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LULA
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Publicação Mensal
Estados Unidos do Brazil
^evisla do ©reinio dos iVoíesÃores íttljieoi
DO
Estado do Paraná
Director: — Daria Vell&zo
ANNO I
—
Coritiba, Agosto de 1906
—
NUM. 7
SUMMULA:
I—Da Redacção
119
W—Alcacer Kibir, Veríssimo de Souza..
.,
119
Curso de Pedagogia:
III—Licção I—Methodos, Esther Pereira
122
IV—Lieçâo 11—Leitura e Eseripta, .loanna Falee ..
.. 126
V—O Segredo da Vietoria, (Japão)
129
VI—NOTICIÁRIO
132
Vil—EXPEDIENTE OFFÍGIAL
134
. * >-Assignaluras:
Anno
íi$000
Semestre.
.
.
.
.
4$000
REDACÇÃO:—Kua Silva «-Jardim, ri. 108
ESCRIPTORIO :—Avenida Luiz Xavier, n. 81
1
..?ii\^ v^/\\J 1 -EL» l\ iVl. \ i\ IwxN J. JDrf «^-l-«B»»M«««M»MW«".^..«l.»-"l~««"»—.~"^"^^«^>^«^l''«.^1^"
Inst ru<•<•.*.<> l»iiblicn do Paraná Secretario do Interior : Dr. Bento Lamenha Lins. Director Geral: Dr. Arthur Pedreira de Cerqueira. Inspector da Capital: Dr. Sebastião Paraná.
Secretario : José Conrado de Souza,
l)ii»eeloi*in «Io <-.< mio dos l»i'oles«ores Presidente : Júlio Theodorico Guimarães.
i.° Secretario: Veríssimo de Souza. 2.0 Secretario : Lourenço de Souza. Thesoureiro : Bra/ilio Costa.
n\ liseola»
O Noticiário-—a. cargo do Professor Júlio Th. Guimarães.
O Expediente official—-a cargo do Prof. Francisco Guimarães. A Expedição e"Secretaria — a cargo do Professor Veríssimo de Souza.
A Escola deixará de publicar artigos que não tragam a assi-Érnâturâ do auetor.
Aos Srs. Cõllaboradores pedimos enviar os trabalhos, até 15 de cada mez, á Redaccão :—Rua Silva Jardim, 108.
O thesoureiro do Grêmio acha-se á disposição dos srs. sócios para . o recebimento de suas mensalidades, nesta Capital, á rua
Misericor-dia n.° 5. _____
. Os membros da Directoria offerecem seos serviços aos srs. so-cios para o fim de receberem seos vencimentos.
Os srs. sócios que quizerem utilizar-se desses serviços queiram enviar-nos procurações devidamente legalizadas, bem como instru-cções referentes á remessa do dinheiro.
m !¦!—¦ ...i-i 1 11 —
Escolas publicas cio districto da Capital, professores
<|uc
as reçjem e looares onde íuneeionaiii
Cadeiras para o sexo masculino :
1.* Brazilio Ovidio da Costa—Rua Garibaldi. 2.a Veríssimo de Souza—Avenida Luiz Xavier. 3.» Lourenço de Souza—Rua America.
4* Júlio Theodorico Guimarães—Escola Oliveira Bello.
i* LindolphoP. da Rocha Pombo—Grupo Xavier da .Silva.
Cadeiras para o sexo feminino :
1.» Julia Wanderley Pétrich—Escola Tiradentes.
2.a Maria da Luz Ascensão—Rua Marechal Deodoro. 3.^ Esther Pereira—Rua Visconde de Guarapuava. . 4v» Itacelina Teixeira—Avenida Luiz Xavier,
-ANNO I —«»— Coritiba, Agosto de 1906 — «»•—
Num. 7
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• ¦
ESCOLA
Be vista do Grêmio dos Professoras Públicos do Estado do Paraná
¦
Coritiba, Agosto de 1906.
Solicitado pelo actual Presidente do Grêmio dos Professores
Publtcós, distineto professor normalista. Júlio Theodorico
Guima-rães, bom companheiro e amigo, dc ha vinte annos, para substituir,
na direcçâo desta Revista, a outro carinhoso companheiro e amigo
dos tempos escholares, Dr. Sebastião Paraná,—acceitei o convite, na
esperança de algo tentar em prol da instrucçâo no Estado.
Penso, esta publicação deve tornar-se o elo cohesivodo
profe-ssorado, ministrando tambem ensinamentos que nào só recordem aos
mestres os ensinamentos recebidos, ampliando-os de accordo com
os dados da Pedagogia hodierna; como orientem aquelles que na
Es-cola Normal se habilitam ao magistério.
A Escola só pode ser uma revista didactica. Fazel-a necessária
aos professores eutil aos alumnos, é meta que procurarei attingir,
graças ao corpo de illustres collaboradores.
Dario Vellozo.
Alcacer Kibir
6 z^^t(§^^^£%^^ijyw^—c)
Ao meo illustrado amigo e distineto conterrâneo o Sr. Dr. Azevedo Macedo.
Em escripto anterior dissemos que a Historia do Brazil de
Lacer-da muito deixa a desejar quanto á forma e ao fundo, e apontámos mais
de um erro histórico contido no capitulo de Caramurú.
Desejamos hoje projectar um raio de luz da Historia sobre outro
tópico do referido livro, para assim supprirmos nesse particular a
obscuridade dessa obra,.tão falha de clareza.
Vae o menino estudando o primeiro perioJo desse livrinho, e
chegando ao governo de Lourenço da Veiga, lê que por esse tempo
«se deo na África a batalha de Alcacer Kibir, na qual pereceo D.
Se-bastião», e que lhe suecedeo a cardeal D. Henrique, e que
aestesu-ccederam os Felippes de Hespanha.
Mas a intelligencia infantil não se satisfaz com um quadro assim
apresentado immerso em tão densas trevas.
**"
O Conselheiro J. M. Pereira da Silva, que por muitos estudiosos
é reputado guia seguro para os quo transcursam a escabrosa estrada
das controvérsias históricas, elucida plenamente este ponto que tanto
se relaciona com a historia da nossa estremecida Pa*ria brasileira.
Recorramos ao abalisado mestre.
Acabrunhada se achava a nação portugueza com a politica de
ab-solulismo do governo de D. João III desenvolvida no Reino, apavorada
pelo rigor da inquisição e aviltada pelos desregramentos de costumes
quando, em 15f)7,um insulto apopleuxo veio repentinamente cortar o
lio da existência de D. Joáo III.
0 soo legitimo suecessor D. Sebastião, que linha apenas tres
annos de cdade, foi então proclamado rei. Vinha-lhe o direito de
suecessão, de lhe ler morrido o pae, quo era íilho de D. João III.
Sua avó, D. Catharina d*Austria, viuva de D. João 111, empossada
do governo do Reino e da tutela delle D. Sebastião, encontrou na
pes-soa do velho cardeal, infante D. Henrique, «poderoso, inepto,
ambi-cioso, cheio de instinetos perversos, e fanatismo religioso», o ma;or
embaraço e as maiores difíieuldades ao seo governo.
¦ Sob tão desventurosos auspícios para o Reino do Portugal, foi
edu-cado o seo futuro rei, a quem foi proporcionada solida educação
in-tellectual, porem desacompanhada de uma educação moral conveniente,
e recebendo carinhos da avó, adulações dos áulicos, e «superstições
mi-nistradas pelo clero, que o prognosiicava defensor denodado da fé
ca-tholica, que devia levar ás mais longínquas regiões do mundo».
Assim cresceu, cheio de tanta vaidade e orgulho, que tendo
ape-nas quatorze annos de edade, impôz o reconhecimento de sua
maiori-dade, e que lhe fosse entregue o governo do Reino.
A governação do estado foi tacitamente referida ao jesuíta Luiz
Gonçalves e seo irmão Martim Gonçalves da Câmara, favoritos ao rei,
que, alheio á gestão dos negócios públicos, residia quasi em Almerim,
Cintra e Salva-terra, onde se recreava na caça de lobos ejavalis.
Forte nophysico, possuindo animo emprehendedor, ávido de
glo-ria e de renome, considerava o casamento um entrave ás suas
aspira-ções de conquistas para a fé catholica, que elle desejava extender ás
regiões do Egypto e Palestina. A muitos dos seus illustres vassalos que
lhe falavam na necessidade que tinha o estado de que constituísse pelo
matrimônio a familia que perpetuasse a dymnastia portugueza,
respon-dia < que pensaria em mulher, quando coberto de gloriosas conquistas,
e carecedor do repouso no seio da familia».
Fiel aos seos principios, recusou a mão de mais de uma
prince-za de «regia e famosa estirpe>. Funda impressão lhe causara a
histo-ria de Alexandre da Macedonia, e mais se firmara nas suas exaggcradas
ambições de gloria.
Já aos dezoito annos se arrojou imprudentemente a uma
expedi-ção de conquista ao norte da África. 0 insuecesso dessa invasão
cau-sou-lhe acerbas magoas, e profundo desgosto aos pórtuguezes, que
acre-mente lhe censuraram a conducta.
f\ JL^*\j\m*\J J^_rV 121
*4t*4a*n- •'*-0mn
Entre os escriptorcs quo condomnavnrn 11 tomeraria ousadia do
rei, sobresaio Jeronymo Osório,* bispo do Silvos.
O fracassa da expedição a Marroc s, lão tenazmente reprovada
pelos portuguezes, fel-o, porem, conter-se durante Ires annos, ao fim
dos quaes se lhe deparou ensejo de tentar novas aventuras.
Desde L570 Muley Hamed o Aben Moloch ou Maluco, se
degladia-vam disputando-so mutuamente a coroa do império de Marrocos.
Du-rante esse estado de cousas ató 1577, quando, vencido Muley, recorreo
a D. Sebastião, assegurando -lhe para depois da victoria que
alcanças-sem, a posso de domínios importantes e extensos.
Não hesitou D. Sebastião em alliar-sea
Hamod.eompromcttendo-se a invadir Marrocos, resolução essa que obteve cs incitamentos o
applausos do papa Gregorio XIII, que lhe enviou alguns regimentos
Toscanos, e lhe.offereceo a «setla sagrada com que fora ferido e morlo
o martyr S. Sebastião .
Com forças portuguezas, hespanholas e allemans, organizou uma
esquadra de mais de cincoenta navios, com que sahio de Lisboa
acom-panhado dos fidalgos e mais notáveis vassallos. Da cidade marroquina
Arzila partio logo a encontrar-se com Aben Moloch, aquartelado perto
da villota Alcacer Kibir.
Ferio-se o combate a 4 de Agosto de 1578, com tão desastroso
re-sultado para os portuguezes, que perderam o seo rei, o seo reino, a sua
autonomia, a sua liberdade, e para o futuro o seo foro de nação
in-dependente. E, singular coincidência, no mesmo dia em que D.
Sebas-tião morria no combate, morreo tambem Muley Hamed afogado no rio
Luco ao fugir precipitadamente, e expirava tambem Abeo Molocn em
sua liteira, victima de uma ardente febre.
A extensão do damno causado á coroa e ao povo portuguez é
in-calculavel. Em Portugal, famílias de todas as classes sociaes
cobriram-se de luto pela perda de entes queridos.
Após o desastroso acontecimento, foi elevado ao throno o cardeal
D. Henrique, tio de D. Sebastião, e pois seo legitimo suecessor.
Pouco tempo, comtudo, durou o pacifico reinado de D. Henrique,
pois em 1580 falleceo elle, deixando o reino entregue á ambição de tres
pretendentes á coroa: D. Antônio, Prior do Crato, o Duque e a
Duque-za de Bragança, e Fellippe II de Hespanha, sendo todos em grão. mais
ou menos remoto parentes do inditoso e joven rei D. Sebastião, pois
eram descendentes de reis portuguezes.
0 Prior do Grato, filho illegitimo do Infante D. Luis, foi acclamado
rei em Santarém e outros logares ; porem mais poderoso que os seos
rivaes, logrou Felippe II, intitulado o ((Demônio do Meio Dia, e Tigre do
Occidenteo, supplantaí-os invadindo Portugal com força numerosa ao
mando do Duque d'Alba, e em Thomar convocou as cortes portuguezas
para o fim de «escolherem o rei que con viesse ao paiz».
Foi eleito unanimemente Felippe II, tal era o terror que inspirava
a attitude hostil do poderoso monarcha.
«No dia 15 de Abril de 1581, coroou - se Felippe liem Thomar,
cercado de luzida corte hespanhola e portugueza». «Procedeo-se á
so-!•>•>
A FSCOLA
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lennidadeno velho edifício quo Tora castello da cr dem dos cava Hei ros
de Christo».
Consummara-se á viva Torça o nefando altonlado â soberania da
gloriosa Lusitânia; restava agora oppi*iniir o aviltar até ao extremo
esse heróico povo que tatilos prodígios obrara sob o reinado de Al fonso
Henriques.
E foi effectivamente um governo oppressor o aviltante o que os
Felippes desenvolveram no Keino; pc/.ado jugo foi o que impuseram
aos portuguezes, esqueecndo-se quo o patriotismo dos heróes da tomada
do Silves e dc Santarém, podia ainda reviver nos portuguezes do seeul"
dezesois.
A revolução dc HilOvoio finalmente reivindicer para Portugal a
independência tão heroicamente conquistada oütr ora em Aljubarrota,
e D. João IV dc Bragança, eingindo a coroa portugueza, reunia
as aspirações patrióticas do povo lusitano.
Veríssimo de Sousa.
Curso de Pedagogia
Liccão I— Resumo do 2." armo
«*•METI IODOS
'.¦*'¦¦'¦.¦¦¦.-¦¦: ::
Methodo, do ponto de vista pedagógico, e a n aneira de
commu-nicar o saber do mestre ao alumno, mais simples, nitida, rápida e
logicamente.
Os methodos dividem-se em Inductivos e Deductivos.
Inductivos são áquelles em que do estudo das partes passamos
ao estudo do todo ; do conhecido ao desconhecido; do simples ao
composto; da analyseá synthese, etc.
Deductivos são áquelles em que do estudo do todo passamos á
especialização das partes, procurando as conseqüências de um
co-nhecimento geral.
Esses dous methodos são necessários á eschola primaria.
Ha diversos methodos de ensino, entre elles notam-se: o de
In-vestigação ou de Sócrates, Intuitivo ou de Pestalozzi, o
Experimen-tal ou de Bacon, o Natural ou de Rousseau, o Parcellado ou de
Froe-bel, o Moral ou de Girard, o Recreativo ou de Gaultier, o Universal
ou de Jacotot.
Destes methodos, alguns são inductivos, outros deductivos; o
Parcellado induetivo-deduetivo.
Investigação—Consiste este methodo (na eschola primaria) em
perguntas e respostas acerca da licção do dia.
Empregando-o na
eschola primaria, o fazemos de accordo com o grão de
adiantamen-to do alumno e a matéria estudada. E' indispensável
A FSCOI i-ji
l<*^*i*>.j****»»W »»«>»*'»«1N»»'^'»»A*»*»-»»»»^.»»I»»»»»»^^
Intuitivo—Tem por base a licção de cousas. Pestálozzi consi-derava-o um methodo tanto melhor quanto mais sentidos attrahia ; entendia que os sentidos deviam todos ser educados ao mesmo tem-po. Compayré discorda desse opinar, entendendo que os sentidos são educados na proporção de sua utilidade e necessidade.
Expehmental—-Tem por base a experimentação. »Só c enun-ciada uma lei, depois de verificada varias vezes. Bacon é um dos seos fundadores na Europa. E' applicado á Physica, á Chimica,ás Scien-cias Naturaes.
Natural—Rousseau entendia que as creanças deviam ser edu-cadas pelos instinctos, esperando dellas o desenvolvimento normal. Em seo livro «Emílio* procurou provar as vantagens desse metho-do. Tem desvantagens e é,—sob o ponto de vista de que a educação tem por fim corrigir os defeitos naturaes á creança—anti pedagógico.
Parcellado—Parte da licçào é dada pelo aiumno e parte pelo professor. Approxima-se do de Pestálozzi, porque é dado pela «licção de cousas» e do de Gaultier porque é recreativo. Deve ser applicado aos «Jardins da Infância».
MÒial—Girard tem um fim muito digno em seo ensino, mas o seo methodo não dá grandes resultados, porque elle exaggerou de-masiado as opportunidades de applicações moraes. Muitas vezes a licçào era interrompida e prejudicada para divagações moraes.
Recreativo—Procura despertar a curiosidade das creanças, orientando-as.
Universal—O methodo de Jacotot, comquanto vise um fim nobilissimo, basea-se num principio falso : «Todas as intelligencias Selo eguaes». Entendia que todas as intelligencias são aptas para receber os mesmos grãos de ensinamento. Tem a vantagem de ani-mar todos os espíritos. Procurava desenvolver a attenção e a
von-tade.
Princípios didacticos são certos ensinamentos básicos que re-gem o ensino e dizem também respeito ao professor e aos alumnos.
Os princípios relativos ao ensino são : O ensino deve ser : /?««j««/—-baseando-se na Verdade;
Intuitivo —dado naturalmente, falando ao cérebro e ao cora-ção do aiumno ;
/ rat/co—por meio de applicações e exemplos;
Simples e elementar—lingoagem clara, emprego da analo-gia, etc.
Iruluctivo-dediictivo—O professor parte de uma base verda-deirae, para verificar se os alumnos comprehenderam, manda resu-mir a licção, deduzindo.
Moral—O professor conduz a creança á pratica do dever, mantendo-lhe e garantindo-lhe a liberdade de consciência.
.» Os princípios relativos aos alumnos são :
Desejo de instrmr-se—A Vontade é a base da educação moral. . 'Trabalhar por si mesmo—-Depois de ter adquirido certa
so-i24 A ESCOLA
mma de conhecimentos básicos, o alumno procurará instruir-se, ser-vindo-lhe o mestre apenas de guia.
Responder bem e livremente—Deve o professor corrigir os vícios de lingoagem dos alumnos, deixando-lhes liberdade de ex-pressar livremente o que sentem e pensam, assim conhecendo-lhes os sentires e as ideas que orientará de accordo com a razão, com a verdade.
Ao professor compete:
—Tornar o ensino attrahente.
—Criticar o trabalho do alumno.—A critica é a correcção da prova.
— Proporcionar o ensino á força mental e aos conhecimentos dos alumnos.
MODOS
¦ ¦' ¦ ¦
Modo é a maneira de organizar a eschola. Os modos de ensino são :
Individual—Em que o professor ensina cada alumno de per si. Deve ser applicado quando possível; émui vantajoso.
Simultâneo — Em que o professor divide os alumnos em classes, segundo o grão de adiantamento, e dá a todos de cada classe a mes-ma licção, ao mesmo tempo. Tem inconvenientes.
Mutuo-1-Divisão em classes, como no simultâneo. Os alumnos mais adiantados servem de «monitores», ensinando aos mais
atraza-dos.
Tem muitos inconvenientes. Corrupção do caracter dos moni-tores e dos collegas.
* Mixio—Combinação dos modos anteriores. E' o mais adoptado nas escholas primarias muito freqüentadas. A combinação preferi-vel seria a do individual com o simultâneo.
¦
EORMAS
Forma é o aspecto sob o qual o professor aprezenta a matéria a ensinar.
As formas são duas : Expositiva e Interrogativa.
Estas duas formas se completam, por isso ambas devem ser adoptadas.
PROCESSOS
São especializações dos methodos e modos. Ensinam e facili-tam sua applicação. Referem-se a trez cathegorias : Exposição, Applicação e Correcção.
Os de exposição servem para proporcionar ideas claras, perfei-tas ecompleperfei-tas; os de applicação ensinam a maneira de conservar e nitidizar os conhecimentos adquiridos ; os de correcção que são de grande utilidade, evitam aos alumnos a reincidência dos erros commettidos.
A ESCOLA 125 —Processos de exposição :
Intuittvo—-Por base a licçào de cousas ;
Analógico—quando, para dar idea de um objecto, o professor o compara com outro semelhante, conhecido do alumno;
Ant/t/ietico—pélãs ideas opostas;
Elymologtco—explicação dos vocábulos, seo significado, sua origem;
Tabular—emprego do quadro negro ;
Descriptivo —- por meio de narrações. Applicado á Historia; Lógico—demonstração das affirmações, desenvolve o racio-ein io ;
Subjectivo—percepção de ideas abstractas;
Repetitorw—o professor repete a licçào, afim de tornar esta-veis os conhecimentos dos alumnos;
Sy ií óptico—por meio de schemas que resumem a licção. Podem ser analógicos, genealogicos, synchronicos, lógicos.
—Processos de applicaçào :
Reproducção —depois de explicada a licção, o professor manda que o alumno a reproduza escripta ou oralmente;
Copia—transcripçào de um trecho pelo alumno. Aprezenta dous bons resultados, feita com cuidado e attenção; dá ao alumno : orthographia e calligraphia. .
Imitação—o alumno procura adaptar e reproduzir o «modelo» dado.
Transformação, Associação e Justificação raciocinada—Po-dem ser reunidosem um único. Depois de expor a licção,o alumno dá diversos exemplos que á mesma se prendem, e diz a causa que o le-vou a dar a licçào desta ou daquella maneira.
Analyse ou reducção—consiste em fazer o alumno um resumo da licção. Depende de muita attenção. E'empregado principalmen-te na leitura.
— Processos de correcção :
Individual—pode ser feito pelo professor ou pelo alumno.
Pelo professor - Corrigidos ou assignalados os erros das provas escriptas, explica-os na aula seguinte.
Pelo alumno—O professor assignala os erros e manda que os alumnos façam as emendas.
Simultâneo tabular—Escripta do trecho no quadro negro ; correcção pelos alumnos nos cadernos.
Simultâneo mutuo—Os monitores corrigem as licções escri-ptas dos mais atrazados. Tem os mesmos inconvenientes do modo mutuo. Convém que o professor examine as provas emendadas
pelos monitores. .
PREPARO DAS LICÇÕES
Pode ser pedagógico ou methodologico.
126
A
"ESCOLA
O pedagógico diz respeito ao professor, sua condueta e á do
aiumno; effeito moral do exemplo do professor.
educação
A educação é uma única e abfange quatro ramos, chamados
systemas de educação que são : Physica, Intellectual, Moral e
Es-thetica.
Educação physica—ê a que tem por fim robustecer a creança
para que goze saúde.'
A educação physica é necessária, porque a creança que não
gozar boa saúde, não poderá desenvolver-se normalmente.
Intellectual—tem por fim o desenvolvimento das faculdades
mentaes, para a formação de seres conscientes. Basea-se na
obser-vação, no raciocínio, na lógica.
Moral—tem por fim dar ao aiumno uma boa norma de condueta,
pela comprehensão e conhecimento dos direitos e deveres para
comsigo, a familia, a pátria e a humanidade. Tem por base a
expe-riencia, o raciocínio, a vontade.
Eslhetica—desperta o amor do bello, cultiva os sentimentos
superiores.
Os diversos systemas de educação nas escholas publicas
prima-rias concorrem para a educação civica : formação de seres úteis e
conscientes, futuros cidadãos e futuras mães de familia.
1905.
Esther Pereira.
*
Licçáo 24?— Leitura e escripta
( Resumo da sabbatina ) LEITURA
O ensino da leitura não só desenvolve a palavra falada, como a
inteíligencia, a moral, a sensibilidade.
Para que o ensino da leitura desenvolva a inteíligencia, a
sensi-bilidade e amoral, é preciso que seja feito com methodo e critério.
Ha trez grãos de leitura :
Elementar — em que o professor ensina ao aiumno as primeiras
lettras, os primeiros rudimentos ;
Corrente— quando o aiumno, sabendo já reunir syllabas,
pro-nuncia palavra por palavra ;
Expressivo — em que o aiumno procura dar á leitura a
ento-nação que lhe é própria, conforme o assumpto, assim mostrando que
comprehendeo.
^
LEITURA ELEMENTAR
Ha trez processos: antiga soletração ou alphabetico, moderna
soletração ou phonico, articulado ou emissão de sons.
A ESCOLA 127
• <"V-*V-.*'^t.*1«*W-^^^l
No processo alphahctico ensinam, geralmente, de uma só vez as 25 lettras ao alumno, de maneira que decora o som, n'uma certa ordem. Acontece, porém, ás vezes que, apresentadas as mesmas le-ttras em outra ordem, o alumno as desconhece, porque se não
habi-tuou desde logo a destinguir ossymbolos.
O esforço exigido para a leitura é muito maior por' esse proce-sso, mais fatigante.
E' intuitivo que as palavras não pedem conservar as] lettras na mesma ordem em que a creança se habituou a velas, tendo havido para o alumno uma noção falsa de ordem, de seriaçâo que não existe.
Phomco—O professor ensina a reunir as syllabas, cantando. Tem diversos inconvenientes: o ensino é inconsciente, a crean-ça adquire o mao habito de ler cantado.
Emissfio de sons — O professor, antes de apresentar o sym-bolo, emitte o som que vae representar.
Articulações — As syllabas sàc emittidas de uma só vez. O alumno habitua-se a apanhar a palavra que emitte, de um só golpe de vista.
São obtidos os mesmos resultados, mas, de um modo mais ra-cionai, mais agradável.
MARCHA A SEGUIR
Ensinar primeiro as voga es que são sons simples, ao passo que as consoantes se emittem com auxilio das vogaes.
O professor pronuncia o som de uma lettra, fal-o repetir pelos alumnos e representa no quadro o seo symbolo. Depois de terem as creanças pronunciado o som da lettra, reproduzem nas lousas o sym-bolo que está representado no quadro.
Apagam das lousas o symbolo, e o professor escreve no quadro outra vez o mesmo symbolo, e manda todas as creanças emittirem o som ; depois, apagado ainda uma vez o symbolo, o professor emitte o som, cuja representação ja conhecem, e as creanças o gravam de
novo nas louzas.
Assim, pode constituir a licção de um dia o ensinamento das vogaes (a, e, i, o, u). No dia seguinte começa o ensino das. con-soantes, podendo ser encetado pela lettra t, cujo symbolo é dos mais
fáceis de reprezentar.
Cada dia ensina o professor uma consoante, combinando-a com as vogaes, formando assim syllabas e palavras.
Toda licção tem traçado no quadro pelo professor. Vem de-pois o exercício escripto que consiste na reproducção de palavras já conhecidas e formação de outras pela combinação das syllabas estu-dadas.
Os vocábulos serão pelos alumnos copiados nos cadernos. LEITURA CORRENTE
I2Ô A ESCOLA
E* necessária a explicação e significado dos vocábulos que os aiumnos ignoram, dos termos technicos, insubstituíveis.
Quando nào seja possível mostrar o objecto á creança, uma cies-cripçào nitida do mesmo se torna indispensável.
Dahi a necessidade dos muzeos pedagógicos, das collecções, álbuns, gravuras, instrumentos, etc, cuja iniciativa particular seria louvável por parte dos professores que funccionam em próprios es-tadoaes.
Ouvida a leitura, um dos aiumnos a repete, perguntando o pro-fessor a diversos a significação dos vocábulos explicados.
LEITURA EXPRESSIVA
Marcha a seguir — O alumno, ao ler, procura descobrir, in-terpretar e traduzir o pensamento do escriptor, as paixões que pro-curou descrever ou despertar, etc.
Antes dos aiumnos, o professor deve ler o trecho, expressiva-mente, para que possa exigir dos aiumnos a leitura expressiva.
Os aiumnos resumirão o trecho, explicando-o.
Depois, nova leitura pelo professor, explicação de vocábulos, tons, etc.
Para o alumno ler com expressão é preciso bem comprehender, bem sentir.
Tons
Dividem-se em narrativo, descriptivo e oratório. São empregados conforme o assumpto.
O accento da leitura varia com os tons. ESCRIPTA
v
Para a licção escripta ser aproveitável, deve o professor atten-der a certos princípios.
A posição do corpo não só influe para a boa calligraphia, como para a boa saúde.
As creanças que, quando escrevem, se curvam muito sobre o papel, não respiram tão livremente, não penetrando o ar na parte in-ferior dos pulmões, podendo resultar dahi fraqueza pulmonar.
A creança deve ficar sentada, o busto ria linha vertical, a alguns
centímetros da carteira. . Ví,,
O olhar deve cahir directa e naturalmente sobre o papel.
Ha creanças que collocam o papel ao lado e muito longe de si. Esta posição é viciosa.
O papel deve ficar collocado na mesa, de modo que, estando o seo angulo inferior da esquerda em frente ao peito da creança, for-me com o opposto uma diagonal. •
Como a do corpo e a do papel, a posição da penna concorre para dar á lettra um bom talhe.
A ESCOLA t2ç
t
Deve ser amais natural possivel: não deve o braço ou a mão toda mover-se, nem os dedos forcejarem sobre a penna.
Nos talhes uma leve pressão do pollegar e do indicador.
O ensino deve ser pratico, ou a creança sefatigará inutilmente, perdida no dedalo das theorias e das abstrações, contrarias aos en-sinamentos da Pedagogia.
Por meio da palavra escripta pode o professor cultivar os timentos superiores dos alumnos, dando á creança modelos com sen-tenças ou máximas que recommendem a bondade.a meiguice, os de-veres, o respeito, etc.
Deve o professor fiscalizar o trabalho do alumno, observando, durante a escripta, a posição do corpo, do papel e da penna.
A' creança mostrará o debuxo da lettra no quadro.
A primeira noção de escripta consistirá no exercicio das diago-naes e das curvas. Toda a lettra se compõe dessas duas linhas.
Assim, em cursivo, o a é um desdobramento do t, o u é um i duplo, o q um desdobramento do a.
A analyse de cada symbolo alphabetico é necessária á sua boa comprehensào e reproducçào pelo alumno.
A comparação dos caracteres facilita á creança o seo estudo. O traçado do alumno, o esforço que faz para reproduzir a lettra, syllaba ou palavra, procurando imitar o que está no quadro, consti-tue exercicio utilissimo.
Convém, portanto, que o professor, ao traçar os caracteres, o faça com correcçào e cuidado. Dahi a necessidade do conhecimento da calligraphia.
O professor corrigirá individualmente o trabalho dos alumnos, explicando-lhes os erros.
As copias concorrem para o exercicio da calligraphia. A iicção de leitura deve ser inseparável da de escripta.
O ensino simultâneo da leitura e da escripta, quando propor-cional e criteriosamente reunidos, é mais lógico e mais útil.
E' natural que as creanças procurem reprezentar, graphando,os sons que emittem, as syllabas e palavras que pronunciem.
íÇoõ* Joanna Falce.
O segredo dá victoria
JAPÃO
Na tarde de dez do corrente, a vasta aula magna do Lvceo Bucaria, em Milão, era pequena para conter o numeroso publico ancioso por ouvir a palavra competentissima do engenheiro naval Lourenzo d'Adda, correspondente do «Secolo» no Extremo-Oriente. Acompanhara o nosso distineto collega todas as operações navaes da frota japoneza; assistira a todas as acçôes d'essa campanha
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mora vel; privara com o velho Togo; vivera durante muitos mezes, a vida d'esses homenszinhos de aço e phosphoro que a Europa, nas vésperas da guerra russo-japõneza, desdenhosamente alcunhava «de raça de arroz e porcelana». Nem tanto era preciso para excitar a curiosidade do mais meridional, quente e impressionável dos povos latinos. Do mais artístico, digamos, pois a essas imaginações que a anciã da melhor luz, da melhor côr ou da mais impressiva phrase musical perpetuamente inquieta, não podia ser indifferente esse Pierre Loti italiano que, como o outro, o francez, tambem vira as
gheisase conhecera )ladnme Crysanlhèmc.
Ao lado, porém, d'e_te auditório de sentimentaes, outro havia, e largamente representado.que fora á conferência de Lorenzo d'Ad-da para documentar-se. Esse auditório de profissionaes dos exerci-tos de terra e mar, pretendia a chave, o segredo, a formula d'essa su-perioridade esmagadora do nippon pequenino e escasso sobre o russo hercúleo e innumeravel. Os processos japonezes de fazer a guerra mais pareciam aos olhos desconfiados dos officiaes italianos obra de fetiche, amuleto ou intervenção providencial do que o ter-mo final de uma laboriosa e intelligente seriação scientifica. A ubi-quidade, a mobilidade, a opportunidade, a independência de movi-mentos dentro da unidade do commando, a rapidez na concepção e a promptidão na execução, a ordem-relampago e a obediencia-raio a administração-relogio debaixo das granadas, a sopa sempre ás horas, a tenda sempre prompta, o corpo sempre quente, a botica sempre á mão: tudo isto irritava, desnorteava, estonteava a rotina, magoando simultaneamente o orgulho de raça e o espirito de Casta. Por isso os profissionaes a custo dissimulavam a sua irritação con-tra o amarello adventicio e petulante que se atrevia a dar lições de tactica e estratégia á milicia branca, discípula de Napoleão e
Moi-tke.
Então, Lorenzo d'Adda narrou simplesmente, honestamente, o que vira com os seos próprios olhos. Contou as marchas, as contra-marchas, as preparações do ataque, as surprezas, as batalhas, as re-tiradas, o engarrafamento dePorto-Arthur, as hecatombes de Liao-Yang e Mukden, o pavoroso desastre de Tsushima. Nada omittio, nada exaggerou. Expoz : e essa exposição serena, que muito de pro-posito desacompanhara de qualquer critica, convenceo o auditório de que realmente omechanismo offensivo e defensivo dosjapone-zes era maravilhoso e sem rival.
Seguia-se, naturalmente, a critica dos factos. Para ella apura-ram os ouvidos officiaes velhos e novos, veteranos e cadetes. «E' agora ! E' agora !» —murmuravam baixinho, uns aos outros, na anciã do lazzarone á espera do milagre de S. Janeiro. Desillusão cruel! Nenhum milagre, nenhum elixir, nenhum amuleto, nenhum fetiche. O segredo das victorias era simples, simples como o segredo da abelha. Quem vencera ? O canhão de tiro rápido ? Tambem os russos o tinham. A espingarda de repetição, precisa e de longo
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Càncé? Também os russos a possuíam. O numero? Os russos eram
muito mais. Yenreo a educação intellectuai e moral dos homens !
O auditório sorrio. Lorenzo d'Adda explicou. A marinha
ja-poneza—disse—é constituída por gente perfeitamente indemne do
alcoolismo e analphabclümo. Dos trezentos milhões de indemnisação
de guerra, pagos pela China ao Japão em 1894, cem foram
consagra-dos a instruir o pessoal. ÍSenhum japonez pode ser marinheiro sem
ter freqüentado lodosos (jraos do ensino primário. Para que os
ra-pazes das mais humildes condições sociaes possam freqüentar a
es-cola dos cadetes, o Estado custeia todas as suas despezas. O japonez
desconhece a promoc.àú por antigüidade : só promove por
mereci-mento. E a divisada sua admirável organisação militar de terra e
maré a seguinte: «Uma milicia culta eqüivale a dez milícias
ignorantes.^
N'esta altura da conferência o auditório já não sorria.
Come-cava a compreheuder. Mas. o rol dassurprezas ainda não
fôraexgo-ttado. Alguma cousa faltava, e 9 que faltava merece bem as honras
do normando : «Senhores, exclamou o orador: manda
aorde-nança japoneza que, quando 11111 regimento atravessa
11111 povoado, o coronel saude, em primeiro logar, o
mestre escola, e depois... aauetoridade
admiiiistrati-va. »
São cineo linhas, só cinco linhas, e explicam tudo : as victorms
na guerra, os progressos nas lettras, as conquistas na sciencia, a
cui-tura na vida social, a solidariedade na dôr, a communhão na alegria,
a disciplina nos exércitos, a honestidade na administração, o
civis-mo na politica. Uma nação que tudo fia na sciencia, que em cada
aldeia abre um templo á sciencia, que cerca a sciencia de todas as
formulas e respeitos do ritual, que faz do mestre-escola um levita e
manda que todos os poderes, todos, inclusive o do glaudio, lhe
pres-tem homenagem, é evidenpres-temente invencível ; uma nação que nega
ao analphabeto a vida e figura humana, reputando simiesco o rosto
que a luz da sciencia não illuminou e vegetativa a existência que
ella não espiritualisou ; uma nação que põe a quinzena cocada do
mestre escola acima das fardas auriluzentes e dos crachás
mirabo-lantes ; uma nação que obriga osseosfilhos,desde creanças,
ares-peitar nos que lhe ministraram as primeiras luzes do entendimento
a absoluta supremacia do poder civil, guiado pela sciencia ; uma
nação que proclama o pensamento a força soberana do universo, e
diz á espada : «vós só existis, por que eo quero»—uma nação assim
educada desde o berço, só pode fornecer heroes á guerra, estadistas
cá politica, homens limpos ás finanças,, funcçionarios zelosos á
admí-nistração, sábios ás escolas e exemplos ao mundo.
Demais, sabemos nós que a regedoria não lê estas caturrices
ou, se as lê, as commenta com este significativo gesto do indicador
martelando na testa um conceito desdenhoso. Mas, nos tempos que
correm, ninguém escreve para a regedoria. Todos escrevemos para
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esse enorme publico dissidente ou indiíferente, onde ha tanta, tanta
gente de boa fé, anciosa porque isto melhore, entre nos eixos ou deixe de governar-se á marroquina, Essa gente ouve-nos, gosta de tomar contacto com o pensamento humano, com as idéas ou os actos que justificam o nosso logar á cabeça da creaçào. Ora, apostamos em como mais de um professor primário, santo e humilde educador, vae enxugar furtivamente uma lagrima depois de ler este artigo ! E ha dinheiro que pague isto ? !
Lisboa, 19 —12—905. Juuo d'Alva.
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Noticiário
Dario Vellozo
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ignou-se de acceitar os encargos de redactor-chefe desta re-vista pedagógica o preelarissimo escriptor Sr. Dario Vellozo, digno e conspicuo Lente cathedratico do.Gymnasio Paranaense e da Es-cola Normal desta capital.E* com immenso regosijo e enthusiasmo que aos nossas leitores levamos a gratíssima nova de achar-se á frente da redacção da «A Escola» o illuminado escriptor e victorioso tribuno, que em sua glo-riosa carreira litteraria tem conquistado as mais virentes palmas e formosos louros, pelo muito que se ha desvelado em illustrar a mo-cidade estudiosa desta terra, que consagra ao conceituado mestre a mais fervorosa admiração e funda sympathia.
A Directoria do Grêmio dos Professores, ao recorrer ao extra-ordinário e glorificado educador, levava já a quasi c rteza de que aos obscuros, porém dedicados guias da infância paranaense, se não eximiria o digno moço a prestar a collaboração importantíssima do seo auxilio directivo, e encandilar assim mais uma vez o seo devo-tamento sem limites para com os grandes ideiaes, utilizando as luzes do seo prefulgentissimo intellecto em pro de uma causa magna e superrima como é a da instrucção publica do Paraná.
E a annuencia do illustre cultor das lettras representa para a classe dos pedagogos paranaenses uma adquisição preciosa e de alta e inestimável importância.
A Directoria do Grêmio.
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Dr. Azevedo Macedo
E' com júbilo que noticiamos ter sido nomeado lente interino de Pedagogia da Escola Normal desta Capital o nosso illustrado e dilecto collaborador e distincto advogado, Sr. Dr. F. R. de Azevedo
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Por seos talentos reaes e brilhantes aptidões preceptivas, tinha o digno moço incontestável jus á direcção da referida cathedra, on-de se evion-denciarão cabalmente os seos reconhecidos méritos on-de mui conceituado e estrenuo educador.
O Grêmio dos Professores Públicos do Paraná, enviando des-tas columnas fervorosos parabéns ao illustre paranaense e aos seos alumnos, eguaes saudações dirige ao Governo do Estado pela feliz e acertada escolha.
Gymnasio de Campinas
O distineto paranaense Ernesto Luiz de Oliveira foi nomeado director interino do importante Gymnasio de Campinas, de que o nosso patricio é.ha muito, um dos lentes cathedra ti cos.
Francisco Guimarães
Com immenso júbilo saudámos ao nosso digno Presidente Ho-norario Professor Francisco de Paula Guimarães, por ver passar a 20 do vigente mais um feliz anniversario.
A nossa Itevista
As pessoas a quem temos remettido A Escola, rogamos o fa-vor de nos enviarem com a maior brevidade possivel a importância da assignatura do primeiro anno, afim de podermos oceorrer ás one-rosas despezas da publicação desta Revista. Enviando-nos essa pe-quenina quantia, prestarão tambem um bom serviço á diffusão do ensino e ao alevantamento da instrucção publica do Estado, pela qual vae a nossa Revista pugnando com extremos de dedicação e devo-tamento.
\estor de Castro
Finou-se no dia 14 do corrente o nosso illustrado collaborador Nestor de Castro, redactor chefe da «A Republica».
O illustre extineto era um dos mais eminentes cultores das let-trás paranaenses, ás quaes elle soube, com o seo alto valor intelle» ctual, dar um brilho extraordinário, um fulgor admirável.
Nestor de Castro foi um manejador dextrissimo da penna, que em sua mão possante tinha muita vez reverberos de aceirado gladio. Possuindo um espirito extenso, uma mentalidade poderosa, tratava com a mais accentuada firmeza, questões de verdadeira transcenden-talidade em as diversas modalidades da vida social. Verdadeiras ma-nifestações da sua intuição Íntellectual, pois comquanto Nestor se houvesse apparelhado convenientemente para as luetas do espirito, chegando a adquirir farta messe de saber, era todavia á admirável intuição do seo talento fulgurante que o escriptor se soecorria quan-do enfrentava questões de que elle não possuía perfeito conheci-mento.
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Transcursando a estrada ampla e florida da Litteratura,
escul-piu trabalhos brilhantíssimos, como os Brindes,
a monographia
Ben-to Cego,.diversos perfis litterarios de entidades femininas; mas era
no gênero—contos—que a sua pluma patenteava rcsaltes de maior
prefulgencia, sendo considerado, com justiça, o primeiro
contenr do
Paraná.
A's lettras nacionaes, á imprensa patrícia em geral e á «A
Rc-publica» em particular, bem como á familia enlutada,
envia A
Eseo-LA cordiaes condolências.
^sÊBÊi*^^krmfíÊ*Z _*__• B. ' '^_\v3S(t_^__wShmr vtull vS _H_V_r ^u3hâ&mp_^B**' . KM B_s_n jEXPEDIENTE OFFICIAL
<íO«^-'.f:
•MEZ DE JULHO
Decreto n. 269 (de 10)
0 I.° Vice-Presidente do Estado do Paraná, attendendo ao que
requereu a professora da escola promiscua da villa de Guaratuba,
D. Ascendina Maria de Freitas, e tendo em vista o attestado medico
que apresentou, resolve conceder-lhe dons mezes de
licença, na
for-ma da lei, para tratar de sua saúde nesta capital.
Decreto n. 272 (de 13)
¦»¦¦¦¦
O \.° Vice-Presidente do Estado do Paraná, attendendo ao que
requereu o professor Lindolpho Pires da Rocha Pombo, que serve
no
grupo escolar«Xavier da Silva»,resolveu abrir um credito
extraordina-rio de oitocentos railreis(800$000).anm de ser-lhepago, por quotas
mensaes, a gratificação a que tem direito, acontar de \.°- de Julho
corrente até 30 de Junho do animo vindouro, conforme a autorisação
conferida na alinéa III do art. 8.°, Disposições Transitórias da lei n.
644 de 4 de Abril do anno vigente.
Decreto n. 273 (de 13)
0 \.° Vice Presidente do Estado do Paraná, resolve nomear o
cidadão Ismael Alves Pereira.Martins para, em commissão,
inspeccio-nar e fiscalisar as escolas publicas, comprehendidas na segunda
cir-cumscripção constante do decreto n. 263 de 7 do corrente,
perceben-do os vencimentos de quatrocentos mil reis (400$0t)0) mensaes.
Decreto n. 27i (de 13)
01.° Vice-Presidente do Estado do Paraná, attendendo ao que
requereu o lente calhedratico de Portuguez e Litteratura do
Gymna-nasio Paranaense e da Escola Normal, dr. Emiliano Pernetta, e tendo
em vista o attestado medico que apresentou, resolve conceder-lhe
dous mezes de licença, na forma da lei, para tratar de sua saúde no
Rio de Janeiro.
V "V "VV.. 7. ;'¦•;¦ V.vVf; \ "Ví .'« i ':'¦ ' .! .'*. 7..'¦:. "a -.a-'
SECÇÃO PERMANENTE
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•rmm.*emr,w*?w****&-****&:i**w i'. ii -mmiu-iiiww WWWM — «•»-«¦.•»«»— - -*¦
Cadeiiras promucuas:
i.» Josephina Rocha—Escola Carvalho.
2.** Elvira Faria Paraná—Rua Cabral.
3-a Olivina Caron—Grupo Xavier da Silva.
4.a Carolina Moreira
»
•*
»
5.» Maria Ritta de Oliveira—Batei.
6." Antonia Reginato—Rua Barão do Serro Azul.
7.a Maria do Carmo Gomes—Escola Tiradentes.
8.ft Maria Rosa Bittencourt--Rua da Liberdade.
¦o.a Julia Seiler—Alto de S. Francisco.
io.a Izabel Guimarães Schmidt—Rua Saldanha Marinho.
ii." Maria Correia de Miranda—Jardim da Infância.
Escolas suburbanas:
Maria Angela Franco—Juvevê.
Eteivina Taborda—Cajurú.
Julia Martins Gomes—Uberaba.
Julia Alyce Loyola—Santa Quiteria.
Maria da Luz Miro—ColoniaDantas.
Vicentina Pinheiro—S. Nicoiáo.
Helena Xavier—Taquatuva.
Alice Cornelia Daniel—Batei.
Maria da Luz Mello—Colônia Morgenau.
Guilhermina Lisboa Gomes—Alto^do Schaffer.
Estabelecimentos de ensino particular
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