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A importância da dança no contexto escolar

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Academic year: 2021

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DHU – DEPARTAMENTO DE HUMANIDADES E EDUCAÇÃO

CURSO DE EDUCAÇÃO FISICA – EaD

DEIVID DIONI MONTEIRO

“A IMPORTÂNCIA DA DANÇA NO CONTEXTO ESCOLAR”

Ijuí – RS 2014

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UNIJUÍ – UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

DHU – DEPARTAMENTO DE HUMANIDADES E EDUCAÇÃO

CURSO DE EDUCAÇÃO FISICA – EaD

DEIVID DIONI MONTEIRO

“A IMPORTÂNCIA DA DANÇA NO CONTEXTO ESCOLAR”

Trabalho de Conclusão do Curso Licenciatura em Educação Física da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, como requisito a obtenção do título de Licenciado em Educação Física, sob a orientação da Professora Ms. Lisiane Goettems.

Ijuí – RS 2014

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DEIVID DIONI MONTEIRO

A IMPORTÂNCIA DA DANÇA NO CONTEXTO ESCOLAR

Este Trabalho de Graduação foi julgado adequado para a obtenção do título de Licenciado em Educação Física e aprovado pelo Curso de Licenciatura em Educação Física da Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

___________________________________________________

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RESUMO

O objetivo desta pesquisa foi um estudo do por que, apesar de seus inúmeros benefícios, a dança não é utilizada nas aulas de Educação Física na escola participante da pesquisa. A partir de uma pesquisa de campo, observou-se que a dança, tão importante quanto jogo e esporte na aprendizagem da Educação Física Escolar, não está sendo contemplada em algumas realidades escolares. Procurou-se verificar a visão da comunidade escolar a respeito da inclusão da dança e de sua importância para o desenvolvimento do educando. O procedimento metodológico para realização da intervenção foi uma pesquisa qualitativa, com base em revisão bibliográfica e também aplicação de questionário do tipo aberto, que contou com a participação de professores, alunos, pais e direção da Escola de Educação Básica Otília Müller Chapadão do Lageado SC. A partir dos resultados obtidos, na realidade pesquisada, verificaram-se fragilidades na forma como a dança está inserida neste contexto escolar, visto que aparece apenas em projetos isolados e não como ferramenta auxiliar no processo ensino/aprendizagem. Na perspectiva de superação dessas limitações e no ensejo de possibilitar uma real oportunidade de humanização, diversificação e democratização da Educação Física, conforme os PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais),aponta-se um plano de ações a ser contemplado no Projeto Político Pedagógico da Escola pesquisada e/ou no Plano de Ensino do Professor.

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ABSTRACT

The basic objective of this research was a detailed study of why, in spite of its numerous benefits , dancing is not used in physical education classes in school participating in the research. From a field survey , it was observed that dance , as important as learning the game and sport of physical education is not being contemplated in some school situations . We tried to see the vision of the school community about the inclusion of dance and its importance for the development of the student . The methodological procedure to hold the intervention was a qualitative study based on literature review and also application of the open type , which counted with the participation of teachers , students , parents and the direction of the School of Basic Education Otilia Muller questionnaire. From the results obtained , in reality studied , there were weaknesses in the way the dance is embedded within the school context , since it appears only in isolated projects and not as an aid in the teaching / learning tool. From the perspective of overcoming these limitations and the opportunity to enable a real opportunity to humanize , diversification and democratization of Physical Education , as NCPs ( National Curricular Parameters ) , pointing up a plan of actions to be contemplated in the Pedagogical Political School Project researched and / or the Plan of Teacher Education .

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 7

CAPÍTULO I ... 10

1.1 PCNS E A EDUCAÇÃO FÍSICA HOJE ... 10

1.2. A DANÇA NA ESCOLA ... 13

CAPÍTULO II ... 18

2.1 CONTEXTUALIZANDO A ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA OTÍLIA MÜLLER ... 18

2.2 O PLANO DE ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA OTÍLIA MÜLLER ... 19

2.3 DESENVOLVIMENTO METODOLÓGICO ... 21

CAPÍTULO III ... 23

3.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS DA PESQUISA ... 23

3.1.1 PAIS ... 23

3.1.2 ALUNOS ... 24

3.1.3 PROFESSORES ... 26

3.1.4 DIREÇÃO ... 28

3.2 O QUE DIZEM OS PAIS ... 30

3.3 O QUE DIZEM OS ALUNOS ... 31

3.4 O QUE DIZEM OS PROFESSORES ... 33

3.5 O QUE DIZEM OS GESTORES ... 34

CAPÍTULO IV ... 37

4.1 METODOLOGIA PARA A PRÁTICA DA DANÇA ESCOLAR ... 37

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 41

REFERÊNCIAS ... 43

ANEXOS ... 45

ANEXO I - Pesquisa de Campo - Aluno ... 46

ANEXO II - Pesquisa de Campo – Equipe Gestora ... 48

ANEXO III - Pesquisa de Campo - Pais ... 50

ANEXO IV - Pesquisa de Campo - Professores ... 51

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INTRODUÇÃO

A dança traz muitos benefícios para os sujeitos. No entanto, na cidade de Chapadão do Lageado SC a Escola Otília Müller, ela é utilizada apenas em apresentações nas festas escolares ou como atividade extracurricular. A dança é conteúdo muito importante da Educação Física, visto que também possibilita aos alunos uma ampliação da autonomia para o desenvolvimento de uma prática pessoal e a capacidade para interferir na comunidade, seja na manutenção ou na construção de espaços de participação em atividades culturais.

Com o desenvolvimento da dança, é possível obter-se autoestima, autoconhecimento, autorrealização, autoconfiança, coordenação motora, socialização, corporeidade, equilíbrio, ritmo, raciocínio, flexibilidade, resistência aeróbica, desenvolvimento de força, claro que se considerando o tipo de dança a ser desencadeada, bem como as intencionalidades e metodologias adotadas. Além disso, é possível combinar atividades de movimentos com a música, a arte, a ciência, a matemática e a linguagem artística, numa direção de trabalho interdisciplinar em muitos momentos. Tudo isso e muito mais pode ser obtido através da experiência da dança, portanto não se deveria privar os alunos dessas experiências educacionais que oferecem aprendizagem em cada etapa do domínio psicomotor e abrangem o ambiente de aprendizagem.

O objetivo desta pesquisa foi um estudo do por que, apesar de seus inúmeros benefícios, a dança não é utilizada nas aulas de Educação Física na escola participante da pesquisa. Depois disso, o objetivo envolveu demonstrar que é possível trabalhar dança, desde que o professor construa conhecimentos, prepare-se e planeje antecipadamente.

A dança é conteúdo da Educação Física, assim como jogos, esportes, ginásticas e lutas, conforme os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física, contribuindo para o desenvolvimento pleno do educando. Sendo assim, por que tanta resistência em trabalhá-la em sala de aula? Por que os professores se sentem inseguros com o desenvolvimento dos estudos da dança nas aulas de Educação Física? O que fazer para incluí-la no Currículo Escolar?

A escola, enquanto meio educacional, deve oportunizar as mais diversas práticas motoras, pois elas são essenciais e determinantes no processo de desenvolvimento geral da criança. A atuação do professor deverá ser planejada e coerente. A escola, muitas vezes, é o espaço onde, pela primeira vez, as crianças vivem situações de grupo e não são mais os centros das atenções somente familiares, sendo que as experiências vividas nesta fase darão

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base para um desenvolvimento saudável durante o resto de sua vida, auxiliando no processo de ensino e aprendizagem e na formação cidadã no que tange a viver em coletividade/sociedade.

O objetivo geral da pesquisa é investigar os reais motivos da exclusão da dança das aulas de Educação Física da Escola de Educação Básica Otília Müller, a fim de buscar dados para que o professor se sinta encorajado para incluí-la em sua prática escolar. Ademais, é essencial conhecer as dificuldades enfrentadas pelos professores para a implantação da dança no currículo escolar, para que, sejam tecidas pesquisas, tentativas e tratativas para a dança ir se efetivando no espaço escolar e que o professor se sinta minimamente preparado para desenvolver projetos de dança nas aulas de Educação Física.

A dança, em muitas escolas, é trabalhada de forma descontextualizada e com o objetivo final apenas de fazer uma apresentação. A dança é muito mais do que um estudo de coreografias, é uma forma de expressão corporal por meio da qual os alunos interpretam sentimentos, emoções da afetividade vividas nas diferentes esferas sociais. Todo esse aprendizado deve fazer parte do planejamento da Educação Física, para que o educador possa enfim fazer um bom trabalho.

Castellari (2009), diz que a história e as culturas indígenas e afro-brasileiras, devem estar presentes, obrigatoriamente, nos conteúdos desenvolvidos no âmbito de todo o currículo escolar, por isso,

Faz-se necessário o resgate da cultura brasileira no mundo da dança através da tematização das origens culturais, sejam do índio, do branco ou do negro, como forma de despertar a identidade social do aluno no projeto de construção da cidadania. (CASTELLANI FILHO, 2009, p. 82).

Além disso, a dança contribui também para o desenvolvimento pleno do educando, pois ele pode mostrar a capacidade que tem de criar, expressar, aprender, socializar e cooperar.

Para Ferreira (2009), “A aprendizagem dos movimentos complexos da dança faz com que cresçam mais conexões entre neurônios, aprimorando a memória; assim ficamos mais aptos a processar informações e aprender.”

É essencial também para os alunos, experiências que promovam o aprimoramento de sua criatividade, que favoreçam a sensação de alegria, para que possam canalizar sua energia, seu humor e seu temperamento, permitindo que o sujeito se revele e desperte para o mundo, numa relação consigo e com os outros, de forma consciente.

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Apesar disso, muitos professores não incluem a dança no seu Plano de Ensino por não se sentirem preparados. Nenhuma faculdade deixa seu graduado plenamente preparado para atuar em todas as abrangências de seu ensino. É importante que o profissional tenha consciência de suas limitações e busque uma forma de superá-las, pensando no benefício que trará para o educando, projetando a sua própria formação continuada.

Nesta Pesquisa, o capítulo I tematiza a Educação Física na atualidade, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais que a trata como a área da cultura corporal do movimento, para que possa dar oportunidades a todos os alunos a fim de que se desenvolvam suas potencialidades, de forma democrática e não seletiva, visando seu aprimoramento como seres humanos. Além disso, trataremos neste capítulo, a inclusão da dança no Contexto Escolar que vem oferecer uma opção a mais ao profissional de Educação Física, auxiliando-o na construção de um currículo diversificado ao alcance de seus objetivos.

Já no segundo capítulo, trata-se da dança no contexto escolar como uma oportunidade a mais aos professores de Educação Física para desenvolverem seus educandos plenamente, pois a dança, assim como Educação Física de forma geral, auxilia no processo de ensino e aprendizagem.

No capítulo III, apresenta-se a metodologia utilizada para o desenvolvimento dessa pesquisa, as falas da comunidade escolar entrevistada e a análise das vozes dos pais, professores, alunos e gestores, respectivamente. A pesquisa e as falas apresentam dados extremamente importantes sobre o porquê de não se ter incluído a dança no contexto da Escola de Educação Básica Otília Müller.

O capítulo IV é uma pequena metodologia para servir de base aos professores que sentem dificuldade do “o que ensinar”, do “como ensinar” e do “para que ensinar”. A partir de sua leitura, o educador terá um passo a passo de como incluir a dança em suas aulas de Educação Física, auxiliando assim, o desenvolvimento pleno de seu educando.

Enfim, a pesquisa aqui apresentada serve a todos que estejam envolvidos direta ou indiretamente com a Educação Física no contexto escolar, levando-os a pensar mais sobre a dança e os benefícios trazidos por ela a toda a comunidade escolar. Continue sua leitura, apreciando e refletindo sobre o tema.

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CAPÍTULO I

No capítulo inicial a oportunidade de demarcar reflexões sobre a Educação Física e a importância da dança enquanto conteúdo de sua responsabilidade.

1.1 PCNS E A EDUCAÇÃO FÍSICA HOJE

A Educação Física Escolar tem como eixo norteador os PCNs que se constituem num dos referenciais teóricos que busca a reflexão sobre os conteúdos curriculares a nível Nacional. Tendo em vista orientar e garantir a coerência das políticas de melhoria da qualidade de ensino, socializando discussões, pesquisas e recomendações, além de nortear a prática pedagógica do docente desta área, principalmente objetivando mostrar as formas e meios de adequação no que se refere à construção do planejamento, para que este se efetive de maneira dinâmica e concreta.

As abordagens tratadas pelos PCNs Brasil de 1998, são a psicomotora, a construtivista, a desenvolvimentista e a crítica. Essas abordagens proporcionaram, na Educação Física, uma ampliação da visão da área, tanto no que diz respeito à natureza de seus conteúdos quanto no que refere aos seus pressupostos pedagógicos de ensino e aprendizagem. Reavaliaram- se e enfatizaram-se as dimensões psicológicas, sociais, cognitivas, afetivas e políticas, concebendo o aluno como ser humano integral. Além disso, foram englobados objetivos educacionais mais amplos, não apenas voltados para a formação de físico que pudesse sustentar a atividade intelectual, e conteúdos mais diversificados, não só restritos a exercícios ginásticos e esportes.

Os PCNs (Brasil, 1998, p.23) afirmam que,

A psicomotricidade é o primeiro movimento mais articulado que aparece a partir da década de 70 em contraposição aos modelos anteriores. Nele, o envolvimento da Educação Física é com o desenvolvimento da criança, com o ato de aprender, com os processos cognitivos, afetivos e psicomotores, ou seja, buscando garantir a formação integral do aluno. A Educação Física é, assim, apenas um meio para ensinar Matemática, Língua Portuguesa, sociabilização... Para este modelo, a Educação Física não tem um conteúdo próprio, mas é um conjunto de meios para a reabilitação, readaptação e integração, substituindo o conteúdo que até então era predominantemente esportivo, o qual valorizava a aquisição do esquema motor, lateralidade, consciência corporal e coordenação viso-motora.

A Educação Física como uma área de conhecimento da cultura corporal de movimento e a Educação Física escolar como um componente que introduz e integra o aluno na cultura

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corporal de movimento, formando o cidadão que vai produzi-la, reproduzi-la e transformá-la, instrumentalizando-o para usufruir dos jogos, dos esportes, das danças, das lutas e das ginásticas em benefício do exercício crítico da cidadania e da melhoria da qualidade de vida.

Conforme os PCNs (BRASIL, 1998) a cultura corporal tem seu valor no que se refere às atividades culturais de movimento voltadas para a vida, com fins de se buscar o lazer, a expressão de sentimentos, afetos e emoções, e com possibilidades de promoção, recuperação e manutenção da saúde. Portanto, com essa visão de cultura corporal, pretende-se dar subsídios, a partir desses conteúdos (ginástica, jogos, lutas, esportes,dança, brincar) no que se refere à fundamentação das propostas em Educação Física. De acordo com o documento em questão, os conteúdos da cultura corporal de movimento que dizem respeito aos conhecimentos sobre o corpo têm por finalidade explicitar a autoconquista obtida pelos alunos mediante as práticas corporais, de forma a fazer com que o aluno compreenda o seu corpo como um organismo integrado ao meio físico e cultural.

Os conteúdos estão organizados em três blocos, que deverão ser desenvolvidos ao longo de todo o ensino fundamental. O primeiro bloco é dos Esportes, jogos, lutas e ginásticas, o segundo é das Atividades rítmicas e expressivas e o terceiro é dos Conhecimentos sobre o corpo. Os três blocos articulam-se entre si, têm vários conteúdos em comum, mas guardam especificidades.

Os PCNs (Brasil, 1998, p.70) atribuem-se ao esporte a seguinte definição:

[...] considera-se esporte as práticas em que são adotadas as regras de caráter oficial e competitivo, organizadas em federações regionais, nacionais e internacionais que regulamentam a atuação amadora e a profissional. Envolvem condições espaciais e de equipamentos sofisticados como campos, piscinas, bicicletas, pistas, ringues, ginásios etc. (BRASIL, 1998, p. 70).

Desde modo, o esporte é visto pela maioria dos professores como um fenômeno extremamente importante, pois encontramo-nos com ele a toda hora e em todos os instantes, mesmo sem praticá-lo. Além disso, o esporte ganha muita força e espaço nas aulas de Educação Física, pois além de estar fortemente ligado a nossa cultura é também instrumento ideológico, midiático e tem na história da Educação Física, especial interferência em parte da caminhada desta área, ao que hoje já se concebe outros modos de entender, sem desmerecer sua relevância, que não supera a relevância dos demais saberes, ou seja, se equivale, pois todos os saberes são necessários para a formação ampliada dos sujeitos.

Segundo os PCNs (BRASIL, 1998) nos jogos existe a possibilidade de mudanças no que se refere a sua forma de organização, e isso pode ser feito de acordo com as necessidades

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e condições onde vai ser praticado. Além disso, o jogo pode assumir caráter competitivo, recreativo ou mesmo cooperativo. Para o documento, os alunos devem desenvolver através do jogo a capacidade de usufruir do seu tempo de lazer e integração social, atitudes cooperativas, criatividade, valorização de sua própria cultura.

Os Parâmetros Curriculares Nacionais de Educação Física (BRASIL, 1998, p.70), concebe lutas na seguinte visão:

As lutas são disputas em que o(s) oponente(s) deve(m) ser subjugado(s) com técnicas e estratégias de desequilíbrio, contusão, imobilização ou exclusão de um determinado espaço na combinação de ações de ataque e defesa. Caracterizam-se por regulamentação específica a fim de punir atitudes de violência e de deslealdade. (BRASIL, 1998, p. 70).

De acordo com os PCNs (BRASIL, 1998, p. 70) tem-se a seguinte definição para ginásticas: “são técnicas de trabalho corporal que, de modo geral, assumem um caráter individualizado com finalidades diversas”. Dessa forma a aplicação da ginástica pode adotar variadas formas, pois pode ser utilizada como treinamento de base, como meio de se buscar o relaxamento, ou mesmo na conservação e recuperação da saúde, além de ser empregada ainda como prática de lazer, competição e até como meio de convívio social.

Fundamentados em estudos presentes nos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998, p. 71) podemos ter as seguintes definições para as atividades rítmicas e expressivas:

Este bloco de conteúdos inclui as manifestações da cultura corporal que têm como característica comum a intenção explícita de expressão e comunicação por meio dos gestos na presença de ritmos, sons e da música na construção da expressão corporal. Trata-se especificamente das danças, mímicas e brincadeiras cantadas. Nessas atividades rítmicas e expressivas encontram-se mais subsídios para enriquecer o processo de informação e formação dos códigos corporais de comunicação dos indivíduos e do grupo.

Em se tratando de ritmo e expressão não se pode deixar de fazer uma abordagem acerca da dança, pois esta prática caracteriza muito bem os aspectos a que se refere este bloco de conteúdos. Pacheco (1996) em seu estudo referente à dança na cultura corporal publicado nos anais do I Encontro Fluminense de Educação Física Escolar que;

Os movimentos corporais sempre estiveram presentes no desenvolvimento histórico humano, sendo uma necessidade de representação cultural e social do homem. Parece uníssono o pensamento de que dança enquanto manifestação da cultura corporal humana é passível de ser tematizada como conteúdo da educação física

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escolar, bem como, de atender a objetivos e propostas pedagógicas da instituição educacional. (PACHECO, 1996, p.28).

A autora evidencia ainda que se deve perceber a dança como um fenômeno inseparável de suas dimensões sociais, culturais e históricas, onde o significativo das relações humanas é construído e reconstruído. Portanto, tomando como base este contexto, a dança tem extrema valorização por proporcionar o desenvolvimento da “capacidade crítica, cooperação, versatilidade e autonomia do grupo na elaboração de seus próprios movimentos, produção coreográfica, superação de conflitos, discussão e expressão” (PACHECO, 1996, p.29).

Num país com ricas manifestações de dança como a capoeira, o samba, o maracatu, o frevo, o baião, o xote, o xaxado, entre muitas outras, surpreende-nos o fato de a Educação Física, em algumas escola, desconsiderada essas produções da cultura popular como objeto de ensino e aprendizagem. A diversidade cultural que caracteriza o país tem na dança uma de suas expressões mais significativas, constituindo um amplo leque de possibilidades de aprendizagem.

No sentido educacional da dança, podemos perceber que ela oportuniza aos alunos momentos de elaboração de seus próprios movimentos, pois desenvolve iniciativa e autonomia, ou seja, liberdade de escolha e expressão. Ainda com fins educacionais, trabalhar com a dança significa possibilitar aos educandos a compreensão de seu corpo como sendo um instrumento que dá vida aos sentimentos.

Os PCNs se baseiam numa educação histórico-social, proporcionando ao indivíduo condições para exercer sua cidadania. Nesse sentido, uma educação pautada nos PCNs forma cidadãos conscientes, mas antes de tudo é preciso professores conscientes da necessidade de aprimorar seus conhecimentos, seja nas bases teóricas que fundamentam a sua prática ou ainda na sua prática que sustenta a sua teoria.

1.2. A DANÇA NA ESCOLA

Os conteúdos da dança são amplos, diversificados e podem variar muito de acordo com o local em que a escola estiver inserida. Sem dúvida alguma, resgatar as manifestações culturais tradicionais da coletividade, principalmente por meio das pessoas mais velhas, é de fundamental importância. Além do que, considerar o momento presente, as curiosidades, a mídia, a evolução humana são outros olhares complementares e importantes para a vivacidade

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da dança na vida e na escola. A pesquisa sobre danças e brincadeiras cantadas de regiões distantes, com características diferentes das danças e brincadeiras locais, pode tornar o trabalho interessante, por exemplo.

A dança ligada à música foi a primeira manifestação humana. Ela foi, na pré-história, uma forma de comunicação, religião, divertimento e conhecimento. Mais tarde, permeou e ainda permeia muitos outros cenários: privados, sociais, festivos. Desta forma, não poderia a dança ser uma forma de educação? Segundo Steinhilber (2000, p. 8): “Uma criança que participa de aulas de dança [...] se adapta melhor aos colegas e encontra mais facilidade no processo de alfabetização.”

A inclusão da dança no Contexto Escolar só vem oferecer uma opção a mais ao profissional de Educação Física, auxiliando-o na construção de um currículo diversificado ao alcance de seus objetivos. Isto só vem mostrar quão rica de oportunidades é a área da Educação Física, visto que a dança e a Educação Física se completam, uma vez que a Educação Física necessita de estratégias de conhecimento do corpo e a dança das bases teóricas da Educação Física para que seja melhor desenvolvida, sendo assim, dança é conteúdo do componente curricular Educação Física.

Para Ferreira (2009), “A aprendizagem dos movimentos complexos da dança e de outros esportes faz com que cresçam mais conexões entre neurônios, aprimorando a memória; assim ficamos mais aptos a processar informações e aprender”.

A dança na Educação Física possui um papel fundamental enquanto atividade pedagógica e pode despertar no aluno uma relação concreta sujeito-mundo. Atividades indicam estímulos das capacidades de solucionar problemas de maneira criativa; desenvolver a memória; o raciocínio; a autoconfiança e a autoestima; fazendo com que os sujeitos envolvidos tenham uma melhor relação com ela e com os outros; ampliando o seu repertório de movimentos. A estas propostas podemos verificar a dança e a sua contribuição para o desenvolvimento das inteligências múltiplas de Howard Gardner. Para ele todos nós temos potenciais diferentes, nascemos com capacidade para desenvolver todas as inteligências. Fazemos isso naturalmente. (GARDNER, 1995)

É de extrema importância que o professor se utilize da dança para melhor desenvolver seu educando, pois, conforme Ferreira (2009), “a Dança inserida no contexto da Dança Escolar, é uma atividade física formativa e de socialização, uma vez que desenvolve os aspectos da personalidade, da valorização de um grupo e de preservação de raízes culturais”.

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Além disso, é importante que o professor tenha consciência de que, desta forma, estará contribuindo para o desenvolvimento do pensamento criativo, da sensibilidade, da percepção, da reflexão e da imaginação.

Ferreira (2009) afirma que,

Ao se iniciar um trabalho de Dança Escolar, deve-se priorizar o desenvolvimento psicomotor e não a técnica; porém, é essencial que as crianças conheçam alguns itens, desde o primeiro momento e os dominem, para que as aulas possam transcorrer de forma agradável, dinâmica e com fluidez (FERREIRA, 2009).

Para que isso aconteça, as atividades a serem desenvolvidas devem ser naturais e dentro da perspectiva motora. Ou seja, o educador precisa estar consciente do desenvolvimento do seu educando e também saber o que pode ser exigido para cada faixa etária, uma vez que as atividades devam ter um crescimento gradativo, para que a criança vá desenvolvendo aos poucos, dentro do que a sua idade e condição física permitam.

Carbonera e Carbonera (2008) ainda escreve que,

Atividades que estejam voltadas para uma sequência pedagógica que inicie do simples para o complexo, do concreto para o abstrato, do espontâneo para o específico, das atividades de menor duração, para as de longa duração e de um ritmo inicialmente lento, progredindo para o "allegro", mais agitado. [...]Um fator muito importante a ser relevado é o de não adotar uma didática massificante e mecânica (cópia de movimentos) para o ensino da Dança na escola, pois estaria tirando a individualidade da criança e bloqueando sua criatividade e espontaneidade.[...] O professor tem que saber explorar o potencial do aluno, possibilitando seu desenvolvimento natural e favorecer o despertar da criatividade (Carbonera e Carbonera 2008, p. 44-45).

Para que os objetivos de se trabalhar dança no contexto escolar sejam alcançados, faz-se necessário que o professor planeje coerentemente o conteúdo defaz-senvolvido, caracterizando-o ccaracterizando-om uma lógica didática ccaracterizando-om relaçãcaracterizando-o a seus caracterizando-objetivcaracterizando-os, à caracterizando-organizaçãcaracterizando-o dcaracterizando-os ccaracterizando-onteúdcaracterizando-os, à escolha metodológica, aos procedimentos a serem tomados e não simplesmente trabalhar por que é obrigado. Todas essas decisões devem ser tomadas sob uma concepção de educação e, portanto, de Educação Física, para que efetivamente o professor venha a escolher o caminho correto para a consecução dos seus objetivos educacionais.

Howard Gardner (1995), define inteligência como a habilidade para resolver problemas ou criar produtos que sejam significativos em um ou mais ambientes culturais. Ele identificou as inteligências em:

Inteligência Características

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· possui amplo vocabulário;

· transmite informações complexas com facilidade.

Lógico-matemática · facilidade para detalhes e análises; · prefere abordar os problemas por etapas (passo a passo);

· discernimento de padrões e relações entre objetos e números.

Espacial · sua percepção do mundo é

multidimensional;

· facilidade para distinguir objetos no espaço;

· bom senso de orientação.

Musical · bom senso de ritmo;

· a música evoca emoções e imagens; · boa memória musical.

Corporal-cinestésica · boa mobilidade física; · prefere aprender “fazendo”;

· facilidade para atividades como dança e esportes corporais.

Interpessoal · facilidade para comunicação;

· aprecia a companhia de outras pessoas; · prefere esportes em equipe.

Intrapessoal · reflexiva e introspectiva;

· capaz de pensamentos independentes; · autodesenvolvimento e autorrealização.

Naturalística · confortável com os elementos da

natureza;

· bom entendimento de funções biológicas;

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universo, evolução da vida e preservação da saúde.

GARDNER, H. Inteligências Múltiplas: a teoria na prática. Porto Alegre, Artes Médicas, 1995.

Através desse quadro, pode-se perceber que a dança hoje, em muitas escolas, é percebida pelo seu valor em si, não mais como um divertimento ou passatempo, pois está voltada para o desenvolvimento global da criança e do adolescente, favorecendo todo tipo de aprendizado que eles necessitam.

As atividades a serem aplicadas com as crianças devem envolver o andar, correr, saltar, saltitar, equilibrar, rodopiar, girar, rolar, pendurar, puxar, empurrar, deslizar, rastejar, galopar e lançar. Desenvolvimento da noção de tamanho, forma, agrupamento e distribuição (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 2001). Todas estas possibilidades adentram tranquilamente nas experiências com danças, inclusive enriquecendo-as, já que dançar enquanto perspectiva pedagógica, ultrapassa os modos fixados em cópias e repetições desconectas, podendo levar ao pensar sobre quem sou, como sou e aonde vou com meu corpo em movimento, rico em expressões.

O professor tem que saber explorar o potencial do aluno, possibilitando seu desenvolvimento e favorecendo o despertar da criatividade. Um fator muito importante a ser relevado é o de não adotar uma didática massificante e mecânica (cópia de movimentos) para o ensino da dança na escola, pois estaria tirando a individualidade da criança e bloqueando sua criatividade e espontaneidade.

A dança, no contexto escolar, desde que aplicada adequadamente e com consciência pedagógica, traz ao educando a possibilidade de uma formação corporal global, ampliando suas capacidades de interação social e afetiva, desenvolvendo as capacidades motoras e cognitivas. À medida que seja realizada de forma lúdica e não apenas competitiva, a dança escolar passa a ser agente de formação e transformação, possibilitando oportunidades de humanização e integração entre todos os alunos, aumentando assim a autoestima e colocando em prática o sentido de uma educação voltada para a inclusão. Os responsáveis para que isso aconteça na prática são os professores de Educação Física preparados e previamente planejados, a fim de que consigam um ensino que instigue em seus educandos o envolvimento, a motivação, o entusiasmo, a curiosidade, o sentido de humor e o espírito crítico, fundamentado em construção de conhecimentos. Não é tarefa fácil, mas é gratificante.

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CAPÍTULO II

Neste capítulo percorreremos o caminho da pesquisa, sua metodologia e os resultados dela advindos.

2.1 CONTEXTUALIZANDO A ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA OTÍLIA MÜLLER

A pesquisa “A Importância da Dança no Contexto Escolar” foi desenvolvida com os pais, alunos, professores e gestores da Escola de Educação Básica Otília Müller. Essa escola está localizada na Avenida 29 de Novembro, n° 1672, no Centro de Chapadão do Lageado/SC. Cep: 88407-000. As formas de contato da escola são: telefone – (47) 3537-0074; fax – (47) 3537-0074; e-mail: [email protected]; e Blog: http://omuller74.blogspot.com

A escola atende alunos das Séries Finais do Ensino Fundamental e o Ensino Médio com curso de Educação Geral. É mantida pela Secretaria de Estado da Educação através da 13ª Gerência Regional de Educação de Ituporanga/SC.

A escola recebeu o nome de Otília Müller em homenagem a esta senhora que se dedicava muito a trabalhos comunitários e também por ter, um de seus filhos, contribuído significativamente para o desenvolvimento de Ituporanga. Esse filho dedicou-se a política, chegando a exercer o cargo de Deputado Estadual. Como Deputado, buscou apoio para a construção da escola.

A Escola Reunida Otília Müller iniciou suas atividades letivas no ano de 1948 com o Ensino Fundamental, 1ª a 4ª séries, em 1981, passou a se chamar Escola Básica, em virtude da implantação da 5ª série, em 1997, transformou-se em Colégio Estadual, em virtude da criação do Ensino Médio. Atualmente a escola é denominada Escola de Educação Básica Otília Müller, na qual atende alunos do Ensino Fundamental – Séries Finais e Ensino Médio. Por ter iniciado suas atividades em 28 de junho, comemora-se o aniversário da escola, todos os anos, nesta data/mês.

A comunidade escolar é formada por 01 Diretor de Escola, 01 Assessora de Direção, 01 Assistente de Educação, 01 Assistente Técnico-pedagógica, 06 professores efetivos, sendo que 02 estão ocupando cargo comissionado e 01 está a disposição da municipalização, 09 professores ACTs, 03 Serventes, 129 alunos nas séries finais do Ensino Fundamental, 157 alunos no Ensino Médio, totalizando 286 alunos.

As famílias que pertencem à escola são oriundas de todas as comunidades que pertencem ao município. Em 2011, foi feito um questionário para identificar as características

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das famílias que pertencem à comunidade escolar. Essas famílias têm um perfil sócio-econômico bem diversificado, mas a maioria se considera classe média baixa e a renda é oriunda da agricultura. O grau de instrução da maioria dos pais e/ou responsáveis é Ensino Fundamental Incompleto.

A concepção filosófica da Escola de Educação Básica Otília Müller fundamenta-se na Proposta Curricular de Santa Catarina, um instrumento para que os educadores aprofundem seus conhecimentos pedagógicos e possam assim, elevar a qualidade do ensino, garantindo a socialização do patrimônio cultural da humanidade. Baseia-se no Materialismo Histórico, cuja corrente filosófica fundamenta-se nos trabalhos de Marx. Seu objetivo principal é fundamentar a ação pedagógica numa perspectiva histórico-social, na qual o papel da escola, do professor e o conhecimento, estejam a serviço da cidadania crítica.

O papel do professor é fazer a mediação entre a herança histórica (trazida pelo aluno) e o conhecimento socialmente construído pela humanidade e a partir daí, proporcionar a construção de novos conhecimentos, novas possibilidades, colaborando na formação de um sujeito que através da apropriação de conceitos, percebe-se determinado e capaz de operar conscientemente mudanças na sociedade.

A concepção de aprendizagem que dá suporte ao Projeto Político Pedagógico da escola fundamenta-se no SOCIOINTERACIONISMO, também conhecida como histórico-cultural ou sócio-histórica. À medida que considera todos capazes de aprender e compreende que as relações e interações sociais estabelecidas pelas crianças e pelos jovens, são fatores de apropriação de conhecimento, traz consigo a consciência da responsabilidade ética da escola com aprendizagem de todos, uma vez que ela é interlocutora privilegiada nas interações sociais dos alunos.

2.2 O PLANO DE ENSINO DE EDUCAÇÃO FÍSICA DA ESCOLA DE EDUCAÇÃO BÁSICA OTÍLIA MÜLLER

O Plano de Ensino de Educação Física, assim como das demais disciplinas, tem como base o documento “Orientação Curricular Com Foco No Que Ensinar: Conceitos E Conteúdos Para A Educação Básica” elaborado pela Secretaria de Estado da Educação/SED-SC, por meio da Diretoria de Educação Básica e Profissional/DIEB, em 2011.

O documento apresenta orientações curriculares, em atendimento ao Artigo 210, da Constituição Federal de 1988, que determina como dever do estado para a educação fixar “conteúdos mínimos [...] de maneira a assegurar a formação básica comum e respeito aos

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valores culturais e artísticos, nacionais e regionais” voltadas, estas orientações, à organização e ao funcionamento das unidades escolares de Educação Básica e Profissional da rede estadual de ensino de Santa Catarina.

Para tanto, toma por base:  A LDB n° 9.394/96.

 A Emenda Constitucional n° 59, de 11 de novembro de 2009.  O Parecer CNE/CEB n° 07, de 07 de abril de 2011.

 A Resolução CNE/CEB n° 04, de 13 de julho de 2010.  A Resolução CNE/CEB nº 7, de 14 de dezembro de 2010.  A Proposta Curricular de SC/1991/1998.

 A Diretriz nº 3: Organização da prática escolar na Educação Básica: conceitos científicos essenciais, competências e habilidades 2001.

 O Caderno de estudos temáticos/2005.

 As leis e diretrizes para os temas transversais e a diversidade.  A política de Educação Especial de Santa Catarina.

Estes marcos referenciais e legais situam a escola como espaço de apropriação do conhecimento e reconstrução das identidades culturais, assegurando a formação básica comum nacional, com o foco nos sujeitos que dão vida ao currículo e à escola, onde se aprende a valorizar as raízes próprias das diferentes regiões do país.

Desta forma, a palavra currículo remete a uma reflexão fundamentada no para quem, no o quê, no por quê, como e quando ensinar, aprender e avaliar, reconhecendo interesses, diversidades, diferenças sociais e, ainda, a história cultural e pedagógica de nossas escolas.

Para a disciplina de Educação Física, os conceitos a serem trabalhados durante todo o ensino fundamental e médio são: corporeidade, movimento, ginástica, jogo, dança e esporte.

Dentro desses conceitos, os conteúdos a serem apropriados pelos educandos são: habilidades motoras de base, ginástica de solo, ginástica rítmica, atividade física e saúde, jogos tradicionais/grandes jogos, tênis de campo, tênis de mesa, xadrez, esporte individual – atletismo, esporte coletivo – handebol, basquetebol, voleibol, futebol/futsal, esportes regionais e a importância da educação física no ensino médio.Como conteúdo da dança, o Estado de Santa Catarina sugere que sejam trabalhados os seguintes itens: Fundamentação teórica; Histórico; Evolução; Aspectos culturais da dança; Classificação da dança: Danças folclóricas; Danças populares; Danças de salão e Danças regionais.

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A SED/DIEB sugerem que essas Diretrizes e a Proposta Curricular de Santa Catarina constituam-se como balizadoras para uma análise desta proposta preliminar de conceitos e conteúdos voltados à Educação Básica na rede pública estadual de ensino.

Na organização e gestão do currículo, as abordagens disciplinar, pluridisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar requerem a atenção criteriosa da instituição escolar, porque revelam a visão de mundo que orienta as práticas pedagógicas dos educadores e organizam o trabalho do estudante.

A unidade entre pensamento e ação está na base da capacidade humana de produzir sua existência. É na atividade orientada pela mediação entre pensamento e ação que se produzem as mais diversas práticas que compõem a produção de nossa vida material e imaterial: o trabalho, a ciência, a tecnologia e a cultura.

Por essa razão, trabalho, ciência, tecnologia e cultura são instituídos como base da proposta e do desenvolvimento curricular na Educação Básica, de modo a inserir o contexto escolar no diálogo permanente, com a necessidade de compreensão de que estes campos não se produzem independentemente da sociedade, e possuem a marca da sua condição histórico-cultural.

2.3 DESENVOLVIMENTO METODOLÓGICO

O caminho metodológico utilizado para investigar a problemática central deste trabalho de conclusão de curso – “consultar a comunidade escolar com vistas a encontrar, conjuntamente, caminhos para elaboração e implantação da dança como conteúdo de Educação Física na Escola de Educação Básica Otília Müller” – valeu-se de uma abordagem qualitativa, fazendo-se uso de um questionário aberto.

O roteiro elaborado para a entrevista foi diferente para cada categoria, pois a cada uma delas, queria-se saber de aprofundamentos da abordagem dança de modos diferentes. No entanto, o número de questões foi quase o mesmo, cinco para os pais e alunos e seis para professores e equipe gestora. Como o tempo para realização da pesquisa era limitado, estipulou-se quinze dias para a entrega dos questionários.

Após o recebimento do questionário, veio o momento de tabular e agrupar em categorias todas as respostas. Várias leituras para compreender os dados, foram realizadas. Era o momento de perceber quais as justificativas, permitindo tecer os comentários necessários e construir caminhos possíveis para as questões aqui problematizadas. Ressalva-se ainda, ser necessário que outros trabalhos sejam realizados e que neles, outros protagonistas

(22)

possam ter a palavra para que possam favorecer, de fato, a implantação da dança nas aulas de Educação Física na Escola de Educação Básica Otília Müller, com base nas vozes dos atores que a compõem.

Aumentou muito, nos últimos anos, as pesquisas que tem como foco a dança e sua importância para o desenvolvimento pleno do educando. As questões que são mais discutidas são as relacionadas com o currículo, com o contexto escolar e com a dança propriamente dita. É com o objetivo de se entender e, acima de tudo, apontar sugestões, que se planejou ouvir as vozes dos que estão diretamente envolvidos no contexto escolar: Professores, alunos, pais e equipe gestora.

O estudo se caracterizou a partir do fato de que a dança apresenta uma riqueza de possibilidades em vivências corporais, sociais e afetivas, ou seja, tem papel especial na formação humana. Ela possibilita diferentes experiências estéticas que promovem “a ampliação da sensibilidade – como a capacidade de percepção do mundo, tornando capaz de vivenciá-lo, refleti-lo e recriá-lo” (SARAIVA et al, 2005a, p. 61).

A composição do campo de pesquisa se configurou a partir da intenção de se ter uma amostra que pudesse, de alguma forma, representar a realidade da EEB. Otília Müller. A pesquisa envolveu cinco professores, cinco gestores, assessores e orientadores, cinco alunos do Ensino Médio e seus respectivos pais.

(23)

CAPÍTULO III

Começaremos esta etapa pela apresentação dos dados coletados através dos caminhos metodológicos citados no capítulo anterior, unindo-os aos objetivos da pesquisa e a responsabilidade assumida no percurso da mesma.

3.1 APRESENTAÇÃO DOS DADOS DA PESQUISA

Com a intenção de se apresentar a tabulação completa dos dados, reuniu-se neste espaço as respostas colhidas nos questionários. Esses dados foram categorizados conforme a visão dos pais, alunos, professores e equipe gestora. Cinco pessoas de cada segmento responderam a essas questões. A seguir pontuo os dados coletados via metodologia da pesquisa, anteriormente explicitada.

3.1.1 PAIS

Como pai, você considera a Educação Física uma matéria importante? ( ) sim ( ) não

 Os cinco pais responderam SIM

Você vê as aulas de Educação Física mais como brincadeira ou como matéria parte formadora do aluno?

 Como matéria, apesar de que para os alunos parece brincadeira;  Como parte formadora do aluno (3);

 Acredito que essas aulas ensinam ao aluno a importância de se exercitar. Você acha que se deve incluir a dança nas aulas de Educação Física?

( ) sim ( ) não

 Os cinco pais responderam SIM

Seu filho (a) já teve dança nas aulas de Educação Física? ( ) sim ( ) não

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 Um pai respondeu não. Se sim, o que você achou?

 Muito bom, pois ela faz muito bem para o corpo e a mente;

 Achei legal diversificar as atividades, fazer com que eles entendam que a dança faz parte do desenvolvimento psicomotor;

 Muito bom, pois o aluno pode ter mais contato com o outro aluno, que normalmente não tem;

 Foi muito bom, pois meus filhos vinham para casa contetes com a diferença das aulas.

Sabendo que a dança é importante para a desenvolvimento da coordenação motora e ajuda no comportamento, você concordaria na realização de um projeto desta natureza na escola de seu filho?

( ) sim ( ) não

 Os cinco pais responderam SIM

3.1.2 ALUNOS

Você gosta de dançar? ( ) sim ( ) não

 Os cinco alunos responderam SIM Se sim, o que a dança lhe traz de bom?

 Autoestima, é um tipo de exercício;

 Além de ser uma atividade física que tira do sedentarismo, proporciona novas amizades;

 A dança além de ser uma atividade física que nos proporciona bem ao corpo, é uma forma de lazer e é relaxante;

 Me traz maior coordenação motora, além de ser uma atividade relaxante;  Ajuda no contato com outras pessoas.

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( ) sim ( ) não

 Os cinco alunos responderam SIM Justifique sua resposta

 Ajuda no contato com outras pessoas e na coordenação motora;  Com a dança aprendemos a ter disciplina;

 Faz o corpo todo interagir, beneficia quem gosta de dançar por prazer, pois isso lhe faz bem e deixa mais relaxada nas outras atividades diárias;

 Pois pode ensinar um novo modo de atividade física, além de proporcionar o entrosamento em grupos;

 Ajuda na coordenação motora, no comportamento e no companheirismo. Em algum ano de sua escolaridade, teve dança nas aulas de Educação Física? ( ) sim ( ) não

 Quatro alunos responderam SIM;  Um aluno respondeu não.

Se sim, como foi a experiência?

 Foram muito inovadoras e divertidas;  Foram divertidas e estimulantes;

 Eu gostei porque dançar é uma das atividades físicas que eu mais gosto;  Muito boa, pois eu adoro dançar.

Como aluno (a), você gostaria que na sua escola tivesse dança? ( ) sim ( ) não

 Os cinco alunos responderam SIM Justifique sua resposta

 Haveria maior interatividade entre os alunos;  A dança é uma ótima atividade física;

 Tornaria as aulas diferentes;

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participar;

 Seria uma oportunidade para todos aprenderem.

Você considera importante enriquecer os conteúdos da Educação Física com a dança, pra não ficar somente nos jogos?

( ) sim ( ) não

 Os cinco alunos responderam SIM. Se sim, por quê?

 Para não ficar jogando os mesmos jogos, ter algo diferente;

 É bom diversificar os conteúdos, torna-se a aula mais atrativa e divertida;  Para sair um pouco da competição, todos estariam interagindo juntos;  Porque a Educação Física não pode ser feita só de jogos.

 Porque com a dança, os alunos aprendem a respeitar o espaço um do outro.

3.1.3 PROFESSORES FORMADOS E TRABALHAM NA AREA

Você trabalha dança? Se sim, o quê?  Três responderam NÃO;

 Um respondeu só como desenvolvimento motor;  Um não respondeu.

Se não, por quê?

 Porque não gosto de trabalhar essa modalidade, pois não tenho muito jeito. Sei da importância, mas me sinto constrangido;

 Por não ter desenvoltura, jeito e especialização;  Por não ter muito jeito com essa modalidade.

Na sua formação teve alguma matéria especifica sobre dança?  Os cinco responderam que SIM.

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 O suficiente para aprender e tornar práticas as aulas e o mais importante, conhecer o potencial da dança para o aprendizado e convívio social.

 Não foi o suficiente para que se tenha conhecimento para ensinar os alunos;  Teve dança I e II, mas não foi o suficiente para atuar como professor específico

de dança;

 Não considero suficiente, pois deveria ser algo mais específico e com elementos pedagógicos mais concretos;

 Não foi o suficiente para a prática.

Durante sua prática teve vontade de trabalhar dança, mas sentiu resistência por parte da direção, pais e alunos.

 Sim, pois a dança não é bem aceita por alguns alunos. Com a rejeição, a aula não se desenvolve e começa a ficar chata sem a participação;

 Não;

 Não, em nenhum modo;

 Não, pois pretendo aplicar um projeto sobre dança;  Não;

Se teve resistência, que argumentos foram utilizados?

 Dança é chata; não quero fazer isso; quando isso vai terminar...

Você considera importante a dança para o desenvolvimento da coordenação motora?  Muito importante, pois é uma prática que requer concentração, ritmo, tempo,

equilíbrio, direção, espaço, respeito ao próximo, etc.  Sim;

 Muito, principalmente no desenvolvimento motor, por usar ritmo, equilíbrio,...  Sim;

 Sim.

Além da coordenação motora, que outros benefícios a dança pode trazer para o educando?  A dança proporciona vários benefícios, mas a socialização é muito importante;  Equilíbrio, socialização, raciocínio, flexibilidade, autoconfiança.

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 Resistência aeróbica, desenvolvimento de força, ritmo, equilíbrio...

 Autoestima, ludicidade, corporeidade, lateralidade, noção de espaço temporal.  É uma modalidade completa.

3.1.4 DIREÇÃO

Você como gestor escolar acha viável se trabalhar dança nas aulas de Educação Física? ( ) sim ( ) não

 Sim, para diversificar a disciplina e não focar apenas nas práticas desportivas;  Sim, pois a dança é uma forma de expressão corporal, sendo que a dança auxilia

na coordenação motora da criança e faz com que ela perca a timidez perante os colegas;

 Sim, pois através da dança os alunos têm melhor desenvolvimento físico e começa a controlar o corpo;

 Sim, porque acredito que a dança contribui para o desenvolvimento integral do educando, além de ser um alimento para a alma do ser humano;

 Sim, pois ajuda o aluno em sua coordenação motora fazendo com que o aluno perca sua timidez perante os colegas dando mais confiança e tranquilidade.

O Plano de Ensino da sua escola contempla a modalidade dança como conteúdo para as aulas de Educação Física? ( ) sim ( ) não

 Sim, pois o Plano de Ensino está baseado na Proposta Curricular de Santa Catarina e nas orientações recebidas da SED, abrangendo jogos desportivos, ginástica e dança. No entanto, ainda não foi trabalhado pelo professor;

 Não, a Prefeitura oferecia aulas de dança através do Projeto Segundo Tempo, como atividade extraclasse;

 Não, pois o Plano de Ensino é elaborando pelo professor;  Não tenho conhecimento;

 Não, pois somente teve um projeto de dança oferecido pela prefeitura, mas não como conteúdo de dança, mas sim como uma atividade extraclasse.

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 Traz muitos, por exemplo, integração, coordenação motora e não é competitiva;  Sim, a dança inibe a timidez, auxilia no desenvolvimento motor, funciona como

terapia, é uma forma de exercitar todo o corpo, o aluno aprende vários ritmos e envolve o universo cultural;

 Sim, melhora o desenvolvimento físico e o autocontrole;

 Com certeza, melhora a autoestima, queima calorias, estimula a memorização, desenvolve conceitos de lateralidade, espaço e tempo, além de ser uma atividade lúdica;

 Sim, pois com a dança pode-se trabalhar todas as capacidades cognitivas da criança.

Na sua escola já teve algum professor que trabalhou ou trabalha a dança nas aulas de Educação Física? ( ) sim ( ) não

Se sim, que avaliação você faria?

 Sim, no entanto a experiência não foi muito boa, pois o professor sofre processo de assédio sexual. Porém isso não significa que a dança não traz benefícios, mas que o professor precisa ter ética e moral para desenvolver um bom projeto;  Não, já que a prefeitura oferecia como atividade extraclasse, para formarem um

grupo para representar a escola em eventos regionais;  Não;

 Sim, trabalhou dança de salão. Minha avaliação é muito positiva, pois além de todos os benefícios, evolveu todos os alunos e rompeu com o paradigma de que Educação Física é só esporte;

 Não, somente como projeto extraclasse. E quanto à comunidade escolar, houve boa aceitação?

 Com o professor que sofreu processo não, mas em projetos extraclasses com bons profissionais, a aceitação é grande;

 A comunidade escolar não gostava da forma que o projeto era aplicado, os pais reclamavam que os filhos não tinham horário para almoçar e/ou chegar em casa nos dias de apresentação, além de os professores reclamarem que os alunos chegavam cansados e não rendia nas aulas;

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 Sim;

 Não, pois a comunidade reclamava que por ser uma atividade extraclasse, cansava os alunos e eles não rendiam na escola o suficiente.

Sabendo que a dança ajuda no desenvolvimento físico, no comportamento e nas emoções, você vê chance em incluir a dança nos conteúdos escolares?

 Sim, pois ela faz bem ao corpo e a mente;

 Sim, mas para isso, o professor precisa gostar desse conteúdo para motivar os alunos;

 Acho que sim, desde que desenvolva os conteúdos nas aulas de Educação Física;

 Acredito que a dança deva fazer parte dos conteúdos escolares, pois auxilia no desenvolvimento cognitivo integral do educando, tornando-o um adulto mais dinâmico, atento, a dança proporciona um aprendizado maior sobre o universo cultural. Mas para isso, é necessário um profissional com conhecimento na área, que saiba identificar os pontos positivos, sem causar prejuízos nas demais disciplinas, já que os professores reclamavam que os alunos não rendiam após as aulas de dança;

 Acredito que será um grande avanço para a disciplina de Educação Física, mas a inclusão vai depender de o professor se sentir preparado.

Nas próximas páginas, seguiremos a análise dos dados coletados.

3.2 O QUE DIZEM OS PAIS

Ao serem consultados a respeito da importância da Educação Física como matéria escolar, todos os pais consideram-na como muito importante. Neste contexto, parece que os pais não pensam mais que estas aulas sejam apenas para lazer e descontração, subentendendo que há conhecimento implicado nesta área. Eles já têm consciência de que a Educação Física é responsável pelo amplo desenvolvimento das crianças e que auxilia na formação dos alunos.

Acredita-se que a mídia tem uma parcela de responsabilidade na mudança do pensamento de que a Educação Física seja mais que um momento de brincadeira, visto que

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muitos programas falem diariamente sobre os benefícios das atividades físicas e no combate a doenças relacionadas ao sedentarismo, como obesidade, diabetes e problemas cardíacos.

Quando questionados se na opinião deles a dança deveria ser incluída no Plano de Ensino de Educação Física, todos os pais foram unânimes em responder que sim. Com essa afirmação, conclui-se que o conceito de dança e seus benefícios também estão presentes no entendimento dos pais. Apesar de nem todos terem filhos que tiveram aula de dança.

Para os pais de alunos que tiveram dança nas aulas de Educação Física, eles consideraram que esta inclusão tenha trazido benefícios para a formação de seus filhos, auxiliando no desenvolvimento psicomotor e no relacionamento entre eles. Além disso, deixou os alunos mais animados pela atividade física diferente e pela diversificação das aulas.

Nesse sentido, vale lembra, as palavras de Rangel e Darido (2005) que acreditam que a dança desenvolvida no conteúdo da Educação Física escolar alcança alguns objetivos como: exploração da criatividade, ritmo, expressividade, entre outros. Assim, faz com que o aluno consiga produzir, transformar, reproduzir e ser crítico quando necessário.

Em virtude do fato de que os pais foram unânimes em concordar com a inclusão da dança nas aulas de Educação Física, percebe-se que eles já não têm mais resistência, pois pode-se verificar em suas falas que consideram essa modalidade importante, visto que traz vários benefícios para o desenvolvimento dos alunos e no relacionamento entre eles. Desta forma, os dados da pesquisa revelam que, por parte dos pais, é possível implantar a dança como conteúdo curricular nas aulas, pelo bem que traz aos alunos.

3.3 O QUE DIZEM OS ALUNOS

A partir da questão se os alunos gostam de dançar, percebeu-se que todos gostam, pois para eles a dança, além ser uma atividade diferenciada, aumenta a autoestima, é uma forma de lazer e de relaxar, melhora a coordenação motora, diminuindo o sedentarismo, melhorando o relacionamento entre eles e ampliando os laços de amizade.

Nesta perspectiva, a fala dos alunos está em conformidade com Pereira et al (2001, p.61) quando ressalta que

[...] a dança é um conteúdo fundamental a ser trabalhado na escola: com ela, podem-se levar os alunos a conhecerem a si próprios e/com os outros; a explorarem o mundo da emoção e da imaginação; a criarem; a explorarem novos sentidos, movimentos livres. Verifica-se assim, as infinitas possibilidades de trabalho do/para o aluno com sua corporeidade por meio dessa atividade (Pereira et al, 2001, p.61).

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A partir dos discursos dos alunos, no que diz respeito aos benefícios físicos e da formação através da dança, constata-se que os educandos têm consciência que esse conteúdo auxilia e projeta vários aspectos da vida e da aprendizagem. Essas falas significam o entendimento dos alunos com relação à dança e suas contribuições para o desenvolvimento motor, psíquico e cognitivo.

A dança, associada à Educação Física, tem um papel fundamental para despertar nos discentes uma relação concreta sujeito-mundo, pois esse processo de ensino e aprendizagem estimula a criatividade, desenvolve a memória e o raciocínio, fazendo com que os mesmos desenvolvam uma socialização melhor consigo mesmo e com os colegas.

As vozes discentes afirmam que gostariam que tivesse aula de dança na escola, uma vez que assim aumentaria a interatividade entre os alunos, diversificaria as aulas e contemplaria os alunos que não são habilidosos nos esportes, aumentando o público alvo e mais ainda ampliando o leque de vivências e estudos na Educação Física.

Os PCNs apontam como relevante que a escola seja capaz de,

(...) desempenhar papel importante na educação dos corpos e do processo interpretativo e criativo [em] dança, pois dará aos alunos subsídios para melhor compreender, desvelar, desconstruir, revelar e, se for o caso, transformar as relações que se estabelecem entre corpo, dança e sociedade (BRASIL, 1998, p.70).

Além dos itens citados pelos alunos, cabe reforçar que devemos incluir a dança, conforme diz Carbonera, Carbonera (2008),

Pois a dança colabora no desenvolvimento da coordenação motora, equilíbrio, flexibilidade, criatividade, musicalidade, socialização e o conhecimento da dança em si. Ainda mais em fase escolar, onde as aulas possuem um caráter lúdico e dinâmico, assim o educando terá a oportunidade de trabalhar o conhecimento do seu próprio corpo, noções de espaço e lateralidade, utilizando seus movimentos naturais, auxiliando no seu desenvolvimento e ainda trabalhando as expressões corporais e faciais de forma espontânea, fazendo com que ele não tenha problemas na fase adulta (CARBONERA; CARBONERA, 2008, p.09).

As respostas coletadas com os alunos demonstra que é importante enriquecer os conteúdos da Educação Física com a dança, porque diversificaria os estudos, tornando a aula mais divertida, atrativa, incluindo-os no debate acerca desta temática que pode abranger conhecimento, criticidade, interpretação quanto a mídia, afetividade, dentre outros.

Para Ferreira (2009),“A aprendizagem dos movimentos complexos da dança e de outros esportes faz com que cresçam mais conexões entre neurônios, aprimorando a memória; assim ficamos mais aptos a processar informações e aprender.”

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Apesar disso, as falas dos alunos nos deixa claro que eles têm consciência do benefício que a dança proporcionariam a cada um deles se fosse desenvolvida de forma coerente e consciente pelo professor de Educação Física. Além disso, as vozes também demonstram que esse conteúdo seria bem aceito pelos educandos.

3.4 O QUE DIZEM OS PROFESSORES

Todos os professores são formados e trabalham na área e ao serem consultados a respeito da inclusão da dança em suas aulas de Educação Física, a maioria respondeu que não, por não se sentirem a vontade para trabalhar essa modalidade. Cabe então pensar que ainda o professor entrevistado elege os conteúdos de acordo com sua história e não pelas suas macros responsabilidades, pela proposta da escola e forças de lei. No entanto, admitem que na formação tiveram matérias específicas sobre dança, apesar de nem todos considerarem suficiente.

Constatamos, a partir dos discursos dos professores, no que diz respeito à formação, que os cursos de Educação Física oferecem sim matérias específicas sobre dança, podem não ser suficientes, todavia não pode servir de argumento para não trabalhá-la em suas aulas. Outro argumento que não pode servir de justificativa para não trabalhar dança na EEB Otília Müller é a rejeição, pois, apenas um dos entrevistados, afirma que essa modalidade não é bem aceita por parte de alguns alunos. E mesmo que alguns alunos fossem contrários, há de se pensar que o professor é autoridade do saber, pois sempre haverá alunos que reclamem dessa ou daquela modalidade, por isso é preciso que o professor esteja consciente da importância de cada conteúdo e da lei e repasse aos seus educandos.

Essas constatações parecem nos encaminhar a uma problematização que merece ser questionada: se os professores, em suas vozes, afirmam que tiveram matérias específicas sobre dança e que não há muita rejeição por parte da comunidade escolar, então, por que não incluir a dança nas aulas de Educação Física?

A falta de afinidade com essa modalidade e a falta de metodologia parecem-nos os principais motivos que levam os professores a não incluírem dança na sua prática em sala de aula. A afinidade se adquire com o tempo e a metodologia depende do interesse do professor em buscar bibliografias que tratam de como trabalhar com essa modalidade. Em todos os cursos de licenciatura não é possível trabalhar todos os conteúdos que devem ser lecionados

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aos educandos de forma profunda e suficiente, é preciso que o professor se interesse e busque também ampliar seus conhecimentos, a partir da base dada pelas Universidades.

Por outro lado, quando questionados sobre a importância da dança, todos a consideram muito importante para a coordenação motora, uma vez que requer concentração, ritmo, tempo, equilíbrio, direção, espaço, respeito ao próximo, entre outros. Além disso, a dança auxilia na socialização, no raciocínio, na flexibilidade, na autoconfiança, na resistência, na autoestima, na ludicidade, na corporeidade e na lateralidade é o que dizem os entrevistados.

Essas afirmações vêm demonstrar que os professores têm consciência dos benefícios que a dança proporciona aos educandos. Apesar disso, ela não é contemplada nas aulas de Educação Física porque os professores não se sentirem preparados. As vozes dos professores parecem estar em consonância com Marques (1999) quando afirma que, “na grande maioria dos casos, os professores não sabem exatamente o que, como ou até mesmo porque ensinar dança na escola”.

Sem dúvida, os professores estão cientes de que a dança é fundamental no contexto da Educação Física, pois possibilita a aplicação de um conteúdo bem diversificado que proporciona ao aluno o conhecimento de si mesmo e o desenvolvimento de outras habilidades não contempladas no jogo e/ou no esporte ou que se reforçam em sendo diversificadamente trabalhadas. Estas discussões apontam para o compromisso que se deve ter enquanto educador, assumindo uma atividade consciente na busca de uma prática pedagógica coerente com a realidade, em que a dança leva o sujeito a desenvolver sua capacidade criativa numa descoberta pessoal de suas habilidades contribuindo de maneira decisiva para a formação de cidadãos críticos autônomos e conscientes de seus atos, visando a uma transformação social.

3.5 O QUE DIZEM OS GESTORES

Ao analisar os dados da pesquisa, percebe-se que todos os gestores são a favor de incluir a dança no currículo da Educação física, pois acreditam que ela diversificaria a disciplina, auxiliaria na expressão corporal e na coordenação motora dos alunos, contribuindo para o seu desenvolvimento pleno e integral.

A participação dos gestores está de acordo com muitos autores e também com os PCNs de Educação Física,

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