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MICROBIOTA INTESTINAL E SUA RELAÇÃO COM A DIABETES: UMA REVISÃO INTEGRATIVA

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CENTRO UNIVERSITÁRIO TIRADENTES CURSO DE NUTRIÇÃO

MATEUS LUCAS XAVIER DE ARAÚJO JOÃO VICTOR OLIVEIRA CALHEIROS

MICROBIOTA INTESTINAL E SUA RELAÇÃO COM A DIABETES:

UMA REVISÃO INTEGRATIVA

MACEIÓ-AL 2019.1

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MATEUS LUCAS XAVIER DE ARAÚJO JOÃO VICTOR OLIVEIRA CALHEIROS

MICROBIOTA INTESTINAL E SUA RELAÇÃO COM A DIABETES:

UMA REVISÃO INTEGRATIVA

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito final para obtenção do título de Nutricionista em Nutrição pelo Centro Universitário Tiradentes – UNIT/AL.

Orientadora: Maria de Lourdes da Silva Gomes de Azevedo

MACEIÓ-AL 2019.1

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MATEUS LUCAS XAVIER DE ARAÚJO JOÃO VICTOR OLIVEIRA CALHEIROS

MICROBIOTA INTESTINAL E SUA RELAÇÃO COM A DIABETES:

UMA REVISÃO INTEGRATIVA.

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito final para obtenção do título de Nutricionista em Nutrição pelo Centro Universitário Tiradentes – UNIT/AL.

Aprovado em:

BANCA EXAMINADORA:

________________________________________ Prof. Ms. Maria de Lourdes da Silva Gomes de Azevedo

Centro Universitário Tiradentes – UNIT/AL Professor Orientador

________________________________________ Prof. Ms. Danielle Alice Vieira da Silva Centro Universitário Tiradentes – UNIT/AL

Professor Avaliador

________________________________________ Prof. Ms. Alyne da Costa Araújo Ramalho Centro Universitário Tiradentes – UNIT/AL

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Dedicamos em primeiro lugar a Deus, pela vida, e pela oportunidade, onde pudemos chegar a este momento desafiador. Aos nossos pais por todo amor, dedicação e cuidado; À nossa família e amigos, que acreditaram e nos incentivaram nessa árdua, porém gratificante jornada.

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AGRADECIMENTOS

À professora Maria de Lourdes da Silva Gomes de Azevedo por orientar nosso TCC e por toda colaboração e dedicação ao longo das orientações dispensadas na elaboração do referido estudo.

Aos professores que passaram pelo curso e contribuíram de forma direta e indireta para o nosso aperfeiçoamento pessoal e profissional.

E aos meus colegas de turma pela amizade que fora construída no decorrer de todo o período de duração do curso.

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“Se o dinheiro for sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência.”

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MICROBIOTA INTESTINAL E SUA RELAÇÃO COM A DIABETES: UMA REVISÃO INTEGRATIVA.

INTESTINAL MICROBIOTA AND ITS RELATIONSHIP WITH DIABETES: AN INTEGRATIVE REVIEW.

Mateus Lucas Xavier de Araújo Acadêmico do 8° período de Nutrição

[email protected]

João Victor Oliveira Calheiros Acadêmico do 8º período de Nutrição

[email protected]

Maria de Lourdes da Silva Gomes de Azevedo Nutricionista – Orientadora do Trabalho de conclusão de curso.

RESUMO

O diabetes mellitus constitui um distúrbio clínico heterogêneo, tendo em comum à hiperglicemia, onde se relaciona com a microbiota intestinal, que compreende um conjunto de microrganismos que interagem com o hospedeiro de maneira benéfica ou maléfica. O estudo apresentou-se como uma revisão integrativa da literatura, teve por objetivo identificar os fatores que influenciam a microbiota intestinal saudável em pacientes diagnosticados com diabetes mellitus. Para realização do estudo foram pesquisadas nas bases de dados do Pubmed e da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) em suas bases Medline e Lilacs através do acesso online, onde foram selecionados diversos artigos, teses e dissertações que abordassem a relação do microbioma intestinal e o diabetes mellitus. A amostra foi composta por 12 artigos que atendiam aos critérios de inclusão. No que se refere à microbiota intestinal, indivíduos diabéticos demonstram quadro de disbiose intestinal quando comparado a indivíduos saudáveis, havendo diferenciação entre microrganismos benéficos e patógenos nestes sujeitos.Portanto ao analisar os doze artigos, demonstrou-se que para pacientes diabéticos a modulação microbiológica do intestino é bastante interessante, pois através da adequada alimentação, uso de prebióticos e/ou probióticos, controle glicêmico e a prática de atividades físicas diárias auxiliam na prevenção da endotoxemia metabólica e no acúmulo de mediadores inflamatórios, assim como na resistência a insulina.

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PALAVRAS-CHAVES: Diabetes mellitus, microbioma gastrointestinal, disbiose,

endotoxemia.

ABSTRACT

Diabetes mellitus is a heterogeneous clinical disorder, having in common hyperglycemia, where it is related to the intestinal microbiota, which comprises a set of microorganisms that interact with the host in a beneficial or evil way. The study presented as an integrative review of the literature, aimed to identify the factors that influence the healthy intestinal microbiota in patients diagnosed with diabetes mellitus. In order to carry out the study, the databases of the Pubmed and the Virtual Health Library (VHL) were searched in their databases Medline and Lilacs through online access, where they were selected several articles, theses and dissertations that dealt with the intestinal microbiome diabetes mellitus. The sample consisted of 12 articles that met the inclusion criteria. Regarding the intestinal microbiota, diabetic individuals show a picture of intestinal dysbiosis when compared to healthy individuals, with differentiation between beneficial and pathogenic microorganisms in these subjects. Therefore, when analyzing the twelve articles, it was demonstrated that for diabetic patients the microbiological modulation of the intestine is quite interesting, since through proper feeding, prebiotic and / or probiotic use, glycemic control and daily physical activity help to prevent metabolic endotoxemia and in the accumulation of inflammatory mediators, as well as in insulin resistance.

KEYWORDS: Diabetes mellitus, gastrointestinal microbioma, dysbiosis, endotoxemia.

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SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO... 1 2 METODOLOGIA ... 4 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 6 4 CONCLUSÃO ... 14 5 REFERÊNCIAS ... 15

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1 INTRODUÇÃO

Entende-se por microbiota os microrganismos que apresentam vínculo com o hospedeiro, exercendo simbiotismo em múltiplas áreas corpóreas. No intestino (especialmente no grosso) estes exercem um importante papel para o bom funcionamento do corpo, auxiliando na formação de vitaminas, proteção contra patógenos, sintetização de substâncias antibacterianas, dentre outros. O uso de antibióticos, inibidores de bomba de prótons, internamentos hospitalares, má nutrição e aquisição de agentes patógeno-toxicológicos, são alguns dos motivos que propiciam modificação no microbioma gastrointestinal e possível obtenção de infecções (MIMICA, 2017).

Por outro lado o diabetes mellitus constitui um grupo de distúrbios clínicos heterogêneos, tendo em comum à hiperglicemia resultante da insuficiência de insulina, da resistência insulínica, ou de ambas (OH et al., 2017). O aumento da prevalência do diabetes nas últimas décadas tornou-se um problema de saúde mundial, com aumento crescente tanto em países desenvolvidos quanto subdesenvolvidos, estando essa doença associada a múltiplos fatores, tais como: aumento da urbanização mundial, transição nutricional relacionada a um estilo de vida sedentário, maior ingesta de alimentos processados e com altos índices de açúcares e pouco valor nutricional, sobrepeso e envelhecimento populacional (IDF, 2015).

O International Diabetes Federetion (IDF, 2015) estimou que 8,8% da população mundial entre 20-79 anos era portadora do diabetes mellitus, o que representou cerca de 415 milhões de diabéticos. Caso esse incremento persista, as projeções indicam que em 2040, existirão mais de 642 milhões de diabéticos.

Um aspecto importante a ser observado é que como a microbiota intestinal está relacionada a diversas atividades essenciais do organismo humano (absorção, digestão e a transformação de alimentos) ela sofre interferência direta da qualidade da dieta habitual, ou seja, quando a associação entre a comunidade bacteriana ínsita não está relacionada com o consumo de uma dieta equilibrada diariamente, ocorrem alterações nos níveis de glicose sanguínea, visto que determinados graus de disbiose (desequilíbrio da microbiota intestinal) estão associados ao diabetes

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mucosa enteral, diminuição de substâncias benéficas e ao estresse oxidativo (QIN et al., 2012).

Além disso, a disbiose intestinal tem sido também relacionada com os mecanismo desencadeadores do diabetes mellitus tipo 1 (DM1), evidenciando que boa parte das bactérias nocivas ao organismo encontram-se elevadas ao mesmo tempo que os microrganismos convenientes estão em declínio nestes indivíduos (DUNNE et al., 2014; ALKANANI et al., 2013; GIONGO et al., 2010). Em associação, os níveis elevados de endotoxinas causados pela disbiose intestinal em indivíduos suscetíveis a diabetes mellitus tipo 2, podem causar níveis crônicos de inflamação, afetando a resistência a insulina e ao DM2 (DIAMANT; BLAAK; VOS, 2010).

Dentre as medidas que podem ser adotadas para melhoria da disbiose, temos a mudança de hábitos alimentares e a recomposição da microbiota com o uso de prebióticos e/ou probióticos. Os prebióticos são carboidratos não digeríveis que auxiliam beneficamente na regulação microbiológica do intestino por meio do processo de fermentação que ocorre principalmente na parte do cólon intestinal, contribuindo para melhora cardio-metabólica, redução da permeabilidade intestinal, atenuação do acúmulo de citocinas pró-inflamatórias e endotoxinas (GIBSON, 2008; RASTALL et al., 2005; GIBSON; ROBERFROID, 1995; DELZENNE; NEYRINCK; CANI, 2011; BROWNAWELL et al., 2012; MANNING; GIBSON, 2004; ROBERFROID et al., 2010).

Por outro lado os probióticos são por definição microrganismos vivos ingeridos de forma exógena, onde concedem benefícios para as colônias de bactérias favoráveis do intestino intrínseco de cada indivíduo demonstrando-se bastante promissor como auxiliar na terapêutica do diabetes mellitus, destacando-se algumas espécies que propiciam particularidades positivas para o paciente diabético: Bifidobacterium, Lactobacillus, Saccharomyce (CANI et al., 2010; WHO; FAO, 2016; MUCCIOLI et al., 2010; SUN; BUYS, 2016; ASEMI et al., 2014; EJTAHED et al., 2011; BUKOWSKA et al., 1998).

No ano de 2013, Karlsson et al. fizeram pela primeira vez a relação entre um microbioma intestinal alterado e a insulinorresistência em humanos ao estudarem o metagenoma do intestino em mulheres europeias com controle glicêmico normal, debilitado e diabético. Com isso, através da sequenciação do metagenoma intestinal, revelaram que as bactérias produtoras de butirato, também conhecidas

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pelas propriedades anti-inflamatórias, eram menos abundantes em pacientes com diabetes tipo 2 em relação a indivíduos saudáveis.

Alterações na composição da microbiota intestinal (disbiose) e alterações nas propriedades da barreira intestinal foram documentadas em indivíduos com DM1. Como esses fatores afetam as funções do sistema imunológico, eles provavelmente desempenham um papel na patogênese da doença. No entanto, seu papel exato atualmente não é totalmente compreendido e está sob investigação intensiva. Em virtude dos aspectos acima mencionados e da importância da microbiota para o controle da glicemia, o presente estudo tem por objetivo analisar através da literatura existente, de que forma o microbioma intestinal age sobre a mucosa entérica e sua associação na resistência à insulina e no diabetes.

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2 METODOLOGIA

O estudo apresenta-se como uma Revisão Integrativa sendo desenvolvido no período de dezembro de 2018 a abril de 2019. Para realização do mesmo utilizaram-se como descritores: microbioma gastrointestinal, diabetes, probiótico, endotoxinas, disbiose, todos de acordo com os Descritores em Saúde (DeCS). Foram utilizadas as bases de dados do Pubmed e da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) em bases do Lilacs e Medline.

Os critérios de inclusão das publicações definidos para esta revisão foram: artigos, teses e dissertações publicadas na integra no período de 2009 a 2019, nos idiomas Inglês e Português, foram selecionados os estudos realizados em humanos, adultos e idosos e que apresentassem relação com o assunto em questão. Estudos duplicados, publicados em outros idiomas e que não utilizaram grupo controle foram excluídos.

Para a realização do cruzamento de dados foi utilizado o boleano AND, com os seguintes cruzamentos: microbioma gastrointestinal - diabetes, diabetes – disbiose, probiótico – microbioma gastrointestinal, endotoxemia – diabetes, probiótico – diabetes. O levantamento literário realizado nas bases de dados citadas localizou 6479 artigos disponíveis. Após a aplicação dos critérios de inclusão e exclusão foram encontrados 143 estudos dentre os quais apenas 136 artigos estavam disponíveis para download. Posteriormente a leitura dos títulos e resumos, foram excluídos 124 artigos que não tiveram relação com o tema em questão e/ou eram amostras duplicadas, restando 12 estudos, todos foram publicados em inglês. (Figura 1).

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Figura 1: Resultado da pesquisa nas bases de dados Pubmed, Medline e Lilacs.

PESQUISA NAS BASES DE DADOS

AMOSTRA 12 ARTIGOS Fonte: Autores, 2019. LILACS 97 NA INTEGRA 97 DISPONÍVEIS PARA DOWNLOAD 5 COMPATÍVEIS COM TEMA/RESUMO MEDLINE PUBMED 4250 ARTIGOS 0 DISPONÍVEIS PARA DOWNLOAD 0 COMPATÍVEIS COM TEMA/RESUMO 2225 ARTIGOS 46 NA INTEGRA 39 DISPONÍVEIS PARA DOWNLOAD 7 COMPATÍVEIS COM TEMA/RESUMO 24 ARTIGOS 0 NA INTEGRA

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3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

A análise dos artigos selecionados encontra-se disposta no quadro 1, dos doze (100%) artigos incluídos na amostra, todos estão no idioma Inglês, são pesquisas com humanos e foram publicados entre 2013 e 2017. Na maioria dos estudos foi possível observar uma relação entre a ineficiência da microbiota

intestinal e o diabetes mellitus.

Nos artigos selecionados observou-se que a idade entre as amostras dos estudos variou entre 18 anos e 73,8 anos, houve um predomínio do sexo masculino em nove (75%) artigos e apenas três (25%) apresentaram prevalência do sexo feminino.

Quadro 1: Avaliação dos estudos da amostra.

ANO/AUTOR BASE DE DADOS

AMOSTRA OBJETIVO DO ESTUDO CONCLUSÕES

1 Greenway; Wang; Heiman, 2013 Biblioteca virtual em Saúde (MEDLINE) 1 paciente

Avaliar no paciente o benefício

do uso de

prebióticos/antioxidantes

(cobiótico) simultaneamente a Metformina no controle glicêmico e nos efeitos colaterais causados pelo medicamento. Após 8 semanas fazendo uso de Metformina e do cobiótico, observou-se melhora no quadro de hiperglicemia e diarreia. 2 Remely et al., 2013 Biblioteca virtual em Saúde (MEDLINE) 56 pacientes

Identificar como os ácidos graxos de cadeia curta (AGCC) influenciam epigenéticamente em seus respectivos receptores de membrana intestinal (RAGCC), e sua relação com a diabetes nos pacientes estudados. Observaram-se modificações negativas na composição do microbioma intestinal, quantidades reduzidas de AGCC e RAGCC nos pacientes diabéticos para com o grupo controle saudável. 3 Sato et al., 2014 Biblioteca virtual em Saúde (MEDLINE) 100 pacientes

Analisar nos pacientes a composição da flora intestinal e sua associação com marcadores inflamatórios e a presença de

Após os resultados dos testes, observou-se que diabéticos apresentaram

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bactérias intestinais no sangue. disbiose intestinal e a presença de bactérias intestinais na corrente sanguínea. 4 Ferguson et al., 2015 Pubmed 294 pacientes

Investigar entre raças distintas (Africanos/Europeus), a influência da endotoxemia no controle da glicemia.

O estudo demonstrou que a ativação aguda da imunidade e o aumento da inflamação influenciaram no controle glicêmico em ambos os grupos, afetando a ação da insulina e absorção da glicose mediada ou não pela insulina.

5 Dao et al.,

2015 Pubmed

49 pacientes

Associar a Akkermansia. Muciniphilla com o estado metabólico saudável, diversidade microbiológica intestinal e antropometria equilibrada. Observou-se que A.muciniphilla apresenta relação com perfil metabólico saudável e melhor quadro clínico. 6 Aravindhan et al., 2015 Pubmed 197 pacientes Identificar os níveis de Lipopolissacarídeo em indivíduos DM1 com e sem complicações microvasculares, e relacionar os níveis de citocinas nesses sujeitos.

Pacientes DM1 apresentam níveis mais elevados de Lipopolissacarídeo do que indivíduos saudáveis, assim como níveis reduzidos de LBP, Endocab e CD14, e aumento de mediadores inflamatórios. 7 Ghosh et al., 2015 Pubmed 25 pacientes Investigar se a elevação da sinalização de TRL4-NFkB – MAPK está associado com a sensibilidade e sinalização de insulina em sujeitos idosos. Avaliou-se ainda, se a prática de atividade física proporcionaria

Concluiu-se que a sarcopenia e resistência a insulina em indivíduos idosos, estão relacionadas com o aumento nas taxas de sinalização e

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melhora da sensibilidade a insulina revertendo o aumento de TRL4-NFkB – MAPK. expressão de RST4, estando associado à endotoxemia metabólica. 8 Hulston; Churnside; Venables, 2015 Pubmed 17 pacientes Identificar se a suplementação de um probiótico (Lactobacillus casei Shirota [LCS]) auxilia na prevenção da resistência a insulina em humanos. Ao final da pesquisa, identificou-se que LCS auxiliou na prevenção da resistência a insulina em indivíduos que faziam uso de

uma dieta hiperlipídica. 9 Stewart et al., 2016 Biblioteca virtual em Saúde (MEDLINE) 20 pacientes Identificar se o microbioma intestinal de pacientes ativos portadores de DM1 e com bom controle glicêmico são capazes de desenvolver uma microbiota intestinal equivalente ao de pacientes saudáveis. Demonstrou-se que os pacientes portadores de DM1 ativos fisicamente e com adequado controle glicêmico, apresentam o microbioma intestinal e perfil bacteriano funcional semelhante ao de pacientes saudáveis sem diabetes. 10 Zuluaga et al., 2016 Biblioteca virtual em Saúde (MEDLINE) 112 pacientes

Investigar a disbiose intestinal em pacientes com DM e sua associação com a Metformina.

Os resultados demonstram que a Metformina apresenta significativa relação com o microbioma intestinal de pacientes diabéticos em relação ao grupo diabético que não faz uso da medicação, através do aumento de bactérias benéficas (A. Muciniphila) e substâncias protetoras da mucosa entérica.

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9 11 Sedighi et al., 2017 Biblioteca virtual em Saúde (MEDLINE) 36 pacientes

Avaliar os quatro grupos de bactérias (Lactobacillus, Bifidobacterium, Fusobacterium e Prevotella) nos pacientes que apresentam DM2 em relação ao grupo controle sadio.

Concluiu-se que o DM2 está associado a modificações na composição microbiológica intestinal, sendo necessários maiores estudos para elucidar a relação destas vertentes. 12 Moghadam et al., 2017 Biblioteca virtual em Saúde (MEDLINE) 36 pacientes Avaliar um grupo de três espécies de bactérias fecais (Bacteroides fragilis,

Bifidobacterium Longum e

Faecalibacterium prausnitzii) em pacientes portadores de DM2.

O estudo demonstrou que para os três tipos de bactérias estudadas, apenas a concentração de Faecalibacterium prausnitzii e B.fragilis foram diminuídas em comparação ao grupo controle, associando-se que o diabetes tipo 2 está relacionado com modificações na microbiota intestinal.

Fonte: Os autores.

No que se refere ao tempo de duração dos estudos, variou entre 2 semanas e 12 meses, onde estes apresentaram dois ou mais grupos em seus estudos com exceção de uma amostra que é relato de caso, o que possibilitou análise mais criteriosa das amostras.

A análise dos artigos permitiu observar que 11 estudos (91,6%) foram desenvolvidos com amostras entre 17 a 294 indivíduos, apenas um (8,3%) era relato de caso, neste demonstrou-se que a utilização de um cobiótico (prebiótico/antioxidante) auxiliou na terapêutica de paciente recém-diagnosticado com DM2, revertendo o quadro de hiperglicemia e diarreia decorrente do uso de Metformina, observando-se que a modulação microbiológica do intestino resultou em benefícios para o paciente em questão (GREENWAY; WANG; HEIMAN, 2014).

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Tendo em consideração a microbiota intestinal nos pacientes DM2, observam-se diferenças na população de gêneros e espécies de bactérias para indivíduos saudáveis. No estudo feito por Sedighi et al. (2017) analisou-se por meio do método sensível de transcrição reversa denominado reação em cadeia da polimerase (RCP), quatro grupos de bactérias (Lactobacillus, Bifidobacterium, Fusobacterium e

Prevotella) em um grupo de pacientes com DM2 e num grupo controle. No grupo dos

diabéticos observou-se aumento significativo de Lactobacillus e pequeno aumento de Fusobacterium e Prevotella em relação ao grupo saudável, da mesma forma observou-se que o grupo controle apresentou maiores quantidades de

Bifidobacterium. Ainda que Lactobacillus seja um probiótico de maior proporção em

DM2, Bifidobacterium, Fusobacterium e Prevotella apresentaram relação qualitativamente negativa para estes indivíduos. No que diz respeito a pacientes DM2, estes demonstram intrinsicamente maiores quantidades de bactérias do filo Bacteroides e Proteobactérias e disbiose intestinal acentuada, que estão intimamente ligados ao estado inflamatório de baixo grau, onde este tem sido associado atualmente ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas como diabetes, obesidade, cancro, dentre outros.

No que diz respeito à composição da microbiota intestinal, Moghadam et al. (2017) avaliaram através da RCP três espécies de bactérias (Bacteroides fragilis,

Bifidobacterium longum, Faecalibacterium prausnitzii) em dois grupos (controle/DM2), e identificaram que no grupo diabético F. prausnitzii estava significativamente reduzida em comparação ao grupo controle. Como já apontado, esta população apresenta em comum a disbiose intestinal aguçada necessitando de substâncias preventivas e protetoras, tais como, os probióticos e prebióticos que atuam restaurando a microbiota intestinal. Também podemos citar como métodos de auxilio uma dieta bem equilibrada e a prática de atividades físicas rotineiramente.

F prausnitzii tem sido apontada como uma importante bactéria comensal para

a microbiota intestinal, pois segundo a análise dos estudos, atua nos receptores de ácidos graxos de cadeia curta (RAGCC) que estão diminuídos em pacientes diabéticos e auxiliam na produção de substâncias essenciais como o butirato, um AGCC obtido através da fermentação de fibras dietéticas não digeríveis, demasiadamente importante para a imunidade, integridade da mucosa e da parede entérica e na prevenção de endotoxinas (Lipopolissacarídeo) e citocinas pró-inflamatórias. Foi o que Remely et al. (2014) relataram em seu estudo, onde

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pacientes diabéticos tinham reduzidas quantidades de Faecalibacterium prausnitzii e receptores de AGCC em relação a indivíduos obesos e magros saudáveis, além de demonstrar a influência destes receptores supracitados no ciclo da saciedade e fome.

Os Lipopolissacarídeos (LPS) liberados por bactérias gram-negativas na corrente sanguínea (endotoxemia) geram uma resposta imune inata, induzindo no indivíduo diabético e saudável uma atenuação da sensibilidade à insulina e maior função das células β-pancreáticas na produção de insulina como medida compensatória da diminuição da eficácia da absorção de glicose. Os níveis inflamatórios causados por essas endotoxinas influênciam na captação de glicose tanto por mecanismos mediados por insulina, bem como por mecanismos

independentes da mesma (FERGUSON et al., 2015). Ghosh et al. (2015) analisaram

que individuos idosos saudáveis apresentam níveis mais elevados de LPS na

corrente sanguínea decorrente do avanço da idade e concomitamente associou – se

com o aumento da resistência a insulina e estado pró-inflamatório.

Com relação aos tratamentos adotados por pacientes portadores de diabetes, os mesmos realizam diversos tratamentos para controle da glicemia desde a ingesta adequada de macro e micronutrientes na dieta a práticas de atividades físicas, concomitantemente fazem uso de medicamentos hipoglicemiantes, como a Metformina que é um dos fármacos de escolha inicial para tratamento do DM2. Zuluaga et al. (2016) esclareceram que pacientes diabéticos fazendo uso de Metformina exibem uma microbiota intestinal favorável bem como quantidades mais elevadas de Akkermansia Muciniphila, bactéria gram-negativa responsável pela degradação de mucina e associada à microbiota intestinal saudável em relação a pacientes diabéticos que não fazem uso do medicamento.

No que diz respeito a indivíduos com estado metabólico mais saudável (melhores taxas de glicose plasmática em jejum, triglicerídeos plasmáticos e melhor distribuição de gordura corporal), estes apresentam maiores quantidades de A. muciniphila em sua microbiota, sendo que, a mesma foi associada com a melhora da sensibilidade a insulina porém necessitando de mais estudos para averiguar tal hipótese. Ainda foi possível relacionar A. muciniphila com a produção de AGCC, principalmente o acetato, que como analisado anteriormente, estes apresentam diversos benefícios para a integridade da mucosa enteral, assim como para as

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12

Os níveis plasmáticos de endotoxinas têm sido relacionados com o diabetes

mellitus tipo 1, revelando que esta população apresenta maior grau de inflamação

crônica. Aravindhan et al. (2016) analisaram em pacientes DM1 em comparação a indivíduos não diabéticos, que sujeitos DM1 apresentavam níveis significativamente maiores de fatores pró-inflamatório: LPS, IL-1 β, TNF- α, GM-CSF, assim como, níveis reduzidos de proteína ligante de LPS (LBP), endoCAb e CD14 devido a presença de inflamação crônica, sendo estes uns dos principais reguladores da atividade de LPS e ativador imunológico. Deste modo, para pacientes diabéticos que necessitam de controle rígido da glicemia diária, estes fatores inflamatórios por longo período de tempo influenciam na homeostasia da glicose e resposta da insulina, assim como também está relacionado a outros problemas de saúde como a doença arterial coronariana e a obesidade.

Apesar de a disbiose intestinal ter sido associada à resistência à insulina, desenvolvimento do diabetes mellitus tipo 1 e a problemas de saúde nessa população, diabéticos tipo 1 com bom controle glicêmico, adequada dieta e a prática diária de atividade física não apenas os auxiliam para recuperação da disbiose, como também podem equiparar-se a microbiota de indivíduos saudáveis, foi o que Stewart et al. (2016) demonstraram ao analisar pacientes diabéticos tipo 1 com bom controle glicêmico e altos níveis de aptidão física em comparação a indivíduos saudáveis, que curiosamente apresentaram equivalência em suas microbiotas intestinais.

Sato et al. (2014) perceberam que pacientes DM2 apresentam desequilíbrio microbiológico intestinal quando comparado a pacientes saudáveis, exibindo taxas significativamente menores de bactérias anaeróbias (Clostridium coccoides, Cluster

atopobium e Prevotella), ao mesmo tempo em que Lactobacillus (anaeróbios

facultativos) estavam aumentados, ainda foi possível constatar bactérias gram-positivas na corrente sanguínea e marcadores inflamatórios (IL-6) elevados no grupo diabético. Denota-se que em ambos os estudos supracitados, indivíduos diabéticos descompensados ou não, apresentam modificações no microbioma intestinal, aumento da permeabilidade da membrana entérica acarretando a passagem de bactérias para corrente sanguínea, elevação de mediadores inflamatórios por endotoxinas e citocinas pró-inflamatórias e atenuação de AGCC que reflete sistemicamente no portador de diabetes mellitus e na resistência a insulina.

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Em um estudo conduzido por Hulston et al. (2015), investigaram se o uso de um probiótico a base de leite fermentado duas vezes por dia influenciava na resistência a insulina e após quatro semanas verificaram que indivíduos com dieta hiperlipídica apresentaram resistência à insulina, porém ao se suplementar o probiótico supracitado preservou-se o controle da glicemia e eficácia da insulina. Com estes resultados entende-se que, mudanças na microbiota intestinal podem estar relacionadas com o desenvolvimento de doenças metabólicas como o diabetes, por influência de uma alimentação pobre em nutrientes que prejudicam a comunidade bacteriana, refletindo na homeostasia dos níveis de glicose plasmático.

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4 CONCLUSÃO

As amostras analisadas demonstraram que indivíduos portadores de diabetes

mellitus apresentam significativa disbiose intestinal (com exceção dos Lactobacillus

que apresentaram maiores quantidades nesta população), sendo necessária maior extensão de estudos com finalidade de confirmar a origem exata deste distúrbio.

Demonstrou-se ainda que para pacientes portadores de diabetes, a modulação microbiológica do intestino é bastante interessante, pois através da adequada alimentação, uso de prebióticos e/ou probióticos, controle glicêmico e a prática de atividades físicas diárias acarretam em benefícios para a saúde do indivíduo diabético, auxiliando na prevenção da endotoxemia metabólica que é altamente prevalente nessa população e está associada a mediadores inflamatórios extremamente prejudiciais no que se diz respeito à homeostasia da glicemia, na ascensão de populações bacterianas saudáveis, produção de AGCC (substâncias associadas ao bom funcionamento dos enterócitos e da barreira protetora do endotélio intestinal) e na quantidade de seus respectivos receptores.

Os resultados deste estudo visam promover a saúde como elemento fundamental, auxiliando no conhecimento das mudanças fisiológicas do diabetes

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REFERÊNCIAS

MIMICA, Marcelo Jenné. Microbioma humano: conceito, principais características, e potenciais implicações patológicas e terapêuticas. Arquivos Médicos: dos hospitais e da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. São Paulo, p. 42-45. jan. 2017.

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International Diabetes Federation. IDF Atlas. 7th ed. Brussels, Belgium: International Diabetes Federation; 2015. In: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018 / Organização José Egídio Paulo de Oliveira, Renan Magalhães Montenegro Junior, Sérgio Vencio. -- São Paulo: Editora Clannad, 2017.

QIN, Junjie et al. A metagenome-wide association study of gut microbiota in type 2 diabetes. Nature, [s.l.], v. 490, n. 7418, p.55-60, 26 set. 2012. Springer Nature.

http://dx.doi.org/10.1038/nature11450.

DUNNE, J. L. et al. The intestinal microbiome in type 1 diabetes. Clinical & Experimental Immunology, [s.l.], v. 177, n. 1, p.30-37, 9 jun. 2014. Wiley.

http://dx.doi.org/10.1111/cei.12321.

ALKANANI, A. K. et al. Induction of Diabetes in the RIP-B7.1 Mouse Model Is Critically Dependent on TLR3 and MyD88 Pathways and Is Associated With Alterations in the Intestinal Microbiome. Diabetes, [s.l.], v. 63, n. 2, p.619-631, 18 dez. 2013. American Diabetes Association. http://dx.doi.org/10.2337/db13-1007. GIONGO, Adriana et al. Toward defining the autoimmune microbiome for type 1 diabetes. The Isme Journal, [s.l.], v. 5, n. 1, p.82-91, 8 jul. 2010. Springer Nature.

http://dx.doi.org/10.1038/ismej.2010.92.

DIAMANT, M.; BLAAK, E. E.; VOS, W. M. de. Do nutrient-gut-microbiota interactions play a role in human obesity, insulin resistance and type 2 diabetes? Obesity

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