• Nenhum resultado encontrado

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE SERVIÇOS LEGISLATIVOS LEI Nº 5.892, DE 11 DE DEZEMBRO DE D.O

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MATO GROSSO SECRETARIA DE SERVIÇOS LEGISLATIVOS LEI Nº 5.892, DE 11 DE DEZEMBRO DE D.O"

Copied!
10
0
0

Texto

(1)

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

LEI Nº 5.892, DE 11 DE DEZEMBRO DE 1991 - D.O. 11.12.91.

Autora: Deputada Serys Slhessarenko

Dispõe sobre o Código Estadual de Proteção à Infância e à Juventude e dá outras providências.

A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DE MATO GROSSO, tendo em vista o que

dispõe o Art. 42 da Constituição Estadual, aprova e o Governador do Estado sanciona a seguinte lei:

LIVRO I PARTE GERAL

TÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1º Esta lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente, sobretudo carentes no

Estado de Mato Grosso.

Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos deste código, o indivíduo até doze anos de idade

incompletos, e adolescente, aquele entre doze e dezoito anos de idade.

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana,

sem prejuízo da proteção integral de que trata a legislação que regula a matéria, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral e social, em condições de liberdade e de dignidade.

Art. 4º É dever da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a

efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer em geral, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação,

exploração, violência, crueldade, opressão, e será punido, na forma da lei, qualquer atentado, por ação dos seus direitos fundamentais.

Art. 6º Na interpretação deste código, levar-se-ão em conta os fins sociais a que ele se dirige, as

exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como indivíduos em desenvolvimento.

TÍTULO II

DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

CAPÍTULO I DO DIREITO À VIDA

(2)

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Art. 7º A criança e o adolescente têm direito à proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação, no

âmbito do Estado, de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento perfeito, sadio e harmonioso, em condições dignas de existência.

Art. 8º Todos os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão

obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade municipal e ao Ministério Público, sem prejuízo de outras providências legais cabíveis.

CAPÍTULO II

DO DIREITO À LIBERDADE E À DIGNIDADE

Art. 9º A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas

humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas demais leis.

Art. 10 O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos:

I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais:

II - opinião e expressão; III - crença e culto religioso; IV - lazer em geral;

V - participar da vida comunitária, familiar e política; VI - buscar refúgio, auxílio e orientação.

Art. 11 O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da

criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores e idéias, dos espaços e objetos pessoais.

Art. 12 É dever de todos, e especialmente do Estado, velar pela dignidade da criança e do adolescente,

pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. CAPÍTULO III

DO DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E À PROTEÇÃO ESTATAL

Art. 13 Toda criança ou adolescente têm direito a ser criado e educado no seio da sua família e

excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária em ambiente livre da presença de promiscuidade, de maus-tratos e do aliciamento à prostituição e às drogas.

Art. 14 O Poder Público estimulará, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, o

acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado.

Art. 15 A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao seu pleno desenvolvimento,

preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - direito de ser respeitado por seus educadores;

III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores;

IV - direito de organização e participação em associações, sindicatos e entidades estudantis, inclusive em partido político, na forma da lei;

V - acesso à escola pública

Art. 16 É dever do Estado de Mato Grosso assegurar à criança e ao adolescente:

(3)

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

II - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;

III - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do adolescente trabalhador; IV - atendimento no ensino, através de programas suplementares de material didático-escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.

§ 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo.

§ 2º O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder Público ou sua oferta irregular

importa responsabilidade da autoridade competente.

§ 3º Compete ao Poder Público recensear os educadores no ensino fundamental, fazer-lhes a

chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis pela freqüência à escola.

Art. 17 Os pais ou responsáveis têm obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de

ensino.

Art. 18 Os dirigentes de estabelecimento de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os

casos de:

I - maus-tratos envolvendo seus alunos;

II - reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares; III - elevados níveis de repetência.

Art. 19 O Poder Executivo é obrigado a oferecer escola de boa qualidade, gratuita e laica às crianças e

adolescentes de rua e do meio rural, com calendário, seriação, currículo, metodologia, didática e avaliação adaptada à realidade do educando, com vistas à inserção deste no ensino fundamental e médio.

Art. 20 No processo educacional, respeitar-se-ão os valores artísticos e as formas de organização

próprias do contexto social das crianças e adolescentes, garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura geral.

Art. 21 Os Municípios, com apoio do Estado, estimularão e facilitarão a destinação de recursos e

espaços para programações culturais, esportivas, e de lazer voltadas para a infância e o juventude. CAPÍTULO IV

DO DIREITO À PROFISSIONALIZAÇÃO E À PROTEÇÃO NO TRABALHO

Art. 22 É proibido qualquer trabalho a menores de 14 anos de idade, salvo na condição de aprendiz. Art. 23 A proteção ao trabalho do adolescente é regulada por legislação especial, sem prejuízos no

disposto neste código.

Art. 24 Considera-se aprendizagem a formação técnico-profissional ministrada segundo as diretrizes

da legislação educacional e trabalhista em vigor.

Art. 25 A formação técnico-profissional obedecerá aos seguintes princípios:

I - atividade compatível com o desenvolvimento do adolescente;

II - a garantia de acesso e freqüência obrigatória ao ensino regular, com horário especial para o exercício das atividades.

Art. 26 Ao adolescente até 14 anos de idade, é assegurada bolsa de aprendizagem.

Art. 27 Ao adolescente aprendiz maior de 14 anos, são assegurados os direitos trabalhistas e

(4)

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Art. 28 Ao adolescente portador de deficiência, é assegurado trabalho protegido.

Art. 29 O adolescente tem direito à profissionalização e à proteção no trabalho, observados entre

outros os seguintes aspectos:

I - respeito à condição peculiar de indivíduo em desenvolvimento; II - capacitação profissional adequada ao mercado de trabalho.

TÍTULO III DA PREVENÇÃO

CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 30 É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do

adolescente.

Art. 31 A criança e o adolescente têm direito à informação, cultura geral, lazer, produtos e serviços

que respeitem sua condição peculiar de indivíduo em desenvolvimento.

Art. 32 As obrigações previstas neste código não excluem as proteções e direitos que vão além do

estabelecido nesta lei.

Art. 33 A inobservância das normas de proteção importará em responsabilidade da pessoa física ou

jurídica, nos termos deste código.

CAPÍTULO II DA PREVENÇÃO ESPECIAL

Seção I Da Informação e Lazer

Art. 34 Toda criança ou adolescente terá acesso às diversões e espetáculos públicos classificados como

adequados à sua faixa etária.

Parágrafo único As crianças menores de dez anos somente poderão ingressar e permanecer nos

locais de espetáculos quando acompanhados pelos pais ou responsável.

Art. 35 As emissoras de rádio e de televisão, sob controle do Poder Público estadual, ou de suas

entidades fundamentais ou autárquicas, somente exibirão, no horário recomendado para o público infanto-juvenil, programas com finalidades educativas, artísticas e de cultura universal.

Parágrafo único Nenhum espetáculo será apresentado ou anunciado sem aviso de sua

classificação, nos termos da lei.

Seção II Dos Produtos e Serviços Art. 36 É proibida a venda à criança ou ao adolescente de:

I - armas, munições e explosivos; II - bebida alcoólicas;

III - produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica ainda que por utilização indevida;

(5)

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

IV - fogos de estampido e de artifício, exceto aqueles que pelo seu reduzido potencial sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida:

V - lotéricos e equivalentes.

Art. 37 É proibida a hospedagem de criança e adolescente em hotel, motel, pensão ou estabelecimento

congênere, salvo se autorizado ou acompanhado pelos pais ou responsável legal.

LIVRO II PARTE ESPECIAL TÍTULO I DA POLÍTICA DE ATENDIMENTO CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 38 A política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente far-se-á através de um

conjunto articulado de ações governamentais e não governamentais do Estado de Mato Grosso e seus Municípios.

Art. 39 São linhas de ação da política de atendimento:

I - políticas básicas;

II - políticas e programas de assistência social, em caráter supletivo, para aqueles que deles necessitam;

III - serviços especiais de prevenção e atendimento médico e psicossocial às vítimas de negligência, maus-tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão;

IV - proteção jurídico-social por entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente; V - programas especiais de formação dos agentes integrantes do aparelho repressivo do Estado.

Art. 40 São diretrizes da política de atendimento:

I - municipalização do atendimento;

II - criação de conselhos municipais dos direitos da criança e do adolescente, órgãos deliberativos e controladores das ações em todos os níveis, assegurada a participação popular paritária do Poder Executivo, das entidades civis de defesa da criança e adolescente e das entidades assistenciais às crianças carentes, segundo leis municipais.

III - criação e manutenção de programas específicos, observada a descentralização político-administrativa;

IV - manutenção de fundos, estadual e municipais, vinculados aos respectivos conselhos dos direitos da criança e do adolescente;

V - integração operacional de órgãos do Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Segurança Pública e Assistência Social, preferencialmente em um mesmo local, para efeito de agilização do atendimento inicial a adolescente a quem se atribua autoria de ato infracional;

VI - mobilização da opinião pública no sentido da indispensável participação dos diversos segmentos da sociedade;

VII - preparação do policial civil e militar para assegurar, nas ruas, os direitos das crianças e adolescentes carentes.

CAPÍTULO II

DAS ENTIDADES DE ATENDIMENTO

Seção I Disposições Gerais

(6)

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Art. 41 As entidades de atendimento são responsáveis pela manutenção das próprias unidades, assim

como pelo planejamento e execução de programas de proteção e socioeducativos destinados a criança e adolescente em regime de :

I - orientação e apoio sociofamiliar; II - apoio socioeducativo em meio aberto; III - apoio sociojurídico;

IV - colocação familiar; V - abrigo;

VI - liberdade assistida; VII - semiliberdade; VIII - internação.

Art. 42 As entidades de assistência e proteção à criança e ao adolescente somente poderão funcionar

depois de registradas no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, ao qual comunicará o registro ao conselho tutelar e à autoridade judiciária da respectiva localidade.

§ 1º As entidades estatais e civis deverão proceder à inscrição de seus programas junto ao

Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o qual manterá registro das inscrições e de suas alterações.

§ 2º Será negado o registro à entidade que não atender às exigências determinadas nos Artigos

91, Parágrafo único, e 92 da Lei nº 8.609/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente.

Art. 43 As entidades referidas no artigo anterior têm a obrigação de desenvolver em seus programas,

dentre outras coisas, as condições estabelecidas na Constituição Federal, na Constituição Estadual e no Artigo 94 da Lei nº 8.069/90.

Art. 44 O dirigente de entidade estatal ou civil que lida com criança e adolescente em qualquer área de

atuação é equiparado a guardião, para todos os efeitos de direito.

Seção II

Da Fiscalização das Entidades

Art. 45 As entidades estatais e civis referidas neste código serão fiscalizadas pelo Judiciário, pelo

Ministério Público e pelos Conselhos Tutelares.

Art. 46 Os planos de aplicação e as prestações de contas serão apresentados ao Estado ou ao

Município, conforme a origem das dotações orçamentárias.

TÍTULO II

DAS MEDIDAS DE PROTEÇÃO E DOS DIREITOS INDIVIDUAIS

Art. 47 As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos

reconhecidos neste código forem ameaçados ou violados:

I - por ação ou omissão da sociedade;

II - por falta, omissão ou abuso dos responsáveis;

III - por ação ou omissão do Estado, sobretudo da força policial; IV - em razão de sua conduta.

Parágrafo único São aplicáveis à questão todas as medidas específicas de proteção à criança e

adolescente definidas em lei.

Art. 48 Nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante de ato infracional ou por

(7)

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Parágrafo único O adolescente tem direito à identificação dos responsáveis pela sua apreensão,

devendo ser informado acerca de seus direitos.

Art. 49 Todo servidor público ou agente do Poder Público que, no uso de suas atribuições, cometer

crime ou abuso de autoridade contra criança e adolescente será, mediante inquérito administrativo, demitido ou exonerado a bem do serviço público.

TÍTULO III

DO CONSELHO TUTELAR

CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 50 O Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela

sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, definidos na lei.

Art. 51 Em cada Município haverá, no mínimo, um Conselho Tutelar composto por cinco membros,

eleitos na forma da lei municipal na observação à legislação federal.

Art. 52 Constará, na lei orçamentária municipal, previsão dos recursos necessários ao funcionamento

do Conselho Tutelar.

CAPÍTULO II

DAS ATRIBUIÇÕES DO CONSELHO TUTELAR

Art. 53 São atribuições do Conselho Tutelar todas as determinações expostas nos Artigos 136 e 137 da

Lei Federal nº 8.069/90.

CAPÍTULO III

DA COMPETÊNCIA DO CONSELHO TUTELAR

Art. 54 Aplica-se aos Conselhos Tutelares mato-grossenses a regra de competência constante do

Artigo 138 da Lei Federal nº 8.069/90.

CAPÍTULO IV

DA ESCOLHA DOS CONSELHEIROS

Art. 55 O processo eleitoral para escolha dos membros do Conselho Tutelar será estabelecido em lei

municipal.

CAPÍTULO V DOS IMPEDIMENTOS

Art. 56 São impedidos de servir no mesmo conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes,

sogro e sogra e genro e nora, irmãos, cunhados, durante o cunhadio, tio e sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado.

Parágrafo único Estende-se o impedimento do conselheiro, na forma deste artigo, com relação

à autoridade judiciária, ao representante do ministério público, e aos políticos com cargo eletivo no Estado de Mato Grosso.

TÍTULO IV DO ACESSO À JUSTIÇA

(8)

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

CAPÍTULO I DISPOSIÇÃO GERAL

Art. 57 É garantido o acesso de toda criança ou adolescente à Defensoria Pública, ao Ministério

Público e ao Poder Judiciário, por qualquer de seus órgãos, nos termos dos Artigos 141 usque 144 da Lei Federal nº 8.069/90.

CAPÍTULO II

DA JUSTIÇA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE

Art. 58 O Estado de Mato Grosso criará varas especializadas e exclusivas da infância e da juventude,

cabendo ao Poder Judiciário estabelecer sua proporcionalidade por número de habitantes, dotá-las de infra-estrutura e dispor sobre o atendimento, inclusive em plantões.

CAPÍTULO III

DA PROTEÇÃO JUDICIAL DOS INTERESSES INDIVIDUAIS, DIFUSOS E COLETIVOS

Art. 59 Regem-se pelas disposições deste código as ações de responsabilidade por ofensa aos direitos

assegurados à criança e ao adolescente, referentes ao não-oferecimento ou oferta irregular: I - do ensino obrigatório;

II - de atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência;

III - de atendimento em creche, de pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade; IV - de ensino noturno regular, adequado às condições do educando;

V - de programas suplementares de oferta de material didático-escolar, transporte e assistência à saúde do educando;

VI - de serviço de assistência social, jurídica, psicológica no amparo à criança e adolescente carente;

VII - de acesso às ações e serviços de saúde;

VIII - de escolarização e profissionalização dos adolescentes privados da liberdade;

IX - de proteção estatal contra a violência e maus-tratos, sobretudo da violência institucional; X - da defesa contra a prostituição, ou outras formas de marginalização, das crianças e adolescentes de rua no Estado de Mato Grosso.

Art. 60 As hipóteses previstas no artigo anterior não excluem da proteção judicial outros interesses

individuais, difusos ou coletivos, próprios da infância e da juventude, protegidos pela legislação em vigor. CAPÍTULO V

DO CONSELHO ESTADUAL DE DEFESA DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE MATO GROSSO

Art. 61 O Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente é órgão consultivo,

deliberativo e controlador da política de atendimento à infância e adolescência no Estado de Mato Grosso.

Art. 62 Compete ao Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente:

I - formular a política própria do Estado de Mato Grosso voltada ao cumprimento das diretrizes traçadas pela Lei Federal nº 8.069/90;

II - articular a integração das entidades estatais e civis, com atuação vinculada à infância e adolescência;

III - manter permanente entendimento com os Poderes Legislativos e Judiciário, propondo as alterações que se fizerem necessárias na legislação em vigor e critérios adotados ao atendimento à infância e adolescência;

IV - definir com o Poder Executivo da dotação orçamentária à execução das políticas sociais básicas voltadas à infância e a adolescência;

(9)

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

V - promover encontros das instituições estaduais do Poder Público e civis, envolvidas no atendimento direto à infância e adolescência, objetivando difundir, avaliar e atualizar as políticas sociais e básicas;

VI - inspecionar estabelecimentos das instituições públicas ou privadas que, a qualquer título, acolham crianças e adolescentes.

VII - emitir parecer prévio à concessão de auxílio ou subvenção oficial estadual à instituição de proteção e defesa dos direitos da criança e adolescentes;

VIII - fiscalizar a aplicação das dotações e subvenções a programas e ações especiais de assistência integral à criança e adolescente;

IX - manter cadastro permanente e atualizado das instituições de âmbito estadual voltadas à infância e adolescência;

X - administrar o Fundo Estadual da Criança e do Adolescente; XI - elaborar e aprovar o seu regimento interno.

Parágrafo único Somente supletivamente o Conselho Estadual poderá atuar em programas de

competência municipal.

Art. 63 (VETADO).

§ 1º A escolha dos representantes de qualquer instituição, do Poder Público ou civil, terá que

recair em pessoa de reconhecida idoneidade moral, com trabalho no setor de proteção e defesa da criança e do adolescente.

§ 2º A função de membro do Conselho Estadual é considerada de interesse público relevante e

não será remunerada.

§ 3º O Conselho Estadual deliberará por maioria dos seus membros através de votos justificados

por escrito, e suas decisões serão formalizadas em resoluções que serão publicadas no Diário Oficial após cada sessão.

§ 4º O Conselho Estadual será nomeado pelo Governador do Estado para um mandato de dois

anos, permitindo a recondução.

§ 5º O mandato dos membros do Conselho Estadual não sofrerá redução ante o encerramento do

mandato do Chefe do Poder Executivo, salvo àqueles nomeados como representantes do Poder Público e exclusivamente ocupantes de cargos comissionados.

§ 6º O Conselho Estadual elegerá, dentre os seus membros efetivos, um presidente, um

secretário e um tesoureiro, bem como os respectivos suplentes.

§ 7º Perderá o mandato em favor do suplente, o conselheiro que faltar a três reuniões

consecutivas injustificadamente.

§ 8º O Conselho Estadual será convocado, ordinária e extraordinariamente, pelo seu presidente

ou por solicitação de três dos seus membros.

§ 9º Na ausência do presidente do Conselho Estadual, as sessões serão dirigidas pelo secretário

e, na falta deste pelo conselheiro mais idoso dentre os presentes.

§ 10 O Conselho Estadual poderá convidar pessoas para participarem de suas reuniões, porém

sem direito a voto.

§ 11 As reuniões do Conselho Estadual serão públicas, disciplinando o seu presidente, a ordem

(10)

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Art. 64 (VETADO). § 1º (VETADO). § 2º (VETADO). § 3º (VETADO).

Art. 65 Este código entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

DOS ATOS DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS

Art. 1º Serão adaptadas às diretrizes deste código e da Lei Federal nº 8.069/90, as instituições criadas

e/ou mantidas pelo Poder Público que, a qualquer título, sejam voltadas à criança e adolescente, vedadas quaisquer outras destinações.

Art. 2º (VETADO).

Art. 3º Fica criado o Fundo Estadual de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, que será

regulamentado em lei no prazo de seis meses, após a publicação deste código.

Art. 4º Fica o Poder Executivo autorizado a abrir crédito especial para, no prazo de 30 (trinta) dias,

atender as despesas de instalação do Conselho Estadual da Criança e do Adolescente. Palácio Paiaguás, em Cuiabá, 11 de dezembro de 1991.

as) JAYME VERÍSSIMO DE CAMPOS Governador do Estado

Referências

Documentos relacionados

VI Cancelamento por adequação a novo RAC (vencimento do 1º. Submeter ao Cgcre, para análise e aprovação da utilização, os memorandos de Entendimento, no escopo

A constatação de que a leptina também é um forte modulador dos níveis endocanabinóides no hipotálamo foi um marco importante na identificação do sistema endocanabinóide

Vale ressaltar que, para direcionar os trabalhos da Coordenação Estadual do Projeto, é imprescindível que a mesma elabore seu Planejamento Estratégico, pois para Mintzberg (2006,

O fortalecimento da escola pública requer a criação de uma cultura de participação para todos os seus segmentos, e a melhoria das condições efetivas para

O Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, de 2007, e a Política Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica, instituída em 2009 foram a base

de professores, contudo, os resultados encontrados dão conta de que este aspecto constitui-se em preocupação para gestores de escola e da sede da SEduc/AM, em

Esta pesquisa teve como objetivo avaliar as características de madeira do híbrido Euca/ytpus grandis x Euca/ytpus urophylla e da celulose entre o primeiro ano até o sétimo ano