5 Considerações finais

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Texto

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Este capítulo está dividido em quatro partes: conclusões (sintetizando os resultados encontrados no estudo e comparando-os com a literatura), proposições (elaboração de proposições para auxiliar futuros estudos sobre o tema), implicações gerenciais e sugestões para futuras pesquisas.

5.1.

Conclusões

A Simplicidade Voluntária é tema pouco explorado na literatura. Muitos estudos são de natureza teórica, havendo poucas pesquisas de natureza empírica. Além disso, os estudos existentes foram conduzidos em países desenvolvidos, como Estados Unidos, Austrália e Reino Unido. Porém, no Brasil, também existem adeptos da vida simples, representando um campo importante de estudo. Como o Brasil é um país em desenvolvimento onde muitos indivíduos passaram a integrar a sociedade de consumo recentemente (ROCHA e SILVA, 2008), é interessante investigar as motivações para adotar a Simplicidade Voluntária, que vai ao sentido contrário do consumo.

A presente tese de doutorado teve o objetivo de investigar as motivações para ser adepto da Simplicidade Voluntária e seus impactos na vida dos indivíduos. Para tal, conduziu entrevistas em profundidade com membros de um grupo virtual no Facebook sobre o tema e acompanhou as mensagens trocadas pelos membros no grupo.

Dada a escassez dos estudos sobre o tema, não há consenso sobre a definição de Simplicidade Voluntária. Na literatura, há autores que abordam a Simplicidade Voluntária como um movimento (ELGIN e MITCHELL, 1977b) e outros que a veem como um estilo de vida (IWATA, 1997). O presente estudo, além de investigar motivações e consequências da adoção da Simplicidade

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Voluntária, tentou compreender o entendimento do grupo sobre o que é a Simplicidade Voluntária.

Os resultados apontaram que alguns membros do grupo a adotam como um estilo de vida, ligado a “viver mais com menos”. Para eles, a vida simples diz respeito a valorizar mais a vivência e menos o acúmulo de bens materiais. Segundo o grupo, a adoção da Simplicidade Voluntária é um processo contínuo, pois é importante estar sempre atento para novas mudanças que precisem ser feitas. Eles também mencionaram que não é consequência de restrição financeira, corroborando com estudos anteriores (ETZIONI, 1998).

Porém, alguns entrevistados acreditam que fazem parte de um movimento que vem acontecendo. Para eles, a Simplicidade Voluntária também pode estar associada a um movimento de busca por uma vida melhor e mais feliz (ELGIN e MITCHELL, 1977b).

Como o estudo foi conduzido no Brasil, pode ser que haja diferenças de visões entre os adeptos da vida simples no Brasil e em outros países. Esse achado abre caminho para futuros estudos acerca de como a Simplicidade Voluntária é vista em diferentes países e culturas, principalmente nos países emergentes, onde os estudos são concentrados no consumo e não no movimento contrário.

Em relação às motivações para se adotar a Simplicidade Voluntária, estudos existentes apontam para valores como universalismo, benevolência, tradição, hedonismo e autodireção (ELGIN e MITCHELL, 1977b; LEONARD-BARTON, 1981; HUNEKE, 2005), propostos por Schwartz (1994). Universalismo está ligado à preservação ambiental e preocupação com a sociedade. Benevolência está ligada à vida espiritual, busca de sentido na vida e valorização dos relacionamentos. Tradição é a aceitação de ideias religiosas e valores culturais e familiares. Hedonismo está ligado à felicidade, satisfação e prazer. Autodireção diz respeito à busca de independência e liberdade (SCHWARTZ, 1994).

O presente estudo identificou que a motivação do grupo para adoção da Simplicidade Voluntária está relacionada aos valores de benevolência, tradição, hedonismo e autodireção, corroborando com estudos anteriores (ELGIN e MITCHELL, 1977b, ZAVESTOSKI, 2002; CHERRIER, 2002; CHERRIER, 2009b). Porém, o valor universalismo não foi identificado como antecedente para a adoção da vida simples do grupo – eles não adotaram a Simplicidade Voluntária por razões de preocupação ambiental e social, e sim por interesses individuais.

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Esse é um achado interessante, pois o que os move para adoção de uma vida diferente da que levavam é de interesse pessoal, geralmente em busca de ser mais felizes. A literatura menciona muito a motivação para se melhorar o mundo, porém isso não foi constatado no grupo estudado.

Proposição 1- As motivações para adoção da Simplicidade Voluntária no Brasil tendem a ser de natureza pessoal.

Parece que, ao viver uma vida mais simples, têm mais prazer. É como se o prazer, para eles, não estivesse associado ao consumo de bens materiais e sim ao anticonsumo de bens. A literatura menciona a importância de experiências prazerosas no consumo de produtos (HOLBROOK, 2000). Porém, para o grupo investigado, esse tipo de consumo não oferece prazer, consideram uma ilusão achar que o acúmulo de bens materiais traz felicidade (“Sonho de consumo uma bolsa... é muita pobreza...” - Frase compartilhada no grupo do Facebook). Por outro lado, o hedonismo está associado a não consumir, é o efeito contrário. Ao não consumir bens materiais, eles se sentem felizes e orgulhosos por isso. Parece que não acumular produtos traz sensação de prazer. Por outro lado, o prazer advém do consumo de serviços: valorizam viagens, restaurantes, atividades culturais, eventos, cursos, que representam experiências prazerosas, momentos que ficam em suas memórias e que levarão para a vida toda.

Esse achado, ignorado na literatura, abre caminho para novas linhas de pesquisa sobre Simplicidade Voluntária: investigar com mais profundidade o hedonismo ligado a não consumir bens materiais e o hedonismo ligado ao consumo de serviços.

Proposição 2- Ao adotar a Simplicidade Voluntária, os indivíduos tendem a continuar consumindo serviços.

Em relação às mudanças decorridas da adoção da Simplicidade Voluntária, a literatura aponta diversas alterações: redução do consumo de bens, mudanças na vida profissional, moradia e meios de transporte utilizados, alimentação mais saudável, preocupações com descarte de produtos, vida mais organizada, valorização de experiências, consciência ambiental e social, e algum nível de

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autossuficiência (IWATA, 1997; ETZIONI, 1998; ELGIN, 2000; CRAIG-LEES E HILL, 2002; HUNEKE, 2005; SHAW e MORAES, 2009). Esse é o tópico mais investigado na literatura: quais mudanças os adeptos da vida simples fazem para colocá-la em prática.

Os resultados aqui obtidos corroboraram com a literatura, identificando que os adeptos da Simplicidade Voluntária efetuaram mudanças em todos esses pontos já encontrados. Apesar de mencionar a redução do consumo tanto de bens como serviços (CRAIG-LEES e HILL, 2002), estudos anteriores não apontam como a redução do consumo de serviços ocorre. O grupo investigado foi enfático ao declarar que valoriza o consumo de serviços, tais como viagens, cinemas, cursos, restaurante para encontrar amigos, atividades culturais, dentre outros. Estes achados abrem caminho para novas linhas de pesquisa: Que produtos são considerados supérfluos? Quais serviços considerados supérfluos? Que tipos de serviços mais consomem? O consumo de serviços ocorre independente do valor a ser gasto ou há limite? Há diferentes visões sobre o consumo de serviços gratuitos vs consumo de serviços pagos, segundo os adeptos da vida simples?

Outro resultado não abordado na literatura é a valorização de livros e o fato de alguns adeptos receberem doações de roupas, acessórios de amigos e familiares. Esses achados também abrem caminho para novos estudos: Qual a relação dos adeptos da Simplicidade Voluntária com os livros? É prática comum o recebimento de doações de produtos? Por que recebem doações, eles que solicitam? Ou amigos e familiares os doam de forma espontânea?

Geralmente, o consumo se dá por motivos de busca de significados, por questões simbólicas, para evidenciar uma identidade (LEVY, 1959; BOURDIEU, 1979; BELK, 1988; BAUDRILLARD, 2008). Entretanto, parece que o grupo praticante da Simplicidade Voluntária não busca um significado pelo consumo. Enquanto autores defendem a compra de produtos para um indivíduo se distinguir na sociedade (BOURDIEU, 1979), os adeptos da Simplicidade Voluntária não valorizam isso, não veem o consumo como forma de se diferenciar. Percebem que muitas pessoas compram com esse objetivo, mas eles desprezam essa forma de consumo. Apesar de não buscarem essa distinção por meio do consumo, muitos se consideram diferentes porque são adeptos da Simplicidade Voluntária. Ou seja, será que para eles, a distinção se dá pelo não consumo, ao invés de pelo consumo? Alguns discursos seguiram essa linha de se destacar da visão da maioria da

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sociedade, alguns até podendo achar que têm uma vida superior à vida dos outros, pelo fato de não serem “escravos do consumo e dos padrões impostos da sociedade”.

“Acho que o sistema escravizou as pessoas e elas acham que são diferentes, são individuais e, no final das contas, zen ou banqueiro, reproduzem os mesmos stupid acts de todo”. (Frase compartilhada no grupo do Facebook).

“Estava aqui reparando que o problema das pessoas não é ter pouco, e sim ter menos que as outras pessoas. Morei alguns anos nos EUA e tinham vizinhos meus que se diziam infelizes por serem "miseráveis", sendo que tinham casa e carro. O problema era justamente que todos os outros tinham casas e carros melhores do que eles, por isso esse sentimento. Acontece que hoje, qualquer cidadão de classe média tem acesso melhor e mais fácil à alimentação do que um rei da idade média, fora os confortos e regalias dos avanços científicos que nos fazem ter uma vida super confortável. Aliás porque nos serve de consolo ver alguém em situação pior? Quem nunca escutou "não reclame da vida, olhe ali as pessoas morando na rua"? Deveríamos nos sentir mal por ter pessoas em situação pior do que a nossa e não o contrário”. (Frase compartilhada no grupo do Facebook).

Os resultados aqui encontrados abrem caminho para novas linhas de pesquisa sobre a distinção. Será que os adeptos da vida simples, ao adotarem-na, se veem de forma diferenciada da sociedade? Como é essa visão? É positiva? Eles se posicionam como superiores a quem não adota a Simplicidade Voluntária?

O grupo investigado, apesar de declarar ter adotado a vida simples por motivos pessoais, ao vivenciarem a Simplicidade Voluntária passaram a se preocupar mais com o meio ambiente e com problemas que ocorrem na sociedade. Mesmo sendo motivados a simplificar suas vidas por interesses pessoais, passam a se preocupar, posteriormente, com o coletivo. Porém, a literatura considera que as motivações são tanto individuais como coletivas, o que abre caminho para novas investigações: Será que ocorrem diferenças entre países em relação às motivações para ser simples? Os adeptos da Simplicidade Voluntária nos demais países estão preocupados com o coletivo ou em alguns lugares, mesmo após adotarem a vida simples, continuam se comportando de forma a se preocupar com interesses individuais?

Proposição 3- No Brasil, os indivíduos, ao adotarem a Simplicidade Voluntária, incorporam interesses sociais e ambientais.

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Em relação aos benefícios e pontos negativos da adoção da Simplicidade Voluntária, poucos estudos os investigam. Pesquisas existentes enfatizam mais os benefícios da vida simples (ETZIONI, 1998; CRAIG-LEES e HILL, 2002; HUNEKE, 2005; ALEXANDER e USSHER, 2011; ELGIN, 2012), que são individuais (como felicidade e liberdade) e coletivos (como preservação ambiental). A presente pesquisa também identificou benefícios pessoais e coletivos. Como benefícios pessoais, felicidade, tranquilidade, qualidade de vida, saúde, economia financeira, economia de tempo e liberdade. Os benefícios coletivos estão ligados à preservação do meio ambiente e às contribuições que a Simplicidade Voluntária traz para a sociedade, corroborando com os achados da literatura.

Há estudos que apontam o lado negativo da adoção da Simplicidade Voluntária, mencionando a dificuldade em abrir mão de bens materiais (SHI, 1997). O grupo relata a dificuldade de selecionar os bens materiais de que devem se desfazer. Porém, ao tornarem-se mais organizados, passam a superar essa dificuldade. Parece tratar-se de uma dificuldade inicial para se encaixar na nova forma de vida. Eles não têm dificuldade em abrir mão de bens materiais, pois não são apegados a eles, a dificuldade é em saber o que deve ser doado. Torna-se, por conseguinte, interessante uma investigação futura sobre como os adeptos da vida simples identificaram quais bens materiais devem se desfazer. Como foi o processo de encontrar um ponto de equilíbrio em relação ao consumo de bens?

A presente tese identificou outro ponto negativo, apontado de forma recorrente pelos entrevistados e membros do grupo virtual: o afastamento de amigos e familiares. Eles sentem-se incompreendidos pelas pessoas que estão ao redor, que não entendem os motivos pelos quais adotaram a Simplicidade Voluntária e confundem a vida simples com mesquinharia, acomodação ou restrições orçamentárias. O grupo sente que há uma pressão de quem está à sua volta para que mantenham padrão de vida considerado como correto pela sociedade. Esse isolamento social (WEISS, 1973) é ignorado na literatura da Simplicidade Voluntária, porém é um achado relevante para o grupo investigado, já que, de forma recorrente, diziam-se isolados da sociedade, mesmo que esse isolamento seja psicológico. Esse achado abre caminho para novas linhas de estudo: Até que ponto o isolamento social é visto como ponto negativo? Há indivíduos que já desistiram da Simplicidade Voluntária por não se sentirem

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inseridos nos padrões sociais comuns? Há aqueles que pensam em se tornar adeptos da vida simples, mas veem como obstáculo o isolamento social? Essa percepção de isolamento ocorre também para adeptos da vida simples que residem em outros países?

Proposição 4.1- Parece haver um conjunto de barreiras sociais que podem impedir as pessoas de adotarem a Simplicidade Voluntária.

Proposição 4.2 – Indivíduos podem abrir mão de relacionamentos com grupos sociais e familiares para continuarem adeptos da Simplicidade Voluntária.

Em razão do isolamento social, muitos se apoiam no grupo virtual, pois sabem que ali serão compreendidos. Além de utilizar o grupo como fonte de informação e debate, o utilizam como apoio em momentos difíceis. Portanto, esse grupo do Facebook se enquadra no conceito de tribos ou comunidades, pessoas que se reúnem por compartilharem visões semelhantes (COVA, 1997). Essas tribos também têm se formado virtualmente (COVA, 1997; KOZINETS, 1999).

A interação com o grupo virtual traz apoio para o dia a dia dos membros e enriquece seus conhecimentos sobre como praticar a vida simples. Algumas amizades já até se tornaram presenciais, inclusive pretendem fazer um encontro para reunir diversos membros (mesmo que alguns façam uma viagem para encontrá-los) e assim estabelecer laços de amizades mais fortes.

O grupo então pode auxiliar numa minimização do isolamento social, pois, ao encontrarem pessoas com visões semelhantes, percebem que não estão sozinhos no mundo e que podem ter amigos que compartilham valores semelhantes, que é o caso das tribos e comunidades (COVA, 1997).

Proposição 5- Ao estabelecer novos laços de amizade com indivíduos que adotam a Simplicidade Voluntária, as barreiras sociais que podem impedir as pessoas de adotá-la são minimizadas.

Esses achados são interessantes para o campo de estudo da Simplicidade Voluntária e abrem caminho para futuras pesquisas: Os adeptos da Simplicidade Voluntária tendem a se unir e formar um grupo de amizade? Qual o nível de

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amizade que os adeptos da vida simples estabelecem com outros adeptos? A participação em grupos virtuais sobre Simplicidade Voluntária minimiza a sensação de isolamento social? Como aqueles que não fazem parte de um grupo virtual, como se sentem sendo adeptos da vida simples? Conhecem outras pessoas com visões semelhantes?

5.2.

Implicações gerenciais

O presente estudo traz as seguintes contribuições para as empresas:

 Apesar de adotarem a Simplicidade Voluntária por motivações pessoais, os adeptos incorporam ao longo da vida simples maior consciência ambiental e social. Mesmo reduzindo de forma drástica o consumo de bens, muitos produtos não deixam de ser consumidos. Portanto, torna-se importante para as empresas desenvolverem produtos que cumpram o papel de suprir as necessidades de um consumo consciente. Mesmo em relação a produtos existentes que podem ser considerados verdes, corretos, socialmente responsáveis, estes precisam ser enfatizados de alguma forma, para que os indivíduos tomem conhecimento de que determinados produtos não agridem a natureza ou a sociedade (como exemplo, testes em animais ou trabalho escravo).

 Outro ponto importante é que os adeptos da Simplicidade Voluntária não valorizam o consumo de bens e não valorizam as ações de marketing que buscam mostrar que o indivíduo prescinde de determinado produto e será feliz com ele. Portanto, ações de marketing que possam ser voltadas para esse público precisam abordar mais as questões sociais e ambientais do que o fato de que um produto possa trazer felicidade. Eles diminuem o consumo de bens, mas não deixam de consumir. Ações de marketing que tem como objetivo mostrar que um produto irá trazer felicidade, não agradam esse público.

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 Os adeptos da Simplicidade Voluntária valorizam produtos de qualidade. Como reduziram o consumo de bens e não fazem compras de forma recorrente, nem trocam modelo de produtos simplesmente porque um novo modelo foi lançado, a qualidade torna-se um atributo fundamental. O produto precisa durar, pois eles querem tê-los pelo maior tempo possível. Trata-se de um achado importante para as empresas, essa questão da valorização da qualidade do produto, podendo até ser utilizadas em campanhas de marketing ou na construção da imagem de alguma marca. Para eles, atributos utilitários de produto são mais importantes que os atributos hedônicos, que eles não valorizam quando se trata de produto.

 Os indivíduos pesquisados buscam ter mais momentos de prazer e divertimento e o consumo de serviços muitas vezes é capaz de suprir essa necessidade. Campanhas de marketing voltadas para enfatizar o hedonismo no consumo de serviços podem ser eficazes para atrair esse público.

 O fato de muitos adeptos se reunirem virtualmente aponta para a importância de empresas estarem presentes no meio virtual. Portanto, trata-se de um meio de possível contato com esse grupo, podendo ser útil inclusive para estudá-los e obter maior entendimento sobre suas demandas.

5.3.

Sugestões para futuros estudos

O presente estudo contribui para a literatura existente sobre Simplicidade Voluntária e abre caminho para novas pesquisas.

Seria interessante prosseguir com estudos de natureza empírica para aprofundar diversos aspectos da Simplicidade Voluntária, já que é um tema com poucos estudos empíricos e muitos de natureza teórica. Estudos futuros podem focar na investigação do que é a Simplicidade Voluntária do ponto de vista dos praticantes; as motivações para adotar a Simplicidade Voluntária; as consequências da adoção da Simplicidade Voluntária. Podem também focar em

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como esses indivíduos consomem e o que consomem, explorando tanto bens como serviços (já que houve divergências entre os resultados encontrados e a literatura em relação ao consumo de serviços).

Outro estudo a ser realizado é a investigação dos adeptos da Simplicidade Voluntária em países em desenvolvimento, não somente nos países considerados desenvolvidos. Como nos países em desenvolvimento existe maior disparidade econômica e social, pode ser que pessoas que já possuam maior padrão de renda, possam ter refletido e decidido modificar seus hábitos de consumo. Dada a diferença de realidade entre países desenvolvidos e países em desenvolvimento, a comparação entre nações seria enriquecedora para entender a prática da Simplicidade Voluntária. Como autores citam que pode haver diferença de cultura para cultura na adoção da vida simples (GREGG, 1977), investigar tal diferença seria relevante para o campo de pesquisa. O presente estudo encontrou alguns pontos divergentes da literatura (como motivações de caráter pessoal e a continuidade do consumo de serviços), que podem ser ligadas à cultura do Brasil, reforçando a importância de estudos futuros para entender essa questão de forma mais profunda.

Como os achados apontaram para a valorização do consumo de serviços por parte dos adeptos da vida simples, outro ponto que merece atenção em futuras pesquisas é como as empresas e instituições de serviços poderiam se aproximar desse público, sem ferir seus princípios da Simplicidade Voluntária. Pode ser que haja preferência por determinadas instituições ou empresas em detrimento de outras. Investigar esse ponto com mais profundidade traria contribuições para a literatura e para a prática dos gestores de empresas.

Devido aos resultados do estudo apontarem que os adeptos da Simplicidade Voluntária são muitas vezes incompreendidos por familiares e amigos, seria interessante investigar os impactos dessa incompreensão. Identificar se há pessoas que tinham a intenção de adotar a Simplicidade Voluntária e desistiram por imposições sociais, se para adotar a vida simples tiveram que abrir mão de alguns relacionamentos, ou até se existem pessoas que já abdicaram da vida simples por causa das críticas e falta de compreensão dos grupos de relacionamento.

Por fim, o presente estudo focou nos adeptos da Simplicidade Voluntária que a adotaram em seu dia a dia, sem ter se mudado para comunidades alternativas, que são vistas como uma forma mais radical de Simplicidade

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Voluntária (BEKIN et al., 2005). Outro tema que merece atenção é em relação às comunidades alternativas – Ecovilas, comunidades sustentáveis (BEKIN et al., 2005; BEKIN et al., 2007; ABDALA e MOCELLIN, 2010). Seria interessante investigar a motivação e adoção da Simplicidade Voluntária por pessoas que moram nessas comunidades, já que pode ser que suas visões sobre a vida simples sejam diferentes ou tenham particularidades.

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Referências

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