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TRIBUNAL MARÍTIMO PROCESSO Nº /00 ACORDÃO

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Academic year: 2021

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PROCESSO Nº 18.797/00 ACORDÃO

Navio-Sonda “PETROBRAS XXXI”. Avaria em equipamento de carga de Navio-Sonda, resultando ferimentos em trabalhador durante operação de descarga de carga pesada. Ruptura do olhal por onde era passado o gato da talha que se encontrava inadequadamente soldado à estrutura da embarcação, decorrente do mau estado de conservação, maquiada pela pintura existente no local, aliada ao posicionamento da vítima em local perigoso. Condenação.

Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.

Tratam os autos de apreciar o acidente ocorrido cerca das 12:40h de 21/11/99, a bordo do Navio-Sonda “PETROBRAS XXXI”, quando em operação na bacia Petrolífera de Campos, Rio de Janeiro, envolvendo o soldador Francisco Xavier Bento de Santo de Santana, atingido na cabeça por uma talha que se desprendeu do olhal que estava sendo desembarcado, causando-lhe traumatismo no crânio, nariz e contusões múltiplas (mãos, testas e pernas), conforme documento de fls. 39. Não houve danos à estrutura da plataforma ou à carga.

Francisco Xavier Bento de Santo de Santana, soldador a bordo do Navio-Sonda “PETROBRAS XXXI” (fls. 12/13), disse que no momento do acidente se encontrava na área de operação do navio, em cima de um gerador que estava sendo transportado da parte de cima para o terminal do navio, suspenso por duas talhas que sustentavam a peça. Faltando meio metro para o assentamento da peça o areal partiu-se soltando a talha vindo esta atingir o depoente. Nega treinamento para esse tipo de faina, esclarecendo que quando se vai realizar qualquer tipo de faina a bordo, o segurança é o responsável pelas explicações de como será realizado o serviço, passando o croqui da faina. Confirmou as

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================================================================ boas condições no ambiente de trabalho. Disse que o material da solda que sustentava a peça era muito antigo, as condições do mar eram favoráveis a realização da faina.

Luiz Carlos Ferreira Dias, Supervisor de Montagem (fls. 17/18) disse que se encontrava ao lado do gerador que estava sendo transportado e foi o depoente quem socorreu a vítima que se encontrava caída sobre o gerador levando-o direto para a enfermaria onde recebeu os primeiros socorros. Disse que a vítima encontrava-se em posição segura, porém, o olhal se soltou da estrutura metálica desprendendo-se a talha que veio a cair sobre a cabeça do Francisco, fato este imprevisível (descolagem de um olhal) uma vez que foram tomadas todas as precauções para o deslocamento do gerador, inclusive, a condução do peso dividido em duas talhas de 15 toneladas, quando a pesagem da peça transportada era de aproximadamente 10 toneladas.

Confirmou ser qualificado pela PETROBRAS para exercer aquela função de Supervisor de Montagem, tendo feito o curso de Supervisor de Caldeiraria exercendo a profissão há aproximadamente doze anos e que a faina era supervisionada pelo Engenheiro da SERVIMAR junto ao pessoal da PETROBRAS e o depoente, inclusive mesmo antes da execução da faina estiveram no local para delinear a trajetória do gerador, para sua remoção e instalação. Que o local estava isolado e todo sinalizado a fim de prevenir acidentes com terceiros. Concluiu o acidente foi imprevisível.

Salomão Assayag, na função de COPLAT a bordo FPSO “PETROBRAS XXXI” (fls. 21/23) disse que se encontrava no escritório do COPLAT, envolvido nas suas atividades de rotina quando tomou conhecimento do acidente envolvendo o Sr. Francisco. Que a firma prestadora de serviço foi contratada para remoção, reparo e recolocação de um gerado auxiliar. Durante a faina de recolocação, a talha se desprendeu devido o rompimento do olhal atingindo o soldador Francisco que se encontrava sobre o gerador movimentado, local este inadequada àquela faina. Acrescentando que após o acidente foi

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================================================================ constatado que o olhal avariado estava soldado apenas por um lado e essa irregularidade escondida pela pintura. Disse que as condições das instalações eram as mesmas de quando da conversão da embarcação em FPSO, isto, no final do ano de 1997 quando foram feitas as soldas dos olhais para permitir a montagem do grupo gerador. A firma prestadora de serviço esteve no local antes da contratação a fim de verificar as condições do local e a ferramentaria necessária à execução do serviço. Disse ainda desconhecer a existência de treinamento formal por parte da contratada para este tipo de manobra. Confirmou estar a vítima portando equipamento de segurança, esclarecendo que se estivesse sem capacete no momento do acidente, as lesões por certo seriam maiores.

Sérgio de Oliveira dos Santos Palorca, Técnico de Segurança a bordo do FPSO “PETROBRAS XXXI” (fls. 25/26), disse que encontrava-se na sala de segurança quando soube do ocorrido pelo Sr. Delair e que a vítima se encontrava em cima do gerador, o que não é aconselhável pelas normas de segurança, quando o olhal soltou na solda e a talha atingiu a cabeça do acidentado. Não soube informar sobre existência de treinamento para esse tipo de faina. Disse que houve falha material, pois o olhal estava soldado somente de um lado, não sendo visível porque estava pintado, assim sendo, este o fator preponderante para a ocorrência do acidente e não falha operacional. Confirmou estar a vítima portando equipamento de segurança, caso contrário, o acidente teria sido fatal. O capacete semi destruído ficou exposto como exemplo para a tripulação.

Delair Teixeira Casteluber, técnico de segurança (fls. 30/31), e que na ocasião encontrava-se na sala de segurança, confirmou o pronto atendimento à vítima e atribuiu o acidente a uma talha que era sustentada no teto por um olhal e foi esse olhal que desprendido resultou a queda da talha na cabeça da vítima. As condições das instalações eram boas, com exceção do olhal que desprendeu por estar mal soldado, deficiência esta impossível de ser visualizada pois a peça estava pintada cabendo ressaltar que houve uma

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================================================================ falha humana, pois o acidentado estava sobre o equipamento transportado e sob a talha. Não houve falha operacional. O acidente poderia ter sido evitado caso tivesse sido procedida uma inspeção nos olhais. Na ocasião as condições de tempo eram boas. No local não havia qualquer fator que pudesse contribuir para ocorrência do acidente como esse Não soube informar a existência de treinamento para esse tipo de faina.

Os Peritos em Laudo de Exame Pericial Indireto (fls. 53) concluíram que o fator material contribuiu para o acidente. Atribuiram como causa determinante a solda do olhal utilizado para fixar um dos aparelhos de força (talhas) ter se soltado, caindo então o aparelho e atingido a vítima.

Ressaltam, que deveriam ter sido observadas todas as soldas dos olhais antes de se iniciar a manobra de peso, tendo em vista serem muito antigas, conforme depoimento da vítima.

Juntados aos autos documentos da embarcação (fls. 34/49) inclusive com seguro obrigatório DPEM em vigor à época do evento (fls. 49), e outros documentos de praxe.

O Encarregado do Inquérito em seu relatório de fls. 56/58, concluiu que os fatores material, operacional e/ou humano não contribuíram para o evento, e apontou como possível responsável, o Soldador Francisco Xavier Bento de Santo de Santana, por imprudência, em virtude de não ter utilizado os procedimentos apropriados para execução da manobra, apesar de ser uma faina rotineira e sua larga experiência como soldador. E por não ter observado que não poderia estar sobre o objeto transportado.

Ressalta, ainda, que o adestramento a bordo da embarcação, não vem tendo a real importância que o assunto requer. O marítimo já embarca executando os trabalhos que lhe são afetos, aumentando a possibilidade acontecer acidentes. Portanto há que se incrementar os treinamentos, pois certamente o nível de segurança irá aumentar, evitando assim que vários acidentes ocorram.

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================================================================ Notificado da conclusão do inquérito (fls. 61), o indiciado não apresentou defesa prévia.

A D. Procuradoria Especial da Marinha - PEM (fls. 67/69), representou então contra a Petróleo Brasileiro S/A e contra Francisco Xavier Bento de Santo de Santana, a ambos com fulcro no art. 15, letra “e”, da Lei nº 2.180/54, por entender que :

“a 1ª representada é culpada por negligência “in vigilando” quanto à segurança dos marítimos embarcados na plataforma, mormente quanto ao adestramento a bordo e cuido objetivo quanto à segurança das instalações e fornecimento de EPI adequado.

O 2º representado, por sua vez, vitimou-se por obrar também culposamente por imprudência, não se utilizando do EPI adequado, nem tampouco observando os procedimentos de segurança para a execução da manobra”.

Em sessão de 17/08/00 (fls. 24) este Tribunal, por unanimidade, na forma do voto desta Relatora (fls. 73), determinou o retorno dos autos a PEM para que fosse corrigida a peça acusatória de fls. 67/69 levando-se em conta que os autos indicam que o operário vitimado Francisco Xavier Bento de Santo de Santana utilizava equipamento de proteção individual (EPI), incluindo capacete, por ocasião do evento, fator que evitou certamente sua morte. Os indícios de culpabilidade da vítima resulta do fato de a mesma estar posicionada sobre a peça movimentada e sob a talha utilizada na faina, local, a princípio, considerado perigoso.

No que se refere a Petróleo Brasileiro S/A (PETROBRAS), o indício de culpabilidade da mesma reside na assertiva de que o olhal onde era passado o gato da talha acima mencionada encontrava-se inadequadamente soldado à estrutura da embarcação, estando tal falha maquiada pela pintura existente no local.

Cumprida determinação deste Tribunal (fls. 76/79) foi a representação recebida (fls. 79), citados (fls. 94, 115 e 117) os representados que não constam do Rol de

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================================================================ Culpados deste Tribunal (fls. 131, 132) apresentaram defesa por advogados constituídos (fls. 109/110 e 123).

A defesa de Petróleo Brasileiro S/A ( fls. 102/106) alega:

“De acordo com os depoimentos de fls. 11/31, participaram da faina em tela os Srs. Luiz Carlos Ferreira Dias, Francisco Xavier Bento de Santo de Santana, Sérgio de Oliveira dos Santos Palorca e Luiz Carlos Ferreira Peçanha (fls. 17/18), ou seja, todos profissionais com ampla experiência para a atividade. Senão, vejamos:

Neste particular, vale ressaltar que o soldador Francisco Xavier Bento de Santo de Santana, a vítima, era um dos mais experientes da equipe.

Assim considerando-se a ampla experiência dos participantes da faina, outra não pode ser a conclusão senão que o adestramento da equipe não contribuiu para a ocorrência do acidente, pelo que merece ser declarada a exculpabilidade da 1ª representada neste particular.

Também não é correta a premissa que reconheceu como negligente o comportamento da 1ª Representada no que se refere ao fornecimento de Equipamento de Proteção Individual adequado.

De fato, restou apurado que não só o funcionário estava de posse do EPI adequado como o mesmo contribuiu de maneira decisiva para minorar os efeitos do acidente, conforme afirmaram as testemunhas às fls. 22 e 25.

Assim outra não pode ser a conclusão senão que o fornecimento de material de EPI não só foi suficiente como decisivo para salvar a vida da vítima, obviamente não contribuindo para a ocorrência do acidente, pelo que merece ser declarada a exculpabilidade da 1ª Representada neste particular.

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================================================================ Quanto a alegação da segurança das instalações e a solda do olhal, a defesa alega que inicialmente, em face dos elementos dos autos, há que se concluir que, de fato, a Petrobras efetivamente havia providenciado a manutenção do olhal da talha.

Na realidade, a relatada pintura do olhal indica que a manutenção do olhal foi efetivamente realizada, não podendo a PETROBRAS responder por fatos imprevisíveis, tais como o natural desgaste do equipamento, e nem por fatos de terceiros, à luz do princípio da individualização da pena consagrado no art. 5º, incisos XLV e XLVI da Constituição Federal.

Contudo, ainda que assim não fosse, também mereceria ser declarada a exculpabilidade da PETROBRAS neste particular.

A PETROBRAS, enquanto pessoa jurídica, nada mais é do que um contrato devidamente inscrito no registro competente. Em torno deste contrato, bens e pessoas se organizam para fins de realização do objeto social. E, através desta organização, a PETROBRAS estabelece normas e parâmetros para a atuação de seus prepostos, com base em imperativos técnicos/científicos/legais.

Por outro lado, embora represente uma organização de pessoas e bens, não se pode perder de vista que a pessoa jurídica não possui existência corpórea própria, nem atividade psicológica exclusivamente sua, implicando em incapacidade de se auto determinar e praticar ações ou omissões conscientes, exclusividade da pessoa humana.

Assim sendo, no que se refere segurança das instalações, embora a 1ª Representada coloque a disposição de todas as suas unidades a infra-estrutura necessária à manutenção de suas instalações, não se pode negar que a PETROBRAS (enquanto ente fictício) depende da atuação de um terceiro (o ente real, a pessoa física) para a ativação desta infra-estrutura.

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================================================================ Em outras palavras, a PETROBRAS, por não possuir psique própria, depende de ato de terceiros para materializar suas ações.

Finalmente, como acima já exposto, os incisos XLV e XLVI do art. 5º da Constituição Federal consagram os princípios da personalização e intransmissibilidade das penas, segundo o qual ninguém pode sofrer punição por fato alheio.

Assim, com base nestas premissas, há que se delimitar, como muita precisão, as fronteiras entre a responsabilidade da equipe responsáveis pela faina e a da PETROBRAS, o que vale dizer que somente pode ser aferida a responsabilidade desta após a construção de aqueles cumpriram integralmente seus deveres em face da lei, instruções, regulamentos, usos e costumes pertinentes. Mas não é este o caso dos autos.

De fato, verifica-se que o Sr. Francisco Xavier Bento de Santo de Santana (2º Representado), exercendo a mesma função a bordo já há oito anos assumiu risco não tolerável ao se posicionar sobre a peça movimentada e sob a talha utilizada, descumprindo norma de segurança de conhecimento de todos os envolvidos na faina, abaixo, in litteris:

Norma de segurança para uso de guindastes E & P - PP - 27 - 0308 - 0. 3.3 - Medidas Relativas à Operação.

A ninguém deve ser permitido andar ou permanecer sob cargas suspensas.

Vale dizer que a mera queda da talha, caso fortuito, não teria colocado em risco nenhuma vida a bordo se tivessem sido cumpridas todas as normas de segurança pertinentes.

Contudo, ao permanecer em local reconhecidamente perigoso e proibido, o 2º Representado transformou o que poderia ser um simples incidente corriqueiro em um acidente de navegação, uma vez que expôs sua própria em vida em perigo.

Assim, outra não pode ser a conclusão senão que a queda da talha não só constituiu caso fortuito como não teve o condão, como acima exposto, de caracterizar o

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================================================================ acidente de navegação, sendo decorrente de culpa exclusiva da vítima, pelo que merece ser declarada a exculpabilidade da 1ª Representada neste particular.

Fez juntar documentos (fls. 107/114) inclusive relativo as Normas de Segurança Trabalhos Específicos.

Francisco Xavier Bento de Santo de Santana em sua defesa de fls. 121/122 alega:

“Apesar de narrar corretamente o acidente ocorrido, em sua peça vestibular, o Órgão Representante, data permissa venia, incluiu o 2º Representado no rol dos culpados pelo ocorrido.

Lamentavelmente, de vítima, o ora Representado passou a ser culpado por estar trabalhando, tendo sido atingido por uma peça de mais de 200kg.

O acidente s.m.j., não ocorreu porque o 2º Representado se encontrava em baixo da peça, como descrito na inicial, mas sim porque o local onde estava fixada a talha, que serve para movimentar peças, arrebentou, causando, via de conseqüência, o acidente.

Não existe outra maneira de se trabalhar no manuseio de peças através de talhas, se não como o 2º Representado estava fazendo, sendo incabível lhe imputar culpa.

Assim, por falta de culpabilidade do 2º Representado, bem como por ser ele vítima do acidente, requer seja julgada improcedente a presente Representação, pelos motivos elencados neste petitório”.

Aberta a instrução as partes se reportam as provas já constantes dos autos. Em alegações finais as partes ratificam suas peças iniciais de fls. e fls. Decide-se

Analisando as provas carreadas aos autos, conclui-se que o acidente da navegação, previsto no artigo 14, letra “b” e o fato da navegação, previsto no artigo 15, letra “e”, ambos da Lei nº 2.180/54, ocorridos cerca das 12:40h de 21/11/99, a bordo do

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================================================================ Navio-Sonda “PETROBRAS XXXI”, em operação na bacia de Campos – Macaé, RJ, caracterizado pelo acidente com o soldador Francisco Xavier Bento de Santo de Santana, durante operação de movimentação de carga, atingido na cabeça por uma talha que se desprendeu do olhal utilizado para fixar o aparelho de força que estava sendo operado, causando-lhe traumatismo no crânio, nariz e contusões múltiplas (mãos, testas e pernas), conforme documento de fls. 39, sem no entanto provocar danos à estrutura da plataforma ou à carga, teve como causa determinante o mau estado de conservação do olhal onde era passado o gato da talha e que encontrava-se inadequadamente soldado à estrutura da embarcação, estando tal falha maquiada pela pintura existente no local, aliada ao mau posicionamento do operário vitimado que na ocasião se encontrava sobre a peça movimentada e sob a talha utilizada na faina, local, este considerado perigoso.

A tese de defesa no sentido de que a Petróleo Brasileiro S/A não poder ser representada, visto que enquanto pessoa jurídica não possuir existência corpórea própria, nem atividade psicológica exclusivamente sua, implicando em incapacidade de se auto determinar e praticar ações ou omissões conscientes, exclusividade da pessoa humana, não merece prosperar.

A Pessoa Jurídica, no caso a PETROBRAS, Sociedade de Economia Mista, por seu representante legal, no Tribunal Marítimo, responde sim pelos atos dos seus representantes e prepostos, que nessa qualidade causem danos a terceiros, com direito regressivo contra aqueles que direta ou indiretamente deram causa ao acidente e/ou fato da navegação. Além do que no presente caso, poderia a representada, pelo seu representante legal identificar e nomear aquele a quem se pudesse responsabilizar individualmente, como por exemplo o responsável pela manutenção da embarcação pois ninguém melhor do que o empregador, de quem se espera conhecer todos os seus auxiliares para prestar tal informação, e se não o fez, assumiu a responsabilidade pelos

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================================================================ atos dos seus prepostos. Além do que não provou a ora representada, na qualidade de armadora do Navio-Sonda “PETROBRAS XXXI”, ter diligenciado no sentido de que medidas cabíveis foram tomadas para uma manutenção apropriada na embarcação e demais equipamentos de bordo.

Melhor sorte não teve a defesa do 2º representando, Francisco Xavier Santos de Santana, pois é o mesmo quem declara em seu depoimento de fls. 12/13, que se encontrava na área de operação, em cima de um gerador que estava sendo transportado de cima para o terminal do navio, suspenso por duas talhas que sustentavam a peça, local este não permitido pelas normas de segurança da empresa, item 3.3: “a ninguém deve ser permitido andar ou permanecer sob cargas suspensas” e considerando por todos, como de risco o qual não tardou acontecer e se não teve conseqüências mais sérias foi por estar a vítima portando equipamento de proteção individual, no caso o capacete.

Isto posto, considerando a prova testemunhal, pericial e conclusão do inquérito, deve-se julgar procedentes os termos da Representação da D. Procuradoria, responsabilizando a Petróleo Brasileiro S/A (PETROBRAS) que na qualidade de armadora, negligenciou na manutenção do equipamento de carga da embarcação “PETROBRAS XXXI” e por imprudência Francisco Xavier Bento Santos de Santana, profissional experiente e sabedor dos perigos que envolviam aquela operação de movimentação de carga, mesmo assim permaneceu sobre a carga movimentada e quando houve a ruptura do olhal foi o Sr. Francisco Xavier Bento atingido pela referida peça, causando-lhe sérios ferimentos.

Assim,

A C O R D A M os Juízes do Tribunal Marítimo, por unanimidade: a) quanto à natureza e extensão do acidente: avaria em equipamento de carga de Navio-Sonda, resultando ferimentos em trabalhador durante operação de descarga de carga pesada;

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================================================================ b) quanto à causa determinante: ruptura do olhal por onde era passado o gato da calha, que se encontrava inadequadamente soldado à estrutura da embarcação, decorrente do mau estado de conservação, maquiada pela pintura existente no local, aliada ao posicionamento da vítima em local perigoso; c) decisão: julgar procedentes os termos da Representação de D. Procuradoria Especial da Marinha – PEM, em sua promoção de fls. 76/79, considerando o acidente da navegação, previsto no artigo 14, letra “b” e o fato da navegação, previsto no artigo 15, letra “e”, ambos da Lei nº 2.180/54, como decorrente de negligência de Petróleo Brasileiro S/A e imprudência de Francisco Xavier Bento de Santo de Santana, condenando a primeira à pena de multa de R$ 1.000,00 (mil reais) e o segundo à pena de multa de R$ 100,00 (cem reais). Custas na forma da Lei. P .C. R. Rio de Janeiro, RJ, em 19 de março de 2002.

MARIA CRISTINA DE OLIVEIRA PADILHA Juíza-Relatora

WALDEMAR NICOLAU CANELLAS JÚNIOR Almirante-de-Esquadra (RRm)

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