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KALEL ALCANTARA BRITO, Avaliação comparativa de desempenho térmico entre blocos de concreto e cerâmicos em Sinop-MT

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Academic year: 2021

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Avaliação comparativa de desempenho térmico entre blocos de concreto e cerâmicos

em Sinop-MT

Comparative evaluation of thermal performance between concrete blocks and ceramic

blocks

Kalel Alcantara Brito1, Luís Antônio Shigueharu Ohira²

Resumo: Atualmente, com a grande diversidade de materiais e técnicas construtivas, é possível viabilizar projetos mais ousados em prazos menores, mesmo com os diversos tipos de alvenaria existentes, o bloco de concreto e o bloco cerâmico ainda são os mais utilizados, principalmente na construção de habitações destinadas a baixa e média renda. A proposta deste, é o estudo comparativo de desempenho térmico entre os dois tipos de alvenarias, para isso, duas casas idênticas com o mesmo posicionamento solar, uma construída com bloco de concreto e outra em bloco cerâmico, foram utilizadas para efetuar as medições de comportamento térmico com base na norma NBR 15575/2013. Foram utilizados 2 termômetros de globo simultaneamente para as medições em um dia típico de verão na cidade de Sinop-MT. Verificou-se que a casa construída com bloco cerâmico apresentou melhor comportamento térmico em comparação a casa construída com bloco de concreto, mesmo atendendo os parâmetros exigidos pela norma. A casa construída com bloco cerâmico apresentou menor variação e menor temperatura. A grande necessidade e demanda de construções torna importante a utilização de materiais de melhor desempenho térmico principalmente para aliviar o sistema de climatização do imóvel.

Palavras-chave: Desempenho térmico; bloco cerâmico; bloco de concreto.

Abstract: Currently, with a great diversity of materials and construction techniques, it is possible to make bolder projects feasible in shorter deadlines, even with the different types of existing masonry, the concrete block and the ceramic block are still the most used, mainly in the construction of habitation destined to low and middle income. The proposal of this is the comparative study of thermal performance between the two types of masonry, for this, two identical houses with the same solar positioning, one constructed with concrete block and another one in ceramic block, were used to carry out the measurements of behavior based on standard NBR 15575/2013. Two globe thermometers were used simultaneously for measurements on a typical summer day in the city of Sinop-MT. It was verified that the house constructed with ceramic block presented better thermal behavior in comparison to the house built with concrete block, even meeting the parameters required by the standard. The house built with ceramic block showed lower variation and lower temperature. The great need and demand of constructions makes important the use of materials of better thermal performance mainly to relieve the system of climatization of the property.

Keywords: Thermal performance; concrete block; ceramic block.

1 Introdução

A busca crescente por formas de racionalização na construção industrializa produtos e etapas de trabalho através de produtos pré-fabricados, reduzindo custos com mão-de-obra e prazos de execução. Desta

maneira, empreendimentos habitacionais,

especialmente os destinados à habitação de interesse social, se tornam suscetíveis ao emprego de materiais visando reduzir custo e prazos. O uso indiscriminado de novas técnicas e produtos, empregados apenas sobre a ótica de redução de custos, pode acarretar em edificações que não se encaixam nas normativas nacionais existentes, e que, portanto, não se encaixem à sua principal destinação. O conhecimento das técnicas, materiais e processos utilizados se mostra essencial ao projetista que deseja valorizar o seu trabalho (SILVEIRA, 2014)

Durante o período clássico, as habitações tinham como finalidade apenas ser um espaço habitável que deveria ter funcionalidade. Nos dias atuais, no entanto, estas podem ser vistas como elemento de eficiência energética, no qual pode ser definida como propriedade que proporciona conforto térmico, acústico, visual e de baixo consumo de energia

(LAMBERTS et al. 2014).

Com isso, temos então alguns aspectos que tem interferência direta quando aplicados nas edificações, visando alcançar a eficiência energética. Segundo Greenpeace (2010), a eficiência energética também pode ser também atingida, por exemplo, com o uso de isolamento térmico em telhados e paredes reduzindo a perda de calor, técnicas solares passivas sem a utilização de equipamentos mecânicos, orientação de janelas para utilizar a radiação solar, ventilação no verão e recepção de energia do sol nos climas frios (GREENPEACE, 2010).

O município de Sinop é caracterizado por ser uma cidade onde o setor imobiliário é forte, sendo assim, o número de construção de novos empreendimentos imobiliários cresce constantemente, buscando sempre a otimização de tempo e materiais, e reduzindo os custos de implementação. Porém, como está o consumo energético e o desempenho destas edificações?

A vedação é o fator determinante do clima interno de um edifício, sendo responsável pelo fluxo de calor interno, sendo assim, o elemento principal para o desempenho térmico (MANIOGLU; YILMAZ, 2006) O resultado final do comportamento do sistema térmico de uma edificação é representado pelo desempenho térmico. Este comportamento é resumido em uma avaliação, na qual a resposta física

1Graduando em Engenharia Civil, UNEMAT, Sinop, Brasil,

[email protected]

2Mestre, Professor, UNEMAT, Sinop, Brasil,

(2)

de uma variável é comparada à parâmetros já estabelecidos em norma para o conforto térmico (BORGES, 2008; MIRANDA, 2011; LAMBERTS et al, 2010).

A NBR 15575 (ABNT 2013) rege o desempenho térmico das edificações, onde seu objetivo está voltado ao comportamento dos sistemas do edifício e no cumprimento do requisito dos usuários. As exigências do usuário que a norma cita são divididas em três tópicos: segurança (uso e operação do edifício, parte estrutural e proteção contra incêndios), habitalidade (estanqueidade, desempenho térmico, acústico, lumínico, saúde, higiene, conforto e acessibilidade) e sustentabilidade (durabilidade, manutenção e impacto ambiental).

O território brasileiro foi dividido em oito zonas relativamente homogêneas quanto ao clima, e para cada uma destas zonas, foi recomendado um

conjunto técnico-construtivo que otimiza o

desempenho térmico das edificações através de sua melhor adaptação climática. A NBR 15220 (ABNT 2005) rege as questões de cálculo do desempenho térmico e a adaptação quanto a zona bioclimática onde a habitação será inserida.

Tendo em vista estas questões, este estudo tem como objetivo apresentar resultado prático-teórico quanto ao desempenho térmico de 2 habitações com mesmas

dimensões e métodos construtivos, sendo

diversificado apenas o material de vedação, sendo estes, blocos cerâmicos e blocos de concreto.

2 Desempenho térmico das edificações

Segundo Asahide (2017), O desempenho térmico está relacionado diretamente ao conforto humano, sendo capaz de melhorar ou não o conforto ambiental, proporcionando condições adequadas para realização de atividades normais em uma habitação. Além disso, as edificações com bom desempenho térmico, tendem a ter uma menor demanda de energia, podendo resultar em economia, e a melhorar o conforto térmico do usuário.

A NBR 15575 (ABNT, 2013) considera duas alternativas para a obtenção do nível de desempenho, o procedimento simplificado e o método de medição (informativo). No caso do método simplificado, estabelecido pelas normas ABNT NBR 15575-4 e ABNT NBR 15575-5, resultar em desempenho térmico insatisfatório, a avaliação do desempenho térmico da edificação deve ser realizada pelo método da simulação computacional.

2.1 NBR 15575/2013

A NBR 15575 Edificações Habitacionais – teve sua aprovação em 2008 e nesse período de tempo passou por diversas alterações, tendo como principal mudança a limitação para até 5 pavimentos passando a nortear qualquer edifício habitacional. (ABNT, 2013). A norma é dividida em seis partes, os objetos de estudo foram as partes 1 (Requisitos Gerais), 4 (Requisitos para os sistemas de vedação verticais internas e externas) e 5 (Requisitos para os sistemas de cobertura), que apresentam diretrizes em relação às características que a edificação deve ter para atender as exigências de desempenho térmico do local de implantação da obra (ABNT, 2013).

2.2 NBR 15220/2013

A NBR 15220 Desempenho térmico de edificações – que estabelece requisitos construtivos de acordo com parâmetros climáticos da realidade brasileira para atender edificações de interesse social (ABNT, 2013). 2.3 ISO 7726/1998

A ISO 7726 “Ambientes térmicos – instrumentos e métodos para a medição dos parâmetros físicos” é uma norma de âmbito internacional que rege as características básicas nas quais os equipamentos de medição das variáveis físicas devem apresentar, bem como os métodos de medição dessas variáveis (LAMBERTS; XAVIER, 2002).

Lamberts e Xavier (2002) citam que a norma apresenta critérios de medição da temperatura do ar, temperatura radiante média, umidade absoluta do ar e temperatura superficial. Os métodos apresentados na norma podem ser aplicados em duas espécies de ambientes, o ambiente homogêneo onde existem variações nos valores dos parâmetros físicos do ambiente inferiores a 5% e o ambiente heterogêneo que apresenta variações superiores a 5%.

A norma apresenta, com relação aos equipamentos, valores mínimos para as faixas de medições, precisão requerida, precisão desejada e tempo de resposta dos equipamentos de medição dos parâmetros físicos (LAMBERTS; XAVIER; 2002).

3 Município de SINOP-MT

O município de Sinop está situado no norte do estado de Mato Grosso nas margens da BR 163, figura 1, e distante 500 km da capital Cuiabá. Localizado na latitude -55,5º e longitude -11,86º. Tem uma população, segunda estimativa do IBGE para 2018, de 139.935 habitantes, possui uma área de 3.942 km². Segundo o Zoneamento Socioeconômico-ecológico de Mato Grosso, o clima do município de Sinop é classificado como Equatorial Continental (I) com Estação Seca definida (3 a 5 meses). Sendo assim, ocorre a predominância de climas quentes, com temperaturas anuais médias superiores a 24°C. Na estação de inverno apresenta acumulados mensais de chuvas inferiores à 100mm (TARIFA, 2011).

Figura 1: Localização do Município de Sinop no estado de Mato Grosso. Fonte: IBGE, 2019.

(3)

3.1 Zoneamento Bioclimático de Sinop

O Brasil é um país de grande extensão territorial, sendo o 5° maior do mundo, cortado pelas linhas do Equador e do Trópico de Capricórnio, e devido à variedade climática, a ABNT criou a NBR 15220-3: Zoneamento Bioclimático Brasileiro, Figura 02, que divide o Brasil em 8 zonas bioclimáticas e apresenta recomendações construtivas em relação a aberturas, vedações externas e condicionamento térmico passivo (RODRIGUES, 2015).

Figura 2: Zoneamento bioclimático brasileiro. Fonte: ABNT, 2013.

Como o município de Sinop não consta na relação de cidades cujos climas foram classificados pela NBR 15220, recomenda-se a utilização da classificação feita para a cidade mais próxima. Sendo assim, o município de Vera (52 km em linha reta de Sinop) é a mais próxima cujo foi classificado pela norma, sendo inserida na zona bioclimática 5, Figura 03 (SILVA, 2016).

Figura 3: Zona bioclimática adotada para Sinop. Fonte: ABNT, 2013.

A norma exige algumas diretrizes construtivas para cada zona bioclimática, para a zona bioclimática 5 temos:

Tabela 1 - Aberturas para ventilação para a Zona Bioclimática 5

Aberturas para ventilação A (em % da área de piso)

Médias 15% < A < 25%

Fonte: ABNT, 2005.

Tabela 2 - Tipos de vedações externas para a Zona Bioclimática 5

Vedações externas

Parede Leve Fletora

Cobertura Leve Isolada

Fonte: ABNT, 2005.

A norma aponta os valores admissíveis, para a zona bioclimática 5, de transmitância térmica, que é a taxa de calor que passa por um determinado material, do atraso térmico, que é o tempo transcorrido entre uma variação térmica em um meio e sua manifestação na superfície oposta de um componente construtivo submetido a um regime periódico de transmissão de calor, e do fator solar, que é o quociente da taxa de radiação solar transmitida através de um componente opaco pela taxa da radiação solar total incidente sobre a superfície externa do mesmo (ABNT, 2005)

Tabela 3 - Transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar admissíveis para a Zona Bioclimática 5.

Vedações externas U

[W/(m².K)] φ (horas)

FSo (%)

Parede Leve refletora U ≤ 3,60 φ ≤ 4,3 FSo ≤ 4,0

Cobertura Leve isolada

U ≤ 2,00 φ ≤ 3,3 FSo ≤ 6,5

Fonte: ABNT, 2005. 4 Blocos

No sistema de vedação de edificações existem diversos materiais que exercem essa função. O objeto deste estudo é a avaliação comparativa do comportamento térmico de blocos de concreto e blocos cerâmicos que são os materiais de vedação mais utilizados principalmente nas casas de baixo e médio padrão. Os blocos de concreto são unidades vazadas, vibrocompactadas e produzidas por industrias de pré-fabricação de concreto, encontradas no Brasil apenas com paredes maciças (NBR 15961). O bloco cerâmico tem a sua classificação como bloco cerâmico de parede vazada (NBR 15612), como mostra a Figura 4.

Figura 4 - bloco de concreto e bloco cerâmico. Fonte: SANTOS et al, 2015.

(4)

Utilizando (os dois materiais, por meio dos procedimentos definidos pela NBR 15220-2, Santos et al (2015) definiu os parâmetros de desempenho térmico desses fechamentos, apresentados na Tabela 4:

Tabela 4 - Dimensões e parâmetros de desempenho térmico para bloco de concreto e cerâmico. Fonte: SANTOS et al,

2015. Bloco de concreto Bloco cerâmico Dimensões (cm) 14x19x29 14x19x29

Resistência térmica da parede 0,18 0,31

Transmitância térmica 2,88 2,09

Capacidade térmica 264,31 194,17

Atraso térmico (horas) 4,19 4,54

Fator Solar (%) 2,88 2,09

Fonte: SANTOS et al, 2015.

5 Metodologia 5.1 Local

Para realização desta pesquisa foram utilizadas duas habitações classificadas como kitnets, localizadas no município de Sinop, ambas situadas no mesmo lote, Figura 5, com mesma característica arquitetônica, a planta de cada unidade é a apresentada na Figura 6, tendo como diferencial apenas o elemento de vedação utilizado, sendo uma em bloco de concreto e outra em bloco cerâmico. Os blocos não possuem função estrutural nos dois casos.

Figura 5: Edificação de estudo. Fonte: ACERVO PESSOAL, 2019.

O ambiente hachurado aponta onde foram feitas as medições em ambas as edificações. Este local, quarto 2, foi determinado por ser onde a incidência solar é maior no período vespertino, horário onde a intensidade de calor é maior, além de ser uma área de permanência prolongada.

Figura 6: Planta da edificação. Fonte: Cerâmica ROVEROTTO, 2019.

O edifício com vedação em bloco de concreto foi identificado como E1, e a edificação em bloco cerâmico como E2.

A área de cada edificação é de 51m² e o compartimento da casa onde foi utilizado para a medição, quarto 2, possui 11,4 m².

O sistema construtivo da edificação em estudo é composto por paredes de blocos (cerâmico e concreto) revestidos com argamassa de gesso, laje e contrapiso sobre solo aterrado, forro de PVC e cobertura em platibanda, sendo em estrutura metálica com telhas fibrocimento.

Com base na NBR 15220 (2005), a transmitância térmica das alvenarias de concreto E1 e de cerâmica E2, podem ser observadas nas Tabelas 5 e 6.

Tabela 5 – Transmitância térmica dos componentes da envoltória da E1 - concreto Envoltória Composição α W/(m².K) kJ/(m²K) Parede Argam.+ Bloco+Argam. 0,3 2,7156 223,56 Cobertura Telha+Ar+Forro 0,95 1,42 25,42

Dados calculados com base na NBR 15220 (2005). Fonte: ACERVO PESSOAL.

(5)

Tabela 6 – Transmitância térmica dos componentes da envoltória da E2 - cerâmico Envoltória Composição α W/(m².K) kJ/(m²K) Parede Argam.+ Bloco+Argam. 0,3 1,86 130,015 Cobertura Telha+Ar+Forro 0,95 1,42 25,42

Dados calculados com base na NBR 15220 (2005). Fonte: ACERVO PESSOAL.

5.2 Medição

As medições foram realizadas em clima quente úmido (maio/2019) com o uso de dois termômetros de globo da marca Instrutemp, modelo ITWTG-2000, conforme

mostra a Figura 7. Foram posicionados

simultaneamente nas edificações.

Figura 7: Termômetro de globo. Fonte: Instrutemp, 2019. Especificações técnicas do termômetro de globo Instrutemp ITWTG-2000:

 Sensor de bulbo úmido: 0°C a 50°C;

 Sensor de globo: 0°C a 80°C;

 Sensor de bulbo seco: 0°C a 50°C;

 Umidade relativa do ar (UR): 0 a 100% UR;

 Resolução: 0,1°C/0,1%UR;

 Precisão: 1°C;

 Esfera do globo: 2 polegadas;

 Umidade de operação máxima: 80%UR;

 Temperatura de operação: 0°C a 50°C;

 Temperatura de precisão do ar: ±0,6°C;

 Diâmetro de esfera: 75mm.

A data de realização das medições foi de 08/05/2019 a 10/05/2019, devido a disponibilidade dos moradores das residências. As medições foram realizadas durante os três dias, Figura 8, com objetivo de obter resultados de acordo com a orientação da NBR 15575 (2013).

Figura 8: Posicionamento do termômetro de globo. Fonte: ACERVO PESSOAL, 2019.

As medições seguiram recomendação da

Organização Meteorológica Mundial (OMM), que coordena as atividades operacionais na área das Ciências Atmosféricas, na qual estabelece normas e alturas padronizadas para instalação dos instrumentos meteorológicos, portanto, o conjunto sensor de temperatura e a umidade relativa do ar devem ser efetuados a uma altura entre 1,20m a 2,00m acima do solo. A NBR 15575 recomenda utilização a 1,20m do piso para medições de temperatura de bulbo seco, sendo esta a altura adotada. O termômetro de globo foi posicionado no centro do recinto e todos os objetos foram retirados para não interferirem nas medições, as aberturas também foram mantidas fechadas durante o período de medições, de acordo como determina a norma.

Os dados do clima externo foram obtidos por meio de uma estação meteorológica da marca Davis, modelo Vantage Pro2, Figura 9, que se encontra instalada nas dependências da universidade e serve de apoio às pesquisas relacionadas ao clima de Sinop.

Figura 9: Conjunto de sensores e console da estação Vantage Pro2. Fonte: Davis Instruments (2012).

(6)

Alcance e precisão dos sensores de medição da estação meteorológica:

 Temperatura do ar: alcance de -40°C a

+65°C, precisão de ±0,5°C;

 Umidade relativa do ar: alcance de 0 a 100%,

precisão de ±3%;

 Precipitação: alcance de 0 a 2438mm/h,

precisão de ±4%;

 Velocidade do vento: alcance de 0,4 a 80m/s,

precisão de 0,10m/s;

 Direção do vento: alcance de 0 a 360°,

precisão de ±3°;

 Radiação solar: alcance de 0 a 1800 W/m²,

precisão de ±5%.

Para avaliação de desempenho térmico no verão realizadas na zona bioclimática 5 a NBR 15575 classifica o valor máximo diário da temperatura do ar interno nos recintos de permanência prolongada, sem a presença de fontes internas de calor (ocupantes, lâmpadas, outros equipamentos em geral), conforme a Tabela 7:

Tabela 7 - Critério de avaliação de desempenho térmico para condições de verão

Nível de desempenho Zona Bioclimática 5

M Ti,max ≤ Te,max

I Ti,max ≤ (Te,max – 2° C)

S Ti,max ≤ (Te,max – 4°C)

Nota: Ti,max é o valor máximo diário da temperatura do ar no interior da edificação, em graus Celsius; Te,max é o valor máximo diário da temperatura do ar exterior à edificação, em

graus Celsius. Fonte: ABNT, 2013.

Os níveis de desempenho foram divididos em M (mínimo), I (intermediário) e S (Superior), sendo o superior o recomendável segundo a norma para o clima caracterizado verão.

6 Resultados e discussões 6.1 Desempenho térmico

As tabelas 2 e 3 mostram as diretrizes construtivas de desempenho térmico dirigidas à zona bioclimática 5. Através dos dados obtidos conforme estudo do método construtivo, foi então possível calcular e verificar se o mesmo seguiu os padrões fornecidos pela norma, Tabelas 8 e 9.

Tabela 8 – Verificação das diretrizes exigidas pela NBR 15220 para vedação na E1 - concreto

Norma Calculado Verificação

U ≤ 3,6 2,72 Atende

φ (horas) ≤ 4,3 4,36 Não atende

Fso (%) ≤ 4,0 3,6 Atende

Nota: Dados obtidos através de cálculos feitos com base na NBR 15220 (2005).

Tabela 9 – Verificação das diretrizes exigidas pela NBR 15220 para vedação na E2 - cerâmico

Norma Calculado Verificação

U ≤ 3,6 1,86 Atende

φ (horas) ≤ 4,3 3,76 Atende

Fso (%) ≤ 4,0 2,23 Atende

Nota: Dados para parede leve refletora, conforme a NBR 15220 (2005).

Assim como para os elementos de vedação, a cobertura de fibrocimento também tem diretrizes segundo a norma, Tabela 10.

Tabela 10 – Verificação das diretrizes exigidas para cobertura.

Norma Calculado Verificação

U ≤ 2,0 1,42 Atende

φ (horas) ≤ 3,3 1,72 Atende

Fso (%) ≤ 6,5 5,39 Atende

Nota: dados para cobertura leve isolada.

O local de medição possui abertura para ventilação de 1,8 m² (1,50x1,20m) em conformidade com especificações exigidas em relação à abertura para a zona bioclimática 5.

Ao comparar as tabelas 8 e 9, temos resultados satisfatórios em ambas residências, com uma ligeira vantagem na casa construída com bloco cerâmico, tendo o atraso térmico pouco acima do valor requisitado pela norma na E1. Pode-se afirmar que a vedação em bloco cerâmico possui melhor desempenho térmico em comparação a vedação com bloco de concreto.

6.2 Resultado das medições de temperatura

Os gráficos a seguir possuem os dados da

temperatura externa, temperatura interna na

edificação em bloco de concreto (E1) e temperatura interna na edificação em bloco cerâmico (E2).

Gráfico 1 – Temperatura medida no dia 08/05/2019.

0 5 10 15 20 25 30 35 40 Te m pe ra tu ra °C Horário

(7)

Fonte: Acervo Pessoal, 2019.

Gráfico 2 – Temperatura medida no dia 09/05/2019.

Fonte: Acervo Pessoal, 2019

Gráfico 3 – Temperatura medida entre os dias 10/05/2019 e 11/05/2019.

Fonte: Acervo Pessoal, 2019.

Na análise dos gráficos 1, 2 e 3, observa-se uma diferença pequena entre a temperatura das duas edificações, porém, é notável que o material cerâmico apresenta vantagem com relação à mudança de temperatura. Vemos que o bloco cerâmico leva mais tempo tanto para esquentar como para resfriar, devido principalmente ao fato de possuir condutividade

térmica menor que o concreto (𝜆 = 1,75 e

𝜆 â = 0.9 W/m.K).

A amplitude térmica trata da variação entre a maior e menor temperatura durante o dia, sendo um dado importante para verificar a capacidade do material em resistir grandes variações de temperatura externa.

Tabela 11 – Maior amplitude de temperatura

E1 E2

6,9 5,3

Nota: valores em °C.

O comportamento da temperatura ao longo do dia tende a aumentar consideravelmente e baixar rapidamente no período noturno, o que exige ser diferente da situação dentro da habitação, onde o papel da vedação é impedir que o calor passe para o ambiente interno.

Tabela 11- Máximos valores de temperatura.

Ambiente Máx. Temperatura (°C)

Exterior 37,2

E1 32,3

E2 31,8

Seguindo os critérios de avaliação de desempenho térmico, para o clima caracterizado como verão, a norma apresenta os parâmetros para máxima temperatura conforme a tabela 7. O nível de desempenho em ambas edificações, segundo o método de medição da temperatura, é classificado como “S” (Superior).

6.3 Umidade relativa do ar

Gráfico 4 – Umidade relativa do ar referente ao dia 09/05/2019.

Fonte: Acervo Pessoal.

Nota-se que, de maneira geral, ambas edificações apresentam umidade inferior à externa. No período da manhã e noite os valores da umidade externa são intermediários com os valores internos das edificações. Além disso, nesses horários temos os maiores valores de umidade relativa do ar, que são períodos de menor incidência de sol e calor. No período intermediário, onde a temperatura é maior, a umidade tende a ser mais baixa, sendo assim, a umidade segue um trajeto inverso à temperatura.

7 Conclusão

Na avaliação de desempenho térmico, realizada por meio de cálculo segundo a norma, pôde-se observar que a edificação cuja alvenaria é em bloco cerâmico foi a que melhor atendeu às diretrizes da norma nas medições realizadas in loco, onde os blocos cerâmicos apresentaram resultados mais satisfatórios,

0 5 10 15 20 25 30 35 40 01 :0 0 03 :0 0 05 :0 0 07 :0 0 09 :0 0 11 :0 0 13 :0 0 15 :0 0 17 :0 0 19 :0 0 21 :0 0 23 :0 0 Te m pe ra tu ra °C Horário

Temp. ext. Temp. E1 Temp. E2

0 5 10 15 20 25 30 35 40 00 :0 0 03 :0 0 06 :0 0 09 :0 0 12 :0 0 15 :0 0 18 :0 0 21 :0 0 00 :0 0 03 :0 0 06 :0 0 09 :0 0 12 :0 0 15 :0 0 Te m pe ra tu ra °C Horário

Temp. ext. Temp. E1 Temp. E2

0 10 20 30 40 50 60 70 80 00 :0 0 02 :0 0 04 :0 0 06 :0 0 08 :0 0 10 :0 0 12 :0 0 14 :0 0 16 :0 0 18 :0 0 20 :0 0 22 :0 0 00 :0 0 U m id ad e (% ) Horário

Umidade ext. (%) Umidade E1 (%)

(8)

com temperaturas e umidades mais baixas, com menor variação de temperatura no interior do ambiente. Os blocos de concreto também atenderam às normas, no entanto, seu desempenho, quando comparado ao bloco cerâmico, é mais baixo.

A pequena variação de temperatura entre os períodos do dia mostrou a importância da baixa condutividade térmica do material cerâmico, que tornou a passagem de calor para o interior do ambiente mais lenta. A umidade no interior da E2 menor comprova o fato de que a cerâmica absorve menos água que o concreto. De modo geral, ambas as edificações apresentaram valores dentro dos padrões exigidos pela norma vigente, apenas o atraso térmico (φ) da vedação em bloco de concreto com valor pouco acima do recomendável. Ainda assim, os resultados obtidos nas medições estiveram dentro dos parâmetros da norma. O resultado obtido se manteve dentro dos padrões do desempenho térmico das edificações para a zona bioclimática 5, o que não significa que o conforto térmico dos usuários esteja garantido.

Conclui-se que, perante a avaliação do desempenho térmico das edificações, o bloco cerâmico tem pequena vantagem com relação ao bloco de concreto, é mais eficiente em situações de constante troca de calor, mantendo o ambiente por mais tempo longe da variação de temperatura.

8 Considerações finais

Os blocos utilizados no estudo são muito comuns na indústria da construção civil, porém, diversas vezes são utilizados sem conhecimento técnico de suas qualidades. A opção pela análise teve como base a verificação quanto a aplicação dos métodos construtivos seguindo as diretrizes das normas NBR 15220 (ABNT, 2005) e a NBR 15575 (ABNT, 2013). Cada vez mais o conforto térmico tem sido objeto na procura de uma edificação, devido à preocupação ambiental e o gasto com energia elétrica, são fatores importantes na hora de construir e também na manutenção das construções que não colabora somente com o ser humano, mas com o meio ambiente como um todo.

Agradecimentos Quero agradecer

A Deus, por ter me dado forças nos momentos difíceis e estar sempre ao meu lado;

Aos meus pais Regina e Pedro pela contribuição desde a construção do meu caráter, pelo amor incondicional, todo apoio, incentivo e dedicação para me ajudar;

A minha avó que sempre me fez presente em suas orações e pelo amor dedicado a mim;

Aos meus companheiros de sala, que participaram efetivamente da minha vida acadêmica;

Aos meus amigos, que foram essenciais tanto no período acadêmico quanto fora da faculdade;

Ao meu orientador Prof. Me. Luís Antônio Shigueharu Ohira, pela amizade, dedicação e grande aprendizado durante este período;

À colaboração da Prof. Me. Karen Wrobel Straub Schneider;

Aos professores da graduação que compartilharam de seu conhecimento e também se tornaram pessoas queridas;

A instituição UNEMAT pela oportunidade de concluir uma graduação;

A cerâmica Roverotto, responsável pela construção das kitnets, que possibilitou o acompanhamento da execução e posteriormente motivou a pesquisa; A Carla e Paula, por ceder espaço para realização das medições em suas residências;

A todos que de alguma forma ou de outra contribuíram na minha formação acadêmica e que para que eu chegasse até aqui.

Referências

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