Convivência da TVD com o serviço móvel em 700 MHz

Texto

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700 MHz

Marcus Aurélio Ribeiro Manhães*, Delson Meira, Charles Carmo Costa, Sérgio Kern

Resumo

Este artigo apresenta os resultados de testes em campo, complementares aos realizados pela Anatel, para a avaliação da convivência do sistema de TV Digital com o serviço de radiocomunicação móvel a ser atribuído na faixa de 700 MHz. Situações de interferências entre o sistema e o serviço foram constatadas e técnicas para mitigação dessas interferências foram propostas e submetidas a testes, sendo consideradas adequadas para a viabilidade da convivência entre o sistema e o serviço avaliados.

Palavras-chave: LTE 700. Convivência. Interferência LTE/TVD. Mitigação. Filtros.

Abstract

This paper presents field tests results, complementary to those coordinated by Anatel, to assess the coexistence of the Digital TV system with the service of mobile radio to be assigned at 700 MHz. Interference between the system and the service was detected and techniques for its mitigation were tested and considered efficient for the coexistence between the given system and service.

Key words: LTE 700. Coexistence. Interference LTE/DTV. Mitigation. Filters.

*Autor a quem a correspondência deve ser dirigida: manhaes@cpqd.com.br.

1 Introdução

Com a publicação da Resolução no 625

(ANATEL, 2013), o Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel – decide atribuir em caráter primário a faixa de radiofrequência de 698 a 806 MHz para o serviço móvel. Essa faixa passou a ser denominada faixa, ou banda, de 700 MHz. Originalmente, a faixa de 700 MHz estava atribuída ao serviço de radiodifusão, destinada à transmissão de sons e imagens (televisão), para os canais de 52 a 68. Os receptores de TV1

domésticos sempre estiveram preparados para receber sinais de TV em toda essa faixa. Embora já tenha sido previsto o switch off da TV analógica, transmitindo-se somente em TV Digital (TVD), qualquer alteração na destinação da faixa de frequência não havia sido definida e, portanto, a indústria manteve a produção de receptores com a canalização total – canais de 2 a 13 em VHF e de 14 a 68 em UHF (ABNT, 2007a, 2007b).

1

A partir da Resolução no 625 (ANATEL, 2013), a

nova faixa de canais de TV em UHF passou a compreender apenas os canais de 14 a 51, alocados na faixa de frequência de 470 a 698 MHz. Com isso, eliminam-se os canais de 52 a 68.

Sendo assim, o serviço de radiocomunicação passará a ocupar a região do espectro dos canais suprimidos da destinação original. A operação da radiocomunicação em banda

adjacente àquela da radiodifusão tem

implicações significativas na convivência entre os sistemas.

Previamente à alteração da destinação do espectro, foi necessário investigar qual seria o

impacto dos novos sistemas de

radiocomunicação sobre a recepção de TV. Tal avaliação se fez necessária para novos receptores e, principalmente, para aqueles que já estão em funcionamento. Esse legado foi estimado em mais de 50 milhões de receptores de TV já comercializados e distribuídos em todo país, que poderiam ser afetados por interferências.

O termo genérico TV se aplica aos sistemas de televisão digital e analógico. O termo TVD é específico para o sistema de televisão digital.

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Para efetuar a investigação, as partes interessadas, que representam os setores de radiodifusão e de telecomunicações, iniciaram estudos independentes (CPqD, 2013; SET,

2013; UNIVERSIDADE PRESBITERIANA

MACKENZIE, 2013) – de conteúdo teórico e testes laboratoriais –, a fim de prever as consequências da convivência entre os serviços. Nesses estudos, quando foram constatadas interferências, ações técnicas foram sugeridas para mitigar os efeitos indesejáveis, de modo a garantir a viabilidade da atribuição da faixa de 700 MHz.

De forma geral, os estudos independentes foram apresentados à Anatel, que, entretanto, optou por desenvolver seu próprio estudo, suportado por ensaios laboratoriais e de campo. A Agência estendeu a participação nos seus testes aos setores interessados, envolvendo radiodifusores, operadores de telecomunicação,

indústria e entidades de pesquisa e

acadêmicas. Ao final, a Agência se posicionou favoravelmente à convivência dos sistemas e prosseguiu com o leilão da faixa liberada, realizado em setembro de 2014.

Este artigo apresenta uma síntese dos

resultados de uma rodada de testes

complementares aos executados pela Anatel (SINDITELEBRASIL, 2014), realizados em Pirenópolis (GO), entre os dias 5 e 23 de maio de 2014, pelos setores envolvidos, nos quais os autores deste artigo foram coparticipantes. Registram-se, também, as proposições de técnicas de mitigação de interferências que foram consideradas adequadas para a viabilidade da convivência do sistema de TV Digital com o serviço de radiocomunicação móvel em questão.

2 Ambiente de testes

Nesta seção, são apresentados os elementos que constituem o ambiente de testes proposto pela Agência e que foram reutilizados nos testes adicionais, conforme representado na Figura 1.

TX TVD Potência/Bloco RX TVD Externo- Interno Site Oi TX LTE Potência/Canal Internet Internet Silicon tuner Can tuner Telecomando UE Sistema de medidas Downlink Uplink

Figura 1 Ambiente de testes2

2

O sistema de transmissão de TVD era composto por um transmissor capaz de operar em todos os canais da faixa de UHF, com potência de transmissão máxima ajustável de 100 W. Do conjunto de receptores de TVD utilizados pela Anatel, foram escolhidos dois receptores iDTV (integrated Digital Television), sendo um homodino (Silicon tuner) e o outro heterodino (Can Tuner).

O sistema LTE (Long Term Evolution) foi composto por uma eNodeB (Evolved Node B) e duas CPEs (Customer Premises Equipment), além de um terminal móvel (UE), operando na banda 28 do 3GPP (3rd Generation Partnership Project).

Utilizou-se um sistema de telecomando para atuar nas configurações de frequência e potência, tanto do transmissor de TVD quanto da eNodeB. Para emular o carregamento de tráfego no sistema LTE, fez-se uso de uma ferramenta de medição de desempenho de redes denominada iperf (IPERF, 2014).

Nos momentos em que foi necessário reduzir o nível do sinal recebido de TVD, para valores inferiores aos obtidos com o transmissor operando em potência mínima, adotou-se o uso de um atenuador em sua saída, como mostra a Figura 2. TX TVD Antena TX TVD Ajuste de potência entre  1W ~100 W Atenuador Antena de recepção TVD

Figura 2 Disposição de transmissor e receptor de TVD

2.1 Medidas de ACLR

A medida de ACLR (Adjacent Channel Leakage Ratio) avalia a emissão de sinais indesejáveis, oriundos de um transmissor em teste, sobre a faixa dos canais adjacentes. Nesse caso, a emissão de sinais indesejáveis do LTE pode causar interferências na recepção de TVD e, por isso, houve preocupação com a emissão desses sinais. No sistema LTE, há duas fontes de radiofrequência que devem ser avaliadas:

a) transmissor da eNodeB; e

b) transmissor do terminal de usuário (UE ou CPE).

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Na Figura 3, observam-se os valores de

emissão de espúrios decorrentes da

transmissão da eNodeB, operando com largura de faixa de 20 MHz, em máxima potência de saída, e trafegando cerca de 70 Mbps.

Os espúrios medidos nos canais de TVD observados (48, 49 e 51), conforme se vê na Figura 3, apresentam-se aproximadamente 103 dB abaixo da potência máxima emitida (+45,32 dBm). Essa leitura, de fato, representa o piso de ruído do instrumento utilizado, na configuração adotada para as medidas. Consequentemente, a emissão de espúrio real pode ainda ser menor.

Considerando o valor encontrado, o piso de ruído presente no conector de radiofrequência do transmissor da eNodeB, sobre os canais de TVD, seria de aproximadamente -48 dBm. Na emissão radiada da eNodeB, o valor obtido de forma conduzida à porta de RF seria acrescido do ganho da antena utilizada no sistema. O resultado é melhor que o limite de emissão de -13 dBm, definido pelo 3GPP (2011, 2012a, 2012b, 2012c).

Ref Level 32.5 dBm  VBW 100Hz  ATT 35 dB

Offset 37.5dB SWP 6,8s  RBW 30kHz CF 773 MHz

Bandwidth 20 MHz Power 45.32 dBm

Channel Bandwidth Offset Lower Upper

CH‐51 5.570 MHz 77.857 MHz ‐103.46 dB ‐103.14 dB CH‐49 5.570 MHz 89.857 MHz ‐103.23 dB ‐103.19 dB CH‐48 5.570 MHz 95.857 MHz ‐103.43 dB ‐103.05 dB 20 dBm 0 dBm ‐20 dBm ‐40 dBm ‐60 dBm

Figura 3 Medida de ACLR para LTE com

bandwidth de 20 MHz

Na medida de ACLR do uplink, realizada para a CPE e apresentada na Figura 4, nota-se que, para a faixa ocupada pelos canais de TVD 50 e 51, com leitura de resultado obtida apenas para esse último, o valor -33 dBm é elevado, pois potencializa a ocorrência de interferência na recepção desses canais de TVD. Ao ser considerado o limite adotado pelo 3GPP, pode-se prever que, com atendimento estrito ao limite da norma, seria ainda mais crítico obter a convivência satisfatória dos sistemas.

Ref Level -1 dBm VBW 100Hz ATT 15 dB Offset 39dB SWP 6,8s RBW 30kHz       CF 718 MHz -100 -80 -60 -40 -20 0 Bandwidth 20 MHz Power 23.22 dBm Channel Bandwidth Offset Lower Upper

CH-51 5.570 MHz 22.857 MHz -33.10 dB -30,44 dB CH-49 5.570 MHz 34.857 MHz -75.85 dB -74.73 dB CH-48 5.570 MHz 40.857 MHz -76.66 dB -76.72 dB CH-47 5.570 MHz 46.857 MHz -76.62 dB -76.24 dB CH-40 5.570 MHz 88.857 MHz -76.45 dB -76.58 dB CH-39 5.570 MHz 94.857 MHz -76.54 dB -76.74 dB CH-38 5.570 MHz 100.857 MHz -76.71 dB -76.58 dB

Figura 4 Medida de ACLR da CPE para LTE com

bandwidth de 20 MHz

2.2 Teste de interferência do downlink e

uplink LTE na TVD

Os testes de interferência na TVD, provenientes do LTE em downlink e uplink, foram realizados em condições extremas. Para o downlink, a recepção de TVD se deu através de antena externa passiva, com distância de 10 metros entre ela e a antena da eNodeB, alinhadas no mesmo plano horizontal.

Para o uplink, com uso de antena interna passiva, o afastamento em relação ao terminal foi de um metro, com o terminal posicionado de modo a produzir o maior nível do sistema LTE na recepção da TVD. Assim, a convivência foi avaliada em Minimum Coupling Loss, buscando-se a maior interferência.

Em todos os testes, objetivou-se identificar a Relação de Proteção (Protection Ratio – Pr). Considerando a alocação espectral distinta para TVD e LTE, a Relação de Proteção é definida como a diferença máxima entre os níveis de potência dos sinais desejados e interferentes (TVD/LTE), a partir da qual a recepção se torna degradada (ERC, 1999; ITU-R, 2012). Conforme mostra a Figura 5, a Relação de Proteção máxima decorre do maior nível LTE, sobreposto à recepção de TVD, sem causar, porém, efeitos interferentes em sua imagem.

692 698 Canal 51 703 708 713 718 723  MHz LTE Bloco 2 3 Relação de Proteção máxima Banda de  guarda

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2.2.1 Interferência por frequência imagem

A interferência do LTE por frequência imagem pode ocorrer em receptores TVD heterodinos (Can Tuner) desde que:

Frequência do canal de TV = Frequência do LTE – (2 x 44 MHz)

em que 44 MHz é o valor da frequência intermediária (FI), adotada nos receptores de TVD, de acordo com a norma ABNT NBR 15604 (ABNT, 2007b).

Assim, foi avaliada a convivência da TVD com os segmentos LTE em uplink e downlink,

denominados blocos de subfaixas de

frequência, com largura de 5 MHz cada, conforme Resolução no 625 (ANATEL, 2013).

Na Tabela 1 constam resultados da Relação de Proteção e o status de recepção.

Tabela 1 Relação de Proteção para batimento de FI Canal Blocos  interferentes Pr (dB)  mínima  Status da TV  p/ RX ‐74dBm 38 B1 615 620 ‐36 normal 39 B2 e B3 620 630 ‐35 normal 40 B2 a B5 620 640 ‐32 normal Canal Blocos  interferentes Pr (dB)  Status da TV  p/ RX ‐74dBm 47 B1 670 675 ‐37 bloqueada 48 B2 e B3 675 685 ‐40 bloqueada 49 B2 a B5 675 695 ‐44 bloqueada U p lin k Do w n lin k Uplink ‐ (2 x FI)  (MHz) Uplink ‐ (2 x FI)

Dos resultados, é possível observar que, nos receptores heterodinos, há suscetibilidade à interferência proveniente do LTE. Sendo assim, para uma recepção da TVD satisfatória é necessário garantir uma Relação de Proteção mínima, conforme indicado na coluna Pr. Para a interferência de downlink, não foi suficiente atender ao critério da Relação de Proteção. A presença de sinais fortes

provenientes do LTE (>= 12 dBm)

dessensibilizava o receptor de TVD, exigindo níveis de recepção do sinal de TVD superiores a -35 dBm, para que a imagem não apresentasse falhas.

2.2.2 Interferência por sinais adjacentes

A interferência causada por sinais em canais adjacentes pode ocorrer nas situações nas quais não há sobreposição espectral. Essa condição é pertinente à alocação contígua à da TVD pelo LTE, conforme determinado na

Resolução no 625 (ANATEL, 2013).

A configuração de carregamento do LTE foi de 100%, quando da análise da interferência de

uplink. O downlink foi avaliado em idle mode, ou

seja, sem o carregamento do sistema, porque nessa situação já se observava a saturação do

receptor de TVD, que predominaria no cenário de carregamento máximo, impedindo a determinação de uma Pr.

Tabela 2 Relação de Proteção para canal adjacente

Canal interferentesBlocos  mínimaPr (dB)  p/ RX ‐74dBm Status da TV 

51 B1 703 708 ‐30 normal 51 B2 e B3 708 718 ‐29 normal 51 B2 a B5 708 728 ‐30 normal 51 B1 703 708 ‐30 normal 51 B2 e B3 708 718 ‐30 normal 51 B2 a B5 708 728 ‐30 normal

Canal interferentesBlocos  mínimaPr (dB)  p/ RX ‐74dBm Status da TV 

51 B1 758 763 ‐45 normal 51 B2 e B3 763 773 ‐47 bloqueada 51 B2 a B5 763 783 ‐45 bloqueada 51 B1 758 763 ‐47 bloqueada 51 B2 e B3 763 773 ‐47 bloqueada 51 B2 a B5 763 783 ‐48 bloqueada Do w n li n k Uplink (MHz) Ca n   Sil ic o n Up li n k Uplink (MHz) Ca n   Silic o n

Na Tabela 2, nota-se que, na convivência com o

uplink LTE em 100% de carregamento, não se

manifestou o fenômeno de dessensibilização do receptor TVD. Por isso, cumprindo-se a Pr mínima, foi possível receber adequadamente sinais de TVD com -74 dBm.

Para a convivência com o downlink, na presença de sinais interferentes com níveis

elevados, o receptor de TVD sofria

dessensibilização. Assim, quando o nível do sinal desejado era baixo, a recepção tornava-se impraticável e, portanto, não era viável cumprir a Pr mínima. Nesses casos, os valores de Pr apontados foram obtidos com a redução do sinal de LTE, para evitar a dessensibilização do receptor de TVD.

2.2.3 Interferência de uplink com terminal em competição de tráfego

Uma avaliação adicional foi obtida com a situação em que o terminal UE competia por tráfego com duas CPEs, conforme cenário apresentado na Figura 6. Antena Interna Receptor TVD Analisador de espectro CPE’s UE Uplink Downlink Downlink Uplink

Figura 6 Cenário com mais de um usuário

Nessa situação, a condição de carregamento não é constante, pois o sistema atribui

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dinamicamente os recursos aos usuários ativos, provocando variações no sinal LTE, que influencia o Controle Automático de Ganho (CAG) do receptor de TVD, e resultando, consequentemente, em um funcionamento degradado do receptor.

Na Tabela 3, registra-se a obtenção de Pr para a condição de um usuário ativo, com 100% de tráfego canalizado para si. Efetua-se a reavaliação da Pr decorrente da interferência desse usuário, quando este está competindo por tráfego com outros dois usuários, porém distantes do receptor de TVD em avaliação, e que também estejam acessando a eNodeB LTE. Em tal cenário, modificou-se o critério de proteção, pois a recepção de TVD ficou bloqueada. Apesar de o nível recebido do sinal LTE ser menor nessa situação, sua interferência foi maior, pois ocorreu a variação de amplitudes máximas em curtos intervalos de tempo. Isso é característico do funcionamento do uplink LTE e, consequentemente, atua de forma negativa no receptor de TVD.

Tabela 3 Interferência em tráfego compartilhado

Número de  usuários  RX TVD RX LTE Pr (dB)  mínima RX TVD 1 ‐68 ‐24 ‐44 normal 3 ‐64 ‐28 não obtida bloqueado 3 Mitigação de interferências

Com base nas análises apresentadas

anteriormente, verifica-se que a possibilidade de interferência do LTE na recepção da TVD é real e, portanto, deve ser mitigada para a convivência dos sistemas, decorrente da reatribuição espectral.

Conforme apresenta a Tabela 4, constata-se, neste estudo, que a predominância da interferência está relacionada com o tipo de antena utilizada e com a origem do sinal interferente. Sendo assim, observa-se a predominância da interferência oriunda do

uplink quando é utilizada antena interna e do

downlink quando é utilizada antena externa.

Tabela 4 Predominância da interferência

Uplink LTE Downlink LTE Downlink LTE Uplink LTE Int e rn a Ex te rn a Interferente  predominante Interferente  coadjuvante Antena  Rx TVD Interferência a ser mitigada

A técnica de mitigação descrita neste artigo se resume ao uso de filtros interpostos à entrada do receptor de TVD.

A mitigação foi avaliada para todos os blocos disponíveis no equipamento LTE. Entretanto, este artigo limita-se a apresentar os resultados para o LTE operando nos blocos 2 e 3 (10 MHz).

3.1 Mitigação de interferência de downlink

Na avaliação da mitigação de interferência causada pelo downlink, com uso de antena externa, o carregamento do LTE foi de 100%, com menor afastamento entre antenas, a fim de garantir o Minimum Coupling Loss e obter, assim, o cenário de pior caso de convivência entre os sistemas. Os resultados apresentados limitam-se à análise de dois filtros passa-baixas (F1 e F2), de marcas distintas. Foram utilizados dois receptores de TVD, sendo um deles homodino (Silicon Tuner) e o outro, heterodino (Can Tuner).

Tabela 5 Efetividade do filtro no downlink

Receptor Canal de TV Filtro RX TVD (dBm) LTE(dBm)RX  Efetividade do filtro 48 F1 ‐78 ‐62 não efetivo 48 F2 ‐76 ‐31,4 não efetivo 51 F1 ‐82 ‐59 efetivo 51 F2 ‐79 ‐32 efetivo 48 F1 ‐79 17 efetivo 48 F2 ‐74 17 efetivo 51 F1 ‐82 ‐59 efetivo 51 F2 ‐79 ‐32 efetivo Can Tuner Silicon  Tuner

Na Tabela 5, nota-se que a presença dos filtros nem sempre foi suficiente para mitigar a interferência decorrente do downlink, em operações nos blocos 2 e 3, para o receptor

Can Tuner. Todavia, em relação ao receptor

Silicon Tuner, a interferência foi mitigada.

3.2 Mitigação de interferência de uplink

Na avaliação da mitigação de interferência causada pelo uplink, com uso de antena interna, foi utilizado o carregamento de 100% em

Minimum Coupling Loss.

Os resultados apresentados neste artigo limitam-se à análise de dois filtros (F1 e F2) passa-baixas, de marcas e modelos distintos. Foram utilizados dois receptores de TVD: um homodino (Silicon Tuner) e outro, heterodino (Can Tuner).

Na Tabela 6, nota-se que a presença dos filtros nem sempre foi suficiente para mitigar a interferência decorrente do uplink operando nos blocos 2 e 3 para o Can Tuner. Em relação ao receptor Silicon Tuner, a interferência foi mitigada.

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Tabela 6 Efetividade do filtro no uplink Receptor Canal de  TV Filtro RX TVD  (dBm) RX  LTE(dBm) Efetividade  do filtro 39 F1 ‐76 ‐52 efetivo 39 F2 ‐74 ‐32 não efetivo 51 F1 ‐75 ‐52 não efetivo 51 F2 ‐75 ‐32 não efetivo 51 F1 ‐75 ‐52 efetivo 51 F2 ‐75 ‐32 efetivo Can Tuner Silicon  Tuner 4 Conclusão

Este artigo apresentou uma síntese dos resultados de testes complementares aos estudos coordenados pela Anatel (2014a, 2014b). Os testes foram realizados em Pirenópolis (GO), entre os dias 5 e 23 de maio de 2014, pelos setores de radiodifusão e de telecomunicações.

A atribuição, em caráter primário, da faixa de radiofrequências de 698 MHz a 806 MHz para o serviço móvel, a partir da publicação da

Resolução no 625 (ANATEL, 2013), pelo

Conselho Diretor da Agência Nacional de Telecomunicações, implica que a faixa de TV em UHF passe a ser de 470 a 698 MHz. Como consequência, canais de televisão que estejam acima do limite de 698 MHz devem ser realocados, a fim de liberar a parcela do espectro de radiofrequência para o serviço de radiocomunicação.

Considerando a atribuição de espectro original, a indústria ainda mantém a produção de receptores de TVD com a canalização total, ou seja, canais de 2 a 13 em VHF e de 14 a 68 em UHF. Portanto, os receptores de TVD estão sujeitos aos efeitos decorrentes de sinais de outro sistema, que não os de TV, em sua faixa de recepção.

Por isso, a operação da radiocomunicação em banda adjacente àquela da radiodifusão tem implicações significativas na convivência entre os sistemas, implicações estas que podem afetar o legado de receptores de TVD em todo país.

Neste estudo, constatou-se que a

predominância da possibilidade de interferência decorrente do LTE correlaciona-se com o tipo de antena utilizada na recepção de TV e com a fonte do sinal interferente. Observa-se a predominância da interferência oriunda do

uplink LTE quando é utilizada antena interna e

do downlink LTE quando é utilizada antena externa.

Nas medidas de ACLR, foi observado que os equipamentos LTE apresentam emissões indesejadas abaixo do que está estabelecido nas especificações que norteiam a produção industrial, contidas no padrão 3GPP. Observou-se que, praticamente, não ocorreram situações

interferentes em decorrência de espúrios. Porém, se essas emissões resultassem em valores mais próximos aos limites especificados no padrão 3GPP, poderiam ocorrer mais casos de interferência, tanto decorrentes de uplink, quanto de downlink. O cumprimento estrito dos limites definidos nas normas aplicáveis poderá resultar em observações de interferências não mitigáveis.

Na avaliação de interferência do LTE que incide em frequência imagem, constatou-se que pode haver interferência em receptores de TVD heterodinos, se a frequência do canal de TVD a ser recebido estiver 88 MHz abaixo do sinal LTE.

Quando foi avaliada a interferência proveniente de downlink, observou-se que a aproximação da eNodeB com as antenas externas de recepção de TVD causa sinais fortes que dessensibilizam os receptores, exigindo níveis mais elevados de recepção do sinal de TVD para que a imagem não apresente falhas.

Na avaliação da interferência proveniente do

uplink, quando o sistema atribui dinamicamente

os recursos aos usuários ativos, ocorrem variações no sinal LTE. Isso influencia o CAG do receptor de TVD e, consequentemente, resulta em um funcionamento degradado do receptor, potencializando efeitos interferentes. Com base nas análises apresentadas, verificou-se que a possibilidade de interferência do LTE na recepção da TVD é real e, portanto, para uma recepção de TVD satisfatória, é necessário garantir uma Relação de Proteção mínima entre os sinais dos sistemas envolvidos. Sendo assim, as interferências devem ser mitigadas para a adequada convivência dos sistemas. A técnica de mitigação avaliada neste artigo se resume ao uso de filtros interpostos à entrada do receptor de TVD, limitando-se a apresentar os resultados para o LTE operando nos blocos 2 e 3 (10 MHz).

De acordo com os resultados, o uso de filtros passa-baixas para mitigar a interferência causada pelo downlink, em recepção de TVD usando antena externa, não se mostrou suficiente em todos os casos.

Na avaliação da mitigação de interferência causada pelo uplink, com uso de antena interna, os resultados apresentados também mostram que nem sempre os filtros foram suficientes para mitigar a interferência.

Considera-se que a técnica de mitigação por uso de filtro é bastante favorável para controlar as possíveis interferências. Porém, torna-se necessário estabelecer máscara de resposta em frequência mais adequada aos fenômenos interferentes, distinguindo-os para o controle de efeitos decorrentes de downlink e de uplink.

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Referências

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