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DIREITO DO CONSUMIDOR
PROF.ª PATRÍCIA STRAUSS
2 DIREITO DO CONSUMIDOR
1. RELAÇÃO DE CONSUMO ... 3
1.1. Consumidor ... 3
1.1.1. Características do consumidor padrão ou standard ... 3
1.1.2. Consumidor equiparado ... 4
1.2. Fornecedor ...9
1.2.1. Características do fornecedor ... 10
2. OBJETO DA RELAÇÃO DE CONSUMO ... 10
2.1. Produto ... 10
2.2. Serviços ... 11
2.3. Da política Nacional das relações de consumo ... 14
2.4. Dos direitos básicos do consumidor ... 17
2.5. Da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço ou responsabilidade por acidente de consumo (Artigos 12 a 17, CDC) ... 23
2.6. Da responsabilidade por vício do produto e do serviço (Artigos 18 a 25, CDC) ... 32
2.7. Da decadência e da prescrição: Artigos 26 e 27. ... 40
3. DAS PRÁTICAS COMERCIAIS ... 44
3.1. Da oferta (Artigos 30 a 35, CDC). ... 44
3.2. Da Publicidade (Artigos 36 a 38, CDC). ... 46
3.3. Das práticas abusivas (Artigos 39 a 41, CDC) ... 51
3 1. RELAÇÃO DE CONSUMO
1.1. Consumidor
Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.
Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
O CDC é uma lei especial em razão dos seus destinatários, já que somente é aplicável aos consumidores e fornecedores. Assim, para que se possa ter a aplicação do CDC é necessária a existência do binômio fornecedor/consumidor.
1.1.1. Características do consumidor padrão ou standard
• Pode ser pessoa física ou jurídica;
• Adquire/utiliza PRODUTOS ou SERVIÇOS como destinatário final;
• Adquire podemos pensar em comprador, utiliza podemos pensar em um familiar que ainda que não tenha comprado, estará utilizando.
DESTINATÁRIO FINAL
Aquele que retira o bem do mercado, aquele que coloca um fim na cadeia de produção e não utiliza esse bem para continuar a produzir.
A pessoa que adquire produtos/serviços para seu uso ou de sua família é destinatária final. Não é necessária a verificação se é vulnerável ou não. Há uma presunção absoluta de vulnerabilidade. Aqui temos, sem dúvida, a configuração de um consumidor.
Exemplo:
FABRICANTE → COMERCIANTE → Nidal
Entre fabricante e comerciante teremos uma relação civil, teremos uma relação empresarial, aplicando o CC.
Entre Nidal e comerciante teremos uma relação de CDC: Nidal, ao comprar
cervejas artesanais do mercado, será considerado como consumidor. A relação
entre o comerciante e Nidal será uma relação de consumo, aplicando o CDC.
4 1.1.2. Consumidor equiparado
O consumidor padrão, assim, é aquele que, em posição de vulnerabilidade adquire não profissionalmente produtos ou serviços como destinatário final. Tais bens são adquiridos de forma a satisfazer suas necessidades pessoais ou de sua família ou de terceiros que estão em suas relações domésticas.
No entanto, o CDC também se aplica a terceiros que não seriam consumidores padrão, mas que foram EQUIPARADOS a consumidores.
O ponto de partida do parágrafo é a observação de que muitas pessoas, que mesmo sem ter adquirido produtos/serviços, podem ser consideradas como consumidores. Assim, alguém que efetua a compra de um alimento e é ingerido por seu filho, esse filho também será tido como consumidor, sendo o chamado consumidor equiparado. Temos três situações de consumidor equiparados:
Art 2: Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.
O parágrafo demonstra o caráter coletivo da proteção ao consumidor. Tem por objetivo dar eficácia para a tutela coletiva de direitos e interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos, previstos nos artigos 81e seguintes do CDC.
Importante lembrar que o artigo 81 e seguintes tratam sobre interesses coletivos.
IMPORTANTE: Súmula 601 STJ: “O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa dos direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviços públicos.”
Art. 17: Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento (refere-se à seção II, que trata da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço.
Equipara a consumidor todas as vítimas de um acidente de consumo.
Assim, o artigo 17 estende a proteção do CDC para qualquer pessoa
5 eventualmente atingida por um acidente de consumo, ainda que nada tenha adquirido do fornecedor.
Alguém é atropelado por um veículo devido a um defeito do freio. A pessoa atropelada será consumidora por equiparação e teremos aqui a aplicação do CDC. Alguém é atropelado porque o condutor se distraiu, teremos então a aplicação do CC.
Exemplos:
1 – Ana adquire uma televisão e alguns dias depois realiza uma festa em sua casa.
Ao ligar a televisão, esta explode, causando lesões nas amigas Carla e Joana. Ana é consumidora padrão (artigo 2). Carla e Joana não consumidoras por equiparação (artigo 17).
2 – Notícia do STJ:
Fabricante também responde por acidente causado por distribuidora que deixou garrafas de cerveja na rua. Por integrar a cadeia de fornecimento, nos moldes previstos pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), uma empresa fabricante de bebidas foi considerada pela Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) solidariamente responsável pelo acidente causado por cacos de garrafas que uma de suas distribuidoras deixou em via pública. Com a manutenção do acórdão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), as duas rés – fabricante e distribuidora – deverão pagar indenização por danos morais de R$ 15 mil à vítima do acidente, que foi equiparada à condição de consumidor para efeito de aplicação das normas protetivas do CDC.
De acordo com os autos, o pedestre caminhava na calçada quando, ao
perceber que um caminhão não identificado trafegava com uma das portas
abertas, jogou-se ao chão para não ser atingido, mas acabou caindo em cima de
várias garrafas quebradas. Os cacos haviam sido deixados na calçada após outro
acidente, ocorrido durante o transporte das garrafas por uma das distribuidoras
da fabricante de cerveja. A relatora do recurso especial, ministra Nancy Andrighi,
explicou que a legislação amplia o conceito de consumidor para abranger
6 qualquer vítima, mesmo que nunca tenha mantido qualquer relação com o fornecedor.
No caso dos autos, a ministra também lembrou que, embora a fabricante se dedique exclusivamente à produção das bebidas, o consumo desses produtos não ocorre no interior das fábricas, mas em locais como bares, clubes ou nas casas dos consumidores. Para que isso ocorra, explicou a relatora, é necessário que os produtos sejam transportados até o público consumidor, e todo esse processo compõe um único movimento econômico de consumo. “A partir dessas considerações, exsurge a figura da cadeia de fornecimento, cuja composição não necessita ser exclusivamente de produto ou de serviços, podendo ser verificada uma composição mista de ambos, dentro de uma mesma atividade econômica”, apontou. Ao manter o acórdão do TJRJ, a ministra Nancy Andrighi também ressaltou que, para além da relação jurídica existente entre a fabricante e a distribuidora, os autos demonstraram que o acidente foi ocasionado pela distribuidora ao transportar a cerveja produzida pela fabricante até o consumidor final. “Portanto, é inegável a existência, na hipótese dos autos, de uma cadeia de fornecimento e, conforme jurisprudência deste tribunal, a responsabilidade de todos os integrantes da cadeia de fornecimento é objetiva e solidária, nos termos dos artigos 7º, parágrafo único, 20 e 25 do CDC”.
1Art. 29: Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas (refere-se ao capítulo que trata de práticas comerciais e contratos).
A parte de práticas comerciais e contratos se encontra nos artigos 30-54 o CDC. Um exemplo de consumidor por equiparação é quando terceiros são expostas a ofertas/publicidade do fornecedor. Podemos pensar aqui, também em pessoas que ainda não realizaram contratos, mas que foram expostos à práticas comerciais, tais como: pessoa que teve seu nome colocado em cadastros
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