• Nenhum resultado encontrado

Passivo trabalhista: estudo de caso em uma empresa de mineração da região do Seridó

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Passivo trabalhista: estudo de caso em uma empresa de mineração da região do Seridó"

Copied!
42
0
0

Texto

(1)

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE ENSINO SUPERIOR DO SERIDÓ DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E APLICADAS

CAMPUS DE CAICÓ

ANTÔNIA LUANA DE OLIVEIRA

PASSIVO TRABALHISTA: ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DE MINERAÇÃO DA REGIÃO DO SERIDÓ.

CAICÓ – RN 2016

(2)

ANTÔNIA LUANA DE OLIVEIRA

PASSIVO TRABALHISTA: ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DE MINERAÇÃO DA REGIÃO DO SERIDÓ.

Monografia apresentada ao Departamento de Ciências Exatas e Aplicadas do Centro de Ensino Superior do Seridó da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis.

Orientador: Prof. Ms. Sócrates Dantas Lopes

CAICÓ – RN 2016

(3)

ANTÔNIA LUANA DE OLIVEIRA

PASSIVO TRABALHISTA: ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DE MINERAÇÃO DA REGIÃO DO SERIDÓ.

Monografia apresentada ao Departamento de Ciências Exatas e Aplicadas do Centro de Ensino Superior do Seridó da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para obtenção do título de Bacharel em Ciências Contábeis.

BANCA EXAMINADORA

____________________________________________________ Prof. Ms. Sócrates Dantas Lopes - UFRN/CERES

Orientador

_______________________________________________________ Prof. Esp. Ricardo Aladim Monteiro. - UFRN/CERES

Examinador

________________________________________________________ Prof. Esp. Ney Fernandes de Araújo - UFRN/CERES

(4)

Oliveira, Antonia Luana de.

Passivo trabalhista: estudo de caso em uma empresa de mineração da região do Seridó / Antonia Luana de Oliveira. - Caicó/RN: UFRN, 2016.

41f.: il.

Orientador: Ms. Sócrates Dantas Lopes. Universidade Federal do Rio Grande do Norte.

Centro de Ensino Superior do Seridó - Campus Caicó.

Departamento de Ciências Exatas e Aplicadas - Curso de Ciências Contábeis.

1. Impacto Financeiro. 2. Passivo Trabalhista. 3. Processos Trabalhistas. I. Lopes, Sócrates Dantas. II. Título.

(5)

Dedico este trabalho a toda a minha família, em especial aos meus pais, José e Francisca, pelo amor, incentivo e apoio incondicional.

(6)

AGRADECIMENTOS

Primeiramente, agradeço a Deus, pelo dom da vida e por este momento tão importante na minha vida e de todos os que me apoiaram e acreditaram no meu potencial.

Ao meu amado pai, pela sua dedicação e esforço em manter a família como o centro de sua vida, e por me ensinar que o trabalho é algo sagrado e que só através dele é possível vivermos de forma honesta. À minha mãe, Francisca, pelas palavras de carinho, afeto e compreensão nos momentos que mais precisei. Meus sinceros agradecimentos por todo o amor dedicado a mim.

Registro aqui o meu agradecimento a todos aqueles que fizeram parte do processo de aprendizagem, meus professores das séries iniciais, do ensino fundamental, do ensino médio e, de forma especial, a todo o corpo docente da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Campus CERES/Caicó, que me acompanhou no decorrer destes cinco anos de universidade, não tenho dúvida de que sem vocês nada seria possível.

Agradeço imensamente ao Escritório Nobre e Nobre Contabilidade por me proporcionar o conhecimento prático da profissão que escolhi exercer.

E, por fim, aos meus amigos e colegas de faculdade, pela vivência e pela troca de experiências e conhecimentos que, com certeza, foi de grande importância para o nosso crescimento pessoal e profissional.

(7)

“Pouco conhecimento faz com que as pessoas se sintam orgulhosas. Muito conhecimento, que se sintam humildes. É assim que as espigas sem grãos erguem desdenhosamente a cabeça para o Céu, enquanto que as cheias as baixam para a terra, sua mãe”.

(8)

RESUMO

O presente trabalho trata-se de um levantamento sobre o impacto financeiro sofrido pelas empresas, apresentando como exemplo uma empresa de mineração localizada na região do Seridó, a qual tem um elevado número de processos trabalhistas e condenações por práticas irregulares nos seus contratos laborais, sendo, portanto, alvo de reclamações junto aos órgãos fiscalizadores dos direitos do trabalho. Esse descumprimento com as leis trabalhistas gera para a empresa o Passivo Trabalhista, obrigação para com terceiros que surge no momento em que ocorre a cobrança judicial de valores devidos. Com resultados positivos para a parte reclamante no processo, a empresa assume o compromisso de efetuar os pagamentos que deveriam ter sido feitos no decorrer do pacto laboral, e essa situação tem impacto significativo sobre o setor financeiro da entidade, devido ao repasse que, no momento de uma sentença, deverá ser efetuado de imediato e com o valor superior àquele devido pelo empregador ao seu colaborador pela prática da atividade empregatícia.

(9)

ABSTRAT

The present study is a survey about the financial impact suffered by companies, presenting as an example a mining company located in the Seridó region, which has a high number of labor lawsuits and condemnations for irregular practices in their labor contracts, being, therefore, subject of complaints to the supervisory bodies of labor rights. This non-compliance with the labor laws creates for the company the Labor Liability, obligation to third parties that arises at the moment in which occurs the judicial collection of amounts due. With positive results for the complaining part in the process, the company is committed to make the payments that should have been made during the labor agreement, and this situation has a significant impact on the financial sector of the entity, due to the transfer that, at the moment of a sentence, shall be effected immediately and with a value greater than that owed by the employer to his employee for the practice of the employment activity.

(10)

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Quadro 1– Resumo das Principais Obrigações Trabalhistas...18

Gráfico 1 – Resultado das Sentenças x Verbas Trabalhistas...36

LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Processo nº 0000608-15.2015.5.21.0017...28 Tabela 2 – Processo nº 0000708-67.2015.5.21.0017...30 Tabela 3 – Processo nº 0000079-59.2016.5.21.0017...33 Tabela 4 – Processo nº 0000063-08.2016.5.21.0017...34 Tabela 5 – Processo nº 0000095-13.2016.5.21.0017...35

(11)

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CF – Constituição Federal

IASB - International Accounting Standard Board NIC - Norma Internacional de Contabilidade IAS - International Accounting Standard

FASB SFAS - Statement of Fnancial Accounting Standars

SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas empresas MTE - Ministério do Trabalho e Emprego

INSS - Instituto Nacional de Seguro Social NRM - Normas Reguladoras de Mineração

DNPM - Departamento Nacional de Produção Mineral CLT - Consolidação das Leis Trabalhistas

RSR - Reflexo do Semanal Remunerado TST – Tribunal Superior do Trabalho

FGTS - Fundo de Garantia do Tempo de Serviço TRT - Tribunal Regional do Trabalho

RFB - Receita Federal do Brasil

CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis IBRAM - Instituto Brasileiro de Mineração IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica

(12)

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 12

1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMÁTICA DO TEMA ... 12

1.2. JUSTIFICATIVA ... 13 1.3. OBJETIVOS DA PESQUISA ... 14 1.3.1. Geral ... 14 1.3.2. Específicos ... 14 2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 15 2.1. PASSIVO TRABALHISTA ... 15

2.2. PRINCIPAIS MOTIVOS QUE LEVAM AO SURGIMENTO DO PASSIVO TRABALHISTA ... 18

2.3. IMPORTÂNCIA DE EVITAR O PASSIVO TRABALHISTA ... 21

2.4. IMPACTOS FINANCEIROS ... 22

3 METODOLOGIA ... 23

3.1. ABORDAGENS TEÓRICO-METODOLÓGICAS DA PESQUISA ... 23

3.3 INSTRUMENTOS DE COLETA E SELEÇÃO DOS DADOS ... 24

4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS ... 26

4.1. ESTUDO DE CASO ... 26

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 37

(13)

12

1 INTRODUÇÃO

1.1. CONTEXTUALIZAÇÃO E PROBLEMÁTICA DO TEMA

Em virtude da importância existente na evidenciação dos acontecimentos patrimoniais e financeiros das empresas, sejam esses representados por direitos ou obrigações, o Balanço Patrimonial é tratado como umas das principais demonstrações, pois, através deste, é possível apurar a situação patrimonial e financeira das entidades (Iudícibus et al, 2010) , sendo claramente detalhado por seus grupos denominados de Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido.

Dentre seus elementos, o Passivo é aquele que relata a posição financeira perante terceiros, ou seja, para Iudícibus et al (2010, p. 18), “o passivo compreende basicamente as obrigações a pagar, isto é, as quantias que a empresa deve a terceiros”. Neste grupo, são registrados os valores que a empresa deverá pagar a curto, médio ou a longo prazo, através dos grupos de Passivo Circulante e Passivo Não Circulante, como, por exemplo, salários a pagar e financiamento a longo prazo, respectivamente.

No entanto, alguns autores defendem que o registro no passivo não deverá englobar apenas os acontecimentos passados com valores e vencimentos definidos, mas também os valores devidos pela empresa, caso esta descumpra algum ato futuro (FARIAS, 2004, p. 13).

No agrupamento das contas do Passivo existe o Passivo Contingente. Neste grupo devem ser registradas as obrigações ocorridas no passado, mas sem data e valores definidos, como por exemplo, questões trabalhistas e tributárias. De acordo com CPC (Comitê de Pronunciamentos Contábeis) 25, o Passivo Contingente é:

(a) uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade; ou (b) uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é reconhecida porque: (i) não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja exigida para liquidar a obrigação; ou (ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade

Portanto, é possível registrar nesse grupo as obrigações advindas de reclamações trabalhistas que poderão ocasionar desembolsos futuros por parte da entidade, surgindo assim a ocorrência de Passivo Trabalhista, tratado por Santos et al (apud MARTINS e ANDRADE, 2014, p. 11) “como a representação do conjunto de valores que a empresa deve pagar a terceiros, geralmente decorrentes de compromissos e/ou dívidas assumidas”.

De acordo com informações colhidas do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE (2012), “sempre que uma empresa ou um empregador pessoa

(14)

13

física deixam de cumprir um direito trabalhista ou deixam de recolher um dos encargos sociais, eles estão gerando um passivo trabalhista”, ou seja, quando a empresa é acionada pela justiça para pagar indenizações por práticas irregularidade, está adquirindo um passivo trabalhista, sendo esta, portanto, mais uma obrigação que deverá ser assumida pela empresa. Conforme Mergener et al, (2014, p. 139)

a falta de comprometimento com os negócios e um possível descumprimento das normas da legislação trabalhista podem resultar em reclamações trabalhistas e na autuação com multas a serem pagas, denominado de passivo trabalhista, que poderia ter o seu impacto reduzido em relação ao resultado ou, até mesmo, ter sido evitado, se fossem colocadas em prática as medidas eficazes de prevenção.

Com isso a empresa tende a ter dispêndios significativos para arcar com pagamentos determinados pela Justiça do Trabalho, por ter incorrido em desobediência à legislação trabalhista. Diante do exposto, e considerando a importância de evitar-se o passivo trabalhista, surge a questão: qual o impacto financeiro decorrente do descumprimento da legislação trabalhista para uma empresa de mineração?

1.2.JUSTIFICATIVA

Com as mudanças frequentes na legislação trabalhista, é fundamental que as empresas procurem estar sempre atualizadas quanto aos seus direitos e obrigações. Este fato implica maior compromisso do seu corpo administrativo, para evitar prováveis desembolsos futuros.

Para Martins et al(2014, p. 14), “o gestor de uma organização deve estar atento ao cumprimento dos passivos trabalhistas que estão em sua responsabilidade, principalmente em relação ao conhecimento da legislação trabalhista, valores e prazos de realização”. Essa atitude contribui para a continuidade da empresa no desenvolvimento de suas atividades, pois, ainda de acordo com Martins et al (2014, p. 9), “a reclamatória afeta as finanças de empresa, além de interferir em futuras negociações junto a outras empresas”, pois uma dívida gerada pela ocorrência de ação trabalhista é repassada para sua sucessora, em caso de fusão, cisão, incorporação e alienação, conforme é tratado no artigo 10 da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas), a qual evidencia que qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa não afeta os direitos adquiridos por seus empregados.

Conhecer as causas que levam à criação de passivos trabalhistas e mensurá-los é de suma importância para que os gestores analisem como a empresa está atuando, e se, de alguma forma, há prejuízos para o trabalhador, para que suas atividades operacionais possam

(15)

14

ser corrigidas, evitando que seus empregados acionem a justiça do trabalho para alegar direitos adquiridos, de forma a gerar passivos trabalhistas para a empresa.

1.3.OBJETIVOS DA PESQUISA

1.3.1.Geral

Mensurar o impacto financeiro gerado a partir do pagamento de passivos trabalhistas por uma empresa mineradora na Região do Seridó Potiguar, no primeiro semestre de 2016.

1.3.2.Específicos

Conceituar o passivo trabalhista;

Apresentar as causas que levam ao surgimento do Passivo Trabalhista; Demonstrar a importância de se evitar o Passivo Trabalhista;

(16)

15

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1. PASSIVO TRABALHISTA

As demonstrações contábeis retratam a posição financeira da empresa. No Ativo é possível verificar a disponibilidade da empresa, valores a receber de seus clientes, total dos estoques e o patrimônio físico. Já no Passivo, registra-se as obrigações que a empresa tem com terceiros, como fornecedores, empréstimos, encargos sociais e tributários a recolher. E no Patrimônio Liquido encontra-se o valor líquido da diferença entre Ativo e Passivo.

A representação das contas do Passivo pode decorrer dos fatos passados com valores definidos, como também do registro de provisões e do passivo contingente, sendo a provisão o resultado de eventos passados com a efetiva saída de recursos financeiros futuros e o passivo contingente como o reconhecimento de fatos passados, mas que só ocorrerá a obrigação de pagar se houver eventos futuros, conforme CPC 25. Neste caso, enquadra-se o reconhecimento do Passivo Trabalhista, onde a empresa só terá desembolso financeiro caso o empregado acione a Justiça do Trabalho.

Para Oliveira (2005, p. 23), “inúmeros são os litígios entre empregados e empregadores, causados principalmente pelo desconhecimento das leis que regulamentam e disciplinam o trabalho assalariado no País”. A falta de informação ou até mesmo o descaso por parte do empregador, no cumprimento dos diretos trabalhistas, induzem seus colaboradores a recorrem aos tribunais, com o intuito de reclamar um direito estabelecido por lei. De acordo com Mergener (apud Oliveira 2013),

a reclamatória trabalhista é um procedimento no qual o empregado busca na Justiça do Trabalho direitos devidos e não pagos no decorrer de um período, ocorrendo, em muitas ocasiões, pela interpretação errônea, por parte do empregador, de determinada norma da legislação trabalhista. O problema é que nem sempre transcorre dessa maneira, quando são requeridos direitos indevidos ou que não atinjam a dimensão reclamada, o que compõe perdas e dispêndios desnecessários de capital para a empresa.

Para Farias (2004, p. 14), “processos trabalhistas são bastante comuns no cotidiano das organizações, porém seu tratamento não é dos mais simples, porque nem sempre o que é reclamando ocorreu de fato ou na proporção alegada”, gerando indenizações que não condizem com a real situação dos fatos e, portanto, originando um passivo para a empresa envolvida.

(17)

16

O Direito do Trabalho pode ser definido como o ramo da ciência jurídica orientada por um conjunto de normas que visam a proteger a ordem do trabalho, assim proporcionando a integralidade dessas relações e resguardando as garantias e os deveres do trabalhador em seu meio socioeconômico.

Quando o trabalhador se sente lesado por atitudes que infringem seus direitos, tem na justiça do trabalho a segurança para recorrer e lutar contra tais práticas. E nesse momento ocorre o surgimento do passivo trabalhista para a empresa que será autuada por violar a lei trabalhista.

No passivo, segundo Martins et al (2014, p. 29), “estão classificadas as obrigações presentes da entidade, derivadas de eventos já ocorridos, cujas liquidações se espera que resultem em saída de recursos capazes de gerar benefícios econômicos”. Todavia o passivo trabalhista, no momento da cobrança, torna-se uma obrigação presente, com fatos ocorridos no passado e com provável desembolso por parte da empresa, porém, sem benefícios econômicos. Com isso quaisquer obrigações assumidas com terceiros, mesmo que não traga resultados econômicos, serão registradas no passivo.

A definição do passivo trabalhista é tratado de duas formas distintas de acordo com Pereira (apud MARTINS e ANDRADE, 2014, p. 12)

...a) passivo trabalhista normal que abrange o pagamento de obrigações da empresa com o funcionário como, por exemplo: salário, pagamento de férias, fundo de garantia, entre outros; b) passivo trabalhista oculto, este gerado quando não é efetuado o recolhimento dos encargos sociais ou não é realizado o cumprimento de algum direito trabalhista; neste caso, a legislação é ignorada, acarretando em desequilíbrio contábil, além de gerar prejuízos à empresa que poderiam ser evitados.

Sendo, portanto, o passivo trabalhista normal aquele assumido pela empresa no momento da contratação de um colaborador e o passivo trabalhista oculto o desembolso por parte da empresa, mas sem planejamento prévio de sua ocorrência. Neste último caso, conforme Hermanson (apu R OCHA e SILVA, 2011, p. 21), o passivo trabalhista oculto:

Se tornará exigível somente na ocorrência de uma das seguintes situações: a) proposição de uma reclamação trabalhista na Justiça do Trabalho por parte do empregado; b) fiscalização por parte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE); c) fiscalização por parte do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS).

Apesar das possíveis penalidades, nas quais implica a infração dos direitos trabalhistas a realidade das empresas de mineração na região Seridó não é diferente das demais espalhadas

(18)

17

pelo Brasil. A forma precária com que os funcionários são locados para exercer suas funções é, no mínimo, questionável, principalmente no tocante aos equipamentos de proteção individual, carga horária excessiva, assédio moral, dentre outros casos de irregularidades.

As Normas Reguladoras de Mineração – NRM esclarece quais os cuidados que o empregador deve ter com o ambiente de trabalho:

22.1.1 Cabe ao empreendedor assegurar-se de que os empregados admitidos encontram-se aptos a realizar as suas funções.

22.1.2 Os trabalhadores em mineração devem ser treinados conforme a legislação vigente, sendo os treinamentos realizados por pessoal habilitado.

22.1.2.1 O plano de treinamento, desde que solicitado, deve ser apresentado ao Departamento Nacional de Produção Mineral - DNPM.

22.1.3 Cabe ainda ao empreendedor fazer cumprir as determinações contidas no Código de Mineração, na Consolidação das Leis Trabalhistas – CLT e em todos os outros dispositivos legais vigentes, relativas à proteção ao trabalhador na atividade minerária.

22.1.4 Em caso de acidente, deve ser providenciado o imediato atendimento ao acidentado, de acordo com a legislação vigente.

22.1.5 Devem ser adotadas medidas de higiene e melhoria das condições operacionais, para promover o controle ambiental do local de trabalho, de acordo com as normas vigentes.

22.1.6 Quando estas medi das de controle no ambiente de trabalho forem tecnicamente inviáveis ou insuficientes para eliminar os riscos, deve ser fornecido equipamento de proteção individual aos trabalhadores expostos, conforme legislação vigente.

22.1.7 Compete ao responsável pela mina a indicação do nível de qualificação do pessoal para contratação, inclusive o pessoal de supervisão, responsabilizando-se pelo estabelecimento dos padrões de segurança em cada local da mina.

22.1.8 Cabe ao empreendedor manter no seu quadro trabalhadores qualificados para a supervisão e a execução dos trabalhos, de forma a promover a permanente melhoria das condições de segurança do empreendimento e da saúde dos trabalhadores.

O IBRAM (Instituto Brasileiro de Mineração) preocupa-se em emitir as normas que regulamentam o desenvolvimento da atividade mineradora; no entanto, são frequentes as ações que envolvem o descumprimento de tais normas, sendo, neste caso, a relação laboral a mais prejudicada por consequências das infrações trabalhistas cometidas pela empresa, como no caso do atraso no pagamento dos salários, omissão do pagamento de horas extraordinárias, exclusão do pagamento de insalubridade devido pelo exercício da atividade de mineração, entre outros direitos não respeitados pelas entidades.

(19)

18

2.2. PRINCIPAIS MOTIVOS QUE LEVAM AO SURGIMENTO DO PASSIVO TRABALHISTA

As leis trabalhistas regulamentam quais os direitos dos trabalhadores quando estes estão desenvolvendo atividades laborais para as organizações. No Quadro 1 – Resumo das Principais Obrigações Trabalhistas – serão listadas alguns dessas obrigações que as organizações assumem ao contratar um trabalhador.

Direito Trabalhista Lei em que Determina Observações

Salário Art. 76 da CLT

O salário é a remuneração que o empregador paga ao empregado pela prestação de serviços, tendo em vista o contrato de trabalho estabelecido entre eles, ou seja, salário é, na verdade, a contraprestação direta pela prestação do serviço, sendo proibida a redução desse valor.

Insalubridade Art. 189 da CLT

Serão consideradas atividades ou operações insalubres aquelas que, por sua natureza, condições ou métodos de trabalho, exponham os empregados a agentes nocivos à saúde, acima dos limites de tolerância fixados em razão da natureza e da intensidade do agente e do tempo de exposição aos seus efeitos.

O art. 192 da CLT ressalta que o exercício de trabalho em condições insalubres, acima dos limites de tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho, assegura a percepção deste adicional na proporção de 40% (quarenta por cento), 20% (vinte por cento) e 10% (dez por cento) do salário mínimo.

Adicional Noturno Adicional Noturno

O trabalho noturno urbano executado entre as 22 horas de um dia e as 5 horas do dia seguinte terá remuneração superior ao trabalho diurno, tendo sua remuneração um acréscimo de 20% (vinte por cento), no mínimo, sobre a hora diurna, que pode ser aumentado conforme acordo coletivo. O cálculo do adicional noturno incide sobre comissões, gratificações, insalubridades e periculosidades.

(20)

19

Horas Extras Art. 59 da CLT

De acordo com a CLT, caracteriza-se como hora extraordinária o período excedente à jornada de trabalho de um trabalhador com carga horária de duração normal, não podendo esta ser excedente a duas horas, exceto em casos extraordinários (GOMES,2009, p. 87).Todo trabalhador tem a sua jornada normal com duração de 44 (quarenta e quatro) horas semanais, salvo casos previstos em Lei. Desta forma, aquele funcionário que trabalhar além da jornada especificada em seu acordo de trabalho fará jus ao recebimento das horas extras, desde que esse trabalhe em regime de horas extras, pois, caso contrário, essas horas poderão ser lançadas no banco de horas e serão pagas pelo regime de compensação de horas (CLT, art. 59 parágrafo 2º).

O valor a ser pago nas horas extras será de, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) sobre o valor da hora normal, exceto em caso de convenções coletivas onde será estipulada a porcentagem a ser paga não inferior a 20% (vinte por cento). Se as horas extras forem trabalhadas em dias de domingo ou feriados elas deverão ser pagas 100% (cem por cento) sobre o valor da hora normal do funcionário (GOMES, 2009, p.87).

As variações de horário em regime de ponto inferiores a 5 (cinco) minutos, desde que essa não ultrapasse o limite de 10 (dez) minutos diários, não poderão ser descontadas ou computadas como horas extraordinárias. Gomes, (2009 p. 87).

R.S.R (Reflexo do Semanal Remunerado)

Súmula n° 172 do TST

Computa-se, no cálculo do RSR, as horas extras prestadas. Se existir o pagamento de Horas Extras, esta é obrigada a parar seu reflexo. O cálculo é feito sobre valor das horas extras, dividindo-se sobre número de dias úteis no mês de referencia, multiplicando o número de dias de repousos. Gomes, (2009 p. 92).

FGTS (Fundo de Garantia por Tempo

de Serviço

Lei n° 8.036 de 11/05/1990

Com o intuito de proteger os trabalhadores demitidos sem justa causa, na década de 1960 foi criado o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Desde então, os empregadores devem recolher a guia de FGTS que transfere o valor de cada funcionário para uma conta particular. O valor do recolhimento é 8% (oito por cento) sobre o salário de cada empregado

INSS (Empregado) Lei n° 8.212 de 24/07/1991

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é o órgão responsável pelo recebimento das arrecadações das contribuições e pelo pagamento dos benefícios em casos de aposentadoria, auxílio doença, auxílio acidente, pensão por morte e etc. Todo trabalhador deve contribuir com uma parcela do seu salário, de acordo com seus rendimentos.

(21)

20

INSS Patronal Lei n° 8.212 de 24/07/1991

A empresa fica na obrigação de recolher o INSS patronal, que é de 20% (vinte por cento), 5,8% (cinco virgula oito por cento) de terceiros, mais uma alíquota de 1% (hum por cento), podendo chegara a até 3% (três por cento,) dependendo do grau de risco em que a atividade estará inserida e o referido cálculo é sobre o montante tributável da folha de pagamento dos funcionários. Portanto, além do valor descontado do funcionário, a empresa também contribui para a previdência, salvo quando a empresa for optante pelo Simples Nacional.

Férias Art. 129

Férias é o período para descanso concedido ao funcionário, após o período aquisitivo que corresponde a um ano de serviço prestado. A partir dessa data, o funcionário entra no período concessivo, onde o empregador tem o prazo de 12 (doze) meses para concedê-la. A contagem dos períodos aquisitivo e concessivo será feita a partir da data inicial do contrato de trabalho, exceto em casos de férias coletivas ou suspensão do contrato de trabalho. CLT (art. 130).

Quadro 1: Resumo das Principais Obrigações trabalhistas Fonte: MARTINS & ANDRADE (2014, P. 12 - 14)

No entanto, é possível observar que as principais infrações cometidas pelas empresas decorrem do descumprimento de tais obrigações. Além das obrigações citadas, outro fato passível de punição é o dano moral causado pelos gestores das instituições e seus encarregados, que, muitas vezes, utilizam o grau maior de autoridade para humilhar e destratar seus subordinados. Para Machado (2011, p. 02),

O dano (do latim damnu) é o mal, prejuízo, material ou moral causado por alguém a outrem, detentor de um bem juridicamente protegido. Em suma, seria aquele que causar prejuízo a outrem, mas não foram feitos estudos mais aprofundados referentes ao significado da palavra, pois o que realmente interessa hodiernamente e antigamente é o resultado e seus efeitos, bem como a forma de sua reparação, e não o dano em si.

Com isso, os trabalhadores acabam acionando a justiça para poder receber o que já era devido pelo exercício da atividade e também indenizações por danos morais. No sistema de informação do TRT – Tribunal Regional do Trabalho da 21º Região é possível encontrar os processos envolvendo as empresas de mineração da Região do Seridó e seus empregados. As principais alegações tratam sobre o pagamento de salário inferior ao estabelecido pela categoria; pagamento de verbas rescisórias fora do prazo legal; pagamento de horas extras por fora do contracheque; jornada de trabalho superior ao estabelecido legalmente sem recebimento de horas extras; falta de pagamento de adicional de insalubridade; falta de

(22)

21

pagamento de salário família; desconto em contracheque de contribuição sindical sem filiação por parte do empregado; omissão de pagamento de 13º salário, férias, 1/3 de férias, aviso prévio indenizado, multa de FGTS; assinatura de CTPS posterior à data inicial das atividades por parte do empregado; danos morais; falta de recolhimento da contribuição previdenciária; falta de recolhimento de FGTS mensal, entre outros atos praticados pelas empresas e que induzem o trabalhador a procurar a Justiça do Trabalho.

Constam nas sentenças de julgamento providas pela Vara do Trabalho de Caicó as reclamações supracitadas. Todas essas infrações cometidas pelas empresas levam seus colaboradores a procurarem seus direitos junto aos órgãos fiscalizadores, gerando, dessa forma, indenizações com valores elevados e com grande impacto no setor financeiro da empresa, além de dar inicio ao surgimento do Passivo Trabalhista.

2.3.IMPORTÂNCIA DE EVITAR O PASSIVO TRABALHISTA

Segundo Martins et al (2009, p. 5) “os empresários devem ter preocupação na identificação dos pontos que representam maiores gastos para a empresa e de que forma estes pontos podem ser alterados [...]”. Considera-se, portanto, de extrema importância o controle no setor pessoal, observando-se o que está sendo cumprido, se existe algum ponto em desacordo com a legislação trabalhista, para que isto seja corrigido antes mesmo de chegar à Justiça do Trabalho, fato que se torna mais oneroso para empresa, devido ao gasto com advogado, além do valor devido ao emprego juntamente com as correções financeiras.

Ainda para Martins et al ( 2009, p. 13), “as empresas gastam muito mais dinheiro pagando dívidas trabalhistas, do que evitando”. Para isso, é preciso uma boa gestão interna por parte do corpo administrativo da entidade. Martins et al (2014, p. 17) defende que:

o principal objetivo da gestão do passivo trabalhista é realizar um planejamento trabalhista de maneira a prevenir futuras reclamações trabalhistas e administrar as já existentes, ocasionadas em virtude da legislação ultrapassada e protecionista favorecendo o empregado, além de uma justiça do trabalho com exorbitante número de reivindicações trabalhistas.

Dessa forma, é essencial que os gestores analisem o setor pessoal de sua empresa para que os erros sejam corrigidos, evitando, assim, o passivo trabalhista e o desembolso financeiro por parte da mesma no pagamento de direitos trabalhistas, antes descumpridos.

(23)

22

2.4. IMPACTOS FINANCEIROS

Uma obrigação instituída pela justiça é um fato grave para os resultados econômicos da empresa, além do desembolso para o pagamento de débitos trabalhistas, devido ao emprego na época do contrato de trabalho e o recolhimento previdenciário mensal que poderia ter sido feito de forma gradativa e com o valor monetário do período. A empresa deverá, após o julgamento, arcar com o pagamento dos débitos corrigidos monetariamente, acrescidos de juros e multa. De acordo com Martins (2014, p. 17):

Os empresários devem se preocupar na identificação dos pontos que acarretam maiores gastos para a empresa e como estes pontos podem ser modificados e trabalhados para a redução dos custos, sem que haja perda de produtividade e qualidade dos serviços, produção e/ou processos, nem ir contra os direitos dos empregados, gerando assim um passivo trabalhista maior do que aquele já existente na empresa.

Vale salientar que a empresa assume outras obrigações perante a justiça do trabalho, como é o caso das custas processuais, taxa proveniente do valor dado à causa no período final e que é de total obrigação da reclamada o efetivo recolhimento. Outro fato que deve ser levado em consideração é o pagamento de honorários periciais, situação que ocorre quando o magistrado necessita de informações precisas sobre os fatos relatados pela parte reclamante e, para uma análise mais concisa, é solicitado a realização de perícia para apurar insalubridade, periculosidade e ocorrência de acidentes de trabalho com perda da capacidade colaborativa do emprego, o que deverá ser pago pela parte vencida no processo.

No entanto, muitas vezes a gestão administrativa preocupa-se apenas com a obtenção de resultados econômicos e financeiros satisfatórios de curto prazo e não planejam benefícios a longo prazo, tornando o passivo trabalhista de grande impacto econômico. Segundo Zibetti (2011):

Ao contrário do que alguns pensam, as reclamatórias trabalhistas são os principais fatores que levam as empresas ao fracasso, não só pela falta de organização e dos deveres do empregador, mas também pela rigidez da Justiça do Trabalho, que comumente é favorável à desconsideração da personalidade jurídica e, por consequência, com autorização de penhora sobre os bens particulares dos sócios da empresa. Diferentemente de uma execução fiscal, a reclamatória trabalhista surge, em muitos casos, de pequenos lapsos de descuido com documentos, registros, rotinas trabalhistas ou segurança no ambiente de trabalho.

É de grande importância para a empresa evitar reclamações trabalhistas, em virtude da incerteza financeira que a mesma sofrerá. O desembolso para pagamentos de tais reclamatórias pode afetar, significativamente, o resultado da empresa.

(24)

23

3 METODOLOGIA

3.1.ABORDAGENS TEÓRICO-METODOLÓGICAS DA PESQUISA

Para cumprir os objetivos propostos inicialmente, a pesquisa, quanto à natureza, enquadra-se como básica, pois, segundo Silva et al (2005, p. 20,) “a pesquisa básica objetiva gerar conhecimentos novos, úteis para o avanço da ciência, sem aplicação prática prevista”. Quanto à forma de abordagem, aplica-se a qualitativa, considerando a relação entre o sujeito pesquisado e o ambiente real de ocorrências dos fatos. Ainda de acordo com Silva (2005, p. 20), “há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em número”.

Quanto aos fins, compreende-se uma pesquisa explicativa com o propósito de identificar os fatos que induzem à ocorrência de determinado fenômeno. Para Gil (2002, p. 42) “essas pesquisas têm como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Esse é o tipo de pesquisa que mais aprofunda o conhecimento da realidade, porque explica a razão, o porquê das coisas”.

Quanto aos meios, a pesquisa teve como base um estudo de caso em uma empresa de mineração da região Seridó. Gil (2002, p. 54) assim argumenta:

a crescente utilização do estudo de caso no âmbito dessas ciências, tem diferentes propósitos, tais como: a) explorar situações da vida real cujos limites não estão claramente definidos; b) preservar o caráter unitário do objeto estudado; c) descrever a situação do contexto em que está sendo feita determinada investigação; d) formular hipóteses ou desenvolver teorias; e e) explicar as variáveis causais de determinado fenômeno em situações muito complexas que não possibilitam a utilização de levantamentos e experimentos.

Também houve o levantamento de dados com base na pesquisa documental. Conforme Lakatos (2003, p. 174), a característica da pesquisa documental é que a fonte de coleta de dados está restrita a documentos, escritos ou não, constituindo o que se denomina de fontes primárias. Estas podem ser feitas no momento em que o fato ou fenômeno ocorre, ou depois.

Pode-se recorrer também à pesquisa bibliográfica, que, para Gil (2002, p. 44), é desenvolvida com base em material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Sendo, portanto um dos meios usado para na pesquisa para alcançar os objetivos propostos inicialmente.

(25)

24

A pesquisa foi realizada em uma empresa de mineração da Região Seridó, através da coleta de dados junto aos órgãos fiscalizadores do direito trabalhista, onde constam sentenças das ações que têm a empresa como parte reclamada. A análise teve como base os julgamentos proferidos no primeiro semestre de 2016, sendo que as reclamatórias referem-se a fatos ocorridos desde 2010.

De acordo com informações coletadas do site da Receita Federal do Brasil (RFB) a empresa está ativa desde o ano de 2003, e tem como atividade principal a extração de minério de ferro e as seguintes atividades secundárias: pelotização, sinterização e outros beneficiamentos de minério de ferro; extração de minério de metais preciosos; extração de minérios de cobre, chumbo, zinco e outros minerais metálicos não ferrosos, não especificados anteriormente; extração de granito e beneficiamento associado; extração de calcário e dolomita e beneficiamento associado; extração e britamento de pedras e outros materiais para construção e beneficiamento associado; atividades de apoio à extração de minério de ferro; outras atividades profissionais, científicas e técnicas não especificadas anteriormente; outras atividades de serviços prestados principalmente às empresas não especificadas anteriormente. 3.3 INSTRUMENTOS DE COLETA E SELEÇÃO DOS DADOS

A pesquisa ocorreu através do exame das sentenças de julgamentos que se encontram-se disponíveis para consulta pública no site do Tribunal Regional do Trabalho da 21º Região (TRT). Quanto ao período estabelecido para analise e apuração dos resultados, foram as ações julgadas no primeiro semestre de 2016, considerando que as reclamatórias englobam os anos de 2010 a 2016. Conforme Gil (2002, p. 46), “com efeito, nos estudos de caso, os dados podem ser obtidos mediante análise de documentos, entrevistas, depoimentos pessoais, observação espontânea, observação participante e análise de artefatos físicos”. Com isso, foram analisados todos os processos julgados no primeiro semestre de 2016, além da utilização de livros, artigos científicos, monografias e dissertações para a elaboração deste trabalho e a conclusão dos resultados da pesquisa.

3.4 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS

O intuito deste trabalho é demonstrar, através dos dados coletados, o impacto financeiro ocasionado pelo pagamento das sentenças. Informando o valor que a empresa

(26)

25

desembolsou quanto ao resultado das reclamações trabalhista. Foram analisadas todas as sentenças proferidas no primeiro semestre de 2016, sendo que os períodos reclamados são anteriores, referindo-se a casos com infrações desde 2010 e que foram levados ao conhecimento e condenados pela Justiça do Trabalho apenas no primeiro semestre de 2016.

Através da elaboração de tabelas e análise qualitativa dos dados foi possível evidenciar o valor que a empresa pagou, comparando com o valor das verbas trabalhistas devidas ao emprego de acordo com as normas e leis trabalhistas, sem prejuízos ao empregado e, consequentemente, evitando maior desembolso para a empresa.

Reconhece-se a necessidade da utilização de meios eletrônicos para se chegar ao resultado quantitativo esperado, partindo da pesquisa documental que foi utilizado durante o desenvolvimento da pesquisa.

(27)

26

4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

4.1. ESTUDO DE CASO

A empresa em estudo atua no ramo de mineração na Região Seridó, desde 2003. É uma Sociedade Empresarial Limitada, com regime de tributação pelo Lucro Real. Sua composição empresarial é formada por três empresas com atuação no mesmo ramo de atividade e com um único administrador. Conforme Castro (2014, p. 9), “Consórcio empresarial é a união de várias empresas com a finalidade de realizar um empreendimento ou efetuar negociações geralmente maiores do que a capacidade individual de cada participante”. Com isso, entende-se que a empresa pesquisada surgiu da união de três empresas para ter seu potencial de atuação maior e assim desenvolver uma atividade de forma mais equilibrada diante do mercado.

Através de alguns dados levantados no site do Tribunal Regional do Trabalho da 21º Região, foi possível observar os processos trabalhistas envolvendo a empresa em estudo. Até o encerramento do primeiro semestre desde ano de 2016, foram verificados 33 processos julgados e com sentenças proferidas. Desse total, a pesquisa limitou-se a analisar 5 processos que tiveram seus julgamentos no primeiro semestre desde ano, com o intuito de verificar o valor desembolsado pela empresa para pagamento das indenizações apenas nos primeiros meses de 2016. A seguir, serão apresentados os processos julgados entre janeiro a junho de 2016.

A Tabela 1 refere-se ao processo julgado dia 04 de fevereiro de 2016, onde o reclamante alega, inicialmente, que trabalhou para a empresa reclamada no período de 03/12/2012 a 05/11/2013, na função de pedreiro, recebendo como remuneração mensal a quantia de R$ 1.432,60, tendo sido demitido sem justa causa. Informa que sua jornada de trabalho era das 07h às 17h, de segunda a sexta, com 01h de intervalo intrajornada e aos sábados, das 07h às 16h, também com 01h de intervalo intrajornada. Além disso, utilizava transporte fornecido pela empresa para ir ao local de trabalho e retornar à sua residência, durante 02h por dia, sendo 01h para ir e outra 01h para voltar. Por meio das informações fornecidas pelo empregado, bem como através de testemunhas e tendo como base a perícia técnica efetuada sobre os dados apresentados, o juiz arbitrou a empresa a pagar:

(28)

27

Período Reclamado 03/12/2012 a 05/11/2013

1 Horas Extras + reflexos R$ 4.602,14

2 Contribuição Previdenciária R$ 1.325,42

3 Totais verbas Trabalhistas (1 + 2) R$ 5.927,56

4 Danos morais R$ 1.000,00

5 Honorários periciais R$ 1.500,00

6 Correção das Contribuições Previdenciárias R$ 897,51

7 Custas Processuais R$ 136,50

8 Total ( 4 + 5 +6 + 7) R$ 3.534,01

9 Total da sentença (3 +8) R$ 9.461,57

TABELA 1: Processo nº 0000608-15.2015.5.21.0017 FONTE: Dados do site do Tribunal Regional do Trabalho

O Decreto Lei nº 5.452, de 1 de maio de 1943, que aprova e consolida a Lei Trabalhista, trata em seu artigo 59 sobre as horas suplementares, aquelas que ultrapassam a carga horária normal de trabalho.

Art. 59 - A duração normal do trabalho poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente de 2 (duas), mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho.

§ 1º - Do acordo ou do contrato coletivo de trabalho deverá constar, obrigatoriamente, a importância da remuneração da hora suplementar, que será, pelo menos, 20% (vinte por cento) superior à da hora normal. (Vide CF, art. 7º inciso XVI)

§ 2o Poderá ser dispensado o acréscimo de salário se, por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho, o excesso de horas em um dia for compensado pela correspondente diminuição em outro dia, de maneira que não exceda, no período máximo de um ano, à soma das jornadas semanais de trabalho previstas, nem seja ultrapassado o limite máximo de dez horas diárias. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.164-41, de 2001)

Compreende-se que o empregador fica obrigado a pagar as horas superiores à jornada de trabalho diária ou adotará diminuição da carga horaria para compensar as horas trabalhadas a mais. No caso específico, o empregador não adotou a compensação das horas extras, sendo, portanto, obrigado a efetuar o pagamento juntamente com a remuneração do empregado. As horas extras habituais refletem sobre férias, décimo terceiro salário, nos depósitos mensais do FGTS em favor do empregado, e no caso de demissão, sobre o aviso prévio. Dessa forma, o

(29)

28

cálculo efetuado pela justiça engloba o valor das horas extras trabalhadas durante os 11 meses do pacto laboral, mais o reflexo desse valor sobre o décimo terceiro salário de 1 mês de serviço do ano de 2012 e 10 meses de 2013, como também o reflexo sobre as férias proporcionais, sendo de 11/12 avos. Sobre o cálculo das horas extras incidiu a cobrança do recolhimento da contribuição social do período com a correção de multa e juros.

Outro indício de infração é a condenação por danos morais, ocasionada por um encarregado da empresa que destratou e humilhou o reclamante, na presença dos demais empregados da empresa, conforme consta na sentença. Para Machado (2011, p. 02),

O dano moral atinge principalmente os direitos da personalidade em geral, como direito à imagem, ao nome, à privacidade, ao próprio corpo, etc. Por isso, o dano moral não acarreta somente dor física e psíquica, mas também ocasiona um distúrbio anormal na vida da pessoa, um desconforto comportamental a ser examinado no caso concreto.

Os dados apresentados na Tabela 1 evidenciam que a empresa não cumpriu suas obrigações para com o colaborador, pois, no processo, é notório que falta o pagamento das horas extras, como também não houve compensação de horário e a situação da empresa se agrava devido ao dano moral causado ao emprego por encarregados da empresa. O valor das verbas trabalhistas devido era de R$ 5.927,56 (cinco mil, novecentos e vinte e sete reais e cinquenta e seis centavos), equivalente ao período de 11 meses em que o empregado trabalhou para o empregador, fazendo referência às horas extras trabalhadas e as contribuições previdenciárias que deveriam ter sido recolhidas no período. Diante dos fatos e por meio de provas, a Justiça do Trabalho condenou a empresa a pagar o valor que deveria ter sido repassado pelas horas extras trabalhadas, correspondente a R$ 4.602,14 (quatro mil, seiscentos e dois reais e quatorze centavos), bem como indenização por danos morais no valor de R$ 1.000,00 (Hum mil reais) ocasionado pelo desrespeito para com o empregado, no transcorrer da atividade laboral; os honorários periciais, no valor de R$ 1.500,00 (Hum mil e quinhentos reais), referentes à elaboração de laudos de perícias, o valor das contribuições previdenciárias, juntamente com a correção e mais as custas processuais de R$ 136,50 (cento e trinta e seis e cinquenta centavos).

O valor total pago é 59,62% maior que o valor que deveria ter sido pago ao trabalhador, de forma gradual, indicando que se a empresa tivesse efetuado o pagamento seguindo as regras trabalhistas, teria economizado R$ 3.534,01(três mil, quinhentos e trinta e quatro reais e um centavo). Esse recurso deveria ter sido utilizado para cumprir corretamente

(30)

29

a legislação trabalhista, uma vez que, se registradas e pagas de forma integral, as horas extras reclamadas pelo empregado entrariam na base de cálculo de seus encargos sociais.

A tabela 2 refere-se ao processo julgado no dia 10 de março de 2016, onde o reclamante ajuizou reclamação trabalhista, alegando que trabalhou para a primeira reclamada, ,de 23/08/2011 a 24/11/2015, na função de vigilante, com remuneração mensal no valor de R$ 788,00 + adicionais noturnos e de insalubridade, tendo rescindido o contrato de trabalho de forma indireta, em virtude dos descumprimentos das obrigações trabalhistas perpetrados pela ré. A jornada de trabalho era por escala de revezamento, qual seja, 12 x36 horas (de 23/08/2011 a 31/07/2013 e de 01/05/2015 a24/11/2015). No intervalo de tais períodos, isto é, de 01/08/2013 a 30/04/2015, a jornada autoral era 06h30min a 15h30min. Somente gozava 15 minutos de intervalo intrajornada. A empresa fornecia transporte aos funcionários, gastando 01h20min de itinerário (sendo 40 minutos para ir até o local de trabalho e 40 minutos para voltar). Em agosto/2013, a empresa passou a pagar 01h extra, referente ao tempo gasto no percurso. Desde agosto/2013, a empresa não recolhia o FGTS na conta vinculada do autor. A partir de julho/2015, a primeira reclamada não pagava os salários do reclamante. As férias do período aquisitivo 2013/2014 não foram pagas, apesar de gozadas no período de 02/07/2015 a 31/07/2015. Em razão dos descumprimentos ventilados, o autor rescindiu o contrato laboral de forma indireta. Diante do exposto, e por meios legais, o juiz condenou a empresa a apagar:

Período Reclamado 28/08/2011 a 24/11/2015

1 Aviso Prévio R$ 1.551,22

2 Saldo de salário 07/2015 a 11/2015 R$ 5.336,56

3 Férias (período aquisitivo 2013/2014, 2014/2015 e proporcional 2015/2016) + 1/3

R$ 3.360,76

4 13º salário R$ 1.108,02

5 Horas extras + reflexos R$ 18.424,86

6 Contribuições Previdenciárias (2+4+5 x 28,8%) R$ 7.162,40

7 FGTS + 40% R$ 3.707,48

8 Total das verbas trabalhistas (1 a 7) R$ 40.651,30

9 Multa art. 477, 8º da CLT R$ 1.108,02

10 Multa art. 467 da CLT R$ 2.765,87

11 Correção Contribuição Previdenciária R$ 3.889,13

12 Custas processuais R$ 890,81

(31)

30

14 Total da sentença (8 + 13) R$ 49.305,13

TABELA 2: Processo nº 0000708-67.2015.5.21.0017 FONTE: Dados do site do Tribunal Regional do Trabalho

O segundo processo pesquisado evidencia diversas infrações cometidas pela empresa: falta do comunicado ou pagamento do aviso prévio. Para Barros (2013, p. 755), “o aviso prévio poderá ser trabalhado, ou pago em dinheiro o período correspondente, Na primeira hipótese terá a natureza jurídica de salário e, na segunda situação terá natureza indenizatória”;

Omissão do pagamento dos salários dos meses de julho a novembro de 2015, sendo o salário a contraprestação do serviço executado pelo empregado, conforme art. 457 da CLT. No caso, houve por parte da empresa, negligência no pagamento do valor devido ao colaborador durante 5 meses.

Falta de pagamento das férias, que, para Barros (2013, p. 581), “as férias constituem um direito do empregado de abster-se de trabalhar durante um determinado número de dias consecutivos por ano, sem prejuízo da remuneração e após cumpridas certas exigências, entre elas a assiduidade”. Além da não efetivação do pagamento do 13º salário, que, de acordo com a CLT, em seu art. 1º no mês de dezembro de cada ano, a todo empregado será paga, pelo empregador, uma gratificação salarial, independentemente da remuneração a que fizer jus.

Falta de pagamento do 13º salário de 11/12 avos referente ao ano de 2015, sendo que o décimo consiste no pagamento de um salário extra no fim de cada ano, conforme art. 7 da Constituição Federal de 1988. Em tal caso, o trabalhador tem direito a receber 11 meses de décimo terceiro salário, período em que executou suas atividades na empresa.

O direito ao saque do FGTS e multa de 40% está estabelecido no art. 18 da Lei 8.036, em seu parágrafo primeiro.

Art. 18. Ocorrendo rescisão do contrato de trabalho, por parte do empregador, ficará este obrigado a depositar na conta vinculada do trabalhador no FGTS os valores relativos aos depósitos referentes ao mês da rescisão e ao imediatamente anterior, que ainda não houver sido recolhido, sem prejuízo das cominações legais

§ 1º Na hipótese de despedida pelo empregador sem justa causa, depositará este, na conta vinculada do trabalhador no FGTS, importância igual a quarenta por cento do montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros.

A Justiça do Trabalho condenou também o pagamento da multa prevista no art. 477, 8º da CLT, que tem o seguinte relato:

(32)

31

É assegurado a todo empregado, não existindo prazo estipulado para a terminação do respectivo contrato, e quando não haja ele dado motivo para cessação das relações de trabalho, o direto de haver do empregador uma indenização, paga na base da maior remuneração que tenha percebido na mesma empresa. (Redação dada pela Lei nº 5.584, de 26.6.1970)

§ 6º - O pagamento das parcelas constantes do instrumento de rescisão ou recibo de quitação deverá ser efetuado nos seguintes prazos: (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989).

a) até o primeiro dia útil imediato ao término do contrato; ou (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989).

b) até o décimo dia, contado da data da notificação da demissão, quando da ausência do aviso prévio, indenização do mesmo ou dispensa de seu cumprimento. (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989).

§ 8º - A inobservância do disposto no § 6º deste artigo sujeitará o infrator à multa de 160 BTN, por trabalhador, bem assim ao pagamento da multa a favor do empregado, em valor equivalente ao seu salário, devidamente corrigido pelo índice de variação do BTN, salvo quando, comprovadamente, o trabalhador der causa à mora. (Incluído pela Lei nº 7.855, de 24.10.1989).

Bem como a multa estabelecida art. 467 da CLT:

Em caso de rescisão de contrato de trabalho, havendo controvérsia sobre o montante das verbas rescisórias, o empregador é obrigado a pagar ao trabalhador, à data do comparecimento à Justiça do Trabalho, a parte incontroversa dessas verbas, sob pena de pagá-las acrescidas de cinquenta por cento". (Redação dada pela Lei nº 10.272, de 5.9.2001).

Obrigação do pagamento das horas extras - Consideram-se horas extras o tempo trabalhado que ultrapasse a carga horária estabelecida pela legislação trabalhista, tendo o empregador a opção de compensar essas horas com redução do tempo de serviço em dias posteriores ou o pagamento dessas horas, o que ocasiona acrescimentos nos pagamentos de férias, décimo terceiro salário, aviso prévio e também os depósitos na conta do FGTS vinculada ao empregado.

É instituída a obrigação do recolhimento da contribuição previdenciária sobre o saldo de salário, 13º salário e as horas extras, com as devidas correções de multa e juros. Conforme a tabela de incidência elaborada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, não ocorre incidência da contribuição sobre o aviso prévio indenizado e férias indenizadas.

Diante do exposto, é incontestável a obrigação de efetuar o pagamento dos valores devidos e impostos pela justiça. Esta obrigação afeta o desempenho financeiro da empresa, pois esse valor é 21,29% maior do que o devido inicialmente, indicando que se a empresa tivesse efetuado o pagamento seguindo as regras trabalhistas, teria economizado R$ 8.653,83 (oito mil, seiscentos e cinquenta e três reais e oitenta e três centavos), além de poder registrar nas demonstrações contábeis o total das despesas com pessoal, influenciando o resultado do

(33)

32

exercício no ano da ocorrência do fato gerador, que é a execução da atividade por parte do empregado.

A tabela 3 refere-se ao processo julgado no dia 01 de abril de 2016, onde o reclamante afirma que trabalhou para a empresa reclamada no período de 16.07.2010 a 19.02.2014, exercendo as funções de auxiliar de serviços gerais (de 16.07.2010 a 31.05.2011), auxiliar de britagem (de 01.06.2011 a 31.03.2013) e de operador de produção (de 01.04.2013 a 19.02.2014), recebendo como último salário mensal a quantia de R$ 1.028,30, tendo sido demitido sem justa causa. Diz que começou a trabalhar na função de operador de produção em 01.06.2012, e não em 01.04.2013, deixando a empresa ré de lhe pagar o devido salário referente a tal função, durante 10 (dez) meses. Assevera que as horas de itinerário, quais sejam, 01h20min por dia (40minutos para ir e 40 minutos para voltar), não eram efetivamente pagas pela ré. Diz que o ambiente de trabalho era insalubre, todavia a empresa somente passou a lhe pagar adicional de insalubridade a partir de junho/2011. Relata, ainda, que a empresa não recolheu integralmente o FGTS. Partindo a denúncia feita pelo o emprego e comprovada as infrações cometidas pela empresa no julgamento, ficou a reclamante responsável em saldar o valor correspondente às seguintes reclamações.

Período Reclamado 16/07/2010 a 19/02/2014 1 Horas in itinere R$ 8.014,94 2 Diferença salarial R$ 5.380,31 3 Adicional de insalubridade R$ 1.178,99 4 Contribuição Previdenciária (1+2+3 x 28,8%) R$ 4.197,38 5 Diferença FGTS + 40% R$ 1.220,40

6 Total de verbas trabalhistas (1 a 5) R$ 19.992,02

7 Correção Previdenciária R$ 1.762,89

8 Custas processuais R$ 394,61

9 Total (7+8) R$ 2.157,50

10 Total da sentença R$ 22.157,50

TABELA 3: Processo nº 0000079-59.2016.5.21.0017 FONTE: Dados do site do Tribunal Regional do Trabalho

No terceiro processo analisado novas reclamações foram feitas, envolvendo a empresa em estudo. Uma das reclamações foi a falta de pagamento de horas in itinere, que, para Barros

(34)

33

(2013, p. 528), correspondem ao tempo à disposição do empregador, quando a empresa encontra-se fora do perímetro urbano, via regra, em local de difícil acesso, ou seja, impossível de ser atingido pelo obreiro sem uso de transporte” , além do adicional de insalubridade ocasionado pela exposição do trabalhador a ambientes com algum grau de riscos à sua saúde. Segundo Barros (2013, p. 621) “o trabalho em condições insalubres, ainda que intermitente, envolve maior perigo para a saúde do trabalhador e, por isso mesmo, ocasiona um aumento na remuneração do empregado”.

A empresa foi condenada a pagar diferenças salariais por não repassar o salário referente à categoria e a função desenvolvida pelo seu colaborador e, consequentemente, a diferença de FGTS sobre os depósitos efetuados com valores inferiores ao salário estabelecido para pagamento da categoria e do cargo em exercício, bem como o recolhimento da contribuição previdenciária incidente sobre horas in itinere, diferenças salariais e adicional de insalubridade.

Neste caso, a empresa efetuou o pagamento do saldo devedor que tinha com o empregado e com a seguridade social no valor de R$ 19.992,02 (dezenove mil novecentos e noventa e dois reais e dois centavos), as custas processuais de R$ 394,61 (trezentos e noventa e quadro reais e sessenta e um centavos) e a correção da contribuição previdenciária devida, no valor de R$ 1.762,89 (hum mil, setecentos e sessenta e dois reais e oitenta e nove centavos). A empresa poderia ter economizado R$ 2.157,50 (dois mil, cento e cinquenta e sete e cinquenta centavos , se tivesse efetuado os pagamentos devidos no período da ocorrência do fato.

A tabela 4 refere-se ao processo julgado no dia 01 de abril de 2016, onde o reclamante ajuizou reclamação trabalhista, alegando que trabalhou para esta no período de 02.04.2012 a 26.12.2014, na função de servente de pedreiro, tendo sido demitido sem justa causa. Assevera que as horas de itinerário, quais sejam, 01h20min por dia (40 minutos para ir e 40 minutos para voltar), não eram efetivamente pagas pela ré. Assim, o juiz condenou a empresa ao pagamento das horas utilizadas no percurso de ida e vinda para a empresa pelo trabalhador.

Período Reclamado 02/04/2012 a 26/12/2014

1 Horas in itinere + reflexos R$ 4.994,77

2 Contribuição Previdenciária R$ 1.438,49

3 Totais verbas Trabalhistas (1 + 2) R$ 6.433,26

(35)

34

5 Custas Processuais R$ 126,99

8 Total ( 4 + 5) R$ 702,29

9 Total da sentença (3 +8) R$ 7.135,55

TABELA 4: Processo Nº 0000063-08.2016.5.21.0017 FONTE: Dados do site do Tribunal Regional do Trabalho

No quarto processo repete-se uma reclamação feita anteriormente, que é a omissão de pagamento de horas extras; neste caso, a empresa arcou com uma despesa de 10,92% maior que a devida, podendo o valor ter sido registrado de acordo com o fato gerador, ou seja, nos anos de 2012, 2013 e 2014, considerando como despesa com pessoal nas demonstrações contábeis.

Em benefício do emprego foi recolhido o valor de R$ 4.994,77 (quatro mil, novecentos e noventa e quatro reais e setenta e sete centavos); para a previdência, um total de R$ 2.013,79 (dois mil e treze reais e setenta e nove centavos) e as custas processuais, no valor de R$ 126, 99 (cento e vinte e seis reais e noventa e nove centavos).

A tabela 5 refere-se ao processo julgado no dia 12 de abril de 2016, onde o reclamante ajuizou reclamação trabalhista alegando que trabalhou de 06.11.2014 a 01.03.2016, na função de soldador, com remuneração mensal no valor de R$ 1.191,00 + adicional de insalubridade (20%), tendo rescindido o contrato de trabalho de forma indireta, em virtude dos descumprimentos das obrigações trabalhistas perpetrados pela ré. A jornada de trabalho, até dezembro/2015, era das 06h30minh às 11h e das 12h às 15h30minh, de segunda a sexta-feira. A partir de janeiro/2016, em razão da considerável diminuição das atividades, o empregador determinou que o reclamante permanecesse em sua casa, aguardando por convocação eventual, fato que não ocorreu. Desde julho/2015, os salários não vinham sendo pagos. O 13º salário de 2015 não foi pago e O FGTS não foi corretamente pago. Portanto, a empresa foi condenada a efetuar os seguintes pagamentos:

Período Reclamado 06/11/2014 a 01/03/2016

1 Aviso Prévio R$ 1.503,55

2 Salários atrasados R$ 10.904,75

3 Férias (período aquisitivo 2014/2015 e proporcional 2015/2016) + 1/3

R$ 2.413,40

4 13º salário R$ 1.696,19

(36)

35

6 FGTS + 40% R$ 3.707,48

7 Total das verbas trabalhistas (1 a 6) R$ 23.854,44

8 Multa art. 477, 8º da CLT R$ 1.366,87

9 Multa art. 467 da CLT R$ 1.597,98

10 Correção Contribuição Previdenciária R$ 1.524,20

11 Custas processuais R$ 480,27

12 Total (8 a 11) R$ 4.969,32

13 Total da sentença (7 + 12) R$ 28.823,76

TABELA 5: Processo nº 0000095-13.2016.5.21.0017 FONTE: Dados do site do Tribunal Regional do Trabalho

E os mesmos erros persistem em ocorrer; no quinto processo é possível observar questões tratadas nos processos supracitados, sendo a empresa condenada a indenizar o aviso prévio e as férias, quitar os salários atrasados, o 13º salário, diferenças de FGTS e a multa de 40%, além da contribuição previdência incidente sobre o salário e o 13º salário, corrigidas com multa e juros. A empresa foi penalizada com pagamentos de multas revertidas para o emprego, estabelecidas nos artigos 467 e 477, 8º da CLT, mencionadas anteriormente.

Com este processo, a empresa teve uma despesa total de R$ 28.823,76 (vinte e oito mil, oitocentos e vinte e três reais e setenta e seis centavos). Caso tivesse efetuado o pagamento corretamente seguindo as normas trabalhistas, teria economizado R$ 4.969,32 (quatro mil novecentos e sessenta e nove reais e trinta e dois centavos). Dessa forma fica evidente que a empresa não está se adequando para mudar essa realidade que só traz prejuízos financeiros. No caso, a despesa é 20,83% superior, caso a empresa tivesse feito os repasses devidos ao seu colaborador.

Portanto, ao analisar os processos mencionados, é possível observar que em todos os casos a empresa pesquisada desembolsou um valor maior do que o devido, caso esta repassasse para o empregado o pagamento integral pelo desenvolvimento do pacto laboral. Apenas no primeiro semestre de 2016 a empresa arcou com o pagamento de R$ 116.875,53 (cento e dezesseis mil, oitocentos e setenta e cinco reais e cinquenta e três centavos) de indenizações trabalhistas, comparado com o valor de R$ 96.858,58 (noventa e seis mil, oitocentos e cinquenta e oito reais e cinquenta e oito centavos), que deveriam ter sido pagos de forma gradual, durante o pacto laboral, tendo, portanto, um prejuízo de 20,67% com

(37)

36

relação ao valor principal, conforme o gráfico a seguir, que evidencia o valor das condenações em comparação com o valor que a empresa deveria ter repassado para seus empregadores como contraprestações das atividades executadas. E que para a empresa ocorreria de forma gradual, sem agravantes para o seu capital de giro.

GRÁFICO 1: Total Indenizado x Total de verbas Trabalhistas FONTE: Dados do site do Tribunal Regional do Trabalho

Tais dispêndios provocam resultados negativos para a entidade devido aos desembolsos não provisionados, caso comum de ocorrer entre as empresas. A ocorrência de um passivo trabalhista seria amenizada, caso houvesse o planejamento do passivo contingente, registro de um fato gerador passado, mas sem a certeza de incidência futura, evento em que se enquadra o passivo trabalhista oculto, que surge no momento em que há cobrança judicial de um direito anteriormente adquirido e não respeitado por aquele que deveria cumprir com as obrigações legais.

R$116.875,53 R$96.858,58 R$20.000,00 R$40.000,00 R$60.000,00 R$80.000,00 R$100.000,00 R$120.000,00 R$140.000,00

Referências

Documentos relacionados

[r]

Esta dissertação pretende explicar o processo de implementação da Diretoria de Pessoal (DIPE) na Superintendência Regional de Ensino de Ubá (SRE/Ubá) que conforme a

Na apropriação do PROEB em três anos consecutivos na Escola Estadual JF, foi possível notar que o trabalho ora realizado naquele local foi mais voltado à

ITIL, biblioteca de infraestrutura de tecnologia da informação, é um framework que surgiu na década de mil novecentos e oitenta pela necessidade do governo

“O aumento da eficiência e o plano de produção fizeram com que a disponibilidade das células de fabricação aumentasse, diminuindo o impacto de problemas quando do

Por não se tratar de um genérico interesse público (lato sensu), compreendido como respeito ao ordenamento jurídico, mas sim de um interesse determinado, especial e titularizado

Assim, propusemos que o processo criado pelo PPC é um processo de natureza iterativa e que esta iteração veiculada pelo PPC, contrariamente ao que é proposto em Cunha (2006)

Dois termos têm sido utilizados para descrever a vegetação arbórea de áreas urbanas, arborização urbana e florestas urbanas, o primeiro, segundo MILANO (1992), é o