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Palavras-chave: Uso do Solo. Geotecnologias. Projeto de assentamento.

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1 GEOTECNOLOGIAS APLICADAS AO LEVANTAMENTO DE USO DO SOLO

EM ASSENTAMENTO DE REFORMA AGRÁRIA, SUDOESTE DE GOIÁS

Vilson Sousa Queiroz Júnior Campus Jataí – Universidade Federal de Goiás – UFG [email protected]

Raquel Maria de Oliveira Campus Jataí – Universidade Federal de Goiás – UFG

[email protected]

Luline Silva Carvalho Campus Jataí – Universidade Federal de Goiás – UFG

[email protected]

Mainara da Costa Benincá Campus Jataí – Universidade Federal de Goiás – UFG

[email protected]

Resumo

Nas ultimas décadas o espaço rural brasileiro vem sendo alterado de forma intensa, sendo possível pelo avanço da tecnologia (Revolução Agrícola), que estabeleceu um caráter de agricultura mecanizada, baseada nos monocultivos. Neste contexto existe a necessidade da caracterizar o uso do solo de Projetos de Assentamentos, em específico para o Projeto de Assentamento Santa Rita – GO, para analisar a questão, visando uma melhoria sobre a temática econômica e ambiental. Os métodos foram baseados em geotecnologias, desta forma, os resultados inferiram que no PASR predomina pastagem (52,95%), Portanto, isso tem acarretado impactos negativos para o PASR. Ressaltou – se também que há um índice considerável de cobertura vegetal natural (Mata, Cerradão e Cerrado) representado pela reserva legal, próximo aos 42,13%.

Palavras-chave: Uso do Solo. Geotecnologias. Projeto de assentamento.

Introdução

Nas ultimas décadas o espaço rural brasileiro vem sendo alterado de forma intensa, conforme anseios do modo de produção instituído, sendo possível pelo avanço da tecnologia (Revolução Agrícola), que estabeleceu um caráter de agricultura mecanizada, sementes modificadas e insumos agrícolas, baseados nas monoculturas. Logo, o campo vai se transformando em Complexos Agroindustriais – CAI’s, que é mantido pela exportação de suas “commodities”, consequências da expansão do modelo capitalista

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2 pelos diferentes espaços mundiais. Desta forma, de acordo com Ribeiro (2005) especificamente no sudoeste de Goiás a agricultura está “Caificada1”

Assim, o poder hegemônico que é continuo, de industrialização no campo, traz uma grande alteração nas relações de produção tanto no âmbito socioeconômico como ambiental.

Porém, pela organização sócio-cultural e política de algumas comunidades, se tornam resistentes ou minimizam as imposições do modelo econômico, que é o caso dos assentamentos rurais, que de acordo com Oliveira (2007), mesmo pela grande influência do sistema, exercem relações não capitalistas de produção como, por exemplo, a mão de obra familiar, autonomia do tempo de seu trabalho, diversidade de atividades dentro de seus lotes, entre outros.

Neste contexto existe uma necessidade do mapeamento de uso do solo de Projetos de Assentamentos, para analisar a questão, visando uma melhoria no quesito de utilização atual e futura. Assim, consequentemente tendo em vista à melhora sobre as questões econômicas e ambientais nos Projetos de Assentamento.

Logo, as problemáticas relacionadas aos estudos ambientais podem ser facilmente avaliadas com o uso de técnicas de Geotecnologias, principalmente no mapeamento temático, diagnóstico ambiental, avaliação de impactos ambiental, ordenamento territorial e os prognósticos ambientais. Neste sentido, as técnicas de geotecnologias são importantes ferramentas na avaliação e planejamento do uso da terra em áreas de assentamento, o que justifica este estudo, o qual se propõe a levantar o uso do solo no Projeto de Assentamento Santa Rita - PASR, sudoeste de Goiás.

Objetivos

O objetivo do estudo foi identificar o uso do solo no PASR por meio da utilização de SIGs, para possível planejamento e ordenamento rural, visando a avanço da agricultura familiar dos Projetos de Assentamento.

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3 A área de estudo corresponde ao PASR, Jataí – GO (Mapa - 1), fundado em 1998, sendo situadas as margens da BR 158 e composto por 23 lotes. O assentamento conta com uma área de 968 hectares, dividido em lotes com área média de 38 hectares e uma área comunitária (NC) de aproximadamente 12 hectares e área de reserva legal de 195 hectares. Os cursos de água que drenam a área de estudo deságuam no Ribeirão Paraíso que é um dos principais formadores da bacia hidrográfica do Rio Claro no alto curso.

Mapa 01 – Projeto de Assentamento Santa Rita Jataí (GO): Localização (2011)

Fonte: Org.: Queiroz Júnior, V. S. 2011

O clima segundo Köppen (1931) é classificado como Awa, tropical de savana, mesotérmico, com verão chuvoso e inverno seco. Os índices pluviométricos são representativos, de acordo com Mariano (2006) variando de 1400 a 1800, o que propicia duas safras anuais de alto rendimento. A área do PASR segundo projeto RADAM Brasil (1983) é composto por dois tipos de solos, sendo o Neossolos Quartzarenicos e Latossolos Vermelhos Escuros Distróficos.

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4 A primeira etapa do estudo, foi a seleção e aquisição das imagens, do satélite GeoEye-1, no sensor multiespectral com resolução espacial de 1,65x1,65 metros, ano de 2011, referente à área do assentamento de estudo.

Para o processamento das imagens utilizou-se o software IMPIMA 5.1.6 para a conversão das mesmas, que estavam no formato .tiff para o .spg (que é o aceito pelo software SPRING). Deste modo as imagens foram georreferenciadas pela ferramenta “Registro” a partir de pontos de controle (registro via teclado) coletados via GPS topográfico de alta precisão, para o aproveitamento total da qualidade da imagem. Após o tratamento da imagem, a mesma foi submetida a uma correlação de bandas, sendo 5R,4G,3B por terem uma maior capacidade na identificação das feições pertinentes ao trabalho, sendo o tipo de uso do solo.

Inicialmente foi gerada uma base matricial de Uso do Solo a partir da Classificação Supervisionada SIG Spring 5.1.6, seguida de visita a campo para identificação das características correspondentes para cada variação espectral.

Para a delimitação das categorias de uso do solo e cobertura vegetal foi utilizado uma chave de interpretação para as imagens TM Landsat5 de acordo com Martins (2009), pois o intervalo espectral do sensor, respectivo as bandas 3, 4 e 5 é o mesmo do GeoEye-1, logo podendo ser utilizado para tal estudo, levando em consideração especialmente cor, textura, forma, tamanho e padrão respectivo a resposta espectral dos alvos.

Quadro 1 – Chave de interpretação

Classe Descrição

Mata/Cerradão Matas ciliares e de galeria e às áreas de Cerrado mais denso, que correspondem às áreas de reserva ou remanescentes

Cerrado/Pastagem Áreas vegetadas que apresentam cor e textura menos intensa que às áreas anteriores, interligadas a áreas de pasto (pastagem sombreada) Cultura/Solo Exposto Áreas de formato na maioria das vezes geométrico e que se

encontram sem vegetação, uma vez que a imagem foi obtida no auge do período seco na região, o que leva a crer que, no período das águas, estas áreas destinam-se aos cultivos

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5 espectral em tons suaves e textura mais lisa

Áreas Úmidas Áreas que oferecem uma resposta espectral de tonalidades mais escuras, evidenciando a grande presença de água no solo

Fonte: Martins (2009, p. 73). Adaptado por: Queiroz Júnior, V. S./2012

A classificação constituiu na aquisição de amostras (com total de 2000 pixels cada classe) de cada tipo de uso, para então utilizar o classificador Máxima Verossimilhança - Maxver, com Limiar de aceitação em 100%. Para facilitar a compreensão das feições, a imagem foi submetida a uma equalização de histograma, referente a cada banda (3, 4 e 5).

Como resultado, foi elaborado uma base matricial com as classes de uso do solo do assentamento que posteriormente foi convertido em vetor para se exportar no formato “shapefile”.

Para correção e finalização do mapa utilizou – se o SIG ArcGis© 9.3. O afinamento dos polígonos que ficaram ambíguos foi executado através do “Fild Calculator” (Figura 01) para alteração dos atributos e reclassificação respectiva a sua classe correta, gerando o mapa temático final.

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6 Figura 01 – Reclassificação de classe por meio do “Fild Calculator”

Fonte: ArcGis 9.3.

Resultados

A imagem do satélite GeoEye1, revelou-se de grande importância, facilitando a identificação e distinção das feições localizadas na superfície, essa facilidade é pela alta resolução, está, quanto maior será melhor o nível de detalhamento. Porém para a aquisição destas imagens é preciso fazer um alto investimento. Assim sendo, uma ferramenta de grande relevância para o mapeamento e análise de uso e ocupação do solo. Como resultado, obteve – se o mapa a seguir, que mostra a classificação espacial das categorias de uso do solo. A partir deste, foi possível quantificar e analisar estatisticamente a área de ocupação de cada categoria no PASR.

Ao analisar os dados obtidos a partir da carta de Uso e Ocupação do Solo é possível compreender o arranjo de produção de cada lote, e que estes não têm diversificação de produção. Desta forma, predominantemente encontra - se pastagem e pastagem

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7 degradada (Foto 01), com total de 52,95% logo sendo principal atividade econômica de cada lote. Segundo Graciliano (2012), um sistema de produção pouco diversificado e baseado na pecuária leiteira leva a uma menor renda se comparados a sistemas diversificados.

Foto 01 – Pastagem formada por “Brachiaria decumbens”

Fonte: BENINCÁ, M. da C. 2010

Nas categorias de uso, a cultura perene foi representada por 0,74%, esta por sua vez é caracterizada por pomares e árvores frutíferas disjuntas, seguido de silvicultura apresentando 0,29% que encontra – se em apenas um lote e por fim cultura anual com 0,04% representada por cana-de-açúcar.

Nas categorias de uso (Mapa 02), a cultura perene foi a mais representativa, com 0,74%, esta por sua vez é caracterizada por pomares e árvores frutíferas disjuntas, seguido de silvicultura apresentando 0,29% que encontra – se em apenas um lote e por fim cultura anual com 0,04% representada por cana-de-açúcar.

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8 Mapa 02 – Projeto de Assentamento Santa Rita Jataí (GO): Uso e Ocupação do Solo e Cobertura Vegetal Natural (2011)

Fonte: Queiroz Júnior, V. S. 2011.

No quesito de Cobertura Vegetal (Cerrado, Cerradão e Mata) (Tabela – 1) compreende – se que o PASR apresenta vegetação de forma expressiva, sendo 42,13% (conforme Tabela 01), por meio de remanescentes e Reserva Legal. A vegetação tipo cerradão apresentou área ocupada de 16,51%, para o cerrado identificou – se 13,92% e para a mata de 11,7%.

Tabela 01 – Uso do Solo no PASR (2011). Classes de Uso e Ocupação do Solo e

Cobertura Vegetal Natural ha Área %

Água 1,10 0,11 Área úmida 8,41 0,87 Cerradão 159,91 16,51 Cerrado 134,82 13,92 Cultura Anual 0,41 0,04 Cultura Perene 7,18 0,74 Mata 113,31 11,7 Pastagem 486,75 50,26

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Pastagem degradada 26,07 2,69

Silvicultura 2,82 0,29

Solo descoberto 27,64 2,85

Total 968,39 100%

Fonte: Queiroz Júnior, V. S. 2012.

Também foi identificada a categoria de água, representando 0,11%, sendo constituído por cursos de água e represas. O solo descoberto, com 2,85% está caracterizado por erosões (Foto 02) e áreas preparadas para agricultura.

Foto 02 – Erosão em lote do PASR, em processo de regeneração, com pastagem e silvicultura ao fundo.

Fonte: SILVA, M. V. F. 2011

Desta forma, considera – se que a dinâmica do PASR de uso do solo é relativamente sutil, não apresentando diversidade produtiva e ausência de vegetação ao longo dos cursos de água. Em síntese o PASR predomina pastagem, deste modo, não tendo tanta viabilidade econômica, social e ambiental. Portanto, isso tem acarretado impactos negativos para o PASR, como degradação dos solos, processos erosivos pelo falta de cobertura do solo, assoreamento dos cursos de água e redução da cobertura vegetal natural.

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10 Portanto, para induzir a diversificação da produção nos Projetos de Assentamentos, seria útil a instituição de novos programas alimentícios como o Programa de Aquisição de Alimentos – PAA, que têm a diversificação como meta, por parte do Estado.

O procedimento metodológico empregado em conjunto com a utilização de imagem de satélite de alta resolução mostrou-se adequado na confecção dos mapas temáticos e na quantificação dos diferentes tipos de uso do solo. Além disso, há possibilidade utilização de imagens de satélite e SIGs gratuitos disponibilizados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE.

Este tipo de análise também pode ser aprofundado para avaliar a dinâmica histórica de uso do solo, avaliando como foi no passado, como está o presente e delinear cenários tendenciosos e desejáveis para o futuro, sempre visando à autonomia econômica e ambiental da agricultura familiar.

Notas __________ 1

A expressão “caificada” é utilizada quando se refere a modelos de exploração agrícola, onde a agricultura é industrialmente integrada, no formato dos CAI’s. (RIBEIRO, 2005).

Referências

RADAMBRASIL: Folha SE. 22 Goiânia: Geologia, Geomorfologia, Pedologia, Vegetação, uso potencial da terra. Rio de Janeiro: MME, p. 30-31, v. 31, 1983. KÖPPEN, W. Climatologia con un studio de los climas de la tierra. Buenos Aires, 1931. 320p.

MARTINS, A. P. Bacia do ribeirão cachoeira de cima, itapagipe (mg): Avaliação ambiental integrada e alternativas de uso. Disertação de Mestrado (Geografia). Uberlândia, Minas Gerais (2009)

MARIANO, Zilda de Fátima. SANTOS, Maria Juraci Zani dos. SCOPEL. Iraci .

Aimportância das chuvas para a produtividade da soja na microrregião do sudoeste de goiás (go). Disponível em:

http://www.rc.unesp.br/igce/geografia/pos/downloads/2006/a_importancia.pdf. Acesso em: 10/04/2012.

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11 MARTINS, A. P. Bacia do ribeirão cachoeira de cima, itapagipe (mg): Avaliação ambiental integrada e alternativas de uso. Disertação de Mestrado (Geografia). Uberlândia, Minas Gerais (2009).

RIBEIRO, D. D. Agricultura “caificada” no Sudoeste de Goiás: do bônus econômico ao ônus sócio-ambiental. Niterói: 2005. Tese (Doutorado em Ordenamento Territorial Ambiental) – Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2005.

CUNHA, Sandra Baptista da & GUERRA, Antonio José Teixeira. Geomorfologia do Brasil, 5a Edição, Editora Bertrand Brasil, RJ, p. 195, 1998.

MARCELINO, E. V. Desastres naturais e geotecnologias: conceitos básicos. INPE, Santa Maria, 2007. Disponível em:

<http://www.inpe.br/crs/geodesastres/imagens/publicacoes/conceitosbasicos.pdf>. Acesso em : 15/04/2012.

GRACILIANO, M. et al. Os Sistemas de produção e a necessidade de apoio para a diversificação. In: MEDINA, G. (Org). Agricultura Familiar em Goiás: Lições para o Assessoramento Técnico. Goiânia: Kelps 2012. 15p.

OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino. Modo de Produção Capitalista, Agricultura e Reforma Agrária. São Paulo: FFLCH, 2007, 184p. Dieponível em:

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