ESTO017-17 – Métodos Experimentais em Engenharia
ESTO017-17
Métodos Experimentais em Engenharia
AULA 3
ESTO017-17 – Métodos Experimentais em Engenharia
Incertezas tipo A e tipo B
Conceitos estatísticos e Distribuições
Combinação de incertezas
Grandezas de influência
Diagrama causa-efeito
Repetitividade e Reprodutibilidade
Precisão e Exatidão
Experimento 1
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Incerteza
• Formas de avaliar uma componente da incerteza:
–Tipo A: obtida por uma análise estatística dos valores medidos –Tipo B: obtida de outras formas
• associada à resolução de equipamentos digitais,
calculadoras, etc (π = 3,1415 por exemplo)
• associada aos valores publicados por autoridade competente
(ex: constante de Avogadro = 6,0221367 x 1023 mol-1 (codata
1986))
• associada ao valor de manual dos equipamentos utilizados ou do certificado de calibração
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CUIDADO!
A diferença básica entre as incertezas tipo A e tipo B é a forma como são determinadas: as incertezas tipo A são estimadas a partir de dados coletados durante o experimento, e as incertezas tipo B são estimadas de antemão ou disponibilizadas de alguma outra forma antes do experimento.
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Incerteza “
Tipo A
”
(incerteza calculada por método do tipo A)
A incerteza Tipo A normalmente é estimada a partir da variância de resultados obtidos por meio de "n" medições (ou de “n” amostras).
Variância (s2) Desvio padrão (σ) Incerteza da média (u
m)
(
)
∑
− − = i médio 2 2 x x ) 1 n ( 1 s = s n um 2 xmédio # Medição Valor da Grandeza 11
n ix
n
=
∑
= = + =ESTO017-17 – Métodos Experimentais em Engenharia
Incerteza da média ou Desvio padrão do valor médio
Utilizado quando se considera que o conjunto de n
medições seja repetido p vezes → p valores médios
( )
2 ms
u
s
u
n
n
n
=
=
=
Desvio padrão da média é vezes menor que o desvio padrão do conjunto de medições, pois a
variância da média de “n” amostras de uma população é
menor que a da população.
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h
1h
2h
3h
4h
5h
6h
7h
8h
9h
10h
11h
12h
13h
14h = média entre os valores h
1a h
14?
Qual a altura do muro?
Qual seria uma resposta honesta?
Exemplo
Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial Albertazzi, A.S. ;Souza,A.R.; Ed. Manole, 2008
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Respostas honestas
Varia.
h
1h
2Varia entre um mínimo de h
1e um máximo de h
2A faixa de variação de um mensurando variável deve fazer parte do resultado da medição.
Fa
ix
a
de
v
ar
ia
çã
o
Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial Albertazzi, A.S. ;Souza,A.R.; Ed. Manole, 2008
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Medição de mensurando variável
• Deve sempre ser medido muitas vezes, em
locais e/ou momentos distintos, para que
aumentem as chances de que toda a sua faixa
de variação seja varrida.
• Em engenharia não é sempre possível fazer
muitas medições: como estimar a faixa de
variação?
Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial Albertazzi, A.S. ;Souza,A.R.; Ed. Manole, 2008
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• Resolução de instrumentos (analógicos ou digitais): é componente da incerteza do instrumento. A incerteza pode ser estimada dependendo: • da experiência do operador; • do método de medição; • do bom senso; • da qualidade da escala; • da qualidade do ponteiro.
• Em aparelhos digitais, a incerteza padrão pode ser estimada, por exemplo, supondo uma distribuição retangular com amplitude "2a". Assim u = a/√3 (p.ex.:relógio digital: 2a = 1 minuto).
• Em aparelhos analógicos, normalmente considera-se “a” como sendo a metade da menor divisão da escala.
Incerteza “
Tipo B
”
29 28 27 26 25 24 23 22 21 2aESTO017-17 – Métodos Experimentais em Engenharia
Incerteza “
Tipo B
”
• Fatores ambientais (não tipo A), tipicamente: temperatura, pressão,
umidade, aceleração da gravidade, campo magnético terrestre, luz, ruídos, etc...
• Fatores observacionais, tipicamente dependentes da experiência do
observador: paralaxe, tempo de disparo de cronômetro, etc...
• Incertezas ligadas a modelos teóricos: utilização de equações para obtenção de resultados. Ex: v=g.t
O valor de g (aceleração da gravidade) varia com a altitude; Este modelo não considera o efeito da resistência do ar, etc...
Todas as incertezas podem ser medidas por métodos do Tipo A ou do Tipo B. Normalmente as seguintes grandezas de influência utilizam métodos do tipo B:
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Paralaxe: Incerteza “Tipo B”
Normalmente , o intervalo “a” é considerado metade da menor divisão. Em processo no qual o operador possui mais experiência, pode ser até
melhor (talvez ¼ divisão? ... Pense em “n” pedaços de papel que tenham sido
cortados com 10,0 cm, com estilete: será que a variância do comprimento seria associada a 0,5 mm?)
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Incerteza
• Embora haja métodos para avaliar a incerteza, eles não substituem o “raciocínio crítico, a honestidade intelectual e a habilidade profissional” [Guia].
• Assim “a qualidade e a utilidade da incerteza dependem da compreensão, análise crítica e integridade daqueles que atribuem seu valor”.
“Avalia-se a inteligência de um indivíduo pela quantidade de incertezas que ele é capaz de suportar”
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resultado
da medição
definição do
mensurando
procedimento
de medição
condições
ambientais
operador
sistema de
medição
Grandezas de influência no processo de medição
Fundamentos de Metrologia Científica e Industrial Albertazzi, A.S. ;Souza,A.R.; Ed. Manole, 2008
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• Exemplo de Mensurando (TMSA):
A temperatura média da cidade de Santo André (TMSA),
às 14 horas, calculada pela média aritmética da temperatura medida no mesmo instante, com termômetro de álcool, protegido do sol e de intempéries, em 4 pontos geográficos distintos, num dia determinado.
Grandezas de influência representadas em diagrama causa-efeito:
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Grandezas de influência
• Diversos fatores que não são o mensurando e que afetam o
seu valor:
– Componentes da função que define o mensurando. Por
exemplo: na determinação da TMSA, as temperaturas de
cada ponto são grandezas de influência;
– Qualidade da instrumentação e da sua calibração;
– Condições ambientais que interferem no mensurando (mas não estão definidas como sendo o mensurando). Por exemplo, o efeito da umidade (ou temperatura) nos instrumentos;
– Flutuações nas medições devidas a fenômenos não relacionados com o mensurando. Por exemplo: a experiência do operador em obter valores do termômetro a álcool;
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Diagrama de causa-efeito (ou de Ishikawa, ou espinha-de-peixe) Lista e relaciona as Grandezas de Influência
TMSA Ti (oC) Termômetro Calibração Especificações Repetitividade Horário Relógio Calibração Especificações Repetitividade Reprodutibilidade Atraso de leitura "Erros numéricos"
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Repetitividade e Reprodutibilidade
Repetitividade: grau de concordância entre resultados de medições repetidas de um mesmo mensurando, exatamente nas mesmas condições. Exemplos de condições de repetitividade:
– tempo entre medições (não muito espaçadas); – Instrumentação e procedimento;
– local;
– operador .
É importante estimar a repetitividade, associando-a a uma incerteza (dispersão dos resultados).
Reprodutibilidade: variações no valor do mensurando, medido em condições modificadas ou diferentes (uma ou mais condições de repetitividade são alteradas). É importante estimar a reprodutibilidade, associando-a a uma incerteza do mensurando (dispersão dos resultados).
Um bom método de medição possui repetitividade e reprodutibilidade
“adequadas”: no mesmo lab, ou em labs diferentes, os resultados são sempre semelhantes (“adequadamente” semelhantes).
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Precisão e Exatidão
• Precisão: grau de concordância entre indicações ou valores medidos, obtidos por “n” medições repetidas, no mesmo objeto ou em objetos similares, sob condições especificadas. Tipicamente representada pela raiz da variância.
• Exatidão: indica a qualidade do resultado da medição no que se
refere à incerteza final. Grau de concordância entre um valor medido e o valor verdadeiro de um mensurando (não é numérica!) Exemplos: “exatidão milimétrica ou nanométrica”; “o método X possui melhor exatidão que o método Y”.
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Precisão e Exatidão
Ref: http://sampa.if.usp.br/~suai de/LabFlex/blog/pivot/entry .php?id=34 Alta exatidãoAlta precisão Baixa exatidãoAlta precisão
Alta exatidão
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Nos experimentos
reais
: normalmente não se conhece o
“alvo” (→ o valor verdadeiro):
Exatidão ??
Alta precisão Exatidão ??Alta precisão
Exatidão ?? Baixa precisão
Exatidão ?? Baixa precisão
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• Qual é a medida mais exata e a medida mais precisa?
Desafio
Régua (5,0 ± 0,4) cm [4,6 – 5,4] cm Paquímetro (5,03 ± 0,02) cm [5,01 – 5,05] cm
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Experimento 1
-
Dimensões e densidades de sólidos
Objetivos
Aprender os conceitos básicos e fundamentais de metrologia
e da expressão de valores experimentais, através da
realização de medidas diretas de sólidos.
Aprender a utilizar o paquímetro, o micrômetro e a balança
digital para fazer medições e avaliar suas incertezas.
Medir a massa e as dimensões de uma peças sólida
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Experimento 1
-
Dimensões e densidades de sólidos
Procedimento
Avaliar incertezas do tipo A e do tipo B
Determinar incertezas combinadas. Apresentar resultados das grandezas com respectivas incertezas.
Medir massa e dimensões da peça sorteada com régua, paquímetro e micrômetro (quando possível).
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Experimento 1
-
Dimensões e densidades de sólidos
Objetivos
• Calcular o volume de uma das peças sólidas e a densidade
do material com o qual é construída esta peça.
• Aprender os cálculos e procedimentos associados à
propagação de incertezas, através do cálculo das incertezas nos valores do volume e densidade de sólidos.
• Identificar o material da peça, através dos valores
experimentais, e o seu grau de confiança, a partir das incertezas obtidas e da experiência prévia do operador.
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Experimento 1
-
Dimensões e densidades de sólidos
Utilizando propagação de incertezas,
determinar as incertezas nos valores do volume e da densidade da peça.
Identificar o material da peça
escolhida e explicar os critérios usados nesta identificação.
Elaborar Relatório Técnico
Procedimento
Determinar o volume e densidade da peça sorteada, a partir das medidas realizadas com o paquímetro.
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Experimento 1
-
Dimensões e densidades de sólidos
m
V
ρ
=
densidade
volume
depende das dimensões e do “modelo” do sólido
massa (balança)
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Experimento 1
-
Dimensões e densidades de sólidos
Cálculo do Volume do sólido → depende do modelo adotado
Ex1: Uma bolinha pode não ser uma esfera perfeita (pode ser ovalizada e
apresentar irregularidades em sua superfície)
Ex2: um cubo pode não apresentar as 3 arestas idênticas
Ex3: uma lâmina pode apresentar dimensões de largura e comprimento
variáveis
Observar cuidadosamente o sólido escolhido e adotar um modelo adequado
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Softwares utilizados para cálculos de incertezas:
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Bibliografia Básica
• Apostilas: “Bases Estatísticas”, “Expressão de Valores Experimentais”, “Representação da incerteza”,
https://sites.google.com/site/ufabcmeebc1707/material-didatico
• Guia para a Expressão da Incerteza de medição, INMETRO, 2008
http://www.inmetro.gov.br/noticias/conteudo/iso_gum_versao_site.pdf
• Inmetro, Vocabulário Internacional de Metrologia - Conceitos Fundamentais e Gerais e Termos Associados - VIM 2012
https://www.inmetro.gov.br/inovacao/publicacoes/vim 2012.pdf
• “Introdução à Teoria de Erros”, J.H. Vuolo, Instituto de Física, USP, 3ª. Edição, 1999.
• “Fundamentos da teoria de Erros”, J.H. Vuolo, Editora Edgard Blücher, 2ª. Edição, 1996.
• “Introdução à Análise de erros- O estudo de incertezas em medições físicas”, J.R.Taylor, Ed. Bookman, 2012.
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Organizações Internacionais
•INMETRO : Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial: http://www.inmetro.gov.br/
•BIPM : Bureau International des Poids et Mesures: http://www.bipm.org/
•NIST: National Institute of Standards and Technology:
http://www.nist.gov/index.html (até 1988 era NBS: National Bureau of Standards)
•ISO: International Organization for Standardization:
http://www.iso.org/iso/home.htm
•NPL: National Physical Laboratory: http://www.npl.co.uk/
•IPEM-SP: Instituto de Pesos e Medidas do estado de São Paulo: