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Nova Universidade de Lisboa forçada. a vender edifícios ATUALPAGS.6E7

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(1)

Nova

Universidade

de

Lisboa

forçada

a

vender

edifícios

(2)

Nova

Universidade

de

Lisboa

avança com

venda

de

património

Financiamento.

Edifícios

da

Técnica

eda Clássica

que ficam vazios

com

a

junção

de serviços

podem

ser

vendidos

para gerar

receitas

adicionais

e

construir

alojamentos

para

os

alunos.

António

Cruz

Serra

toma

hoje

posse

como

reitor

ANA BELA FERREIRA

Anova Universidade deLisboa vai

ter

de

vender património

para

contornar

oscortes no

financia-mento

público e

poder

construir residências universitárias, que o

recém- eleito reitor considera "uma necessidade absoluta". Em entre-vista ao

DN, António

Cruz Serra, que hoje toma posse como

primei-roreitor damaior universidade do País, criticou aslimitações orça-mentais edefendeu que esta seja diferente paraas"universidades de referência".

Aunião dos serviços dareitoria

ede ação social são aqueles que

mais espaço

podem libertar

nas

instalações da

Universidade

de Lisboa (UL) eoreitor acredita que

"nos

próximos

quatro

anos" vai vender algum património.

"Esta-mos

muito mal

servidos de resi-dências de estudantes",

por

isso "considero que vender algum

pa-trimónio

que não seja essencial é

uma possibilidade que podemos encarar de frente. Como

conse-quência

dessa

venda

podemos

construir residências de

estudan-tes", aponta Cruz Serra.

Esses edifícios ainda não estão escolhidos, mas terão de serentre

aqueles "onde não esteja a serfeito

nem

ensino

nem

investigação".

O processo de libertação de alguns espaços terá de ser feito "com cau-tela", admite onovo responsável,

e vai acontecer "nos próximos

meses".

Com este encaixe financeiro ex-tra, anova instituição de ensino

su-perior português vaiconseguir

ali-viar ascontas eapostar na

melho-ria de outros serviços.

Uma

vez que

o

financiamento

público écada

vezmenos

-

oensino superior so-freu

um

corte de 50% desde2006

-,

oque está aameaçar a

universida-de portuguesa, alertaAntónio Cruz Serra. "Estamos com níveis de fi-nanciamento que já nãonos

per-mitem

manter aqualidade

daqui-lo quefazíamos háuns anos. É

im-prescindível que opoder político

perceba que asuniversidades pre-cisam determais financiamento,

não aguentam nenhuma redução definanciamento."

Oex-reitor daUniversidade

Téc-nica

acrescenta

ainda

que se as

instituições se

mantêm

a funcio-nar"sem que senote por aíalém a

degradação das condições de fun-cionamento, épela grande

auto-nomia

de gestão que

tiveram

ao

longo do tempo". "Porque se esti-véssemos a ser geridos com rédea muito curta pelo Ministério das

Fi-nanças, estávamos com muitos pagamentos ematraso oucom dí-vidas, ou provavelmente

tinham

bloqueado ofuncionamento."

Valores em dúvida

Apesar deno início do projeto de fusão das duas universidades, em

201 1,terexistido compromisso de

que não haveria cortes no

finan-ciamento

da nova instituição, a

verdade éque agora Cruz Serra não temtantas certezas em relação a essa promessa. Agora, a

manu-tenção dos valores recebidos do

Estado "éumacoisa que terá deser

exigida todos os dias".

"Nós tínhamos

um

compromis-so doGoverno decriar

um

regime deautonomia reforçada que seria aplicado não sóà nossa universida-de mas também atodas asoutras a

que oGoverno decidisse aplicar.

Estava subentendido que nessa

au-tonomia reforçada estava uma sé-rie de condições que nospermitem gerir

melhor

e

poupar

recursos."

Noentanto, essecompromisso não está espelhado naproposta de alte-ração aoRegime Jurídico das Insti-tuições de Ensino Superior (RJIES),

que foi colocada àdiscussão na

ter-ça-feira dasemana passada. Defensor de que "só com

recur-soshumanos mais qualificados é

que o País pode sair da crise", o

novo

reitor

entende que o

finan-ciamento para oensino superior

deve ser aumentado, apesar da consciência de que é

uma

visão

"politicamente incorreta".

Asdificuldades financeiras se

refletem nofuncionamento da sua

ex-universidade (aTécnica) onde "durante osúltimos anos saíram

centenas de professores, investiga-dores efuncionários não docentes

enão tivemos recursos

para

os substituir".

Daqui

resulta que não

conseguimos dar asmesmas aulas,

com omesmo

número

de alunos por turma, fazer amesma

investi-gação. Porisso, éinevitável: "O

va-lor total dofinanciamento tem de mudar."

(3)

RISCO

DE

FECHO

Instituição

açoriana precisa

de

1,7

milhões

>O

reitor

da Universidade dos

Açores declarou

ontem

que a

academia

necessita de 1,7

mi-lhões deeuros até ao

final

do ano

para

assegurar o

normal

funcionamento

dos seus três poios, localizados em

Ponta

Delgada, Angra do

Heroísmo

e

Horta.

"AUniversidade dos Açores, com base nos cortes

orçamentais que

têm

havido,

tem

vindo a

reduzir

a sua

ativi-dade ao

máximo,

mas não

res-tam

dúvidas de que

para

che-gar até

final

do ano desenvol-vendo a sua atividade com

pa-râmetros

aceitáveis necessita de

um

reforço que

anda

à

volta

de1,7milhões de euros", disse

à agência Lusa Jorge Medeiros,

na

sequência de

uma

audição

(4)

ENTREVISTA:

ANTÓNIO

CRUZ

SERRA

Reitor da Universidade de Lisboa

"Temos

de

ter

a propina

máxima.

Uma

política

diferente

é

fazer

demagogia"

.'''¦'¦¦¦

António

Cruz

Serra espera colocar

a Universidade

de Lisboa no 'top

20'

do

ensino

superior

da Europa,

logo no

primeiro

mandato.

Oreitor, que hoje

toma

posse,

adianta

que

(5)

A nova Universidade deLisboa

começa agora. Quais são os

pla-nosparaoseuarranque e as

metas estabelecidas parao

mandato?

Osplanos passam por organizar a

melhor universidade portuguesa,

sermos capazes decriar uma coe-sãonesta universidade que éfeita

de gente que vem de áreas

cientí-ficas diversas. Pôr atrabalhar em conjunto aspessoas que têm esta-do separadas eonde há

um

gran-de

potencial

de cooperação e de

fazer

melhor

investigação.

Um

grande desígnio danova

universi-dade éfazer investigação demuito

alto nível etermos

uma

universi-dade capaz de

competir

com as

melhores europeias. Claro que

que-remos

fazer

melhor

ensino,

ter

muito mais relevância doponto de vistanacional einternacional eisso

permitirá atrair osmelhores

talen-tos quer estudantes, professores e

investigadores. Fazer

transferên-cia deconhecimentos, sermos

ca-pazes de

pôr

na sociedade

tudo

aquilo que fazemos e,neste

mo-mento muito difícil que o País atra-vessa vamos lançar

um

grande

-nãolhevou dar nome ainda

-mo-vimento dentro da universidade

que levará àcriação de propostas

de políticas públicas nos mais va-riados aspetos dasociedade. Não

nos ficaremos sópelas questões do

ensino superior. É obrigação

apa-recerem propostas para promover

ocrescimento, que mostrem em que sectores podemos apostar,

como devemos gerir o crescimen-toeoinvestimento necessário

jun-tamente com asquestões da dívi-dae,portanto, essa será segura-mente uma das primeiras e

gran-destarefas da nova universidade.

Esse será ogrande projeto do

pri-meiro ano?

O

primeiro

ano de mandato

tem

muitos projetos importantes,

por-que nós temos a tarefa imensa de

organizar de imediato osserviços

dareitoria eda ação social. Temos dois serviços emcadaumadas

uni-versidades evaiser preciso

orga-nizá-los. Temos a obrigação de

pro-mover a coesão euma cultura de

universidade. Portanto vamos ter

de ter eventos em conjunto, desde culturais, desportivos, etc.Etemos

ogrande projeto de começar ainda

noprimeiro anocom investigação transdisciplinar na forma como foi designada nos estatutos da univer-sidade de colégios.

Senão chegar aotopo das

univer-sidades europeias, será

um

fra-casso?

Chegaremos de certeza.

Em quanto tempo?

Seique quer saber de rankingsNon só falar de dois que são dos mais

conhecidos. Temos o de Shangai,

onde asduas universidades estão

entre aposição 400ea500e,só

como efeito da fusão, anova

uni-versidade estará algures entre a po-sição 250ea300, de longe amelhor

posição das universidades

portu-guesas eestará provavelmente à

frente

de todas as espanholas.

Noutro

ranking,

que é o da

Scimago, no instante posterior à fusão estaremos algures na

posi-ção 130,135 a nível mundial. E

den-tro da Europa estaremos na posi-ção 30.Espero que consigamos ter

uma subida

nestes rankings. Durante o

primeiro

mandato

es-peraria que no mnkingda Scimago

estejamos na posição 20etal na

Europa. Afusão potência uma

po-sição nos

rankings

que nos dá muita visibilidade equeé

impor-tante nacaptação de recursos, no-meadamente internacionais.

Este projeto pode estar

ameaça-dopela falta definanciamento

público?

O País está ameaçado. Acho que a

universidade

portuguesa

está

ameaçada porque o nível de

finan-ciamento público ultrapassou tudo

oque era imaginável. Tivemos uma redução definanciamento muito

superior a todos os sectores da

ad-ministração pública.

Aspropinas vão aumentar? Com ascondições de financiamen-to público que temos neste

mo-mento não temos outra escolha se

não terapropina máxima aprova-da. Quem estiver aadotar política diferente está afazer demagogia.

A diferença entre apropina do ano passado edeste ano na

Universi-dade de Lisboa nototal éde1,5

mi-lhões de euros. É

um

valor do qual

auniversidade não tem condições de prescindir.

Vai haver cortes nos cursos? Temos cursos quetêm muita

atra-tividade euma sobreposição

mui-tíssimo baixa e neste momento não

vai haver cortes. Naturalmente se

osprotagonistas considerarem in-teressante fazer reorganizações de cursos entre asdiferentes

faculda-des isso será acolhido debraços

abertos, mas não prevejo uma gran-demudança nesse ponto de vista.

Vaisermais nos programas de

dou-toramento enos mestrados. Este não eraomomento ideal

para juntar

astrês universidades

públicas de Lisboa?

Omomento ideal, não.

Uma

pos-sibilidade deofazer acho que sim

equeéumacoisa que devemos en-carar sempre. Afusão daTécnica e

da Clássica tem

um

grau de com-plexidade imensamente

inferior

do que resultaria deconsiderar a

Nova neste processo, desde logo porque estatem uma oferta quese

sobrepõe a quase todas asofertas dasoutras universidades. Tenho a

certeza de que jamais se consegui-riafundir astrêsuniversidades num

espaço detempo como oqueo

fi-zemos,

também

não havia

condi-ções políticas nem vontade para o

fazer. Por outro lado, faz-nos bem termos competição emLisboa.

(6)

PERFIL

>António Manuel da Cruz Serra

nasceu em Coimbra em1956.

>Licenciou-se em Engenharia

Eletrotécnica na Faculdade de Engenharia da Universidade do

Porto, em 1978.

>Natural de Coimbra, Cruz

Serra fezocurso no Porto,

co-meçando logo em seguida a

dar aulas noInstituto Superio Técnico, em Lisboa. Foi na ms tituição lisboeta que fezome; trado eodoutoramento, send professor catedrático desde

2005.A par dacarreira acadé mica, Cruz Serra desempe-nhou vários cargos de gestão. Em2009foi oescolhido para <

cargo de presidente doIST.Fe

eleito reitor da Universidade Técnica em 2012, conduzindo processo de fusão com a

Universidade de Lisboa.

Cronologia

da

fusão

O processo defusão das duas

maiores emais antigas universidades deLisboa demorou mais de dois anos

JULHO DE 2011

>Início Nomeação de um grupo

detrabalho conjunto para estu-dar afusão das duas maiores universidades lisboetas.

AGOSTO/DEZEMBRO 2011

>Estudos Realização deestudo prévio sobre viabilidade da fusão. Os senados das universi-dades são informados do pro-cesso.

FEVEREIRO DE 2011

>Discussão Apresentação

pelos reitores aos conselhos gerais do documento "Uma

nova Universidade deLisboa",

para discussão pública.

ABRIL DE 2012

>Aprovação Aprovação da

ver-são final do documento pelos conselhos gerais.

ABRIL/MAIO

DE 2012

>Negociações As

universida-des apresentam oprograma de fusão ao Governo einiciam ne-gociações com oExecutivo de Pedro Passos Coelho.

NOVEMBRO DE 2012

>Lei Governo aprova o

Decreto--Lei com acriação da nova uni-versidade ecom oregisto do

pa-trimónio comum

-

desde o

Estádio Universitário, a

terre-nos, armazéns, refeitórios e

cantinas até campus

universitá-rios, passando pelo Jardim

Botânico da Ajuda eo

Hipódromo do Campo Grande, aos museus da Universidade de Lisboa.

DEZEMBRO DE 2013

>Confirmação Aprovado pelo

Presidente daRepública, o

Decreto-Lei épublicado em Diário daRepública a31de

dezembro.

JANEIRO DE 2013

>Inédito As duas universidades

fazem uma cerimónia de aber-tura do ano letivo conjunta.

ABRIL DE 2013

>Estatutos Os estatutos da nova Universidade de Lisboa são homologados pelo ministro da Educação eCiência, Nuno Crato.

JULHO DE 2013

>Eleição 0Conselho Geral da

Universidade deLisboa elege

António Cruz Serra, reitor da Técnica eúnico candidato, para

Referências

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