Desenvolvimento de atividades com TIC pelos alunos
numa escola de 1.º ciclo de ensino básico
MARIA DO ROSÁRIO RODRIGUES
Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal
JOÃO GRÁCIO
Escola Básica 1 do Afonsoeiro
Resumo
Este artigo surge como pretexto para uma reflexão sobre algumas atividades que foram sendo desenvolvidas, durante o ano letivo 2012/13, com recurso às TIC numa escola onde não havia o hábito de utilizar frequentemente o computador com os alunos. O objetivo era que os professores fossem adotando uma metodolo-gia mais centrada em pequenos projetos com a utilização das TIC. Para o conse-guir optou-se por iniciar as atividades com um tema não curricular e, à medida que os professores se iam sentindo mais confiantes na gestão do uso das tecnologias pelos alunos, houve uma progressão para temas mais curriculares.
Neste artigo procuraremos detalhar o modo como a experiência foi organizada e os reflexos que se obtiveram na aprendizagem dos alunos. Como resultado mais significativo registamos a atitude responsável na utilização da Internet e a vontade de colaborar nas atividades propostas.
Palavras-chave:
Abstract
This article emerges as an argument for reflection on some activities that have promoted the educational use of ICT. This experience has occurred in 2012/2013, in a Primary school where computers weren’t frequently used by the students. The main goal of this experience was the adoption by the teachers of a different meth-odology regarding the use of ICT with their students, centered in small projects. The main project was initiated with some not curricular activities and when the teachers felt more confident when using ICT with the students, there were some
curricular issues that were broached. In this article, we intend to reflect about the experience, how it was organized and the changes that occurred on the students’ learning process. As a main result, we can asseverate the responsible attitude re-garding the internet’s use and the will to co-operate in all the activities.
Key concepts:
1. Introdução
Uma das medidas do Plano Tecnológico da Educação (PTE) (Ministério da
Educação, 2008), com maior importância para as Escolas do 1.º Ciclo do
Ensino Básico (1.º CEB) foi a iniciativa Magalhães, que permitiu aos
alu-nos adquirir, a baixo custo, um computador portátil. Estes pequealu-nos
com-putadores podem transformar-se em instrumentos úteis para a
aprendiza-gem dos alunos o que, segundo Penuel (2006), ocorre com mais facilidade
quando há uma utilização assídua da tecnologia. Este foi o ponto de partida
para esta experiência cuja descrição e análise aqui apresentamos. No ponto
seguinte incluiremos algumas das vantagens que a investigação descreve
na utilização assídua de computadores a que se segue a metodologia
adota-da, alguns resultados encontrados e finalmente, algumas conclusões.
2. As TIC e a aprendizagem
A utilização educativa de portáteis vai apresentando resultados de
aprendi-zagem em três grandes áreas: os resultados escolares, as atitudes face à
escola e as competências para a sociedade do conhecimento (Apple
Clas-srooms of Tomorrow, 2008; Bebell & Kay, 2010; Gulek & Demirtas,
2005; Merrelho, 2010; Mouza, 2006). Destacam-se os contributos do
traba-lho de pesquisa na Internet para a aprendizagem da língua materna (Bebell
& Kay, 2010), com descrições de alunos envolvidos e motivados para a
escrita, que passaram a produzir trabalhos de maior dimensão e melhor
qualidade (Bebell & Kay, 2010; Gulek & Demirtas, 2005; Lowther, 2003;
Penuel, 2006).
O aumento da motivação dos alunos e do seu interesse na aprendizagem
são referidos por quase todos os autores (Apple Classrooms of Tomorrow,
2008; Bebell & Kay, 2010; Light, 2002; Lowther, 2003; Merrelho, 2010;
Penuel, 2006; Ramos, 2010). Esse aumento de motivação está associado à
melhoria nas interações em sala de aula e a relatos de maior satisfação
porque aprenderam de maneira diferente e criaram um sentimento de
orgu-lho entre os alunos (Mouza, 2006). Esta ideia de fazer coisas de modos
diferentes é destacada por Milagre (2009) que procura identificar os fatores
de aceitação dos computadores portáteis junto dos alunos e conclui que o
mais importante é a possibilidade de aceder a informações e descobrir
coi-sas novas.
A utilização assídua das tecnologias promove o desenvolvimento de
com-petências tecnológicas mas exige uma utilização crítica de um meio muito
poderoso que fica ao dispor dos mais jovens: a Internet. Assim, houve
ne-cessidade de iniciar o projeto pela utilização crítica e segura da Internet.
O programa Safer Internet1 da UE classifica os riscos de utilização da
In-ternet em três grandes categorias: conteúdos, contactos e comércio. No que
se relaciona com os conteúdos destacamos a consulta de informação online
1 O programa Safer Internet está alojado em
pois exige que os jovens tenham consciência de que nem tudo o que se
encontra na Internet é credível e que, portanto, é necessário desenvolver
competências para pesquisa e evitar o confinamento a uma única fonte. No
que se relaciona com a recolha de informação é necessário garantir a
pre-servação da autoria incluindo sempre a autor ou o site de onde a
informa-ção foi recolhida. Segundo McLester (2011), cerca de metade das situações
de plágio cometidas pelos alunos acontece porque desconhecem as
circuns-tâncias em que devem fazer citações ou referências a autores ou obras, pelo
que não se trata de tentar enganar o professor, mas de mero
desconheci-mento sobre o assunto. Harris (2010) também indica o desconhecidesconheci-mento
como a razão mais frequente para o plágio, seguido da preguiça, da
difi-culdade em gerir o tempo e da difidifi-culdade em escrever. Um outro aspeto
relacionado com os conteúdos é a publicação de informação. A rapidez
com que se podem capturar imagens inadequadas ou divulgar informação
sensível para todo o mundo exige cuidados que devem ser transmitidos aos
jovens (Ponte et al., 2011).
No que se relaciona com os contactos a maior preocupação é avisar os
mais novos para que não incorram em atos que podem levar à sua
identifi-cação ou que permita acesso aos seus bens ou da sua família. Muitos
jo-vens não referem interesse em entrar em contato com desconhecidos mas
alguns foram contactados por estranhos para encontros presenciais
(Livingstone & Helpster, 2007), o que constitui um risco para o qual
de-vem estar avisados e preparados. As Redes Sociais online são locais
dese-nhados para facilitar a partilha de informações e convidam, na sua grande
maioria, ao envolvimento de terceiros, através da possibilidade de
comen-tar os diversos elementos colocados nessa página pessoal. Livingstone
(2008) adverte para que a noção de amigo presencial não é exatamente a
apresentada nestes sites, que corresponde mais à noção de público ou
pri-vado e onde os amigos podem ser pessoas desconhecidas que ficam com
acesso a informações privadas. Esta ideia de amizade pode estar associada
a comportamentos de risco, especialmente porque pode conduzir a
encon-tros presenciais, ou a disponibilizar dados pessoais online (Livingstone &
Helsper, 2007).
3. Metodologia
No que se relaciona com a metodologia adotada, consideramos que a nossa
investigação segue uma orientação qualitativa utilizando métodos de
inves-tigação-ação participada uma vez que o projeto envolveu toda a escola e
usou uma forte componente social de interação entre todos os professores
na procura de melhoria da aprendizagem dos alunos (Borda, 2001). As
atividades com tecnologias foram elaboradas implementadas e discutidas
por todos osprofessores da escola, estabelecendo-se uma relação de grande
3.1. Contexto
No início do ano letivo os alunos apresentavam muito poucas experiências
de utilização das TIC na escola. A escola está inserida num bairro social
onde a maior parte das famílias apresenta carências económicas e tem
mui-to pouco acesso a meios tecnológicos. Alguns alunos sabiam utilizar o
computador de forma lúdica mas não compreendiam as potencialidades da
ferramenta que tinham à sua disposição nem a forma como ela os poderia
ajudar no seu percurso académico.
Em cada sala de aula da escola existe um computador fixo que os
professo-res utilizam nas suas atividades pessoais mas não é um instrumento
utiliza-do com e pelos alunos. O projeto foi implementautiliza-do numa perspetiva de
envolver toda a comunidade escolar no uso educativos dos computadores,
composta por oito docentes e cento e sessenta alunos e aproveitar a
exis-tência de algumas turmas onde existiam computadores Magalhães. O
pro-jeto foi constituído por desafios trimestrais com base nos seus quatro
do-mínios das metas TIC, lançadas pelo Ministério de Educação (2010):
In-formação, Comunicação, Produção e Segurança.
3.2. Organização das atividades
Em cada período foram lançadas atividades a desenvolver na escola e
ou-tras que procuraram envolver a família. Assim, durante o primeiro período,
o tema integrador foi “Aprender na Internet” e teve como principal
objeti-vo refletir com os alunos sobre a pesquisa de informação na Internet, a
procura de informação fidedigna, a definição de fontes e a importância da
sua utilização. Para tal, foi apresentado aos alunos um texto introdutório
contendo alguns sites para pesquisa, no sentido de os levar a compreender
a variedade de informação disponível e permitir que os explorassem, em
conjunto com os professores ou em grupos de alunos.
No segundo período, o tema integrador foi “Internet com etiqueta” e teve como objetivo que os alunos refletissem sobre as regras de netiqueta.
Co-mo atividade de Co-motivação para esta tarefa, os alunos visualizaram um
PowerPoint que tentou estabelecer uma ligação entre as regras do
quotidia-no e as regras de navegação na Internet.
No terceiro período, o tema integrador foi “Comunicar na Internet” e
pren-deu-se com a construção de uma história colaborativa entre todas as
tur-mas, partilhada através de email com a turma seguinte. Para além da
cria-ção de laços de trabalho entre as turmas da escola, foram também
trabalha-dos temas como as redes sociais (Facebook e MSN), divulgação de datrabalha-dos
Figura 1 – O livro coletivo
O ponto de partida foi a apresentação de uma história, que foi depois
con-tinuada, onde todos os alunos deram o seu contributo. O livro construído
foi dado a conhecer na festa final de ano, aos Pais/Encarregados de
Educa-ção.
Em todas as atividades, houve o cuidado, aquando da sua planificação, de
disponibilizar a cada docente sites de apoio específicos, com o objetivo de
divulgar e sistematizar algumas ideias que lhes permitissem trabalhar com
os alunos e proporcionassem competências para alimentar uma discussão
ou um trabalho escrito.
3.3. Atividades intermédias
As atividades intermédias tinham como objetivo principal o envolvimento
da família nas atividades da escola e, em particular, procurando criar a
necessidade de uma utilização partilhada das tecnologias. No primeiro
período foi lançado um desafio a alunos e pais/encarregados de educação
para que explorassem alguns jogos online. Procurou-se partir de uma
ativi-dade já existente em algumas das famílias que congregasse os seus
elemen-tos numa atividade conjunta.
No segundo período foi pedido que, em família, explorassem o site
Segu-ranet e colaborassem na ideia aí expressa de desenvolver “atividades que abranjam o maior número possível de participantes de diferentes gerações,
em interação” e que realizassem um cartaz alusivo ao tema.
No terceiro período, tendo como ponto de partida a história que estava a
ser escrita pelas várias turmas da escola, foi pedido que em conjunto com
os pais, os alunos continuassem uma história iniciada pelos docentes e que
a enviassem para o email da escola, para que pudesse depois ser partilhada,
através do site da escola. Todos os textos recebidos (37 o que corresponde
a 23% dos alunos) foram publicados na página da escola, no espaço
exis-tente para o Projeto TIC2.
2 As história escrita em família estão disponíveis em:
Período
letivo
Tema
inte-grador
Atividade na escola Atividade intermédia
1.º período Aprender na Internet
Pesquisa e recolha
de informação na
Internet.
Exploração de jogos
online.
2.º período Internet com Etiqueta
As regras de
neti-queta.
Construção de um
car-taz alusivo ao tema
“Segurança na Inter-net”.
3.º período Comunicar na Internet
Construção de
uma história
cola-borativa
envol-vendo todas as
turmas.
Divulga-ção de dados
pes-soais e distinção
entre amigos “re-ais” e “virtu“re-ais”
Desenvolver uma
histó-ria iniciada pelos
pro-fessores.
Tabela 1 – Resumo das atividades desenvolvidas
3.4.Recolha de dados
Assim, a recolha de dados para esta reflexão foi efetuada
fundamentalmen-te com base em notas sobre os factos observados e as infundamentalmen-tervenções na
prá-tica. No entanto, sentimos necessidade de recolher a opinião individual dos
alunos sobre o decurso das atividades o que se efetuou no final de cada
período. Os questionários tiveram sempre a mesma estrutura e foram
cons-tituídos por quatro grandes temas: avaliação global do projeto,
autoavalia-ção sobre os temas tratados nesse período, atividade preferida e perspetivas
de futuro.
Os questionários foram respondidos em sala da aula pelo que existem
per-centagens bastante altas de respostas que só dependeram da presença dos
alunos na escola. Assim, as percentagens foram de 89%, 90% e 95% ao
longo dos três períodos.
No ponto seguinte apresentam-se alguns resultados organizados a partir de uma análise temática dos dados. Iniciaremos pelas perguntas comuns e prosseguiremos pelas especificidades de cada atividade trimestral.
4.Alguns resultados
No que diz respeito à implementação do projeto, a quase totalidade dos
alunos (cerca de 90% em cada período) afirmou que estava a ser excelente
o que se foi constituindo como um motor para motivar toda a comunidade
a continuar a experiência.
tabela seguinte resume as respostas dos alunos.
Período
letivo Atividade Opinião dos alunos
1.º
Pesquisa e
recolha de
informação
na Internet
A maior parte dos alunos (53%) referiu que já
sabia realizar pesquisas. No entanto, apenas
18% responderam que leem sempre vários sites
e só 11% escreveram que referem os autores
dos textos que usam para os trabalhos.
Questio-nados sobre a correção da escrita na Internet,
44% responderam que às vezes se pode dar
erros na Internet.
2.º As regras de netiqueta
No que diz respeito às regras de netiqueta, a
maior parte dos alunos não as conhecia.
Quando inquiridos sobre se o projeto estava a
mudar a forma como usavam a Internet, a maior
parte dos alunos respondeu afirmativamente
(93%) apontando como razões principais o
fac-to de já estarem mais conscientes e preparados
para a pesquisa e trabalho usando a Internet.
3.º
Construção
de uma
his-tória
colabo-Relativamente ao uso das redes sociais, a maior
parte dos alunos afirmou já as conhecer. No
entanto, apenas uma parte faz uso regular, com
rativa maior incidência nos alunos do 4.º ano de
esco-laridade. Relativamente à rede social usada, a
totalidade dos alunos referiu o Facebook.
No que concerne ao cumprimento das regras da
netiqueta, apenas um aluno que referiu que não
cumpre sempre. No entanto, verificou-se um
aumento no cumprimento da totalidade das
regras trabalhadas ao longo do 2.º e 3.º período
(68% no segundo período e 76% no terceiro
período).
Tabela 2 – Resumo das respostas sobre os temas de cada um dos períodos
No final do primeiro período os alunos são praticamente unânimes ao
afirmar que preferiram os jogos no âmbito dos ambientes de aprendizagem
online. Pensamos que isto pode refletir os seus hábitos de utilização das
TIC no início do ano letivo: a forte componente lúdica sem lhe
reconhece-rem relação com a aprendizagem. No entanto refereconhece-rem também que “a jogar também se aprende” (17%) ou simplesmente “gosto de jogar na Internet”
(31%).
No segundo período a atividade que os alunos mais gostaram foi a
relacio-nada com as regras de netiqueta, realizada na escola, apontando variadas
pró-pria sala ou com as outras turmas e o facto de aprender em segurança ser
melhor. A atividade de construção de um cartaz em família sobre a
segu-rança na Internet obteve oitenta e quatro respostas (53% dos alunos) que
foram publicadas na página da escola e foi construído um panfleto com os
melhores trabalhos, de todas as turmas.
Figura 2 – Ilustração incluída num dos cartazes
No último período a atividade preferida foi a história colaborativa entre
turmas e essa preferência foi justificada maioritariamente pelas seguintes
afirmações: “Todas as turmas contribuíram e com todos os pedaços fez-se
uma história”, “Na turma aprende-se mais” ou “Em conjunto, na turma,
temos mais ideias”.
No que se relaciona com as sugestões para futuro, no final do primeiro
período a preferência recai sobre a visualização de vídeos e a comunicação
online que toma a forma das seguintes afirmações: “falar na Internet com
amigos”, “estar no Facebook” ou “criar um email”.
Em relação às sugestões para o 3.º período, foram várias relacionadas
no-vamente com a pesquisa, a realização de trabalhos em conjunto com as
outras turmas ou o Facebook mas também, fruto do trabalho realizado,
houve alunos que sentiram necessidade de aprofundar os seus
conhecimen-tos na utilização do Word, do Excel e do PowerPoint.
Como sugestões para a continuação do projeto no ano letivo 2013/14,
refe-rem atividades relacionadas com o Facebook, o e-mail, o PowerPoint ou a
realização de todas as disciplinas através do computador.
5.Conclusões
No início do ano letivo os alunos tinham poucas competências na
utiliza-ção das tecnologias, razão pela qual iniciámos as atividades com propostas
de exploração dos jogos com um forte caracter lúdico. No final do período
confirmamos esta utilização do computador pelas respostas dos alunos que
não mostram qualquer afinidade deste instrumento com a aprendizagem.
No que se relaciona com as pesquisas parece-nos que havia uma clara
ne-cessidade de tratar o tema da triangulação dos dados recolhidos para
garan-tir a sua fiabilidade. Notamos também a necessidade de tratar a
preserva-ção da autoria dos textos porque os alunos pensam que basta procurar,
copiar e colar para que o trabalho esteja pronto. Esta ideia está de acordo
com os autores que referem que o plágio acontece, com muitos alunos, por
Uma das afirmações dos alunos apontava para “só se pode dar erros na Internet às vezes“. Interpretamos esta afirmação tendo em conta a fase de
aprendizagem da leitura e da escrita em que se encontram e alguma
infor-malidade que atribuem às comunicações feitas com base na tecnologia,
onde é preciso escrever depressa, e por isso, se podem fazer abreviaturas
ou cometer alguns erros ortográficos. No entanto, tendo em conta os temas
que tratámos não podemos admitir que ainda não dominam o facto de para
realizarem uma boa pesquisa, terem de usar palavras-chave corretas e
ade-quadas.
No segundo período os alunos contactam com as regras de etiqueta e com
as redes sociais e vão revelando, progressivamente, uma evolução nas suas
competências tecnológicas. No final deste período assumem já saberem
usar o computador sem ser para jogar, e que conseguem ajudar a família
quando é necessário fazer algum trabalho em casa, o que certamente lhes
proporciona um sentido de utilidade das aprendizagens e de alguma
melho-ria na sua autoestima por serem reconhecidos como competentes pela
famí-lia. Nesta fase os alunos já reconhecem que as tecnologias têm utilidade
para além do lúdico e o trabalho em pequeno grupo que vão fazendo na
escola é também reconhecido como uma das atividades de que mais
gosta-ram.
No terceiro período registamos a grande quantidade de alunos que já
havi-am usado as redes sociais, em particular o Facebook o que mostra, por um
lado, a popularidade desta rede social e por outro, que, apesar de não terem
idade para utilizá-la, muitos alunos já o fazem com ou sem supervisão dos
pais, aconselhados por amigos ou irmãos. Assim, pareceu-nos muito
perti-nente o tratamento das questões de segurança nestas redes que permitiu
que os alunos discutissem a diferença entre os seus amigos da escola e
aqueles outros que sendo igualmente amigos, podem de facto, ser
desco-nhecidos.
No final do ano letivo, é igualmente interessante observar que os alunos
reconhecem maior importância às regras de convivência e segurança na
internet, fruto de um tratamento assíduo destes problemas, sempre que a
Internet era utilizada na sala de aula. Ainda no final do terceiro período
parece-nos de assinalar as sugestões dos alunos que não só reconhecem os
computadores como instrumentos com potencialidades educativas como
sugerem que eles devam ser utilizados com maior frequência e em todas as
áreas disciplinares. Acreditamos que é o fator motivação referido por
tan-tos autores que também aqui teve o seu reflexo.
Os resultados aqui refletidos parecem-nos indicar vantagens educativas na
integração didática das TIC no 1.ºciclo do Ensino Básico mas não podemos
deixar de referir que tal integração não tem condições de ser efetuada
por-que as escolas deste ciclo, na sua generalidade, não possuem equipamentos
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Nota biográfica
Maria do Rosário da Silva Rodrigues, licenciada em Engenharia
Infor-mática pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de
Lisboa (1979), mestre em Multimédia em Educação pela Universidade de
Aveiro (2006) e doutora pela mesma universidade (2013). É professora
adjunta no Departamento de Ciências e Tecnologias da Escola Superior de
Educação de Setúbal e tem participado em vários projetos nacionais de
internacionais de utilização educativa das TIC. Foi membro da gestão
dis-trital, em Setúbal, do projeto Internet@EB1, mais tarde designado
CBTIC@EB1 (2002/03 a 2005/06) e responsável pelo Centro de
Compe-tência TIC da Escola Superior de Educação de Setúbal (2007/08 e
2008/09). Desde 2004 tem vindo a participar em projetos que se dedicam a
investigar a integração educativa das TIC no 1.º Ciclo do Ensino Básico.
João Carlos da Silva Grácio, licenciado na variante de Português/Inglês
pela Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal
Serra, no Montijo e é atualmente coordenador da EB1 Afonsoeiro.
É formador desde 2005, tendo ministrado algumas formações relacionadas
com a construção de páginas de escola e o desenvolvimento de
competên-cias TIC por Professores e Alunos, algumas integradas no Projeto
Inter-net@EB1.
Desde 2007, tem desenvolvido alguns projetos relativos à integração
edu-cativa das TIC no 1.º Ciclo do Ensino Básico, tendo escrito alguns artigos
nesta área em coautoria e apresentado algumas comunicações em