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Cad. CEDES vol.30 número80

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Academic year: 2018

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Cad. Cedes, Campinas, vol. 30, n. 80, p. 7-9, jan.-abr. 2010 Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br>

Ana Angélica Albano & Luciana Esmeralda Ostetto (Organizadoras)

APRESENTAÇÃO

A

RTENAEDUCAÇÃO

:

PESQUISASEEXPERIÊNCIASEMDIÁLOGO

esquisando as temáticas já contempladas nos números dos Ca-dernos CEDES desde 1980, constatamos a ausência de temas rela-cionados à arte, à educação estética ou à educação e arte. Se, por um lado, há um crescente número de estudos, pesquisas e produções na área, ainda é relativamente pequeno o número de publicações di-vulgando, socializando e permitindo a ampliação do debate.

Se a arte-educação articulou-se, historicamente, através de dis-cussões e propostas que envolviam apenas as artes visuais, compreen-demos hoje a necessidade de integrar no campo a dança, a música, o teatro, o cinema e a literatura. Com o objetivo de dar visibilidade à multiplicidade de perspectivas que podem ser articuladas no território que circunda a arte na educação, organizamos o caderno temático “Arte na educação: pesquisas e experiências em diálogo”, reunindo pesquisa-dores de diferentes instituições, nacionais e internacionais.

Trazemos para o debate a presença da arte em diferentes níveis de ensino, da educação básica ao ensino universitário; os fazeres no cotidiano educativo, envolvendo diferentes linguagens artísticas, na prática compartilhada com as crianças; a formação estética do profes-sor como dinâmica essencial para poder estar com os estudantes, per-ceber, ouvir, ver suas múltiplas expressões, no processo de criação e apropriação do mundo. A proposta de diálogo entre educação e arte também abarca a necessária reflexão sobre a função da arte no mundo contemporâneo.

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8 Cad. Cedes, Campinas, vol. 30, n. 80, p. 7-9, jan.-abr. 2010 Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br> Apresentação

pois é um campo do conhecimento que possibilita o cultivo da criatividade, inovação e pensamento crítico, capacidades fundamentais para uma cultura emancipadora de igualdade e responsabilidade soci-al. “Arte e pedagogia: além dos territórios demarcados” propõe uma re-flexão sobre a necessidade, apesar das dificuldades, de aproximação de profissionais dos campos da arte e da pedagogia. Tomando como refe-rência a psicologia junguiana, destaca a importância de encontrar na imagem o fio condutor para a pesquisa em arte e a necessidade de de-senvolvermos uma observação atenta e cuidadosa durante a pesquisa, dando tempo para emergir tudo o que for necessário ser descoberto. A pergunta que percorre o artigo “Para encantar é preciso encantar-se: danças circulares na formação de professores” é assim formulada: como contribuir com o processo de encantamento dos professores, como ali-mentar a sensibilidade, nos percursos da formação universitária? Buscan-do respostas no processo de pesquisa, a autora identifica na experiência com as danças circulares, tradição de diferentes povos, um profícuo ca-minho pelo qual aquele espaço de encantamento, de inteireza, de edu-cação estética, igualmente, pode ser provocado.

“Em direção à autenticidade: encontro com a diferença” apre-senta reflexões sobre um estudo de caso, na Nova Zelândia, em uma classe de alunos de sete a nove anos. Investiga a motivação e os resulta-dos geraresulta-dos por um trabalho em equipe, que usa arte como base de integração para um exame histórico, social e pessoal. Levanta questões sobre como professores de uma cultura dominante, e seus jovens alu-nos, podem se abrir às referências indígenas presentes na cultura de seu país e criar, com elas, um autêntico vínculo pessoal. “Segredos do coração: a escola como espaço para o olhar sensível” trata da experiên-cia da construção, na escola, de um espaço para o afeto, no qual, atra-vés da atividade artística, torna-se possível trabalhar perdas, cultivar se-gredos, sonhos e desejos, permitindo a construção de um olhar sensível para as histórias de cada um e para a memória coletiva. “O ensino de artes visuais na escola no contexto da inclusão” discute, pautado na produção de conhecimento brasileira recente, o ensino de arte para alu-nos com deficiência. Valoriza a construção de um trabalho de ateliê e de fruição a partir da divulgação de resultados de pesquisas que falam de contextos educacionais e culturais brasileiros.

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Cad. Cedes, Campinas, vol. 30, n. 80, p. 7-9, jan.-abr. 2010 Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br>

Ana Angélica Albano & Luciana Esmeralda Ostetto (Organizadoras)

que oferecem dados de uma investigação em curso, desenvolvida com licenciandos em Artes Visuais e Pedagogia, sobre práticas teatrais e pro-cessos de rememoração. Destacam-se, na referida pesquisa, a discussão e análise sobre a relação entre elementos da linguagem teatral e os pro-cessos de rememoração e ressignificação de memórias. Dessa maneira, a investigação busca identificar possíveis contribuições da ação forma-tiva na construção de reflexões e procedimentos norteadores das práti-cas educativas dos futuros educadores. Ao contemplar a linguagem das chamadas artes cênicas no processo de uma pesquisa constituída nas fronteiras entre educação e arte, as autoras problematizam a necessária integração entre as diferentes linguagens da arte como campo de co-nhecimento.

Ao propormos este caderno temático, reafirmamos a necessidade de redescobrir o lugar da arte na escola e fora dela, redimensionando a essencialidade da sua presença na vida humana. Acreditamos que esta é uma forma de contribuir para o debate e, ao mesmo tempo, apontar questões que possam subsidiar políticas públicas efetivas neste campo.

ANA ANGÉLICA ALBANO

LUCIANA ESMERALDA OSTETTO

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