Revista Projeção, Direito e Sociedade. V 11, n 1. Ano 2020, p . 119 A informalidade e a insegurança jurídica das relações trabalhistas em
decorrência dos avanços tecnológicos provenientes da Indústria 4.0
Denise Bastos Moreira, Ana Carla Siqueira Silva
Resumo: A industrialização teve três grandes fases cada uma com suas proporções,
ao chegar na quarta revolução industrial, depara-se com um modelo de revolução tecnológica, com significativos avanços na indústria com o usa da automação, robotização, inteligência artificial e Internet das Coisas. De certo que, os avanços tecnológicos não são os vilões da humanidade, porém, importante destacar as possíveis consequências negativas frente ao desemprego tecnológico oriundo da automação, com destaque ao trabalho na indústria 4.0, assim, diante dos avanços tecnológicos oriundos da indústria 4.0 e do surgimento da denominada Internet das Coisas, seriam as relações trabalhistas afetadas pela informalidade e a insegurança jurídica? Como objetivo, a presente pesquisa visa analisar que, diante dos avanços tecnológicos oriundos da indústria 4.0 e com o surgimento da denominada internet das coisas as relações trabalhistas acabam sendo afetadas pela informalidade de trabalho causando insegurança jurídica frente as relações e as normas trabalhistas. Nesta pesquisa os temas foram abordados pelo método descritivo colocando em foco os movimentos e as alterações causadas pelo tema. Para tanto, foi utilizado também os métodos históricos e monográficos para uma maior compreensão por meio de bibliografias e documentos. Conclua-se que o trabalho humano como forma essencial ao ser humano de manter-se e constituir sua dignidade, diante do respeito e do auxílio do Poder Público, das empresas e também a participação dos trabalhadores, neste tripé em busca de garantir a mão de obra valorizada diante das consequências da Indústria 4.0.
Palavras Chaves: Indústria 4.0; Automação; Desemprego; Informalidade; Insegurança Jurídica.
Revista Projeção, Direito e Sociedade. V 11, n 1. Ano 2020, p . 120 Abstract: The industrialization has gone through three major phases, each one with
their proportions, when we reach the fourth revolution, we find a technological revolution model with significant advances within the industry with the use of automatization, robotization, artificial intelligence and Internet of Things. Surely the technological advances are not villains of humankind, however, it’s important to notice the possible negative consequences that is the technological unemployment resulted from automation, emphasizing the work within the Industry 4.0, therefore, considering the technological advances derived from the industry 4.0 and the emergence of the so-called Internet of Things, would the employment relationship be affected by the informality and by the legal uncertainty? This research aims to analyze that, considering the technological advances derived from the Industry 4.0 and the emergence of the so-called Internet of Things, the employment relationships end up being affected by the work informality causing legal uncertainty regarding the employment norms and relationships. In this paper, the themes were discussed using the descriptive method focusing on the movements and the changes caused by the theme. In order to do so, historical and monographic methods were also used in order to provide a better understanding through bibliographies and documents. The conclusion reached is that the human labor is an essential way for human beings to support themselves and constitute their dignity in face of the respect and support from the Government, the companies and also the participation of the workers in this tripod seeking the assurance of a valued workforce regarding the consequences of the Industry 4.0.
Keywords: Industry 4.0; Automation; Unemployment; Informality; Legal Uncertainty.
1. Introdução
O artigo tem como objetivo analisar os avanços tecnológicos e os impactos causados nas relações de emprego. Neste sentido, será abordado os efeitos do desemprego decorrente da automação, bem como os efeitos da insegurança jurídica das relações trabalhistas em decorrência do substancial aumento da informalidade no setor de emprego por trabalhadores que não conseguem se recolocar no mercado.
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Diante dos avanços tecnológicos oriundos da indústria 4.0 e do surgimento da denominada internet das coisas, seriam as relações trabalhistas afetadas pela informalidade e a insegurança jurídica? Para buscar soluções para tal questionamento, a presente pesquisa aborda a história das revoluções industriais desde a primeira revolução industrial ocorrida no século XIX, com o advento das máquinas têxtis, sucedendo o marco da industrialização e da revolução nas formas de trabalho. Pondera-se também a segunda revolução industrial, fase a qual comemora-se a chegada dos meios de comunicação como a televisão e o rádio.
Destaca-se também a trajetória até a chegada da terceira revolução industrial, começo da revolução das eras onde o mundo começa a desenvolver tecnologias com o auxílio de computadores ligados à internet alterando no ramo trabalhista as formas de trabalhar e permitindo avanços substanciais na ciência e na tecnologia, para então, ser abordado a quarta revolução industrial.
Pesquisas sobre o tema abordado são escassas, por esse motivo a pesquisadora teve como motivação pessoal essa pesquisa com o intuito de analisar sobre a importância de se estudar afundo as consequências jurídicas sobre o tema proposto. Assim, na presente pesquisa por entender a pesquisadora pesar uma grande relevância jurídica, têm-se como objetivo analisar as medidas que cabem de proteção às normas trabalhistas.
Nesta pesquisa os temas foram abordados pelo método descritivo colocando em foco os movimentos e as alterações causadas pelo tema. Para tanto fora usado também os métodos históricos e monográficos para uma maior compreensão por meio de bibliografias, documentos, legislações nacionais e internacionais além de todo o aparato doutrinário.
2. Os avanços tecnológicos provenientes da Indústria 4.0 e a perspectiva da dispensa do trabalhador pelas máquinas
Os direitos e deveres trabalhistas se tornaram essenciais para as relações laborais, pois os séculos trouxeram três significativas revoluções historicamente conhecidas, sendo que, atualmente o mundo vive a quarta revolução, que segundo o fundador do fórum econômico mundial, Klaus Schwab, (2016, p. 15) “em sua escala,
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escopo e complexidade, a quarta revolução industrial é algo que considero diferente de tudo aquilo que já foi experimentado pela humanidade”. Ou seja, momento inovador quanto as formas de se relacionar.
Com o desenvolvimento do vapor movimentando as máquinas têxtis houve o grande marco da Revolução Industrial, o que nas palavras de Eric Hobsbawm, (ebook, s.d, p. 38) “sob qualquer aspecto, este foi provavelmente o mais importante acontecimento na história do mundo, pelo menos desde a invenção da agricultura e das cidades. E foi iniciado pela Grã-Bretanha”.
Homens saíram da zona rural e abandonaram seus serviços artesanais para compor os grandes centros urbanos com a proposta de trabalho digno e assalariado. Até então, na humanidade não se visava formas de proteção ao trabalho, visto que para sociedade esses trabalhadores eram a escória da humanidade.
Assim, houve então a necessidade de uma regulamentação daquele vínculo, para o fim de trabalhos com níveis de exploração com graves acometimentos de doenças devido a insalubridade, acidentes maquinários, trabalho infantil e jornadas extensas de trabalho. A ajuda dos movimentos de trabalhadores formado por pequenos movimentos sindicais contribuiu para o surgimento das normas de proteção mínima do trabalhador, gerando um avanço socialmente ímpar da humanidade.
Neste sentido pondera Teodoro (2011, p. 74) ao dizer que, “portanto, foram as lutas dos trabalhadores explorados nas grandes indústrias, somadas ao Estado social, que intervinha na esfera privada e era de índole promocional, que propiciaram maior regulamentação dos direitos trabalhistas”.
Após um século e os importantes progressos da humanidade surgiu o começo da tecnologia com a criação da telecomunicação. Brindava-se então, a chegada da televisão, do telégrafo e da rádio, era o princípio da Segunda Revolução Industrial, como nos explica Saes (2013, p.225) “[...] telefone, gramofone, lâmpada elétrica, pneus, maquinas de escrever, radiotelegrafia e já um pouco adiante o automóvel e o cinema dão uma ideia da ampla mudança que se processou no dia a dia de grande parte da população mundial”.
Precursora não só na Inglaterra, agora a Revolução Industrial expandia-se pelo mundo gerando guerras e competições, as quais fomentaram a economia dos países que estavam no foco da nova era, como os Estados Unidos. Neste período, as escalas
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mudaram as formas quantitativas e qualitativas de produção com a produção em massa que aumentou os níveis de produtividade das fábricas que agora produziam muito mais em um curto espaço de tempo. O trabalho era produzido através da mão de obra barata dos trabalhadores de forma repetitiva e fracionada, tornando eficiente o sistema em massa através da produção em curto espaço de tempo graças a velocidade gerada com tal sistema (CHANDLER, 1995).
Devido ao contínuo movimento de evolução a Terceira Revolução Industrial foi divisora de águas, já considerada como uma revolução tecnológica, com o crescimento da internet permitindo avanços na ciência e revolucionando o mundo da tecnologia, computadores com internet mudaram as formas de armazenamento, “a Terceira Revolução Industrial, abriu caminho para o nascimento da sociedade da informação, devido a sua dependência da tecnologia e da ciência.” (SANTOS, CARVALHO, 2009, p. 45).
Não tão distante da atualidade,fora vivenciada já no século XX, abrindo um importante caminho para a linha de produção com o uso da robótica a qual é denominada por Rezende (2010, p. 302) como, “a utilização de máquinas ou de processos automáticos que executam tarefas com uma reduzida supervisão humana, ou que produzem habilidades específicas além da capacidade do homem”. Diante de tal avanço, foi possível a escala de produção ser ainda mais acelerada necessitando desde então um número reduzido de profissionais operadores de maquinarias.
Nota-se que foi a partir de então que o ser humano começa a ser dispensável, tendo seu serviço braçal uma reduzida demanda. Com o início da robotização o trabalho passa a ser exercido de forma diferenciada em processos acelerados e automáticos, mudando cada vez mais as formas de relação nos ambientes de trabalho, essas mudanças como já vinham ocorrendo desde os primórdios dos tempos, abriu um grande leque para a própria era revolucionária.
A chegada da Quarta Revolução Industrial depara-se com um modelo de relação altamente projetado para mudar a indústria em si, tirando do foco o trabalhador que a essa altura passa a ser um coadjuvante dessa relação. Para Soares “ é um período caracterizado por integração de tecnologias, agregando os domínios físico, digital e biológico, com internet móvel onipresente mais em conta e disponível a todas as pessoas” (SOARES, 2018, p. 5).
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Se na terceira revolução já começava o processo de robotização e o demasiado uso da internet, a quarta revolução é um movimento atual e contínuo, levando todo o mundo à uma era digital. Para uma melhor compreensão, Schwab conceitua a quarta revolução industrial como “um novo capítulo do desenvolvimento humano, no mesmo nível da primeira, da segunda e da Terceira Revolução Industrial e, mais uma vez, causada pela crescente disponibilidade e interação de um conjunto de tecnologias extraordinárias” (SCHWAB 2018, p. 35).
Para Rifkin (2016, p. 153) a “automação, robótica e inteligência artificial estão eliminando o trabalho rapidamente [...]. Secretárias, arquivistas, telefonistas, agentes de viagens, caixas de banco e de lojas e inúmeras outras atividades tendem a desaparecer”. Segundo Wasmália Bivar (2018, p.74) sem a mão de obra os custos empresariais se tornam mais viáveis devido as novas tecnologias, tendo em vista que não precisará do investimento e capacitação da mão de obra.
Ou seja, faz necessário produzir e que seja com baixo custo para se tornar viável a oferta e a procura. Em uma escala comparando a mão de obra humana e a inteligência maquinaria, o trabalho braçal se torna mais caro e com menos produtividade, o que faz as industrias dispensarem os trabalhadores formando um grupo de vulnerabilidade.
Diante do ambiente de trabalho hostil gerado nas empresas devido as incertezas da permanência do trabalho, estudos apontam o avanço da troca do trabalho humano pelas máquinas e “entre as tendências frequentemente apontadas para o futuro do trabalho estão a crescente utilização de novas tecnologias que economizam mão de obra e alteram seu perfil”. (CANANI, 2018, p. 12)
Agora, importante buscar por capacitação, onde a procura por trabalhadores será através do intelecto e da capacidade de lidar com a tecnologia de ponta, além de lidar com suas emoções. O domínio das máquinas será tanto para manuseá-las como para criá-las, mudando significativamente todas as áreas de trabalho.
As necessidades de qualificação profissional não dizem respeito apenas aos jovens, contudo. Cada vez mais, reconhece-se a importância da formação continuada dos trabalhadores de todas as idades e em todos os níveis, de forma que possam acompanhar as mudanças no trabalho, em especial as
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decorrentes da utilização de novas tecnologias na produção, adquirindo novas competências e assumindo novas funções (CANINI, 2018, 12-13).
“Estamos diante de uma nova questão social”, isso, devido ao desemprego tecnológico resultado da automação, onde o trabalhador dispensado não conta com um panorama de “reaproveitamento” provocando “discussões sobre os fins do direito do trabalho como direito exclusivamente garantístico do empregado, ou além disso, um direito sensível aos imperativos do desenvolvimento econômico e do avanço do processo produtivo” (NASCIMENTO, 2014, p. 54).
3. A desvalorização, extinção de cargos e o consequente desemprego
Do mesmo modo com que a tecnologia se aprimora para gerar lucros e fomentar o crescimento da economia do ponto de vista empreendedor, essa tecnologia tira milhares de postos de trabalho substituindo o empregado por uma máquina que opera em uma escala mais avançada. Ocorre que, se no século XVIII havia a necessidade de proteção do trabalhador que operava as máquinas, hoje há a necessidade de proteção do trabalhador contra a demissão decorrente das novas tecnologias maquinarias.
A tecnologia não deve ser tratada como a vilã da humanidade, porém, deve ser atentado os efeitos da automação advinda dela, nas palavras de João Maurício Rosário (2009, p. 23) “um conceito mais abrangente de automação pode ser definido como a integração de conhecimentos substituindo a observação, os esforços e as decisões humanas por dispositivos (mecânicos, elétricos e eletrônicos, entre outros)”, ou seja, a troca da mão de obra pelas máquinas que trabalham sozinhas em escala quantitativa e qualitativa superior ao produzido pelo ser humano.
Ao redor do mundo já é realidade em determinados países a população ir ao mercado e pagar suas compras sem a necessidade de interagir com um operador de caixa, ao invés desta interação pessoal as pessoas passam a manusear a inteligência artificial pelo uso de robôs e até mesmo pela consequente banalização do dinheiro em espécie. Da mesma forma, nota-se a troca dos cobradores de ônibus por dispositivos
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magnéticos de cartão, ou a otimização do trabalhador concentrando a atividade desenvolvida por um motorista e um cobrador em face apenas do motorista.
Nesse cenário de extinção de cargos, Schwab aduz que:
A IA já está avançando em profissões baseadas no conhecimento, como o direito, a medicina, a contabilidade e o jornalismo. Mesmo que ela não substitua completamente advogados ou médicos, os aplicativos de IA que podem sintetizar e analisar estudos de caso e diagnósticos de imagens vão mudar essas profissões. (SCHWAB, 2018, p. 185)
Nota-se a tendência progressiva da extinção de funções exercidas por seres humanos, ocorre que uma máquina precisa do ser humano para ser criada e operada e na visão de Soares:
Da mesma maneira que o cérebro humano, a máquina também precisa ser instruída, classificar e qualificar coisas, fazer relacionamentos, aprender com tentativa e erro, praticar para aprender. Esse aprendizado é alcançado com a sinergia das informações dos computadores em rede e sua comunicação. Softwares inteligentes analisam e tratam os dados, buscando solução para as necessidades humanas. (SOARES, 2018, p.8)
Neste sentido, a medida que cresce a extinção de postos de emprego, diminui-se o surgimento de novos postos, visto que a nova realidade é a procura por pessoas altamente qualificadas com nível educacional de ponta capaz de dominar a inteligência artificial. Segundo balanços de Rifkin “entre 1997 e 2005, a produção industrial aumentou 60% nos Estados Unidos enquanto 3,9 milhões de postos de trabalho eram eliminados aproximadamente no mesmo período, entre 2000 e 2008” (RIFKIN, 2016, p 148).
Posto todo esse cenário em foco, nota-se a grande tendência de metamorfose do trabalho contemporâneo, a mudança no cenário atual nos remete a tempos de
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novas formas de relações, assim, “o trabalho estável torna-se, então, (quase) virtual. Estamos vivenciando, portanto, a erosão do trabalho contratado e regulamentado” (ANTUNES, 2013, p. 250)
Os serviços onlines são encontrados até mesmo para diagnóstico de doenças chegando a resultados não encontrado por médicos antes. Vemos então, mais um setor ameaçado pela robótica, o qual a tendência é cotidianamente robôs fazerem cirurgias de alta precisão. Antunes mostra um pensamento quanto a essa tendência:
Maquinaria perversa e engenharia satânica que vêm gerando um gigantesco contingente de desempregados que assim o são pela própria lógica destrutiva do capital a qual, ao mesmo tempo que expulsa centenas de milhões de homens e mulheres do mundo produtivo gerador do valor em seus trabalhos estáveis e formalizados, recria, nos mais distantes e longínquos espaços, novas modalidades informalizadas e precarizadas de geração do mais-valor. (ANTUNES, 2013, p. 11)
Um grande número de desempregados se forma provocando uma crise na sociedade, os trabalhadores dispensados precisam se recolocar no mercado de trabalho, em busca de novos serviços e se deparam com a gigante realidade das filas de qualificação, as ofertas oferecidas exigem um alto grau de instrução.
Em 2019, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, publicou um estudo acerca deste tema e diz que novos empregos surgirão e com isso aumentará a demanda por novos perfis de trabalhadores com novas qualificações e com capacidades contributivas além das já utilizadas e que devido a essa automação e as novas formas de emprego poderá levar a períodos de alto desemprego. (IPEA, 2019, p. 12)
Na continuação do estudo, o IPEA reflete que
[...] algo preocupante deve ser analisado mais profundamente: o que acontecerá com esses trabalhadores de zonas inferiores caso suas ocupações sejam automatizadas? E, de fato, quanto
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menor o nível da zona de trabalho, menos preparo o profissional precisa ter e maior a chance de suas tarefas serem automatizadas. Isto, alinhado com o baixo custo de automação e o fato de os robôs não necessitarem de direitos trabalhistas e poderem operar 24 horas por dia, deixa muito competitiva a alternativa de automação versus trabalho humano manual, podendo, assim, serem potencialmente eliminadas muitas vagas de trabalho em um futuro próximo (IPEA, 2019, p. 19).
Logo, os trabalhadores dispensados em função da automação necessitam se recolocar, tarefa difícil para quem necessita de emprego porém não tem instrução necessária para se realocar em outras áreas, visto que muitos trabalhadores já de idade avançada trabalhou por anos nas linhas de montagens fabris, ou estudaram por anos para se formarem em profissões as quais tendem a cair em desuso humano com o passar dos anos, como é o caso dos contadores os quais gradativamente são trocados por aplicativos de cálculos disponíveis na internet. Ainda na análise do IPEA:
Apesar da porcentagem aparentemente alarmante de profissões em risco no futuro próximo, há diversos cenários de transformação a se considerar na dinâmica do mercado de trabalho brasileiro. Por um lado, atividades tipicamente rotineiras e não cognitivas, como a de ascensorista, devem de fato ser automatizadas. Por outro, outras profissões que integram tanto subtarefas facilmente automatizáveis quanto as de difícil execução por robôs devem sofrer transformações em função do desenvolvimento da tecnologia e da inteligência artificial (IPEA, 2019, p. 25).
Diante do estudo, se houver a automação das empresas as quais trabalham com serviços de contato humano como assistentes sociais, cuidadores, secretários dentre outros, haverá um número com cerca de 30 milhões de empregos em risco até o ano de 2026, o cenário mais confiante diante da facilidade e digitalização dos serviços e a diminuição do gasto com o pagamento da mão de obra humana e
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extensão do serviço podendo ser produzido sem escalas de tempo e sem direitos trabalhistas que geram um custo extra para as empresas que mantem suas atividades no Brasil (IPEA, 2019, p. 26).
O trabalho serve como instrumento de dignidade e subsistência do ser humano o qual necessita de seu salário para levar alimento à mesa de sua família, para arcar com seus compromissos financeiros e manter a sociedade devidamente organizada. Diante da perspectiva da dispensa do trabalhador pelas máquinas, vê-se que muitos trabalhadores se encontram em situação de desemprego sem conseguir se realocar no mercado de trabalho, sendo que a perspectiva é o número de desempregados aumentar a cada dia.
Para não cair nas estatísticas de miserabilidade, as famílias se submetem a novas formas de trabalho enfrentam a linha do trabalho informal, e arriscam-se ao mundo do empreendedorismo, trabalhando por conta própria e assumindo os riscos do negócio devido ao desemprego crescente no Brasil, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no primeiro trimestre de 2020 a taxa de desemprego é de 12,2%1.
O aumento da informalidade é crescente o que não é uma boa estatística visto que normas são feridas pois tais profissionais deixam de contar com o amplo rol de direitos resguardados pela CLT além dos direitos previdenciários que restam prejudicados. O aumento de microempreendedores nos mostram a dificuldade do brasileiro de se recolocar no mercado, visto que no Brasil o índice de analfabetismo é alto, segundo dados do IBGE de junho de 2019, o Brasil conta com 11,3 milhões de pessoas com mais de 15 anos analfabetas2, este, conceitua ainda, o setor informal
que:
Compreende as informações sobre unidades econômicas que produzem bens e serviços com o principal objetivo de gerar ocupação e rendimento para as pessoas envolvidas, operando, tipicamente, com baixo nível de organização, com alguma ou nenhuma divisão entre trabalho e capital como fatores de
1https://www.ibge.gov.br/indicadores#desemprego < acessado em 25/05/2020>
2 Fonte: https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/9173pesquisanacionalporamostradedomicilios -continua-trimestral.html?t=resultados
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produção, e em pequena escala, sendo ou não formalmente constituídas (IBGE, 2020)
Visto que o novo modelo de contratação busca avaliar os altos níveis de conhecimento escolar e um bom nível de estabilidade emocional, uma boa parte da população ficará de fora desse novo mercado. Mas como tal população conseguiria se manter financeiramente tendo em vista que o trabalho além de dignificar o homem é instrumento de subsistência familiar? Tal resposta é encontrada nos meios que são usados para garantir o pouco de amanhã, denominados “bicos” ou o trabalho informal. Neste sentido pondera Bivar que:
Diante desse cenário histórico, algumas tendências do mercado de trabalho vêm se delineando nos últimos anos, como a terceirização, na busca pela redução de custos e aumento da flexibilidade, tanto no setor privado como no setor público(...). Semelhantemente, uma tendência que tem se acentuado no mercado de trabalho é o emprego de profissionais freelancers e a contratação por curto prazo para realização de projetos, o que é chamado de gig economy. Uma característica em comum dessas formas de trabalho é a diminuição da estabilidade das
relações de trabalho, como expressa em empregos
assalariados, que, apesar da tendência de redução, ainda que relações de trabalho assalariadas sejam mantidas para uma parcela da população (BIVAR, 2018, p. 74)
Então, o trabalhador que se encontra em estado de desemprego busca sobrevivência aonde lhe é oferecido. Ocorre que a maioria das propostas de trabalhado informal não os resguardam pois não os englobam na CLT, visto que em muitos casos são tratados como prestadores de serviços, mesmo estando trabalhando com “bicos” para receber uma contraprestação.
A informalidade fere os princípios do ordenamento jurídico, visto que os direitos não lhes são garantidos, como o pagamento efetuado ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, pela empresa para o recebimento aos diversos benefícios inclusive
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sobre aposentadoria, direito este bastante prejudicado se o informal não conseguir se manter como contribuinte individual, o que atrasa os anos de aquisição para a concessão de aposentaria.
4. A fragilidade das normas trabalhistas diante da informalidade e da insegurança jurídica
A segurança jurídica é o princípio ímpar do ordenamento jurídico brasileiro, onde baseia-se na boa fé em busca de relação ética entre as pessoas e a garantia de confiança nas normas validadas por lutas históricas de direitos à dignidade humana. A segurança jurídica traz tranquilidade de estarmos seguros livres de toda arbitrária manobra contra o ordenamento jurídico brasileiro, quanto a isso pondera Larenz:
O ordenamento jurídico protege a confiança suscitada pelo comportamento do outro e não tem mais remédio que protege, porque pode confiar [...] é condição fundamental para uma pacífica vida coletiva e uma conduta de cooperação entre os homens e, portanto, da paz jurídica (LARENZ, 1985, p. 91).
Nas sábias palavras de José Afonso da Silva (2006, p. 133) “uma importante condição da segurança jurídica está na relativa certeza que os indivíduos têm de que as relações realizadas sob o império de uma norma devem perdurar ainda quando tal norma seja substituída”.
Na Constituição Federal de 1988 a segurança jurídica está elencada no artigo 5º inciso XXXVI, o qual aduz que “a lei não prejudicará o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada”, é a segurança do integral cumprimento das leis vigentes e que ninguém poderá perder o que lhe foi garantido. Doutrinado por Rodrigo Padilha (2020, p. 369) o “direito adquirido é aquele que já possui todos os requisitos cumpridos para seu exercício. Assim como os demais direitos, este princípio não é absoluto, sendo possível relativizar o direito adquirido diante de tributo, regime jurídico ou nova Constituição”.
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Quanto o princípio da segurança jurídica Uadi Lammêgo Bulos ensina em sua doutrina que “seu papel é manter, no tempo e no espaço, os efeitos jurídicos de preceitos que sofreram mudanças ou supressões. (BULOS, 2018, p. 644)
Vê-se que diante de tantas mudanças e evoluções, das demissões em massa e a busca pelo emprego informal, geram uma situação de insegurança jurídica frente as normas brasileiras, visto que os trabalhadores além de trabalhar sem garantias sociais, encontram-se em um mar de incertezas quanto ao futuro de ser labor, bem como a dúvida de como lutar por direitos perdidos quando deparados com o desemprego tecnológico gerado pela automação.
Os princípios constitucionais existem para nortear a nação e as políticas públicas a assegurarem o bem-estar e a dignidade humana, para Padilha (2020, p. 163) “os princípios são multifuncionais, ou seja, servem para produzir, interpretar e aplicar leis, extraídas de enunciados jurídicos de alto grau de abstração e generalidade, prescrevendo um valor fundamental, e não situação de fato”.
O trabalhador necessita ser resguardado de não perder seus direitos sociais adquiridos por anos em decorrência de lutas históricas para viver em uma sociedade com direitos e deveres onde resguardado a segurança de terem seus direitos respeitados e cumpridos pela sociedade em si e pelo Estado garantidor das leis e dos princípios constitucionais.
Dentre os princípios constitucionais existe a “dignidade da pessoa humana”, quanto a este princípio Chaves Camargo nos revela que:
[…] pessoa humana, pela condição natural de ser, com sua inteligência e possibilidade de exercício de sua liberdade, se destaca na natureza e diferencia do ser irracional. Estas características expressam um valor e fazem do homem não mais um mero existir, pois este domínio sobre a própria vida, sua superação, é a raiz da dignidade humana. Assim, toda pessoa humana, pelo simples fato de existir, independentemente de sua situação social, traz na sua superioridade racional a dignidade de todo ser. (CAMARGO, 1994, p. 27-28).
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Diante disto, “os direitos trabalhistas e sociais devem ser reconhecidos como direitos constitucionais fundamentais, em respeito ao princípio da dignidade humana, que é um princípio universal do direito” (SCABIN, 2015, p. 11). De forma primordial a dignidade da pessoa humana deve ser destacada e sempre protegida, em prol da paz e justiça social.
A Organização das Nações Unidas positivou a Declaração Universal dos Direitos Humanos - DUDH, em Paris no ano de 1948, considerada uma conquista de ímpar importância para a proteção dos direitos humanos (MALHEIROS, 2016 p. 145), na luta de resguardar a dignidade e proteger a humanidade contra toda forma de tortura, escravidão ou servidão.
A DUDH no ordenamento jurídico brasileiro goza de status infraconstitucional, tal dispositivo em seu artigo XXIII diz que: “todo ser humano tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e a proteção contra o desemprego” (ONU, 1948). Emerson Malheiros nos diz ainda que:
[...] o direito à livre escolha do emprego, contemplado no diploma, é de natureza individual no ordenamento jurídico brasileiro vigente. Aliás, no Brasil, o princípio do primado do trabalho é a base da ordem social. A falta de trabalho (direito social) afasta a igualdade entre os homens, dando azo às desigualdades sociais (MALHEIROS, 2016).
Veja-se a grave afronta aos direitos que foram com dificuldade adquiridos que delinearam os direitos humanos pelos países os quais aderiram a DUDH em seu ordenamento jurídico, e importante a visão sobre o desemprego que quando tomado conta da população fomenta ainda mais as desigualdades sociais e estruturais dos países, em especial dos países em desenvolvimento, gerando guerras, fome, o aumento da violência e a insegurança quanto ao cumprimento das normas de proteção internacionais.
Ao contrário do que internacionalmente é protegido, as empresas avançam com a troca da mão de obra pela maquinaria, porém, sem o elevado grau de instrução educacional. Outro importante instrumento de proteção ao trabalho é o Protocolo de
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São Salvador, adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos, promulgada em 1988, passou a vigorar no Brasil em novembro de 1999, a qual trata em seu artigo 6º sobre o Direito do Trabalho nos seguintes termos, “toda pessoa tem direito ao trabalho, o que inclui a oportunidade de obter os meios para levar uma vida digna e decorosa através do desempenho de atividade lícita, livremente escolhida ou aceita” (BRASIL, 1999).
Todos os envolvidos na sociedade em especial a coparticipação do tripé formado por trabalhadores, Estado e as empresas necessitam lutar pela garantia da harmonização social, velando por respeito e proteção nas matérias que envolvam o relacionamento interpessoal, conforme fundamento constitucional que apresenta, dentre os fundamentos da República Federativa do Brasil, a dignidade da pessoa humana e os valores sociais do trabalho.
Neste contexto, José Afonso da Silva aduz que:
No art. 1º, IV, se declara que a República Federativa do Brasil tem como fundamento, entre outros, os valores sociais do
trabalho; o art. 170 estatui que a ordem econômica funda-sena valorização do trabalho; o art. 193 dispõe que a ordem social tem
como base o primado do trabalho. Tudo isso tem o sentido de reconhecer o direito social ao trabalho, como condição da efetividade da existência digna (fim da ordem econômica) e, pois, da dignidade da pessoa humana, fundamento, também da República Federativa do Brasil (art. 1º, III) (SILVA, 2005, p. 289-290)
Os valores sociais da livre iniciativa devem seguir o respeito, a dignidade e a proteção dos trabalhadores que deles se apoiam trabalhando em troca da garantia aos direitos sociais, visto que importantíssimo o trabalho como elo ao desenvolvimento social e econômico do país. Diante disto, destaca Gilberto Stümer:
A Constituição destaca, ainda, como princípio fundamental, entre outros não menos importantes, os valores sociais do
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trabalho e da livre iniciativa. Verifica-se claramente que, no atual modelo constitucional, o “trabalho” e a “livre iniciativa” caminham de “mãos dadas”. Definitivamente esta é a ideia: no moderno Direito do Trabalho, o social e o econômico se completam (STÜMER, 2015, p. 61).
Assim, importante frisar que a tecnologia deve manter-se aliada à humanidade e não se impor em desfavor do trabalho humano, com enfoque na garantia do emprego, o que para SILVA “a garantia do emprego significa o direito de o trabalhador conservar sua relação de emprego contra despedida arbitrária” (SILVA, 2005, p. 290). No âmbito nacional a proteção contra o desemprego emana de vários dispositivos constitucionais e infraconstitucionais. A Carta Magna instituída em Estado democrático de direito visa os valores da dignidade da pessoa humana, além do trabalho como valor social. Nas palavras de Rodrigo Padilha (2020, p. 905) “o estado apoiará a formação de recursos humanos nas áreas de ciência, pesquisa, tecnologia e inovação, inclusive por meio do apoio às atividades de extensão tecnológica, e concederá aos que se ocupem meios e condições especiais de trabalho”.
Segundo a Constituição Federal de 1988 no que compete a ordem econômica e financeira resguarda o trabalho humano em face da automação e garante a digna busca por emprego, como nos mostra o artigo 170, “a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social observados o seguinte princípio [...] VIII- busca do pleno emprego” (BRASIL, 1988).
De acordo com as palavras de Emanoel Ferdinando da Rocha Júnior para a revista do Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região:
O direito constitucional ao trabalho humano, por ser indisponível e inderrogável, pode dispor de maior proteção aos homens para que haja tratamento constitucional na busca pela felicidade, onde se pode sentir a garantia e a segurança jurídica de que ninguém poderá atentar aos direitos sociais, ainda mais quando se trata de extinção dos postos de trabalho em face da
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automação que se observa por ser abusiva e desnecessária, a qual só objetiva reduzir custos para garantir maiores lucros, sem função social (ROCHA JÚNIOR, 2013, p. 127).
Nesse contexto, a Carta Magna em seu artigo 7º, XXVI, garante “proteção em face da automação na forma da lei” em seu capítulo que trata sobre os direitos sociais, algo que vem sendo gravemente afrontado pela mecanização, violando ainda os princípios da dignidade humana, além dos valores sociais do trabalho, pois o trabalho como instrumento de dignidade não pode ser retirado do ser humano (ROCHA JÚNIOR, 2013, p. 127).
José Afonso da Silva nos esclarece quanto a proteção em face da automação que:
A Constituição [...] prevê a proteção em face da automação na
forma da lei; embora dependendo de lei, essas normas criam
condições de defesa do trabalhador diante do grande avanço da tecnologia, que o ameaça, pela substituição da mão de obra humana pela de robôs, com vantagens para empresários e desvantagens para a classe trabalhadora (SILVA, 2005, p. 295-296) (grifos no original).
Quanto à proteção dos direitos fundamentais dos trabalhadores, Matteo Carbonelli aduz que:
A proteção dos direitos fundamentais se constitui já́ de algum tempo um conjunto de regras estabelecidas em nível internacional, regional e nacional, também com especial referência ao mundo do trabalho. Aos motivos tradicionais de uma disciplina ditada pela necessidade de garantir a justiça social através da proteção do trabalhador como a parte mais fraca, veio acrescentar a consciência crescente de que o impulso para a globalização – entendida como a integração econômica
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caracterizada pela liberalização do comércio internacional, dos investimentos e dos fluxos de capitais – exige um compromisso comum para enfrentar as injustiças e as desigualdades e promover a equidade e o desenvolvimento (CARBONELLI, 2015, p. 25).
Roseli Scabin (2015, p. 11) revela que “a questão social ainda assombra o mundo em pleno século XXI, sendo um dos fatores potencialmente causadores de instabilidades políticas e de conflitos”. O ser social necessita viver de acordo com seus princípios, o trabalho como garantia social garante ao trabalhador valor, dignidade e saúde, devendo ser preservado de toda manobra arbitrária a estes princípios.
Importante o papel de responsabilidade social das empresas, além dos institutos internacionais como a Organização Internacional do Trabalho primordial para a garantia dos direitos trabalhistas, para manter a ordem de paz mundial e garantindo o equilíbrio econômico com o desenvolvimento de suas atividades, “as condições de trabalho necessitem de uniformização pelo menos no que diz respeito aos padrões mínimos legais de proteção aos trabalhadores, visando a humanização e a dignificação do trabalho humano” (SCABIN, 2015, p. 11-12).
Os princípios fundamentais precisam ser respeitados e de acordo com o pensamento de BULOS (2018, p. 527) “sem os direitos fundamentais, o homem não vive, não convive, e, em alguns casos, não sobrevive”. Afinal, como sobreviver sem a garantia dos direitos básicos, e das garantias sociais, uma análise profunda quanto a esse tema deve ser gerada, de modo que todos os envolvidos nessa relação, o trabalhador, empregador e o Estado ingressarem na valorização do trabalho humano aliando a tecnologia com a sociedade em busca de uma vida harmoniosa garantidos os direitos sociais de todas as pessoas.
5. A importância da indústria 4.0 durante a pandemia do novo Coronavírus
Hoje a realidade de todo o mundo mudou, com a pandemia do novo Coronavírus as empresas de pequeno, médio e grande porte foram obrigadas a fecharem suas portas e suspenderem suas produções, a população mundial se vê em
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estado de isolamento social, confinadas em casa muitas sem poder trabalhar e sem exercer suas atividades cotidianas.
O mundo fora de casa teve um freio abrupto, porém a maioria dos setores tiveram que se reinventar frente a realidade atual. As empresas tiveram que adaptar suas atividades de forma a exercer o trabalho em home office, se reinventando em busca de inovações auxiliadas pelo uso de plataformas digitais, mudando a rotina de produção aliados agora com a tecnologia para manter o faturamento e assegurar os milhares de empregos ameaçados.
A indústria 4.0 neste momento ganha um destaque de modo que a humanidade passou a usar ainda mais os meios comunicativos de tecnologia, em benefícios pessoais e profissionais. A ida aos escritórios, agências, lojas e outros lugares de serviço ficou inviável, desta forma, na continuidade do trabalho as reuniões passaram a ser online, cada um na sua casa. Da mesma forma os robôs também ganharam um destaque, visto que a maioria das empregadas, diaristas e cozinheiras tiveram que ser dispensadas nesse período de pandemia, com isso a procura por eletrodomésticos e dispositivos auxiliares de limpeza doméstica também tiveram um aumento de consumo.
6. Conclusão
Durante o linear das décadas houve e há a necessidade de se criar normas para proteger o trabalhador em seu contexto social e laboral, resguardando assim o direito ao trabalho digno livre de qualquer tipo de escravidão ou servidão.Nesse contexto de proteção normativa a tecnologia ameaça as relações criadas pela Consolidação das Leis Trabalhistas, trazendo um novo modelo de relação entre empresa e empregador, assim, diante dos avanços tecnológicos oriundos da indústria 4.0 e do surgimento da denominada internet das coisas, seriam as relações trabalhistas afetadas pela informalidade e a insegurança jurídica?
Durante décadas o homem vem se aperfeiçoando, buscando cada dia se aprimorar, no mesmo sentido as indústrias, empresas de todos os portes, prestadores de serviços também evoluem em uma constante busca de avanços tecnológicos, onde as máquinas dominam o serviço e são modernizadas em curtos espaços de tempo.
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Ao modo que os avanços tomam conta de empresas, a evolução da robótica está tirando milhares de postos de emprego, substituindo o trabalhador por máquinas que operam em escalas avançadas gerando assim lucros ainda maiores para as empresas. Contudo, há o aumento do desemprego e a diminuição de novos postos de trabalho, tendo em vista que o novo modo de contratação busca trabalhadores com conhecimentos ainda mais profundos e intelectos.
Assim, de suma importância analisar as possíveis consequências tanto positivas, quanto negativas frente aos avanços da quarta revolução industrial frente aos mecanismos utilizados nos processos de trabalhado ameaçados com a automação gerando grande desemprego tecnológico, levando a consequente informalização dos trabalhadores gerando insegurança jurídica quanto aos direitos trabalhistas ameaçados com a informalidade.
Portanto, importante ressaltar a conciliação do tripé Estado, empregador e empregado na busca da preservação do trabalho humano frente a automação, pois, a tecnologia em si não deve ser tratada como uma ameaça, porém, importante o destaque aos efeitos da automação, onde ocorre a troca do trabalho humano pelas máquinas.
Se, por um lado, o Estado precisa manter-se atento ao que ocorre frente a automação com políticas públicas comedindo o avanço desta e freando o desemprego tecnológico. De outro lado as empresas exercendo sua função social frente a preservação da mão de obra.
A participação do empregado com motivação pessoal e social de manter-se motivado na busca por capacitação é outro aspecto importante, visto que diante do exposto, a tendência de contratação futura é por trabalho intelectual, ou seja, manter-se atento e capacitado para atender suas próprias necessidades.
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