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28
A biblioteca
como modelo
de sistema de
.
-comunlca,ao
,-
J.
T eixeira C oelho N etto "o
PONMLKJIHGFEDCBA
t r a d i c i o n a l m o d e l o d e c o m u n i c a ç ã o F O N T E - - R E C E P T O R é u m fr a c a s s ot o t a l e m v i r t u d e d e s u a n a t u r e z a
p a t e r n a l i s t a . D e v e r i a s e r s u b s t i t u í d o p e l o
s e g u i n t e m o d e l o :
F O N T E - R E C E P T O R o u p o r e s t e :
R E C E P T O R - F O N T E q u e é om o d e l o
a d e q u a d o p a r a u m s i s t e m a d e
C o m u n i c a ç ã o b i b l i o t e c á r i o . E s t e n o v o
m o d e l o , q u e n ã o s e a p l i c a a p e n a s à
b i b l i o t e c a , e s t á m a i s c a p a c i t a d o a a t e n d e r
à s r e a i s n e c e s s i d a d e s d a s p e s s o a s , q u a n d o
c o m p a r a d o s c o m o u t r o s s i s t e m a s ( c o m o
o s d e m a s s a ) q u e a n t e s t r a n s fo r m a m a s p e s s o a s e m o b j e t o s a o i n v é s d e t r a t á - I a s
c o m o s u j e i t o s . A n a t u r e z a d o m o d e l o t r a d i c i o n a l é a i n d a a p r e s e n t a d a c o m o
u m a d a s r a z õ e s d o d e s e m p e n h o i n s a t i s fa t ó r i o d a s b i b l i o t e c a s , ,
p a r t i c u l a r m e n t e e m c a s o s c o m o od o B r a s i l .
•
L evou um bom tem po até que 01
tradicional m odelo de com unicação':
C anal
Fonte ~ R eceptor
M ensagem
dem onstrasse toda sua inadequação!
(fruto, na verdade de um verdadeiro :,
"pecado original" em com unicações)',
e tivesse decretada sua falência em ',
term os irrecorríveis - em bora m uitos'
na praça dem onstrem ainda não ter!
tom ado conhecim ento da sentença:
final. ,~
A s razões da inaceitabilidade des-':
se m odelo estavam no com portam en-:
topar ele im posto aos participantes:
de um processo de com unicação, m ais
do que em sua im possibilidade de,
sim bolizar adequadam ente o que'l
acontecia na prática. N a m edida em :
que esta resultava do próprio m odelo.f
ele só lhe poderia ser fiel; e foi esta a'
causa do retardam ento na desm onta-'I'
gem do m odelo. E ra
~eces~ário_inicial-m ente perceber que a insatisfação com '
o m odelo tradicional resultava da
existência de um a r e a l i d a d e m o l d a d a
p e l o m o d e l o o qual, assim , só poderia
ser com batido se se enfrentasse e m
u-dasse a própria realidade por ele im
-posta.
O ponto central da falha do m
o-delo estava na verdade bem
à
vista-por isso m esm o suficientem ente
ocul-to - e m aterializava-se diante do
analista sob um a form a bastante
ino-cente: a flecha que m ostrava o cam
i-nho percorrido pela m ensagem da
Fonte ao R eceptor, do destinador ao
destinatário. U m a rápida psicanálise
desse signo utilizado frequentem ente
em certas linguagens sim bólicas
-psicanálise que na verdade poderia ser
• M estre em C iências da C om unicação pela U S P
P rofessor-A ssistente do D epro. de B
ibliotecono-m ia e D ocum entação da E C A /U S P .
feita tam bém com os próprios term os
"fonte", "receptor", "destinador" ou
"destinatário", produzindo os m
es-m os resultados - poderia desde logo
ter dem olido esse m odelo de processo
de com unicação, m ostrando que na
verdade ele se propunha com o
cristali-zação de um a ideologia conservadora
relativa ao processo de produção e
distribuição da C ultura. A dem ora na
realização dessa análise, porém , não
lhe retirou sua força renovadora,
O fato é que essa flecha e os
term os por ela relacionadosl indicam
claram ente, no m ínim o e desde logo,
um a posição e um entendim ento
pa-ternalistas relativos ao processo de
com un~cação. Sua origem era a
pres-suposição de que o pliocesso era todo
orientado a partir da fonte para o
receptor e que, m ais ainda, a m
ensa-gem era produzida
PONMLKJIHGFEDCBA
p e l a fonte ep a r a oreceptor. A fonte surgia assim com o
ponto de partida de todo o processo,
produzindo inform ações a Sua V O
nta-de, dando início ao processo e
pater-nalistam ente levando-as ao receptor
- cujo único papel, inteiram ente
pas-sivo, era o de receber essas inform
a-ções produzidas longe de seu próprio
cam po de ação ou, no m ínim o, nos A leitura do m odelo passaria
en-horizontes desse cam po. D e pouco ou tão a ser a seguinte: ao invés de ser
nada serviam para corrigir as distor- estim ulado pela fonte, o receptor
esri-ções desse m odelo as afirm açõt:s de m ula a fonte ao precisar de um a
que a fonte acionava o processo p e l o inform ação e
utiliza-a conform e seus
receptor (isto é, em seu nom e, a seu próprios interesses. O sistem a de
co-favor, pelo seu bem ) ou de que a retro . m unicação, e seu respectivo processo,
alim entação serviria para conhecer as é posto com isso a andar sobre seus
"verdadeiras necessidades" do recep- verdadeiros pés ao invés de arrastar-se
tor e com isso corrigir sua conduta. A sobre a própria cabeça. Inversões
des-prim eira das alegações na verdade te tipo parecem im por-se em m ais de
sem pre caracterizou o processo de um cam po das relações sociais e em
produção cultural e os Sistem as de m ais de um a época ... N ão m ais o
educação em todos seus níveis e tem - receptor é m anipulado pela fonte
(co-Ipos: Sua falência não precisa ser de- m o ainda continua a aconrec-j- im
pu-m onstrada, nem a hipocrisia de que se nem ente no caso dos m eios de
cornu-reveste e os verdadeiros interesses a nicação de m assa) m as é ele que s e
R . bras. B ibliotecon. D oe. 11(1/2):29-32. ian.liun. 197
F
A biblioteca com o m odelo de sistem a de com unicação
desperta para um a certa necessidade atender às solicitações de B . C om o fo
de inform ação, m anipulando a fonte . ressalvado, o esquem a de W estley e
de acordo com suas próprias direti- M acL ean fugiria inteiram ente a tode
vas; torna-se enfim um sujeito ativo esquem a paternalista (que obriga a
do processo de produção cultural. um a posição passiva, de m ero
consu-"Sujeito ativo" é, de fato, um a redun- m o, por parte do "receptor) se na
dância evitável: torna-se enfim s u j e i - verdade o destinatário deixasse de ser
t o , sim plesm ente, do processo de pro- denom inado de B (isto é, um segundo
dução cultural, única condição a per- num a dada ordem , ocupando um a
m itir não apenas um a correta utiliza- posição secundária), assum isse a de
A
ção das inform ações conseguidas (a com isso passando o antigo A do
possibilitar um enraizam ento dessas esquem a dos autores à posição nele
inform ações e sua posterior germ ina- ocupada por B , e invertendo-se ainda
ção) com o um a ulterior e eventual a direção das flechas. N este caso, sim ,
produção de inform ações novas. se teria um m odelo de sistem a de
W estley e M acL ean3haviam ini- com unicação capaz de efetivam ente
ciado a reform a do m odelo tradicio- proporcionar o desenvolvim ento
ple-nal ao proporem um m odelo concei- no do indivíduo.
tual da com unicação que já retirava O ra, este m odelo na verdade
da fonte (em bora não de m aneira total sem pre tendeu a ser o do sistem a de
e explícita) a possibilidade das inicia- com unicação por biblioteca. N ele, as
tivas. E sse m odelo gerava um a situa- inform ações são estocadas (de X l a
ção com o a seguinte xn) e ficam à disposição do receptor
que se dirige a elas e as escolhe,
recebendo-as de acordo apenas com
seus interesses e m otivações
(pressu-pondo-se, obviam ente, que não tenha
sido previam ente condicionado de
al-gum m odo). C laro que pode haver
um a interm ediação entre ele e a
infor-m ação, interm ediação representada
pelo próprio sistem a da biblioteca e
e que pode ser seus agentes (o bibliotecário, o
fichá-lido, apesar de sua apresentação for- rio, índices, etc.) m as de qualquer
m al (o que não deixa de ter suas m odo essa interm ediação é posta i1
conseqüências), praticam ente do m es- serviço do receptor e nunca se coloca
m o m odo proposto m ais acim a, isto é: na postura da Fonte dos m odelos
B necessita de um a ou de todas as tradicionais. O u pelo m enos pode
dei-inform ações contidas no cam po X l - xar de assum ir essa postura antiga se
xn e esta necessidade é atendida ou obedecer a certos critérios m ínim os e
diretam ente (indo B diretam ente às facilm ente determ ináveis e
observá-inform ações) ou indiretam ente, atra- veis (por exem plo, possibilitando-se a
vés de um A que capta as inform ações participação efetiva do usuário na
por B , transm ite-as a ele, tom a conhe- escolha de obras a adquirir, etc.).
c~m ento do com portam ento de B E esse m odelo de com unicação
dl~nt~ das inform ações e rearranja seu por biblioteca (e é isto o que interessa
propno com portam ento para m elhor ressaltar aqui) pode propor-se com o
R . bras. B ibliotecon. D oe. 11(112):29-32, jan./jun. 1978 31
]. T eixeira C oelho N etto
que serve. E o m esm o se poderia dizer
da segunda: os recursos da
retro-alim entação, ainda quando podem ser
aplicados com algum resultado\ na
verdade são rápida e com odam ente
esquecidos, e m esm o quando chegam
a ser em pregados servem apenas para
corrigir a conduta da fonte em relação
à inform ação e ao receptor m as n ã o
tendo em vista satisfazer às exigências
do destinatário e, sim , atender a seus
próprios interesses, freqüentem ente
identificados com um a m elhor m
ani-pulação desse m esm o receptor.
O m odelo, portanto, teria de ser
desconstruído e reelaborado a partir
da m udança de direção da flecha; se se
quisesse com isso propor um a
realida-de da com unicação m ais adequada ao
projeto hum ano. O m odelo deveria
com eçar por ser proposto assim :
Fonte"4 R eceptor
O u ainda, se se quiser,
m antendo-se a flecha na m esm a
dire-ção m as- invertendo os pólos
R eceptor •... Fonte
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J. T eixeira C oelho N etro
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Iodeio de sistem a de educação e
'fom o m odelo de sistem a de transm is-, ão de inform ação genericam ente
con-iderado - tal com o já sugeriu T efko
erajevic porém de m odo inverso,
m a vez que ele partiu de um m odelo
eral da com unicação para chegar ao
odelo de com unicação por
bibliote-a pbibliote-assbibliote-ando pelo m odelo de sistem a
e educação. O que se propõe aqui,
tom o objetivo e função social da
iblioteconom ia (sem aliás nenhum
raço de originalidade), é exatam ente
m odelo de com unicação utilizado
ela biblioteca não apenas com o m
o-elo para a prática da com unicação
m diferehtes níveis e setores com o
m dos m odelos (e um dos poucos)
ue efetivam ente possibilita um
pro-esso de transm issão de inform ação
ais capacitado a cum prir. seus
objeti-os últim objeti-os. M odelo que na verdade
ão data de hoje, m as desde os tem pos
latônicos. .
II ~ E sse m odelo do sistem a e do
i.'j~/sprocessoda biblioteca pode ter, ao
I/lado de seu aspecto positivo, um
ou-11I1~tro,"negativo". E que seda o
respon-sável pelo "insucesso das bibliotecas",
especialm ente em países com o o B
ra-sil. D e fato, um a preocupação
cons-tante entre os que estudam os
proble-,m as básicos da biblioteconom ia é a de
procurar determ inar os m otivos da
pouca atividade do trabalho cum
pri-do pela biblioteca. E stes poderiam ser f/encontrados justam ente em seu m
ode-lo de com unicação que foge aos
es-- N ão é necessário dem onstrar que a
disputa em torno da term inologia não éem
nada irrelevante, e que as palavras
recor-tam , cobrem e encobrem realidades sociais bem concretas.
A eficiência e a oponunidade desses
quem as diretivos e paternalistas (e por
isso m anipuladores do receptor, assim
destituído de sua condição de sujeito e
transform ado em objeto da com
unica-ção), existentes e praticados em todos
os outros setores envolvidos no
pro-cesso da com unicação, com o a escola,
a universidade, os m eios de com unica-ção de m assa. É bem conhecida um a lei básica de econom ia segundo a qual
a m oeda fraca expulsa a forte do
m ercado. O u um a outra "lei" de
psi-cologia, a do m enor esforço: diante de
todos os outros sitem as e processos
que conduzem totalm ente o receptor,
m astigando inform ações a lhe serem
fornecidas e que lhe dão um a falsa
sensação de realização, o processo de
com unicação por biblioteca exige o
contrário, exige do receptor que ele
passe à frente e abra seu próprio
cam inho.
N este sentido, a luta que se abre
para a B iblioteconom ia não é
peque-na: trata-se de com patibilizar seu
sis-tem a com os dem ais sissis-tem as de
co-m unicação existentes na sociedade,
porém não reform ando o seu
confor-rue os outros m as tentando criar as
condições, dentro de lim itada esfera
de ação, para que os outros adaptem
seus sistem as ao dela. E nquanto isso
não ocorrer, a biblioteca está
conde-nada ao "fracasso" - m as este
"fra-:asso" é a própria, e um a das únicas,
garantia de um desenvolvim ento do
sistem a de com unicação na sociedade,
considerado em sua totalidade.
N O T A S
recursos no caso dos m eios de com unicação
é justam ente discutível.
3 - B ruce H . W estley e M alcolm S. M acL ean.
U m m odelo conceptual para I'
investiga-ción en com unicaciones.