“Aprender a ensinar para ensinar a aprender”
Relatório de Estágio ProfissionalRelatório de Estágio Profissional apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto, com vista à obtenção do grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário ao abrigo do Decreto-Lei nº 74/2006 de 24 de março e do Decreto-Lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro.
Prof. Orientador: José António Silva
Diana Filipa Ferreira Lopes Porto, Setembro de 2015
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FICHA DE CATALOGAÇÃO
Lopes. D. F. L. (2015) Aprender a ensinar para ensinar a aprender. Porto. Lopes. D. Relatório de Estágio profissionalizante para obtenção do Grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO FÍSICA, RELATÓRIO DE ESTÁGIO,
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DEDICATÓRIA
Pelo apoio incondicional e por todo o esforço realizado para me ajudar a alcançar este sonho, dedico este documento à minha mãe, Isabel.
Porque tudo aquilo que sou a ti o devo. O mais sincero Obrigado!
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AGRADECIMENTOS
Ao meu orientador, Professor José António Silva, pelo auxílio, disponibilidade e interesse. Por nos ajudar a crescer profissionalmente e orientar no caminho certo.
Ao Professor Francisco Magalhães, pela partilha, disponibilidade, interesse. Pela ajuda constantemente e aprendizagem qualitativa. Sempre incansável.
Ao núcleo de estágio. Por me acompanhar nesta viagem, por juntos lutarmos pelo sucesso. Pela partilha e trabalho de grupo.
Ao 10º CT3. Por serem os primeiros. Pelas dores de cabeça, pelas confusões, pelas brincadeiras. Pelo trabalho e pelo caminho percorrido. Pelos burpees de castigo e pelos sorrisos diários. Por se tornarem os “meus meninos”. Por vos querer o melhor do mundo. Por fazerem parte deste capítulo.
Á minha Mãe, pelo apoio incondicional, pelo amor verdadeiro, pelo esforço de todos os dias, pelo ensinamento de uma vida, pela luta, pela amizade, pela mulher que sou, pela mulher que é, pelos conselhos, pelos sorrisos, pelos longos discursos assertivos, pelos caminhos que me ensinou a percorrer, pelos obstáculos que ultrapassou e me ajudou a ultrapassar, pelos “sins” e principalmente pelos “nãos” que me fizeram crescer. Por todos os dias. Por ser incansável. Por ser a Melhor Mãe do Mundo.
Ao meu “Pai Zé”, por ser um amigo, um apoio. Por ser paciente e tolerante. Por estar presente, sem hesitar, sem pedir nada em troca. Por todos os momentos importantes. Por se ter tornado o pai que alguma filha poderia desejar.
Ao meu Hugo, pelo Homem que é. Por ser o meu melhor amigo, o meu confidente, o meu porto seguro. Por todo o esforço, dedicação e apoio. Por proporcionar sorrisos verdadeiros, momentos inesquecíveis, histórias para
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recordar. Por me fazer feliz e dar força nos momentos mais difíceis. Por me ensinar a pedir desculpa e a deixar o orgulho guardado. Por ser parte do meu percurso, dos meus dias, da minha vida.
Á minha família Araújo. Por serem uma segunda família, me educarem, me acolherem, me tratarem como princesa. Por serem tão presentes e tão importantes.
Aos meus amigos de uma vida, Catarina, Sara e Diogo. Pela preocupação constante e amizade sem igual. Por estarem presentes em todas as etapas e por me ajudarem a ultrapassar obstáculos sem nunca me deixarem cair. Por serem não só amigos mas sim irmãos de coração. Por serem para a vida inteira.
Às minhas colegas da faculdade, Eduarda e Ana. Pelo primeiro dia e pelo último. Por tornarem o caminho mais fácil e serem o meu pilar nos momentos mais complicados. E sobretudo pela amizade.
Aos “resistentes”. Por todas as horas despendidas em frente aos computadores. Por todas as gargalhadas. Pela animação. Pelas “baldas”. Pelo longo caminho até ao juízo final. Por sermos a melhor turma do Mestrado.
A todos os colegas, professores e funcionários da faculdade. Pelo bocadinho de cada um de vocês que levo comigo.
ÌNDICE GERAL
DEDICATÓRIA ... III AGRADECIMENTOS ... V RESUMO... XIII LISTA DE ABREVIATURAS ... XVII
INTRODUÇÃO ... 1
CAPÍTULO I ... 5
1. ENQUADRAMENTO PESSOAL ... 7
1.1. Construir o “eu” ... 7
1.2. Das expetativas iniciais à realidade ... 9
CAPÍTULO II ... 13
2. A PRÁTICA PROFISSIONAL ... 15
2.1. Contexto legal, institucional e funcional ... 15
2.2. O meio e os seus envolventes ... 16
2.2.1. A escola ... 16
2.2.2. A matéria-prima ... 17
CAPÍTULO III ... 21
REALIZAÇÃO DA PRÁTICA PROFISSIONAL ... 21
3. A REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO PROFISSIONAL ... 23
3.1. ÁREA 1: ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DO ENSINO/APRENDIZAGEM ... 24
3.1.1. Planeamento... 24
3.1.2. Realização ... 31
3.1.2.1. O início atribulado ... 31
3.1.2.2. Motivação nas diferentes modalidades ... 33
3.1.2.3. Dois em um: Voleibol, MED e TGfU ... 37
3.1.2.4. A Educação Física como meio de superação ... 42
3.1.2.5. A utilização dos meios audiovisuais ... 45
3.1.2.6. A filosofia do Karaté ... 47
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3.1.2.8. O diretor de turma ... 57
3.1.3. Avaliação ... 59
3.2. ÁREA 2 E 3: PARTICIPAÇÃO NA ESCOLA E ENVOLVIMENTO COM A COMUNIDADE ... 63
3.2.1. Sensibilização e Combate à Pobreza e Exclusão Social ... 64
3.2.2. O mundo do Goalball ... 65
3.2.3. Basquetebol em cadeira de rodas ... 67
3.2.4. Torneio de futsal escola básica cooperante ... 69
3.2.5. Aula aberta de Krav Maga ... 73
3.2.6. Desporto Escolar ... 75
3.2.7. Roteiro cultural “130 anos em movimento” ... 80
3.3. ÁREA 4: DESENVOLVIMENTO PROFISSIONAL ... 82
3.3.1. Ação de formação: Fitschool ... 82
3.3.2. Acão de formação: danças sociais ... 84
CAPÍTULO V ... 89
ESTUDO DE INVESTIGAÇÃO-AÇÃO ... 89
CAPÍTULO VI ... 101
A DÁDIVA DE ENSINAR E CONTINUAR A APRENDER ... 101
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 107 Anexos ... XIX Anexo I - Folha de Registo M-ABC faixa 3 ... XXI
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ÍNDICE DE TABELAS
Tabela I – Estatística descritiva das variáveis referentes à bateria de testes
MABC III...95
Tabela II – Regressão linear das variáveis referentes à bateria de testes MABC
III e às categorias disciplinares...96
Tabela III – Regressão linear das variáveis referentes à bateria de testes MABC
III e às categorias disciplinares divida por
sexos...97
Tabela IV – Teste T de medida Independentes das variáveis referentes à bateria
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INDÍCE DE ANEXOS
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RESUMO
O Estágio Profissional assume-se como o culminar de todo o processo de aprendizagem que ao longo de quatro anos idealizamos. Com este Estágio novas realidades são visionadas e novas perspetivas são adquiridas, sendo um ano definido pela aprendizagem constante no terreno de jogo. O Estágio Profissional ocorreu numa escola secundária, situada na zona central do concelho de Guimarães, contando com a participação de um núcleo de estágio de 3 elementos, supervisionado pelo Professor Cooperante e Professor Orientador, cada um dedicado às suas funções. O documento apresentado é dividido em quatro Capítulos, subdivididos em temas cuja importância reflete o trabalho realizado ao longo do ano letivo. Após um breve introdução, onde destaco alguns dos principais conteúdos do relatório, encontra-se o Capítulo I,
referente ao “Enquadramento Pessoal”, fazendo uma retrospetiva de todo o meu
percurso e expondo as minhas expetativas em relação ao ano de estágio. Seguidamente, no Capítulo II abordo o “Enquadramento da Prática Profissional”, descrevendo o contexto legal, institucional e funcional do Estágio Pedagógico, bem como uma breve descrição da escola e da turma com a qual trabalhei. No Capítulo seguinte, “Realização da Prática Profissional”, enfatizo os aspetos refletidos acerca da prática realizada ao longo do ano letivo, focando experiências que contribuíram para a minha aprendizagem. No quarto e último Capítulo, “Estudo de Investigação-Ação”, apresento o tema que foi alvo de estudo durante a realização prática do meu ano de estágio, comparando o nível de cognição com a coordenação dos jovens da escola. Para terminar, faço uma reflexão geral desta experiência e de todos os ensinamentos úteis ao meu futuro.
PALAVRAS-CHAVE: EDUCAÇÃO FÍSICA, RELATÓRIO DE ESTÁGIO,
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ABSTRACT
The practicum year is assumed as the culmination of all the learning process idealized over five years. With this new realities, screened by this practicum context new perspectives are acquired. It’s one year defined by the constant learning. The educational stage was made in a secondary school, located in the center of Guimarães, with the participation of a training group of three elements, supervised by a Cooperating Teacher and an Advisor Teacher, each dedicated to their proper functions. The document presented below is divided into four chapters, divided into themes whose importance reflects the work done throughout the year. After a brief introduction where I highlight some of the report's main content, is Chapter I, referring to the "Personal Background" where I do a retrospective, exposing my expectations regarding the educational stage year. Then, in Chapter II aboard the "Professional Practice Environment", outlining the legal, institutional and functional background of the educational stage as well as a brief description of the school and the class with which worked. The next chapter, "Professional Practice Procedures", emphasize aspects of the reflections and practicum held throughout the school year, focusing on experiences that contributed to my learning. In the fourth and final chapter, "Research-Action Study", present the topic that was the subject of study for the practical realization of my educational year, comparing the level of cognition with the coordination of school youth. Finally, make a general reflection of this experience and all its benefits for my future
KEYWORDS: PHYSICAL EDUCATION, EDUCATIONAL STAGE REPORT,
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LISTA DE ABREVIATURAS
CT- Ciências e Tecnologias DE- Desporto Escolar
EF- Educação Física EP- Estágio Profissional
FADEUP- Faculdade de Desporto da Universidade do Porto MEC - Modelos de Estrutura do Conhecimento
MED- Modelo Educação Desportiva PC- Professor Cooperante
PO- Professor Orientador
TgfU- Teaching Games for Understanding UC- Unidade Curricular
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INTRODUÇÃO
“Só desperta paixão de aprender quem tem paixão de ensinar” (Freire, s.d.)
O presente documento foi realizado no âmbito da Unidade Curricular (UC) Estágio Profissional (EP), inserida no plano de estudos do 2º ciclo conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da Universidade do Porto (FADEUP).
O EP decorreu na Escola Secundária Francisco de Holanda, em Guimarães, num núcleo de estágio constituído por três elementos, cuja tutela estava à responsabilidade do Professor Orientador (PO), e do Professor Cooperante (PC).
Este ano letivo, sob minha responsabilidade ficou uma turma de Ciências e Tecnologias (CT), do 10º ano de escolaridade, turma que foi atribuída ao PC. Assim, a meu cargo, ficou todo o planeamento, conceção, realização e avaliação dos respetivos alunos, tendo a supervisão assegurada do PC. Esta supervisão não interferiu, pelo menos de forma vincada, no trabalho autónomo que fui realizando ao longo deste EP, tendo apenas uma função de aconselhamento e guia.
“O Estágio Profissional entende-se como um projeto de formação do
estudante com a integração do conhecimento proposicional e prático necessário ao professor, numa interpretação atual da relação teoria prática e contextualizando o conhecimento no espaço escolar” (Matos, 2014, p.3).
Desta forma, esta etapa afigurou-se trabalhosa e desafiante mas todo este desafio, transporta-me a uma nova realidade e a uma dimensão que me fará transcender e evoluir em direção ao sucesso desejado. Foi a descoberta diária e aprendizagem permanente que tornou este estágio profícuo e compensador, fazendo com que, através de múltiplas experiências e aprendizagens diárias, me tornasse mais reflexiva e crítica enquanto professora-estagiária e convicta nos meus objetivos.
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Assim, este ano letivo, enquadramos as nossas aprendizagens no contexto prático da profissão. Esta prática pedagógica é realizada através de uma perspetiva reflexiva e autónoma, conduzida pelo supervisor.
Ainda, neste ano lectivo, aproximei-me da comunidade escolar e dos aspetos subjacentes à carreira docente, aprendendo, melhorando e desenvolvendo novas capacidades. A responsabilidade e a dedicação, bem como a oportunidade, são as palavras de eleição para descrever como me senti perante o EP.
Com ele e através dele, aproveitei todas as oportunidades e tentei melhorar, aplicar e testar todas as capacidades e aprendizagens adquiridas, e assim, usufruir ao máximo o que todos os incluídos tiveram para me oferecer. Neste sentido, a descoberta e a luta pelo conhecimento são duas realidades paralelas neste estágio que permitem ir mais além e ultrapassar desafios dia a dia, através de uma descoberta guiada.
Esse documento, intitulado de “Relatório do Estágio Profissional”, procura refletir e dar a conhecer este longo e compensador caminho que tenho vindo a realizar desde 15 de Setembro de 2014. Neste trabalho relatarei todas as minhas experiências e abordagens nas atividades desenvolvidas, bem como nas dificuldades e facilidades que surgiram, fazendo uma retrospetiva de todo o processo e debruçando-me sobre os aspetos essenciais deste EP.
Num primeiro Capítulo, abordarei uma dimensão pessoal onde, constará a reflexão autobiográfica e as expetativas em relação a todo o processo. Englobará a interpretação do meu percurso, ideias e convicções relativas à profissão, crenças iniciais e mudanças enquanto interveniente neste EP.
Seguidamente, apresentarei uma dimensão prática que incluirá o enquadramento e caraterização do contexto de estágio, abordando a natureza legal, concetual, institucional e funcional bem como, todas as etapas vividas durante o ano letivo.
O terceiro Capítulo irá ao encontro da realização da prática, ou seja, todo o processo vivenciado e refletido durante a atuação na escola, incluindo neste, os problemas, atividades, dificuldades, estratégias, avaliações, métodos de trabalho e controlo de todo o processo de ensino.
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Por último, deste RE fará parte o desenvolvimento pessoal, mais concretamente o estudo de investigação-ação, onde abordarei o tema da coordenação no contexto escolar, avaliando e analisando os alunos envolvidos na prática pedagógica. Ainda neste Capítulo, estarão incluídas todas as atividades e ações formação que fizeram com que o desenvolvimento profissional fosse consolidado.
5 CAPÍTULO I
7 ENQUADRAMENTO PESSOAL
Eu... Tive um passado? Sem dúvida... Tenho um presente? Sem dúvida... Terei um futuro? Sem dúvida... A vida que pare de aqui a pouco... Mas eu, eu... Eu sou eu, Eu fico eu, Eu... (Pessoa, 1944, p.76)
1.1. Construir o “eu”
Nascemos como pequenos diamantes em bruto, como páginas em branco, como pequenos grandes heróis, que procuram alcançar a meta em primeiro lugar. “Assim, gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele. Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado” (Freire, 1997, p.31).
Ao longo desta jornada, vamos contruindo aquilo que somos, baseados naquilo que vivemos e é nesta encruzilhada, que criamos, inventamos, reinventamos o nosso destino. E se pensarmos: Quem sou eu? Será fácil responder?
O meu nome é Diana Filipa Ferreira Lopes, tenho 23 anos, nascida a 22 de Março de 1992 e sou natural de Guimarães, cidade onde sempre vivi. Sempre fui de fortes convicções e assim descobri que o meu futuro iria passar por ensinar e guiar os mais novos até ao conhecimento.
Desde cedo tive uma vida ativa e morando numa pequena aldeia, realizava longas caminhadas por gosto e diversão. Como é de conhecimento geral, a população nas aldeias apresenta uma faixa etária mais avançada, o que me fez crescer com a habilidade de criar e inventar brincadeiras que me proporcionassem entretenimento durante todo o tempo que passava sozinha.
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Penso que esta etapa se tornou benéfica no meu percurso, fazendo com que o desporto e a descoberta fizessem parte do meu dia a dia.
Não é por acaso que o Desporto nos torna pessoas alegres e criativas. Tem a capacidade de se reinventar e modelar consoante as condições enfrentadas, tem a capacidade de nos fazer recriar e imaginar um novo ideal, tem a capacidade de ser livre, duradouro e enriquecedor.
Creio que as pessoas que seguem o Desporto como parte da sua vida, se tornam, não só, pessoas mais felizes, como pessoas positivas, encarando a vida como quem encara um jogo de Futebol, com convicção, motivação e persistência. Neste jogo, mesmo perdendo, perspetivamos o próximo confronto com confiança e fé pois será, claramente, vitorioso.
Neste meu percurso, ocorreu uma mudança de residência, da aldeia para a cidade. Nunca tive medo das mudanças que ao longo da minha vida foram acontecendo até porque com elas chegou o progresso, a novidade, as novas etapas que fizeram de mim uma pessoa constantemente à procura de novos desafios
É de destacar que, a vida citadina nos leva a um estilo mais sedentário, onde a pressa diária impede que haja tempo para os afazeres desportivos. Contudo, o gosto e a perseverança são mais fortes e impulsionam a nossa mente em direção ao movimento. Esta mudança de localidade acentuou a minha paixão pelo desporto e quando me surgiu a oportunidade, fiz parte da equipa de voleibol do Vitória de Guimarães e posteriormente, da equipa federada da escola Francisco de Holanda. O voleibol desde então está presente na minha vida de forma marcada, sendo esta a minha modalidade de eleição.
Devido à entrada na faculdade, esta prática foi abandonada na perspetiva de atleta pois ainda nesse ano, 2010, surgiu a oportunidade de integrar, como treinadora adjunta, a equipa de minis A e B da Faculdade, onde permaneci três anos, tendo no último assumido funções de treinadora principal.
Ainda no meu percurso desportivo, frequentei durante um ano a modalidade de natação, não competitiva, na Escola de Natação do Vitória, na qual tenho grandes vivências e fomentei o meu gosto pelas modalidades aquáticas.
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Na minha formação académica/escolar, frequentei a Escola Secundária Francisco de Holanda, no curso de Línguas e Humanidades, seguindo posteriormente para a FADEUP, na qual realizei a minha licenciatura em Ciências do Desporto na vertente de Exercício e Saúde.
A minha vontade pelo desconhecido, a vontade de arriscar e de ir além-fronteiras fez com que, no terceiro ano, me inscrevesse no programa ERASMUS, tendo realizado um semestre de estudos na Universidade de Valência. Sem dúvida alguma que, até agora, foi a melhor experiência que obtive no que diz respeito à descoberta de novas realidades de ensino e de aprendizagem.
Considero-me uma pessoa com objetivos bem marcados e sempre disposta a novos projetos e ainda empenhada nas diferentes atividades que surgem. Não lido bem com a monotonia, por isso procuro sempre desafios constantes que façam provar o meu valor enquanto pessoa. Ao longo deste caminho, aprendi que nada se obtém sem trabalho e que parte do nosso sucesso se deve aquilo que fazemos para conquistá-lo. Não adianta lamentar nem desistir pois as melhores provas são travadas pelos atletas mais persistentes.
1.2. Das expetativas iniciais à realidade
“Uma longa viagem começa com um único passo.” (Lao-Tsé, s.d.)
De forma mais ou menos consciente criamos expetativas acerca daquilo que nos rodeia e, por vezes, idealizamos situações, comportamentos e acontecimentos que nem sempre correspondem à realidade do dia a dia.
Quando começamos uma nova etapa, perspetivamos condições que derivam dos diversos “filtros” que vamos recebendo ao longo da vida, “filtros” esses que partem das nossas experiências pessoais, sentimentos, emoções anteriores ou recorrentes. Tudo se idealiza consoante aquilo que queremos e pretendemos contudo, nem tudo se assemelha à lista de crenças que vamos criando.
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O EP é umas das fases mais importantes na vida de um estudante. É neste ano que se lida com a realidade propriamente dita, com todas as responsabilidades que advêm à profissão de ser Professor e com todo o trabalho que daí deriva, sendo assim um contacto com a realidade bastante diferente dos anos passados. É neste ponto que as nossas expectativas atingem o seu auge. Contudo, é também um ano de permanentes e exigentes desafios e de novas experiências e aprendizagens, quer em termos individuais, quer coletivos. É de salientar o núcleo de estágio em que me insiro, os professores que nos acompanham, PO e PC, e os meus alunos, bem como a restante comunidade educativa, que foram uma das ferramentas mais importantes nesta etapa.
Inicialmente, e centrando-me nas minhas expectativas perante a turma que iria lecionar, os meus objetivos, partiam do desejo de que os meus alunos, obtivessem bons resultados ao longo do ano letivo e, sobretudo que o seu empenho e participação na aula fosse evidente.
Nesta linha orientadora, mais importante que uma turma de atletas e bons executantes, é uma turma em que o interesse e o gosto estivessem presente nas várias modalidades, sendo transversal durante todo o ano, promovendo assim uma aprendizagem evolutiva nos vários domínios envolventes.
Como nos diz Girondo (s.d.), “Homens dedicados ao empenho de seus trabalhos contagiam outros com seu entusiasmo, porque são motivados por um coração totalmente submisso aos seus propósitos”. Foi neste sentido que a minha atuação se orientou, fazendo com que a dedicação e entrega fossem sentidas pelos alunos e com isso, estes se empenhassem continuamente, com vontade de alcançar resultados positivos e essencialmente, prazer pela prática do Desporto.
Quanto a mim, a realidade encontrada nem sempre foi ao encontro dos pensamentos que projetei. As dificuldades surgem quando menos esperamos, a realidade escolar apresenta-se com outros contornos, as metodologias até aqui estudadas, tornam-se utópicas face a uma comunidade de alunos cada vez mais sedentária e desinteressada.
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É neste ponto que reforçamos o nosso papel de Professores e, afincadamente, trabalhamos para demonstramos a importância da nossa disciplina e a sua real utilidade.
Contrapartidas à parte, desde cedo e, com sucesso, comprometi-me a tirar o melhor partido desta experiência, através dos ensinamentos e reflexões obtidas através dos intervenientes deste processo.
Procurei crescer profissionalmente, no sentido de interiorizar dinâmicas de organização e metodologias, descobrir a plasticidade para adaptar situações imprevisíveis e, essencialmente, promover o gosto pela prática desportiva.
No que diz respeito a todos os profissionais que me acompanharam, a sua experiência de lecionação foi extremamente benéfica para a minha aprendizagem e através da crítica, construtiva, melhorei gradualmente o meu desempenho docente adquirindo uma bagagem educativa que me proporcionou guiar os alunos ao objetivo planeado.
Foi com mente aberta que assimilei e adquiri bases pedagógicas que me auxiliaram neste ano letivo e que serão ferramentas úteis num futuro próximo. Sinto-me uma pessoa capaz de decidir qual o melhor caminho a seguir quando me deparar com constrangimentos e situações de adaptabilidade no contexto escolar.
Este crescimento, não se denota só a nível profissional, mas também a nível pessoal, aspeto que não pensava ser de grande relevância. Aprendi que nem tudo aquilo que planeamos, por mais perfeito que pareça, é passível de ser realizado, tendo que lidar com as frustrações de uma forma positiva. A tendência é aceitar a realidade como ela acontece e tentar fazer o nosso melhor com os meios que nos são disponibilizados, falando de forma clara e direta, indo ao encontro, não só do que necessitamos, mas também do que os outros necessitam.
Por fim, desde cedo tentei transmitir ao meu grupo de estágio, que o trabalho de cooperação e a entreajuda, como no desporto, nos auxiliam a chegar mais longe e a obter os melhores resultados. Desta forma, todos concordamos em remar para o mesmo lado, utilizando todos os meios que estivessem ao nosso dispor, para concretizar em harmonia, todas as exigências deste estágio.
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Como dizia Michael Jordan (s.d.), “talento ganha jogos, mas trabalho em equipa ganha campeonatos” sendo esta a verdade que sempre perseguimos e, com ela, fizemos um trabalho cada vez melhor, procurando o sentido do sucesso.
“A percepção do desconhecido é a mais
13 CAPÍTULO II
15 2. A PRÁTICA PROFISSIONAL
“Temos, sobretudo, de aprender duas coisas: aprender o extraordinário que é o mundo e aprender a ser bastante largo por dentro, para o mundo todo poder entrar.” (Silva, s.d.)
2.1. Contexto legal, institucional e funcional
Todo este processo que se intitula de EP, surge inserido no plano de estudos do 2º ciclo conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP, realizado nos dois últimos semestres do segundo ano de estudos. A estrutura e funcionamento do mesmo consideram os princípios decorrentes das orientações legais, nomeadamente as constantes do Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de fevereiro e têm em conta o Regulamento Geral dos segundos ciclos da Universidade do Porto, o Regulamento Geral dos segundos ciclos da FADEUP e o Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino de Educação Física.
Assim, “o EP visa a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão” (Matos, 2014, p.3).
Nele são consideradas quatro áreas de intervenção, nas quais se contemplam diferentes meios de ação e influência. Na Área 1 contamos com a “ Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”, na Área 2 e 3, que se encontram agregadas, consta a “Participação na Escola e Relações com a Comunidade” e por fim, na Área 4, o estudante estagiário desempenha funções relativas ao “Desenvolvimento Profissional”.
Todo este processo de ensino será supervisionado pelo PO da FADEUP e sob a tutela do PC.
16 2.2. O meio e os seus envolventes
2.2.1. A escola
A definição de escola ainda não é consensual. Esta resulta de processos históricos e complexos, pensados e construídos para grupos sociais, englobando funções explícitas e outras ocultas.
Nela são apresentadas e coexistem várias dimensões ao nível estrutural, relacional, valorativa, contextual, processual e cultural. Contudo, cada escola é produto da cultura em que se engloba e é a partir das experiências do mundo exterior e da sua população-alvo, que esta se constrói e se desenvolve de forma a ir ao encontro das necessidades e realidades do seu próprio cenário.
Podemos então concluir, que a escola é uma instituição de caráter organizativo, cultural e social em constante mudança, onde são englobadas aprendizagens constantes com atores distintos. No meio escolar atende-se às necessidades dos intervenientes, adaptando a realidade ao seu contexto.
A primeira grande decisão que um estagiário toma, no seu percurso académico, diz respeito à escola onde irá lecionar, sendo esta a sua Escola Cooperante (EC), durante todo o ano letivo.
A escola secundária, eleita como EC, é considerada uma das mais antigas da zona de Guimarães, situada no centro do coração da cidade, era apelidada de Escola Industrial.
Foi também uma das escolas que sofreu a remodelação advinda do programa Parque Escolar, modificando e alterando muito da sua estrutura inicial, com a construção de mais salas, de um único pavilhão desportivo e de uma zona de convívio mais confortável. Esta remodelação promoveu benefícios ao nível de espaços e da qualidade operacional. Contudo, o número de alunos que a escola acolhe é maior que a capacidade previamente definida, acarretando alguns problemas estruturais.
O departamento de Educação Física é composto por 13 professores, em que três orientam estágio, um da FADEUP e dois da Universidade do Minho. Assim sendo, o nosso orientador é o Professor Francisco Magalhães, que nos irá acompanhar em todas as atividades no decorrer deste ano.
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No que diz respeito aos espaços desportivos, local onde iremos exercer a nossa prática pedagógica, a escola apresenta: o pavilhão, o espaço exterior e o auditório. O pavilhão é dividido por três espaços, ocupados por três turmas respetivamente. Simultaneamente, mais duas turmas encontram-se em aula nos restantes espaços disponíveis.
Este é um dos aspetos negativos nesta escola, pois a dinâmica e a organização das aulas tem que ser destinada a 1/3 do pavilhão, restringindo em muito as propostas pedagógicas que poderíamos adotar com mais espaço de ação. Junto ao pavilhão encontram-se os balneários, que apresentam condições ideais à higienização dos alunos e que satisfazem as necessidades das turmas que se encontram em aula. Ainda neste mesmo local, encontra-se a sala dos professores de Educação Física.
Para a divisão e rotação, tanto de espaços como de balneários, estão colocados nas zonas desportivas o roullement, que indica aos alunos qual o espaço desportivo a utilizar e organiza o planeamento anual dos professores, e o Mapa de balneários, que os direciona para o balneário destinado a cada turma. É de referir que a escola, se encontra numa cidade de grande referência a nível desportivo, sendo em 2013, considerada Capital Europeia do Desporto, permitindo que a população seja bastante ativa e adepta da atividade física e, onde a criação de espaços desportivos como parques e pavilhões seja de grande qualidade.
2.2.2. A matéria-prima
“Educação não muda o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas mudam o mundo”
(Freire, s.d.)
Não está nas nossas mãos o poder de mudar o mundo mas, está nas nossas mãos o poder de ensinar. Este poder, o de ensinar, se a longo prazo, conseguir mudar o mundo, então, a nossa pegada nesta vida poderá fazer rodar os ponteiros da bússola no sentido correto.
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Está nas nossas mãos incentivar, ensinar e conduzir pequenos grandes seres a caminhar, reunindo todas as pedras do caminho, para que possam contruir degraus e subir em direção ao sucesso desejado.
Enquanto professores, trabalhamos para produzir e reproduzir valores e atitudes naqueles que nas nossas mãos são entregues. Posto isto, é sempre uma grande responsabilidade a educação de uma turma onde sentimentos, emoções e pensamentos divergem entre si. A dúvida que carateriza esta fase inicial reflete expectativas e dúvidas em relação aos nossos alunos, que queremos ajudar a atingir o sucesso.
A decisão sobre a turma que ficaria a meu cargo, sendo estas as turmas destinadas ao PC, foi tomada através de um consenso entre o núcleo de estágio e tendo em conta as nossas disponibilidades horárias. Assim, a meu encargo ficou uma turma de CT, do 10º ano de escolaridade.
Recordo hoje todas as imagens e possibilidades idealizadas, todos os olhares e conspirações que poderiam advir do fato de, uma pessoa tão jovem, lecionar aulas a um grupo de adolescentes animados e curiosos.
Sem dúvida que depois de saber qual a turma a meu cargo, a minha visão sobre este estágio mudou. Comecei a encarar todos os acontecimentos com mais seriedade, a pensar nos meus atos e nas minhas motivações pretendendo contribuir positivamente para a vida destes adolescentes.
“No geral, a turma apresentou um bom comportamento e uma boa atitude, recetivos e atentos às informações que se iam dando ao longo da aula. Conseguimos ainda perceber que a maioria da turma gosta da disciplina, tendo no entanto que motivar algumas alunas que, por medo ou por falta de autoestima, não se mostram muito aptas ou dirigidas para a Prática Desportiva.”
(Aula Voleibol, 30 de Setembro)
A turma, constituída por 30 alunos, dos quais, 8 eram do género masculino e 22 do género feminino, com idades entres os 15 e os 16, mostrou- se desde cedo, corresponder aos desejos de um professor. No que diz respeito à prática desportiva, apenas 14 alunos admitem praticar com regularidade atividade física,
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sendo apenas 6 os alunos federados. Desta forma, percebi que o meu trabalho com estes alunos iria mais além da educação desportiva escolar e teria que provocar um incentivo extra para a iniciação da atividade física.
Apesar deste pormenor, todos eles se mostravam recetivos e motivados nas atividades propostas e, apesar desta relutância, que na minha perspetiva se fundiam com a falta de autoestima, o potencial de aprendizagem de cada um indicava um bom caminho na obtenção do sucesso.
“Esta consciencialização sobre si mesmo é um aspeto positivo da turma, que me poderá permitir conversar e propor desafios onde estes sejam autónomos e reflitam acerca dos exercícios propostos ao longo das aulas. O seu comportamento, apesar de alguns elementos terem dificuldades de concentração, é sempre exemplar e a turma gosta de mostrar o seu valor e aquilo que de certa forma pretendem atingir.” (Aula 5 e 6, 7 de Outubro)
Contudo, o jogo raramente é estável e a imprevisibilidade do mesmo fez com que rapidamente se observasse evolução na sua aprendizagem. Por vezes ganhamos, por vezes perdemos e ao longo deste trajeto, foram mais as vezes que ganhamos e juntos festejamos a vitória.
A verdade é que em momentos e, fruto da idade, a turma que era perfeita
na sua imperfeição, se descaracterizava, tornando-se difícil aliar um espírito agradável a tamanha inquietação que os assolava. Não se tratava da turma no seu geral mas nem sempre a motivação era fator comum, resultando num ambiente incomodativo.
“Apesar do barulho que se fazia sentir, e da turma se apresentar um pouco
mais irrequieta que na aula anterior, os exercícios foram executados com todo o empenho dos mesmos.” (Aula 56 e 57, 3 de Fevereiro)
Mas como, depois da tempestade vem a bonança, posso afirmar que apesar de todos os contratempos, foi com eles que cresci enquanto pessoa e professora, foi com eles que tomei decisões difíceis, foi com deles que aprendi
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a tolerar, foi com eles que compreendi que o tempo é o nosso melhor aliado, foi com eles que ganhei motivação para manter, todos os dias, a luta pela afirmação do Desporto.
“Me movo como educador, porque, primeiro, me movo como gente.” (Freire, s.d.)
21 CAPÍTULO III
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3. A REALIZAÇÃO DO ESTÁGIO PROFISSIONAL
Todos os dias são dias de aprendizagem. Todos os dias são dias de ensinamento.
Este ciclo que nos permite a partilha e a busca pelo conhecimento não se encerra e no nosso trajeto a ignorância é o adjetivo e a virtude que faz os mais curiosos procurar incessantemente a novidade.
Ao pensar que tudo sabemos avançamos devagar, impedindo que o nosso foco seja alargado. Ser professor é ter a capacidade de saber que nada se encerra no seu ensinamento, que com os alunos se aprende e reaprende, se inventa e reinventa. “Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender” (Freire, 1997) numa constante partilha de saberes e experiências que enriquece os seus intervenientes.
Um dia decidi que queria ajudar a construir futuros, transferir conhecimentos, criar possibilidades, produzir sonhos. Foi então que comecei a caminhada pelo meu próprio sonho. Aprendi anatomia, pedagogia, estatística, fisiologia, biomecânica. Aprendi a correr, a jogar “à bola”, a fazer rolamentos à frente em vez de “cambalhotas”, a rematar à trave no andebol. Aprendi a estar atenta, a tirar apontamentos, a observar, a tirar dúvidas. Aprendi a não desistir, a ter perseverança e confiança. Aprendi a ensinar. Aprendi a ser Professora.
Com toda a vontade, agarrei na confiança e levei-a comigo para todo o lado. Mudei de lado. Desta vez não me encontrava sentada à espera do professor, nem ia preparada para atentamente registar todos os pormenores da matéria. Desta vez era eu que dirigia a aula, que ditava pormenores, que inspirava os alunos e que os fazia transpirar. Do aprender passei ao ensinar. Ensinei a respeitar, a ouvir, a intervir, a questionar, a ser curioso, a valorizar. Ensinei a jogar, a arbitrar, a treinar, a fazer burpees. Ensinei a amizade, o companheirismo, a entreajuda, a união. Ensinei que aprender é evoluir e descobrir o conhecimento. Ensinei a aprender.
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Assim, nesta caminhada em busca do meu sonho, influenciei sonhos alheios. O sonho daqueles que fizeram o meu concretizar-se na dádiva do ensino, partilhando de seguida, todo o trajeto que culminou no meu sucesso
3.1. ÁREA 1: ORGANIZAÇÃO E GESTÃO DO ENSINO/ APRENDIZAGEM
“A organização é um meio de multiplicar a força de um indivíduo.” (Drucker, s.d.)
No linha de partida, o corredor, disposto a vencer, analisa as suas possibilidades, define estratégias e organiza a sua ação mediante um conjunto de fatores que perceciona através do meio que o envolve. Nesta primeira fase, e segundo as Normas Orientadoras do EP, a área 1 “engloba a conceção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino” (Matos, 2014, p.3). Assim, tal como qualquer docente, estas tarefas referentes à profissão, têm como finalidade, “construir uma estratégia de intervenção, orientada por objetivos pedagógicos, que respeite o conhecimento válido no ensino da Educação Física e conduza com eficácia pedagógica o processo de educação e formação do aluno na aula de Educação Física.” (Matos, 2014, p.3).
É nesta fase que o Professor, define as metas que irão orientar a sua intervenção pedagógica, tendo em conta, os seus intervenientes e o contexto social, histórico e pedagógico em que se insere. É na procura de um ensino eficaz e eficiente que, a organização e planeamento das ações futuras, revelam uma importante ferramenta no processo de ensino-aprendizagem.
3.1.1. Planeamento
“A Educação qualquer que seja ela, é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática”
(Freire, s.d.)
O planeamento é parte integrante da vida de qualquer ser humano e é importante que este seja realizado com a convicção segura de atingir os objetivos propostos.
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No que diz respeito à profissão de Professor, o planeamento pretende especificar os fins, os objetivos, gerais ou específicos, e as metas em termos educativos. Deste conceito advém um trabalho árduo, onde se executa o delineamento de estratégias em consonância com os recursos disponíveis.
“O objetivo da planificação de processos de ensino e aprendizagem não reside exclusivamente no desenvolvimento de meios para a racionalização do processo de ensino, mas também, em medida crescente, na descoberta de determinados contextos reguláveis deste processo” (Bento, 2003, p.8). É nesta dinâmica que são construídas as ferramentas que auxiliam uma prática ponderada e direcionada, evolutiva e em constante transformação.
Tendo em conta a nossa atuação, podemos definir três níveis de planeamento no ensino, enfatizadas neste EP, divididas em anual, unidade
didática e aula. Neste sentido, “a definição do essencial e a concentração em
pontos fulcrais são requisitos indispensáveis em todos os níveis de planeamento, o que exige grandes conhecimentos específicos e competência didático-metodológica, bem como um grau elevado de consciência de responsabilidade por parte do professor” (Bento, 2003, p.57).
O Planeamento Anual, mais geral, foca-se no objetivo geral baseado nos programas nacionais e que permite formular um plano mediante os conteúdos a concretizar e as pessoas que nele estão envolvidas. “Constitui, pois, um plano sem pormenores da atuação ao longo do ano, requerendo, no entanto, trabalhos preparatórios de análise e de balanço, assim como reflexões a longo prazo” (Bento, 2003, p.60).
“ (…) foi analisado o calendário escolar e iniciou-se a elaboração das planificações anuais dos vários anos de escolaridade de todo o agrupamento, dos cursos de ensino regular e profissional (…). Foram também discutidos os critérios gerais para a elaboração do organigrama com a distribuição dos espaços de aula e dos balneários (…). (…) Foram ainda elaborados os critérios de avaliação para todos os níveis de ensino regular e profissional, que serão alvo de aprovação por parte do conselho pedagógico. (…).” (Ata nº1 Reunião
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Dentro deste sistema de organização, foram decididas, a nível de grupo disciplinar de EF, as diferentes matérias e conteúdos a abordar, bem como o
roullement das instalações, ficando definido a utilização do mesmo espaço
durante toda a semana, pelo respetivo professor.
A planificação fez com que a análise dos conteúdos propostos, inseridos no programa nacional para o respetivo ciclo de ensino, fosse importante para a atuação transversal dos professores. Esta fase de planeamento permite enquadrar a nossa prática no plano de estudos, fornecendo uma visão geral do nosso trabalho ao longo do ano, projetando antecipadamente, necessidades e estratégias de ensino-aprendizagem.
O planeamento mais específico deste processo iniciou-se assim que o calendário escolar ficou definido e a atribuição de turmas e horários ficou concluída. Em conjunto com o núcleo de estágio, foram tomadas as decisões relativas ao Planeamento Anual de cada turma.
“Durante a manhã, o tema centrou-se nos documentos e assuntos relacionados com as turmas que iríamos ter pela frente este ano. Começamos por falar sobre o planeamento anual e discutir algumas ideias acerca do número de aulas, da forma mais económica de organizar este período e principalmente qual o nosso foco de trabalho” (Reunião Núcleo de Estágio, 1 de Outubro)
Não sendo estanque este planeamento é modificado consoante as diferentes condicionantes que vão surgindo. É exemplo do número de aulas distribuído para cada modalidade que ao longo do ano sofreu alterações. Estas alterações derivam consoante o desempenho dos alunos, com a extensão ou diminuição de aulas, as condições atmosféricas para as modalidades realizadas no exterior e mais raramente, devido à não lecionação da aula.
Um dos casos concretos foi a planificação de Atletismo, que ao longo do período sofreu alterações. Inicialmente, dei pouco ênfase à modalidade e após a primeira aula, percebi que deveria ser abordada mais intensamente para
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promover uma melhoria na aptidão física da turma. Embora os alunos não mostrassem agrado pela sua realização, a modalidade foi ainda antecipada para o início do período, tendo em conta as condições meteorológicas favoráveis.
“Acabei por perceber que poderia colocar mais aulas para a modalidade de Atletismo e aproveitar o bom tempo mesmo que a aula se realizasse no pavilhão. Este aumento do número de aulas sobre uma modalidade permite-nos uma maior plasticidade tanto no ensinamento como na progressão que os alunos poderão apresentar, sendo por isso uma mais-valia.” (Reunião
Núcleo de Estágio, 1 de Outubro)
Desta forma, a construção do Planeamento Anual revelou-se uma tarefa enriquecedora e elaborada em confronto com as ideias dos restantes elementos do núcleo de estágio, tentando estabelecer um consenso entre todos. A partir desta coerência, foi possível partilhar pontos de vista e ideias para colocar em prática ao longo do ano letivo.
Uma vez realizado o esboço inicial, era hora de transitar para um plano mais específico, que nos guiava à intervenção necessária dentro das respetivas turmas. Esta segunda fase, foi realizada ao longo de todo ano, no início de cada nova modalidade e, com a intencionalidade de criar uma progressão eficaz das habilidades.
“É por isso essencial perceber qual o ponto inicial a adoptar (...) ” (Aula de
Voleibol, 7 de Outubro)
Com a avaliação inicial de cada turma, tornou-se necessário a projeção de uma sequência lógica de atuação. Assim procura-se garantir, sobretudo, “a sequência lógico-específica e metodológica da matéria, e organizar as atividades do professor e dos alunos por meio de regulação e orientação da ação pedagógica, endereçando às diferentes aulas um contributo visível e sensível para o desenvolvimento dos alunos” (Bento, 2003, p.60).
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“Ainda no seguimento da elaboração de documentos, necessários ao nosso estágio pedagógico, foi pedido que realizássemos o MEC para as 3 modalidades que serão abordadas este período. Neste MEC, irá constar a caraterização dos nossos alunos, a análise feita nas diferentes avaliações diagnósticas e as progressões de ensino, que nos serão pertinentes aquando da abordagem mais aprofundada de cada tema. Este documento serve de guia e de base para todo o nosso trabalho este ano letivo, revelando-se extremamente útil.” (Reunião Núcleo de Estágio, 15 de Outubro)
O Modelo de Estrutura e Conhecimento (MEC), de Vickers, tornou-se um aliado na concretização desta segunda fase de construção do processo de ensino-aprendizagem, assumindo-se como um guia, principalmente no que diz respeito à construção da Unidade Didática (UD).
“As Unidades Didáticas constituem unidades fundamentais e integrais do processo pedagógico e apresentam aos professores e alunos etapas claras e bem distintas de ensino e de aprendizagem” (Bento, 2003, p.75). Com este planeamento, pretende-se a criação de um roteiro, orientado para os objetivos, gerais e específicos, de cada modalidade.
“Tendo em conta todo o enquadramento realizado na aula anterior, adaptei e planeei a aula para que estes conseguissem consciencializar os primeiros movimentos e estruturas do 2x2.” (Aula de Voleibol, 10 de Outubro)
Na sua construção, é necessário que o professor tenha em atenção um conjunto de aspetos que deverão ir ao encontro do envolvimento escolar, dos alunos e dos meios que tem ao seu dispor. É portanto, um momento de reflexão e de escolha, onde a concentração no essencial e a orientação do processo de ensino e aprendizagem têm de ser a base do seu planeamento.
Através desta planificação, conseguimos alcançar o último patamar, o
Plano de Aula. É neste ponto que confirmamos ou procedemos à alteração de
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A aula e a sua preparação são o cerne do processo de ensino/aprendizagem acarretando nela um sentido pedagógico fundamental para o sucesso dos alunos. O professor, como ator principal, organiza uma multitude de tarefas e ações que irão interagir de acordo ao que, previamente, foi projetado pelo mesmo.
“No que diz respeito ao planeamento da aula, supõe ainda que os alunos atinjam um nível de empenhamento motor elevado, em todo o decorrer da aula.”
(Reunião Núcleo de Estágio, 5 de Novembro)
Nesta fase, o professor começa a detetar dificuldades devido aos mais variados motivos, quer em termos espaciais, quer materiais ou até mesmo no que diz respeito aos alunos. “A aula é realmente o verdadeiro ponto de convergência do pensamento e da ação do professor” (Bento, 2003, p.101).
Na minha intervenção, procurei cumprir os objetivos traçados no plano de aula contudo, algumas vezes, tornava-se difícil devido às caraterísticas da turma. Aliado ao comportamento, a turma apresentava debilidades nos conhecimentos gerais das modalidades, dispensando algum tempo de aula na explicação de aspetos essenciais.
“Estes têm muitas dificuldades em manter-se sossegados e atentos, e por isso, a melhor opção foi a de atribuir um castigo físico, para que estes se consciencializem do seu comportamento.“ (Aula de Voleibol, 4 de Novembro)
Como a rotação dos espaços era realizada semanalmente, o plano sofria alterações caso a aula se realizasse no exterior e o clima não permitisse a sua realização nesse local. Em alguns casos a aula era transferida para um dos espaços livres e quando assim se procedia, a adaptação e a imprevisibilidade teriam que resultar numa aula onde o empenhamento motor fosse notório.
Aproveitando alguns exercícios poderíamos manter os objetivos planeados mas, devido ao contexto espacial, algumas atividades viam a sua
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exercitação impossibilitada, requerendo por parte do professor uma preparação e conhecimento da modalidade para que se mantivesse o propósito da aula.
“De forma a consolidar as abordagens anteriores os conteúdos foram idênticos e tendo o mesmo objetivo, o de desenvolver tanto as intenções táticas, como as intenções técnicas. Tive de proceder a algumas alterações visto que a aula estava preparada para o espaço exterior.” (Aula de Basquetebol, 13 de
Fevereiro)
“Este primeiro contacto com a lecionação de aulas é também uma novidade e por isso, necessitamos de debater e perspetivar soluções para que tudo corra pelo melhor, sendo uma excelente ajuda, o diálogo acerca da planificação da aula e da projeção de tarefas a realizar.” (Reunião Núcleo de
Estágio, 1 de Outubro)
De facto, o diálogo e a transmissão de vivências, nomeadamente de professores mais experientes, torna-se uma partilha bastante enriquecedora promovendo assim uma orientação guiada que nos fornece ferramentas importantes para a realização prática.
Interessa apontar que a criação de objetivos gerais e específicos, parte do trabalho e da observação feita pelo professor, ou seja, o conhecimento da matéria-prima, utilizando as melhores estratégias de forma a cumprir todo o processo de ensino-aprendizagem subjacente às planificações referidas.
“A aula não é somente a unidade organizativa essencial, mas sobretudo a unidade pedagógica do processo de ensino” (Bento, 2003, p.101)
31 3.1.2. Realização
3.1.2.1. O início atribulado
“É necessário ter o caos cá dentro para gerar uma estrela.” (Nietzsche, s.d.)
Imaginamos um caminho, criamos planos, formulamos hipóteses e tentamos encontrar soluções para os possíveis problemas que poderão surgir no caminho. Contudo, nem sempre os inícios são calmos e confortáveis e, por vezes, somos confrontados com inconvenientes nos quais o plano B não encaixa.
Fazemos uma paragem... Somos obrigados a reajustar a bússola. Mas por vezes, basta um passo ao lado para que o caminho comece a ser traçado sem o perigo de nos perdermos.
O início de estágio ficou marcado pela repentina doença do PC, que teria de se ausentar durante um mês. Desde cedo nos interrogamos o que faríamos caso o seu estado não melhorasse e o prolongamento da sua baixa fosse realmente necessário, tendo surgido uma luz ao fundo do túnel.
A professora Manuela Brochado, docente da instituição e vários anos responsável pela orientação de estudantes-estagiários, mostrou-se prontamente disponível a guiar-nos durante a ausência do PC.
“Assim, podemos conhecer e presenciar o trabalho de um professor, quer na sua forma de lecionar, quer enquanto diretor de turma, conhecendo estratégias, funções e encargos.” (Reunião Professora Manuela Brochado, 16
de Setembro)
Assim, começou a viagem que nos levaria ao encontro da nossa paixão. A primeira aula realizou-se dia 18 de Setembro e com alguma apreensão observamos a sua aula. Com receio e curiosidade começamos este ano letivo de forma distinta à expetativa criada inicialmente.
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“A professora já apresenta uma forma de lecionar as aulas dinâmica e muito interativa devido aos anos de experiência acumulados, o que nos transmite bastante informação oportuna para utilizarmos em aulas futuras.” (Aula de
Observação nº 1, 18 de Setembro)
Foi com grande agrado que nesta primeira aula, senti uma enorme paixão pela profissão escolhida não só, pela forma como a aula foi decorrendo, mas também pelo clima, atitude e interação que se foi criando entre todos os intervenientes. É realmente gratificante perceber que existem profissionais que elevam nas suas aulas, as qualidades do Desporto numa busca guiada e motivante.
A experiência profissional que a docente apresenta foi, igualmente, uma mais-valia neste processo de ensino. Ao longo do percurso em que a acompanhei fui assimilando conteúdos importantes e valiosos do ponto de profissional quer pessoal. As estratégias, organizações e métodos observados e aplicados foram mais-valias para o passo seguinte, a lecionação da minha própria turma.
“Com esta aula, consegui perceber bastantes aspetos acerca da interação e primeira abordagem aos alunos, bem como, aspetos essenciais da estrutura de aula, que podem ser benéficos para posterior aplicação e, essencialmente, que devem ser planeados para que se perca o mínimo de tempo em espera ou em instrução e se aproveite a aula de forma global.” (Aula de Observação nº1,
18 de Setembro)
Foi então decidido que das quatro turmas que a professora tinha, uma delas seria partilhada e a outra seria da nossa inteira responsabilidade. Assim, a meu encargo ficou uma turma de Línguas e Humanidades, do 12º ano. Esta turma apresentava alguns problemas de comportamento contudo torna-se mais motivante superar estes desafios através da nossa conduta enquanto professores. Assim encarei com confiança a minha primeira aula e o olhar enigmático dos alunos.
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“Tentei assim, adaptar todas as sugestões à minha aula e assim consegui controlar os alunos de forma eficaz. Ainda assim, confrontei-me com alguns alunos distraídos e desmotivados, aumentando a exigência e a atenção para esses casos específicos. No final em conversa com a professora, percebi que estes alunos tinham sido uma turma problemática no ano anterior, com algumas dificuldades e alguns elementos precisavam de maior atenção.” (Aula
Basquetebol, 18 de Setembro)
Confesso ter sido difícil o primeiro confronto com a realidade, quer pelo nervosismo, quer pela turma que se encontrava pela frente. Foi com convicção que, mesmo receosa, me mostrei confiante e no comando, passando para os alunos a sensação de tranquilidade. A verdade é que todos reagiram muito bem aos exercícios propostos, participando e empenhando-se na sua realização.
Acabei a aula com satisfação redobrada, com a certeza de gostar de ensinar, com a vontade de continuar a descobrir o que melhorar, com a garra de crescer com e para estes alunos. Neste sentido, não há nada melhor do que termos a certeza absoluta que escolhemos a profissão que amamos, transmitindo conhecimento, guiando jovens pelo caminho certo, construindo adultos competentes e fortes.
Com esta primeira experiência, ainda que temporária, fui capaz de captar e assimilar conteúdos de grande importância para a minha prática pedagógica. Este primeiro contacto com a realidade foi vantajoso na preparação do restante ano letivo e na turma atribuída. Posso comparar esta fase a uma pequena preparação onde assimilei algumas técnicas e metodologias para conseguir servir os propósitos que seguidamente iriam surgir.
Claro está que esta jornada ainda mal começara.
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“A diferença entre o impossível e o possível reside na determinação de um homem.” (Lassorda, s.d.)
A motivação que canalizamos para a nossa vida pressupõe um comportamento voltado para o esforço, trabalho e superação o que nem sempre, vai ao encontro da energia dirigida na obtenção dessa mesma motivação.
O termo motivação refere-se a diversos fatores e processos que as pessoas realizam ao saírem de uma perspectiva para outra, em determinadas situações. “Implica mostrar diversas razões para escolher algo ou executar algumas tarefas com empenho ou realizar uma atividade num longo período de tempo” (Peres e Marcinkowski, 2012, p.28).
Em Educação Física, por vezes, a direção e a intensidade que os nossos alunos colocam nas tarefas não fluem ao encontro do objetivo desejado pelo professor. Vários autores afirmam que “o conhecimento dos problemas que envolvem a motivação são importantes para o professor que atua na Educação Física Escolar, pois ele trabalha com alunos que são obrigados a participar das aulas.” (Peres e Marcinkowski, 2012, p.28).
Esta é a nossa pior realidade. A certeza que, nos dias de hoje, os alunos não entendem a Educação Física como uma disciplina benéfica, enriquecedora e positiva mas sim, como uma atividade de lazer com o objetivo de os abstrair das restantes disciplinas.
Não encontram na Educação Física os valores que esta transmite.
Não encontram na Educação Física a multiplicidade de benefícios inerentes à mesma.
Não encontram na Educação Física o prazer da cultura do corpo. Não encontram na Educação Física o gosto pela exercitação.
“Na última aula, e devido à falta de motivação apresentada pelos alunos, relativamente à modalidade de Atletismo, comecei a aula com um diálogo onde os alertei para a importância de ser esforçado e de manter uma postura mais empenhada.“ (Aula de Atletismo, 24 de Outubro).
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A utilização de estratégia direcionadas para os alunos, foi uma mais valia no cumprimento dos objetivos propostos. Inverter as soluções e ser capaz de observar o outro lado promove a satisfação pessoal dos próprios intervenientes, que ao sentirem-se eficientes e capazes, pretendem atingir resultados diferentes.
A motivação, como nos refere Magil (1984) cit. por Lima (2013) refere-se à causa de um comportamento. Esse comportamento está associado a impulsos, intenções, a forças interiores sendo que para conseguirmos perceber e incutir a motivação nos nossos alunos precisamos, sobretudo, de entender os motivos dos seus comportamentos.
Aliado a esta estratégia, o diálogo é capaz de proporcionar às pessoas, novos campos de ação transformadores do contexto onde estejam inseridos “e, porque é capaz de perceber-se enquanto se percebe a realidade que lhe parecia inexorável, também é capaz de objetivá-la” (Freire, 1996, p.75).
No meu ponto de vista, aliar o diálogo às motivações dos intervenientes parece ser o caminho correto para alcançar os objetivos que propomos em cada aula.
Quando falamos da aprendizagem é necessário ter em conta os diversos fatores que nela interferem. É provável que, o mesmo aluno, seja o mais motivado no que toca ao basquetebol, apresentando capacidades psico-motoras elevadas para a modalidade, e o mais desmotivado no que toca à modalidade de ginástica, onde se sente inseguro.
“No final da aula, e como esta teve alguns problemas na execução dos exercícios, pela falta de motivação dos alunos, conversei acerca deste aspeto. Tive sobretudo, especial atenção, em referir que todos somos capazes de alcançar aquilo a que nos propomos mas que, para isso, o trabalho tem que ser contínuo e o respeito pelo professor e pelos colegas tem que ser um valor máximo a atingir.” (Aula de Atletismo, 21 de Outubro)
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“O processo de ensino e aprendizagem em Educação Física não se limita somente em exercícios, habilidades e destrezas, mas em capacitar o aluno a refletir sobre as possibilidades corporais e exercê-las de maneira adequada” (Brasil, 1997 cit. por Lima, 2013, p.4). Na Educação Física encontramos esta bipolaridade que tem que ser analisada e permitindo que o professor em conjunto com o aluno, que deverá participar ativamente na aprendizagem, encontrem um caminho comum para o sucesso da modalidade.
Gouveia (2007), citado por Araújo, Mesquita, Araújo e Bastos (2008), aponta a motivação como principal fator influenciador no comportamento de uma pessoa, no processo ensino-aprendizagem, afirmando que “a motivação, influi, com muita propriedade, em todos os tipos de comportamentos, permitindo um maior envolvimento ou uma simples participação em atividades que se relacionem com aprendizagem, desempenho e atenção.”
“É através do papel ativo do professor, que os alunos podem ter acesso a esta diversidade de habilidades e capacidades motoras, essenciais ao reportório motor. E, o fato de mostrarmos com convicção os nossos ideais perante a turma, permite que esta siga a nossa visão e se mostre apta a colaborar, no sentido de atingir objetivos. Cabe ao professor, não permitir o desinteresse e o desfasamento da tarefa, por parte dos alunos, promovendo situações criativas, que não sejam estanques, onde os alunos se encontrem em atividade motora constante, mas que esta não seja repetitiva.” (Aula de Ginástica, 28 de Outubro)
Através das estratégias e das metodologias impostas nas aulas, pretendi aumentar a motivação dos alunos e com isto, promover uma participação ativa e empenhada dos mesmos, obtendo resultados positivos e direcionados ao sucesso de cada um.
“Se quer ser bem-sucedido precisa de se dedicar totalmente, até ao limite e dar o melhor” (Sena, s.d.)
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3.1.2.3. Dois em um: Voleibol, MED e TGfU
O desporto apresenta-se como um meio e não como um fim. Um meio de alcançarmos o sucesso, a inclusão, o entusiasmo e a literacia e para que possamos alcançar as metas propostas devemos selecionar o melhor modelo de abordagem.
Não existem receitas perfeitas e todos os métodos e estratégias utilizadas variam consoante a especificidade de cada um. Contudo, um dos modelos que mais adeptos têm ganho no meio da Educação Física é o Modelo de Educação Desportiva (MED), criado por Siedentop.
“O MED é um modelo de currículo e instrução, projetado para fornecer experiências desportivas autênticas e educacionalmente ricas quer para raparigas como para rapazes, no contexto da Educação Física escolar” (Siedentop, 2002, p.409).
Este modelo apresenta uma complexidade de tarefas que vai desde a formação de equipas, onde o trabalho em equipa compreende que todos se ajudem mutuamente, competição, de forma a aumentar a motivação demonstrando o resultado do trabalho de cada equipa e a festividade, típica do desporto e do clima de competição, fazendo com que o entusiasmo preencha a atmosfera desportiva.
“Na aula anterior, a turma formou equipas, de forma a organizar todos os exercícios e a dinâmica da aula em torno dessa mesma organização. Tendo em conta este aspeto, toda a aula foi planeada em função das 4 equipas. Esta organização permite que os alunos se relacionem entre si e adquiram responsabilidades de entreajuda e espírito de equipa no seio da aula, permitindo uma utilização racional do espaço e a execução das atividades mais eficaz.” (Aula de Voleibol, 31 de Outubro)
Neste sentido, pretendi que os alunos assumissem alguma responsabilidade perante a modalidade abordada, utilizando alguns princípios do MED, nomeadamente a competição e a formação de equipas
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cooperativas, de forma a atingir um objetivo comum: a capacidade de autonomia, entreajuda e trabalho.
“Como a modalidade era o Voleibol, e os alunos se mostraram bastante interessados pelo desporto, a aula decorreu sem qualquer problema. A organização adotada, resultou integralmente e mostrou-se benéfica do ponto de vista do rendimento da turma. Durante toda a aula, a turma mostrou-se motivada e com um grande desejo de superar os desafios que lhes eram exigidos. Mesmo os alunos com mais dificuldades, exercitavam as habilidades de forma continua e empenhada e eram ainda ajudados pelos colegas.” (Aula de Voleibol, 31 de Outubro)
O meu objetivo focou-se então em promover a harmonia entre a inclusão e a competição, onde o sucesso desportivo se mostre abrangente e plural, mediante os diferentes níveis e contextos apresentados. O desporto é a ferramenta de inserção social mais eficaz, pois o resultado é imediato e as transformações são surpreendentes (Flores, s.d.). Estas transformações devem dar-se ao nível cognitivo, socio-afetivo e psicomotor, englobando todas as competências que a Educação Física propõe nos seus objetivos.
Mais uma vez, o MED ressalta qualidades essenciais e importantes que todos os professores de Educação Física pretende ver adquiridas pelos seus alunos. Alheio a estes valores, demonstra como é estruturado uma época desportiva e todas as competências necessárias quer a treinadores como aos próprios jogadores, bem como ao meio envolvente (estatísticos, dirigentes e árbitros).
“Os objetivos do MED baseiam-se então em ajudar os alunos a tornarem-se competentes, literados e desportistas entusiasmados. Quero dizer competente no sentido de que eles são jogadores com conhecimento. Quero dizer literados no sentido de que eles entendem e valorizam o desporto e pode distinguir entre boas e más práticas desportivas. Quero dizer entusiástico no sentido de que eles participem e se comportem de forma a preservar, proteger e valorizar a cultura desportiva” (Siedentop, 2002, p.411).