UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS SOCIAIS E HUMANAS
CURSO DE BACHARELADO EM TURISMO
Rusimara Dayane da Silva
LAZER NA TERCEIRA IDADE NO MUNICÍPIO DE CURRAIS NOVOS/RN
CURRAIS NOVOS 2019
RUSIMARA DAYANE DA SILVA
LAZER NA TERCEIRA IDADE NO MUNICÍPIO DE CURRAIS NOVOS/RN
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) como parte dos requisitos para a obtenção do título de Bacharel em Turismo. Orientadora: Profa. Mª. Fernanda Raphaela Alves Dantas.
CURRAIS NOVOS 2019
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas – SISBI
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Central Zila Mamede Silva, Rusimara Dayane da.
Lazer na terceira idade no Município de Currais Novos/RN / Rusimara Dayane da Silva. - 2020.
57f.: il.
Monografia (Graduação)-Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ensino Superior do Seridó, Curso de Turismo- Bacharelado, Currais Novos, 2020.
Orientador: Fernanda Raphaela Alves Dantas.
1. Turismo - Monografia. 2. Lazer - Monografia. 3. Terceira idade - Monografia. 4. Currais Novos/RN - Monografia. I. Dantas, Fernanda Raphaela Alves. II. Título.
RUSIMARA DAYANE DA SILVA
LAZER NA TERCEIRA IDADE NO MUNICÍPIO DE CURRAIS NOVOS/RN
O trabalho apresentado foi julgado e aprovado para a obtenção do título de Bacharel em Turismo, no curso de graduação em Turismo Bacharelado da Universidade
Federal do Rio Grande do Norte – UFRN.
Currais Novos/RN, ___ de __________ de 2019.
______________________________ Prof. Dr. Marcelo da Silva Taveira Coordenador do Curso de Turismo
BANCA EXAMINADORA
___________________________________________________ Profa. Mª. Fernanda Raphaela Alves Dantas
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Orientadora
___________________________________________________ Profa. Dra. Carolina Todesco
Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN Examinadora
___________________________________________________ Profa. Mª. Itamara Lúcia da Fonseca
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Examinadora
TERMO DE ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE
Declaro, para todos os fins de Direito e que se fizerem necessários, que assumo total responsabilidade pelo material aqui apresentado, isentando a Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, à Coordenação do Curso, a Banca Examinadora e o Orientador de toda e qualquer responsabilidade acerca do aporte ideológico empregado ao mesmo.
Conforme estabelece o Código Penal Brasileiro, concernente aos crimes contra a propriedade intelectual, o artigo n.º 184 – afirma que: violar direito autoral: Pena – detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa. E os seus parágrafos 1º e 2º, consignam, respectivamente:
§1º Se a violação consistir em reprodução, por qualquer meio, no todo ou em parte, sem autorização expressa do autor ou de quem o represente, (...): Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa, (...).
§ 2º Na mesma pena do parágrafo anterior incorre quem vende, expõe à venda, aluga, introduz no País, adquire, oculta, empresta, troca ou tem em depósito, com intuito de lucro, original ou cópia de obra intelectual, (...), produzidos ou reproduzidos com violação de direito autoral.
Diante do que apresenta o artigo n.º 184 do Código Penal Brasileiro, estou ciente que poderei responder civil, criminalmente e/ou administrativamente, caso seja comprovado plágio integral ou parcial do trabalho,
Currais Novos-RN, ___ de ____________ de 2019.
________________________________ Rusimara Dayane da Silva
Este trabalho é dedicado a todos que estiveram comigo nos melhores e nos piores momentos; os que me ajudaram, me incentivaram, me apoiaram, não me julgaram e não desistiram de mim.
AGRADECIMENTOS
Nesses anos, em meio a todos os percalços, fui surpreendida das piores e das melhores formas. Com isso, pude conhecer verdadeiramente o real significado da palavra gratidão. Sendo assim, quero também agradecer:
Primeiramente, a Deus, pelo dom da vida.
Aos meus pais, Rui e Do Carmo, por serem meu alicerce, meu exemplo de caráter, bondade e amor; por contribuírem com meu crescimento pessoal e a formação do ser humano que sou hoje.
Ao meu irmão Rusimar, que mesmo com tantas diferenças e nos momentos mais difíceis, soube deixar o que não importa de lado para sermos irmãos em todos os sentidos, além de juntamente com minha cunhada Paula, a quem adoro imensamente, terem me dado o melhor presente da vida, meu sobrinho Pedro. Amo demais vocês!
Aos meus primos Clébio e Eduarda, por terem, durante a minha formação acadêmica, me ajudado a concluí-la, me dando um grande apoio. Foram uma das minhas surpresas de 2019.
À minha vó, Dona Maria, meu tesouro, que me acolheu em sua casa por semestres a fio quando eu precisava fugir do mundo; que ouviu meus desabafos mesmo sem entender o porquê deles; que me faz rir todos os dias; que me dá sermão quando necessário e a quem amo muito!
À melhor orientadora e à melhor professora que tive: Fernanda Raphaela e Carolina Todesco. Pessoas que com toda paciência do mundo me incentivaram, me deram força, me deram ânimo e não mediram esforços para me ajudar de uma forma que nunca poderei pagar! Muito obrigada mesmo!
Agradeço também a quem duvidou, apontou e julgou o desconhecido. Com vocês aprendi a ser mais madura, menos emoção e mais razão. Por causa de vocês, passei a perceber pelo quê e por quem devo lutar.
Enfim, meus amigos...
À Simara, em 20 anos de amizade, apoio e cumplicidade foram coisas que nunca nos faltaram. Eu agradeço por nunca ter soltado minha mão e por nunca ter me deixado cair. Te amo muito!
À Ana Maria, vulgo, Anéeeeeia (rsrs). Obrigada por me aturar, por estar comigo durante minhas crises de ansiedade, de choro, de riso, de mau humor.
Obrigada por me deixar fazer da sua mãe, da sua casa, da sua família, um pouco minhas também. Agradeço todo o apoio, todos os conselhos e toda a ajuda que você me deu durante esse tempo. Amo você!
À Juliana e a Isaac, meus amigos e compadres, obrigada por me tirarem o juízo e, ao mesmo tempo, me darem força para chegar onde cheguei. Sou imensamente feliz por fazerem parte da minha vida!
A Fran, pois, mesmo distante, sempre esteve comigo quando precisei e sou muito grata por isso. Te amo!
Ao meu amigo, meu “subchefe” Wênio. Obrigada pelas conversas, pelos conselhos, por me suportar nas crises de chatice... Afinal, também te suporto (rsrs). Se não fosse por você tirando meu juízo para continuar tentando, eu não estaria escrevendo isso aqui agora! Obrigada por tudo mesmo!
Por fim, mas não menos importante, o presente que a UFRN me deu...
A Glênio. Somos tão parecidos e tão diferentes... Talvez seja por isso que nos demos tão bem logo de cara e estamos nessa relação de amizade há tanto tempo. Muito obrigada por fazer parte da minha vida, por me apoiar em qualquer coisa, por me ajudar sempre que precisei, por me ouvir... Enfim, passaria horas citando motivos para dizer o quanto você é importante para mim. Nem preciso dizer o quanto amo você, né?! (Rsrsrs).
E finalizo agradecendo à pessoa mais importante em tudo isso: eu!
Enfrentar batalhas comigo mesma foi a melhor coisa que aconteceu, pois pude assim me conhecer, me aceitar, me amar, me perdoar e me fazer seguir em frente. Meu crescimento pessoal foi a melhor evolução que pude ter nesse tempo todo. Portanto, Rusimara, essa batalha vencida, essa meta alcançada, é para você!
Os dias correm, somem, e como o tempo não voltar, só há uma chance pra viver. Não perca a força, o sonho, não deixe nunca de acreditar, e tudo vai lhe acontecer.
RESUMO
A presente pesquisa aborda a temática do lazer para terceira idade com ênfase na oferta de equipamentos e atividades para esse público. Compreende-se como primordiais as opções oferecidas à pessoa idosa no seu município, pois, entende-se que o lazer proporciona melhor desenvolvimento e bem-estar em aspectos psicológicos, físicos e sociais. Sendo assim, o objetivo central da pesquisa é analisar a percepção do público da terceira idade quanto à oferta de equipamentos e de atividades de lazer no município de Currais Novos/RN. Para isso, foi realizada uma pesquisa de abordagem quantitativa, de caráter exploratório e descritivo, a partir da aplicação de 100 formulários com o público da terceira idade do município supracitado, analisados e apresentados em gráficos e tabelas com conclusões pautadas em porcentagens e médias. Diante disso, pode-se afirmar que as principais atividades de lazer realizadas por esse universo consistem em (i) conversar com amigos e familiares; (ii) ver televisão; (iii) caminhar pela cidade. Além disso, atividades voltadas para a classificação artística e intelectual são pouco realizadas, enquanto as de caráter físicos e sociais ocorrem com maior frequência. Dentre as motivações e benefícios percebidos pelos entrevistados, citam-se ajuda a combater problemas de saúde, melhora a qualidade de vida e o humor, enquanto que no que diz respeito aos aspectos que impossibilitam maior prática de atividades lúdicas foram citados problemas de saúde e cansaço, além da falta de ofertas de equipamentos e atividades de interesse. No que concerne ao nível de satisfação, em uma escala numérica de 0 a 10, a média entre os entrevistados foi de 7,5. Assim, como sugestão para melhorar essa oferta, os idosos indicam ampliar as opções de lazer físico, bem como atividades voltadas para a interação social como dança e jogos. Portanto, a partir dos resultados obtidos ao longo da investigação, conclui-se que o município de Currais Novos/RN necessita pensar cada vez mais em propostas de lazer para a terceira idade, uma vez que mesmo estando presentes e por vezes atendendo parte da população, o nível de satisfação do público entrevistado não é alto.
ABSTRACT
This research addresses the theme of leisure for the elderly with emphasis on the provision of equipment and activities for this audience. It is understood as primordial the options offered to the elderly in their municipality, because it is understood that leisure provides better development and well-being in psychological, physical and social aspects. Thus, the main objective of the research is to analyze the perception of the elderly public regarding the supply of equipment and leisure activities in the city of Currais Novos / RN. For this, a research of quantitative approach, exploratory and descriptive, was carried out from the application of 100 forms with the elderly public of the above-mentioned municipality, analyzed and presented in graphs and tables with conclusions based on percentages and averages. Given this, it can be stated that the main leisure activities performed by this universe consist of (i) talking with friends and family; (ii) watch television; (iii) walk around the city. In addition, activities aimed at artistic and intellectual classification are rarely performed, while physical and social ones occur more frequently. Among the motivations and benefits perceived by the interviewees, mentioning helps to combat health problems, improves quality of life and mood, while regarding the aspects that make it more difficult to play, health problems and tiredness were mentioned. , besides the lack of equipment offerings and activities of interest. Regarding the level of satisfaction, on a numerical scale from 0 to 10, the average among respondents was 7.5. Thus, as a suggestion to improve this offer, the elderly indicate expanding the options of physical leisure, as well as activities focused on social interaction such as dance and games. Therefore, from the results obtained throughout the investigation, it is concluded that the city of Currais Novos / RN needs to think increasingly about leisure proposals for the elderly, since even being present and sometimes attending part of the population , the level of satisfaction of the interviewed audience is not high.
LISTA DE TABELAS
LISTA DE GRÁFICOS
Gráfico 1 – Gênero dos entrevistados...39
Gráfico 2 – Faixa etária dos entrevistados...40
Gráfico 3 – Estado civil dos entrevistados...40
Gráfico 4 – Escolaridade dos entrevistados...41
Gráfico 5 – Ocupação dos entrevistados...42
Gráfico 6 – Renda dos entrevistados...43
Gráfico 7 – Conhecimento e participação de grupos de idosos...44
Gráfico 8 – Frequência de atividades físicas realizadas...46
Gráfico 9 – Frequência de atividades sociais realizadas...47
Gráfico 10 – Frequência de atividades manuais realizadas...47
Gráfico 11 – Frequência de atividades artísticas realizadas...48
Gráfico 12 – Frequência de atividades intelectuais realizadas...49
LISTA DE IMAGENS
Imagem 01 – Mapa da localização de Currais Novos/RN...27
Imagem 02 – Aula de artesanato no CCI...29
Imagem 03 – Momento de oração antes de começarem as atividades...29
Imagem 04 – Atividades de jogos em grupos do CCI...30
Imagem 05 – Praça Cristo Rei...32
Imagem 06 – Praça Tetê Salustino...32
Imagem 07 – Anfiteatro da Praça Tetê Salustino...33
Imagem 08 – Praça Amadeu Venâncio...33
Imagem 09 – Espaço Cultural Monsenhor Ausônio Araújo...34
Imagem 10 – ATI na Praça Aproniano Pereira...35
Imagem 11 – ATI no Largo Júnior Toscano...35
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
AABB Associação Atlética Banco do Brasil ATI Academia da Terceira Idade
CCI Centro de Convivência de Idosos
CRAS Centro de Referência da Assistência Social IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ONU Organização das Nações Unidas
PMDT Plano Municipal de Desenvolvimento do Turismo RN Rio Grande do Norte
SCFV Serviço de Convívio e Fortalecimento de Vínculo
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO ...17
2 REFERENCIAL TEÓRICO... 20
2.1 REFLEXÕES TEÓRICAS E CONCEITUAIS DO LAZER...20
2.2 OS DIFERENTES PÚBLICOS DO LAZER E SUAS CARACTERÍSTICAS... 25
2.3 A OFERTA DE EQUIPAMENTOS DE LAZER NO MUNICÍPIO DE CURRAIS NOVOS/RN...27
3 ANÁLISE DOS RESULTADOS...37
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS... 51
REFERÊNCIAS...54
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1. INTRODUÇÃO
A busca por descontração e por desligamento de atividades obrigatórias aumenta a necessidade de conhecer novos lugares, o que faz com que o ser humano saia do seu entorno habitual. Dessa forma, a viagem é uma possibilidade de ocupação do tempo livre.
O lazer, assim como o turismo são fenômenos sociais modernos que contribuem como possibilidades de fugas do cotidiano pesado e formas de recuperação de energias em um tempo livre das obrigações, tornando-se essenciais para a construção do bem-estar dos indivíduos (KRIPENDORFF, 2009).
No contexto do turismo, entende-se que a motivação de viagens a lazer é predominante na escolha por destinos turísticos, sendo possível afirmar, nesse sentido, que o turismo e o lazer estão interligados em diferentes perspectivas como: a necessidade de tempo livre; a possibilidade de fuga do cotidiano; e motivações, onde existem pessoas que viajam para praticar o lazer, bem como, o turismo consiste em uma forma de praticar o lazer (FERREIRA, 2014).
Mesmo com todos os problemas socioeconômicos existentes no país, também é possível afirmar que alguns aspectos avançaram, como por exemplo, a realidade dos idosos. De modo geral, o público da terceira idade conseguiu ganhos consideráveis e a melhoria de vida na longevidade pode ser citada como um desses ganhos. Segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU), o número de pessoas com mais de 60 anos deve triplicar até 2050 (FERREIRA, 2014).
Nesse cenário, compreende-se que a oferta de equipamentos de lazer oferecidos no âmbito público consiste em ser um fator primordial na contribuição da qualidade de vida da pessoa idosa, uma vez que o lazer tende a somar em diferentes abordagens para o desenvolvimento da terceira idade, seja quanto aos aspectos físicos, sociais ou psicológicos.
Com base em Bacal (2003), é possível entender que o processo de urbanização trouxe consigo alterações que influenciam na oferta do lazer nas cidades. Calçadas e ruas pouco são utilizadas para práticas do lazer e, além disso, a concentração de equipamentos localiza-se, geralmente, em zonas mais centrais, o que impossibilita o acesso de classes menos favorecidas.
Marcellino (2006) ressalta que o lazer é desenvolvido na atualidade, principalmente, no ambiente doméstico – um equipamento não específico do lazer –,
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tendo em vista que aspectos como violência urbana, falta de políticas públicas para construção de oferta de lazer, além da própria tecnologia e da Internet contribuem para esse cenário.
No contexto do presente trabalho, destaca-se o município de Currais Novos/RN, localizado a 180km da capital do Estado do Rio Grande do Norte/RN, com população total de 42.652 habitantes. Há, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE, 2010), 5.804 pessoas que constituem uma parcela da população que corresponde à terceira idade na referida cidade.
De acordo com o Plano Municipal de Desenvolvimento do Turismo de Currais Novos/RN (PMDT, 2014), a oferta de lazer da cidade restringe-se, principalmente, às praças e aos ginásios poliesportivos, com destaque à Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) que possui um balneário, um campo de futebol, uma quadra e um salão de jogos – equipamentos que funcionam mediante associação e, consequentemente, pagamento de mensalidades.
Sendo assim, ao compreendermos que a existência de espaços para realização do lazer da pessoa idosa é primordial no desenvolvimento e bem-estar desse público e, considerando ainda, a oferta restrita de equipamentos no município de Currais Novos/RN, delimita-se como questão problema norteadora do presente trabalho: qual a percepção do público da terceira idade de Currais Novos/RN quanto à oferta de lazer no município?
Em busca de resposta para essa problemática, o objetivo geral desta investigação consiste em:
analisar a percepção do público da terceira idade quanto à oferta de equipamentos e atividades de lazer no município de Currais Novos/RN.
Para isso, é necessário elencarmos os objetivos específicos que possibilitaram o alcance do objetivo central, sendo estes:
Levantar os equipamentos ofertados para práticas de lazer do público da terceira idade no município de Currais Novos/RN, elencando as principais atividades realizadas;
realizar uma pesquisa acerca do perfil socioeconômico do idosos entrevistados e
identificar o nível de satisfação dos idosos, quanto a oferta de equipamentos e atividades de lazer no município; e d) averiguar as principais motivações e
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entraves para o desenvolvimento do lazer voltado para o público da terceira idade.
Nesse sentido, no presente trabalho, a ênfase é o lazer voltado para o público da terceira idade residente na cidade de Currais Novos/RN, em que se busca compreender as possibilidades no âmbito de lazer onde vivem ou até mesmo de viagens e de deslocamentos para prática do lazer turístico.
É importante ressaltar que a realização da pesquisa pode contribuir em diferentes aspectos: de maneira pessoal, para a autora, é um caminho de aprendizado diante de uma temática de identificação durante todo período da graduação; em uma abordagem acadêmica, pretende-se colaborar com os estudos sobre a terceira idade, trazendo, nesta pesquisa, o olhar do próprio idoso – algo que é primordial para se pensar e planejar melhor a oferta voltada para tal público. Atrelado a isso, infere-se que em âmbito social, é uma pesquisa que dá ênfase à pessoa idosa, buscando resultados específicos para esse público.
No que diz respeito à organização estrutural dos capítulos que constituem este trabalho, inicialmente, na introdução, centraremos foco nos tópicos de centrais de discussão acerca da temática abordada de forma contextualizada. Além disso, delimitaremos a questão problema, bem como os objetivos que possibilitaram alcançar os resultados que serão apresentados em outra seção.
O capítulo II corresponde aos aspectos de fundamentação teórica que trata de discussões acerca do lazer e do turismo com foco na terceira idade. Assim sendo, esse capítulo divide-se em três partes: (i) reflexões teóricas e conceituais acerca do lazer; (ii) os diferentes públicos do lazer e suas características; e por fim, (iii) a oferta de equipamentos de lazer em Currais Novos/RN.
O capítulo III diz respeito aos aspectos metodológicos da pesquisa e contempla os caminhos percorridos para a construção deste estudo, a abordagem de pesquisa escolhida, os instrumentais de geração e sistematização de dados, o universo entrevistado e, por fim, a análise dos dados.
Os resultados serão apresentados logo em seguida, no capítulo quatro, organizados em tópicos que objetivam agrupar informações relacionadas aos objetivos do trabalho.
Por fim, as considerações finais, com maior posicionamento da autora diante os resultados encontrados, assim como as principais dificuldades e limitações encontradas ao longo da investigação.
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2. REFERENCIAL TEÓRICO
O referencial teórico consiste no subsídio de discussão do que já foi elaborado até o momento sobre a temática e permite a construção de diálogos entre teóricos que já discutem o lazer em suas diferentes concepções e abordagens. Nessa etapa do presente trabalho, serão discutidos, inicialmente, conceitos, classificações e tipologias do lazer. Em seguida, apresentaremos o público de lazer em suas faixas etárias que devem ser consideradas para a oferta de atividades mais assertivas para as aspirações de cada público. Além disso, discorreremos também sobre os equipamentos de lazer disponíveis para o público da terceira idade no município de Currais Novos/RN, campo da presente pesquisa.
2.1. REFLEXÕES TEÓRICAS E CONCEITUAIS DO LAZER
O fenômeno do lazer, em sua concepção moderna, encontra-se relacionado a conquista do tempo livre, após lutas e reinvindicações em uma sociedade industrial que tinha uma carga horária elevada de trabalho e dividiu o seu tempo das obrigações (trabalho) do seu tempo de não trabalho, relacionado ao momento de satisfação de necessidades básicas. A ideia de tempo passa por modificações, principalmente, após as conquistas trabalhistas gerando o tempo livre disponível, o que impulsiona e expande a própria concepção do lazer (CAMARGO, 2006).
Apesar de uma corrente teórica que defende o surgimento do lazer nesse cenário. De acordo com Gomes (2004), existem outras abordagens que precisam ser consideradas nesse contexto. É preciso “conhecer e considerar as peculiaridades [...] de outras realidades que compõe a nossa história pode fornecer expressivas contribuições para apreendermos o processo de constituição do lazer” (GOMES, 2004, p. 138).
Melo e Alves Junior (2003) ressaltam que os métodos de diversão sempre existiram e que o lazer é, na verdade, uma construção social que tem como embasamento o contexto adquirido com o passar dos tempos. Assim sendo, para Melo e Alves Junior (2003, p. 2), é “somente a partir de determinado momento da história que se começa a utilizar a palavra lazer para definir um fenômeno social; antes, outras palavras denominavam outros fenômenos similares, mas não iguais”.
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A contínua busca de formas de diversão não significa ter sempre existido o que hoje chamamos por lazer, na medida em que tais formas de diversão guardam especificidades condizentes com cada época, que devem ser analisadas com cuidado. Por certo, existem similaridades com o que foi vivido em momentos anteriores – e mesmo por isso devemos conhecê-los –, mas o que hoje entendemos como lazer guarda peculiaridades que somente podem ser compreendidas em sua existência concreta atual. O fato de haver equivalências não significa que os fenômenos sejam os mesmos (MELO; ALVES JUNIOR, 2003, p. 2).
Em uma abordagem e compreensão do lazer como algo relacionado aos povos antigos, compreende-se que o lazer surgiu na Grécia Antiga e que não era ligado apenas ao tempo livre, muito menos que fosse interligado a uma ocupação, pois, para Aristóteles e Platão, essas eram atividades que traziam aprendizagem e evolução do corpo e espírito. Assim sendo, se houvesse ligação entre lazer e trabalho, as pessoas estariam melhorando seu espírito para o trabalho e não para si mesmo. Sendo assim, o lazer teria uma finalidade para si mesmo, sem nenhuma relação com algo.
No século IV d.C., Santo Agostinho acreditava que as brincadeiras infantis eram extremamente prejudiciais e perigosas, pois isso as levaria a uma vida desregrada e à desobediência dificultando sua aprendizagem.
As atividades de lazer possuem conceitos diferentes, variando de pessoa para pessoa e de acordo com gosto, tempo, situação financeira, local de residência, entre outros aspectos. No entanto, quanto aos estudos e pesquisas relacionadas ao lazer, podemos citar Dumazedier (2004) como um dos estudiosos da temática e com definição sobre lazer amplamente aceita.
Segundo Dumazedier (2004, p.34):
O lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais.
Nota-se a partir da conceituação de Dumazedier (2004) que o lazer se relaciona às ações de livre vontade de quem pratica, que pode ser ligado a repouso, distração, ou ainda à aquisição de conhecimentos, desde que seja feito livre de obrigações profissionais, familiares e sociais.
Dumazedier (2004) também afirma que o lazer tem como função importante a tentativa de fazer com que o indivíduo se desligue, temporariamente, de suas obrigações, com a pretensão de que os sujeitos experimentem essa sensação, na
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tentativa de libertá-lo de suas rotinas – obrigações –, para expor seus sentimentos e emoções.
Marcellino (2006) afirma que, apesar da polêmica sobre os conceitos do lazer, a definição mais estudada é embasada nos aspectos de tempo e atitude. Porém, o tempo, ao ser considerado uma característica do lazer, tem causado mal-entendidos, sendo um deles a respeito do conceito de “livre” entendido como tempo livre de normas. Talvez, o mais correto seria falar em tempo disponível. No entanto, mesmo se levarmos em consideração essa afirmação, ainda permanece a questão do lazer como esfera permitida e controlada da vida social, o que pode provocar o fim do lúdico e, consequentemente, ocorrer o lazer marcado pelas mesmas características de outras áreas da atividade humana.
Para Melo e Júnior (2003), as atividades de lazer são atividades culturais, em seu sentido amplo, que podem estar relacionadas aos diferentes interesses e às variadas formas de manifestações. Devem ocorrer no tempo livre/disponível das obrigações profissionais, domésticas, sociais, religiosas e das necessidades físicas. Busca-se o lazer em virtude do prazer que possibilita e, mesmo que isso nem sempre ocorra, ressalta-se que o prazer não deva ser compreendido como exclusividade de tais atividades.
Para Dumazedier (2004), existem três funções essenciais que o lazer causa nos indivíduos sendo estas: a) descanso, relacionado ao simples fato de relaxamento e liberdade de obrigações; b) divertimento, aborda-se todas as práticas de recreação, diversão e entretenimento; c) desenvolvimento, atividades de aprendizagem não relacionada aos aspectos profissionais.
Andrade (2001) condensa as formas e tipos de lazer em uma matriz com quatro variações do lazer:
a) O lazer espontâneo: relacionado a surpresas, situações não previstas e nem programadas, derivado de momento inesperados em que surgem um tempo livre.
b) O lazer programado: o mais comum, principalmente por estar atrelado a programação de tempo livre disponível. Envolve também os aspectos comerciais na oferta de pacotes e viagens para pessoas em férias ou folgas. c) O lazer esporádico: não ocorre com surpresas como o espontâneo, mas não
possui cronograma, dias e períodos exatos para acontecer como no programado.
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d) O lazer habitual: realizado em situações cotidianas e corriqueiras, principalmente após cumprimento de obrigações diárias com sensação de descanso ou diversão.
O lazer se tornou um segmento que, além de ser o somatório de algumas outras atividades da humanidade, se baseia no caráter e na personalidade de cada pessoa que a busca. Sendo, portanto, considerada a identidade cultural de cada um e suas preferências na escolha do lazer.
Nesse contexto, Camargo (2006) apresenta a classificação das atividades de lazer, sendo estas: artístico, intelectual, físico, manual, turístico e social. O artístico abrange todas as manifestações artísticas, que mexem com o imaginário, o emocional e o sentimental. No intelectual, se busca contato com o real, com as informações, com o conhecimento vivido, tendo como exemplo as participações em cursos ou leituras realizadas. No físico, conceitua-se como as práticas esportivas e envolvem passeios, pesca, ginástica, caminhadas, toda e qualquer prática que mexa com o físico. O manual, por sua vez, refere-se às práticas ligadas aos trabalhos manuais como artesanato, jardinagem, pintura, dentre outros similares. O turístico abrange as viagens e os passeios fora de sua localidade com o intuito de sair da rotina, conhecer pessoas e lugares novos. Por último, o social, que define o lazer procurado no convívio social, como bares, festas, bailes, que se direciona às atividades que promovem a socialização.
A compreensão do lazer também requer o entendimento de algumas propriedades que caracterizam esse fenômeno. Segundo Camargo (2006), as quatro propriedades básicas do lazer são:
a) Escolha pessoal: nessa propriedade o autor refere-se a um grau de liberdade na escolha do que realizar dentro das possibilidades do lazer. Por exemplo, muitas vezes, decide-se o que fazer por intermédio de propagandas de televisão, opinião de amigos, comentários de terceiros, mas, mesmo com influências, a escolha é feita pelo indivíduo;
b) Gratuidade: o lazer não deve ser praticado com finalidades lucrativas. Mesmo que exista um interesse disfarçado, as atividades têm de ter caráter desinteressado, o fazer por fazer. Podemos fazer algo com algum interesse escondido, como por exemplo, dançar por prazer, mas ali pode surgir, posteriormente, interesses profissionais. Podemos fazer artesanatos por adorar artes manuais, mas alguém pode se interessar e querer comprar a
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produção. Em suma, é aqui onde se tem mais o fazer por fazer, sem que seja necessário obter algum retorno financeiro ou que se pague por algo;
c) Prazer: a propriedade do prazer refere-se à satisfação que as atividades devem causar no indivíduo, mas não se pode afirmar que todas as práticas de lazer são completamente prazerosas. Por exemplo, assistir ao jogo de seu time preferido e sair de lá vendo-o derrotado. Nesse caso, o correto a afirmar seria que as atividades de lazer buscam o prazer, mesmo que o resultado da prática não seja satisfatório.
d) Liberação: o lazer não está relacionado à uma obrigação, pois ele deve ser uma forma de compensação sobre os esforços feitos na vida social, profissional, acadêmica. A prioridade do lazer é fazer com que as tensões cotidianas sejam quebradas em ações como correr no parque, fazer uma trilha, ir ao cinema, entre outras. Ressalta-se que, para alguns profissionais, a rotina desgastante acaba fazendo com que os planos de exercitar uma atividade de lazer fiquem um pouco de lado, dando lugar ao descanso.
Percebe-se que a compressão do lazer perpassa por conceituações, classificações, propriedades e formas, de maneira que seja possível caracterizar esse fenômeno e entender sua importância na sociedade contemporânea seja para descanso, diversão ou desenvolvimento.
Destaca-se ainda que as possibilidades e práticas do lazer variam de acordo com os interesses e a realidade dos indivíduos, sendo pertinente buscar identificar o perfil e as características de cada público, em que se entende que as aspirações e os cuidados especiais também modificam de acordo com cada faixa etária.
Além dessas classificações acerca do lazer, temos como destacar também as formas em quem elas estão sucintamente divididas, tendo em vista as individualidades. Como por exemplo, com a correria diária, as pessoas acabam apresentando um desgaste físico e mental significativo podendo causar problemas sérios de saúde. O lazer entra como alternativa que ajuda no relaxamento do corpo e da mente, fazendo com que se tornem até mais produtivas.
É fato que nem todos têm a mesma intensidade de trabalho ou desgaste advindo dele. Com isso, não se pode ofertar atividades de lazer igualitárias, pois cada um tem suas particularidades, preferências e gostos, podendo ou não, serem parecidas com o de outros indivíduos. Além disso, não existem elementos que sejam conclusivos sobre os motivos da procura pelo lazer.
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Assim sendo, existem diretrizes que abordam o lazer em áreas para facilitar seu entendimento e sua oferta. São aspectos que permitem a ampliação e a compreensão nas pesquisas no momento de ofertar serviços.
2.2. OS DIFERENTES PÚBLICOS DO LAZER E SUAS CARACTERÍSTICAS
Para vivenciar o lazer, é necessário que haja opções por tipos, formas, lugares, dentre outros modos, e as escolhas variam de indivíduo para indivíduo. Pesquisas feitas com pessoas, após realizarem atividades de lazer diversificadas, destacaram que os maiores influenciadores para a escolha do que fazer são: o tempo disponível, a profissão, a situação econômica, a cultura, as questões de saúde física ou mental, as relações pessoais da pessoa com sua família e amigos, as crenças, as oportunidades, as necessidades e os desejos (ANDRADE, 2001).
Torna-se necessário compreender também o papel de políticas públicas e de inclusão social no contexto de oferta de lazer para as populações de todas as faixas etárias, uma vez que o lazer é um direito social constituído para os cidadãos.
Andrade (2001, p. 129) afirma que há diferenças consideradas universais a respeito de tendências e de preferências gerais de lazer, conforme a natureza da diversificação das faixas etárias. Assim sendo, elas são classificadas segundo a seguinte divisão clássica: as crianças e os pré-adolescentes; os adolescentes e os jovens da primeira faixa etária; os adultos e os da terceira idade.
Sobre as características de crianças e pré-adolescentes destaca-se que essas optam por atividades que possam gastar energia, que se movimentem, pulem, corram, falem e gritem sem limites ou regras. Ou seja, tudo que fuja da disciplina do seu cotidiano social e que dê uma sensação de liberdade. Essas atividades, nas quais eles mais se identificam, são aquelas que contenham sempre novidades, desafios e grandes espaços (ANDRADE, 2001).
Quanto aos adolescentes e jovens pode-se afirmar que ainda estão se descobrindo e, nesse caso, encontram-se em um mundo de particularidades, gostos, desejos, o que, de certa forma, influencia nas escolhas. O poder de começar a tomar decisões interfere na busca por atividades mais intensas e com menores riscos calculados (ANDRADE, 2001).
O público de adultos, geralmente em sua maioria, tende a buscar atividades que possuem elevado grau de participação, que considerem seus hábitos, atividades,
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objetos, rotina, convivências, dentre outros. Sua criatividade sobre o lazer é pouca e sistemática, talvez por questões de segurança (ANDRADE, 2001).
Os adultos quando chegam à terceira idade, geralmente, apresentam algumas limitações, sejam físicas ou orgânicas, o que resulta em cuidados mais acentuados para que assim, evitem riscos desnecessários. No contexto do lazer, costumam praticar algo habitual que promovam a satisfação, mesmo que anseiem por novidades. O público da terceira idade é mais comedido, pois pratica o lazer do seu jeito, possui o receio de exposição perante a sociedade e tem medo da ridicularizarão durante suas atividades (ANDRADE, 2001).
De acordo com Larizzati (2005), o idoso (acima de 60 anos) sofre alterações físicas, sociais e psicológicas que precisam ser consideradas na oferta de atividades de lazer. Nos aspectos físicos pode-se destacar a diminuição do equilíbrio, da velocidade de reação, da flexibilidade e da força, sendo mais propensos a quedas. Quanto às características afetivo-social tendem a perder a autonomia, tornando-se dependentes de outras pessoas. Além disso, possuem a sensação de perder o papel social após aposentadoria. Nessa faixa-etária, são comuns também o preconceito e a dificuldade de sociabilização. Nos aspectos psicológicos temem o abandono e a morte e ainda se preocupam com a aparência, o que pode, de alguma maneira, resultar em doenças como depressão.
Diante disso, entende-se que nessa faixa etária, o vigor físico não é mais o mesmo e até mesmo os aspectos psicológicos e a perda de habilidades são progressivos com o passar do tempo. Por esse fator, o lazer e o turismo são fenômenos que tendem a contribuir para um envelhecimento mais saudável, ativo e autônomo da pessoa idosa, buscando melhoria na qualidade de vida por meio de práticas que proporcionem o bem-estar.
Alguns fatores contribuem negativamente na qualidade de vida do indivíduo da terceira idade. Segundo Bruhns (1997), a questão da aposentadoria, que para esse público é, de certa forma, algo desprivilegiada pois, no Brasil, há um decréscimo no salário em decorrência da distribuição de renda para os aposentados. Assim sendo, esse dinheiro se torna insuficiente para manter as famílias com o mesmo nível/patamar que essas pessoas tinham ao longo da fase produtiva.
De certa forma, nota-se que a falta de recursos financeiros também reflete em condições mais desprovidas de oferta de lazer, principalmente, se não houver investimentos para equipamentos públicos e acessíveis.
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Na problemática que envolve a faixa etária, Marcellino (2006) destaca que pesquisas feitas na Europa e nos Estados Unidos mostraram que as pessoas da terceira idade são as que menos fazem atividades de lazer, o que chega a ser semelhante ao Brasil, pelos fatores de baixo poder aquisitivo, aposentadoria e falta de disposição e condições físicas, o que muitas vezes, os levam a se acharem incapazes de realizar atividades ou aproveitar seu tempo livre com atividades de lazer.
Outro ponto abordado por Marcellino (2006) é que, além das dificuldades econômicas, de saúde e de locomoção, os idosos sofrem uma série de preconceitos. Além disso, as pessoas começam a envelhecer muito cedo do ponto de vista social, sendo o lazer restrito cada vez mais ao ambiente doméstico.
Segundo Marcellino (2006, p.45),
Há muito para ser feito para que a terceira idade se constitua em faixa etária privilegiada para a vivência do lazer. Trata-se de uma situação de justiça social. Para tanto é necessário que os próprios idosos se organizem e reivindiquem seus direitos-que incluem remuneração digna, assistência médica adequada, acesso facilitado aso equipamentos, e uma política de lazer em que, juntamente com outras faixas etárias, sejam considerados. Percebe-se que, mesmo sendo considerado um direito social garantido na Constituição Federal de 1988 e da importância para o público, o lazer ainda enfrenta elevados problemas com relação à oferta de atividades que proporcionem bem-estar de maneira gratuita e de qualidade. Em decorrência disso, os benefícios do lazer são condicionados e direcionados para uma classe financeiramente favorecida.
O público da terceira idade, além das questões de divertimento e de melhoria na qualidade de vida, depende das práticas lúdicas para seu melhor desenvolvimento físico e psicológico, sendo indispensável a abordagem do planejamento, da gestão e das políticas públicas que garantam melhores condições nesse cenário para a pessoa idosa.
2.3. A OFERTA DE EQUIPAMENTOS DE LAZER EM CURRAIS NOVOS/RN
Nos estudos sobre lazer, destacam-se a compreensão de equipamentos específicos e não específicos para tal finalidade, estando esses conceitos atrelados às estruturas físicas utilizadas pelo público para as atividades de lazer. Segundo
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Marcellino (2006), os equipamentos específicos do lazer são aqueles concebidos com finalidade própria para ele e podem ser classificados como:
a) Microequipamentos especializados que se encontram em pequenas cidades ou bairros que visam apenas uma classificação do lazer, por exemplo, quadras de futebol (lazer físico);
b) Equipamentos médios de polivalência dirigida atendem grande população e podem estar relacionados às classificações diversas, por exemplo, centros culturais;
c) Macroequipamentos polivalentes, equipamentos amplos, geralmente atendem a grande massa, com programação diversificada, por exemplo, parques aquáticos, temáticos e ecológicos;
d) Equipamentos de lazer turístico voltados para programação turística, associado à hospedagem e às atividades recreativas, por exemplo, resorts. Quanto aos equipamentos não específicos, estes são caracterizados como um espaço que foi planejado e construído para uma determinada finalidade, que não o lazer, mas que pode ter a sua apropriação ampliada para outras atividades, como por exemplo, pátios de escolas, ruas onde crianças e adultos passam tempo livre, bares e outros (MARCELLINO, 2006).
Nesse sentido, Marcellino (2006, p. 17) afirma que
Todas as pesquisas dão conta de que a grande maioria da população desenvolve suas atividades de lazer, prioritariamente, no âmbito doméstico. O lar é o principal equipamento não específico de lazer, ou seja, um espaço não construído de modo particular para essa função, mas que eventualmente, pode cumpri-la (MARCELLINO, 2006, p. 17).
Ressalta-se que alguns aspectos têm influenciado para a utilização de equipamentos não específicos como a violência que, de alguma forma, empurra as pessoas para dentro de suas casas e, além disso, a tecnologia e a internet têm aumentado as ofertas de lazer, fazendo com o que o lazer no âmbito doméstico se torne cada vez mais comum (BACAL, 2003).
Para esta pesquisa, temos como lócus o município de Currais Novos/RN, que foi escolhidO em razão de ser uma das cidades da Região Seridó com um número expressivo de pessoas que compõem a terceira idade e, além disso, pela pouca oferta de lazer destinada a esse grupo. O lócus desta investigação está representado na figura 1, conforme ilustrado.
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Imagem 1: Mapa da localização da cidade de Currais Novos/RN
Fonte: Inventário Turístico de Currais Novos/RN, elaborado por LAPET/UFRN, 2019.
A origem do município foi dada no século XVIII e está ligada ao Ciclo do Gado, no período de 1755, em que o Coronel Cipriano Lopes Galvão, juntamente com sua esposa, vindos de Pernambuco, construíram uma fazenda de gado, o que possibilitou o início de atividades pecuárias. O Coronel Cipriano Lopes Galvão foi considerado um pioneiro no ramo pecuarista e, a partir do desenvolvimento das atividades voltadas para a pecuária, em meados de 1760, foram construídos três “novos currais”, que foram usados, em seguida, para a administração, compra e venda de animais. (SOUZA, 2008).
Com a morte do Coronel no ano de 1764, o seu filho mais velho, Capitão-Mor Cipriano Lopes Galvão, construiu uma capela a pedido de seu pai para homenagear à Sant’Ana e fez a doação de parte da terra da Serra do Catunda para patrimônio da Santa. Com o desenvolvimento agropecuário anos depois, outras famílias também vindas de outros estados, passaram a fazer daquelas terras moradia, transformando-a num povoado (SOUZA, 2008).
Em 1889, a população havia se tornado maior, a capela foi demolida para dar lugar a uma igreja – hoje conhecida como a Matriz de Sant’Ana –, e no ano seguinte, Currais Novos passa a ser vila. Em 29 de novembro de 1920, torna-se cidade. Seu nome se deu devido aos “currais novos” construídos que alavancaram a atividade agropecuária e também se tornaram símbolo da região (SOUZA, 2008).
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Atualmente, de acordo com o último censo, a população de Currais Novos/RN era de 42.652 habitantes, sendo 5,804 o número de idosos entre 60 e 100 anos (IBGE, 2010).
Assim, de acordo com o PMDT (2014, p. 53)
Percebe-se que o município possui uma boa oferta de equipamentos, porém vezes restrito as praças ginásios, o que se torna um ponto fraco nas opções de lazer, mas que se percebe a tendência de desenvolvimento nesse sentido, pois o município possui tendência ao desenvolvimento.
A cidade conta com 4 grupos da terceira idade, segundo a Secretária da Secretaria Municipal de Trabalho Habitação e Assistência Social – SEMTHAS. Sendo o maior deles o Centro de Convivência dos Idosos Tereza Bezerra Salustino, popularmente conhecido como CCI. O grupo existe há 30 anos, tendo sua inauguração em outubro de 1989.
O CCI é um Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos referenciado pelo Centro de Referência da Assistência Social - CRAS, diferente dos demais grupos. Esse grupo teve uma mudança na denominação e passou a ser denominado de Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos Tereza Bezerra Salustino. Atualmente, ele conta com 243 inscritos, sendo que o número diário de idosos frequentadores é em torno de 80.
O grupo funciona de terças às sextas-feiras, a partir das 14h, com uma grade de programações fixas, sendo estas: terça-feira: artesanato (ver imagem 03); quarta-feira: hidroginástica; quinta-quarta-feira: visita de residentes com palestras dinâmicas; e sexta-feira: forró.
Imagem 2: Aula de artesanato no CCI
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Além disso, outras atividades são realizadas com o intuito de não cair em uma rotina e, ao mesmo tempo, permitir que os idosos que não se identifiquem com uma determinada atividade possam participar de outras, garantido, portanto, o seu momento de descontração junto aos demais frequentadores dos grupos. Assim, há a oferta de aulas para quem ainda tem o desejo de aprender a ler e escrever, jogos dos mais diversos tipos, viagens e dança (ver imagem 03 e 04). O grupo tem uma quadrilha junina que participa de eventos em localidades próximas e no Forronovos (tradicional evento que ocorre na cidade de Currais Novos/RN).
Imagem 3: Momento de oração antes do início das atividades
Fonte: A autora (2019).
Imagem 4: Atividades de jogos em grupos no CCI
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De acordo com a diretora do CCI, os idosos veem o grupo como o segundo lar, pois, infelizmente, essa é uma fase em que muitos têm conflitos em casa e encontram lá a paz, a tranquilidade e a atenção que não recebem em casa. Assim, mesmo que haja um horário fixo para iniciar o funcionamento do grupo, muitos idosos começam a chegar por volta do meio-dia.
Além de grupos de convívio que contribuem para o lazer de idosos, existe uma gama considerável de equipamentos específicos como praças, academias públicas, ginásios poliesportivos, campo de futebol, clube, centro de artesanato, quiosques, casas de show e um teatro ainda em construção (PMDT, 2014).
Sendo assim, buscamos apresentar as imagens referentes aos principais equipamentos de lazer para idosos em Currais Novos/RN, dando destaque às praças e às academias para terceira idade no âmbito público.
Os equipamentos que oferecem diretamente algum tipo de serviço ou oferta de lazer para o público da terceira idade são as praças Cristo Rei, Tetê Salustino, Espaço Cultural Monsehor Ausônio Araújo (praça da Imaculada) e praça Amadeu Venâncio, com eventos religiosos, populares e esportivos. Além dos espaços citados, existem as academias públicas localizadas em frente ao Aero Clube (espaço de eventos da cidade), na praça Aproniano Pereira e no Largo Júnior Toscano, que recebem diariamente idosos que costumam praticar exercícios físicos.
A praça Cristo Rei (ver imagem 05) está localizada no centro da cidade e é palco para diversas atividades e encontros entre pessoas de todos os bairros. Além dos eventos anuais públicos e privados, nela são realizados projetos com atividades físicas para idosos, caminhadas, shows de artistas populares ou sendo apenas um lugar para sentar, conversar e ler (SANTANA, 2012).
Imagem 5: Praça Cristo Rei
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Com relação à praça Tetê Salustino (ver imagem 06), embora não esteja com sua estrutura em perfeito estado de conservação, tem sediado eventos culturais e religiosos no anfiteatro (ver imagem 07). Além disso, também funciona como local de caminhadas diárias e tem em seu entorno alguns trailers gastronômicos. Destaca-se ainda pela localização, pois está situada na Avenida Teotônio Freire, em frente à Rodoviária Municipal.
Imagem 6: Praça Tetê Salustino
Fonte: A autora (2019).
Imagem 7: Anfiteatro da Praça Tetê Salustino
Fonte: A autora (2019).
A praça Amadeu Venâncio (imagem 08) situa-se próxima ao Ginásio Poliesportivo Agenor Maria, mais conhecido como “Geraldão”. É um espaço inaugurado em 2018, idealizado pela gestão municipal para servir como um novo ambiente para caminhadas, atividades físicas, diversão para crianças e jovens, eventos culturais e como um espaço de alimentação. A estrutura da praça também
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conta com uma parada de táxi. Atualmente, existe um projeto sendo realizado pelo Núcleo de Apoio à Saúde da Família e Secretaria Municipal de Saúde, chamado Qualidade de Vida, em que são oferecidas aulas de dança e ginástica.
Imagem 8: Praça Amadeu Venâncio
Fonte: A autora (2019).
O Espaço Cultural Monsehor Ausônio Araújo (ver imagem 09) conhecido popularmente como Praça da Imaculada, se localiza no bairro JK, em frente à Igreja da Imaculada Conceição. É um espaço onde são realizados eventos religiosos e musicais. Nota-se a partir da visita in loco que a acessibilidade no local fica a desejar e a estrutura necessita de reparos e/ou reforma por parte do poder público. A praça sofre devido ao vandalismo, tanto nela quanto em seus arredores, o que prejudica a população que quer utilizá-la.
Imagem 9: Espaço Cultural Monsenhor Ausônio Araújo
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Sobre as Academias da Terceira Idade – ATI, pode-se dizer que são equipamentos para exercícios físicos instalados em espaços públicos, como por exemplo, os existentes na praça Aproniano Pereira, no Largo Júnior Toscano e na rua Coronel José Bezerra (SANTANA, 2012).
A praça Aproniano Pereira (ver imagem 10) está localizada no bairro Paizinho Maria, na Avenida Treze de Maio. Apesar de ser bem arborizada, a iluminação é pouca e a estrutura precisa de reparos. Nela está instalada uma das academias públicas da cidade. No entanto, sem atividades de lazer especificas, essa academia é bastante utilizada pela população local, principalmente, pelos idosos. Ao lado, funciona um quiosque que, de certa forma, favorece à utilização da praça (SANTANA, 2012).
Imagem 10: A ATI na Praça Aproniano Pereira
Fonte: A autora (2019).
Outro espaço utilizado para práticas de lazer sob a forma de atividades físicas pela terceira idade é o Largo Júnior Toscano (ver imagem 11). Apesar de ter um tamanho relativamente grande, o local apresenta uma estrutura que não é bem aproveitada. Além disso, há um outro problema existente: a falta de cuidados. Mesmo assim, o Largo dispõe de uma academia pública instalada e uma quadra de esportes, o que se torna um espaço frequentado por idosos que gostam de fazer exercícios físicos. Além disso, há, no Largo, alguns quiosques que contribui para que o local receba ainda mais pessoas.
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Figura 11: A ATI no Largo Júnior Toscano
Fonte: A autora (2019).
Na Rua Coronel José Bezerra, mais precisamente em frente ao Aero Clube, encontra-se mais uma Academia Popular (ver imagem 12), com o intuito de oferecer alternativas de práticas de atividades físicas realizadas em sua maioria por idosos do bairro.
Imagem 12: A ATI da Rua Coronel José Bezerra
Fonte: A autora (2019).
Diante disso, pode-se afirmar que Currais Novos/RN dispõe de opções de atividades e de equipamentos de lazer para o público da terceira idade, principalmente, pautadas no lazer físico e social, incrementadas pela presença de praças, Academias da Terceira Idade e Grupos de Convívio. No entanto, entende-se que é necessária a ampliação desses espaços, bem como novas propostas voltadas para outras tipologias de lazer.
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3. ANÁLISE DOS RESULTADOS
3.1. METODOLOGIA
Os aspectos metodológicos de uma pesquisa possibilitam a compreensão de procedimentos e abordagens realizados no contexto de um trabalho científico. Dessa forma, destaca-se que a presente pesquisa possui uma abordagem quantitativa, que de acordo com segundo Veal (2011, p. 75), esse tipo de pesquisa consiste em uma:
[...] abordagem de pesquisa que envolve a análise estatística. Baseia-se em evidência numérica para tirar conclusões ou para testar a hipótese. Com o propósito de ter certeza da confiabilidade dos resultados, é necessário em geral, estudar grupos relativamente grandes de pessoas e usar computadores para analisar os dados.
Sendo assim, os resultados da pesquisa serão apresentados e concluídos a partir de evidências numéricas, principalmente, pautados em análise de gráficos e porcentagens, com caráter descritivo.
O universo da pesquisa é constituído por idosos acima de 60 anos e residentes no município de Currais Novos/RN, que de acordo com IBGE (2010) essa população era de 2.506 pessoas, com estimativa de 2.657 para o ano de 2017. No entanto, devido ao tempo para conclusão da pesquisa, optou-se por realizar uma amostragem não probabilística com aplicação de 100 formulários de maneira aleatória, considerando aplicação no Serviço de Convívio e Fortalecimento de Vínculo – SCFV, programa voltado para assistência e atividades ao público da terceira idade.
Foram realizadas pesquisas bibliográficas que, com base em Lakatos e Marconi (2010), se trata de abranger toda bibliografia já tornada pública em relação à temática estudada. Para coleta de dados primários, foi necessária a aplicação de formulários que é considerado por Lakatos e Marconi (2010) como um instrumento essencial para investigação social, que consiste na obtenção de informações diretamente do entrevistado. Os autores consideram ainda que o que caracteriza o formulário é o contato face a face com o pesquisador.
Sendo assim, o instrumento foi construído com base em bibliografia relacionada ao lazer para o público da terceira idade, sendo importante considerar
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que foram levantadas 13 questões, sendo 12 objetivas fechadas, e 01 dissertativa aberta.
O período de coleta de dados ocorreu nos meses de outubro e novembro do ano de 2019, em que dos 100 formulários aplicados, 40 foram em equipamentos de lazer público, tais como: academias para terceira idade, nos bairros Centro e Valfredo Galvão e praças públicas, nos bairros Centro e JK. Além disso, aplicamos 60 formulários no Centro de Convivência de Idosos Tereza Bezerra Salustino.
Dessa forma, acredita-se que os resultados da pesquisa contemplam idosos de diferentes bairros do município de Currais Novos/RN, pois buscou-se realizar as entrevistas tanto em bairros mais centrais, como também em locais mais afastados, compreendendo que a oferta de lazer público sofre influências em virtude do ordenamento do espaço. Além disso, ressalta-se que os idosos que fazem parte do SCFV no Centro de Tereza Bezerra Salustino são residentes de diferentes bairros da cidade. Os dados coletados foram sistematizados via software Excel 2013, sob a forma de gráficos que possibilitaram a análise descritiva dos resultados.
Seguindo os postulados de Veal (2011), os procedimentos mais adequados para análise de pesquisas quantitativas são médias e frequências, em que as frequências apresentam-se em somas e porcentagens para cada variável e as médias apresentam-se para variáveis numéricas.
3.2. PERFIL DOS ENTREVISTADOS
A busca por identificação do perfil dos entrevistados possibilita o entendimento sobre características específicas do público. De acordo com o gráfico 1, entre os participantes da pesquisa, 59% pertencem ao gênero feminino, enquanto 41% são do gênero masculino.
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Gráfico 1: Gênero dos entrevistados
Fonte: A autora (2019).
Dessa forma, como ficou comprovado que as mulheres são a maioria dos participantes entrevistados na pesquisa, faz-se necessário refletir acerca da frequência e da participação das mulheres nos espaços de lazer, nos equipamentos e nos grupos presentes na cidade.
Outro critério levantado na pesquisa refere-se à faixa etária. É importante ressaltar que só poderiam responder o questionário e, consequentemente, participar desta pesquisa os idosos que tivessem a partir de 60 anos de idade. O gráfico 2 apresenta os resultados da questão.
Gráfico 2: Faixa etária dos entrevistados
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Nota-se a partir do gráfico 02, que existe uma predominância de idosos com a faixa etária de 70 a 79 anos, o que corresponde a 50% dos entrevistados. Em seguida, com 42%, pessoas entre 60 e 69 anos e, de uma maneira menos representativa, apenas 7% dos entrevistados possuíam entre 80 e 89 anos, enquanto 1% estava com a idade de 90 anos. Sendo assim, com base nesse resultado, pode-se afirmar que as faixas etárias mais ativas de idosos no município de Currais Novos/RN está entre 60 a 79 anos.
Ainda no contexto de perfil dos entrevistados apresenta-se o gráfico 03, referente ao estado civil dos idosos entrevistados.
Gráfico 3: Estado civil dos entrevistados
Fonte: A autora (2019).
Ao analisar o gráfico 3, podemos perceber que a maioria dos entrevistados é constituída de pessoas casadas, o que corresponde a 43% do total. Em seguida, constitui-se de 34% os idosos viúvos, o que reflete, segundo Larizzati (2005), o medo da morte própria, ou do companheiro. Adiante, 15% refere-se às pessoas solteiras e 8% aos divorciados.
Quanto à escolaridade dos entrevistados, é possível observar no gráfico 4 uma variedade de respostas. Alguns participantes não têm nenhum grau de escolaridade, enquanto outros possuem uma pós-graduação.
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Gráfico 4: Escolaridade dos entrevistados
Fonte: A autora (2019).
Pode-se analisar também que a maioria dos entrevistados (44 pessoas) não concluiu o ensino fundamental. Em seguida, o segundo resultado predominante é de pessoas que não tiveram nenhum grau de escolaridade (24 idosos) e o mínimo representativo foi de pessoas com pós-graduação completa, sendo apenas 03 dos entrevistados.
Dessa forma, afirma-se que, dentro do universo entrevistado, existe um alto índice de pessoas com baixa ou nenhuma escolaridade, algo que pode influenciar na estima e até mesmo confiança de integrar grupos e participar de atividades.
Outro dado importante é sobre a ocupação dos idosos, pois compreendemos que nessa fase é comum, de acordo com Bruhns (1997), a questão da aposentadoria, que para esse público é de certo modo, algo desprivilegiado, por ter um decréscimo no salário, pelo fato dessa renda para os aposentados, no Brasil, ser insuficiente para manter as famílias com o mesmo nível/patamar que tinham quando em fase produtiva.
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Gráfico 5: Ocupação dos entrevistados
Fonte: A autora (2019).
Quanto à ocupação dos entrevistados, nota-se, pelo gráfico 5, que a maior parte dos idosos é aposentada e os 16% que responderam a opção “Outro”, incluem os que ainda trabalham e os que são sustentados por seus cônjuges ou parentes.
Percebemos ainda que idosos entrevistados encaixam-se, na maioria, no perfil de pessoas que precisam de atividades em seu tempo livre disponível, principalmente, da prática de atividades que os integrem em sociedade a fim de melhorar a qualidade de vida, pois são pessoas que já estão em condições de aposentadoria e até mesmo alguns que dependem financeiramente de outras pessoas, fatores esses que podem contribuir para problemas psicológicos e de estima.
Nesse contexto, buscamos identificar também a renda mensal bruta dos idosos (ver gráfico 6), relevante dado para compreensão do acesso às possibilidades de lazer no município de Currais Novos/RN.
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Gráfico 6: Renda dos entrevistados
Fonte: A autora (2019).
O gráfico 6 possui relação como gráfico 5 (ocupação). Nota-se que 69% dos entrevistados são pessoas que ganham até um salário mínimo, podendo estar inseridos nessa parcela pessoas aposentadas, bem como aquelas que recebem benefícios do governo, pensão ou trabalham de forma autônoma.
Além disso, podemos perceber que 23% recebem entre 2 a 3 salários mínimos, e os que recebem mais são minorias na pesquisa (5% entre 4 a 5 salários mínimos, e 1% acima de 7). Os 2%, que compreendem as pessoas que não têm renda, estão inseridos os que são sustentados por cônjuges ou parentes.
Sabemos que as questões econômicas interferem na escolha do lazer, pois a oferta de equipamentos específicos do lazer público é escassa e, geralmente, com distanciamento de áreas periféricas, o que atinge diretamente pessoas menos favorecidas economicamente (BACAL, 2003).
Nesse cenário, acredita-se que os grupos de idosos contribuem na oferta de lazer para o público da terceira idade, sendo pertinente compreender se os entrevistados conhecem e participam desse tipo de organização. Os resultados podem ser vistos no gráfico 7.
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Gráfico 7: Conhecimento e participação de grupos de idosos
Fonte: A autora (2019).
O gráfico 7 é o demonstrativo de quantos entrevistados participam ou conhecem grupos de idosos da cidade, sendo 67% o resultado predominante de pessoas que participam de grupos; 18% que não participam, mas conhecem os grupos e 15% que não participam e nem conhecem nenhum grupo dessa finalidade.
Nesse resultado, é possível afirmar que a maioria dos entrevistados participa de grupos. Isso pode estar relacionado também ao fato de parte da geração dos dados ter sido realizada em uma dessas organizações do município. No entanto, foi possível notar que dos entrevistados em espaços públicos, também existiam idosos que fazem parte de grupos de convívio.
Além disso, ainda existe uma parte do universo da pesquisa que não conhece nem ouviu falar da existência desses grupos, sendo importante reforçar e divulgar melhor sobre as finalidades e as possibilidades de desenvolvimento de atividades nesses espaços.
3.3. ATIVIDADES DE LAZER DESENVOLVIDAS PELA TERCEIRA IDADE
Este resultado baseia-se nos tipos de atividades que são realizadas pelo público da terceira idade entrevistado no munícipio de Currais Novos/RN a fim de
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compreender o que é mais frequente nesse universo, bem como os principais entraves para desempenho de outras atividades.
A princípio, listamos diferentes atividades que poderiam ser escolhidas como realizadas no dia-a-dia dos entrevistados. Vale ressaltar que a questão era de múltipla escolha, podendo o número apresentado na tabela 1 ser maior do que o total de entrevistados.
Tabela 1: Atividades realizadas pelo público entrevistado
Atividades realizadas no dia-a-dia Quantidade de respondentes
Conversar com parentes e amigos 87
Ficar em casa vendo TV ou ouvindo rádio 73
Caminhar pelas ruas da cidade 64
Praticar atividades religiosas 64
Viajar 39
Praticar esporte e atividade física 32
Fazer compras 31
Fazer trabalhos manuais 27
Ler 17
Fonte: A autora (2019).
Conforme ilustrado na tabela 1, entre as principais atividades indicadas, obtivemos a maioria das respostas dadas em quatro tipos de atividades que os idosos gostam de realizar. São elas: ficar em casa vendo TV ou ouvindo rádio; caminhar pelas ruas da cidade; participar de atividades religiosas e conversar com parentes e amigos. Alguns entrevistados ainda responderam outras opções de lazer: a opção de viajar; praticar esportes; fazer compras; trabalhos manuais e leitura. É importante destacar que outras atividades foram citadas, mas não de maneira representativa.
Vale ressaltar que, a partir da tabela 1, as atividades citadas variam de categorização de atividades de lazer, em que algumas estão relacionadas ao lazer físico, manual, artístico, intelectual, social e, até mesmo, turístico. Dessa forma, os próximos resultados estão relacionados à frequência com que os entrevistados realizam as atividades entre as categorias citadas.
Inicialmente, refere-se às atividades físicas (ver gráfico 8) em que, além de relevantes para contexto do lazer, também são imprescindíveis na questão da saúde e no condicionamento físico, uma vez que os idosos perdem, gradativamente, massa e força musculares.
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Gráfico 8: Frequência de atividades físicas realizadas
Fonte: A autora (2019).
O gráfico 8 mostra que, de acordo com as respostas dos entrevistados, a maioria, com 36%, pratica atividades físicas semanalmente; 31%, diariamente; 27% não praticam nenhum tipo de atividade física; 6% consideram que, mensalmente, praticam algum exercício. Nesse resultado, é importante destacar que a maioria diariamente ou semanalmente faz atividades físicas, o que é positivo. No entanto, existe um alto índice de pessoas que são sedentárias, o que é ainda mais complicado nessa faixa etária.
No que compete às atividades sociais, o gráfico 9 apresenta os resultados a respeito dessa questão. É válido destacar que é consideravelmente importante a realização de práticas sociais para manter a estima e a integração da pessoa idosa na sociedade.
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Gráfico 9: Frequência de atividades sociais realizadas
Fonte: A autora (2019).
Sobre as atividades sociais mostradas no gráfico 9, houve empate com 28% das respostas, em que a maioria dos entrevistados respondeu que pratica atividades sociais mensalmente ou semanalmente. É válido destacar que 21% dos entrevistados nunca realizaram nenhum tipo de atividade social, ou seja, são idosos solitários, o que implica negativamente no desenvolvimento ativo e saudável desse público.
Acerca das atividades manuais, o gráfico 10 mostra que os dois períodos mais citados para a realização delas são, nunca e diariamente, respectivamente, com 34% e 31% das escolhas.
Gráfico 10: Frequência de atividades manuais realizadas
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Em dois extremos, as respostas do gráfico 10 chamam a atenção para aqueles que nunca praticam atividades consideradas manuais (jardinagem, artesanato, costura, entre outros) com 34%, para aqueles que, diariamente, realizam algo do tipo, com 31%. Em seguida, a alternativa semanalmente é representada por 14%; anualmente, 13% e mensalmente, 8%. Lembrando que esse tipo de lazer pode contribuir para o envelhecimento humano, principalmente, em aspectos de bem-estar e mental.
No gráfico 11, contempla o resultado referente às atividades de lazer artístico, podendo incluir práticas como pintar, desenhar, cantar e outros.
Gráfico 11: Frequência de atividades artísticas realizadas
Fonte: A autora (2019).
Em relação às atividades artísticas, a grande maioria, 66% dos idosos, afirmou não realizá-las; 16% alegaram fazer algo anualmente; 9% mensalmente gostam de praticar algo nesse sentido; 5% afirmaram que, diariamente, gostam de pintar, desenhar ou outra atividade relacionada e a última alternativa foi a frequência semanal, com 4%.
Sobre as atividades intelectuais, que podem englobar leituras, cursos e tarefas de aprendizado, os resultados do gráfico 12 demonstram que é um tipo de lazer que é pouco realizado pelos entrevistados.
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Gráfico 12: Frequência de atividades intelectuais realizadas
Fonte: A autora (2019).
Podemos observar que 46% dos entrevistados, conforme ilustrado no gráfico 12, não costumam nenhuma atividade intelectual, isso pode relacionar-se com o grau de escolaridade levantado neste estudo. No entanto, destaca-se de maneira positiva que 21% dos idosos do universo pesquisado praticam algo que estimulem o intelectual diariamente; 14%, semanalmente; 11%, anualmente e 8%, mensalmente.
Por fim, as atividades turísticas, principalmente, relacionadas às viagens foram questionadas, 46% dos entrevistos realizam-nas anualmente, possivelmente, isso pode estar atrelado às economias financeiras para realização de tais atividades. Além disso, 8% afirmaram viajar mensalmente e 8%, semanalmente, para locais próximos e visita aos familiares. Os demais participantes da pesquisa não afirmam realizar viagens.
3.4. SATISFAÇÃO E MOTIVAÇÃO PARA REALIZAR ATIVIDADES DE LAZER
Torna-se pertinente investigar o nível de satisfação dos idosos entrevistados quanto aos equipamentos específicos e não específicos de lazer no município de Currais Novos/RN, bem como a compreensão de quais os principais benefícios percebidos por eles em relação à prática de atividades lúdicas. Além disso, é preciso buscar identificar os principais entraves para maior efetividade do lazer para os idosos da cidade.
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Inicialmente, buscou-se reconhecer os principais motivos que impendem a realização de atividades de lazer pelo público entrevistado, de forma que o resultado seja possível contribuir com o planejamento de ações para mitigar tais problemas. Os entrevistados poderiam escolher mais de uma opção e os dados demonstram que 40% afirmaram não praticar atividades de lazer em decorrência de problemas de saúde. Em seguida, 26% alegaram que se sentem cansados, 19% afirmam que sentem falta de opções e espaços para praticar lazer. Além disso, 10% dos idosos assinalaram que falta dinheiro, 4% não possuem companhias e 2% não tem interesse em realizar nada.
Sendo assim, compreende-se que é preciso pensar em atividades que proporcionem bem-estar, além da necessidade de melhorar a oferta de lazer no âmbito público, pois isso contribui para o aumento das possibilidades de adesão de práticas lúdicas entre os idosos.
A presente pesquisa, além de objetivar compreender as atividades que são desenvolvidas, bem como os principais entraves para não desenvolvimento do lazer com o universo entrevistado, apresenta, no gráfico 13, os benefícios percebidos pelos idosos sobre as atividades de lazer.
Gráfico 13: Importância das atividades de lazer para os entrevistados
Fonte: A autora (2019).
Sobre a importância de realizar atividades de lazer ilustrada no gráfico 13, 34% dos idosos acham que as práticas ajudam na prevenção de problemas de saúde. Isso ficou comprovado durante o momento de entrevista, em que alguns dos