CENTRQ
sócio-ÉcoNôM1co
DEPARTAMENTO
DE
SERVIÇO
SOCIAL
GRUPOS
DE
TERCEIRA
IDADE:
UMA
OPÇÃO
DE
VIDA
PARA
SEUS
COMPONENTES
,Apm ado Pelo
USS
...___/---._-/______, ` _z/
,/
\
1'mf
~05"i
' De de Sm-v\ço S0u¡8\ UFSG ATrabalho
de Conclusão de
Curso,apresentado
ao Departamento
de Serviço Socialda
Universidade Federal deSanta
Catarina
para
obtençãodo
títulode
Assistente Social pela
Acadêmica:
Marlene
MichielinPor
quantas
estradas, entre as estrelas,precisa
o
homem
mover-se
em
busca do
segredo final?
A
jornada é
difi'cil, infinita,às vezes impossível,
no
entanto, istonão
impede
que
alguns
de nós a
tentemos...Poder-se-ia dizer
que
nos
reunimos
à
caravana
em
um
certoponto;
viajaremosaté
onde
for
possível;mas
não podemos,
durante
uma
vida, ver tudoo
que
gostaríamos
de
observarou
aprender
tudo
que
desejaríamos saber. -Loren
EiseleyÀ
minha
mãe
TherezinhaNair
Michielin,À
ProfessoraZulamar Maria
Bittencourt de Castro, pelo apoio ecolaboração,
na
realização deste trabalho.À
Vera
Níciade
AraújoMiranda
Ramos
pelo incentivono
decorrerdo
estágio.' H
I
À
professora NilvaSouza
Ramos
pela orientação durante arealização deste trabalho.
À
Maria
Martinsda
Silva, que se revelouuma
grande amiga,quando
eu mais
precisei.Aos
Idosos dos Grupos,que
tiveopommidade
de conhecer pelocarinho recebido.
À
minha
família pela compreensão, duranteo
curso.Ao
Gabriel, pelosmomentos
felizesque passamos
juntos.A
todas as pessoasque
me
incentivaram, e ou,me
criticaram,mas
INTRODUÇÃO
... ..,.0óCAPÍTULO
-1 ... ..os1.1 - Considerações Sobre:
A
Ação
Social Arquidiocesana de Florianópolis-
ASA:
... ..091.2 - Paróquia
Nossa
Senhora
de Lourdes eSão
Luiz eSua
Ação
Social ... ..161.3 -
O
Grupo
de SenhorasSão
Luiz ... ..19CAPÍTULQ
-11 ... ..322.1 -
Grupos
De
Terceira idade -Uma
Opção
para o Idoso ... ..332.2 -
Grupo
de Idosos Santana a Partir de SeusComponentes
... ..38CONSIDERAÇÕES
F1NA1s
... ..53INTRODUÇÃO
Neste
trabalho apresentaremos nossa experiência vivenciadacomo
estagiária
de
Serviço Social, junto aoGrupo
de Idosos Santana.Pretendemos
expor, a partirdo
vividono
cotidianoo
significado__do
(§;upo_de`ldqsps para seus componentes,
com
os quais, nos relacionamos atravésda
práticade
estágio cuniculardo Curso
de Serviço Socialda
Universidade Fe-deral
de
Santa Catarina, duranteo
periodode
abril adezembro
de 1995.`
Nosso
tema
abordao
significadodo
Grupo
na
vida de seuscompo-
nentes,
como
resultadode
um
processo de transformação pessoal e social, oconi-do
atravésda
participação.A
partirdo
diálogo, e nossa vivência possibilitou-nos entendero
significado
do
Gmpo
na
vidada
pessoa idosa.Entendemos
que o
serhumano
éum
ser social por natureza, e con-sequentemente
tem
necessidade de estarna
sociedade e/ou fazer partede
Grupos
A
apresentação deste trabalho, far-se-áem
dois capitulos:No
primeiro, faremos algumas considerações sobre aAção
SocialArquidiocesana de Florianópolis -
ASA,
a qual nos proporcionouo
espaço paranossa prática
de
estágio,bem
como
falaremosda
ParóquiaNossa
Senhorade
Lourdes
eSão
Luiz ede
suaAção
Social, por ser esteo
localonde o
Grupo
de Idosos Santana desenvolve suas atividades.No
segrmdo
capítulo, falaremosdo
Grupo
de
Idosos Santana, a par-tir
da
observação, entrevistas e comentáriosde
seus componentes.Para fundamentar nossa práxis,
abordaremos
as seguintes categorias:conscientização, participação,
amizade
e transformação.Dando
sistematização ao trabalho, utilizamos a fenomenologia, porentendermos
sero
método
“mais adequado
à captaçãoda
realidade social”.1Finalizando este trabalho
de Conclusão de
Curso, apresentaremos nossas considerações finais,onde
a partirdo
vivido e observado durante nossapráxis, teceremos
um
retomo
reflexivocomo
estagiáriado
Curso de
Serviço So-cial.
Consta
ainda, as referências bibliográficasque
nos ajudaramna
fundamentação
teórica deste trabalho.1
1.1 -
CONSIDERAÇOES
s0BREz
A AÇÃO
socIAL
ARQU11)IOcEsANA
DE
FLoR1ANÓPoL1s
-ASA
Neste
primeiromomento,
situaremos aAção
Social Arquidiocesanade
Florianópolis -ASA,
que
foi fundadaem
17 denovembro
de 1960, e organi-:-
zada
estatutariamenteem
17de
novembro
de
1966,quando
adquiriu personalida-de
jurídica.2 i_
H
A
Ação
Social Arquidiocesana -ASA
éuma
instituição vinculada àArquidiocese de Florianópolis, cujos objetivos é prestar Assistência Social à po- pulação através de:
0 Realizar estudos sobre os
problemas
de assistência social, deeducação de
basee
de
promoção humana;
2
0 Colaborar
na formação da
consciência particular e pública, para que,no
ambi- ente social,vigorem a
solidariedade e fraternidadehumana, a
justiça social, esobretudo, a caridade cristã;
0 Planejar e
promover
a ação conjunta dasObras
eMovimentos
que
visem
a as-sistência social e a
promoção
humana.
0 Providenciar e
promover campanhas
junto àcomunidade
local,que visem
aobtenção
de
recursos materiais ehumanos
para seusprogramas
nonnaisou
para
o
atendimento das vitimas de eventuais catástrofes; 0 Divulgar os trabalhosda
Igrejano
carnpo social e educativo.A
Ação
Social Arquidiocesana de Florianópolis, desde suafimdação
abriu espaço para os estudantes
do Curso
de Serviço Social, desenvolverem seusestágios curriculares, junto às Paróquias
da
Arquidiocese.Podemos
destacar três fases de atuaçãoda
ASA,
que
marcaram
suatrajetória.
Na
primeira fase, consideramoso
período de1966
a 1969,quando
aAção
Social Arquidiocesana de Florianópolis -ASA
tinha urna relaçãocom
aCáritas Brasileira, instituição esta, ligada à órgãos internacionais
que
organizavaa distribuição
de
alimentos aos pobres nas comunidades, funcionava inclusive,como
um
escritórioda
mesma;
recebia alimentos provenientesdo Programa
Ali-ança
Parao
Progresso - Alimentosda
Paz, “auxilio prestado por países desen- volvidos aos paises ditosde
terceiromundo
ou
subdesenvolvidos”,que
eram
re-passados às
Obras
Sociais,numa
forma
mais organizadada
distribuição destes.Ainda, neste período foi
firmado
convêniocoma
aLBA
- Legião Brasileira deAssistência,
que
oferecia recursos paramanutenção
dos cursos de educação debase e os grupos sociais
que foram
criados nasObras
Sociais filiadas àASA.
Em
suasegunda
fase, relativa ao periodo1969
a 1977, acentua-sesua atuação voltada para a
promoção
humana
e para a sistematização dos traba-lhos junto às comunidades.
Neste
período aASA,
incentiva paraque
asObras
Sociais Filiadasadquiram
sua própriadocumentação
de personalidade jurídica,bem
como,
assu-mam
a responsabilidadeda
centralização de convênioscom
o
exterior; prestaçãode
contas, e relatórios,mantendo maior
autonomiaem
sua programação, deixan-do
assimde
serum
escritórioda
Cáritas,ou
entidade repassadora de recursos,como
acontecia até esta data.Priorizando apenas
em
sua programação, os trabalhos de capacita-ção profissional através de cursos semi-profissionalizantes, organização de gru-
pos
comunitários,com
incentivo à forrnaçãode
lideranças; coordenação dasObras
Sociais filiadas.Em
1975, destaca-se o inicioda
atuaçãoda
ASA
no
projeto deComunidades
Eclesiais deBase
,fa Igrejano
seutamanho
menor,ou
seja,uma
comunidade
unidapela
fé ea
caridade cristã ”3 e a criaçãodo
ProjetoMensagei-
3 Mzmuzú nas
ro
da
Caridade“Organização de doações
para
angariarfundos
para
comunida-
des carentes
A
partirde
1977,ou
seja, a terceira fase, se caracterizou por açõesde
transformações,no
que
diz respeitoao
papelda
própriaASA, como
o de Evangelizar ascomunidades
“incentivandopara
que
participemde
um
processohistórico cuja
origem
tem os desígniosda
Igreja ”, preferencialmenteonde
seencontra
o
Povo
em
processo de empobrecimento,dando
prioridade à capacita-ção
profissional; organização das comunidades; projetos de atendimento às cri- anças de rua e periferia.E
a orientaçãomaior
para a consolidação jurídica dasObras
Sociais,que
já efetuam convênioscom
aLBA.
Passando
nestemomento,
aatuar através
da
assessoria às obras sociais a ela filiada, criando assimuma
rela-ção
demaior
autonomia.A
idéiada
abertura deum
trabalho transformador foi se desenvol-vendo,
na
Ação
Social Arquidiocesana de Florianópolis -ASA,
e alterando seupapel junto as
Obras
Sociais: reforço às organizações populares,busca
denovas
lideranças, trabalho
de
organizaçãode meninos
emeninas
dascomunidades
deperiferia, e
meninos de
Rua
de
Florianópolis, assessoria aosGrupos
de Idosos dasAções
Sociais Paroquiais, coordenação dos projetos (da Arquidiocese) paraa
A
história das ações desenvolvidas pelaASA,
neste período, funda-menta-se
na busca da
construçãode novas
relações sociaisque
privilegiem a “justiça e
a
vidaA
década de
90, é essencialmentemarcada
porum
novo
quadrona
educação
dos Direitos,que
inclui a participação popular epropõe
a rupturacom
a passividade às questões sócio-políticasque
devem
envolver o conjuntoda
socie-dade.
Dentro
destepanorama,
as ações desenvolvidas pelaAção
SocialArquidiocesana
de
Florianópolis -ASA,
possibilitam caracterizá-lacomo
uma
entidadecomprometida
com
amudança
da
atual estrutura e as relações sociaispor ela impostas.
Concretamente
essecompromisso
se expressa atravésda
inter-venção
direta junto aos Conselhos paritários nas áreasda
Saúde, Crianças eAdolescentes, Idosos e Assistência Social.
Além
disto,vem
se constituindocomo
referência
no
apoio e atuação junto aos Fórunsda
Sociedade Civil, ecomo
espa-ço
privilegiadode
articulação das suas ações.Ainda
fazem
parteda programação da
ASA,
“projetosde produ-
ção
”em
diversas comunidades;buscando
alternativas de abastecimento,como
criaçãode
uma
cooperativaque
atualmente beneficiex 13comunidades
de perife-ria, através dos
armazéns
comunitários:O assessoria a 7
programas
comunitáriosde
atendimento a crianças eao
adoles-assistencialistas e conservadoras, abrindo-se espaços para práticas que, consi-
dera a criança e
o
adolescentecomo
sujeitosdo
processodo
ensino-aprendizagem;
0 assessoria para
aproximadamente 80
grupos de Idosos vinculados àsAções
Sociais Paroquiais, buscando-se para a população
da
Terceira Idade melhoriana
qualidadede
vida, espaço e conquista de seus direitos de cidadania;0 atendimento
de
medicina altemativa, enfatizando-seo uso
de ervas medicinais; 0formação de
gruposde
trabalhos, para capacitação profissional,conforme
ne-cessidade e levantamento prévio
da
realidade;0 Contribuição para formulação,
execução
e implementação de políticas públi- cas;ø
Ação
interventiva junto amovimentos
públicos;~
0 Contribuição para a evangelização das comunidades, por
meio
de práticas con-cretas
na busca
constante epermanente da
efetividadeda
cidadania;0 Capacitação continuada e/ou reatualização dos agentes envolvidos nos traba- lhos
da
AsAf'
Direcionando seus projetos e atividades às
comunidades
carentes, aASA,
atua diretamente nas paróquias à ela vinculada. Entre estas, encontramos aParóquia
Nossa
Senhorade Lourdes
eSão
Luiz, a qual faremosalgumas
coloca-4 Relatório
ções
no
próximo
item, sobre seu surgimento,bem
como,
sobreo
inicio e objeti-1.2 -
PARÓQUIA
NOSSA
SENHORA
DE LOURDES
E
SÃO
LUIZ
E
SUA
AÇÃO
SOCIAL
A
ParóquiasNossa
Senhora deLourdes
eSão
Luís, pertence à Ar-quidiocese de Florianópolis, e situa-se
no
BairroAgronômica
da
cidade de Flori-anópolis.
Em
1929,o
entãoBispo
Diocesano,Dom
Joaquim
Domingues
deOliveira, adquiriu terras
na Região do
Bairrode
Pedra Grande, hojedenominado
Bairro
Agronômica,
onde,em
uma
casa demoradia
readaptada, situada à ruaFrei Caneca, n° 64, foi instalada
uma
Capela
provisória, cuja inauguração aconte-ceu
no
dia22 de
setembro de l929.6Mas,
somente
em
15 denovembro
de1950, por decreto Episcopal,
que
foifimdada
a ParóquiaNossa
Senhora deLourdes
eSão
Luiz, por iniciativado
pároco, e a colaboração de algims paro-5 PARÓQUIA:
é uma célula da grande organização da igreja, imia comunidade organizada da igreja.
CAPAVERDE, Leonia. T.C.C. (1962, pi 2). 6 CAPAVERDE,
quianos, logo após
a
inauguraçãoda
Paróquia foi criadaA
Ação
SocialSão
Luiz,uma
instituiçãoque
tinha por objetivos dar tratamentomédico
e assistência far-macêutica aos pobres
da
Paróquia,bem
como
apromoção
da
instrução intelectu-al, profissional e religiosa das pessoas pertencentes à comunidade.
O
trabalhoda
Ação
SocialSão
Luiz, teve iniciocom
atendimento aos doentes necessitados,numa
sala junto à Paróquia,onde médicos
e enfermei-ras
prestavam
seus serviços,com
a colaboração de pessoas voluntáriasque
au- xiliavamno
encaminhamento
dos pacientes, e desenvolviam os trabalhos de edu-cação comunitária?
A
partir de 1959, inicia-seuma
mudança
nosencaminhamentos
das açõescom
entrada de alunos ligadas à área social.A
fundaçãoda
Faculdade de Serviço Socialem
Santa Catarina, neste ano, constitui-senum
marco
decisivo paraque
muitas instituições implantassemo
Serviço Social
na
sua ação interventiva junto à população através doscampos
de
estágio.
Na
paróquiaNossa
Senhorade Lourdes
eSão
Luiz, junto à Assis-tência Social
São
Luiz,o
estágio curricular de alunosdo Curso
de Serviço Socialteve inicio
no
dia30
demarço
de 1959,com
duas estagiárias desenvolvendo suasatividades sob a supervisão de
uma
professorada
Faculdade.O
primeiro trabalho desenvolvido, por exigênciado
Serviço Social epor solicitação
do
Pároco, foi a realização deuma
pesquisa junto às farnílias per-7
tencentes à Paróquia, onde, através de visitas domiciliares, seriam preenchidos
formulários pré estabelecidos,
que
objetivavao
conhecimentoda
situação religio- sa, moral, educacional, eeconômica
dasmesmas.
Nesse
período, as estagiárias se utilizaram deum
contingente de 155entrevistas,
correspondendo
às visitas realizadas,o
que
foi suficiente parao
co-nhecimento de
inúmeras dificuldades, cujo atendimento seria realizado pelas es-tagiárias. 8
Num
trabalho conjunto, interdisciplinar, serviço social e saúde, inici-aram
os atendimentos junto à Assistência SocialSão
Luiz,numa
pequena
salaque
constituiu-senum
processode
plantão, para atenderquem
dele necessitasse,ou
auxiliarno
encaminhamento
para outras institiições.Em
1960, as estagiárias iniciaramuma
nova forma
de atuação, co-meçando
entãoo
trabalhocom
Grupos.É
neste processoque
surge“O
Grupo
de
Senhoras
São
Luiz ”, qualpassaremos
a descreverno
próximo
item.8 sERv1Ço soc1AL
DE
cAsoszméwae aezmzçâe em serviço seeizl. (ESTEVÃO, Ana Mana,
o
que é serviço Social. 1984, p: 23).1.3
GRUPO
DE
sENHoRAs sÃo
LUIZ
Buscando
o
conhecero
Grupo
de SenhorasSão
Luiz, por indicaçãode
seusmembros
entrevistamos a ProfessoraZulamar
Maria
Bittencourt de Cas- tro,que
foi afimdadora
do
mesmo,
quando
foi estagiária de Serviço Social jimtoa
Ação
SocialSão
Luiz. -Na
entrevista realizadaem
10 de outubro de 1995,Zulamar
coloca:“Iniciamos nosso estágio,
na
Assistência SocialSão
Luiz,em
1960.Onde,
a
Faculdade de
Serviço Socialrecém
criada,fizera
um
de
seus
campos
de
Estágio, juntoà
Paróquia
Nossa
Senhora de
Lour-des e
São
Luiz.Como
alunada
segunda turma do
Curso, participeida
equipede
estagiárias
na
Assistência SocialSão
Luiz.Da
primeira turma, al-gumas
faziam
estágiono
Morro
do
Céu
na
mesma
Paróquia, atua-vam
já
em um
trabalhomais avançado
organizandouma
associa-Na
Assistência SocialSão
Luiz, inicieio
estágiocom
a
prática de Serviço Socialde
Casos,no
segundo
ano, passeià
práticade
Ser- viço Socialde Grupo,
eno
terceiro ano,ao
Desenvolvimento
eOr-
ganização de Comunidade,
eem
Ação
interativa,no âmbito
da
co-munidade,
que
para
nós
se encontravana
Rua
São
Francisco dePaula
enos
seus arredores, ruas estasque subiam
em
direçãoao
morro
eque
localizavamuma
população de
baixa renda, eque
eram minimamente
atingidas pelos serviços públicos.Como
projetode
Serviço Social de Grupo,me
propus
a
criarum
grupo de
mulheres,que
poderiam
ir construindo relações partici-pativas e instrumentalízando possível núcleo de organização co- munitária.
Tínhamos
pois,uma
intencionalidade:-
Criar
relações participativas e fazer surgir destas relações for-mas
de
organização popular, nesta área, localizadano
Bairroda
Agronômica.
Como
alunas,deveríamos
na
época, criar nossas próprias possibi- lidadesde
fazera
experiênciaem
Serviço Socialde
Casos, ServiçoSocial
de
Grupo
eDesenvolvimento
eOrganização de
Comunida-
de.
V
Precisávamos
para
isto, ser criativas, ter iniciativa e irem
frenteFiz visitas e conversei
com
algumas
mulheresda
rua
São
Vicentede
Paula,na
maioriadonas
de casa,que
moravam
nas
proximida-des
de
um
rústico salão,que
se localizavano
altoda
rua
São
Vicen-te
de
Paula._
Falava
com
estas mulheresde nossa
intenção,de
criarum
'GRUPO
DE
MULHERES
', e, interpretava que, era alunado
Cur-so
de
Serviço Social, e queria fazer algocom
a
população do
Bair-ro,
em
beneficioda
comunidade.Indagava do
interesseda
entrevis-tada,
em
participarde
um
grupo
de mulheres epedia
sugestõespara
objetivá-lo.Uma
das
sugestões, foio
interessedas
mulheresdas proximidades
da
Assistência SocialSão
Luizde
concluíremo
recém
realizado cursode
Corte e Costura,uma
iniciativada
Paró-
quia e
do
SESI.Diziam algumas
mulheres entrevistadas,que
não
haviam
recebidoo diploma
do
curso edesejavam que
isto se con-cretizasse
Teorizando sobre a
formação
deGmpos,
recorremos a Bofl`, (1978,p
55)que
coloca:“o trabalho
com
grupos, se desenvolvea
partirde
estudosdos
problemas
reaisda
população ou
classe social,com quem
vai setrabalhar,
onde o
agente social, deve teruma
ação que permita
estar junto, inserido dentro
das
iniciativas, lutasou
ações embrio- nâriasjá
em
curso, descobrindo desdeo
iniciocomo
a população
está reagindo
aos
problemas que
convive. Deve-se,na
medida do
possível, aproveitar
o que já
existe,0
que
vem
de dentro,não
sendo
necessário colocar algo novo, imposto
para
iniciarda
estaca "zero",ou
desenvolver necessidadespara
determinados grupos.podendo
partirde
uma
ação
espontânea,porém
organizada.No
inicio, é necessárioque o
agente,tome
iniciativa echame
o
povo
para
um
encontro, e partindo-sede
um
problema
que
interes-se
grande
partedo
grupo, se expõe.O
trabalhopopular
seprocessa
em
doismomentos:
'Reflexão eAção
'.A
reflexão,tem
um
cunho
essencialmente educativo, parteda
teo-ria,
que
visao
entendimentoda
realidade, éo
momento
da
consci-entização.
É
o
próprio atodo
conhecimento,ou faz
parteda
Edu-
cação Popular
Continuando
Castro coloca:“Diante deste interesse manifestado fizemos
o
convitepara a
1°reunião
com
algumas
mulheres,para
tratarmosde
discutir as pos-sibilidades
das
alunasdo
Curso de
Corte eCostura
receberem
seuscertificados.
Tive entendimentos
com
a
Paróquia
ecom
o
SESI; outras reuniõespar-ticipado
do
curso.E
com
todas elasforam-se
programando a
data,local, os convidados e
a
festividadeda
entregados
diplomas;Este primeiro projeto sustentado
por
relações participativas epor
um
processo
organizativo, semanteve
atéa
realizaçãoda
cerimo- niade
entregados
certiƒicadosdo Curso de
Corte e Costura.Depois,
houve
uma
queda na
participação das mulheres.Algumas
vinham
a
reuniãomas
não
voltavamna
outra; oque
se havia dis-cutido,
em
relação as atividadesdo grupo
a
seu objetivoem
uma
reunião, tinha
que
ser reiniciadona
outra,porque
aspessoas que
vinham
não eram
asmesmas.
Foram
quatromeses de novas
tenta-tivas,
novas
entrevistas.A
maioriadas pessoas
moravam
há pouco
tempo
na
Rua
São
Vicentede
Paula,quase
não
haviao que
sepo-
deriachamar
de
relaçãode
vizinhançaou de amizades
na
Rua,ou
nas
vizinhançasda São
Vicentede
Paula”.Como
podemos
perceber, pelodepoimento de
Castro, a participaçãoocoma
de
acordocom
os interesses pessoais, jáque
não
haviaum
convíviocom
laços deamizade
entre os participantes e atémesmo
pelo pioneirismo das açõesgmpals na comunidade.
Segimdo
FREIRE,
(1974, p: 29)“A
conscientização éum
atode
conhecimento, implica desvelamen-essência
mesmo
dos
fatoscomo
objetos cognoscíveis,para
desvelara
razãode
ser destes fatos ”.Continuando
Castro:“Mas
aos
poucos
as mulheresforam
se sensibilizandoà
criação deum
Grupo,
sugerindo projetopara
trazer mulheres às reuniões,manterem
uma
freqüênciaque
permitisse criarem relações partici-pativas e suas
formas
de
organização.A
amizade
entre elas foi se fortalecendo,a
solidariedadecomeçou
a
emergir,quando
quiseram
fazer enxovaispara
crianças pobres,cujas
mães
recorriamà
ajudada
Assistência SocialSão
Luiz ”.Nas
relações deamizade
geralmente são colocadas as necessidadesimediatas, a partir daí,
pode
surgir laços significativos euma
relação duradoura.Segundo
Albertoni (1989, p: 74):“A amizade nasce
como
uma
relação interpessoal, entre individua- lidades contrapostasao
grupo,mas
pode
transformar-se, ela tam- bém,gradualmente
em
grupo
Castro Coloca:
“As
senhorasque
começaram a confirmar
sua
freqüência e seu in-teresse
em
se reuniremeram
habilidosas e trouxeram estas habili-dades ao
cenáriodas
reuniões,dando
inicio as atividadesque
re-sultava
na
confecçãode
enxovaispara
recém-nascidos, desdea
l
lã, até
à
confecçãodas
peças,a
composição dos
enxovais,a
sele-ção de
mães
gestantes ea
distribuiçãodos
enxovaisA
partirda
vivência gmpal, inicia-seum
processo de incentivo, a participação entre as próprias mulheres, surgindotambém
um
processo de orga-nizaçao manifesto pelas integrantes
do
Gmpo.
Segtmdo
Capalbo
(1980, p: 32):“Signiƒicação subjetiva
não
ésinônimo de
exclusividadepara
um
indivíduo. Signiƒicação subjetiva
quer
dizerque
ela é manifestaçãodo
fenômeno
para
um
sujeito,a
partirde
um
lugar,de
um
ponto de
vista
que
podem
ser vivenciados e experimentadospor
quaisquersujeitos
que
seposicionem
neste lugar e nesteponto de
vista.A
si-gnificação subjetiva é
de
fato intersubjetiva, comunitária, enão
individual e isolada.
A
significação é vivenciada pessoalde
um
su-jeito, pois é
por
ele experimentada,mas
ela éao
mesmo
tempo de
valor universal, pois
pode
ser vivenciada,compreendida
ecomuni-
cada
por
outros sujeitos ”.Ainda
Castro:“Intermediavam
estes trabalhoscom
a programação
eexecução
dos
lanches, de festividades de aniversários e outrasque
sustenta~vam
as relações afetivas e oportunizavamo
estabelecimentode
re-lações
que
eram
participativas e pedagógicas,que significavam
da
vida,do
casamento,da
maturidade,da
educação dos
filhos,dos
acontecimentos
da
localidade /comunidade mais
próxima
emais
ampla da
realidadeda
Rua
São
Vicentede
Paula,à
Paróquia
eao
município”.
Sobre assunto, citamos parte
da
entrevistacom
Dona
E.S., senhoraque
fez parteda fundação do
Grupo
de Senhoras:“Olha
bem
que eu
tentei deixarde
participardo
Grupo,mas
não
conseguime
desvincular,quando
mudei do
bairro, decidi partici-par
das
atividadesde
outra Paróquia,porém
tiveque
voltarpara
cá.
Esse
Grupo
faz
parteda
minha
vida,não
consigo deixar.Aqui
eu
tenhominhas
amigas, encontro conforto,somos
como
uma
fa-mília,
para
mim
elassão
como
minhas
filhas,temos
liberdadede
criar e assim
nos
realizamos ”. (Entrevistaem
05/10/95).Nas
relações sociais criadas pelosmembros
dos Grupos, a afetivida-de
eo companheirismo
são muito presentes, e muitas vezes são confundidosou
comparados
com
a
relações familiares, onde, principalmente a mulher, passaa
tratar os
membros
do grupo
como
seus filhos.Continua Castro:
“Após
um
tempo, resolveram criar possibilidadesde
reunirem asgestantes e orientá-las
na
confecção dos enxovaisenquanto faziam
elas próprias e /
ou trocavam
os enxovaisde
seusbebês
e recebiamorientações sobre
a
gestação e nascimentodos
bebês.As
festividadesde
Nataleram
celebradas peloGrupo
com
ativida-des
que são
próprias destas celebrações; e nestasprogramações
surgiu
o
interesse delasde
fazera
festividadedos
“Velhinhosda
Paróquia”;
visitara-os, convidara-ospara a
festividade, acrescen-taram
Cestasde
Natal,com
alimentos,que
eram
presenteadosa
eles.
Nesta
solidariedade manifestada pelasmulheres
do
Grupo
às pes- soasda
Terceira Idade,que
por
sua
pobreza,não
podiam
celebrarcom
uma bom
jantar,o
seu Natal, foi-se originandoo
Grupo
San-tana, cuja gestação se deve
ao
Grupo
deSenhoras
São
Luiz.O
tempo
foi passando,mas
oGrupo
deSenhoras
São
Luiz continu-ou
até hoje.E
até hoje,há
mais de
30
anos, aindacom
algunsmembros
da
épo-ca de sua
criação e outrosque
foram
vindo, e continuao
grupo
na
suas reuniões semanais.Quando
o
Grupo
de Senhoras
São
Luiz, fez15 anos prestou-me
uma
homenagem.
E
agora nos emociona
saberque algumas
de su-as mulheres, fundadoras,
nos
citamcomo
a
estagiáriaque
fez tan- tos esforçospara
com
elas, criaro
Grupo
Santana,que
sefez
pio- neiroenquanto
criaçãodo
Grupo da
Terceira Idade junto asAções
gru-pos
nas
Paróquias, eque
são eles sujeitos desua
própria organiza-ção
e ação.Sobre o
Grupo
de Senhoras,também
colocamos o depoimento
deM.
S
partlclpantedo Grupo,
desde sua fundação.“Éramos
em
poucas no
inicio,a
turma
do
Grupo
se reuniana
VilaSão
Vicente,o
Padre
colocou láuma
Santinhapara nó
rezar,a
qual
mais
tarde era levadade casa
em
casa,para
arrecadar
di-nheiro
para
as despesascom
a
confecção dos enxovaisde
bebês.Nesta
época,não
existiaa
LBA,
eo
grupo
tinhaque
semanter
com
verbasdas
senhoras voluntárias. Iniciamos as atividades,com
5 ou
6
senhoras.Hoje estamos
em
I 7 participantesContinuando
Castro coloca:“Ainda enquanto
estagiáriafiz
um
trabalhocom
grupos de
adoles- centesmeninos que
hojeentram
na
categoria de“meninos de
rua ”,'reunimos homens, mulheres
para
debaterem
e refletirem sobre osinteresses às questões comunitárias e
que
começaram a
instrumen-talizar
a
criaçãode
um
Conselho Comunitário
na
Rua
São
Vicentede
Paula.E
nossas colegas criaramgrupos
de jovens /mulheres
euma
“Agência de
FamíliaAinda
cabe
acrescentar nesta entrevista,que
os trabalhos de Servi-Paróquias
atéquando
se estruturoua
Ação
Social Arquidiocesanade
Florianópolis -ASA
, e constitui
sua
equipe de assistência socialque
deram
prosseguimentos ecoordenação
aos trabalhos das di-versas equipes
de
alunasde
Serviço Social,que
duranteanos
sus-tentaram
a
Ação
interventivade
Serviço Socialem
Paróquias de
Florianópolis.Cabe
ainda
dizer,que
com
um
Professorde
Sociologia ede Eco-
nomia da
Universidade Federalde
Santa Catarina,já
como
Assis-tente Social e Professora
do Curso
de Serviço Social, realizamosuma
PesquisaSócio-econômica
e religiosa,em
todos os municípiospertencentes
a
Arquidiocesena
época,que deu origem
ao
I eao
IIPlano de
Pastoralde Conjunto
eà
estruturaçãoda
Ação
Social Ar-quidiocesana
de
Florianópolis.Percebemos que o
Grupo
de SenhorasSão
Luiz,fundado
pela esta-giária
de
Serviço Social Zulamar, teve seus objetivosbem
definidos a partirde
sua fundação, pois
mesmo com
as transfonnações sociais ocorridas, continua a desenvolver suas atividadescom
ações voltadas às pessoas carentesda
comuni-dade,
mantendo
um
processo democrático e participativo entre seusmembros.
Sobre
o
Grupo
atualmente,Dona
E.S. Coloca: '“Eu
fui Presidentedo
Grupo
por
muitotempo, agora
éa
Dona
Clelia,
nós temos
eleiçõesde
doisem
dois anos,mas
ninguém quer
ser presidente,porque a
presidente aqui, sótem
responsabilidade.Nós
não
temos
envolvimentoscom
políticosou
com
instituições, nósrealizamos nossos trabalhos
com
recursos nossos eo que
angaria-mos com
realizaçãode
Chá
beneficente ea
feirados
trabalhosma-
nuais,
preservamos
certas tradiçõesdo
iniciodo
Grupo,como
O
Natal dos
Velhinhos, ereservamos
momentos para
oraçõesA
Contatamos
nas vivências relatadas,que o
Grupo
de
SenhorasSão
Luiz,
tem
uma
preocupação
com
a sociedadena
totalidade.Confonne
colocaDona
M.
S.:“Entendemos que
as políticas sociais direcionadasao
povo devem
ser
bem
analisadas,ou
atémesmo
reformuladas, pois hoje,como
está
não
atingequem
realmente necessita.A
meu
ver,o processo
político só será resolvido
com
a
educação. Pois,povo
educado
lutapor
seus direitos, ecumpre
seus deveresConforme
foi colocado acima, a partirdo
processo educativo,o
povo
adquire e desenvolve sua conscientização,podendo
assim influirna
trans-formação
social.As
atividades realizadasno
Grupo, são desenvolvidascom
esponta-neidade,
num
processo democrático,onde
tudo é resolvidoem
conjunto.Percebemos também, que o
Grupo
de SenhorasSão
Luiz, concreti-outros
Gmpos,
dos quais, destacamoso
Grupo
de Idosos Santana,o
qual relata2.1 -
GRUPOS
DE
TERCEIRA IDADE
-UMA
OPÇÃO
PARA
O
IDOSO
A
sociedade atual tentanão
apenas tirar nosso direitoà
morte,mas
também
nosso direito à vida.Com
freqüência, priva a infância de alegria,subme-
te
o
adolescente rebelde auma
causa inútil, intimidao
adulto parauma
incertezacontínua;
mais
trágicoque
tudo, nega-nos a dignidade de nossa velhice.X)
Os
idosos são privados de opções, a única coisa pela qual lutaram durantea
vida inteira para conseguir, esem
opção
são relegados à decadência - sozinhos, solitários e desamparados. .\\
Uma
das altemativas colocadas para as pessoasda
Terceira Idade enquanto espaço de lazer,de
troca de experiências, de conhecimentos eformação
de amizades, são os Grupos.
_
O
Grupo
de Idososvem
ao encontro dos indivíduoscomo
uma
forma
de superação: ser idoso
no
Brasil significa dizer, fazer partedo
vultosonúmero
para valorização
do
capital,como
principalmente, pelo equivocadopensamento
de
uma
pretensãomoral
socialconforme aduz
Salgado, (1989, p:74):“Durante
muitosanos
se descuidou dessegrupo
etário, pois todasas
grandes
disposiçõesem
qualquer sociedade estãosempre mais
voltadasao
atendimento prioritáriodos
jovens e muitoembora
não
existam
formalmente
diferençasde
direito entre jovens e idosos,a
política desenvolvimentista está
sempre mais
atentapara
os primei-ros ”.9
O
Grupo
de
Idosos,tem
se apresentado para muitas pessoascomo
sendo
um
momento
de
superação, pois desenvolveo
espiritode
luta, despertando para a consciência dos direitosde
cidadão e de pessoahumana.
Segundo
Buscaglia(1978
p: 145):“Nos grupos
aspessoas desenvolvem sua
capacidade sentindo-se igualaos demais
componentes, éuma
maneira de
superara
dis-criminação, principalmente se levarmos
em
contaque
vivemosnuma
sociedade cheiade
preconceitos, eonde
aspessoas são
jul-gadas pelo que
fazem
ou
tem enão
pelasua
qualidadede
ser hu-mano.
”`,$“8UDmante muito tempo, só se piivilegiou
o jovem,
e a sociedade foicriando
modelos que deviam
ser seguidos,com
isso marginalizouo
idoso, fazen-do
com
que
ele se sentisse inútil.Conforme
coloca Salgado, (1989, p:l6):“por ser
uma
construção social, 'invenção' de processos sociais epsicossociais,
a
velhice eo
idosoemergem
da dinâmica
demográfi-ca,
do
modo
de
produção
econômica,da
estrutura e organizaçãode
grupo
e classes sociais, dos valores epadrões
culturais vigentesdas
ideologias correntes edominantes
edas
relações entreo
estado ea
sociedade civil¿
As
pessoassempre
envelheceram,porém
nas últimas décadaso
ido-so
passou
a seruma
preocupação
social,entendemos que
isso está acontecendo devidoo
a transformação neste contingenteda
população,com
o
prolongamentoda
estimativa de vidada
humanidade.Segimdo
estimativasda
OrganizaçãoMundial da
Saúde,no ano
dois mil, a população idosa será equivalente as demaisou
seja,uma
proporçãode
50%.1°Neste
sentido,concordamos
com
Buscaglia, (1978, p: 104)“Não
temos
permissão
de envelhecer,sem
uma
profunda sensação
de
vergonha.Dizem-nos que
as rugasdevem
ser odiadas,que
per-der o
vigorfisiológico é setomar
inútil,que
com
nossos sentidos debilitadosperdemos
todaa
esperançade
alegria, estética e pro-1° IsToÉ/1aos-26/10/94.(c‹›mp‹›nzmem‹›,
dutividade.
Somos
influenciadospara
que escondamos nossa
idade,ocultemos as rugas e
pintemos
o cabelo. Limitando nossas ativida-des
em
lazer,para não
sermos
um
fardo
para a
família e o estado "_(Buscaglia, 1978). .
Porém, não
basta para ahumanidade
viver mais, é necessárioque
todos
tenham
condições de viverbem,
osGrupos
voltados para a Terceira Idadetem
proporcionadouma
alteraçãona
vida de muitos idosos, pois é alique o
idosoencontra pessoas
com
asmesmas
deficiências, e /ou
asmesmas
capacidades,onde
elepode
sentir-se igual,não
se sentindo marginalizado.segundo
Neri, (1sToÉ/1308-26/1o/94);“envelhecer tem aspectos positivos,
como
a
sabedoriaacumulada
ea
liberaçãodos
papéis familiares e profissionais, permitindo inves-timentos
em
auto-realizações e atividadespara
as quais muitas ve-zes
não
setem
tempo ao
longoda
vida,como
esportes cursos e via-gens
”.Entre os muitos tipos de
Grupos
existentes, encontramos osGrupos
que
direcionam suas atividades à pessoasda
Terceira Idade, onde,um
dos seusprincipais objetivos é amenizar a solidão
do
idoso e lutar paraque o
Idoso sinta-se inserido
na
sociedade.Segtmdo
Rodrigues, (1991, p:3), os grupos direcionados a Terceira“-
Promover
e ressocializar o idoso, proporcionando-lhe oportuni-dade de
ser útil;-
responder
deforma
dinâmica a
todasa
necessidades expressasou
não
do
idoso,para
que
se beneficieao
máximo
da
vida grupal;7,
-
proporcionar aos
membros
do
grupo, ajudamútua na
resoluçãode problemas
individuais, que, porventura, existam, desenvolvendorelações pessoais, que, porventura, existam, desenvolvendo rela-
ções pessoais e intercambiando afeto e
compreensão;
- desenvolver atividades, as
mais
variadas possíveis: recreativas,sócio-culturais, de produção,
de
auxilio e assistência,que
lhes dê-em
prazer
eque
contribuampara
sua
reintegraçãona
sociedade; -proporcionar
a
integraçãodo
grupo
com
outrosgrupos
existentesna comunidade
ecom
pessoas
de
outras faixas etárias, incentivan-do, assim,
o
convívio entre geraçõesIdentificamos vários desses objetivos
no Grupo
de
Idosos Santana,2.2
GRUPO
DE
IDOSOS
SANTANA
A
PARTIR
DE
SEUS
COMPONENTES
Para
melhor
entendermos as atividades desenvolvidas peloGrupo
de Idosos Santana,,se faz necessárioque
conheçamos
sua origem e seu surgimento.Este
Grupo,
foio
pioneiro a desenvolver atividades relacionadas àTerceira Idade,
na
Arquidiocese de Florianópolis.O
Grupo
de Idosos Santana, écomposto
atualmente, por32
senho-ras,
não
existindo a participação masculina.As
mulheresque
compõem
o
Grupo, estãona
faixa etária entre60
à78
anos, das quais, seis participam das atividadesdo
Grupo
desde sua fundação;oito participam a
mais
de cinco anos; as demais,ou
seja, dezoito iniciaram juntoao
Grupo
nos
últimos cinco anos.Das
senhorasque
participamdo Grupo
de Idosos Santana, apenas 74nove
participam apenas d/esse grupo, onze senhoras participam de dois grupos,sete, participam de três grupos, e cinco, participam
de
quatro grupos, assim sendoestão todos os dias
da
semana
em
grupos diferentes.O
nível sócioeconômico
das senhorasdo
grupo apresentou-seda
seguinte maneira: quinze senhoras são aposentadas,
doze recebem
pensão dos maridos já falecidos, cinco senhorasresponderam que não recebem
aposentadoria enem
pensão.O
estado civil das participantesdo
Grupo
apresentou-seda
seguintemaneira, casadas
dez
senhoras, solteiras quatro componentes, sendo que dezoito,são viúvas.
Das
mulheresque
participamdo
Grupo
de Idosos Santana,doze
de-las
moram
no
centroda Cidade de
Florianópolis, dezpertencem ao
BairroAgro-
nômica, e
dez
são procedentede
outros Bairrosda
Cidade.Quando
iniciamos nosso estágio curricular de Serviço Social juntoao
Grupo
de
Idosos Santana,conhecemos dona
A.S.,uma
dasfimdadoras do
Grupo,
eque
faz partedo
Grupo
ocupando o
cargode
presidente, a qual entrevis-tamos, para
podermos
conhecermelhor o
grupoem
que
iríamos atuar,onde dona
A.S.
nos
Coloca:“Este
Grupo
teve seu ínicioem
1962,quando
uma
estagiáriade
Serviço Social,
Chamada
Zulamar
Castro, criouum
Grupo
de
Se-_nhoras,
do
qual surgiu este emais
outros.A
partirdo
Grupo
de
Se- nhoras,com
a programação do
'Nataldos
Velhinhos ”,eu
e outrasenhora
dona
N.Úá
falecida),que
participávamosdo
referido gru-po, tivemos
a
idéiade fundar
um
grupo
para
pessoas
idosas e soli-tárias
que
viviamabandonadas na
comunidade. iIniciamos o
Grupo
seguindo osmesmos
principiosdo
Grupo
de Se- nhoras, issono
ano
de
1972,com
a
participaçãode
dez idosos, osquais
passaram a
colaborarnas
atividades de trabalhos manuais,cada
um
conforme sua
capacidade,para a
confecçãode
enxovaisde
bebespara mães
carentes.Também
direcionamos nossas ativi-dade
para
o lazer, organizando tardes festivascom
bingos, chá, emomentos
reflexivosde
oração, e discussão das políticas sociaispara
o
IdosoA
partir das colocações dedona
A.,percebemos que
a preocupaçãodas
fimdadoras
do Grupo,
bem
como
os objetivos,vinham
ao encontro a Luna ne- cessidadeemergente
de seus participantesna
época.Na
década
de setenta, muitas instituições iniciaram suas atividadesdirecionadas para a área
da
Terceira Idade, cujos objetivos era a reintegraçãodo
idoso
na
sociedade.Continuando dona
A.S. coloca:“O
Grupo
de
Idosos teveuma
boa
aceitaçãopor
partedos
partici-pantes, e logo foi crescendo,
com
otempo
as atividades desenvolvi-das
foram
mudando,
hoje, os trabalhosmanuais são
direcionadospara
a
confecçãode
panos
de
pratosbordados
ecom
crochê,que
servem
para a
realizaçãode
uma
feira, cujos objetivos é angariarfundos
para a manutenção
do
Grupo,com
viagens, passeios, bin-gos
e outras atividades.A
partirdos
relatos dedona
A.S., e pela observação enquanto esta-giária junto ao
Grupo, percebemos que o
serhumano,
por natureza, necessita es-tar
em
contatocom
outras pessoas, e pelo processoda comunicação
edo
vividono
seu cotidiano,que
se concretizam as relações sociais.Segundo
Pavão, (1988, p:32):“O
dialogo propiciauma
forma
de
relação,em
que o
encontro en-tre
o
eu eo
outro sedá
por
meio de
situações concretas vividasno
cotidiano e permite
a
compreensão do
outro.É
no
encontro, entreo
)¿eu e
o
Qultro, nessa experiência vividaque
sepode
compreender o
`
ser,
um
ente capaz,de
abertura,de
acolhimento "_A
partir das ações refletidas e dialogadas,onde
as pessoas expres-sam-se livremente,
que
surgem
aspectos significativos de suas vivência eo
signi-ficado
de
sua participação.Conforme
colocadona M.A.:
“Antes
de
entrarpara
o
Grupo, eu era só, viviamal humorada
enão
falavacom
ningém, hoje, estou totalmentemudada,
vêscomo
sou
tagarela, falocom
todomundo,
aprendia
me
comunicar
com
Neste
sentido,concordamos
com
Freire, (1974, p: 94),quando
diz:“O
diálogo éuma
exigência existencial, e se ele é0
encontroem
que
se solidarizao
refletir e o agirde
seus sujeitos interessadosao
mundo
a
ser transformado e humanizado,não
pode
reduzir-sea
um
ato
de
depositar idéiasde
um
sujeitono
outro,nem
tampouco, tor-nar-se simples troca
de
idéiasa
ser consideradas pelospermutan~
tes.
Não
há
diálogo senão
houver
um
profundo
amor
ao
mundo
eaos
homens
Partindo das ações dialogadas,
procuramos
observar osfenômenos
através
do
vividono
cotidianodo
Grupo, para dessaforma
termosuma
compre-
ensão
dos
conteúdos significativos dosfenômenos
observadosna
realidade vivi-da.
Para isso, recorremos aos procedimentos adotados por Pavão, (1988,
p: 81),
envolvendo
quatromomentos:
“I
°Gravação
-que proporcionou o
registrodo
diálogo duranteo
trabalho, e guardou,
fundamentalmente
aquiloque
foi dito;2
° Transcrição -obedecendo
aosprocedimentos
dessa técnica,o
que
resultouno documento
que
foi utilizadopara
analise e classifi-cação
do
material obtido;3 ° Classificação -
que
permitiuo
surgimentode
tipos emergentesobservado de maneira
significativa,ou apreender
a
sua
própria estrutura;4
°- Interpretação - Foi feita dentrode
uma
reflexão
fenomenológi-ca,
sem no
entanto pretender seruma
análise definitiva, poisa
rea-lidade
contém
uma
infinidadede
perspectivas; ea
compreensão do
objetode
pesquisanunca
é fechada, permitindo assimuma
constan- te transformação. ”Durante nossa atuação junto a
Grupo
de Idosos Santana, realizamosalgumas
atividades de reflexão,onde
seusmembros
em
equipes de4
a 5compo-
nentes debatiam os
temas
propostos,onde abordamos o
significadoda
participa-ção. _
Sobre esta categoria, obtivemos dos
membros
do
Grupo
os seguin- tes depoimentos:Equipe
“A”:“Para
nós, participar significar fazer partedo
Grupo, e estarsem-
pre
presente,fazendo
as atividadesdo
Grupo,bem como
participardas festas e passeios organizados pelo
grupo
_,E
yEntendemos
que
a participação faz parteda
vidado
serhumanos,
/\×
por ser
um
ser socialtem
necessidades de estarem
relaçãocom
seus iguais.“O
homem
não pode
participar ativamentena
história,na
socieda- de,na
transformaçãoda
realidade, senão
é auxiliadoa
tomar
consciência
da
realidade desua
próprio capacidade,para
trans-formá-la
Dona
L.B., coloca:“Participando aqui
do
Grupo, eu tive outra visãoda
vida, eda
so- ciedade,me
sinto ativa, gosto muitode
ajudar as pessoas, assim eu3<
também
estou crescendo, poissempre
estouaprndendo
coisas no-/\/
vas
-,9
A
partirda
participaçãona
sociedaeo
idosotoam
consciência de suaexistência,
bem como
passa a atura junto os seu semelhantes.\'\/\,\
Para Freire, (1980, p: 44):
“a conscientização, é
uma
atode conhecimento
em
que o
homem
aà medida
que
sepercebe
no
mundo,
atua nele ecom
ele.A
consci-entização
não
pode
existirfora
da
“práxis”, unidade indussolúvel entrea
ação
ea
reflexão
sobre omundo
As
componentes da Equipe
“B”
colocam:“Entendemos
.que participandodo Grupo
nós
podemos
lutarpor
nossos direitos, e estamos
nos
ajudando
buscando
nossoespaço
na
sociedade-s
A
partir das respostas obtidas, foi possível perceberque
a consciên-co-munidade,
especiahnentequando
se trata de pessoas idosas, as quais durante suaexistência já
passaram
por muitas privações pelo sistema e pelo Estado. Nestesentido,
concordamos que a
conscientização social éum
processo longo, a serconstruido gradativamente.
Conforme
coloca,Dona
M.S.:“Sabemos
que temos
direitos garantidoscomo
idosos,mas
fazeresses direitos
serem
cumpridos, éprocesso
dificil,tem
coisasque
são
leis,mas
sea
genteprocura
demora
um
bocado
para
se resol-verem, muitas vezes
o
Idoso desiste,para não
morrer
na fila
espe-rando.
Um
exemplo
éa
situação atualda
saúde,que
deixa muitoa
desejar, e
o
Governo
dizque
todos tem direitoa
saúde
gratuitaAs
políticas sociaisem
nosso Pais, aindadeixam
muito a desejar,em
todas as áreas,
porém
o que
se refereao
idoso, deveria ser priorizado, pois ele já trabalhoumna
vida toda,pagando
por seguro de aposentadoria, e muitas ve- zes pela burocracia,morre
antesde
usufiuir.Segundo
Freire (1980, p:26), a conscientização é:“um
compromisso
histórico.É
também
consciência críticana
his-tória, implica