CURSO DE CIÊNCIAS CONTÁBEIS
KARINA DOS SANTOS DA SILVA
QUAL O (B) ÔNUS DE PERMANECER TRIBUTADO PELO SIMPLES NACIONAL EM 2018?
Florianópolis - SC 2017
QUAL O (B) ÔNUS DE PERMANECER TRIBUTADO PELO SIMPLES NACIONAL EM 2018?
Monografia apresentada junto ao curso de ciências contábeis da Universidade Federal de Santa Catarina na área de concentração de planejamento tributário, como quesito parcial à obtenção do título em bacharel em contabilidade.
Orientador: Professor Dr. Sérgio Murilo Petri.
Florianópolis - SC 2017
minha mãe Ida Maris por ter me instruído valores. Às minhas irmãs Nathalya Maris, Kamila Maria, Thais dos Santos e Maria Luiza dos Santos e ao meu irmão Guilherme dos Santos pela compreensão diária. Ao meu pai Vilson Deoclésio por ter me guiado na escolha do curso.
Agradeço ao Professor Dr. Sérgio Murilo Petri, por ter aceito essa proposta e orientado de forma distinta e eficiente. Em nome dele, estender o agradecimento a todos os professores que lecionaram desde o meu início na graduação, cada um com a sua didática (boa ou ruim), me acrescentou em alguma coisa que carrego como aprendizado de algum jeito.
Aos colegas de faculdade e àquelas que conviviam comigo diariamente: Bruna Sales, Letícia Padilha, Mônica Elisa, Alaide Nocetti e Jessica Fabre; agradeço pela motivação. Estendendo aos demais amigos e colegas que não conviveram conjuntamente essas experiências, mas que estiveram do meu lado sempre.
Às colegas de trabalho Sibel Uggioni, Roberta Cabral e Débora Casaril por darem comigo o primeiro passo, me orientarem desde o início desta jornada, me dando todo apoio necessário para que se conclua. Estendo esses cumprimentos ao Departamento de Contabilidade e Finanças da UFSC e ao setor financeiro pela oportunidade e aprendizagem.
Ao Gabriel Coelho pelo incentivo e acolhimento às dúvidas e incertezas encontradas nesta caminhada.
As palavras ditas aqui serão incapazes de expressar toda a gratidão e carinho por cada um de vocês. Muito obrigada!
PELO SIMPLES NACIONAL EM 2018? . 54p. Monografia do Curso de Ciências
Contábeis. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis.
A Constituição Federal de 1988 previa o tratamento jurídico diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte e primeira lei que acolheu essas empresas foi a Lei nº 9.317de 1996 que instituía o SIMPLES a fim de incentivá-las à simplificação de suas obrigações tributárias. Logo a Lei Complementar nº 123/2006 uniformizou os conceitos para ME e EPP enquadrando-as com base na receita bruta anual. Hoje, 99% das empresas brasileiras são pequenos negócios e vê-se a importância do amparo à elas. Com isso veio a Lei Complementar nº 155/2016, principal objeto desta pesquisa, com o intuito de simplificar ainda mais o sistema de apuração dos impostos para empresas optantes pelo Simples Nacional. A pesquisa objetiva mensurar qual o (b) ônus em permanecer tributado pelo Simples Nacional analisando as mudanças propostas para o ano de 2018. Para alcançar o objetivo proposto buscou-se coletar dados de janeiro de 2016 até junho de 2017, de três empresas atuantes nas áreas de comércio, serviço de fisioterapia e serviço de estética e simular como se a LC nº 155/2016 já estivesse em vigor. Como instrumento utilizado foi feito um levantamento de dados a partir de informações fornecidas por outra empresa em poder destas. As informações foram organizadas em planilha eletrônica, foi efetuado o cálculo da alíquota efetiva e comparado com a alíquota nominal da LC nº 123/2006. Como resultados obtidos a empresa de comércio e a prestadora de serviço de estética apresentaram bônus se a lei em análise já estivesse vigente; já a empresa que presta serviços de fisioterapia, em sua maioria, apresentou ônus, visto que o valor da folha de pagamento e o faturamento são fatores decisivos no anexo a ser tributado. Para cada caso faz-se necessário o uso do planejamento tributário como instrumento de elisão fiscal.
Quadro 2: L.C. nº 155/2016 e as principais alterações à L.C nº 123/2006...18 Quadro 3: Estudos sobre mudanças no Simples Nacional...20
Tabela 2: Alfa - Revendedora de Móveis...26 Tabela 3: Delta - Prestadora de Serviços de Fisioterapia...28 Tabela 4: Gama - Prestadora de serviços de estética...30
Gráfico 2: Tributos pagos e tributos orçados – Anexo III (fisioterapia)...29 Gráfico 3: Tributos pagos e tributos orçados – Anexo III...31
SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO...8 1.1 CONTEXTO...8 1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA...10 1.3 OBJETIVOS...10 1.3.1 Objetivo geral...10 1.3.2 Objetivos específicos...11 1.4 JUSTIFICATIVAS...11 1.5 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA...12 1.6 ORGANIZAÇÃO DA PESQUISA...12 2 REFERENCIAL TEÓRICO...14 2.1 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO...14 2.2 SIMPLES NACIONAL...15
2.2.1 Impostos Recolhidos pelo Simples Nacional...15
2.2.2 Lei Complementar nº 155/2016 e as principais alterações à L.C. nº 123/2006...16
2.3 ESTUDOS ANTERIORES...18 3 METODOLOGIA...22 3.1.1 Enquadramento da pesquisa...22 3.1.2 Instrumentos Utilizados...22 3.1.3 Procedimentos Metodológicos...23 3.1.4 Considerações...23
4 APRESENTAÇÃO DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS...25
4.1 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS...25
4.1.1 Análise de Comércio...25
4.1.2 Análise de Serviços...27
4.1.3 Analise dos dados...31
4.2 ANÁLISES DOS RESUTLADOS...32
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS...34
5.1 QUANTO AO PROBLEMA DE PESQUISA...34
5.2 QUANTO AOS OBJETIVOS DE PESQUISA...35
5.3 LIMITAÇÕES...35
5.4 RECOMENDAÇÕES PRA FUTURAS PESQUISAS...36
1 INTRODUÇÃO
Neste capítulo serão abordadas noções introdutórias para entendimento do leitor sobre o desenvolvimento do cenário do tema abordado. Posteriormente serão apresentados os objetivos e a justificativa da pesquisa e ao final serão descritas as delimitações e a forma em que este trabalho está organizado.
1.1 CONTEXTO
A discussão que entorna planejamento tributário e a significativa carga tributária brasileira vem frequentemente sendo pauta de inúmeras pesquisas. O Brasil passa por uma adaptação às Normas Internacionais de Contabilidade, o que afeta todas as empresas, e as pesquisas que envolvem mudanças têm sido de grande importância da geração de informações. Em consonância com as mudanças, vem a preocupação com as Micro e Pequenas Empresas, bem como a saúde financeira das mesmas e o impacto na receita pública.
O primeiro país a se preocupar com as Micros e Pequenas Empresas (MPE) foi os Estados Unidos em 1942 com o Smaller War Plants Corporation (SWPC) no período da Segunda Guerra Mundial com a função de “promover a utilização efetiva de pequenas empresas que produzem material de guerra e suprimentos civis essenciais” (MATCHETTE, 1995). O SWPC foi dissolvido após a guerra com o Small Protection Plants Administration (SDPA) e regularizado em 1952 com o Small Business Administration (SBA - agência que administra pequenas empresas) vigente até os dias de hoje (SBA, 2017).
No Brasil, a Constituição Federal de 1988 impunha tratamento jurídico diferenciado às MPE, com o intuito de incentivá-las à simplificação de suas obrigações. Com isso, a lei nº 9.317 de 1996 dispunha sobre o regime tributário das microempresas e empresas de pequeno porte que instituía o SIMPLES (Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte) e demais providências. O SIMPLES implica o pagamento mensal e unificado de impostos e contribuições como o IRPJ (Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas), PIS/PASEP (Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público), CSLL (Contribuição Social sobre
o Lucro Líquido), COFINS (Contribuição para Financiamento da Seguridade Social), IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica (BRASIL, 1996).
A regra veio com a finalidade de simplificar (como o nome já diz) o pagamento dos tributos e o recolhimento aos cofres públicos. O quadro a seguir mostra as alíquotas aplicadas às microempresas que podiam optar pela tributação simplificada (exceto as descritas no capítulo V, art. 9 a 11da Lei nº 9.317/1996):
Tabela 1: Alíquotas aplicadas às microempresas.
Faixas de Faturamento Alíquotas
Até R$ 60.000,00 3%
De R$ 60.00,01 a R$ R$ 90.000,00 4%
De R$ 90.00,01 a R$ R$ 120.000,00 5%
De R$ 120.00,01 a R$ R$ 240.000,00 5,4%
Fonte: Elaborado pela autora através da base BRASIL (1996).
Com relação às EPP, o percentual de alíquota aumentava gradativamente quatro pontos percentuais a cada R$ 120.000,00 de receita bruta anual auferida. No caso de a Pessoa Jurídica for contribuinte de IPI, os percentuais referidos eram acrescidos de meio ponto percentual.
A Lei Geral das Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), Lei Complementar nº 123/2006, uniformizou o conceito de Micro Empreendedor Individual (MEI), ME e EPP enquadrando-as com base na receita bruta anual, deste modo “a microempresa será a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário, devidamente registrados nos órgãos competentes, que aufira em cada ano calendário, a receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00” (SEBRAE, 2016). Sendo assim, as EPP são sociedades que auferem receita bruta anual entre R$ 360.000,01 e R$ 3.600.000,00.
Ao analisar isoladamente, um Pequeno Negócio pode não ter tanta expressividade, mas ao analisar as 8,9 milhões de micro e pequenas empresas (99% do total de empresas brasileiras), pode-se ver que estas são as principais geradoras de riqueza no setor de comércio brasileiro, representando 53,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor e 27% do PIB brasileiro em 2011 (SEBRAE, 2014). Os pequenos negócios ainda são responsáveis por cerca
de 52% dos empregos com carteira assinada e 1% das exportações brasileiras. Assim sendo, as MPE são de suma importância para a economia brasileira.
1.2 FORMULAÇÃO DO PROBLEMA
O Brasil vem se destacando com a maior carga tributária nos últimos anos em confrontação aos BRICS (países-membro: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, que formam um grupo político de cooperação), chegando a 32,66% do PIB em 2015, segundo dados do sítio eletrônico da Receita Federal. Os pequenos negócios vêm sofrendo para ajustar-se ao mercado e faz-se necessário um planejamento tributário eficaz para se manterem ativos no mercado.
Diante deste contexto, o problema de pesquisa entorna a seguinte questão: Qual o (b)
ônus em permanecer tributado pelo Simples Nacional em 2018? Ou seja, perante a Lei
Complementar nº 155/2016 que altera a L.C. nº 123/2006, qual a vantagem ou a desvantagem de continuar optante pelo Simples Nacional, sem a hipótese de ser tributada por outra forma de apuração de pagamento dos impostos. Neste caso a pesquisa consiste em analisar a mesma forma de tributação mediante de dois cenários.
1.3 OBJETIVOS
Como forma de operacionalizar o problema de pesquisa acima, estabeleceu-se os objetivos gerais e específicos deste trabalho, na intenção de solvê-los, evidenciados nos tópicos conseguintes.
1.3.1 Objetivo geral
Como objetivo geral do presente trabalho, tem-se mensurar qual o (b) ônus em permanecer tributado pelo Simples Nacional no ano de 2018, com essa substituição da Lei Complementar nº 123/2006 pela a Lei Complementar nº 155/2016.
1.3.2 Objetivos específicos
Como objetivos secundários, serão analisadas as mudanças propostas para o ano de 2018 pela Lei Complementar nº 155, de 2016:
Levantar dados de uma empresa em 2016 até junho de 2017;
Simular se a Lei Complementar nº 155, de 2016 já estivesse em vigor qual seria o valor do tributo a recolher;
Comparar os resultados com a Lei Complementar nº 126, de 2006 X Lei Complementar nº 155, de 2016.
1.4 JUSTIFICATIVAS
A taxa de falência das MPEs brasileiras após dois anos de abertura supera 26%, “em 2010, 58% das empresas de pequeno porte fecharam as portas antes de completar cinco anos” (PORTAL BRASIL, 2012). O acompanhamento das preferências de consumo estende o alcance e a importância dos conhecimentos estratégicos para atingir a estabilidade ou a excelência. Um dos instrumentos que faz parte do conhecimento estratégico é o planejamento tributário, que visa a melhor forma de desonerar a carga tributária.
É importante enfatizar que o aumento do diálogo entre os diferentes setores produtivos possibilita uma melhor visão global do orçamento setorial e que carga tributária tem sido instrumento de constantes reflexões e debates no Brasil. Barbosa (2016) abordou o tema voltado para empresas de serviços tributadas pelo anexo III, IV e VI. Deste modo, ficaram pendentes empresas atuantes no setor de comércio e indústria, tributadas pelos anexos I e II respectivamente e, como já abordado anteriormente, o setor de comércio possui uma influência significativa na geração de riqueza do Brasil.
1.5 DELIMITAÇÃO DA PESQUISA
A pesquisa delimita-se quanto ao aspecto temporal, populacional, entre outros. O aspecto temporal consiste no período em que a pesquisa ocorrida está reduzida e o aspecto populacional define quem será o objeto de pesquisa. As empresas analisadas estão abrangidas por até três anexos, a limitação de população se dá por não ter acesso à diversidade de setores e analisar todos os anexos. Quanto ao aspecto temporal, como a análise será feita a partir de eventos passados, a pesquisa não prevê a ascensão ou estabilidade financeira das entidades estudadas e, por consequência, as alíquotas aplicadas às faixas de faturamento não alcançadas anteriormente que podem passar a se realizar; além do que a pesquisa está sendo feita no ano de 2017, anterior à vigência da Lei em análise.
1.6 ORGANIZAÇÃO DA PESQUISA
Com o objetivo de organizar o trabalho e assim ter um melhor entendimento do estudo, esta pesquisa será distribuída em cinco capítulos.
O primeiro capítulo aborda noções introdutórias sobre o surgimento e desenvolvimento do cenário do assunto tratado, bem como os objetivos geral e específico, a justificativa para a abordagem do tema e as demarcações.
No segundo capítulo serão abordados alguns conceitos de planejamento tributário como: ramo da gestão tributária; os impostos que são recolhidos pelo Simples Nacional; as bases de cálculo e as alíquotas aplicadas em aspectos gerais; e estudos anteriores que abrangem o tema.
O terceiro capítulo visa apresentar os procedimentos metodológicos utilizados para fomentar a pesquisa, assim como a natureza em que a pesquisa está enquadrada, os instrumentos utilizados para coletar os dados e os demais procedimentos que auxiliaram na busca pelo objetivo proposto.
No quarto capítulo serão apresentados os resultados obtidos com o estudo aplicado nas empresas selecionadas e comparado com os estudos anteriores pesquisados nas bases de dados abordadas no final do segundo capítulo.
E no quinto capítulo retomará os objetivos propostos e os questionamentos apresentados no início, com o intuito de certificar se o problema de pesquisa foi solucionado e se os objetivos foram alcançados. Ao final do capítulo serão descritas sugestões para pesquisas futuras a partir das limitações encontradas.
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Neste capítulo serão abordados alguns conceitos sobre gestão e planejamento tributário, bem como abordar resumidamente, para entendimento do leitor, os impostos que são recolhidos pelo Simples Nacional, as suas bases e as alíquotas aplicadas em aspectos gerais.
2.1 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO
Planejamento tributário é um fragmento da gestão tributária e do planejamento empresarial que focaliza tributos, bem como suas inferências no funcionamento de uma organização, visando diminuir os custos referentes à tributação (impactando o resultado) e a economia de impostos. O método lícito de planejar a forma de tributação denomina-se Elisão Fiscal. O inverso da Elisão Fiscal é a Evasão Fiscal, caracterizado como método ilícito para evitar o pagamento dos tributos, ou seja, a sonegação.
Zanluca (2017) conceitua planejamento tributário como “um conjunto de sistemas legais que visam diminuir o pagamento de tributos”. A Elisão fiscal pode ser compreendida em duas formas: aquela decorrente diretamente da lei ou resultante de brechas existentes nesta.
O Planejamento Tributário não pode ser confundido com a gestão tributária, esta possui um conceito muito mais amplo. A gestão tributária é um método de gerenciamento dos aspectos tributários, uma ferramenta tão ou mais valorosa do que qualquer outro tipo de gestão estratégica, pois, diferente destes, a gestão tributária pode ser empregue por todos os agentes, independente do ramo do negócio. “A gestão tributária envolve a observância de todas as questões relacionadas à hipótese de incidência, ao fato gerador, à obrigação tributária, ao lançamento e ao crédito tributário” (SIQUEIRA, 2011).
2.2 SIMPLES NACIONAL
No subcapítulo descrito a seguir estão explicitados, em compêndio, os tributos recolhidos na abrangência do Simples Nacional, as bases de cálculo referente a cada tributo e as alíquotas aplicadas a essas bases, abordados de forma geral, ou seja, como são aplicados comumente.
2.2.1 Impostos Recolhidos pelo Simples Nacional
Em 2016, a todos os anexos implicam quatro impostos: IRPJ, CSLL, COFINS e PIS/PASEP. Dependendo do ramo de atuação, adiciona-se: CPP para comércio, indústria e serviços para empresas tributadas pelos anexos I, II, III, V e VI da Lei Complementar nº123/2006; ICMS para comércio e indústrias tributadas pelos anexos I e II; e IPI apenas para as empresas tributadas pelo anexo II.
Conceitualmente, são os impostos recolhidos pelo Simples Nacional:
IRPJ
Como o próprio nome já diz, é o imposto cuja alíquota é aplicada sobre a renda das empresas com cadastros jurídicos, ou seja, sobre o lucro da empresa. Empresas tributadas anualmente pelo lucro
real, presumido ou arbitrado, inferem a alíquota de 15% (quinze por cento), podendo ter um adicional de 10% (dez por cento) sobre a parcela que exceder a R$ 240.000,00 (duzentos e
quarenta mil reais).
CSLL Também incide sobre o lucro das entidades, antes da provisão do Imposto de Renda. Na maioriadas empresas a alíquota é de 9%; esse cenário só modifica para entidades financeiras e equiparadas, em que a alíquota aplicada passa a ser 15%.
PIS/PASE P
A alíquota é aplicada sobre a receita bruta de seus contribuintes. Consideram-se contribuintes “as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhe são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, inclusive empresas prestadoras de serviços, empresas públicas e sociedades de economia
mista e suas subsidiárias” (PORTAL TRIBUTÁRIO, 2017a).
COFINS Também incide sobre a receita bruta destinada a custear a seguridade social. A alíquota é de 3%ou 7,6% (na qualidade de não cumulativa).
IPI
Incide sobre o faturamento das operações definidas como industrialização na regulamentação, independente de ser incompleta, parcial ou intermediaria, ou seja, o faturamento aplicado à alíquota, cuja varia de acordo com o produto e definidas por meio de decretos, serve de base de
cálculo para os demais tributos.
ICMS É o imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviçosde transporte interestadual, intermunicipal e de comunicação. A alíquota pode variar de 7% (para alimentos básicos) a 25% (para produtos supérfluos), mas no geral é utilizada a alíquota de 17%.
CPP A Contribuição para a Seguridade Social a cargo da pessoa jurídica está destinada a assegurar odireito relativo à saúde, à previdência e à assistência social. A alíquota também é variável à remuneração.
ISS Incide sobre receita bruta de serviços de qualquer natureza, sendo de competência dos Municípiose Distrito Federal. A alíquota mínima aplicável é de 2% e a máxima de 5% dependendo do serviço prestado.
Quadro 1: Impostos recolhidos pelo Simples Nacional.
Fonte: Elaborado pela autora através da base Portal Tributário (2017).
Cabe ressaltar que os impostos mencionados não estão conectados conjuntamente a todos os anexos e nestes são apresentados o percentual de repartição dos tributos particularmente aplicados ao Simples Nacional, podendo a carga tributária de cada um diferenciar-se pelo anexo ou pela faixa de faturamento.
2.2.2 Lei Complementar nº 155/2016 e as principais alterações à L.C. nº 123/2006.
A Lei Complementar nº 155 de 27 de outubro de 2016 veio com o objetivo de “reorganizar e simplificar a metodologia de apuração do imposto devido por optantes pelo Simples Nacional” (BRASIL, 2016). A primeira mudança já vem no inciso II do artigo 3º quando estende o limite de faturamento das EPP de R$ 3,6 milhões para R$ 4,8 milhões, apesar de alguns projetos de lei complementar para alterar a Lei Complementar nº 123/2006 proporem aumentos de R$ 7 milhões a R$ 14 milhões com o objetivo de permitir que mais empresas possam ingressar no Simples Nacional (BRASL, 2007). Porém, pode-se dizer que limite aumentou dez faixas de faturamento, visto que esse incremento foi de R$ 1,2 milhões e as faixas (na antiga tabela) diferenciavam-se por R$ 120 mil.
As Microempresas e Empresas de Pequeno Porte não serão mais obrigadas a acrescentar à sua denominação estas expressões, nem as respectivas abreviações (ME ou EPP). Quanto ao limite de exclusão do Simples Nacional, as empresas que ultrapassaram os 20% do faturamento (R$4,32 milhões) poderão optar novamente pelo Simples, desde que não ultrapasse novo limite de R$ 4,8 milhões. Assim como as empresas que ultrapassaram o limite de R$ 3,6 milhões, mas não os 20%, poderão permanecer e as empresas que optaram no ano calendário com o faturamento proporcional ao número de meses (BRASIL, 2016).
Ensejando as faixas de faturamento, os anexos da LC 155/2016 dispõem de seis faixas (ao invés de vinte) cada qual acompanhada de sua alíquota nominal e valor fixo a ser deduzido (à frente veremos como é realizado o cálculo da alíquota efetiva). Cada anexo vem acompanhado de uma segunda tabela onde são demonstrados o percentual de repartição dos
tributos, o que antes vinham acompanhados com a partilha efetiva. Por exemplo: uma alíquota de 10%, nas antigas tabelas aparecia cada valor decimal que representavam os 10% do total; nos novos anexos vêm a parcela que representa 100 % dessa alíquota.
O número de anexos cai para cinco; mantêm-se o anexo I para comércio e ao anexo II para indústrias, ou seja, todas as empresas antes tributadas por esses anexos permanecem, bem como as empresas tributadas pelo anexo IV. As empresas tributadas pelo anexo III permanecem em sua maioria, a única exceção são os prestadores de serviço de fisioterapia que, quando acompanhados de folha de pagamento e esta for inferior à 28% da receita bruta acumulada, deverão ser tributados pelo anexo V, planejando, então, a forma menos onerosa de tributação, assim como todos os presentes no anexo V (a seguir). Cabe ressaltar que os demais presentes no anexo III não poderão fazer essa transição. O anexo VI foi incorporado ao anexo V, extinguindo-se. Portanto, no anexo V estão presentes todos os prestadores de serviços antes tributados pelo anexo V e pelo anexo VI; estes também poderão transitar pelo anexo III de acordo com o valor total da folha de pagamento, ou seja, se a folha de salários das empresas tributadas pelo anexo V for maior ou igual a 28% da receita bruta, estas passarão a ser tributadas pelo anexo III.
Considera-se a folha de pagamento para fins de cálculo todos os gastos incorridos com esta nos últimos 12 meses, incluindo remunerações a pessoas físicas (decorrentes do trabalho), impostos, pró-labore etc. O cálculo do imposto é feito mensal de acordo com a receita bruta acumulada nos últimos 12 meses e a folha acumulada no mesmo período, portanto se em algum mês a folha for inferior a 28%, tributará pelo anexo V, independente de ter sido tributada no mês anterior pelo anexo III ou se passará no mês posterior ao anexo III. Diante deste contexto, vê-se a importância do planejamento tributário especialmente para essas empresas e o acompanhamento de um sistema para auxiliar no mesmo.
Com relação ao anexo II, no que concerne a Indústrias, foram incorporadas ao anexo (além das que já eram listadas) os micros e pequenos produtores de bebidas alcoólicas e vendedores no atacado, ou seja, as empresas produtoras de cervejarias, vinícolas, licores e destilarias, que antes ostentavam uma alta carga tributária por ser produto supérfluo, agora poderão optar pelo Simples Nacional sem adições de tributação. Essas empresas deverão estar registradas no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como obedecerão à regulamentação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária e terão efeitos a partir de 2018.
Para melhor visualização das informações reportadas acima, o quadro 2 demonstra, de forma sintética, as principais alterações que ocorreram entre a Lei Complementar nº 123/20016 e a Lei Complementar nº 155/2016.
L.C. nº 123/2006 LC. nº 155/2016
Limite de Faturamento R$ 3.600.000,00 R$ 4.800.000,00
Denominação "Microempresa", "Empresa de PequenoObrigatório inserir na razão social:
Porte", "ME" ou "EPP" Não é mais obrigatório
Faixas de Faturamento 20 6
Número de Anexos 6 5
Alíquota Nominal Efetiva
Quadro 2: L.C. nº 155/2016 e as principais alterações à L.C nº 123/2006 Fonte: Elaborado pela autora através da base BRASIL (2016).
Em breviário, a compreensão da Lei Complementar 155/2016 tem o intuito de melhorar, pois reduz-se o número de anexos, o número de faixas de faturamento e suprime o cálculo do fator “r” para favorecer o entendimento. Os limites aumentaram para que mais empresas optem pela forma de tributação simplificada, o que não quer dizer ainda que optar pelo Simples Nacional é a melhor forma de tributação, e amplia o número de empresas que podem optar por essa forma de tributação.
2.3 ESTUDOS ANTERIORES
Foram analisados estudos publicados que se assemelham ao tema abordado em administração e contabilidade. Para chegar aos resultados obtidos, foram filtrados temas e palavras-chave como: planejamento tributário, simples nacional, microempresas e empresas de pequeno porte. As bases de dados utilizadas englobam os principais congressos brasileiros, dentre estes, USP, Custos, Brasileiro de Contabilidade, ANPCONT e AnPAD e as bases de dados do Google Acadêmico e Revista Spell. No quadro 2 estão apresentados as principais pesquisas encontradas nas bases mencionadas .
Ano Autor Objetivo Resultado Instrumento dePesquisa
200 5 SANTOS e SOUZA Discutir como o planejamento tributário
Para desonerar as micro e pequenas empresas crescerem e
Comparabilidade entre SIMPLES GERAL e
amparado por programas governamentais, pode ajudar as micro e pequenas empresas brasileiras a saírem da informalidade, criando mais empregos e mais divisas para o Estado.
manterem-se nos pilares da economia, faz-se necessário uma
complexa reforma tributária, previdenciária, trabalhista e
administrativa.
Simples Nacional de acordo com a Lei
Complementar nº123/2006 200 8 SOUZA, FRANCO, SOUZA e SILVA Analisar, mostrar e evidenciar as mudanças e falhas ocorridas na legislação, que afetam as empresas interessadas em
aderir ao sistema, apresentando a real situação desse método de
simplificação, visto que também pode prejudicar
algumas empresas.
A escolha pelo sistema de tributação adequado depende de
muitos fatores, que devem ser cuidadosamente analisados, para
que seja possível fazer a opção mais viável ao contribuinte e este regime de tributação pode acarretar
muitos problemas se não analisado cuidadosamente.
Análises de várias fontes de pesquisa,
sendo a legislação vigente e opiniões de diversos autores, assim
como contadores, empresários e tributaristas. 201 1 MENEGATROSA e Um estudo do tipo exploratório, desenvolvido no sentido de proporcionar uma visão geral acerca da interpretação sistemática
das legislações para suavizar ainda mais a incidência dos tributos
sobre o faturamento.
As indústrias optantes pelo Simples Nacional, que efetuar industrialização por encomenda à outra pessoa jurídica estabelecida
em SC e com o objetivo de comercializar ou industrializar o produto, deverá segregar a receita bruta dessa atividade e aplicar um
percentual reduzido, já que a parcela referente ao ICMS deverá
ser excluída, tendo em vista que essa operação está sujeita à
substituição tributária nas operações antecedentes (diferimento). Levantamento bibliográfico através da técnica de documentação indireta
acerca do tema, para tecer o referencial teórico e subsidiar o desenvolvimento do conteúdo. 201 3 PEREIRA, SILVA, MOREIRA e BRUNOZZI Evidenciar a oneração da carga tributária em empresas do setor farmacêutico, óptico, informática e construção
pelo cálculo do ICMS nas duas modalidades.
O percentual pago a mais de ICMS-ST cresceu de maneira inversamente proporcional ao faturamento das empresas, ou seja,
quanto menor o faturamento, maior o aumento percentual. Essas
empresas não estão tendo nenhum incentivo quanto a esse imposto já
que estão pagando na mesma proporção que as demais, optantes pelos outros regimes de tributação.
Coleta de dados do ano de 2011 fornecidos por empresários da região do Alto Paranaíba em
MG sobre quais produtos com incidência da substituição tributária
possuem maior relevância no faturamento das empresas dos setores abrangidos pelo objetivo
da pesquisa. 201 4 WILBERT, ALCÂNTARA e SERRANO
Fazer uma análise da arrecadação do SIMPLES e do SIMPLES Nacional e da
geração de empregos pelas ME, EPP e pelos Microempreendedores
Individuais (MEI), para verificar benefícios à sociedade.
A arrecadação tributária pelo SIMPLES apresentou um crescimento mais de três vezes
superior ao crescimento da arrecadação dos outros regimes, no período de 2007 a 2013. Observou-se que apesar das ME, EPP e MEI possuírem participação expressiva
no número de empregos, essa participação reduziu no período estudado. Constatou-se que a partir
de 2009, com a influência dos MEI, a arrecadação média por
Revisão bibliográfica, coleta de dados para o período de 2002 a 2013
e análise desses dados por meio de estatística
empresa no SIMPLES tem apresentado diminuição. 201 6 PAULA, COSTA e FERREIRA Analisar os reflexos da carga tributária para os pequenos negócios antes e após a vigência do Simples Nacional e, se
houve mudanças significativas com a nova sistemática de tributação.
Os resultados sugerem que o Simples não foi efetivo na redução
da carga tributária, mas obteve algum mérito por representar um
avanço no tratamento tributário favorecido, diferenciado e simplificado às MPEs. Sustenta-se as análises nas percepções de especialistas que trabalham diretamente com pesquisas voltadas ao empreendedorismo e a gestão de micro e pequenas empresas, coletadas de fontes secundárias 201 6 BARBOSA Avaliar os impactos gerados pela Lei Complementar nº155/16
que altera o Simples Nacional.
As alterações no Simples Nacional podem tornar podem tornar esse regime menos vantajoso do ponto
de vista de economia tributária podendo, em alguns casos citados,
ser menos oneroso optar pelo Lucro Presumido como regime de
tributação.
Caso hipotético de uma empresa prestadora de
serviços no Distrito Federal que pode optar
por arcar com suas obrigações fiscais utilizando o Simples Nacional ou o Lucro
Presumido. Quadro 3: Estudos sobre mudanças no Simples Nacional.
Fonte: Elaborado pela autora a partir dos dados coletados das bases.
Nas bases dos congressos da USP e Brasileiro Custos foram encontrados trabalhos sobre planejamento tributário de micro e/ou pequenas empresas de setores específicos, que auxiliaram em alguns dados no presente trabalho, mas que não condiziam diretamente com o tema abordado.
Pode-se observar que os estudos que mais se assemelham foram publicados próximos às mudanças nas legislações que acolhiam ou acolhem o sistema simplificado às ME e EPP. Santos e Souza (2005) Souza, Franco, Souza e Silva (2008) e Paula, Costa e Ferreira (2016) elaboraram as suas pesquisas tendo como objeto principal a lei que entrara em vigor em 1º de julho de 2007 e as mudanças que esta poderia causar. Ambos entram em concordância nos seus resultados quando apontam que faz-se necessário auxílio de planejamento tributário para recepcionar outras formas de tributação que poderiam ser menos onerosa. Já Barbosa (2016) fez um estudo sobre a LC nº 155/2016 comparado com outra forma de tributação e conclui que nem sempre optar pelo Simples Nacional é a forma menos onerosa de tributação apesar das mudanças propostas.
Pereira, Silva, Moreira e Brunozzi (2013) e Rosa e Menegat (2011) voltaram as suas pesquisas para análise do ICMS e a carga que este tem sobre as empresas optantes pelo Simples Nacional. O primeiro com o objetivo de evidenciar a oneração da carga tributária em alguns setores e o segundo com o objetivo de amenizar a carga tributária através da elisão
fiscal. Por fim, a pesquisa de Wilbert, Alcântara e Serrano (2014) demonstra a participação das Micros e Pequenas Empresas na geração de empregos no Brasil.
3 METODOLOGIA
Este capítulo visa apresentar os procedimentos metodológicos utilizados para fomentar a pesquisa. Nele será apresentada a natureza em que a pesquisa está enquadrada, os instrumentos para coleta de dados e demais procedimentos que auxiliaram na busca pelo objetivo proposto.
3.1.1 Enquadramento da pesquisa
Quanto à natureza da pesquisa, a abordagem qualitativa, segundo Godoy (2003, p. 58), vai definindo indagações ou focos de interesse amplos em consonância com o desenvolvimento do estudo e envolve a consecução de dados descritivos sobre diferentes situações. Sobre a abordagem quantitativa, Godoy (2003, p. 58) menciona que esta “preocupa-se com a medição objetiva e a quantificação dos resultados. Busca a precisão, evitando distorções na etapa de análise e interpretação dos dados, garantindo assim uma margem de segurança em relação às inferências obtidas”.
Nesta pesquisa, aqui apresentada, a abordagem se enquadra apenas como quantitativa. O comportamento quantitativo engloba a análise de dados quando visa interpretar em números as informações coletadas nas empresas com as informações fornecidas pela lei em análise.
3.1.2 Instrumentos Utilizados
O instrumento de pesquisa utilizado para a análise das informações foi o levantamento de dados, já existentes nas empresas analisadas, fornecidos por uma empresa em poder dessas informações (pois possui essas empresas como clientes) através de um sistema de contabilidade, em confronto com dados fornecidos pela Lei Complementar nº 155/2016.
3.1.3 Procedimentos Metodológicos
Com o objetivo de mensurar o (b) ônus em permanecer tributado pelo Simples Nacional em 2018, serão analisadas três empresas, tributadas no Simples Nacional por anexos distintos, para verificar se serão onerosamente afetadas pela aplicabilidade do novo sistema. A coleta de dados foi retirada diretamente de um sistema de contabilidade, disponibilizado pela empresa aqui denominada Beta, através do relatório qualificado como Demonstrativo de Faturamento e expedido já no formato de planilha eletrônica. Foi feita novamente a apuração mensal do cálculo do Simples Nacional de janeiro de 2016 a junho de 2017, extraído esses valores e acomodado aos respectivos meses. Para a análise da empresa Delta, precisou também do extrato mensal da folha de pagamento, encontrado na modalidade de folha de pagamento. Cabe ressaltar que o programa já prevê atualizações que processe essas informações no módulo fiscal para fins de cálculo do imposto.
Os dados coletados através do software de planilha eletrônica permitiram que fossem criadas tabelas interativas, onde foram transportados e confrontados com as informações dos anexos da antiga e da nova tabela e seus valores. As informações coletadas dos anexos das leis e o faturamento das empresas puderam demonstrar, através da fórmula da alíquota efetiva, o resultado desta e o valor do imposto a ser pago. Com o resultado obtido, extraiu-se os gráficos para melhor visualização e análise dos dados.
As empresas foram intituladas, para preservar a identidade das mesmas. Considera-se então a empresa Alfa como uma atuante no setor de comércio de móveis a varejo, tributada pelo anexo I; a empresa Delta como uma prestadora de serviços de fisioterapia, tributada pelo anexo III (cuja pode ser transferida para o anexo V de acordo com situações já mencionadas); e a empresa Gama atuante no setor de serviço de estética, tributada pelo anexo III, porém sem o direito de fazer a transição entre anexos, como as demais equiparadas ao anexo.
3.1.4 Considerações
Foram coletados os dados dos últimos três semestres, demonstrado como se comporta o faturamento mensal das empresas e analisado o faturamento anual no fim de cada exercício. Em cada análise será aplicado o cálculo da alíquota efetiva que é
representada pela multiplicação do faturamento dos últimos doze meses à alíquota nominal, diminuído o valor fixo a ser deduzido e, esse resultado, dividido pelo faturamento acumulado, ou seja:
RBT12xAlíq-PD RBT12 Em que:
RBT12 = Receita Bruta Total dos últimos 12 meses;
Alíq = alíquota nominal presente nos anexos de acordo com a faixa de faturamento;
PD = parcela fixa a ser deduzida presente nos anexos de acordo com a faixa de faturamento.
Quando comparamos as alíquotas nominais nas faixas de faturamento presentes nas Leis Complementares nº 123/2006 e nº 155/2016, percebemos esta com uma dessemelhança superior à anterior. Porém não se pode afirmar que a LC nº 155/2016 é menos vantajosa, pois contém o desconto fixo no cálculo da alíquota efetiva, podendo acarretar num aumento de carga tributária para uns e redução para outros.
Os dados da amostra correspondem à coleta dos últimos três semestres das entidades, ou seja, o último exercício social encerrado, mais seis meses que representam a realidade mais atual das empresas. Ao final foram comparados esses resultados retroativos para que se possa ter uma percepção para onde a empresa está caminhando e os impactos tributários que poderá sofrer.
4 APRESENTAÇÃO DOS DADOS E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Neste capítulo serão apresentados os resultados obtidos com o estudo aplicado nas empresas selecionadas.
4.1 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Para uma maior compreensão das empresas enquadradas no comércio ou indústria, onde a variação é só o IPI, encontra-se a presença do Imposto sobre a circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, recolhido pelos Estados e Distrito Federal em que foi devido (PORTAL TRIBUTÁRIO, 2017e). Para as prestadoras de serviços o imposto incidente é o ISS, de competência dos Municípios e do Distrito Federal.
4.1.1 Análise de Comércio
O Comércio, como já mencionado anteriormente, é um dos principais pilares da economia brasileira, portanto requer uma atenção especial pelo retorno que este setor pode proporcionar aos cofres públicos. Apenas 3,7% das empresas do setor de Comércio faturam 73% da receita obtida pelo setor no Brasil, ou seja, três quartos do faturamento comercial estão concentrados em uma minoria, mas ainda sim é o setor que mais gera emprego (VEJA, 2016).
Apesar de em alguns meses as receitas apresentarem sazonalidade como em maio de 2016 e dezembro de 2017 – períodos elucidados pela revista Exame (2016), por conterem duas datas consideradas as principais datas comemorativas do comércio brasileiro –, a média de faturamento foi R$ 41.711,11.
A empresa Alfa apresentou desde o início dos períodos analisados um faturamento que variou entre a segunda, terceira e quarta faixa de faturamento quando tributada pelo anexo I da Lei Complementar nº 123/2006, o que quer dizer que
transitou por três faixas de faturamento. Analisando com a nova tabela, pode-se afirmar que com essa tendência, a empresa transitaria por apenas duas faixas e que em nenhum momento a alíquota efetiva calculada de acordo com a nova lei, superou o valor da alíquota nominal aplicada anterior à lei, apesar de em alguns momentos os valores se apresentarem muito próximos.
Considera-se a empresa Alfa uma revendedora de móveis no ramo de varejo, portanto está sujeita à tributação do anexo I da LC 123/2006.
Tabela 2: Alfa - Revendedora de Móveis.
Mês Vendas
R$ Alíq. NominalLC 123/2006 Imposto pago R$ Alíq. Efetiva LC155/2016 Previsão
jan/16 21.500,00 5,47% 1.176,05 5,00% 1.074,50 fev/16 15.000,00 5,47% 820,50 5,00% 749,65 mar/1 6 10.000,00 5,47% 547,00 4,59% 458,77 abr/16 35.000,00 5,47% 1.914,50 4,11% 1.437,26 mai/16 113.500,0 0 5,47% 6.208,45 4,87% 5.528,08 jun/16 76.200,00 6,84% 5.212,08 6,03% 4.595,45 jul/16 32.400,00 7,54% 2.442,96 6,94% 2.250,08 ago/16 25.000,00 6,84% 1.710,00 6,16% 1.539,67 set/16 12.000,00 6,84% 820,80 6,09% 731,39 out/16 13.000,00 6,84% 889,20 5,99% 778,96 nov/16 77.800,00 6,84% 5.321,52 5,90% 4.590,29 dez/16 97.000,00 6,84% 6.634,80 6,04% 5.856,70 jan/17 23.400,00 6,84% 1.600,56 6,13% 1.433,99 fev/17 30.000,00 7,54% 2.262,00 6,99% 2.096,47 mar/1 7 33.400,00 7,54% 2.518,36 7,12% 2.377,32 abr/17 35.000,00 7,54% 2.639,00 7,25% 2.536,48 mai/17 40.000,00 7,54% 3.016,00 7,37% 2.947,34 jun/17 60.600,00 7,54% 4.569,24 7,49% 4.540,08
Total do Simples Calculado 50.303,02 45.522,48
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados disponibilizados pela empresa Beta e adaptado com informações da Lei Complementar 155/2016.
A tabela 2 apresenta o faturamento mensal da empresa Alfa durante o período analisado, a alíquota aplicada de acordo com a L.C. nº 123/2006 e o valor do imposto realizado, ou seja, o que foi efetivamente pago pela empresa nos últimos três semestres. Em seguida vem a alíquota efetiva já calculada de acordo com a L.C. nº 155/2016 e o valor do imposto que pagaria caso a esta lei já estivesse entrado em vigor.
Como já mencionado anteriormente, o valor da alíquota efetiva não supera o valor da alíquota nominal apurada pela lei ainda vigente e, por conseqüência, não supera o valor dos impostos calculados. Os resultados obtidos da diferença de
alíquotas aplicadas ao faturamento do mês referente resultaram nos impostos apresentados no gráfico a seguir para melhor visualização:
0 1000 2000 3000 4000 5000 6000 7000 Realizado Previsão
Gráfico 1: Tributos pagos e tributos orçados – Anexo I
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados disponibilizados pela empresa Beta e adaptado com informações da Lei Complementar 155/2016.
Considera-se a linha destacada em azul como o que a empresa pagou de fato no período analisado e a linha destacada em vermelho como os tributos que empresa pagaria se essa lei tivesse sido aprovada antes ou um orçamento projetado para o futuro se continuar com as mesmas estratégias e resultados por consequência.
4.1.2 Análise de Serviços
Apresentar-se-á as empresas no Anexo III e/ou Anexo V enquadrados pela Lei Complementar nº 155/2016, em análise em comparado com a lei ainda vigente na presente data.
4.1.2.1 Análise de Fisioterapia.
As empresas que trabalham com o serviço de fisioterapia têm o objetivo de tratar as disfunções e incapacidades físicas e estas sabem da importância que têm na área da saúde. Com o mesmo objetivo, a empresa Delta presta serviços de fisioterapia e, até o fim do ano corrente, está sendo tributada integralmente pelo anexo III. O objetivo é avaliar como se comporta a alteração da nova lei do Simples Nacional, aos prestadores de serviço de fisioterapia que possuem empregados na sua folha de pagamento.
Tabela 3: Delta - Prestadora de Serviços de Fisioterapia.
Mês Rec. de Serviço R$ Imposto pago R$ Folha R$ Se folha> 28% RB Alíq. Efetiva Previsão
jan/16 34.205,00 2.808,20 2.293,54 FALSO 16,19% 5.538,40 fev/16 21.470,00 1.962,69 2.036,52 FALSO 16,39% 3.518,47 mar/16 34.706,00 2.849,36 2.036,52 FALSO 16,40% 5.691,64 abr/16 24.293,60 1.994,50 2.036,20 FALSO 16,52% 4.013,21 mai/16 27.688,00 2.273,18 3.080,83 FALSO 16,57% 4.588,08 jun/16 27.795,60 2.282,02 2.168,44 FALSO 16,56% 4.604,03 jul/16 22.873,00 1.877,87 2.816,44 FALSO 16,60% 3.795,90 ago/16 7.452,40 611,84 2.902,84 VERDADEIRO 8,27% 616,30 set/16 9.573,60 785,99 2.168,44 FALSO 16,44% 1.573,46 out/16 8.603,60 706,36 2.168,44 FALSO 16,36% 1.407,66 nov/16 29.293,60 2.405,00 2.216,16 FALSO 16,26% 4.764,30 dez/16 7.624,60 625,98 3.495,05 VERDADEIRO 7,77% 592,66 jan/17 10.259,20 842,28 3.608,15 VERDADEIRO 7,54% 773,31 fev/17 17.759,80 2.196,53 3.479,32 FALSO 16,06% 2.851,74 mar/17 19.344,22 1.615,51 5.950,41 VERDADEIRO 7,09% 1.372,15 abr/17 22.004,34 1.888,61 4.018,24 FALSO 15,88% 3.494,94 mai/17 24.499,16 2.667,78 4.018,24 FALSO 15,86% 3.885,55 jun/17 11.284,28 926,44 4.018,24 VERDADEIRO 6,68% 753,80 Total do Simples 31.320,14 54.512,02 53.835,60
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados disponibilizados pela empresa Beta e adaptado com informações da Lei Complementar 155/2016.
No faturamento da empresa Delta não há uma concordância, ou seja, não possui uma estabilidade ou sazonalidade que identifiquem de prontidão os efeitos no tempo. Sabe-se então que a qualquer momento pode-se atingir o ápice ou o mínimo. Na análise para saber em que faixa de faturamento a empresa estava sendo tributada, cabe apresentar que a receita bruta variou apenas dentro da segunda faixa, ou seja, a empresa permanecia tributada pela alíquota de 8,21% no anexo III.
Os softwares utilizados para extração de dados nos permitiram, em poucos processos, calcular a porcentagem que se referia a folha de salários à receita bruta. Para calcular o trânsito nos anexos, precisava-se saber se o valor correspondente à folha era maior ou menor que 28%. Deste modo, considera-se “verdadeiro” as situações em que a folha foi igual ou superior aos 28% previstos e julga-se “falso” as situações em que o valor da folha representou menos de 28%.
Deste modo, o cálculo da alíquota efetiva era considerado válido pelo anexo III quando a situação da folha de pagamento fosse “verdadeira” e o cálculo da alíquota efetiva era considerado válido para o anexo V quando a situação se mostrava “falso”. Logo percebe-se que a alíquota foi representativamente elevada quando calculada pelo anexo V e, em alguns casos, mais semelhante à alíquota aplicada anterior à lei, quando
calculada pelo anexo III. Fica clara a onerosidade de tributação quando aplicada ao anexo V, mas ainda sim não se pode afirmar que o anexo III é a melhor forma de tributação.
O gráfico 2, a seguir, expressa a dessemelhança entre os tributos regidos pela antiga e pela nova lei do Simples Nacional.
0.00 1,000.00 2,000.00 3,000.00 4,000.00 5,000.00 6,000.00 Realizado Previsão
Gráfico 2: Tributos pagos e tributos orçados – Anexo III (fisioterapia)
Fonte: Autoria própria a partir de dados disponibilizados pela empresa Beta e adaptado com informações da Lei Complementar 155/2016.
Nota-se a linha destacada em azul como os impostos efetivamente já pagos pela empresa, ou seja, o realizado com a lei em vigor atualmente e a linha destacada em vermelho como uma previsão da situação da empresa. Com a representatividade elevada da alíquota quando tributada pelo anexo V, percebe-se o reflexo que esta tem nos impostos. Com relação à tributação pelo anexo III, quando comparado o anexo da LC 123/2006 e LC 155/2016, nem sempre o valor do imposto será menos oneroso na nova Lei com esse cenário.
Essa característica de oscilação no faturamento não é tão favorável ao planejamento tributário para um setor que passará a ser tributado também com oscilação e dependerá disso para desonerar sua entidade.
4.1.2.2 Análise de Estética.
A empresa Gama é uma prestadora de serviços no setor de estética, tributada pelo anexo III. As demais empresas tributadas originalmente pelo anexo III, que não seja fisioterapia, não têm o direito de fazer a transição entre anexos.
A tabela 3 demonstra o faturamento e os impostos, pagos e previstos, dessa empresa nos últimos três semestres.
Tabela 4: Gama - Prestadora de serviços de estética.
Mês Serviço R$ Nominal Imposto pago R$ Alíq. Efetiva Previsão
jan/16 11.540,00 6,00% 692,40 6,00% 692,40 fev/16 13.428,00 6,00% 805,68 6,00% 805,68 mar/16 17.792,00 6,00% 1.067,52 6,00% 1.067,52 abr/16 21.831,00 6,00% 1.309,86 6,00% 1.309,86 mai/16 20.005,00 6,00% 1.200,30 6,00% 1.200,30 jun/16 12.095,00 6,00% 725,70 6,00% 725,70 jul/16 12.988,00 6,00% 779,28 6,00% 779,28 ago/16 11.453,00 6,00% 687,18 6,00% 687,18 set/16 9.750,00 6,00% 585,00 6,00% 585,00 out/16 8.852,00 6,00% 531,12 6,00% 531,12 nov/16 35.743,75 6,00% 2.144,62 6,00% 2.144,63 dez/16 22.083,25 6,00% 1.325,00 6,00% 1.325,00 jan/17 20.545,30 8,21% 1.686,77 6,46% 1.327,68 fev/17 10.755,00 8,21% 882,99 6,67% 717,23 mar/17 52.365,25 8,21% 4.299,19 6,61% 3.461,01 abr/17 10.081,00 8,21% 827,65 7,27% 733,38 mai/17 30.000,00 8,21% 2.463,00 7,07% 2.121,45 jun/17 43.362,00 8,21% 3.560,02 7,25% 3.141,93
Total do Simples Calculado 25.573,28 23.356,35
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados disponibilizados pela empresa Beta e adaptado com informações da Lei Complementar 155/2016.
O setor de estética é mais um setor que não possui em certo uma sazonalidade ou estabilidade. A empresa Gama iniciou as suas atividades quase ao final do penúltimo exercício social encerrado. O cálculo dos impostos, realizados e previstos, foi feito de forma parcial até meados do fim do último exercício social realizado, o que demonstra que não foi um limitador para atingir os objetivos do trabalho. Por coincidência, a empresa permaneceu tributada pelas primeiras faixas de faturamento nos anexos das duas leis em estudo.
Cabe, então, o reforço que o valor da primeira e a segunda faixa de faturamento nos novos anexos não foram alterados em relação aos anexos anteriores, mas quando se focaliza as alíquotas, a primeira faixa não se altera e permanece a mesma tributação e a partir da segunda faixa já tem uma diferença na alíquota e o valor fixo a ser descontado para encontrar a alíquota efetiva.
Jan/ 16 Feb/ 16 Mar /16 Apr/ 16 May /16 Jun/ 16 Jul/1 6 Aug/ 16 Sep/ 16 Oct/1 6 Nov/ 16 Dec/ 16 Jan/ 17 Feb/ 17 Mar /17 Apr/ 17 May /17 Jun/ 17 0.00 500.00 1000.00 1500.00 2000.00 2500.00 3000.00 3500.00 4000.00 4500.00 5000.00 Realizado Previsão Gráfico 3: Tributos pagos e tributos orçados – Anexo III.
Fonte: Elaborado pela autora a partir de dados disponibilizados pela empresa Beta e adaptado com informações da Lei Complementar 155/2016.
Como não houve distinção na alíquota aplicada nos primeiros meses analisados, por consequência também não houveram distorções nos impostos. A partir do momento em que a empresa passa a ser tributada pela segunda faixa de faturamento, começa então a perceber as diferenças no valor dos impostos apurados.
A linha evidenciada em azul demonstra os impostos pagos de acordo com a LC 123/2006 e a linha em vermelho demonstra a previsão do que a empresa pagaria de acordo com as ações passadas na LC 155/2016. Percebe-se, nesta avaliação, que vale a pena a empresa permanecer tributada pelo anexo III.
4.1.3 Analise dos dados
Em suma, analisando o resultado final, percebe-se que a empresa Alfa, enquanto entidade de atividade comercial, no anexo I pagou efetivamente o montante correspondente a R$ 50.303,02 pela LC nº 123/2006 e que se a LC nº 155/2016 já estivesse em vigor no período analisado, a empresa pagaria a quantia de R$ 45.522,48, representando um bônus de 9,50% do total pago.
A empresa Delta, por outro lado, apresentou um total de R$ 31.320,14 de tributos arrecadados aos cofres públicos. Como esta empresa, por ser prestadora de
serviços de fisioterapia e, portanto, estar sujeita também à tributação no novo anexo V, se a nova lei já estivesse presente no período analisado, esta empresa passaria a pagar a importância de R$ 53.835,60, o que significa uma carga tributária de 71,89% superior, pois apresentou 72,2% de chance da folha de pagamentos acumulada ser inferior a 28% da receita bruta acumulada e então estar tributada pelo anexo V em sua maioria. Haveria um aviltamento no lucro.
A empresa Gama, a mais recente no mercado em comparado com as demais empresas aqui analisadas, enquanto prestadora de serviços tributada apenas pelo anexo III, apresentou um numerário de impostos pagos no total de R$ 25.573,28 pela lei ainda vigente e o montante de R$ 23.356,35 pela LC nº 155/2016, ou seja, apesar dos primeiros dois semestres não apresentarem alterações, quando analisado pela segunda faixa de faturamento, há uma redução de 8,67% de impostos, em favorecimento à entidade avaliada.
Não se pode deixar despercebido que quanto maior o faturamento das empresas, maior será a diferença entre os impostos e essa distância independe da alíquota aplicada. Apesar de esta, por si só, já precipitar a análise, se vai ou não vai onerar as empresas, bastava saber a importância da diferença para que se comece a pensar em progressos e, então, planejar tributariamente o peso da diferença.
4.2 ANÁLISES DOS RESUTLADOS
Defronte aos trabalhos analisados na seção 2.3 desta pesquisa, pode-se dizer que a pesquisa avançou no sentido dos setores analisados. O trabalho mais similar à presente pesquisa foi produzido por Barbosa (2016), onde as análises fornecidas nos trabalhos visam investigar se a forma mais vantajosa de tributação seria a LC nº 155/216 ou Lucro Presumido. O presente trabalho buscou comparar a lei vigente com a lei que passará a vigorar no próximo ano e apresenta uma melhora positiva na maioria dos casos analisados; o trabalho anterior expõe que o Lucro Presumido pode ser menos oneroso.
O trabalho de Paula, Costa e Ferreira (2016) ao confrontar duas leis, uma que é revogada e outra que é revogadora, demonstra que não houve avanço da redução da carga tributária, mas que o tratamento tributário progrediu, ou seja, simplificou de fato. Esta pesquisa acolhe avanços mais nítidos de redução da carga tributária em preponderância nos casos e presume tratamento tributário ainda mais conciso.
Ainda sim, como a pesquisa de Santos e Souza (2005) e Souza, Franco, Souza e Silva (2008), é indispensável a análise cautelosa dos casos e o planejamento tributário a nível estratégico, ou seja, de longo prazo. Wilbert, Alcântara e Serrano (2014) apuraram na sua pesquisa, uma participação significante no número de empregos gerados em pequenos negócios. Estima-se que com o afluxo das empresas tributadas pelo anexo V, incentive a empregabilidade formal como forma de planejamento.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Neste capítulo final serão abordados quanto ao alcance dos objetivos e os questionamentos apresentados no início da pesquisa com o intuito de averiguar se o problema de pesquisa foi solucionado e se os objetivos foram alcançados. Ao final sugere-se recomendações para pesquisas futuras a partir das limitações encontradas.
5.1 QUANTO AO PROBLEMA DE PESQUISA
A definição para o problema de pesquisa inicia-se com uma indagação, neste contexto o problema da presente na pesquisa é de natureza científica, pois envolve variáveis que permitem ser ensaiadas, manipuladas e constatadas. Deste modo a resposta para o problema de pesquisa que questionava qual o (b) ônus em permanecer tributado pelo Simples Nacional em 2018? Pôde ser encontrada na seção 4.1.3 de forma quantitativa, aonde foram apresentadas as análises dos dados e os resultados finais de cada entidade analisada.
A empresa Alfa mostrou um comportamento positivo, no sentido de apresentar menor alíquota e menor imposto em todos os meses presentes na coleta de dados, impactando no resultado da empresa. A empresa Gama expôs estabilidade no primeiro ano, mas apresentou um desempenho favorável no resultado da empresa no último semestre da análise. As empresas Alfa e Gama apresentaram, a partir do faturamento já realizado, uma bonificação e considera-se como resolvido.
Porém, para a empresa Delta faz-se necessário um planejamento para que estabilize o faturamento de forma que represente 72%, ou menos, da folha de salários. Desta forma não se pode responder com clareza se houve bonificação ou não, visto que em 27,8% do caso em análise, quando tributada pelo anexo III, o cenário da empresa se encontra favorável, ou seja, o anexo III permanece como benéfico ao resultado, assim como visto na análise da empresa Gama. Mas em sua maioria a entidade esteve tributada pelo anexo V e analisando os resultados finais, este quadro se encontra desvantajoso, ou seja, haveria oneração.
5.2 QUANTO AOS OBJETIVOS DE PESQUISA
Frente aos objetivos propostos, pode-se dizer que os mesmos foram atendidos. Quanto ao objetivo geral, a mensuração do bônus ou ônus em confrontação com as duas leis complementares, foi demonstrada numericamente nas tabelas 1, 2 e 3 encontradas respectivamente na seção 4.1.1, na seção 4.1.2.1 e seção 4.1.2.2, pois a partir do faturamento coletado nas empresas, pôde-se faze os cálculos nos anexos correspondentes das leis e analisar os resultados obtidos.
Quanto aos objetivos secundários, que auxiliaram na obtenção do principal objetivo, podem ser encontrados nas mesmas seções mencionadas no objetivo geral, visto que as tabelas apresentam o levantamento de dados transportados em planilha eletrônica da base principal na empresa Beta, no período proposto, e a partir de então permitiu-se fazer a simulação dos impostos de acordo com a Lei Complementar nº 155/2016 e seus respectivos anexos e comparar esses resultados com o que as empresas desembolsaram de fato com lei complementar ainda vigente (até o final do exercício social presente).
5.3 LIMITAÇÕES
As limitações da pesquisa englobam as dificuldades encontradas no processo de produção do trabalho, podendo estar na restrição da obtenção dos dados para cálculo, na contenção das informações do objeto em análise (neste caso, a LC nº 155/2016) ou até mesmo no confronto desses dois instrumentos e ao universo e amostra, quando não se pode analisar um todo ou é inviável.
Neste caso, os dados necessários para a quantificação dos resultados foram acessíveis e as informações requeridas para o desenvolvimento da pesquisa já estão disponibilizadas, o que afetou, de certo modo, o desenvolvimento da pesquisa foi a carência de trabalhos que estudem o mesmo tema proposto, dado que alteração legal é nova e não houve tempo hábil para haver publicações em buscas online realizadas.
5.4 RECOMENDAÇÕES PRA FUTURAS PESQUISAS
Sugere-se para futuros trabalhos a aplicação de outros tipos de tributação nos setores analisados para saber se, na nova lei, Simples Nacional é a forma de tributação menos onerosa para essas empresas. Sugere-se também uma análise mais aprofundada no que concerne à carga tributária do ICMS no Simples Nacional partindo da Lei Complementar nº 155 de 2016 e a hipótese de bitributação. Por fim, sugere-se fazer a análise orçamentária futura a partir do comportamento passado das empresas, fluxo de caixa ou criar cenários hipotéticos para localizar em que situação a empresa se encontraria.
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ANEXOS
ANEXO I DA LEI COMPLEMENTAR No 155, DE 27 DE OUTUBRO DE 2016
(Vigência: 01/01/2018)
Alíquotas e Partilha do Simples Nacional – Comércio
Receita Bruta em 12 Meses (em R$) Alí
qu ot a Valor a Deduzir (em R$) 1a F ai x a Até 180.000,00 4, 00 % -2a F ai x a De 180.000,01 a 360.000,00 7, 30 % 5.940,00 3a F ai x a De 360.000,01 a 720.000,00 9, 50 % 13.860,00 4a F ai x a De 720.000,01 a 1.800.000,00 10 ,7 0 % 22.500,00 5a F ai x a De 1.800.000,01 a 3.600.000,00 14 ,3 0 % 87.300,00