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DIREITO DO CONSUMIDOR

PROF.ª PATRÍCIA STRAUSS

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2 DIREITO DO CONSUMIDOR

1. RELAÇÃO DE CONSUMO ... 3

1.1. Consumidor ... 3

1.1.1. Características do consumidor padrão ou standard ... 3

1.1.2. Consumidor equiparado ... 4

1.2. Fornecedor ...9

1.2.1. Características do fornecedor ... 10

2. OBJETO DA RELAÇÃO DE CONSUMO ... 10

2.1. Produto ... 10

2.2. Serviços ... 11

2.3. Da política Nacional das relações de consumo ... 14

2.4. Dos direitos básicos do consumidor ... 17

2.5. Da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço ou responsabilidade por acidente de consumo (Artigos 12 a 17, CDC) ... 23

2.6. Da responsabilidade por vício do produto e do serviço (Artigos 18 a 25, CDC) ... 32

2.7. Da decadência e da prescrição: Artigos 26 e 27. ... 40

3. DAS PRÁTICAS COMERCIAIS ... 44

3.1. Da oferta (Artigos 30 a 35, CDC). ... 44

3.2. Da Publicidade (Artigos 36 a 38, CDC). ... 46

3.3. Das práticas abusivas (Artigos 39 a 41, CDC) ... 51

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3 1. RELAÇÃO DE CONSUMO

1.1. Consumidor

Art. 2° Consumidor é toda pessoa física ou jurídica que adquire ou utiliza produto ou serviço como destinatário final.

Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.

O CDC é uma lei especial em razão dos seus destinatários, já que somente é aplicável aos consumidores e fornecedores. Assim, para que se possa ter a aplicação do CDC é necessária a existência do binômio fornecedor/consumidor.

1.1.1. Características do consumidor padrão ou standard

• Pode ser pessoa física ou jurídica;

• Adquire/utiliza PRODUTOS ou SERVIÇOS como destinatário final;

• Adquire podemos pensar em comprador, utiliza podemos pensar em um familiar que ainda que não tenha comprado, estará utilizando.

DESTINATÁRIO FINAL

Aquele que retira o bem do mercado, aquele que coloca um fim na cadeia de produção e não utiliza esse bem para continuar a produzir.

A pessoa que adquire produtos/serviços para seu uso ou de sua família é destinatária final. Não é necessária a verificação se é vulnerável ou não. Há uma presunção absoluta de vulnerabilidade. Aqui temos, sem dúvida, a configuração de um consumidor.

Exemplo:

FABRICANTE → COMERCIANTE → Nidal

Entre fabricante e comerciante teremos uma relação civil, teremos uma relação empresarial, aplicando o CC.

Entre Nidal e comerciante teremos uma relação de CDC: Nidal, ao comprar

cervejas artesanais do mercado, será considerado como consumidor. A relação

entre o comerciante e Nidal será uma relação de consumo, aplicando o CDC.

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4 1.1.2. Consumidor equiparado

O consumidor padrão, assim, é aquele que, em posição de vulnerabilidade adquire não profissionalmente produtos ou serviços como destinatário final. Tais bens são adquiridos de forma a satisfazer suas necessidades pessoais ou de sua família ou de terceiros que estão em suas relações domésticas.

No entanto, o CDC também se aplica a terceiros que não seriam consumidores padrão, mas que foram EQUIPARADOS a consumidores.

O ponto de partida do parágrafo é a observação de que muitas pessoas, que mesmo sem ter adquirido produtos/serviços, podem ser consideradas como consumidores. Assim, alguém que efetua a compra de um alimento e é ingerido por seu filho, esse filho também será tido como consumidor, sendo o chamado consumidor equiparado. Temos três situações de consumidor equiparados:

Art 2: Parágrafo único. Equipara-se a consumidor a coletividade de pessoas, ainda que indetermináveis, que haja intervindo nas relações de consumo.

O parágrafo demonstra o caráter coletivo da proteção ao consumidor. Tem por objetivo dar eficácia para a tutela coletiva de direitos e interesses difusos, coletivos e individuais homogêneos, previstos nos artigos 81e seguintes do CDC.

Importante lembrar que o artigo 81 e seguintes tratam sobre interesses coletivos.

IMPORTANTE: Súmula 601 STJ: “O Ministério Público tem legitimidade ativa para atuar na defesa dos direitos difusos, coletivos e individuais homogêneos dos consumidores, ainda que decorrentes da prestação de serviços públicos.”

Art. 17: Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento (refere-se à seção II, que trata da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço.

Equipara a consumidor todas as vítimas de um acidente de consumo.

Assim, o artigo 17 estende a proteção do CDC para qualquer pessoa

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5 eventualmente atingida por um acidente de consumo, ainda que nada tenha adquirido do fornecedor.

Alguém é atropelado por um veículo devido a um defeito do freio. A pessoa atropelada será consumidora por equiparação e teremos aqui a aplicação do CDC. Alguém é atropelado porque o condutor se distraiu, teremos então a aplicação do CC.

Exemplos:

1 – Ana adquire uma televisão e alguns dias depois realiza uma festa em sua casa.

Ao ligar a televisão, esta explode, causando lesões nas amigas Carla e Joana. Ana é consumidora padrão (artigo 2). Carla e Joana não consumidoras por equiparação (artigo 17).

2 – Notícia do STJ:

Fabricante também responde por acidente causado por distribuidora que deixou garrafas de cerveja na rua. Por integrar a cadeia de fornecimento, nos moldes previstos pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC), uma empresa fabricante de bebidas foi considerada pela Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) solidariamente responsável pelo acidente causado por cacos de garrafas que uma de suas distribuidoras deixou em via pública. Com a manutenção do acórdão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), as duas rés – fabricante e distribuidora – deverão pagar indenização por danos morais de R$ 15 mil à vítima do acidente, que foi equiparada à condição de consumidor para efeito de aplicação das normas protetivas do CDC.

De acordo com os autos, o pedestre caminhava na calçada quando, ao

perceber que um caminhão não identificado trafegava com uma das portas

abertas, jogou-se ao chão para não ser atingido, mas acabou caindo em cima de

várias garrafas quebradas. Os cacos haviam sido deixados na calçada após outro

acidente, ocorrido durante o transporte das garrafas por uma das distribuidoras

da fabricante de cerveja. A relatora do recurso especial, ministra Nancy Andrighi,

explicou que a legislação amplia o conceito de consumidor para abranger

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6 qualquer vítima, mesmo que nunca tenha mantido qualquer relação com o fornecedor.

No caso dos autos, a ministra também lembrou que, embora a fabricante se dedique exclusivamente à produção das bebidas, o consumo desses produtos não ocorre no interior das fábricas, mas em locais como bares, clubes ou nas casas dos consumidores. Para que isso ocorra, explicou a relatora, é necessário que os produtos sejam transportados até o público consumidor, e todo esse processo compõe um único movimento econômico de consumo. “A partir dessas considerações, exsurge a figura da cadeia de fornecimento, cuja composição não necessita ser exclusivamente de produto ou de serviços, podendo ser verificada uma composição mista de ambos, dentro de uma mesma atividade econômica”, apontou. Ao manter o acórdão do TJRJ, a ministra Nancy Andrighi também ressaltou que, para além da relação jurídica existente entre a fabricante e a distribuidora, os autos demonstraram que o acidente foi ocasionado pela distribuidora ao transportar a cerveja produzida pela fabricante até o consumidor final. “Portanto, é inegável a existência, na hipótese dos autos, de uma cadeia de fornecimento e, conforme jurisprudência deste tribunal, a responsabilidade de todos os integrantes da cadeia de fornecimento é objetiva e solidária, nos termos dos artigos 7º, parágrafo único, 20 e 25 do CDC”.

1

Art. 29: Para os fins deste Capítulo e do seguinte, equiparam-se aos consumidores todas as pessoas determináveis ou não, expostas às práticas nele previstas (refere-se ao capítulo que trata de práticas comerciais e contratos).

A parte de práticas comerciais e contratos se encontra nos artigos 30-54 o CDC. Um exemplo de consumidor por equiparação é quando terceiros são expostas a ofertas/publicidade do fornecedor. Podemos pensar aqui, também em pessoas que ainda não realizaram contratos, mas que foram expostos à práticas comerciais, tais como: pessoa que teve seu nome colocado em cadastros

1

Notícia em: http://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias-

antigas/2018/2018-08-09_06-58_Fabricante-tambem-responde-por-acidente-causado-por-

distribuidora-que-deixou-garrafas-de-cerveja-na-rua.aspx

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7 de restrição sem nunca ter comprado em determinada loja, poderá ser enquadrada em consumidor por equiparação do artigo 29.

MUITO IMPORTANTE: Quando temos pessoa jurídica como consumidor?

Aqui há algumas teorias a serem verificadas:

Teoria finalista ou subjetivista:

Restringe a figura do consumidor como sendo aquele que adquire/utiliza um produto para uso próprio ou de sua família. Assim, o consumidor não pode ser um profissional, já que o CDC não seria feito para destacar vulnerabilidade de alguém que seja profissional. Consumidor, então, seriam pessoas físicas ou jurídicas não profissionais. Somente para finalidades não profissionais. Pessoa jurídica e profissionais não poderiam ser consumidores.

Teoria maximalista ou objetiva:

CDC seria um código geral para o consumo, instituindo normas e regramentos para todos os agentes do mercado. A definição do artigo 2 deveria ser interpretada de forma mais ampla possível. Não importa a finalidade. Então abrangia todas as empresas, até as que compram insumos etc.

Teoria finalista aprofundada ou mitigada:

Por essa interpretação, o sujeito, poderá ser considerado consumidor se estiver em uma posição de vulnerabilidade. A vulnerabilidade pode ser econômica, técnica (não compra para atividade fim e sim para atividade meio), jurídica, fática.

A vulnerabilidade é verificada casuisticamente, “in concreto”.

Desta forma, profissionais (pessoas jurídicas/profissionais liberais etc.) podem ser consumidores quando estiverem em posição de vulnerabilidade.

Exemplo:

Loja de roupas (pessoa jurídica) que compra um computador (fora da área de seu domínio, há vulnerabilidade técnica).

Vejamos decisão do STJ:

“Consumidor. Definição. Alcance. Teoria finalista. Regra. Mitigação.

Finalismo aprofundado. Consumidor por equiparação. Vulnerabilidade. 1. A

jurisprudência do STJ se encontra consolidada no sentido de que a determinação

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8 da qualidade de consumidor deve, em regra, ser feita mediante aplicação da teoria finalista, que, numa exegese restritiva do art. 2º do CDC, considera destinatário final tão somente o destinatário fático e econômico do bem ou serviço, seja ele pessoa física ou jurídica. 2. Pela teoria finalista, fica excluído da proteção do CDC o consumo intermediário, assim entendido como aquele cujo produto retorna para as cadeias de produção e distribuição, compondo o custo (e, portanto, o preço final) de um novo bem ou serviço. Vale dizer, só pode ser considerado consumidor, para fins de tutela pela Lei nº 8.078⁄90, aquele que exaure a função econômica do bem ou serviço, excluindo-o de forma definitiva do mercado de consumo. 3. A jurisprudência do STJ, tomando por base o conceito de consumidor por equiparação previsto no art. 29 do CDC, tem evoluído para uma aplicação temperada da teoria finalista frente às pessoas jurídicas, num processo que a doutrina vem denominando finalismo aprofundado, consistente em se admitir que, em determinadas hipóteses, a pessoa jurídica adquirente de um produto ou serviço pode ser equiparada à condição de consumidora, por apresentar frente ao fornecedor alguma vulnerabilidade, que constitui o princípio-motor da política nacional das relações de consumo, premissa expressamente fixada no art. 4º, I, do CDC, que legitima toda a proteção conferida ao consumidor.” (Terceira Turma, REsp nº 1.195.642⁄RJ, Rel. Min. Nancy Andrighi)

Em conclusão, para que uma pessoa física ou jurídica seja considerada consumidora, de acordo com a teoria finalista aprofundada, faz-se necessário, em primeiro lugar, que haja vulnerabilidade. Em segundo lugar, é preciso que os bens por ela adquiridos sejam bens de consumo e que na pessoa jurídica esgotem a sua destinação econômica.” (CAVALIERI, 2019).

Exemplo de decisão do STJ sobre a corrente finalista aprofundada:

“O conceito de destinatário final do CDC alcança a empresa ou o profissional que

adquire bens ou serviços e os utiliza em benefício próprio”. (AgRg no Ag

807159/SP – DJ 25.10.2008).

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9 MUITO IMPORTANTE: Insumo, matéria prima, peças para produção etc. o entendimento é que não é destinatária final, não sendo, assim, consumidor.

Compra peças para montar carro, por exemplo. O STJ entende que não há relação de consumo. Inclusive empresa que contrata outra empresa para transporte de insumos que comprou, não há relação de consumo.

Também o caso de aquisição de produto/serviço para a implementação de atividade econômica ou então a contratação de empréstimo para financiar atividades empresariais (compra de insumo etc.) não será aplicado o CDC, já que não se enquadra como destinatário final e, assim, não é consumidor.

Para simplificar, podemos fazer a seguinte associação:

• Pessoa jurídica e profissionais não são consumidores, já que adquirem produtos/serviços para uso profissionalmente.

• Pessoa jurídica e profissionais PODEM ser consumidores, se demonstrada a situação de vulnerabilidade, a ser analisada “in concreto”.

• Dentre os tipos de vulnerabilidade, temos que a mais comum é a vulnerabilidade técnica (fora do domínio de atuação da PJ).

Obs.: Condomínio é ente despersonalizado, mas pode se enquadrar como consumidor.

1.2. Fornecedor

Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou

privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes

despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção,

montagem, criação, construção, transformação, importação,

exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou

prestação de serviços.

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10 § 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.

§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.

1.2.1. Características do fornecedor

• Pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional, estrangeira, ente despersonalizado.

• Desenvolve atividade com habitualidade, como sendo o ofício, a profissão ou uma de suas profissões.

• Temos aqui ideias de atividades profissionais, habituais e com finalidade econômica.

Importante lembrar que fornecedor se enquadra como sendo gênero.

Desta forma, não somente o fabricante, por exemplo, mas também transformadores, intervenientes e até comerciantes poderão ser responsabilizados. Não importa se regularizado ou não, com CNPJ ou não.

RESUMO SOBRE CONSUMIDOR:

Artigo 2 - Padrão

Artigo 2, parágrafo único - Equiparado Artigo 17 - Equiparado

Artigo 29 - Equiparado

2. OBJETO DA RELAÇÃO DE CONSUMO 2.1. Produto

O produto pode ser todo bem móvel ou imóvel, material ou imaterial

(muito raro, já que, em geral, se atrela ao conceito de serviço). Também tempos

produtos duráveis (bens que não se extinguem após uso regular, ainda que

sofram desgastes, tais como carro, mesa, brinquedos etc.) e produtos não

duráveis (tais como alimentos, remédios, cosméticos, canetas, sabonetes etc.).

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11 IMPORTANTE:

Produto não tem requisito remuneração.

Exemplo 1: Fábrica distribuir doces gratuitamente que faz com que pessoas fiquem doentes. Há relação de consumo e aplicação do CDC.

Exemplo 2: Amostras grátis de perfume. Utiliza e dá uma alergia: aplicação do CDC.

DÚVIDA: João vende imóvel para Pedro, já que quer se mudar para outro país.

Teremos relação de consumo?

Não, já que João não se enquadra como profissional. Incorporadora imobiliária João vende para Pedro, que adquire para uso próprio. Teremos relação de consumo.

2.2. Serviços

Segundo o parágrafo segundo serviço é: “qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.”

Assim, as atividades de serviço podem ser de natureza material, financeira ou intelectual, prestadas por entidades públicas ou privadas, mediante REMUNERAÇÃO.

Importante: REMUNERAÇÃO:

O fornecedor de serviços tem um outro requisito (que não tem o fornecedor de produtos): remuneração.

Remuneração que pode ser direta ou indireta.

Há serviços que são gratuitos ao consumidor, mas que trazem

remuneração ao fornecedor, mantendo, assim, a aplicação do CDC. Assim, tanto

faz remuneração direta ou indireta. As Cortes brasileiras aceitaram o conceito de

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12 remuneração indireta e entendem que os serviços “gratuitos” são submetidos às regras do CDC, se houver remuneração indireta.

Assim, transporte de passageiros idosos de forma gratuita, lavagens de carro como brinde etc., ainda que não sejam onerosos para o consumidor, há uma retribuição para o fornecedor, se enquadrando aqui no CDC.

Os serviços públicos são regidos pelo CDC? Depende.

Consoante artigo 22 do CDC temos que:” os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos”.

Os serviços chamados de “uti universi” tais como segurança pública, saúde pública etc., são financiados por impostos e, então não tem aplicação do CDC.

Os serviços chamados “uti singuli” são passíveis de determinação, tais como telefonia, água e energia elétrica. Nestes casos, tem a aplicação do CDC.

No entanto, a matéria não é pacífica e há divergências doutrinárias a respeito de quais serviços públicos seriam regulados ou não pelo CDC.

Para Cavalieri Filho: “os serviços públicos remunerados por tributos (impostos, taxas ou contribuições de melhoria) não estão submetidos à incidência do CDC, porque trava-se entre o Poder Público e o contribuinte uma relação administrativo-tributária, conforme já ressaltado, disciplinada pelas regras do Direito Administrativo (segurança pública, saúde pública, educação pública etc.)”.

“Só estão sujeitos às regras do CDC os serviços públicos remunerados por tarifa ou preço público” São os serviços “uti singuli”. A relação é individualizada (energia elétrica, telefonia, internet, água e esgoto etc.).

Exemplo de serviços “uti singuli” e que temos a aplicação do CDC: Só irei receber energia elétrica se contratar. Só terei água em minha casa, se contratar.

Só terei transporte público se pagar o valor da passagem (tanto faz ser empresa

pública de transporte ou empresa privada que presta serviços ao ente público).

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13 Neste contexto, é possível a interrupção do fornecimento de energia elétrica, por exemplo, caso o consumidor esteja inadimplente? Sim, de acordo com o posicionamento mais atual do STJ, é lícito à concessionária interromper o fornecimento de energia elétrica, se, após aviso prévio, o consumidor de energia elétrica permanecer inadimplente no pagamento da respectiva conta.

De qualquer forma, é necessário sempre que se pondere com Princípios como da Dignidade da Pessoa Humana, miserabilidade etc.

Entendimentos jurisprudenciais:

• Não ter fins lucrativos não inibe a aplicação do CDC. Instituições filantrópicas, esportivas etc., tem incidência do CDC.

• Universidade privada e comunitária: há relação de consumo.

• Universidade pública: podemos pensar em “uti universi” e então não há aplicação do CDC.

• Correios – serviço postal – tem aplicação do CDC.

• Relação entre imobiliária e proprietário: Há relação de consumo, aplicação do CDC.

Não se aplica o CDC:

• Financiamento estudantil – FIES: Ou seja, tipo de financiamento público.

• Financiamento Imobiliário – submetido às regras do SFH. (quando há garantia do Estado em relação ao saldo devedor.

• Prestação de serviços advocatícios – 133 CF.

• Locação de imóveis urbanos (Lei 8.245/91)

• Dpvat

• Entre Franqueador e franqueado

• Condomínio e condôminos

Súmulas importantes:

Súmula 563 STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às entidades

abertas de previdência complementar, não incidindo nos contratos

previdenciários celebrados com entidades fechadas.

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14 Súmula 608 STJ: Aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde, salvo os administrados por entidades de autogestão.

Súmula 297 STJ: O Código de Defesa do Consumidor é aplicável às instituições financeiras.

Súmula 597 STJ: A cláusula contratual de plano de saúde que prevê carência para utilização dos serviços de assistência médica nas situações de emergência ou de urgência é considerada abusiva se ultrapassado o prazo máximo de 24 horas contado da data da contratação.

Súmula 302 STJ: É abusiva a cláusula contratual de plano de saúde que limita no tempo a internação hospitalar do segurado.

Súmula 609 STJ: A recusa de cobertura securitária, sob a alegação de doença preexistente, é ilícita se não houve a exigência de exames médicos prévios à contratação ou a demonstração de má-fé do segurado.

RESUMO

Produto: Não precisa o caráter remuneração;

Serviço: Precisa remuneração (direta ou indireta).

2.3. Da política Nacional das relações de consumo

Art. 4º A Política Nacional das Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito à sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo, atendidos os seguintes princípios:

I - reconhecimento da vulnerabilidade do consumidor no mercado de consumo;

II - ação governamental no sentido de proteger efetivamente o consumidor:

a) por iniciativa direta;

b) por incentivos à criação e desenvolvimento de associações

representativas;

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15 c) pela presença do Estado no mercado de consumo;

d) pela garantia dos produtos e serviços com padrões adequados de qualidade, segurança, durabilidade e desempenho.

Consagração do Princípio da Confiança

III - harmonização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização da proteção do consumidor com a necessidade de desenvolvimento econômico e tecnológico, de modo a viabilizar os princípios nos quais se funda a ordem econômica (art. 170, da Constituição Federal), sempre com base na boa-fé e equilíbrio nas relações entre consumidores e fornecedores;

IV - educação e informação de fornecedores e consumidores, quanto aos seus direitos e deveres, com vistas à melhoria do mercado de consumo;

V - incentivo à criação pelos fornecedores de meios eficientes de controle de qualidade e segurança de produtos e serviços, assim como de mecanismos alternativos de solução de conflitos de consumo;

VI - coibição e repressão eficientes de todos os abusos praticados no mercado de consumo, inclusive a concorrência desleal e utilização indevida de inventos e criações industriais das marcas e nomes comerciais e signos distintivos, que possam causar prejuízos aos consumidores;

VII - racionalização e melhoria dos serviços públicos;

VIII - estudo constante das modificações do mercado de consumo.

Dentro da Política Nacional das Relações de Consumo temos vários princípios

que são norteadores do próprio Código de Defesa do Consumidor. Para muitos o

artigo 4 é um dos artigos mais importantes do CDC, já que estabelece princípios

e bases, através de NORMAS DE ORDEM PÚBLICA E DE INTERESSE SOCIAL. O

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16 CDC, assim, busca a igualdade material (real), através de uma disciplina voltada para o diferente, já que é necessário que se trate desiguais de forma desigual.

1 – Princípio da Proteção Confiança do Consumidor: O CDC traz a proteção do vínculo contratual, do equilíbrio contratual do início até o seu final entre consumidor e fornecedor.

2 – Proteção dos interesses do consumidor: Proteção não somente ao que está efetivamente contratado, mas também com relação às suas legítimas expectativas.

3 – Princípio da vulnerabilidade: Está no inciso I, do artigo 4º. É o ponto de partida do próprio CDC, que estabelece uma presunção de vulnerabilidade do consumidor. Assim, estabelecida a relação de consumo, mediante o binômio fornecedor/consumidor, automaticamente o consumidor é tido como o mais fraco, o vulnerável, na relação.

Essa vulnerabilidade pode ser fática, situacional, jurídica, informacional, técnica etc. De qualquer sorte, a presunção de vulnerabilidade é verificada em abstrato, ou seja, não é necessária a análise do caso concreto.

Assim, para as pessoas físicas destinatárias finais de produtos e serviços, milita presunção de vulnerabilidade na relação de consumo.

4 – Princípio da boa-fé objetiva: Função de controle e limitação de condutas.

Seria um patamar de atuação do homem médio, de sua conduta, levando em consideração o outro participante da relação contratual.

Art. 5° Para a execução da Política Nacional das Relações de Consumo, contará o poder público com os seguintes instrumentos, entre outros:

I - manutenção de assistência jurídica, integral e gratuita para o consumidor carente;

Há fundamentação sobre a gratuidade da justiça também no CPC (Artigo 98

CPC).

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17 II - instituição de Promotorias de Justiça de Defesa do Consumidor, no âmbito do Ministério Público;

III - criação de delegacias de polícia especializadas no atendimento de consumidores vítimas de infrações penais de consumo;

IV - criação de Juizados Especiais de Pequenas Causas e Varas Especializadas para a solução de litígios de consumo;

V - concessão de estímulos à criação e desenvolvimento das Associações de Defesa do Consumidor.

2.4. Dos direitos básicos do consumidor Art. 6º São direitos básicos do consumidor:

I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;

Vide artigos 8 -10 e 12 e seguintes

II - a educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços, asseguradas a liberdade de escolha e a igualdade nas contratações;

Vide artigo 39

III - a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem como sobre os riscos que apresentem;

Vide artigo 31 e Lei 13.146 (artigo 62).

IV - a proteção contra a publicidade enganosa e abusiva, métodos comerciais coercitivos ou desleais, bem como contra práticas e cláusulas abusivas ou impostas no fornecimento de produtos e serviços;

Vide artigos 36 e seguintes

V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;

Vide artigo 51

VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,

coletivos e difusos;

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18 Vide artigo 12 e seguintes

VII - o acesso aos órgãos judiciários e administrativos com vistas à prevenção ou reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos ou difusos, assegurada a proteção Jurídica, administrativa e técnica aos necessitados;

VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de experiências;

IX - (Vetado);

X - a adequada e eficaz prestação dos serviços públicos em geral.

Parágrafo único. A informação de que trata o inciso III do caput deste artigo deve ser acessível à pessoa com deficiência, observado o disposto em regulamento.

O artigo 6º somente pode ser usado EM FAVOR do consumidor. O fornecedor não pode utilizar o artigo. 6º.

O consumidor é titular de direitos fundamentais, já que sua própria proteção está inserida no artigo 5º da CF. O consumidor foi assim, identificado na CF como um sujeito que precisa de especial proteção.

O artigo 6º traz inúmeros direitos básicos do consumidor. Segundo a doutrina, o rol do artigo é um rol EXEMPLIFICATIVO.

1 – O inciso I traz a Proteção da Incolumidade física do consumidor: vida, saúde e segurança. Tal proteção se consagra pela observância aos princípios da SEGURANÇA e PREVENÇÃO.

2 – Direito à educação para o consumo está no inciso II: Ainda que o consumidor seja e sempre será o sujeito vulnerável nas relações de consumo, ele também tem direito a ter conhecimento para que possa aumentar seu poder de pensamento sobre hábitos e direitos relacionados ao consumo.

3 – O inciso III traz o Direito à informação e Princípio da Transparência: Como reflexo do Princípio da Transparência, há o dever de informar do fornecedor.

A informação é uma conduta de boa-fé, de comportamento positivo do

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19 fornecedor. Direito à informação é um ponto que mitiga a desigualdade, já que o consumidor não tem conhecimento da “expertise” do fornecedor.

O Dever de informar é do fornecedor e o Direito de informação pertence ao consumidor. A informação deve estar presente em todos os momentos da relação de consumo, seja em fase pré-contratual, seja em fase pós-contratual.

Exige-se, assim, um comportamento proativo do fornecedor.

Para Cavalieri Filho (2019, p. 112) o fornecedor cumpre o dever de informar quando cumpre três requisitos:

• adequação (meios de informação são compatíveis com os riscos do produto);

• veracidade e

• consentimento informado, já que sem informação clara e precisa, não há escolha consciente.

De qualquer forma, se pergunta até onde se espera que vá o dever de informar do fornecedor? O dever de informar deve compreender as informações necessárias e suficientes para que o consumidor possa tomar a sua decisão. Fatos notórios, assim, não constituem dever de informar.

MUITO IMPORTANTE: Por falta de informação adequada, o fornecedor por responder civilmente pelo “risco inerente” (riscos de um produto tóxico, de uma cirurgia médica etc.).

Regra: Fornecedor não responde por riscos inerentes.

Exceção: Fornecedor deixa de informar, por exemplo, sobre produtos nocivos e perigosos (agrotóxicos, alergênicos etc.) sem que seja advertido o consumidor, poderá o fornecedor responder por isso.

Assim, uma cirurgia eletiva, por exemplo, que possa trazer consequências

para o paciente, traz a obrigação do médico de informar cuidadosamente quais

seriam as possíveis consequências indesejadas do procedimento. E então, o

paciente, uma vez consciente e informado, concorda na celebração do contrato

ou não.

(20)

20 4 – O inciso IV, na sua primeira parte, trata sobre controle da publicidade. Temos aqui o direito básico de proteção contra a publicidade enganosa e/ou abusiva.

Importa lembrar que o CDC obriga o fornecedor que fizer a publicidade de produtos e serviços, desde que seja suficientemente precisa, a se VEICULAR ao que foi ofertado, fazendo parte do contrato eventualmente celebrado.

PROMETEU → PRECISA CUMPRIR

Importante que o controle da publicidade é externo e posterior, através do Código de Autorregulamentação publicitária.

5 – Proteção contra práticas e cláusulas abusivas estão na segunda parte do inciso IV: “Práticas abusivas” é uma expressão genérica e tudo que vá contra os princípios do CDC.

Um exemplo dado pela doutrina é o consumidor que receber cartão de crédito em casa, sem que tenha solicitado. Não há necessidade de dano ao consumidor. O simples fato do envio já é prática abusiva.

Súmula 532 STJ: Constitui prática comercial abusiva o envio de cartão de crédito sem prévia e expressa solicitação do consumidor, configurando-se ato ilícito indenizável e sujeito à aplicação de multa administrativa.

Nos artigos 39, 40 e 41 há exemplos de práticas abusivas, mas que não são exaustivas e sim exemplificativas.

Além disso, havendo CLÁUSULAS ABUSIVAS, elas são nulas de pleno direito, conforme artigo 51 do CDC: “São nulas de pleno direito, entre outras, as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de produtos e serviços que...”

6 O inciso V trata de um tema muito importante: a possibilidade de ser revisadas cláusulas contratuais: “V - a modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações desproporcionais ou sua revisão em razão de fatos supervenientes que as tornem excessivamente onerosas;”

Temos no inciso V duas formas de possíveis modificações/revisão de um

contrato:

(21)

21 A – Lesão: no momento da celebração temos o desequilíbrio. A lesão estará configurada pelo simples fato de haver desequilíbrio. OU

B – Causa superveniente: Após a celebração temos o desequilíbrio, tornando o contrato excessivamente oneroso para o consumidor. Esta possibilidade somente tem lugar nos chamados contratos de execução continuada, de trato sucessivo ou de execução diferida.

Exemplo de causa superveniente: acontecimento político, econômico etc. Não pode ser visto algo individual.

Na causa superveniente entende a doutrina (ainda que não seja pacífico) que a posição adotada pelo CDC foi a Teoria da Quebra da Base Objetiva do Negócio em que se procura olhar as razões pelas quais celebraram o contrato:

moeda estável, juros baixos, fornecimento de insumos frequentes, etc. Para que haja sua aplicação, se questiona o passado. Se uma destas bases é modificada, um dos pilares pelo qual se fez o contrato mudou, então estaria autorizada a modificação de cláusula. A teoria da base objetiva do negócio não solicita a imprevisão.

Importante lembrar que o CDC não traz como requisito a imprevisão. O fato superveniente não precisa ser imprevisível para o CDC. E, além disso, segundo o artigo 51, parágrafo 2º, se tenta a manutenção do contrato. Importante verificar que o consumidor pode pedir a decretação de nulidade (artigo 51) ou então revisão ou modificação da cláusula com base no artigo 6º, V.

7 – O inciso VI trata sobre a efetiva prevenção e reparação de danos para o consumidor.

• Moderno sistema de responsabilidade civil, fundamentada em:

• Princípios da prevenção: (arts. 8º, 9º e 10 do CDC);

• Princípios da informação (arts. 8º, 9º, 10, 12 e 14 do CDC);

• Princípio da segurança (arts. 12, § 1º, e 14, § 1º, do CDC);

• A indenização integral com reparação em danos materiais e morais,

individuais, coletivos e difusos (art. 81, parágrafo único, I, II e III, do CDC).

(22)

22 8 – Acesso à justiça e à administração, conforme inciso VII. Também consagrado no artigo 5 º como, por exemplo, a manutenção de assistência jurídica gratuita para o consumidor hipossuficiente.

9 – Extremamente importante é a possibilidade de inversão de ônus da prova, conforme o inciso VIII.

A inversão do ônus da prova pode ser dar em decorrência da lei (artigos 12, parágrafo terceiro, 14, parágrafo terceiro e artigo 38) ou então em decorrência de uma determinação do juiz (artigo 6 º, VIII).

A) Inversão de ônus de prova judicial: Artigo 6, VIII.

→ Segundo STJ, o momento de inversão é no saneamento (artigo 357 do CPC e tal ato do julgador é uma decisão).

Assim, por exemplo, para vício, teremos a inversão do juiz, uma vez configurados os requisitos.

Fica a critério do juiz, portanto durante um processo, a inversão do ônus da prova, sempre em favor do consumidor.

Requisitos: alegação do consumidor é verossímil OU quando for hipossuficiente.

B) Inversão legal: Artigos 12 § 3°, 14 § 3° e 38.

→ Na inversão legal, independe o momento, já que mesmo antes da formação de um processo, o fornecedor já sabe de sua obrigação, por foça de lei.

IMPORTANTE: Quando há inversão do ônus da prova, não se quer dizer que o

consumidor não deve provar o ocorrido. Ele está dispensado de provar o próprio

defeito do produto ou serviço, mas não está dispensando de provar que ocorreu

o acidente de consumo, por exemplo, ou então os danos causados.

(23)

23 10 – Direito à prestação adequada e eficaz dos serviços públicos em geral, conforme inciso X.

Para a doutrina, o CDC incide sobre os chamados serviços públicos impróprios, que são remunerados por tarifas ou preços públicos, tais como água, energia elétrica, telefonia etc.

Obs.: Artigo 22: “Os órgãos públicos, por si ou suas empresas, concessionárias, permissionárias ou sob qualquer outra forma de empreendimento, são obrigados a fornecer serviços adequados, eficientes, seguros e, quanto aos essenciais, contínuos. Parágrafo único. Nos casos de descumprimento, total ou parcial, das obrigações referidas neste artigo, serão as pessoas jurídicas compelidas a cumpri-las e a reparar os danos causados, na forma prevista neste código.”

2.5. Da responsabilidade pelo fato do produto e do serviço ou responsabilidade por acidente de consumo (Artigos 12 a 17, CDC)

Temos:

* Para todos verem: esquema abaixo.

Pontos importantes com relação a responsabilidade civil no CDC:

• Ação direta do consumidor contra o fornecedor;

• Não se fala aqui em responsabilidade contratual e extracontratual;

• Regra de responsabilidade objetiva, exceto a dos profissionais liberais, que é a responsabilidade subjetiva, por força do parágrafo quarto do artigo 14.

Responsabilidade pelo fato do

produto:

Artigos 12, 13 e 17

Responsabilidade pelo fato do

serviço:

Artigos 14 e 17

Responsabilidade pelo vício do

produto:

Artigos 18 - 19

Responsabilidade pelo vício do

serviço:

Artigos 20 - 21

(24)

24

• Havendo a ideia de danos (materiais, morais etc.) teremos o fato, que o legislador chama de DEFEITO.

• Havendo a ideia de substituição, conserto, temos a ideia de VÍCIO.

O CDC traz a aplicação da teoria do risco do empreendimento, na qual todo o fornecedor deve responder por eventuais vícios ou defeitos dos bens e serviços fornecidos. A responsabilidade do CDC é dividida em:

1 - Responsabilidade por fato de produto ou serviço (defeitos de segurança);

2 - Vício de produto e serviço (vícios por inadequação).

Os artigos 12 até 17 tratam sobre FATO DE PRODUTO/SERVIÇO. A palavra utilizada é DEFEITO. No fato o defeito é tão grave que provoca um acidente de consumo.

Exemplo:

João compra um ferro de passar. O ferro explode, mas ninguém fica ferido.

Temos vício do produto. Se alguém fica ferido, temos fato do produto. Encanador contratado para conserto em casa. O serviço não resolve o problema. Temos vício de serviço. O serviço prestado faz com que um cano exploda e cause danos na casa. Temos fato de serviço.

Se o problema permanece dentro dos limites do produto, há vício. Se romper suas esferas, há fato.

Está no artigo 12 do CDC o fato de produto e no artigo 14 do CDC o fato de serviço.

Em ambas é necessário que se prove dano + atividade (conduta antijurídica) e nexo causal (responsabilidade objetiva, com exceção do parágrafo quarto, artigo 14, que traz a responsabilidade subjetiva dos profissionais liberais).

2.5.1. Fato do produto: SEGURANÇA – DEFEITO: Artigos 12, 13 e 17.

Acontecimento que causa dano material ou moral ao consumidor, mas

que decorre de um DEFEITO DE PRODUTO. Aqui temos o FATO GERADOR da

responsabilidade do fornecedor é o DEFEITO DO PRODUTO.

(25)

25 Artigo 12: “O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequados sobre sua utilização e riscos.”

O DEFEITO pode ser de criação (projeto) de produção (montagem, fabricação) e de comercialização (informações inadequadas).

O que seria o DEFEITO? O primeiro parágrafo do artigo 12 nos informa: “o produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera”.

Assim se espera que os fornecedores mitiguem os riscos dos produtos postos em circulação. Quanto maior for o risco criado pela atividade empresarial, maior será o dever de segurança do fornecedor.

SEGURANÇA: conformidade com uma expectativa legítima + capacidade de (não) causar acidente de consumo.

Obs.: É certo que não há produto 100% seguro, por isso que a ideia de segurança é uma ideia dentro do razoável. Um shampoo que vai aos olhos, se espera que não vá causar um dano ao olho. Um bicho de pelúcia que é colocado na boca, se espera que não vá intoxicar. Um carro que não tenha sistema de freios ABS terá que ainda assim funcionar e frear.

MUITO IMPORTANTE!

O fato de o fornecedor ter atentado aos padrões mínimos, estabelecidos

pelo Poder Público, afasta o dever de indenizar? Não, já que o dever de segurança

é do fornecedor e não do poder público. Assim, produtos e serviços podem ser

considerados defeituosos, ainda que estejam em conformidade com os padrões

estabelecidos pelo Poder Público.

(26)

26 A responsabilidade do fornecedor, é objetiva, contudo, não é absoluta, e é necessário que o consumidor demonstre o nexo causal entre causa e efeito. Não se exige prova do defeito e sim apenas prova do acidente de consumo.

Perigosidade inerente e perigosidade adquirida A) Risco inerente:

Alguns produtos possuem intrinsicamente riscos (agrotóxicos, medicamentos, armas...). Caso sigam as normas técnicas, ou seja, é um caso de risco permitido, não há violação à lei. Como regra, o fornecedor não responde pelos danos que decorrem do risco inerente. Contudo, tais riscos geram um dever “extra” de informar, como conta no artigo 9: “O fornecedor de produtos e serviços potencialmente nocivos ou perigosos à saúde ou segurança deverá informar, de maneira ostensiva e adequada, a respeito da sua nocividade ou periculosidade, sem prejuízo da adoção de outras medidas cabíveis em cada caso concreto.”

FORNECEDOR NÃO RESPONDE POR RISCOS INERENTES (REGRA) -> HÁ PRODUTOS/SERVIÇOS QUE SÃO NATURALMENTE PERIGOSOS ->GERA DEVER EXTRA DE INFORMAR

*O que ocorre se o fornecedor de produtos/serviços com risco inerente não prestar informações adequadas? Poderá responder por defeito de informação ->

FATO.

Se um fornecedor de produtos/serviços com risco inerente não prestar informações adequadas e suficientes poderemos ter a responsabilidade, por DEFEITO DE INFORMAÇÃO. Se o produto é potencialmente nocivo ou perigoso (risco inerente) o fornecedor tem o dever de informar sobre a nocividade e periculosidade.

Exemplo: fornecedores devem indicar na bula todos os conhecidos efeitos colaterais

B) Risco adquirido:

(27)

27 Produtos e serviços tornam-se perigoso em decorrência de defeito. Há imprevisibilidade e anormalidade. Há violação à lei.

→ Quem são os responsáveis por fato de produto? Como regra será o fabricante, produtor, construtor e importador (artigo12, “caput”).

Regra: Eles serão responsáveis (fabricante, produtor, construtor e importador)

Exceção: Não serão responsabilizados se provarem:

§ 3°, artigo 13: “O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar:

I - que não colocou o produto no mercado;

II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;

III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros*

→ E o comerciante?

IMPORTANTE: O comerciante possui responsabilidade quando se fala de fato de produto:

Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando:

I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados;

II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador;

III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis [...]

Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso.

PRAZO PRESCRICIONAL: 5 anos, a contar do conhecimento do dano e da autoria (Artigo 27).

Art. 12. O fabricante, o produtor, o construtor, nacional ou

estrangeiro, e o importador respondem, independentemente da

(28)

28 existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos decorrentes de projeto, fabricação, construção, montagem, fórmulas, manipulação, apresentação ou acondicionamento de seus produtos, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua utilização e riscos.

§ 1° O produto é defeituoso quando não oferece a segurança que dele legitimamente se espera, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - sua apresentação;

II - o uso e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi colocado em circulação.

§ 2º O produto não é considerado defeituoso pelo fato de outro de melhor qualidade ter sido colocado no mercado.

§ 3° O fabricante, o construtor, o produtor ou importador só não será responsabilizado quando provar:

I - que não colocou o produto no mercado;

II - que, embora haja colocado o produto no mercado, o defeito inexiste;

III - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros.

Art. 13. O comerciante é igualmente responsável, nos termos do artigo anterior, quando:

I - o fabricante, o construtor, o produtor ou o importador não puderem ser identificados;

II - o produto for fornecido sem identificação clara do seu fabricante, produtor, construtor ou importador;

III - não conservar adequadamente os produtos perecíveis.

Parágrafo único. Aquele que efetivar o pagamento ao prejudicado poderá exercer o direito de regresso contra os demais responsáveis, segundo sua participação na causação do evento danoso.

2.5.2. Fato de serviço (Artigos 14 e 17, CDC).

Consoante o “caput” do artigo 14: “O fornecedor de serviços responde,

independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados

aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por

informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.”

(29)

29 Também aqui temos como fundamento o dever de segurança e com responsabilidade objetiva.

O que seria serviço defeituoso, que trará um fato de serviço? O primeiro parágrafo do artigo 14 nos responde:

“O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - o modo de seu fornecimento;

II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi fornecido.”

Também já nos fala o parágrafo segundo do artigo 14 que o serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.

Em decorrência da dificuldade em se saber quem são os eventuais agentes da cadeia de fornecimento, o CDC fala em fornecedor. Assim, todos os participantes da cadeia de serviços são fornecedores e poderão responder para com o consumidor. Além disso, todos respondem de forma solidária (sendo posição dominante, mas não unânime).

Jurisprudência: Segundo a orientação jurisprudencial desta Corte Superior, o art.

14 do CDC estabelece regra de responsabilidade solidária entre os fornecedores de uma mesma cadeia de serviços, razão pela qual as ‘bandeiras’/marcas de cartão de crédito respondem solidariamente com os bancos e as administradoras de cartão de crédito pelos danos decorrentes da má prestação de serviços” (REsp nº 596.236/SP, 3ª Turma, Rel. Min. Marco Aurélio Bellizze, julgado em 3/2/2015).

Exemplos de fato de serviço:

• Cobrança indevida de um serviço que causa dano moral;

• Danos causados por hospitais (não tem medicação, instrumentos

cirúrgicos na hora de fazer a cirurgia);

(30)

30

• Transporte de pessoas;

• Falha no dever de informar quando vende passagens aéreas (não informar sobre a necessidade visto, por exemplo);

• Tratamento indigno ao embarque de cadeirante.

• Danos materiais/morais/estéticos decorrentes de falhas no fornecimento de energia (Concessionária de energia elétrica – relação de consumo).

No artigo 14, parágrafo terceiro temos a inversão legal do ônus da prova, já que o fornecedor responde, como regra. Ele somente não irá responder se provar que: I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste; II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros*. Exemplo: consumidor que toma muita medicação.

DEBATE DOUTRINÁRIO: Para Cavalieri Filho, o fortuito interno e externo seria igual ao CC, ou seja, se for fortuito externo, rompe o nexo causal e, assim, não haveria responsabilidade. Há julgado do STJ que diz que chuva de granizo em estacionamento seria caso fortuito externo e, então não haveria responsabilização. No entanto, é necessário haver a comparação com o risco do empreendimento (segundo Tartuce) e então pensarmos em fortuito interno e fortuito externo.

Responsabilidade dos profissionais liberais:

No § 4º do seu art. 14: “A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa.” Seria aquele que exerce uma profissão com autonomia, sem subordinação. Seria o médico, engenheiro, eletricista, pintor etc.

IMPORTANTE:

Obrigação de meio: médico: responsabilidade subjetiva.

Obrigação de resultado: médico cirurgião plástico/estético. A responsabilidade

continua sendo subjetiva, mas com culpa presumida do médico.

(31)

31 JURISPRUDÊNCIA:

• Não há relação de consumo entre o médico e o fornecedor de equipamento- hospitalar que o médico irá utilizar.

• Hospital responde objetivamente por atos próprios

• Hospital responde solidariamente por ato médico a ele vinculado mediante prova de culpa médica (ônus pode ser revertido)

• Médico responde mediante prova da culpa.

Consumidor por equiparação:

Consoante o artigo 17, todas as vítimas do acidente de consumo são consideradas consumidoras.

Exemplo: avião que transportava malotes para o destinatário final (Companhia aérea fornecedora e destinatário final consumidor) e cai em cima de uma casa. Relação de consumo e aplicação do CDC.

Direito de Regresso:

Quem paga a indenização, se não for o único causador do dano, poderá demandar regresso contra os demais responsáveis. Consequência da solidariedade passiva. Lembrando que o artigo 88 do CDC veda a denunciação da lide.

Obs.: Prazo prescricional: 5 anos (artigo 27 do CDC).

Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.

§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes, entre as quais:

I - o modo de seu fornecimento;

(32)

32 II - o resultado e os riscos que razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi fornecido.

§ 2º O serviço não é considerado defeituoso pela adoção de novas técnicas.

§ 3° O fornecedor de serviços só não será responsabilizado quando provar:

I - que, tendo prestado o serviço, o defeito inexiste;

II - a culpa exclusiva do consumidor ou de terceiros.

§ 4° A responsabilidade pessoal dos profissionais liberais será apurada mediante a verificação de culpa.

Art. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento.

2.6. Da responsabilidade por vício do produto e do serviço (Artigos 18 a 25, CDC)

Se a palavra para acidente de consumo é DEFEITO, aqui a palavra necessária é VÍCIO. A doutrina argumenta que DEFEITO seria um vício maior e a seção III, que trata sobre responsabilidade por vício, seria um vício menor. A responsabilidade aqui trata sobre tal vício e não sobre os danos causados pelo produto/defeito (seria então FATO de produto/serviço).

Da mesma forma que o fato de produto/serviço, a responsabilidade é objetiva.

Os vícios do CDC podem ser: ocultos ou aparentes. Não importa se o vício é anterior, posterior, oculto etc. Também entende a doutrina que não se fala em responsabilização por outros danos materiais, além do valor da coisa. Assim, quando se fala em VÍCIO não se pode pedir além do prejuízo com o produto/serviço.

Exemplo: Foi em show artístico e não ocorreu. TEMOS Vício. Foi em show artístico e houve briga, foram arremessadas garrafas, e alguém se machucou.

Temos fato.

(33)

33 ESPÉCIES DE VÍCIO

2.6.1. Vício de produto (Artigos 18 e 19, CDC).

O artigo 18 consagra 2 tipos: qualidade e quantidade.

A) Vício de qualidade do produto: “impróprios ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como aqueles decorrentes da disparidade, com as indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária”. No parágrafo sexto, há alguns exemplos do que seria vício de qualidade.

No caso de vício de qualidade de produto, quais seriam as soluções?

Em caso de vício de qualidade do produto o consumidor poderá:

• Fornecedor terá prazo de 30 dias para sanar o vício. Este prazo é para sanar, quando for possível sanar. Por exemplo, uma troca de peça etc. Não refazer todo o bem.

• Caso não seja sanado, poderá o consumidor exigir, a sua escolha:

• Substituição do produto por outro da mesma espécie OU

• Restituição da quantia paga (atualizada) podendo também pedir perdas e danos*; OU

• Abatimento proporcional do preço.

A doutrina recomenda que o consumidor exija, por escrito, que o defeito seja sanado (para fins de comprovação de prazo). O consumidor somente poderá pleitear as demais opções, depois de feita a exigência ao fornecedor e ela não ter sido cumprida.

Importa também dizer que o fornecedor somente tem UMA possibilidade

de correção do vício, que são os 30 dias dados pela lei. Tal prazo é decadencial. Se

neste interregno o produto “foi e voltou” várias vezes, não há a suspensão do

prazo, ele está correndo desde a primeira vez.

(34)

34 Consumidor reclamou → Fornecedor tem 30 dias → Não ficou bom dentro

deste prazo, já temos as outras possibilidades do consumidor.

Exemplo: Consumidor reclamou no dia 18.09. Tem o fornecedor até 18.10 para arrumar. Apareceu problema de novo no dia 10.10. Bom, tem até o dia 18.10.

Lembrando que são dias corridos.

Há caso, no entanto, em que se pode fazer uso das opções do parágrafo primeiro:

Artigo 18 § 3°: O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial.

Tal prazo também pode ser alterado: Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no parágrafo anterior, não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação expressa do consumidor.

B) Vício de quantidade do produto: São aqueles decorrentes da disparidade com as indicações da embalagem, da mensagem publicitária. Tais vícios estão no artigo 19: “Os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de quantidade do produto sempre que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for inferior às indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária.”

Não há prazo de 30 dias, trocando etc., como tem no vício de qualidade de produto.

Exemplo: Paguei por 1kg de arroz e veio menos.

Em caso de vicio de quantidade o consumidor poderá exigir:

(35)

35

• abatimento proporcional do preço;

• complementação do peso ou medida;

• substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo;

• restituição imediata da quantia paga, sem prejuízo de perdas e danos.

O parágrafo sexto traz uma lista exemplificativa de quais seriam vícios de produto.

2.6.2. Vício de serviço (Artigos 20 e 21, CDC).

O artigo 20 fala sobre vício de serviço, que também pode ser de qualidade e de quantidade. Não há prazo de 30 dias também (há prazo de 30 dias no vício de qualidade de PRODUTO).

A) Vício de serviço de qualidade: Tornam o serviço impróprio ao consumo ou lhe diminuem o valor.

Quais seriam as soluções?

• A reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível;

• Vide parágrafo primeiro que permite que o fornecedor, por sua conta e risco, traga outra pessoa para realizar o serviço.

• A restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;

• O abatimento proporcional do preço.

• Observe que não há prazo para que o fornecedor corrija o vício, como ocorre no vício de qualidade de produto, podendo o consumidor já exigir algumas da alternativas que a lei garante.

B) Vício de serviço de quantidade: Está na segunda parte do artigo 20: “aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária.”

Quais seriam as soluções? As mesmas que os vícios de qualidade:

• A reexecução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível;

• A restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;

• O abatimento proporcional do preço.

(36)

36 Exemplo: mecânico que arruma o carro, mas não fica bom.

RESUMO:

* Para todos verem: esquema abaixo.

Regra: FORNECEDORES SÃO SOLIDÁRIOS POR VÍCIO DE PRODUTO, POR VÍCIO DE SERVIÇO E POR FATO DE SERVIÇO.

Exceção: Não teremos solidariedade no:

Fato de produto (artigos 12 ,13 e 17). A responsabilidade será do fabricante ou de quem o substitua nesse papel. O comerciante terá responsabilidade subsidiária.

Artigo 18 § 5°: Produto “in natura”. Não houve industrialização. Então o responsável será o fornecedor imediato (exceto quanto identificado claramente o produtor). “No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o consumidor o fornecedor imediato, exceto quando identificado claramente seu produtor”.

Artigo 19 § 2°: Responde somente o fornecedor imediato (balança fora de padrões técnicos, por exemplo). “§ 2° O fornecedor imediato será responsável quando fizer a pesagem ou a medição e o instrumento utilizado não estiver aferido segundo os padrões oficiais.”

Responsabilidade por fato do

produto:

Primeiro o fabricante e depois o comerciante.

Responsabilidade por fato de

serviço:

Há solidariedade entre todos os envolvidos na

situação.

Responsabilidade por vícios do

produto:

Solidariedade entre fabricante e comerciante

Responsabilidade por vício do

serviço:

Há solidariedade entre todos os envolvidos na

prestação.

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