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ModeloEstratégico

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Academic year: 2021

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(1)ARMANDO AUGUSTO MARTINS CAMPOS. MODELO ESTRATÉGICO DE GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO. Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Sistemas de Gestão da Universidade Federal Fluminense como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre em Sistemas de Gestão. Área de concentração: Sistema de Gestão em Segurança no Trabalho.. Orientador: Gílson Brito Alves Lima, D.Sc.. Niterói 2004.

(2) ARMANDO AUGUSTO MARTINS CAMPOS. MODELO ESTRATÉGICO DE GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO. Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Sistemas de Gestão da Universidade Federal Fluminense como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre em Sistemas de Gestão. Área de concentração: Sistema de Gestão em Segurança no Trabalho.. BANCA EXAMINADORA. ____________________________________________ Prof. Gílson Brito Alves de Lima, D. Sc. Universidade Federal Fluminense. ____________________________________________ Prof. Fernando Toledo Ferraz, D. Sc. Universidade Federal Fluminense. _________________________________________ Profa. Maria Egle, D. Sc. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.

(3) Dedico este trabalho. A Deus pela minha vida e minha fé A semente de tudo, o meu Pai (in memorian), que é eterno em mim. À minha mãe que me protege nesta vida e que me disse ser possível chegar até aqui, e as minhas irmãs Socorro e Célia que não medem esforços em me ver feliz. Ao meu Tio Adolpho que é um segundo pai, fundamental para que eu fosse até o fim nesta caminhada. Ao meu filho Daniel, meu tudinho, meu amor . A Wirna e ao Jorginho que me alegram nesta vida A Ruth Montenegro minha esposa, que suportou minha ansiedade, minhas reclamações, e que com seu carinho e seus toques tem me feito um homem melhor..

(4) AGRADECIMENTOS. A Gílson Brito Alves de Lima, meu orientador e aliado, que confiou em mim. Ao Engenheiro Francisco Alves da CETREL que foi o grande facilitador deste estudo. Aos amigos Aguinaldo Bizzo, Sérgio Gianneto, Marcelo Kós Silveira Campos, Antonio Carlos de Souza, José Rodrigues, Milton Perez, Roberto Pinto,Alexandre Gusmão, Líria Pereira, que me incentivaram a ir em frente A F. Gulin que apostou nesta idéia e assinou o Contrato. Aos meus professores do Mestrado da Universidade Federal Fluminense, do LATEC – Laboratório de Tecnologia, Gestão de Negócios e Meio Ambiente que tornaram mais fácil esta caminhada Aos meus colegas de Mestrado que construíram uma bela família e quase não vi o tempo passar. Aquelas pessoas aqui não citadas, mas que fizeram parte do meu aprendizado..

(5) RESUMO. Este estudo tem por objetivo discutir se os requisitos para certificação de um sistema de gestão de segurança e saúde ocupacional são suficientes para atender as reais necessidades de uma organização, bem como propor um modelo alternativo estratégico para esta gestão. Para isto foram analisados requisitos de outros sistemas de gestão de segurança e saúde reconhecidos e de ferramentas que associem e comuniquem medidas estratégicas. Neste aspecto é apresentado um estudo de caso de uma empresa de Proteção Ambiental, que permite verificar a aplicação e o enfoque dado à um Sistema com base na Série de Avaliação de Segurança e Saúde Ocupacional - OHSAS 18001, as boas práticas, um grau de disseminação e continuidade sistêmica. Como aspectos conclusivos estão o de que as necessidades reais precisam de outras referências, sem que isto implique em se desviar do escopo original. Em relação ao modelo estratégico proposto, a estrutura apresentada é sistêmica de suporte aos requisitos de gestão, buscando a visualização das estratégias usadas, com o desdobramento de suas ações gerenciais na abordagem macro ambiental dos mapas estratégicos..

(6) ABSTRACT. This study intends to discuss whether the requirements for the certification of a health and safety management system under the OHSAS 18001 are enough to meet the real needs of an organiization, as well as to propose an alternative to this way of management. To do this, requirements from other well known health and safety management systems were studied together with tools that are related to and communicate strategic measures. A case study of a company from the environmental protection sector is presented, making it possible to assess the aplication and the focus given to a system based on the OHSAS 18001 standard series for health and safety evaluation, good management practices, a good level of safety culture dissimination and systemic continuity. It is possible to conclude from the study that the organization’s real needs should be complemented with other references, without loosing sight of the original scope. The proposed strategic system has a structure that supports the implementation of the referenced standard’s requirements, allowing for the understanding of the strategies used, deploying the management actions into strategy maps..

(7) LISTA DE FIGURAS. Figura 1. Pressões para a prática de SSO nas empresas. 26. Figura 2. Objetivo do sistema de gestão. 35. Figura 3. O processo interativo para gestão do risco.. 38. Figura 4. Utilizando o Balanced Scorecard como uma estrutura estratégica para a ação.. 40. Figura 5. Mapa Estratégico. 41. Figura 6. Elementos da BS 8.800. 47. Figura 7. Elementos da Norma UNE 81.900. 51. Figura 8. Norma UNE 81.901. 53. Figura 9. Elementos da OHSAS 18.001. 55. Figura 10. Elementos das Diretrizes ILO – OSH. 59. Figura 11. Fluxo da pesquisa. 65. Figura 12. Organograma da CETREL. 67. Figura 13. Visão Empresarial da CETREL. 68. Figura 14. Modelo de Gestão de Segurança, Higiene e Saúde Ocupacional da CETREL. 85. Figura 15. Etapas de Avaliação de Riscos. 95. Figura 16. Sistemática de Certificação do PCH. Figura 17. Sistemática de questionamento das partes interessadas: Meio Ambiente. 103. e SSO. 106. Figura 18. Atividades/ Ações do Sistema Integrado de Gestão. 123. Figura 19. Teia de perigos. 130. Figura 20. Controles da UNE 81900. 135. Figura 21. Modelo Proposto para o Mapa Estratégico do Sistema de Gestão de SSO. 144.

(8) LISTA DE QUADROS. Quadro 1 Quadro 2 Quadro 3 Quadro 4 Quadro 5 Quadro 6 Quadro 7 Quadro 8 Quadro 9 Quadro 10 Quadro 11 Quadro 12 Quadro 13 Quadro 14 Quadro 15 Quadro 16 Quadro 17 Quadro 18 Quadro 19 Quadro 20 Quadro 21 Quadro 22 Quadro 23 Quadro 24 Quadro 25 Quadro 26 Quadro 27 Quadro 28 Quadro 29 Quadro 30 Quadro 31. Leis de Segurança e Saúde no mundo Leis de Segurança e Saúde no Brasil Empresas Certificadas OHSAS 18.001 Evolução da SST no Brasil Relacionamento das hipóteses com as questões - chave Estágios do Atuação Responsável Requisitos para Indústria Química Série de Normas UNE 81.900 Norma UNE 81.900 Normas da Série UNE 81.900 AS 4.801 CETREL: Sistemas de Proteção Ambiental Referências de Pólos Petroquímicos Integrados Composição Acionária CETREL Necessidade dos Clientes CETREL Política de Segurança e Saúde Ocupacional da CETREL Missão da CETREL Visão da CETREL Princípios Éticos da CETREL Crenças e Valores da CETREL Grau de disseminação e continuidade da Política de SSO da CETREL Ciclo de Controle e Aprendizado da Política de SSO da CETREL Matriz de identificação de Perigos/Análise de Riscos Verificação e Cumprimento da Liquidação de SSO Documentos/Procedimentos Corporativos SSO Matriz de Responsabilidades e Autoridades Documentação do Sistema de Gestão, Segurança, Higiene e Saúde Ocupacional Procedimentos em Situações Emergências Ação para Identificação de Perigo Conteúdo para formação de auditores de SST Interfaces das Normas de Gestão de Segurança e Saúde. 17 18 20 22 30 44 45 48 49 50 56 69 70 71 78 89 91 91 91 92 93 94 96 98 100 101 108 112 129 137 139.

(9) LISTA DE ABREVIATURAS. ABIQUIM. Associação Brasileira da Indústria Química. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. ABPA. Associação Brasileira para Prevenção de Acidentes. ACGIH. American Conference of Governmental Industrial Higienysts. AENOR. Asociación Española de Normalización y Certificación. ASQ. Assessoria da Qualidade. BS. British Standard. BSI. British Standards Institution. BVQI. BVQI do Brasil Sociedade Certificadora Ltda. CID. Classificação Internacional de Doenças. CIPA. Comissão Interna de Prevenção de Acidentes. CLT. Consolidação das Leis do Trabalho. COELBA. Companhia de Energia Elétrica do Estado da Bahia. COFIC. Comitê de Fomento Industrial de Camaçari. CSN. Companhia Siderúrgica Nacional. CST. Companhia Siderúrgica de Tubarão. DDS. Diálogo Diário de Segurança. EPC. Equipamento de Proteção Coletiva. EPI. Equipamento de Proteção Individual. ETE. Estação de Tratamento de Efluentes. EX. Experimental. FISPQ. Ficha de Informação de Segurança de Produtos Químicos. IBAMA. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente. IGSSO. Índice de Gestão de Segurança, Higiene e Saúde Ocupacional. IN. Instrução Normativa. INMETRO. Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial. INSS. Instituto Nacional do Seguro Social. ISO. International Organization for Standardization. JIPM. Japan Institute of Plant Maintenance. NBR. Norma Brasileira. NC. Não-conformidades. NR. Norma Regulamentadora. OHSAS. Occupational Health and Safety Assessement Series. OIT. Organização Internacional do Trabalho. PAE. Programa de Atendimento a Emergências. PCA. Programa de Conservação Auditiva.

(10) PCEP. Programa de Controle de Energia Perigosa. PCH. Plano de Carreira por Habilidades e Competências. PCMSO. Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional. PDCA. Planejar – Executar – Checar - Atuar. PNQ. Prêmio Nacional da Qualidade. PPR. Programa de Proteção Respiratória. PPRA. Programa de Prevenção de Riscos Ambientais. RAIS. Relatório Anual de Informações Sociais. RH. Recursos Humanos. SAI. Social Accountability International. SGA. Sistema de Gestão Ambiental. SGI. Time de Gerenciamento da Informação. SIG. Sistema Integrado de Gestão. SGQ. Sistema de Gestão De Qualidade. SGSSO. Sistema de Gestão de Segurança, Higiene e Saúde Ocupacional. SGSST. Sistema de Gestão Segurança e Saúde no Trabalho. SINDAE. Sindicato de Águas e Esgotos do Estado da Bahia. SSO. Segurança e Saúde Ocupacional. SST. Segurança e Saúde no Trabalho. TLV. Threshold Limit Values. TPM. Gerenciamento da Produtividade Total. UNE. União Européia.

(11) SUMÁRIO. 1. INTRODUÇÃO. 15. 1.1. O PROBLEMA DA PESQUISA. 15. 1.2. SITUAÇÃO PROBLEMA. 23. 1.3. OBJETIVO DO ESTUDO. 27. 1.3.1. Objetivo Geral. 27. 1.3.2. Objetivos Específicos. 27. 1.4. DELIMITAÇÃO DO ESTUDO. 28. 1.5. IMPORTÂNCIA DO ESTUDO. 29. 1.6. QUESTÕES DA PESQUISA. 29. 1.7. ESTRUTURAÇÃO DO TRABALHO. 31. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA. 33. 2.1. ASPECTOS DA TEORIA DA ADMINISTRAÇÃO. 33. 2.1.1. Definição de Sistema. 35. 2.1.2. Gestão de segurança e saúde ocupacional. 37. 2.2. ADMINISTRAÇÃO ESTRATÈGICA. 38. 2.3. SISTEMAS DE GESTÃO. 42. 2.3.1. Atuação responsável - ABIQUIM. 42. 2.3.2. BS 8.880/1996. 45. 2.3.3. Série de normas UNE 81.900/1996. 47. 2.3.4. OHSAS 18.001/1999. 54. 2.3.5. AS 4801:2000 Occupational Health and Safety Management Systems – Specification with Guidance for Use – Standards Autraslia. 55. 2.3.6. OHSAS 18.002: 2000. 57. 2.3.7. Diretrizes sobre Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho – ILO - OSH/2001. 58. 3. METODOLOGIA. 62. 3.1. MÉTODO DE PESQUISA. 62. 3.1.1. Adequação aos objetivos da pesquisa. 62. 3.1.2. Seleção do estudo de caso. 64. 3.1.3. Fluxo da pesquisa. 65.

(12) 4. ESTUDO DE CASO - MODELO DE GESTÃO: CETREL S/A. 66. 4.1. CETREL S/A: PERFIL DA ORGANIZAÇÃO. 66. 4.1.1. Descrição básica da organização. 68. 4.1.1.1. Principais grupos de serviços da CETREL.. 68. 4.1.1.2. Localização. 69. 4.1.1.3. Porte e instalações. 69. 4.2.1.4. Dimensão dos sistemas. 70. 4.1.1.5. Receita Bruta. 71. 4.1.1.6. Composição acionária.. 71. 4.1.1.7. Principais mercados.. 72. 4.1.1.8. Perfil da força de trabalho da CETREL. 72. 4.1.1.9. Tipos de clientes. 73. 4.1.1.10. Requisitos especiais de segurança. 73. 4.1.1.11. Principais equipamentos e instalações. 74. 4.1.1.12. Principais tecnologias. 74. 4.1.1.13. Principais Processos. 75. 4.1.1.14. Caracterização da região onde a CETREL está instalada. 76. 4.1.1.15. Infra-estrutura da região. 76. 4.1.1.16. Principais Prêmios de SSO. 77. 4.1.2. Necessidades dos clientes. 77. 4.1.3. Relacionamentos com fornecedores. 78. 4.1.4. Atuação – aspectos relevantes. 79. 4.1.4.1. Situação no ramo perante a concorrência. 79. 4.1.4.2. Quantidade e tipos de concorrentes. 80. 4.1.4.3. Principais estratégias e planos de ação perante a concorrência. 80. 4.1.5. Outros aspectos importantes. 81. 4.1.5.1. Principais desafios para entrada em novos mercados. 81. 4.1.5.2. Alianças estratégicas. 81. 4.1.5.3. Introdução de novas tecnologias. 82. 4.1.5.4. Engenharia ambiental. 82. 4.2. SISTEMA DE GESTÃO DE SEGURANÇA, HIGIENE E SAÚDE OCUPACIONAL – SGSSO. 83.

(13) 4.2.1. Elementos do sistema de gestão de segurança, higiene e saúde ocupacional –SGSSO. 84. 4.2.1.1. Diagnóstico inicial.. 84. 4.2.1.2. Requisitos gerais. 85. 4.2.1.2.1. Programas legais e acordos coletivos. 86. 4.2.1.3. Política de segurança e saúde ocupacional. 88. 4.2.1.3.1. Ciclo de controle e aprendizado. 93. 4.2.1.4. Planejamento. 94. 4.2.1.4.1. Planejamento para identificação de perigos e avaliação de controles de risco. 94. 4.2.1.4.2. Requisitos legais e outros requisitos. 97. 4.2.1.4.3. Objetivos e metas de segurança / higiene / saúde ocupacional. 99. 4.2.1.4.4. Programa de gestão de segurança, higiene e saúde ocupacional - PGSSO. 99. 4.2.1.5. Implementação e operação. 101. 4.2.1.5.1. Estrutura e responsabilidade. 101. 4.2.1.5.2. Treinamento, conscientização e competência. 102. 4.2.1.5.3. Consulta e comunicação. 104. 4.2.1.5.4. Documentação/controle de documentos. 107. 4.2.1.5.5. Controle operacional. 109. 4.2.1.5.6. Preparação e atendimento a emergências. 111. 4.2.1.6. Verificação e ação corretiva. 113. 4.2.1.6.1. Monitoramento e mensuração do desempenho. 113. 4.2.1.6.2. Acidentes, incidentes, não-conformidades e ações corretivas e preventivas. 115. 4.2.1.6.3. Registros e gestão de registros de SSO. 117. 4.2.1.6.4. Auditorias. 118. 4.2.1.7. Análise crítica pela administração. 121. 4.2.1.7.1. Relatório de análise crítica. 121. 4.2.1.7.2. Implementação das oportunidades de melhorias. 122. 4.2.1.7.3. Grau de disseminação e continuidade e ciclo de controle e aprendizado:. 122. 4.3. SISTEMA INTEGRADO DE GESTÃO - SIG. 122. 4.3.1. Objetivos. 122. 4.3.2. Gerenciamento da produtividade total - TPM. 123. 5. AVALIAÇÃO CRÍTICA DO ESTUDO DE CASO. 125.

(14) 5.1. CONSIDERAÇÕES PRELIMINARES. 125. 5.2. O SGSSO DA CETREL – ANÁLISE CRÍTICA. 125. 5.3. CONTRIBUIÇÃO DOS SISTEMAS DE GESTÃO DE SEGURANÇA E. 127. SAÚDE OCUPACIONAL 5.3.1. Política. 127. 5.3.2. Planejamento. 127. 5.3.2.1. Identificação de perigos e avaliações de riscos. 128. 5.3.2.2. Programa de gestão. 128. 5.3.2.3. Gestão de mudanças. 130. 5.3.2.4. Contratações. 131. 5.3.3. Implementação e operação. 132. 5.3.3.1. Controle operacional. 132. 5.3.3.1.1. Aquisições. 132. 5.3.3.1.2. Importância dos controles. 133. 5.3.3.1.3. Identificação de perigos, avaliação de riscos e controle dos riscos. 136. 5.3.4. Verificação e ação corretiva. 136. 5.3.4.1. Auditoria. 136. 5.3.5. Análise crítica. 139. 5.4. DIAGNÓSTICO DO ESTUDO DE CASO. 148. 6. CONCLUSÃO. 148. 6.1. ANÁLISES CONCLUSIVAS. 148. 6.2. CONSIDERAÇÕES SOBRE AS QUESTÕES FORMULADAS. 149. 6.3. SUGESTÕES DE TRABALHO FUTURO. 152. REFERÊNCIAS. 154. GLOSSÁRIO. 160.

(15) 15. 1 INTRODUÇÃO. 1.1 O PROBLEMA DA PESQUISA. As empresas estão organizadas ao redor de processos de produção (de bens, serviços ou ambos) procurando obter resultados que, em última instância, produzem sua sobrevivência e prosperidade. No que se refere a Sobrevivência sabemos que desde o início da década de 50 que os Consultores apontam que 80% dos problemas empresariais não poderiam ser corrigidos pela Administração Gerencial. A Administração Gerencial não opera os processos internos nem a entrada de dinheiro, isto inclui a Segurança e Saúde no Trabalho. Nas palavras do Dr. W. Edwards Deming1, (1986 apud HARRINGTON, 1993) “Eu estimo, baseado em minha experiência, que a maioria dos problemas e das possibilidades de aperfeiçoamento tem a origem no sistema (processo) numa proporção de 94% contra 6% oriundos de causas especiais”. Pode-se dizer que processos são o diferencial entre empresas, pois são o âmago de qualquer organização. Além do processo principal, que pode ser, por exemplo, a linha de montagem de geladeiras, é fácil compreender que existem vários “sub” processos que são necessários para o bom andamento do processo “principal”, tais como o processo de montagem dos componentes, a pintura, compra de peças, assistência técnica, etc. A Segurança e Saúde permeia todos os processos, desde o principal até o menor “sub” processo. Observa-se de forma mais acurada as inúmeras atividades que podem estar contidas em um processo produtivo qualquer, permite verificar que elas, em sua maioria, para serem executadas, dependem, entre outras coisas, de pessoas, equipamentos, normas, procedimentos, registros e instruções, todas com implicações diretas sobre a Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho destas organizações.. 1. W. Edwards Deming estatístico americano, especialista em Controle da Qualidade..

(16) 16. As atividades estão interligadas à que a procedeu e àquela que lhe sucederá no processo em questão. Assim podemos dizer, então que cada atividade é influenciada pelos resultados das atividades que a procederam e que ela, por sua vez, gera resultados que influenciam as atividades seguintes. Diante desta perspectiva fica fácil entender o conceito de “clientes internos”: eles são as pessoas para as quais são destinados os resultados das atividades que existem dentro de um processo que está sendo gerenciado. Assim para que possam interagir com as atividades precisam ser competentes, ou seja, terem o conhecimento, as habilidades e principalmente valores requeridos para manter a qualidade e produtividade. Sabidamente não existe processo 100% eficiente, portanto, todos podem produzir desvios, retrabalho, incidentes, acidentes que, embora não desejados, também são resultados do processo. Só que durante muito tempo a Segurança e Saúde ficou à margem deste processo, “assistindo” a tudo acontecer pela ausência de vários fatores, tais como, de uma legislação Segurança e Saúde; de um cliente mais ágil, mais inflexível e menos tolerante; uma ação sindical expressiva; definição de competências necessárias para a execução das atividades; proteção de máquinas; os acionistas considerarem este segmento nas suas estratégias para obter vantagens competitivas; trabalhadores com bom nível de cultura e educação; etc. Para um melhor entendimento é necessário que verifiquemos o que aconteceu no passado. Bird (1991) cita o livro “Liderança em Segurança” de James Findlay e de Raymond Kuhlman, para tratar da evolução das Leis oferecendo a seguinte perspectiva histórica, que mostra o desenvolvimento legal relacionado com a segurança: Na antiga Babilônia o Código de Hamurabi prescrevia castigo aos capatazes pelas lesões que sofreram os trabalhadores. Por exemplo: Se um trabalhador perdia um braço Lei Babilônica. devido à descuido ou negligência do capataz, o procedimento era cortar o braço do capataz, para equiparar a perda do trabalhador A Primeira Lei de Fábricas da Inglaterra, editada em 1802, estabeleceu normas gerais sobre calefação, iluminação, ventilação e horários de trabalho. Sua finalidade principal foi deter o abuso excessivo do uso de crianças que eram levadas para trabalhar nas.

(17) 17 fábricas têxteis dos distritos. Foi um esforço pioneiro, mas foi mal interpretada e Lei Inglesa. ignorada pelos administradores das fábricas, os inspetores e os juízes, devido principalmente a intervenção de pessoas influentes da época. Ao longo dos anos vieram legislações mais restritivas, em relação a riscos específicos (tais como a Lei de Explosivos de 1875) e a de riscos gerais a Lei de Segurança e Saúde de 1974) Neste país as Leis de Segurança foram influenciadas por razões políticas, para deter o aumento do comunismo na Alemanha Imperial na década de 1880, para responder a crescente insatisfação dos trabalhadores frente as condições de risco dos ambientes de trabalho. Assim o Governo introduziu a primeira Lei de compensação dos trabalhadores. Lei Alemã. no mundo. Os industriais alemãs, desconfortáveis pelas ameaças dos escritos de Karl Marx, apoiaram essa Lei. Ao fazê-lo fizeram história pois foi uma das primeiras preocupações que se tem registrado por parte de executivos, no que se refere a colocar a segurança do trabalho como vital para o êxito dos negócios. Nos Estados Unidos as primeiras Leis começaram em 1887 em Massachussetts, com a criação dos Inspetores de fábricas, estabeleceram horários de trabalho, e os requisitos de proteção de máquinas. A promulgação de Leis em vários estados americanos motivou um Congresso de. Lei Norte Americana. Segurança em 1912, com o patrocínio da Associação de Engenheiros Elétricos, do Ferro e do Aço. Em 1913 foi criado o Conselho Nacional de Segurança, que tem contribuído significativamente na investigação e promoção da segurança. Em 1970 foi criada a Lei de Segurança e Saúde Ocupacional Em 1972 foi criada a Lei de Segurança de Produtos ao Consumidor Em 1976 foi criada a Lei de Controle de Substâncias Tóxicas Em 1977 foi criada a Lei de Segurança e Saúde de Minas. Quadro 1 - Leis de Segurança e Saúde no mundo Fonte: Adaptado de Bird (1991, p. 1- 4). Pelo Quadro 1 verifica-se que a evolução da legislação de SSO sempre esteve atrelada à pressões dos trabalhadores e da sociedade. A situação ao longo dos tempos foi sempre preocupante, isto está claro, na afirmação “Estatísticas demonstram que os números de mortes por acidentes em 1912 eram duas vezes maiores que aqueles do ano de 1983 nos Estados Unidos e que os índices por morte relacionados com veículos eram quatro vezes maiores” (BIRD, 1991, p.1 ). No Brasil a situação não é diferente, inclusive tivemos um caso típico que foi a construção, no estado do Acre, da estrada de ferro Madeira – Mamoré, onde vieram trabalhadores de várias partes do mundo (árabes, russos, espanhóis, cubanos, ..). Esta estrada teve os seus últimos.

(18) 18. metros de trilho assentados em abril de 1912, seu porte só é comparável à construção do Canal do Panamá, o lado triste desta história é que dos 30.000 (trinta mil) operários recrutados foram a óbito 6.000 (seis mil), não é à toa que a Madeira – Mamoré ganhou o apelido de Ferrovia do Diabo. Em nosso país a Industrialização começou por volta de 1930, ganhando fôlego na década de 50, onde começamos a vivenciar um grande número de acidentes, principalmente na década de 70, onde a média anual chegou a 1.575.566 acidentes e 3604 óbitos, resultados extremamente preocupantes. Em 1919, surge a primeira Lei de Acidentes do Trabalho no Brasil, ela exige reparação em caso de “moléstia contraída exclusivamente pelo exercício do trabalho”. Em 1934, surge a segunda Lei de Acidentes do Trabalho no Brasil, ela reconhece como acidente do Trabalho a doença profissional atípica. Em 1944, surge a terceira Lei de Acidentes do Trabalho no Brasil, determina que as empresas com mais de 100 funcionários devem constituir uma comissão interna para representá-los, a fim de estimular o interesse pelas questões de prevenção de acidentes. Em 1967, surge a quarta Lei de Acidentes do Trabalho no Brasil, através do Decreto – Lei 293, de 28 de fevereiro, que teve curta duração, porque foi totalmente revogada pela Lei 5316, de 14 de setembro. Transfere o seguro acidentes do trabalho do setor privado para a esfera específica da Previdência Social. Em 1967, surge a quinta Lei de Acidentes do Trabalho no Brasil, de número 5316, que restringiu o conceito de doença do trabalho, excluindo as doenças degenerativas e as inerentes a grupos etários. Em 1976, surge a sexta Lei de Acidentes do Trabalho no Brasil, deixando sem proteção especial contra acidentes do trabalho o empregado doméstico e os presidiários que exercem trabalho não remunerado. Além disso, a Lei identifica a doenças profissional e a doença do trabalho como expressões sinônimas, equiparando-as ao acidente do trabalho. Em 1977, surge a sétima Lei de Acidentes do Trabalho no Brasil, através da Lei 6514, de 22 de dezembro, que altera o Capítulo V do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho, relativo à Segurança e medicina do Trabalho. Em 1978, a Portaria 3.214, de 8 de junho, introduz as Normas Regulamentadoras, sendo inicialmente em número de 28, que passam a fazer parte do capítulo V do Título II da CLT. Atualmente foram introduzidas mais duas NR, a que se refere à “Segurança e Saúde do Trabalho Portuário” (NR 29 - 1997) e a “Segurança e Saúde no Trabalho Aquaviário” (NR 30 - 2003). Quadro 2 - Leis de Segurança e Saúde no Brasil Fonte: Adaptado de Campos (2004,,p. 18 - 20).. Pelo Quadro 2 observa-se que no Brasil a evolução da SST foi mais demorada, existem grandes intervalos entre uma legislação e outra, sendo que a Lei 6.514 surge no momento em que o país tinha elevados índices de acidentes (final da década de 70'). As estatísticas de acidentes no Brasil são informadas pelo Ministério da Previdência Social,.

(19) 19. mais especificamente pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), elas não retratam a realidade, pois muitos acidentes não são notificados e também porque não contemplam acidentes ocorridos com trabalhadores informais, servidores públicos, e de contribuintes autônomos e Cooperados. “Relativamente a questão acidentária, foram registrados em 1996 cerca de 372.000 acidentes de trabalho e 3.700 óbitos. Foram computados nos últimos 25 anos, os números são de 30 milhões de acidentes e mais de 100.000 mortes” (PONTES, 1997, p. 204). Considerando que o ano de 1996, foi um marco em termos de Sistemas de Gestão de SSO, pois foram publicadas: a BS 8.800 (bastante difundida no Brasil); a UNE 81.900, que serviram como referencial para diversas organizações, as estatísticas para o período estão no Quadro 3. Tabela 1 - Estatística de Acidentes no Brasil de 1970 a 2003 Acidentes. Total de. Anos. Típico. Trajeto. Doenças. Óbitos. Acidentes. 1997. 347.482. 37.213. 36.648. 3.469. 421.343. 1998. 347.738. 36.114. 30.489. 3.793. 414.341. 1999. 326.404. 37.513. 23.903. 3.896. 387.820. 2000. 304.963. 39.300. 19.605. 3.094. 363.868. 2001. 282.965. 38.799. 18.487. 2.753. 340.251. 2002. 323.879. 46.881. 22.311. 2.968. 393.071. 2003. 319.903. 49.069. 21.208. 2.582. 390.180. Total Geral. 2.253.334. 284.889. 172.651. 22.555. 2.710.874. Média. 321.904,85. 40.698,42. 24.664,42. 3.222,14. 387.267,71. Fonte: Revista Proteção (2004, p.18). Podemos perceber que no Quadro 3 as estatísticas da Previdência Social tiveram uma queda significativa no período pós sistemas de gestão de SSO, só que não se pode atribuir a estes tais resultados, até porque pela pesquisa realizada na Revista Proteção no início deste ano, só 219 (duzentas e dezenove) empresas foram certificadas na OHSAS 18001, o que pode ser visto no Quadro 4, o que é muito pouco para o universo das empresas brasileiras. A linha mais direta de raciocínio é a da não emissão da CAT ou da sub-notificação de acidentes de trabalho das empresas (devido a estas duas causas o INSS está alterando a metodologia para a CID); das ações do Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade – PBQP do Governo brasileiro para baixar em 40% o número de acidentes fatais até 2003; do rigor da fiscalização dos Auditores Fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego e da Legislação uma vez que.

(20) 20. neste período nas alterações das Normas Regulamentadoras foram criados vários “programas” (PPRA = prevenção de riscos ambientais; PCMSO = controle médico de saúde ocupacional, PCMAT = das condições e meio ambiente de trabalho na indústria da construção) que acabam sendo sub-sistemas de gestão de SSO. Além do que pelo dimensionamento dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho - SESMT somente 1,7% (Fonte: RAIS) das empresas brasileiras possui um profissional de segurança (Técnico em Segurança do Trabalho). O número de empresas instaladas no Brasil com certificação com base na OHSAS 18.001 está apresentada no Quadro 3.. Item. Certificadora. Número de empresas. 01. ABS Group Services do Brasil. 26. 02. BVQI do Brasil. 108. 03. DNV – Det Norske Veritas Certif. Ltda. 48. 04. FCAV – Fundação Carlos Alberto Vanzolini. 19. 05. LRQA- Lloyd’s Register Q. A .. 16. 06. SGS ICS Certificadora Ltda. 01. 07. DQS do Brasil. 01. Total. 219. Quadro 3 - Empresas Certificadas OHSAS 18.001 Fonte: Anuário Brasileiro de Proteção (2004, p. 8). Pode-se observar no Quadro 4 que o número de empresas certificadas em Gestão de SSO não é expressivo, para o universo de empresas existentes no Brasil. Este número só não é real porque a DQS Brasil e a SGS ICS Certificadora Ltda não enviaram a relação completa das empresas que elas certificaram. Diante do exposto o que leva qualquer nação a preparar e implantar uma Legislação sobre e Segurança e Saúde no Trabalho, são: razões políticas; pressões de sindicatos e comunidades; processos de globalização, dentre outros fatores. No entanto os acidentes continuam ocorrendo em todo lugar e começa ganhar corpo no final dos anos 80, a idéia de que na “na sociedade do conhecimento que se está constituindo vamos procurar ter cada vez mais informações” (FIALDINI JR., 1996, p. 29)..

(21) 21. No que se refere ao termo, Fialdini Jr diz, “Informação é, às vezes, confundida com fatos, fornecimento de dados, conhecimento, inteligência, esclarecimento, argumentos, etc. Em Cibernética, informação é fator qualitativo que designa a posição de um sistema, eventualmente transmissível a outro sistema” (1996, p. 29 e 30). Na realidade “As empresas são criadas com base no pressuposto da continuidade; seu foco está nas operações”.(KAPLAN apud FOSTER, 2002, p. 24). A gestão de qualquer sistema existe para a manutenção dos processos, para que eles funcionem de acordo com o que foi planejado, assim na performance podemos ter resultados melhores, mais eficientes ou resultados aquém das metas estabelecidas, neste caso identificar as variáveis que estão gerando estas distorções. A gestão possibilita uma troca expressiva de informações, de todas as etapas do processo, quanto mais refinadas e “verdadeiras” melhor será a vantagem obtida. Isto ampliado para as informações geradas pelas partes interessadas, que se forem de qualidade, possibilitam sinergismo para que o resultado final seja alcançado. A captação de informações dependendo de como usamos, pode nos espantar e até amedrontar, pois ela pode vir do auto-conhecimento ou de sabermos onde encontrar “informações” a seu respeito (conhecimento). Em termos de Segurança e Saúde a história mostra várias situações em que as informações são manipuladas e outras são verdadeiras, o que aprendemos com isto?, por que as ações só ocorrem depois de um evento não desejado?. Numa exemplificação quanto ao uso da manipulação da informação de forma unilateral, pode ser observado com o comentário de Aguayo sobre o acidente do Exxon Valdez: Depois que o Exxon Valdez encalhou e derramou milhares de litros de petróleo ao largo da Costa do Alasca, a Exxon e o país encontraram um bode expiatório já pronto no Capitão do Exxon Valdez, porque ele tinha álcool no sangue no dia após o acidente. Nós adoramos bodes expiatórios. Mas segundo minha perspectiva, o acidente se deveu a causas comuns, e estas são de responsabilidade da administração. (AGUAYO, 1993, p.164).. Neste acidente ninguém comentou sobre dois pontos cruciais, primeiro do rigoroso programa de administração por objetivos, estabelecendo salário segundo o mérito e gratificações para os capitães e tripulações que pudessem reduzir o tamanho de sua tripulação. Segundo que a Exxon evitava o casco duplo em seus navios..

(22) 22. A partir de 1967, Frank Bird Jr. introduz o perfil do Controle de Perdas nas Companhias de Seguros Norte americanas como uma forma de gerenciar melhor a questão das perdas (danos ao patrimônio, lesões em pessoas, danos ao meio ambiente, perdas de processo), que vai permear no mundo por toda a década de 70 com algumas organizações utilizando-a até os nossos dias, inclusive no Brasil. Na Espanha a AENOR quando aborda o assunto informa que: Estudos realizados em alguns países da Europa Ocidental, indicam que o custo total dos incidentes, acidentes de trabalho, e doenças ocupacionais, se situam aproximadamente entre 5% e 10% dos benefícios brutos de todas as Empresas de um país. Entretanto os custos não segurados dos acidentes, importam entre 8 a 36 vezes os custos dos segurados. Portanto, além das razões éticas e legais, existem importantes razões econômicas para reduzir os acidentes de trabalho (apud ASOCIACIÓN 81900, 1996, p. 4).. Devido a esta pressão a partir da metade da década de 90 começam a surgir os Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho, todos voluntários e que hoje são reconhecidos a nível nacional e internacional, e que serão objeto do Capítulo 2, deste trabalho. A implementação de SGSSO permeia várias versões, uma delas é O efeito positivo resultante da introdução dos sistemas de gestão de segurança e saúde no trabalho (SST) no nível da organização, tanto a respeito da redução dos perigos e os riscos como a produtividade, é agora reconhecido pelos governos, os empregadores e os trabalhadores. (ILO – OSH, 2001, p. 2).. Além do que a UNE 81900, Norma Espanhola de 1996, já nasceu com o compromisso de compartilhar os mesmos princípios das normas série UNE – EN ISO 9000 (qualidade) e UNE 77 – 801 – 94 (ambiental), ou seja, complementar para alcançar os objetivos da gestão. Assim sendo podemos resumir a evolução da segurança e saúde no Brasil, no Quadro 4. PERÍODO 1919 - 1968. ATUAÇÃO Inspeção. RESPONSABILIDADE. ATITUDE DA. DE NÍVEL. GESTÃO. Operacional. Reativa/. VISÃO Pontual. Corretiva 1969 - 1977. Controle de Perdas. Operacional. Corretiva/ Preventiva. Pontual.

(23) 23 continuação PERÍODO 1978 - 1995. ATUAÇÃO Normas. RESPONSABILIDADE. ATITUDE DA. DE NÍVEL. GESTÃO. Tático. Compulsória/. Sistêmica. Preventiva. Fechada. Compulsória/. Sistêmica. Preditiva. Contingencial. Regulamentadoras 1996 - 2004. Sistemas de. Estratégico. Gestão de SST. VISÃO. Quadro 4 - Evolução da SST no Brasil Fonte: Campos; Campos (2004, p.26). Pode-se observar no quadro 5 que durante algum tempo a segurança e saúde ficou reativa e pontual, somente com o surgimento do Controle de Perdas surge uma forma nova de observar o contexto, atuando de forma preventiva, que se amplia com a entrada em vigor da alteração do Capítulo V, da CLT, que torna compulsória a Segurança e Saúde do Trabalhador, inclusive com multas para os requisitos da Legislação. Somente com os Sistemas de Gestão visualiza-se a questão “extra-muro” de forma sistêmica e contingencial.. 1.2 SITUAÇÃO PROBLEMA. No Brasil apesar de termos Leis Trabalhistas e Previdenciárias rigorosas é comum percebermos que na grande maioria das organizações estas ou não são reconhecidas ou são reconhecidas, mas o atendimento aos requisitos deixa a desejar. Nossas estatísticas de acidente e doenças não são confiáveis, tanto que até o governo através da Previdência Social está alterando a metodologia para pagamento do Seguro Acidente de Trabalho, sai a Comunicação de Acidentes de Trabalho – CAT e entra a Classificação Internacional de Doenças – CID, ou seja, o Governo deixa de monitorar o “intra-muro” da empresa e passa a monitorar do lado de fora, uma vez que a informação só existia se a organização emitisse a CAT, agora não pela CID independe da vontade das organizações. O Ministério da Previdência e Assistência Social desde a publicação do Decreto 3.048: Regulamento da Previdência Social em 6 de maio de 1999 (com duas alterações, em 26 de novembro de 2001 pelo Decreto 4032 e em 18 de novembro de 2003, com o Decreto 4882) tem reforçado a questão das empresas gerenciarem seus riscos ocupacionais, este requisito compulsório está no artigo 338, que ficou com o seguinte texto:.

(24) 24 A empresa é responsável pela adoção e uso de medidas coletivas e individuais de proteção à segurança e saúde do trabalhador sujeito aos riscos ocupacionais por ela gerados. § 1º É dever da empresa prestar informações pormenorizadas sobre os riscos da operação a executar e do produto a manipular. § 2º Os médicos peritos da previdência social terão acesso aos ambientes de trabalho e a outros locais onde se encontrem os documentos referentes ao controle médico de saúde ocupacional, e aqueles que digam respeito ao programa de prevenção de riscos ocupacionais, para verificar a eficácia das medidas adotadas pela empresa para a prevenção e controle das doenças ocupacionais. § 3o O INSS auditará a regularidade e a conformidade das demonstrações ambientais, incluindo-se as de monitoramento biológico, e dos controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, de modo a assegurar a veracidade das informações prestadas pela empresa e constantes do Cadastro Nacional de Informações Sociais - CNIS, bem como o cumprimento das obrigações relativas ao acidente de trabalho.(NR). (2003, p. 187).. Assim sendo a Legislação Previdenciária do Brasil permite que os Auditores Fiscais da Previdência e Assistência Social passem a auditar as empresas verificando como elas estão realizando a Gestão dos Riscos Ocupacionais nela gerados. Segundo Cardella (1999, p. 49) Toda organização é caracterizada por um complexo de padrões de comportamento, crenças e valores espirituais e materiais, transmitido coletivamente. Esse complexo, chamado Cultura Organizacional, é constituído pelas formas de expressão do grupo social. Fazem parte da cultura a maneira de pensar e viver, usos, costumes, crenças, valores, atitudes, rituais, mitos, tabus, heróis, histórias, arte, formas de comportamento, hábitos, linguagem. Esses elementos são representativos da “visão do mundo” ou do paradigma dominante na organização. A Cultura Organizacional reflete a forma como as pessoas da organização respondem à estímulos. A Cultura organizacional surge da necessidade de perpetuação. Para atingir esse objetivo, o grupo adota um conjunto de premissas básicas que foram estabelecidas, descobertas e desenvolvidas no processo de aprendizagem, solução de problemas, adaptação externa e integração interna. O lastro cultural próprio que o identifique é condição básica para um grupo social sentir-se comunidade. Caso contrário, seria apenas um bando de gente, um conglomerado humano.. Nas atividades de rotina do Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho Pacheco Jr. afirma: “Se observar as atividades do Setor de Segurança Medicina e Higiene do Trabalho – SMHT no diário de uma organização, sob um foco restrito, percebe-se que ela praticamente ocorre no âmbito interno, com poucos elementos externos afetando-a diretamente” (2000, p. 19). Se bem que esta realidade vem sendo alterada, hoje vários profissionais de segurança tem procurado outros caminhos alinhados com o negócio da empresa..

(25) 25. O impacto disto na Segurança e Saúde no Trabalho é enorme, pois vários profissionais usam o termo “aqui estamos apagando incêndio”, ou seja, estão “fazendo segurança”, sem planejar, sem checar ou agir, não há ciclos de aprendizado. Isso se deve porque um grande número de profissionais preocupa-se em reduzir os índices de acidentes / incidentes, fazendo com que isso ocupe uma boa parte de sua jornada, desviando, portanto, o foco da Gestão de SST. Este desconforto (negativo) ocorre um pouco pela repercussão que esses resultados impactam nas partes interessadas (clientes, acionistas, governo, sindicatos, alta administração, fornecedores, funcionários, terceiros e na Comunidade). As pressões para a prática de SSO nas empresas vem de vários segmentos, sendo o governo o maior impulsionador deste processo, no entanto temos ainda: os acionistas; a imprensa; o ministério público; os sindicatos; a comunidade; os clientes; os terceiros. Pode-se observar na Figura 1 a forma de como a CETREL S/A Empresa de Proteção Ambiental considera as pressões para a prática de SSO nas empresas.

(26) 26. Figura 1: Pressões para a prática de SSO nas empresas Fonte: CETREL (2001, p. 17). Na figura 1 estão os fatores externos e internos sob os quais a organização considera pertinentes para a necessidade de SSO nas empresas. Desta forma as empresas buscam uma alternativa para atender estas pressões e quase sempre estruturam um modelo de Sistema de Gestão de SSO, seja ele voluntário ou certificável e acabam por importar estes requisitos para atender o seu problema sem se preocupar em verificar se existe sinergia entre eles. Os resultados vão acontecendo e percebe-se a medida que se “roda” cada ciclo do PDCA, que vários ajustes precisam ser feitos. Além disto dependendo de como a organização internaliza a SSO em relação a construção do seu Mapa Estratégico, está pode ter maior ou menor espaço nos negócios. Segundo Campos (apud CAMPOS, 2004, p. 16):.

(27) 27 À medida em que as organizações vão amadurecendo sua gestão, passam a alinhar as diferentes dimensões, procurando garantir que o maior número possível de atividades, normas internas, procedimentos operacionais, etc, incluam os requisitos dos sistemas de gestão que existam na empresa. A meta a atingir é a total integração – uma meta de melhoria contínua [...]. 1.3 OBJETIVO DO ESTUDO. 1.3.1 Objetivo Geral. O objetivo deste trabalho é discutir se os requisitos para certificação de um sistema de gestão de segurança e saúde ocupacional são suficientes para atender as reais necessidades de uma organização para o desenvolvimento de uma gestão eficaz de segurança, de forma que se tenha, melhores condições de trabalho, melhor clima organizacional, que permita a melhoria na performance profissional e na qualidade de vida dos trabalhadores, fatores que implicam num desempenho superior.. 1.3.2 Objetivos Específicos. Os objetivos específicos são: •. A partir de um Estudo de Caso da empresa CETREL S/A que mantém um Sistema de Gestão com base na OHSAS 18.001, estabelecer um modelo estratégico alternativo de Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho, para facilitar sua implantação a partir de seis modelos de referência reconhecidos internacionalmente.. •. Realizar uma Análise Crítica do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional da CETREL, com base no modelo consagrado dos Mapas Estratégicos. •. Levantar elementos para a futura montagem de um modelo de implantação de sistema de gestão de segurança e saúde ocupacional.

(28) 28. 1.4 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO. Este trabalho não tem a pretensão de esgotar o assunto, está delimitado às condições operacionais e realidade da CETREL S/A, assim não pode ser estendido à outras organizações que não tenham esse perfil. O assunto Gestão de Segurança e Saúde é muito amplo e ainda há muito o que explorar. Está baseado nos seis Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho:OHSAS 18.001 (OHSAS 18.002), BS 8.800; UNE 81.900; ILO – OSH/2001, Código de Segurança e Saúde do Trabalhador – Atuação Responsável e AS 4.801 e limita-se a Unidade da CETREL S/A, localizada na Via Atlântica, km 9 – Pólo Petroquímico de Camaçari, no estado da Bahia, no Brasil. Durante a pesquisa pode-se encontrar outros sistemas, tais como, o Draft Proposed Safety and Health Program Rule da OSHA - Occupational Safety and Health Administration; e outros, que poderiam ampliar ainda mais este horizonte, mas que tornariam o trabalho bastante volumoso, foi levado em consideração que a abrangência proposta representa parcela significativa do universo dimensional. O desafio de elaborar uma proposta de um modelo alternativo para Gestão de SST, em função da realidade e das práticas exercidas no processo da CETREL, empresa que foi premiada com o Prêmio Nacional da Qualidade - PNQ, do ano de 1999, na Categoria Médias Empresas, tendo então estímulos, práticas exemplares de gestão e a força do aprendizado com compromisso das partes interessadas e de ter sido marcada por profundas mudanças nas formas de execução das suas atividades. Espera-se com este estudo contribuir positivamente, para a melhoria dos sistemas de gestão de segurança e saúde ocupacional nas organizações, de modo que a estratégia de sua implantação deve observar todo o processso, inclusive o da integração com outros sistemas existentes, de modo que os stakeholders (partes interessadas), saibam e entendam o que está sendo feito e por que está sendo feito desta forma. Para isto a estratégia usada neste estudo foi uma avaliação crítica no escopo de um Sistema de Gestão de Segurança e Saúde, através da metodologia de mapas estratégicos, definidos por Kaplan e Norton (2004)..

(29) 29. 1.5 IMPORTÂNCIA DO ESTUDO. A importância do estudo é contribuir para que os processos de implantação de um Sistema de Gestão de SST tenham uma abrangência maior com um referencial que ao mesmo tempo possibilite que se atenda as exigências da organização que o está implementando e não há requisitos generalistas de um documento de certificação, que uma vez implantado (com a certificação), deixa nos participantes a sensação de que – “será isto mesmo que precisávamos?”, ou seja, acaba se contrapondo a origem da idéia e do resultado esperado. Contribuindo com lacunas que em geral são tratadas como desvios mais adiante de forma pontual. A contribuição para futuras explorações está na possibilidade do resultado deste trabalho ser considerado e utilizado por organizações que estejam verdadeiramente em busca de implementar sistemas de gestão de SST que ao invés de “engessarem” o processo estejam abertos para experiências que assumam o controle de suas situações problemas específicas, dentro de um contexto só, onde se poça explorar todas as variáveis do processo e que o possibilitem integrar a qualquer sistema da organização. Considera-se como factível, a possibilidade do modelo de Gestão SST proposto, vir a ser utilizado por outras organizações, uma vez que, o referencial é aplicável a qualquer tipo de organização, desde que sejam estabelecidos os critérios de maturidade, abrangência e profundidade, para definição de sua aplicabilidade.. 1.6 QUESTÕES DA PESQUISA. Quando se trata de Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional existem dois tipos: os voluntários e o certificável (OHSAS 18.001), dependendo da organização a escolha está associada aos princípios, compromissos e liderança da Alta Administração e da conscientização, formação e informação dos trabalhadores. A implantação do sistema tem seus inconvenientes e dificuldades dentre elas pode-se citar: complexidade e burocracia.

(30) 30. gerada no sistema; resistência à mudança e o convencimento dos Gerentes de Linha (Gerentes, Chefes, Encarregados, Supervisores e Líderes). Ao decidir sobre um sistema de gestão SST as organizações enfrentam dificuldades na implementação de estratégias. Segundo Norton e Kaplan "As organizações hoje necessitam de uma linguagem para a comunicação tanto da estratégia como dos processos e sistemas que contribuem para a implementação da estratégia e que geram feedback sobre a estratégia. O sucesso exige que a estratégia se transforme em tarefa cotidiana de todos" (2000, p. 13). Assim todos os elementos do sistema devem ser parte integrante de uma cadeia lógica e estar num referencial que Norton e Kaplan chamam de "Mapa Estratégico". Os elementos apontados com base na fundamentação teórica, respeitada a ordem metodológica, levam as seguintes premissas que direcionarão o presente trabalho: •. 1. Os requisitos de um Sistema de Gestão específico são suficientes para atender as necessidades de uma Empresa em Segurança e Saúde. •. 2. A partir de um modelo de gestão de segurança e saúde ocupacional é possível melhorar a implementação da estratégia.. Para as hipóteses descritas a seguir, forma elaboradas questões - chave que buscam direcionar e/ou esclarecer o problema. Hipóteses •. Questões - Chave. Os requisitos de um Sistema de Gestão. Questão 1: Por que mesmo com os requisitos da. específico são suficientes para atender as. OHSAS 18001 implantados, as organizações. necessidades de uma Empresa em Segurança e continuam procurando soluções para seus problemas? Saúde. Questão 2? Dentre os Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde analisados, algum deles possui estes requisitos?. •. A partir de um modelo de gestão de segurança Questão 1: Como o modelo de Gestão de SSO do e saúde ocupacional é possível melhorar a. Estudo de Caso pode ter sua construção focalizada na. implementação da estratégia. estratégia? Questão 2: Como o atendimento à clientes em suas instalações podem influenciar neste modelo?. Quadro 5 - Relacionamento das hipóteses com as questões - chave.

(31) 31. No Quadro 5 estão formuladas as questões-chaves que irão nortear este estudo. 1.7 ESTRUTURAÇÃO DO TRABALHO. O estudo foi desenvolvido em seis capítulos, no qual este primeiro aborda o histórico da situação dos acidentes no mundo e no Brasil, relatando o foco das organizações e o processo da evolução da indústria, como fator gerador deste desequilíbrio social, até as técnicas e os sistemas de gestão como proposta de mudança deste Status Quo. Menciona ainda a forma como foi desenvolvido o estudo, suas hipóteses, delimitações, objetivos e o modo como irá ser desmembrado nos capítulos subseqüentes. O segundo capítulo contém o referencial teórico e da revisão da literatura que contextualiza os cinco sistemas de gestão abordados, para alicerçar a estrutura do modelo alternativo proposto. O terceiro capítulo apresenta a metodologia adotada neste estudo. O quarto apresenta o estudo de caso da CETREL, com uma descrição básica da organização, as necessidades dos clientes, desafios e novas tecnologias, bem como, o Sistema de Gestão de Segurança, Higiene e Saúde Ocupacional – SGSSSO, com seus elementos que vão desde a Política, o Planejamento, a Implementação e Operação, a Verificação e Ação Corretiva e a Análise Crítica pela Administração. No quinto capítulo será exibida e detalhada a análise do Estudo de Caso, incluindo as oportunidades de melhoria, os pontos fortes, o uso dos outros sistemas fortalecendo e subsidiando ações para otimizar os resultados de forma que se tenha elementos suficientes para estabelecer uma proposta alternativa ao Sistema de Gestão de Segurança, Higiene e Saúde Ocupacional – SGSSO do estudo de caso, inclusive com a apresentação do modelo proposto para sustentar as premissas deste estudo.. No sexto capítulo do trabalho, estão apresentadas as conclusões e recomendações do presente estudo..

(32) 32. E por último finalizam a dissertação, as referências bibliográficas..

(33) 33. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA. 2.1 ASPECTOS DA TEORIA DA ADMINISTRAÇÃO. As empresas em geral passam por períodos de prosperidade alternados por períodos de crise, isto se deve em função da forma como são administradas. Segundo Chiavenato Todas as instituições que compõem a sociedade moderna não vivem ao acaso. Elas precisam ser administradas. Essas instituições são chamadas organizações. As organizações são constituídas de recursos humanos (pessoas) e de recursos não humanos (recursos físicos e materiais, recursos financeiros, recursos tecnológicos, recursos mercadológicos, etc). Toda a produção de bens (produtos) e de serviços (atividades especializadas) é realizada dentro das organizações. As organizações são extremamente heterogêneas e diversificadas, de tamanhos diferentes, estruturas diferentes e objetivos diferentes. Não existem duas organizações semelhantes. E uma mesma organização nunca é igual ao longo do tempo. Existem organizações lucrativas (chamadas empresas) e organizações não – lucrativas (como o Exército, a Igreja, os serviços públicos, as entidades filantrópicas, etc). A sociedade moderna repousa sobre as organizações: ela é basicamente uma sociedade de organizações. Para que as organizações possam ser administradas, elas precisam ser estudadas, analisadas e conhecidas. Daí o fato de que a Teoria das Organizações (TO) sempre caminhou à frente da Teoria da Administração (TA), dando-lhe as bases teóricas de suporte. No fundo a Teria da Administração é uma decorrência das conclusões extraídos da teoria das organizações. A teoria das Organizações é o campo do conhecimento humano que se ocupa do estudo das organizações em geral. A Teoria Geral da Administração é o campo do conhecimento humano que se ocupa do estudo da administração em geral, não se preocupando com o setor onde ela será aplicada, quer nas organizações lucrativas (empresas), quer nas organizações não lucrativas. A TGA trata do estudo da Administração das organizações. (1999, p. 1-2).. Ao longo dos tempos várias teorias foram formuladas, Cruz cita: A teoria geral das organizações tem sido contemplada, através dos tempos, por escolas com abordagens próprias visando a otimização do desempenho e dos resultados organizacionais. Todas estas teorias tentam explicar comportamentos e características peculiares aos seus objetos de estudo. A partir dos conceitos, parâmetros e variáveis organizacionais oriundos de cada uma das escolas, foram desenvolvidas ferramentas gerais e específicas para realizar, segundo sua ótica, o desenvolvimento organizacional no todo ou em partes. (CRUZ, 1998, p. 23) .. A gestão segundo a ISO 9000, é definida como “Atividades coordenadas para dirigir e controlar uma Organização” (ASSOCIAÇÃO..., 2000a, p. 8)..

(34) 34. O termo Gestão, segundo o dicionário Aurélio Buarque de Hollanda, quer dizer, “ato de gerir; gerência, administração”. Como administração “é um conjunto de princípios, normas e funções que têm por fim ordenar os fatores de produção e controlar a sua produtividade e eficiência, para se obter determinado resultado”, a prática desses princípios, normas e funções é a Gestão. Vários autores tem uma definição própria para gestão, Cardella (1999, p. 51) define como “Gestão é o ato de coordenar esforços de pessoas para atingir os objetivos da organização. A gestão eficiente e eficaz é feita de forma que as necessidades e objetivos das pessoas sejam consistentes e complementares aos objetivos da organização a que estão ligadas”. Já Pacheco Jr enfatiza que: Gestão é o estabelecimento, distribuição e integração racional de recursos para que se tenha requisitos mínimos para que uma organização conduza e anime as ações visando atingir seus objetivos , com base em dados do microambiente , ambiente de tarefa e ambiente interno. (2000, p. 20).. Ao longo dos anos segundo Pinedo, “Houve época em que as empresas podiam ser organizações focadas nos próprios processos produtivos e comerciais, pressionando o mercado a se adaptar a suas necessidades ou características, de acordo com o modelo de negócios por elas praticado. À medida que a sociedade e o mercado se alteraram em profundidades e complexidade, e acionistas, funcionários, clientes, fornecedores e comunidade passaram a pressionar as empresas com maior velocidade, intensidade e multiplicidade de formas, exigindo ao mesmo tempo melhores produtos, mais resultados e ganhos crescentes, as empresas passaram a sentir necessidade de se envolver num processo contínuo de melhoria” (2003, apud RENTES, 2004, p. 68).. .. Nos tempos atuais as questões associadas à gestão começam num sentido mais amplo com a "Missão" e "Visão" da organização. Araújo (2004, p. 202) comenta: Na busca pela sustentabilidade surgiram grandes oportunidades de negócio, por isso, muitas empresas tem optado por este caminho para se diferenciarem num mercado altamente competitivo. Na bolsa de valores dos EUA, por exemplo, foi criado o indicador Dow Jones Sustentability como forma de acompanhar o desempenho diferenciado das organizações comprometidas com sistemas de gestão ambientalmente sustentáveis..

(35) 35. 2.1.1 Definição de sistema. A aplicação de um sistema de gestão nas atividades de uma organização em toda a sua extensão assegura os objetivos éticos de legalidade e exigência da sociedade, assim como a produtividade necessárias para a manutenção do negócio. Segundo Moro (1997 apud CRUZ, 1998, p. 24) “Um sistema pode ser definido como um “conjunto de elementos em constante interação”. Já por sua vez Cruz (1998, p. 24) enfatiza que: A analogia de sistemas é realizada comparativamente com as células dos organismos. Estas, mesmo sendo entes individuais são revestidas pela membrana plasmática com a chamada permeabilidade seletiva, que permite que a célula realize uma certa troca com o meio o qual está inserida. Da mesma forma, todos os elementos constituintes de qualquer sistema estão em constante interação com o meio no qual o sistema está inserido”.. Na construção dos sistemas de gestão é importante que se verifique que, “a tarefa empresarial tem sido objeto de estudo de muitas escolas e abordagens organizacionais distintas, permitindo que a observação, análise e avaliação de uma entidade organizada, varie em função dos parâmetros e variáveis em que se baseiam. Com base nestas várias abordagens, foram desenvolvidas ferramentas gerais e específicas para realizar, segundo suas óticas, o desenvolvimento organizacional no todo, ou em parte. Os instrumentos e ferramentas que auxiliam o desenvolvimento organizacional formam o chamado sistema de gestão e sua atuação está representada na Figura 2” (CRUZ, 1998, p. 31). Finalidades Empresariais. Administração. Tarefa Empresarial. Sistema de Gestão Figura 2 - Objetivo do sistema de gestão Fonte: Arantes (1994 apud CRUZ, 1998, p. 31). Resultados.

(36) 36. Na figura 2 o Sistema de Gestão surge na Tarefa Empresarial para possibilitar os resultados planejados. Um sistema de gestão segundo a ISO 9.000, é definido como Sistema para estabelecer política e objetivos, e para atingir estes objetivos (ASSOCIAÇÃO..., 2000a, p. 8). A visão européia de sistema pode ser representada por Lluna (1997, p. 37) que define como “Um Sistema ou modelo de gestão é um conjunto de pessoas, recursos e procedimentos que interagem de forma organizada, qualquer que seja o nível de complexidade para realizar um determinado trabalho ou conseguir um determinado objetivo”. No entanto num sentido mais amplo “podemos estabelecer ou desenhar, aparentemente, diferentes sistemas de gestão que se encaixem melhor as características próprias de uma determinada organização, mas a essência de vê ser comum à todos eles” (LLUNA, 1997, p. 37). Um sistema pode ser pensado como sendo uma quantidade ou conjunto de elementos ou constituintes em ativa e organizada interação, como que atados formando uma entidade, de maneira a alcançar um objetivo ou propósito comum que transcende aqueles dos constituintes quando isolados. (MORO, 1997 apud CRUZ, 1998, p.24). Nas organizações os processos devem estar mapeados e “dentro dessa visão, um sistema de gestão tem a função de estruturar a forma pela qual são realizadas atividades dentro dos processos da empresa, com o intuito de buscar garantir que sua execução ocorra da forma mais regular possível, reduzindo desvios e erros” (CAMPOS; CAMPOS, 2004, p.8). Algumas organizações experimentam diversos modelos, no entanto: [...] quando falamos da introdução dos modelos gerenciais propostos pelas diferentes normas de sistemas de gestão, sejam elas emitidas pela ISO, CEPAA, FSC ou BSI, devemos identificar os elementos motivadores que justificam os esforços associados à implantação e manutenção destas práticas. (CARVALHO, 1999, p. 124).. A implementação de um Sistema de Gestão, trata-se de um processo de aprendizado que está relacionado a ação. Em geral busca-se a maior amplitude, quando o caminho melhor seria começar em níveis aceitáveis e ir ampliando aos poucos a medida que a gestão se consolida..

(37) 37. “Em chinês, aprender significa literalmente estudar e praticar constantemente”. (SENGE, 2002, p. 24, grifo do autor). Segundo Campos; Campos (2004, p. 12), “toda empresa possui seu próprio sistema de gestão, uma vez que elas EXECUTAM sua gestão. Mas como eles são estruturados? Como são organizados? Quais são seus elementos? Esses elementos são aqueles que darão os melhores resultados?”. Essas perguntas são pertinentes e feitas por qualquer organização que se dispõe a tratar a segurança e saúde de forma estratégica sob a perspectiva de seus processos internos, visando atingir vantagens competitivas dentro de um modelo estratégico da Organização.. 2.1.2 Gestão de segurança e saúde ocupacional. A adoção de um Sistema de Gestão de SSO reconhecido nacionalmente e internacionalmente é estratégica, pois o risco de se ter acidentes do trabalho e doenças ocupacionais pode comprometer não só os processos internos, mas a competitividade, a qualidade, a gestão ambiental e tantas outras variáveis. “Além de custos humanos, os acidentes e doenças derivadas do trabalho impõem uns custos elevados aos trabalhadores, as empresas e a sociedade em seu conjunto” (ASOCIACIÓN..., 1996a, p. 4). As organizações buscam vantagens competitivas, principalmente se estão num segmento bastante concorrido. Assim sendo, À luz da competitividade e da globalização, as empresas tornam-se valorizadas e reconhecidas pela sua flexibilidade frente aos desafios do mercado e pelas estratégias de interação com a sociedade. Na linha de frente destas mudanças temos encontrado trabalhadores mais conscientes, participativos e responsáveis pelos resultado de suas corporações. É neste contexto que, no Brasil e no mundo, algumas organizações buscam dar mais um passo em direção à sua consolidação, adotando, de forma integrada, um modelo efetivo para o SGSO – Sistema de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional. (CARVALHO, 1999, p. 124).. A ILO – OSH: 2001, define Sistema de Gestão de SST como “Conjunto de elementos interrelacionados ou interativos que tem por objeto estabelecer uma política e objetivos de SST e alcançar tais objetivos” (ARAÚJO, 2001, p. 24)..

(38) 38. A Gestão de SST para o Risco encontrado na organização está sintetizada na UNE 81.905/1997, onde há o fluxo passo a passo de todo o processo, desde a identificação do perigo até o controle do mesmo, como pode-se observar na figura 3 .. Identificação Do Perigo Análise do Risco Estimativa do Risco Avaliação do Risco Analisar o Risco Gestão do Risco Risco Tolerável. sim. Risco Controlado. não Controle do Risco Figura 3 - O processo interativo para gestão do risco. Fonte: UNE 81905 (ASOCIACIÓN..., 1997f, p. 11). A Figura 3 apresenta uma forma simplificada para se visualizar todo o processo de gestão do risco, inclusive com a clássica questão “está controlado ou não”, que é o fecho de todo o processo, a criação de defesas que tornem o sistema consistente e com os resultados esperados.. 2.2 ADMINISTRAÇÃO ESTRATÈGICA. Durante muito tempo o principal sistema de avaliação de empresas americanas era a Contabilidade Financeira, que tratava como despesas todos os processos, desde capacitação de.

Referências

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