• Nenhum resultado encontrado

Memóriase Notícias

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2022

Share "Memóriase Notícias"

Copied!
11
0
0

Texto

(1)

PUBLICAÇÕES DO MUSEU MINERALÓGICO E GEOLÓGICO

DA

UNIVERSIDADE DE COIMBRA N.o 11

Memórias

e Notícias

1940

ANO DOS CENTENÁRIOS

VIII DA FUNDAÇÃO E III DA RESTAURAÇÃO

(2)

barrilha, usada em tempos para extracção da soda, (Mesem- briantemum crystallinum, Mes. nodiflorum (1).

Abunda também aí um líquene chamado urzela (Roccella tinctoria. D. C. (2) utilizado para a produção de carmim desde os tempos do Infante de Sagres, de quem era pro­

priedade.

As indústrias químicas tiraram-lhe todo o valor.

O único produto da Selvagem Grande são os coelhos, para os caçadores, e os ovos de cagarra para o proprie­

tário da Ilha, e também para os pescadores das Canárias, que aí costumam instalar-se no verão, pescando e comendo coelhos.

Só enquanto o Navio Hidrográfico por aí andou eles se viram obrigados a mudar de costumes.

Decerto já para aí voltaram, pois para os pescadores da Madeira as ilhas ficam muito mais longe.

A carta batimétrica da Selvagem Grande organizada pela Missão Hidrográfica mostra (3):

1.° A batimétrica de 1ooom é contínua, ligando esta ilha às Selvagens Pequenas a SW.

2.0 A zona entre as batimétricas 5oom e 1oom mostra independência desta ilha, e com forma arredondada, que deve ser a primitiva, pois que a tal profundidade deve ser fraca a acção erosiva das águas.

3.° Na zona acima de 1oom a ilha tem a forma alongada A CARTA BATIMÉTRICA DAS SELVAGENS

(1) Segundo uma interessante publicação do Sr. Artur Sarmento:

As Selvagens — Funchal, 1906.

(2) Iles Canaries — L. Fernandes Navarro. Instituto Geológico de Espana, 1926, pág. 33.

(3) Publicamos na fig. 1 uma redução e simplificação da Carta do Arquipélago.

(3)
(4)

NE para SW notando-se agora bem a acção erosiva das águas do mar, que devem ter destruido a parte norte da montanha submarina.

Podemos aqui tomar aquela batimétrica de 1oom como o limite acima do qual actuou esta acção destruidora, pois que é nesta altitude que as cotas dão um salto brusco (na parte norte) salto que limita um planalto com a profundi­

dade de 6o a 70m o qual limitamos superiormente pela batimétrica de 5om. Esta curva tem já a direcção geral da montanha a NE SW e limita uma área que tem nesta direc­

ção um comprimento uma e meia vez maior que na sua perpendicular.

A Baixa da Ponta Espinha e a Baixa do Noronha ou do Nordeste estão exactamente neste prolongamento NE, podendo dar-se à Baixa de Oeste o mesmo alinhamento.

Também na direcção quási perpendicular há dois ilhéus:

Palheiro do Mar e Palheiro da Terra, restos de picos vulcâ­

nicos separados da Selvagem Grande por fundos de cêrca de 4om, um pouco superiores aos fundos para o lado da Baixa do Nordeste, e Baixa de Oeste.

Há nas direcções NE-SW dois planaltos menores um de cada lado da ilha, com cêrca de 35m de cota de fundo.

4.0 Já a batimétrica de 25m é, no seu conjunto, mais arredondada (se exceptuarmos a Baixa da Ponta Espinha, nela incluída) tendo a forma geral da Ilha.

5.° A natureza ou fundos mostra que as areias calcá- reas que na parte emersa da Ilha abundam a NE, se encon­

tram somente na zona a Sul da Ilha, isto é, na parte mais inclinada dos fundos protegidas pela Ilha contra a acção erosiva das vagas, vindas dos quadrantes do Norte.

Os fundos de conchas mais ou menos moídas encon­

tram-se distribuídos em toda a volta da Ilha, podendo inter­

pretar-se os fundos de rocha nua, como áreas onde as correntes, ondulações e vagas não deixam acumular os res­

tos de conchas, isto é, no pequeno planalto que se dirige para a Baixa do Nordeste e numa faixa NE-SW, que passa a Noroeste da Ilha.

(5)

5

Como são predominantes os ventos dos quadrantes do N, e dominantes as ondulações do quadrante de NW, resulta que os seus efeitos sobre o fundo do mar quási se não fazem sentir na parte S da ilha, onde se acumulam porisso as areias finas, conchas moídas, etc.

CONCLUÍMOS DÊSTE ESTUDO

1.° Que a ilha faz parte dum alinhamento NE-SW sobre o qual romperam os focos vulcânicos.

2.° Que a acção erosiva das águas, especialmente das vagas se exerce acima da cota actual de 1oom, dando origem a uma plataforma de abrasão, acima dos fundos de 7om.

Esta plataforma vai subindo ao aproximar-se da ilha, e da profundidade de 2om para cima, é bastante inclinada.

Continua a acção das águas a destruir a ilha, de costas escarpadas, quási todas verticais, excepto a Sul e Sudoeste, sendo as areias calcáreas que a cobrem, (ver adiante) as testemunhas duma antiga costa que entrava suavemente no mar, a ponto de permitir aos ventos levá-las pela costa acima, como ainda se vê hoje na Ilha de Lanzarote, constituindo o que aí chamam El Jable, um verdadeiro rio de areia que o alizado de NNE vai levando através da ilha, de N para o S até entrar de novo no mar.

A CARTA BATIMÉTRICA DAS SELVAGENS PEQUENAS

O ilheu maior deste grupo chama-se Selvagem Pequena (ou Pitão Grande) e o ilheu menor chama-se Ilheu de Fora, (ou Pitão Pequeno).

A carta batimétrica deste grupo de ilhéus mostra que há hoje, acima do nível do mar, só restos de picos vulcânicos, havendo só um, o Pico do Veado (Selvagem Pequena) que se

(6)

eleva alguns metros, como mostram as fotografias n.os 3 e 4, sendo o resto do grupo constituído por pequenos afloramen­

tos, que o mar ora cobre, ora descobre, havendo ainda assim uma camada de areia calcárea, (branco da fotografia) no centro da Selvagem Pequena e no centro do Ilheu de Fora.

E notável como esta areia se conserva ainda, quando a vegetação que em parte a cobre é constituída por raras ervas e arbustos.

Dá-se ainda aqui o que supuzemos ter-se já dado na Sel­

vagem Grande, isto é, a areia ter saído do mar em época muito recente.

Não nos pareceu que esteja hoje saindo do mar, antes pelo contrário, vimos que as vagas estão atacando aquelas areias.

Consideramo-las porisso, como na Selvagem Grande, como restos duma extensa cobertura destes fundos, que o levantamento vulcânico teve de atravessar.

As sondagens mostram que as areias quási só aparecem do lado Sul da S. P. e não do lado do Norte, isto é, não são areias que as águas, vindas hoje do norte, arrastem para os ilhéus, mas são restos abrigados ao Sul do ilheu.

Também aqui, como na Selvagem Grande, há abundân­

cia de filões calcáreos, originados também pelo enchimento das fracturas vulcânicas por areias calcáreas.

São tantos os filões cruzando-se, que parece estarmos, às vezes, no meio das ruínas duma cidade, com paredes, algu­

mas vezes até desviadas da vertical (Fotog. 5 e 6).

Mostra a carta que estes filões, de rochas variadas, como as da Selvagem Grande, se estendem em duas direc- ções perpendiculares : NE-SW (que é a direcção do alinha­

mento geral das Selvagens) e NW-SE.

Se tomarmos a batimétrica 1om como contorno dos ilhéus temos este grupo formado por :

1.° Um ilheu ocidental, constituído por: Ilheu de Fora, Ilheu Comprido e Ilhéus do Norte, numa extensão de 3 a 4 quilómetros ;

2.0 Um ilheu oriental de forma triangular constituído

(7)

7

pela Selvagem Pequena, Baixa Comprida, ao Sul, e uns pequenos picos a NE da Selvagem Pequena.

A batimétrica de 2om une estes grupos de ilhéus, e tem a forma dum crescente com a abertura voltada para NE.

Começando, como na Selvagem Grande, pelas batimé- tricas mais fundas nota-se :

1.° Como ali vimos, a curva 1ooo liga todas as Selvagens.

2.° A zona entre as batimétricas 5oo e 1oom é arredon­

dada, tendo a NE uma reintrância.

3.° A batimétrica 5om afasta-se muito para o centro, especialmente a Norte e a Oeste, o que mostra que a ero­

são submarina tem actuado acima da batimétrica de 10om aproximadamente a 70 ou 8om, construindo uma larga pla­

taforma a Oeste, mas principal mente a Norte e a Nor­

deste.

Esta última penetra no interior do grupo de ilhéus, cons­

tituindo a parte côncava do que atrás chamámos um cres­

cente, limitado pelas batimétricas de 20m.

Vemos pois que também aqui, como na Selvagem Grande, a acção erosiva das vagas se exerce acima da batimétrica de 1oom, e sobretudo na parte Norte, pois são, como notou o Sr. Comandante Prior, predominantes os ventos de qua­

drantes do Norte, e dominantes as ondulações dos ventos dos quadrantes do Noroeste.

MOVIMENTOS DO NÍVEL DO OCEANO

É notável que também no Norte da Ilha do Porto Santo há uma extensa plataforma submarina, bastante plana, maior que a própria ilha, com fundos que teem cerca de 70111.

A frequência deste nível das plataformas, tão baixo, em regiões tam distantes, parece indicar que se trata dos movi­

mentos eustáticos do Oceano durante o Pliocénio ou Qua­

ternário.

(8)

Embora se diga que o movimento das águas atinge a profundidade de cerca de 2oom, parece-nos exagerado supor que o poder de construir uma plataforma de abrasão chegue quási a ioom.

Verdade seja que o perfil médio dos fundos a Norte da ilha é regular, não se notando nenhuma descontinuidade denunciadora duma mudança recente do nível.

Na parte emersa há sinais de mudança de altitude rela­

tiva da ilha.

Basta notarmos que a ilha termina, e terminava antes da última erupção, que a cobriu duma capa basáltica, por um planalto com cerca de 70m de cota, que parece de abrasão marinha

Como porém esta plataforma superior não aparece na Ilha do Porto Santo, na Madeira, ou Desertas, concluímos que é devida a levantamento da ilha e não a movimento do nível do mar, levantamento que, a julgar pelos fósseis aí encontrados, teve lugar durante ou depois do Miocénio supe­

rior (ver adiante).

E ainda interessante notar que no Arquipélago das Caná- rias a batimétrica de 1oom não mostra assimetria, pois corre paralela às costas, contràriamente ao que aqui sucede.

A CONSTITUIÇÃO GEOLÓGICA DA SELVAGEM GRANDE

Já de longe, como mostra a fotografia 1, se nota que a Ilha é um planalto de costas escarpadas, às vezes a pique, onde se elevam alguns picos vulcânicos por onde brotou a capa que cobre quási toda a ilha, e que é constituída por basaltos.

Um pouco à direita, (nesta fotografia) vê-se o Pico da Atalaia, o mais alto da ilha com 153m, que mostra ainda o basalto que enchia a chaminé do vulcão.

O soco sobre que assenta esta capa é constituído por rochas mais claras, muito alcalinas.

(9)
(10)
(11)

Referências

Documentos relacionados

Sob condições de analiticidade sobre o sistema, pode-se recuperar parcialmente a condição de controlabilidade de Hermes, mas não totalmente, como será mostrado com

Ao trabalhar com regras em sala de aula, é preciso lembrar das propostas que DeVries e Zan (1998) sobre a construção de regras em sala de aula, assim como a necessidade

No sentido de verificar a estabilidade do efeito corona, foram preparadas 2 amostras de tecido engomado de algodão para cada tempo de tratamento corona (1 a 25 min.), sendo que

as formas de interação de diferentes grupos com o museu, além dos estudos de motivações, ganhos cognitivos e afetivos e outros. De acordo com as bibliografias consultadas e

Programas como este, campanhas de prevenção, divulgação da informação adequada sobre a doença crónica AR, e acontecimentos sociais, tais como, o Dia Nacional

Em destaque, os dados relacionados à escolaridade sugerem que o grupo dos migrantes formam um grupo positivamente selecionado quanto às características

 A adição de CVP à mistura 1 causa redução das propriedades termoplásticas a valores demasiadamente baixos (máxima fluidez menor que 200 ddpm), podendo levar a

Por exemplo: Caso o cliente compre dois produtos: um deles contemplados pelo desconto do Voucher "Bônus 10" ( por exemplo, um livro) e outro produto, não