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Academic year: 2021

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(1)1. Universidade Metodista de São Paulo Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. O JORNALISMO POLÍTICO NO BRASIL: SUA TRAJETÓRIA Cibele Maria Buoro1. Resumo: Esta dissertação tem como tema o jornalismo político e sua essência. O estudo parte de uma investigação que pretende responder a seguinte questão: Seria a política a essência do jornalismo? Recorro aos autores clássicos da sociologia e da literatura (Antonio Candido, Caio Prado Junior, Celso Furtado, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Sílvio Romero) com o objetivo de resgatar as bases de nossa formação política e econômica e compreender em qual contexto surge a imprensa brasileira. O modelo de colonização e os interesses políticos das classes dominantes, conforme apontado pelos clássicos da sociologia, constituem os alicerces nos quais o jornalismo político se consolidou, oferecendo evidências de que a essência do jornalismo é a política. PALAVRAS-CHAVE: jornalismo político; imprensa brasileira; história do jornalismo; poder; política.. 1. Cibele Maria Buoro é graduada em Comunicação Social pela PUCCAMP, pós-graduada em Ciências Políticas pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), mestre em Comunicação Social pela Universidade Metodista (UMESP) e professora do curso de graduação em Comunicação Social da Universidade Anhembi Morumbi (SP). Este artigo é resultado da tese de mestrado orientada pelo Profº. Drº. José Marques de Melo. Email: [email protected].

(2) 2. O jornalismo antes da República: uma voz opositora Centralização de poder, ausência de organização social e política, intolerância dos setores economicamente fortalecidos, busca pelo crescimento econômico e lucro. Diante de tal cenário – me refiro ao período colonial -, como se desenvolveu o jornalismo no Brasil? À frouxidão da estrutura social, à falta de hierarquia organizada devem-se alguns dos episódios mais singulares da história das nações hispânicas, incluindo nelas Portugal e o Brasil. Os elementos anárquicos sempre frutificaram aqui facilmente, com a cumplicidade ou a indolência displicente das instituições e costumes. As iniciativas, mesmo quando se quiseram construtivas, foram continuamente no sentido de separar os homens, não de os unir. Os decretos dos governos nasceram em primeiro lugar da necessidade de se conterem e de se refrearem as paixões particulares momentâneas, só raras vezes da pretensão de se associarem permanentemente às forças ativas (HOLANDA, 1989:5).. Apesar de a conquista favorecer a ascensão financeira, geração de lucro sem o emprego de força, os primeiros trinta anos após o descobrimento foram de abandono das terras brasileiras. “A ânsia por terras desconhecidas, que empolgara as nações da Europa, provocando uma corrida geral para o Novo Mundo, acabaria fatalmente por arrebatar à Coroa Portuguesa a colônia sul-america” (PRADO JUNIOR, 1966:12). Ameaçadas pelas navegações promovidas pelas nações rivais, como França, Holanda e Inglaterra, cogitou-se a colonização como única forma de defesa. Os gastos com a defesa do novo território, decidiu Portugal, partiria da exploração agrícola de terras brasileiras (FURTADO, 1980). Nota-se, portanto, que as terras brasileiras surgem como a oportunidade de ascensão econômica e acumulação capitalista de Portugal. No contexto em que o descobrimento ocorreu – na Época Moderna, período marcado pelo Capitalismo Comercial, no qual o crescimento econômico fora estimulado pela circulação de mercadorias via expansão marítima e a política econômica mercantilista esteve sob domínio dos Estados Absolutistas - o interesse em formar uma nação em terras na América era certamente improvável..

(3) 3. Quais as conseqüências do modelo de colonização à formação do jornalismo político? Podemos encontrar na cultura do cultivo do açúcar, produto da monocultura capitalista colonial, resposta para como se estabeleceu a formação social, alicerçada na estrutura patriarcal, instituição que se impôs no núcleo político decisório, ofereceu resistência a qualquer posição contrária, e se opôs à formação da imprensa livre e formadora de opinião a partir do século XVII. O que o português vinha buscar era, sem dúvida, a riqueza, mas riqueza que custa ousadia, não riqueza que custa trabalho. A mesma, em suma, que se tinha acostumado a alcançar na Índia com as especiarias e os metais preciosos. Os lucros que proporcionou de início, o esforço de plantar a cana e fabricar o açúcar para mercados europeus, compensavam abundantemente esse esforço –efetuado, de resto, com as mãos e os pés dos negros (HOLANDA, 1989:18).. Portanto, a distribuição das terras era a condição para que os colonos alcançassem uma posição econômica, comprometendo a equânime formação política e social do país. O alicerce do poder, sustentado na posse da terra, explica o predomínio do poder econômico sobre o político. E são estes os pilares que sustentam o nosso jornalismo político. Por essa época os portugueses eram já senhores de um completo conhecimento do mercado africano de escravos (...) Mediante recursos suficientes, seria possível ampliar esse negócio e organizar a transferência para a nova colônia agrícola da mão-de-obra barata, sem a qual ela seria economicamente inviável. (...) O que importa ter em conta é que houve um conjunto de circunstâncias favoráveis sem o qual a empresa não teria conhecido o enorme êxito que alcançou. Não há dúvida que por trás de tudo estavam o desejo e o emprenho do governo português de conservar a parte que lhe cabia das terras da América (...). O êxito da grande empresa agrícola do século XVI – única na época – constituiu portanto a razão de ser da continuidade da presença dos portugueses em uma grande extensão das terras americanas (FURTADO, 1980:12).. O intuito de resgatar tais interpretações históricas é buscar respostas para a formação do jornalismo político brasileiro. Tal qual destaca Furtado, o lucro é a razão do emprenho português em implementar qualquer ação que fosse, até mesmo sua presença nestas terras. A expansão capitalista estimulada pela Coroa Portuguesa perseguia como objetivo a formação de produtores, empreendedores ou pequenos colonos agricultores que pudessem dar conta de ocupar as terras americanas. O desenvolvimento econômico, caso fosse uma conseqüência deste processo, seria bem vindo. O intuito recairia na.

(4) 4. ocupação para que as terras não fossem perdidas. Desde o século XV até o XVII, Portugal persegue o mesmo objetivo: economia de caráter extensivo, mediante incorporação de terra e adequação de mão-deobra que não alterasse os custos e lucros da produção (FURTADO, 1980:61).. Enquanto as atenções para a colônia se limitavam ao povoamento para proteção, as bases do poder político foram transferidas aos proprietários que se transformaram em latifundiários. Esses, detentores de recursos financeiros, foram os prediletos na concessão das sesmarias e, conseqüentemente, transformaram-se em detentores de outro poder: o político. Sendo a população colonial constituída de negros escravos, índios e mestiços e, sendo as grandes propriedades rurais a única alternativa capaz de suprir as necessidades básicas, o poder político exercido pelos senhores de terras se fortalecia, transformando-se mais adiante em partidos políticos. A sociedade colonial brasileira é o reflexo fiel de sua base material: a economia agrária que descrevemos. Assim como a grande exploração absorve a terra, o senhor rural monopoliza a riqueza, e com ela seus atributos naturais: o prestígio, o domínio. O ser senhor de engenho (...) é título a que muitos aspiram porque traz consigo o ser servido, obedecido e respeitado de muitos (PRADO JUNIOR, 1966:20-21).. As circunstâncias promoveram a formação de uma população inferiorizada, não instruída, sob o domínio dos senhores rurais, comandada para o servilismo. É neste contexto impróprio para o jornalismo - impróprio no sentido de não ser conhecido em razão da desarticulação daquela população -, um terreno desfavorável, no qual o jornalismo não é valorizado. Antes, outro questionamento se faz necessário: inseridos no processo de acumulação capitalista, qual interesse teria a nobreza latifundiária em iluminar e esclarecer a sociedade explorada? Não se conhecia, à época, o significado de uma das prerrogativas do jornalismo: a liberdade de expressão. Prosseguem à época o conteúdo religioso e o modo da oratória, comprometendo mais tarde a formação de leitores e de indivíduos questionadores: A ação dos pregadores, dos conferencistas de academia, dos glosadores de mote, dos oradores nas comemorações, dos recitadores de toda hora, correspondia a uma sociedade de iletrados, analfabetos ou pouco afeitos à leitura. Deste modo, formou-se, dispensando o intermédio da página impressa, um público de auditores, muito maior do que se dependesse dela e favorecendo, ou mesmo requerendo no escritor certas características de facilidade e ênfase, certo ritmo oratório que passou a timbre de boa literatura e prejudicou entre nós a formação dum estilo realmente escrito para ser lido. A grande maioria dos nossos escritores, em prosa e verso, fala de pena em punho e.

(5) 5. prefigura um leitor que ouve o som da sua voz brotar a cada passo por entre as linhas (CANDIDO, 1980:81).. Os latifundiários representavam a expressão de poder de fato outorgado pela Coroa por não compensar a Portugal o investimento que requeria a manutenção do povoamento das terras da América. A grande exploração agrícola, viável financeiramente, absorveu toda a economia colonial e, mantendo o monopólio da terra, subordinou toda a população aos grandes proprietários por sua condição servil: Via-se por isso a administração colonial desarmada, a braços com a turbulência e arrogância dos colonos. Como alcançar através de tão extenso território estes vassalos desobedientes, que, isolados nos seus domínios e cercados de sua gente, não trepidavam em receber com a força os funcionários da Coroa acaso mandados para refrear-lhes os excessos e desmandos sem conta? Que maior autoridade podiam nestas condições exercer governadores e capitães-mores? Não raro por isso fechavam os olhos a toda sorte de abusos que não tinham força para reprimir ou castigar. Intervinham junto aos colonos quando muito como seus aliados nas empresas contra o gentio ou na sua opressão da população inferior. Deixavam-lhes no mais carta-branca para agirem da forma que melhor entendessem. Compreende-se aliás tal atitude passiva da metrópole. Coincidiam perfeitamente seus interesses nestes primeiros anos da colonização com os das classes dominantes na colônia. Eram elas que desbravavam o território – ou faziam desbravar – conquistando-o palmo a palmo aos indígenas e aventureiros de outras nações que aqui se instalavam; eram elas que o valorizavam e exploravam em busca de pedras e metais preciosos, que tanto fascinavam a Coroa. E faziam tudo isto por conta e risco próprios, não concorrendo a metrópole senão nos possíveis proventos, que sob forma dos dízimos e dos quintos reais reserva para si (PRADO JUNIOR, 1966:26).. Os colonos eram autoridade em terras onde a Coroa não chegava. Caio Prado Junior ressalta aspectos que muito contribuem para compreendermos a formação política e, posteriormente, a formação do jornalismo político brasileiro. O totalitarismo e violência exercidos pelos latifundiários eram legitimados pela Corte Portuguesa. “E o seu raio de ação é grande, muito maior que o estabelecido nas leis” (PRADO JUNIOR, 1966:27). Contudo, a transferência de poder consentida por Portugal aos latifundiários não dispõe de caráter legítimo em razão da inexistência de consentimento e participação popular no processo de construção política. Além disso, Portugal e latifundiários recorreram à força como forma de garantirem a execução de políticas de seus interesses. A ausência da participação popular, a violência imposta aos mestiços, índios e negros escravos, a opressão imposta aos subordinados, a ignorância popular, os.

(6) 6. excluídos de toda ordem política, o autoritarismo dos senhores de terras distanciam-se de qualquer possibilidade de reconhecimento legítimo daquele poder exercido pelos latifundiários. Seu instrumento de poder era a violência. “É com a organização política de que dispõem que conseguem manter na sujeição explorando o seu trabalho, a grande massa da população, escravos e semi-escravos” (PRADO JUNIOR, 1966:27). Além de não se configurar como um poder legítimo, nem mesmo o modelo de organização que se formou na colônia poderia ser reconhecida como política, uma vez que “a política baseia-se na pluralidade dos homens” (...) e “trata da convivência entre diferentes” (ARENDT, 1999:21). A política deve, portanto, “organizar e regular o convívio de diferentes, não de iguais” (ARENDT, 1999). O predomínio do poder econômico contribuiu para a formação de uma classe de proprietários rurais, seus pares, portanto, de quem e para quem a política servia. É assim que o estado colonial se mantém até meados do século XVII. Autossustentáveis, as propriedades rurais se organizavam como núcleos familiares de poder, fato que reforça a resistência dos latifundiários a se submeterem a um poder de estado alicerçado nos modelos democráticos. Senhores absolutos de seus escravos, terras, filhos e animais, além de detentores de um poder que não enfrentou contestação de outras classes menos favorecidas, a indisposição em compartilhar direitos, respeitar diferenças e tomar decisões justas – instituições indissociáveis do Estado democrático – criaram raízes profundas. Esta cultura foi o alicerce da evolução da política e, na contemporaneidade, quando as matérias políticas não causam repercussões, ou quando é constante a ausência de questionamentos quanto ao comportamento da classe política, ou até mesmo o não envolvimento e o distanciamento da sociedade com os assuntos políticos, a explicação para esta postura não contestatória pode ser o legado da família patriarcal: Sempre imerso em si mesmo, não tolerando nenhuma pressão de fora, o grupo familiar mantém-se imune de qualquer restrição ou abalo. Em seu recatado isolamento pode desprezar qualquer princípio superior que procure perturbá-lo ou oprimi-lo. Nesse ambiente, o pátrio poder é virtualmente ilimitado e poucos freios existem para sua tirania (HOLANDA, 1989:49).. Em outro trecho da obra Raízes do Brasil, Sérgio Buarque de Holanda ressalta como a esfera privada precede a esfera pública:.

(7) 7. A nostalgia dessa organização compacta, única e intransferível, onde prevalecem necessariamente as preferências fundadas em laços afetivos, não podia deixar de marcar nossa sociedade, nossa vida pública, todas as nossas atividades. Representando, como já se notou acima, o único setor onde o princípio de autoridade é indisputado, a família colonial fornecia a idéia mais normal de poder, da respeitabilidade, da obediência e da coesão entre os homens. O resultado era predominantemente, em toda a vida social, sentimentos próprios à comunidade doméstica, naturalmente particularista e antipolítica, uma invasão do público pelo privado, do Estado pela família (HOLANDA, 1989:50).. Ressalto nos autores aqui citados como o estabelecimento do poder nos latifúndios contribuiu para a formação do Estado brasileiro. O autoritarismo de uma classe, a supressão de direitos, a inviabilidade de canais democráticos, o veto à contestação e manifestações de qualquer ordem também influenciaram o jornalismo político: Os tradicionais padrões de poderes impostos por décadas pelos senhores de escravos e herdados da era colonial configurava-se como o grande obstáculo e impedimento para as transformações profundas que eram necessárias alcançar. A grande lavoura, o braço escravo deveriam se perpetuar, na concepção dos colonialistas. Cultivavam o “patriarcalismo e personalismo fixados entre nós por uma tradição de origens seculares. Iniciativas progressistas encontravam terreno fértil, desde que não comprometessem a perpetuação de padrões coloniais (HOLANDA, 1989:46).. Às classes detentoras de recursos financeiros, como os grandes proprietários rurais puderam, a cada ciclo exploratório, remanejar a força de trabalho escravo - um ativo dos latifundiários. Enquanto os empreendedores, como aqui chamamos os imigrantes que chegam para enriquecer nas terras americanas, em razão dos investimentos necessários para a exploração econômica, não conseguiram emergir como classe social organizada. Por isso, desarticulados, não constituíram uma força reivindicatória na formação política do País. O que se pretende ressaltar é que, o domínio econômico foi o alicerce para a institucionalização do poder e o peso do poder econômico interferiu no jornalismo político. No que respeita ao ambiente em que circula o homem livre – nascido na Metrópole ou na colônia – maiores ainda são as diferenças da economia mineira com respeito às terras do açúcar. Nestas últimas, abaixo da classe reduzida de senhores de engenho ou grandes proprietários de terras, nenhum homem livre lograva alcançar uma verdadeira expressão social. Ao estagnar-se a economia açucareira, as possibilidades de um homem livre para elevar-se socialmente se reduziriam ainda mais. Em conseqüência, começou a avolumar-se.

(8) 8. uma subclasse de homens livres sem possibilidade de ascensão social, a qual em certas épocas chegou a constituir um problema. Na economia mineira, as possibilidades que tinha um homem livre com iniciativa eram muito maiores. Se dispunha de recursos, podia organizar uma lavra em escala grande, com cem ou mais escravos. Contudo, o capital que imobilizava por escravo ou por unidade de produção era bem inferior ao que correspondia a um engenho real. (FURTADO, 1980:75).. A respeito da ascensão das classes exploradas pela nobreza latifundiária, detentora do poder econômico e político, é interessante apontar os números da população escrava no Brasil, um expressivo exército de desarticulados e desorganizados: Aceitando-se o cálculo de José Bonifácio, que orçava os introduzidos no Brasil em uma média anual de 40 mil, temos que, de 1550 a 1850, em trezentos anos, entraram em nossos portos 12 milhões de homens d´África, isto é, cifra imensamente superior à das entradas de portugueses, que jamais passaram da média de 6 a 8 mil por ano (ROMERO, 1980:297).. Prossegue Romero: Nem o tráfico se iniciou em 1550, senão muito antes; nem acabou definitivamente em 1850 e sim em 1858. E, para mostrar quão módico era o cálculo de José Bonifácio, basta lembrar que em 1846, depois da extinção do tráfico em lei e não nos costumes, entraram 50.324 negros; em 1847 – 56.172; em 1848 – 60.000; em 1849 – 54.000! (ROMERO, 1980:298).. E quanto à organização política e social Sérgio Buarque de Holanda reforça o estigma da não dignidade atribuída ao trabalho e o enaltecimento do ócio como uma das dificuldades de se compor no Brasil um Estado democrático: Uma digna ociosidade sempre pareceu mais excelente, e até mais nobilitante, a um bom português, ou a um espanhol, do que a luta insana pelo pão de cada dia. O que ambos admiram como ideal é uma vida de grande senhor, exclusiva de qualquer esforço, de qualquer preocupação (HOLANDA, 1989:10).. A não formação moral do trabalho reduz a capacidade de organização social. Efetivamente o esforço humilde, anônimo e desinteressado é agente poderoso da solidariedade dos interesses e, como tal, estimula a organização racional dos homens e sustenta a coesão entre eles. Onde prevaleça uma forma qualquer de moral do trabalho dificilmente faltará a ordem e a tranqüilidade entre os cidadãos, porque são necessárias, umas e outras, à harmonia dos interesses (HOLANDA, 1989:10)..

(9) 9. Nota-se que o distanciamento, a busca por interesses privados, a não articulação política é própria da herança ibérica. Portanto, o jornalismo esclarecedor, direcionado para o engajamento e articulação de interesses públicos, enfrentaria a resistência da cultura pelo Brasil herdada, cuja peculiaridade é a personalidade, “que parece constituir o traço mais decisivo na evolução da gente hispânica, desde tempos imemoriais” (HOLANDA, 1989:4). (...) pela importância particular que atribuem ao valor próprio da pessoa humana, à autonomia de cada um dos homens em relação aos semelhantes no tempo e no espaço, devem os espanhóis e portugueses muito de sua originalidade nacional. Para eles, o índice do valor de um homem infere-se, antes de tudo, da extensão em que não precise depender dos demais, em que não necessite de ninguém, em que se baste. Cada qual é filho de si mesmo, de seu esforço próprio, de suas virtudes... – e as virtudes soberanas para essa mentalidade são tão imperativas, que chegam por vezes a marcar o porte pessoal e até a fisionomia dos homens (HOLANDA, 1989:4).. O particularismo, os interesses restritos e os favores pessoais se impuseram como normas de conduta num frágil sociedade desarticulada. Esse modelo social alicerçou o jornalismo político que, dependente financeiramente dos anunciantes, detentores do poder econômico, torna-se refém do sistema de favores e interesses corporativistas: Os grandes órgãos de mídia compartilham de uma mesma visão de mundo, que inclui em especial o compromisso com a ordem capitalista. O mercado da mídia está cada vez mais concentrado (e internacionalizado). As empresas que o dominam têm um peso crescente na economia como um todo. (...) Tal quadro deixa claro que os meios de comunicação, na forma em que existem hoje, dificilmente darão espaço para a expressão ou a constituição de interesses que ameacem as estruturas básicas do capitalismo. (...) o desequilíbrio de recursos que o capitalismo produz na esfera econômica transborda sem cessar para a esfera política, comprometendo a igualdade que é requisito para o exercício da democracia – um fenômeno que é apontado mesmo por autoridades vinculados à tradição liberal (MIGUEL, 2000).. Havia no país do século XVIII um efetivo interesse no crescimento e no lucro. Contudo, as novas técnicas criadas pela revolução industrial escassamente haviam penetrado no país, e quando o fizeram foi sob a forma de bens ou serviços de consumo sem afetar a estrutura do sistema produtivo. Por último, o problema nacional básico – a expansão da força de trabalho do país – encontrava-se em verdadeiro impasse: estancara-se.

(10) 10. a tradicional fonte africana sem que se vislumbrasse uma solução alternativa (FURTADO, 1980:110).. Ancorados pelo poder que a posse de terras e de escravos lhes concedia, é inequívoco afirmar que a aristocracia rural escravocrata jamais permitiria que a atuação da imprensa livre e democrática. As vozes das minorias não estão nas paginas dos jornais, não há pluralidade de versões e opiniões, há o predomínio do discurso único: A mídia é, nas sociedades contemporâneas, o principal instrumento de difusão das visões de mundo e dos projetos políticos; dito de outra forma, é o local em que estão expostas as diversas representações do mundo social, associadas aos diversos grupos e interesses presentes na sociedade. O problema é que os discursos que ela veicula não esgotam a pluralidade de perspectivas e interesses presente na sociedade. As vozes que se fazem ouvir na mídia são representantes das vozes da sociedade, mas esta representação possui um viés. O resultado é que os meios de comunicação reproduzem mal a diversidade social, o que acarreta conseqüências significativas para o exercício da democracia (MIGUEL, 2000).. As disparidades econômicas e sociais entre escravizados e proprietários rurais eram sustentadas pelo poder opressor exercido nos grandes latifúndios. A busca pelo desenvolvimento econômico suprimia a liberdade e a manifestação política, reforçando as negativas de formação de órgãos de imprensa livres e representativos, direcionados às classes oprimidas pela voz ativa da aristocracia fundiária. Caio Prado Junior reflete o antagonismo de classes aqui existente: (...) forças reacionárias que não pensam senão no retorno do país ao seu passado colonial e de segregamento econômico e comercial. Ao lado destas forças alinham-se paradoxalmente outras, em particular as classes superiores da colônia, que esperavam pelo contrário consolidar, com a revolução e o estabelecimento de um regime constitucional, as vantagens, liberdades e autonomia adquiridas pelo Brasil nos anteriores anos de governo quase próprio e que tanto os favorecera. Encontramos finalmente as referidas forças populares, as camadas oprimidas da população brasileira que enxergavam na constituição que lhes era oferecida perspectivas de libertação econômica e social (PRADO JUNIOR, 1966:43).. Há vários fatos históricos que, revisitados, permitem compreender porque a imprensa não fez diferença no sentido de organizar manifestações que viabilizassem a participação popular. Enfraquecida e pouco influente, a massa (a população brasileira deste período era composta de 50% de escravos, de baixo nível intelectual, acostumados.

(11) 11. com a violência das selvas africanas e entre outras etnias, divididos em rivalidades tribais), não formava um grupo coeso e articulado, era seu papel político insignificante, privados de todos os direitos, isolados nos grandes domínios rurais, submetidos a uma disciplina violenta. Faltavam aos escravos brasileiros todos os elementos para constituírem, apesar do seu considerável número, fatores de vulto no equilíbrio político nacional (PRADO JUNIOR, 1966:57).. Além disso, as classes mais pobres estavam submissas ao modelo escravista de organização social, sendo impraticável uma estrutura política democrática. O império, por mais que se prodigalizasse em leis liberais, já encontrara a massa geral da população do país demasiado acostumada a ser dirigida por toda a parte por espertos politiqueiros, facilmente mantidos pela centralização do sistema. A Capital se encarregava de pensar politicamente por toda a gente (ROMERO: 1980:174-175).. Silvio Romero contribui com números populacionais do período: se era em 1801 de 2.966.000 o número dos habitantes em Portugal, o dos colonos no Brasil em 1817, isto é, apenas dezesseis anos depois, já era de 3.817.900, dos quais apenas 1.043.000 brancos, e cerca de 700.000 índios puros, sendo os restantes 2.074.900 negros e mestiços de todas as gradações. É, porém, de presumir que em os 1.043.000 brancos do censo apenas a metade fosse de brancos reais, não o sendo os outros senão em nome (ROMERO, 1980:298).. Outra classe existente à época, a população livre das camadas médias e inferiores, também não era coesa politicamente por conta da disparidade de interesses, sendo, portanto, inexpressiva sua atuação no momento da Abdicação de D.Pedro I e da Menoridade. As classes livres formavam um simples aglomerado de indivíduos. “E, mais ainda, manda a verdade afirmar ser o mestiçamento uma das causas de certa instabilidade moral na população, pela desarmonia das índoles e das aspirações no povo, que traz a dificuldade da formação de um ideal nacional comum” (ROMERO, 1980:305). Estas são algumas das razões que tornaram os movimentos populares, entre o período da Independência e evento da Menoridade, desarticulados, desorganizados, sem estímulo para participação política e publicização de suas reivindicações. Suas insatisfações não ultrapassaram o âmbito de seus pequenos redutos, de suas individualidades. “A grande pobreza das classes populares, a falta de instrução e todos os abusos de uma organização civil e social defeituosa, devem ser contados entre os empecilhos ao desenvolvimento de nossa literatura” (ROMERO, 1980:141). Não só à.

(12) 12. literatura. A falta de instrução é um obstáculo à articulação política e à democratização, ambas que se ancoram no jornalismo. “No período em que nossa literatura ganhou corpo (do século XVIII ao século XIX), eram muito restritos os grupos sociais ao seu alcance” (CANDIDO, 1980:132). Tudo o que se fez no Brasil, seja por intermédio do governo, seja por levantes sustentados pela aristocracia rural, ou até mesmo pela burguesia mercantil portuguesa, perseguiu o mesmo objetivo: intensificar a atividade econômica e aumentar os lucros. A partir de 1850, quando o país promulga lei que extermina definitivamente o tráfico negreiro, ocorrem mudanças significativas nas estruturas agrárias, comercial e industrial. A velha estrutura colonial, varridos os obstáculos que se antepunham ao seu progresso, entra numa fase de completa remodelação. Seria na verdade um critério estreito atribuir esta transformação unicamente à abolição do tráfico de escravos. Ela estava naturalmente indicada pelas condições objetivas da economia universal, de que o Brasil entrava, com a Independência, a participar. Enraiado o isolamento colonial, era inevitável, mais dia menos dia, que o país se pusesse de acordo com estas condições. Mas é incontestável que este fato – a abolição do tráfico – constitui a “vassourada” preliminar e indispensável de tal surto de progresso. Ele abriu o nosso primeiro período de franca prosperidade comercial, alargando com ele os acanhados horizontes do medievalismo brasileiro de então (PRADO JUNIOR, 1966:80).. Inserido na dinâmica da economia mundial, o Brasil fora impactado pelos efeitos do crescimento capitalista de ordem global. São estas as bases nas quais o jornalismo político brasileiro se formaria. Como se nota, o que quero demonstrar é a supremacia do poder econômico sobre o político. O primeiro, presente em toda a história do país. O segundo, enfraquecido pelo absolutismo dos governos coloniais e imperiais, e no regime subseqüente, a República, se sustentaria pelas armas dos militares, apoiados pela elite aristocrática que, na transição política, não se desfez de uma instituição, a autoridade, como se esta fosse um direito inalienável, hereditário, intransferível, próprio daqueles que estariam perpetuamente no poder. Sendo a política democrática o governo de muitos e, sendo o jornalismo político uma instituição voltada para a informação para que se delegue a ação, a obstrução das vias para que se estabelecesse a imprensa livre e o jornalismo político, tanto por parte dos governos, quanto por parte da elite agrária, atuante na política brasileira desde o descobrimento, justifica-se..

(13) 13. Os fatos históricos e políticos recuperados nesta dissertação a partir da releitura de clássicos da Sociologia e Literatura (Antonio Candido, Caio Prado Junior, Celso Furtado, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda e Sílvio Romero) convalidam o que concluiu um de nossos autores: Trouxemos de terras estranhas um sistema complexo e acabado de preceitos, sem saber até que ponto se ajustam às condições da vida brasileira e sem cogitar das mudanças que tais condições lhe imporiam. Na verdade, a ideologia impessoal do liberalismo democrático jamais se naturalizou entre nós. Só assimilamos efetivamente esses princípios até onde coincidiram com a negação pura e simples de uma autoridade incômoda, confirmando nosso instintivo horror às hierarquias e permitindo tratar com familiaridade os governantes. A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e semifeudal importou-a e tratou de acomodá-la onde fosse possível, aos seus direitos ou privilégios, os mesmos privilégios que tinham sido, no Velho Mundo, o alvo da luta da burguesia contra os aristocratas. E assim puderam incorporar à situação tradicional, ao menos como fachada ou decoração externa, alguns lemas que pareciam os mais acertados para a época e eram exaltados nos livros e discursos (HOLANDA, 1989:119).. Não foi por intermédio da imprensa que as discussões, propostas, acordos e debates entre os diferentes aconteceram. A imprensa assistiu e permitiu seu uso pela nobre aristocracia rural, sendo à época, portanto, ferramenta auxiliar usada de modo privativo para conquista dos interesses das elites, e não o instrumento para construção democrática, conforme pregam manuais de redação que regem os princípios da imprensa contemporânea. A transição do Império para a República reforçou os ímpetos econômicos impulsionados pelas fases da economia açucareira, mineradora e cafeeira. Independente da existência de um sistema político, o desenvolvimento econômico se fortalecia sem sinais de retrocesso, estimulado pelos interesses das classes dominantes, responsáveis pelo contexto no qual o país estava inserido, além de seu grau de dependência com relação às demais nações potências. São estas as características de um país que, levado por interesses de um pequeno grupo, enfraqueceu os debates democráticos e amordaçou as reivindicações dos menos favorecidos, deixando como legado o primado absoluto do crescimento econômico, que enfraquece e menoriza a democracia..

(14) 14. CONCLUSÃO O jornalismo é por essência político. E foi compreendido como agente capaz de propagar, publicizar e, porque não, convencer outros atores, espectadores sociais. O que pude concluir a partir da releitura dos clássicos da sociologia e da literatura é que o jornalismo sempre foi uma instituição necessária, principalmente naquele contexto. Necessária em razão dos conflitos políticos e econômicos presentes a partir da data oficial que marca o início da imprensa no Brasil, em 1808. Interesses da burguesia mercantil portuguesa se contrapunham aos interesses da oligarquia latifundiária, somando-se a esse cenário as pretensões da Coroa e, a partir de 1822, do Império. A Coroa Portuguesa fez uso da imprensa como forma de, por meio de comunicados oficiais, manter-se no controle político da colônia. Neste período, o jornalismo é usado como maneira que a Coroa encontrara de se fazer presente, para que demais menores autoridades, como os nobres e oligarcas, por exemplo, soubessem que havia controle político sobre aquela situação. Portanto, os raros jornais que surgiram, como a Gazeta do Rio de Janeiro, por se tratar de um veículo oficial, apenas registrou a presença da Coroa no país. Contudo, outros interesses políticos e econômicos emergiam. E a maneira de ganhar a disputa política posta à época foi a publicização das propostas, dos debates e dos pontos de vista nos jornais. É importante ressaltar que a essência política do jornalismo é inegável. Primeiro, porque é o agente que permite o debate, o discurso, a pluralidade de idéias, as versões divergentes, todas as possíveis interpretações, e quanto mais amplo o debate, quanto mais ampla a abrangência de versões via imprensa, maiores serão as possibilidades de nos aproximarmos da verdade. Temos, portanto, compostas as premissas do jornalismo. Mas falamos de um Brasil que, segundo nossos autores clássicos, não há a cultura democrática nas ações e atitudes dos detentores do poder, primeiro da realeza, depois dos militares da República Velha. A segunda razão para a inegabilidade da essência política do jornalismo é que, estas mesmas classes, detentoras do poder político e econômico, ao perceberem a capacidade articuladora, politizadora e organizadora da imprensa, a quiseram como aliada, nunca como inimiga..

(15) 15. Fizeram uso de seu potencial, a cooptaram como bandeira política, como tribuna de seus interesses mínimos. Foi o exercício da essência política às avessas, para conquista de causas privadas, de interesses da minoria, e não usada como instrumento para se alcançar a democracia ou qualquer outro valor social, como a ética e a justiça. A essência política do jornalismo foi percebida e por isso aliciada para a defesa de uma classe detentora do poder econômico, que pretendia alcançar inclusive o político. A essência política do jornalismo, portanto, foi percebida, mas não exercida em sua verdadeira finalidade política, mas com uma finalidade arbitrária, anti-democrática, privativista. O que pretendo dizer é que, apesar de a essência do jornalismo ser a política, quando utilizada como tribuna dos interesses das classes dominantes, deixou de exercer sua essência política, há uma anulação de sua essência, uma vez que os objetivos, os intuitos que alicerçam o uso da imprensa não eram democráticos, mas arbitrários e, absolutistas quando nas mãos da Coroa e dos militares. Portanto, há uma essência política que vai sendo construída pouco a pouco, no ao ritmo dos acontecimentos políticos e econômicos do país. E essa essência política, claro, ainda não é sistematizada, registrada, ou catalogada, uma vez que a imprensa que se fez à época, nos períodos colonial e imperial, era ainda artesanal. Quando me refiro à essência política do jornalismo na Colônia e no Império, observo que não há a figura do jornalista, como já se apresenta no período mais adiante. Os precursores da instauração da imprensa que havia ficado, num primeiro momento, sob responsabilidade da Coroa por razões políticas claras, fazem da imprensa um ofício, mas não ofício com objetivo social, mas um ofício de direito das elites dominantes, compostas pelos comerciantes portugueses e oligarcas brasileiros. Estes atribuem ao jornalismo um caráter de bandeira para defesa de interesses de classes, de tribuna, de palanque, embora detentora de poder mobilizador, articulador, politizador, educador. Um mau uso da imprensa. A imprensa detém tais capacidades, mas é refém das intenções de quem a utilize para fins democráticos ou arbitrários. Há ainda uma terceira razão para a inegabilidade da essência política do jornalismo: assim que percebida a essência política do jornalismo por parte das classes dominantes, houve a instauração da censura, da perseguição, da opressão, de toda tentativa de anular.

(16) 16. os efeitos politizadores da imprensa. Assim sendo, a censura e a opressão é uma das provas da essência política do jornalismo. Diante de um contexto político conflituoso, no qual reivindicações de classes passam a ser registradas por uma imprensa, mesmo que artesanal, mesmo que em número reduzido de exemplares postos em circulação, temos como concreto um jornalismo de classe em atividade, atuante no Brasil colonial e imperial. E está neste contexto também mais uma prova da essência política do jornalismo, uma vez que é atuante na defesa de uma causa, porém, como já reforçado nos parágrafos anteriores, uma causa particular, mas que prova o reconhecimento da essência política do jornalismo porque é por meio da imprensa que um debate, mesmo que entre classes dominantes, é promovido. O jornalismo é por essência político, conforme apontado como primeira razão, pela capacidade de promover debates, publicizar argumentos, apontar diferentes versões e reivindicações. O que houve foi o uso da essência política do jornalismo (a capacidade de promover o debate, a organização social, a politização) por parte das classes detentoras do poder político e econômico para defesa de interesses particulares, porém, os resultados conquistados por meio da imprensa e que levaram ao poder os regentes, tutores de D. Pedro II e, posteriormente, garantiram a vontade da oligarquia que apóia os militares no episódio da República, não podem ser rotulados como político, por se tratar de uso da essência política para garantia de interesses de uma minoria. Não sendo, portanto, político, ou fruto de um contexto político – porque a política deve contemplar a pluralidade, o debate e as reivindicações dos demais atores da sociedade em formação - e não fora por meio do equilíbrio de forças, da argumentação e do consenso que se chega à República no Brasil, sendo a chegada ao poder de todas as classes que este posto assumem, desde a Colônia, até o período estudado, a República Velha, de modo autoritário, arbitrário. A imprensa foi participante de todo o processo, porém, fora utilizada como aliada, como propagadora dos ideais, dos interesses, das reivindicações das elites dominantes. Portanto, como a imprensa, neste episódio, não contemplou a diversidade de opiniões, o ecletismo partidário, a pluralidade de vozes, apenas publicizou uma versão (uma vez que os jornais eram tribunas de um único interesse, porta-voz de uma única classe, não havia espaço para os argumentos de outras classes, assim como a imprensa da modernidade), os resultados conquistados não podem ser.

(17) 17. rotulados de políticos, por terem tratado de uso da imprensa, que é de essência política, mas com fins não democráticos, o seu uso foi para fins arbitrários, autoritários. Considerando, portanto, que havia uma única voz representada pelos jornais, a voz da classe dominante, é possível afirmar que, embora a essência do jornalismo seja a política, quem está em evidência é a voz do capital, a voz dos interesses econômicos. Não são os argumentos de toda ordem e natureza, não são as vozes plurais, não sãos as múltiplas reivindicações que alcançam a imprensa. O jornalismo deve fortalecer a esfera pública, mas o primado dos interesses do capital surge como um bloqueio para o exercício da essência política do jornalismo.. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ARENDT, Hannah. O que é política. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999. 238 p. CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. São Paulo: Editora Nacional, 1980. FREYRE, Gilberto. Ordem e Progresso. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1962. 1 v, 344 p. FREYRE, Gilberto. Ordem e Progresso. 2. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1962. 2 v, 449 p. FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. 17.ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1980. 248 p. HOLANDA, Sérgio Buarque de. Raízes do Brasil. 21.ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989. 158 p. MIGUEL, Luis Felipe. Os meios de comunicação e a prática política. Lua Nova Revista de cultura e política. N. 55-56, 2002 PRADO JUNIOR, Caio. Evolução política do Brasil. 5.ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1966. 245 p. ROMERO, Sílvio. História da literatura brasileira. 7. ed. Rio de Janeiro: José Olympio; Brasília: Instituto Nacional do Livro, 1980, 1 v. 344 p..

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