Hígia, Nix, Inari, Isis, Mahadeva, Lilith. Hígia. Taci/Mitra. Kytzia/Hígia 03/2021

Texto

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03/2021

Hígia, Nix, Inari, Isis, Mahadeva, Lilith

Hígia

Taci/Mitra

Kytzia/Hígia

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O que acontece quando você faz um pacto com seus amigos para ficar solteiro e nunca se apaixonar?

Bem, você tem o Pacto do Playboy.

Éramos amigos, ela e eu. Melhores amigos.

Era fácil.

Simples.

Confortável.

Essa era a nossa dinâmica.

Tínhamos um sistema.

Um entendimento.

Um acordo tácito.

Nós estávamos lá um para o outro nos bons e maus momentos. Tínhamos um vínculo inquebrável. Ninguém entendia nossa amizade. Porque um cara e uma garota não podiam ser

apenas melhores amigos sem que as emoções se envolvessem, certo?

Sem perceber, tudo mudou e eu estava experimentando todos esses novos sentimentos ...

Ciúmes.

Possessividade.

Ela é minha.

Sim…

Pela primeira vez na minha vida, Mila não era apenas uma garota em quem eu confiava e com quem saia regularmente.

Ela havia se tornado ...

… A mulher por quem eu estava apaixonado.

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PRÓLOGO

Leo

Lá estava eu...

Sentado em seu maldito balanço no meio da noite, congelando minhas bolas. Era outubro, e já fazia frio no Tennessee. Eu estava ali sentado durante a última hora, esperando.

Por ela.

Havíamos passado metade de nossas vidas neste mesmo balanço, eu a empurrando, falando sobre nada... e tudo.

Essa era a nossa amizade.

Nossa dinâmica.

Nosso relacionamento.

Éramos amigos – melhores amigos.

Era fácil.

Simples.

Confortável.

Como Donna e David1, Cory e Topanga2, Monica e Chandler3 – não sei por que estava comparando nossa amizade a um monte de séries femininas de TV dos anos 90, mas aqui estávamos. Ela me fez

1 Personagens de Beverly Hills, 90210 - no Brasil: Barrados no Baile.

2 Personagens de Boy Meets World. No Brasil: O mundo é dos Jovens.

3 Personagens de Friends, série de tv dos EUA.

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assistir a todas no Hulu4. Foda-se minha vida.

Ela era minha vizinha desde que eu conseguia me lembrar. A pessoa com quem eu contava que estaria lá para mim, além dos meus outros três melhores amigos, que eram mais como uma família também. A diferença entre ela e eles...

Ela tinha seios.

Uma bunda.

Uma boceta que eu queria ter montada no meu rosto.

Eu sei, eu sei, muito vulgar. Mas ei, esse era eu. Eu era um garoto, um cara, eu coçava minhas bolas e forçava arrotos. Eu era um homem que dizia e fazia o que queria. Sem perguntas.

Eu não fiz a longo prazo.

Eu não me comprometi.

Eu não me apaixonei.

Eu fiz sexo.

Tive casos por aí.

Eu arei minha ferramenta em qualquer jardim que precisasse de uma boa capina.

Para colocar em termos leigos, eu fodi.

Muito.

Eu gostava de transar. Eu era muito bom nisso, e minha

4 Rival da Netflix, o Hulu é um serviço de streaming que oferece acesso a programas ao vivo e on-demand.

A plataforma também conta com séries e filmes originais.

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reputação me precedia. Na verdade, meu grande pau era o assunto da cidade. Leo pau grande, era como todos me conheciam. Na verdade, não, mas um cara pode sonhar. Não corte o meu barato, ok? Esta é a minha história e na minha história meu pau é rei.

Mila viu quem eu era, como eu era. Nunca foi um problema ou um entrave, mais um revirar de olhos e um aceno de cabeça.

Ela me aceitava.

Inferno, ela até me ajudava a conseguir garotas e sexo às vezes.

Ela era a melhor wing woman5, melhor do que meus meninos. Merda, nossa dinâmica funcionava de mãos dadas. Eu a ajudava a conseguir caras, transar, sair em encontros.

Tínhamos um sistema.

Um entendimento.

Um acordo tácito.

Estávamos lá um para o outro, no melhor e no pior. Nada poderia romper nosso forte vínculo.

Pelo menos eu pensava assim.

Tudo estava bem.

Perfeito.

Sem drama.

Sem besteira.

Apenas Leo e Mila.

5 Wing woman é uma mulher que entra em uma situação social com o propósito de ajudar o amigo ou os amigos com quem ela está a conhecer outras mulheres.

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Mila e Leo.

Até que ela começou a namorar um dos meus meninos. Sim, um dos três melhores amigos de quem acabei de falar. Ele me pediu permissão, mas isso não importava. Ela não era minha. Eu não a reivindiquei.

Éramos apenas melhores amigos. No entanto, um cara e uma garota não podiam simplesmente serem próximos sem que as emoções se envolvessem, certo?

Ciúmes.

Possessividade.

Minha.

Sim, eu senti tudo isso. Pela primeira vez na minha vida, Mila não era apenas uma garota em quem eu confiava e com quem convivia regularmente.

Ela se tornou...

A mulher por quem eu estava apaixonado.

Eu estava pronto para quebrar o todo poderoso Pacto do Playboy.

Aquele que criei, apoiei e vivi desde os meus dezesseis anos.

Durante os últimos seis anos da minha vida, foi o meu código.

Minha diretriz.

Representava lealdade aos meus outros três melhores amigos, de permanecer solteiro e nunca se apaixonar.

Foi ideia minha.

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Que brilhante ideia fodida!

Para formar a unidade.

Um vínculo que nunca poderia ser rompido. Uma conexão tão forte que nenhuma garota jamais poderia se meter entre nós.

Deus, pareço um maldito maricas.

Para explicar, eu teria que voltar ao início. O início daquela noite fatídica, todos aqueles anos atrás, a noite que mudaria o curso de nossas vidas e me faria estar sentado em um balanço no meio da noite, minhas bolas agora completamente dormentes de estar há tanto tempo sentado neste balanço frio.

Esperando...

Por ela.

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CAPÍTULO 01

Mila

Seis anos atrás

—Como ele está? —Perguntei ao meu melhor amigo, Leo, sentada ao lado dele no sofá, que mais parecia uma cama, em sua cabana enquanto ele jogava Halo no Xbox.

Ele e seu pai passaram meses construindo esta cabana em suas terras. Eles possuíam oito hectares cheios de belas árvores e vegetação. A casa deles era enorme, uma equipe completa era necessária apenas para manter o paisagismo. O pai de Leo era o melhor empreiteiro geral em nossa pequena cidade de Monteagle, Tennessee. Todos sabiam a quem pertencia o Mountainside Building.

Ele tinha mais trabalho do que conseguia executar, e os trabalhos se acumulavam diariamente.

Era por isso que ele quase nunca estava por perto, e eu tinha certeza que foi por isso que ele satisfez Leo e construiu esta cabana para que ele tivesse um lugar onde todos pudéssemos ficar.

Estávamos do outro lado das terras de seus pais. Poderíamos literalmente fazer qualquer coisa e eles nunca saberiam. Leo era filho único e mimado por causa disso.

Nós a chamávamos de casa na árvore, por ser cercada por inúmeras árvores. Era maior do que uma casa na árvore, mas ainda meio que construída como uma. Tinha cerca de sessenta metros quadrados. Quando você entrava, sentia a vibração vintage que Leo queria. Ele tinha um apreço por coisas retro. A cabana era um grande

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espaço aberto e a cozinha ficava à esquerda da porta da frente.

Armários vintage de metal turquesa e uma ilha em forma de asa de avião que Leo se inspirou em um avião dos anos 1950 eram o que primeiro chamava a atenção. Havia um fogão e forno de tamanho normal, geladeira de tamanho médio e micro-ondas. A cozinha estava totalmente abastecida com tudo de que precisávamos, de potes e panelas até pratos e talheres.

A sala de estar ficava no meio do espaço aberto e era tão colorida quanto a cozinha, com paredes de madeira, decorações coloridas e detalhes. A maçã não caiu longe da árvore nos genes Hawkins, Leo tinha um olho para construir como seu pai, avô e bisavô. Ele veio de uma longa linha de carpinteiros. Uma TV de tela plana ficava acima da lareira a gás e o sofá era um sofá-cama que se transformava em um colchão queen-size, com uma mesa de centro entre ele e a televisão.

À direita da porta da frente, havia um banheiro e um quarto ao lado, que tinha sua própria TV de tela plana e cama queen-size, e que era o quarto de transar, eu tinha certeza. Este lugar era definitivamente um salão de festas.

Um dos meus lugares favoritos na casa da árvore era a escada que ficava à direita da televisão. Havia um pequeno recanto acima, com uma cama e uma janela, que dava para a floresta que engolia a cabana. As portas de vidro que levavam à varanda, banheira de hidromassagem e deck inferior era outro dos meus lugares favoritos.

Ficava bem entre o quarto e a sala de estar, onde podia-se ver mais uma vez a floresta que era tão cênica quanto a própria casa da árvore.

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Leo construiu um espaço com cinco espreguiçadeiras verdes e uma lareira externa6 para fazer s'mores7. Parecia que você estava acampando quando saía. Ao lado, havia um balanço que ele disse ser para mim. Eu tinha um playground, onde crescemos brincando, construído na minha varanda dos fundos, e Leo passava horas me empurrando naqueles balanços.

Era algo só nosso.

—Os pais dele estão se divorciando, Lala. É como um chute nas bolas.

Ele me chamava de Lala desde que usávamos fraldas. Ele não conseguia pronunciar Mila quando éramos bebês, e ficou Lala.

—Sim... —Suspirei. —Eu me sinto mal por ele.

—Vamos fazer ele transar esta noite, vai ajudar a amenizar isso. —Ele se inclinou para a esquerda, apertando o botão em seu controle para que mais munição explodisse na tela da televisão.

Eu balancei minha cabeça. —Então sexo resolve tudo?

—Por um minuto, sim.

—Um minuto? Isso é tudo que você pode aguentar, Leo? — Balancei minha cabeça novamente, sorrindo largamente. Eu podia vê- lo olhando para mim pelo canto dos olhos com diversão em seu olhar.

É assim que éramos um com o outro. Ninguém em nossa

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7 S'more é um petisco tradicional para fogueiras noturnas popular nos Estados Unidos e no Canadá, consistindo de um marshmallow assado no fogo e uma camada de chocolate entre duas fatias de graham cracker.

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escola entendia nossa amizade. Todos pensavam que estávamos transando a portas fechadas, mas não era assim para nós. Éramos vizinhos e crescemos juntos. Nossas mães ficaram grávidas ao mesmo tempo e se uniram por isso. Desde então, passamos a maior parte do nosso tempo juntos. Eu não conhecia uma vida sem Leo.

Éramos melhores amigos.

—Um minuto é o tempo médio que leva para um homem pensar em algo sexual, então sim. Parece certo. —Ele sorriu para mim, e eu revirei os olhos.

—Sinceramente, não sei quem é pior entre vocês quatro.

—Bem... —Ele hesitou, concentrando-se em sua tarefa.

Atirando no rosto de três oponentes antes de continuar: —Depende de para quem você pergunta. Se você perguntar a alguma mulher nesta região do Tennessee? Definitivamente sou eu. —Ele fez uma nova pausa, murmurando baixinho. —Maricas idiotas. —Referindo- se ao seu jogo. —Agora, se você perguntar aos caras do colégio adversário, então é Cain, porque todo mundo sabe que ele fode qualquer coisa que anda.

—Mano. —Cain interrompeu, entrando na cabana com Ashton e Sawyer logo atrás dele. —Eu me sinto insultado com isso.

Não fodo as calouras. Elas ficam muito pegajosas para o meu gosto.

—Ele pegou um refrigerante na geladeira.

Enquanto Sawyer argumentava. —E aquela caloura, Laura, com quem você trepou no mês passado?

Cain olhou para o teto, estreitando os olhos como se estivesse pensando em algo. —Laura... hmmm... Laura... —Ele murmurou, balançando a cabeça. —Não. O nome não me diz nada. Eu não conheço nenhuma Laura.

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—E você acabou de provar meu ponto. —Leo entrou na conversa, me fazendo rir.

—Oh! Foda-me na próxima, Sr. Sabe Tudo. —Ashton insistiu, agarrando o outro controle da mesa de centro e apertando o botão para entrar no jogo.

Leo aprovou seu pedido, acrescentando: —Um cara que ainda está tentando encontrar seu pau.

Engasguei com minha bebida.

—Mila. —Ashton olhou para mim. —Por que não vamos para o outro quarto e você pode dizer a Leo como foi fácil encontrar meu pau porque ele é enorme pra caralho.

—Uhhh... —Eu zombei. —Posso pensar em cem outras coisas que prefiro fazer do que ver seu pau.

—Cem? Droga. —Ashton zombou. —Meu pau está ofendido.

Pode estar se escondendo agora.

Eu ri, não pude evitar. Esses caras eram hilários com suas constantes brincadeiras. Era assim que eles sempre me tratavam, como um deles. No entanto, Ashton, Sawyer e Cain não eram meus melhores amigos, eram de Leo, e eles constantemente questionavam nossa amizade também.

—Agora me sinto excluído. —Afirmou Sawyer, sentando-se na ilha da cozinha. —O que eu sou?

Leo matou mais dois inimigos e sorriu. —Você é bastante óbvio, idiota.

—O que isso quer dizer, babaca?

—Isso significa que, em qualquer lugar que formos, todo

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mundo conhece você. O destaque da festa, Sawyer. Normalmente bêbado, fazendo merda e brincando com mais de uma garota por noite.

Sawyer encolheu os ombros. —Não posso deixar de gravitar em direção ao centro das atenções. É natural para mim. Além disso, as meninas se jogam em mim. Que porra devo fazer, dizer não? Eu não sou um maricas como você.

—Sawyer! —Leo exclamou. —Eu não posso nem cruzar os limites do condado em direção a Tullahoma para fazer caminhadas sem me preocupar se meus pneus serão cortados porque você pensou que era uma boa ideia transar com irmãs gêmeas.

—Ei! Você disse para eu ir em frente!

—Só se você estivesse pronto para lidar com as consequências.

Merda! —Leo jogou seu controle na mesa de centro. —Seus idiotas, acabaram de me fazer perder.

—Você perdeu porque eu comecei a jogar e te dei uma surra.

—Ashton rebateu, inclinando-se para a esquerda, tentando derrubar seu próximo oponente.

—O fato de vocês jogarem videogame como se ainda estivéssemos no ensino médio deveria ser o maior problema aqui. — Tomei outro gole do meu chá doce.

—Jogando videogame? —Cain questionou, me olhando de lado. —Estamos salvando o mundo, um jogo de cada vez.

—O quê? —Eu o desafiei. —Isso nem sequer faz sentido.

Ashton bateu na minha perna com o joelho. —Faz todo o sentido, Mila. Estamos nos preparando para a invasão de zumbis.

—Oh meu Deus. —Eu murmurei. Eu já tinha ouvido falar

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sobre a invasão de zumbis. —Os zumbis não estão invadindo. Sabe de uma coisa? —Eu estendi minha mão na minha frente. —O único de vocês que posso suportar é o Sawyer.

—Não sei por quê. —Disse Leo. —No ano passado, ele dormiu com a única amiga que você tem, ou teve...

Cain defendeu Sawyer. —Ela era gostosa. Além do mais, Mila, isso foi meio que sua culpa, dissemos que não era uma boa ideia ter uma amiga. Você começou a trazê-la e era apenas uma questão de tempo antes que um de nós a pegasse.

—Até parece que foi forçada. —Acrescentou Ashton.

—Eu odeio todos vocês. —Comentei em tom de brincadeira.

—Não tenho amigas por causa da reputação de vocês. Elas não confiam em mim.

—Desculpe não lamentar. —Cain se desculpou um pouco.

Respirei fundo, mudando de assunto. —Pelo menos parece que você está lidando bem com a separação, Cain. Sinto muito pelos seus pais.

Seu comportamento mudou imediatamente e me arrependi de ter mencionado isso.

Ashton acenou para mim. —Que jeito de matar o clima, Mila.

—Sinto muito, Cain. Eu não queria...

—Tenho uma ótima ideia. —Leo declarou do nada, trazendo nossa atenção para ele.

Foi um daqueles momentos em que você sabia que algo estava prestes a acontecer. Eu nunca imaginei que as próximas palavras que saíram de sua boca teriam um impacto tão grande em todos nós.

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Principalmente em mim.

Leo

Eu odiava ver meu amigo sofrendo. Era óbvio que ele estava sofrendo e tentando fingir que não estava. Eu queria apoiá-lo, ser um bom amigo. Cain era mais como meu irmão.

Todos eles eram.

—Por que sinto que o que você está prestes a dizer mudará sua vida? —Mila reconheceu.

Eu olhei para ela. —Porque, minha adorável Lala, você sabe que sou mais sábio do que pareço.

—Você ainda acha que James Bond é uma pessoa real.

—Ele não está pronto para falar sobre Sean Connery, Mila.

Nenhum de nós está. —Explicou Sawyer.

—É muito cedo. —Acrescentou Ashton.

—Oh meu Deus. Estou cercada de idiotas. Quantas vezes preciso dizer que Sean Connery é ator? Ele não é James Bond.

Nossos olhos se arregalaram.

—Nunca mais diga isso! —Cain ordenou em um tom ofendido.

—Respeite os mortos! —Ashton exigiu, seguindo seu

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exemplo.

—Pessoal! —Balancei minha cabeça. —Eu estava tendo um momento aqui. Posso continuar?

Os caras assentiram enquanto voltavam sua atenção para mim.

Olhei para os meus meninos e, sem qualquer hesitação, disse as quatro palavras que mudariam o futuro de nossas vidas. —Vamos fazer um pacto.

Eles olharam para mim como se eu estivesse louco e ei... talvez eu estivesse. Tudo que eu sabia era que esses caras eram como minha família e eu iria me certificar de que continuaríamos assim.

—Que tipo de pacto? —Ashton perguntou.

—Um para toda a vida. O Pacto do Playboy. —Respondi.

Cain riu. —Você parece uma garota carente.

Quando você tem dezesseis anos, acha que sabe tudo, nós não sabíamos.

Com certeza, não.

Achei que o que eu estava prestes a dizer iria garantir que nos manteríamos juntos, não importando as garotas que pudessem entrar em nossas vidas. Mila não contava. Ela era minha melhor amiga e ponto final.

Eu concordei. —Amigos antes das mulheres.

—Caras antes de mentiras. —Disse Sawyer.

—Masturbar-se antes de pedir uma garota em namoro. — Ashton sorriu.

—Paus antes de seios. —Cain afirmou.

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—E vamos nos certificar disso. —Declarei, finalmente anunciando o que pensava ser do nosso melhor interesse. —Faremos um pacto para permanecermos solteiros e nunca nos apaixonarmos.

Nem uma vez pensando que minha garota Mila...

Faria com que eu me arrependesse daquelas palavras que pareciam tão certas na hora.

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CAPÍTULO 02

Leo Presente

—Você pode se apressar e terminar de desfazer as malas? — Eu implorei, deitado na cama de Mila na casa que alugamos com os caras.

Era uma propriedade de cinco quartos à beira-mar na praia, com uma piscina com borda infinita, banheira de hidromassagem e uma equipe completa para cozinhar para nós sempre que quiséssemos. Eu nem mesmo teria que tentar transar. Tudo o que eu tinha que fazer era encontrar uma garota na praia, apontar para onde estávamos hospedados, e a calcinha cairia em um segundo.

Na semana seguinte, estaríamos vivendo a boa vida em Cancún, graças aos meus pais. Era parte do presente de formatura deles para mim. Em poucos meses, estaríamos nos formando na faculdade e eu começaria a estagiar na empresa do meu pai.

Desde o dia em que nasci, minha vida estava planejada para mim.

—Lala, estou envelhecendo aqui. Por que você precisa desfazer as malas quando chegamos aos lugares? Quero dizer, suas coisas não vão a lugar nenhum. Ainda estarão bem ali na sua mala pela manhã. Eu prometo.

—Eu não sou um menino nojento como vocês. Eu preciso de ordem na minha vida. Graças a Deus, há uma empregada aqui para

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ajudar a limpar depois de você e seu rebanho de mulheres.

Cain entrou em seu quarto, apontando para a varanda. —Há um bando de mulheres se bronzeando fazendo topless na praia enquanto você fala, Mila. —Ele sorriu, apenas olhando para ela. — Então, vamos ver seus seios nesta viagem também?

—Eu ouvi que quando elas estão sem blusa são chamadas de gado... —Ela inclinou a cabeça para o lado. —Ou talvez sejam galinhas? Eu sempre confundo.

—Ou poderíamos apenas chamá-las de bocetas. — Acrescentou Ashton, entrando, indo direto para a varanda para ver os peitos em exibição.

Sawyer encostou-se no batente da porta, dando sua opinião.

—Eu prefiro uma boceta molhada, obrigado.

Mila balançou a cabeça. Com um sorriso no rosto, ela acenou para Cain. —Eu agradeço que você reconheça que tenho peitos, mas não o suficiente para compartilhá-los com você e o resto da multidão das férias de primavera.

—Você é tão deprimente, Mila. Você precisa deixar essas belezinhas respirarem, sabe? Dê uma volta pela pista de dança com eles, deixe-os trazer todos os meninos para o seu quintal8.

Ela balançou a cabeça para Cain novamente. —Eu me dou bem sem ter que mostrar meus seios, mas obrigada por sua preocupação. Vou levar isso em consideração ummmm... nunca.

Eu ri, me levantando. —Tudo bem, estou arrastando você para fora deste quarto, Mila. Você pode desfazer as malas mais tarde ou amanhã, ou Deus me livre, não arrumar nada.

8 Trecho da música Milkshake, de Kelis. Refere-se a atrair a atenção dos garotos.

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—Leo...

—Eu sei, eu sei, a imitação barata.

—Ei! —Ashton bateu palmas. —Eu tenho uma ideia. Vamos todos tomar Viagra e agitar com nossos paus para fora.

—O quê? —Eu respondi, sacudindo a cabeça.

—Viagra. Você conhece aquela pílula que faz você ficar duro por...

—Eu sei o que é, idiota.

—Bem. —Ele jogou um na boca. —Você tem quatro horas para beber até cair e ainda foder como um Deus.

Os olhos dela se arregalaram e Ashton balançou a cabeça.

—Não me julgue, peitos egoístas. Não vou ficar aqui por muito tempo, estou aqui para me divertir, e sei como um pau bêbado pode realmente estragar o clima. Estou aqui para festejar e só estou cuidando do meu garoto. Ele precisa ter um bom desempenho e precisa fazer um trabalho muito bom nisso. Tenho uma reputação a manter.

—Oh. Meu. Deus. —Mila exclamou. —Em que eu me meti?

Eu sorri, piscando para ela. Falando a verdade. —O melhor momento da sua vida, Lala.

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Mila

Mais tarde naquela noite, nós ficamos no bar bebendo até que vi uma garota que eu sabia ser o tipo de Leo.

Ao ataque.

—Uau. —Eu fiquei na frente dela. —Eu realmente amei o seu top. Onde você o conseguiu?

—Oh, obrigada. —Ela sorriu. —Eu o tenho desde sempre.

—Fica incrível em você. A propósito, sou Mila e este é meu amigo Leo.

Eles se olharam.

Leo estava sentado na banqueta do bar com os cotovelos apoiados no balcão, olhando para ela como se ela fosse a única mulher no local. Era uma expressão que eu via com frequência, e sempre era uma loucura como essas garotas simplesmente a engoliam como se nenhum homem nunca tivesse olhado para elas como ele naquele momento.

Era lamentável.

Verdadeiramente, absolutamente, lamentável.

Ela nunca teve uma chance.

—Oi. —Ela estendeu a mão. —Eu sou Mattie.

—Eu sei quem você é, baby.

Ela riu ao ouvir o termo carinhoso.

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Ugh!

Ele chamava todas as suas conquistas de baby. Elas pensavam que ele estava sendo doce quando, na realidade, ele já tinha esquecido o nome delas. Na verdade... eu nem acho que ele prestou atenção no que ela acabou de dizer, ele estava muito ocupado pensando em como ela ficaria quando estivesse montando em seu pau.

—Paga-me uma bebida?

—Que tal uma dança?

Seu sorriso cresceu. Mais uma vez, ela pensou que ele estava genuinamente interessado em mais do que o que havia entre suas pernas, porque ele a estava convidando para dançar. Tudo o que ele queria fazer era ter certeza de que ela poderia se esfregar em seu pau do jeito que ele gostava.

Leo era exigente.

Ele tinha padrões para as mulheres com quem dormia. Em outras palavras, ele era um porco.

—Eu adoraria dançar com você. —Ela praticamente ofegou.

Ele não vacilou, levantando-se e agarrando a mão dela, levando-a para a pista de dança. Observei por alguns segundos antes de Cain lançar seu braço ao redor do meu corpo, puxando-me para o seu lado.

—Mila, você é a melhor wing woman de todos os tempos. —Ele reconheceu. —Deixe-me pagar-lhe uma bebida.

—Eu não vou fazer sexo com você, Cain.

Ele colocou a mão no peito. —Estou ofendido. Um cara não pode simplesmente pagar uma bebida para uma garota?

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—Sim. Um cara pode, não um prostituto como você.

Ele olhou ao redor, olhando para Leo e depois para Ashton, que já estava beijando uma menina aleatória no canto do bar.

—Não vou ficar aqui com você enquanto seu melhor amigo vai foder por aí e Ashton...

—Pega herpes.

—Morda a língua, Mila. Isso não é um presente com segundas intenções.

Eu ri e revirei os olhos. —Vou tomar um...

—Margarita com tequila Don Julio e sal na borda.

Eu recuei, surpresa. —Você sabe o que eu bebo?

—Eu só ouvi você pedir cerca de mil vezes.

—Huh, interessante. Considerando que a maior parte do tempo sua língua está enfiada na garganta de alguém enquanto eu peço minhas bebidas.

—O que posso dizer? —Ele encolheu os ombros. —Sou um ótimo multitarefa.

Eu ri.

—Não, sério, está no meu currículo.

—Isso está próximo ao seu baixo QI?

—Na verdade, está, mas o tamanho e a circunferência do meu pau na frase abaixo compensam.

—Estou vendo.

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Ele sorriu. —Mila, você ainda não viu nada.

Eu não tinha certeza de quanto tempo se passou, mas juro que a noite voou em alta velocidade e antes que eu percebesse, estava bêbada, chapada, embriagada, rindo pra caralho das palhaçadas de Cain enquanto caminhávamos para onde quer que estávamos indo.

Ele abriu a porta para mim. —Oh, que cavalheiro.

—Eu faço o que posso.

Eu entrei bem quando Leo descia as escadas.

—Leo! —Eu joguei meus braços em volta do pescoço dele. — Você está aqui! Nós estamos aqui! Isso é tão incrível! Vamos beber alguma coisa!

—Eu acho que você já bebeu bastante. —Ele declarou em um tom sério.

—Bobagem! —Eu me afastei, olhando em seus olhos. —Leo, por que você tem três cabeças? —Eu apontei para elas. —Uma, duas, três... você pode, por favor, parar de balançar? Estou tentando contar aqui.

—Definitivamente é você que está balançando, Mila.

—Por que você está sendo o cocô dos cocôs da festa? Você é o rei da festa do cocô!

—Puta merda. —Ele zombou, olhando para Cain. —Quanto você a deixou beber?

Eu recuei. —Uau. —Agarrando a parede como suporte porque o chão estava se movendo, lembrei: —Ele não me deixou fazer nada, senhor. Eu sou uma mulher independente que faz o que quer. Você entende as palavras que estão saindo da minha boca?

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—Você está? —Leo rebateu.

—Sim, eu estou. Eu acabei de dizer... —Eu coloquei a mão sobre minha barriga, de repente me sentindo enjoada. —Ugh, acho que vou vomitar. —Me arrastando pelo corredor, gritei: —Onde é o banheiro? Eu preciso do banheiro!

Sawyer abriu a porta e eu estava de joelhos na frente do vaso sanitário me despejando antes que pudesse evitar. Fiquei lá com a cabeça apoiada no assento pelo que pareceram horas, mas provavelmente foram apenas alguns minutos.

—Você está bem? —Leo questionou, entrando no banheiro, fechando a porta atrás de si.

—Acho que vomitei meu fígado.

Ele riu, movendo lentamente minha cabeça e corpo sobre seu peito antes de me deitar suavemente sobre o que parecia ser um cobertor e travesseiro.

—Acho que estou morrendo.

—Você não está morrendo, mas definitivamente vai ficar de ressaca amanhã.

—Ugh... faça o banheiro parar de girar.

Ele agarrou meu pé e o colocou no azulejo. —Isso deve ajudar.

Vai fazer parecer que você está em terreno sólido.

—Como você sabe?

—Já estive na mesma situação muitas vezes, Lala.

—Obrigada. —Eu olhei para ele. —Você pode voltar para Katie ou Maddy ou qualquer que seja o nome dela.

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—Achei que o nome dela fosse Meagan.

—Bem, você pode voltar para a Meagan.

—Eu estou bem. Prefiro estar aqui com você.

—Você já transou?

—Sim, já a esqueci.

—Ela foi bem?

—É. Ela foi legal.

—Não abalou o seu mundo?

—Não, mas eu arrasei com ela. Ela está desmaiada.

—Porco arrogante.

—O quê? Fui um cavalheiro, eu a fiz gozar primeiro.

—Você é apenas um Casanova9 normal, Leo Hawkins.

—Eu procuro agradar. Com sorte, ela vai acordar e ir embora e então eu posso evitar toda a situação da manhã seguinte.

—Você é horrível.

—Mas você me ama de qualquer maneira.

—Não sei por quê.

—Porque eu sou incrível.

—Ugh, acho que vou vomitar de novo. —Ele me ajudou a sentar e eu vomitei mais no vaso.

E foi assim que passamos nossa primeira noite das férias de

9 Um homem conhecido por seduzir mulheres e ter muitas amantes

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primavera. Eu com a cara enfiada no vaso sanitário, enquanto Leo segurava meu cabelo e esfregava minhas costas...

Ficando comigo a noite inteira.

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CAPÍTULO 03

Leo

Na manhã seguinte, entreguei a Mila três ibuprofenos com um copo d'água. —Aqui. Certifique-se de beber tudo isso.

—Ugh... minha cabeça está latejando. —Sua mão foi de sua cabeça para o colchão ao seu redor. —Estou na minha cama?

—Sim.

—Como eu cheguei aqui?

—Eu carreguei você.

—Por que não me lembro disso?

—Você ficou inconsciente.

Ela sentou-se, pegando os comprimidos e o copo de minhas mãos. —Por que estou apenas de biquíni?

—Você vomitou em si mesma. Na verdade, você vomitou em nós dois.

Seus olhos se arregalaram enquanto ela engolia os analgésicos.

—Oh cara, eu sinto muito, Leo.

—Você fica me devendo.

Ela realmente não me devia nada. Mila tinha estado lá para mim muitas vezes ao longo dos anos, especialmente quando éramos mais jovens e eu não conhecia meus limites.

—Obrigada por cuidar de mim.

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—Você é a única mulher por quem eu faria isso.

—Você realmente tem que superar esse pacto estúpido ou vai acabar um velho solitário.

Nos últimos meses, ela repetidamente mencionava nosso pacto, e eu não conseguia entender por que ela estava preocupada com isso depois de todos esses anos.

—Funcionou para Hugh Hefner10.

—Ele tinha companheiras de brincadeira e também acho que acabou se casando com pelo menos uma delas.

—Eu tenho uma lista de mulheres, Mila. Não vou ficar sozinho tão cedo.

Ela revirou os olhos, terminando a água, e então colocou o copo na mesa de cabeceira. —Esta conversa está me dando mais dor de cabeça.

Eu ri. —Venha aqui. —Deitando na cama ao lado dela, puxei sua cabeça e peito sobre meu peito para esfregar sua cabeça. — Melhor?

—Oh meu Deus. —Ela gemeu alto. —Isso é incrível. Você é muito bom para mim.

—Pessoal! Está acontecendo! Finalmente está acontecendo!

—Ashton irrompeu pela porta. —Leo criou bolas e está pegando Mila!

—Eles estão finalmente fodendo? —Sawyer questionou, correndo para o quarto dela com Cain em seus calcanhares.

10 Fundador da revista Playboy, que vivia cercado de mulheres e relacionava-se com várias ao mesmo tempo.

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Cain olhou para nós e balançou a cabeça. —Mano, que porra amorosa é essa? Você está esfregando a cabeça dela como um maricas sem ser porque ela está fazendo um boquete?

—Ele é meu melhor amigo. —Ela respondeu. —Não é assim que funciona para nós e você sabe disso... Todos vocês sabem disso.

—Tanto faz. —Ashton caminhou até a varanda, ficou lá por alguns segundos e quando se virou, seu pau estava em posição de sentido.

—Cara. —Sawyer expressou o que todos estávamos pensando, enquanto Mila abaixou o rosto na dobra do meu braço. — Por que você está duro agora?

Ele olhou para seu pau e deu de ombros. —A merda do Viagra.

—Explique. —Eu disse, confuso com o que estava acontecendo. Considerando que se tratava de Ashton, não era nenhuma novidade.

—Bem... o que aconteceu foi que eu trouxe a garota com quem eu estava saindo ontem à noite e estávamos nos agarrando, estava tudo bem. Seus seios eram bons, sua boceta estava molhada...

—Ashton! —Mila interrompeu. —Eu não preciso dos detalhes.

—Tudo bem. Tirei uma camisinha para levá-la aos céus e ela começou a me dizer que era uma acompanhante e que custaria mil dólares.

Todos nós caímos na gargalhada, incluindo Mila. Eu ri tanto que meu estômago doeu e meus olhos ficaram cheios de lágrimas.

—Ei! —Ashton gritou. —Seus idiotas insensíveis!

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—Você fez sexo com uma prostituta? —Cain exclamou, segurando sua barriga de tanto rir, como todos nós.

—Não... eu não tenho esse dinheiro. Ofereci a ela cem dólares e ela me deu um tapa e foi embora. —Ele apontou para seu pau. — E este é o resultado da falta de sexo e de cinquenta miligramas de Viagra. Vou ficar duro o dia todo. Mas sabe de uma coisa? Eu tenho um bom pau. Estou abraçando isso.

Sawyer riu. —Você vai ser preso por atentado ao pudor e eu não tenho dinheiro para fiança.

—Eu tenho o Leo. Seus pais são cheios da grana.

—Não vou ligar para meus pais para tirar você e seu pau da prisão, idiota.

—Sabem de uma coisa? Não aprecio o tom de vocês. Vou descer para a praia para encontrar uma mulher que não seja uma acompanhante e que queira montar no meu pau. De graça.

Assim que os meninos foram embora, Mila anunciou: —E esses são os melhores amigos pelos quais você vai viver uma vida solitária.

—Qual é o seu problema com o pacto? Nunca incomodou você antes.

—Não me incomoda agora.

—Tenho que discordar, você está me enchendo o saco por causa disso.

Ela sentou-se. —Eu não estou enchendo o saco com nada, Leo. Só acho que é meio estúpido e um pouco egoísta. O que acontecerá se Ashton for lá fora e encontrar o amor de sua vida? O que acontecerá se Sawyer e Cain encontrarem o deles? Todos devem

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apenas escolher esse pacto que você fez por capricho, quando éramos crianças, em vez do amor? Eu simplesmente não entendo e não quero ver meu melhor amigo morrer sozinho. Isso é tão ruim assim?

—Eu não vou morrer sozinho. Eu tenho os meninos e você vai estar no asilo comigo, me irritando pra caralho, meio como você está agora.

Eu me levantei e ela agarrou meu braço.

Mila

—Ei! Eu não estou tentando te chatear. Eu só... vejo todas essas grandes qualidades em você, ok? Eu sei que você faria alguém realmente feliz um dia se você baixasse a guarda e permitisse.

—Que guarda? Não tenho guarda.

—Você está brincando? Você a ergueu agora mesmo, e eu sou sua melhor amiga.

—Lala, você está de ressaca e está confundindo suas emoções com as minhas. Não quero uma namorada, não quero me casar, e nenhuma parte de mim quer lidar com essa besteira.

—Certo... Por que você faria isso, quando seus pais estão guiando sua vida por você? —Ele recuou e eu imediatamente me arrependi da escolha de palavras.

—Uau. Diga-me como você realmente se sente.

—Estou apenas dizendo

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—Eu vou descer para a praia. Melhoras, ok?

—Leo...

Ele recuou e foi embora e eu passei o resto da manhã na cama me curando da minha ressaca, tentando descobrir o que me fez dizer aquelas coisas para ele. Depois que comecei a me sentir um pouco normal, tomei um banho, comi um pouco e fui procurá-lo. Quando encontrei Leo, ele estava deitado em uma espreguiçadeira com os braços atrás da cabeça. Uma garota estava montada em sua cintura.

Ele parecia feliz.

Contente.

Talvez eu estivesse errada?

Talvez fosse isso que ele queria, e eu não poderia culpá-lo por isso. Respirando fundo, eu me afastei...

Mas ainda havia uma pequena parte de mim que sabia que Leo merecia mais do que aquilo pelo que ele estava se contentando.

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CAPÍTULO 04

Mila

—Ei, você está pronta? —Leo perguntou, entrando no banheiro da suíte no meu quarto de nossa casa alugada em Cancún, alguns dias depois.

—Sim, eu estarei em uns cinco minutos. Só estou terminando minha maquiagem.

—Você não precisa de maquiagem.

—Você diz isso desde que eu tinha treze anos.

—E vou continuar a dizer isso até que eu não tenha mais que esperar você fazer sua maquiagem.

Eu sorri, olhando para ele pelo espelho. Tínhamos mais três dias na ilha, e eu estava absorvendo tudo o que podia. As finais estavam chegando e iam acabar comigo. Eu estava animada para concluir meu bacharelado em psicologia e começar o próximo capítulo da minha vida. Eu ainda não tinha contado a meus pais ou a Leo que estava me inscrevendo em escolas fora do estado para meu programa de pós-graduação. Eu queria uma mudança de ares.

Uma drástica.

Eu nasci e cresci no Tennessee e estava pronta para uma vibe diferente.

—Você pode se apressar? Os caras estão prontos.

—Para onde vamos?

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—Não tenho certeza. Ashton disse algo sobre um cara que está dando uma festa em sua casa.

—Huh, então vamos para a casa de um estranho em um país estrangeiro?

—Precisamente, então se apresse.

Através do espelho, eu acenei para ele. —Você pode pegar meu colar? Está na gaveta, ao lado da cama.

Enquanto esperava que ele me ajudasse a colocar minhas joias, terminei meu delineador. Decidi no último segundo fazer um delineado de gatinho para acentuar meus olhos castanhos escuros.

—Este é um daqueles aumentadores de lábios que vejo nos anúncios do Instagram?

Eu não prestei atenção em sua pergunta até que ouvi um zumbido alto vindo do quarto.

Oh, meu Deus, não...

Largando o lápis no balcão, eu corri para o quarto, observando com horror quando Leo tinha meu vibrador com sucção Sona 2 Cruise em seus lábios.

Eu nem mesmo o limpei depois de usá-lo há uma hora!

—Essa gaveta não! —Eu gritei com os olhos arregalados, meu rosto já queimando em um vermelho vivo.

—O quê?

—É para um conjunto diferente de lábios, seu idiota!

Ele inclinou a cabeça para o lado, me olhando com curiosidade. Não entendendo o que eu queria dizer.

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—Ai meu Deus, Leo! Tire meu vibrador da sua boca!

Foi a vez de seus olhos se arregalarem. Ele imediatamente o puxou de seus lábios com um estalo alto e eu juro que morri um milhão de mortes ali mesmo.

—Que porra você está fazendo com um vibrador?

—O que se faz com um vibrador, Leo?

—Nas férias de primavera?

—Ao contrário de você, eu não durmo por aí como se fosse um esporte. Por isso trouxe meu vibrador.

—Que porra?

Cobri meu rosto, espiando-o por entre os dedos. Não achei que pudesse ficar pior, mas de novo, eu estava errada.

Ele. Lambeu. Seus. Lábios.

Leo apenas lambeu os lábios.

Meu melhor amigo apenas lambeu os lábios.

—Leo! Você acabou de lamber minha boceta!

Leo

O que diabos eu respondo a isso?

Eu nem queria lamber meus lábios... não foi intencional, foi como se minha língua tivesse saído da minha boca por conta própria.

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Eu não tive controle sobre isso.

Simplesmente aconteceu.

Certo?

Era a Mila.

Minha melhor amiga!

Eu não queria lamber sua boceta, mas merda... por que tinha um gosto tão bom? Com o sabor dela ainda persistente na minha língua, olhei para o chão. Eu não conseguia olhar para ela, ela podia me ler como um livro, e eu não tinha ideia do que sentia. Era tudo tão conflitante e confuso, eu queria que o chão me engolisse inteiro.

Fodidos anúncios do Instagram!

Eu cocei minha nuca em um gesto embaraçoso.

—Eu tenho antisséptico bucal em algum lugar na minha bolsa.

—Ela ofereceu, e eu balancei a cabeça.

—Não vou mais mexer nas suas coisas, Lala. Com a minha sorte, vou acabar usando lubrificante ou alguma merda.

—Bem... se isso faz você se sentir melhor, seus lábios parecem mais carnudos.

Eu comecei a rir e ela seguiu o exemplo antes de nos olharmos fixamente.

—Eu realmente não sei o que dizer sobre o que acabou de acontecer, além de nunca falarmos sobre isso novamente.

—Combinado. —Ela concordou.

Com isso, ela voltou para o banheiro e, em seguida, jogou seu

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antisséptico bucal em mim. Eu o peguei em minhas mãos.

—Eu te encontro lá embaixo em alguns minutos.

Eu balancei a cabeça, embora ela não pudesse me ver. Olhando para o Listerine em minhas mãos por alguns segundos, coloquei-o sobre a mesa de cabeceira sem usá-lo.

Passei o resto da noite com o gosto da boceta de Mila na boca.

Por que eu não usei? Por que eu mantive o gosto da boceta de Mila na minha boca?

Tentei fingir que não era a primeira coisa em minha mente, a única coisa em minha mente, enquanto fazia o papel de seu wingman11.

—O cara que vem atrás de você é muito bonito. —Mila anunciou enquanto estávamos perto do bar na casa onde a festa estava acontecendo.

Eu me virei, batendo de propósito nele. —Ah, merda, cara.

Sinto muito, não vi você aí.

—Sem problemas.

Arqueando uma sobrancelha, acrescentei: —Você me parece familiar. Você é do Tennessee?

—Não, nunca estive lá.

—Você deveria visitar. Temos algumas belas mulheres no sul, ao contrário da minha amiga aqui, Mila. Mas sua personalidade espirituosa compensa sua aparência.

Ela riu, dando um tapa de brincadeira no meu braço.

11 Wingman é um termo utilizado para o papel que uma pessoa pode ter quando um amigo precisa de apoio para se aproximar de potenciais parceiros românticos. Um wingman é alguém que está "por dentro da situação" e é usado para ajudar um amigo a ser bem-sucedido em conquistas amorosas.

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Trazendo nossa atenção de volta para ele, ele comentou: —Ela me parece linda.

—Sim, ela é bonita. —Observei quando ele estendeu a mão para ela apertar.

—Olá, sou John.

Ela sorriu, apertando sua mão. —Prazer em conhecê-lo, John.

—Igualmente, Mila.

Eu reconheci a expressão em seu rosto, era a que ela fazia toda vez que conhecia um novo cara. Mila tinha o pior gosto para homens, e também sabia disso. Os dois únicos relacionamentos sérios que ela teve não terminaram bem. A maioria dos homens que ela namorou tinha um problema com a nossa amizade, eles não entendiam que éramos apenas melhores amigos e rapidamente deixaram claro que tinham um problema por sermos tão próximos.

Maricas inseguros.

—Você sabe. —Eu interrompi, atraindo sua atenção para mim. —Ela adora margaritas e sua personalidade se torna mais espirituosa quanto mais ela bebe.

—Que tal eu te pagar uma bebida então, Srta. Mila?

—Eu adoraria.

—Vamos para o outro bar, eu prefiro as bebidas dos bartenders de lá. —John agarrou a mão dela, liderando o caminho enquanto ela murmurava: —Obrigada. —Para mim e eu pisquei para ela.

O lugar estava lotado. Havia mais pessoas do que eu esperava, do que qualquer um de nós esperava. As mulheres mal estavam

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vestidas, usando principalmente biquínis e aquelas saídas de praia transparentes que tornavam o acesso muito fácil. Eu os observei desaparecer na multidão antes que Cain de repente estivesse ao meu lado.

—Esse cara parece um idiota de merda.

—Esse é o tipo dela. —Eu lembrei, sentando de volta na banqueta do bar, sinalizando para outra cerveja.

—Isso alguma vez te incomoda?

—O que me incomoda?

—Ajudar Mila a conseguir um pau.

—Ela geralmente não dorme com eles.

—Resposta interessante.

—Cale a boca, cara. Você sabe que não é assim entre nós.

—Eu?

—O que você está tentando dizer?

Ele encolheu os ombros. —Não sei. Mila é legal para uma garota. Ela bebe como nós, nos aguenta, está sempre lá aconteça o que acontecer. Essas são características muito legais para alguém que já viu como o seu pau é pequeno.

—Cara, vou tirar meu pau agora só para provar que você está errado.

—Nah, eu estou bem. Mas falando sério? Você nunca fica com ciúmes?

—Da Mila?

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—Não, da porra do Big Bird, sim, dos caras que estão com Mila.

—Você está bêbado agora? De onde diabos você tirou isso?

—Mano, estamos prestes a nos formar na faculdade e entrar no mundo real, onde temos que trabalhar de ressaca e lavar nossa própria roupa, em vez de levá-las para casa no fim de semana para nossas mães lavarem. Você sabe, adultos e essas merdas assim.

—Minha mãe ainda vai lavar minha roupa.

—Não me diga, você ainda mora em sua casa.

—Eu não moro na casa deles propriamente dita, moro na minha cabana.

—Em suas terras.

—É, semântica.

—E daí? Você não vai se mudar após a formatura?

—Para quê? Vou começar a trabalhar para meu pai.

—Você gosta mesmo de engenharia?

—É o que estará no meu diploma.

—Não foi isso que perguntei.

—O que há com você e as cinquenta perguntas?

—Não posso perguntar ao meu melhor amigo onde está a cabeça dele?

Eu estreitei meus olhos para ele. —Tudo bem, eu topo. Você sabe que meu velho quer que eu assuma os negócios dele, então é isso que estou fazendo.

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—É isso que você quer?

—Claro.

—Isso não soa como uma resposta legítima.

—Bem, é a única que tenho para você.

—Então talvez seja algo para se pensar. Ainda temos mais alguns meses para você encontrar sua paixão.

—Cara, você tomou um ecstasy? O que está acontecendo, de coração para coração?

Ele encolheu os ombros. —Você fez muito por mim, Leo. Só quero retribuir o favor. De todos os caras, você foi o que mais viu o que meus pais me fizeram passar com o divórcio. Passei a maior parte dos meus últimos dois anos do ensino médio em sua cabana apenas para fugir dos problemas deles. —Ele agarrou meu ombro. —Você estava lá para mim, cara, e eu nunca vou esquecer isso.

Era verdade. Cain estava todo fodido com seus pais constantemente brigando sobre quem recebia o quê no divórcio, quanto seria pago de pensão alimentícia, quem ficava com os filhos nos feriados e fins de semana. Foi uma confusão. Ele estava uma confusão. Não havia nada que eu pudesse fazer por ele, exceto oferecer meu apoio.

Se isso me ensinou alguma coisa...

Pode haver uma linha muito tênue entre amor e ódio. Uma que eu nunca quis cruzar.

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CAPÍTULO 05

Mila

—Cain! —Gritei sobre a música. —Você está bloqueando meu sol!

Estávamos em um catamarã para passar o dia. Era basicamente um cruzeiro de bebidas e eu estava deitada na rede da proa, tomando um pouco de sol.

—Este assento está ocupado?

Ele sentou-se. —Está agora.

Cain riu, entregando-me uma frozen margarita.

—Obrigada.

—De nada.

—O que você está fazendo aqui? Há garotas fazendo topless por toda parte, você deveria estar com as vadias de barco. Tipo onde Ashton e Sawyer estão agora.

—É, brincadeira de criança.

Eu ri. —Desde quando?

—Você acha tão difícil acreditar que gosto de falar com você?

—Hmm... não sei o que acho, mas já que você está aqui. — Entreguei a ele o óleo bronzeador. —Seja útil.

Ele sorriu, fazendo suas covinhas aparecerem. Sua mandíbula estava cerrada e havia um brilho em seus olhos como se ele estivesse

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se divertindo com a minha brincadeira.

—Você está me usando? Tão cedo?

Eu sorri, desamarrando meu top enquanto ainda estava deitada de bruços. —Faça o seu melhor.

Assim que suas mãos tocaram meus ombros, eu inadvertidamente gemi. —Droga, isso é bom.

—Eu procuro agradar.

—É o que você diz.

Ele sorriu, seus dentes brancos e alinhados brilhando com a luz do sol.

—O que você quer, Cain?

—Um cara não pode simplesmente dizer olá para sua amiga?

—Agora somos amigos? Quando isso aconteceu? Eu nem gosto muito de você.

—Depois de todos esses anos? —Ele colocou a mão sobre o coração em um gesto dramático. —Isso dói muito, Mila.

—Você é tão mentiroso. —Não pude deixar de sorrir. — Então é assim que funciona, hein? Não sei se devo ficar ofendida ou lisonjeada por você estar dando em cima de mim.

—Eu não estou dando em cima de você. Eu apenas tenho essa atração magnética. Acredite em mim, é uma bênção e uma maldição.

Eu revirei meus olhos.

Ele riu, um som gutural escapando de seus lábios. —Onde está Leo?

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—Ele foi mergulhar com uma garota.

—Você uh... você sabe... alguma vez já ficou com ciúmes?

—De quê? Leo e suas últimas conquistas?

—Sim.

—Não. Quero dizer, Leo está perseguindo bocetas desde que aprendemos a andar. É parte da personalidade dele.

—Então, você está me dizendo que se ele fosse até você e confessasse seu amor eterno por você, você o recusaria?

—Não é assim entre nós. Somos apenas melhores amigos.

—Ele viu você nua.

—Quando tínhamos três anos! —Eu balancei minha cabeça.

—O que há com vocês e a constante perturbação ultimamente sobre sermos mais do que somos um para o outro?

—Você sabe que todas as garotas que ele namorou tiveram problemas com a sua amizade, certo?

—Namoro é um termo que eu usaria superficialmente com Leo.

—Ele literalmente abandona qualquer pessoa e qualquer coisa por você. Incluindo nós.

—Besteira.

—Mila! Você é cega se não vê.

Revirei meus olhos novamente.

—Muito bem. Deixe-me explicar... quantas vezes ele deixou um encontro por você?

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—Eu precisava dele. Tive rompimentos ruins.

—Quantas vezes ele foi direto para sua casa depois desses encontros?

—Éramos vizinhos.

—E quanto os últimos quatro anos de faculdade?

—Eu tenho minha própria casa, ele vai lá para ter privacidade dos pais.

—Os pais que moram do outro lado da propriedade porque Leo está sempre na cabana... você se refere àqueles pais?

—Você está exagerando.

—Quantas vezes ele nos largou para sair com você?

—Não posso evitar ser mais divertida do que vocês.

—Quantas vezes você estava na noite dos meninos porque Leo queria você lá?

—Eu o ajudo a transar, é claro que ele me quer lá.

—Ele bateu no seu último namorado.

—Ele me traiu.

—Uau. Você realmente está em negação. Leo faria qualquer coisa por você. Se isso não é amor, então não sei o que é.

—Veja, eu sei que ele me ama, eu o amo muito também, mas não estamos apaixonados um pelo outro, Cain. Essa é a diferença. Eu sei que você não entende isso porque você não sabe o significado da palavra.

—Sim? Então responda esta, Mila. Por que você é a única

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garota que ele olha nos olhos?

—O quê?

—Você me ouviu.

—Sim, mas não falo bobagem, então...

—Qualquer outra garota, é sua bunda ou seus seios. Nunca nos olhos. Nunca. Mesmo quando estão falando diretamente com ele.

Você é a única garota a quem ele dá total atenção quando está falando.

—Isso é porque eu não sou uma idiota e nós dois sabemos que esse é o tipo de Leo.

—Sim... o exato oposto de você. —Ele zombou. —Pergunto- me por quê?

—Você deveria estar esfregando minhas costas, não sendo um pé no saco.

—Bem. —Ele olhou atrás dele. —Você tem uma bela bunda.

Eu concordei. —Isso eu tenho.

Ele sorriu. —Você tem resposta para tudo, não tem, senhorita Mila?

—Sim.

—Está tudo bem. Porque um dia, você vai olhar para Leo, realmente olhar para ele, e perceber que você nunca foi apenas a melhor amiga e eu vou dizer que te avisei.

—Tanto faz. Já que você já descobriu tudo, Sherlock, qual é o seu plano de vida?

—Sim. Ao contrário de vocês, idiotas indiferentes, eu sei

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exatamente o que quero fazer.

—Oh, sim? O quê?

—Você está olhando para o que é.

—Você quer dizer que finalmente vai cobrar por sexo?

Considerando a quantidade de sexo que você faz, essa é realmente uma escolha de vida inteligente.

—Engraçadinha.

Eu sorri. —Então, qual é o seu grande plano?

—Eu te disse, você está olhando para ele. Deitado sobre ele.

Eu olhei ao redor. —Você quer dizer o barco? Você quer ter um catamarã?

—Algo parecido. Quero abrir um negócio que venda o sonho.

—Vender o sonho? O que você quer dizer? Que sonho?

—Amar.

—Pode repetir?

—Quero dizer, dê uma olhada em volta, Mila. O que você vê?

—Ummm, gente?

—Não. Você vê pessoas se conectando, você vê casais se reconectando, você vê o sonho do amor. Ele está nesta ilha o tempo todo que estivemos aqui. Por quê? Porque todos estão de férias e estão aqui para fugir de uma coisa ou de outra.

—Ok... então o que isso tem a ver com você?

—Quero vender o sonho, ter casais que precisam se reconectar

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no meu catamarã. Eu posso fazer isso. Posso atender a um casal por uma ou duas semanas. Levá-los para o mar para ir pescar enquanto as esposas fazem exatamente o que você está fazendo agora, bebendo como um peixe e se deitando-se ao sol enquanto seus maridos grandes e fortes pegam o jantar. Então eles podem ter jantares ao luar, eles podem dançar sob as estrelas. Você sabe, vender o sonho.

—Uau, você realmente pensou muito sobre isso.

—Eu sou um psicólogo como você. Eu sei muito sobre a mente humana.

Era verdade, nos últimos quatro anos Cain e eu tivemos algumas aulas juntos. Ele era inteligente, perspicaz, envolvido nas discussões em classe e, pelo que pude perceber, ele recebeu boas notas.

De repente, ele olhou bem nos meus olhos e disse: —Não acredito no amor, mas quero vender o que meus pais nunca tiveram.

Um relacionamento, uma conexão, um desejo de agradar um ao outro. Vou vender o sonho, mesmo que não acredite nele.

Toda essa conversa quase me derrubou de bunda no chão.

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CAPÍTULO 06

Leo

Estávamos sentados no sofá da minha cabana. Já estávamos de volta ao Tennessee há alguns dias e a realidade estava começando a se instalar com as finais logo ali.

—Vamos assistir a um filme. —Mila pegou o controle remoto da minha mão.

—Contanto que não seja outro filme feminino.

—Oh, vamos lá... quantos filmes de homem você me fez assistir?

—Não tantos quanto você me fez assistir.

Ela sorriu. —O que posso dizer? Adoro um cara gostoso com abdômen definido.

—Isso explica o seu gosto horrível para homens.

—Sério? O sujo falando do mal lavado. Você é o rei das mulheres de merda.

—Você quis dizer mulheres vadias?

—Sim, isso também.

—Ouça. —Eu balancei minha cabeça. —Não sou eu que estou procurando amor nos lugares errados.

—Porque você é um especialista no assunto?

—Eu não preciso ser um especialista para saber que você

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namora babacas.

—Pelo menos eu me coloco lá fora.

Eu sorri. —Eu coloco partes minhas lá fora.

—Oh, isso é grande vindo de você.

—Você acabou de chamar meu pau de grande?

—É claro que sua cabeça grande pensaria isso.

—De novo, com as grandes insinuações do meu pau. Eu sei que faz muito tempo para você, Mila, mas se você precisa que eu seja um bom amigo, quero dizer... acho que posso te fazer uma concessão.

—Eu pisquei para ela. —Uma enorme.

—Como você é nobre.

—O que posso dizer? Você traz à tona o melhor em mim.

—Você não quer fazer sexo comigo.

—Sim, você está certa. Estou bem agora, obrigado.

—Eu não quis dizer isso como uma pergunta e você sabe disso. Além disso, acabei de fazer sexo em Cancún, então estou recém-fod...

—Eu não sabia que você fez sexo em Cancún.

—O quê? Você nos apresentou.

Eu arqueei uma sobrancelha, confuso.

—John...

—John? —Eu zombei. —O idiota da festa?

—Ele não era um idiota. Ele está na faculdade de medicina.

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—Quantas vezes eu tenho que dizer a você que os homens mentem para entrar na calcinha de uma garota?

—Ele não estava mentindo.

—E como você sabe disso?

—Ele sabia muito sobre o corpo humano.

—O corpo feminino é minha especialidade também, Mila, mas Grey's Anatomy pode ensinar um filho da puta sobre isso também, sem falar na pornografia.

—Oh meu Deus! Não estou nem me referindo ao meu corpo.

Embora ele fosse bom de cama.

—Ele era tão bom de cama que só agora estou ouvindo sobre isso? E você acordou em sua própria cama na manhã seguinte?

—E daí?

—Acredite em mim, Lala, se ele fosse tão bom na cama, você teria passado a noite. Eu sei, eu acordo com meu pau na boca de uma garota na maioria das vezes, só porque elas querem que eu as foda de novo.

—Você sabe que dormir por aí não precisa ser seu único traço de personalidade.

—Mas é o meu melhor.

Ela me olhou com ceticismo. —Eu sei que ele estava na faculdade de medicina, você quer saber como eu sei?

—Por favor, me esclareça.

—Ele sabia todas as coisas, assim como Sawyer.

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—Huh, então seu parâmetro está ajustado ao que Sawyer diz?

Interessante, considerando que ele está em pre-med12 apenas para transar.

Toda essa coisa de 'Eu vou ser médico' é realmente excitante para as mulheres.

—Ou talvez ele realmente queira fazer algo por si mesmo.

Como Cain faz. Como talvez você devesse querer também.

—Oh, então agora você sabe o que Cain quer da vida também?

—Você está perdendo o foco, Leo. As mulheres geralmente gostam de homens com ambição. Isso é sexy.

—As mulheres sempre gostam dos homens que as fazem gozar.

É mais sexy.

—Muito bem. —Ela ergueu as mãos. —Desisto. Você ganhou.

—Essas são minhas palavras favoritas.

—Você é horrível. Você sabe disso, certo?

—É por isso que você me ama.

—É por isso que eu não deveria.

—Lala, nós dois sabemos que você ficaria arrasada se não me tivesse em sua vida.

Antes que a última palavra saísse da minha boca, ela me bateu no rosto com um travesseiro.

12 Pre-medical ou pre-med (e às vezes pre-health) é um curso acadêmico introdutório à área da medicina.

Os interessados em cursar uma pós-graduação de medicina nos Estados Unidos geralmente optam por um pré-med por envolver disciplinas e atividades que os preparam para uma Escola Médica (Medical School, departamentos acadêmicos que oferecem cursos na área médica).

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Começando uma guerra que ela não venceria.

Mila

Seus olhos se arregalaram.

—Oh, Lala, está ligado.

Eu gritei, prestes a pular do sofá, mas fui muito lenta. Ele me agarrou na almofada, indo direto para minha coxa.

—Leo, não se atreva. —Eu avisei quando seu dedo afundou em minha pele. —Você não pode fazer isso! Você não pode...

—Tente me impedir, Mila.

Tentei afastar sua mão. —Você sempre faz isso. Você sempre me faz cócegas, não é justo!

—O que não é justo? Que você ama isso? É isso que não é justo?

—Não!

Ele sorriu, apertou, e eu perdi minha cabeça. Chutando minhas pernas, me debatendo para todos os lados, meu corpo tremia incontrolavelmente por causa de seu ataque.

Eu não iria rir. Eu não poderia rir.

Isso só o fez apertar com mais força, pressionando os dedos

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direto no músculo a ponto de doer. Foi como quando você bate seu maldito cotovelo, dói pra caralho, mas faz você sentir um formigamento engraçado. Eu não aguentava mais e gritei, rindo histericamente e esbravejando ao mesmo tempo. Seu corpo travou firmemente em cima do meu, dando a ele a vantagem de me torturar sem piedade e sem remorso.

—Leo! Assim eu vou fazer xixi nas calças!

Ele pressionou com mais força, minha garganta queimou e minha voz soou rouca.

—Você tem cinco segundos para se desculpar por me bater no rosto.

—Com um travesseiro!

—Quatro segundos, ou eu realmente não terei misericórdia de você. —Três... dois...

Eu lutei mais e ri mais alto.

—Um...

—Desculpe! —Eu gritei, tentando recuperar o fôlego, e ele finalmente parou.

Eu respirei pesadamente, dentro e fora, meu peito subindo e descendo com meu coração batendo forte contra minha pele. Meu corpo todo aquecido com o suor se formando em minhas têmporas.

Engoli a saliva que se acumulou na minha boca.

Com a parte de trás dos dedos, ele afastou o cabelo dos meus olhos.

—Você ainda é horrível.

—E você ainda me ama.

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—Não sei por quê.

—Porque eu ainda empurro você no balanço.

Eu ri, sentindo o peso dele em mim. —Você está me apertando.

—Mas estou tão confortável.

—Você é um idiota em tantos níveis.

—Palavras agressivas para alguém que acabou de perder nossa batalha.

—Eu sempre perco a batalha.

—E ainda assim você me tenta sempre que pode.

—Não posso evitar que você seja um valentão de coração e alma, Leo Hawkins.

—Bem, Mila Love Lawrence, acho que isso faz de você minha presa.

—Você sabe... é provavelmente por isso que Cain acha que há algo mais do que amizade entre nós.

Ele franziu as sobrancelhas e sentou-se. —Cain?

—Sim. —Eu segui seu exemplo, ajustando meu top que ele enrugou. —Ele me disse algo sobre isso.

—O quê? Quando?

—No catamarã, em Cancún.

—O que ele disse?

—Ele me perguntou se eu alguma vez tive ciúmes de você e

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de suas conquistas da semana.

—Huh. —Ele recuou.

—O quê?

—Ele me perguntou isso também.

—Quando?

—Quando você estava com seu babaca.

Eu perguntei sem pensar: —O que você disse?

—Eu disse que você não costuma dormir com eles, e nós somos apenas melhores amigos.

—Bom. —Eu balancei a cabeça, procurando o controle remoto. —Então, que tal aquele filme?

—Mila.

Nossos olhos se encontraram novamente, seu comportamento mudou rapidamente para alguém que eu não reconhecia.

—O que você disse?

—Que somos apenas melhores amigos e que nos amamos, mas não estamos apaixonados um pelo outro.

Olhamos um para o outro por alguns segundos sem dizer uma palavra. Mordi meu lábio inferior, de repente me sentindo nervosa.

—Por que você está olhando assim para mim?

Ele se desvencilhou. —Acho estranho que ele esteja fazendo perguntas tão pessoais. Vocês não são exatamente amigáveis assim, ele está metendo o nariz em coisas que não são da conta dele.

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—Uau. Que tom é esse? Ele é seu amigo. Ele se preocupa com você.

—Correto. Ele é meu amigo, como você é minha amiga. Não dele.

—Leo...

Ele se levantou abruptamente. —Coloque o que você quiser assistir. Vou pular no chuveiro.

Não sei por que, mas por alguma razão, anunciei: —Você ainda é meu melhor amigo. Não importa o que aconteça, você sempre será meu melhor amigo, Leo.

Ele se virou, deu uma olhada em mim e declarou: —Sim, certifique-se de manter as coisas assim.

Eu fiquei ali sentada enquanto ele tomava banho, olhando sem rumo para a televisão. Não assistimos a um filme naquela noite.

Nós dois nos perdemos...

Em nossos próprios pensamentos.

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