L, desta forma fica garantido que quando o mesmo operar com 15L, não haverá ultrapassagem, pois, a relação será 106,7W/L. Abaixo os gráficos de 5L e 15L:

Neste teste com 5L de água, conforme o Gráfico 3, partindo de 31°C atinge o set

point em 590 segundos e a oscilação foi de ±0,5°C do set point, que não compromete o

processo, mantendo a temperatura estável atuando nos momentos em que está fica abaixo de 60°C com 96% do PWM.

Gráfico 3 – Controlador PID – 5 Litros

Fonte: Dos Autores (2019)

P

I

PROCESSO

D

SENSOR DS18b20

-

+ 𝐾𝑝 𝑒(𝑡)

+

SAÍDA PERTURBAÇÃO SETPOINT e 𝐾𝑖 𝑒 𝑑 Kd (𝑡) 𝑡 50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 0 45 90 13 5 18 0 22 5 27 0 31 5 36 0 40 5 45 0 49 5 54 0 58 5 63 0 67 5 72 0 76 5 81 0 85 5 90 0 94 5 99 0 10 35 10 80 11 25 11 70 12 15 12 60 13 05 13 50 13 95 Pe rc en tua l Pot ên cia Te mpe ra tura [ °C] Tempo [s]

Controlador PID - 5 Litros

(42)

No teste com 15L de água, conforme o gráfico 4 partindo de 25°C atinge o set

point em 1760 segundos e a oscilação foi a mesma anterior de ±0,5°C do set point, que não

compromete o processo, mantendo a temperatura estável atuando nos momentos em que está fica abaixo de 60°C com 96% do PWM.

Gráfico 4 – Controlador PID – 15 Litros

Fonte: (Dos Autores, 2019)

50 60 70 80 90 100 110 120 130 140 150 0,00 10,00 20,00 30,00 40,00 50,00 60,00 70,00 1 95 18 9 28 3 37 7 47 1 56 5 65 9 75 3 84 7 94 1 10 35 11 29 12 23 13 17 14 11 15 05 15 99 16 93 17 87 18 81 19 75 20 69 21 63 22 57 23 51 24 45 25 39 26 33 27 27 28 21 29 15 Tempo [s] Pe rc en tua l de pot ên cia PW M [%] Te mpe ra tura [ °C]

Controlador PID - 15 Litros

(43)

43

4 CONCLUSÃO

Conclui-se que o controle de temperatura na produção de cerveja é primordial para garantir a reprodutibilidade e consistência do produto final, desta forma buscou-se desenvolver um controle que possibilitasse o controle com o mínimo de variação utilizando Arduino e relé de estado sólido para aumentar a vida útil do sistema. Desde os primeiros testes identificou-se que a panela em que foi aplicado o controlador havia sido bem dimensionada e o ajuste que faltava era pequeno para otimizar o controle de temperatura.

No Liga-Desliga foi constatado que ocorre um overshooting e o sistema continua oscilando não garantindo assim que a temperatura fique estável durante o patamar de temperatura desejado.

Com o Proporcional notou-se que mesmo com um Kp alto (1000) a temperatura não atinge o valor desejado e se aproxima muito lentamente, compromentendo a o processo de brassagem pois é desejável que a mutança de uma rampa para a outra seja o mais rápido possível, porém se tratando de enzimas não pode ser brusca, sendo que a lentidão comprometeria a agilidade entre os patamares.

Desta forma foi desenvolvido um controle PID que pode se adequar a outras panelas, necessitando parametrizar o Kp, Ki e Kd. Foram atingidos os objetivos propostos de forma que ainda continuou apresentando uma pequena variação ao final de ±0,5°C que não comprometeria o processo de produção de pequena escala. O protótipo se mostrou ter operação simplificada devido ao uso de display e botões para controle. Este trabalho pode ser aperfeiçoado aplicando o controlador em uma panela de maior volume e diferente relação de potência de aquecimento por volume de água e implementar a contagem de tempo em cada rampa.

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REFERÊNCIAS

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