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UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ LORENA FURUZAWA

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Academic year: 2022

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LORENA FURUZAWA

ANÁLISE DA GESTÃO DOS ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA SOB A ÓTICA DA ECONOMIA CRIATIVA, DA ECONOMIA DO CONHECIMENTO E DOS

KNOWLEDGE-INTENSIVE BUSINESS SERVICES

DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

CURITIBA 2021

(2)

4.0 Internacional

Esta licença permite remixe, adaptação e criação a partir do trabalho, para fins não comerciais, desde que sejam atribuídos créditos ao(s) autor(es). Conteúdos elaborados por terceiros, citados e referenciados nesta obra não são cobertos pela licença.

LORENA FURUZAWA

ANÁLISE DA GESTÃO DOS ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA SOB A ÓTICA DA ECONOMIA CRIATIVA, DA ECONOMIA DO CONHECIMENTO E DOS

KNOWLEDGE-INTENSIVE BUSINESS SERVICES

Análise da gestão dos escritórios de arquitetura sob a ótica da economia criativa, da economia do conhecimento e dos serviços empresariais intensivos

em conhecimento

Trabalho de conclusão de curso de Especialização apresentado como requisito para obtenção do título de Mestre em Engenharia Civil da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Orientador(a): Prof. Dr. Cezar Augusto Romano

CURITIBA 2021

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FOLHA DE APROVAÇÃO

LORENA FURUZAWA

ANÁLISE DA GESTÃO DOS ESCRITÓRIOS DE ARQUITETURA SOB A ÓTICA DA ECONOMIA CRIATIVA, DA ECONOMIA DO CONHECIMENTO E DOS KNOWLEDGE-INTENSIVE BUSINESS SERVICES.

Trabalho de pesquisa de mestrado apresentado como requisito para obtenção do título de Mestra em Engenharia Civil da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Área de concentração: Construção Civil.

Data de aprovação: 01 de Dezembro de 2021.

Prof Cezar Augusto Romano, Doutorado - Universidade Tecnológica Federal do Paraná Prof Emerson Jose Vidigal, Doutorado - Universidade Federal do Paraná (Ufpr)

Prof.a Janine Nicolosi Correa, Doutorado - Universidade Tecnológica Federal do Paraná Prof.a Tatiana Maria Cecy Gadda, Doutorado - Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Documento gerado pelo Sistema Acadêmico da UTFPR a partir dos dados da Ata de Defesa em 01/12/2021.

https://sistemas2.utfpr.edu.br/dpls/sistema/aluno01/mpCADEDocsAssinar.pcTelaAssinaturaDoc?p_pesscodnr=210673&p_cade docpescodnr=196…

CURITIBA 2021

Ministério da Educação

Universidade Tecnológica Federal do Paraná

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Dedico este trabalho à minha família, ao meu marido e aos meus amigos que sempre estiveram ao meu lado e me incentivando nessa jornada.

(5)

AGRADECIMENTOS

Agradeço ao meu orientador Prof. Dr. Cezar Augusto Romano, pela confiança em meu projeto, pela paciência com as minhas limitações de tempo e pela sabedoria com que me guiou nessa trajetória.

A Prof. Dra. Janine Nicolosi Corrêa, por todo apoio paralelo dado no desenvolvimento desse trabalho e pelo carinho transmitido em suas assessorias.

Aos meus amigos, pelo incentivo.

Ao meu marido Rafael, pelo suporte e companheirismo.

À minha família, por todo o apoio dado durante a minha vida acadêmica.

A todos os que por algum motivo contribuíram para a realização desta pesquisa.

(6)

RESUMO

FURUZAWA, Lorena. Análise da gestão dos escritórios de arquitetura: sob a ótica da Economia Criativa, da Economia do Conhecimento e dos Knowledge-intensive business services. 2021. 262 f. Mestrado em Engenharia Civil - Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Curitiba, 2021.

A relevância do conhecimento na economia contemporânea colocou o setor de serviços como um dos principais membros da economia atual. O segmento dos serviços de arquitetura se enquadram nos conceitos da Economia do Conhecimento, da Economia Criativa e no mais recente segmento do setor de serviços denominado Knowledge-Intensive Business Services - KIBS, ou em sua tradução literal, Serviços Empresariais de Conhecimento Intensivo. Esse estudo contempla uma lacuna na literatura, pois investiga o estudo desses três conceitos interpolados aos escritórios de arquitetura, empresas estas que utilizam extensivamente o conhecimento técnico específico e a criatividade como matérias-primas para a produção dos seus serviços, e, portanto, se enquadram dentro dos conceitos globais estudados. Além disso, também foi estudado um breve panorama do mercado da arquitetura para entender sua atualidade em um âmbito mais amplo do que o regional. O aumento da digitalização tem feito a abrangência de atuação da prestação de serviços ir além do mercado local, a tecnologia aplicada ao fornecimento dessas atividades vem expandindo a concorrência a um nível maior. Sendo assim, a pesquisa finaliza investigando algumas suposições sobre o futuro das profissões, e mais especificamente, exemplos de avanços na área da arquitetura. De maneira geral, o trabalho busca traduzir os conceitos estudados no referencial teórico para um extenso questionário de pesquisa survey, com o intuito de avaliar as capacidades de capital humano, intelectual e organizacional disponíveis nas empresas de arquitetura. Os dados colhidos foram analisados numericamente por meio da média, desvio-padrão e erro, correlacionando-os aos três conceitos chave do referencial. Por fim, esse trabalho tem como propósito trazer alguns insights aos gestores de escritórios de arquitetura para que possam posicionar as empresas nos conceitos da economia contemporânea.

Palavras-chave: Escritório de Arquitetura. Economia do Conhecimento. Economia Criativa. Knowledge-intensive business services. KIBS.

(7)

ABSTRACT

FURUZAWA, Lorena. Analysis of management of architectural firms from the perspective of the Creative Economy, Knowledge Economy and Knowledge- intensive business services. 2021. 262 f. Master Degree in Civil Engineering - Federal Technology University – Paraná. Curitiba, 2021.

The relevance of knowledge in the contemporary economy has placed the service sector as one of the leading members of the current economy. The architecture sector fits into the concept of Knowledge Economy, Creative Economy, and the latest segment of the services sector, Knowledge-Intensive Business Services - KIBS. This study contemplates a gap in the literature, as it investigates the three concepts interpolated to architectural firms, which extensively use specific technical knowledge and creativity to the production of their services, and, therefore, fall within these concepts global in the research. In addition, a brief overview of the architecture market was also studied to understand its relevance in a broader scope than the regional one.

The increase in digitalization has made the scope of service provision wider and the technology applied to the development of these activities and has been expanding competition to a greater level. Thus, the research ends by investigating assumptions about the future of the professions, and more specifically, examples of advances in the field of architecture. In general, the work aimed to translate the concepts studied in the theoretical framework into one extensive survey research to evaluate architectural firms' human, intellectual and organizational capital capacities. The collected data were numerically analyzed through the mean, standard deviation, and error related to the three key concepts of the referential. Finally, this work addressed some insights to managers of architecture offices to position their companies in the concepts of the contemporary economy.

Keywords: Architectural firm. Knowledge Economy. Creative Economy. Knowledge- Intensive Business Services. KIBS.

(8)

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Análise de co-ocorrência com as 138 palavras-chave da string geral ... 30

Figura 2 - Análise de co-ocorrência no cluster de interesse ... 30

Figura 3 - Análise de citação por países e ano. ... 31

Figura 4 - Análise de co-ocorrência com as 72 palavras-chave da string reduzida ... 32

Figura 5 - Análise de co-citação de autores ... 33

Figura 6 - Modelo SECI de transformação do conhecimento ... 39

Figura 7- A interação dos componentes que influenciam a inovação e a criatividade ... 56

Figura 8 – Visualização dos três campos de domínio do conhecimento ... 64

Figura 9 - Distribuição do tipo de mão de obra no Reino Unido (2008 – 2017) ... 65

Figura 10 – Modelo das relações entre inovação, aprendizagem e desempenho ... 75

Figura 11 - Informações sobre o perfil dos arquitetos urbanistas no Brasil ... 79

Figura 12 – Dados sobre o perfil dos arquitetos no Estado do Paraná ... 80

Figura 13 - Total de pessoas que utilizaram o serviço de um arquiteto ou engenheiro. ... 82

Figura 14 - Características dos arquitetos citadas pela população entrevistada. ... 84

Figura 15 - Expectativas dos arquitetos com o CAU ... 85

Figura 16 - Dados sobre a renda e satisfação salarial dos arquitetos ... 86

Figura 17 – Print screen do website com exemplo de deck personalizável... 92

Figura 18 – Seleção de casas do site We Build homes ... 93

Figura 19 – Diagramação da pesquisa ... 98

Figura 20- Exemplo de questão em escala Likert ... 107

Figura 21 – Exemplo questão em escala Likert ... 107

Figura 22 – Mapa de calor gerado no Excel ... 110

Figura 23 - Formação profissional ... 111

Figura 24 – Empresa em que trabalha ... 112

Figura 25 – Tempo de experiência na área da arquitetura ... 112

Figura 26 – Cargo na empresa ... 113

Figura 27 – Valorização profissional ... 114

Figura 28 – Capacidade do mercado em absorver novos entrantes ... 114

Figura 29 – Número total de colaboradores na empresa ... 116

Figura 30 – Composição da mão de obra ... 117

Figura 31 – Principais ramos de atuação da empresa ... 119

Figura 32 – Captação de clientes ... 120

Figura 33 – Abrangência de atuação da empresa no mercado ... 121

Figura 34 – Alcance que a empresa pode possuir no mercado ... 121

Figura 35 – Posicionamento comercial da empresa ... 122

Figura 36 – Posicionamento estratégico da empresa ... 123

(9)

Figura 37 – Percepção da valorização do cliente nos serviços prestados ... 124

Figura 38- Principais fontes de conhecimento utilizadas ... 126

Figura 39- Organização dos processos internos da empresa ... 127

Figura 40- Troca de informações e conhecimentos na empresa ... 128

Figura 41- Metas e medições de resultados na empresa ... 129

Figura 42 – Equiparação pessoal com outro profissional que admire ... 130

Figura 43- Organização dos processos internos da empresa ... 131

Figura 44- Capacidade de gestão ... 132

Figura 45- Sobre o plano de carreira e bonificações ... 133

Figura 46- Fatores para a competitividade da empresa no mercado ... 134

Figura 47- Principais características do arquiteto ... 136

Figura 48- Carga criativa versus carga técnica sob o ponto de vista do arquiteto .. 136

Figura 49- Carga criativa versus carga técnica sob o ponto de vista do cliente ... 137

Figura 50- Ambiente de trabalho como fator motivador ... 138

Figura 51- Propósitos da profissão como fator motivador ... 139

Figura 52- Talento criativo e concepção dos projetos na empresa ... 140

Figura 53- Sobre o empreendedorismo ... 141

Figura 54- Sobre o empreendedorismo no setor da arquitetura ... 142

Figura 55- Sobre as atividades administrativas na empresa ... 143

Figura 56 – Propriedade intelectual e os direitos autorais na arquitetura ... 144

Figura 57 – Nível de atuação da empresa nos meios digitais ... 145

Figura 58 – Serviços de arquitetura on-line ... 146

Figura 59 – As estratégias da empresa são divididas com os colaboradores ... 147

Figura 60 – Nível de autonomia nas atividades ... 148

Figura 61 – Reuniões de feedback na empresa ... 149

Figura 62 – Satisfação financeira e profissional ... 150

Figura 63 – Sobre a prestação de serviços no segmento dos KIBS ... 151

Figura 64 – Principal perfil de clientes ... 152

Figura 65 – Sobre a inovação e os clientes... 153

Figura 66 – Implementação das inovações na empresa ... 155

Figura 67 – Possibilidade de padronização versus customização ... 156

Figura 68 – Nível de participação dos clientes ... 157

Figura 69 – Reconhecimento e reputação da empresa ... 158

Figura 70 – Fatores de inovação na empresa ... 160

Figura 71 – Maiores oportunidades do arquiteto no mercado de trabalho ... 162

Figura 72 – Dificuldades enquanto arquiteto no mercado de trabalho ... 163

Figura 73 – Ameaças aos serviços do arquiteto ... 164

Figura 74 – Mapa de calor gerado no Excel ... 174

Figura 75 – Resultados da questão sobre o nível de autonomia ... 174

(10)

Gráfico 1- Número de publicações por ano ... 25

Gráfico 2 – Documentos por área temática ... 25

Gráfico 3 – Número de publicações por país ... 26

Gráfico 4 – Documentos por autor ... 27

Gráfico 5 – Documentos por tipo ... 27

Gráfico 6 – Profissionais com pós-graduação ... 125

Gráfico 7– Gráfico Radar Economia do Conhecimento ... 181

Gráfico 8– Gráfico Radar Economia Criativa ... 182

Gráfico 9– Gráfico Radar KIBS ... 183

Quadro 1 – Tipos de serviços KIBS de acordo com o CNAE ... 63

Quadro 2 - Renda salarial dos arquitetos registrados no CAU ... 87

Quadro 3 – Descrição e classificação da pesquisa ... 97

Quadro 4 – Resumo das perguntas do questionário .... Erro! Indicador não definido. Quadro 5 – Trecho da planilha com as perguntas exportadas ... 108

Quadro 6 – Trecho da planilha com a conversão das respostas para a Escala Likert ... 108

Quadro 7 – Exemplo de análise das perguntas em Escala Likert ... 109

Quadro 8 – Modelo de fonte de renda ... 117

Quadro 9 – Sobre a inovação nas empresas de arquitetura ... 154

Quadro 10 – Sobre as barreiras para a inovação nas empresas de arquitetura ... 154

Quadro 11 – Inovação nos serviços prestados na empresa... 161

Quadro 12 – Matriz de forças, oportunidades, fraquezas e ameaças ... 166

Quadro 13 – Valorização dos arquitetos e empresas de arquitetura ... 172

Quadro 14 – Desafio do arquiteto do futuro ... 173

Quadro 15 – Tabulação: exemplo da questão 35 ... 175

Quadro 16 – Mapa de calor: exemplo da questão 35 ... 176

Quadro 17 – Mapa de calor dos conceitos ... 176

Quadro 18 – Classificação das perguntas Likert ... 177

Tabela 1- Pesquisa de strings na base de dados do Scopus ... 24

Tabela 2 - Aplicação de filtros na busca dos resultados do Scopus ... 28

Tabela 3 - Fatores para a competitividade das empresas KIBS ... 76

Tabela 4 - Tipos de inovação: relevância para as estratégias das empresas ... 77

(11)

LISTA DE ABREVIATURAS, SIGLAS E ACRÔNIMOS

AI Artificial Intelligence

ABAP Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas ASBEA Associação Brasileira de Escritórios de Arquitetura CAD Computer Aided Design

CAE Computer Aidded Engineering

CAU Conselho de Arquitetura e Urbanismo C-KIBS Creative Kibs

CNAE Classificação Nacional das Atividades Econômicas CNPJ Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica

EU European Union

FCPJ Formulário de Registro de Pessoa Jurídica FIRJAN Federação das Indústrias do Rio de Janeiro FOFA Forças, oportunidades, fraquezas, ameaças GC Gestão do conhecimento

HS High skilled

IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ICT Information and Communication Technologies IGEO Sistema de Inteligência Geográfica

INPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial IOT Internet of things

ITC Internacional Trade Center

KIBS Knowledge-Intensive Business Services LS Low skilled

MIT MS

Massachusetts Institute of Technology Medium skilled

NACE Nomenclature Statistique des Activités Économiques dans la Communauté Européenne

O*NET Occupation Information Network

OCDE Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico PAEP

P&D

Pesquisa de Atividade Econômica Paulista Pesquisa e Desenvolvimento

PIB Produto Interno Bruto P-KIBS Professional Kibs PPGEC

RDA

Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil Registro de direito autoral

RSL Revisão Sistemática da Literatura

SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEIC Serviços Empresariais Intensivos em Conhecimento

SIC Serviços Intensivos em Conhecimento

SICCAU Serviço de Informação e Comunicação do Conselho de Arquitetura e Urbanismo

SI4S

SWOT Services in European Innovation Systems Strengths, weaknesses, opportunities, threats T-KIBS Technological Kibs

TQM Total quality management UN United Nations

(12)

UNCTAD United Nations Conference on Trade and Development

UNESCO Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura

(13)

SUMÁRIO

1INTRODUÇÃO... 13

1.1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA ... 16

1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA ... 17

1.2.1Objetivo Geral ... 17

1.2.2Objetivos Específicos ... 18

1.3 JUSTIFICATIVAS E CONTRIBUIÇÕES ... 18

1.4 CONTEXTUALIZAÇÃO ... 19

1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO ... 21

2REVISÃO DA LITERATURA ... 23

2.1 REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA ... 23

2.1.1String de busca ... 24

2.1.2Análise bibliométrica ... 29

2.1.2.1 Análises da string geral ... 29

2.1.2.2 Análises da string reduzida ... 31

2.2 REFERENCIAL TEÓRICO ... 33

2.2.1Economia do Conhecimento ... 34

2.2.1.1 Dados, informações e conhecimento ... 35

2.2.1.2 Gestão do conhecimento e o modelo SECI ... 37

2.2.1.3 Cultura organizacional... 40

2.2.1.4 Conhecimento e experiência como vantagem competitiva ... 41

2.2.2Economia Criativa ... 43

2.2.2.1 Criatividade, gestão da criatividade e características do profissional criativo...45

2.2.2.2 Características da propriedade intelectual na economia criativa e na arquitetura...48

2.2.2.3 Capital estrutural, humano, intelectual e criativo ... 51

2.2.2.4 Motivação intrínseca e motivação extrínseca: o modelo dinâmico da criatividade e da inovação nas organizações ... 52

2.2.3Knowledge-Intensive Business Services... 57

2.2.3.1 Definições e conceitos de kibs ... 59

2.2.3.2 Classificação dos kibs ... 62

2.2.3.2.1O perfil dos kibs criativos ... 65

2.2.3.3 Coprodução nos kibs ... 68

2.2.3.4 Inovação nos kibs ... 68

2.2.3.5 Inovação, estratégia e competitividade ... 74

2.2.3.6 Estudos empíricos sobre os KIBS ... 75

2.2.4Mercado da Arquitetura... 78

2.2.4.1 Panorama dos arquitetos no Brasil ... 78

2.2.4.2 Pesquisa de opinião: a visão da sociedade ... 81

(14)

2.2.4.3 Pesquisa de opinião: a visão dos arquitetos ... 84

2.2.4.4 O Futuro das Profissões: arquitetura ... 87

2.2.4.4.1O futuro da arquitetura: exemplos do mercado atual ... 90

3MÉTODO DA PESQUISA ... 96

3.1 CLASSIFICAÇÃO E DIAGRAMAÇÃO DA PESQUISA ... 97

3.2 PLANEJAMENTO DO SURVEY ... 98

3.2.1Objetivos do Questionário ... 99

3.2.2Definição das Variáveis... 99

3.2.3Definição da Ferramenta de Coleta e da Amostra ... 102

3.2.4Teste Piloto ... 103

3.3 COLETA DE DADOS ... 103

4ANÁLISE DE DADOS E DISCUSSÕES ... 105

4.1 TRATAMENTO INICIAL DOS DADOS ... 106

4.2 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ... 110

4.2.1Análises por Tema de Pesquisa ... 110

4.2.1.1 Análise da amostra: o arquiteto ... 110

4.2.1.2 Análise da amostra: as empresas ... 115

4.2.1.3 Análise quanto à economia do conhecimento ... 124

4.2.1.4 Análise quanto à economia do criativa ... 135

4.2.1.5 Análise quanto aos kibs ... 150

4.2.1.6 Análise quanto ao futuro da profissão ... 158

4.2.1.7 Matriz: análise das forças, oportunidades, fraquezas e ameaças ... 165

4.2.1.7.1matriz: forças ... 167

4.2.1.7.2matriz: fraquezas... 168

4.2.1.7.3matriz: oportunidades... 169

4.2.1.7.4matriz: ameaças ... 170

4.2.1.7.5matriz: valorização profissional ... 171

4.3 ANÁLISE DO MAPA DE CALOR ... 174

4.4 CONSIDERAÇÕES GERAIS ... 178

5CONCLUSÕES... 180

5.1 PESQUISAS FUTURAS ... 184

REFERÊNCIAS ... 185

APÊNDICE A - Questionário de Pesquisa ... 194

(15)

1 INTRODUÇÃO

O segmento dos serviços de arquitetura faz parte do setor de serviços, este último durante muito tempo foi tratado como um setor pouco relevante na economia em termos de rendimento para os países, um setor terciário que costumava ficar atrás do setor primário gerador da agricultura, mineração e outras indústrias de matérias- primas, e também do setor secundário, produtor de artigos tangíveis na manufatura e construção (MILES, 2011).

Contudo, alguns fatores contribuíram para a mudança desse cenário, impulsionando o setor de serviços para uma crescente importância econômica, transformando-o em um relevante agente do desenvolvimento econômico das economias mundiais. Sendo assim, nas últimas décadas o setor de serviços tem sido mais amplamente estudado, tornando-se alvo de pesquisas e de discussões acerca de suas definições, classificações e ramificações.

A evidência desse setor vem crescendo mundialmente, tanto na geração de empregos quanto na participação do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE, 2018) o incremento da produtividade e dos empregos são altamente dependentes do sucesso das empresas de serviço. No Brasil, os números relativos a 2018, apresentados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2018) apontaram a participação de 73,9% do setor de serviços para o PIB em comparação com 20,9% do setor manufatureiro, e de 5,2% com o da agropecuária. Em muitas economias, o setor terciário é a principal categoria das estatísticas econômicas, o que justifica o esforço da academia em desenvolver pesquisas focadas em serviços.

Nesse cenário baseado no setor de serviços, a economia capitalista contemporânea, também chamada de Economia do Conhecimento, possui duas características marcantes: o conhecimento e a inovação, ambas desempenhando papel importante no sistema econômico. De acordo com Powell e Snellman (2004, p.201), a Economia do Conhecimento é definida como “produção e serviços baseados em atividades intensivas em conhecimento que contribuem para um ritmo acelerado de avanço tecnológico e científico”.

Diferentemente do sistema de produção industrial, que necessita de grandes quantidades de energia e de matérias-primas, o novo paradigma da economia dos

(16)

serviços se baseia no conhecimento (POWELL; SNELLMAN, 2004), é intensivo em informação e aponta para a importância de capitais intangíveis dos fatores de produção (CASTELACCI, 2006). Com esse panorama, os países que estiverem preparados para abraçar essa nova dinâmica dos conteúdos imateriais, do capital intangível e do conhecimento, terão mais oportunidades para os novos desafios da economia, inclusive na criação de vantagem competitiva em retomadas econômicas (CASTELLACCI, 2006).

A Era Pós-materialista de capitais intangíveis também gerou novas abordagens em outros segmentos econômicos como o da “indústria criativa” ou

“economia criativa”. Na Economia do Conhecimento está englobado o setor da Economia Criativa, que além do conhecimento também utiliza a criatividade como matéria-prima (FLORIDA, 2012). Posto isso, a discussão sobre a Economia Criativa também surge no contexto da supremacia dos conteúdos imateriais da criatividade em si, e também do talento e das habilidades individuais, gerando trabalho, renda e riqueza por meio da criação e da exploração de ideias geradas pela propriedade intelectual (HOWKINS, 2001; FLORIDA, 2019).

É válido pontuar que na Economia do Conhecimento, também interpretada como o setor de serviços, alguns autores identificaram traços específicos em algumas empresas do setor. O artigo publicado por Miles et al. (1995) apontou um novo padrão nas empresas de serviços e observou a utilização intensiva de conhecimento específico, o que originou um subsetor nos serviços, denominado Knowledge- Intensive Business Services - KIBS, ou, em sua tradução literal, Serviços Empresariais Intensivos em Conhecimento - SEIC.

Os KIBS formam um grupo a parte no setor de serviços, formado por empresas privadas que se suportam em conhecimento profissional e especializado (DEN HERTOG, 2000), sob o qual o valor agregado consiste na acumulação, criação e disseminação de conhecimento específico (MILES, 1995). São um grupo com alta participação de profissionais qualificados em sua força de trabalho (MILES 2005, 2011); com aplicação ativa de seu conhecimento (MILES et al., 1995); destinado a solução de problemas (MULLER; ZENKER, 2001; MILES, 2005); possuem caráter fortemente interativo com o cliente (MULLER; ZENKER, 2001); e ainda são identificadas como empresas facilitadoras, transmissoras ou fontes de inovação (MILES et al., 1995; DEN HERTOG, 2000; MULLER & ZENKER, 2001).

(17)

Como descrevem os autores Pina e Tether (2016) os KIBS chamaram a atenção primeiramente de geógrafos da economia, depois por estudiosos da inovação e gestão, e posteriormente por desenvolvedores de políticas como as Nações Unidas (UN), a União Europeia (EU) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD). Esses serviços têm uma grande contribuição no crescimento dos empregos, especialmente em países em desenvolvimento. Na China o valor criado pelos KIBS cresceu cinco vezes entre 2004 e 2014, apontando a importância do conhecimento na economia (MILES; BELOUSOVA; CHICHKANOV, 2017).

Dentro desses setores citados está a área de interesse desta pesquisa: as empresas de arquitetura e os serviços de arquitetura, os quais utilizam tanto o uso de conhecimento técnico específico, quanto o uso da criatividade como matérias-primas para o desenvolvimento de suas atividades. Sendo assim, o segmento da arquitetura está inserido na Economia do Conhecimento, na Economia Criativa e também no subsetor de serviços KIBS.

Além do segmento da arquitetura, estes Serviços Empresariais Intensivos em Conhecimento (SEIC) abrangem setores como tecnologia da informação, pesquisa e desenvolvimento, serviços legais, contabilidade, marketing, design, engenharia, etc.

Os KIBS foram subdivididos primeiramente em dois subsetores chamados de P-KIBS ou setores de serviços profissionais (contabilidade, serviços jurídicos, serviços de gestão, publicidade e propaganda) e T-KIBS ou setores de serviços técnicos e tecnológicos (arquitetura, engenharias, planejamento e desenvolvimento, serviços de computação e tecnologia). Posteriormente, houve uma terceira classificação chamada de C-KIBS ou serviços criativos intensivos em conhecimento, para que então a arquitetura e demais serviços ligados à criatividade fossem realocados (MILES, 2011).

Uma outra característica importante que os Knowledge-Intensive Business Services carregam, é que além do alto uso de conhecimento profissional específico também englobam serviços com alto nível de customização. Nos serviços criativos, como é o caso do segmento da arquitetura, o funil está na questão da codificação do conhecimento, customização das soluções e personalização dos serviços, além do conteúdo criativo em si (Miles, 2005; Muller e Doloreux, 2009). De uma maneira geral, estas características dificultam a inserção de processos e o valor dos serviços criativos nem sempre é reconhecido.

(18)

Sobre o Mercado da Arquitetura no Brasil, pesquisas recentes do Conselho de Arquitetura e Urbanismo - CAU apontaram o número de 182.000 mil arquitetos e urbanistas, com crescimento anual de cerca de 8%, representando 12.000 mil novos profissionais entrando no mercado anualmente (CAU, 2019). Desde o início do censo do Conselho de Arquitetura e Urbanismo – CAU em 2012 e reportes nos seus anuários, o número de arquitetos no Brasil cresceu 73% entre os anos de 2012 a 2019.

O número de empresas de arquitetura também teve um aumento expressivo, dobrando o seu número desde o início do Censo do CAU em 2012 (CAU, 2012; IGEO, 2020).

Sobre a competitividade e a prestação de serviços em geral, com o atual panorama da economia que extrapola as barreiras geográficas, a partir da digitalização e das novas tecnologias da comunicação e da informação (ICT), a competição entre empresas deixa de ser somente local e a concorrência entre prestadores de serviço passa a ter uma escala mais abrangente. A expansão das ICT faz com que o mercado se torne mais competitivo exigindo um melhor posicionamento estratégico das empresas.

Sendo assim, essa pesquisa de mestrado estudará os conceitos da economia contemporânea, correlacionando os estudos do referencial teórico sobre a Economia do Conhecimento, a Economia Criativa e os Knowledge-Intensive Business Services com o segmento da arquitetura. O intuito desse estudo é trazer insights para que os gestores de escritórios de arquitetura possam posicionar seus escritórios no mercado atual.

1.1 DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA

Uma vez que o segmento da arquitetura é constituído em sua maioria de pequenas organizações, muitas vezes o arquiteto proprietário é o próprio gestor de sua empresa. O questionário da pesquisa está voltado aos arquitetos proprietários ou arquitetos que participam de alguma maneira dos processos de gestão nas empresas de arquitetura.

Como método de pesquisa de referências foi utilizada a plataforma de banco de dados Scopus Elsevier, aliada a pesquisa bibliométrica realizada com o auxílio do software VOS Viewer, os quais levaram a pesquisa dos artigos mais relevantes dentro

(19)

dos assuntos de interesse: Economia do Conhecimento, Economia Criativa e Knowledge-Intensive Business Services. Sendo que para a pesquisa complementar sobre o Mercado da Arquitetura foram utilizados os dados do Conselho de Arquitetura e Urbanismo – CAU e para a busca sobre a atualidade dos serviços de arquitetura foi usado o site de buscas Google.

Foram utilizados o método científico indutivo e a pesquisa survey como processo de investigação quantitativa, por meio de um questionário estruturado para extrair dados específicos sobre os escritórios de arquitetura e o perfil profissional dos arquitetos. Para a coleta de dados o questionário foi constituído de 72 perguntas e estruturado com o uso da ferramenta de pesquisa Survio, disponibilizada de forma on- line aos respondentes entre o período de 28/11/2020 a 25/01/2021.

Para obter as respostas ao questionário a pesquisadora fez contato com alguns grupos de arquitetos por meio de aplicativos de mensagens explicando o motivo da pesquisa, dessa forma, a amostra utilizada foi probabilística. Para o tratamento dos dados as respostas foram tabuladas em planilha Excel, analisadas e descritas pela média, desvio padrão e erro.

1.2 OBJETIVOS DA PESQUISA

O foco da pesquisa está nos escritórios de arquitetura que se baseiam em conhecimento intensivo específico e na criatividade para desenvolver os seus serviços. Sendo assim, o propósito desse trabalho é contribuir para a discussão teórica sobre a economia contemporânea através de uma pesquisa empírica com os escritórios de arquitetura. A seguir serão descritos o objetivo geral desta pesquisa, assim como os objetivos específicos que auxiliarão na descoberta do objetivo geral.

1.2.1 Objetivo Geral

Como objetivo geral, a pesquisa busca analisar a gestão de escritórios de arquitetura com base nos conceitos contemporâneos da Economia do Conhecimento, da Economia Criativa, dos Knowledge-Intensive Business Services.

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1.2.2 Objetivos Específicos

O objetivo geral acima citado será desenvolvido com o auxílio dos seguintes objetivos específicos:

1. Compreender como os serviços de arquitetura se correlacionam com a lógica produtiva da Economia do Conhecimento, da Economia Criativa e dos Knowledge-Intensive Business Services (KIBS);

2. Elaborar questionário voltado aos arquitetos e gestores de escritórios de arquitetura, investigando os conceitos da economia contemporânea abordados no Referencial Teórico;

3. Colaborar com a visão dos gestores dos escritórios de arquitetura na identificação de possíveis pontos de melhoria em suas empresas.

1.3 JUSTIFICATIVAS E CONTRIBUIÇÕES

Na Era do Conhecimento as economias dos países desenvolvidos estão reduzindo o foco na produção de produtos e bens tangíveis, se pautando cada vez mais na geração de valor econômico por meio de serviços e de bens intangíveis do conhecimento. Portanto, tornam-se relevantes os estudos sobre a Economia do Conhecimento, difundindo seus conceitos e promovendo seu desenvolvimento.

A Indústria Criativa também tem ganhado destaque na economia contemporânea, em que a criatividade é aliada ao conhecimento na produção de serviços criativos e com valor comercial de mercado. Portanto, uma das motivações teóricas é compreender como os serviços de arquitetura se encaixam dentro da lógica produtiva da Economia Criativa, em um âmbito mais global em que as informações são cada vez mais ágeis e digitalizadas.

Além disso, foi evidenciado em estudos sobre a Economia do Conhecimento e da Economia Criativa que há carência de dados brasileiros em torno do setor de serviços, portanto, convém que os centros de ensino se debrucem para realizar pesquisas práticas. Este estudo proporcionará sua contribuição por meio da pesquisa empírica com os escritórios de arquitetura, em sua maioria de Curitiba e Região, para a ampliação dos dados para o reconhecimento e a difusão dos temas.

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Relacionado à Economia do Conhecimento e à Economia Criativa, o estudo dos Knowledge-Intensive Business Services complementa os conceitos anteriores. Os KIBS têm ganhado destaque e um salto relevante na publicação de artigos desde 2015, atingindo o maior número de publicações em 2019 segundo os estudos da pesquisadora na base de dados Scopus Elsevier. Os KIBS têm se demonstrado parte importante da economia nos países devido a geração de valor econômico através de suas atividades profissionais com alto conhecimento específico e alto valor agregado.

Possuem três classificações: T-KIBS, P-KIBS e C-KIBS, dentre estas a terceira classificação dos Serviços Criativos Intensivos em Conhecimento na qual se enquadra a arquitetura será a categoria mais explorada.

Uma vez que foi verificada a inter-relação entre estes assuntos, a singularidade da pesquisa se justifica pelo fato de interpolar o conceito da Economia do Conhecimento, da Economia Criativa e dos Knowledge-Intensive Business Services com a segmento da arquitetura, pois não foi identificada nenhuma pesquisa nesse âmbito com foco nos escritórios de arquitetura. Neste sentido, a intenção é que a pesquisa sirva de apoio para os profissionais da arquitetura que queiram estruturar as suas empresas dentro dos conceitos da economia contemporânea, competindo com o embasamento de fundamentos científicos dentro do mercado global e competitivo.

1.4 CONTEXTUALIZAÇÃO

Os países desenvolvidos têm dedicado atenção à promoção do desenvolvimento de serviços intensivos em conhecimento e incentivos ao setor criativo em suas políticas públicas. O tema inovação em serviços ganhou atenção na literatura internacional e também das organizações políticas, especialmente no contexto dos países da União Europeia que patrocina o Services in European Innovation Systems (SI4S). A OCDE, organização intergovernamental que conta com 38 países membros e fundada para estimular o progresso econômico em âmbito mundial, possui o projeto Enhancing the Performance of the Service Sector. No Brasil as pesquisam ainda estão caminhando, mas pode-se destacar a Pesquisa de Atividade Econômica Paulista – PAEP que analisa a inovação tecnológica das empresas de serviço no Estado de São Paulo.

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Algumas economias como a União Europeia, já reconheceram a importância da criatividade e da inovação no campo da competitividade das atividades econômicas. Assim sendo, uma das motivações teóricas é compreender como os serviços criativos têm se tornado protagonistas na lógica produtiva e econômica do mundo contemporâneo, em um ambiente em que segundo Dell`Era, Landoni e Verganti (2015) o conhecimento cresce velozmente, e as informações são cada vez mais ágeis e digitalizadas.

Para Florida (2012) as universidades têm um papel chave no desenvolvimento da Economia Criativa. Segundo o autor, essas instituições lançam projetos de pesquisa que podem ser derivados para as empresas do mercado. Em sua visão, o Vale do Silício nos Estados Unidos não seria o mesmo sem a contribuição da Universidade de Stanford, assim como o corredor tecnológico de Boston obteve a contribuição do Instituto de Tecnologia de Massachusetts - MIT. Assunto também abordado por Doloreux e Frigon (2019) em que o relacionamento com as universidades indica propensões na introdução à inovações tecnológicas, refletindo também a transferência tácita de conhecimento entre a academia e os serviços de conhecimento intensivo.

Do ponto de vista teórico o termo Knowledge-Intensive Business Services surgiu pela primeira vez em 1994, mas o seu campo de pesquisa foi estudado mais intensamente somente na última década. A maior quantidade dos estudos na área está sendo realizada na China, Estados Unidos e União Europeia. No Brasil, os serviços de conhecimento intensivo se tornaram recentemente o tema de pesquisa nos estudos de autores como Figueiredo et al. (2019) e os dados mostraram que o segmento dos KIBS representa 39% da receita, 27% dos salários, 19% das empresas e 13% do pessoal empregado no setor de seviços em geral.

Entretanto, apesar da relevância do segmento dos KIBS, os autores indicam em seus estudos a falta de pesquisas práticas, relatando a necessidade de ampliação nos estudos empíricos para a comparação dos resultados e o desenvolvimento do conhecimento nessa área. Sendo assim, a pesquisa pretende contribuir com os dados coletados na pesquisa survey sobre os escritórios de arquitetura, sobretudo de Curitiba e região.

No campo de estudo do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil – PPGEC da Universidade Tecnológica Federal do Paraná os conceitos dos

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Knowledge-Intensive Business Services, da Economia do Conhecimento e da Economia Criativa ainda não haviam sido pesquisados pelo grupo, logo esse estudo contribuirá para a inserção de novos conhecimentos no programa.

Na ótica dos praticantes, a contribuição para a sociedade seria de ampliar o conhecimento dos gestores de empresas de arquitetura por meio dessa pesquisa de mestrado. Desta forma, possibilitar uma nova perspectiva na gestão dessas empresas e ampliar a visão dos administradores, geralmente os arquitetos proprietários, para que possam extrair mais valor de seus trabalhos criativos.

Sendo assim, a presente pesquisa se destaca por explorar os estudos na área de gestão das empresas, inserindo a pesquisa nos campos da Economia do Conhecimento, Economia Criativa e dos Serviços Empresariais Intensivos em Conhecimento. Uma vez que não foi encontrada nas bases de dados nenhum estudo que correlacionasse esses temas com o segmento da arquitetura, a presente pesquisa encontra a sua posição de originalidade no tema.

1.5 ESTRUTURA DO TRABALHO

A dissertação está dividida em cinco capítulos conforme a estrutura a seguir:

• Capítulo 1: é dada uma breve introdução, juntamente com a delimitação do tema, o objetivo geral e os objetivos específicos desta pesquisa, a justificativa para escolha do tema e a contextualização;

• Capítulo 2: é apresentada a revisão sistemática da literatura e as strings de busca utilizadas na pesquisa das referências. É exposto o referencial teórico com os principais conceitos sobre Economia do Conhecimento, Economia Criativa, Knowledge-Intensive Business Services e um panorama sobre o Mercado da Arquitetura.

• Capítulo 3: são apresentados os procedimentos metodológicos aplicados, incluindo a método aplicado na pesquisa, a abordagem e os meios utilizados.

• Capítulo 4: serão apresentados os resultados da pesquisa, as análises dos dados coletados e as interpretações baseadas na literatura.

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• Capítulo 5: conclui os resultados correlacionados com os objetivos traçados, apresenta as considerações finais, potenciais contribuições e sugestões para pesquisas futuras.

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2 REVISÃO DA LITERATURA

Este capítulo apresenta uma revisão geral da literatura sobre os temas, com o intuito de obter entendimento sobre os principais conceitos, distinguir as linhas de pesquisa, identificar os principais trabalhos para embasar a estrutura desse trabalho.

A pesquisa foi iniciada com uma Revisão Sistemática da Literatura, por meio das strings de busca na base de dados da Scopus Elsevier, com o uso de filtros na base de dados para afunilar a área de pesquisa do tema central (Knowledge-Intensive Business Services), que derivou o interesse nos demais temas (Economia do Conhecimento e Economia Criativa). Seguida da avaliação do resultado das buscas no programa de análise blibliométrica: VOS Viewer.

Posteriormente, será apresentado o Referencial Teórico do tema embasado nas conclusões de citações, cocitações e de autores obtidos com a análise bibliométrica. Nesta seção são apresentados os principais conceitos e construtos, linhas teóricas e os principais autores dos temas de pesquisa, correlacionando-os com o setor de serviços e com o segmento da arquitetura.

2.1 REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA

Inicialmente foi desenvolvida uma Revisão Sistemática da Literatura (RSL) através de pesquisa bibliográfica com o auxílio de uma base científica de dados, com o objetivo de analisar a quantidade de publicações e estudos acadêmicos, países de origem, ano de publicação e autores referentes aos temas de interesse. Em seguida, com os principais dados filtrados o resultado extraído foi utilizado para uma análise bibliométrica.

A pesquisa bibliográfica busca explicar a problemática levantada utilizando o conhecimento científico disponível na área de estudo, para que o pesquisador tome conhecimento e analise as principais contribuições sobre o tema estudado (KÖCHE, 2015). Também a finalidade de verificar o material já publicado na área de estudo, com o intuito de fornecer fundamentação teórica para a pesquisa (GIL, 2018).

Já a pesquisa bibliométrica é a análise estatística de publicações que se baseia em uma métrica, relaciona trabalhos, autores, instituições, países e palavras-

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chave. Com o processo de digitalização e o acesso on-line à base de dados de produção científica mundial, tornou-se possível obter informações de diversas fontes sobre um determinado tema (GIL, 2018). Essa pesquisa foi baseada na análise bibliométrica realizada no software VOS Viewer para entender a estrutura e os padrões de desenvolvimento dentro dos temas escolhidos.

2.1.1 String de busca

Para a busca de dados foi realizada uma simulação com o termo “knowledge- intensive business services” primeiramente na plataforma Web of Science e posteriormente na Scopus Elsevier, foi verificado que para o termo de interesse a segunda busca obteve maior retorno de dados. Portanto, a base de dados escolhida foi a Scopus Elsevier e foram realizadas algumas simulações com o termo de interesse “knowledge-intensive business services” e de sua abreviação “KIBS”, juntamente com algumas combinações com uso de aspas e o uso de operadores boleanos, conforme mostra a Tabela 1. Com a string de busca “knowledge intensive business services” OR “KIBS” foi alcançada a melhor seleção de documentos focados no tema, com 952 resultados publicados entre 1994 e 2020.

Tabela 1- Pesquisa de strings na base de dados do Scopus

string

Palavras utilizadas

na primeira string de busca

Base de busca

Resultados Nº docs 1 knowledge intensive business services * Scopus 1316 2 “knowledge intensive business services” ** Scopus 617 3 “knowledge intensive business services” AND “KIBS” *** Scopus 455 4 “knowledge intensive business services” OR “KIBS” **** Scopus 952

* sem o uso de aspas a busca resultou em um apanhado de artigos fora do contexto específico dos KIBS

** com o uso de aspas a busca resultou em uma pesquisa focada no termo KIBS

*** com o uso de aspas em ambos os termos e o operador boleado AND o resultado da busca foi reduzido

**** o uso do termo juntamente com a sua abreviação usando o operador boleado OR resultou em uma pesquisa mais focada no termo de interesse e com o maior número possível de documentos

Fonte: Elaborado pela autora (2020)

A base de dados Scopus possui uma ferramenta que disponibiliza alguns gráficos de análises sobre o resultado da string utilizada. Pode-se observar no Gráfico 1 o número de publicações por ano indicando o ano de lançamento da primeira

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publicação do tema em 1994 e uma crescente no número de publicações indicando a relevância no estudo do tema na última década.

Gráfico 1- Número de publicações por ano

Fonte: SCOPUS (2020)

Outra análise realizada foi o número de publicações por área temática, conforme o Gráfico 2. A maior parte dos documentos 21,5% são da área de Negócios, Gestão e Contabilidade, 10,3% em Ciências Sociais, 9,5% da área de Engenharia e 8,9% Economia, Econometria e Finanças. Esse gráfico caracteriza o aspecto interdisciplinar do tema da pesquisa.

Gráfico 2 – Documentos por área temática

Fonte: SCOPUS (2020)

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O país que desponta no número de publicações relacionadas ao termo KIBS é a China, seguida pelo Reino Unido, Itália, Espanha e Estados Unidos. O Brasil não é exeibido no gráfico, mas pelo número de publicações está na 16º posição, com 14 documentos publicados na base de dados da plataforma (Gráfico 3).

Gráfico 3 – Número de publicações por país

Fonte: SCOPUS (2020)

A ferramenta da base Scopus também permite a análise dos autores com o maior número de publicações, observa-se como relevantes os autores David Doloreux, Qiyau Yu, Richard Shearmur, Ettore Bolisani, Enrico Scarso, etc. Apesar de Ian Miles estar na sétima posição, o autor possui destaque por seu trabalho seminal e por ser o primeiro a cunhar o termo KIBS em publicações (Gráfico 4).

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Gráfico 4 – Documentos por autor

Fonte: SCOPUS (2020)

Conforme mostra o Gráfico 5 a maior parte dos documentos é constituída por artigos acadêmicos (76,7%), seguido por artigos de conferência (10,6%) e capítulos de livros (7,3%), reviews (3,8%), livros (0,7%), e assim por diante. Fato verificado durante a busca dessa pesquisa, que na circunstância presente teve a maior parte dos dados baseados em artigos científicos.

Gráfico 5 – Documentos por tipo

Fonte: SCOPUS (2020)

Após as análises dos gráficos, foram aplicados alguns filtros na string utilizada. O primeiro limitou as publicações entre os anos de 2020 a 2015, o segundo selecionou as áreas de interesse, o terceiro limitou os documentos à língua inglesa e portuguesa, o quarto delimitou as palavras-chave de interesse, e por fim, o quinto excluiu áreas que não eram de interesse. Utilizando estes filtros para delinear a área de estudo, o resultado inicial foi reduzido de 952 para 139 documentos (Tabela 2).

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Tabela 2 – Aplicação de filtros na busca dos resultados do Scopus Aplicação de filtros - Pesquisa Scopus com 952 resultados da string geral

Ordem Filtro aplicado Seleção Nºdocumentos

Filtro Pesquisa da string inicial 952

Ano (year: limit to) 2020 - 2015 528

Área de estudo (limit to: Subject area)

Business, Management and Accounting (159) Social Sciences (94)

Engineering (87) Decision Sciences (35)

308

Línguas

(limit to: language)

English Portuguese

305

Palavras-chave:

limitadas

(limit to: Keywords)

Selecionadas as palavras-chave a seguir:

Knowledge intensive business services, Kibs, Innovation, Business Service, Knowledge, Service Innovation, Entrepreneur, Regional Development, Service Sector, Entrepreneurship, Sales, Technological Innovation, Urban Economy, Business, Competitiveness, Open Innovation, Case Study, Creative Industries, Knowledge Based Systems, Management, R&D, Regional Planning, SME´s, Technological Development, University Sector, Absorptive Capacity, Agglomeration Economies, Case Study Analysis, Case Study Research, Competition, Globalization, Information Management, Intellectual Capital, Spillover Effect, Sustainability, Business Services, Co-creation, Co-production, Innovation Capability, New Service Development

182

Palavras-chave:

excluídas (Keywords:

excludes)

Exclusas as palavras-chave a seguir:

Manufacturing, Manufacture, Industrial Location, Tourism, Broadband, High Technology Industry, Industrial Design, Industrial Development, Industrial Research, Manufacturing Firms, Industrial Management, Industrial Performance, Industrial Practice, Information And Communication Technology, Information Technology, Internet, Offshoring

139

Fonte: Elaborado pela autora (2020)

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Foi realizada uma seleção dos documentos por meio da leitura dos seus títulos e quando necessário uma breve leitura do resumo. Por meio dessa triagem foram selecionados os artigos que tinham relação com o objetivo e a contribuição para a pesquisa. Posteriormente, por meio da leitura dos artigos iniciais escolhidos surgiram novas referências pela bibliografia mencionada em seus conteúdos.

2.1.2 Análise bibliométrica

Com o auxílio do software VOS Viewer utilizado para a construção e visualização de redes bibliométricas a partir da pesquisa de um corpo de literatura científica, o presente estudo realizou análises com relação de palavras-chave, acoplamento bibliográfico, citação, co-citação e coautoria.

A string que resultou em 952 documentos e a string reduzida com 139 documentos foram exportadas em formato “csv” do próprio site da base de dados Scopus Elsevier, gerando assim um arquivo em formato Excel que foi importado no software VOS Viewer para análise. Primeiramente foi utilizada a string geral de 952 resultados para se ter um panorama geral sobre o assunto, em seguida, foi realizada a análise com a string reduzida com 139 resultados.

2.1.2.1 Análises da string geral

A partir da string que resultou em 952 documentos no Scopus, aqui chamada de string geral, foram realizadas as análises de co-ocorrência que originou um total de 4273 palavras encontradas e resultou em 138 palavras-chave. Dessa forma obteve-se um panorama geral de palavras-chave sobre o campo de estudo geral dos Knowledge-Intensive Business Services.

A Figura 1 mostra que há dois grandes clusters ou campos de pesquisa relacionados aos KIBS. De uma maneira geral, o campo à esquerda da figura concentra uma área mais conectada à tecnologia com o estudo de ions, anodes e nanopartículas. O campo à direita concentra a área de estudo em inovação, gestão

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do conhecimento, inovação em serviços e produtividade, esse sim, formando a área de interesse da pesquisa.

Figura 1 - Análise de co-ocorrência com as 138 palavras-chave da string geral

Fonte: A autora com o auxílio do software VOSviewer (2020)

Ampliando o cluster na cor verde observa-se que o campo concentra a área de gestão desejada para essa pesquisa, com palavras-chave como inovação, serviços empresariais, competitividade, gestão, gestão do conhecimento e empreendedorismo (Figura 2).

Figura 2 - Análise de co-ocorrência no cluster de interesse

Fonte: A autora com o auxílio do software VOSviewer (2020)

Utilizando o recurso de citação para países foi verificado que o Brasil está dentre os países que estão desenvolvendo pesquisas científicas no campo de estudo.

Contudo, a China visivelmente domina os estudos seguida pelos países da União Europeia (Reino Unido, Espanha, Itália, Finlândia, Portugal, Holanda, etc) e demais países como Estados Unidos, Austrália e Canadá (Figura 3).

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Segundo a pesquisa bibliométrica do VOS Viewer, o Brasil ocupa o 18º lugar na quantidade de documentos científicos, 23º no número de citações e 21º na intensidade de conexões (total link strenght). Tais dados demonstram que o país está no caminho certo, no entanto, há campo para elevar as pesquisas e seguir lado a lado com os demais países.

Figura 3 - Análise de citação por países e ano.

Fonte: A autora com o auxílio do software VOSviewer (2020)

2.1.2.2 Análises da string reduzida

A partir dos filtros aplicados na string geral de 952 documentos que posteriormente resultou em 139 documentos, aqui chamada de string reduzida, foram realizadas as análises de co-ocorrência e de um total de 700 palavras-chave, utilizando o mínimo de 3 ocorrências, resultaram em 72 palavras-chave. A Figura 4 mostra a conexão entre as palavras e também uma sequência de cores indicando os clusters formados. Algumas palavras têm relevância e serão abordadas no estudo desta pesquisa, como knowledge management (gestão do conhecimento), intelectual capital (capital intelectual), creative industries (indústrias criativas), service innovation (inovação em serviços) e entrepeneurship (empreendedorismo).

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Figura 4 - Análise de co-ocorrência com as 72 palavras-chave da string reduzida

Fonte: A autora com o auxílio do software VOS Viewer (2020)

A análise dos autores também foi feita de forma a identificar os pesquisadores com maior número de publicações, demonstrada através de uma rede de relacionamentos entre eles. Foi utilizado como tipo de análise ‘co-citation’, unidade de análise ‘authors’ e método de contagem ‘full counting’, que atribui o mesmo peso para cada citação. Para filtragem, foram selecionados apenas autores com no mínimo 20 citações. De um total de 8284 autores encontrados, essa análise resultou em uma rede de 82 autores, com destaque para Doloreux, Miles, Mueller, Shearmur, Sundbo, Gallouj, Hipp, Den Hertog, Tether, Bettencourt, Nonaka, dentre outros que serão citados nessa pesquisa (Figura 5).

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Figura 5 - Análise de co-citação de autores

Fonte: A autora com o auxílio do software VOSviewer (2020)

A partir dessas análises, com base nos autores e trabalhos encontrados, ainda foram realizadas buscas complementares, utilizando a ferramenta de busca Google Acadêmico, que fornece a opção “artigos relacionados” para associar a um artigo específico de maior interesse, atraindo bibliotecas de teses e dissertações, livros e outros periódicos. Com essas informações, foi realizada uma leitura crítica do material selecionado e uma organização lógica dos conteúdos, selecionando os mais relevantes e compatíveis com a pesquisa, a partir de critérios de confiabilidade, profundidade e extensão dos estudos.

2.2 REFERENCIAL TEÓRICO

Segundo Lakatos e Marconi (2017) a revisão bibliográfica do referencial teórico é indispensável para a delimitação do problema em um projeto de pesquisa. O referencial teórico é utilizado também para alcançar uma ideia precisa sobre o estado atual dos conhecimentos sobre um tema, sobre suas lacunas e sobre a contribuição da investigação para o desenvolvimento do conhecimento.

O referencial teórico apresentado nessa seção tem como objetivo retratar a base teórica e conceitual sobre os temas da pesquisa, identificando os estudos consolidados e os principais conceitos da literatura que serão essenciais ao desenvolvimento deste trabalho.

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2.2.1 Economia do Conhecimento

A economia mundial passou por diversos estágios, houve o período da Economia Agrícola, da Era Pré-Industrial e da Era Industrial. Posteriormente, na Economia Pós-Industrial a importância econômica da manufatura foi decrescente e deu um forte estímulo ao setor de serviços, impulsionando a atual Economia do Conhecimento que é o mais recente estágio de reestruturação econômica global.

Após a Segunda Guerra Mundial a economia mundial apontou para o conhecimento e os bens intangíveis, ou seja, a expertise dos trabalhadores que aplicam suas ideais, conceitos e informações na produção do trabalho. O termo Economia do Conhecimento foi popularizado por Peter Drucker, que dedicou um capítulo de seu livro The Age of Discontinuity (1969) ao tema. No entanto, Drucker atribui o conceito ao economista Fritz Machlup que foi um dos primeiros estudiosos a examinar o conceito de conhecimento como recurso econômico (DRUCKER, 1969).

Economistas tendem a classificar as “indústrias do conhecimento” como o próprio setor de serviços. Para Castelacci (2006) o conhecimento é considerado um dos recursos estratégicos da economia moderna e também das organizações.

Segundo o autor a economia capitalista moderna possui duas características: de um lado o conhecimento e de outro a inovação, ambas desempenhando papéis importantes no sistema econômico. Diferentemente do paradigma tecnológico anterior de produção industrial em massa que possuía grande necessidade de energia e matérias-primas, o novo paradigma é baseado no conhecimento e nas novas Tecnologias de Informação e Comunicação (ICT – Information and Communication Technologies). O avanço das ICT impulsionou a Economia Conhecimento, pois formam um meio de interação e geração de novas informações, que são insumos para produção de conhecimento e inovação.

A inserção das ICT introduziu a necessidade de uma crescente codificação do conhecimento nas rotinas de trabalho, sendo assim, o conhecimento tácito implícito no trabalhador ainda desempenha um papel relevante na elaboração das informações e transformação em conteúdo de valor para os serviços (CORROCHER; CUSMANO;

MORRISON, 2009). Segundo Drucker (1969) o que importa na Economia do Conhecimento é como o conhecimento é aplicado, seja ele novo ou antigo, e mais

(37)

relevante do que a sofisticação ou a novidade da informação, é como ela é aplicada, como o trabalhador opera os instrumentos, utilizando a imaginação e as suas habilidades.

A quebra de paradigma da nova economia é que a mesma se baseia em um sistema de produção flexível, determinada muito mais pela demanda definida pelo usuário do que pelo produtor. O monitoramento da demanda substituiu o planejamento anterior da produção tradicional em massa e com grandes necessidades de estoques da antiga Era Fordista manufatureira. Como consequências dessas transformações, a acumulação do capital físico (humano) que tradicionalmente era considerado como principal fator de crescimento nas economias de escala, torna-se um sistema de produção flexível e sob demanda (CASTELACCI, 2006).

Outra característica da Economia do Conhecimento é a ruptura de barreiras geográficas e a diminuição do efeito da localização em algumas atividades econômicas que utilizam a tecnologia e métodos apropriados para que as organizações possam se desenvolver virtualmente, com benefícios como velocidade, agilidade, operação ininterrupta e alcance global (CORROCHER; CUSMANO;

MORRISON, 2009).

No desenvolvimento da economia baseada no conhecimento, os serviços têm tido um papel central e supõe-se que os Knowledge-Intensive Business Services estão se desenvolvendo gradualmente para uma “segunda infraestrutura do conhecimento”.

Os KIBS estão integrando-se a outras atividades econômicas por meio da prestação de serviços e da coprodução da inovação por meio do relacionamento com outras empresas clientes. Assim mais do que os serviços de uma forma geral, os Serviços de Conhecimento Intensivo tornam-se um dos novos atributos da economia do conhecimento. Ao contrário dos recursos de matérias-primas que são esgotados quando utilizados, a Economia do Conhecimento traz consigo a abundância de que as informações e o conhecimento crescem quando compartilhados e aplicados (DEN HERTOG, 2000).

2.2.1.1 Dados, informações e conhecimento

Autores apontam que o capital humano e suas competências são componentes chave no valor das empresas inseridas na Economia do Conhecimento

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(DRUCKER, 1969; MILES, 2011). No entanto, o conhecimento deve ser organizado em sistemas e processos dentro das organizações, de modo a manter o seu valor inerente dentro da empresa e não somente inertes nos colaboradores (NONAKA;

TAKEUCHI, 1997; DAVENPORT; PRUSAK, 1998; NONAKA; VON KROGH, 2009).

Informação válida especialmente aos indivíduos do setor KIBS que são trabalhadores com alto nível de conhecimento adquirido por meio de uma educação extensiva e não somente do conhecimento obtido através da prática do trabalho (MILES, 2011). Para que o conhecimento transcenda o âmbito do colaborador e passe a ser um conhecimento que toda a empresa possa usufruir, é necessário que haja processos e a comunicação dentro da organização passa a ser percebida cada vez mais como um item fundamental para os fluxos de conhecimento (NONAKA;

TAKEUCHI, 1997; DAVENPORT; PRUSAK, 1998; NONAKA; VON KROGH, 2009).

Para os respeitados autores Davenport e Prusak (1998), o conhecimento deriva da informação, assim como a informação é derivada dos dados. Os dados são registros coletados de um evento, as informações são os dados organizados com um propósito, e o conhecimento é a interpretação das informações, agregada com a experiência e insights de especialistas que avaliam as informações. Segundo os autores, a manutenção de registros é o centro para a cultura de dados e o seu gerenciamento eficaz é essencial ao sucesso das empresas.

Ainda de acordo com Davenport e Prusak (1998) a transformação desses três conceitos parte em sua maioria por pessoas, pois a tecnologia auxilia a transformar dados em informações, mas raramente conseguem ajudar no contexto. Portanto, a interpretação é realizada na maior parte das vezes por pessoas e não por máquinas e deriva do que os autores chamam de “c-words”:

• Comparação: como as informações sobre certa situação se comparam com outras situações que já são conhecidas?

• Consequências: quais implicações essas informações têm para decisões e ações?

• Conexões: como tal conhecimento se relaciona com outros? E o que as pessoam pensam sobre tal informação?

Davenport e Prusak (1998) concluem que o conhecimento não é puro ou simples, ele é uma mistura de vários elementos. Além de formalmente estruturado, ele é intuitivo, existe nas pessoas e é difícil de ser capturado em palavras ou e, termos

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lógicos. Tais características exigem novas formas de abordagem por parte dos gestores, pois é papel desses profissionais orquestrar o fluxo de informações para que a empresa saiba utilizar os seus dados, informações e gere conhecimento como forma de vantagem competitiva. Sendo assim, a comunicação efetiva é parte fundamental e integrante da gestão do conhecimento.

2.2.1.2 Gestão do conhecimento e o modelo SECI

A Gestão do Conhecimento (GC) é um conjunto de práticas que procuram gerenciar as circunstâncias necessárias para que o conhecimento possa prosperar dentro de uma organização. A GC vem ganhando espaço e sendo reconhecida como um modelo de gestão que contribui para o desenvolvimento e a sobrevivência de diferentes tipos de organizações (SANTOS; DAMIAN; VALENTIM, 2019). Esse modelo de gestão envolve o planejamento, os processos, as estratégias e as práticas organizacionais, cujo papel principal é vinculado aos sujeitos organizacionais, ou seja, os colaboradores (MARTIN, 2003).

Um conceito bastante consolidado nessa área é a Teoria da Criação do Conhecimento Organizacional dos autores Ikujiro Nonaka e Hirotaka Takeuchi, os quais determinaram o modelo SECI (socialização, externalização, combinação e internalização) como um método de análise da relação e das formas de conversão entre do conhecimento nas organizações (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).

Os autores classificam dois tipos de conhecimento: o tácito e o explícito. O conhecimento tácito é pessoal e complexo, derivado da experiência do indivíduo, possui dimensão contextual, é desenvolvido pessoalmente e fica interiorizado no conhecedor. Já o conhecimento explícito advém do conhecimento tácito, mas pode ficar disponível na organização se formalizado sistematicamente. Apesar de parte do conhecimento ser perdido nesse processo de conversão, ele é necessário para que todos da empresa possam compreender o conhecimento disponível em cada membro, utilizando-o a favor da empresa (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).

Segundo Nonaka e von Krogh (2009) o conhecimento é a capacidade de agir com base em elementos explícitos e tácitos que interagem dinamicamente entre si. O processo de transformação do conhecimento permite que os colaboradores possam engajar em uma prática social para articular o conhecimento em conjunto,

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