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Relatórios de Estágio realizado na Farmácia Oliveira e no Hospital Privado de Braga (Grupo Trofa Saúde)

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Academic year: 2021

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Farmácia Oliveira

2018 - 2019

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Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto

Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas

Relatório de Estágio Profissionalizante

Farmácia Oliveira

Março a Julho de 2019

Lara Sofia Viveiros Costa de Oliveira Pereira

Orientador: Dra. Ana Margarida Cerqueira Ramos

Tutor: Prof. Doutora Manuela Sofia Rodrigues Morato

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DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE

Declaro que o presente relatório é de minha autoria e não foi utilizado previamente noutro curso ou unidade curricular, desta ou de outra instituição. As referências a outros autores (afirmações, ideias, pensamentos) respeitam escrupulosamente as regras da atribuição, e encontram-se devidamente indicadas no texto e nas referências bibliográficas, de acordo com as normas de referenciação. Tenho consciência de que a prática de plágio e auto-plágio constitui um ilícito académico.

Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, 1 de Outubro de 2019

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AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Dr. Manuel Sampaio Oliveira, Proprietário e Diretor Técnico da Farmácia Oliveira, pela oportunidade de realização do Estágio profissionalizante nesta Farmácia.

Um agradecimento especial à Dra. Ana, por todo o acompanhamento e orientação, pelos ensinamentos técnicos e científicos, pela simpatia e pela disponibilidade demonstrada ao longo destes meses.

Um sincero obrigado, à fantástica equipa da Farmácia Oliveira, nomeadamente à Dra. Ana Rita Cardoso, ao Dr. André, à Dra. Carina Devesa, à Dra. Cláudia Costa, à Dra. Diana Lopes, ao Dr. Gregório Gomes, ao Dr. Nuno Sá, à Dra. Rita Barros, à Dra. Rita Januário, à Dra. Renata Ferreira, ao Sr. António Carvalho, ao Sr. Custódio Ferreira, ao Nuno Silva, à Tânia Martins, ao Emanuel Carvalho e à Dona Maria Silva que desde o primeiro dia me acolheram, demonstrando total disponibilidade para o esclarecimento de dúvidas, partilha de conhecimentos, e pela boa disposição ao longo deste período. Agradeço, à Professora Doutora Manuela Morato, pela sua disponibilidade e orientação demonstrada ao longo de todo o estágio.

À minha família, namorado e amigos, por estarem sempre ao meu lado. Pelos sacrifícios, pelos conselhos, pela força e apoio que sempre me transmitiram, o meu obrigado.

E por fim, um obrigada à Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto e à comissão de estágios por esta oportunidade e pela ajuda disponibilizada durante este período.

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RESUMO

O presente relatório, realizado no âmbito da unidade curricular Estágio do Mestrado Integrado em Ciências Farmacêuticas, resulta no culminar da formação académica enquanto farmacêutica.

O estágio profissionalizante proporciona aos alunos um primeiro contacto com a realidade profissional, antes de ingressarem no mundo do trabalho, consolidando assim, conhecimentos técnicos e científicos adquiridos ao longo do curso. Durante estes meses tive a oportunidade de contactar com diferentes realidades do quotidiano de uma farmácia, desde a prestação de cuidados de saúde, aconselhamento farmacêutico, dispensa de medicamentos e procedimentos de gestão em farmácia comunitária.

Este relatório está dividido em duas partes, na primeira parte, está descrito o funcionamento da Farmácia Oliveira, fazendo alusão a componentes da farmácia comunitária, a tarefas desempenhadas, aspetos mais técnicos e de enquadramento legal, necessários ao bom funcionamento, assentes nas boas práticas de farmácia comunitária. Na segunda parte do relatório estão descritos os projetos que implementei na Farmácia Oliveira. A escolha destes projetos partiu da pertinência de alguns assuntos debatidos pela equipa de profissionais, e pela importância que o farmacêutico tem na promoção da saúde e bem-estar dos utentes.

No primeiro projeto abordei a temática sobre a Proteção Solar, direcionada aos mais jovens, com o intuito de fornecer conhecimentos e incentivar a prática de hábitos saudáveis de exposição solar. O segundo projeto traduziu-se na realização do rastreio do Pé Diabético a utentes da farmácia. Esta escolha baseou-se na prevalência da diabetes neste publico e permitiu identificar indivíduos em risco, bem como, transmitir conhecimentos e medidas de cuidado para prevenção desta patologia.

O terceiro projeto foi referente a uma formação interna sobre as insulinas, objetivando a revisão e atualização de conhecimentos do grupo de farmacêuticos e técnicos.

Os projetos desenvolvidos reforçaram a relação de proximidade entre a farmácia e a comunidade, fomentando o impacto que o farmacêutico tem na saúde pública.

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ÍNDICE

DECLARAÇÃO DE INTEGRIDADE ... iii

AGRADECIMENTOS ... iv RESUMO ... v ÍNDICE ... vi ABREVIATURAS ... x ÍNDICE DE ANEXOS ... xi ÍNDICE DE TABELAS ... xi

PARTE I – Actividades Desenvolvidas na Farmácia Oliveira ... 1

1. Introdução ... 1

2. Farmácia Oliveira ... 2

2.1. Localização Geográfica ... 2

2.2. Horário de Funcionamento ... 2

2.3. Recursos Humanos ... 2

2.4. Espaço Físico e Equipamentos ... 2

2.4.1. Espaço Exterior ... 3

2.4.2. Espaço Interior... 3

2.5. Sistema Informático ... 5

3. Gestão e Aprovisionamento de Medicamentos e Produtos de Saúde ... 5

3.1. Gestão de Stocks ... 5 3.2. Encomendas ... 6 3.2.1. Realização de Encomenda ... 6 3.2.2. Receção de Encomendas ... 7 3.2.3. Armazenamento de Encomendas ... 8 3.3. Gestão de Preços ... 8

3.4. Gestão dos Prazos de Validade ... 8

3.5. Devolução de Produtos ... 9

4. Dispensa de Medicamentos e Produtos de Saúde ... 9

4.1. Medicamentos sujeitos a receita médica ... 9

4.2. Medicamentos não sujeitos a receita médica ... 10

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4.4. Medicamentos Manipulados ... 11

4.5. Medicamentos e Produtos de Uso Veterinário ... 12

4.6. Medicamentos Homeopáticos ... 12

4.7. Outros Produtos de Saúde ... 13

4.7.1. Produtos Cosméticos e de Higiene Corporal ... 13

4.7.2. Produtos de Puericultura ... 13

4.7.3. Suplementos Alimentares e Produtos Fitoterapêuticos ... 13

4.7.4. Produtos Dietéticos e de Alimentação Especial ... 14

4.7.5. Dispositivos Médicos ... 14

5. Receituário: Conferência, Processamento e Faturação ... 14

5.1. Receita Médica e Prescrição ... 14

5.1.1. Receita Manual ... 15

5.1.2. Receita Eletrónica Materializada ... 15

5.1.3. Receita Eletrónica Desmaterializada ... 15

5.2.1. Regime Geral de Comparticipação ... 16

5.2.2. Regime Especial de Comparticipação ... 16

5.2.3. Outros Regimes de Comparticipação ... 16

6. Serviços Farmacêuticos ... 17

6.1. Determinação da Tensão Arterial ... 18

6.2. Determinação da Glicémia ... 18

6.3. Determinação do Colesterol e Triglicerídeos ... 18

6.4. Determinação do Peso, Altura, Índice de Massa Corporal e Composição Corporal ... 18

6.5. Administração de Vacinas e Injetáveis ... 19

7. Valormed® ... 19

8. Cartão Farmácias Portuguesas ... 19

9. Formação Contínua ... 19

PARTE II – Desenvolvimento dos Projetos de Estágio ... 20

1. Palestra sobre Proteção Solar ... 20

1.1. Contextualização ... 20

1.2. Proteção Solar ... 20

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1.2.2. Radiação Ultravioleta ... 21

1.2.3. Proteção solar ... 22

1.2.4. Cuidados a ter durante a exposição solar ... 23

1.3. Métodos ... 24 1.4. Resultados ... 24 1.5. Conclusão ... 25 2. Rastreio do Pé Diabético ... 26 2.1. Contextualização ... 26 2.2. Pé Diabético ... 26

2.2.1. Pé Diabético como Complicação da Diabetes Mellitus ... 26

2.2.2. Complicações que podem surgir na Diabetes Mellitus ... 27

2.2.3. Etiologia ... 27

2.2.4. Fatores de risco para o desenvolvimento do Pé Diabético ... 27

2.2.5. Tipos de Úlcera... 28

2.2.6. Níveis de risco de Ulceração ... 28

2.2.7. Como prevenir ou detetar ... 29

2.3. Métodos ... 29

2.4. Resultados ... 30

2.5. Conclusão ... 32

3. Insulinas - Formação Interna... 32

3.1. Contextualização ... 32

3.2. Insulina ... 33

3.2.1. Tipos de Insulina... 33

3.2.1.1. Insulinas Humanas ... 33

3.2.1.2. Análogos de Insulina ... 34

3.2.2. Insulinoterapia – Regimes Terapêuticos e Guidelines ... 36

3.2.3. Efeitos Secundários ... 38

3.2.4. Precauções ... 38

3.2.5. Situações Especiais - Ajuste da Dose de Insulina ... 38

3.2.6. Contraindicações ... 39

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3.4. Resultados e Conclusões ... 39

CONCLUSÃO FINAL ... 40

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 41

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x

ABREVIATURAS

AIM - Autorização de Introdução no Mercado ANF - Associação Nacional de Farmácias BPF - Boas Práticas Farmacêuticas CNP - Código Nacional do Produto DCI - Denominação Comum Internacional DGS - Direção Geral de Saúde

DM - Diabetes Mellitus

DM1 - Diabetes Mellitus Tipo 1 DM2 - Diabetes Mellitus Tipo 2 FEFO - First Expired First Out FPS - Fator de Proteção Solar HbA1c - Hemoglobina Glicada IMC - Índice de Massa Corporal

INFARMED - Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde

IUV - Índice Ultra Violeta

IVA - Imposto de Valor Acrescentado

MNSRM - Medicamento Não Sujeito a Receita Médica

MNSRM-EF - Medicamentos Não Sujeitos a Receita Médica de dispensa exclusiva em Farmácia MSRM - Medicamento Sujeito a Receita Médica

NPH - Neutral Protamina hagedorne PV - Prazo de Validade

PVF - Preço de Venda Faturado PVP - Preço de Venda ao Público PS - Protetor Solar

SNS - Serviço Nacional de Saúde UV – Ultravioleta

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ÍNDICE DE ANEXOS

Anexo I - PowerPoint® Sobre Proteção Solar ... 47

Anexo II - Questionário de Avaliação de Conhecimentos Prévios ... 58

Anexo III - Resultados do Questionário Sobre Proteção Solar ... 59

Anexo IV - Protocolo do Rastreio do Pé Diabético ... 60

Anexo V - Cartaz de Divulgação do Rastreio do Pé Diabético ... 61

Anexo VI - Divulgação do Rastreio nas Redes Sociais da Farmácia ... 62

Anexo VII - Apresentação Sobre Insulinas... 63

Anexo VIII - Características Farmacocinéticas de Insulinas Humanas e Análogos de Insulina ... 76

ÍNDICE DE TABELAS

Tabela 1 - Cronograma das Atividades e Tarefas Desenvolvidas ao Longo do Estágio ... 1

Tabela 2 - Fototipo cutâneo de Fitzpatrick ... 21

Tabela 3 - Categorização do Nível de Risco de Ulceração ... 28

Tabela 4 - Farmacocinética das Insulinas Humanas ... 34

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PARTE I – Actividades Desenvolvidas na Farmácia Oliveira

1. Introdução

O farmacêutico comunitário como especialista do medicamento, é considerado o interveniente de saúde pública mais próximo da comunidade, e desempenha um papel fundamental na promoção da saúde. Cabe ao farmacêutico na dispensa do medicamento, orientar sempre o utente sobre o uso correto do medicamento, esclarecer todas as dúvidas e favorecendo a adesão e o sucesso do tratamento prescrito.

O meu estágio profissionalizante decorreu entre 1 de março e 31 de julho de 2019 na Farmácia Oliveira, das 9h00 às 17h30. As atividades em que estive inserida no decorrer do estágio estão descritas na tabela abaixo apresentada (Tabela1).

Tabela 1 - Cronograma das Atividades e Tarefas Desenvolvidas ao Longo do Estágio

ATIVIDADES DESENVOLVIDAS

març

o

abril maio jun

h o julh o Receção e armazenamento de encomendas x x x x x

Armazenamento e verificação de stocks x x x x x

Verificação de prazos de validade x x x x x

Atendimento ao público x x x

Medição da tensão arterial x x x x x

Medição de parâmetros bioquímicos x x x

Organização e conferência de receituário x

FormaçãoPharma Nord ® - Coenzima Q10 x

Formação Dermoscosmética( Uriage®) x

Formação Dermoscosmética (ATL®) x

Formação Dermoscosmética (Halibut®) x

Formação Nutricia® x

Formação Piz Buin® x

Formação sobre Comunicação Clínica

para Farmacêuticos x

Tema I – Proteção Solar x

Tema II – Rastreio do Pé diabético x

Tema III – Formação Interna sobre

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2. Farmácia Oliveira

2.1. Localização Geográfica

A Farmácia Oliveira, inaugurada a 1 de Julho de 1983, situa-se na Rua Frei José Vilaça, número 101, na freguesia de Ferreiros, pertencente ao concelho de Braga. A farmácia localiza-se a 4km do centro e a 200m de uma das saídas na A11. Para além da excelente localização, dispõe parque privativo, garantindo facilidade de estacionamento. Na zona envolvente existem vários estabelecimentos de saúde, nomeadamente uma clínica dentária, uma clínica veterinária e vários consultórios médicos. Tem circunjacente uma igreja, várias escolas e estabelecimentos de comércio local, o que permite elevada proximidade e acessibilidade à população.

2.2. Horário de Funcionamento

O horário de funcionamento da Farmácia Oliveira é de 24 horas por dia, todos os dias do ano, incluindo feriados. O horário encontra-se de acordo com o Decreto-Lei nº 53/2007, de 8 de Março, que regula o horário de funcionamento das farmácias de oficinas, alterado pelo Decreto-Lei nº 7/2011, de 10 de Janeiro e pelo Decreto – Lei nº172/2012, de 1 de Agosto, que autorizou que o horário de funcionamento se possa fazer por 24 horas, todos os dias da semana [1-3]. Também a Portaria nº277/2012, de 12 de Setembro, alterada pela Portaria nº14/2013, de 11 de Janeiro, define o horário padrão de funcionamento das farmácias de oficina [4,5].

2.3. Recursos Humanos

As farmácias têm de dispor de, pelo menos, um diretor técnico e de outro farmacêutico, sendo que os farmacêuticos devem constituir a maioria dos funcionários, conforme o Decreto-Lei nº 307/2007, de 31 de Agosto, alterado pelo Decreto-Lei nº171/2012, de 1 de Agosto [6, 7]. A equipa da Farmácia Oliveira é constituída por 20 profissionais, nomeadamente, pelo proprietário e diretor técnico, Dr. Manuel Sampaio Oliveira; pela farmacêutica Adjunta, Dra. Ana Ramos; pelos farmacêuticos, Dra. Ana Rita Cardoso, Dr. André, Dra. Carina Devesa, Dra. Cláudia Costa, Dra. Diana Lopes, Dr. Gregório Gomes, Dra. Helena Ribeiro, Dr. Nuno Sá, Dra. Rita Barros, Dra. Rita Januário e Dra. Renata Ferreira; pelos técnicos de farmácia, António Carvalho, Custódio Ferreira, Nuno Silva e Tânia Martins; pelo auxiliar técnico, Emanuel Carvalho e por fim, pela auxiliar de limpeza e higienização, Dona Maria Silva. Cada elemento exerce as suas funções, devidamente pré-definidas, para o correto funcionamento da farmácia.

2.4. Espaço Físico e Equipamentos

O diploma que regula legalmente os requisitos a cumprir quanto às instalações e equipamentos é o Decreto-Lei nº 307/2007, de 31 de Agosto, alterado pelo Decreto-Lei nº171/2012, de 1 de Agosto, Artigo 29.º, [6, 7] as farmácias devem adequar as suas instalações, visando “a segurança, conservação

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do respetivo pessoal”. As instalações da Farmácia Oliveira cumprem os requisitos descritos nas Boas

Práticas Farmacêuticas (BPF) para Farmácia Comunitária.

2.4.1. Espaço Exterior

De acordo com as Boas Práticas em Farmácia (BPF), a aparência da farmácia deverá ser característica e profissional, facilmente visível e identificável, assegurando a acessibilidade a todos os utentes.

Neste sentindo, e seguindo as BPF, a Farmácia Oliveira está identificada com um letreiro com a inscrição “Farmácia Oliveira”, que durante toda a noite está iluminado, e com a cruz verde luminosa, para fácil identificação da farmácia [6, 7]. Dispõe igualmente de uma placa onde está inscrito o nome do Diretor Técnico, e horário de funcionamento [6, 7]. A fachada principal é envidraçada o que permite, através de determinadas estratégias de marketing, a divulgação de novos produtos e/ou serviços farmacêuticos. Habitualmente são as empresas farmacêuticas que procedem à alteração das mesmas. As montras contemplam informação aos utentes de modo a captar a atenção dos mesmos, com temas e produtos alusivos a cada época do ano. O interior da farmácia é de fácil acesso para todos os utentes, incluindo aos cidadãos portadores de deficiência, por dispor de uma rampa de acesso. Para garantir estacionamento a todos os clientes, a Farmácia Oliveira, dispõe de parque de estacionamento privado, permitindo desta forma a acessibilidade e comodidade de todos os utentes que aí se dirijam.

2.4.2. Espaço Interior

O espaço interior da Farmácia Oliveira tem uma apresentação cuidada e transmite conforto. Segundo o artigo 29º do Decreto-Lei nº 307/2007, de 31 de Agosto de 2007 [6, 7], as farmácias devem dispor de instalações que promovam a segurança, conservação e preparação dos medicamentos, assim como garantir uma boa acessibilidade, comodidade, privacidade dos utentes e respetivo pessoal. A temperatura e humidade adequada para a conservação dos medicamentos é garantida pelo sistema de climatização, ao mesmo tempo, proporciona uma temperatura agradável para os utentes e funcionários.

A farmácia dispõe de uma zona de atendimento ao público, com seis balcões, cada um deles com o respetivo computador, aparelho de leitura ótica, impressora de recibos/faturas e terminal multibanco. Todos os balcões estão ligados à caixa de pagamento automático e na parte inferior dos balcões existem gavetas para arrumação de vários produtos (como testes de gravidez, preservativos, termómetros, entre outros), que permitem um acesso mais fácil e rápido. Atrás dos balcões de atendimento encontram-se lineares e gavetas, com vários produtos expostos desde dermofarmácia e cosmética, produtos capilares, suplementos e um linear destinado a produtos veterinários. Ainda na zona de atendimento, imediatamente atrás do balcão, existe uma área dedicada à exposição de vários medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM), que vão variando conforme a estação e picos de venda. Estes produtos estão devidamente protegidos do alcance dos utentes e, incluem produtos para a higiene do sono, obstipação, tosse, alergias e constipações.

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Próximo da entrada, encontra-se uma balança/tensiómetro automático, que permite medir simultaneamente a pressão arterial, a altura, o peso e consequentemente o Índice de Massa Corporal (IMC). O espaço circundante da área de atendimento permite a exposição de diversos produtos e marcas. Nas diversas gôndolas existentes são colocados produtos periodicamente, de acordo com a época do ano em questão ou com algum tema inerente.

A Farmácia dispõe de um gabinete de atendimento personalizado, um escritório da direção técnica, uma zona de receção e conferência de encomendas, armazém, laboratório e instalações sanitárias.

O gabinete de atendimento personalizado é o local destinado a um atendimento individual e diferenciado. Qualquer utente pode dirigir-se a este gabinete sempre que surja uma situação de cariz confidencial. Ainda neste espaço é possível a realização de testes e parâmetros bioquímicos, como o teste de colesterol, triglicerídeos, glicémia, mas também, medição da tensão arterial e a administração de injetáveis. Quinzenalmente são prestados serviços de acompanhamento nutricional pela nutricionista Sara Leal.

O escritório da direção técnica é o local utilizado para questões relacionadas com a gestão, administração e contabilidade da farmácia, assim como, para receber os Delegados de Informação Médica e entre outros contactos decorrentes ao bom funcionamento da farmácia. Neste espaço há um terminal informático e ainda arquivos de documentação, bem como parte da bibliografia obrigatória da farmácia, da qual faz parte a Farmacopeia Portuguesa e outros documentos indicados pelo INFARMED, de acordo com o Decreto-Lei nº307/2007, de 31 de Agosto [6]. Para além desta, também é possível encontrar o Formulário Galénico Nacional, o índice Nacional Terapêutico, o Simposium Terapêutico, o Prontuário Terapêutico Veterinário e as Boas Práticas em Farmácia Comunitária.

A zona de receção e armazenamento de encomenda faz-se pelos dois pisos da Farmácia Oliveira onde se procede à receção, verificação e armazenamento dos produtos rececionados. É aqui que se faz a verificação e organização do receituário. Esta zona é constituída por gavetas extensíveis, gavetas verticais, prateleiras para armazenamento de produtos de saúde, sujeitos ou não a receita médica. Estes são organizados pela forma farmacêutica, por ordem alfabética e pela regra “first expire, first out”.

A Farmácia Oliveira possui um sistema de armazenamento e distribuição automático, o robô ROWA VMAX, que permite um armazenamento otimizado com capacidade para cerca de dezanove mil medicamentos, rentabilizando ao máximo a área ocupada. Diariamente, são introduzidos medicamentos para evitar faltas, o que nem sempre é possível pela grande quantidade e diversidade de produtos existentes.

Ainda na zona de armazenamento, encontra-se o frigorífico, que contém todos os medicamentos termolábeis que necessitam de ficar armazenados a baixas temperaturas (2 a 8 °C). Está equipada com computadores, sensores de leitura ótica, telefone, impressora de etiquetas, impressoras e fax, que auxiliam no cumprimento de todas as tarefas.

O laboratório de manipulação da Farmácia Oliveira contém todo o material mínimo obrigatório, de acordo com a Deliberação nº1500/2004, 7 de Dezembro [8]. Dispõe, de uma bancada, uma pedra de mármore facilmente lavável, um lavatório, gavetas e armários onde se encontra o material

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necessário para a preparação dos manipulados, o material de acondicionamento e rotulagem, e as matérias-primas para manipulação, devidamente identificadas. O laboratório possui uma pequena biblioteca de apoio, onde são guardados os registos de manipulados, as fichas das matérias-primas e os respetivos boletins analíticos.

2.5. Sistema Informático

O sistema informático utilizado na Farmácia Oliveira é o Sifarma2000® da Glintt (Global

Intelligent Technologies), fornecido pela Associação Nacional de Farmácias (ANF). O Sifarma2000®

apresenta inúmeras funcionalidades, tanto a nível de gestão administrativa, quer a nível científico e técnico, pois permite auxiliar tarefas relacionadas com o processamento de encomendas, acompanhamento das vendas, procura de produtos por DCI ou nome comercial, atualização de stocks, automatização nos despachos e portarias, rever vendas efetuadas, realizar encomendas instantâneas, efetuar a faturação dos organismos e emissão dos verbetes para o fecho de lotes, entre outras vantagens, permite executar diversas atividades com a maior rapidez, eficiência e de forma mais clara. O programa possibilita a criação de ficha do utente, a verificação de vendas anteriores, e em caso de dúvida, a ponderação de contraindicações, interações, posologia, reações adversas, que auxilia nas decisões de dispensa. Na Farmácia Oliveira existem oito computadores equipados com o sistema informático e cada profissional possui uma senha pessoal que utiliza sempre que vai utilizar o sistema, para que haja maior segurança e um maior controlo de todas as operações efetuadas.

Ao longo do estágio tive a oportunidade de explorar algumas das funcionalidades do programa Sifarma2000® como o atendimento, a consulta de informação no ato da dispensa da medicação,

abertura e gestão de fichas de clientes, gestão de stocks, fecho de lotes e impressão de verbetes.

3. Gestão e Aprovisionamento de Medicamentos e Produtos de Saúde

A gestão de uma farmácia é um procedimento fundamental que assume um especial destaque nos dias de hoje. É um processo complexo e dinâmico, que exige a avaliação de múltiplos fatores tendo por objetivo garantir uma maior rentabilidade e sustentabilidade da farmácia, sem prejuízo dos utentes a nível económico e da sua saúde.

3.1. Gestão de Stocks

Uma correta gestão de stocks é fundamental para garantir a sustentabilidade financeira da farmácia, contrariando a sucessiva redução dos ganhos das margens financeiras e o aumento da concorrência direta.

O stock representa as quantidades existentes de um determinado produto. Para uma boa gestão de stocks, deve-se manter quantidadede produto que evite a rutura de stock, que satisfaça as necessidades dos utentes, facilite a rotatividade do produto e evite a acumulação por excesso, que pode resultar em perdas por fim do prazo de validade. O nível de stock de um produto é influenciado

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pela época sazonal, rotatividade do produto, movimento diário, bonificações, campanhas publicitárias, necessidades dos clientes e pelas melhores condições de pagamento.

O Sifarma2000® permite avaliar o volume de compras e vendas mensais, analisar o tempo médio de existência de um produto, o valor dessa mesma existência e a respetiva rotatividade. Desta forma, os processos de compra e venda estão na base da gestão de stocks e por isso, são estabelecidos níveis de stocks mínimos e máximos tendo por base a rotatividade do produto existente. Quando um produto atinge o valor mínimo, é feita automaticamente uma proposta de encomenda diária, sujeita a aprovação pelo profissional responsável, que após verificar o nível de stock desse produto e a sua rotatividade, pode ainda consultar as condições de venda dos diversos fornecedores, através do Sifarma2000®. Durante o estágio tive a oportunidade de participar na gestão de stock dos produtos, nomeadamente, deteção de erros de stock, análise da rotatividade e reajuste dos stocks mínimo e máximo nas respetivas fichas de produtos.

3.2. Encomendas

3.2.1. Realização de Encomenda

A aquisição de medicamentos e/ou produtos de saúde apresenta-se como a base de uma farmácia comunitária, na qual os fornecedores desempenham um papel crucial. Uma encomenda pode ser realizada diretamente aos distribuidores grossistas ou aos laboratórios/ representantes da marca. Obter os produtos diretamente dos laboratórios tem vantagens a nível económico. No entanto as quantidades encomendadas têm de ser bastante superiores para que haja bonificações, o que se justifica para produtos com grande número de vendas. A seleção dos fornecedores é feita tendo em conta o serviço prestado, o tempo de entrega das encomendas, o stock disponível, a diversidade de produtos disponibilizados, o cumprimento da data e hora de entrega dos produtos, a facilidade de devoluções e as condições de compra que são apresentadas, nomeadamente o preço praticado, as bonificações e descontos.

As encomendas diárias são geradas com base no balanço entre os stocks mínimos e máximos dos diversos produtos, pelo Diretor Técnico, pela farmacêutica adjunta ou por outro profissional responsável. Quando um determinado produto atinge o stock mínimo este é automaticamente inserido pelo sistema informático na encomenda diária, sujeita a aprovação pelo profissional responsável. Os principais fornecedores da Farmácia Oliveira são a Alliance Healthcare, Botelho & Rodrigues, OCP Portugal, Medicanorte, e A. Sousa, sendo estes os que têm maior capacidade de resposta às necessidades da farmácia. O facto de serem realizadas encomendas instantâneas a diferentes fornecedores, traz benefícios na medida em que, satisfaz as necessidades específicas dos utentes em determinados produtos que não estejam disponíveis na farmácia ou que apresentem uma procura de caráter esporádico.

Podem também ser realizadas encomendas diretas, através dos delegados de informação médica dos laboratórios que representam aquando estes se deslocam à farmácia, dando a conhecer as melhores condições de compra, descontos e bonificações para que a farmácia alcance uma maior margem de lucro, verificando também se está tudo conforme o nível dos stocks e apresentam novos

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produtos caso existam. Ao longo do estágio aprendi a fazer encomendas diárias aos armazenistas preferenciais.

3.2.2. Receção de Encomendas

A receção de encomendas é uma das etapas mais importantes do processo de gestão de uma farmácia. A receção e confirmação de encomendas, permite verificar se os produtos recebidos correspondem aos solicitados e garante uma atualização constante dos stocks. As encomendas chegam à farmácia em horário previamente definido pelos fornecedores, que as entregam em banheiras resistentes e/ou caixas de cartão devidamente isoladas. As banheiras chegam devidamente identificadas com o nome do grossista, nome da farmácia e o código de barras correspondente. Todas as encomendas fazem-se acompanhar por uma guia de remessa ou fatura, um original e um duplicado. As faturas chegam à farmácia, devidamente numerada e identificada com o nome do fornecedor, informação da farmácia, identificação dos produtos faturados, através do Código Nacional Português (CNP), a quantidade pedida e a quantidade enviada, o preço de venda à farmácia (PVF), o preço de venda ao público (PVP), Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), descontos ou bonificações e descrição dos produtos esgotados. Na eventualidade da fatura estar em falta, deve-se contactar o armazém para o envio da mesma ou então através do site do mesmo, e acedendo com o login atribuído à farmácia, retirar a 2ª via da fatura correspondente.

Na farmácia Oliveira a receção de encomendas faz-se através do Sifarma2000® na ferramenta “receção de encomendas”. Se a encomenda tiver sido requerida por via informática através do Sifarma2000®, esta vai constar na lista de encomendas pendentes, pronta a ser rececionada. Para a receção é necessário colocar o número de identificação da fatura e o valor total, e em seguida pode-se ler cada produto através do leitor ótico ou introduzir manualmente o CNP. Durante a receção é necessário verificar a integridade dos produtos, o prazo de validade e o PVP dos produtos, atualizando-os sempre que necessário. Após a validação de todatualizando-os atualizando-os produtatualizando-os, deve colocar-se o PVF, que vem na fatura e comparar a quantidade de produtos que entraram com os descritos na fatura. O sistema informático faz a soma do PVF de todos os produtos e totaliza o valor final. Caso esteja tudo conforme pode-se finalizar e confirmar a receção de encomenda, no caso de ocorrer alguma inconformidade, como por exemplo, validade expirada ou muito curta (inferior ou igual a três meses), embalagem danificada, produto pedido por engano, faturação de um produto não enviado ou receção de um produto não faturado, deve-se contactar o responsável pelo envio, colocando-o ocorrente da situação e solucionar. Na ocorrência de produtos danificados ou com alguma irregularidade, emite-se uma nota de devolução que é enviada ao fornecedor juntamente com o produto e com uma justificação válida.

Os psicotrópicos e estupefacientes, quando presentes na encomenda, são sempre acompanhados por uma requisição em duplicado, em que o original fica arquivado na farmácia por 3 anos, de acordo com a legislação em vigor, e o duplicado é devolvido ao distribuidor. No caso destes medicamentos, ao terminar a receção da encomenda, o sistema informático pede, automaticamente, o número de requisição destes produtos. Estes registos terão de ser enviados ao INFARMED nos prazos estabelecidos. Para os produtos novos, cria-se uma ficha de produto, na qual se coloca o nome do produto e informações do mesmo, o preço de custo, PVP, IVA, prazo de validade, stock máximo e

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mínimo e impressão da etiqueta caso necessário. A impressão da etiqueta é necessária nos produtos que não vem com o PVP marcado. Esta menciona o nome do produto, CNP, PVP, IVA a que está sujeito e o código de barras.

Realce-se que todos os originais das faturas são assinados, datados e arquivados na farmácia. No início do mês, o fornecedor envia um resumo das faturas do mês anterior e o valor total a pagar.

3.2.3. Armazenamento de Encomendas

Após a receção e conferência da encomenda, os produtos são armazenados de acordo com as exigências específicas como, temperatura inferior a 25ºC, humidade relativa a 60% e sem contato com a luz solar, descritas nas BPF. Para medição destas temperaturas, e de modo a verificar que se encontram em condições ideais, existem termohigrómetros em locais específicos da farmácia que são analisados semanalmente.

O armazenamento é importante para o funcionamento da farmácia porque promove a rapidez na procura pelo produto certo, dispondo de mais tempo para o utente. Os produtos são armazenados no robô, gavetas, lineares e armários.

Os restantes produtos são colocados em prateleiras, no piso inferior, seguindo a regra do First Expire, First Out (FEFO), isto é, os produtos com prazo de validade mais curto são colocados à frente para que sejam prioritários no momento da venda e dispensados em primeiro lugar. No caso do robô, antes de introduzir o produto coloca-se o prazo de validade do mesmo e no ato da dispensa ele fornece o produto com validade mais próxima.

Os produtos de frio são os primeiros a ser armazenados. Para isso, a farmácia dispõe de um frigorífico com temperatura adequada à sua conservação, de 2 a 8ºC. O frigorífico está organizado com cestas e prateleiras, de modo a separar os produtos por categorias, como colírios, vacinas, injetáveis, entre outros.

O armazenamento de medicamentos e produtos de saúde foi muito importante aquando o início do meu estágio, na medida em que me permitiu garantiu um primeiro contacto com todos os produtos da farmácia, familiarizando-me com os nomes dos medicamentos e associando-os à substância ativa.

3.3. Gestão de Preços

No caso dos MSRM, a Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (INFARMED) estipula um preço máximo autorizado para todas as farmácias.

Nos MNSRM, PVP é calculado tendo em conta o PVF, o IVA a que o produto está sujeito, as margens de lucro interna e condições especiais dos fornecedores. Assim, os MNSRM podem ter preços diferentes de farmácia para farmácia.

3.4. Gestão dos Prazos de Validade

O controlo de prazos de validade é uma tarefa que é realizada regularmente permitindo assegurar um acesso seguro e eficaz ao medicamento, garantindo a sua qualidade, e evitando desperdícios. O controlo dos prazos de validade é realizado na receção dos produtos, em que é inserido

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o prazo de validade no Sifarma2000® e também no armazenamento no robô, onde se insere o prazo

de validade do produto que vai entrar.

Mensalmente são impressas as listagens composta pelos produtos existentes na farmácia cujo prazo de validade expira num período de três meses, designando o local onde se encontram, a quantidade e o prazo de validade dos produtos. Estes produtos, prestes a perder a validade, são procurados e retirados dos locais onde se encontram e colocados dentro de “banheiras” referem “Prazos de Validade a terminar”. Posteriormente, é feita a devolução desses produtos tendo em consideração os respetivos fornecedores, que podem aceitar ou não aceitar a devolução dos produtos.

3.5. Devolução de Produtos

Os motivos que justificam a devolução de produtos ao respetivo fornecedor são variados, tais como, prazo de validade curto ou ultrapassado, produto alterado, receção de um produto não encomendado, erro no pedido, receção de produtos superior à encomendada, remarcação de PVP, embalagem danificada ou incompleta, notificação por ordem do INFARMED ou do detentor do AIM para retirada de produtos do mercado.

Para proceder à devolução recorre-se ao Sifarma2000®, local destinado às devoluções. Neste item seleciona-se o fornecedor ou laboratório a que é feita a devolução e insere-se o produto através do código ou pela leitura do código de barras, mencionando sempre a quantidade e o motivo pelo qual vai ser devolvido. Por fim, confirma-se a devolução e os produtos em questão que deixam de constar no stock da farmácia. A nota de encomenda deve ser emitida em triplicado para que uma seja anexada no arquivo da farmácia e outras duas acompanhem os produtos.

Posteriormente, e caso as devoluções sejam aceites, é emitida uma nota de crédito à farmácia obrigando a sua regularização no sistema informático ou são enviados produtos de substituição. No entanto, se não forem aceites, os produtos são reenviados à farmácia e ficam como quebras de stock da farmácia.

4. Dispensa de Medicamentos e Produtos de Saúde

Entende-se por dispensa de medicamentos “ato profissional em que o farmacêutico, após avaliação da medicação, cede medicamentos ou substâncias medicamentosas aos doentes”. A dispensa inclui MSRM e/ou MNSRM mediante prescrição médica, indicação farmacêutica ou em regime de automedicação [9].

A dispensa deve ser realizada de forma responsável, permitindo que o utente utilize o medicamento correto, de acordo com a orientação médica e farmacêutica, nos horários e quantidades especificadas, respeitando a duração do tratamento farmacoterapêutico.

4.1. Medicamentos sujeitos a receita médica

Os medicamentos sujeitos a receita médica (MSRM) são dispensados exclusivamente na presença de uma receita médica, uma vez que preenchem pelo menos um destes requisitos: necessitem de vigilância médica durante o tratamento; apresentem qualquer tipo de risco para a saúde,

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direta ou indiretamente, quando utilizados para fins terapêuticos diferentes daqueles a que se destinam; contenham substâncias, ou preparações à base dessas substâncias, cuja atividade e reações adversas não estejam devidamente documentadas; destinem-se à administração por via parentérica ou de natureza injetável [10].

Durante o estágio dispensei maioritariamente MSRM, tendo sempre o cuidado de confirmar a validade e legitimidade da prescrição médica, interpretando o tipo de tratamento e os propósitos do prescritor, procedendo à análise do regime farmacoterapêutico.

4.2. Medicamentos não sujeitos a receita médica

Os medicamentos não sujeitos a receita médica (MNSRM), são produtos destinados a um determinado fim terapêutico, mas que não possui qualquer tipo de comparticipação, salvo determinadas exceções que deverão ser devidamente justificadas.

Os MNSRM não exigem prescrição médica e adequam-se ao tratamento de problemas de saúde menores, sem grande gravidade. A lista de MNSRM é publicada anualmente em Diário da Republica, após aprovação do Ministério da Saúde [10].

O INFARMED reserva-se no direito de reclassificar os MSRM em MNSRM, dependentes de dispensa exclusiva em farmácia, atendendo ao seu perfil de segurança e indicações terapêuticas. Os MNSRM podem ser comercializados em locais autorizados pelo INFARMED, para além das farmácias, sob a supervisão de um farmacêutico ou técnico de farmácia [11]. No entanto, a partir de 2013 e de acordo o Decreto-Lei nº128/2013, de 5 de setembro, surgiram os MNSRM de dispensa exclusiva em farmácia (MNSRM-EF). Esta mudança permite salvaguardar os utentes, promover o uso racional do medicamento e possibilitar um aconselhamento adequado [11].

A cedência MNSRM pode ser feita pelo farmacêutico segundo prescrição médica, aconselhamento farmacêutico e/ou automedicação. Em qualquer um dos casos, cabe ao farmacêutico dispensar o medicamento de modo de modo a promover a resolução de um problema de saúde, considerado auto limitante e de curta duração, aliviando assim a sintomatologia associada. Para isso o farmacêutico tem de interpretar a patologia descrita, questionar sobre possíveis problemas de saúde já existentes, medicação habitual, os sintomas, a duração, entre outras questões que levam ao correto diagnóstico para uma correta indicação terapêutica e dispensa adequada [12]. Juntamente deve fornecer medidas não farmacológicas que são essenciais para a melhoria do estado de saúde do utente e também recomendar a ida ao médico, sempre que se justifique.

Ao longo do estágio dispensei diversos MNSRM, essencialmente por aconselhamento farmacêutico ou automedicação, neste processo transmiti toda a informação científica que achava relevante, de modo a promover não só a adesão à terapêutica, como também, o uso racional e seguro do medicamento em questão.

4.3. Medicamentos Psicotrópicos e Estupefacientes

Os medicamentos psicotrópicos e estupefacientes, exercem a sua ação ao nível do Sistema Nervoso Central, apesar de terem propriedades benéficas para a saúde os utentes, também têm riscos

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associados, como a habituação e a dependência física/psíquica. Por esta razão, são substâncias bastante controladas e apenas devem ser usados segundo indicação médica. Para o correto aprovisionamento deste tipo de medicamentos, o fornecedor envia uma requisição, em duplicado, dos medicamentos psicotrópicos e estupefacientes

Na dispensa destes medicamentos, procede-se ao registo na plataforma Sifarma2000 ® dos medicamentos a dispensar, gerando-se um formulário de preenchimento obrigatório com dados pessoais referentes ao doente, ao médico e ao adquirente. Caso os dados não estejam completos não é possível concluir a venda. Após finalizada a venda, é atribuído automaticamente um número sequencial de registo, e juntamente com o documento de faturação o sistema informático emite a impressão de um documento denominado de “Documento de psicotrópicos”, que deverá ser anexado a uma cópia da receita, no caso das receitas manuais. No caso das receitas eletrónicas, é emitido um documento onde ficam registados os dados relativos ao doente, à pessoa que levantou o medicamento e qual o medicamento em causa, assim como o nome do médico prescritor e técnico de saúde que fez a dispensa. Todos estes documentos necessitam ser arquivados durante 3 anos [13].

Trimestralmente, a farmácia tem que enviar ao INFARMED o registo/listagem das entradas de psicotrópicos e mensalmente, até ao dia 8 do mês seguinte à dispensa, tem que enviar o registo/listagem das saídas de psicotrópicos, com os dados e a digitalização das receitas manuais. O envio das receitas informatizadas relativas a estes fármacos só são enviadas até ao dia 8, do segundo mês, a contar do mês da listagem [14].

4.4. Medicamentos Manipulados

Um medicamento manipulado é qualquer fórmula magistral ou preparado oficinal cuja preparação e dispensa, segundo indicações compendiais de uma Farmacopeia ou Formulário, é da inteira responsabilidade do farmacêutico [15]. Os manipulados são importantes, para ajuste posológico, principalmente em pediatria e geriatria, associação de substâncias ativas inexistentes industrialmente, alteração de formas galénicas de modo a se adaptarem ao perfil fisiopatológico do doente, entre outros [16].

Quando são preparados é necessário preencher a ficha de preparação e elaborar o rótulo de identificação, que contém todos os componentes, posologia, via de administração, nome do médico e doente, quantidade dispensada, data de preparação, prazo de validade, condições de conservação, identificação da farmácia e do respetivo DT, e PVP. Este pode conter informações suplementares tais como “uso externo”, “agitar antes de usar”, “tóxico”, “manter fora do alcance das crianças”

A ficha de preparação é arquivada na farmácia por 3 anos, juntamente com uma fotocópia da receita médica.

A prescrição deste tipo de medicamentos, é através da receita médica comum, onde deve constar substância ativa, concentração, excipiente e forma farmacêutica. [17]. O PVP é determinado de acordo com a Portaria nº769/2004, de 1 de Julho, tendo em conta o valor dos honorários, das matérias-primas e do material de embalagem [18].

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Na Farmácia Oliveira, são preparados manipulados quase diariamente, num laboratório que reúne todas as condições necessárias para a manipulação e armazenamento dos mesmos, assim como todo o material e equipamento exigido.

Durante o estágio foram várias as oportunidades de preparação de manipulados como é exemplo a preparação de uma pomada de vaselina salicilada a 20%, a qual é usada no tratamento tópico de quadros de hiperqueratose.

4.5. Medicamentos e Produtos de Uso Veterinário

De acordo com o Decreto-Lei n.º 148 de 29 de julho de 2008, entende-se por medicamento veterinário “ (...) toda a substância, ou associação de substâncias, apresentada como possuindo propriedades curativas ou preventivas de doenças em animais ou dos seus sintomas, ou que possa ser utilizada ou administrada no animal com vista a estabelecer um diagnóstico médico-veterinário ou, exercendo uma ação farmacológica, imunológica ou metabólica, a restaurar, corrigir ou modificar funções fisiológicas.” [19].

Estes produtos podem ser dispensados através de receita ou aconselhamento, a pedido do utente. No ato da dispensa devem-se ter em conta fatores como o tipo de animal a que se destina, o peso, a idade, o modo de administração, e devem ser dadas todas as informações relevantes para que permita o uso correto dos mesmos.

A Farmácia Oliveira dispõe de uma zona inteiramente dedicada aos medicamentos e produtos de uso veterinário, devidamente separada dos medicamentos de uso humano e onde constam todos os produtos que se destinam ao uso animal.

4.6. Medicamentos Homeopáticos

O medicamento homeopático é obtido a partir de matérias-primas homeopáticas (por exemplo a arnica ou a calêndula), de acordo com um processo de fabrico descrito na farmacopeia europeia. A preparação dos medicamentos baseia-se em diluições sucessivas e vigorosas agitações, alcançando diluições decimais e até centesimais [9]. Este processo é constituído por três etapas, extração da matéria-prima, potencialização e impregnação da forma farmacêutica.

A homeopatia baseia-se no princípio “semelhante cura semelhante”, e defende que os medicamentos fornecem ao organismo pequenas quantidades do agente que provoca os mesmos sintomas em pessoas saudáveis e que ao estimular o sistema de cura natural, elimina-se a patologia. Os medicamentos homeopáticos podem ser introduzidos no mercado por um processo de registo simplificado, se não possuírem indicações terapêuticas e a sua forma farmacêutica e dosagem não apresentarem riscos para o utente, ou por apresentação de AIM, como acontece nos restantes medicamentos, se tiverem indicação terapêutica ou detiverem risco para o utente [20].

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4.7. Outros Produtos de Saúde

4.7.1. Produtos Cosméticos e de Higiene Corporal

Entende-se por produto cosmético “qualquer substância ou mistura destinada a ser posta em contacto com as partes externas do corpo humano (epiderme, sistemas piloso e capilar, unhas, lábios e órgãos genitais externos) ou com os dentes e as mucosas bucais, tendo em vista, exclusiva ou principalmente, limpá-los, perfumá-los, modificar-lhes o aspeto, protegê-los, mantê-los em bom estado ou corrigir os odores corporais.” [21].

As diversas marcas disponíveis no mercado possuem gamas muito variadas e abrangentes de produtos. Por isso, é necessário que o farmacêutico esteja sempre a par de todos os produtos de forma a satisfazer os requisitos de cada cliente, sendo fulcral a formação contínua de toda a equipa.

Durante o estágio procedi ao aconselhamento farmacêutico essencialmente ao nível de cremes diários para diferentes tipos de pele, produtos de limpeza, produtos de higiene oral e produtos para a queda de cabelo.

4.7.2. Produtos de Puericultura

Os produtos de puericultura destinam-se essencialmente a promover a saúde e o bem-estar desde o nascimento até aos primeiros anos de vida. Estes produtos encontram-se expostos na área inteiramente dedicada ao bebé, permitindo um acesso mais fácil e eficaz aos utentes. Neste local estão expostos biberões, tetinas, fraldas, chupetas, produtos de banho e hidratação corporal, bem como pratos, colheres, copos, papas, farinhas e boiões adequados às várias fases de desenvolvimento da criança.

Durante o estágio procedi ao aconselhamento farmacêutico essencialmente ao nível dos leites, papas e produtos de higiene e hidratação corporal.

4.7.3. Suplementos Alimentares e Produtos Fitoterapêuticos

O suplemento alimentar é um “género alimentício que se destina a complementar e/ou suplementar o regime alimentar normal, o qual constituí uma fonte concentrada de determinadas substâncias, nutrientes ou outras com efeito nutricional ou fisiológico, estremes ou combinadas, comercializadas em forma doseada, (...) que se destinam a ser tomados em unidades medidas de quantidade reduzida”, não podendo este apresentar qualquer atividade terapêutica, nem alegar qualquer tipo de medida preventiva, tratamento ou cura de doenças humanas e sua sintomatologia [22]. A Farmácia Oliveira dispõe uma grande variedade de multivitamínicos e suplementares, de forma a satisfazer as necessidades dos utentes.

Os medicamentos fitoterápicos são “medicamentos que têm exclusivamente como substancias ativas uma ou mais substâncias derivadas de plantas, uma ou mais preparações à base de plantas ou uma ou mais substâncias derivadas de plantas em associação com uma ou mais preparações à base de plantas” [23]. Existem cada vez mais procura por estes produtos, está em crescimento, mas é necessário que o farmacêutico saiba aconselhar qual a melhor opção de forma a não interferir com

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outros fármacos ou doenças que o utente possa ter. Do mesmo modo, é indispensável elucidar o utente de que apesar de ser um produto derivado de uma planta, também apresenta efeitos secundários, que podem ser perigosos para a saúde humana.

4.7.4. Produtos Dietéticos e de Alimentação Especial

Os produtos de alimentação especial são os géneros alimentícios com processos de fabrico e composição especial que se distinguem dos alimentos de consumo corrente, indicados para objetivos nutricionais específicos [24]. Os produtos de alimentação especial destinam-se a indivíduos cujo processo de assimilação se encontram alterados, ou apresentem condições fisiológicas especiais, podendo retirar benefícios de uma ingestão controlada destes produtos. Estes produtos podem ser administrados a lactentes e crianças com idade compreendida entre 1 a 3 anos de idade, que se encontram em bom estado de saúde

Estes produtos incluem os leites de transição, produtos para lactentes, intolerantes ao glúten, diabéticos e doenças hereditárias do metabolismo das proteínas e ainda os produtos dietéticos [24].

4.7.5. Dispositivos Médicos

Os dispositivos médicos são qualquer instrumento, aparelho, equipamento, software, material ou artigo utilizado isoladamente ou combinado, que se destinam a ser utilizados de modo a prevenir, diagnosticar, tratar ou atenuar uma doença humana, lesão ou deficiência, podendo ainda ser usados como controlo da conceção. Estes devem atingir o fim a que se destinam, sem que para isso evidenciem qualquer tipo de ação farmacológica, metabólica ou imunológica. Durante o estágio pude contactar com inúmeros dispositivos médicos disponíveis na Farmácia Oliveira, nomeadamente seringas, testes de gravidez, material de penso, entre outros [25].

5. Receituário: Conferência, Processamento e Faturação

5.1. Receita Médica e Prescrição

A receita médica é um documento que fornece a informação do (s) medicamento (s) prescrito (s) por um médico, de acordo com a necessidade terapêutica de cada utente [26]. Cabe ao farmacêutico interpretar e avaliar a prescrição médica, mas também clarificar todas as dúvidas do utente no momento da dispensa dos medicamentos. Os modelos de receita médica podem-se subdividir em três tipos diferentes: a receita por via eletrónica materializada, a receita por via eletrónica desmaterializada e a receita por via manual [27,28]. As receitas para serem válidas têm de conter o número da receita, local de prescrição ou código, identificação do médico prescritor, nome e número de utente e, se aplicável, a entidade financeira responsável e número de beneficiário, acordo internacional, sigla do país e alguns tipos de regimes especiais de comparticipação. Por receita manual não podem ser prescritos mais do que quatro medicamentos ou produtos de saúde diferentes, com o máximo de duas embalagens de cada, num total de 4 embalagens por receita [28]. No entanto, se os produtos forem de embalagem unitária, ou seja, destinados a uma única toma, podem ser prescritas até quatro embalagens do mesmo

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medicamento [28]. Apenas os MSRM requerem obrigatoriamente uma prescrição médica para serem dispensados pela farmácia, esta necessidade promove a utilização racional de medicamentos.

5.1.1. Receita Manual

A receita manual, pode ser excecionalmente utilizada, desde que devidamente justificada por uma destas situações: falência do sistema informático, inadaptação fundamentada do prescritor, prescrição no domicílio ou por prescrição de até 40 receitas por mês [27].

Ao longo do estágio aviei várias receitas manuais, tendo sempre cuidado de verificar denominação comum internacional da substância ativa, dosagem, forma farmacêutica, posologia, dimensão e número de embalagens, data de prescrição, assinatura autógrafa do prescritor, se aplicável, a denominação comercial do medicamento, bem como o regime de comparticipação. No final, procedia à impressão do documento de faturação no verso da receita, sendo obrigatoriamente assinado pelo utente. A receita médica manual deve incluir obrigatoriamente a vinheta do médico prescritor.

5.1.2. Receita Eletrónica Materializada

De entre as receitas médicas de prescrição eletrónica materializada é possível distinguir a receita médica materializada, utilizada na prescrição de tratamentos de curta duração com validade de 30 dias (detentora de um único exemplar) e a receita médica renovável materializada, utilizada na prescrição de tratamentos de longa duração ou de uso crónico com validade de 6 meses (detentora no máximo de três vias). De acordo com as normas para a atribuição do número da receita, estas prescrições apresentam um número de receita único, podendo ser renováveis se os medicamentos que contêm sejam destinados a tratamentos de longa duração, podendo apresentar até três vias, devidamente identificadas (1.ª via, 2.ª via, 3.ª via) [28, 29].

5.1.3. Receita Eletrónica Desmaterializada

De acordo com a Portaria nº 417/2015, de 4 de dezembro, foram recentemente estabelecidas novas regras de prescrição de medicamentos que obrigam à prescrição eletrónica de medicamentos, permitindo inserir, numa única receita, medicamentos comparticipados, não comparticipados e estupefacientes e psicotrópicos, sem limite de n

úmero de medicamentos prescritos [30]. Cada linha de prescrição pode conter até um máximo de duas embalagens. No entanto, se se tratar de um medicamento para tratamento prolongado podem ser prescritas até seis embalagens. Os medicamentos podem ser aviados todos de uma só vez ou apenas parte deles, ficando os restantes disponíveis até à data indicada [30].

A prescrição está acessível através da guia de tratamento, SMS ou email, e cada uma contem, o código de acesso, código da dispensa e o código de direito de opção, bem como os todos os medicamentos com a respetiva posologia e quantidades [29]. A Base de Dados Nacional de Prescrições atribui a cada receita um número único constituído por 19 dígitos e adicionalmente uma codificação específica a cada linha [29]. Os softwares de prescrição médica validam e registam a receita no sistema central de prescrições (Serviços Partilhados do Ministério da Saúde) [30].

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Nas vantagens deste tipo de prescrição incluem-se a maior monitorização dos medicamentos, diminuição dos custos, diminuição de erros na comparticipação, entre outros. No entanto, as principais limitações incidem no facto dos utentes não terem possibilidade de saber o que está prescrito e a validade da prescrição.

Nos termos previstos pela lei é possível distinguir dois tipos de regime de comparticipação: o regime normal e o regime especial.

5.2.1. Regime Geral de Comparticipação

O Estado, através do SNS, assegura a comparticipação do regime geral, garantindo o pagamento de uma percentagem do PVP dos medicamentos de acordo com o escalão de comparticipação, que é definido em função da classificação farmacoterapêutica do fármaco em questão. O regime geral está subdividido em quatro escalões: Escalão A, B, C e D cujo regime de comparticipação é de 90%, 69%, 37% e 15%, respetivamente [31].

5.2.2. Regime Especial de Comparticipação

Os pensionistas, com rendimentos totais anuais não superiores a catorze vezes a retribuição mínima mensal, beneficiam de um regime especial de comparticipação. Este é identificado pela presença da letra “R” ou de uma vinheta de cor verde, que deverá vir inscrita na receita médica.

O regime de comparticipação acresce 5% no escalão A e 15% para o escalão B, C e D. Para estes, a comparticipação também é de 95% para os medicamentos que o PVP seja igual ou inferior ao quinto preço mais baixo do grupo homogéneo [32].

As pessoas com doenças específicas, como para indivíduos com esclerose múltipla, Alzheimer ou psoríase, são abrangidas pelo regime especial de comparticipação, devem na receita apresentar a letra ”O” e no local referente à designação do medicamento sujeito a comparticipação, a indicação da portaria, do despacho ou do decreto de lei associado. Neste caso, adicionalmente ao regime normal de comparticipação acresce 5% ao escalão A e 15% aos escalões B, C e D [33

].

5.2.3. Outros Regimes de Comparticipação

Muitos utentes beneficiam de complementaridade na comparticipação do SNS por outros regimes de comparticipação, designados de subsistemas de saúde, criados no âmbito de várias entidades (SAMS NORTE, SAMS Quadros, Medis®, MultiCare®, CTT, SÃVIDA, Serviços Sociais da Caixa Geral de Depósitos, entre outros). Nestes casos, o utente deverá apresentar o cartão de beneficiário do seu subsistema de modo a poder usufruir da comparticipação pelo organismo complementar [34, 35].

Existem ainda outros regimes de comparticipação para os utentes: 30% do PVP dos medicamentos manipulados cuja formulação esteja integrada na lista a aprovar anualmente por despacho do membro do Governo responsável pela área da saúde; 85% do PVP das tiras-teste para o autocontrolo da diabetes Mellitus; 100% do PVP de seringas, lancetas e agulhas para a monotorização

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dos níveis de glicémia em doentes com Diabetes Mellitus e 100% do PVP de produtos dietéticos com caráter terapêutico e com prescrição em locais específicos [34].

Na Farmácia Oliveira os utentes são maioritariamente comparticipados pelo Sistema Nacional de Saúde, mas uma percentagem significativa é comparticipada pelos organismos complementares anteriormente enunciados.

A análise individual das receitas manuais e materializadas permite verificar se o documento de faturação foi corretamente impresso, se todos os medicamentos foram devidamente dispensados e se as exceções, portarias e comparticipações foram devidamente assinaladas. Para isso, na conferência do receituário deve-se verificar se as receitas estão assinadas, datada e carimbada pelo profissional de saúde que dispensou, assinada pelo utente, se a medicação prescrita é a mesma que a aviada, assim como o número de embalagens, prazo de validade e se a comparticipação efetuada corresponde ao organismo. Cada receita validada, apresenta impresso no verso a identificação do número, série e lote [30, 35].

As receitas são posteriormente divididas por lotes, sendo que cada lote é constituído no máximo por 30 receitas, agrupadas por ordem crescente de número de receita. Depois das receitas terem os lotes completos e conferidos, no fim de cada mês procede-se ao fecho dos lotes através do programa informático disponibilizado às farmácias, o Sifarma2000®, e é impresso um documento de identificação, o verbete, de cada lote que é carimbado e anexado ao lote correspondente [30, 35].

As receitas comparticipadas pelo SNS são enviadas, para a Administração Regional de Saúde do Norte, e todo o receituário das restantes entidades são enviadas para os Serviços de faturação de Entidades da Associação Nacional das Farmácias. Este envio é necessário para que a farmácia receba a parte do valor do medicamento que é comparticipado e não é pago pelos utentes. As entidades verificam as receitas que foram enviadas pela farmácia para que esta receba as comparticipações respetivas. Quando estas não se encontram em conformidade com as normas decretadas, são devolvidas e a farmácia perde o valor da comparticipação, assumindo o prejuízo [30, 35].

6. Serviços Farmacêuticos

De acordo com o artigo nº 2, da portaria nº 1429/2007, de 2 de novembro, “as farmácias podem prestar serviços farmacêuticos de promoção da saúde e do bem-estar dos utentes em condições legais e regulamentares, e por profissionais legalmente habilitados” [36].

Os serviços farmacêuticos incluem apoio domiciliário, primeiros socorros, administração de medicamentos, utilização de meios auxiliares de diagnóstico e terapêutica, administração de vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação, programa de cuidados farmacêuticos, programas de cuidados farmacêuticos, campanhas de informação e colaboração em programas de educação para a saúde [36].

A Farmácia Oliveira disponibiliza vários serviços, que permitem a promoção da saúde e bem-estar. Os serviços farmacêuticos são prestados no gabinete de atendimento personalizado, sendo os mais frequentes, a medição da pressão arterial, determinação do colesterol total e de glicemia. A

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Farmácia Oliveira, para além dos serviços farmacêuticos convencionais, dispõe de consultas de nutrição.

6.1. Determinação da Tensão Arterial

A hipertensão arterial é uma doença silenciosa, de forma a prevenir e atuar na fase inicial da doença, mas também para avaliar a efetividade da terapêutica é indispensável o controlo da pressão arterial [37]. Ao longo do estágio tive oportunidade de medir a pressão arterial, e para isso

recorri a um

tensiómetro automático de braço, de seguida

pedia ao utente para se sentar, calmamente, e verificava se este estava confortável e/ou necessitava de algum tempo de repouso, colocava a braçadeira e apoiava o braço na mesa de preferência à altura do coração. Sempre que os valores obtidos eram muito elevados aconselhava o utente a dirigir-se ao médico.

6.2. Determinação da Glicémia

A diabetes é uma doença crónica que se caracteriza pelo aumento dos níveis de glicose no sangue. O controlo das glicemias é indispensável em indivíduos diagnosticados com diabetes, mas também é um importante parâmetro de controlo e atenção para a população em geral [38].

Na Farmácia Oliveira, a determinação da glicémia é realizada através de um medidor capilar. Após medição e interpretação dos resultados, é feita um aconselhamento, relativo a algumas medidas não farmacológicas para que os níveis se mantenham normais.

6.3. Determinação do Colesterol e Triglicerídeos

A avaliação do colesterol total na farmácia, permite à população monitorizar, facilmente, eventuais patologias. Níveis elevados de colesterol podem acarretar diversas complicações, principalmente a nível cardiovascular [39]. A Farmácia Oliveira dispõe de um equipamento adequado e sofisticado, o CR3000®, da empresa Callegari, que é um aparelho rigoroso para executar estas medições. É feita uma recolha de amostra de sangue para um capilar, que por sua vez é colocado num tubo de reagente hermeticamente fechado. Depois de alguns minutos em repouso, é lida a absorvência, permitindo a obtenção de resultados muito rapidamente e com maior precisão.

6.4. Determinação do Peso, Altura, Índice de Massa Corporal e Composição

Corporal

O controlo de peso e perda de peso inquieta cada vez mais a população, o que pode prevenir o desenvolvimento de futuras doenças e o mantimento de uma vida saudável. Assim, a Farmácia Oliveira disponibiliza uma balança, perto da entrada da área de atendimento, para que todos os utentes, de forma individual ou com a ajuda do profissional de saúde, a queiram usufruir.

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6.5. Administração de Vacinas e Injetáveis

A administração de vacinas não incluídas no Plano Nacional de Vacinação e injetáveis é uma atividade disponibilizada aos utentes da Farmácia Oliveira. A administração destes medicamentos é apenas realizada por funcionários com formação específica. Ao longo do estágio, os injetáveis mais administrados eram

Lovenox®, Neurobion®, Relmus® e Voltaren®.

7. Valormed®

A Valormed® é uma sociedade sem fins lucrativos e gestora do Sistema da Gestão dos Resíduos de Embalagens vazias e de Medicamentos (SIGREM) fora de uso e/ou validade. Neste subsistema estão abrangidos os resíduos das embalagens primárias de medicamentos de uso humano, sujeitos ou não a receita médica, que se traduzem nas vulgares embalagens de venda ao público na sua apresentação mais completa. Além destas, incluem-se também as embalagens de medicamentos e produtos de uso veterinário, prazo de consumo ou de validade se encontra ultrapassado [40].

A Farmácia Oliveira dispõe de um contentor permanente da Valormed®, garantindo a recolha assistida de restos de medicamentos fora de uso e de resíduos de embalagens.

Quando estes contentores atingem o limite da sua capacidade, é procedida a selagem do mesmo, garantindo que não seja aberto até que chegue ao destino.

Em cada contentor completo, temos se imprimir a ficha de identificação no Sifarma2000®, onde

é recolhido o número de série do contentor, sendo que cada contentor tem o seu próprio número de série, e escolhemos o organismo que queremos que o recolha, que no caso da Farmácia Oliveira é a Alliance Healthcare. Por último, a ficha é assinada pelo responsável da selagem e quando for feita a recolha é igualmente assinada por quem recolhe o contentor [41].

Ao longo do estágio percebi que muitos dos utentes da farmácia já estão sensibilizados para esta temática, dirigindo-se muitas vezes à farmácia apenas para entregar medicamentos que já não usam ou estão fora do prazo de validade.

8. Cartão Farmácias Portuguesas

A Farmácia Oliveira aderiu ao projeto Farmácias Portuguesas que contempla o Cartão Saúda, este permite a acumulação de pontos na compra de MNSRM, no aviamento de receitas, entre outros produtos. Os pontos podem ser trocados por vales, por artigos ou serviços que constem no catálogo Farmácias Portuguesas [42].

9. Formação Contínua

Durante o estágio na Farmácia Oliveira tive a oportunidade de frequentar, várias formações promovidas pelos laboratórios farmacêuticos (tabela 1). Estas formações permitiram conhecer novos produtos, clarificar conhecimentos e dúvidas existentes para melhorar o meu desempenho profissional aquando do atendimento e aconselhamento farmacêutico.

Referências

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