SEREIA O CANTO DA LEO AVERSA/DIVULGAÇÃO

Texto

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FORTALEZA - CEARÁ,SÁBADO, 23 DE ABRIL DE 2022

EDIÇÃO: RENATO ABÊ, CLÓVIS HOLANDA E MARCOS SAMPAIO www.opovo.com.br/vidaearte vidaearte@opovo.com.br | 3255 61 37

LEO AVERSA/DIVULGAÇÃO

O CANTO DA

SEREIA

| TURNÊ PORTAS | Em entrevista exclusiva, Marisa Monte fala sobre o retorno aos palcos com o show que chega esta noite ao Centro de Eventos do Ceará.

A carioca comenta ainda sobre manifestações políticas, pandemia e o “jeito Marisa

Monte” de fazer música.Página 3

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ANA MIRANDA*

amliteratura@hotmail.com

*ESCREVE AOS SÁBADOS C O N F I R A E STA E O U T R A S C O LU N A S E M W W W. O P O V O . C O M . B R / C O LU N A S

t

CARLUS CAMPOS

2304anaMIRANDA

Ministra da economia

As pessoas não deviam morrer, não deviam.

Quem quer morrer, está cansado, não aguenta mais, quem é triste e sem amor pela vida, quem está fazendo mal aos outros, vá lá, morra em paz.

Mas as pessoas apaixonadas pela vida não deve- riam morrer. Éramos cinco amigas inseparáveis, e morreu primeiro a mais feliz, a mais vibrante, a mais entusiasmada pela vida, a mais tempera- mental e esfuziante. Chamava-se Aparecida.

Ela era uma graça. Gostava de sair comigo nas lojas de Fortaleza, que eu lhe desse conselhos de decoração, molduras, romances, adorava litera- tura e a cada livro que lia seu mundo se ampliava com uma força extraordinária. Queria que eu com- prasse roupas para mim, me vestisse com aprumo, eu vinha de um mundo onde era charmoso não li- gar para roupas, um escritor andava com camisas velhas desbotadas, outro de chinelas na academia brasileira de letras, lembro uma gola da camisa de um bibliófilo com manchinhas de ferrugem como- ventes. Fortaleza não, Fortaleza nisso era provin- ciana, as pessoas precisavam ser alinhadas, como na pequena Palo Alto onde as mulheres iam de dourado às festas da universidade. E a Aparecida sabia que eu tinha pudor de comprar para mim. A

não ser livros, lápis de cor e papel.

Então, passávamos na frente de uma vitrine, víamos uma blusa linda, eu não comprava, e ela dizia: Você poupou duzentos reais. Um vestido:

Você poupou trezentos reais; uma camisola, quatrocentos reais, tudo o que eu não comprava era “depositado” numa “poupança”. Eu comprava uma sandália, e Aparecida, em sua matemática mágica: Você ainda tem um saldo de doze mil reais. Quando terminávamos, eu tinha uma sa- cola cheia e me sentia bem: Ana, você economi- zou sessenta e três mil reais. A economia é para o bem-estar, ela dizia. E eu: Aparecida, você devia ser ministra da economia.

Uma ministra como a Aparecida, o povo ia sofrer bem menos. Seria uma política econô- mica voltada para os pobres, porque ela sabe o que é, veio do interior e pregou um cartaz num coqueiro: Dou aulas de matemática. Assim viveu um tempo, até que se formou em economia. Ela não seria confusa, nem pé frio, ia atrair coisas boas, nada de oráculo às avessas e nem dona da bola quadrada. Li que os preços estão os mais altos em cem anos, só perdem para os preços na época da Primeira Guerra Mundial e da pande- mia de influenza em 1915. E subindo a cada dia, inflação voltando. A gasolina, estratosférica, o feijão, irreal, o pão nosso a cada dia mais caro.

Farinha de mandioca, óleo, leite... Vá comprar café! Meus vizinhos nativos dizem que não conseguem mais comprar o peixe que chega nas jangadas e que sempre comeram. Carne, nem pensar. Ovos só do quintal.

A Aparecida não ia jogar a culpa na pandemia, na guerra russa, nem na crise climática e am- biental, nem ia tratar disso aos pontapés, ou com piadas. Ia tirar o Brasil do mapa da fome, res- suscitar o Conselho de Segurança Alimentar que aconselha medidas para melhoria; fazer estoque de feijão ou arroz para regular preços; estimular os pequenos agricultores, que produzem o que vem para a nossa mesa. Ela falava nisso. Tinha bondade no coração.

ELA NÃO SERIA CONFUSA, NEM PÉ FRIO, IA ATRAIR

COISAS BOAS, NADA DE ORÁCULO ÀS AVESSAS

Leo Santana se apresenta em Fortaleza neste sábado, 23 de abril

DIVULGAÇÃO

O MELHOR DA A G E N DA C U LT U R A L

Q U E R D I V U L GA R S E U E V E N T O ? M I G U E L A R AUJ O @ O P O V O . C O M . B R

CHICO ANYSIO

SHOPPING BENFICA

É possível visitar apenas até este sábado, 23, a exposição “10 anos de saudades:

Chico Anysio, as faces do humor brasileiro”, realizada em homenagem ao humorista cearense Chico Anysio.

A mostra reúne artes feitas por alunos do Curso de Belas Artes da Unifor, que fizeram 17 pinturas em tela com momentos diferentes de Chico e de seus personagens marcantes, como Professor Raimundo, Painho e Bento Carneiro. A entrada na exposição é franca.

Quando: das 10 às 22 horas

Onde: Galeria BenficArte no Shopping Benfica (Av. Carapinima, 2200)

INFORMAÇÕES SOBRE ATRAÇÕES, DATAS E HORÁRIOS SÃO DE RESPONSABILIDADE DOS ORGANIZADORES DOS EVENTOS

ENCONTRO DE FENÔMENOS BRUTA FLOR

AXÉ

ANIVERSÁRIO

Fortaleza recebe o show “O Encontro de Fenômenos”, que reunirá no Marina Park Hotel Léo Santana, Xanddy (Harmonia do Samba) e Tonny Salles (banda Parangolé).

Serão mais de cinco horas de apresentação com repertório repleto de sucessos de suas carreiras, como “Rebolation”,

“Encaixa”, e “Santinha”. O projeto começou em 2019 quando os

cantores se reuniram para fortalecer o movimento do axé e do pagode baianos. A banda São 2 e o DJ Flar completam a programação.

Quando: a partir das 21 horas Onde: Marina Park Hotel (Av.

Pres. Castelo Branco, 400 - Moura Brasil)

Quanto: ingressos a partir de R$ 200 (inteira)

O espaço cultural e restaurante Bruta Flor completa um ano de atividades neste sábado, 23. Para celebrar esse marco, o estabelecimento promoverá ações especiais a partir das 13 horas, com a cantora Nega Lu apresentando repertório de músicas brasileiras e autorais. Às 16 horas, o DJ Marquinhos levará aos clientes passeio musical por diferentes estilos. Às 19 horas, a banda Super Trio e convidados.

Quando: a partir das 13 horas

Onde: Bruta Flor (Rua Antônio Augusto, 806 - Meireles)

FINAL DO #CBLOL

NORTH SHOPPING JÓQUEI

O North Shopping Jóquei transmite a final do

#CBLOL, Campeonato Brasileiro de League of Legends. A decisão será entre Paln Gamin e Red Canis Kalunga e a partida será transmitida em um telão de LED. Haverá participação de cosplayers, distribuição de brindes, descontos e outras ações. Para participar, é preciso baixar o aplicativo do North Shopping, que reúne as instruções necessárias para fazer parte da festa.

Quando: das 11 às 19 horas

Onde: Piso L3 (Praça de alimentação) do North Shopping Jóquei (Av. Lineu Machado, 419 - Jóquei Clube)

Chico Anysio

DIVULGAÇÃO GLOBO

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vida&arte

FORTALEZA - CE, SábAdO, 23 dE AbRiL dE 2022

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& Música Show

LEO AvERSA/divuLgAçãO

| Matéria de Capa | Depois de dois anos longe dos palcos, Marisa Monte chega hoje a Fortaleza com a turnê “Portas”, em que revista toda a carreira incluindo seu mais recente disco

AindA bem!

São mais de 30 anos de car- reira, 14 discos e mais uma in- finidade de projetos, parcerias, turnês e produções. Mas nunca Marisa Monte ficou tanto tempo fora do palco do que nos últimos dois anos. Forçada pela pande- mia, ela ficou em casa tendo que medir o que era possível fazer de trabalho. Ainda assim, foi nesse tempo que foram gerados os três EPs com gravações retiradas dos seus DVDs e ainda “Portas”, seu mais recente álbum de inéditas.

Lançado em julho de 2021,

“Portas” traz parcerias com Mar- celo Camelo, Seu Jorge, Dadi, Chico Brown e Nando Reis, além dos amigos tribalistas Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes. Esse repertório é que puxa a turnê que passa hoje, 23, por Fortaleza. Por email, Marisa Monte falou sobre esse retorno aos palcos e a ex- periência, até então inédita, de produzir um álbum remotamen- te – ela no Rio de Janeiro e mú- sicos pelo mundo todo. Ela fala ainda sobre as recentes manifes- tações políticas em seus shows, mercado de música digital e seus 55 anos, que chegam em breve.

Confiram.

O POVO – Seu último disco e a recente turnê nasceram dentro desse contexto de pandemia, trabalho remo- to e encontros virtuais. Le- vando em conta que a arte também se faz desse calor dos encontros, o que você achou dessa experiência de

“encontros à distância”?

marisa monte – Eu queria fazer um álbum através dos en- contros, ao vivo no estúdio, todo mundo tocando simul- taneamente se olhando com uma dinâmica humana. Na medida em que os encontros foram ficando difíceis, tive- mos que refazer os planos e partir para um formato hí- brido, meio presencial meio remoto. Pra minha surpre- sa, a tecnologia nos possibi- litou experimentar formas de relacionamento que não teríamos tentado se não fos- se pela necessidade extre- ma. Nesse sentido, a conec- tividade digital do mundo contemporâneo foi destaque na pandemia. “Portas” aca- bou sendo um álbum que fiz com mais colaborações in- ternacionais, em mais cida- des diferentes, sem sair do Rio e sem perder o calor nem o espírito coletivo.

O POVO – Dez anos separam

“Portas” de “O que você quer marcos sampaio

marcossampaio@opovo.com.br

saber de verdade”, seu disco anterior. Embora você tenha lançado outros projetos du- rante esse período, o que a fez perceber que era hora de um novo disco solo?

marisa monte – Quando termi- nou a última turnê, fiz um disco ao vivo e um DVD. Na sequência, fiz uma série de projetos colaborativos com diversos artistas, num diá- logo que eu gosto muito, mas que durante as minhas turnês eu não consigo dispo- nibilizar tempo para fazer.

Fiz o projeto “Samba Noize”

no BAM, em Nova York, uma turnê nacional com Paulinho da Viola, um álbum inédi- to, uma turnê internacional e um disco ao vivo com os Tribalistas. Eu já tinha um repertório pronto e estava pronta para entrar no es- túdio quando veio a pande- mia. Depois dessa fase de colaborações sabia que era hora de voltar a mim, e es- tava com saudades da mi- nha expressão solo.

O POVO – Seu cuidado aos de- talhes de um disco e de um show já são sabidos. O que te dá mais trabalho? Pro- duzir o álbum ou pensar no espetáculo?

marisa monte – São trabalhos diferentes. Gosto muito do estúdio e do palco, não sa- beria dizer o que eu prefiro.

O estúdio é um ambiente íntimo, com pouca gente, e o palco é o resultado da expressão mais coletiva da música, que envolve o públi- co. O show não existe sem o público. Basicamente o input criativo precisa vir de mim, sou eu que respondo em úl- tima instância por todas as decisões artísticas, mas te- nho uma equipe incrível que trabalha comigo e desenvol- ve cada detalhe. São horas e horas de trabalho de muita gente, os dois são resultado da soma de tempo da vida de muitas pessoas.

O POVO – O que você acha desse modelo de lançar músicas individualmente, indepen- dente de um álbum?

marisa monte – No mundo digi- tal, estamos livres do forma- to herdado do físico, de lan- çar álbuns etc. “Portas” tem músicas que se relacionam entre si seja pelo momento, pelo repertório, pelo diálo- go interno das canções, pelo grupo de trabalho, mas às vezes um single também faz sentido. As regras de merca- do são mais fluidas e existe

mais liberdade em relação a formato no mundo digital e isso amplia as possibilida- des, o que é sempre bom.

O POVO – Em mais de 30 anos de carreira, já percebo um

“jeito Marisa Monte” de fazer música, misturando refe- rências brasileiras com so- taque pop e muito cuidado nos detalhes. Em que medi- da você tenta subverter essa fórmula para não se repetir?

marisa monte – Na verdade procuro reforçar o jeito

“Marisa” porque não existe jeito certo, mas existe um jeito próprio, estou sem- pre buscando o meu. Minha forma de fazer música, o resultado das minhas re- ferências das coisas que eu escuto, vejo e leio e que eu vou descobrindo vão nu- trindo a minha criatividade ao longo dos anos em cons- tante mutação. A curiosi- dade sempre existe e move.

O POVO – O período da pande- mia nos fez conviver com uma série de situações incô- modas, como o uso de más- caras, questões políticas, medo da morte, necessidade de interromper projetos e ficar em casa. Pessoalmen- te, como você enfrentou esse período? O que fez para manter a sanidade?

marisa monte – Foi um momen- to difícil para todos, para mim não foi diferente, uma fase de muitas incertezas, medo, insegurança. Por ou- tro lado, como eu viajo muito e sempre, foi um privilégio

poder estar em casa com minha família por mais tem- po. Acho que foi um período transformador que marcou todos nós no planeta. Pes- soas de todas as idades e profissões jamais se esque- cerão dessa experiência.

O POVO – Ao mesmo tempo em que vemos um desmonte na política cultural brasilei- ra, foi essa cultura que deu algum alívio no período de pandemia com shows e ou- tros eventos virtuais. Que saldo o Brasil tira dessa ex- periência? Acha que a arte e os artistas saem mais fortes?

marisa monte – Infelizmente, a pandemia impactou em cheio o setor cultural. Muito da nossa atividade envolve aglomeração e tivemos que nos manter distantes do pú- blico fisicamente. Apesar da falta de visão do atual gover- no em relação ao potencial material e imaterial que a cultura traz, as pessoas pre- cisam abrir portas internas para a imaginação e para a criatividade onde a gente pode sonhar. A música é re- médio. Arte é necessidade e transcendência nos momen- tos da realidade mais dura.

O POVO – As manifestações políticas têm aconteci- do nos seus shows e você também tem se posicio- nado no palco e fora dele.

Com as eleições chegando e as opções que estão se colocando para o futuro do País, qual sua expectativa para o próximo ano?

marisa monte – Turnê Portas

Quando: sábado, 23, às 22 horas

Onde: Centro de Eventos do Ceará (Av. Washington Soares, 999 - Edson Queiroz)

Quanto: R$240 (plateia - intei- ra) e R$400 (mesa, por pessoa).

À venda no site Eventim e na loja Yuri Costa (Iguatemi e RioMar) marisa monte – Acho normal,

e muito saudável que o povo possa se manifestar coletivamente e amplifi- car seus sentimentos. Um exercício cívico, de liber- dade, de potência e de de- mocracia. Adoro.

O POVO – No dia 1º de julho você completa 55 anos.

Se um ser todo poderoso como o “Gênio da Lâm- pada” quiser realizar seu maior desejo, o que você pediria a ele nesta data?

marisa monte – Gostaria de pedir um país mais amo- roso, mais justo, menos de- sigual e mais colaborativo.

Gostaria de um mundo sem guerras e mais cuidado- so com o meio ambiente, e maior preocupação com o legado para as gerações futuras. Pra mim não quero pedir nada, só agradecer.

mais.opovo.com.br CoNFira a eNtreviSta Completa e repertório do Show

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& Carnaval retorno

Após dois anos e 53 dias em silêncio devido à pan- demia de covid-19, as 12 es- colas de samba da elite do carnaval do Rio voltaram a desfilar pelo Sambódromo na Marquês de Sapucaí nesta semana. Cancelado em 2021, o desfile foi adiado este ano por 54 dias. Na data oficial do carnaval, em fevereiro, a dis- seminação da covid-19 ainda era considerada perigosa. Por isso, pela primeira vez as esco- las desfilam depois do feriado da Páscoa e para muitos tem a marca da redenção.

Os enredos podem ser divididos em três grupos.

Quatro escolas (Imperatriz Leopoldinense, Mangueira, São Clemente e Unidos de Vila Isabel) homenageiam personalidades. Outras qua- tro (Portela, Mocidade Inde- pendente, Unidos da Tijuca e Grande Rio) discorrem sobre elementos considerados sa- grados por religiões africa- nas ou pela cultura indígena.

Três escolas (Salgueiro, Bei- ja-Flor e Paraíso do Tuiuti) exal- tam os negros e sua cultura.

A única escola que não se encaixa nessa divisão é a atual campeã, Unidos do Viradouro. Ela relembra o carnaval de 1919, o primei- ro após a pandemia de gripe espanhola, que matou 35 mil pessoas no Brasil. Antes da covid-19, era considerada a maior pandemia da história.

O carnaval de 1919 é considera- do lendário, pela alegria com que os cariocas comemoraram o fato de terem sobrevivido à doença. Embora este seja o pri- meiro desfile após a pandemia de covid-19, a doença só é tema

mais central nos enredos da Viradouro e da São Clemente.

Esta homenageia o ator Paulo Gustavo, morto pela doença.

Críticas políticas tam- bém entraram no radar, mas não há previsão de nenhum ataque mais contundente ao presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). Recla- mações contra a inflação e as denúncias de corrupção no governo federal ficam mesmo para os blocos de rua. Neste ano, desfilam sem nenhum apoio da prefeitura.

Na noite de sexta-feira, 22, a Imperatriz Leopoldi- nense fez homenagem ao cenógrafo, figurinista e car- navalesco Arlindo Rodrigues (1931-1987), responsável pe- los dois primeiros títulos da Imperatriz, em 1980 e 1981. O enredo foi propos- to pelo presidente de honra da escola, o contraventor Luizinho Drummond, mui- to amigo do carnavalesco.

Drummond morreu em julho de 2020, vítima de um aci- dente vascular cerebral. Mas a escola manteve o enredo,

desenvolvido pela carnava- lesca Rosa Magalhães.

A Mangueira exaltou três ícones da escola: o composi- tor e fundador Cartola (1908- 1980), o intérprete Jamelão (1913-2008) e o mestre-sala Delegado (1921-2012). Re- conhecido pelos enredos de cunho social, o carnavales- co Leandro Vieira expôs as dificuldades do povo negro e pobre até a conquista do reconhecimento em razão de suas artes (o canto, a dança e a poesia, neste caso). An- tes do sucesso profissional, esses artistas trabalharam como pedreiro, engraxate, entregador de jornal, apon- tador de jogo do bicho e fis- cal de feira livre.

Já a Beija-Flor apresentou o enredo “Empretecer o pensa- mento é ouvir a voz da Beija- Flor”, uma exaltação a persona- lidades negras que não tiveram o reconhecimento merecido, a partir de exemplos de pessoas ligadas à própria escola. São pessoas como Silvestre David da Silva, o Cabana (1924-1986), o diretor de carnaval Laíla

| Folia | Após dois anos de espera, escolas de samba voltam à avenida com enredos que evocam crítica social, reafirmam negritude e debatem religião

Homenagens e

ancestralidade

Escola Em Cima da Hora abriu, no dia 20, os desfiles da Série Ouro do Carnaval 2022 na Sapucaí

TOmAZ SiLvA/AgênCiA bRASiL

mais crítica social

O retorno das escolas de samba do grupo Especial de São Paulo ao sambódromo do Complexo do Anhembi vem sendo marcado por homenagens a personalidades das artes e até da internet, narrações de episódios históricos, críticas à situação do País e celebrações de negritude e diversidade religiosa.

Um dos desfiles que deve trazer críticas sociais mais acentuadas é o da gaviões da Fiel, com o enredo basta!, sobre as desigualdades sociais. O samba eleito foi agrupado com base em duas composições, uma delas da turma liderada pelo humorista marcelo Adnet, que fala em

“pátria-mãe hostil” e “senzala Brasil”. Há referências a Nelson Mandela e ao cacique Raoni.

“Um enredo crítico contra os abismos sociais do País. É um grito entalado na garganta. A harmonia é valente, aguerrida e emocionante”, comentou.

Um dos presidentes da Acadêmicos do Tatuapé, Eduardo Santos considera que o carnaval é uma grande homenagem às vítimas da covid-19, mesmo sem menções diretas. “Vamos celebrar o fato de estarmos vivos e homenagear a todos que não tiveram a mesma oportunidade. Esse talvez seja o grande pano de fundo de tudo que vai acontecer neste carnaval atípico”.

Além das tradicionais figuras históricas, há homenagem a uma personalidade das redes sociais: o influenciador digital Carlinhos maia, pela império de Casa Verde. Segundo o carnavalesco Leandro barbosa, o enredo conta a trajetória da comunicação desde o sinal de fumaça até os nomes populares da internet, como o homenageado, que estará no último setor do desfile, em um carro interativo, que exibirá mensagens de espectadores em oito celulares gigantes. 

São Paulo

desfiles deste sábado, 23

Rio de Janeiro 22h - Paraíso do Tuiuti 23h - Portela

0h - Mocidade Independente 1h - Unidos da Tijuca 2h - Grande Rio 3h - Vila Isabel

São Paulo 22h30 Vai-Vai 23h35 Gaviões da Fiel 0h40 Mocidade Alegre 1h45 Águia de Ouro 2h50 Barroca Zona Sul 3h55 Rosas de Ouro 5h Império de Casa Verde (1943-2021) e a porta-bandei-

ra Selminha Sorriso. Ela, aos 50 anos, comemora 30 anos de parceria com o mestre-sala Claudinho. Os dois formam o mais antigo casal de mestre- sala e porta-bandeira em ativi- dade na Sapucaí.

A apuração vai acontecer na terça-feira, 26. As seis escolas com melhores colo- cações voltarão a se exibir no desfile das campeãs, no sábado, 30. (Agência Estado)

Embora este seja

o primeiro desfile

após a pandemia

de covid-19, a

doença só é tema

mais central para

Viradouro e São

Clemente”

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vida&arte

FORTALEZA - CE, SábAdO, 23 dE AbRiL dE 2022

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& Cidade transporte público

O cotidiano do trabalhador brasileiro pode ser muitas vezes caótico e isso acaba interferindo diretamente no humor das pes- soas, principalmente de quem tem que pegar ônibus lotado to- dos os dias e enfrentar horas no trânsito. O transporte público é um dos locais onde esse es- tresse mais se aflora devido, principalmente, à grande cir- culação de usuários em lugares apertados, fechados e quase sempre superlotados.

E foi nesse cenário que nas- ceu o coletivo Rimadores de Busão, um grupo de jovens que fazem rimas nos ônibus de Fortaleza, com intervenções artísticas. Eles interagem de maneira direta com o público, oferecendo uma distração dos problemas diários e proporcio- nando brincadeiras e trocas de vivências. Também há espaço para abordar temas importan- tes para sociedade como racis- mo, homofobia, desigualdade, entre outras pautas que provo- cam reflexões sociopolíticas.

O “Rimadores de Busão”

é um coletivo de MC’s (ar- tistas que cantam rap) que teve início antes do começo da pandemia da Covid-19 e é composto por 20 músi- cos que tem como principal objetivo conseguir viver da música. Os integrantes do grupo são jovens de periferia que saíram de um contexto

de vulnerabilidade social.

Os jovens conseguem em- barcar em cerca de 40 ôni- bus por dia. Acompanhados de uma caixinha de som, ou mesmo da percussão vocal, eles fazem rap freestyle e im- provisam rimas a partir de temas variados que pegam referências de passageiros.

Em entrevista ao O POVO, o coordenador do grupo, Sete Ton, disse que o intuito do coletivo no início era apenas para divulgar o trabalho dos jovens e expandir mais o público. “Mas percebe- mos que podíamos unir o útil ao agradável, divulgando o nosso trabalho como artista e sustentando nossa família com o que amamos, que é fa- zer rap”, contou.

Os artistas se encontram no terminal de ônibus do bairro Antônio Bezerra, em Fortaleza, e de lá se dividem em duplas.

Cada uma sobe em um ônibus e realiza a atividade duran- te o dia. A maioria dos jovens consegue viver inteiramente das ações feitas no transporte público, mas alguns ainda pre- cisam de outro emprego para completar a renda mensal.

“O dinheiro que fazemos no dia a dia dá para ter uma vida tranquila, como somos autôno- mos ganhamos por produção.

Quanto mais trabalha mais ga- nha. Tem duplas que por exem- plo conseguem arrecadar R$250 em 5 horas, mas infelizmente ainda tem integrantes que pre- cisam de outro emprego”, res- saltou o coordenador do grupo.

| Hip-Hop | Acompanhados de uma caixinha de som, ou mesmo da percussão vocal, eles fazem rap freestyle e improvisam rimas a partir de temas variados que pegam referências de passageiros

Rima na pista

ESpECiAL pARA O pOVO

carolina passos

midiassociais@opovodigital.com

“Rimadores de busão” é um coletivo de MC’s que teve início no começo da pandemia da Covid-19 e é composto por 20 músicos

FAbiO LiMA

relação com o público

entre apoios e agressões

Mesmo com ampla aceitação dos passageiros, a atividade continua sendo criminalizada por algumas pessoas e até nos terminais.

Um dos integrantes do grupo foi agredido no último dia 26 de março e um vídeo do momento da agressão foi divulgado nas redes sociais, tendo grande repercussão.

O acontecido tornou- se pauta importante de movimentos sociais e de juventude que lutam contra a desigualdade social e as agressões por parte das forças de segurança. A vereadora Larissa Gaspar (pT) afirmou na quarta- feira, 6, que pretende apurar denúncias de possível existência de quadros de tortura nos terminais de ônibus da Capital.

diante de todo o ocorrido, Sete Ton não acredita que esse tipo de caso ocasione na desmotivação e possíveis desistências de integrantes do Rimadores de busão. para ele, o preconceito externado pelas pessoas é uma minoria, quando existe a possibilidade

de fazer alguém sorrir.

“A gente ilumina o dia de muita gente que às vezes sai de casa triste e não espera encontrar um show de rima improvisada, bem humorada.

Já ouvi relato de uma senhora que em uma semana perdeu 3 familiares para a Covid-19 e naquele dia que subimos no busão ela conseguiu sorrir.”

A costureira, Tais da Silva, 42, disse que se surpreendeu muito quando os garotos começaram a cantar no ônibus: “Eu adorei, é uma arte muito bonita. Eles aproveitam o tempo deles para animar a população e não estão na rua fazendo coisas erradas”.

E para a recepcionista Ana Camille de Souza, de 18 anos, esse tipo de abordagem não incomoda de jeito nenhum “Eu sempre vejo eles nos ônibus e adoro. Torna o dia mais leve”

contaram em entrevista ao o povo.

As apresentações no interior dos ônibus funcionam ainda como meio de divulgação do trabalho individual de cada artista e do nome do coletivo. E isso faz

com que a arte também tenha um papel de transformação social na própria vida pessoal e profissional dos integrantes do coletivo Rimadores de busão.

de acordo com Sete Ton, a meta dos jovens é viralizar os conteúdos que produzem nas redes sociais e assim serem reconhecidos nacionalmente.

“Nosso maior sonho é ser reconhecido pelas nossas músicas. A rima no busão é uma vitrine para mostrarmos o quão grandioso somos como músicos e compositores.

Nosso sonho na vida é tirar nossa mãe do aluguel, dar boa qualidade de vida aos familiares e ser exemplo de vitória”, disse.

O impacto social da arte realizada nos transportes públicos ocorre em uma via de mão dupla, pois não diz respeito apenas ao público que a recebe, já que também as atividades feitas nos ônibus garantem de certa maneira e possibilitam alguma autonomia financeira aos jovens e o aprimoramento de sua arte.

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O que é e como jogar

1.O jogo é constituído de 81 quadrados numa grade de 9 x 9 quadrados, subdivivida em nove grades menores de 3 x 3 quadrados.

2.Cada fileira (vertical e horizontal) deverá conter números de 1 a 9.

3.Cada grade menor, de 3 x 3 quadrados, deverá conter números de 1 a 9.

4. Nas fileiras horizontais e verticais da grade maior, cada número deverá aparecer uma só vez.

SUDOKU

PALAVRAS CRUZADAS

23 DE SETEMBRO A 22 DE OUTUBRO 23 DE OUTUBRO A 21 DE NOVEMBRO 22 DE NOVEMBRO A 21 DE DEZEMBRO 21 DE JUNHO A 22 DE JULHO 23 DE JULHO A 22 DE AGOSTO 23 DE AGOSTO A 22 DE SETEMBRO

22 DE DEZEMBRO A 20 DE JANEIRO 21 DE JANEIRO A 19 DE FEVEREIRO 20 DE FEVEREIRO A 20 DE MARÇO 21 DE MARÇO A 20 DE ABRIL 21 DE ABRIL A 20 DE MAIO 21 DE MAIO A 20 DE JUNHO

Brincar

Nico. LARA NICOLAU

@laranicolau.ilustra

A Cara de Ju. JULIANNE ALMEIDA

@acaradeju

Finho Doguinho. GABO

@gaboseiras

HORÓSCOPO PERSONARE

www.personare.com.br | a.martins@personare.com.br

PEIXES AQUÁRIO

CAPRICÓRNIO

SAGITÁRIO ESCORPIÃO

LIBRA

VIRGEM LEÃO

CÂNCER

GÊMEOS TOURO

ÁRIES

Prazeres introspectivos tendem a ser favorecidos, contanto que não envolvam gastos em excesso. A Lua Minguante está em sua casa social e entra em confl ito com Sol e Urano no setor íntimo, demandando discrição e diplomacia frente a possíveis discussões. Busque não alimentar polêmicas.

Busque ser diplomática com o entorno.A Lua no setor familiar entra em confl ito com Sol e Urano, podendo pedir desaceleração e revisões sobre a gestão do dia a dia. Procure aproveitar para arrumar e se livrar do que não serve mais, seja do ponto de vista físico, quanto de hábitos e pensamentos.

É necessário arrumar a casa, no sentindo de colocar a mente e a vida em ordem.

Momento importante para fazer revisões e mudanças, já que a Lua Minguante no setor das ideias entra em confl ito com Sol e Urano, destacando questões que precisam de aprimoramento para que possam ser desenvolvidas.

Procure evitar sair da zona de conforto, e não se expor nas redes sociais, como alerta a tensão com Sol e Urano.

A Lua Minguante no setor íntimo pode lhe predispor à introspecção, o que se mostra favorável ao seu bem-estar se você souber aproveitar a quietude para cuidar de si e dos outros.

Os momentos de descanso se mostram revigorantes sob diversos aspectos. Sendo assim, tente aproveitar para se recompor do trabalho.

A Lua Minguante entra em confl ito com Sol e Urano, destacando a importância dos pausa e do zelo com seu bem- estar e dos entes queridos.

A prudência é fundamental em seus relacionamentos.

Procure aproveitar a calmaria temporária da Lua Minguante no setor do cotidiano, pois ela é importante para colocar os pensamentos em ordem e revisar as ações, sobretudo porque a tensão com Sol e Urano pode apontar falhas de percurso.

Tente revisar práticas que se mostrem antigas e não ajudam no funcionamento do dia a dia. A Lua minguante atua sobre o setor fi nanceiro, o que tende a pedir redução nos gastos e análise do orçamento, a fi m de evitar erros, visto que o referido astro entra em tensão com Sol e Mercúrio.

Que tal colocar na sua jornada atividades relaxantes e que previnam o estresse? O dia pode ser proveitoso para o descanso e para organizar os afazeres domésticos, a fi m de não acumular pendências, já que a Lua Minguante em seu signo entra em tensão com Sol e Urano no setor familiar.

Procure resolver as pendências de forma

diplomática. A Lua Minguante na área de crise tende a promover refl exões profundas sobre os obstáculos, embora seja necessário discrição para que os contratempos não afetem a relação com as pessoas, devido à tensão com Sol e Urano no setor comunicativo.

Como alerta a tensão com Sol e Urano, busque ser cuidadosa nos gastos com o lazer e evitar misturar fi nanças e amizades. A Lua Minguante no setor de amizades pode destacar a importância de reduzir a exposição da sua imagem no meio social.

Procure ter contatos pontuais e devidamente selecionados.

Que tal se divertir? A Lua Minguante no setor do trabalho pode oportunizar a redução no ritmo das demandas para revisar o que já foi feito e fazer os ajustes.

A sobrecarga tende a ser ruim para seu bem-estar, pois o referido astro entra em confl ito com Sol e Urano em seu signo.

Tente evitar especular sobre os contratempos para não prejudicar a autoconfi ança, como alertam Sol e Urano tensionados na área de crise. Na passagem da Lua Minguante pelo setor espiritual, o pensamento tende a fi car mais refl exivo e voltado a usufruir dos benefícios de práticas relaxantes.

O SANTO

São Jorge

O ANJO

Chavakiah

Nascido na Capadócia (atual Turquia), Jorge era filho de cristãos, aprendendo desde cedo a acreditar em Deus e Jesus Cristo como sua salvação. Viveria boa parte da vida na Palestina e foi promovido a capitão do exército do império romano ainda muito jovem. Com 23 anos, acendeu a cargos mais altos na corte imperial de Roma, porém o imperador Diocleciano tinha planos para eliminar os cristãos. Por não

abandonar sua fé, Jorge se levantou em meio À reunião que aprovaria o decreto exclamando que os ídolos adorados pelos pagãos eram todos falsos deuses. Após o ocorrido, foi perseguido e humilhado. Por não negar Deus, foi degolado. Conta a tradição que São Jorge derrotou um Dragão que assolava uma pequena vila. A festa acontece no dia 23 de abril tanto no Ocidente como no Oriente.

Quem nasce sob esta influência, será um grande colaborador para o bem estar social, muitas vezes, a custa até do sacrifício de interesses pessoais. Amará viver em paz com todos e ver as pessoas reconciliadas. Sua moral estará sempre sob um rígido controle, podendo até mesmo suprimir seus sentimentos. Mente prática, capacidade para tomar sábias decisões.

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VIDA&ARTE

FORTALEZA - CE, SÁBADO, 23 DE ABRIL DE 2022

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CLÓVIS

HOLANDA

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ESTA COLUNA É UM OFERECIMENTO:

AMBIENTAL, SOCIAL E CORPORATIVO

Futuro da indústria: Fiec lança núcleo ESG

Presidente da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Ricardo Cavalcante, acompanhado do vice-

Presidente da instituição, Jaime Bellicanta, lançou o Programa e Núcleo de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG -FIEC), em prestigiada solenidade na noite da última terça-feira. 

“O futuro da indústria exige respeito ao meio ambiente em todos os seus processos. Requer qualificação e valorização das pessoas que com ela convivem. Pede uma governança corporativa, onde a ética

prevaleça, a transparência seja uma máxima e a organização contemple valores como independência, diversidade e equilíbrio”, declarou o presidente da entidade em seu discurso.

Evento também foi marcado pela implantação do Conselho ESG na Federação, presidido por Ricardo e tendo como

membros Jaime Bellicanta e os empresários Haroldo Rodrigues;

Ticiana Rolim e Beatriz Fiuza;

os executivos Arthur Ferraz, Milene Alves e Darline Oliveira e o economista Célio Fernandes.

O grupo vai tratar de temas como ética, governança, meio ambiente, diversidade e inclusão social.

Palestra com Ricardo Voltolini, CEO e fundador da consultoria Ideia Sustentável, e idealizador da Plataforma Liderança com Valores, movimento de liderança para a sustentabilidade do Brasil, atualizou os presentes sobre o ESG no país e no mundo hoje. Seguem registros... 

Prefeitura seleciona obras para painéis

Prefeitura de Fortaleza abre edital para selecionar obras artísticas

BEATRIZ BLEY/ DIVULGAÇÃO

| ESCOLAS PÚBLICAS | As inscrições para artistas estão abertas até o dia 6 de junho

A Prefeitura de Fortale- za, por meio do Gabinete da Vice-Prefeitura, abre inscri- ções para o edital “Painéis Artísticos nas Escolas” nesta quarta-feira, 20 de abril. Se- rão selecionadas obras de ar- tistas que residem na capital cearense e que irão compor painéis de cerâmica nas es- colas públicas. A proposta é aproximar ainda mais os alu- nos da produção autoral de artistas do Estado.

Edital “Painéis

Artísticos nas Escolas”

Quando: até dia 6 de junho, das 8h às 17 horas

Onde: sede da Central de Licitações da Prefeitura de Fortaleza (avenida Heráclito Graça, 750 - Centro)

Edital: site Fortaleza Criativa Mais informações:

(85) 3452.3477 Os autores dos trabalhos

aprovados receberão R$1,5 mil pela reprodução. Os conteúdos não precisam ser inéditos.

Cada pessoa pode inscrever até cinco trabalhos artísticos.

No total, 40 produções se- rão selecionadas. A comissão avaliadora será definida pelo gabinete da Vice-Prefeitura, que promove a ação.

No ato de inscrição, os in- teressados devem preencher uma ficha, além de enviar

cópias impressas de seus tra- balhos autorais e apresentar uma justificativa conceitual do trabalho, com os caminhos teóricos e estéticos para con- cepção das obras.

As inscrições acontecem presencialmente na Central de Licitações da Prefeitura de Fortaleza, que está localizada na avenida Heráclito Graça, número 750. Lugar funciona de segunda-feira a sexta-fei- ra, em horário comercial.

Presidente da Fiec, Ricardo Cavalcante, e demais dirigentes e lideranças envolvidas no projeto

Ricardo Cavalcante e João Dummar Neto

Adailma Mendes, Jurandir Picanço e Roberto Gurgel Antunes Mota e

Fernando Bezerra

Carlos Fiuza e Pedro Mapurunga

Carlos Prado, Célio Melo e Joaquim Rolim

Flavia Rocha, Bia Fiuza e Bia Gurgel Francílio Dourado, Ana Lucia Mota e

Ricardo Voltolini

Jaqueline Maia e Edgar Gadelha

Karina Frota, Marcos Oliveira e Aline Chaves Leonardo Lima, Alcileia Farias, Ricardo Voltolini, Ricardo

Cavalcante, Jaime Bellicanta e Francílio Dourado

Roberto Macedo, Maia Junior e Claudio Targino Ricardo Cavalcante

e Tássio Ferreira

Ricardo Cavalcante, João Dummar Neto, Alexandre Medina e Beatriz Cavalcante

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LÚCIO FLÁVIO GONDIM*

vidaearte@opovo.com.br

*ESCREVE QUINZENALMENTE

Educação e arte

Ninguém confia em ninguém ou “Os loucos es- tão à solta”, conforme escreveu meu editor (e atual faculdade individual de jornalismo) Clóvis Holanda.

Por algum desatino pandêmico, o isolamento me fez esquecer tais verdades estruturais. Oriundas delas, algumas regras de convivência. Ademais, por minha rendição à investigação mesmo espiritual - dentro de uma biossocial - sobre os últimos anos, acredi- tei, como algumas e alguns, em uma humanidade menos tóxica no cada vez mais possível e impossível pós-pandemia. Do contrário, saímos mais intoleran- tes, egoístas, pobres e cheios de desejos reprimidos, como disse outro dia nosso colunista social. “Não espere nada do mundo”, disse aos seus filhos nosso Clovinho. E a mim.

Você me pergunta se não era óbvio que o mundo permaneceria no caos, basta ver a presidência brasi- leira e sua sina por morte como condensador do ódio coletivo. Sim, apenas contra-argumento com o no- ticiário. Escola da Zona Norte do Recife (Longe? Vivi exata situação no último dia de aulas em 2020 em escola fortalezense!) tem surto recente de ansiedade coletiva: 26 estudantes apresentaram sudorese, ta- quicardia, saturação baixa... A nível imagético, cho- ro, desmaio e tremores. Segundo estudiosos, algum gatilho gerou a situação estabelecida em um cenário no qual exatamente não se considera o esgotamento como motor de mudanças obrigatórias. Do contrá- rio, força-se uma manutenção de hábitos e cobran- ças como se nada estivesse acontecendo. Além disso, colégios de diversas partes do Brasil apresentam casos de violência extrema no retorno presencial.

Agressões físicas e simbólicas materializam juras de morte pregressas e novidosas.

O zeitgeist é de putrefação humana com miséria moral e estrutural, desequilíbrio psíquico, falta de perspectiva de futuro, eleições 2022 e, claro, pulsão (sexual) eternamente reprimida pelos tabus e totens, transformam o mundo em uma bomba atômica li- teral, sem que czares necessitem o querer. Acusa-se em mim sobremaneira agora a melancolia presente nas almas sensíveis depois de combates de anos ou de toda uma vida sem, no entanto, ver melhorias co- letivas. “A Rosa do Povo” do querido Drummond pa- rece ser sempre mortal. Tempos de paz são ilusões.

Tal entendimento se deu ao meu redor quando, ao receber o pedi- do recente de um aperto de mão de um aluno, meu primeiro intui- to foi recusá-lo. O que pensariam sobre o gesto?

Mesmo em lugares em que se busca pretensamente trabalhar as competências socioemocio- nais, o caos reina enquanto sinto- ma da desgraça em nível macro.

Um abraço pode ser assédio, um olhar pode ser perseguição, uma palavra vira fofoca prestes ao cancelamento: não escapa nin- guém, nem os/as colegas “adul- tos”. Duvido que seja muito dife- rente onde você, leitora ou leitor, trabalha, estuda ou convive… (Por que alimentamos um top de colu- nistas mais lidos, por exemplo?) Arrasador é pensar que necessita ser assim, caso contrário o fra- casso de fato nos pega despre- venidos. Não há união nos gestos sociais, como ela haveria nos cen- tros de formação?

Hannah Arendt, autora, den- tre outras obras fundamentais, de “Sobre a Violência” distingue o poder da violência. Ao contrário do senso comum, não conside- ra esta como natural ao huma- no, não se fundamentando, por exemplo, em argumentos bioló- gicos. Seu caráter seria social e político. Do mesmo modo, para Arendt, o poder tem como funda- mento o apoio, tácito ou explícito, de quem consente com sua es- trutura ao invés de se impor nos instrumentos de violência a ele associados. Por fim, para Arendt, a violência acontece quando o poder está ausente ou, segundo

Byung-Chul Han em seu “O que é o poder?”, quando, de tão pode- roso, não precisa dar mostras de si, solidificando-se quanto mais se negligencia seu debate. A rele- vância da questão na argumenta- ção eleitoral, por exemplo, denota a imprescindibilidade da pauta, tomada, conforme vemos, tanto pela direita extremista quanto escamoteada pela esquerda.

Portanto, como “colégio de des-afetos” não adjetivo aqui a instituição escolar (tampouco apenas a minha atual) mas, o te- cido societário. Nem a Arte es- capa do horror. A briga e o “ran- ço” por não conseguir a vaga do edital - ver recente entrevista ao Vida & Arte do sociólogo, cura- dor, negro e gay Guilherme Mar- condes - não são distintas de um

| ANÁLISE | Professor e pesquisador Lúcio Flávio Gondim reflete sobre ansiedade coletiva no ambiente escolar e traça paralelo com os debates do filme dirigido por Lázaro Ramos

COLÉGIO DE DES􀒀AFETOS

bofete no Oscar. Corpos negros sobretudo não conseguem se es- quecer disso. Acaba de entrar nos cinemas “Medida provisória”, um quilombo nada maniqueísta ou distópico dirigido pelo sho- wrunner Lázaro Ramos (viva os 20 anos de Madame Satanã!). To- dos os sentimentos atravessam a tela e nos pegam. O de que cada minuto é guerra (em que morrem pretos e brancos) é um deles. Para quem tem - ou tenta sentir junto a quem tem - “melanina acen- tuada”, mora na favela ou até que se isola para se defender, resta a frase na tela ao fim do longa: “Em uma cultura de morte, viver é de- sobediência civil”.

Ao sair de novo às ruas, quatro doses de vacina tomadas, volto a fugir de gente no escuro; levantar

o vidro do carro por medo de as- salto tanto quanto de uma pala- vra mal empregada por mim ou por outrem. Os maiores conflitos humanos não têm imagens ne- cessariamente bélicas. Vivemos na necropolítica de um sistema neoliberal, criador e gerenciador do sofrimento, como nos falam em recentíssimo livro organizado por Safatle, Dunker e Silva Júnior.

Transformamos nossas subjetivi- dades em empresas, combalecen- do por não poder adoecer e ven- dendo imagens falsas de sucesso para lucratividade. Felizmente, tenho este espaço no qual posso elaborar provisoriamente tama- nha crueldade. E, por meio dessa medida, elaborar um Lúcio em alguma paz, quase não podendo fazer o mesmo por meu meio.

OU “MEDIDA PROVISÓRIA”

Abelardo Ferreira assina a ilustração desta edição da coluna Educação&Arte

ABELARDO FERREIRA

“Cartas da Juventude” é lançado no TJA

Assis Lima é o organizador do livro

‘Cartas da Juventude’

DIVULGAÇÃO

| HISTÓRIA | Publicação reúne cartas trocadas entre amigos na ditadura militar

“Mais do que memórias colhi- das pela força da narrativa, são registros vivos, embebidos no agora de então, com toda a for- ça da experiência e do contexto daqueles anos. São documentos”, anunciou a professora Ana Cecília de Sousa Bastos ao tecer comen- tários sobre o livro “Cartas da Ju- ventude”, organizado pelo médico e poeta cearense Assis Lima.

A obra reúne 156 cartas troca- das entre amigos cratenses du- rante a ditadura militar e mostra os anseios e as vivências dos au- tores durante a juventude. A pu- blicação terá lançamento oficial realizado no Foyer Izaíra Silvino, do Theatro José de Alencar (TJA),

neste sábado, 23. Na ocasião, ha- verá também um pocket-show do cantor, compositor e publi- citário cearense Tiago Araripe, acompanhado do músico cearen- se Caio Castelo no violão. O evento começa a partir das 17 horas e a entrada é franca.

O lançamento terá também momento de autógrafos com três dos sete autores da publica- ção, sendo eles Assis Lima (res- ponsável pela organização das missivas), o jornalista Flamínio Araripe e o próprio Tiago Arari- pe, que também tem seus depoi- mentos reunidos na obra. Além desses já citados, “Cartas da Juventude: Crônica de época,

Recortes Autoetnográficos (1968/1977)” conta com os au- tores José Esmeraldo Gonçal- ves, Pedro de Lima, Eugênio Gomez e Emerson Monteiro.

No livro, as primeiras car- tas remontam a 1968, período em que os autores naturais de Crato saíram da cidade para estudar em capitais brasilei- ras, sendo elas Fortaleza, Re- cife, Salvador, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte.

“Havia vibração e muita ex- pectativa em relação a escre- ver e receber cartas. Era como uma síntese de todas as redes sociais possíveis e imaginá- veis”, afirmou Assis.

Lançamento

Quando: neste sábado, 23, às 17 horas

Onde: Foyer Izaíra Silvino - Theatro José de Alencar (R.

Liberato Barroso, 525 - Centro) Entrada franca

Para adquirir o “Cartas da Juventude”, é possível entrar em contato com Assis Lima por e-mail (f.assislima9@gmail.

com) ou via WhatsApp, (11) 99666-7873. Confraria do Vento também disponibiliza a obra em seu site. O preço de capa é R$ 67.

(Miguel Araujo)

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Referências

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