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PARA
PRODUÇÃO
DE
COGUMELO
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"SHI1TAKE".
PRODUÇÃO
EM
TORAS
DE
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Florianópolis
Santa Catarina - Brasil
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Protocolos para produção de cogumelo “Shiitake". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, L. V. - 1997af-^
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282 669'1 UFSC-BU 4 Il il 1 I lLINDOMAR
VANDERLEI PRITSCH
PRoTocoLos
PARA
PRODUÇÃO
DE
coGUMELo
"SHIITAKE"
PRODUÇÃO
EM
TORAS
DE EUCALIPTO
Trabalho apresentado à Universidade Federal de Santa Catarina
Como
partedos requisitos para a obtenção do
Grau
de EngenheiroAgrônomo.
Comissão
Examin
ora:
4,//Z
,JW/
Dr. Paulo Emílio Lovato Dra. Margarida
Matos
de Men/c¶‹›nça__: Orientador
Supervisora
Eng. Agr.
Admir
José Giachini¡W€33§
Protocolos para produção de cogumelo "Shiitake". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, L. V. - l997
ê~
O
presente trabalho é parte de minhas atividades desenvolvidascomo
estagiário na divisão deMicrobiologia do Solo, do Departamento de Microbiologia e Parasitologia do Centro de Ciências Biológicas da
Universidade Federal de Santa Catarina, no periodo de 1 a 31 de agosto de 1997, sob a orientação
do
Prof.Paulo Emílio Lovato, e supervisão da Prof. Margarida
Matos
de Mendonça. Seu contexto aborda todas as etapas relacionadas ao processo de produção de cogumelos comestíveis da espécie Lentinula edodes, desde aprodução de inóculo e avaliação de sua qualidade até a fase de incubação
em
toras de eucalipto.As
fases subsequentes até a produção das fiutificações serão desenvolvidas e acompanhadas por mim, na qualidade debolsista de iniciação científica, até julho de 1998.
O
trabalho sugere aindaum
modelo protocolado de produção baseado nas obsen/ações realizadas.Protocolos para produção de cogumelo “Shiit.'.\ke". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, L. V. › 1997
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Siegfredo
Adalberto
Pritsch
Protocolos para produção de cogumelo "Shiitake". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, L. V. - 1997
r
im
nt
À
minhamãe
pelo apoio e confiança depositados.À
PhD
Margarida Matos
deMendonça,
pelos inúmeros ensinamentos e ai formahumana
com
quetem
me
orientadoAo
Dr. Paulo Emílio Lovato, pela orientação prestada no desenvolvimento deste trabalho e a amizademanifestada,
Ao
amigo Eng. Agr.Admir
José Giachini pelo parceirismo e valorosa contribuição nodesenvolvimento deste.
À
Dr,
VetúriaLopes
de Oliveira, pela orientação, compreensão e estímuloem
meus
primeiros passosno
mundo
científico.Aos
professores Dr. Alexandre Verzani Nogueira e Mest.Germano Nunes
Silva Filho pelo apoio.Ao
corpo docente do Centro de Ciências Agrárias, pelos conhecimentos passados,sem
os quais nãome
seria possivel a execução deste.
Aos meus
colegas do curso pelo apoioem
todas as etapas da vida acadêmica.A
estescom quem
sempre pude contarcom
0 apoio e auxilio: Analia,André,
Gabriela, Gilson, Jackeline, João, J oséRenato
(zeca), Juliano, Luiz,Mônica,
Mauricio,Rodrigo
eSamara
Enfim,
a todos que diretaou
indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho.Protocolos para produção de cogumelo "Shiitake“. Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, L. V. - l.997
Em
muitos países o cultivo de fungos comestíveis ocupa lugar de destaque, sendo estes vistoscomo
importante fonte de alimento de alto valor nutritivo e de baixo custo.O
cultivo de estirpes da espécie Lentinuíaedodes é o segundo no
mundo
em
Volume de produção sendo este cogumelo muito apreciado por suas qualidades medicinais.No
Brasil, não existem trabalhos científicos sobre as condições de cultivo dessa espécie.Algumas
estirpes , entretanto, apresentam adaptabilidade às condições ambientais de algumas regiões brasileiras.O
estudo do desempenho dessas estirpesem
determinadas condições regionais específicas,bem como
a utilização de materiais nelas disponíveis, toma-se essencial para a viabilização da produção comercial.O
presente trabalho visa à avaliação desse desempenho de duas estirpes de L. edodes (#01 proveniente dosEUA,
e#15
japonesa)em
suas várias etapas de produção, utilizando-se materiais disponiveisno
estado de Santa Catarina. Inicialmente foi avaliado a taxa de crescimento micelial das duas estirpes in vitro através da medida docrescimento radial do micélio
em
meio Maite - agar a partir deum
disco de inóculo.Em
seguida foi avaliado o crescimento micelial do inoculanteem
substrato composto por serragem (80%), farelo de trigo(10%)
e milho picado (10%), através da medida de peso seco do substrato e taxa de crescimento a partir do ponto deinoculação.
A
estirpe #01 apresentou,em
ambas
as etapas, maior taxa de crescimento.Os
protocolos deProtocolos para produção de cogumelo “ShiitaIce". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, L V 1997
§umá
rig
INTRODUÇÃO
... ..sMATERIAL
E
MÉTODOS
... .. 122. 1
MATRIZ
MIÇELIÃL: ... ,. 122.2
PRODUÇÃO DO
INÓCULO PRIMÁRIO
... _. 12 2.3PRODUÇÃO DO
INOCULÃNIE
... .. 122.4
PROCESSO DE [NOCULÃÇÃO
... .. 152. 5
INÇUBAÇÃO
OU
CORRIDA
DO
MICÉLIO ... .. 16RESULTADOS
E DISCUSSÃO
... ..173.1
MATRIZ
MICELIÃI ... .. 173 .2
PRODUÇÃO
DE INÓCULO PRIMÁRIO
... .. 173.3
PRODUÇÃO DO
INOCULÃNTE
... .. 183.4
INOCULAÇÃO
... ..2O 3.5INCUBAÇÃO
... ..2OCONSIDERAÇÕES
FINAIS
... ..z2ANEXOS
... ..235.1
ANEXO
OI.”FÓRMULA
COMERCIAL
MEIO
1\/IAIÍIE-AG-AR ... ..235.2
ANEXO
02IPROTOCOLO
PARA PRODUÇÃO
COMERCIAL
DE
COGUMELOS
COMESTÍVFISEM
TORAS
... . . 23REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
... ..27Õ. 1 BIBLIOGRAFIA
CITADA
... ..27Protocolos para produção de cogumelo "Shiitake". Produção em toras de eucalipto, - Pritsch, L. V, - 1997
À
1.
Introcluçao
O
cultivo de cogumelos comestíveis no Brasil éuma
atividade de pouca expressão e praticamente inexistente no estado de Santa Catarina.O
hábito de utilizar fungos na alimentação, introduzido por europeus easiáticos,
nem
sempre está associado auma
importante fonte nutritiva, e simcomo uma
forma de culinária diferente e sofisticada.Em
outros países, a culturado
cogumelo é consideradacomo
importante fonte de alimento de altovalor nutritivo e dietético, e
como
forma de aproveitamento e valorização de resíduos de origem agro-industrial (Chang, 1984).Os
vários tipos de cogumelos comestíveistêm
reconhecido valor econômico no hemisfério norte, e só nos Estados Unidos a cultura movimenta cifras anuais daordem
de 700 milhões de dólares.Em
1991 aprodução mundial de cogumelos foi da
ordem
de 4,27 milhões de toneladas (Miles&
Chang, 1997).A
cultura de cogumelos comestíveis no Brasil foi iniciadaem
1.953 por agricultores japoneses,em
Mogi
das Cnizes SP, sem, contudo, alcançar destaque devido a limitações técnicas e de infra-estrutura (Molena, 1975).A
produtividade brasileira continua baixa apesar dos avanços alcançadoscom
a melhoria de técnicas e instalações nos últimos anos.Um
dos principais motivospode
estar ligado a escolha de espécies fúngicas nãoadaptadas a climas tropicais,
como
é o caso de Agaricus bisporus, espécie mais cultivada no Brasil, e cuja produtividade não chega a 'Á da produtividade holandesa ou da americana (Fidalgo&
Guimarães, 1985).No
entanto,em
decorrência da imensa amplitude climática e do grandenúmero
de resíduos agro- industñais que apresentam potencialcomo
substratos para o cultivo, o Brasil apresentaum
quadro propício àprodução de outras espécies fiíngicas, dentre as quais o Lentinula edodes (Berk.) Pegler, mais conhecido
como
shiitake.
L. edodes é conhecido pelos japoneses há milênios e teve seu cultivo iniciado na China (960 - 1127).
Em
1313, o chinêsWang
Cheng
descreveuem
seu “Livro da Agricultura” a técnica de cultura desse fungo, quefoi introduzida no Japão por fazendeiros chineses entre os anos de 1500 a 1600 (Przybylowicz
&
Donoghue,1990).
O
shiitake ocorre naturalmenteem
florestas quentes e úmidas do leste Asiático.O
Japão é o principal produtor,com uma
produção anual de 13.000 t (Przybylowicz&
Donoghue, 1990; Bononi et al., 1995). Esta espécie ocupa a segunda posição nomundo
em
volume de produção.O
preço obtido na maioria das capitais do ocidente varia deU$
10 a 14 porkg
do produto fresco. Porém, a forma maiscomum
de comercialização éo cogumelo desidratado, cujo valor no mercado é de cerca deU$
40 - 80/Kg (Olivier et al.,1991; Bononi et al.,1995).
Na
Europa e nos Estados Unidos, L. edodes representa importante fator de diversificação agrícola (Fair,1983, citado por
Badham,
1991).O
consumo
do "shiitake"tem
aumentado significativamente nos últimos anos obrigando certos paísesda Europa e os Estados Unidos a suprir a
demanda
através de importações.No
Brasil, haum
mercadoProtocolos para produção de cogumelo "Shiirake". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, L. V. - 1997
pela imprensa nos últimos anos.
No
entanto, o cultivo está ainda limitado a pequenos produtores (Bononi et al.,1995).
A
ampla aceitação desse cogumelo está ligada às suas qualidades organolépticas e às propriedades terapêuticas comprovadas.Algumas
estirpes de L. edodespossuem
princípios anti-virais, anti-bacterianos, anti-fiíngicos e anti-tumorígenos. Possuem, ainda, princípios capazes de reduzir os nives de colesterol no sangue e a pressão sangüínea. Resultados experimentais demonstraram que o sistema imune de animais foi ativado e o
desenvolvimento de tumores reduzido (Flegg, 1984; Royse, 1985; Mori, 1986, Przybylowicz
&
Donoghue,1990; Jong
&
Birmingham, 1990; Bononi et al., 1995).O
cultivo deste fungo xilófago pode ser feito de duas maneira.Em
toras ouem
substratoscom
diferentes composições, sempre fornecendo celulose e carboidratos.O
cultivo tradicional é feito sobre toras demadeiras duras,
em
geral da família Fagaceae, sendocomum
a inoculação de toras dos gêneros Quercus, Fagus,Castenea, Carpinus e Catanopopsis. Essa técnica é muito utilizada na Ásia e principalmente no Japão (Przybylowicz
&
.Donoghue, 1990, Raska&
Matilla-Sandnholm, 1991).No
Brasil, a produção geralmente é feitasobre toras do gênero Eucalyptus, da família Myrtaceae.
A
espécie preferida dos produtores é a E. saligna,embora não existam relatos cientificos sobre resultados
com
outras espécies ou gêneros.A
preferência possivelmente se dê pela disponibilidade desta madeira e seu baixo custo quando comparadocom
as espéciesnormalmente utilizadas por produtores asiáticos
como
os japoneses. Atualmentepouco
se conhece sobre o cultivo de L. edodesem
climas tropicais e sob diferentes espécies vegetais (Raska&
Matilla-Sandholm, 1991).A
preparação das toras envolve vários estágios.A
tora,uma
vez cortada, deve permanecer na floresta por cerca de 20 a 30 dias para diminuir a umidade e para que substâncias,como
as fitoalexinas, nocivas aodesenvolvimento do micélio,
possam
ser reduzidas na madeira.Após
esse periodo as toraspodem
ser cortadasnos tamanhos desejados (Przybylowicz
&
Donoghue, 1990; Bononi et al., 1995).É
importante observar a estação de corte das árvores.O
período ideal é o outono, quando as reservas nutricionais das plantascostumam
estar elevadas. Assim, essas reservas que seriam aproveitadas pelas plantas no invemo, poderão fornecer nutrientes para que o micélio colonize a madeira, permitindo que ocorra, posteriormente,uma
maior e melhor frutificação (Przybylowicz&
Donoghue, 1990).As
toras a ser inoculadasdevem
estar limpas, livres de liquens e galhos protuberantes.A
superficie dacasca deve estar seca e
sem
ferimentos.O
conteúdo de umidade deve estar preferencialmente entre 35 -55%
(Przybylowicz
&
Donoghue, 1990).Um
dos principais pontos de estrangulamento nessa técnica de produção refere-se a qualidade doinoculante (Przybylowicz
&
Donoghue, 1990,Royse
&
Bahler, 1986; Miller&
Jong, 1978, citados porRaska
&
Matilla-Sandnholm, 1991). Vários problemas
podem
afetar a fase de produção deste.Um
desses está relacionadocom
a forma de conservação da matriz. Esta normalmente e' mantida in vitroem
meio de cultura quepode apresentar diferentes formulações. Durante a multiplicação dessa matriz, ocorre
uma
rápida divisão celularque pode ocasionar mutações. Essas mutações resultam
em
adaptações aos nutrientes e seus níveis nos meios decultura, o que conduz a rápida colonização do meio. Entretanto este inóculo ao ser submetido as condições de
colonização das toras pode não ser tão eficiente
bem como
pode apresentar modificações morfológicas a nívelde frutificação (Przybylowicz
&
Donoghue, 1990).Protocolos para produção de cogumelo "ShiiLalce". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, L. V. - 1997
É
portanto importante o estabelecimento de condições dearmazenagem
adequadas dessa matriz, assimcomo
oacompanhamento
do crescimento dessas culturas para a detecção de mutações.Outro fator que pode afetar a qualidade do inoculante ainda na fase in vitro está ligado a degeneração da estirpe pela presença de virus
ou
sucessivas repicagens.Também
aarmazenagem
inadequada da matriz miceliana pode degenerar o vigor deuma
cepa. Já na fase de multiplicaçãoem
substratos, a presença decontaminantes
ou
o armazenamento inadequadoou
por longos períodospodem
causar consideráveis prejuizos nas fases subsequentes (Przybylowicz&
Donoghue, 1990; Bononi el al., 1995).O
inoculante para uso no processo de inoculaçãoem
toras pode ser produzidoem
diversas formulações, de acordocom
as condições de cultivo, disponibilidade de material, e custo de produção.Em
geral,é constituído por serragem suplementada
com
grãos e farelo de cereais, ou blocos de madeira colonizados (Przybylowicz&
Donoghue, 1990; Bononi et al., 1995)..Pesquisas
têm
sido desenvolvidas no sentido de se definirem as condições ideais de desenvolvimento micelial de L. edodes.Na
fase de produção deinoculante,em
1985, Olaf avaliou diferentes estirpes e verificouque as condições ideais foram:
pH
entre 4,1 e 5,5 e umidade relativa do arem
torno de 65 a68%,
com
temperatura variando de 25 a 28°C.
Com
relação às exigências nutricionais, as condições adequadas aocrescimento micelial são alcançadas adicionando-se, a serragem, suplementos que otimizem o nível de nutrientes. Estes suplementos
podem
ser desde resíduos de grãos de cereais, até sais minerais,como
carbonato de cálcio e sulfato de cálcio, e sua adição depende do tipo de substrato empregado.O
objetivo dessa suplementação é propiciarum
teor de carboidratos facilmente hidrolizáveis eum
teor de nitrogênio de cerca de0,5%
na mistura(Campbell
&
Slee, 1986; Przybylowicz&
Donoghue, 1990).Inóculos produzidos
em
substratos contendo altos teores de suplementação apresentam crescimento mais acelerado e conseqüente redução dotempo
do processo produtivo, contudo,têm
um
custo mais elevado emaior suscetibilidade a contaminantes (Przybylowicz
&
Donoghue, 1990).A
inoculação dos troncos é feita mediante perfuração das toras e introdução do inoculante.Comumente,
os furos são efetuados,com
o auxílio de furadeira elétrica, distribuidos de forma helicoidal, nadensidade de 2 orificios a cada 10 cmi,
com
profundidade e espessura variando de acordocom
o modelo doinoculador.
Em
climas mais quentesem
que a pressão de inoculação é alta, mais orificiosdevem
ser efetuados deforma a conseguir colonização mais rápida.
Os
orificios são preenchidoscom
a matriz (inoculante) e recobertoscom
parafina fundida(80%)
e breu (20%).A
vedação é essencial para evitar o ataque de pragas e contaminantes, além de manter a umidade do inoculante.No
Brasil, écomum
o ataque de formigas aoinoculante, fato que reforça a necessidade de vedação (Bononi et al., 1995).
No
processo de perfuração é interessante que sejam observados alguns detalhes.A
furadeira deve terrotação alta, superior a 6.000rpm, de forma a diminuir rebarbas e aumentar a velocidade do processo.
A
parafinadeve ser liqüefeita a temperatura de aproximadamente 127°C, ponto
em
que proporcionauma
vedaçãotransparente e não permite a redução da umidade do inoculante, o que pode inviabilizar o micélio.
Caso
avedação seja aplicada a temperaturas muito baixas, será formada
uma
película opaca e quebradiça, que a curto prazo se destacará da tora.A
assepsia durante o processo todo deve ser rigorosamente aplicada sob risco daProtocolos para produção de cogumelo "Shiitake". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, L. V. - 1997
Após
a etapa de inoculação inicia-se o periodo de incubação das toras, quando ocorre a corrida domicélio de L. edodes e a colonização da tora. Nesta fase,
um
manejo cuidadoso é essencial para evitar problemascom
contaminantes (Nutalaya e Pataragetvit, 1981 ; Shinkoosha, 1981, citados por Przybylowicz&
Donoghue,1990).
O
controle da umidade, luminosidade e circulação do ar é essencial para favorecer o crescimento micelialdo shiitake
em
detrimento aos contaminantes.A
incubaçãopode
se darem
ambiente aberto ouem
estruturas especialmente constmídas para o controle dos fatores mencionados.As
condições ambientais e a quantidade detoras a ser processadas determinam a área a ser utilizada e a necessidade
ou
não de estruturas especiais.O
arranjo dos troncos para a incubação
pode
obedecer a diferentes formas, sendo a maiscomum em
forma defogueira (Przybylowicz
&
Donoghue, 1990; Bononi et al., 1995).Uma
perda de10%
dos troncos por contaminações é considerada economicamente viável.As
toras queapresentarem contaminação
devem
ser eliminadas ou isoladas dos demais (Bononi et al., 1995).A
incubação duraem
media 12 a 18 meses, quando a etapa seguinte deve ocorrer. Para que ocorra aformação dos carpóforos (frutificações) é necessário
uma
redução na temperatura ambiental (12-20°C).Em
função disto, nos paises de clima temperado a produção ocorre no outono e na primavera.No
Brasil a produçãoestá restrita ao final do outono até o
começo
da primavera (Bononi et al., 1995).O
pico da produção se dá nos 2° e 3° anos de colheita, sendo que o ciclo total pode durar até 7 anos. Colhe-seem
média20%
do peso inicial da madeiraem
cogumelos.Os
cogumelosdevem
ser colhidos após 4ou
5 dias do aparecimento dos botões (Bononi et al., 1995).
Em
conseqüência da ampla distribuição natural do shiitake, muitas linhagenstêm
sido descritas e identificadascom
características especificas e adaptadas às regiões onde ocorrem (Campbell&
Slee, 1986).Algumas
linhagens estão sendo melhoradas geneticamente objetivandouma
maior produtividade, maiortolerância a contaminantes, a diferentes temperaturas, e redução do ciclo de frutificação (Stamets, 1993; Bononi et al., 1995).
O
Estado de Santa Catarina, pela própria característica essencialmente agrícola, apresenta disponibilidade de vários substratos quepodem
ser aproveitados para a produção comercial de cogumelos.Uma
importante fonte de matéria prima é a serragem, que constitui
8%
de todo material processado pelas indústrias madeireiras. Existem cerca de 4.000 dessas indústrias no Estado,com
processamento anual de aproximadamente 800.000m3
de toras.Além
disso, o estado apresenta condições ótimas para o cultivo de espécies silvícolaspassíveis de ser utilizadas na produção de L. edodes assim
como
condições climáticas,em
determinadas regiões,próximas às ideais.
O
presente trabalho visa o desenvolvimento de protocolos para produção do cogumelo comestível, L. edodes, nas condições ambientais de Florianópolis,bem como
o desenvolvimento e a avaliação da qualidade doinoculante deste fungo.
Protocolos para produção de cogumelo "Shiit21l‹e". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, L. V, - 1997
1 I
2.
Material
e
Metodos
O
material e métodos apresentados referem-se a inoculação de 100 toras.Todo
o desenvolvimento doprocesso de produção pode ser visualizado no organograma apresentado na Figura 01.
2.1
MATR|z
M|cELiAL:
Utilizaram-se duas estirpes de Lentínula edodes (estirpes #01 americana e #15 proveniente do Japão), selecionadas por suas carateristicas de fmtificação
em
altas temperaturas (i25°C).Duas
culturas de cada estirpeem
meio Malte-Agarl foram preparadas e inoculadasem
condições assépticas de câmara defluxo
laminar, e incubadasem
estufasBOD
durante 10 dias a 25°C i-2.Após
este período,um
tubo de cada cultura foi devolvido a micoteca para manutenção da matriz, e outro foi repicado para produção do inóculo primário.2.2
PRoDuçÃo
oo
INÓcuLo
PR|wiÁR|o
Foram
preparadas 3 placas de Petri contendo meio Malte-Agar e inoculadascom
o micélio de cadaestirpe.
Após
novo período de 10 dias de incubação, estas culturas foram repicadas para 16 placas para cadaestirpe,
com
omesmo
meio. Incubou-se durante 10 diasem
câmaraBOD
a 25°C (i2), e a taxa de crescimento micelial in vitro foi avaliada, medindo-se o crescimento radial do micélio, a partir do ponto de inoculação (discocom
ø
= 9mm),
de 10 placas para cada estirpe.A
avaliação foi efetuada a cada dois dias, porum
período de 10dias a partir da data de inoculação.
2.3
PRODUÇÃO
DO
ÍNOCULANTE
O
cálculo da quantidade de inoculante a ser produzido baseou-se na estimativa de que 12,5 litros deinóculo são suficientes para inocular 100 toras (Stamets, 1993).
Além
das 100 toras a ser inoculadas tínhamosnecessidade de mais 12 litros para avaliações do crescimento periódico (a cada 8 dias). Considerando-se
uma
perda de
20%,
chegou-se a necessidade de 30 litros de substrato que foi preparado segundo a seguinte composição:80%
Serragem10%
Farelo de trigoO
10 Ai milho picado.
O
substrato foi distribuídoem
frascos de 1 litro contendo 800 ml de substrato, e foram esterilizadosem
autoclave a 121°C por dois períodos de 60 minutos,com
um
intervalo de 24 horas entre cada esterilização.1
Protocolos para produção de cogumelo “Shiitake", Produção em toras de eucalipto, - Pritsch, L. V. - 1997
A
inoculação do substrato foi realizadaem
câmara defluxo
laminar a partir do inóculo primário.Em
cada frasco foram inoculados três porções de meio Malte-Agar
tomado
pelo micélio, retiradas da placa de acordocom
0esquema
apresentado na Figura 02.Pl
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Figura
01
:Organograma de
Material
e
Métodos.
Protocolos para produção de cogumelo "Shiitakc". Produção cm toras de eucalipto. - Prilsch, l.. V. - 1997
Figura
02:Representação
do
sistema de
seleção
das
porções
de
micélioa
ser
utilizadosna
produção do
inoculante.
A
massa micelial produzida no substrato selecionado para produção de inoculante foi determinadaatravés de avaliações do peso seco, e de medidas lineares do crescimento do micélio desde o ponto de
inoculação até à base do substrato.
Uma
amostra de10%
do peso seco do substrato foi retirada a cada 8 dias, divididoem
parcelas de 5 gde peso úmido, seca
em
estufa, e seu peso seco determinado.Para avaliação da taxa de crescimento micelial, foi medida, visualmente
(em
cm), o percurso dosubstrato pelo micélio a partir da parte superior
do
frasco (ponto de deposição do inóculo). Esta medida foiiniciada ao l9° dia de incubação, repetindo-se a partir de então a cada 5 dias.
A
tomada do
substrato pelo micélio ocorreu sob condições ambientais controladasem
câmara decrescimento climatizada.
2.4
PROCESSO
DE
|NOCULAÇÃO
As
toras utilizadas foram provenientes do municipio de Antônio Carlos, estado de Santa Catarina, daespécie Eucalyptus saligna,
com
um
diâmetro variando entre 8 a 15cm
e comprimento médio de l m.A
umidade inicial estava entre 45 e
50%.
Foi efetuadouma
seleção eliminando toras que apresentavamdanificações na casca, rachaduras ou outros ferimentos que expusessem seu albume. Procedeu-se
também
uma
limpeza para eliminação de sujeiras e liquens.Foi preparada
uma
tora referência não inoculada para cada 50 toras inoculadas.As
toras referência serviram para monitoramento da umidade relativa que requer a manutenção entre 35 e 55%.As
toras foram perfiiradascom
o uso deuma
fiiradeira, sendo os orificios distanciadosaproximadamente 5
cm
entre si.O
diâmetro dos orificios foi de12mm,
com uma
profundidade de20mm.
Estedimensionamento objetivou a compatibilidade
com
o inoculador usado. Regiões da toraem
que ocorriam nóstiveram a densidade de fiiros aumentada, fato que se repetiu nas bordas ou perto de pequenos ferimentos no
córtex.
Para 0 processo de inoculação, utilizou-se
um
inoculador comercial.O
inoculante foi retirado dosfrascos e depositado
em um
recipiente desinfetadocom
álcool onde foi homogeneizado e compactado.O
15Protocolos para produção de cogumelo "Shiilul‹c". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, I.. V. - I997
inoculador foi abastecido (após desinfecção) socando-se este sobre o inoculante compactado, para então depositar no interior dos orificios das toras.
Na
sequência o inóculo foi compactado e nivelado na tora.Para vedar os pontos de inoculação, utilizou-se
uma
mistura contendo80%
de parafina e20%
de breu.Os
dois ingredientes foram aquecidos a l27°C, homogeneizados e aplicados sobre os pontos de inoculaçãocom
o auxílio deum
pincel. '2.5
ÍNCUBAÇÃO
OU
CORRIDA
DO
MICÉLIO
A
incubação das toras deu-seem
casa de vegetação climatizada,com
temperatura mantidaaproximadamente a 25°C (i5).
As
toras foram distribuidasem
pilhas (fogueira) sobuma
armação de ferro quesustentava
um
malha de sombrite.A
umidade relativa do ar e a temperatura foram monitoradas diariamentecom
termohigrógrafo e a umidade relativa das toras detemiinadas a partir das toras referência pesadas a cada semana.As
pilhas das toras foram irrigadas sempre que a umidade das toras apresentava baixas de 2 a3%.
A
umidade relativa do ar foi elevadacom
o auxílio deum
umidificador sempre quePmtoeolos para produção dc cogumelo "Shiilakc". Produção cm toras de eucalipto. - Pritsch, l.. V. ~ I997
I
É
3.
Resultados
e
Discussao
3.1
MATRIZ
MICELIAL
Os
quatro tubos repicados apresentaram crescimento satisfatóriosem
mutação morfológica aparente.Um
tubo de cada estirpe retomou à micoteca para manutenção das mesmas.3.2
PRoouçÃo
DE Inócuto
PR||viÁR|o
As
curvas de crescimento micelial in vitro das duas estirpes (#01 e #15) estão apresentadas na Figura 03.390
.,.a-,a....-_.c___...f._¬....,_..--.-....t.W..._.__.W
7,09. . -;..- ....M.
... -.«_.~.___-. crescimontoridialmm ._-1 19 .W 3- sl'9
,S8
'88
8
'8iam
ins
--Log.
(#01)~--Leg.
(#15) ,._._.___._.._.._.__ 0¡00 2. _A
9. a 1o Tefrlpio, diasFigura
03:
Taxa de
crescimento
radial
do
micélio
(em cm)
in
vitro,de duas
estirpes
de
L.
edodes
(#01
e
#15)
em
meio
MaIteIAgar,
a
25°C.
O
crescimento radial da estirpe #01 foi superior ao da estirpe #15 a partir do sexto dia de avaliação(com
diferença estatística significativas segundoANOVA
a95%
de inferência).No
oitavo dia as placascontendo a estirpe #01 foram acondicionadas
em
geladeira (i4°C) para sustar o crescimento,uma
vez que amelhor fase para transferência foi atingida.
A
utilização de placas onde o meio esteja totalmentetomado
pelo micélio, pode facilitar a inclusão de contaminantes nas fases subsequentes (Stamets, l993).A
medida de crescimento radial éum bom
indicativo para avaliar o crescimento do micélio, entretantoé interessante associa-la a outras fonnas de avaliação.A
possibilidade de erro reside no fato de que esta avaliasomente
um
sentido de crescimentodo
micélio, não tendo inferência sobre produção de massaem
profundidade, por exemplo.Protocolos para produçao de cogumelo "Shiilakc"i Produção em toras dc eucalipto. - Pritsch, I.. V. - 1997
3.3
PRoouçÃo
Do
INocuLAN'rE
A
análisedo
peso secodo
inoculante nos permite inferir comparativamente qual das duas estirpes apresentou crescimento mais acentuado, ecomo
este crescimento se comportou ao longo de detenninado periodo.A
afirmativa se baseia no fato de ser o fungo tratadoum
organismo não autotrófico, portanto, somenteirá transformar o material contido no fi'asco, não incorporando massa ao
mesmo.
Sabe-se que o L. edodes aodegradar os componentes
do
substrato, libera COz, o que ocasionauma
redução gradativa no peso seco doinoculante. Esta diferença foi avaliada. Tal
método
de inferência foi proposto por Miles&
Chang
(1997) aodescrever métodos de análise para determinar o crescimento de fungos.
A
variação do peso seco entre o 8° e o 40° dias apresentou-se conforme a Figura 04.Verificou-se
uma
linha de tendência negativa para o peso seco do substrato colonizado pelas duasestirpes de I,. edodes.
Os
dados foram submetidos auma
análise de variância a95%
de inferência, apresentandodiferenças estatisticamente significativas entre as duas estirpes, a partir do 24° dia. Observa-se
também
que,embora não linear, o peso seco da testemunha apresentou-se superior
em
todas as avaliações, ocorrendoum
aumento gradativo nas diferenças a medida que aumentava o período de colonização.Outro fator a ser observado é
um
pequeno aumentodo
peso seco a partirdo
32° dia para as amostras colonizadas, e do 16° dia para a testemunha. Este aumento pode estar relacionadocom
a perda gradual de umidade sofrida pelo substrato.Como
a amostragem era feitacom
peso úmido, a medida que esta umidadediminuia¬ aumentava o peso seco amostrado. Este incremento de massa na amostragem perrnaneceu imperceptivel nas amostras colonizadas até
uma
sensível diminuição no crescimento micelial, enquanto que natestemunha foi detectado de imediato.
2,30 '~~-~----~-f-~----›~¬'---~¬-¬f~ ---~~ ~~ 3,00
í#01
-#15
-&-Testenunha
_--Log.
(#01)ítog.
(#15) _ 19,50_
W
Íí
aos
_ . . . . ,~o,oo QG' 4.5' '33 4° _ .. Peso soco medio em9
Q) NN
ij' gÉ
É
bl
.- ' _»8
8
Peso :ooo medio em gramas datestemunha - 2,00 _1 .SilFigura
04:
Peso
seco
médio,
em
gramas,
do
substrato
(80%
serragem;
10%
farelo
de
trigo
e
10%
milho
picado),
a
partir
de amostras de
5
g de peso
fresco,
sendo
duas
análises
com
substrato
colonizados por
duas
ostirpes
de
L
edodes
(#01
e
#15),
mais
uma
testemunha
não
inoculada.
Protocolos para produção de cogumelo "Shiilakc". Produção em toras de eucalipto, - Pritsch. I.. V. - 1997
Com
relação a análise visualdo
crescimento das hifas, esta não constitui parâmetro seguro para afinnar queuma
estirpe tem crescimento superior na fase de produção de inóculo à. outra,uma
vez que não levaem
conta a consistência da massa micelial. Contudo, toma-se interessante ferramenta para destacar a agressividade
com
queuma
estirpe coloniza o substrato. Aliadacom
outros métodos de avaliação, constitui-se importante fator de caracterização de determinada estirpe (Miles&
Chang, 1997).As
avaliações ilustradas na Figura 05, sugeremum
melhor desempenho para a estirpe #01, queapresentou crescimento superior
em
todas as avaliações,com
diferenças significativas segundo análise devariância a 95
%
de inferência.Protocolos para produção dc cogumelo "Shiit:il‹c". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, l.. V. - 1997 Taxa de crescimento, cm t‹à~fif»:;.‹'# ;~f› '«‹› 6*
'I
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H
11;
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(#01)I
~--Log.(#15)
_- ¬'e"__'_1s 1e23
za
___`.-`-_;
magweaaa
_
Figura
05:
Taxa média de
crescimento
micellal
em
frascos
(substrato:
80%
serragem;
10%
farelo
de
trigo
e
10%
milho
picado)
de
duas
estirpes
de
L.edodes
(#01
e
#15)
a
¬:25°C.
3.4
ÍNOCULAÇÃO
Foram
inoculadas 50 toras, gastando-seem
média 50 minutos para executar todo o processo deinoculação
em
cada tora.O
tempo gasto estábem
acima do que se recomenda parauma
produção comercial. Nesta condição,uma
pessoa deve ser capaz de inocular 80 torasem
4h.A
morosidadedo
processoem
nossoexperimento foi resultante da falta de pratica por parte dos executores.
Foram
realizadosem
média 98 firros por tora, e eram inoculadasem
média 2,6 torascom
cada frasco deinoculante (800ml).
A
vedação das toras foi executadasem
problemas, e apresentou-se muito eficiente na etapade incubação.
3.5
INcuBAçÃo
Durante a incubação foram registrados longos periodos
com
temperaturas acima das requeridas pelofungo (25°C) nesta etapa, chegando-se a registrar picos na faixa de 37°C.
Também
a umidade manteve-se acima de70%
por longos períodos, exigindo cuidados no sentido de se aumentar a ventilação.A
umidade das toras,entretanto, apresentou queda gradativa, obrigando a realização de regas aproximadamente a cada 3 dias. Estas
eram realizadas por
um
período de aproximadamente 6 h.As
condições ambientais inadequadas foram principalmente ocasionadas pela falta de exaustão do ar nacasa de vegetação, sendo que o sistema de controle de temperatura apresentou-se ineficiente, desta forma, favorecendo a ocorrência de contaminações generalizadas
em
todas as toras.Protocolos para produção de oogumelo "ShiiIakc". Produção em toras de cucaliplo. - Pritsch, I.. V. - I997
O
experimento ainda encontra-seem
andamento e está sendo conduzido pormim
na qualidade debolsista de iniciação científica, devendo os resultados finais serem publicados no VI] Seminário de Iniciação Científica, da
UFSC,
em
1998.Pmtncolos para produção de cogumelo "Shiimkc". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, lr. V. - 1997
4.
Considerações
Finais
Com
base nas observaçoes realizadas durante o desenvolvimento do presente trabalho, pode-se apontar alguns tópicos de destaque:I.O conhecimento das características biológicas,
bem como
de fatores ambientais que interferem nodesenvolvimento de determinada espécie füngica que se deseje cultivar, é essencial para o desenvolvimento de
um
protocolo eficiente que possibiliteum
escalonamento mais seguroem
uma
produção comercial.2.As técnicas de medida utilizadas no presente trabalho (medida de crescimento radial
em
placas, taxade crescimento micelial e peso seco do substrato) constituem ferramentas confiáveis para determinação de
características de crescimento de determinada espécie fúngica na produção de inóculo.
3.Em
todas as inferências métricas feitas nos dois estágios de produção de inoculo, a estirpe #01 apresentou desenvolvimento mais aceleradoem
relação a estirpe #15.4.0 processo de inoculação
em
toras,embora
aparentemente pouco complexo, exige dominio deuma
série de conceitos de microbiologia e de técnicas relacionadas ao manejo das toras após inoculação, para que
resultados economicamente viáveis sejam obtidos.
5.Há necessidade de maiores estudos no sentido de aprimoramento das técnicas de produção
disponiveis para nossas condições ambientais, de maneira que se aperfeiçoe o protocolo desenvolvido neste trabalho,
bem como
o desenvolvimento de novos estudos relacionando diferentes condições.Protocolos para produção dc cogumelo "Shiitakc". Produção em toras dc eucalipto. - Pritsch, I.. V. - 1997
5.
Anexos
5.1
ÀNEXO
01!
FÓRMULA
COMERCIAL MEIO
MALTE-ÀGAR
Estrato de Maite]
2%
Ágar
Bacteriológico1,5%
Água
destilada6,5%
'lixtrato aquoso de cevada maltada.
5.2
ANExo
02:
PRoTocoLo PARA
PRoouçÃo
Cou|ERc|A|.
DE
Cocumetos
Comssrivsls
Em
ToRAs.
O
presente protocolo contempla todas as fases envolvidas no processo de produção, desde odesenvolvimento do inoculante até a inoculação e incubação
em
toras.Esta dimensionado para a inoculação de 100 toras e considera resultados experimentais a nível de
laboratório.
É
importante frisar que não se trata deum
mecanismo estanque, sendo portanto sujeito a alteraçõesem
fimção
do nivel técnicocom
que for aplicado, e as variações ambientais do local de execução.Longe
de serdocumento taxativo, constitui-se
um
roteiro sugestão paraum
processo produtivo.As
etapas descritas não são subsequentes, devendo o executor promover seu próprio cronograma de execução de acordocom
as condições de que dispõe.Segue-se então o protocolo dividido
em
4 etapas:1 -
Matriz:
Três tubos de ensaio contendo meio Malte/Agar colonizados pelo micélio da estirpe desejada (#01 ou #15).2
-Cultura
in
vitro;2.l - Multiplicação da cultura mãe:
2.1 .l - 3 placas de Petn` contendo 25ml de meio Malte/Agar. 2.1.2 - Esterilizar
em
autoclave por 2lmin. a l2l°C.2.1.3 - Inoculação asséptica
em
câmara defluxo
laminar a partir da culturamãe
(fragmento de meio colonizado a ser depositado no centro da placa).2.1.4 - Incubação
em
BOD
a :t 25°C por 10 dias.Protocolos para produção dc cogumelo "Shiitakc". Produção em toras dc eucalipto. - Pritsch, l.. V. - 1997
2.2 Produção do inóculo primário in vitro:
2.2.1 - 27 placas de Petri contendo 25 ml de meio
M/A.
2.2.2 - Esterilizar
em
autoclave por 21min,. a 12l°C.2.2.3 - Inoculação asséptica
em
câmara defluxo
laminar a partir das culturas obtidas peloprocedimento do item 2.1 (discos colonizados
com i
9mm
deø
depositados no centro daplaca).
2.2.4 - Incubação
em
BOD
a J; 25°C por 10 dias.3
-Produção do
Inoculantez
3.1 - Substrato:
3.1.1 - 30 litros de substrato segundo a seguinte composição;
24 litros de serragem intemperizadaz,
3 litros de farelo de trigo
3 litros de milho picado. 3.1.2 - Pesar o substrato (peso seco)
3.1.3 - Manter o substrato imerso
em
água por 24 h para hidratação.3.1.4 - Escorrer o excesso de água por 12 h.
3.1.5 - Pesar o substrato novamente (peso úmido).
3.1.6 - Calcular a diferença de peso verificada entre o item 3.1.2 e o item 3.1.5.
A
diferençadeve alcançar 8,78kg,
(65%
de umidade relativa).Caso
isso não tenha ocorrido, acrescentar a diferença do esperadocom
o obtidoem
litros de água e homogeneizar bem.3.2 - Distribuir o substrato
em
27 frascos de vidro (1 litro)com
tampa rosqueável e dispositivopara trocas gasosas (500ml/frasco).
3.3 - Esterilizar os frascos contendo o substrato,
em
autoclave a l2l°C por dois periodos de 60minutos
com
um
intervalo de 24 horas entre ambos.3.4 - lnocular os frascos
com
o micélio produzido segundo item 2.2, obedecendo a seguinte metodologia:3.4.1 -
Com
o material assépticoem
câmara defluxo
laminar, traçar,com
o auxilio deum
bisturi,um
triângulo equilátero no centro das placas colonizadas, contendo aproximadamente 4cm
de arestas.Tomar
cuidado para não atingir a borda das placasi.A
uma
distância de aproximadamente 1,5cm
dos vértices da base, traçar, a panir da aresta dabase duas linhas perpendiculares ligando esta aos lados, e
uma
terceira paralela à mesma, a1,5cm do vértice oposto, de
modo
a fomiar três novos triângulos equiláteros.3.4.2 - Retirar os pequenos triângulos formados e inoculá-los nos frascos (3 por frasco).
}
Scrmgcnt inlempcrizada: Manter pilhas de sermgem por pelo menos 6 mcscs cm campo aborto para desnaluração de substâncias
que impedem o crescimento do fungo.
`
A
placa deve ter somente 70% de sua superficic colonizada, de maneira que sobre tun halo na parte cxtcma do meio, região maispropcnsa a contaminação.
Protocolos para produção de cogumelo "Sl1iital‹c". Produção em toras de eucalipto. - Pritsch, L. V. - 1997
3.4.3 -
Após
inoculado, fechar o frasco e promover pequena agitaçãodo
mesmo
demaneira que o inóculo depositado seja encoberto pelo substrato.
3.5 -
Após
inoculados, acondicioná-losem
câmara de crescimento climatizada(fl5°C)
por 45 dias paratomada
do substrato pelo micélio.4
-lnoculação
e
Incubação:
4.1-S
4.2-P
eleção das árvores a ser cortadas:
4. l _] -
Uma
espécie de madeira duracom
diâmetro variando entre 8 a 15cm
.4.1.2 - Cortar as arvores preferencialmente no outono, deixado-as no local por 1 ou 2 meses.
reparação das toras:
4.2.1 - Cortar os troncos a distância de
1 a 1,20
m
cada.4.2.2 - promover
uma
limpeza das toras eliminando líquens, galhos protuberantes esujeiras.
4.2.3 - Agrupar toras de igual diâmetro.
4.3 - Inoculação:
4.3.l - Desinfetar equipamentos a ser utilizados nesta etapa (broca, inoculador, martelo,
bacia, além da assepsia do próprio executor).
4.3.2 - Perfurar as toras
com
fiiradeira elétrica (rotação>
6.000rpm), tendo os orificios20mm
de profundidade e12mm
de diâmetro, distanciados a aproximadamenteScm com
uma
distribuição helicoidal.4.3.3 - Distribuir o inóculo
em
uma
bacia, homogenizá-lo e compactá-Io.4.3.4 - lnocular as toras
com
a matriz produzida segundo item 3 (utilizar inoculadorcomercial).
4.3.5 - Macerar os pontos de inoculação
com
martelo, deixando estes niveladoscom
amadeira e certificando-se de que os orificios estejam
bem
preenchidos. 4.4 ~ Vedação:4.4.1 - Preparar o selante
com
parafina(80%)
e breu (20%).4.4.2 - Fundir os componentes a 127°C e mantê-los a esta temperatura durante
o
processode vedação.
4.4.3 - Aplicar o selante sobre os pontos de inoculação
com
o auxilio deum
pincel.4.5 - Preparação de toras de referência:
4.5.1 - Cortar
uma
fatia deScm
da extremidade deuma
tora e descartar.4.5.2 - Cortar outra fatia de Som, pesar e secar
em
estufa para determinação da umidade inicial.Umidade
inicial(%)=
Pesoúmido
- Peso seco x 100Peso
úmido
4.6 - Incubação:
Protocolos para produção de cogumelo "Shiilakc". Produção em toras dc eucalipto. - Pritsch, l.. V. › I997
4.6.1 - Acondicionar as toras dispostas
em
pilhas tipo fogueiraem
localbem
drenado,com
ventilação
moderada
ecom
incidência de30%
de insolação.4.6.2 - Monitorar a umidade das toras pela tora referência, efetuando 0 cálculo de umidade
relativa segundo a fómiula:
Peso atual
=
Peso secom.1-umidadem 100
4.6.3 -
Caso
a umidade das toras estiver abaixo de35%
promover regasem
intervalos de6a 12 h.
4.6.4 - Se a umidade for superior a
50%
promover maior ventilação das pilhas.4.6.5 -
Caso
ocorram contaminações, separar as toras contaminadas das demais, depreferência elimina-las se os de niveis de contaminação forem elevados. Nesta condição procurar aumentar a ventilação das pilhas para diminuir a umidade do meio.
(4)
Item
4.5.2Protocolos para produção dc cogumelo "Sl1ii1ukc". Produção cm toras de eucalipto. - Pritsch, l.. V. - 1997
Á
I I I Í6.
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