www.bjorl.org
Brazilian
Journal
of
OTORHINOLARYNGOLOGY
ARTIGO
ORIGINAL
Ophthalmic
complications
of
endoscopic
sinus
surgery
夽
Malgorzata
Seredyka-Burduk
a,b,
Pawel
Krzysztof
Burduk
c,∗,
Malgorzata
Wierzchowska
c,
Bartlomiej
Kaluzny
a,be
Grazyna
Malukiewicz
baNicolausCopernicusUniversityinToru´n,FacultyofMedicine,DepartmentofOptometryCollegiumMedicum,Toru´n,Polônia bNicolausCopernicusUniversityinToru´n,FacultyofMedicine,DepartmentofOphthalmologyCollegiumMedicum,Toru´n,Polônia cNicolausCopernicusUniversityinToru´n,FacultyofMedicine,DepartmentofOtolaryngologyandLaryngologicalOncology
CollegiumMedicum,Toru´n,Polônia
Recebidoem7demarçode2016;aceitoem8deabrilde2016 DisponívelnaInternetem25demarçode2017
KEYWORDS
Endoscopicsinus surgery; Orbital/ocular; Chronicrhinosinusitis
Abstract
Introduction:Theproximityoftheparanasalsinusestotheorbitanditscontentsallowsthe occurenceofinjuriesinbothprimaryorrevisionsurgery.Themajorityoforbitalcomplications areminor.Themajorcomplicationsareseenin0.01---2.25%andsomeofthemcanbeserious, leadingtopermanentdysfunction.
Objective:Theaimofthisstudywastodeterminetheriskandtypeofophthalmiccomplications amongpatientsoperatedduetoachronicrhinosinusitis.
Methods:Thisisaretrospectivestudyof1658patientswhounderwentendoscopicsinussurgery forchronicrhinosinusitiswithorwithoutpolypsormucocele.Surgerieswereperformedunder generalanesthesiainall casesandconsisted ofpolyps’ removal,followed by middlemetal antrostomy,partialorcompleteethmoidectomy,frontalrecess surgeryandsphenoidsurgery ifnecessary.Theophthalmiccomplicationswereclassifiedaccordingtotype,frequencyand clinicalfindings.
Results:Inourmaterial32.68%ofthepatients requiredrevisionsurgeryandonly10.1%had beenpreviouslyoperated inourDepartment.Overallcomplicationsoccurred in11 patients (0.66%).Minorcomplicationswereobservedin5patients(0.3%)withthemostfrequentbeing periorbitalecchymosiswithorwithoutemphysema.Majorcomplicationswereobservedinone patient(0.06%)andwererelatedtoalacrimalductinjury. Severecomplicationsoccurredin 5 cases (0.3%), with 2 cases and referred to aretroorbital hematoma, optic nerve injury (2cases)andonecaseofextraocularmuscleinjury.
DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.04.006
夽 Comocitar esteartigo: Seredyka-BurdukM, Burduk PK,Wierzchowska M, Kaluzny B, MalukiewiczG. Ophthalmiccomplications of
endoscopicsinussurgery.BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:318---23.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](P.K.Burduk).
ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.
Conclusions: Orbital complications of endoscopic nasal surgery are rare. The incidence of seriouscomplications, causingpermanent disabilitiesisless than0.3%.The mostimportant parameters responsiblefor complicationsareextensionofthedisease,previousendoscopic surgeryandcoexistinganticoagulanttreatment.
© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
PALAVRASCHAVE
Cirurgiaendoscópica doseionasal; Orbital/ocular; Rinossinusitecrônica
Complicac¸õesoftálmicasdacirurgiaendoscópicadosseiosnasais
Resumo
Introduc¸ão: A proximidade dos seiosparanasais àórbita e seu conteúdotornam possível a ocorrênciadelesõestantonacirurgiaprimáriacomonaderevisão.Amaioriadascomplicac¸ões orbitaissãomenores.Asmaioressãoobservadasem0,01%-2,25%ealgumasdelaspodemser graveslevandoadisfunc¸ãopermanente.
Objetivo: Oobjetivodesteestudofoiidentificaroriscoeotipodecomplicac¸õesoftalmológicas empacientesoperadosdevidoarinossinusitecrônica.
Método: Foi realizado um estudo retrospectivo com 1.658 pacientes submetidos a cirurgia endoscópicasinusaldevidoarinossinusitecrônicacomousempóliposoumucocele.Ascirurgias foram realizadas sob anestesia geralem todos os casos e consistiramde remoc¸ão de póli-pos,seguidadeantrostomiameatalmédiaouetmoidectomiaparcialoucompleta,cirurgiade recesso frontalecirurgiadeesfenoidesenecessário. Ascomplicac¸ões oftalmológicasforam classificadasdeacordocomotipo,frequênciaeachadosclínicos.
Resultados: Emnossomaterial32,68%dospacientesnecessitaramdecirurgiaderevisãoe ape-nas10,1%haviamsidoanteriormenteoperadosemnossodepartamento.Ascomplicac¸õesgerais ocorreramem11pacientes(0,66%).Complicac¸õesmenoresforamobservadasem5pacientes (0,3%),sendoqueamaisfrequentefoiequimoseperiorbitalcomousemenfisema.Complicac¸ões maiores foram observadas em um paciente (0,06%) e atribuída à lesão do ducto lacrimal. Complicac¸õesgravesocorreramem5casos(0,3%)eforamreferidascomohematomaretrorbital (2casos),lesãodonervoóptico(2casos)eumcasodelesãomuscularextraocular.
Conclusões: Ascomplicac¸õesorbitaisdacirurgiaendoscópicanasalsãoraras.Aincidênciade complicac¸õesgravesquecausamincapacidadepermanenteédemenosde0,3%.Osparâmetros maisimportantesresponsáveisporcomplicac¸õessãoextensãodadoenc¸a,cirurgiaendoscópica anterioretratamentoanticoagulantecoexistente.
© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este ´e um artigo Open Access sob uma licenc¸a CC BY (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
Introduc
¸ão
Acirurgiaendoscópicafuncionaldosseiosparanasais(FESS)
éoprocedimentocirúrgicomaisindicadoparaotratamento
das doenc¸as sinusais. Na última década, o procedimento
tornou-se relativamente seguro.1---4 A incidência global de
complicac¸ão minor e major após FESS varia de 0,4 a
30%.1,2,5,6 Aproximidadeanatômicadosseios paranasaise
das órbitas os expõe a risco de trauma.2,6 A maioria das
complicac¸ões orbitais é do tipo minor (3,9% a 20,24%).
As complicac¸õesmajorsão observadasem 0,01% a 2,25%,
masalgumas delaspodem sergraves e levar a disfunc¸ões
permanentes.1,2,5---8
As complicac¸õesoftalmológicaspodemserclassificadas
em:minor(grauI),queincluemlesãodalâminapapirácea;
major (grau II) do ducto lacrimal; e, finalmente, graves
(grauIII)comohemorragiaretrorbital,lesãodonervoóptico
ouqualquerreduc¸ãodavisãooucegueiraelesõesdo
mús-culoorbital.1,6,9,10Enquantoascomplicac¸õesoftalmológicas
minor e major normalmente não apresentam quaisquer
incapacidadespermanentes, asgraves sãopotencialmente
incapacitantes.1,2,5,6
Para reduzir ou eliminar a incidência decomplicac¸ões
oftalmológicas,ousodetomografiacomputadorizada(TC),
ressonânciamagnética (RM), índice deLund-MacKay e de
técnicasdepontaérecomendado.Aindamaisimportanteé
otreinamentoeoconhecimentodascurvasdeaprendizado
paraacirurgiadeFESS.1,2,11,12
Foramavaliados 1.658 pacientessubmetidos a cirurgia
Tabela 1 Taxa de complicac¸ões oftalmológicas na FESS total
Tipodecomplicac¸ão Não %
Minor
Lesãodalâminapapiráceae equimoseperiorbitale enfisema
5 0,3
Major
Lesãodoductolacrimal 1 0,06
Grave 5 0,3
Hematomaretrorbital 2 0,12 Lesãodonervoóptico 2 0,12 Lesãodomúsculoorbital 1 0,06
entre2005a2013emnossodepartamento.Ascomplicac¸ões oftalmológicas foram distribuidas de acordo com tipo, frequênciaeachadosclínicos.
Método
Este é um estudo retrospectivo de 1.658 pacientes sub-metidos a FESS para tratamento de rinossinusite crônica (RSC)entre2005 a2013, noDepartamento de Otorrinola-ringologia.O protocolodoestudo foirevisado e aprovado pelo comitê de ética (decisão número 366/2015). Todos os pacientes com RSC com ou sem pólipos e pacientes com mucocele foram incluídos. Os pacientes com tumo-res benignos e malignos foram excluídos. O diagnóstico da RSC foi feito de acordo com a anamnese e acha-dos objetivos. Os casos foram classificados de acordo com o escore de Lund MacKay e Lund Kennedy.11,12
Idade, sexo, escore de Lund MacKay, sintomas e tipo
de cirurgia foram correlacionados com frequência de
complicac¸ões oftalmológicas minor, major e graves. As
cirurgias foram realizadas por dois cirurgiões seniores. A
experiência cirúrgicafoi classificada como iniciantes (0 a
5 anos) e experientes (mais de 5 anos). As complicac¸ões
oftalmológicassãomostradasnatabela1.
As cirurgias foramfeitas sob anestesia geral em todos
os casos e consistiram na remoc¸ão de pólipos com
microdebridador, seguida por antrostomia meatal média,
etmoidectomia parcial ou completa, cirurgia de recesso
frontalecirurgiadeseioesfenoide,senecessário.Aofinal
doprocedimentofoicolocadocurativocomgazenomeato
médioeremovidoapóssetedias.
AanáliseestatísticafoifeitacomsoftwareStatSoftInc.
(2011)Statisticaversão10.OtesteUdeMann-Whitneyeo
teste2foramusadosparaavaliardiferenc¸asentreas
possi-bilidadespositivasounegativasdecomplicac¸ão.Análisesuni
e multivariadasforamfeitascomregressão logística,para
obterfatoresderiscoparacomplicac¸õesoftalmológicasda
FESS.Oníveldesignificânciafoidefinidocomop<0,05.
Resultados
Aidadevarioude17a69anos(médiade45,6).Osachados
esintomassãomostradosnatabela2.Ostiposdecirurgia
sãoapresentadosnatabela3.Nonossomaterial,em32,68%
dospacientesosprocedimentosconstituíam-sedecirurgias
revisionais,com10,1%previamentefeitasemnosso
depar-tamento.Osprocedimentoscirúrgicosforamfeitospordois
cirurgiõescomníveldependentedaexperiência(tabela4).
Todos ospacientes que apresentaram complicac¸ões
oftal-mológicasforamdiagnosticados,tratadoseacompanhados
por um oftalmologista sênior. Complicac¸ões gerais
ocor-reram em 11 pacientes (0,66%). Complicac¸ão minor foi
observadaemcincopacientes(0,3%),equimoseperiorbital
comousemenfisemafoiamaisfrequente.Lesãomajorfoi
observadaem umpaciente (0,06%)e relatadacomo lesão
doductolacrimal,reparadanamesmacirurgia.Ocorreram
complicac¸õesgravesemcincocasos(0,3%),descritascomo
hematoma retrorbital (dois casos), lesão do nervo óptico
(doiscasos)elesãomuscularextraocular(umcaso).Entre
o grupo decomplicac¸õesgraves, nos doiscasos de
hema-tomaretrorbitalfoifeitadescompressãoorbitáriaimediata,
com bons resultados e recuperac¸ão completa. No
paci-entecomlesãomuscularextraocular(músculoretomedial)
após a correc¸ão cirúrgica oftalmológica e reabilitac¸ão
nãoalcanc¸amosarecuperac¸ãocompletaeopacienteainda
apresentavadiplopia.Emambososcasosdelesãodonervo
ópticoadescompressãofoifeita,masemapenasumdeles
a acuidade visual melhorou para 0,1 na tabela de
Snel-len.Aacuidadevisualdosegundopacienteficourestritaa
detecc¸ãodemovimentoscomamão.Essesdoiscasosforam
qualificados comocomplicac¸õesoftalmológicas
permanen-tes(0,12%detodasascirurgias).
Tabela2 Achadosfisiopatológicosetaxadecomplicac¸ões
n Complicac¸ões positivas(n = 11)
Complicac¸õesnegativas (n= 1.647)
Valor-p
Idade(anos) 45,6±13,8 45,1±12,3 47±10,8 ns
Sexo(masculino/feminino) 987/671 6/5 981/666 ns
EscoredeLund-MacKay 12,4±7,3 14,7±8,9 9,4±5,4 <0,028 Escoredepólipo 2,6±1,4 3,1±1,5 1,7±1,1 <0,05 Cirurgiapréviadoseionasal 542 9±5,3 2±1,1 <0,05 Tratamentocomanticoagulantes 331 7±3,8 4±2,9 <0,05
RSC 675 3±1,1 672±15,6 ns
RSCcompólipos 973 8±3,4 965±16,7 <0,05
Mucocele 10 0 10±2,8 ns
Tabela3 Tipoeextensãodacirurgianogrupoanalisadodepacientes
Cirurgia n % Complicac¸ões(n) Valor-p
Infundibulotomia 5 0,3 1 ns
Etmoidectomiaparcialanterior 118 7,12 0
---Etmoidectomiacompleta 187 11,29 6 <0,05
Esfenoetmoidectomia 68 4,1 2 ns
Frontoetmoidectomiaanterior 296 17,85 0
---Frontoetmoidectomiacompleta 886 53,44 2 ns
Frontoesfenoetmoidectomia 98 5,9 0
---Total 1658 100 11 ns
ns,nãosignificativo.
Tabela4 Percentagemdecirurgiasfeitasporiniciantes(0a5anos)ecirurgiõesexperientes(>5anos)comocorrênciade complicac¸õesoftalmológicas
0a5anos >5anos
Cirurgião1 Cirurgião2 Cirurgião1 Cirurgião2
Númerodecasos 402 280 378 598
Complicac¸ão(N)etipo 3 2 3 3
Minor 0 1 2 2
Major 0 0 0 1
Grave 3 1 1 0
Valor-p ns ns ns ns
ns,nãosignificativo.
Discussão
Apesar de a incidência de complicac¸ões oculares durante FESS ser bastante baixa, elas podemser graves e levar à disfunc¸ãopermanente.Aincidênciaglobaldecomplicac¸ões de FESS é relatada em várias metanálises, que indicam sua ocorrência entre 4,2 a 23% ou 0,9 a 3,1%.1,3,5 Há
apenasalgumas poucasanálises das complicac¸õesorbitais
duranteFESS.13,14 Aincidênciadessetipodecomplicac¸ões
varia de 0,5 a 5%.13 Em nosso estudo, procurou-se
avaliar a frequência e os tipos de complicac¸ões
oftal-mológicas como minor, major e grave, a partir do novo
sistemadeclassificac¸ãopropostoporSiedek.1Aincidência
exatadelesãoorbitalduranteFESSnãoéclara,maséainda
inferior a 1%.1,3,5,13 Esse resultado foi também obtidoem
nossoestudo e a taxa detodas ascomplicac¸ões
oftalmo-lógicas foi de 0,66%. A órbita e seu conteúdo ficam em
riscoduranteFESSporquealâminapapiráceaémuitofina
ou pode estar incompleta.5,6,15,16 Esse local é a área de
riscodemaiorpotencial,especialmentequandonãotemos
uma boa qualidade de visão ou usamos instrumentac¸ão
motorizada.1,3,5,6,17Ascomplicac¸õesminorfrequentemente
relatadas incluema lesãoda lâmina papirácea,
principal-mente duranteantrostomiadomaxilarouetmoidectomia.
Essascomplicac¸õessãoobservadasprincipalmente quando
o seio maxilar é hipoplásico ou na síndrome do seio
silencioso (SSS).4,5,11,13,18,19 Nessas variantes anatômicas,o
processo uncinado geralmente se encontra muito
firme-menteconectadoàlâminapapiráceaedeveserressecado
comgrandecuidado.5,11,13Emnossomaterial,tivemosuma
SSS e dois casos de seio maxilar hipoplásicocomplicados
comlesãodalâminapapiráceaquelevouaequimose
peri-orbitale enfisema em umdos casos.Osoutros doiscasos
decomplicac¸õesminorocorreramduranteaetmoidectomia
porrupturadalâminapapirácea.Todososcincocasos(0,3%)
nãoexigiramqualquerintervenc¸ão,excetotratamento
pós--operatóriopadrãoecontrole.Ascomplicac¸õesmajor,como
lesão doducto lacrimal, também estão relacionadas com
uncinectomia, quando feita muito anteriormente.5,13 Se
o ducto nasolacrimal ainda apresentar drenagem após a
lesão, o melhor é deixar como está.2,5,13 Em nosso caso
(0,06%), durante a inspec¸ão do ducto lacrimal lesionado,
nãotínhamoscertezaabsolutaseeleestavaaberto,então
fizemosdacriocistorinostomiacom intubac¸ãocom tubode
silicone.Ascomplicac¸õesorbitaismaissignificativas,como
hematomaorbital,lesãodonervoópticoourupturado
mús-culoocularexterno,podemocorrerduranteetmoidectomia,
esfenoetmoidectomiaoufrontoetmoidectomia.2,5,13
Hema-tomaorbitalpodesedesenvolver-secomumalesãoarterial
(artériaetmoideanteriorouposterior)ouporuma
hemorra-giavenosaresultantedeumapenetrac¸ãoórbitáriaatravés
dalâminapapirácea.1,3,5,9,13Aincidênciadessacomplicac¸ão
graveédecercade0,12%,comotambémfoiobservadoem
nossoestudo.5,9 A hemorragia pode resultar em perdade
visãodecorrentedeisquemiadonervoópticooudaretina.
Essasituac¸ãoexigeidentificac¸ãomuitorápidaetratamento
urgente. Quando o risco é baixo (baixa pressão ocular e
visãonãoprejudicada), otratamento clínicoapenas pode
seradequado.Napressãoocularelevadaedisfunc¸ãovisual,
recomenda-seintervenc¸ãocirúrgicaimediata,inclusive
can-totomialateral,cantóliseedescompressãoorbital.2,3,5,13Na
Tabela5 Fatoresderiscoparacomplicac¸ões oftalmológi-casdurantecirurgiaendoscópicadeseiosnasais
Análiseunivariada ORbruta IC95% Valor-p
EscoredeLund-MacKay 1.057 1,012-1,118 <0,021 Escoredepólipo 1.521 1,161-1,910 <0,016 Cirurgiaanterior 2.031 1,576-2,114 <0,024 Anticoagulantes 1.594 1,478-1,810 <0,022
Análisemultivariada ORajustada IC95% Valor-p
EscoredeLund-MacKay 1015 1,001-1,062 <0,562 Escoredepólipo 1201 1,044-1,583 <0,030 Cirurgiaanterior 1902 1,246-1,671 <0,041 Anticoagulantes 967 0,901-1,057 <0,638
osresultadosapós o tratamento oftalmológicoecirúrgico sãobons,hárecuperac¸ãocompleta.
A lesão direta do nervo óptico é muito rara e ocor-reu em dois dos nossos pacientes (0,12%).1,3,5,13 O nervo
é comumente deiscente no seio esfenoidal ou etmoide
posterior. A lesão pode ser indireta (vascular) ou direta
(mecânica).1,3,5,13,20Emnossospacientes,alesãofoicausada
porhematomaecompressãodonervonoetmoideposterior.
Apesardoscorticosteroidesintravenososintensoseda
des-compressãodonervoóptico,osresultadosemgeralnãosão
satisfatórios.1,3,5 Foi obtida melhoriavisual em umcaso e
nenhumdesfechopositivonosegundo.Alémdisso,alesão
domúsculoorbitaléumadascomplicac¸õesmais
devastado-ras,frequentementelevaàdisfunc¸ãopermanente.1,5,6,13 A
transecc¸ãomusculardiretaéobservadaprincipalmenteem
cirurgias feitas com instrumentos motorizados.O
disposi-tivoextraiotecidomuitorapidamente,combaixofeedback
tátilaocirurgiãosobreomaterialremovido.1,2,14 Emnosso
estudo,observamosumpaciente(0,06%)comlesõesdiretas
domúsculoretoapósousodemicrodebridador.Apesarda
cirurgiaoftalmológica e dareabilitac¸ão, o pacienteainda
apresentadiplopia.
Os fatores de risco para complicac¸ão de FESS
depen-dem da extensão da doenc¸a e da cirurgia, do escore
deLund-MacKay,dacirurgiamotorizada,decomorbidades
coexistentes,dacirurgiaprimáriaourevisionaleda
expe-riência dos cirurgiões.3,5,6,13,21 Asaka et al. relataram que
orisco dependedoescore depóliposeasma,enquanto o
escoredeLund-MacKaynão.3Emnossoestudo,aanálise
uni-variadaencontroucorrelac¸ãosignificativaentreescorepara
polipose,escoredeLund-MacKay,cirurgiapréviaetambém
tratamento anticoagulante, com complicac¸ões
oftalmoló-gicas. Temos de destacar que os pacientes tratados com
anticoagulantesapresentammuitopiorqualidadedocampo
operatóriodevidoaosangramentomaisintenso.Alémdisso,
sangrammaispelofatodeapressãoarterialnãopoderser
reduzidadeformaadequadaduranteacirurgia.1Aanálise
multivariada mostrou que apenas o escore de polipose e
cirurgiapréviaapresentaramcorrelac¸ãosignificativacoma
ocorrênciade complicac¸ões, enquanto o escore de
Lund--Mackayeanticoagulantesnão(tabela5).Damesmaforma
que a extensão da lesão da mucosa influencia
negativa-menteaclaravisãodasreferênciasanatômicascirúrgicas,
tambémacicatrizac¸ão deixadaporcirurgias prévias pode
alterá-laaindamais.3,21Oníveldeexperiênciadoscirurgiões
nãoinfluenciouataxadecomplicac¸ões,comofoimostrado
em outrosestudos.1,3,5,6Nossaexpectativaé que os
cirur-giões maisexperientes sejam capazes de cuidarde casos
maisdifíceise sintam-semaissegurosdiantedevariac¸ões
anatômicas oudedispositivos motorizados.Issonão
ocor-reunonossoestudo, poiso mesmonível decomplicac¸ões
foi observado entre os iniciantes e os mais experientes.
Alémdisso,ataxadecomplicac¸õesnãoapresentourelac¸ão
com o númerode cirurgias feitas por cada cirurgião. Por
outro lado, quando operamos doenc¸as extensas,
especi-almente pólipos nasais, em geral houve necessidade não
apenas de etmoidectomias totais, mas também de
esfe-noidectomia e frontoetmoidectomia, mais previsíveis de
complicac¸õesinesperadas.Otratamentodessespacientes,
cujasdoenc¸asseencontrammaispróximasdaórbita,
pode-riaestarassociadoacomplicac¸õesmaisgraves,quelevam
a umadisfunc¸ãopermanente.Comprovou-se quea
exten-sãodacirurgiatambéminfluenciouataxadecomplicac¸ões,
observadas especialmente em etmoidectomias completas
(p<0,05).
Conclusões
Ascomplicac¸õesorbitaisdacirurgiaendoscópicanasalsão
raras e podem serpotencialmente incapacitantes.A
inci-dência decomplicac¸õesgraves, que causamincapacidade
permanente,éinferiora0,3%,masdevemostrabalharpara
minimizá-las. Os parâmetros mais importantes,
responsá-veisporcomplicac¸ões,sãoaextensãodadoenc¸a,acirurgia
endoscópicapréviae o tratamento anticoagulante
coexis-tente. Entretanto, a continuidade da leitura e o estudo
préviodaTC,assimcomonovosdispositivosetreinamento
constantes,parecemseramelhorgarantiadeumacirurgia
segura.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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