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Enfoque Sistêmico de um Caso Brasileiro :: Brapci ::

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o

~ISTEMA

DE INFORMAÇÃO NA

INDUSTRIA: ENFOQUE SISTEMICO DE

UM CASO BRASILEIRO

RESUMO

edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

Ya r a R e z e n d e *

INTRODUÇÃO

o

sistema de informação na indústria: enfoque sistêmico de um caso brasileiro

e n t r e s i s t e m a s d e i n fo r m a ç ã o p a r a i n d ú s

-t r i a s e s i s t e m a s d e i n fo r m a ç ã o t r a d i c i o

-n a i s c o m o m e i o d e a u m e -n t a r o l u c r o d o s

d o i s s i s t e m a s e m fu n ç ã o d e s e u s o b j e t i

-v o s q u e , a p e s a r d e d i s t i n t o s , p o d e m s e r

c o m p l e m e n t a r e s .

P a l a v r a s c h a v e : t e o r i a d o s s i s t e m a s ;

s i s t e m a s d e i n fo r m a ç ã o , t e o r i a d a c o m u

-n i c a ç ã o ; i -n d ú s t r i a . .

K e y - w o r d s : s y s t e m s t h e o r y ; i n fo r m a

-t i o n s y s t e m s ; c o m m u n i c a t i o n t h e o r y ;

i n d u s t r y ,

ABSTRACT

'..

GFEDCBA

R e l a t e s a n i n fo r m a t i o n s y s t e m d e v e

-l o p e d i n a n i n d u s t r y t o s y s t e m s t h e o r y .

I t a l s o c o n s i d e r s t h e c o m m u n i c a t i o n

t h e o r y p r i n c i p i e s . I t c o m p a r e s t h e t r a d i

-t i o n a l i n fo r m a t i o n s e r v i c e s , s u c h a s a

s t o r a g e l i b r a r y , w i t h t h e p o s s i b l e i n fo r

-. m a t i o n s e r v i c e s t o b e d e v e l o p e d {m d

i m p l e m e n t e d . a c c o r d i n g t o t h i s s y s t e m i c

e m p h a s i s : I t a p p o i n t s t h e c o a s t fa c t o r

o f t h e s y s t e m a s t h e m a i n p a r a m e t e r

fo r t h e e v a l u a t i o n s y s t e m e ffi c i e n c y . I t

a l s o r e l a t e s t h e r e s p o n s i b i l i t y o f t h e

s y s t e m i n r e l a t i o n t o t h e v a l i d i t y o f t h e

i n fo r m a t i o n i t p r o v i d e s , a s a p o s i t i o n

t o b e r e v i e w e d a n d r e e v a l u a t e d w h i l e

o b j e c t i v e o f t h e s y s t e m . I t p r o p o s e s a s

a s y s t e m e ffi c i e n c y m e a s u r e , t h e u s e r

s

p r o fi t m i n u s t h e e n v o l v e d c o s t s i n t h e

v a r i o u s s y s t e m s p r o g r a m s p e r fo r m a n c e .

I t p r o p o s e s a c o n n e c t i o n b e t w e e n i n fo r

-m a t i o n s y s t e m s o f i n d u s t r i e s a n d t h e

-t r a d i -t i o n a l i n fo r m a t i o n s y s t e m s a s a

m e a n o f i n c r e a s i n g t h e p r o fi t o f t h e s e

t w o s y s t e m s i n fu n c t i o n o f t h e i r o b j e c

-t i v e s , w h i c h , a l t h o u g h d i s t i n c t , c a n b e

-c o m e -c o m p l e m e n t a r y .

A p r o p r i a u m s i s t e m a d e i n fo r m a ç ã o Com o crescente aumento do número

d e s e n v o l v i d o e m u m a i n d ú s t r i a

GFEDCBA

à t e o r i a de bibliotecas e centros de informação

d o s s i s t e m a s . C o n s i d e r a t a m b é m o s e n u n - implantados em indústrias nos últimos

d a d o s b á s i c o s d a t e o r i a d a c o m u n i c a ç ã o 2flos, e em vista ao investimento que

re-p a r a e s s a a p r o p r i a ç ã o . C o m p a r a o s s e r - prlsen tam para que funcionem

satisfa-v i ç o s d e i n fo r m a ç ã o t r a d i c i o n a l , c o m o a toriamente e cumpram os seus objetivos,

b i b l i o t e c a a r m a z e n a d o r a , c o m o s s e r v i - . ..faz-se necessária uma revisão dos modelos

ç o s d e i n fo r m a ç ã o p a s s i v e i s d e s e r e m d e - que vêm sendo adotados em tais

implan-s e n v o l v i d o implan-s e i m p l a n t a d o implan-s e m u m a i n d ú s - tações. Em geral essas novas bibliotecas

t r i a , s e g u n d o e s s e e n fo q u e s i s t ê m i c o . nascem à maneira das grandes

bibliote-A p o n t a o fa t o r c u s t o d o s i s t e m a c o m o eas especializadas, universitárias e até

p a r â m e t r o p r i n c i p a l p a r a a a v a l i a ç ã o d o mesmo das públicas, ou seja, a indústria

r e n d i m e n t o d e u m s i s t e m a d e i n fo r m a - passa a centralizar um acervo e a

desen-ç ã o . C o l o c a a q u e s t ã o d a r e s p o n s a b i l i d a - volver tarefas rotineiras de aquisição,

d e d o s i s t e m a , q u a n t o a v a l i d a d e d a s i n - processamento técnico e armazenagem.

fo r m a ç õ e s q u e fo r n e c e , c o m o p o s i ç ã o Porém ao analisar-se as necessidades de

a s e r r e v i s t a e r e a v a l i a d a e n q u a n t o o b j e - informação da indústria, considerando

t i v o d o s i s t e m a . P r o p õ e c o m o m e d i d a as características, estrutura e metas

des-d e , r e n des-d i m e n t o d e s s e s i s t e m a o l u c r o p a

-r a o u s u á -r i o m e n o s o s c u s t o s e n v o l v i d o s

n o d e s e m p e n h o d o s d i v e r s o s p r o g r a m a s

d o s i s t e m a . P r o p õ e a a ç ã o e m c o n e x ã o

* Bibliotecária da Mangels Industrial S. A.

(S. Paulo. Bacharel em biblioteconomia e

documentação pela Universidade de São

Paulo.

ta, conclui-se que a adoção dos

mode-los de serviços de informação

tradicio-nais é geralmente onerosa e insuficiente

enquanto qualidade e quantidade de

acer-vo. O objetivo deste trabalho é

apresen-t';

um modelo de sistema de informação

implantada em uma indústria e que possui

identidade própria, ou seja, foi concebido

. .

.,-.considerando o ambiente em que se

en-contra, as necessidades da comunidade

que abriga e os objetivos e características.

do sistema maior no qual se encontra

inserido.s, O sistema de informação

de-senvolvido possui caráter estritamente

técnico, ou seja, o teor das informações

que fornece acha-se sempre ligado a

tecnologia dé fabricação, aos produtos

da indústria e aos aspectos

administra-tivos e econômicos-financeiros, não

en-globando, portanto, informação, a nível

de lazer, treinamento ou educação. O

principal objetivo desse sistema é o

lu-cro, não em termos de faturamento, .•.

mas sim o lucro para o usuário do

siste-ma em relação ao custo envolvido no

desempenho das diversas tarefas ou

pro-gramas desse sistema. Esse lucro em

ter-mos práticos signifi~a maior quantidade

e melhor qualidade (pertinência +

inova-ção) das informações oferecidas a um

me-nor custo. Esta é a principal diferença

entre os sistema de informação

concebi-do para uma indústria e os demais

siste-mas de informação, especializados ou

não. Em razão do caráter e da

freqüên-cia das informações requeridas por uma

indústria, seria necessária a manutenção

de um vasto acervo especializado que

certamente oneraria o sistema. Por

ou-tro lado, certos tipos de informação

1 0 2 Rev. bras. Biblioteconomia e Doe. 16(3/4):102-116, jul./dez. 1983

(2)

Vara Rezende

técnica apresentam um alto grau de

pe-recimento, sendo portanto, mais

onero-sa a sua armazenagem em relação ao

cus-to/benefício do documento que a

con-tém. Considerando um caso onde a

in-dústria se ache localizada em região

me-tropolitana desenvolvida e tendo,

por-tanto, fácil acesso a entidades

técnico-científicas, educacionais, culturais,

elas-sistas, financeiras, comerciais e

indus-triais afins, torna-se possível o

desenvol-vimento de um sistema de informações

eficiente e barato através da ação em

conexão deste com os daquelas

entida-des. A partir da ação em conexão, o

sis-tema da indústria aumentou

significati-vamente o número de documentos e

informações a que passou a ter acesso

direto, inclusive possibilitando o

desen-volvimento de serviços de alerta

funda-mentados nessa conexão. Em

conseqüên-cia o sistema passou a dispor de mais

tempo para o incremento da atividade

de busca e pesquisa em outros acervos,

além de diminuir consideravelmente os

programas de aquisição, processamento

e armazenagem, geralmente os mais

one-rosos c moone-rosos do sistema. Os

progra-mas de proccssarncnro técnico e

aquisi-ção ficaram restritos a obras de

referên-cia e a poucas obras secundárias

solicita-das pelo total de divisões da indústria.

A aquisição dessa pequena parcela de

do-cumentos é feita diretamente com os

editores, evitando-se agentes

intermediá-rios na compra de documentos

importa-dos e, sempre que possível,

emprestá-se o documento antes ou ao invés de

cornprá-lo. O processamento técnico e

registro/indexação de periódicos é feito

também de maneira centralizada. A

ar-mazenagem dos documentos tratados fi·

ca a cargo do usuário

GFEDCBA

s o lic itu n tc , porém

à disposição dos centro de informações

e por conseqüência das divisões da

in-dústria. As coleções de periódicos. após

circulação e indcxação de in formações

de interesse, permanecem geralmente

centralizadas, apesar de que neste caso

específico se encontrem fora do centro

de informações. Documentos recebidos

diretamente pelas divisões são também

tratados ccntralizadamente. Por fim,

to-da informação de interesse localizada

em out ros acervos, via obras de

referên-cia, abst racts ou por busca local, após

disseminada é indexada passando a fazer

parte de um banco de dados da própria indústria.

M E T O D O L O e IA

Partindo desse caso real de

implanta-ção de um sistema de informações para

indústria, observou-se a sua apropriação

à teoria dos sistemas e à teoria da

co-municação.

1. Teoria dos Sistemas - Conceito

A teoria dos sistemas cujos princípios

foram desenvolvidos por Ludwig von

Bertalanffy em 1951 permite através da

análise das relações entje as partes e um

todo, uma melhor compreensão de

ati-vidades complexas I . Através de análise

dos seres vivos como sistemas imutáveis ao estado, mas que se renovam

constante-mente enquanto relação matéria/energia,

Bertalanffy concluiu que um sistema é

1. Bertalanffy (1973).

o

sistema de informação na indústria: enfoque sistêmico de um caso brasileiro

antes de tudo um arranjo das partes que

o compõem em interações e

transforma-ções'e com funções e objetivos determi-nados; que cada uma dessas partes

cons-titui-se em um subsistema com funções

e objetivos próprios, e que esse sistema

é parte de um sistema maior com o qual

mantém relações de troca de matéria,

energia e de influências mútuas ao que

chamou de equil íb rio dinârnicodo sistema ..

Um sistema tem sempre um caráter

sinérgico na medida em que consiste na soma dos esforços das partes para

alcan-çar determinados objetivos. Ao

analisar-se qualquer sistema, deve-se considerar:

a) os objetivos: aç falar-se ~e objetivos

de um sistema freqüentemente

apontam-se finalidades totalmente independentes

do seu rendimento; afirmações

freqüen-temen te chamadas de "objetivos" são

geralmente vagas ou evidentes. Uma

me-dida do cumprimento dos objetivos

fi-xados para um sistema, será verificar se

o mesmo sacrifica conscientemente

ou-tros programas com o fim de atingir o

objetivo. Uma maneira de definir os

objetivos do sistema é determinar

medi-das precisas e específicas do rendimento

do mesmo, distintas daquelas que seriam

as suas finalidades, A principal dessas

medidas é considerar os custos do

siste-ma em função daquilo que oferece; b) o ambiente: é o que se situa fora do

siste-ma no sentido daquilo que o sistema

pouco pode influenciar com respeito

a características e comportamento. O

ambiente acha-se, portanto, fora do

con-trole do sistema, mas pode vir a

determi-nar em parte o funcionamento do mesmo'

c) os recursos: são os elementos que se

.encontram dentro do sistema atuando no

desempenho das tarefas e não

consti-tuindo necessariament.e em bens ou

ca-pital, mas também em tudo o que pode

gerar ações no sistema. d) os

componen-tes: serão as tarefas a serem executadas e

não apenas as partes que o formam, uma

vez que a análise do rendimento do

sis-tema deve ser feita em função do que

é realizado e não apenas do que o

com-põe. A medida de rendimento de cada

componente deve ser proporcional à

me-dida do rendimento global do sistema

e deve se encontrar intimamente ligada

às medidas de rendimento de outros

componentes do mesmo sistema; e)

ad-ministração: consiste no

estabelecimen-to de planos, considerando os objetivos,

o ambiente, os recursos e os

componen-tes do sistema, bem como no controle

do cumprimento das operações

pertinen-tes à cada componente, de maneira a

evi-tar desvios em relação ao plano inicial.

Transportando esses princípios básicos

da teoria dos sistemas para um sistema

de informações, pode-se esclarecer

me-lhor os objetivos, recursos, componentes,

ambiente e o enfoque administrativo

mais adequado para este.

2. O Concei to de Comunicação e o Conceito de Informação

Durante muito tempo o conceito de

comunicação esteve associado ao

concei-to de persuasão; Aristóteles já considera-va a persuasão como finalidade da

retó-rica e identificava três elementos na

co-municação: a pessoa que fala, o discurso

que faz e a pessoa que ouve.

(3)

Vara Rezendc

Baseado no conceito de persuasão,

temos o conceito de Harold Lasswell

que a define como "quem fala a quem

.sobre que por que meios com que

efei-tos" 2

.

O conceito de comunicação enquanto

informação é também bastante antigo,

visto que Cristo pedia a seus apóstolos

que atuassem corno disserninadores da

Boa-Nova, ou seja, como informantes.

Apenas recentemente o conceito de

o

sistema de informação na indústria: enfoque' sistêmico de um caso brasileiro

informação como processo básico da

co-municação foi cientificamente analisado

por Shannon e Weaver, através de um

esquema que, apesar de simples e

origi-nalmente concebido para compreensão

de processos de telecomunicação

eletrô-nica, teve ampla difusão e aceitação no

quadro das ciências sociais, sendo hoje

tomado como o esquema básico dos

pro-cessos de comunicação em geral e

desta-cadamente os de massa".

de usuários específica do serviço de

in-formação em questão.

SERV.INFORM .

FIGURA 3 - 2~ nível

c) num terceiro nível de análise, o

emissor passa a ser o conjunto autor/

documento

GFEDCBA

+ serviço de informação, o

transmissor será o conjunto .,de processos

utilizados na disseminação das

informa-ções e o destinatário será a mesma

comu-nidade usuária identificada no segundo

nível de análise ou em alguns casos, uma parcela mais restrita dela.

~

~sagem

DISSEMINAÇÃO

FIGURA 1 - Modelo de comunicação segundo Shannon e Weaver

Os demais modelos de comunicação"

como os de Schramm, Fearing, Johnson

entre outros são bastante similares entre

si4,5,6

3. O Conceito de Comunicação e os Sistemas de Informação

O conceito de comunicação acha-se

hoje, portanto, intimamente ligado ao de

informação e seu processo dinâmico onde

a transmissão de experiências implica'

sempre num emissor e num destinatário.

, Ajustando esse conceito a este objeto de

estudo, o sistema de informação, pode-se.

iden tificar três níveis de análise.

a) num primeiro nível, ou seja, a nível

2. Lasswel (1948).

3. Shannon & Weaver ( 1949).

4. Sehramm (1970). '

5. Fearing (1953). 6. Johnson (1953).

da comunicação científica ou não, o

emis-sor é aquele que produziu a informação,

ou seja, o próprio autor da literatura ou

mensagem; o transmissor é o suporte

des-sa mendes-sagem ou o documento; o

desti-natário é a comunidade usuária em geral.

FIGURA 4 - 3!' nível

4. Os Sistemas de Informação e a Indústria

Para fins de, melhor' visualização

den-tro do caso em estudo dos serviços de

informação ou mais especificamente,

dos serviços de informação na indústria,

consideremos o emissor como o

univer-so de fontes de ínformação (conjunto

autor/documento ou autor/informação)

de qualquer tipo e sob qualquer forma,

e como destinatário a indústria e a

co-munidade de usuários que ela abriga.

É evidente que apenas uma parcela

muito pequena do total de informações

produzidas no mundo, chegará a essa

in--dústria e que essa prcela será ainda

me-nor se o 'processo de transmissão dessas

infonnações não estiver apoiado num

edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

s i s t e m a planejado de acordo com os

obje-tivos e necessidades do destinatário e

do sistema ma~or que o abriga, e se não

DOCUMENTO

mensagem

FIGURA 2 - I~ nível

b) num segundo nível, ou seja, aquele

em que já se considera a informação

co-mo parte de um sistema mais complexo,

como por exemplo, um serviço de

infor-mação qualquer, o emissor passa a ser o

conjunto autor/documento; o

transmis-sor será o serviço de informações e o

destinatário será uma comunidade

usuá-ria mais restrita do que aquela do

primei-ro nível de análise; será a comunidade

106 Rev. bras. Biblioteeonomia e Doe. 16(3/4):102-116, jul./dcz. 1983 Rev. bras. Biblioteconomia e Doe, 16(3/4):102-Ú6,jul./dez. 1983

107

for considerado o cenário

sôcío-econõ-mico-cultural ou o ambiente em que

se

encontra A esse transmissor que é o

sis-tema de informação, cabe não sóa

ta-refa de selecionar no universo das

írífor-mações recebidas aquelas relevantes e'

pertinentes às áreas de pesquisa e

desen-volvimento da indústria, como também

uma atitude agressiva em relação ao

uni-verso de informações emitidas e não

re-cebidas, ou seja, a busca de informações contidas em fontes que não chegam à

in-dústria devido a diversos fatores, como

por exemplo a impossibilidade de

adqui-rir-se "tudo de todos, sempre" ou até

mesmo a dificuldade, comum numa

in-dústria, em centralizar-se a recepção de

documentos. Esses fatores próprios do

ambiente do sistema, entre outros,

aca-bam agindo como filtros exteriores ao

sistema de informação e, portanto,

re-tendo uma grande quantidade de

infor-mações de interesse.

O sistema de informação deve agir

de maneira a reduzir a ação desses filtros

exteriores e provocar um aumento da'

ação de filtros interiores do sistema.

Dessa maneira, um maior número de

in-formações entrará no sistema

possibili-tando . melhor seleção de informações

para disseminação, não implicando

po-rém, num proporcional aumento de

ar-mazenagem. Esta 'é a diferença básica

proposta entre um sistema de

informa-ção armazenador, como a biblioteca

tra-dicional e um sistema de informação

pla-nejado de maneira a ser eficiente dentro

de um sistema industrial, e segundo um

enfoque sistêmico.

(4)

arma-Yara Rezende

exigências reais, e a medida do rendimen-to desse sistema ser dada em função do

lucro para o usuário menos os custos;

"lucro" para o usuário significa, antes

de tudo, informação válida pois o

ver-dadeiro benefício de um sistema de

in-formação deve ser medido relativamente

ao significado da informação para o

usuário. Nesse ponto, pode-se concluir

que a própria teoria da informação é

uma teoria segura enquanto trata da

transmissão de mensagens e não do seu

significado para o usuário.

Considere-se um automóvel em um complexo

en-troncamento viário não sinalizado; se

o motorista tiver de experimentar todos

os acessos existentes para alcançar o seu

objetivo, en tão () custo da busca da

in-formação ou do caminho correto é

mui-to almui-to, porém se existir uma

sinaliza-ção indicando os vários caminhos

possí-veis, o sistema de informação, que é a

sinalização de trânsito, terá um enorme

valor se comparado ao seu custo, em

re-1.1\,,:10 àquele moto rist a/usu ário. Sob esse

aspecto é muito importante que as

ati-vidades-meio anteriormente citadas,

con-siderem sempre o dcst inatário e o

ambien-te em que ele se encontra, quando do

de-senvolvimento

GFEDCBA

o u aplicação de qualquer

tipo de rccupcr ação de informações.

4.2 O Sistema de Informação da

edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

t :

Indústria e a Realização dos seus

Objetivos

o valor da recuperação da informação

é a mclhoria do comportamento do

usuá-rio menos os custos de obtenção dessa

informação, o que em geral engloba

vá-rios programas do sistema. Se a

popula-ção usuária é bem defin ida, cabe ao

siste-ma apenas determinar a probabilidade de

que uma informação seja solicitada e

qual será o seu provável valor.

Popula-ções usuárias bem definidas ocorrem

so-mente em sistemas onde as necessidades dos usuários, ainda que diversas, se

con-sideradas como um sub-sistema desse

sistema maior, converjam para um só

ponto; isso ocorre somente em sistemas

de informação especializados, ou mais

precisamente, altamente especializados

em poucos assuntos como é o caso dos

sistemas de informação de indústrias.

O sistema de informação de uma

in-dústria, possibilita, portanto,a nível de

armazenagem, o descarte de todo o

ma-terial não pertinente ao sistema em

ter-mos de assunto, ou seja, as informações

que não se enquadram no polinônio

"in-sumos básicos/processos/equipamentos/

produtos/mercado" específico do

siste-ma; ampliando-se a ação dos filtros de

qualidade interiores do sistema,

aumenta-se a pertinência das informações a serem

armazenadas e futuramente recuperadas,

diminuindo-se os programas de

arma-zenagem.

./ A nível de programas de disseminação

de informações, haverá 'também um

au-mento da pertinência das informações

veiculadas na medida em que a ação dos

filtros se dê o máximo possível dentro

t

do sistema.

Nos sistemas de informação armazena-dores, a disseminação tem sido

desenvol-vida com base no material que entra nO

sistema passível de ser armazenado,

sen-do as modalidades mais adotadas os

su-o

sistema de ínformação na indústria: enfoque sistêmieo de um easo brasileiro

mários de periódicos e os abstracts.

Po-rém, como assinalado anteriormente, a

quantidade de informações que entram

no sistema é muito pequena em relação

ao total das informações produzidas no

mundo sobre um determinado assunto,

mesmo que o sistema possua um grande

programa de aquisição e armazenagem.

Uma solução para aumentar-se a

quanti-dade e a pertinência da informação que

entra no sistema seria a utilização de

edições de abstracts específicos ou o

acesso a base(s) de dado(s). Deve-se

considerar, no entanto, que em termos

da relação custo/rendimento do sistema,

uma análise sistêmica desse tipo de

solu-ção pode mostrar, dependendo do

con-texto sócio-econômico-cultural onde o

sistema se encontra, que haverá um

au-mento no custo final da informação não só pelo custo desses novos componentes

em si, mas principalmente devido às

sé-rias limitações em termos de

operacio-nalidade quanto a localização e o custo

de aquisição' dos documentos

secundá-rios. Deve-se considerar também, que se

tratando de uma indústria, parte das

ne-cessidades dos usuários situam-se mais a

nível de atualização e acompanhamento

-do estado-da-arte (em, termos técnicos

e econômicos) e que mesmo a área de

pesquisa e desenvolvimento da indústria,

que necessita não só de informações

téc-nicas, mas também científicas, pode

também utilizar meios que não

impli-quem necessariamente num grande

au-~ento dos custos para manter-se

atua-l~da Assim sendo, uma seleção

crite-nosa dos títulos que entrarão no sistema,

para arrnazenagemou não e via compra'

ou não, poderá ser urna solução

satisfa-tória. É evidente que o aumento do

nú-mero de títulos através de assinaturas

onera o sistema,' pois deve-se

consíde-rar que ao assinar um título, paga-se não

só o conteúdo de interesse, mas também

e principalmente, por conteúdo não

per-tinente, propaganda, custos de

produ-ção, direitos autorais, matérias pagas,

custos de distribuição e postagem,

quan-do não acresciquan-dos por custos de agentes

importadores. A solução dessa questão,

considerando o enfoque sistêrnico e,

por-tanto, que o ambiente do sistema seria

a conexão do sistema-indústria com

ou-tros sistemas de informação ou mais

precisamente com os sistemas de

infor-mação armazenadores oficiais de

uni-versidades, institutos de pesquisa,

asso-ciações ,de classe e até mesmo de outras

indústrias que possuam grandes

progra-mas de armazenagem. Com essa

medi-da, além de diminuir-se os custos de

alimentação do sistema-indústria,

au-menta-se consideravelmente a

quantida-de e a pertinência das informações que

via programas de disseminação,

atingi-rão o destinatário.

O sistema-indústria passa a

utilizar-se dos componentes (conjunto acervo +

serviços) dos sistemas armazenadores,

geralmente sub-utilizados em termos do

investimento que representam em

fun-ção da demanda real, seja para

pesqui-. sa propriamente dita, como para o

de-sen~olvimento e manutenção dos

servi-ços de disseminação. A utilização de

abstracts especializados e o acesso a

ban-co de dados via conexão, pode, então,

vir a ser mais vantajosa em termos de

(5)

Yara Rezende

lucro do sistema, visto que uma ou

vá-rias conexões simultâneas . significam o

aumen to do "acervo" ou recursos do

sistema-indústria, implicando num

pos-sível barateamento dos programas de

busca/obtenção do documento final.

Essa incorporação dos sistemas de

gran-de acervo, via gran-de regra ligados à órgãos

oficiais é legítima, pois ao recolher

im-postos, taxas e contribuições ao governo,

a indústria está fornecendo uma

parce-la dos recursos que irão gerar e man ter

os sistemas de informação oficiais.

Essa experiência tem sido

desenvol-vida por algumas indústrias, mas em um

plano que não pode ainda ser chamado

de "conexão"; em geral, os

sistemas-Indústria utilizam-se de outros sistemas

apenas para o atendimento de solicitações

cujos ítens de satisfação não possuem.

Ao conectar-se o sistema-indústria a

ou-tros sistemas, aumenta-se o lucro do

pri-meiro pela conseqüente incorporação dos

custos dos programas-meio,

possibilitan-do o incremento dos programas-fim,

ba-seados sempre nessa conexão. O

sistema-indústria deve manter (armazenar) um

acervo suficiente de fontes primárias

com um mínimo acervo de fontes

secun-dárias, pois mesmo que essas contenham

informações 100% pertinentes e tenham

sido adquiridas a baixo custo, após sua

divulgação podem vir a onerar o sistema

em termos da relação custo de

armaze-nagem X utilização/validade. .

Toma-se evidente que atuar em

cone-xão possibilita ao sistema-indústria atuar

como filtro de qualidade dos sistemas

aos quais se acha vinculado, resultando

no aumento da qualidade e quantidade

GFEDCBA

osistema de informação na indústria: enfoque sistêmieo de um easo brasileiro

das informações a um custo menor. É

importante ainda destacar ser bastante

. útil ao sistema-indústria desenvolver um

catálogo de assuntos cobrindo somente

os assuntos ligados aos objetivos do

sis-tema em que se encontra, onde sejam

indexados todos os documentos

perten-centes aos sistemas armazenadores e que

foram recuperados via conexão como

sen-do de interesse. Essa medida permite

ao sistema-indústria possuir, a baixo

cus-to, um catálogo com alto índice de

per-tinência, sem dispender recursos com

armazenagem de documentos e de fácil

acesso a recuperação dos mesmos; seria

um pequeno banco de dados da própria

indústria.

ção dos seus objetivos, caso contrário

não passará de um simples

edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

s e r v i ç o .

b) os sistemas de informação em

in-dústrias que estão surgindo, tendem a

assumir o caráter já tradicional de

arma-zenadores, talvez por falta de uma

aná-lise adequada do sistema maior que o

envolve, a indústria acabando por

de-senvolver tarefas secundárias em

rela-ção aos objetivos da indústria e aos

pró-prios objetivos de um legítimo s i s t e m a

de informação, adotando para si um

mo-delo pronto e inadequado que poderá

ser a causa da futura inoperância ou

fa-lência do sistema

c) os sistemas de informação de

mo-do .geral carecem hoje de uma análise

científica que possibilite uma' revisão

fria de seus objetivos e programas,

prin-cipalmente em termos do custo/benefício

real do sistema.

d) os sistemas de informação de

in-dústrias devem procurar utilizar o

má-ximo possível da estrutura dos sistemas

de informação armazenadores, princi-.

palmente em relação ao desenvolvimento

dos seus próprios programas-meio e fim.

e) a ação em conexão entre sistemas

armazenadores e não-armazenadores pode

traduzir-se em lucro para ambos, em

ter-mos de objetivos e desenvolvimento de

programas.

f) a ação em conexão exije, por parte

dos sistemas armazenadores tradicionais,

a implementação dos seus programas

,de disseminação para melhor atender ao

aumento de demanda gerado por essa

conexão.

g) os sistemas de informação

armaze-nadores seriam mais utilizados, através.

A . umverso de (ont,,,, de iflformlÇão

8 -si~tcm;,sd e tn r,armazcnadores C - sislemôl. de inf. industriôll

FIGURA5 Ação •.-m \'Ooclltio entre ~hlcmu

u n n a z c n a d c rc s csistcmu industriais X unívcrso de fonrcs de inforrnaçio.

5. CONCLUSÃO

A abordagem sistêmica dos serviços

de informação em geral e dos serviços

de' informação para indústrias permite

concluir que:

a) todo e qualquer serviço que

preten-, da ser um s i s t e m a de informações de

fa-to, deve ser planejado e concebido

con-siderando-se principalmente as questões

relativas ao lucro desse sistema em

fun-112 Rev. bras. Biblioteeonomia e Doe. 16(3/4):102-116, jul./dez. 1983 Rev. bras. Biblioteeonomia e Doe. 16(3j4):102-116,jul.jdez. 1983

113

das conexões, urna vez que o

destinará-rio passaria a ser acrescido pela soma das

diversas comunidades usuárias dos

diver-sos sistemas conectados a ela.

h) a aquisição e manutenção de

acer-vos e serviços semelhantes por sistemas

diferentes constitui-se em inútil

duplica-ção de esforços e esbanjamento de

re-cursos.

i) armazenagem e processamento

téc-nico podem tornar-se componentes

one-rosos ao sistema, considerando-se que são

programas-meio e não programas-fun.

j) é imperativo que os sistemas de

in-formação analisem seriamente a questão

da validade das informações fomecidas,

caso contrário, o sistema tenderá a

per-der sua credibilidade junto ao usuário,

bem como a biblioteconomia jamais

poderá vir a ser uma ciência da

informa-ção se permanecer enfatizando apenas os

programas-meio do sistema,

esquecendo-se dos programas-fim e da própria

defi-nição .exata dos objetivos' daquilo que

se propõe ter competência,

eximindo-se da responsabilidade quanto a

valida-de daquilo que oferece; isso significaria

um mero desenvolvimento e estudo de.

técncaspela técnica.

k) o enfoque dado à maioria dos

es-tudos de usuários estão fundamentados

em premissas pouco objetivas e pouco

científicas, e também necessitam de

re-visão.

E em um nível mais amplo, pode-se concluir:

1) o próprio bibliotecário, por

pro-blemas de estrutura curricular, pouco

ou nada recebe em termos de formação

(6)

Yara Rczende

científica, filosofia, teoria da

comuni-cação, teoria dos sistemas e

administra-ção, o que acaba comprometendo a sua

capacidade de discernírnento e

criativida-de para

edcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

p l a n e j a r s i s t e m a s e não

simples-mente a d o t a r s i s t e m a s .

m) a ação em conexão pode transfor-mar-se num atrativo para a indústria, de-vido à diminuição dos custos de

manuten-ção do sistema, possibilitando um

aumen-to, em termos reais de locais de trabalho

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